Declaração de Solidariedade Internacionalista pelos 85 Anos da Revolução Espanhola

 

Em 19 de Julho de 1936, as sirenes das fábricas de Barcelona não soam para o início do turno. É o sinal acordado pela Confederacion Nacional del Trabajo – CNT para a ação dos comitês de fábrica em relação aos comitês de defesa da confederação. O exército fascista, tendo anteriormente neutralizado o governo da Catalunha (que se recusou a fornecer armas à CNT), invade a cidade. A CNT, a FAI e Juventude Libertária já organizaram a defesa social e de classe, através da expropriação de armas, que são distribuídas ao proletariado organizado. São construídas barricadas, enquanto que graças à informação recolhida pela CNT-FAI, xs revolucionáries sabem quando o exército fascista atacaria a cidade. Por toda a Espanha, onde o povo segue as indicações da CNT e FAI, armando-se e se recusando a confiar nas instituições estatais, o pronunciamento dos generais é derrotado. Em três anos de guerra civil, as únicas vitórias da república (libertação de Aragão, libertação de Teruel) mostram a contribuição decisiva das milícias confederadas.

As comunas operárias e agrárias tornaram-se uma realidade, CNT e FAI conseguiram o que a partir desse ponto já não é inconcebível. A emancipação social e de classe, uma sociedade de comunidades federadas, o mundo do comunismo libertário não é apenas a mais bela ideia, é um fato que foi realizado na Espanha pelo povo em armas durante a Revolução.

Hoje, 85 anos após a Revolução Social na Espanha, os sistemas político, ideológico, moral e econômico falidos, não tendo mais nada a prometer se não guerras, exclusão e empobrecimento, estão se preparando contra a perspectiva de uma expressão dinâmica do descontentamento social generalizado, tanto local como internacionalmente. Este é um período em que os Estados e os chefes tentam ferozmente impor à maioria social a sua narrativa sobre o “fim da história”. Esforçam-se por convencer de todas as formas possíveis que não existe outra alternativa para as sociedades humanas senão aquela em que a grande maioria social será forçada a viver estigmatizada pela pobreza, privação, doença, guerras e destruição. O Estado e a máquina capitalista agravam a desigualdade, a repressão e a exploração, enquanto a pandemia mortal da Covid-19, que funciona como acelerador da crise sistêmica, é utilizada para a intensificação deste ataque generalizado contra a sociedade e a sua resistência.

A autoridade está empreendendo este ataque em larga escala com o objetivo de controlar as sociedades humanas, impor-lhes poder absoluto, pilhar a natureza e todos os seus recursos. Da Síria aos EUA, de Istambul à Europa Ocidental e América do Sul, os patrões políticos e econômicos têm como alvo as pessoas exploradas e reprimidas, antecipando ainda mais repressão, pilhagem e morte.

Contra o Estado e o ataque capitalista, emerge uma resistência social e de classe vinda de baixo e levanta barricadas em todos os cantos da Terra. Desde as manifestações, as formas de luta auto-organizadas e não mediadas, as greves, as ocupações e os confrontos com as forças repressivas dos chefes políticos e econômicos, até às revoltas, que enviam a mensagem de resistência constante e as Revoluções que continuam a lembrar-nos que a história não acabou, que é possível a criação de uma outra sociedade em que não haverá exploração de um ser humano por outro.

Estas lutas formam o mosaico da resistência, sustentam o fio da ideia de emancipação social através do tempo e preparam o terreno para a Revolução Social Global.

Solidariedade com es Zapatistas e as comunidades rebeldes de Chiapas, que após a revolta de 1994 estão construindo a sua autonomia, ao mesmo tempo que estão sob constante estado e ataques para-estatais que levaram também ao assassinato de Simón Pedro Pérez López, membro do Congresso Nacional Indígena (CNI) e membro da Sociedade Civil Las Abejas de Acteal, por paramilitares ligados às máfias das drogas.

Solidariedade com as pessoas que lutam no Chile, com es preses políticxs da revolta e as comunidades indígenas mapuches, que têm lutado contra a apreensão das suas terras e têm enfrentado a violência repressiva do Estado chileno, com o mais recente acontecimento o assassinato do Mapuche Pablo Marchant de 29 anos, pelos Carabineros, na comuna de Carahue, na região de La Araucanía, em 10 de Julho.

Solidariedade com as pessoas em revolta da Colômbia que lutam nas ruas desde 28 de Abril até hoje, apesar da violência assassina do Estado, das torturas, das detenções, dos tiroteios e dos abusos contra manifestantes.

Solidariedade com a luta da Palestina contra o Estado racista de Israel e o apartheid moderno que foi imposto através dos ataques violentos das forças repressivas do Estado contra es palestines, as operações de expulsão des palestines das suas terras, o embargo em Gaza, o muro que foi construído à sua volta, a repressão exercida pelas mesmas autoridades que governam os territórios palestinos, a falta de bens básicos e de cuidados de saúde, os postos militares, as detenções, as torturas, os assassínios por franco-atiradores e os bombardeios.

Solidariedade com as pessoas de Mianmar que se revoltaram contra o golpe militar de 1° de Fevereiro e, apesar das centenas de mortes e ferides, resiste através de greves e manifestações, pela posição combativa das milícias criadas para a auto-defesa des reprimides e com es anarquistas na linha de frente dos confrontos sociais.

Solidariedade com es anarquistas atingides pela repressão também pela sua participação em movimentos de luta, na Bielorrússia, Grécia, Mianmar, Chile, Colômbia, Venezuela, Cuba e muitos outros países do mundo.

Solidariedade com Rojava, onde as pessoas em revolta lutam pelo confederalismo democrático e não pela formação de outro Estado-nação, substituindo a repressão preexistente por uma nova, no mesmo dia da Revolução Espanhola, após 76 anos. Ao colocar no seu centro a ecologia e a emancipação da mulher e ao criar uma identidade multicultural, reúne curdes, árabes, assíries e outras populações. Constrói estruturas de organização social e auto-defesa contra ataques estatais, capitalistas e fascistas. Resiste às contínuas operações de guerra e às invasões militares do Estado turco.

Solidariedade com os povos indígenas das Américas que ainda lutam contra o confisco das suas terras pelos Estados, a fim de serem exploradas pelo capital, desde a América do Norte e Canadá, até ao México, Brasil, Argentina e Chile, apesar das perseguições, prisões e assassinatos.

OS ESTADOS QUE LUTAM CONTRA OS POVOS SERÃO DERROTADOS!

ORGANIZAÇÃO E LUTA PELA REVOLUÇÃO SOCIAL GLOBAL!

Organização Política Anarquista-Federação de Coletivos (APO- Grécia)

Federação Revolucionária Anarquista (DAF – Turquia)

Federação Anarquista Italiana – Comissão de Relações Internacionais (FAI – Itália)

Fonte: https://meydan1.org/2021/07/19/iberya-devriminin-85-yilinda-uluslararasi-dayanisma-aciklamasi/

Tradução > Serena

agência de notícias anarquistas-ana

greta no muro –
dois olhos ao fundo,
lá no escuro

Carlos Seabra

Os seres humanos são capazes de destruir toda a vida na Terra?

Por Santhosh Mathew | 01/07/2021

Entre os vários riscos de catástrofes globais conhecidos pelos seres humanos, alguns aparecem mais na mídia do que outros. Impactos de asteroides, erupções de supervulcões e as mudanças climáticas já protagonizaram filmes de Hollywood.

E cada um deles teve um impacto devastador na vida do nosso planeta no passado.

No entanto, uma nova ameaça global capaz de destruir a vida na Terra — desconhecida para muitas pessoas — está se formando nas sombras da nossa vida cotidiana.

Ela é movida pelo imenso desejo humano de consumo material. E, paradoxalmente, uma consequência da própria vida humana.

Basta olhar em volta — você está inseparavelmente cercado por objetos materiais —, sejam eles necessários em sua vida ou não.

Para cada objeto que usamos, existe uma crescente rede de ações globais que está lentamente destruindo a saúde emocional humana, esgotando os recursos da Terra e degradando os habitats do nosso planeta.

Se não for controlado, existe o risco de o consumo humano acabar transformando a Terra em um mundo inabitável? Será que devemos parar antes que seja tarde demais?

Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Ciências Weizmann, em Israel, publicou recentemente um estudo que comparou a massa produzida pelo homem — também conhecida como massa antropogênica — com toda a massa viva, ou biomassa, do planeta.

Pela primeira vez na história da humanidade, o primeiro ou ultrapassou o segundo ou está perto de ultrapassar nos próximos anos.

O estudo estima que, em média, cada pessoa no planeta produz agora mais massa antropogênica do que seu peso corporal por semana.

“A descoberta de que a massa antropogênica — coisas feitas pelo homem — agora pesa tanto quanto todas as coisas vivas, e o fato de que continua a se acumular rapidamente, oferece outra perspectiva clara de como a humanidade é agora um ator importante na formação da face do planeta”, diz o professor Ron Milo, do Instituto de Ciências Weizmann.

“A vida na Terra é afetada de forma quantitativa importante pelas ações dos humanos.”

Esta revelação não é surpresa para muitos que consideram que os humanos já deram início a uma nova época geológica chamada Antropoceno — a era dos humanos, termo popularizado pelo químico ganhador do Prêmio Nobel Paul Crutzen.

