[Espanha] Noam Chomsky: “A Guerra Civil é um evento crucial na história moderna”

O linguista e cientista político americano publica o ensaio ‘Sobre el Anarquismo‘, no qual analisa a queda do anarquismo espanhol durante 1936-37

O anarquismo, uma das grandes utopias do século 20, e a única que nunca alcançou o poder real em um estado, é analisado no novo ensaio do linguista e cientista político Noam Chomsky (EUA, 1928) do MIT de Massachusetts. “Sobre el Anarquismo“, publicado na Espanha por Capitán Swing, não é nem um livro de história nem uma revisão de um dos “ismos” (comunismo, fascismo, capitalismo…) que participaram das últimas grandes guerras. É um conjunto de, sobretudo, duas grandes reflexões sobre esta proposta de uma sociedade libertária e coletivizada, uma das quais é dedicada ao que aconteceu durante a Guerra Civil espanhola, em 1936 e 1937, quando o anarquismo, após o golpe de Estado de Franco, se impôs em fortalezas tão importantes como Aragão e Barcelona, “uma revolução social de alcance sem precedentes” que foi “esmagada pela força” pelo comunismo, cada vez mais no controle do governo. A “ala direita” da República, como Chomsky a chama.

“A guerra civil espanhola é um dos eventos cruciais da história moderna”, começa o estudioso. Sem uma “vanguarda revolucionária” e de “forma espontânea” conseguiram a coletivização industrial e rural, mas entre as costas e o muro. Por um lado, o fascismo e, por outro, o comunismo com a Guardia Civil completando uma sangrenta repressão em Barcelona, como conclui Chomsky a partir da bibliografia estudada, entre elas a “Homenagem à Catalunha” de Orwell.

Conforme as tropas dos rebeldes avançavam, com ajuda alemã, italiana e britânica, Chomsky revela, a “revolução” anarquista e a “contrarrevolução” soviética entraram em choque. Esta última tinha a vantagem. “Não se deve esquecer que o governo central tinha enormes reservas de ouro que logo seriam entregues à União Soviética”, diz o autor, que adverte sobre a “perda de objetividade” do anarquismo espanhol. Ele termina com uma homenagem ao povo de Membrilla, “os mais pobres” e “os mais justos” sob o amparo libertário de 1937.

Fonte: https://www.lasprovincias.es/culturas/noam-chomsky-guerra-20220115183019-ntrc.html#vca=fixed-btn&vso=rrss&vmc=tw&vli=Culturas

Tradução > Liberto

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lua na neve
aqui a vida vai ser jogada
em breve

Kikaku

Max Stirner: o grande filósofo do egoísmo

Por Svein Olav Nyberg

Obrigado pelo seu convite. Eu fui convidado a falar sobre Max Stirner com o subtítulo “O Grande Filósofo do Egoísmo”. Um subtítulo mais ousado, “O Grande Filósofo do Individualismo?” talvez fosse ainda mais apropriado. Pois, embora Stirner certamente seja um filósofo do egoísmo, eu diria também que ele é o filósofo mais consistente tanto do egoísmo quanto da categoria maior do individualismo. Mas o tema do egoísmo como o individualismo final terá que esperar um pouco. Nesta conversa, meu foco será em apresentar as idéias de Max Stirner, o que pode causar grande prazer ou aborrecimento!

Você provavelmente está familiarizado com o termo “egoísmo” dos escritos de Ayn Rand. Então você provavelmente não vai vir para essa sessão completamente despreparado. No entanto, o tipo de egoísmo que eu irei apresentar para você hoje não é aquele que a Rand falou; não é tão domado. Assim, às vezes estes conceitos de egoísmo não apenas irão ser diferentes, mas eles serão até mesmo completamente opostos. Ao passo que Rand fala sobre a “Natureza do Homem” (“enquanto Homem”), sobre a moralidade e sobre o estado como o protetor dos direitos do Homem, Stirner revela-se como o anti-moralista. Assim como Henrik Ibsen, ele trata o estado como “a maldição do indivíduo”, e quaisquer alegações sobre a “Natureza do Homem” a parte dos propósitos da classificação biológica, são objetivos favoritos de Stirner.

Então quem é esse Max Stirner? E qual é a sua filosofia?

Max Stirner é principalmente conhecido como o autor de Der Einzige und Sein Eigentum (O Único e Sua Propriedade) e é neste livro que ele expõe adiante a maior parte de sua visão filosófica. Sua filosofia é tanto algo fácil quanto algo difícil para compreender. Durante a sua época e por intermédio de seus oponentes, Der Einzige foi caracterizado como o primeiro livro legível em toda a história da filosofia alemã. Seu estilo é cativante e retórico e torna fácil para o leitor tornar-se intrigado. Ao mesmo tempo é uma peça multifacetada de trabalho; não só na estrutura como no conteúdo é embalado com referências implícitas e explícitas tanto de seu passado como de seu presente: É um trabalho de muitas camadas e eu duvido que eu tenha conseguido compreender todas as suas camadas.

Stirner inicia seu trabalho citando Bruno Bauer e Ludwig Feuerbach. “Para o homem, o ser supremo é o homem”, diz Feuerbach. “O homem só agora foi descoberto”, diz Bruno Bauer. As críticas desses dois filósofos são o núcleo do trabalho de Stirner. Através de sua crítica destes dois filósofos em particular, Stirner critica todos os tipos de filosofia moral até a sua própria época, e uma extensão de sua crítica dentro de nossa época se torna bem aplicável para os filósofos mais recentes.

Você não precisa estar familiarizado com Bauer e Feuerbach para entender a crítica da moralidade de Stirner; o próprio Stirner fornece o discernimento suficiente. Todavia, é útil conhecer de onde Stirner vem. Então vamos fazer um resumo histórico:

Max Stirner (1806-1856) nasceu como Johann Kaspar Schmidt. “Max Stirner” é um apelido que ele adquiriu durante seus anos de faculdade por causa da sua testa alta e larga. Ele, mais tarde, adotou esse nome e mais tarde usou-o como seu pseudônimo literário. Ele estudou filosofia, onde teve Hegel como um de seus palestrantes e foi bem eu seu caminho para um doutorado em filosofia. Entretanto, devido as circunstâncias a respeito da saúde de sua mãe, seu doutorado nunca foi terminado. O plano de fundo intelectual de Stirner é o seu profundo conhecimento da filosofia de Hegel, a Bíblia e a antiguidade grega. Então os conteúdos específicos da crítica de Stirner em Der Einzige se refere a estes elementos.

Em 1841 Stirner iniciava sua associação com “Die Freien” (“O Livre”), um círculo de intelectuais que se encontravam para beber e debater no Hippel’s Weinstube em Berlim. Estes “Livre”eram também conhecidos como “Jovens Hegelianos” ou os “Hegelianos de Esquerda“. Observe que o significado de “esquerda” aqui é aquele usado no parlamento francês após a revolução de 1789 e não aquele da classificação política atual. Neste círculo de intelectuais, Stirner era também conhecido por seus poucos, porém perspicazes argumentos, geralmente confinando estes argumentos para o seu próximo. O debate geral ele tendia a observar apenas de uma uma distância com um sorriso irônico. Em 1844 ele publicou seu infame magnus opus; um trabalho que não apenas deu a ele notoriedade imediata, mas também esmagou as ilusões dos Hegelianos de Esquerda, e por todas as propostas práticas destruiu o movimento.

Sendo um bom livro subversivo, Der Einzige foi, claro, confiscado pelo governo. Stirner e seu editor tinham, contudo, se planejado para essa contingência e já tinham distribuído consideravelmente alguns livros antes que a censura pudesse se apossar de suas primeiras cópias. Após um curto tempo, o livro foi lançado novamente, declaradamente “absurdo demais para ser perigoso”! “Absurdo” foi também a reação de Karl Marx. A história é que Engels escreveu para Marx[1] sobre essa publicação e falou simpaticamente sobre Der Einzige. A resposta de Marx não foi preservada, mas em sua seguinte carta à Marx, Engels declara que ele mudou sua opinião e que ele agora acha o livro “o que você julgar, que seja”. Estes dois parceiros no crime então começaram escrever A Ideologia Alemã, originalmente um trabalho de 700 páginas sobre seus contemporâneos. Este trabalho é normalmente publicado em uma versão com seus ataques ad hominem embaraçosos sobre Max Stirner editado de longe – uma versão de umas meras 200 páginas.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

http://aesquerdalibertaria.blogspot.com/2017/06/max-stirner-o-grande-filosofo-do-egoismo.html#.Yha8ntJv-1t

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Lágrima aflora.
Na música lá fora
uma alma chora.

