[Itália] Detenções em Roma de dois anarquistas: Liberdade para Evelin e Gianluca!

Em 16 de março passado, em Roma, o grupo antiterrorista ROS dos carabineiros prendeu dois conhecidos anarquistas genoveses: Gianluca Iacovacci (37 anos) e Evelin Sterni (40 anos).

Os dois companheiros tinham denunciado publicamente estarem sendo submetidos a perseguições e vídeo-vigilância, tendo localizado aparatos de vigilância em seus carros e domicílios. Encontravam-se refugiados em Roma.

O juiz de instrução de Gênova, seguindo o informe da polícia especial DIGOS acusa Gianluca e Evelin, junto a outras pessoas não identificadas, de “depósito de material explosivo e fabricação de artefatos explosivos com intenção de atentar contra a segurança pública”. Ainda que o juiz tenha reconhecido a proximidade ideológica dos presos com a FAI (Federação Anarquista Informal) rechaçou imputar-lhes a acusação de “terrorismo” que solicitava a promotoria.

Segundo a polícia a investigação iniciou em 18 de junho de 2021 com a descoberta casual de um “esconderijo” em um bosque próximo de Gênova. Nele se encontraram 3 kg de pólvora, centenas de petardos, relógios, materiais elétrico e um artefato explosivo montado. Este material seria igual ao utilizado em um atentado contra duas torres de alta tensão ocorrido em 13 de julho do mesmo ano.

Inocentes ou culpados reivindicamos Gianluca e Evelin como companheiros nossos e como anarquistas revolucionários e é nosso desejo mostrar-lhes toda nossa solidariedade. Como a todos os revolucionários e anarquistas encarcerados.

Endereço provisório para escrever-lhes:

Gianluca Iacovacci
C. C. di Roma Rebibbia maschile
via Raffaele Majetti 70
00156 Roma

Evelin Sterni
C. C. di Roma Rebibbiafemminile
via Bartolo Longo 92
00156 Roma

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Não pude imaginar
Esse tigre invisível
Que vês em meu nariz

Jeanne Painchaud

[Espanha] Campanha para o financiamento de “Negras Tormentas 1936-1939”

Memórias da revolução e da guerra 1936-1939

Os protagonistas desta história em quadrinhos atravessam a guerra e a revolução como caminhos abertos para mudar o mundo.

Este romance gráfico narra e recria de uma perspectiva libertária o processo da guerra, a revolução social e a contrarrevolução, através das preocupações e vicissitudes de seus seis protagonistas, militantes anônimos e reconhecidos da CNT e das Mujeres Libres (Mulheres Livres). Protagonistas que experimentam amor e ódio, vitórias e derrotas, bem como as contradições de colocar os ideais em prática.

Ao longo de suas páginas se desdobra um apelo contra as guerras nas quais o povo sempre fornece os mortos. Ao mesmo tempo, reflete como um imenso número de pessoas soube se autogerir com base no apoio mútuo, na solidariedade e no federalismo.

É necessário contar estas histórias de revolução social, com suas possibilidades e seus fracassos, pois elas são parte essencial de uma memória coletiva que quase sempre foi coberta por capas de esquecimento e preconceito.

Este retorno ao passado que Negras Tormentas propõe não é um ato de nostalgia, mas um exercício de reconhecimento para conhecer a nós mesmos na história, para aprender e para ser comovido.

Quem somos

> Rubén Uceda (roteirista) combina seu trabalho como cartunista com outros no campo agroflorestal. Ele colaborou em revistas, fanzines, jornais e livros. Seus romances gráficos publicados são: Vahídos (2008), El Decapital (2011), El corazón del sueño (2014), Versoñetas (2015), Atado y bien atado (2018) e La huerta y el origen de las cosas (2020).

> Gabriel Cagliolo (cartunista) desenha profissionalmente há mais de quatro décadas para jornais, editoras e adaptações de filmes, além de contribuir com oficinas de desenho, videogames, cenários, murais e cartazes publicitários. Como pintor, ele participou de numerosas exposições coletivas e individuais.

>> Vídeo promocional da campanha:

https://www.youtube.com/watch?v=p9cCOQyli1U&t=93s

>> Para colaborar, clique aqui:

https://www.verkami.com/projects/32305-memorias-de-la-revolucion-y-la-guerra-1936-1939/blog/54809-gran-acogida-inicial-del-comic-negras-tormentas

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

gota na água
faz um furinho como
prego na tábua

Carlos Seabra

[Grécia] Reivindicação de responsabilidade pelo ataque incendiário a um veículo da empresa UNISON Facilities Management em Exarchia, Atenas

Regeneração, desenvolvimento, gentrificação. Conceitos que entraram como espinhos no discurso e na ação do movimento antagonista devem ser vistos como outro aspecto do ataque das classes dominantes contra a classe oprimida. O capital visa subordinar a vida como um todo à sua exploração e reprodução e, portanto, organiza cada vez mais aspectos da atividade humana nessa lógica.

O processo de delimitação de espaços comunitários/públicos para fins de reprodução do capital é um processo tão antigo quanto o capitalismo. Nas últimas décadas vivenciamos a longa desconstrução da gestão social-democrata, com a mediação do Estado recuando, dando mais espaço para a subordinação das atividades da vida social ao capital. Nesse sentido, foi lançado nos últimos anos um ataque aos espaços públicos, praças e parques das metrópoles, transferindo a sua gestão do Estado para o setor privado, com o objetivo de criar novos campos de rentabilidade para o capital.