Embora o início exato desta era seja discutível, não há como negar que os humanos se tornaram uma força dominante neste planeta, alterando todas as outras formas de vida por meio de suas ações.

A escala e o tamanho da massa antropogênica são alarmantes.

Veja o caso do plástico — o surgimento da era dos plásticos modernos ocorreu apenas em 1907, mas hoje produzimos 300 milhões de toneladas de plástico todos os anos.

Além disso, a percepção de que, depois da água, o concreto é a substância mais usada na Terra está além da compreensão.

O gigantesco processo de geoengenharia iniciado pelos humanos teve um aumento acelerado quando materiais como concreto e agregados se tornaram amplamente disponíveis.

Estes dois materiais constituem um dos principais componentes do crescimento da massa antropogênica.

Até mesmo as relativamente recentes aventuras humanas de exploração espacial, que começaram há cerca de 60 anos, estão desencadeando um problema desastroso de lixo espacial.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-57333671

agência de notícias anarquistas-ana

o lutador, na velhice,
conta à sua mulher o combate
que não devia ter perdido

Buson

[Espanha] O pragmático e lúcido Malatesta

Os amigos da sistematização situam a evolução do anarquismo, do anarquismo moderno pelo menos, como a seguir: Proudhon, Bakunin, Kropotkin, Malatesta… Depois desses nomes, nem todos concordam, e parece mesmo que antes disso existem discrepâncias sobre a importância ou contribuição de certos autores. Em todo caso, os três primeiros nomes mencionados acima são indiscutíveis para os próprios anarquistas e, com relação a Malatesta, parece haver controvérsia sobre sua contribuição ou originalidade de pensamento, mas ele é um nome fundamental como disseminador, em todo caso, e por sua lucidez em matizar certos aspectos excessivamente rígidos da filosofia de seus antecessores.

A visão antidogmática do anarquismo é bem conhecida; contudo, e apesar da firmeza das ideias dos primeiros anarquistas, suponho que era inevitável não ser impregnado pelo espírito da época e valorizar certas teses a extremos quase metafísicos: dialética, materialismo, cientificismo, positivismo… Malatesta viria para pôr um fim à controvérsia, argumentando algo que agiria como um antídoto ao dogmatismo: pode-se ser um anarquista de diferentes perspectivas filosóficas, e é mais importante unir-se àqueles que trilham o mesmo caminho, mesmo que afirmem ter um destino diferente, do que fazê-lo com aqueles que se dizem anarquistas e tomam caminhos repugnantes ao próprio anarquismo. O pragmatismo do italiano o levou a considerar que todas as vertentes anarquistas (mutualistas, comunistas, coletivistas, individualistas e outras denominações) eram às vezes interpretadas de uma forma que obscurecia e ocultava uma identidade fundamental de aspiração; em qualquer caso, só poderiam ser teorias que tentassem explicar e justificar conclusões práticas similares, a forma considerada melhor para colocar em prática o ideal de liberdade e solidariedade.

O que caracteriza os anarquistas, seja qual for seu nome, é a busca mais segura da garantia de liberdade, que no aspecto econômico seria a exposição da forma mais adequada de distribuir os meios de produção e os produtos de mão-de-obra entre o povo. Os aspectos filosóficos que podem diferenciar os diferentes teóricos anarquistas são para o pragmático Malatesta um aspecto secundário. Ele mesmo declarou ser “ignorante”, não gostava de rótulos e considerava, talvez de forma um tanto rígida (e é por isso que podemos considerá-lo fortemente influenciado pelo materialismo) que as concepções filosóficas têm pouca ou nenhuma influência no comportamento. Na opinião de Malatesta, o anarquismo surge da rebelião moral contra a injustiça (contra a desigualdade e a opressão); talvez não exista uma visão mais simples e mais cristalina, e também em minha opinião irrefutável, do anarquismo do que a do italiano quando ele sustenta que o ideal libertário surge da descoberta do ser humano de que esses males são autoproduzidos e, portanto, perfeitamente erradicáveis por sua própria mão.

Malatesta considerou o núcleo básico do programa anarquista da seguinte forma:

1. Abolição da propriedade privada de terras, de matérias-primas e dos instrumentos de trabalho.

2. Abolição do Estado e de toda desigualdade política.

3. Organização da vida social através de associações e federações livres de produtores e consumidores.

4. Uma garantia de vida e bem-estar para as crianças e para aqueles que não podem prover por si mesmos.

5. Educação científica e guerra à superstição religiosa.

6. Reconstrução da família, fundada sobre o amor simples, sem vínculos legais ou religiosos.

Quando se fala em “abolição do Estado”, fica claro o que se quer dizer: abolição de toda organização política baseada na autoridade e o estabelecimento de uma sociedade de homens livres e iguais, fundada na harmonia de interesses e na cooperação voluntária de todos, a fim de satisfazer as necessidades sociais. Entretanto, em outros escritos, Malatesta qualificou as diferentes concepções da palavra Estado, algumas das quais são enganosas: “sociedade ou coletividade humana unida em um determinado território”, “administração suprema de um país”, “poder central”, “condição”, “forma de ser”, etc. Malatesta estava pensando em propaganda negativa e no que poderia ser entendido pelas classes mais baixas, razão pela qual ele considerou mais claro falar de “abolição do governo”. O italiano considerou que atribuir ao conceito de “governo” ou qualidades “estatais” como razão, justiça ou equidade era um produto da tendência metafísica de abstração do ser humano e de tomar o objeto abstraído como real. Mas o governo tem um significado concreto: a coletividade dos governantes, aqueles que possuem o poder, em maior ou menor grau, de usar a força coletiva da sociedade (força física, intelectual e econômica) para obrigar todos a fazer o que obedece a seus desígnios particulares. Esta foi a definição pragmática de Malatesta do princípio de governo ou autoridade.

Em linha com Bakunin, e refutando todo individualismo, Malatesta pensava que o ser humano não era independente da sociedade, mas seu produto. Além da sociedade, o homem nunca teria sido capaz de sair da esfera da animalidade brutal e alcançar seu pleno desenvolvimento. O italiano rejeitou uma suposta lei natural, e aqui se afastou de alguns de seus precedentes em ideias libertárias, em virtude das quais a harmonia poderia ser automaticamente estabelecida entre os homens, sem qualquer necessidade de ação consciente e voluntariosa. Tal harmonia só poderia ser estabelecida pela vontade e ação dos homens, a natureza não pode se preocupar com o que é certo ou errado, portanto o desaparecimento do Estado ou qualquer outro artifício sócio-político não garante um sistema melhor. Quando Malatesta argumentou desta forma, ele quis responder à visão individualista no anarquismo, mas parece que sua crítica vai muito mais longe. O que é chamado de “harmonismo” ainda é uma visão determinista (ou, em suas próprias palavras, “fatalismo otimista”), algo que era típico de muitos anarquistas (não apenas individualistas) e socialistas. Malatesta queria ver uma influência religiosa nesta crença em uma “lei natural”, ao pensar que uma instância superior ou externa (chamá-la de Deus ou chamá-la de Natureza) tinha criado e ordenado o mundo para o bem da humanidade. Nem economistas e liberais foram isentos de culpa, que citaram uma harmonia de interesses para legitimar os privilégios da burguesia.

Em resumo, o italiano não era amigo de caminhos fáceis e visões simplistas, não era a favor de uma propaganda que sacrificava rigor e profundidade para maior sucesso, e queria que o ser humano enfrentasse e resolvesse dificuldades com vistas a uma verdadeira emancipação social (libertação que, em alguns casos, também poderia ser alcançada superando certos males ou desarmonias “naturais”). Malatesta negou uma finalidade na natureza, pelo menos não uma finalidade de natureza humana (muito menos pensada como benignidade), para que até mesmo o mal ou a dor pudessem ser vistos como parte desta suposta “harmonia” natural. É uma visão que afasta todo determinismo, otimista ou não, e todo dogmatismo dentro das ideias libertárias; são bem conhecidas as discordâncias de Malatesta com Kropotkin e suas críticas ao seu excessivo rigor científico (por mais impressionante que seja o trabalho do russo a este respeito). Foi uma confiança, como dissemos acima, na vontade e criatividade do homem; a natureza é arbitrária, mas a mão do homem conscientemente dá origem às mais belas obras. Do nosso ponto de vista, encontramos em Malatesta um passo à frente no ideal libertário que emerge da modernidade; não se trata de substituir o déspota divino em nome de outro espírito transcendente (chame-o ciência, lei natural ou razão), mas de destruí-lo e permitir que o homem construa seu futuro. Qualquer tipo de providencialismo é obviamente rejeitado pelo anarquismo, e as acusações nesse sentido são meramente redutoras ou distorcidas. O pragmatismo de Malatesta, dentro de uma visão enormemente ampla do anarquismo e da pluralidade humana, e o amor à liberdade são admiráveis. Conflitos de interesses e paixões sempre existirão nas sociedades humanas; nenhuma uniformidade é desejável, mas admitir a variedade faz parte da natureza; a conquista da equidade social será o trabalho da mão humana. É evidente que a visão de Malatesta era a de uma sociedade organizada e cooperativa, que proveria adequadamente a cada um de seus membros.

Fonte: http://reflexionesdesdeanarres.blogspot.com/2016/06/el-pragmatico-y-lucido-malatesta.html

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Da flor o orvalho
nas pétalas: tua face
depois que choraste.