Rogério Viana

O símbolo em comum entre Direito romano, fascismo italiano e Justiça do Trabalho

Por Lucas Hendricus Andrade Van den Boomen

A Emenda Constitucional nº 24, de 9 de Dezembro de 1999, entre outras alterações, extinguiu a representação classista e as Juntas de Conciliação e Julgamento no âmbito da Justiça do Trabalho [1], após mais de meio século de existência dos referidos institutos criados na “era Vargas” (1930-1945). Com a extinção das antigas Juntas, instituíram-se as Varas do Trabalho. A nomenclatura “vara”, que se refere “à circunscrição em que o juiz exerce sua jurisdição” (Guimarães, 2016, p. 321) [2], já era amplamente utilizada na Justiça comum. A priori, a adoção desse termo pela Justiça especializada trabalhista foi fruto de mera adequação ao que já era usual em outros ramos do Poder Judiciário. Todavia, tal mudança terminológica carrega coincidências que se reportam às origens do Direito do Trabalho no Brasil.

Faz-se necessário iniciar o nosso percurso através de uma introdução histórica e etimológica. Para além do conceito jurídico, a palavra “vara” tem origem romana e ligação direta com um objeto/símbolo conhecido como fasces. É de reconhecimento geral a grande influência exercida pela cultura, os costumes e as instituições da Roma Antiga (753 a.C. – 476 d.C.) na história ocidental ao longo dos últimos dois milênios. Um dos símbolos romanos mais famosos, que inclusive sobreviveu à queda do império, é o já citado fasces.

O vocábulo latino fasces (ou fascio) designa um objeto utilizado em Roma, oriundo do período monárquico ou régio (753 a.C. — 509 a.C.). O referido objeto era constituído por um feixe de varas firmemente amarradas, usualmente de madeira de bétula, envoltas ao redor de uma machadinha (secures em latim) feita de metal. Tal instrumento era utilizado com o fito de abrir caminho para o rei, na época da realeza romana, e posteriormente para os magistrados, no período republicano (509 a.C. – 27 a.C.), bem como para executar penas capitais. Meira (1996, p. 41) explica que “as varas, utilizavam-nas para vergastar e a machadinha para cortar a cabeça às vítimas” [3]. Por conseguinte, o fasces era um símbolo do poder de punir do Estado romano, e, consequentemente, da aplicação da justiça pelos lictores.

O lictor era o empregado que acompanhava as autoridades romanas. Ao longo de vários séculos o poder de punir (ius puniendi), ou ao menos a execução das penas, ficou a cargo desses homens que dividiam as funções de guarda-costas e carrascos sob o comando dos magistrados dotados de imperium, ou seja, “o poder de coerção e aplicação de castigos físicos” (Meira, 1996, p. 40). O “cônsul” era um exemplo de magistrado romano dotado de imperium. Segundo Rolim (2008), “quando os cônsules saíam às ruas, iam acompanhados por doze lictores que carregavam o fasces (um feixe de varas significando união). Quando estavam fora da cidade de Roma, os lictores carregavam, além dos fasces, as denominadas secures (machadinhas), que significavam o poder de vida e morte sobre as demais pessoas” (Rolim, 2008, p.54) [4].

Tal tradição chegou até o Direito português. As Ordenações Filipinas (1603), que vigoraram até o surgimento do Código Civil de 1916, ainda previam a obrigatoriedade dos magistrados portarem o feixe de varas durante caminhadas pelas vilas da colônia brasileira no ultramar [5]. O fasces também foi adotado como importante símbolo republicano na França e nos Estados Unidos da América no período das revoluções burguesas.

Assim, o fasces foi convertido ao longo da história num símbolo da autoridade judicial e estatal, do poder de punir, da unidade e, notadamente, da aplicação da justiça até ser apropriado pelo movimento fascista na Itália, liderado por Benito Mussolini. A própria palavra “fascismo” tem origem nesse símbolo, que teve o seu significado original de justiça, união e autoridade, usurpado por uma ideologia extremista. É neste momento que conseguimos traçar a ligação entre as varas, o fasces e o Direito do Trabalho no Brasil, pois a Consolidação das Leis do Trabalho (1943) de Vargas foi inspirada na Carta del Lavoro (1927) de Mussolini [6], cujo regime adotava como símbolo máximo o famigerado feixe de varas. Por outro lado, a nomenclatura “vara” entendida como a unidade de jurisdição de um magistrado só foi adotada na Justiça do Trabalho ao final do século 20, por meio da EC nº 24/1999. Eis o exercício semântico: o vocábulo “vara”, que integra o símbolo fascista usurpado dos romanos, também denomina as sedes da Justiça trabalhista nas quais são exaradas as decisões judiciais. Seria essa uma coincidência ingrata? De qualquer forma, essa teia de conexões históricas liga de algum modo o Direito romano, a imagética fascista e a legislação trabalhista brasileira, através da mediação de um símbolo milenar. Essa foi a reflexão proporcionada por uma mera alteração do texto constitucional que trocou títulos na Justiça do Trabalho com vistas à adequação dos mesmos à padronização seguida no resto do Poder Judiciário brasileiro.

Apesar da coincidência, é óbvio que as Juntas de Conciliação e Julgamento, renomeadas como Varas do Trabalho, não vieram para enfeixar a machadinha fascista de Mussolini, e nem para vangloriar os feitos do velho caudilho, Getúlio Vargas. Quando foi publicada a Emenda Constitucional nº 24/1999, já haviam se passado 45 anos desde o suicídio do “pai dos pobres”. Não obstante, no pós-1988 as unidades de jurisdição trabalhista se transformaram no locus de concretização de importantes direitos sociais insculpidos na constituição cidadã. Além disso, o valor social do trabalho foi consagrado como fundamento da República Federativa do Brasil (artigo 1°, inciso IV). Por essas e outras, resta patente a necessidade de proteção dos direitos dos trabalhadores e dos reflexos de sua atividade laboral, nem que seja “debaixo de vara”.

Faz-se necessário iniciar o nosso percurso através de uma introdução histórica e etimológica. Para além do conceito jurídico, a palavra “vara” tem origem romana e ligação direta com um objeto/símbolo conhecido como fasces. É de reconhecimento geral a grande influência exercida pela cultura, os costumes e as instituições da Roma Antiga (753 a.C. – 476 d.C.) na história ocidental ao longo dos últimos dois milênios. Um dos símbolos romanos mais famosos, que inclusive sobreviveu à queda do império, é o já citado fasces.

O vocábulo latino fasces (ou fascio) designa um objeto utilizado em Roma, oriundo do período monárquico ou régio (753 a.C. — 509 a.C.). O referido objeto era constituído por um feixe de varas firmemente amarradas, usualmente de madeira de bétula, envoltas ao redor de uma machadinha (secures em latim) feita de metal. Tal instrumento era utilizado com o fito de abrir caminho para o rei, na época da realeza romana, e posteriormente para os magistrados, no período republicano (509 a.C. – 27 a.C.), bem como para executar penas capitais. Meira (1996, p. 41) explica que “as varas, utilizavam-nas para vergastar e a machadinha para cortar a cabeça às vítimas” [3]. Por conseguinte, o fasces era um símbolo do poder de punir do Estado romano, e, consequentemente, da aplicação da justiça pelos lictores.

O lictor era o empregado que acompanhava as autoridades romanas. Ao longo de vários séculos o poder de punir (ius puniendi), ou ao menos a execução das penas, ficou a cargo desses homens que dividiam as funções de guarda-costas e carrascos sob o comando dos magistrados dotados de imperium, ou seja, “o poder de coerção e aplicação de castigos físicos” (Meira, 1996, p. 40). O “cônsul” era um exemplo de magistrado romano dotado de imperium. Segundo Rolim (2008), “quando os cônsules saíam às ruas, iam acompanhados por doze lictores que carregavam o fasces (um feixe de varas significando união). Quando estavam fora da cidade de Roma, os lictores carregavam, além dos fasces, as denominadas secures (machadinhas), que significavam o poder de vida e morte sobre as demais pessoas” (Rolim, 2008, p.54) [4].

