[Espanha] A CGT inaugura seu próprio estúdio de televisão em Vallecas

A televisão anarcossindicalista começou a emitir em janeiro de 2015 e seus conteúdos focam-se principalmente nas lutas sociais e conflitos trabalhistas da classe trabalhadora de todo o Estado espanhol.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) adquiriu um local no bairro madrilenho de Vallecas para continuar com o projeto de comunicação ‘Rojo y Negro Televisão‘, a televisão confederal que em janeiro passado completou 7 anos de emissões ininterruptas.

Os anarcossindicalistas disporão de um lugar próprio para levar a cabo os programas que mantêm desde janeiro de 2015, mas também poderão desenvolver e ampliar outros, dado o crescimento da organização nos últimos anos e que sem dúvida também se refletiu na demanda de conteúdos audiovisuais onde os trabalhadores e as trabalhadoras são protagonistas.

Para a CGT, este investimento é uma aposta de presente e de futuro por um dos pilares imprescindíveis de qualquer organização, como é a comunicação. Ademais, apontam desde a CGT, dada a situação que se mantêm na atualidade com os meios de comunicação convencionais, onde uma mensagem antiautoritária como o deste sindicato custa muito introduzir e difundir, o apoio e respaldo aos meios próprios são muito necessários.

O novo local que a CGT destinará a sua própria televisão têm quase 400 metros quadrados, está situado nos arredores da Puente de Vallecas, e começará a funcionar a partir das próximas semanas.

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

De ponta-cabeça,
O rouxinol entoa
As primeiras notas.

Takarai Kikaku

 

[EUA] Bolsas para Vídeo-Realizadores Radicais

Bolsas para Realizadores de Vídeo Radicais | Chamada para propostas | Até Agosto de 2022

Em quase 1/4 deste século, o Instituto de Estudos Anarquistas (Institute for Anarchist Studies  – IAS) tem financiado trabalhos de criatividade intelectual que promovem as ideias anarquistas e as torna acessíveis para o grande público. Neste ciclo que estamos iniciando nos dedicaremos ao patrocínio de projetos de vídeo que abordem o anarquismo com outros temas:

  • comunidades negras, indígenas, pessoas de cor e trans (traumas, cura e resposta à repressão);
  • atividades de apoio mútuo em comunidades indígenas;
  • atividades em resposta à opressão aos povos migrantes;
  • atividades em resposta à ameaça de uma nova guerra nuclear; e/ou
  • atividades em resposta à “distorção da realidade” e a “desinformação em massa”.

Nós queremos financiar a produção de projetos de vídeo que possam promover a compreensão pública de ao menos um dos tópicos acima. Nosso desejo é dar suporte aos realizadores de identidades com baixa representação que necessitem de apoio financeiro. O material audiovisual financiado por essa bolsa ficará perpetuamente disponível no IAS para hospedar, compartilhar e extrair livremente enquanto ele estiver disponível aos criadores (que também são livres para usá-los e compartilhá-los à vontade).

Os vídeos podem ser de qualquer tipo de duração, mas a prioridade será dada aos projetos que estarão finalizados (prontos para serem exibidos) em 30 de abril de 2023 (6 meses depois do anúncio da lista dos selecionados). Um total de US$ 2.500,00 em bolsas financeiras está sendo disponibilizada.

As inscrições estão abertas até o dia 01 de agosto de 2022.

Nós recomendamos que preparem todos os materiais e as informações requisitadas antes de iniciar a sua inscrição. Para tanto é necessário:

– fazer um sucinto resumo do seu projeto, audiência (público) e plano de divulgação;

– fornecer os links com os seus trabalhos de vídeos anteriores (Instagram, YouTube e links de sites pessoais são bem vindos); e

– também fornecer um orçamento e um cronograma de finalização do projeto.

Para se inscrever, por favor visite o site abaixo:

https://docs.google.com/forms/d/1qqJkAaRlef0NMWsQyn5rQKtYKMmcr7RYaksf6A_MbSk/viewform?edit_requested=true

Para maiores informações, visite nossa página “dúvidas mais frequentes” (FAQ) (https://anarchiststudies.org/grants-faq/) ou contate-nos no  info@anarchiststudies.org

anarchiststudies.org

Tradução > Ligeirinho

agência de notícias anarquistas-ana

Sozinho na casa.
Lá fora o canto das cigarras.
Ah se não fossem elas…

Anibal Beça

[Espanha] As caixas de Amsterdam mostram a feliz anarquia catalã em PhotoEspaña

Exposição

A Calcografía Nacional exibe as reaparecidas imagens de Kati Horna e Margaret Michaelis para os anarquistas catalães

Por Justo Barranco | 05/06/2022

Permaneceram em paradeiro desconhecido oito décadas após serem salvos em 47 caixas de madeira, talvez de rifles, pela CNT-FAI durante os bombardeios de Barcelona de 1939. Passaram por Paris, ficaram na Inglaterra na Segunda Guerra Mundial e chegaram em 1947 a seu destino, o Instituto Internacional de História Social de Amsterdam, que já tinha documentos de Marx ou Bakunin e um de cujos fundadores era anarcossindicalista. Ali as 47 caixas seguiram fechadas até a morte de Franco. Nos oitenta foram abertas, mas não se deu importância às milhares de imagens que continham, procedentes do Arquivo Fotográfico dos Escritórios de Propaganda da FAI. Preferiram outros documentos dos anarquistas catalães.

Só em 2016 Almudena Rubio, investigadora do centro holandês, vê seu valor e descobre, graças a livros de anarquistas como Emma Goldman ou Augustin Souchy, os que acompanharam pelo país, que há centenas de imagens de duas grandes fotógrafas, a húngara Kati Horna e Margaret Michaelis, nascida no império austro-húngaro de 1902. Que puseram suas câmaras à serviço da revolução social da retaguarda catalã, aragonesa e valenciana na Guerra Civil. Agora uma centena dessas fotos será exibida até 24 de julho na Calcografía Nacional de Madrid em uma mostra co-produzida por PhotoEspaña e a Diputación de Huesca, as caixas de Amsterdam: Kati Horna e Margaret Michaelis na Guerra Civil , que logo se verá, aumentada a 220 fotografias, em La Virreina Centre de la Imatge de Barcelona.

Fotografias que mostram crianças de colônias com gorros de milicianos, igrejas transformadas em lojas de móveis com colchões empilhados no altar, um boneco burlesco que imita Franco na praça Catalunya de Barcelona ou trabalhadores de vinhas coletivizadas. Também há imagens da frente, mas Almudena Rubio, curadora da mostra, assinala que “é um arquivo de retaguarda e as fotos contam essa história não tão conhecida da Guerra Civil, a da revolução social impulsionada pelos anarquistas e que permite ver os protagonistas, a classe obreira, motivada e feliz: pela primeira vez tomam o controle de sua vida”.

Confessa que lhe surpreendeu descobrir que “as câmaras principais dos anarquistas haviam sido duas mulheres estrangeiras e judias tendo em Barcelona fotógrafos como Antoni Campañà”. Mas acrescenta que eram mulheres independentes “comprometidas com o antifascismo e o anarcossindicalismo”. Michaelis, que tinha desde 1933 um estúdio fotográfico na capital catalã, a retratará em seus momentos de esplendor em 1936. Horna deverá enfrentar a campanha de difamação de Franco contra o antifascismo em 1937. Após ir à Valência, acabaria casada com o artista anarquista andaluz José Horna e em 1938 se exilariam no México.

Fonte: https://www.lavanguardia.com/cultura/20220605/8316150/anarquismo-catalunya-cnt-fai-kati-horna-margaret-michaelis-cajas-amsterdam

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

a viúva-negra
na calada da noite
sempre sozinha

Cachone

Memória | O “Inferno Verde” da Clevelândia

O anarquista uruguaio Thomaz Derliz Borche (foto), era maquinista e também trabalhou em restaurantes. Com cerca de 20 anos de idade mudou-se para o Rio Grande do Sul, onde conheceu as ideias libertárias. No dia 2 de maio de 1925, quando participava de um comício operário, em Florianópolis (Santa Catarina), foi preso. Em seguida, enviado para a polícia central do Rio de Janeiro e depois embarcado no ‘Caxambu’ onde, além de cumprir trabalhos forçados, esteve preso com os anarquistas Pedro Augusto Mota (na época diretor do jornal A Plebe), Nino Martins e José Fernandes Varella.

Todos foram enviados naquele ano para a colônia penal da Clevelândia (na prática essa prisão em Oiapoque/Amapá funcionava como um verdadeiro campo de concentração e de extermínio no Brasil). Na Clevelândia morreram os anarquistas: Pedro Augusto Mota, José Maria Fernandes Varela, Nicolau Paradas, José Alves do Nascimento e Nino Martins.

Thomaz Derliz Borche descreveu da seguinte maneira o tempo que passou lá: “O desterro foi duro. A região é pestilenta e foi enorme a mortandade, conforme já é de domínio público“. Porém o anarquista uruguaio conseguiu sobreviver a experiência, no dia 1° de dezembro de 1926, veio na primeira leva, com outras pessoas, para o Rio de Janeiro. Muito debilitado, retornou em seguida para o Uruguai, onde viveu até outubro de 1962.

Logo após a sua prisão, entrou em contato com o periódico anarquista A Plebe, para felicitar seus companheiros e desejar vida longa ao jornal. Na ocasião escreveu: “Camaradas! Tende confiança e perseverança na nossa luta pela causa dos oprimidos, dos explorados, luta essa que um dia há de abater o regime de tirania e de extorsão, estabelecendo a sociedade do homem livre sobre a terra livre. Organizemos grupos de propaganda e cultura social, trabalhemos pela organização dos trabalhadores em sindicatos de indústrias, reunidos nas federações locais e estaduais, evitando por todos os meios a intromissão da polícia entre as associações obreiras, tenha ela o rótulo que tiver, demonstrando a sua falência em todos os tempos, patenteando a burla do parlamentarismo, defendido agora pelos desorganizadores do operariado, pelos mistificadores que se infiltram entre a classe trabalhadora“.

agência de notícias anarquistas-ana

Tronco esburacado –
Pica-pau busca alimento
com muitas bicadas.

Madô Martins

[Chile] El Sol Ácrata, N°1 (Exemplar 43, Terceira Época), Primeira Quinzena de Junho de 2022

Novamente, após uma longa pausa e em uma nova época, a terceira em nossos 10 anos de vida, é que sai às ruas El Sol Ácrata, jornal anarquista, esta vez como órgão da Federación Cultural Antiautoritaria da região chilena.

Buscando contribuir com a difusão teórica, cultural e prática das ideias revolucionárias na região chilena, é que a Federación Cultural Antiautoritaria desta região, decidiu encarregar-se do Jornal Anarquista El Sol Ácrata, publicação de mais de 10 anos de existência, e que em diferentes épocas contribuiu com o movimento anarquista local.

Este jornal, que em primeira instância será difundido mediante web e também através de cópias impressas, tem como objetivo fundamental transformar-se em porta voz desta federação, buscando instalar debates, ideias e propostas que sejam de causa comum para nós. Do mesmo modo, desejamos que nossos leitores mais antigos, voltem a se encantar com esta publicação, a qual se faz com carinho e desinteresse.

Neste primeiro número da terceira época, exemplar 43 de toda nossa existência, lhes oferecemos:

– Apresentação: nós

– Artigos: Análise: tempos incertos.

– Algo estranho ocorre em Calama

– Músicas livres e receitas veganas neste número.

Os e as convidamos a difundir por todos os meios possíveis estas páginas carregadas de liberdade, de luta contra a autoridade, e de busca constante de um mundo novo e liberado de todo tipo de escravidão e autoridade.

VIVA A ANARQUIA!

>> Baixar aqui: https://lapeste.org/wp-content/uploads/2022/06/el-sol-acc81crata-nc2b01-ejemplar-43-primera-quincena-junio-de-2022.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

probleminhas terrenos:
quem vive mais
morre menos?

Millôr Fernandes

 

[Grécia] 24 de Junho | Dia Internacional de Solidariedade com o anarquista e grevista de fome desde 23/05 Yinnis Michalidis

Após 8,5 anos de prisão, depois de todas essas ações arbitrárias contra mim, decidi pôr um fim aos meus 11 anos de sofrimento, erguendo um monte à prática da prisão preventiva, ou à punição adicional de fuga através de brechas da justiça. Depois de mais 5 meses de prisão preventiva, inicio uma greve de fome pela minha libertação. Esta escolha, com a profunda motivação da tão desejada liberdade, pretendo apoiar com a mesma coerência com que tenho apoiado minhas escolhas até agora e pelas quais eles estão se vingando de mim“. – Giannis Michailidis, preso preventivo na prisão de Malandrinos, 23/5/2022

Ao longo de sua vida, Yinnis Michalidis tem sido parte integrante das lutas contra o Estado e o capital desde uma perspectiva anarquista. Ele participou desde sua juventude em grupos estudantis anarquistas, em manifestações contra a guerra no Iraque, em manifestações anti-estatais/anticapitalistas do movimento antiglobalização de 2004-2006 e foi preso durante os conflitos. Ele participou das lutas estudantis em 2006-2007 contra as reformas reacionárias no ensino superior (privatização das universidades, abolição do asilo, etc.). Ele lutou contra o saque da natureza e foi preso durante uma intervenção contra o desmatamento da montanha Parnitha em 2007. Ele foi parte integrante da revolta de dezembro, quando policiais assassinaram a sangue frio o anarquista de 16 anos Alexandros Grigoropoulos, no bairro de Exarchia. Ele esteve presente nas batalhas contra os memorandos em 2012. Ele optou pela expropriação da riqueza sangrenta dos bancos, permanecendo firmemente comprometido com a visão da derrubada do Estado e do capital, mantendo uma postura militante contra o complexo policial-judicial, a expressão material do terrorismo de Estado.

A forte perseguição contra Yinnis começou em 2011, quando foi emitido um mandado de prisão contra ele por seu envolvimento na Conspiração das Células de Fogo (CCF). A razão era sua relação de solidariedade com os anarquistas procurados. Ele escolheu o caminho da ilegalidade e foi preso em 2013 em Velvento, Kozani, após expropriar um banco junto com 3 outros anarquistas, onde foi torturado pela polícia. Após sua prisão, ele é acusado de ser cúmplice do anarquista Theophilos Mavropoulos no confronto armado com a polícia em Pefki (uma área no norte de Atenas) e é condenado à prisão. Ele também é acusado de ser um “indivíduo terrorista” juntamente com seus companheiros no caso Velventos e condenado à prisão por posse de munição e falsificação. Nos julgamentos que se seguem, ele será absolvido de seu envolvimento na CCF e condenado pelo assalto ao banco Velventos, pelo caso Pefki e pelo caso individual de terrorismo.

Na prisão, participou em solidariedade com a greve de fome de Nikos Romanos em 2014, bem como na greve de fome em massa dos presos políticos em 2015. Em 2019 ele fugiu das prisões rurais, devido a uma acusação falsa por participar da revolta contra o violento sequestro do então grevista de fome Dinos Yatzoglou na prisão de Korydallos. Esta perseguição foi realizada contra todos os presos políticos a fim de restringir seus direitos e prolongar seu tempo na prisão. Ele foi novamente detido em Atenas junto com dois outros companheiros (Dimitra Valavanis, Konstantina Athanasopoulou) em 2020 e foi acusado de expropriação de um banco, pelo qual ele reivindicou a responsabilidade.

O companheiro anarquista Yinnis Michalidis cumpriu, em 29 de dezembro de 2021, após 8,5 anos de detenção, as condições formais de libertação de todas as suas sentenças. Entretanto, o Conselho de Justiça Federal de Amfissa nega sua liberação sob o pretexto de que ele não satisfaz as condições substantivas de libertação. Esta detenção adicional está sendo usada à vontade pela máfia judicial para punir as escolhas e atitudes de luta do companheiro. Após a primeira rejeição de seu pedido de liberdade condicional em fevereiro, a segunda proposta negativa do Ministério Público chega agora em maio, na qual os juízes responsáveis não podem agendar sua libertação, ou melhor, alegam que o companheiro terá que permanecer na prisão por tempo indeterminado até que seja decidido, com base em seus anseios, que ele não é mais um perigo. Para justificar esta tomada de reféns indefinida do companheiro, usa-se o pretexto de que o prisioneiro “não cumpre as condições substanciais para a libertação, pois há o risco de cometer novos crimes”. Em outras palavras, esta é uma extensão preventiva da detenção de um prisioneiro sem qualquer limite de tempo. De acordo com o Código Penal aplicável ao caso do companheiro, todos os presos que tenham cumprido 3/5 de sua pena têm direito à liberdade condicional se não houver casos criminais ativos ou ofensas disciplinares ativas na prisão.

A dispensa condicional é um acervo militante dos prisioneiros. Uma aquisição que, junto com algumas outras, como as curtas licenças, foi ganha durante a época do duro regime de prisão e os sangrentos tumultos nas prisões. A greve de fome de Yinnis está ocorrendo num momento em que um governo de direita, conservador e neoliberal está no poder na Grécia, que, aplicando a doutrina da “Lei e Ordem”, está atacando e abolindo anos de ganhos duramente conquistados (abolição da jornada de trabalho de oito horas, abolição do asilo universitário e entrada da polícia nas universidades, endurecimento do código penal, lei que restringe manifestações, assassinatos e repressão nas fronteiras, criminalização da resistência coletiva, empobrecimento da base social com o aumento dos preços dos produtos).

Este governo tem tido um interesse especial na repressão dos presos políticos. Um exemplo típico é a atitude intransigente do Estado em relação à greve de fome de Dimitris Koufontina em relação à licença a que ele tinha direito como prisioneiro. Parte da mesma tática é a atitude em relação à luta do companheiro Yinnis Michalidis.

“Porque não procuro o interesse de ninguém como vítima da repressão estatal, mas como sujeito social e político ativo que vê minha condição de cativeiro como parte do ataque do Estado e do capital contra aqueles que conscientemente se opõem a eles. Ao contrário, apelo para uma relação de solidariedade revolucionária com base em projeções comuns e uma luta comum com múltiplas arestas que coordene a raiva sentida por pessoas diferentes que vivem em condições diferentes, mas com as mesmas causas”. – Giannis Michailidis, prisioneiro em Malandrinos, 23/5/2022

Impelidos pelas palavras do próprio companheiro, não percebemos o caso de Yinnis Michalidis como um exemplo isolado de vingança contra um prisioneiro político. É um fato que em todo o mundo os presos políticos sofrem discriminação e condições especiais de detenção. O fato de permanecerem impenitentes, mesmo na prisão, continuando sua luta e mantendo uma postura militante dentro dos muros, os coloca na mira dos Estados e dos mecanismos repressivos contra os quais lutaram e continuam a lutar. Há mais de alguns casos em que presos políticos, apesar de cumprirem os requisitos para serem libertados, continuam detidos preventivamente através de uma série de leis especiais, interpretações legalistas e decisões políticas.

Na Alemanha, Tomas Meyer Falk.

Nos Estados Unidos, Mumia Abu-Jamal e membros do Exército de Libertação Negra.

No Paraguai, Carmen Villalba.

Na França, Claudio Lavazza e Georges Ibrahim Abdallah.

No Chile, Marcelo Vellarroel.

Na Grécia, Dimitris Koufontinas e Savvas Xiros.

Na Turquia, Ali Osman Köse.

Os exemplos acima são apenas alguns dos exemplos de lutadores que mostram uma atitude não arrependida e fé na luta pela libertação. Para nós, a solidariedade internacionalista é uma arma importante na aljava dos movimentos revolucionários. O capitalismo é um sistema de organização econômica e social empobrecedor. A luta contra ele é comum e une pessoas diferentes de lugares diferentes com pontos de partida diferentes que experimentam condições diferentes, mas com as mesmas causas. É por isso que a luta pela liberdade de um é a luta pela liberdade de todos. Com base no caso de Yinnis Michalidis e sua greve de fome, pedimos um dia internacional de ação contra o regime de exceção aplicado aos presos políticos.

Para o caso de Yinnis Michalidis, propomos o direcionamento político nas estruturas do Estado grego e das empresas gregas e/ou destacando a luta daqueles que estão nas mãos da máfia do Estado de forma igualmente vingativa.

O ESTADO E O CAPITAL SÃO OS ÚNICOS TERRORISTAS

ERGUER BARREIRAS CONTRA A TENTATIVA DE EXTERMÍNIO DO GREVISTA DE FOME

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO ANARQUISTA GREVISTA DE FOME YINNIS MICHALIDIS

Assembleia de solidariedade com o anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619381/

agência de notícias anarquistas-ana

Ah! Oh! É tudo
O que se pode dizer —
Monte Yoshino em flor.

Yasuhara Teishitsu

 

[Reino Unido] Anarquista, editor e aspirante a assassino: a exposição documenta a vida de Stuart Christie

Homenagem ao pensamento revolucionário do escritor de Glasgow preso na Espanha quando adolescente por conspirar para assassinar Franco

Por Vanessa Thorpe | 12/06/2022

Para as autoridades britânicas nos anos 70, o suposto terrorista Stuart Christie era uma ameaça perigosa, mas para os seus admiradores ele era corajoso, de princípios e talentoso.

Agora o público terá a oportunidade de julgá-lo por si mesmo, com um arquivo completo de Christie, um registro de sua vida como principal anarquista, autor, editor de esquerda e possível assassino político, estará em exposição pela primeira vez.

Incluirá cartas inéditas escritas por Christie, de 18 anos, que foi preso na Espanha por conspirar o assassinato do ditador fascista Francisco Franco, bem como uma série de fotografias pessoais nunca antes exibidas.

Após uma longa campanha de arrecadação de fundos, o Stuart Christie Memorial Archive será revelado no dia 22 de junho nas salas MayDay na Fleet Street, Londres. As imagens, capas de livros e documentos pessoais contidos na crônica de arquivo da carreira criativa de Christie, suas famosas escaramuças com a lei e seu impacto no pensamento revolucionário na Grã-Bretanha, também estarão disponíveis on-line.

Nascido em 1946, filho de uma cabeleireira e de um pescador de Glasgow, Christie é frequentemente associado à Angry Brigade (Brigada Furiosa), o pequeno grupo de terroristas e agitadores de esquerda que foram julgados por encenar uma série de atentados a bomba em Londres no início dos anos 70.

Christie também ainda é celebrado por alguns por tentar explodir Franco em 1964, um crime pelo qual ele enfrentou uma possível execução.

Em vez disso, o adolescente foi condenado por um tribunal militar a 20 anos de prisão, enquanto seu cúmplice espanhol, Fernando Carballo Blanco, recebeu 30 anos de prisão. A sentença de Christie provocou protestos internacionais, inclusive dos eminentes filósofos Jean-Paul Sartre e Bertrand Russell, e ele acabou servindo apenas três anos na prisão Carabanchel de Madri, usando seu tempo lá para estudar e se misturar com prisioneiros anarquistas.

O regime franquista o libertou cedo, alegando que estava respondendo a um pedido da mãe da Christie.

Em sua vida posterior, Christie viveu em Hastings, na costa sul da Inglaterra, e morreu há dois anos com 74 anos. Em seu obituário no The Guardian, o jornalista Duncan Campbell deu detalhes sobre o famoso assassinato fracassado na Espanha. A missão de Christie era entregar explosivos plásticos em Madri para que o ditador pudesse ser assassinado enquanto assistia a uma partida de futebol. Christie, a quem Campbell descreveu como “um homem de grande charme, calor e sagacidade”, tinha dito a sua família que ele ia colher uvas na França. Vestido com um kilt, ele pegou carona de Paris para a Espanha, mas foi detido por infiltração de conspiradores espanhóis em Madri. Christie assinou uma confissão depois de ser obrigado a ver seu cúmplice ser torturado.

Seu amigo Ron McKay recontou as lembranças de Christie do julgamento militar, que ele não conseguiu entender porque foi conduzido em espanhol por 11 oficiais do exército “medalhados”. “Ele disse que se sentiu transportado para o ato final de alguma grande ópera. Ele tinha 18 anos e seis semanas de idade, um garoto da classe trabalhadora de Glasgow, e nunca tinha ido à ópera”, lembrou McKay.

Mas Christie tem outro legado para aqueles que leram sua ficção e prosa. Para estes aficionados literários, ele era um talento cuja reputação como pensador criativo foi prejudicada por sua associação com campanhas políticas violentas.

O arquivo memorial, montado pela pesquisadora Jessica Thorne, especialista em prisioneiros anarquistas na Espanha de Franco, inclui fotografias, cartas, objetos pessoais e obras de arte, assim como amostras da produção de seus braços editoriais Cienfuegos Press, Christie Books e o Arquivo de Filmes Anarquistas.

Também cobre o envolvimento da Christie no julgamento da Angry Brigade, no qual ele foi absolvido de todas as acusações. A brigada foi responsável por pequenos ataques a bancos, embaixadas, casas dos deputados conservadores e um veículo de transmissão da BBC no exterior entre 1970 e 1972. Os bombardeios causaram danos à propriedade e uma pessoa foi ferida. Oito pessoas conhecidas como os Oito de Stoke Newington foram julgadas e quatro foram absolvidas. O júri acreditava na alegação de Christie de que a polícia tinha colocado dois detonadores em seu carro.

Em 2014 foi produzida uma peça sobre o incidente, The Angry Brigade, escrita por James Graham, estrelando Patsy Ferran como Anna Mendelssohn, uma das acusadas, que mais tarde escreveu poesia sob o nome Grace Lake.

O novo material no arquivo memorial inclui o texto da autobiografia de Christie em três partes, bem como um romance de memórias, Gunmen! As crônicas de Farquhar McHarg. Seu livro de memórias mais curto, Granny Made Me anarchist, foi republicado por Scribner em 2004. Sua avó, Agnes McCulloch Davis, tinha sido de fato uma influência formativa. “Ela me deu a estrela que eu segui”, disse certa vez.

Christie entrou na Federação Anarquista de Glasgow aos 16 anos de idade e também participou ativamente da Campanha pelo Desarmamento Nuclear, bem como do Comitê de Ação Direta e do Comitê de mais de 100, e participou da manifestação da CND na base naval de Faslane em 1963.

Após sua absolvição no julgamento da Angry Brigade, depois de servir 18 meses em prisão preventiva, Christie continuou o ativismo anarquista na Grã-Bretanha antes de mudar-se para Orkney. Da ilha de Sanday ele fundou a Cienfuegos Press, que recebeu o nome do revolucionário cubano Camilo Cienfuegos, e também editou e publicou um jornal local radical, The Free-Winged Eagle. Cópias agora aparecem no arquivo junto com fotografias inéditas de sua infância, algumas delas doadas pela filha de Stuart, Branwen. A esposa de Christie, Brenda, morreu em junho de 2019.

Fonte: https://www.theguardian.com/politics/2022/jun/12/anarchist-publisher-would-be-assassin-exhibition-documents-life-of-stuart-christie

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/02/26/reino-unido-preservando-a-memoria-de-stuart-christie-campanha-de-financiamento-para-criar-um-arquivo-memorial-em-londres/

agência de notícias anarquistas-ana

As flores na árvore
Esperam de branco
O fruto

Eugénia Tabosa

[Grécia] Vídeo do mural realizado em memória de Alexandros Grigoropoulos em Exarchia

Já se passaram quase 14 anos desde aquela noite de 6 de dezembro e o assassinato do estudante Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, pela polícia no “coração” de Exarchia. 14 anos e ainda assim você sente o mesmo aperto no coração toda vez que passa pela cena do assassinato. 14 anos e ainda assim você se lembra exatamente onde estava e o que fez no exato momento em que soube do assassinato. 14 anos e ainda não dissemos a última palavra. Porque não foi um acidente, foi a essência do Estado.

No sábado, 11 de junho de 2022, foi criado um mural em memória de Alexis pelo coletivo “Political Stencil” na rua Tzavella, apesar das tentativas, principalmente das forças policiais motorizadas, de criar um clima de terrorismo.

Como a Iniciativa anarquista contra os assassinatos do Estado escreve:

A memória revolucionária não é uma carta em branco. Não se trata de um assunto de museu. Não é um ritual seco que se esgota nas recidivas dos aniversários. A memória revolucionária é o fio que liga o passado ao presente e lança as bases para um futuro que fará justiça àqueles que se sacrificaram por um mundo diferente. Um mundo onde ninguém vê o céu através do arame farpado, onde o corpo de ninguém é esmagado nas oficinas de exploração de classe, onde ninguém é assassinado nas fronteiras terrestres e marítimas, nas delegacias de polícia, nos guetos urbanos da metrópole. A memória revolucionária reúne aqueles que estão desaparecidos do nosso lado, tornando-os cúmplices dos nossos projetos e sonhos subversivos. A memória revolucionária, se lhe dermos o valor que merece, torna-se um projeto subversivo, um trampolim para a luta, uma fonte de inspiração e de prontidão na bela causa da liberdade. Porque serão palavras que formarão um quadro conceitual diferente do que é hoje pronunciado por políticos, economistas, analistas militares, industriais, os golden boys da bolsa de valores, jornalistas. Ou serão palavras armadas prontas para se tornarem uma energia impulsiva. Ou não serão nada.

As metrópoles são as modernas máquinas a vapor, as fábricas universais do capitalismo. As oficinas transparentes onde o domínio, controle e repressão do capital sobre as contradições explosivas que este produz são absolutamente institucionalizadas.

Os crimes do Estado e do capitalismo dentro das metrópoles tornam-se incidentes isolados. São registrados em narrativas fragmentárias pela ideologia burguesa que impõe a sua hegemonia. A nossa própria memória, que deveria realçá-los e transformá-los em consciência social, em percepção do nosso papel e posição, está constantemente ausente. Quando não está, está desfocada, incolor, inexistente, vazia de conteúdo. A censura fascista foi aqui substituída, por enquanto, por uma nova forma de censura ativa. A produção de um conhecimento incessantemente distorcido, a inversão metódica dos fatos, a sua substituição insidiosa. É o revisionismo que ataca as consciências, as memórias, a própria história das lutas.

A memória do poder ergue-se imponente à nossa volta para nos lembrar quem são os nossos “benfeitores” e “salvadores”. Estátuas, nomes de ruas, inscrições, monumentos, os responsáveis por todo o sangue derramado pelo povo nos séculos passados dominam todas as partes da metrópole. As coisas são simples: o controle da memória é a produção de uma guerra de sinais ideológicos, é uma guerra de classes, é o assassinato da nossa própria memória. Memória da subversão, memória da classe, memória da revolução.

A memória criada pela burguesia é uma memória aprisionada nas repetições do presente, é uma memória que é deliberadamente apresentada como coletiva mas determinada pela classe. É uma memória que codifica todos os comportamentos impostos e depois os impõe através da guerra de informação dos agentes de propaganda dominantes. É a memória que usa outra corrente, desta vez semiótica-ideológica, nos seus pés. É a memória do seu mundo feio e triste.

Os monumentos dos nossos próprios mortos são os nossos próprios símbolos que codificam períodos históricos de luta não arrependida, sacrifícios revolucionários, esperanças, desilusões e visões humanas. Vitórias e derrotas de um mundo que se apresenta sob a bandeira da luta para recuperar a sua vida. O seu cuidado, a sua proteção, a sua promoção é o dever político de guardar a nossa história. Mas é também muito mais do que isso, recuperar a sua existência territorial-material é uma guerra pela nossa memória e identidade. Uma guerra contra a alienação, degeneração, resignação, todas as características da memória criada pelo poder.

A decisão de restaurar o monumento ao estudante anarquista Alexandros Grigoropoulos é um passo decisivo nesta direção. Numa altura em que a rua pedestre de Messolonghi está a ser alvo de construção e capital turística, com a construção de apartamentos de luxo que ameaçam tanto o caráter militante da zona como a própria existência do monumento. O lugar que condensou espacialmente o ponto de partida da insurreição de Dezembro, a primeira insurreição que coincidiu com o início da crise capitalista em solo europeu, está abertamente ameaçado pelos apetites vorazes do capital.

Em um momento em que o governo da Nea Dimokratia (Nova Democracia) está tentando transformar Exarchia em uma área turística alternativa de entretenimento-consumidor, arrancando tudo que seja radical.

Numa época em que Exarchia é um campo de concentração para projetos de investimento mais amplos (metrô na praça Exarchia, reordenamento da colina Strefi, etc.) que, além de todos os fatores econômicos, é o último ataque frontal à história militante desta vizinhança.

Em um período desconhecido para os movimentos, é imperativo que lutemos com todas as nossas forças contra o esquecimento. O monumento do estudante anarquista Alexandros Grigoropoulos é um marco da luta contra os assassinatos do Estado e temos a responsabilidade de restaurá-lo contra o esforço sistemático de gentrificação da área que o ameaça. Assumimos a responsabilidade pela reconstrução do monumento e convocamos o povo da luta a apoiar os eventos comemorativos de 4 a 11 de junho na rua para pedestres de Mesolonghi. Esta é uma medida que está totalmente de acordo com os objetivos do movimento e a defesa de nossa memória e identidade.

P.S.: O programa detalhado dos eventos político-culturais será anunciado no próximo período de tempo.

A LUTA PELA REAPROPRIAÇÃO DA MEMÓRIA É AO MESMO TEMPO UMA LUTA PARA CRIAR NOVOS PONTOS DE ENCONTRO E PERSPECTIVA.

Iniciativa anarquista contra os assassinatos do Estado

>> Veja o vídeo (03:40) do mural aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=9vr6uHgO-7g&feature=emb_title

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/08/grecia-informacoes-sobre-o-inicio-dos-trabalhos-de-restauracao-do-monumento-de-alexandros-grigoropoulos-em-exarchia-atenas/

agência de notícias anarquistas-ana

Nem sequer três dias
este mundo vê passar –
Cerejeira em flor!

Ôshima Ryôta

 

[França] O “Alternative Libertaire” de Junho está nas bancas de jornal!

Libertários enfrentando o neo-reformismo; Belarus, Ucrânia, Rússia; Curdistão Iraquiano; Encontros nacionais de sindicalistas libertários e autogestionários; Deliveroo; Uma retrospectiva de Macron I antes de atacar Macron II; Zemmour olha o sul; greve pelo clima na Suíça; contra a expansão do aeroporto Bordeaux-Mérignac; os “Zapatatistas” de Pertuis não deixam nenhuma pedra; a suprema corte ameaça o aborto nos Estados Unidos; ExisTransInter; 1952, o congresso anarquista de Bordeaux

Destaque

Debate: Libertários enfrentando o neo-reformismo. A reinvenção de uma corrente que desapareceu há vinte e cinco anos. Suas promessas sustentáveis e insustentáveis. O posicionamento dos revolucionários e o movimento social.

Palestina: Verdade e justiça para Shireen Abu Akleh

Internacional

Belarus: A esquerda radical contra Putin e Lukashenko

Curdistão iraquiano: Erdogan bombardeia civis com armas químicas

Sindicalismo

O (raro) prazer de ir trabalhar!

Deliveroo: Vitória legal para a situação dos trabalhadores de entregas

Colóquio: Os novos desafios do sindicalismo

Política

A reeleição de Macron: retomar o controle de nossas vidas

Uma retrospectiva sobre Macron I antes de atacar Macron II

  1. sobre a ascensão do fascismo,
  2. sobre o patriarcado,
  3. sobre a discriminação racista,
  4. sobre ecologia,
  5. no cenário internacional,
  6. sobre a juventude,
  7. sobre a exploração dos trabalhadores,
  8. sobre as liberdades digitais,
  9. sobre as liberdades públicas.

Antifascismo

Estratégia: Zemmour olha o sul

Referências: o apito do cão é agitado

Ecologia

Suíça: a emergência climática reabilita a greve e a ação direta

Aeroporto Bordeaux-Mérignac: uma pista pode esconder outra

Vaucluse: os “Zapatatistas” de Pertuis não deixam nenhum concreto

Antipatriarcado

Estados Unidos: uma ameaça suprema ao aborto

ExisTransInter: Para a autonomia das pessoas trans e intersex

Classe, gênero, sexualidade: bichas, trabalhadores, solidariedade!

História

Setenta anos atrás: o vento muda no Congresso Anarquista de Bordeaux

Reedição do Manifesto do Comunismo Libertário de 1953

Cultura

Alain Bihr, Facing Covid-19, nossas exigências, suas inconsistências

Denis Colombi, Por que somos capitalistas

Yásnaya Elena Aguilar Gil, Nós sem o Estado

Théo Roumier e Christian Mahieux, “Poderes, política, movimentos sociais”, Les Utopiques n°19, março 2022

Compilação: Mohamed Saïl, l’étrange étranger. Escritos de um anarquista Kabyle

Atualidades da UCL

14-15 de maio: da rua ensolarada (ExisTransInter)… para as salas escuras (Au taf!)

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?-AL-de-juin-est-en-kiosque-546-

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Quietos, no jardim,
mãos serenadas. Na tarde,
o som das cigarras.

Yberê Líbera

[Espanha] Vídeo | Inauguração do espaço da CNT em Utrera

Este sábado 4 de junho de 2022 foi inaugurada a nova sede da CNT de Utrera localizada na Rua Cristo de los Afligidos N° 42 (antiga rua Salvador Seguí durante o período da II República). O ato começou pontual e seguiu seu itinerário de acordo com o horário marcado. Desde o primeiro momento a emoção invadiu os assistentes. As duas oferendas florais, uma no monumento pela recuperação da memória histórica localizado no parque da Libertad e a outra no mirante de “La Luna”, dedicada à companheira Carmen Luna Alcázar, juntamente com as diferentes homenagens que foram realizadas mais tarde, fizeram por momentos que lágrimas brotassem dos assistentes, assim como sorrisos por ver novamente um local da CNT aberto e bem condicionado para enfrentar uma nova etapa.

Do Núcleo Confederal de Utrera junto à CNT de Sevilha, queremos agradecer a todas as pessoas que assistiram ao ato e que, com a sua presença, fizeram com que fosse um dia cheio de cor e esperança.

Saúde e vocês já sabem onde podem encontrar a CNT em Utrera. Que o farol nunca se apague, mostrando o caminho aos que chegam e para não esquecer os que estiveram. Orgulhoso e orgulhosa da nossa história, orgulhosos e orgulhosas de ser da CNT.

>> Veja o vídeo (08:58) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=MbfSt9Ttzss&feature=emb_title

CNT Utrera

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/se-inagura-el-local-de-la-cnt-en-utrera/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/03/espanha-lorenzo-morales-doa-parte-de-seu-acervo-de-livros-a-biblioteca-da-nova-sede-da-cnt-de-utrera/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/30/espanha-inauguracao-da-nova-sede-da-cnt-de-utrera-e-apresentacao-do-ateneo-cultural-libertario-salvador-segui/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/04/15/espanha-el-noi-del-sucre-lanca-seu-novo-videoclipe-utrera-calling/

agência de notícias anarquistas-ana

Alegre alarido:
intrépidas maritacas
invadem pomar!      

Shinobu Saiki

 

[Grécia] EXTRA | O Conselho de Justiça Federal de Amfissa rejeita o pedido de libertação do grevista de fome Yinnis Michalidis

O Conselho de Justiça Federal de Amfissa rejeita o pedido de libertação do grevista de fome Yannis Michaelides, que está em greve de fome desde 23/05

Hoje, segunda-feira (20/06), o Conselho de Justiça Federal de Amfissa rejeitou o pedido de libertação do companheiro em greve de fome Yinnis Michalidis. O Conselho de Justiça Federal de Amfissa e seus juízes assinaram com suas mãos sujas a tentativa de extermínio de nosso companheiro. Ao lado de seus nomes, os carrascos levarão consigo o estigma que deve acompanhá-los para o resto de suas vidas miseráveis.

O Conselho de Justiça Federal de Amfissa executou parte de um plano repressivo mais amplo para lidar com a greve de fome de nosso companheiro. Silenciamento sistemático pela grande mídia do caso, demora burocrática da resposta a fim de prejudicar e esgotar o grevista de fome, rejeição do pedido em um momento em que ele se encontra em estado crítico no hospital de Lamia.

Enquanto falamos, após um mês de greve de fome, Yinnis atingiu 57,5 kg, perdeu mais de 21% de seu peso corporal e sua vida está em perigo. Ele está trancado em uma cela sórdida no hospital de Lamia, sem sequer uma TV para mantê-lo informado, do que é privado com o argumento ridículo da polícia de que “há um medo de que ele cometa suicídio usando os cabos de TV”. As visitas de sua família e companheira são recusadas, e eles não recebem uma atualização oficial sobre sua condição médica.

Denunciamos o tratamento vingativo contra o grevista de fome e pedimos aos órgãos de comunicação de massa e aos sindicatos de médicos que tomem uma posição pública contra essas humilhações. Os grevistas de fome não são suicidas, eles estão colocando suas vidas em risco e lutando para que a própria vida triunfe.

Os grevistas de fome mortos não cometem suicídio, eles são assassinados por Estados capitalistas, imperialistas, fascistas. É assim que é feito na Turquia, é assim que tem sido feito na Alemanha, na Irlanda do Norte e em outros lugares. Advertimos pela última vez os responsáveis, os executivos e deputados do Nova Democracia [partido governante na Grécia], os juízes de Lamia que examinarão o apelo do grevista de fome, os serviçais do aparato estatal que dão qualquer tipo de cobertura ao plano de extermínio de nosso companheiro: Aqueles de vocês que colocam a mão no extermínio do nosso companheiro, aqueles de vocês que se tornam parte das táticas repressivas contra ele, aqueles de vocês que não distinguem sua posição enquanto ainda é cedo, nós nos asseguraremos de que nada ficará sem resposta.

Apelamos ao movimento de solidariedade, assim como a toda pessoa progressista que reconhece em Yinnis um lutador abnegado que luta com sua vida contra a arbitrariedade e a vingança do Estado, para unir sua voz, para se juntar à manifestação de solidariedade na sexta-feira 24/06 às 18h00 no Propylaea (Atenas). Fazer tudo o que estiver ao seu alcance para criar barricadas no caminho que impedirá o extermínio de nosso companheiro.

VITÓRIA NA GREVE DE FOME DE YINNIS MICHALIDIS

TODOS NAS RUAS

Assembleia de solidariedade com o anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619390/

agência de notícias anarquistas-ana

no contorno do gato
um ponto negro no dorso
dorme –

Krzysztof Karwowski

[Grécia] Assumindo a responsabilidade pelo incêndio à veículos de luxo em Kaisariani

O prisioneiro anarquista Yinnis Michalidis está sendo tratado no hospital de Lamia, estando em greve de fome desde 23/05 exigindo o óbvio. Sua libertação da prisão, que o Conselho da Justiça Federal de Amfissa lhe nega de forma vingativa.

Assumimos a responsabilidade pelo incêndio de 8 veículos de luxo na área de Kaisariani (Atenas), na manhã de 18 de junho.

Deixamos claro a todos os responsáveis pela tortura de nosso companheiro que, a cada dia que passa e sua saúde se deteriora, faremos o possível para perturbar o funcionamento normal da metrópole. Na pessoa de Yinnis, a máfia judicial está se vingando da coerência e do compromisso dele com a luta anarquista, tentando aterrorizar todos e cada um que se atreve a lutar.

Apelamos para cada companheiro, cada agrupamento e cada individualidade para organizar seus próprios ataques com meios simples e imaginação. Multiplicar as ações dinâmicas e se apresentar como uma barreira para os planos de eliminação do Estado.

A luta de Yinnis por sua libertação é uma luta de todos nós.

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DE YINNIS MICHALIDIS!

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619359/

agência de notícias anarquistas-ana

O regato seca
E o salgueiro perde as folhas –
Pedras aqui e ali

Buson

[Espanha] Rompendo o embargo em Rojava

Por Secretaria de Comunicação do Conselho Confederal

Um grupo de voluntários tentou entrar em Rojava e nos informar sobre a situação na área.

 O tempo do silêncio acabou. O tempo da impunidade traduzida na violação de direitos que impedem que os seres humanos sejam humanos, acabou. As fronteiras estatais nada mais são do que argumentos de violência na forma de bombardeio constante das pontes que querem avançar para a união dos povos e a aproximação das culturas em direção à fraternidade.

Entre 2014 e 2016, a Federação Democrática do Norte da Síria (Rojavâ – Leste, em curdo) foi consolidada, um lugar habitado – em sua maioria – pelas populações curdas, árabes e assírias.

Após décadas de repressão do governo sírio de Bashar Al-Assad e do partido Ba’az, no contexto da guerra de 2011, os fundamentos do confederalismo democrático estavam tomando forma à medida que a população curda se dissociava das posições estatais oficiais e de seus adversários, as forças rebeldes. O contexto da vida comunitária aumentou seu poder na dinâmica cidadã baseada na tomada de decisões coletivas; um ecologismo radical dando vida a espaços de trabalho ambientalmente sustentáveis e dinâmicas feministas (em face de um sistema patriarcal dominante) que são alimentados pelo empoderamento das mulheres, alcançando a construção de lares autogeridos e sustentáveis (comunas), onde os vizinhos desfrutam do espaço, em absoluta segurança, com base no compartilhamento de tantas experiências quantas desejarem, e lutam contra o patriarcado dominante.

Estas Comunas Feministas de Autodefesa marcaram o antes e o depois, após o conflito, contra a ocupação terrorista do Estado Islâmico. Após sua formação, e em um contexto sociocultural marcado pela subjugação das mulheres, incluindo aberrações como as trocas materiais/monetárias, elas foram a chave para a expulsão das ofensivas islâmicas.

Após a formalização da Federação em 2016 e diante da criação desses espaços comunitários que nada mais fizeram do que crescer e expandir/consolidar de forma fortalecedora: o governo sírio não reconhece a legitimidade democrática da Comuna. O Governo Regional Curdo do Iraque, liderado desde décadas atrás pela dinastia Barzani e de acordo com os interesses dos Estados Unidos da América e da OTAN, coloca o tapete vermelho nas constantes violações dos direitos humanos que o regime genocida neoliberal de Razip T. Erdogan comete todos os dias do ano. Erdogan comete violações dia após dia sobre a população curda nas jurisdições acima mencionadas, enquanto a União Europeia e outros membros da coalizão atlântica se mantêm em silêncio, fecham os olhos… ou então dizem que olham para o outro lado depois de terem tolerado esta violação sistemática que reivindica vidas humanas e vida natural, a fim de obter dividendos ligados ao tão precioso e desejado ouro negro.

Estas são as razões pelas quais, no início de junho de 2022, uma brigada de internacionais de quatro países europeus, dos Estados Unidos da América e da Austrália uniram forças com o objetivo de romper o embargo imposto especialmente nesta área. Ao fazer isso, eles quiseram aprender em detalhes sobre o desenvolvimento das diferentes comunidades no maior número possível de municípios, assim como as ferramentas e práticas fundamentais para a consolidação e crescimento do desenvolvimento e implementação de uma ecologia radicalmente democrática e de administrações populares, assim como as conquistas e os movimentos de empoderamento feministas, a fim de alcançar a eliminação completa de todos os tipos de desigualdade.

Após a chegada da Brigada (na qual éramos três espanhóis), foi no dia 6 de junho que foi tomada a decisão de entrar em Rojava.

De acordo com as autoridades competentes e após nossos passos legais a serem seguidos para obter uma entrada que garantisse o programa a ser realizado no terreno nas três semanas seguintes, o Governo Regional do Curdistão Iraquiano rejeitou nossa entrada.

Consideramos, diretamente, que esta é uma violação desumana de nossos direitos como cidadãos, mas o ponto que desejamos compartilhar é nossa denúncia de nos ser negado o direito de levar a palavra de resistência do Povo de Rojava aos nossos estados e ao nosso povo.

Entretanto, os próximos passos a serem desenvolvidos visam continuar a busca de formas de romper o embargo e saber de perto até que ponto o bloqueio econômico, alimentar, medicamentos ou material de construção viola a realização de toda vida humana, juntamente com as atividades militares do exército turco e os acessos que ele cria para ativar alegadas células islâmicas para atacar a população da comuna.

Portanto, e como último ponto, desejamos que esta mensagem seja divulgada o máximo possível, ativando o máximo de vínculos jornalísticos/RRSS e aumentando a denúncia do embargo imposto com base na disseminação das constantes violações dos direitos humanos, das quais o Ocidente é absolutamente cúmplice, sujeito ao silêncio diante destes crimes que a ditadura neo-Otomana de Erdogan – com a ajuda de seus repressores da dinastia Barzani – realiza.

Por mais que esteja em suas mãos, nós, da Brigada de Solidariedade com  Rojava, lhe pedimos que ative mobilizações e denúncias. De seus bairros e aldeias, de seus locais de trabalho ou de estudo, de seus sindicatos e partidos, pedimos que se certifiquem de que a máxima publicidade possível seja dada à mídia potencialmente maior.

Estamos avançando, a Brigada de Solidariedade com Rojava e o povo curdo está avançando. Ainda estamos tentando chegar à Rojava.

Especialmente agora, o bloqueio de recursos médicos significou medidas limitadoras diante da situação pandêmica global e a entrada de mais profissionais na área de saúde e virologia foi negada.

Ressaltamos com a frequência necessária que a natureza dos povos não é resistência. A natureza dos povos e de seu povo é a liberdade.

Rompamos o silêncio. Rompamos o embargo.

Em Solidariedade,

SEFTEKIN!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/romper-el-bloqueo-en-rojava/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Navalha de barba:
numa só noite enferruja,
ó esta chuva de maio!

Boncho

[Chile] Teatro | “Un dragón en el reino de Orb

companhia de teatro, canto e memória ácrata “Cuentos Libertarios” tem o prazer de convidá-los a ver seu espetáculo unipessoal “Un Dragón en el Reino de Orb”, espetáculo baseado em um conto de Federico Zenoni, um desenhista e baterista autodidata que vive em Milão, Itália. Federico Zenoni realiza oficinas de música e arte, participando permanentemente de diversos eventos libertários.

“Un Dragón en el reino de Orb” é uma história para crianças e adultos, sobre um reino onde vive um povo pobre, um rei cheio de comodidades, um cavaleiro anti-herói e um dragão dorminhoco.

Quinta-feira, 23 de junho às 19h00
Centro Social y Librería Proyección
San Francisco 51
Santiago-Centro
Metro Universidad de Chile

Direção: Cuentos Libertarios
Performer: Gustavo Jesús
Conto: Federico Zenoni
Espaço: Centro Social y Librería Proyección
Ingressos limitados, reservar en gustavo.jesus.gallardo.c@gmail.com

agência de notícias anarquistas-ana

Os portões fechados
não impedem o jasmim
de saltar ao vento.

Neide Rocha Portugal

[Chile] Saída incendiária no “Liceo de Aplicación”

Pela manhã do dia 15/06, em Santiago, um grande grupo de encapuzadas decidiu agir nas ruas contra a ordem atual e demonstrar solidariedade com o companheiro Kuyi que está encarcerado no Serviço Nacional de Menores (Sename).

Kuyi é um estudante de 16 anos do Liceo de Aplicación. No dia 23 de maio passado ele foi detido em Cumming com Alameda, quando participava de uma manifestação em memória do Punki Mauri. Em 24 de maio o jovem companheiro passa para o “controle de detenção”, onde as autoridades decretam que ele deve ficar 90 dias preso no Serviço Nacional de Menores(Sename), ou o tempo que durar a investigação. Kuyi pode pegar 10 anos de cana.

Cumplicidade e solidariedade com os prisioneiros da guerra social!

Viva os macacões brancos e a nova geração de estudantes encapuzados!

Kuyi às ruas!

Anarquistas

agência de notícias anarquistas-ana

Cidade cinzenta.
No poluído jardim
Viçam azaleias.

Fanny Dupré)

[França] A luta contra as LGBTI-fobias é parte integrante da luta anarquista

Por ocasião da Marcha do Orgulho de Lyon, hoje às 14h nos arranha-céus, nós republicamos a declaração anarquista internacional pelo 52º aniversário dos tumultos de Stonewall.

Liberdade e igualdade não são temas de discussão!

Em 28 de junho de 1969, a polícia invadiu o Stonewall Inn, em Nova York. Este bar é conhecido nas comunidades gay, lésbica, gay e trans por acolher até mesmo os mais marginalizados. Como é frequentemente o caso, é a chegada da polícia que estraga a festa.

Mas a resposta não demorou muito: vários milhares de pessoas, gays, lésbicas, trans, travestis e outras drag queens enfrentaram a polícia durante toda a noite. É toda uma comunidade que levanta sua cabeça, durante cinco noites, diante da injustiça e da crueldade policial. As marchas do orgulho, ou “Prides”, que acontecem em muitas cidades do mundo todo em junho, comemoram os tumultos de Stonewall e servem para defender os direitos de todas as pessoas que não se enquadram nos estreitos limites da heterossexualidade que os reacionários gostariam de impor como norma universal.

Infelizmente, este ano também marca o quinto aniversário do ataque de Orlando, um assassinato em massa homofóbico, transfóbico e racista que matou 49 pessoas e feriu 59 nos Estados Unidos. A luta está longe de ter terminado e a violência contra as pessoas LGBTI continua a aumentar ano após ano. Lutar contra a LGBTIfobia é lutar contra a violência em massa. É uma necessidade!

A homofobia como um trampolim para o fascismo

No melhor dos casos, os governos fingem adotar medidas para prevenir tal violência. Em outros casos, como na Rússia, Hungria e em outros lugares, eles aumentam deliberadamente a repressão legal sobre as pessoas LGBTI. Na Turquia, o regime fascista de Erdoğan proibiu todas as ações planejadas pelo movimento LGBTI. Um pequeno piquenique foi atacado selvagemente pela polícia.

Em outros países, ativistas de extrema-direita e hooligans fazem o trabalho sujo por eles. Na França, por exemplo, cerca de 80 fascistas atacaram a marcha da Dyke em Lyon, que se mobilizava pelo orgulho lésbico e o direito ao PMA. Ao mesmo tempo, no Brasil, Bolsonaro e seus apoiadores estavam atacando verbalmente pessoas LGBTI e promovendo ataques contra elas. Em um país que detém o triste recorde do assassinato de pessoas trans, o presidente abraça e incentiva esta violência homofóbica e transfóbica. Apenas em junho, uma mulher trans de 40 anos foi queimada até a morte em Recife, um exemplo de um crime de ódio do tipo que o país experimenta todos os dias. Estes ataques são apenas alguns dos muitos exemplos de ideologia homofóbica, um trampolim para o nacionalismo e o fascismo.

Os pobres LGBTI são os mais afetados

Embora a homofobia, a transfobia e os crimes de ódio afetam toda a comunidade LGBTI, devemos enfatizar que são os dissidentes dos setores mais pobres que se encontram na pior situação. Neste sentido, podemos sublinhar que a discriminação e a exclusão que dela decorre ainda gera muitas dificuldades no acesso à educação, aos cuidados de saúde e às boas condições de emprego. Da mesma forma, a brutalidade da violência baseada no gênero tem um impacto sobre um grande número de transfeminicídios e sobre a violência homofóbica e transfóbica em geral. Se observarmos atentamente as estatísticas, especialmente na América Latina, podemos ver que a maioria das vítimas de crimes de ódio pertencem aos setores mais pobres da sociedade, mais expostos à prostituição, abuso de drogas, perseguição policial, trabalho informal, etc. Podemos ver também que a discriminação racista desempenha um papel importante. Os homossexuais de comunidades negras, indígenas ou de cor são ainda mais oprimidos em sua vida cotidiana. Eles são frequentemente forçados ao exílio e à dupla clandestinidade nas sociedades onde mais tarde se estabelecem.

A luta contra as LGBTI-fobias é parte integrante da luta anarquista

Defendemos o direito das pessoas LGBTI, assim como de todos os outros, de se moverem livremente e se estabelecerem onde quiserem. Entretanto, como coordenação internacional, também gostaríamos de lembrar que a luta contra a homofobia, bifobia, lesbofobia e transfobia não pode ser limitada a algumas declarações de apoio; é, antes de tudo, uma longa e diária luta pela igualdade de direitos e contra todos os atos, palavras e comportamentos homofóbicos e transfóbicos. É particularmente importante continuar a luta contra a opressão sistêmica que as pessoas LGBTI enfrentam no sistema educacional, no sistema de saúde e em muitos outros espaços. Mais amplamente, precisamos lutar contra todas as opressões a fim de desenvolver uma verdadeira solidariedade contra os opressores.

Fonte: https://www.facebook.com/UnionCommunisteLibertaireLyon/posts/323726399947076

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Gota de orvalho
na coroa dum lírio:
Jóia do tempo.

Érico Veríssimo