Esta é exatamente a condição da venda de uma série de espaços verdes públicos de Atenas à empresa UNISON Facilities Services, como as colinas (Strefi, Filopappou, Lycabettus, Turkovounia), praças (Protomaya, Victoria, Kypseli, Attiki , Ameriki, Drakopoulos, Agios Panteleimon), parques (Platonos Academia, Kyrpo, Patision, Goudi) e ruas de pedestres (Agia Zoni, Fokionos Negri). A UNISON (antiga ISS), pertence a uma categoria de um novo tipo de empresa que, por meio de privatizações de empreiteiras, é simultaneamente financiada por mais-valia produzida coletivamente e tributada pelo Estado, e ao mesmo tempo intensifica a exploração de seus trabalhadores por meio de salários miseráveis, horários de trabalho flexíveis e violação dos direitos dos trabalhadores.

Neste contexto, a UNISON está na vanguarda do ataque estatal à Exarchia, através da requalificação promovida no morro Strefi, onde empreendeu a futura segurança (cercas, câmeras, sentinelas) e sua concretagem para criar caminhos e estradas que cortam árvores. O bairro de Exarchia tem sido há décadas uma área de concentração de antagonismos sociais e de classe. Nos últimos anos, o ataque ao bairro se intensificou por todos os lados. O ápice da estratégia do Estado tem sido o ataque às ocupações, espaços que desafiam diretamente a propriedade e a mediação estatal, apresentando soluções auto-organizadas e defensivas para as necessidades e problemas cotidianos dos oprimidos. Uma condição que tem contribuído para a desterritorialização do próprio espaço anarquista e a mudança da geografia humana do bairro, com a expulsão de centenas de proletários migrantes indocumentados. Ao mesmo tempo, o Estado, com presença constante e patrulhas de policiais, tenta controlar todos os aspectos da atividade coletiva no bairro. Prisões por colagem de cartazes, revistas, terrorismo e bullying compõem a estratégia da quadrilha mais perigosa. O bairro que abrigava dezenas de squats, uma experiência prática de auto-organização e autogestão, aos poucos está se transformando em um deserto da capital com centenas de bares que invadem as calçadas, Airbnb e apartamentos de luxo que atraem turistas ricos, lojas com produtos caros, cercas e câmeras nas entradas dos prédios de apartamentos que “protegem” a vida da pequena burguesia restringindo ainda mais o espaço público.

Este ataque não deve ser visto como uma escolha impensada do Estado, como uma batalha ideológica de simbolismo desvinculado da realidade social. É uma resposta direta do Estado a um ciclo recente de lutas, à coletivização, auto-organização e nestes termos ao contra-ataque dos oprimidos que se territorializou nos últimos anos nas dependências do bairro, no centro da metrópole ateniense. Por esta condição, somos responsáveis. Temos responsabilidade por nos colocar como barreira aos planos deles e de retomar o fio da resistência para a reapropriação prática de nossos bairros. Não pela preservação de algum caráter público, mas pela superação da dicotomia estado/privado, que são aspectos da gestão capitalista e da heteronímia de nossas vidas. Reencenação prática a partir da memória das lutas recentes, e com o objetivo final de tomar nossas vidas em nossas próprias mãos, com base na auto-organização, solidariedade e ajuda mútua.

Um lado desta resposta estatal às nossas lutas é a recente operação repressiva da polícia antiterrorista em Tessalônica, que levou à prisão e detenção de três camaradas. O ataque ao inimigo interno, as partes coletivizadas e radicalizadas dos oprimidos, é uma escolha estratégica central no atual contexto de ataque generalizado contra as classes oprimidas.

Com nossa ação queremos enviar um pequeno sinal de interação prática para as três companheiras. A sua atitude, uma atitude de dignidade gloriosa, uma atitude que atualiza a memória de classe, de ódio aos opressores, e o espírito de sacrifício dos oprimidos, é para nós uma inspiração e, ao mesmo tempo, um lembrete urgente de nossa responsabilidade. A responsabilidade de deixar nítido que a luta contra a dominação envolve todos os meios, é multiforme e necessária. E diante das prisões, nossa posição deve ser de solidariedade, continuidade e intensificação. Ao apresentar a autodefesa e a contra-violência como uma perspectiva revolucionária, estamos ao lado de nossos camaradas presos. Por um mundo de igualdade e liberdade. Até a revolução social.

Camaradas, até nos encontrarmos novamente nos campos de batalha, para nos contentarmos com nada menos que tudo.

Para anarquia

Anarquistas

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1617190/

Tradução > JB

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de tantos instantes
para mim lembrança
as flores de cerejeira.

Matsuo Bashô

[Espanha] Constituição da Confederação Territorial da CGT nas Canárias

Em 11 de março de 2022, foi realizado no Auditório da Universidade de La Laguna (Tenerife) o Congresso Constituinte da Confederação Territorial CGT das Ilhas Canárias.

O Congresso, convocado pela Secretaria Permanente do Comitê Confederal, foi aberto com a intervenção de Pepe Aranda Escudero, Secretário de Organização da CGT, acompanhado por José Manuel Fernández Mora, Secretário de Comunicação, que destacou o fato histórico de que para a CGT significa a realização territorial do Comitê Confederal, o mais alto órgão de Coordenação e Gestão da CGT, no qual a partir deste Congresso a Confederação das Ilhas Canárias pode participar e estar representada, o que é uma grande satisfação para toda a organização.

O Congresso contou com a presença de representantes dos Sindicatos Único de Tenerife, Ofícios Vários, Transportes e Comunicações e Banca, Bolsa y Poupança de Las Palmas de Gran Canaria.