Tal tradição chegou até o Direito português. As Ordenações Filipinas (1603), que vigoraram até o surgimento do Código Civil de 1916, ainda previam a obrigatoriedade dos magistrados portarem o feixe de varas durante caminhadas pelas vilas da colônia brasileira no ultramar [5]. O fasces também foi adotado como importante símbolo republicano na França e nos Estados Unidos da América no período das revoluções burguesas.

Assim, o fasces foi convertido ao longo da história num símbolo da autoridade judicial e estatal, do poder de punir, da unidade e, notadamente, da aplicação da justiça até ser apropriado pelo movimento fascista na Itália, liderado por Benito Mussolini. A própria palavra “fascismo” tem origem nesse símbolo, que teve o seu significado original de justiça, união e autoridade, usurpado por uma ideologia extremista. É neste momento que conseguimos traçar a ligação entre as varas, o fasces e o Direito do Trabalho no Brasil, pois a Consolidação das Leis do Trabalho (1943) de Vargas foi inspirada na Carta del Lavoro (1927) de Mussolini [6], cujo regime adotava como símbolo máximo o famigerado feixe de varas. Por outro lado, a nomenclatura “vara” entendida como a unidade de jurisdição de um magistrado só foi adotada na Justiça do Trabalho ao final do século 20, por meio da EC nº 24/1999. Eis o exercício semântico: o vocábulo “vara”, que integra o símbolo fascista usurpado dos romanos, também denomina as sedes da Justiça trabalhista nas quais são exaradas as decisões judiciais. Seria essa uma coincidência ingrata? De qualquer forma, essa teia de conexões históricas liga de algum modo o Direito romano, a imagética fascista e a legislação trabalhista brasileira, através da mediação de um símbolo milenar. Essa foi a reflexão proporcionada por uma mera alteração do texto constitucional que trocou títulos na Justiça do Trabalho com vistas à adequação dos mesmos à padronização seguida no resto do Poder Judiciário brasileiro.

Apesar da coincidência, é óbvio que as Juntas de Conciliação e Julgamento, renomeadas como Varas do Trabalho, não vieram para enfeixar a machadinha fascista de Mussolini, e nem para vangloriar os feitos do velho caudilho, Getúlio Vargas. Quando foi publicada a Emenda Constitucional nº 24/1999, já haviam se passado 45 anos desde o suicídio do “pai dos pobres”. Não obstante, no pós-1988 as unidades de jurisdição trabalhista se transformaram no locus de concretização de importantes direitos sociais insculpidos na constituição cidadã. Além disso, o valor social do trabalho foi consagrado como fundamento da República Federativa do Brasil (artigo 1°, inciso IV). Por essas e outras, resta patente a necessidade de proteção dos direitos dos trabalhadores e dos reflexos de sua atividade laboral, nem que seja “debaixo de vara”.

[1] CHAVES, Luciano Athayde. A Emenda constitucional n. 24/99 e o processo do trabalho: mutações infraconstitucionais e ajustes conforme a constituição. Revista de informação legislativa, Brasília, v. 50, nº 197, 2013. Disponível em: < http://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/496968 >. Acesso em: 20 fev. 2019.

[2] GUIMARÃES, Deocleciano Torrieri. Dicionário Universitário Jurídico. 20. ed. São Paulo: Rideel, 2016.

[3] MEIRA, Silvio. Curso de direito romano. ed. fac-sim. São Paulo: LTr, 1996. 

[4] ROLIM, Luiz Antonio. Instituições de direito romano. 3. ed. rev. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008.

[5] Ordenações Filipinas, livro I, título LXV, I. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/242733.

[6] Acreditamos que não se pode exagerar a real importância da influência italiana na CLT, tendo em vista que naquele período houve outras influências relevantes na confecção da legislação trabalhista brasileira, como o positivismo castilhista oriundo do Rio Grande do Sul, a doutrina social da igreja católica e até mesmo as ideias do jurista Pontes de Miranda. Desenvolvi esse tema em artigo também publicado no Consultor Jurídico: https://www.conjur.com.br/2021-jun-06/boomen-origens-clt-alem-fascismo-italiano.

Fonte: https://www.conjur.com.br/2022-fev-19/opiniao-direito-romano-fascismo-italiano-justica-trabalho

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caído, um corpo
acabado, um sonho
imóvel, um morto

Carlos Seabra

[Itália] Contra missões militares no exterior, contra todas as guerras!

Vamos fortalecer a luta antimilitarista!

Nos últimos meses, o engajamento militar da Itália no exterior aumentou ainda mais com novas missões, principalmente na África e no cenário ucraniano.

Ao mesmo tempo, a militarização interna composta por soldados nas ruas e controles de fronteira não dá sinais de diminuir enquanto o complexo industrial-militar continua aumentando seus lucros.

Por isso, acreditamos ser central nos próximos meses apoiar e ampliar as lutas antimilitaristas nos diversos territórios: desde as mobilizações no Piemonte contra a indústria aeroespacial de guerra e a candidatura de Turim a sediar o DIANA (Acelerador de Inovação em Defesa para o Atlântico Norte) da OTAN às lutas na Sardenha contra bases militares e campos de tiro, desde os da Sicília contra Muos (Sistema de objetivo do usuário móvel) até os de Friuli contra os novos quartéis “verdes” do exército e a poluição produzida pelos exercícios.

Também é importante o contraste com a crescente penetração da propaganda do Exército nas escolas e universidades, inclusive a estipulação de acordos para a realização de PCTOs (caminhos para competências transversais e orientação) na Sicília nos quartéis.

Apoiamos fortemente as próximas iniciativas promovidas pela Assembleia Antimilitarista em 19 de março e 2 de abril, ambos em Milão, para denunciar o papel da Eni [gigante italiana de energia] em ditar a política externa do governo italiano para captar recursos energéticos saqueando e devastando países do sul, do mundo e da África em especial. É importante lutar contra a devastação ambiental causada pelos exércitos e multinacionais que eles protegem e criar interseções entre os movimentos ecológicos de baixo e o antimilitarismo.

Hoje mais do que nunca, mesmo diante dos ventos de guerra que também varrem a Europa, é necessário desenvolver e praticar o antimilitarismo em todas as áreas da sociedade.

Federação Anarquista Italiana – FAI

Conferência de 19 a 20 de fevereiro de 2022

Tradução >  GTR@Leibowitz__

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/22/italia-manifestacao-nao-a-todas-as-guerras-dos-poderosos-e-opressores/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/21/italia-boletim-de-guerra-nao-tomamos-partido-de-nenhum-governo-sujo/

agência de notícias anarquistas-ana

dois amigos na janela
a lua
encontra o pinheiro

Ricardo Portugal

[Itália] Contra a guerra na Ucrânia e em outros lugares

No sábado passado (19/02), uma primeira manifestação foi realizada em Livorno contra a escalada militar na Europa Oriental. Cem pessoas participaram da guarnição organizada pela coordenação cidadã para a retirada das missões militares na Praça Grande, que reúne diversas forças políticas, sociais e sindicais. Entre outras coisas, destacou-se o papel da Itália no atual contexto de tensão internacional. É importante continuar a construir um amplo movimento antiguerra para poder dizer não à loucura belicista e poder impor a retirada das missões militares italianas no exterior. Nem um centavo, nem um soldado, nem uma hora de trabalho para a guerra!

Segue abaixo o texto do panfleto distribuído no sábado

DEIXEM-NOS ESCUTAR CONTRA AS GUERRAS

Parar a escalada imperialista na Ucrânia.

Os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, da União Europeia e da Rússia, juntamente com os grupos empresariais que os apoiam, competem pelo poder com armas e exércitos jogando na pele das classes exploradas.

Pela retirada imediata das tropas, navios e aviões italianos da Europa Oriental.

– Letônia: tropas com tanques equipados para neve, como parte da missão “Baltic Guardian” da OTAN.

– Romênia: perto de Constanta há um esquadrão de 4 caças Typhoon como parte da missão “Air Black Storm”.

– Mar Negro: há uma fragata FREMM, uma fragata caça-minas e um porta-aviões com caças F-35.

Para parar a expansão da base dos EUA em Camp Darby.

Já hoje um arsenal e nó crucial para a logística de armas e veículos no Mediterrâneo e além. A ampliação da base inclui, entre outras coisas, a criação de uma nova linha férrea, que transportará até dois trens carregados de armas todos os dias.

