Contra campos de internamento, manifestação internacional na Polônia em 12 de fevereiro

No sábado, 12 de fevereiro de 2022, 300 pessoas se manifestaram contra os campos de internação poloneses. E também um buzão da Solibus e.V. de Berlim veio com cerca de 50 ativistas para Krosno Ordzańskie, a 150 km de distância. Juntamente com grupos alemães e poloneses e muitos indivíduos, eles protestaram pela liberdade de circulação de refugiados e contra as condições em todos os centros de chegada do país. Houve discursos de vários grupos e cartas dos atingidos também foram lidas em vários idiomas.

Com tambores, faixas e cânticos, os manifestantes se reuniram em frente ao acampamento em Krosno Ordzańskie, onde atualmente cerca de 100 pessoas estão detidas em um antigo quartel. São pessoas que foram manchetes na virada do ano na fronteira polonesa-bielorrussa porque se tornaram peões das políticas de Lukashenko, da Polônia, e da UE. Entretanto, sabemos que pelo menos 21 pessoas morreram nesta fronteira e algumas delas morreram congeladas.

Estima-se que aqueles que conseguiram solicitar asilo na Polônia sejam cerca de 2.000. Agora eles permanecem indefinidamente em campos como o de Krosno Odrzańskie, aguardando notícias sobre seu pedido de asilo. Além de condições indignas (quase nenhum atendimento médico, proibição de smartphones etc.), o isolamento e a situação insegura causam estresse extremo. Uma vez que a maioria dessas pessoas são vítimas de violência, esta forma de “alojamento” é ilegal de acordo com a lei da Polônia.

Com a manifestação, os ativistas deram um sinal claro de liberdade de movimento, solidariedade internacional e contra o regime fronteiriço europeu. Houve várias prisões depois que os manifestantes saíram espontaneamente do local da manifestação para se aproximarem dos internos com música e cânticos, para que pudessem ouvir a ação até mesmo em suas celas.

Uma porta-voz da aliança disse: “As pessoas nesses campos muitas vezes não sabem quando serão libertadas e qual é a situação atual em relação ao seu pedido de asilo. Estou muito feliz com a forte e especialmente internacional participação nesta manifestação. Um ônibus inteiro de Berlim, com pessoas protestando contra o regime de fronteira praticamente à sua porta, é um importante sinal de solidariedade internacional. Exigimos a dissolução destes campos de acolhimento, a suspensão das deportações e também a parada da construção do muro e assim a destruição da floresta. Todo mundo sabe que a migração não pode ser evitada mesmo com muros. Só se torna mais perigoso para as pessoas que buscam proteção e mais recompensador para os contrabandistas.”

Esta manhã, segunda-feira 14/02, 11 ativistas da Polônia e da Alemanha que se solidarizaram com os migrantes presos ainda estavam detidos nas delegacias de Krosno Ordzańskie e Zielona Gora. Alguns deles foram feridos e colocados sob pressão psicológica, alguns já estão enfrentando possíveis penas de prisão e alguns foram ameaçados com prisão preventiva. A NoBordersTeam Polônia está pedindo apoio internacional.

FB: nobordersteam

Schlafplatzorga Berlim: sleepplaceorga@systemli.org

No Border Assembly: noborderassembly@riseup.net

Ativistas e Amigos da NoBordersTeam Polônia nbeastn@riseup.net

Fonte: https://kontrapolis.info/6289/

Tradução > GTR@Leibowitz__

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árvore morta
no galho seco
uma orquídea

Alexandre Brito

[EUA] Um novo movimento pela liberdade agora

Por Mumia Abu-Jamal | 21/01/2022

O grande revolucionário caribenho Frantz Fanon escreveu em sua obra agora clássica, The Wretched of the Earth (Os condenados da terra), o seguinte chamado à ação: “Cada geração deve, desde a obscuridade relativa, descobrir sua missão, cumpri-la ou traí-la em relativa opacidade. Essa é missão que nós temos”.

Qual missão? Para libertar os prisioneiros do Império Americano, não apenas eu, mas outros também; alguns sabemos, outros não. Estou falando de companheiros como Jamil Abdullah Al-Amin, Ed Poindexter (companheiro do falecido Mondo We Langa), Sundiata Acoli, Leonard Peltier, Dr. Mutulu Shakur, Julian Assange, Xinachtli, Rev. Joy Powell, e Daniel Hale. Eles são prisioneiros antirracistas e anti-imperialistas do Império.

Cada um de nós aceitaria aquele agora famoso primeiro ponto do Programa de Dez Pontos do Partido Panteras Negras, escrito por dois jovens universitários em outubro de 1966, Huey P. Newton e Bobby Seale: “Queremos liberdade”. Essas palavras ecoaram no coração de milhões de pessoas. Hoje, mais de 50 anos depois, elas ainda possuem poder e ressonância. “Queremos liberdade”.

Que essas palavras energizem novos movimentos hoje e enriqueçam nossas histórias vivas ao se reconectarem com as lutas de liberdade de nossa juventude. Muitos de nós somos velhos, mas nos alegramos com o surgimento dos movimentos de liberdade de hoje em resposta à tortura e ao assassinato de George Floyd, porque as lutas reais perduram de uma geração para outra.

Esta chamada vem como uma metástase do encarceramento em massa em um sistema que sangrou orçamentos estatais e resultou no enjaulamento dos idosos e até recentemente da população jovem. Também resultou em uma crueldade desenfreada que inclui mulheres dando à luz em grilhões e correntes, ou pessoas submetidas ao confinamento solitário por décadas.

Surpreendentemente, as prisões têm piorado com o tempo; elas não melhoraram. E agora o sistema penitenciário é maior do que jamais poderíamos ter imaginado. Portanto, precisamos de mais movimentos para mudar as condições nas prisões, não menos. E a abolição da prisão tem que estar em cima da mesa. Nós queremos liberdade. Nós queremos liberdade. Nós queremos liberdade. Todos nós o dizemos.

Obrigado NUMSA. Obrigado Comitê Comemorativo do Partido dos Panteras Negras. Obrigado ao Comitê de Ação Trabalhista. Obrigado a todos vocês.

Com amor, não medo, eu sou Mumia Abu-Jamal.

Tradução > Liberto

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alvor
avançavam parados
dentro da luz

Guimarães Rosa

[Espanha] Crise ecossocial e emancipação

Por Amaya Castillo Garcia

A crise ecológica não é mais uma questão marginal ou que pode ser ignorada. Ameaça nossa saúde, nossa comida, nossa segurança, nosso futuro. Ninguém está ou estará totalmente seguro, mas seus efeitos são sofridos de forma desigual: são e serão mais graves quanto mais vulneráveis ​​formos, quanto mais pobres, mais despossuídos e mais oprimidos formos. Os conflitos ambientais são uma gigantesca luta de classes, e o que está em jogo é o capitalismo ou a vida.

Nosso sistema socioeconômico baseado no uso crescente de materiais fósseis e energia é incompatível com os limites biofísicos do planeta que habitamos. Por muito tempo, contamos com as capacidades da técnica e da tecnologia para ultrapassar esses limites. Vivemos pensando que o “progresso” nos salvaria, que a “ciência” inventaria algo, que a eficiência do sistema poderia ser melhorada para reduzir a dependência de materiais e energia. Mas, ano após ano, nossa marca no planeta se aprofunda e as consequências disso se revelam mais graves. Essa ciência que esperávamos nos salvar agora nos diz, com alto nível de consenso, que a situação é muito grave e que é preciso agir com urgência. Continuar a fugir é nada menos que suicídio coletivo, pois estamos diante de uma possível situação de colapso.