Neste Congresso, foi eleita uma Secretaria Permanente para os próximos quatro anos, que consiste em

  • Secretário Geral: Rosa Cebrián Domínguez (Sindicato Único de Tenerife).
  • Secretário de Organização: Antonio Mengual Pérez (Sindicato Único de Tenerife).
  • Secretário de Ação Sindical: Zarife Dahoruch Navarro (Sindicato dos Transportes de Las Palmas).
  • Secretário de Ação Social: José María García Medina (Sindicato Bancário Las Palmas).
  • Secretária da Mulher: Cristina Fernández Díaz (Sindicato Único de Tenerife).
  • Secretário de Administração e Finanças: Rafael Bilbao Iglesias (Sindicato Único de Tenerife).

Também foram aprovados os estatutos da Confederação Canária CGT, que deverão ser previamente revisados pela Secretaria Permanente do Comitê Confederal, a fim de verificar se estão de acordo com os estatutos confederados e, em seguida, proceder a sua divulgação a fim de legalizar a Confederação.

O Congresso terminou com a intervenção de Rosa Cebrián, recentemente eleita Secretária Geral da Confederação das Ilhas Canárias, a quem felicitamos e desejamos boa sorte e sucesso em sua nova tarefa, assim como desejamos a todas as pessoas eleitas para formar esta Secretaria Permanente.

Esperamos, desejamos e confiamos que este seja mais um incentivo para o desenvolvimento e expansão da CGT nas Ilhas Canárias, o que será em benefício de toda a organização e da classe trabalhadora como um todo.

Secretaria Permanente do Comitê Confederal da CGT

Fonte: https://cgt.org.es/constitucion-de-la-confederacion-territorial-de-canarias-de-la-cgt/

Tradução > Liberto

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Ás da aviação
o valente bem-te-vi
ataca o gavião.

Luiz Bacellar

[Grécia] Uma breve atualização em nossos chamados de exame preliminar sobre o despejo da ocupação Terra Incognita

No dia 14 de fevereiro, a segurança do Estado nos chamou, junto com outros camaradas, para um exame preliminar no dia 23 de fevereiro, no qual “suspeitos” se explicam sobre o caso da ocupação Terra Incognita ser despejada em 17/8/2020.

Este é um novo movimento opressor que vem a ser adicionado às prisões de 8 de fevereiro, com 3 de nossos companheiros, G. Voulgari, Panos Kalaitzis e Th. Chatziaggelou (membro do nosso coletivo), detidos após o ataque à FNRR (Foundation for National and Religious Reflection [Fundação para Reflexão Nacional e Religiosa]). No dia 14 de fevereiro, após a coleta forçada de DNA do nosso camarada Th. Chatziaggelou, fomos informados de que ele foi chamado para um novo processo interrogatório sobre o despejo da ocupação Terra Incognita. Nos dias que se seguiram, outros chamados foram enviados às pessoas. Os arquivos volumosos do caso contêm acusações pela fabricação e posse de explosivos, formação de quadrilha, fraude, roubo de eletricidade e qualquer outra forma de energia, flamas e fogos de artifício, e a legislação sobre armas – uso de armas combinado com outro crime. Temos um prazo de até 9 de março, sendo que os arquivos ainda não foram compartilhados com os advogados para que se atualizem dos “dados”, e, nessa data, os memorandos serão submetidos na presença dos advogados. Entre as pessoas que foram chamadas há alguns membros de nosso coletivo, mas há também pessoas que não participaram ativamente na ocupação e outras que costumavam participar de outros coletivos durante os anos em questão.

Testemunhamos mais uma vez como o Estado foca nas pessoas que escolhem apoiar assembleias abertas e eventos da ocupação com sua presença enquanto usa as impressões digitais em alguns itens como a única evidência para justificar esse ataque. Para que fique claro, agora focam em pessoas não só por sua presença em um espaço político aberto no qual eventos, cozinhas solidárias, manifestações, oficinas e muito mais aconteceram, tornam alvos basicamente as pessoas que apoiaram a ocupação contra qualquer tipo de ataque. Criminalizam o conceito de ocupação em si, o movimento que escolhe apoiar a existência de tais estruturas e aqueles que demonstram sua importância em um sistema que constantemente toma tudo que conquistamos através de anos de luta.

Não reafirmaremos o que a ocupação significa para nós e o quanto valorizamos sua existência em um mundo cheio de pobreza, desemprego, morte e suicídios que ocorrem por pessoas sem alternativas. Em uma vida alienada na qual personalização, dinheiro, objetificação, competição e “reservas” prosperam, defendemos ocupações como um meio de uma pequena, embora importante, “libertação” da vida.

Construções podem ser reocupadas. Estruturas podem ser reconstruídas. Nossas relações e conexões que se criaram por causa delas não podem ser oprimidas por qualquer Estado, polícia ou poder. O que importa é a continuação da luta contra o Estado, o capital e o poder, uma luta que continuará enquanto carregarmos, em nossos corações e mentes, as ideias de libertação e anarquia.

Tudo o que temos a dizer é que fomos e somos membros da ocupação e somos irredutíveis!

Ocupações são o passado, o presente e o futuro da luta por libertação

E somos carne da sua carne.

Nada acabou, tudo continua!

Fonte: https://terraincognita.squat.gr/2022/03/15/

Tradução > Sky

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agência de notícias anarquistas-ana

Lágrima aflora.
Na música lá fora
uma alma chora.

Rogério Viana

[Itália] “Contra todas as guerras e aqueles que as armam, contra as políticas belicistas da Eni”

No sábado (19/03), muitas pessoas participaram da jornada de estudo e debate sobre as políticas belicistas da Eni [empresa de energia italiana] e a guerra em curso na Ucrânia que nós, como Assembleia Antimilitarista, organizamos no Laboratório Kasciavit, em Milão. Todos os relatos foram de alto nível e o debate final foi muito bom.