Para evitar o aumento dos gastos militares.

Em 2022, os gastos militares ultrapassaram 26 bilhões de euros. Em 2021, 1 bilhão e 100 milhões foram gastos apenas em missões militares italianas, incluindo intervenções neocoloniais na África.

Coordenação cidadã para a retirada imediata das missões militares no exterior.

Tradução > GTR@Leibowitz__

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agência de notícias anarquistas-ana

sob a janela
o gato prepara o salto
como sempre faz

Fred Schofield

[Grécia] Mensagem de resistência do anarquista preso Thanos Xatziagkelou

Quando começamos a contar as horas para a perda total da liberdade, nas prisões de isolamento, cada momento ganha seu próprio significado existencial. Um sorriso, um toque, o calor da voz de um camarada em uma fria chamada telefônica, os cantos do lado de fora da sala de interrogação são as chamas que queimam no seu coração, te lembrando que nada acaba. A guerra tem suas baixas. Mas nada nos foi dado, quando estendemos a mão, não nos deram nada. Não conquistamos nada rezando.

O branco, traiçoeiro, inumano de seus olhos me lembrou o armistício em um campo de batalha

Nessa vida, tudo é ganho através de convicção e dedicação ao campo da luta social. Com esforço nas batalhas e tensão incansável. Através da minha pequena contribuição à evolução da guerra de classes, para além dos meus erros e minhas contradições, se há algo que me caracteriza é a consciência social e o compromisso ao dever revolucionário. Essas são as duas coisas que, em algumas noites, se tornaram uma corda ao redor do seu pescoço e não te deixa dormir. Gritos, soluções, e mesmo silêncios despertam, e te enfurecem, te enfurecem, te armam. Responsabilidades camaradas. Nós temos responsabilidades. Tenho orgulho de todas aquelas noites sem descanso, que escolhi olhar as estrelas. Eu permaneço inabalável, sem arrependimentos, e furioso como nunca, pois eu defendo meu cativeiro com orgulho, contra a liberdade morta da decadência.

Todos meus pensamentos, amor e apoio permanecem firmes ao lado dessas duas pessoas que estão aprisionadas ao meu lado, dando o melhor de nós nessa luta. Na luta contra o absurdo da repressão. Já eu, eu quero te lembrar que a revolução contra a tirania é uma história que permanece em aberto. E a violência revolucionária deve ser uma via inegociável.

Camaradas, até que nos encontremos nos campos de batalha, não devemos nos conformar com nada menos que tudo.

Abaixo o Estatismo, Vida Longa à Anarquia

Thanos Xatziagkelou

Tessalônica Delegacia de Polícia
Terça-feira, 10/02/22.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1616971/

Tradução > 1984

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é quase noitinha
o céu entorna no poente
um copo de vinho

Humberto del Maestro

[Argentina] FORA relança quatro livros de referência

Nos alegra poder anunciar que já estão disponíveis para a venda os títulos que publicamos desde nosso selo editorial.

Trata-se de quatro livros que viram a luz pela primeira vez faz já cinco anos, mas com uma tiragem muito reduzida. Agora, graças à colaboração dos companheiros da Editorial Tierra del Sur, conseguimos fazer uma quantidade significativa para sua maior distribuição.

Os títulos selecionados respondem ao interesse que nos mobiliza para divulgar os posicionamentos e a história do movimento revolucionário da FORA, seja através de autobiografias, ensaios doutrinais ou estudos atuais que, desde diferentes disciplinas, atravessam o curso do movimento obreiro e do anarquismo.

Link de compra:

https://listado.mercadolibre.com.ar/_CustId_424025478

Ofícios Vários Capital Fora

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O corpo é um caminho:
ponte, e neste efêmero abraço
busco transpor o abismo.

Thiago de Mello

[Grécia] Posição política do prisioneiro anarquista Thanos Xatziagkelou sobre o ataque à Fundação para a Reflexão Nacional e Religiosa

A violência baseada em gênero não é apenas um fato. É a normalidade que é constantemente imposta pelo patriarcado. Feminicídios, estupros e abusos, comentários depreciativos e irônicos, constrangimentos e intimidações. E quando estas coisas recebem a bênção divina do obscurantismo civilizado que a igreja está colhendo, a raiva intransigente toma forma, toma forma nas ruas e busca uma voz. A violência revolucionária assume suas responsabilidades.

Em 21/01, outra peça foi acrescentada ao quebra-cabeça da podridão cultural que domina a vida social e política. Um padre de 37 anos, um violador de crianças, foi acusado de exposição indecente a uma menina de 11 anos que frequentava o catecismo no grupo religioso rufião de Patisia (área de Atenas). Tristeza, repugnância, raiva, mas acima de tudo responsabilidade. Responsabilidade em não querer encobrir mais um episódio repugnante que acrescenta ao fedor da máfia sagrada. Responsabilidade de não deixar passar. E a responsabilidade, se não for traduzida em ação, perde-se no vórtice da aceitação e da demissão.

Assumo a responsabilidade pelo ataque incendiário à Fundação para a Reflexão Nacional e Religiosa, porque a rejeição da aceitação arma a afirmação da justificação. Porque não espero justiça para aqueles que sistematicamente sancionam a normalização da violência baseada no gênero e a morte, fornecendo explicações e desculpas. Eu queria realizar uma ação política altamente simbólica, contra um agente da máfia sagrada. Eu queria enviar uma mensagem clara: contra a lei da opressão, a justiça revolucionária é o único caminho a seguir.

Nossa prisão não mostra nada além da polarização que alimenta dois mundos em constante colisão. Aceito com orgulho minha responsabilidade, com minha cabeça erguida e um sorriso no rosto, mesmo que isso signifique a perda de minha liberdade individual, mesmo que signifique iniciar uma nova caça às bruxas, porque minhas responsabilidades pesam como montanhas.

Com nossos corpos presos dentro de paredes, barras e correntes, mas com nossos corações sempre livres, continuamos nossa luta pela igualdade, justiça e autodeterminação.

Meu apoio absoluto, amor e solidariedade aos dois perseguidos Geórgia Voulgari e Panagiotis Kalaitzis. Meu amor incondicional às centenas de corações que batem do nosso lado, com a promessa de que não vacilaremos nem por um momento. Estamos em guerra.

Prisioneiro anarquista, ΓΑΔΘ (celas de detenção da Sede da Polícia de Tessalônica)

12/2/2022

Fonte: https://infernourbano.altervista.org/grecia-posizione-politica-del-prigioniero-anarchico-thanos-hatziangelou-sullattacco-alla-fondazione-per-la-riflessione-nazionale-e-religiosa/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Dentro da mata –
Até a queda da folha
Parece viva.

Paulo Franchetti

 

[Internacional] Face à escalada militar, a tensão e o possível conflito bélico na Ucrânia

A Ucrânia tem sido um barril de pólvora desde há muitos anos. O conflito tem raízes num quadro histórico muito complexo que vai desde a derrota russa na Guerra da Crimeia no século XIX, à guerra da Ucrânia no século XX, que levou à criação da República Socialista Soviética da Ucrânia, à entrega por Nikita Khrushchev da Crimeia à Ucrânia, ao processo conhecido como Euromaidan, à Guerra de Donbass e à anexação russa da Crimeia.

Nem os acordos de Minsk II, assinados para reduzir a tensão da guerra do Donbass, nem a diplomacia europeia conseguiram mitigar este longo conflito em que estão em jogo demasiados interesses geopolíticos, econômicos, energéticos e étnicos. Interesses que colocam as oligarquias pró-russas contra as nacionalistas pró-europeias e que deixam os trabalhadores ucranianos no meio, os quais têm que aprender a viver numa incerteza constante entre a guerra civil, a ocupação militar, a miséria que a guerra traz e que oligarcas irão lucrar com o seu trabalho.

Uma incerteza que nós, trabalhadores da Europa e do mundo, também somos obrigados a partilhar, visto que as potências beligerantes possuem milhares de ogivas nucleares, tornando esta tensão muito semelhante às que já se viveram durante a Guerra Fria.

A atitude do governo espanhol de enviar tropas para os vários exercícios militares da OTAN¹, assim como em organizar a cúpula de Madrid em 2022, responde à escala militarista que estamos a ver crescer, em que se investe cada vez mais em militares e armamentos, e onde a indústria militar engorda com a venda de armas e com a participação da Espanha em conflitos internacionais.