Correr para a frente é o que temos feito há séculos. A cultura ocidental foi construída sobre as ideias de “progresso”, “desenvolvimento” e “crescimento”. Era preciso produzir mais, construir mais, consumir mais. Associamos esse progresso a melhorias na saúde ou nutrição, a artigos e produtos que tornaram nossa vida mais confortável e agradável, ou a vitórias políticas e sociais que nos fizeram adquirir mais direitos ou liberdades. Portanto, questionar o mantra do progresso e do crescimento é, no mínimo, suspeito. E, no entanto, hoje é radicalmente necessário. Em um contexto de profunda crise ecossocial como o que estamos vivendo, não podemos deixar de analisar e criticar esses conceitos, pois o capitalismo os utilizou para legitimar seu domínio colonial, extrativista e patriarcal sobre o planeta.

No recente livro Técnica e Tecnologia, Adrián Almazán recolhe e atualiza grande parte da tradição antidesenvolvimentista e da crítica à sociedade tecno-industrial. Neste trabalho defende que tecnologia, progresso e desenvolvimento não são neutros ou imparciais e afirma que é “hora de mostrar que o progresso esconde interesses muito específicos e responde a um programa político e social muito específico. Chegou a hora de as sociedades ocidentais deixarem de tornar invisível o enorme preço que a Terra e seus habitantes pagaram em troca de seu progresso egoísta, de curto prazo e genocida.”

Diante dessa situação, o que podemos contribuir do movimento libertário? Como podemos contribuir para uma proposta emancipatória, transformadora e justa (mas também atrativa) que leve em conta essas questões e se situe nos limites da biosfera? Isabelle Stengers diz em seu livro In Times of Catastrophe que, como civilização “estamos o mais mal preparados possível para produzir o tipo de resposta que a nova situação exige”. No entanto, não é uma prova de impotência, mas um ponto de partida. Dói concordar com essa afirmação, mas por outro lado não vamos perder de vista que muitas das estratégias e ferramentas que serão úteis em cenários futuros são precisamente anarquistas. Esse é o nosso ponto de partida.

É importante valorizar o conceito de autonomia e talvez ressignificá-lo. O sistema capitalista industrial “expropriou” muitas de nossas capacidades, erodindo cada vez mais nossa autonomia social, política, econômica, energética, alimentar, técnica… Como engrenagens da engrenagem capitalista, hoje vamos ao mercado para satisfazer quase todas as nossas necessidades. Alimentação, vestuário, habitação, mas também relações sociais ou lazer, praticamente tudo o que fazemos e necessitamos é mediado por serviços ou produtos que são gerados, processados ​​e distribuídos industrialmente. Incapaz de intervir ou intrometer-se nestes processos, sem poder para definir determinados critérios éticos ou ambientais, nos tornamos cada vez menores como sujeitos políticos e reforçamos involuntariamente este sistema explorador e expropriador. Recuperar a autonomia ou construí-la continua sendo um objetivo a ser seguido. A partir dos sindicatos, pode ser gerada uma infinidade de iniciativas (e já estão sendo feitas em muitos casos): desde a criação de cooperativas de trabalho, até a formação de grupos de consumo agroecológico, passando por propostas alternativas de lazer, ou indo além, talvez possamos até considerar pensar coletivamente sobre propostas de habitação ou energia.

Por outro lado, podemos estar nos aproximando de cenários em que as capacidades dos Estados serão ainda mais reduzidas do que agora. Luis González Reyes e Ramón Fernández Durán falam em The Spiral of Energy sobre uma possível “falência dos fósseis estados-nação, pois são estruturas complexas demais para se sustentarem em um ambiente de energia disponível em declínio”. Os Estados terão que enfrentar crises multidimensionais (social, climática, energética, ecológica, assistencial…) com orçamentos cada vez mais precários e em seus esforços para proteger as estruturas de poder e os poderosos, deixarão cada vez mais pessoas fora da cobertura de serviços públicos, o que levará a uma menor legitimidade social e a um maior conflito. Para evitar que esta situação leve a cenários ecofascistas ou “cada um por si”, vamos precisar de muita organização coletiva e claro muito apoio mútuo e solidariedade. Já experimentamos em várias ocasiões como a sociedade civil é capaz de se auto-organizar e dar uma resposta coletiva e solidária em situações de emergência ou extrema necessidade. Se isso acontece espontaneamente, o que não podemos conseguir sendo mais e melhor organizados? Dado que é muito provável que a frequência e gravidade deste tipo de eventos aumentem, é fundamental trabalhar para restabelecer os laços comunitários, fortalecer as redes de apoio que já existem e caso não existam criá-las de raiz. A experiência e as práticas libertárias serão mais necessárias do que nunca.

Tão importante quanto valorizar as propostas libertárias é incorporar as contribuições dos movimentos feminista, ambientalista, antirracista, indígena ou rural e continuar se entrelaçando com eles. Não se trata de substituir algumas lutas por outras, mas de conseguir conexões entre diferentes tipos de resistência, fugindo da ideia de ter que priorizar um em detrimento do outro, pois todos vamos precisar uns dos outros.

Para enfrentar os desafios que enfrentamos como sociedade, precisaremos de mais e melhor anarquismo, muito trabalho coletivo, criatividade e, sobretudo, uma grande capacidade de tolerar a incerteza e a imprevisibilidade. O futuro, que sempre foi incerto, agora é ainda mais. Hoje nadamos na precariedade e no desequilíbrio e não podemos nos enganar nem enganar ninguém prometendo certezas ou segurança. Claro que continuaremos imaginando utopias e caminharemos em direção a elas, mas se podemos ser úteis em alguma coisa, é na construção de novos mundos e possibilidades hoje e agora, e temos que fazê-lo nestas ruínas e neste terreno, mesmo se está rachando sob nossos pés. Trata-se de buscar caminhos para a emancipação, sim, mas não para nos emanciparmos da terra que pisamos e que nos permite viver. Emancipar-nos, sim, mas não das comunidades (humanas e não humanas) que nos apoiam e cuidam de nós.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/crisis-ecosocial-y-emancipacion/

Tradução > GTR@Leibowitz__

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Neste bosque urbano
árvore feita em concreto
– meu corpo estremece.

Eolo Yberê Libera

[Espanha] Solidariedade com xs companheirxs reprimidxs acusadxs de queimar um caixa eletrônico da Bankia

Atualização sobre a situação atual dxs companheirxs

Em 29 de outubro de 2018, dois companheirxs anarquistas de Madri foram presxs acusadxs de sabotagem com incêndio em um caixa eletrônico da Bankia em 13 de abril de 2018. Elxs receberam recentemente a notícia de que seu julgamento foi marcado para 7 de abril de 2022.

O Ministério Público juntamente com a Bankia e a Mapfre (a seguradora do banco) estão pedindo 3 anos pelo crime de Dano e 17.000 euros de Responsabilidade Civil. Na declaração policial, o ato está relacionado a um comunicado carregado em sites de contrainformação nos quais a ação foi reivindicada em solidariedade com Lisa, condenada a 7 anos (agora em terceiro grau) por um assalto a um banco em Aachen (Alemanha). Dizem também que xs companheirxs são anarquistas reconhecidxs, mencionando identificações em comícios, cartazes colados ou prisões em despejos. Todo este castelo no ar é usado para justificar o agravante ideológico, já que xs companheirxs, sendo anarquistas, odeiam os bancos e a Bankia neste caso, seria vítima deste “ódio ideológico”.