A próxima reunião na praça está prevista para sábado, 2 de abril, sempre em Milão, às 14h30, concentração na Piazza Affari.

Contra todas as guerras e aqueles que as armam, contra as políticas belicistas da Eni.

Assembleia Antimilitarista

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Tão pequena
E desbotada de chuva
A casa da infância!…

Paulo Franchetti

[Espanha] Primeira Bienal Anarquista de Madrid

Nos dias 29 e 30 de abril, e 1 e 2 de maio, celebraremos a Primeira Bienal Anarquista de Madrid.

A Bienal Anarquista de Madrid nasceu com o objetivo de conectar teorias e práticas libertárias, deixando nossos espaços confinados e construindo alternativas reais com as quais podemos nos enriquecer em nossa busca por uma transformação social radical.

Embora nos encontremos em um momento de bloqueio e desmobilização, atualmente podemos encontrar coletivos, indivíduos e comunidades que exemplificam o ideal antiautoritário e horizontal através de suas lutas. Estas experiências desafiam o poder estabelecido e desmantelam a ideia cada vez mais difundida de que as práticas anarquistas devem ser relegadas aos livros de história, como exemplos fracassados e românticos de teorias utópicas e ultrapassadas.

Neste momento atual de controle social em que as lutas revolucionárias estão em pleno retiro, vemos como uma prioridade compartilhar e debater estas experiências. Nossa intenção é que elas nos incentivem e nos forneçam novas ferramentas para sair do poço em que toda uma tradição de luta em nossa cidade parece estar se afogando. Diante do que entendemos como uma nova reestruturação capitalista, vários de nós acreditamos ser necessário criar um espaço que reúna essas experiências que estão vivas hoje, que lutem contra a opressão racial, de gênero, de classe e ambiental… e que construam, dia após dia, novas formas de entender e viver a realidade que sejam mais justas, igualitárias e horizontais.

Por esta razão, nosso projeto é realizar uma conferência a cada duas primaveras, reunindo livros, testemunhos, entrevistas, debates e qualquer estratégia de comunicação que possa nos ajudar a avançar por este caminho.

Dada a situação atual, iniciaremos esta jornada com uma série de pequenas conversas e entrevistas, que servirão para apresentar o projeto e conectar com as experiências das lutas atuais. Estas conversações, programadas para outubro de 2020 e janeiro de 2021, serão conduzidas (dada a situação atual) em formato digital.

Esperamos dar um impulso e ferramentas que contribuam para reativar as forças de contestação em nossos bairros e fomentar uma cultura de luta que possa enfrentar os desafios do presente.

Bienal Anarquista de Madrid

bienalanarquista.madrid

Tradução > Liberto

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neva lá fora
gato à lareira
silêncio na vila

Zezé Pina

[Espanha] Novidade editorial: Já está disponível a reedição da revista Mujeres Libres, número 11.

Temos o prazer de anunciar que a reedição fac-símile da revista Mujeres Libres, número 11, já está disponível. Um lançamento que faz parte do trabalho realizado pela Fundação Anselmo Lorenzo para resgatar a história da Federação de Mulheres Livres, uma história duplamente esquecida.

O sucesso do primeiro número, que já conta com três reimpressões e 1.500 exemplares vendidos, demonstra o interesse despertado pela histórica organização anarcofeminista e o valor de seu legado. Nesse sentido, a escolha do número 11 não foi fruto do acaso, o conteúdo deste número nos permite conhecer a magnitude desta organização e o contraponto que representou ao peso da religião e da tradição patriarcal ao atingir 30.000 mulheres filiadas e desenvolver uma atividade constante em todo o território não controlado pelos fascistas.

Conteúdo de grande valor histórico.

A revista conta com 58 páginas que incluem textos sobre a criação da Federação Nacional, as atividades de formação profissional e oficinas da organização nos diferentes territórios, as publicações editadas pela organização, o relato de uma reunião realizada em Valência por Federica Montseny, Lucía Sánchez Saornil e María Jiménez, análise da situação das mulheres, crônicas de guerra e diversos artigos informativos. Além disso, não poderia faltar a presença de Emma Goldman, que colabora com um artigo que demonstra a estreita relação entre o anarcofeminismo internacional e a luta antifascista espanhola.

Todo esse imenso material, editado com um design cuidadoso e ilustrações do artista Baltasar Lobo, mostra o poder alcançado pela organização e surpreenderá a todos aqueles que adquirirem a publicação.

Adquira o seu exemplar da reedição em formato fac-símile do número 11 da revista Mujeres Libres aqui:

https://fal2.cnt.es/tienda/node/831

fal.cnt.es

Tradução > Mauricio Knup

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estrela sozinha
se não é de ninguém
é minha

Ricardo Silvestrin

III Congresso Internacional de Pesquisa sobre Anarquismo

O anarquismo, enquanto corpo de ideias e corrente política, tem contribuído para reflexões e ações no último século e meio. Há décadas, tem sido também objeto de pesquisa internacionalmente, dentro e fora da academia, em diversas áreas do conhecimento, produzindo-se uma importante expansão assim como renovação metodológica do campo de estudos. Hoje podemos visibilizar esse processo na recuperação de arquivos e disponibilização de documentos, elaboração de produções acadêmicas e não acadêmicas, organização de projetos editoriais e publicação de textos, além de outro meios.