Perante a escalada da tensão e do possível conflito bélico, solidarizamo-nos com os trabalhadores ucranianos. Rejeitamos a interferência imperialista da OTAN e da Rússia, a ocupação estrangeira e o nacionalismo, e fazemos nossas as palavras de Nestor Makhno:

Um poder estatal “intruso” e um poder de Estado “independente” dão no mesmo, e os trabalhadores não ganham nada com nenhum deles: eles devem orientar os seus esforços, onde quer que estejam, para destruir o aparelho de Estado e substituí-lo por organismos operários e camponeses vocacionados para a autogestão social e econômica“.

Nem guerra nem negócio de morte
Nem guerra entre povos nem paz entre classes

Federação Anarquista Ibérica – FAI

[1] Também Portugal já anunciou o envio de militares para integrar os contingentes da OTAN nos países que integram a organização no leste europeu.

federacionanarquistaiberica.wordpress.com

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/07/espanha-declaracao-da-cnt-contra-a-guerra-na-ucrania-e-o-militarismo/

agência de notícias anarquistas-ana

nuvem que passa,
o sol dorme um pouco –
a sombra descansa

Carlos Seabra

[Itália] Manifestação | Não a todas as guerras dos poderosos e opressores

Sábado, 26 de fevereiro, a partir das 10 horas. | Piazza di San Marco, Roma.

𝗥ete 𝗔ntirazzista convida você para SE MOBILIZAR PARA DENUNCIAR O INTERESSE IMORAL IMPERIALISTA E EVITAR A GUERRA!

O conflito russo-ucraniano, que já se arrasta há 7 anos e que causou mais de 15.000 vítimas, agora parece mais uma guerra entre poderosos, muito perto de nós para não nos alarmar: eles estão no campo para ameaçar um ao outro: Rússia, EUA e OTAN. Estratégias expansionistas, controle de recursos energéticos, derivas nacionalistas empurram Estados e alianças para uma escalada sem sentido, que na Europa podem desencadear uma guerra com um potencial de conotação nuclear. Como sempre, são as populações que pagam o preço. A ameaça afeta a todos nós!

Por trás da estratégia anunciada de “dissuasão e defesa”, a Itália esconde um envolvimento militar total. O governo italiano não repudia a guerra, mas faz negócios com ela. As despesas militares no orçamento do Estado italiano aumentaram 20% em três anos. A compra de novos armamentos aumentou até 73,6% (www.milex.org): o próspero mercado de armas continua a ser alimentado. Um esquadrão de caças e 140 aviadores já foram enviados ao redor da Ucrânia, e não só.

Mais uma vez os Estados ignoram as emergências climáticas, sanitárias e alimentares que assolam a população mundial e tentam embarcar em guerras que levam à morte, devastação, pobreza e migração.

PAZ E PACIFICAÇÃO PARA O POVO DA UCRÂNIA E DA RÚSSIA! NÃO ÀS GUERRAS DE ESTADO!

Grupo Anarquista Mikhail Bakunin

FB: https://www.facebook.com/events/514120123437269/?ref=newsfeed

Tradução > GTR@Leibowitz__

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/21/italia-boletim-de-guerra-nao-tomamos-partido-de-nenhum-governo-sujo/

agência de notícias anarquistas-ana

instante do passarinho
fui olhar
fiquei sozinho

Ricardo Silvestrin

[Grécia] Carta de Panos Kalaitzis da prisão de Korydallos

Na terça-feira 08/02, às 19h, fui preso pelo esquadrão antiterrorista fora da casa de meu companheiro em Ano Polis. O motivo da minha acusação foi a prisão, naquela mesma manhã, de Thanos Xatziagkelou e Geórgia Voulgari, acusado de ter colocado um dispositivo incendiário na Fundação para a Reflexão Nacional e Religiosa. Fui levado à Direção Geral de Polícia em Tessalônica onde, algumas horas depois, fui informado que estava preso sob a acusação de pertencer à organização Ação Anarquista. Fiquei em custódia por dois dias, no porão da ΓΑΔΘ (Sede da Polícia de Tessalônica), na sexta-feira 11/02 fui interrogado e depois compareci perante o promotor, que me notificou de minha detenção preventiva.

Como estou diante de um julgamento que não é nada menos que ridículo contra mim, declaro-me inequívoca e categoricamente inocente de todas as acusações contra mim. Estou atualmente detido sem um fragmento de evidência que me ligue à participação ou a qualquer atividade da organização Ação Anarquista. Entre outras coisas, meu nome nunca foi mencionado nos arquivos da polícia antiterrorista. A única conexão que encontraram foi a casa que aluguei ao lado da loja que eu tinha com meus sócios, bem como ao lado da casa do meu companheiro (onde eu realmente vivia), que reservei como espaço para quarentena e recuperação da covid-19.

Estou fazendo um grande esforço para resistir a esta conspiração que foi criada para me privar de minha liberdade. Estou tentando manter minha mente alerta e clara de todos os pensamentos, para que eu possa resistir a esta injustiça que quer me estrangular. Estou tentando resistir a esta arbitrariedade que vê minha vida como um peão em um tabuleiro de xadrez invisível.

Contra aqueles que tomam as relações humanas e as usam como desejam e como lhes convém para compor um quebra-cabeça projetado por eles.

Vou conseguir.

Solidariedade com meu amigo, colega e companheiro Thanos Xatziagkelou e a companheira Georgia, que conheci há alguns dias no porão da ΓΑΔΘ (celas de detenção da Sede da Polícia de Tessalônica).

Panos Kalaitzis

Prisão de Korydallos

15/02/2022

Fonte: https://infernourbano.altervista.org/grecia-lettera-di-panos-kalaitzis-dalla-prigione-di-korydallos/

Tradução > Liberto

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De manhã, a brisa
encrespa o igarapé
e penteia as águas.

Anibal Beça

Contra campos de internamento, manifestação internacional na Polônia em 12 de fevereiro

No sábado, 12 de fevereiro de 2022, 300 pessoas se manifestaram contra os campos de internação poloneses. E também um buzão da Solibus e.V. de Berlim veio com cerca de 50 ativistas para Krosno Ordzańskie, a 150 km de distância. Juntamente com grupos alemães e poloneses e muitos indivíduos, eles protestaram pela liberdade de circulação de refugiados e contra as condições em todos os centros de chegada do país. Houve discursos de vários grupos e cartas dos atingidos também foram lidas em vários idiomas.

Com tambores, faixas e cânticos, os manifestantes se reuniram em frente ao acampamento em Krosno Ordzańskie, onde atualmente cerca de 100 pessoas estão detidas em um antigo quartel. São pessoas que foram manchetes na virada do ano na fronteira polonesa-bielorrussa porque se tornaram peões das políticas de Lukashenko, da Polônia, e da UE. Entretanto, sabemos que pelo menos 21 pessoas morreram nesta fronteira e algumas delas morreram congeladas.

Estima-se que aqueles que conseguiram solicitar asilo na Polônia sejam cerca de 2.000. Agora eles permanecem indefinidamente em campos como o de Krosno Odrzańskie, aguardando notícias sobre seu pedido de asilo. Além de condições indignas (quase nenhum atendimento médico, proibição de smartphones etc.), o isolamento e a situação insegura causam estresse extremo. Uma vez que a maioria dessas pessoas são vítimas de violência, esta forma de “alojamento” é ilegal de acordo com a lei da Polônia.

Com a manifestação, os ativistas deram um sinal claro de liberdade de movimento, solidariedade internacional e contra o regime fronteiriço europeu. Houve várias prisões depois que os manifestantes saíram espontaneamente do local da manifestação para se aproximarem dos internos com música e cânticos, para que pudessem ouvir a ação até mesmo em suas celas.

Uma porta-voz da aliança disse: “As pessoas nesses campos muitas vezes não sabem quando serão libertadas e qual é a situação atual em relação ao seu pedido de asilo. Estou muito feliz com a forte e especialmente internacional participação nesta manifestação. Um ônibus inteiro de Berlim, com pessoas protestando contra o regime de fronteira praticamente à sua porta, é um importante sinal de solidariedade internacional. Exigimos a dissolução destes campos de acolhimento, a suspensão das deportações e também a parada da construção do muro e assim a destruição da floresta. Todo mundo sabe que a migração não pode ser evitada mesmo com muros. Só se torna mais perigoso para as pessoas que buscam proteção e mais recompensador para os contrabandistas.”