Este é mais um ataque do Estado ao movimento anarquista como um todo, tentando punir a solidariedade e ensinar lições à sociedade como um todo. Não só a ação anarquista, mas também o pensamento deve ser perseguido, o que vemos na tentativa de introduzir o “fator agravante ideológico”. Dentro desta ofensiva incluem também a Operação Arca, na qual duas companheirxs são acusadas de diferentes sabotagens em Madri.

Fiquemos atentxs para as próximas convocatórias.

SOLIDARIEDADE COM XS ANARQUISTAS REPRIMIDXS!

FOGO AOS BANCOS E LONGA VIDA À ANARQUIA!

>> Para mais informações sobre o caso da Lisa:

https://solidaritatrebel.noblogs.org/

>> Para mais informações sobre a Operação Arca:

https://quemandoarcas.noblogs.org/

>> Contato com xs detentxs do caso Bankia: solidaridaddetenidxs29octubreARROBA

Tradução > Liberto

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longe noite escura
uma viola
amor murmura

Eugénia Tabosa

[Reino Unido] A ecologia de Kropotkin

Por Brian Morris | 24/12/2021

Peter Kropotkin morreu há 100 anos. Mas suas inovações sociais e ecológicas e seus ensinamentos ressoam até hoje.

“O presente é onde nos perdemos – se nos esquecermos do nosso passado e não visualizarmos o futuro”. Assim escreveu o poeta Ganês Ayi Kwei Armah.

Este ano marca o centenário da morte do geógrafo anarquista, Peter Kropotkin – uma figura do passado que definitivamente não devemos nos esquecer.

Um talentoso geógrafo, pioneiro ecologista social e um socialista revolucionário, Kropotkin criou “um tesouro de ideias férteis” (como colocou seu amigo Errico Malatesta) que ainda tem relevância na contemporaneidade.

Filósofo

Nascido em Moscou em 1842, uma das curiosas ironias da história é que Kropotkin, que se tornou um dos mais duros oponentes de todas as formas de poder Estatal, nasceu nas mais altas posições da aristocracia Russa. Por seus antepassados príncipes estiveram entre os primeiros governantes da Rússia.

Depois de explorar e empreendimento científico de pesquisa nas regiões remotas de Manchuria e da Sibéria durante a década de 1860, Kropotkin mais tarde se tornou membro da Internacional Socialista.

Foi preso duas vezes por suas atividades políticas. Chegou na Inglaterra em 1886 que ele ficou em “exílio honroso”, como Nicolas Walter o descrevia, pelos próximos 30 anos.

Até seu retorno para sua terra natal em 1917 na eclosão da Revolução Russa. Durante seus muitos anos de exílio, Kropotkin tornou-se um dos principais teóricos do movimento anarquista, bem como continuou seus estudos científicos. De fato, o retrato de Kropotkin ainda está pendurado na biblioteca da Sociedade Geográfica Real em Londres.

Um naturalista evolucionista como Darwin, Kropotkin era sábio, e multi-talentoso. Ele escreveu livros sobre a grande revolução francesa, como ele a chamava, sobre literatura Russa, mudança climática e geografia física da Eurásia, biologia evolucionária e ecologia social, e também escrevendo, em seus anos finais, um tratado filosófico em ética.

Força

Aqui vamos focar em um dos ricos e extensos aspectos da obra, a saber, os seus escritos inspiradores sobre ecologia social.

O mais importante na vida humana, para Kropotkin, é que havia um “paradoxo” essencial dado que, por um lado, os humanos são parte intrínseca da natureza, produto de um processo evolucionário, e totalmente dependente do mundo natural para comida, água e ar – para sua mera existência.

Mas por outro lado, os humanos foram de certo modo “separados” da natureza: a terra existe a bilhões de anos, muito antes do surgimento dos humanos, e os humanos, como espécies, eram bastante únicos em combinar um grande level de autoconsciência, profunda socialidade, e o desenvolvimento complexo simbólico, de culturas e tecnologias.

De fato, os humanos são agora descritos por terem desenvolvido uma “força geológica” no planeta Terra. Os humanos foram em parte “separados” da natureza.

O que importa sobre Kropotkin é que ele sempre esforçou-se conjuntamente essas duas dimensões da vida social humana.

Explorador

Ele então combinou humanismo, enfatizando esta intervenção e a cultura humana, e o naturalismo, reconhecendo completamente a dimensão ecológica do ser humano, e que os humanos são sempre “enraizados na natureza”. Como filósofo social, Kropontkin foi, portanto, fundamentalmente um ecologista humanista, um ecologista social.

Dois livros que ele escreveu (ambos baseados em artigos publicados na década de 1890) exemplificam sua ecologia social: São eles “Campos, fábricas e Oficinas” (1899) e “Apoio Mútuo: Um fator de evolução” (1902).

Ao longo do final do século XIX Kropotkin tornou-se cada vez mais preocupado com duas questões inter relacionadas ou os desdobramentos.

Um deles foi o crescente “abismo” que estava se desenvolvendo entre o campo esvaziado de pessoas e o aumento da vida selvagem, e as cidade, com pessoas vivendo na miséria e pobreza em cortiços e trabalhando em fábricas cujas condições eram insalubres, exploratórias, e completamente antidemocráticas.

Cultivo

Outra preocupação era que o desenvolvimento dentro do capitalismo, de uma forma industrial e agricultura, um sistema de monocultura que esgota a fertilidade do solo, e em que cultivar articulado para não simplesmente a produção de comida, mas para a geração de lucro.

Ele se preocupava que praticamente toda a terra Britânica fosse privatizada, de grandes latifúndios que fossem dados tomados a bala para preservar – de servos e revoltados – especialmente para propósitos recreacionais dos ricos e poderosos das classes governantes.

Apesar de pessoas como Trotsky, e acadêmicos liberais em geral, pintava Kropotkin como um intelectual sonhador, um socialista utópico, completamente fora das “realidades” sociais e políticas, de fato Kropotkin foi muito prático e um acadêmico com os pés no chão.

Enquanto Marx passava seu tempo na biblioteca do British Museum estudando economia – principalmente relatórios governamentais, Kropotkin viajava vastamente realizando estudos empíricos de práticas agrícolas, e por toda vida, ele e sua esposa Sophie cultivavam em terras alugadas. Ele construía até os próprios móveis!

Cultura

Em seu pequeno livro de reflexões “Campos, fábricas e Oficinas”, que Colin Ward descreveu como “o grande trabalho profético do século XIX”, Kropotkin defendia o seguinte:

  • Todas as formas de indústria, sejam fábricas ou oficinas, têm de ser descentralizadas, e ele fez um pedido para o que hoje descreveremos como um “áreas verdes” na vida na cidade.
  • Que o futuro da agricultura deve ser tanto diversa quanto intensiva, envolvendo jardins de vegetais, cultivação massiva nos campos, prados irrigados, pomares, estufas, bem como jardins em casa. Através disto, Kropotkin argumentou que altos rendimentos da variedade de cultivos poderiam ser produzidos. A Autossuficiência alimentar poderia ser atingida, ele sentia, sem que recursos industriais nas fazendas (sob o capitalismo), se o produtor cultivador pudesse ser livre desses três “abutres”- o Estado, o proprietário, e o banqueiro. Kropotkin portanto se opunha tanto à coletivização estatal da agricultura e do cultivo capitalista.
  • Que o trabalho, tanto na indústria quanto na agricultura, deveria – ou poderia – ser reduzido a poucas horas por dia, permitindo que as pessoas em uma comunidade terem bastante tempo para propósitos de lazer e de atividades culturais.