Fruto desses esforços convergentes, nos últimos anos, São Paulo e Buenos Aires têm sido sede de importantes encontros que reúnem pesquisadorxs de vários países. Na capital paulista, aconteceram três colóquios internacionais, organizados pela Biblioteca Terra Livre, como “Élisée Reclus e a Geografia do Novo Mundo” (Departamento de Geografia – Universidade de São Paulo, 2011), “Colóquio de Educação Libertária: 100 anos da Escola Moderna” (Faculdade de Educação – Universidade de São Paulo, 2012) e “Piotr Kropotkin: Ativismo e Pesquisa” (Departamento de Geografia – Universidade de São Paulo, 2021), entre outros. Em Buenos Aires, destacamos os “Encuentros de Investigadores/as sobre Anarquismo”, que ocorreram entre 2007 e 2015 promovidos pelo Centro de Documentación e Investigación de la Cultura de Izquierdas (CeDInCI/UNSAM). Essa instância foi decisiva para a organização, em 2016 do I Congreso Internacional de Investigadorxs sobre Anarquismo, ocorrido na capital argentina e sua segunda edição no ano de 2019 em Montevidéu impulsionado por docentes e pesquisadores da Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación da Universidad de la República del Uruguay com apoio do CeDInCI.

Agora, três anos depois, a Biblioteca Terra Livre e o CeDInCI anunciam a edição do III Congresso Internacional de Pesquisa sobre Anarquismo, a ser realizado nos dias 8, 9, 10 e 11 novembro de 2022 na cidade de São Paulo, Brasil.

Assim como nas edições anteriores, o Congresso pretende ser um espaço de diálogo e intercâmbio plural entre pesquisadores inseridos em diferentes espaços e países. Para isso, os interessados em participar podem propor apresentações de trabalhos relacionados de forma ampla com a temática. Neste sentido, como o anarquismo é um objeto de pesquisa multidisciplinar, serão aceitas as propostas originadas em diferentes áreas do conhecimento, como História, Geografia, Sociologia, Filosofia, Educação, Teoria Literária, etc.

>> Mais infos: 3congressoanarquista.noblogs.org

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Leve brisa
aranha na bananeira
costura uma folha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Espanha] As oligarquias ordenam as guerras que sangram os povos

A guerra é um massacre entre pessoas que não se conhecem, para o benefício de pessoas que se conhecem mas não se massacram“. Paul Valéry

Não há bobagem mais atroz do que a guerra capitalista. Os ataques indiscriminados da Rússia na Ucrânia de hoje, como em muitos lugares do mundo com menos visibilidade, têm apenas uma vítima: a população civil, o povo. Enquanto aqueles que os ordenam se escondem atrás de mesas chiques, o povo sofre os horrores da guerra, assassinato, abuso, repressão, bombardeio e destruição.

Em nome dos estados ou da pátria, atrás dos quais se escondem as oligarquias empresariais e políticas, milhões de pessoas são chamadas e condenadas a sofrer a fim de manter uma luta pelo poder e privilégios particulares às mesmas elites de ambos os lados do conflito.

Uma vez que os ataques tenham ocorrido, não há espaço para mais apelos à prudência, as agressões devem terminar imediatamente e o caminho do massacre armado deve ser abandonado. São as vidas de milhões de trabalhadores que estão em jogo, usadas como peões num tabuleiro de xadrez onde poderes espúrios estão lutando: as pretensões expansionistas dos imperialistas em declínio, a implosão do atual sistema capitalista e as lutas por recursos naturais cada vez mais esgotados.

O capital, em sua crise sistêmica, é claro que deve continuar a alimentar a maquinaria da indústria de armas, mesmo que milhares tenham que morrer para isso. Devemos enfrentá-los, dizer não à guerra hoje é dizer sim à dignidade do povo. É uma batalha pela vida. Nem os ares imperialistas da Rússia nem as pretensões expansionistas da OTAN, dos EUA e de seus aliados são nossos.

Se vamos lutar, que seja contra as agressões diárias que sofremos como classe trabalhadora, por parte de uma elite miserável e decadente, com o objetivo final de nossa emancipação.

O antimilitarismo e a solidariedade fraterna entre os trabalhadores do mundo é hoje o único lado a defender e a aderir.

NÃO À GUERRA, NÃO EM NOSSO NOME!

cgt.org.es

Tradução > Liberto

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Ainda cantando
Os insetos são levados
Sobre o tronco que flutua.

Issa

[Espanha] Anarquistas na Ucrânia

Li que os anarquistas ucranianos estão divididos, diante da agressão militar russa, entre ser antiguerra ou forçar-se a intervir com armas. Mais uma vez, a escolha entre dois males, mas não se trata de defender o Estado ucraniano ou manter-se firme em seus princípios contrários a todo militarismo, mas de finalmente ter que lutar por suas vidas. Que não nos vejamos em tal cenário. Alguns quiseram fazer certas comparações entre a guerra na Ucrânia, especialmente quando se tratava de armar a população civil, e o conflito militar na Espanha que começou em 1936 após o golpe militar de Franco e seus capangas. Não vou entrar em tais disparates, mas é hora de lembrar outros acontecimentos em território ucraniano, há mais de um século, que podem ser comparados com a guerra civil (e social) no cenário hispânico. Os anarquistas ucranianos hoje são uma força testemunhal, mas houve um tempo em que eles tiveram uma influência considerável, não apenas naquele país, mas também na Rússia como um todo. A história de Nestor Makhno é pouco conhecida, juntamente com a revolução que ocorreu na Ucrânia contra o czarismo, os chamados exércitos brancos e uma potência bolchevique emergente, que acabou por reprimi-la severamente.

Em 1918, os trabalhadores e camponeses ucranianos sofreriam um dos momentos mais trágicos de sua história, após o Império Alemão assumir o controle do país e estabelecer uma ditadura, que suprimiu direitos e liberdades. Alemães e austríacos saquearam a comida dos camponeses, para tentar manter suas milícias na Primeira Guerra Mundial, o que provocou uma grande insurreição, que se espalhou rapidamente; nesse cenário, Makhno se converteu em um dos organizadores das guerrilhas operárias e camponesas. O líder revolucionário encontrou-se com outros anarquistas, como Piotr Archinov, também ucraniano, que acabaria por escrever um livro sobre a revolução makhnovista, ou o próprio Kropotkin, já velho e altamente crítico da incipiente revolução russa. Além disso, Makhno teve sua entrevista mais intensa, com o líder bolchevique Lenin, e lá duas visões irreconciliáveis ​​de realidade e revolução se chocaram. O camponês ucraniano decidiu levar a insurreição camponesa às últimas consequências, confrontando os latifundiários e continuando a propaganda e a agitação.

Até meados de 1919, no sudeste da Ucrânia, os camponeses tentaram novas formas de ordem social, sem poder político, com comunas e sovietes livres; um deles recebeu o nome de Rosa Luxemburgo, o que mostra que nem todos eram anarquistas, mas queriam uma verdadeira revolução social, que os bolcheviques logo trairiam. Após a derrota da Alemanha no conflito alemão, o tratado que lhe dava o controle da Ucrânia foi considerado inválido por Lenin, que acabou invadindo o país. Os makhnovistas decidiram aceitar uma união com o Exército Vermelho, em luta com o governo ucraniano e o Exército Branco; mas a intenção dos bolcheviques era absorver os batalhões makhnovistas, então eles iniciaram uma grande campanha para insultar sua revolução, negando-lhes comida e iniciando uma repressão, que só aumentou. Naquela guerra civil e social, com vários atores em jogo, e após várias alianças e traições, os makhnovistas entraram em confronto dramático com brancos e vermelhos até sua derrota final no final de 1920. Os bolcheviques conquistaram o controle total da Ucrânia, esmagados e eles denegriram a revolução makhnovista e o resto é história, embora haja parte dela negada por aqueles que triunfaram. Aparentemente, a figura de Makhno está distorcida e até os nacionalistas ucranianos de hoje o levaram para sua terra, transformando-o no que aquele camponês revolucionário nunca foi. Os makhnovistas, junto com todos os anarquistas, não lutaram por nenhum país, nem pela conquista do poder, mas sim por aquilo tão injuriado hoje chamado justiça social.

Juan C’aspar

Fonte: http://acracia.org/anarquistas-en-ukrania/

Tradução > GTR@Leibowitz__

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Juncos secos –
Dia após dia se quebram
E vão rio abaixo.

Rankō

[Canadá] Relatório do 26° Dia Internacional Contra a Brutalidade Policial em Montreal

Relatório do Collective Opposed to Police Brutality [Coletivo Contra a Brutalidade Policial] no dia anual de ação contra a brutalidade policial em Montreal.

Na noite de 15 de março, ocorreu o 26° protesto anual contra a brutalidade policial. 26 anos de marcha, 26 anos de opressão sistêmica por brutalidade policial, como uma tradição anual que deixa um gosto ruim na boca de todo mundo. Os manifestantes decidiram manter o controle das calçadas ao invés de serem perseguidos pelas ruas por policiais violentos que os insultam, e atacaram os piores negócios do bairro: o Dollarama e o National Bank. Lembremos que, se o Dollarama é um mercado de última opção para os pobres, ainda vende coisas que não são saudáveis e é uma das piores empresas no Quebec por abusar de seus funcionários e funcionárias. E, do outro lado, o National Bank investe bilhões em muitos projetos importantes relacionados ao petróleo. Face a essa autodefesa dos pobres contra seus opressores, a polícia atacou violentamente a manifestação: cassetetes, gás e agressões foram a ordem do dia.

A manifestação foi em St-Henri, um bairro pobre de classe trabalhadora que está sendo crescentemente aniquilado pela gentrificação, como muitos outros pela cidade. A chegada de negócios novos e populares tirou o lugar dos espaços antigos e acessíveis e os aluguéis estão subindo exponencialmente. Mas St-Henri é também um lugar de interesse ao colonialismo, perto dos trilhos, do Lachine Canal; em resumo, de tudo que é usado para saquear terras indígenas. Os trabalhadores e trabalhadoras de St-Henri sabem disso muito bem, trabalharam por muito tempo nos empregos exploradores da área para transformar esse saque em coisas muito caras para que eles mesmos consumam. E, mesmo que esses exploradores fossem exterminados, o saqueamento ainda aconteceria, seja pela construção de condomínios em território Kanien’kehá:ka, ou pela construção do gasoduto no território Wet’suwet’en, ou pelo desmatamento ancestral em território Pacheedaht.

Devemos de fato acabar com a polícia colonial. É colonial porque é para isso que serve, para defender os colonizadores. É o exército armado do Estado israelita que defende os colonizadores na Palestina. É a parte armada da Arábia Saudita que está invadindo o Yêmem. É a parte armada da Rússia que está invadindo a Ucrânia. E, enquanto o Canadá apoia a Ucrânia — e isso é bom —, não hesita em fornecer armas para os opressores, ambos em Israel e na Arábia Saudita. E o Canadá arma sua própria RCMP (Royal Canadian Mounted Police), sua força policial colonial, para interceder em terras indígenas desproprietárias, seja em território Wet’suwet’en ou Pacheedaht.

Temos nada a perder além de nossas correntes. Todos os ataques ao Estado e ao Capital são justificados.

Finalmente, chamamos por testemunhas: se você foi preso, brutalizado, ou testemunhou brutalidade policial, contate a COBP em: cobp@riseup.net

Lembre-se de ser cuidadoso ou cuidadosa com o que expõe nas redes sociais.

Imagem de capa: André Querry

Fonte: https://mtlcounterinfo.org/march-15th-2022-26th-annual-international-day-against-police-brutality/

Tradução > Sky

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/14/canada-15-de-marco-tomem-as-ruas-contra-a-policia-colonial/

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvens de mosquitos –
Sem isso, no entanto,
Mais solitário.

Issa

[EUA] Noelle Hanrahan relata sobre sua visita recente a Mumia Abu-Jamal

Vocês sabiam que Mumia Abu-Jamal adora os gatos?

No sábado passado ele disse: “Eu adoro os gatos”.

“África” tinha uma pequena estrela branca bem no meio de seu peito. Se aproximava de Mumia depois de seus longos turnos na rádio, lhe acariciava a perna, e corria brincando dentro da casa que Wadiya e Mumia compartilhavam com a pequena bola de pelos.

Quer vocês peguem as estradas secundárias da Rota 54 ou Rota 309 no estado da Pensilvânia ou a autopista interestadual, a viagem à prisão Mahanoy é longa: dura 40 anos.

As retas e curvas para Mumia incluíram paradas na prisão Holmesburg na Filadélfia, no corredor da morte em Huntingdon, uns longos anos de isolamento na supermax [prisão de segurança máxima] de Greene perto da fronteira com o estado de Ohio, e o lugar onde agora cumpre sua dura sentença de “prisão perpétua sem a possibilidade de liberdade condicional” na prisão Mahanoy em Frackville, Pensilvânia.

Quando me aproximei da sala de visitas em Mahanoy, um guarda me ordenou que me sentasse. O cachorro que buscava drogas deu voltas ao meu redor, cheirando as migas (petisco geralmente feito de pão) em meu bolso esquerdo. Tive-as aí desde meu passeio matutino para treinar meu cão pastor chamado Charcoal, que se parece com o cão de Frank Serpico. Hoje o cão que busca drogas na prisão era um golden retriever. Faz várias semanas era um pastor alemão que grunhia, mostrando uns dentes ferozes.

Quando falei com Mumia sobre os cães, ele disse, “Todo mundo nos Estados Unidos gosta muito dos cães. Até John Africa tinha muitos cães. Que posso dizer? Eu adoro os gatos”.

Eu visitei Mumia pela primeira vez em julho de 1992 na prisão estatal Huntingdon. Agora o visito em Mahanoy como advogada. Durante a longa viagem de ida e volta penso nos 40 longos anos desde que Mumia esteve em casa, desde que abraçou alguém. Os dias quando ele amava a uma bolinha de pelos são só uma memória.

Mumia passou quatro décadas na prisão, cuidando de sua família de longe, escrevendo desde o amanhecer até o anoitecer, sendo um advogado e amigo daqueles que necessitam de sua ajuda.

Sei que estamos em vésperas de abolição. Hoje em dia, Mumia está no caminho para a liberdade. Sei que chegará em casa. O amor, não o medo, “Love Not Phear”, vai triunfar.

Noelle Hanrahan

Segunda-feira, 7 de março de 2022.

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Estivesse meu pai aqui,
Contemplaríamos a aurora
Sobre os campos verdes.

Issa

Vídeo-reportagem | Militantes anarquistas da Ucrânia que lutam contra o neonazismo, 2019 | Legendas em espanhol

A Ucrânia tem uma longa história de anarquismo político, que remonta ao Exército Negro do revolucionário anarquista Nestor Makhno na década de 1920. No entanto, desde a revolução de Maidam de 2014 no país, o avanço histórico e moderno dos grupos fascistas é mais amplamente conhecido. Embora as afirmações do governo russo de que a revolução foi uma espécie de “Junta Nazi” são falsas, a Ucrânia tem um problema crescente com o fascismo militante que não pode ser ignorado. Em uma tentativa para combater a crescente extrema direita, um grupo de anarquistas que se autodenominam Rev Dia (Ação Revolucionária) começaram a se organizar. Estão armados, treinando e nunca antes haviam falado com jornalistas. Até agora…

Produzido por Popular Front

patreon.com/popularfront 

popularfront.co

Tradução de Hidden Anon

>> Para ver o vídeo-reportagem (23:00) com legendas em espanhol, clique aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=UgN76jvB5Xw

agência de notícias anarquistas-ana

Quando a lesma
Ergue a cabeça, eu vejo:
Parece comigo!

Shiki

 

[Espanha] Anarquistas ucranianos pegam em armas contra a invasão russa

EL PAÍS acompanha vários desses ativistas no batalhão ao qual também se juntaram antiautoritários e antifascistas.

Vilka e Step [pseudônimos de dois jovens ativistas ucranianos] recebem EL PAÍS em uma oficina mecânica na província de Lviv, uma região ucraniana que faz fronteira com a Polônia. A reportagem em vídeo que os acompanha mostra que eles acabaram de receber uma remessa de três colegas poloneses. Uma van acaba de cruzar a fronteira carregada com caixas contendo principalmente medicamentos, equipamento cirúrgico e equipamento à prova de balas. Há também geradores elétricos, latas de gasolina, lenços higiênicos… São mercadorias compradas por coletivos anarquistas na Polônia, Alemanha e Holanda, e são destinadas ao Comitê de Resistência, o batalhão formado por militantes anarquistas, antiautoritários e antifascistas. O Comitê de Resistência faz parte das Unidades de Defesa Territorial, a milícia civil sob os auspícios do exército ucraniano. A maioria das unidades de defesa é formada em base geográfica: por vilarejos, por bairros, até mesmo por ruas nas cidades maiores. Entretanto, a maioria daqueles que formam estas unidades não compartilham a ideologia de Vilka e Step. Eles acreditam que a auto-organização e a autonomia das milícias se encaixam em suas ideias anarquistas como uma luva. “A ideia dos anarquistas envolvidos na luta armada é que eles não estão lutando pelo Estado ucraniano, mas pelo povo ucraniano”, diz Vilka.