Luiz Bacellar

[Espanha] Carlos Taibo: “O planeta nos deixa e é necessário frear de imediato a locomotiva do crescimento”

O professor e ativista publica ‘Decrecimiento’, um livro no qual resume sua “proposta fundamentada” para evitar o colapso ecológico e reverter os estragos do capitalismo.

Por Manuel Ligero | 04/05/2021

Sempre houve pessoas na história que foram rechaçadas, vilipendiadas e inclusive executadas por revelar a verdade. O assunto é tanto mais desagradável quando chocam religião e ciência. Giordano Bruno, Miguel Servet ou Galileo Galilei são exemplos bem conhecidos.

No Ocidente, no século XXI, há uma nova religião que, sem fogueiras, está tão pouco disposta a que se questionem seus dogmas como as antigas igrejas cristãs. Trata-se da religião imposta pela economia capitalista e os mercados. Milhões de vidas humanas são sacrificadas a cada ano no altar dos mercados. O objetivo, sempre, é crescer. E não crescer, ou não crescer o suficiente, provoca um rastro de vítimas em todas as espécies do planeta. Antes de deixar de crescer, o capitalismo parece disposto a extinguir a vida na Terra. O deus que se esconde detrás desta loucura, tão sádico e implacável como o do Antigo Testamento, tem um nome: Produto Interno Bruto (PIB).

Carlos Taibo (Madrid, 1956), conforme o descrito anteriormente é um herege. Como ativista e como professor de Ciência Política na Universidade Autônoma de Madrid denunciou os excessos do sistema assinalando o que deveria ser óbvio para qualquer economista: onde não há não se pode tirar. “Se vivemos em um planeta com recursos limitados não parece que tenha muito sentido que aspiremos a seguir crescendo ilimitadamente”, afirma no início de seu livro “Decrecimiento” (Alianza Editorial, 2021). Sua “proposta fundamentada” para fazer frente à emergência climática é uma mudança radical de paradigma: há que decrescer.

Para entender a perversão que se esconde atrás deste sistema econômico é adequado ter em conta que o PIB é “um índice que considera a contaminação como riqueza”. Queimar combustíveis fósseis incrementa o PIB. Cortar uma árvore incrementa o PIB. A obsolescência programada que exige a exploração de mais e mais recursos naturais incrementa o PIB. Há que parar esta roda infernal e há que fazê-lo já.

Para explicar esta pressa, Taibo, que em livros e conferências gosta de citar seus mestres e colegas dentro do movimento decrescentista (Serge Latouche, Nicholas Georgescu-Roegen, Ivan Illich, André Gorz…), costuma recorrer a uma lição de Cornelius Castoriadis que poderíamos chamar “a parábola do filho enfermo”. Diz assim: “Se a um pai comunicam que é muito possível que seu filho tenha uma gravíssima enfermidade, a única reação plausível do progenitor consistirá em colocar seu descendente nas mãos dos melhores médicos, para que determinem se o diagnóstico é correto ou não. O que esse pai, ou essa mãe, ao contrário, não poderá fazer será argumentar dizendo: ‘Bem, se é possível que meu filho tenha uma gravíssima enfermidade, também é possível que não a tenha, com o que parece justificado que eu fique de braços cruzados’. Esta é, no entanto, a atitude que a espécie humana parece ter assumido com relação à crise ecológica”.

Não crê que o problema é precisamente esse, que não vemos o planeta como um filho ou alguém amado, como se estivéssemos por cima dele ou fora dele? Ainda a risco de simplificar em excesso, não é o “marco cultural” imposto pelo capitalismo o pior inimigo nesta crise climática?

Assim é. Ou, para dizê-lo de outra maneira, o capitalismo conseguiu colocar dentro de nossa cabeça um punhado de ideias das quais é difícil, muito difícil, livrar-se. Ideias que, claro, geram as condutas correspondentes em terrenos como os da competitividade, da produtividade, do consumo e do crescimento econômico. Nós habitantes do Norte rico topamos com enormes problemas para sair desse mundo. As circunstâncias são diferentes em muitas áreas dos países do Sul nas quais subsistem com força culturas pré-capitalistas muito mais marcadas pela lógica do apoio mútuo e muito menos fetichizadas pela identificação entre consumo e bem estar. Uma identificação simplista onde existam.

Nossa relação com o planeta não se caracteriza precisamente pelo amor e os cuidados. O demonstra a crise climática e o esgotamento das matérias primas energéticas. Mas é que esse marco cultural nos dificulta também entender o que significa a exploração cotidiana de milhares de milhões de seres humanos em um cenário lastrado pelo trabalho assalariado, pela mercadoria e, naturalmente, pela mais valia.

Por que o decrescimento é a solução mais lógica?

Prefiro apegar-me à ideia de que o decrescimento, que é uma proposta de alcance limitado, constitui um agregado, um complemento. Mas este complemento é imprescindível para qualquer projeto sério de contestação do capitalismo no século XXI. Disse muitas vezes que esse projeto tem que ser por definição decrescentista, autogestionário, antipatriarcal e internacionalista. Eu não sou um decrescentista libertário. Sou um libertário decrescentista: o cerne de minhas percepções é proporcionado pela aposta na autogestão, pela democracia direta e pelo apoio mútuo. Esse é um bom modelo, sobretudo agora. Em um planeta que visivelmente nos deixa, é necessário pôr freio de imediato à locomotiva do crescimento.

E como se decresce?

No Norte opulento temos que reduzir os níveis de produção e de consumo, mas temos que assumir outras muitas iniciativas: recuperar a vida social que dilapidamos, apostar por formas de ócio criativo, distribuir o trabalho, reduzir as dimensões de muitas das infraestruturas que empregamos, estimular a vida local frente à lógica desenfreada da globalização. Definitivamente, apostar pela sobriedade e a simplicidade voluntária.

Em seu livro você põe muita ênfase nesse aspecto: tomar o caminho do decrescimento deve ser uma decisão “coletiva e voluntária”. Mas para isso necessitamos décadas, gerações de pedagogia. Temos tempo para isso?

Tal e como estão as coisas, entendo que a pergunta é legítima. Não há mais que dar uma olhada nos programas, produtivistas e desenvolvimentistas, da esmagadora maioria dos partidos. Ou ao que defende o grosso dos meios de comunicação. Mas creio que há duas dimensões que não devem nos escapar. A primeira já assinalei: a possibilidade de que muitas das respostas que aqui, no Norte rico nos faltam, cheguem de habitantes de países do Sul com populações muito menos corroídas pela lógica mercantil do capitalismo. A segunda sugere que a consciência da proximidade de um colapso geral poderia provocar, também no Norte, mudanças importantes e rápidas na conduta de grandes grupos de população. E já vimos sinais disto. Creio que esses grupos de apoio mútuo que proliferaram no início dos confinamentos, faz um ano, significam que uma parte das pessoas comuns começa a fazer-se as perguntas pertinentes. E friso o de “pessoas comuns”. Não falo de ativistas hiperconscientes de movimentos sociais críticos.

Seu discurso costuma incomodar a esquerda e a direita. Que incomode a direita é lógico, mas como quer convencer a esquerda de que abandone seus velhos postulados? Você critica os nostálgicos da velha normalidade, os saudosos da socialdemocracia do pós-guerra, a industrialização, os sindicatos, o Estado do Bem estar… Muitos desses direitos foram perdidos. Não vale a pena lutar para recuperá-los?

Essa é uma luta muito respeitável, claro que sim, mas no melhor dos casos, é pão para hoje e fome para amanhã. Creio que a figura do Estado do Bem Estar deve vincular-se, e estreitamente, com um momento histórico que ficou para trás: a chamada era do petróleo barato.

Há que renunciar ao passado então.

É que não creio em nenhum projeto que não proponha, com clareza, a vontade de deixar para trás o universo do capitalismo. E isso me obriga a ser profundamente cético. E há razões históricas para sê-lo. Isso que chamamos Estado do Bem Estar obedece a umas fórmulas de organização econômica e social próprias e exclusivas do capitalismo, o que dificulta até extremos inimagináveis a prática da autogestão desde baixo. Não questionam a ordem da propriedade imperante. Bebem de uma filosofia sem vigor, a socialdemocracia, e de um burocratizado sindicalismo de pacto. Já vimos como esta socialdemocracia e este sindicalismo não vieram liberar, como anunciavam, a tantas mulheres que são hoje vítimas de uma dupla ou de uma tripla exploração. E, ademais, não respondem a nenhum projeto de solidariedade com os habitantes dos países do Sul e não exibem nenhuma solução da questão ecológica.

Globalização absurda

Quando Taibo subtitula seu livro com a frase “una propuesta razonada” não o faz vagamente.”En Decrecimiento”  há até 26 páginas de citações e bibliografia. O desenvolvimento de exemplos, dados e fontes é enorme. Citemos só alguns.

Os detratores do decrescimento pensam que este nos levará de volta à pré-história. É calculado e, claro, não é verdade. Para salvar o planeta devemos reduzir nossa pegada ecológica e situá-la em níveis não tão longínquos: “A década de 1980 não é a Idade da Pedra”.

Falemos de turismo: “O número de turistas que saem de seu país passou de 25 milhões em 1950 a 1.500 milhões em 2019, com efeitos desoladores. (…) Em Goa, na Índia, um hotel de cinco estrelas consume a água equivalente ao abastecimento de cinco povoados, enquanto o encanamento que a serve cruza numerosas localidades que carecem de água corrente”.

E que dizer da indústria da alimentação? “A alface que procede do vale de Salinas, na Califórnia, se desloca por estrada 5.000 quilômetros para chegar a Washington, com isso consume 36 vezes mais energia  – em forma de petróleo – que o que contêm em calorias.Quando a alface chega, enfim, a Londres, consumiu 127 vezes mais energia que a que corresponde às calorias que incorpora”. E ainda nem falamos do uso de fertilizantes tóxicos que se usam em sua produção. A aposta pelos produtos locais e de proximidade, portanto, não é uma extravagância hippie. É uma necessidade e também não supõe um sofrimento insuportável.

Bom, pensemos que deixamos atrás o capitalismo. O quê ocorre com o ócio? Usando um velho dito das lutas obreiras, necessitamos “o pão e as rosas”. Você assinala que “o pão”, graças a formas de produção mais focadas na economia local e das proximidades, não é um problema. Mas o quê ocorre com “as rosas”?

A perspectiva do decrescimento defende o que se costuma chamar “ócio criativo”. Quer dizer, um ócio desmercantilizado que escapa à criação artificial de necessidades. E com isto se consegue outra coisa: evitar a uniformização, que é um processo habitual no mundo do ócio. E mais além dele, também no da cultura.

Então, em um futuro decrescentista não haveria espaço para Netflix, para o futebol, para os grandes concertos?

Parece inevitável que percam peso, claro. A descentralização dos processos de criação deve permitir o ressurgimento das culturas autóctones e os meios de comunicação alternativos frente ao poder exercido pelos conglomerados transnacionais. Nesse contexto, perdem importância as grandes plataformas midiáticas e essas parafernálias que estão tão obscenamente vinculadas com os interesses das elites dirigentes e que, no fim das contas, reproduzem a miséria dominante.

Você usa em diferentes passagens de seu livro um término cunhado recentemente: “convivencialidade”. Creio que é um termo que está começando a ganhar adeptos na França. É uma manobra léxica para deixar para trás o termo “comunismo”, ou inclusive “comunismo libertário”, que é maldito em nosso marco cultural, que parece historicamente tóxico?

O termo convivencialidade foi difundido, faz tempo já, por Ivan Illich. Em minha percepção convêm opô-lo à mercantilização que marca o grosso das regras que nos impõem. E convêm vinculá-lo também com a lógica do apoio mútuo e com a defesa dos bens relacionais frente aos bens materiais. Não tenho nada contra o comunismo, apesar da enorme perversão que marcou seu sistema de “capitalismo burocrático de Estado”. E tampouco tenho nada contra o conceito de comunismo libertário, ou contra o anarcocomunismo. Incomodam-me, isso sim, e muito, as pessoas que no mundo anarquista pensam que o comunismo é, por definição, um projeto intrinsecamente perverso. Em qualquer caso, creio que é mais importante o que colocamos por trás destes conceitos do que sua formulação verbal.

Falemos das mulheres e de sua importância no decrescimento. Falou-se do antropoceno. Logo, para delimitar mais o conceito, se falou de capitaloceno. E você refina ainda mais e fala de androceno. Por quê?

Não o faço só eu. O faz cada vez mais pessoas. Parece evidente que muitas das lógicas que vinculamos com os desastres produzidos durante isso que se chama antropoceno ou capitaloceno têm uma dimensão masculina e se vinculam estreitamente com a sociedade patriarcal e suas regras. Estes conceitos, antropoceno e capitaloceno, arrastam certa dimensão simplificadora, isso é óbvio. Mas creio que, ao mesmo tempo sublinham de maneira mais fina onde temos que buscar responsabilidades. Salta à vista que nem todos os integrantes da espécie humana são responsáveis da mesma forma pelo colapso que se avizinha. A responsabilidade de homens e mulheres não é a mesma.

Você crê, como Pablo Servigne, que o colapso é inevitável e que devemos nos centrar em como será a sociedade depois da catástrofe ou crê que ainda se pode parar o golpe?

Bom, antes de responder a isso teria que perguntar o quê entendemos por colapso e que diferenças terá geograficamente. Mas deixando estes matizes à margem, creio que a postura de Servigne é defensável. O que costumo assinalar é que, conforme a minha intuição, o colapso é inevitável. Assim que o único que podemos fazer a respeito é mitigar algumas de suas consequências mais negativas e postergar um pouco no tempo sua manifestação. E se, creio que agora uma das tarefas mais honrosas é antecipar os aspectos da sociedade pós-colapso desde o horizonte do decrescimento, a desurbanização, a destecnologização, a despatriarcalização, a descolonização e a simplificação de nossas mentes e de nossas sociedades.

Como você enfrenta as críticas de quem tenta menosprezar sua proposta taxando-a de primitivista, ludista e pouco realista?

Prefiro que me atribuam esses adjetivos a passar por frívolo. A frivolidade é uma condição que costuma acompanhar essas críticas. Ademais, essas críticas, o que fazem no fundo é defender a miséria existente. Em qualquer caso, haveria que escavar no sentido preciso desses adjetivos que você invoca. Suspeito que ficaria com muitos dos elementos do que se costuma entender por primitivismo ou por ludismo, que são, no mínimo, duas propostas que merecem atenção.

E com o de “pouco realista”?

Com isso também fico. Sou orgulhosamente não realista na medida em que faço minha a afirmação de Bernanos: “O realismo é a boa consciência dos filhos da puta”. Estes invocam a realidade como se fosse dada pela natureza e fosse, portanto, imutável, quando com toda evidência essa realidade que invocam é o produto da defesa obscena dos piores e mesquinhos interesses.

Para terminar, nos dê alguma receita, alguma chave contra o ecofascismo. Diga-nos por que é imoral enfrentar o desafio climático como um problema demográfico.

Isso é fácil. Já sabemos que o ecofascismo não é um projeto negacionista nem da mudança climática nem do esgotamento das matérias primas energéticas. O ecofascismo parte da certeza de que no planeta sobra gente, de tal forma que, na versão mais suave, se trataria de marginalizar aos que sobram. E na mais dura postularia, literalmente, o extermínio. A música recorda poderosamente a que tocaram os hierarcas nazis. Outra coisa distinta é, claro, que, tendo em conta os limites meio ambientais e de recursos do planeta, assumamos um exercício voluntário de autocontenção como o que postulam no terreno demográfico a maioria das escolas decrescentistas. Como antídotos contra o ecofascismo me remeto ao que já disse antes: decrescimento, desurbanização, despatriarcalização… Tudo isso combinado com a defesa de sociedades assentadas na autogestão, na democracia direta e no apoio mútuo. Cem anos depois da morte de Kropotkin, a leitura de seu livro me parece, por certo, uma recomendação muito sensata.

Fonte: https://www.climatica.lamarea.com/carlos-taibo-frenar-crecimiento/?fbclid=IwAR3wG1YEiMHnYZ9ddMOlKCQX78Vbnf1bOlg3cxKrYPwXViaS_XW16gUyDug

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

para quem haicais?
para mim, para o que faz
para o menos mais

Bith

[Espanha] Apoyo Mutuo Aragão organiza ‘Colectiviza!’: o primeiro Fórum Social Libertário

O evento acontecerá nos dias 25 e 26 de setembro na localidade de Andorra, povoado que foi coletivizado. Os temas de debate serão o confederalismo, a democratização da economia, o feminismo, a defesa do território ou o pluralismo cultural. Contará também com atos culturais.

Ao longo deste último ano de crise sanitária, a organização política Apoyo Mutuo foi difundindo sua publicação “Colectividad” com o objetivo de facilitar o encontro entre pessoas do território aragonês afinadas a umas ideias comuns de “democratização radical e libertária”.

A organização considera que “se tornou evidente que o espaço político libertário, apesar de sua desagregação, não é pequeno e mantém uma continuidade com a tradição que, em Aragão, levou à experiência coletivista do século passado”.

Assim, propõe um “ponto culminante” para este processo de encontro: o ‘Colectiviza!’ que, esperam, se converta em um encontro periódico para as militantes sociais do espectro libertário.

No fórum, que acontecerá em 25 e 26 de setembro na localidade de Andorra, serão abordados, através de várias conferências, temas como o confederalismo, a democratização da economia, o feminismo, a defesa do território ou o pluralismo cultural. Contará também com atos culturais e artísticos que amenizarão o encontro.

“A fim de fugir do caráter zaragocêntrico que costuma ter a política em Aragão, Apoyo Mutuo escolheu realizar o encontro na localidade turolense de Andorra, povoado que foi coletivizado e onde se disporá das instalações do Centro de Estudos Ambientais Ítaca”, apontam.