Esta manhã, segunda-feira 14/02, 11 ativistas da Polônia e da Alemanha que se solidarizaram com os migrantes presos ainda estavam detidos nas delegacias de Krosno Ordzańskie e Zielona Gora. Alguns deles foram feridos e colocados sob pressão psicológica, alguns já estão enfrentando possíveis penas de prisão e alguns foram ameaçados com prisão preventiva. A NoBordersTeam Polônia está pedindo apoio internacional.

FB: nobordersteam

Schlafplatzorga Berlim: sleepplaceorga@systemli.org

No Border Assembly: noborderassembly@riseup.net

Ativistas e Amigos da NoBordersTeam Polônia nbeastn@riseup.net

Fonte: https://kontrapolis.info/6289/

Tradução > GTR@Leibowitz__

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árvore morta
no galho seco
uma orquídea

Alexandre Brito

[EUA] Um novo movimento pela liberdade agora

Por Mumia Abu-Jamal | 21/01/2022

O grande revolucionário caribenho Frantz Fanon escreveu em sua obra agora clássica, The Wretched of the Earth (Os condenados da terra), o seguinte chamado à ação: “Cada geração deve, desde a obscuridade relativa, descobrir sua missão, cumpri-la ou traí-la em relativa opacidade. Essa é missão que nós temos”.

Qual missão? Para libertar os prisioneiros do Império Americano, não apenas eu, mas outros também; alguns sabemos, outros não. Estou falando de companheiros como Jamil Abdullah Al-Amin, Ed Poindexter (companheiro do falecido Mondo We Langa), Sundiata Acoli, Leonard Peltier, Dr. Mutulu Shakur, Julian Assange, Xinachtli, Rev. Joy Powell, e Daniel Hale. Eles são prisioneiros antirracistas e anti-imperialistas do Império.

Cada um de nós aceitaria aquele agora famoso primeiro ponto do Programa de Dez Pontos do Partido Panteras Negras, escrito por dois jovens universitários em outubro de 1966, Huey P. Newton e Bobby Seale: “Queremos liberdade”. Essas palavras ecoaram no coração de milhões de pessoas. Hoje, mais de 50 anos depois, elas ainda possuem poder e ressonância. “Queremos liberdade”.

Que essas palavras energizem novos movimentos hoje e enriqueçam nossas histórias vivas ao se reconectarem com as lutas de liberdade de nossa juventude. Muitos de nós somos velhos, mas nos alegramos com o surgimento dos movimentos de liberdade de hoje em resposta à tortura e ao assassinato de George Floyd, porque as lutas reais perduram de uma geração para outra.

Esta chamada vem como uma metástase do encarceramento em massa em um sistema que sangrou orçamentos estatais e resultou no enjaulamento dos idosos e até recentemente da população jovem. Também resultou em uma crueldade desenfreada que inclui mulheres dando à luz em grilhões e correntes, ou pessoas submetidas ao confinamento solitário por décadas.

Surpreendentemente, as prisões têm piorado com o tempo; elas não melhoraram. E agora o sistema penitenciário é maior do que jamais poderíamos ter imaginado. Portanto, precisamos de mais movimentos para mudar as condições nas prisões, não menos. E a abolição da prisão tem que estar em cima da mesa. Nós queremos liberdade. Nós queremos liberdade. Nós queremos liberdade. Todos nós o dizemos.

Obrigado NUMSA. Obrigado Comitê Comemorativo do Partido dos Panteras Negras. Obrigado ao Comitê de Ação Trabalhista. Obrigado a todos vocês.

Com amor, não medo, eu sou Mumia Abu-Jamal.

Tradução > Liberto

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alvor
avançavam parados
dentro da luz

Guimarães Rosa

[Espanha] Crise ecossocial e emancipação

Por Amaya Castillo Garcia

A crise ecológica não é mais uma questão marginal ou que pode ser ignorada. Ameaça nossa saúde, nossa comida, nossa segurança, nosso futuro. Ninguém está ou estará totalmente seguro, mas seus efeitos são sofridos de forma desigual: são e serão mais graves quanto mais vulneráveis ​​formos, quanto mais pobres, mais despossuídos e mais oprimidos formos. Os conflitos ambientais são uma gigantesca luta de classes, e o que está em jogo é o capitalismo ou a vida.

Nosso sistema socioeconômico baseado no uso crescente de materiais fósseis e energia é incompatível com os limites biofísicos do planeta que habitamos. Por muito tempo, contamos com as capacidades da técnica e da tecnologia para ultrapassar esses limites. Vivemos pensando que o “progresso” nos salvaria, que a “ciência” inventaria algo, que a eficiência do sistema poderia ser melhorada para reduzir a dependência de materiais e energia. Mas, ano após ano, nossa marca no planeta se aprofunda e as consequências disso se revelam mais graves. Essa ciência que esperávamos nos salvar agora nos diz, com alto nível de consenso, que a situação é muito grave e que é preciso agir com urgência. Continuar a fugir é nada menos que suicídio coletivo, pois estamos diante de uma possível situação de colapso.

Correr para a frente é o que temos feito há séculos. A cultura ocidental foi construída sobre as ideias de “progresso”, “desenvolvimento” e “crescimento”. Era preciso produzir mais, construir mais, consumir mais. Associamos esse progresso a melhorias na saúde ou nutrição, a artigos e produtos que tornaram nossa vida mais confortável e agradável, ou a vitórias políticas e sociais que nos fizeram adquirir mais direitos ou liberdades. Portanto, questionar o mantra do progresso e do crescimento é, no mínimo, suspeito. E, no entanto, hoje é radicalmente necessário. Em um contexto de profunda crise ecossocial como o que estamos vivendo, não podemos deixar de analisar e criticar esses conceitos, pois o capitalismo os utilizou para legitimar seu domínio colonial, extrativista e patriarcal sobre o planeta.

No recente livro Técnica e Tecnologia, Adrián Almazán recolhe e atualiza grande parte da tradição antidesenvolvimentista e da crítica à sociedade tecno-industrial. Neste trabalho defende que tecnologia, progresso e desenvolvimento não são neutros ou imparciais e afirma que é “hora de mostrar que o progresso esconde interesses muito específicos e responde a um programa político e social muito específico. Chegou a hora de as sociedades ocidentais deixarem de tornar invisível o enorme preço que a Terra e seus habitantes pagaram em troca de seu progresso egoísta, de curto prazo e genocida.”

Diante dessa situação, o que podemos contribuir do movimento libertário? Como podemos contribuir para uma proposta emancipatória, transformadora e justa (mas também atrativa) que leve em conta essas questões e se situe nos limites da biosfera? Isabelle Stengers diz em seu livro In Times of Catastrophe que, como civilização “estamos o mais mal preparados possível para produzir o tipo de resposta que a nova situação exige”. No entanto, não é uma prova de impotência, mas um ponto de partida. Dói concordar com essa afirmação, mas por outro lado não vamos perder de vista que muitas das estratégias e ferramentas que serão úteis em cenários futuros são precisamente anarquistas. Esse é o nosso ponto de partida.

É importante valorizar o conceito de autonomia e talvez ressignificá-lo. O sistema capitalista industrial “expropriou” muitas de nossas capacidades, erodindo cada vez mais nossa autonomia social, política, econômica, energética, alimentar, técnica… Como engrenagens da engrenagem capitalista, hoje vamos ao mercado para satisfazer quase todas as nossas necessidades. Alimentação, vestuário, habitação, mas também relações sociais ou lazer, praticamente tudo o que fazemos e necessitamos é mediado por serviços ou produtos que são gerados, processados ​​e distribuídos industrialmente. Incapaz de intervir ou intrometer-se nestes processos, sem poder para definir determinados critérios éticos ou ambientais, nos tornamos cada vez menores como sujeitos políticos e reforçamos involuntariamente este sistema explorador e expropriador. Recuperar a autonomia ou construí-la continua sendo um objetivo a ser seguido. A partir dos sindicatos, pode ser gerada uma infinidade de iniciativas (e já estão sendo feitas em muitos casos): desde a criação de cooperativas de trabalho, até a formação de grupos de consumo agroecológico, passando por propostas alternativas de lazer, ou indo além, talvez possamos até considerar pensar coletivamente sobre propostas de habitação ou energia.