Brutal

Tudo isso, Kropotkin reconheceu, envolveria uma revolução social, e a criação de uma sociedade baseada na ecologia sob os princípios anticomunistas.

É importante notar que o livro de Kropotkiin teve uma influência grande em muitas pessoas, incluindo, por exemplo, Lve Tolstoy, Ebener Howar (e sua militância por cidades verdes), Lewis Mumford e Paul Goodman.

O livro “Apoio Mútuo” é talvez o trabalho mais conhecido de todos de Kropotkin e continua sendo editado. Um trabalho de ciência popular, expressou as preocupações de Kropotkin no final do século XIX, na crescente escola de pensamento que ficou conhecida como “Darwinismo Social”.

O que provocou Kropotkin foi um artigo de Thoma Huxley, que era vastamente conhecido como “Buldogue de Darwin”, dada sua defesa da teoria de Darwin, publicado no jornal The Nineteenth Century em 1888.

Intitulado “A luta pela sobrevivência e sua relevância para a Humanidade”. Citando Hobbes, Huxley descreveu especificamente a vida na natureza – tanto natureza orgânica e a vida das sociedades tribais – como sendo “solitária, pobre, nojenta, brutal, e curta.”

Apoio Mútuo

Segundo Huxley, os Darwinistas Sociais – que incluíam empresários Americanos implacáveis como Rockefeller e Carnegie – aplicavam a teoria Darwinista – especialmente o conceito de Herbert Spencer da “sobrevivência do mais adaptado” à vida social humana.

Esse conceito foi usado como justificativa ideológica para promover o capitalismo e o imperialismo, e a exploração colonial de populações tribais.

Também sugeria que os humanos eram por natureza, motivados por impulsos agressivos, e que era intrinsecamente egoístas, competitivos, e individualistas possessivos.

Kropotkin, é claro, era crítico de Rousseau, e nunca duvidou da existência – a realidade – o conflito, a competição, e o egoísmo (agente subjetivo), tanto na vida na Terra quanto na vida social humana.

Mas ele mesmo assim reagiu fortemente ao (capitalismo) Hobbesiano no mundo inteiro, argumentando que era exagerado e completamente enviesado para um lado. Ele então começou a escrever uma série de artigos sobre “apoio mútuo) – as atividades cooperativas e o apoio mútuo e o cuidado expresso não somente pelos animais, mas em todas as sociedades humanas e ao longo da história.

A tendência ao apoio mútuo, ou o que ele descreveu como “anarquia” também era claramente evidente “entre nós”, pessoas das sociedades ocidentais.

Ele coexistiu com, e muitas vezes em oposição ao Estado e as instituições capitalistas.

O Apoio mútuo (ou anarquia) se revela, Korpotkin argumentava, em associações de trabalhadores, sindicatos, na vida familiar, nas caridades religiosas, em vários clubes e organizações culturais, bem como em muitas outras formas de voluntariado. O Apoio Mútuo, Kropotkin ressaltava, foi um importante fator na evolução e na vida social humana.

Saques

Apoio Mútuo não é um texto anarquista, nem um trabalho de teoria política, mas reflete a concepção de Kropontkin de uma sociedade futura que ele descreveria como livre ou anarcomunista.

Isso implica a necessidade de uma revolução social e uma forma política que envolvesse os seguintes três princípios:

  • A rejeição ao Estado e todas as formas de hierarquia e opressão que inibem a autonomia e o bem estar de uma pessoa como ser social único;
  • A repudiação da economia de Mercado capitalista, junto com o sistema assalariado (que para Kropotkin era uma forma de escravidão), propriedade privada, seu ethos competitivo e sua ideologia de individualismo possessivo.
  • E, finalmente, uma visão futura de uma sociedade ecológica, baseada no apoio mútuo, voluntariado, formas participativas de democracia e uma forma de organização social orientada pela comunidade. Tal sociedade iria aumentar tanto a expressão de liberdade individual quanto expressar o mutualismo, uma relação de co-operação com o mundo natural.

Em uma era onde a corporação capitalista reina triunfante, criar condições que induzem medo, deslocamentos sociais, desigualdades sociais massivas, e uma crise ecológica severa, na visão de Kropotkin, e sua forma política, ainda tem relevância na contemporaneidade.

Contrastando com os militantes do “Novo acordo Verde” – apoiado por Naomi Klein dentre outros – Kropotkin teria insistido que o estado Capitalista ao invés de ser a solução para crises ecológicas seria de fato a causa dela.

Como o ecologista social Murray Boockchin argumentou há muito tempo, o capitalismo em relação simbiótica com o estado saqueia a terra em busca por lucros e resulta na principal causa da “crise moderna.”

O autor 

Brian Morris é professor emérito de antropologia na Universidade de Goldsmith, e autor de diversos livros sobre ecologia e anarquismo, incluindo Kropontkin: A política da comunidade (Editora PM 2018). “Em memória do colega, David Graeber (1961-2020)”

Fonte: https://theecologist.org/2021/dec/24/kropotkins-ecology

Tradução > Alice Prin

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Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve

Chamada de trabalhos | III Congresso Internacional de Pesquisa sobre Anarquismo

O anarquismo, enquanto corpo de ideias e corrente política, tem contribuído para reflexões e ações no último século e meio. Há décadas, tem sido também objeto de pesquisa internacionalmente, dentro e fora da academia, em diversas áreas do conhecimento, produzindo-se uma importante expansão assim como renovação metodológica do campo de estudos.

Fruto desses esforços convergentes, nos últimos anos, São Paulo e Buenos Aires têm sido sede de importantes encontros que reúnem pesquisadorxs de vários países.

Mantendo essa tradição viva, três anos depois da sua última edição, a Biblioteca Terra Livre e o CeDInCI anunciam a realização do III Congresso Internacional de Pesquisa sobre Anarquismo, a ser realizado nos dias 8, 9, 10 e 11 novembro de 2022 na cidade de São Paulo, Brasil.

Estamos com chamada aberta para apresentações! Para saber mais, acesse o site: https://3congressoanarquista.noblogs.org/

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agência de notícias anarquistas-ana

Seu olhar segue
o voo do pássaro –
será que desce?

Eugénia Tabosa

[Itália] Boletim de guerra: “Não tomamos partido de nenhum governo sujo”

Spoleto 21 de fevereiro – Boletim de guerra

Trinta anos depois, os explorados se encontram mais uma vez vítimas dos jogos de poder das grandes potências do mundo. É preciso dizer que estamos pagando o alto preço pelas consequências do cabo de guerra na Ucrânia, na forma de contas de eletricidade, gás e combustível e, consequentemente, o aumento da inflação sobre todos os bens essenciais e commodities. Esta dinâmica está entrelaçada com os processos especulativos da chamada recuperação econômica após a crise pandêmica. Estas são boas razões para voltar a falar falsamente sobre energia nuclear segura e limpa. Como internacionalistas, não tomamos o partido de nenhum governo sujo e não estamos preparados para pagar, nem com nossas vidas nem com o empobrecimento, por sua mania perversa de dominação.

CONTRA A GUERRA E CONTRA A PAZ

PELA REVOLUÇÃO!!!

Falaremos sobre isso na segunda-feira, 21 de fevereiro, no Círculo Anarquista, às 17h00, seguido de jantar.

Endereço: Via della Repubblica 1/A, Spoleto

Fonte: https://infernourbano.altervista.org/spoleto-21-febbraio-bollette-di-guerra/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Vi de uma lagarta:
faço um casulo de lã
na noite gelada.

Anibal Beça

[Portugal] A revista “A Ideia” | Volume de 2021 em distribuição

A revista “A Ideia” nasceu em Paris em Março/Abril de 1974 como “órgão anarquista específico de expressão portuguesa” e foi fundada por um desertor do exército colonial português, que residia desde 1968 em Paris e tinha ligações próximas com exilados espanhóis ligados à CNT.

O primeiro número da revista dedicava atenção à forte tradição libertária do movimento operário em Portugal antes da ditadura do Estado Novo salazarista (1933) e às suas ligações com o anarco-sindicalismo ibérico. Mas interessava-se também pelas novas expressões do pensamento libertário, traduzindo do inglês um texto de Murray Bookchin sobre o “grupo de afinidade anarquista”.

Com a Revolução dos Cravos, o fim da guerra colonial portuguesa em África, o regresso dos exilados políticos e dos desertores, a revista A Ideia passou a publicar-se em Lisboa, tendo tido um papel importante, ao lado de outras publicações como A Batalha e A Voz Anarquista, no relançamento das ideias libertárias em Portugal.

Aquilo que fez a especificidade da revista A Ideia foi por um lado a tentativa de preservar a memória do passado, publicando livros e outra documentação histórica, organizando arquivos e realizando colóquios que chamaram a atenção para a importância histórica do anarco-sindicalismo em Portugal, e a tentativa de dar a conhecer aos leitores de hoje o esforço teórico de pensadores libertários atuais. Foi assim das primeiras publicações em Portugal a publicar trabalhos em tradução de Colin Ward, Amedeo Bertolo, Tomás Ibáñez, Eduardo Colombo, Nico Berti, Marianne Enckell e muitos outros.

Com uma interrupção de alguns anos na década de 90 do século passado, em que apenas se publicaram anualmente números simbólicos, a revista retomou no início do século XXI a publicação regular, com uma segunda séria, que, com a redação instalada na cidade de Évora e o subtítulo de “revista de cultura libertária”, sofreu em 2013 uma renovação gráfica e cultural.

Acaba de publicar um número triplo, 94/96, com 320 páginas e uma pasta central dedicada aos acontecimentos da Comuna de Paris, isto no momento em que se celebram os 150 anos da sua história. Destaque para os textos de Alexandre Samis e Charles Reeve (pseudônimo de Jorge Valadas) que tratam o federalismo revoluci­oná­rio da Comuna, chamando a atenção para a sua atualidade.

Contatos:

acvcf@uevora.pt

aideiablog.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

Velha lagoa
um sapo mergulha
barulho d’água.

Matsuo Bashô

[Rússia] Grupos antifascistas russos sentenciados a detenções ‘grotescas’

Uma corte russa declarou sentenças rígidas a sete antifascista e ativistas anarquistas sobre um controverso caso de terrorismo doméstico obscurecido por afirmações que os investigadores torturaram os acusados a fim de obter confissões.

A corte em Penza, uma cidade localizada a cerca de 630 km ao sudeste de Moscou, sentenciou todos os homens a prisões de 6 a 18 anos em prisões isoladas por alegadamente formarem uma organização chamada Set, cuja tradução é Network, das quais os acusadores disseram que planejavam ataques dentro da Rússia para derrubar o governo. Os homens também foram acusados por uma mistura de incriminações por porte de armas e drogas,

Grupos de direitos humanos influentes chamaram o caso de forjado e disseram que os homens podem ter sido alvos pelos seus ativismos políticos. Quatro dos homens julgados disseram que foram torturados sendo espancados e com eletrocução durante as investigações. Em dezembro, o centro de memória de direitos humanos, uma das organizações de direitos civis mais antigas da Rússia, havia apelado para que as queixas fossem abandonadas.

“É óbvio que a acusação dos ativistas antifascistas em Penza, é parte de um processo em andamento de medidas repressivas contra anarquistas e antifascistas que se acentuou muito entre 2017-2018, e é politicamente motivado” escreveu a organização.

Na segunda-feira, apoiadores dos homens que gritaram “vergonha” aos magistrados de Penza onde o veredicto foi anunciado. Alexei Navalny, figura de oposição famosa, chamou as sentenças de “horripilantes”.

Oleg Orlov do Memorial disse: “Esta é um veredicto monstruosamente duro, mas não esperávamos nada menos”

A acusação culpou os homens por alegadamente planejar ataques, mas demonstrou poucos detalhes concretos sobre quando e onde eles seriam executados. Os investigadores originalmente afirmaram que os homens tinham como alvo a Copa do Mundo de 2018 ou as eleições presidenciais, mas essas acusações não se refletiram no parecer final.

Os homens tinham jogado airsoft juntos, uma atividade que a acusação considerou como treino para ataques. Em 2019, a Network foi considerada uma organização extremistas, junto a grupos como o Estado Islâmico.

“Mesmo que esses caras realmente discutissem uma futura revolução… o crime se dá quando as pessoas realizam um plano específico, e eles não foram acusados de realizar nenhum plano determinado”, disse Alexander Verkhovsky, diretor do centro Sova de Moscou, que monitora extremismo e as contramedidas do governo russo.

Quatro dos réus disseram que eles haviam sido torturados durante a investigação, acusando os membros do Serviço de Segurança Federal (FSB) de recorrer a espancamentos e do uso de eletrocução a fim de coletar confissões.

Dmitry Pchelintsev, 27, um ativista antifascista de Penza, foi sentenciado a 18 anos na prisão por supostamente criar a Network. Ele e os outros acusados negaram que o grupo existisse.

Em testemunho para seu advogado, Pchelintsev disse que ele admitiu planejar ataques terroristas depois de ter sido detido e torturado com eletricidade por agentes de segurança. Ele descreve que apertava os dentes pela dor e que sua boca ficava “cheia de sangue”.

“Eles começaram a tirar minhas roupas íntimas, eu estava deitado com a face para baixo, eles tentaram conectar os cabos aos meus genitais”, disse ele em nota publicada pela MediaZona. “Eu comecei a gritar e a implorar que eles parassem de me torturar. Eles começaram a dizer: “Você é o líder.” Para que interrompesse a tortura, eu disse: “Eu sou o líder.”

Fonte: https://avtonom.org/en/news/russian-antifascist-group-given-monstrous-jail-terms

Tradução > Alice Prin

agência de notícias anarquistas-ana

surgidos do escuro,
somem na moita, na noite:
amores de um gato

Issa

[Polônia] Vídeo | Somos uma quebra em seu muro

Durante o 8º aniversário do Samba Wrocław, mostramos nossa oposição à construção do muro na fronteira entre Polônia e Bielorrússia. A campanha foi preparada pela equipe No Borders.

Acreditamos que fronteiras e muros sobre eles não deveriam existir, e as pessoas não deveriam ser divididas em melhores, vivendo no chamado Norte Rico e na última categoria, o Sul Pobre. Ao estimular o conflito e fornecer armas, as elites políticas e empresariais do capital global se beneficiaram por muito tempo desta divisão. Como residentes comuns poloneses, temos mais em comum com um curdo que fugia da perseguição de Kobane; com uma mulher afegã que é despojada de seus direitos fundamentais e objetificada apenas porque é uma mulher ou uma família angolana que foge da mudança climática. Como pessoas, temos o dever de ajudar uns aos outros, especialmente os necessitados. Mesmo que a lei criminalize esta ajuda, não ficaremos surdos aos gritos de nossas irmãs e irmãos; unindo-nos numa luta comum, transformamos a crise em uma nova forma de comunidade. Vamos fazer uma pausa neste projeto desumano juntos!