Fonte: https://arainfo.org/apoyo-mutuo-aragon-organiza-colectiviza-el-primer-foro-social-libertario/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Brisa ligeira
A sombra da glicínia
estremece

Matsuo Bashô

[Espanha] Margalida Bover: “O mais triste foi que a esquerda não pediu o indulto de Puig Antich”

A companheira sentimental da última pessoa executada por Franco crê que “a luta sempre vale a pena”

Por Raquel Galán | 22/07/2021

“Minha vida se quebrou. Tinha 20 anos e havíamos feito planos, tínhamos projetos em comum”, recorda emocionada Margalida Bover, a companheira de Salvador Puig Antich. Mas “o mais triste foi que antes de sua execução nenhum partido emergente de esquerda fez campanha para evitá-la. Não pediram seu indulto, porque era anarquista e o anarquismo dá medo aos que querem ter poder”, explica a maiorquina, que ontem (21/07) foi a apresentadora do colóquio “Història de l’anarquisme als Països Catalans”. O apoio chegou um dia depois, de forma espontânea por parte da cidadania, que “foi até o cemitério de Montjuic com uma flor”. Ela só recorda que chovia e durante três décadas não falou deste trágico desenlace. “Sofri muito e ainda sofro”, acrescenta.

No entanto, crê que a luta “sempre vale a pena, sobretudo em uma ditadura, onde jogam forte. Sabes que pode passar o pior, podem te balear pela rua ou jogar-te por uma janela, e o assumes, entra no esquema. Mas pensas que fazes algo para que o mundo seja melhor, por isso nem te propões. Essa era a força que tínhamos”.

Sua profunda ferida “não se cura nunca, convives com ela”, e não voltou a fazer planos a longo prazo, exceto o de ter a sua filha, Llibertat. “Nasceu para curar-me a ferida, porque tentei morrer duas vezes e não aconteceu”. Ainda ficavam e ficam muitas coisas por fazer, já que Margalida Bover é uma pessoa muito ativa, vinculada ao associacionismo e ao movimento feminista, porque a preenche sentir que pode “ajudar para melhorar a vida ou a situação das pessoas de forma livre”.

Fonte: https://www.diariodemallorca.es/cultura/2021/07/22/margalida-bover-triste-izquierda-pidio-55304064.html

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

sol na varanda –
sombras ao entardecer
brincam de ciranda

Carlos Seabra

[Espanha] Deveríamos abandonar as redes sociais

Até agora todos já deveríamos ter visto claramente, e se ainda não vimos, deveríamos começar a nos perguntar o que nos cegou?

Em 2011, no calor do 15M, nasceu o N-1. N-1 era uma rede social política, mas acima de tudo era uma rede social ética. Não queria dados, nem tinha a intenção de negociar com eles. Mas essa rede social desapareceu e as razões de seu desaparecimento não são claras. No entanto, você pode ter certeza de que é preciso muito esforço para construir uma rede social que possa minimizar a sombra do Twitter, Facebook, Watshapp, etc. É preciso muito esforço. Isso requer muito esforço, portanto é lógico que o N-1 acabou desaparecendo. Mas não só o N-1 falhou, outros projetos mais ambiciosos, com mais cabeça e mais recursos, como a Diáspora, identi.ca, GNUsocial… também falharam ou, pelo menos, não são conhecidos por terem qualquer repercussão social. Talvez Mastodon ou Signal estejam entre as poucas tentativas que estão tendo algum impacto, pelo menos no que diz respeito aos coletivos políticos.

Atualmente é raro encontrar coletivos sociais sem perfis em redes sociais comerciais, incluindo o própria DV, e isto tem suas consequências. Todo seguidor que os coletivos sociais ganham é marcado por uma ideologia ou pelo menos por um interesse. Esse interesse moldará a publicidade e o conteúdo que eles veem. É provável que eles moldem sua opinião e ações futuras com relativo sucesso. Enquanto os coletivos sociais alimentam dados para o mais que questionado mercado de mídia social, nosso impacto nas mídias sociais é praticamente nulo.

Imagine o seguinte exemplo. Um grupo de direitos animais de Burgos quer informar sobre o abuso de animais que ocorre no abatedouro de carne selecionado de propriedade da Campofrío. Para isso, eles decidem abrir contas em redes sociais, mas o fazem “bem”. Muitas pessoas de mentalidade semelhante se organizaram para comentar, retuitar, recomendar, etc… ao mesmo tempo e dar relevância ao conteúdo que sai da nova conta, ganhando seguidores, amigos… A operação recebe várias centenas de seguidores e vários milhares de pessoas que veem o conteúdo. Um sucesso completo. Mas exceto para os seguidores, os novos amigos, as “curtidas”, os “retweets”, o coletivo animalista não tem ideia da repercussão que seu conteúdo teve: as pessoas pararam para lê-lo, clicaram no link, leram mais sobre ele, olharam para outros conteúdos animalistas? Há muitas questões que escapam ao coletivo animal, mas não à rede social. A rede social, graças a este coletivo, sabe quais pessoas foram impactadas, quais pessoas foram atraídas pelo conteúdo e quais não foram. Não termina aí. Depois de alguns dias, alguém de Campofrío percebe que a campanha do coletivo prejudicou sua imagem e decide tomar medidas. O plano é simples, eles pagarão em redes sociais para procurar pessoas que tenham seguido esse conteúdo e mostrar-lhes conteúdo que as fará mudar de ideia. Este processo é extremamente complicado e realmente perverso. O destinatário não deve pensar por um momento que está sendo visado. Estes mecanismos têm sido e são utilizados por muitas potências mundiais. Sem ir mais longe, o proto-fascismo republicano que Trump liderou e que foi replicado em muitos países sob outras siglas e os líderes aproveitaram esses mecanismos em suas campanhas políticas para “ativar” ou “desativar” os eleitores, como está muito bem explicado, por exemplo, no documentário “O Grande Hackeamento”.

Na Península Ibérica, Facebook é a rainha do “tinglao”. Proprietário das plataformas Facebook, Instagram, Watshapp… As mensagens que enviamos uns aos outros, o conteúdo que lemos, tudo é supostamente triangulado entre as empresas do grupo e outras empresas. Cada palavra, cada vídeo, cada imagem e cada áudio acrescenta e segue seu perfil digital. Antes de mostrar a busca, o mecanismo de busca tem uma grande ideia do que você está interessado. Antes de entrar na página daquela loja on-line, suas últimas conversas influenciarão os produtos na página principal. E em tudo isso a grande maioria dos coletivos políticos, movimentos sociais, partidos e sindicatos terão contribuído. Tudo em prol do proselitismo, um proselitismo muito pobre e ridículo.

Mas tudo isso não é novidade. Somos assim desde 2011 e a grande maioria dos movimentos sociais são escravos do proselitismo digital, dos “likes”, dos “retweets” e “curtidas”. O que é novo é a última diretiva da UE chamada “Controle por Chat”. Goza de amplo apoio no Parlamento Europeu (537 vs 133). A diretriz propõe que cada uma de nossas conversas privadas, e-mails, chats, etc. devem ser processados do ponto de vista da “segurança do cidadão”. Para argumentar a aberrante diretiva seus apoiadores se agarraram, acima de tudo, no tema da pornografia infantil. Um argumento que, assim que você conhecer o mundo digital, descobrirá que ele se desfaz e que certamente mostra que existem outros tipos de razões obscuras para espionar seus concidadãos.

E enquanto isso, estamos mais longe da privacidade a cada dia que passa. Todos os dias, um punhado de novas contas políticas no Twitter são abertas. Todos os dias que passam, assim como muitos grupos de Whatsapp e Telegram são criados para transmitir, encontrar ou discutir coisas que ninguém conhece. Ninguém, exceto Twitter, Amazon, Google, Facebook, Pavel Durov e agora também o comissário mais fascista da brigada de informação da delegacia de polícia mais próxima. O que diabos nos cegou?

Fonte: https://diariodevurgos.com/dvwps/deberiamos-abandonar-las-redes-sociales.php

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Lá, bem sobre a estrada,
a casa entre flores onde
não entrarei nunca.

Alexei Bueno

[Itália] A edição “A mano armata”, pela Edições Anarquismo, está novamente disponível

A mano armata

Alfredo M. Bonanno

3ª ed. – pp. 336 – 15,00 euros

40% de desconto para distribuidores

edizionianarchismo@gmail.com

www.edizionianarchismo.net

Este livro, especialmente agora, em sua forma definitiva, é um reflexo da minha vida, pelo menos uma parte substancial da minha vida. Sabedoria? A palavra atesta algo, antes de tudo seu próprio ditado. É um ponto fixo que não gagueja, fala e emprega palavras. A sabedoria sabe que é um véu, nada mais que uma alma de cebola, que me separa das impressões de glória do conhecimento, mas um véu que é sempre algo se eu partir de mim mesmo. Apresento à palavra uma condição diferente, e a palavra, em silêncio, entende que seu ditado é dirigido ao destino, o único ouvinte capacitado para entender a lembrança.

Conteúdo da edição:

Introdução à segunda edição – Introdução à primeira edição – Clément Duval – José Lluis Facerias – O amor e a morte – Morrer inocente faz mais raiva – A sombra do vingador – O delinquente – A recusa de armas – A fratura moral – O fantasma de Ravachol – Sem sono pacífico – Alexandre Marius Jacob – Alberto Liberto – Sante Pollastro – Um fantasma na galeria – Uma múmia agressiva – Francisco Sabaté – Severino Di Giovanni – Por favor, vamos manter nossos pés no chão! – Nestor Makhno – A besta esquiva – Como um ladrão na noite – Renzo Novatore – Eu sei quem matou o comissário Luigi Calabresi – A tensão anárquica

Fonte: https://ilrovescio.info/2021/07/08/e-nuovamente-disponibile-il-volume-a-mano-armata-edizioni-anarchismo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Velho casarão.
Iluminam o interior
raios de luar.

Fanny Dupré

Como a popularização do ateísmo influencia o comportamento humano

Nos últimos tempos, o ateísmo tem crescido. Entenda como ele pode influenciar comportamentos humanos

“Onde está Deus?”, “Por que eu continuo sofrendo tanto?”, “Por que isso está acontecendo comigo?”, “Se Deus existisse, ele se importaria com a minha dor.”, “Deus é um tirano.”, “Aquelas pessoas não mereciam acabar assim!”, “Que Deus amoroso é esse que permite essa tragédia?”. Quem nunca ouviu frases desse tipo, não é mesmo? Ou quem nunca se viu tentado a falar essas coisas? Nos momentos mais profundos de dor e desespero, o ser humano clama a Deus e, muitas das vezes, não encontra resposta às suas indagações e questionamentos. Por isso, muita gente acredita que Deus não exista ou que Ele não seja tão bom o tão “Todo-Poderoso” como defendem alguns.

Em tempos de Covid-19, furacões, nuvens de gafanhotos, enchentes, brigas políticas, o que se percebe é um total desespero da sociedade. A pergunta que fica é: “Por quê?”. Richard Dawkins, ateu famoso, disse certa vez que “a natureza não é cruel, apenas implacavelmente indiferente. Esta é uma das lições mais duras que os humanos têm de aprender”.

Em outras palavras, ele entende que as coisas simplesmente acontecem e precisamos aprender a lidar com elas. Bem diferente do pensamento religioso que defende a ideia de “permissão” ou “propósito divino”. Pensamentos como este, nos últimos séculos, têm feito com que o movimento ateísta tenha crescido como nunca.

RELIGIÃO X CIÊNCIA

O assunto “religião x ciência” é sempre tido como algo polêmico e delicado. A grande verdade, porém, é que o tema nunca sai de moda. Filmes, séries, novelas, debates acadêmicos, reportagens e pesquisas sempre colocam em destaque o confronto ideológico entre religião e ciência e como eles influenciam o comportamento humano e a evolução da sociedade. Por trás desse conflito, estão questões como aborto, ideologia de gênero, pornografia e sexualidade, a origem do ser humano, o Design Inteligente e muitos outros assuntos controversos e polêmicos.

Você já se perguntou por que algumas pessoas simplesmente se consideram como “ateus”? Ou você já se perguntou por que certas pessoas refutam a bíblia e seus ensinos? Ou já se questionou o porquê de muita gente ser contrário à ideia da existência de Deus? Isso acontece devido ao conflito já mencionado entre ciência e religião. A grande verdade é que não encontrando resposta em Deus, o ser humano começa a buscar respostas em outras fontes. E muitas das vezes, a resposta é a mesma conclusão de Dawkins e de tantos outros pensadores e estudiosos.

Bertrand Russell, ateísta dos séculos XIX e XX, defende não apenas o ateísmo como ainda ‘bate’ de frente com os cristãos. Em sua obra Por que não sou cristão, Russell expõe uma série de motivos que o levaram a desprezar o cristianismo como verdade e defende o comportamento humano tal qual ele existe. Por essa e muitas outras obras, Russell ajudou a influenciar uma geração inteira a seguir o modelo do ateísmo. Não apenas ele, como também inúmeros outros globais ajudaram nesse processo, em especial com o surgimento das mídias como o telefone, televisão, computadores e a internet.

A verdade indiscutível é que o debate está longe de ter um fim. Enquanto houver homens de coragem, de convicção sobre ambas as temáticas, este assunto jamais terá fim. 

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://falauniversidades.com.br/como-a-popularizacao-do-ateismo-influencia-o-comportamento-humano/

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instante do passarinho
fui olhar
fiquei sozinho

Ricardo Silvestrin

[EUA] Anarquistas cubanos sobre o contexto e a importância da recente onda de protestos

 

Neste episódio do podcast It’s going down, conversamos com um anarquista de Cuba e um anarquista cubano-americano, que vive em Miami, sobre a recente onda de protestos que tem sacudido a ilha nas últimas semanas. As manifestações pegaram a todos de surpresa e nossos convidados defendem que elas são históricas e que representam um terremoto de ódio da classe trabalhadora que se manifestou através de protestos, confrontos com a polícia e saques – atividade que não ocorria na ilha há décadas.

Um anarquista cubano escreveu em uma entrevista recente com a CrimethInc:

As manifestações foram uma explosão social, sem dúvida nenhuma. A crise e as tensões geradas pela precariedade e pelo colapso do sistema de saúde resultaram nisso. Mas, não foi uma explosão generalizada por todas as camadas sociais. Além das áreas onde porções significativas das cidades estavam envolvidas, os setores mais pobres da população carregaram a maior parte dos protestos. O viés classista com que o estado e seus defensores abordaram o problema é evidente na crítica dos manifestantes e da sua violência. A desigualdade social tem crescido em Cuba por décadas e o estado jogou com essa dinâmica para fazer alianças e assegurar lealdades. Neste caso, houve um confronto entre os setores de maior desvantagem e os mais privilegiados.

Os protestos começaram fora de Havana, em áreas afetadas pela escassez de bens, quarentenas excessivas e apagões de até 12 horas de duração. Soma-se a isto um descontentamento social acumulado da crise produzida pela intensificação do embargo pelos Estados Unidos e a ineficácia do governo, cujo auge foi a implementação de uma série de medidas no começo do ano que levaram a uma elevada inflação e ao crescimento do mercado negro. Isso fez com que em um município como San Antonio, centenas de pessoas se lançassem às ruas para expressar sua indignação. Depois do impacto que as manifestações causaram nas redes sociais, outros protestos ocorreram em áreas que sofrem com problemas similares. Por volta das quatro da manhã, as manifestações se espalharam nacionalmente.

Foi depois do comunicado de Díaz-Canel, no qual ele chamou pelos “revolucionários” para confrontar os manifestantes, que uma repressão dura começou contra marchas pacíficas, junto com fortes confrontos com a polícia.

Todas as marchas foram espontâneas e terminaram desorientadas e facilmente dispersas. O corte de internet também reduziu sua visibilidade, enquanto uma avalanche imediata de desinformação do estado proclamou que os protestos tinham terminado em diversos lugares. A comunicação sofreu um grande dano durante todo esse processo, já que as únicas coisas que estavam passando eram as notícias tendenciosas da mídia oficial e muitas fake news se espalharam pelos aplicativos de mensagem. Isso contribuiu significativamente para a redução das tensões, mas o retorno da internet e das publicações de testemunhas sobre a repressão não permitiram um retorno absoluto à normalidade. Nestes dias, a maioria dos espaços de organização está focado na luta para libertar os que foram presos – mais de 500 pessoas, de acordo com algumas listas.

Ao longo da nossa discussão, nós conversamos, no contexto da revolta: tanto em termos do embargo dos Estados Unidos, da crise econômica, dos desligamentos de energia, da pandemia de COVID-19, da maquiagem de classe e raça das manifestações, do impacto do ódio crescente acerca da brutalidade policial e da autoridade do estado, da divisão histórica entre o campo e as áreas urbanas, do papel, tamanho e escopo dos reacionários, das correntes pró-US e pró-intervenção dentro dos protestos, repressão dos manifestantes, incluindo anarquistas e outros anticapitalistas e da discussão sobre como a esquerda respondeu aos protestos aqui e nos Estados Unidos.

Nós encerramos falando sobre o pequeno, porém crescente, movimento anarquista em Cuba e como as pessoas podem apoiar projetos autônomos e de ajuda mútua por lá. Também falamos sobre a importância de recordar a história anarquista de Cuba.

Mais informação: Apoie programas de ajuda mútua aqui (instagram.com/cubanospalante/?hl=en); Apoie anarquistas cubanos aqui (facebook.com/TallerLibertarioAlfredoLopez); Entrevista da CrimethInc com anarquistas cubanos aqui (crimethinc.com/2021/07/22/cuban-anarchists-on-the-protests-of-july-11).

>> Escute o podcast aqui:

https://itsgoingdown.org/?powerpress_pinw=207369-podcast

Fonte: https://itsgoingdown.org/cuban-anarchists-on-context-and-importance-of-the-recent-wave-of-protests/

Tradução > Calinhs

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agência de notícias anarquistas-ana

Borboleta azul
raspa este céu de mansinho
insegura e frágil.

Eolo Yberê Libera

Serviços especiais da Ucrânia ajudam o regime de Lukashenko a reprimir anarquistas na Bielorrússia

Os Serviços Especiais da Ucrânia e o Ministério de Assuntos Internos do país responderam ao pedido dos oficiais de segurança da Bielorrússia enviado pela Interpol e estão tentando deportar dois anarquistas bielorrussos: Alexei Bolenkov (conhecido como Max Belorus) e Artur Kondratovich.

Alexei Bolenkov veio à Ucrânia em 2013 para participar dos protestos de Euromaidan. Temendo a perseguição, resolveu ficar no país. Artur Kondratovich foi um participante ativo nas ações contra o Decreto n°3 (também conhecido como decreto “contra parasitas sociais”, que introduziu um imposto sobre pessoas sem um trabalho de tempo integral) na Bielorrússia em 2017. Devido à repressão, se mudou para a Ucrânia. Em 2020, durante a nova onda de protestos no país seguido das eleições, Bolenkov e Kondratovich participaram de inúmeras ações em solidariedade e assistência a refugiados políticos recém-chegados.

O Estado bielorrusso tentou extraditar Kondratovich da Ucrânia em 2019 mandando o pedido ao Interpol. Subsequentemente, o anarquista foi preso na capital da Ucrânia, Kiev, e lá passou cinco meses em detenção antes da suspensão do pedido em decorrência de seu processo em andamento para o exílio político. No entanto, durante seu aprisionamento, o passaporte de Artur Kondratovich desapareceu.

Uma nova fase da acusação começou em Abril de 2021, quando a polícia surgiu com mandatos de busca e apreensão para Kondratovich e Bolenkov, sob o pretexto de investigar casos criminais supostamente ligados a ataques de grupos anarquistas a instituições estatais.

Imediatamente após a busca, os oficiais de SBU (Serviços Especiais da Ucrânia) entraram no apartamento de Bolenkov, se recusaram a mostrar suas identidades e tentaram levá-lo à fronteira mais próxima, que é justamente a fronteira com a Bielorrússia. Se a operação tivesse obtido sucesso, Bolenkov teria sofrido a ameaça de encarceramento imediato em seu país de origem, onde ele poderia enfrentar o mesmo destino de outro anarquista, Nikolai Dedok, que foi torturado pela polícia bielorrussa. Uma ação de solidariedade organizada improvisadamente por amigos e advogados conseguiu impedir sua deportação.

De acordo com a SBU, Bolenkov seria uma ameaça à segurança nacional da Ucrânia e deveria ser forçado a sair do país em até 24h. Os advogados decidiram apelar a essa decisão, mas o juiz concordou com a narrativa do Serviço Especial. Na opinião dele, a segurança nacional do país estava ameaçada pelas visões anarquistas de Bolenkov; especialmente sua participação na ação contra a polícia, a organização de ações em solidariedade com o povo bielorrusso, e a distribuição de literatura anarquista. Para apoiar suas alegações, o SBU se utilizou de publicações de extrema direita e informações das forças de segurança bielorrussas que indicavam Bolenkov como suspeito em um processo criminal na Bielorrússia.

Além disso, em tentativa de incriminá-lo, oficiais de segurança também invadiram a casa de um jovem casal, Sergei e Ira Ruban. Os Ruban eram amigos próximos e camaradas de luta dos dois perseguidos políticos. Membros do Departamento de Segurança Interna do SBU conduziram a busca sem mandato e apreenderam celulares, laptops, tablets e pen drives. Após a invasão, ambos foram convocados para interrogatórios, quando foram questionados sobre suas conexões com Bolenkov. Depois, o investigador ainda os convocou para “conversas informais”. Imediatamente após os interrogatórios o casal foi chamado para questionamento acerca do incêndio culposo de carros da polícia em 27 de Julho de 2020, como testemunhas.

Agora Bolenkov interpôs um apelo, mas os advogados temem a perda do caso e a efetuação do processo de deportação por falta de atenção do público. Artur Kondratovich está também sob ameaça – pode ser a ele negado o exílio político sob pressão do SBU.

De 9 a 18 de Julho, anarquistas ucranianos organizaram uma campanha de solidariedade para Alexey, Artur, Iran e Sergey. Para mais informações e atualizações, siga:

• ABC Ukraine Facebook: facebook.com/blackcrossukraine

• ABC Ukraine Telegramchannel: t.me/abcukraine

• ABC Ukraine Instagram: instagram.com/abc_ukraine/

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2021/07/12/ukrainian-special-services-assist-lukashenkas-regime-to-repress-belarusian-anarchists/

Tradução > mari

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agência de notícias anarquistas-ana

pássaros cantando
no escuro
chuvoso amanhecer

Jack Kerouac

[Espanha] Condenados a sete anos de prisão por agressão a dois neonazistas que estavam “caçando” menores migrantes

O tribunal condenou três jovens migrantes a um ano e seis meses a mais do que o que a acusação pedia, sem levar em conta que momentos antes dos acontecimentos a polícia havia apreendido armas dos dois neonazistas, que admitiram aos policiais que tinham ido em busca de menores migrantes.

Por Ter García | 21/07/2021

O 26º Tribunal Penal de Madri condenou dois jovens migrantes a sete anos de prisão e ao pagamento de 4.100 euros de indenização por agressão a dois neonazistas que haviam saído “à caça” de menores estrangeiros não acompanhados, como eles mesmos declararam em seu depoimento à polícia. Os oficiais tinham apreendido armas dos extremistas de direita momentos antes.

Os eventos aconteceram em 14 de outubro de 2020 na área de San Blas. Segundo a declaração policial, à qual El Salto teve acesso, naquele dia as duas pessoas de ideologia de extrema direita tinham ido às proximidades da estação de metrô Las Rosas com o objetivo de localizar menores desacompanhados que, segundo eles, tinham agredido sexualmente uma menor de idade – o que foi negado pela polícia dias depois, que identificou o estuprador como um jovem espanhol, como o La Marea revelou na época.

De acordo com o relato que deram à polícia, naquele dia eles encontraram quatro menores de origem marroquina a quem perguntaram se eram menores desacompanhados e a quem empurraram e bateram com um capacete de motocicleta. Os quatro menores marroquinos fugiram, mas os dois neonazistas afirmam à polícia que, a certa altura, a perseguição mudou de direção e foram eles que foram perseguidos pelos menores estrangeiros. Os jovens marroquinos deixaram de persegui-los e pouco depois os dois neonazistas foram interceptados por uma patrulha policial. O mesmo relatório policial afirma que a polícia apreendeu uma faca e um bastão expansível dos dois neonazistas e os deixou ir. Mas a noite continuou e, no caminho de casa, eles encontraram outro grupo de menores migrantes que, de acordo com os nazistas, os espancaram com paus, pedras e pedras de paralelepípedos.

Segundo a sentença, que foi publicada no Twitter pelo advogado dos dois neonazistas, um deles sofreu uma fratura no nariz, hematomas e deslocou os incisivos superiores, pelo que foi hospitalizado por sete dias e um mês em licença médica, mas sem sequelas, e o outro teve hematomas e uma ferida pela qual recebeu pontos e esteve sob tratamento médico durante duas semanas, sem sequelas.

“Os dois jovens nazistas são conhecidos na vizinhança: Pepe e Luis e têm entre 19 e 23 anos de idade. Sabemos isso através das redes sociais. Agora eles se apresentam como vítimas, mas foram espancar os menores porque eram imigrantes. E se eles vierem para bater em você, ou você corre ou você se defende. E como eram quatro, eles se defenderam”, explicou Shay, um jovem ativista do coletivo San Blas-Canillejas en Lucha, que foi agredido várias vezes, ao El Salto. De acordo com o advogado dos dois neonazistas em sua conta no Twitter, ambos são membros da organização de extrema direita Bastión Frontal.

A briga foi seguida de manifestações de extrema direita que foram denunciadas por organizações como SOS Racismo por constituírem crimes de ódio e nas quais centenas de pessoas cantaram proclamações como “San Blas será o túmulo dos estrangeiros” ou “Nem um único estrangeiro em San Blas”. O protesto, organizado por organizações como Bastión Frontal e Defendam San Blas, chegou à porta do abrigo onde vivem vários menores migrantes.

Nessa mesma noite, e no dia seguinte, quatro jovens de origem norte-africana foram presos pelo incidente, sendo um deles menor de idade. Os três adultos, dois deles de 18 anos e outro de 19 anos, foram mantidos em custódia e agora foram condenados a um total de sete anos de prisão cada um – quatro anos pelos ferimentos infligidos a um dos neonazistas e três pelos infligidos ao outro – assim como 3.350 euros e 750 euros de indenização. Além disso, a sentença declara que quando os dois jovens tiverem cumprido dois terços de suas penas, serão expulsos do país e proibidos de retornar por dez anos.

Entretanto, a sentença, que impõe um ano e meio a mais aos três jovens migrantes do que a solicitada pela acusação, não leva em conta o fato de que pouco antes da agressão sofrida pelos dois neonazistas, eles tinham ido à caça de menores estrangeiros, como haviam confirmado à polícia e depois negado durante o julgamento, realizado no início deste mês. A “ideologia dos feridos ou o incidente anterior provocado por eles é irrelevante”, afirma a decisão do tribunal. “É verdade que os feridos não ofereceram uma versão coerente do que estavam fazendo no parque onde os eventos começaram e porque tinham as armas que foram apreendidas pela polícia, mas o fato é que estes fatos não são o objeto do presente processo e não têm relevância criminal”, continua a declaração do juiz sobre a caça aos menores que os dois neonazistas atacados tentaram realizar.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/nazis/condenados-siete-anos-prision-agredir-neonazis-caza-menores-migrantes

Tradução > Liberto

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após a festa da aldeia
ficou ainda um crepe
a lua-cheia

Rogério Martins

[Portugal] Feira Anarquista do Livro Lisboa – 25 e 26 de Setembro 2021

Viva!

Desde este ponto geográfico cada vez mais perto da catástrofe total, fruto do terremoto turístico, do aparato fármaco-securitário e da normalização de tudo, voltamos a convidar-vos a todas e todos para um fim-de-semana de encontro entre resistentes, insubmissos e iconoclastas. Nos dias 25 e 26 de Setembro de 2021, a Feira Anarquista do Livro regressa a Lisboa, num “algures” a anunciar em breve. Se fazem parte de algum coletivo editorial ou de uma distribuidora, ou se individualmente se dedicam à edição e distribuição de papel impresso carregado de “vírus” rebeldes, escrevam-nos para: feiranarquistadolivro@riseup.net, e reservamo-vos um cantinho.

À violência continuada do processo pandêmico, que dissolveu laços sociais e hábitos de comunhão, respondemos com uma possibilidade de encontro.

Hoje como ontem, resistimos ao cerco do capital, da autoridade e do conformismo. A maioria resigna-se, nós não!

Saúde e Anarquia!

FB: https://www.facebook.com/feiranarquistadolivro/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/10/24/portugal-feira-anarquista-do-livro-2018-lisboa/

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Na poça d’água
o gato lambe
a gota de lua.

Yeda Prates Bernis

[Chile] Grupo de estudos Zorro Negro: conversando com Eduardo Godoy sobre a história do anarquismo no Chile – 27 julho

SESSÃO ABERTA: HISTÓRIA DO ANARQUISMO NO CHILE COM EDUARDO GODOY via Jitsi – transmissão ao vivo pelo youtube

Compas, lhes estendemos, com muito afeto e interesse, para que se juntem a este convite para uma sessão especial de nosso Grupo de Estudos Anarquistas, na qual estaremos em uma palestra com Eduardo Godoy, historiador e autor de obras como o artigo “Historia e historiografía del anarquismo en Chile” e o livro “Llamaradas de rebeldía“, da Editorial Eleuterio. A finalidade deste tipo de palestra é poder difundir a história do anarquismo em nosso território, para poder descobrir sua identidade, seus princípios, suas discussões, seu desenvolvimento, e os diversos acontecimentos que nos mantêm com a convicção no anarquismo até o dia de hoje.

É fundamental que possamos ver a história para compreender o que mantêm o presente, e dotá-lo de conteúdo desde diversos lugares.

Se tens interesse em participar, escreva para correio asamblealibertariacordillera@gmail.com, para receber o link de jitsi desde o qual acontecerá o evento na terça-feira, 27 de julho, às 18h00, horário do Chile. Esperamos que se motivem.

Saúde, ternura e anarqui(A)!

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/05/chile-07-04-apresentacao-do-livro-llamaradas-de-rebelion-breve-historia-del-anarquismo-en-chile-1890-2000/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/02/chile-a-cozinha-da-historia-dialogos-sobre-a-historia-do-anarquismo-latino-americano-audios/

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na cama de nuvens
o sol espreguiça-se
oblongo

Eugénia Tabosa

[Espanha] Lançamento: “El Ku Klux Klan”, de William Peirce Randel

A Ku Klux Klan fundou-se no sul dos Estados Unidos em 1865, ao terminar a guerra civil, com o propósito de defender a supremacia branca, que se viu interditada pela Reconstrução, um programa federal que outorgava certos direitos à população negra. Sua evolução posterior incluiu outras minorias: judeus, católicos ou estrangeiros (como não autenticamente americanos), diferente de brancos e protestantes (os únicos capazes de proteger o projeto nacional). Um século mais tarde, quando o historiador William Peirce Randel escrevia esta obra — convertida hoje num clássico —, o florescimento da Klan, que chegou a contar em algum momento com cinco milhões de membros e a quem nenhum governo dos Estados Unidos declarou “terrorista”, havia penetrado em amplos setores conservadores. Segundo sustenta Randel, o dramático foi como “o espírito da Klan” foi colorindo ideologicamente a uma parte da sociedade norte-americana. “Se revisamos sucintamente a história dos Estados Unidos, chegaremos à inevitável conclusão de que o que a Klan supõe é uma constante em nosso comportamento nacional. Às vezes permanece estático, calmo, mas não está morto, mas simplesmente latente entre erupção e erupção”. Hoje, mais de 150 anos depois de sua fundação, a Ku Klux Klan viu ampliada sua influência graças às redes sociais. A existência de organizações como Proud Boys ou a mais misteriosa QAnon bebem diretamente de seus ideais, pelo que não foi estranho que o final do governo do presidente Trump tenha se encerrado com um assalto, em boa medida imaginário, ao Capitólio, como símbolo desse “governo judeu” que obsessiona a Klan.

El Ku Klux Klan

William Peirce Randel

Los Libros de la Catarata, Colección Mayor, 842. Madrid 2021

288 págs. Rústica 22×14 cm

ISBN 9788413522555

18,50 €

catarata.org

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Sesta no jardim:
a borboleta me acorda.
Coça o meu nariz.

Anibal Beça

[França] Para os políticos, é um despertar difícil!

Desde as últimas eleições, políticos de todos os tipos têm tido uma grande ressaca. É preciso dizer que as sacrossantas eleições regionais e departamentais não entusiasmaram as multidões.

No total, durante os dois turnos, e apesar da procrastinação dos cães de guarda do sistema representativo, dois terços dos eleitores registrados abandonaram os postos de votação. Só podemos nos regozijar!

Não que esta abstenção maciça seja particularmente consciente, revolucionária ou anarquista, mas porque é pelo menos o sinal de uma generalização farta das mentiras, das falsas promessas e da arrogância daqueles que afirmam nos representar.

É um bom começo, e os resultados deste descontentamento generalizado são bastante impressionantes. Entre os partidos que disputam o poder político, é uma rotina.

Para simplificar, a esquerda, mesmo em coalizão, não convence mais muitas pessoas com seu “progressivismo” de papelão.

Por sua vez, a direita conservadora continua a fantasiar sobre a satisfação de seus constituintes.

A maioria presidencial está levando uma surra monumental.

A extrema-direita, por sua vez, está descobrindo com horror que tem apenas um pequeno, embora grande demais, círculo eleitoral de convicção e que não provém de nenhum movimento popular.

O destaque do programa é que a taxa de não participação nas eleições significa que os representantes eleitos, tanto nas regiões como nos departamentos, raramente são eleitos com mais de 20% dos votos dos inscritos.

Todos concordarão que isto revela claramente a ilegitimidade do poder que as instituições representativas republicanas exercem sobre todos nós.

No dia seguinte aos resultados, pudemos ver editorialistas, ideólogos e gerentes de todo este ferro-velho partidário se entusiasmando na TV e nas redes sociais com “uma democracia sem eleitores não é uma democracia” (Mélenchon), “fazer a abstenção ganhar é fazer a democracia perder” (Castex), ou “você deve votar” (Le Pen).

Esta é a prova da eficácia da abstenção que, num contexto de fragmentação do movimento social, faz com que nossos opressores reajam mais do que uma previsível “jornada de ação” realizado com pouco espaço de manobra e pouco apoio – participação – por parte das centrais sindicais.

Em outras palavras, sem nossos votos para alimentar a máquina que lhes dá todo o seu poder, eles não são nada.

Escusado será dizer que nós anarquistas convidamos todos os abstencionistas a repetir sua façanha nas eleições presidenciais e legislativas do próximo ano. Vamos além do simples protesto, amplifiquemos a greve de votação e semeemos os ideais emancipatórios em direção ao florescimento da anarquia.

Para nós, não vamos votar (incluindo votos em branco, porque o voto em branco é a utilização de um instrumento fictício deixado ao nosso alcance para nos enganar) é:

  • Lutar eficazmente contra a ameaça imediata do fascismo;
  • Minar a chamada legitimidade dos representantes eleitos e dos partidos que nos oprimem, nos reprimem e se enriquecem às nossas custas (note que isto não significa que eles recusariam o poder);
  • Rejeitar os temas hipócritas e nauseabundos da campanha que impedem a emancipação da humanidade;
  • Rejeitar o sistema representativo, ou seja, o regime político segundo o qual seríamos obrigados a nos dar senhores para governar nossas vidas em nosso lugar;
  • Ajudar a destruir os efeitos perversos e debilitantes do poder político em nossa sociedade;

É claro que a abstenção é apenas uma ferramenta simples que não pode fazer nada sozinha. Ela deve ser ampliada pela construção, de forma autônoma, horizontal, coletiva e consensual, de iniciativas e redes adaptadas às necessidades da humanidade e de seu meio ambiente. O Estado, o capitalismo e seus derivados não cairão sem uma amplificação e uma participação ativa e implacável nas lutas sociais.

É claro que primeiro devemos rejeitar as eleições a fim de quebrar nossas correntes: caso contrário, permaneceremos indefinidamente na posição insuportável do escravo que aceita o jugo que o oprime.

Portanto, sem concessões. Também não há culpabilidade.

Àqueles que, à direita e à esquerda, tentam criminalizar o ato de abstenção, respondamos alto e claro: “O criminoso é o eleitor” (Albert Libertad).

Abstenção! Autogestão! Revolução!

Viva a anarquia!

O Grupo Graine d’Anar, Lyon e arredores, membro da Federação Anarquista

Fonte: https://grainedanar.org/2021/07/13/pour-les-politicards-le-reveil-est-difficile/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/30/franca-eleicoes-que-todos-se-mandem/

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casca oca
a cigarra
cantou-se toda

Matsuo Bashô