Por outro lado, podemos estar nos aproximando de cenários em que as capacidades dos Estados serão ainda mais reduzidas do que agora. Luis González Reyes e Ramón Fernández Durán falam em The Spiral of Energy sobre uma possível “falência dos fósseis estados-nação, pois são estruturas complexas demais para se sustentarem em um ambiente de energia disponível em declínio”. Os Estados terão que enfrentar crises multidimensionais (social, climática, energética, ecológica, assistencial…) com orçamentos cada vez mais precários e em seus esforços para proteger as estruturas de poder e os poderosos, deixarão cada vez mais pessoas fora da cobertura de serviços públicos, o que levará a uma menor legitimidade social e a um maior conflito. Para evitar que esta situação leve a cenários ecofascistas ou “cada um por si”, vamos precisar de muita organização coletiva e claro muito apoio mútuo e solidariedade. Já experimentamos em várias ocasiões como a sociedade civil é capaz de se auto-organizar e dar uma resposta coletiva e solidária em situações de emergência ou extrema necessidade. Se isso acontece espontaneamente, o que não podemos conseguir sendo mais e melhor organizados? Dado que é muito provável que a frequência e gravidade deste tipo de eventos aumentem, é fundamental trabalhar para restabelecer os laços comunitários, fortalecer as redes de apoio que já existem e caso não existam criá-las de raiz. A experiência e as práticas libertárias serão mais necessárias do que nunca.

Tão importante quanto valorizar as propostas libertárias é incorporar as contribuições dos movimentos feminista, ambientalista, antirracista, indígena ou rural e continuar se entrelaçando com eles. Não se trata de substituir algumas lutas por outras, mas de conseguir conexões entre diferentes tipos de resistência, fugindo da ideia de ter que priorizar um em detrimento do outro, pois todos vamos precisar uns dos outros.

Para enfrentar os desafios que enfrentamos como sociedade, precisaremos de mais e melhor anarquismo, muito trabalho coletivo, criatividade e, sobretudo, uma grande capacidade de tolerar a incerteza e a imprevisibilidade. O futuro, que sempre foi incerto, agora é ainda mais. Hoje nadamos na precariedade e no desequilíbrio e não podemos nos enganar nem enganar ninguém prometendo certezas ou segurança. Claro que continuaremos imaginando utopias e caminharemos em direção a elas, mas se podemos ser úteis em alguma coisa, é na construção de novos mundos e possibilidades hoje e agora, e temos que fazê-lo nestas ruínas e neste terreno, mesmo se está rachando sob nossos pés. Trata-se de buscar caminhos para a emancipação, sim, mas não para nos emanciparmos da terra que pisamos e que nos permite viver. Emancipar-nos, sim, mas não das comunidades (humanas e não humanas) que nos apoiam e cuidam de nós.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/crisis-ecosocial-y-emancipacion/

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Neste bosque urbano
árvore feita em concreto
– meu corpo estremece.

Eolo Yberê Libera

[Espanha] Solidariedade com xs companheirxs reprimidxs acusadxs de queimar um caixa eletrônico da Bankia

Atualização sobre a situação atual dxs companheirxs

Em 29 de outubro de 2018, dois companheirxs anarquistas de Madri foram presxs acusadxs de sabotagem com incêndio em um caixa eletrônico da Bankia em 13 de abril de 2018. Elxs receberam recentemente a notícia de que seu julgamento foi marcado para 7 de abril de 2022.

O Ministério Público juntamente com a Bankia e a Mapfre (a seguradora do banco) estão pedindo 3 anos pelo crime de Dano e 17.000 euros de Responsabilidade Civil. Na declaração policial, o ato está relacionado a um comunicado carregado em sites de contrainformação nos quais a ação foi reivindicada em solidariedade com Lisa, condenada a 7 anos (agora em terceiro grau) por um assalto a um banco em Aachen (Alemanha). Dizem também que xs companheirxs são anarquistas reconhecidxs, mencionando identificações em comícios, cartazes colados ou prisões em despejos. Todo este castelo no ar é usado para justificar o agravante ideológico, já que xs companheirxs, sendo anarquistas, odeiam os bancos e a Bankia neste caso, seria vítima deste “ódio ideológico”.

Este é mais um ataque do Estado ao movimento anarquista como um todo, tentando punir a solidariedade e ensinar lições à sociedade como um todo. Não só a ação anarquista, mas também o pensamento deve ser perseguido, o que vemos na tentativa de introduzir o “fator agravante ideológico”. Dentro desta ofensiva incluem também a Operação Arca, na qual duas companheirxs são acusadas de diferentes sabotagens em Madri.

Fiquemos atentxs para as próximas convocatórias.

SOLIDARIEDADE COM XS ANARQUISTAS REPRIMIDXS!

FOGO AOS BANCOS E LONGA VIDA À ANARQUIA!

>> Para mais informações sobre o caso da Lisa:

https://solidaritatrebel.noblogs.org/

>> Para mais informações sobre a Operação Arca:

https://quemandoarcas.noblogs.org/

>> Contato com xs detentxs do caso Bankia: solidaridaddetenidxs29octubreARROBA

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/27/espanha-a-companheira-lisa-obteve-a-liberdade-condicional/

agência de notícias anarquistas-ana

longe noite escura
uma viola
amor murmura

Eugénia Tabosa

[Reino Unido] A ecologia de Kropotkin

Por Brian Morris | 24/12/2021

Peter Kropotkin morreu há 100 anos. Mas suas inovações sociais e ecológicas e seus ensinamentos ressoam até hoje.

“O presente é onde nos perdemos – se nos esquecermos do nosso passado e não visualizarmos o futuro”. Assim escreveu o poeta Ganês Ayi Kwei Armah.

Este ano marca o centenário da morte do geógrafo anarquista, Peter Kropotkin – uma figura do passado que definitivamente não devemos nos esquecer.

Um talentoso geógrafo, pioneiro ecologista social e um socialista revolucionário, Kropotkin criou “um tesouro de ideias férteis” (como colocou seu amigo Errico Malatesta) que ainda tem relevância na contemporaneidade.

Filósofo

Nascido em Moscou em 1842, uma das curiosas ironias da história é que Kropotkin, que se tornou um dos mais duros oponentes de todas as formas de poder Estatal, nasceu nas mais altas posições da aristocracia Russa. Por seus antepassados príncipes estiveram entre os primeiros governantes da Rússia.

Depois de explorar e empreendimento científico de pesquisa nas regiões remotas de Manchuria e da Sibéria durante a década de 1860, Kropotkin mais tarde se tornou membro da Internacional Socialista.

Foi preso duas vezes por suas atividades políticas. Chegou na Inglaterra em 1886 que ele ficou em “exílio honroso”, como Nicolas Walter o descrevia, pelos próximos 30 anos.

Até seu retorno para sua terra natal em 1917 na eclosão da Revolução Russa. Durante seus muitos anos de exílio, Kropotkin tornou-se um dos principais teóricos do movimento anarquista, bem como continuou seus estudos científicos. De fato, o retrato de Kropotkin ainda está pendurado na biblioteca da Sociedade Geográfica Real em Londres.

Um naturalista evolucionista como Darwin, Kropotkin era sábio, e multi-talentoso. Ele escreveu livros sobre a grande revolução francesa, como ele a chamava, sobre literatura Russa, mudança climática e geografia física da Eurásia, biologia evolucionária e ecologia social, e também escrevendo, em seus anos finais, um tratado filosófico em ética.

Força

Aqui vamos focar em um dos ricos e extensos aspectos da obra, a saber, os seus escritos inspiradores sobre ecologia social.

O mais importante na vida humana, para Kropotkin, é que havia um “paradoxo” essencial dado que, por um lado, os humanos são parte intrínseca da natureza, produto de um processo evolucionário, e totalmente dependente do mundo natural para comida, água e ar – para sua mera existência.

Mas por outro lado, os humanos foram de certo modo “separados” da natureza: a terra existe a bilhões de anos, muito antes do surgimento dos humanos, e os humanos, como espécies, eram bastante únicos em combinar um grande level de autoconsciência, profunda socialidade, e o desenvolvimento complexo simbólico, de culturas e tecnologias.

De fato, os humanos são agora descritos por terem desenvolvido uma “força geológica” no planeta Terra. Os humanos foram em parte “separados” da natureza.

O que importa sobre Kropotkin é que ele sempre esforçou-se conjuntamente essas duas dimensões da vida social humana.