>> Veja o vídeo aqui:

https://kolektiva.media/w/pQc4DRjHf2PZvx6qY1hfqY

Tradução > dezorta

agência de notícias anarquistas-ana

tarde quente
penso em você
vestida de brisa

Alexandre Brito

[Rússia] Adolescente recebe cinco anos de prisão por panfletos e bate-papo no Minecraft

Em 10 de fevereiro, um tribunal militar condenou três ativistas de 16 anos de Kansk no Krasnoyarsk Krai, no sul da Rússia. Nikita Uvarov, que foi nomeado líder do grupo durante a investigação, foi condenado a cinco anos de prisão e multado em 30.000 rublos (cerca de £287). Dois outros réus (Denis Mikhailenko e Bohdan Andreyev) foram absolvidos porque, segundo os advogados, cooperaram com os investigadores. As alegações foram baseadas em seções sobre terrorismo (produção de explosivos e treinamento em atos terroristas).

Os meninos foram presos no verão de 2020, quando tinham 14 anos, depois que panfletos criticando o governo e em apoio a presos políticos apareceram em Kanska, inclusive no prédio do Serviço Federal de Segurança (FSB). Os panfletos nomeavam anarquistas e antifascistas condenados nos casos Network e Azata Miftachov.

A polícia usou a conversa dos meninos nas redes sociais como evidência para suas alegações de “treinamento de terrorismo”, onde eles discutiram anarquismo ou os “disparos” do prédio do FSB enquanto jogavam Minecraft juntos. Além disso, o chefe do FSB, Alexander Bortnikov, declarou em junho de 2021 que os terroristas estavam recrutando jovens em centros de jogos online e criando “situações de ataques terroristas no jogo”.

Nikita Uvarov negou as acusações, enquanto os outros dois confessaram e testemunharam contra Uvarov, mas depois retiraram suas declarações. Uvarov passou 11 meses sob custódia e completou seu ano letivo após sua libertação em maio de 2021. Mikhailovko ficou sob custódia por cerca de dez meses, enquanto Andreyev foi colocado em prisão domiciliar. A partir de agosto de 2021, ambos foram banidos de atividades específicas relacionadas. Andreyev foi autorizado a usar a internet e ir à escola, enquanto Mikhailovko continuou a ser proibido de entrar online.

Em seus comentários finais no tribunal, Nikita Uvarov disse que, se fosse condenado à prisão, cumpriria sua sentença “com a consciência limpa e com dignidade”.

“Vou ficar calmo porque nunca ensinei nada de ruim aos meus amigos, não era o líder deles, éramos iguais e apenas nos tornamos amigos. Não testemunhei contra ninguém… não planejei assassinar ninguém, não sou terrorista… gostaria de terminar a escola e ir para algum lugar distante”, disse.

Nikita Uvarov pode ser apoiado da seguinte forma:

– Bitcoin: bc1qdpffwd9rwghfsr497fm0mf60jyf5exvsm27q7a

– Ethereum: 0x56CD03309E0607105F15bA3cd9896B010e0c1689

– O dinheiro também pode ser enviado via ABC-Moscou, informando o nome do condenado, ou todo o caso – “Caso Kansk”.

– Paypal: abc-msk@riseup.net

– YooMoney: 410011258065987

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2022/02/13/russia-teenager-gets-five-years-for-flyers-and-minecraft-chat/

Tradução > GTR@Leibowitz__

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/01/russia-noticias-da-cruz-negra-anarquista-moscou/

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capulhos na pereira
e uma mulher à luz da luz
lendo uma carta

Buson

Chá das cinco idiomas procura professores de francês, espanhol, italiano e alemão

Olá, somos o chá das cinco idiomas, uma cooperativa de professores de línguas baseada em preceitos anarquistas de apoio mútuo, autogestão e horizontalidade. Buscamos professores particulares (infelizmente não há espaço para quem faz “bico” como professor) para captar alunos para todos a partir do uso das redes sociais. Para tanto, precisamos de professores que estejam dispostos a criar conteúdo de suas respectivas línguas. Neste momento, procuramos professores de francês, espanhol, italiano e alemão. Mas outras línguas podem ser consideradas. Caso tenha ficado interessada (o) basta enviar um e-mail para chadascinco.idiomas@gmail.com

Saúde e anarquia!

agência de notícias anarquistas-ana

de tantos instantes
para mim lembrança
as flores de cerejeira.

Matsuo Bashô

 

[Espanha] Isaac Puente: a história de um médico libertário

Minha avó materna o conhecia: ele era o médico de sua cidade natal e seu nome era Isaac Puente Amestoy (1896-1936). Isaac Puente foi um homem de convicções libertárias, formado em Santiago de Compostela, que exerceu sua atividade profissional na cidade de Maeztu, em Alava. Puente, que serviu dezesseis outros municípios da região, também era conhecido por ser o redator de El comunismo libertario, a publicação impressa de 1933 que expôs a ideologia do movimento anarquista e que, três anos após sua primeira edição, havia vendido quase 100.000 exemplares. Depois de ser preso várias vezes por defender sua ideologia libertária, o escritor foi executado pelas tropas de Franco em setembro de 1936. Ele tinha 40 anos de idade.

A história de Isaac Puente, que eu conhecia – em parte – graças a um testemunho de família, era para mim a de um personagem enterrado na bruma do tempo, cujo assassinato não só pôs um fim à sua vida – pensei ingenuamente – mas também a qualquer vestígio escrito do autor. Foi uma grande surpresa quando recebi e li Un médico rural, a seleção de artigos que Puente escreveu na imprensa da época e que Pepitas de Calabaza acaba de recuperar, atualizando assim o legado de seu pensamento e defendendo sua figura. Os responsáveis pela publicação não hesitam em afirmar que, além de possuir um conhecimento clínico portentoso, Isaac Puente é (e sublinho o verbo no tempo presente) um dos mais importantes teóricos do anarquismo ibérico.

Um médico rural recupera o perfil que Federica Montseny escreveu sobre ele em 1938 e que serviu como porta de entrada para a Propaganda, a primeira antologia de seu trabalho. O retrato do escritor catalão destaca seu caráter humilde e simples, assim como seu altruísmo com os pacientes e presos das prisões pelas quais passou, com os quais compartilhou – dada sua condição de prisioneiro político – tudo o que lhe foi enviado por sua família e amigos. O livro, editado com requintado gosto e sobriedade, é dividido em dois blocos complementares: o primeiro corresponde aos artigos publicados em revistas científicas; o segundo aos textos combativos que ele escreveu em jornais e panfletos sindicais. Ambos são assinados com uma prosa transparente que os torna acessíveis a qualquer leitor, um esforço deliberado do autor para garantir que seu conhecimento chegue ao povo comum e não se perca nos aspectos técnicos da ciência e do pensamento.

No primeiro, além de uma série de conselhos sobre como levar uma vida saudável, existem diretrizes pedagógicas destinadas aos jovens, um período no qual “basta a experiência vivida”, diz ele, “para nos fazer desconfiar de afirmações categóricas, e onde surgem a dúvida e a sede de conhecimento”. É esta mesma sede de conhecimento que levou muitos teóricos libertários – que professavam a medicina – a denunciar os danos que a Revolução Industrial trouxe à saúde pública e as condições a que o proletariado foi submetido em seu trabalho. Estas páginas também tratam de questões relacionadas à sexualidade e ao uso de contraceptivos, assim como questões controversas como eutanásia, aborto e se deve ou não ser vacinado diante da ameaça de uma epidemia.

Saúde e anarquismo, portanto, estão ligados aqui por um raciocínio que o médico ironicamente expõe em “Você deve ser apenas um médico”, que serve como dobradiça e nexo para todo o volume. Como ele mesmo afirma, a medicina é uma profissão dedicada “ao combate à dor humana”. “E a pesquisa sobre as causas do sofrimento físico e psicológico nos leva ao campo da sociologia, mostrando-nos que a miséria é uma doença em si mesma”. Desta forma, sua sátira da mecanização da ciência se estende à indústria, pois sacrifica o artesanato manual e paga ao trabalhador, não só com dinheiro, mas com a moeda suja da humilhação e da subjugação. Com julgamentos como estes, que questionam as idiossincrasias do progresso, Puente antecipa a crítica aos sistemas de controle social que, anos depois, Lewis Munford faria em seu ensaio magistral O Pentágono do Poder.

Longe da má imprensa que o anarquismo tem recebido nas últimas décadas, o escritor sempre defendeu a liberdade individual com um limite muito preciso: a liberdade dos outros. Uma independência moral baseada no pensamento autônomo, que nos permite analisar a realidade com espírito crítico e perceber, por exemplo, que muitos de nossos males são devidos à “exploração capitalista do trabalho humano”. Ele o coloca em uma de suas melhores peças: “Um postulado de justiça social tão elementar quanto o de que todo ser vivo tem direito ao que precisa para viver abertamente em choque com o capitalismo, que nega esse direito a alguns milhões de homens”.

Historicamente, o anarquismo tem sido uma corrente injuriada e injustamente relegada para a esfera da utopia. Entretanto, vendo como o presente está se desenrolando em alguns paraísos ocidentais, poderíamos concluir que a democracia também é uma utopia. Não apenas isso, mas, como resultado de abusos de poder e escândalos, está se tornando o oposto. O sinal mais óbvio desta recessão democrática pode ser visto diariamente na legitimidade degradada de um sistema que não funciona. Também no colapso daquele sonho chamado de classe média, uma invenção sustentada pela ilusão coletiva daquele bem-estar enganador – aquele que nos dá nossos pequenos privilégios – que exige em troca uma escravidão permanente (Montserrat Roig o disse durante a Transição: uma sociedade não pode mudar em nada se cada ser não se confrontar). Esta mesma ociosidade e ignorância, esta submissão sistemática à ordem estabelecida, é o que Isaac Puente denunciou em seus escritos.

Os artigos em Un médico rural são um estilete preso na pele do presente. Uma fonte de conhecimento para aqueles que praticam o trabalho de leitura; uma mensagem desconfortável para aqueles que evitam o exercício de pensar. A validade absoluta destas páginas deve ser sublinhada: os códigos morais que elas contêm – suas verdades inapeláveis, sua insurgência declarada – se conectam diretamente com os tempos em que vivemos. Isaac Puente, o médico de quem minha avó me falava quando eu era criança, o mesmo que se escondia no mato porque queriam matá-lo, nos legou uma filosofia de vida comprometida e solidária que, um século depois, continua a desafiar as mentiras do Poder. Além das determinações ideológicas, suas convicções cívicas e humanitárias – que o apoio mútuo defendido por Kropotkin – fornecem a chave para seu pensamento. Estou convencido de que muitos verão um espelho do presente com estas palavras: “O Estado é a mais nefasta das instituições sociais e o suporte de toda injustiça; a política, a mais repugnante das farsas”.

Fonte: https://www.noticiasdealava.eus/opinion/2022/02/05/isaac-puente-historia-medico-libertario/1161158.html

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/09/07/espanha-81-anos-do-assassinato-de-isaac-puente-icone-do-anarquismo-basco/

agência de notícias anarquistas-ana

Olhando bem
O cafezal, na verdade,
São laranjeirinhas…

Paulo Franchetti

[EUA] Punk & Anarquia

Por Ruhe

Uma resenha de Ethics, Politics, and Anarcho Punk Identifications: Punk and Anarchy in Philadelphia [Ética, Política e Identificações Anarco-punks: Punk e Anarquia na Filadélfia], por Edward Anthony Avery-Natale. Lexington Books, 2016, 235 pp.

Como muitos anarquistas que cresceram nos anos 1990, meu primeiro contato com o anarquismo foi pela cena punk. Um amigo me deu uma fita cassete cheia de bandas punk clássicas como parte do esforço para satisfazer meu interesse crescente pelo punk.

Entre as músicas encontrava-se o álbum completo de 1981 da banda inglesa de punk anarquista Crass, o “Penis Envy”, e fiquei impressionado com a desconstrução de gênero e agressão ao patriarcado.

Como resultado, explorei outras bandas e, pelos círculos interseccionais de punk e anarquismo e depois de uma série de encontros felizes ao acaso (lendo sobre organizações anarquistas em encartes de álbuns, ouvindo sobre protestos em shows, aprendendo sobre presos políticos através das zines punk, pegando jornais anarquistas em shows etc.), eventualmente me envolvi no amplo âmbito anarquista dos Estados Unidos.

Refletindo sobre aqueles anos e conversando com muitos amigos sobre esses assuntos, minha história não é particularmente diferente, alguma variação dela aconteceu com muitos da minha geração. Punk — seja quais forem suas falhas — era uma porta de entrada através da qual muitas pessoas foram expostas as ideias anarquistas.

Portanto, estava ansiosa para ler Ethics, Politics, and Anarcho-Punk Identification, na esperança de que ofereceria novas percepções do papel do punk no anarquismo.

É focado em uma cidade, Filadélfia, mas, porque o punk é um movimento de faça-você-mesmo global, a discussão é relevante à história do punk como um todo. O foco é particularmente interessante, já que a Filadélfia tinha uma robusta comunidade anarco-punk no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Enquanto nunca estive nessa cidade, o que acontecia lá circulava pelas redes pré-internet das bandas em turnê, zines e viajantes de trem, o que me fez ainda mais ansiosa pelo livro de Avery-Natale.

O texto faz um bom trabalho em dar um panorama geral da cena na Filadélfia. O autor usa suas próprias experiências como anarquista e punk para basear suas análises, que é então provinda de várias entrevistas com participantes duradouros da cena.

Todos os entrevistados e entrevistadas se identificam como anarquistas e punks. O autor tenta explicar o básico de como a subcultura funciona, mas, apesar disso, é uma análise que provavelmente faria mais sentido para aqueles que estão familiarizados com a cena faça-você-mesmo.

Avery-Natale se preocupa primeiramente com questões de identificação e com como anarco-punks se identificam. É uma discussão interessante, focando em como conciliar ser um anarquista em um mundo não-anarquista e como, em uma escala menor, concilia-se ser um anarquista em uma cena punk predominantemente não-anarquista.

Ele passa muito tempo dissecando o termo “anarco-punk” e articula a ideia de identidades conflitantes que se alternam entre sua união e oposição. A questão central para essa discussão é a de o que o anarquismo significa para os anarco-punks.

O livro apresenta a ideia do anarquismo ligeiramente com um compasso ético ou referencial do que se pode almejar, baseando-se no que dizem os entrevistados e entrevistadas e na análise do autor. Com base nas entrevistas, as políticas da cena são representadas como céticas às possibilidades de um futuro anarquista e naturalmente reformista.

Muitos entrevistados e entrevistadas citaram expressar apoio para vários programas de bem-estar social do governo e argumentam que o processo de reformar o Estado é uma alternativa aceitável à revolução. O autor enfatiza essa linha de pensamento ao se apoiar grandemente na obra de Simon Critchley, um teórico acadêmico que é provavelmente mais familiar àqueles dentro da universidade do que a participantes do meio anarquista.

Eles se encaixam com os teóricos pós-marxistas também citados como Alain Badiou, Gilles Deleuze, Ernesto Laclau e Slavoj Zizek. O anarquista ocasional é referenciado, mas a maioria é da variedade clássica. Noam Chomsky é um dos poucos anarquistas contemporâneos citados.

Muito da discussão do livro é moldada pelas lentes das análises sociológicas. Dar um passo atrás e avaliar as coisas por uma perspectiva acadêmica pode dar uma profundidade que pode ser útil, mas, algumas vezes, pode ser também limitante.

O autor diz que escreveu o livro em parte como uma forma de “retribuir” à comunidade anarco-punk, mas é difícil imaginar que o texto seja atrativo para além de um estreito público-alvo. É cheio de uma linguagem acadêmica relativamente especializada e teóricos são rotineiramente citados. Enquanto há algumas tentativas de explicar brevemente os conceitos invocados, é provável que, quanto mais familiarizado com esses teóricos anteriormente, mais significativas as comparações serão.

Até com alguma familiaridade, a discussão ocasionalmente parece chocantemente esvaziada da paixão característica dos anarco-punks. Além disso, muitos com experiência na cena iriam criticar com razão o fato do livro custar $89.99.

Em geral, esse livro é apenas nominalmente interessante. Sua discussão é muito complicada e parece mais preocupada com sua adequação às normas da academia do que em contribuir ao meio punk ou anarquista.

O livro frequentemente referencia a virada à direita da cena punk na última década e a diminuição da presença anarquista no punk, bem como um clima “anti-PC”. O punk, como aponta o autor, é simultaneamente local e global e os pontos mais frequentes para uma conexão pálida entre política radical e punk.

Por isso, esse texto parece ainda mais irrelevante. Talvez alguma outra pessoa escreverá algo que captura adequadamente a conexão entre o punk e o anarquismo e os modos que inspirou tantas pessoas à atividade política. Escrito e argumentado adequadamente, é um livro que poderia ter muito a oferecer — infelizmente Ethics, Politics, and Anarcho-Punk Identifications está longe de realmente cumprir esse papel.

>> Ruhe é anarquista que ainda encontra inspiração no punk.

Fonte: Fifth Estate # 399, Fall, 2017

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Crepúsculo. O sol no horizonte
Vai descendo
Os degraus do monte.

Clínio Jorge

Curso | História dos periódicos feitos por mulheres no Brasil e na América Latina

Qual a relação de um periódico com o seu tempo e com o conjunto de pessoas que o realizaram? O curso História dos periódicos feitos por mulheres no Brasil e na América Latina: uma perspectiva feminista e de cultura visual pretende traçar uma relação entre periódicos feitos por mulheres na nossa região nos últimos 100 anos considerando a sua proposta editorial e de circulação.

O que o periódico anarquista Nuestra Tribuna tem a ver com Mulherio e com o Jornal de Borda, por exemplo? Quais são as aproximações entre eles e no que eles se distanciam?

O curso será ministrado por Fernanda Grigolin (editora de publicações desde os anos 2000 e pesquisadora de periódicos) e tem como objetivo apoiar os custos editoriais de Lucía — revista feminista de cultura visual e tradução.

A atividade terá duração de 3 horas e será on-line no google meet, as pessoas que se inscreverem receberão um e-book também. O link da atividade será enviada por e-mail.

20 vagas, on-line.

Faça a sua inscrição agora, clique aqui:

https://tendadelivros.org/loja/produto/cursoperiodicos/?mc_cid=86e2b36a8f&mc_eid=8caea939b8

agência de notícias anarquistas-ana

Sopra o vento
Pássaros correndo
Atrás de sementes

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Reino Unido] Abrigo de inverno autônomo aberto no antigo albergue St. Mungo

Mais de 2688 pessoas dormiram nas ruas de Londres em qualquer noite de 2020.

Em 23 dias neste mês, a temperatura a noite seria fria o suficiente para causar hipotermia. Durante estes 23 dias existe uma possibilidade muito real de que alguém que durma na rua talvez não acorde no dia seguinte.

Não tem que ser desse jeito.

Com os aumentos de até 150% no número de moradores de ruas em alguns dos distritos de Londres no ano passado, a falta de acesso a moradia ainda é um problema que não pode ser varrido para debaixo do tapete. Esse número teve um aumento de 52% na última década sozinha – e continuará a subir. Nós estamos fazendo algo a respeito porque nós sabemos que não podemos deixar que isso continue acontecendo.

As pessoas não deveriam ser forçadas a morrer nas ruas de um país que escolheu esquecê-las. O aumento no custo dos aluguéis e continua falta de solidariedade dos serviços assistenciais permitiu aprofundar uma ausência de interesse por estes em situações como essa – é hora de trabalharmos do zero. Nenhum de nós deveria estar a um salário da perda da moradia – e nenhum de nós deveria estar dormindo na rua no meio do inverno. Nós temos o dever de mostrar solidariedade com nossas comunidades.

Nós estamos ocupando o antigo albergue St. Mungo em Gray’s Inn Road em protesto contra as medidas de austeridade que permitem a contínua negligencia daqueles em situação de rua. Como moradores de rua, não iremos mais sentar e esperar a morte por congelamento nas ruas. Estamos cansados de lugares sombrios e albergues sem estrutura. Estamos tomando uma ação direta – nos organizando para nos assistir em tempos de crise.

Temos como objetivo fornecer um espaço seguro e aquecido para as pessoas ficarem, criarem, cuidarem de si próprios e de outros em um ambiente comunitário. Não é suficiente para fornecer o que as pessoas precisam para sobreviver – nosso objetivo é cultivar um espaço que possibilite as pessoas prosperarem.

Nosso etos é simples – respeito e assistência mútua. Nossos espaços estão abertos para todos, porém, qualquer tipo de abuso não é bem-vindo.

Ao longo do ano passado, nós temos visto este governo tomar algumas ações questionáveis com relação a assistência para os moradores de rua. A promoção da “Whitechapel Mission”, junto com um anuncio lembrando passageiros a não darem nada diretamente aos moradores de rua permanece em circulação mesmo após um pedido de desculpas públicas de Priti Patel. Pessoas que desejam ajudar são encorajadas a manter sua ajuda sempre à um passo de distância a aqueles que precisam – permitindo a aqueles no poder a virtude de sinalizar sua simpatia, enquanto ignorando o problema em mãos.

Uma ação direta é o único jeito de seguir em frente. Nós podemos demonstrar nossa solidariedade para com aqueles em necessidade se nós tentarmos. Junte-se a nós enquanto atacamos a crise da falta de moradia por vir, através de ajuda e respeito mútuo.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2021/12/07/autonomous-winter-shelter-opened-in-former-st-mungos-hostel/

Tradução > Adriano Filho

agência de notícias anarquistas-ana

ipê florido
as abelhas zunem
folhas caídas

Rubens Jardim