Desde 2014, movimentos de extrema-direita têm sido capazes de capitalizar a guerra nas províncias de Lugansk e Donetsk para aumentar seu poder e influência. O Batalhão Azov, formado por neonazistas na forma de uma milícia, é agora um regimento integrado ao exército regular que continua a usar a simbologia nazista. No entanto, Vilka e Step acreditam que, ao contrário de 2014, na guerra de 2022, tantas pessoas diversas pegaram em armas nas unidades de defesa territorial que a influência de grupos de extrema-direita foi diluída. Eles ainda existem, mas sua influência é menor, de acordo com Vilka. Esta é uma ideia compartilhada por outras mulheres soldados entrevistados pelo EL PAÍS em relatórios anteriores. A existência de milícias de extrema-direita é usada pela Rússia para descrever todas as unidades militares ucranianas como nazistas. Step considera que Vladimir Putin está usando o antifascismo de forma distorcida. “Eles são falsos antifascistas que prendem os verdadeiros antifascistas em seu país. Na Rússia há uma repressão feroz contra toda oposição, também contra os anarquistas. Muitos de nossos amigos estão na prisão e muitos russos haviam se refugiado na Ucrânia para escapar do regime de Putin”, diz Step.

O anarquismo não é novidade na Ucrânia. Aqui, há um século, o Exército Negro de Nestor Makhno criou uma federação de comunas camponesas que se espalharam pelo sudeste da Ucrânia, a costa do Mar Negro e a península da Crimeia. Foi o maior território “sem Deus e nem Amo” da história contemporânea. Embora não haja continuidade histórica com os makhnovistas, os movimentos anarquistas ucranianos são inspirados por eles, assim como pela CNT espanhola e seu papel na Guerra Civil. Em seguida, a Espanha recebeu milhares de voluntários que formaram as Brigadas Internacionais. Agora, o Comitê de Resistência tem apelado para anarquistas e antifascistas de outros países para que se unam à luta na Ucrânia. Em seu canal de Telegram, eles têm um formulário para se juntar ao seu batalhão na frente de Kiev. “O regime atual na Rússia é semelhante ao fascismo e sofreríamos muito mais sob este regime homofóbico, sexista e xenófobo”. Além disso, nossa identidade nacional também é importante”, proclama Vilka, explicando porque os coletivos libertários decidiram responder à invasão russa com armas.

Fonte: https://elpais.com/videos/2022-03-16/anarquistas-ucranios-toman-las-armas-contra-la-invasion-rusa

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Mal anoiteceu –
E as estrelas já brilham
Sobre o campo seco.

Buson

[Espanha] Diante da barbárie de Putin, passos para conquistar a PAZ

Os tambores de guerra estão batendo, e os slogans militaristas estão correndo de forma desenfreada contra um pano de fundo de massacre humano. Diante deste cenário, o movimento anarcossindicalista não pode permanecer passivo.

A invasão que o governo de Putin realizou, bombardeando a população civil ucraniana é um crime, não só pelo direito internacional, deve ser um crime para qualquer pessoa que acredita na vida. Este é um fato objetivo que não precisa de qualificação, nenhuma contextualização.

A matança de milhares de civis, incluindo muitas crianças, deve ser objeto do maior repúdio de nossa organização.

Da CGT exigimos um cessar-fogo, uma parada imediata de todas as operações de guerra das tropas de Putin, assim como uma parada no avanço das tropas sobre a população ucraniana. Esta é a primeira condição para que a mesa de diálogo encontre o caminho para uma resolução pacífica desta situação provocada pelo líder russo.

Exigimos a abertura de cordões humanitários para fornecer às populações mais afetadas pela guerra alimentos, água e outros suprimentos, bem como a partida voluntária de todos aqueles que a solicitarem, inclusive deserções que possam ocorrer em qualquer uma das frentes.

Consequentemente, convidamos todos os países a adotarem uma política de recepção flexível e abrangente que proporcione condições de vida dignas para aqueles que fogem do horror.

Finalmente, convidamos a comunidade internacional como um todo a buscar formas de resolver esta agressão, que em nossa opinião ainda não foram sequer exploradas.

Do anarcossindicalismo, queremos expressar nossa solidariedade com o povo ucraniano que sofre em primeira pessoa a agressão injustificada de um governo autoritário. A dignidade das pessoas que, com as próprias mãos, tentam deter a insensatez da guerra, comovem o mundo e inspiram a humanidade. Gostaríamos também de expressar nossa solidariedade com o povo russo que se manifesta nas ruas contra a invasão e que está sendo brutalmente reprimido pelo próprio Putin.

Nesta guerra, como nas outras guerras que assolam outras partes do mundo, ninguém ganha, e ninguém ganhará. É a humanidade que já está perdendo. É por isso que o movimento internacional anarcossindicalista se posiciona contra a guerra, fazendo parte das colunas de manifestantes na Espanha e na própria Rússia. São eles e elas os representantes de um mundo melhor.

Já Basta de Crimes de Guerra!

cgt.org.es

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Noite de lua –
Subindo numa pedra,
Um grilo canta.

Chiyo-jo