Explorador

Ele então combinou humanismo, enfatizando esta intervenção e a cultura humana, e o naturalismo, reconhecendo completamente a dimensão ecológica do ser humano, e que os humanos são sempre “enraizados na natureza”. Como filósofo social, Kropontkin foi, portanto, fundamentalmente um ecologista humanista, um ecologista social.

Dois livros que ele escreveu (ambos baseados em artigos publicados na década de 1890) exemplificam sua ecologia social: São eles “Campos, fábricas e Oficinas” (1899) e “Apoio Mútuo: Um fator de evolução” (1902).

Ao longo do final do século XIX Kropotkin tornou-se cada vez mais preocupado com duas questões inter relacionadas ou os desdobramentos.

Um deles foi o crescente “abismo” que estava se desenvolvendo entre o campo esvaziado de pessoas e o aumento da vida selvagem, e as cidade, com pessoas vivendo na miséria e pobreza em cortiços e trabalhando em fábricas cujas condições eram insalubres, exploratórias, e completamente antidemocráticas.

Cultivo

Outra preocupação era que o desenvolvimento dentro do capitalismo, de uma forma industrial e agricultura, um sistema de monocultura que esgota a fertilidade do solo, e em que cultivar articulado para não simplesmente a produção de comida, mas para a geração de lucro.

Ele se preocupava que praticamente toda a terra Britânica fosse privatizada, de grandes latifúndios que fossem dados tomados a bala para preservar – de servos e revoltados – especialmente para propósitos recreacionais dos ricos e poderosos das classes governantes.

Apesar de pessoas como Trotsky, e acadêmicos liberais em geral, pintava Kropotkin como um intelectual sonhador, um socialista utópico, completamente fora das “realidades” sociais e políticas, de fato Kropotkin foi muito prático e um acadêmico com os pés no chão.

Enquanto Marx passava seu tempo na biblioteca do British Museum estudando economia – principalmente relatórios governamentais, Kropotkin viajava vastamente realizando estudos empíricos de práticas agrícolas, e por toda vida, ele e sua esposa Sophie cultivavam em terras alugadas. Ele construía até os próprios móveis!

Cultura

Em seu pequeno livro de reflexões “Campos, fábricas e Oficinas”, que Colin Ward descreveu como “o grande trabalho profético do século XIX”, Kropotkin defendia o seguinte:

  • Todas as formas de indústria, sejam fábricas ou oficinas, têm de ser descentralizadas, e ele fez um pedido para o que hoje descreveremos como um “áreas verdes” na vida na cidade.
  • Que o futuro da agricultura deve ser tanto diversa quanto intensiva, envolvendo jardins de vegetais, cultivação massiva nos campos, prados irrigados, pomares, estufas, bem como jardins em casa. Através disto, Kropotkin argumentou que altos rendimentos da variedade de cultivos poderiam ser produzidos. A Autossuficiência alimentar poderia ser atingida, ele sentia, sem que recursos industriais nas fazendas (sob o capitalismo), se o produtor cultivador pudesse ser livre desses três “abutres”- o Estado, o proprietário, e o banqueiro. Kropotkin portanto se opunha tanto à coletivização estatal da agricultura e do cultivo capitalista.
  • Que o trabalho, tanto na indústria quanto na agricultura, deveria – ou poderia – ser reduzido a poucas horas por dia, permitindo que as pessoas em uma comunidade terem bastante tempo para propósitos de lazer e de atividades culturais.

Brutal

Tudo isso, Kropotkin reconheceu, envolveria uma revolução social, e a criação de uma sociedade baseada na ecologia sob os princípios anticomunistas.

É importante notar que o livro de Kropotkiin teve uma influência grande em muitas pessoas, incluindo, por exemplo, Lve Tolstoy, Ebener Howar (e sua militância por cidades verdes), Lewis Mumford e Paul Goodman.

O livro “Apoio Mútuo” é talvez o trabalho mais conhecido de todos de Kropotkin e continua sendo editado. Um trabalho de ciência popular, expressou as preocupações de Kropotkin no final do século XIX, na crescente escola de pensamento que ficou conhecida como “Darwinismo Social”.

O que provocou Kropotkin foi um artigo de Thoma Huxley, que era vastamente conhecido como “Buldogue de Darwin”, dada sua defesa da teoria de Darwin, publicado no jornal The Nineteenth Century em 1888.

Intitulado “A luta pela sobrevivência e sua relevância para a Humanidade”. Citando Hobbes, Huxley descreveu especificamente a vida na natureza – tanto natureza orgânica e a vida das sociedades tribais – como sendo “solitária, pobre, nojenta, brutal, e curta.”

Apoio Mútuo

Segundo Huxley, os Darwinistas Sociais – que incluíam empresários Americanos implacáveis como Rockefeller e Carnegie – aplicavam a teoria Darwinista – especialmente o conceito de Herbert Spencer da “sobrevivência do mais adaptado” à vida social humana.

Esse conceito foi usado como justificativa ideológica para promover o capitalismo e o imperialismo, e a exploração colonial de populações tribais.

Também sugeria que os humanos eram por natureza, motivados por impulsos agressivos, e que era intrinsecamente egoístas, competitivos, e individualistas possessivos.

Kropotkin, é claro, era crítico de Rousseau, e nunca duvidou da existência – a realidade – o conflito, a competição, e o egoísmo (agente subjetivo), tanto na vida na Terra quanto na vida social humana.

Mas ele mesmo assim reagiu fortemente ao (capitalismo) Hobbesiano no mundo inteiro, argumentando que era exagerado e completamente enviesado para um lado. Ele então começou a escrever uma série de artigos sobre “apoio mútuo) – as atividades cooperativas e o apoio mútuo e o cuidado expresso não somente pelos animais, mas em todas as sociedades humanas e ao longo da história.

A tendência ao apoio mútuo, ou o que ele descreveu como “anarquia” também era claramente evidente “entre nós”, pessoas das sociedades ocidentais.

Ele coexistiu com, e muitas vezes em oposição ao Estado e as instituições capitalistas.

O Apoio mútuo (ou anarquia) se revela, Korpotkin argumentava, em associações de trabalhadores, sindicatos, na vida familiar, nas caridades religiosas, em vários clubes e organizações culturais, bem como em muitas outras formas de voluntariado. O Apoio Mútuo, Kropotkin ressaltava, foi um importante fator na evolução e na vida social humana.

Saques

Apoio Mútuo não é um texto anarquista, nem um trabalho de teoria política, mas reflete a concepção de Kropontkin de uma sociedade futura que ele descreveria como livre ou anarcomunista.

Isso implica a necessidade de uma revolução social e uma forma política que envolvesse os seguintes três princípios:

  • A rejeição ao Estado e todas as formas de hierarquia e opressão que inibem a autonomia e o bem estar de uma pessoa como ser social único;
  • A repudiação da economia de Mercado capitalista, junto com o sistema assalariado (que para Kropotkin era uma forma de escravidão), propriedade privada, seu ethos competitivo e sua ideologia de individualismo possessivo.
  • E, finalmente, uma visão futura de uma sociedade ecológica, baseada no apoio mútuo, voluntariado, formas participativas de democracia e uma forma de organização social orientada pela comunidade. Tal sociedade iria aumentar tanto a expressão de liberdade individual quanto expressar o mutualismo, uma relação de co-operação com o mundo natural.

Em uma era onde a corporação capitalista reina triunfante, criar condições que induzem medo, deslocamentos sociais, desigualdades sociais massivas, e uma crise ecológica severa, na visão de Kropotkin, e sua forma política, ainda tem relevância na contemporaneidade.

Contrastando com os militantes do “Novo acordo Verde” – apoiado por Naomi Klein dentre outros – Kropotkin teria insistido que o estado Capitalista ao invés de ser a solução para crises ecológicas seria de fato a causa dela.

Como o ecologista social Murray Boockchin argumentou há muito tempo, o capitalismo em relação simbiótica com o estado saqueia a terra em busca por lucros e resulta na principal causa da “crise moderna.”

O autor 

Brian Morris é professor emérito de antropologia na Universidade de Goldsmith, e autor de diversos livros sobre ecologia e anarquismo, incluindo Kropontkin: A política da comunidade (Editora PM 2018). “Em memória do colega, David Graeber (1961-2020)”

Fonte: https://theecologist.org/2021/dec/24/kropotkins-ecology

Tradução > Alice Prin

agência de notícias anarquistas-ana

Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve