[Argentina] Carta da mãe de Santiago Maldonado no dia que completaria 32 anos

Este domingo 25 de julho, Santiago Maldonado teria completado 32 anos. Stella, sua mãe, publicou no Facebook uma comovedora carta onde reafirma que a quatro anos de seu desaparecimento seguido de morte “não sabemos o que te aconteceu nem temos justiça”.

Stella Pelloso, a mãe de Santiago Maldonado, compartilhou no Facebook uma emotiva mensagem recordando o aniversário de seu filho. No último domingo, 25 de julho, Santiago teria completado 32 anos de idade.

Neste final de semana, precisamente no domingo 1º de agosto, se completarão quatro anos da data de seu desaparecimento, após a brutal repressão da Gendarmaria no território da comunidade mapuche Pu Lof em Resistência Cushamen, província de Chubut. Desde aquele dia se montou um impressionante operativo de encobrimento para enlamear o campo e garantir a impunidade dos responsáveis, materiais e políticos, deste crime de Estado.

Nos dias de hoje, a causa segue parada, sem investigação e sem juiz, tal como assegurou faz poucas semanas seu irmão Sergio Maldonado.

Apesar disso, a família de Santiago continua reclamando verdade e justiça, tal como assegura sua mãe na carta: Vos destes tua vida pelos irmãos originários e ninguém faz justiça por vos“.

|| Carta a Santiago de sua mãe Stella, no dia de seu aniversário ||

Um 25 de julho de 1989 tudo era alegria com um bebê bonito entre nós.

Vão quatro anos que não temos a ti, estás sempre em nosso coração.

São tantas as recordações, de menino sempre eras alegre e carinhoso.

Estes últimos quatro anos são só tristeza, não sabemos o que te aconteceu nem temos justiça.

Vos destes tua vida pelos irmãos originários e ninguém faz justiça por vos.

Sempre que saías me dizias, eu sempre vou estar quando me necessitem. Essa foi a última vez, porque nunca mais voltastes.

Há vezes que sinto que em algum momento vais chegar. Sentimos tanto tua falta, eras um ser maravilhoso com um grande coração.

Já completarias 32 belos anos.

Nunca vou te esquecer.

Te mando um beijo enorme ao céu.

Mamá.

Verdade e Justiça por SANTIAGO MALDONADO!

#SantiagoPresente #ElEstadoEsResponsable #JusticiaPorSantiago #JusticiaPorSantiagoMaldonado #RespuestasPorSantiagoMaldonado #SantiagoAnarquista

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Folhas do ciclame
ao vento pra lá e pra cá –
um coração pulsa.

Anibal Beça

Lançamento | Educação Anarquista: Explorações contemporâneas

Organizadores: Sílvio Gallo | Rodrigo de Almeida Ferreira

Apresentação

No imaginário social a anarquia remete à desordem, à insegurança, à instabilidade. Decorrência compreensiva do viés etimológico da palavra, quando se propõe pensar a anarquia como ideia política o desconforto é potencializado por traços que sugerem o caos no qual as pessoas viveriam sem governo, sem controle, sem autoridades hierárquicas, sem regras coercitivas. Mas, também, há cores menos carregadas com que se costuma considerar uma sociedade anarquista, não obstante os tons pasteis manterem o quadro estigmatizado. Estas pinceladas mais suaves sugerem uma nuance benevolente, próxima à tolerância, que simplifica o pensamento anarquista, articulando-o à inocência política devido aos valores universais nos quais se baseia para a reconstrução da sociedade, como liberdade e justiça. Portanto, as representações sociais tendem a inscrever a pretensão da sociedade ácrata ou num matiz escuro de caos, medo e violência, ou numa paleta onírica, distante da realidade, irrealizável, utópica.

Acompanhando a interpretação de Bronislaw Baczko (1985) de que os imaginários sociais impactam o cotidiano, entende-se que as representações políticas decorrem de construções e de disputas históricas. As representações relativas à anarquia e aos anarquistas são iniciadas a partir de meados do século XIX, quando as críticas à reorganização do Estado como base para a economia capitalista e a exploração do trabalho assentadas no liberalismo econômico estimularam a defesa de outras formas de organização social. Em 1840 Pierre-Joseph Proudhon entrou para a memória da cultura política como a primeira pessoa a se autoidentificar como anarquista, feito registrado no livro O que é a propriedade?, no qual colocava o dedo na ferida sobre as causas dos graves problemas sociais e da exploração socioeconômica, respondendo de modo direto à pergunta-título: “A propriedade é um roubo!” (Proudhon, 1975, p.11). Por suposto, ao atentar contra o mais sagrado dos valores dos capitalistas, além de outros pilares da sociedade contemporânea como a Igreja, o Estado e o militarismo, os anarquistas foram prontamente considerados como perigosos inimigos – não apenas pelos liberais capitalistas, mas também por amplos segmentos sociais de base moral cristã, bem como os defensores de um Estado forte e centralizado, inclusive aqueles cujas linhas políticas se aproximam das causas sociais e dos direitos dos trabalhadores, como o socialismo de Estado do século XX.

Com tantas trincheiras abertas em campos de batalhas contra forças poderosas, compreende-se os extremos com os quais o anarquismo é atacado por seus detratores, ora simplificando-o como utopia, ora estimulando o pânico contra suas propostas consideradas radicais. Observa-se que, nessas narrativas, o caos e o temor de um mundo anárquico têm lugar de destaque, haja vista o potencial mobilizador que o medo exerce a favor do conservadorismo. O historiador do anarquismo George Woodcock observa que:

Há uma grande confusão em torno da palavra anarquismo. Muitas vezes a anarquia é considerada como um equivalente do caos e o anarquista é tido, na melhor das hipóteses, como um niilista, um homem que abandonou todos os princípios e, às vezes, até confundido com um terrorista inconsequente. Muitos anarquistas foram homens com princípios desenvolvidos; uma restrita minoria realizou atos de violência que, em termos de destruição, nunca chegou a competir com os líderes militares do passado ou com os cientistas nucleares de hoje. (…) anarquismo é a doutrina que prega que o Estado é a fonte da maior parte dos nossos problemas sociais, e que existem formas alternativas viáveis de organização voluntária. E, por definição, o anarquista é o indivíduo que se propõe a criar uma sociedade sem Estado. (Woodcock, 1986, p.13)

>> Para ler o resto da apresentação e baixar o livro na íntegra, clique aqui:

https://pedroejoaoeditores.com.br/site/educacao-anarquista-exploracoes-contemporaneas/?fbclid=IwAR0TCf5cVlpKpJgpE8llZjl8HOUfiXjmC1gStAm-uYR54EY2VelBajhHTcA

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No ninho do sabiá
há quatro bocas
que não param de piar

Eugénia Tabosa

[Cuba] “Ela não merece estar presa. Seus dois filhos pequenos tampouco merecem ficar longe dela”

Conheci Daniela Rojo no parque de Guanabacoa, onde ela chegava à tarde com seu chapeuzinho, vestida de preto. Também nos encontramos no Café de Guanabacoa, onde Boris, ela e eu tentamos, mais de uma vez, colocar o mundo em ordem.

Daniela é uma garota que foi golpeada pela vida, mas que foi golpeada com força, direto no peito. Tínhamos em comum ter conhecido esse outro lado da realidade, underground, tóxico, eu um pouco mais em um relance, ela em cheio. Já tínhamos o suficiente em comum para rir das mesmas coisas. Ainda não consigo esquecer a época em que lhe dei a maior parte dos meus livros de Anne Rice. A autora já havia me decepcionado um pouco, mas eu sabia que aqueles livros seriam uma brecha para ela, e eu não tinha outro uso para eles.

Mas a época em que me senti mais próximo dela foi quando saímos à noite para distribuir alimentos e doações para as vítimas do Tornado. Mochilas nas costas, perambulávamos pelas ruas mais remotas de Guanabacoa à noite, batendo nas portas das casas onde a esperança era uma desconhecida.

Daniela sempre teve olhos receptivos para minhas ideias. Ela nunca as rechaçou. Mas eu não tinha muito a oferecer-lhe em termos de realidade. Talvez seja por isso que sua verdadeira impotência pesou mais quando se tratou de escolher seus pensamentos.

O que eu tenho certeza é que Daniela Rojo saiu em 11 de julho para uma manifestação que nem sequer chegou. Ela não é burguesa, capitalista, nem oligarca. Só queria manifestar-se publicamente com as palavras que a vida lhe colocou na mente. Isso não é crime, e ela não merece estar presa. Seus dois filhos pequenos tampouco merecem ficar longe dela.

PS. Daniela Rojo encontra-se acusada de Desordem Pública, e encontra-se com a medida de Prisão Preventiva aguardando um Julgamento Ordinário.

Yassel Padron Kunakbaeva

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Caminha a folha
morta,
pálio sobre formigas.

Yeda Prates Bernis

Revolução, única solução: Convocatória de Construção do Movimento de Unidade Popular

São tempos difíceis para o nosso povo. Vivemos uma situação de massacre permanente, avanço da miséria, desemprego, precarização, fome e carestia da vida. As políticas de morte e a guerra biológica dos governos e patrões contra o povo pobre a classe trabalhadora brasileira continuam produzindo milhares e milhares de mortes subnotificadas todos os dias por Covid-19. A intenção genocida do governo corrupto, fascista e neoliberal de Bolsonaro, tutelado pelos militares, e a ganância assassina dos ricos fazem avançar a passos largos a fome, o desemprego atinge os maiores níveis da história e o auxílio emergencial miserável é um escárnio, enquanto a inflação explode e o aumento do custo de vida é vertiginoso. O governo reacionário de Bolsonaro e dos militares, assim como, o Congresso Nacional de corruptos e os governos estaduais também a serviço do programa neoliberal, dos latifundiários e dos capitalistas, avançam em privatizações criminosas, ataques aos serviços públicos, destruição ambiental, despejos desumanos, encarceramento em massa, violência contra o povo negro, camponeses pobres e povos indígenas.

Diante desse cenário catastrófico, da escalada do Estado policial e das falsas soluções para dar continuidade à barbárie neoliberal, nossa resposta deve e precisa ser a luta popular revolucionária e a organização pela base. Para reverter esse quadro devastador podemos contar apenas com nossas próprias forças. A organização independente e autônoma do povo pobre, da classe trabalhadora e da juventude combativa, a radicalização das lutas, a solidariedade e a unidade popular para vencer esse sistema de exploração e miséria, devem ser conjugadas com a construção de um programa revolucionário que relacione os objetivos concretos com uma estratégia socialista baseada na construção de instrumentos de poder do povo, por fora e contra o Estado burguês, e na transformação desse massacre sobre nossa gente em uma guerra popular, onde de um lado esteja a burguesia, o latifúndio, os partidos da ordem, os ricos, seu Estado e aparato burocrático-militar, e do outro, o povo organizado e em revolta, construindo as estruturas de gestão coletiva e comunitária, e por isso, iniciamos a construção do Movimento de Unidade Popular, o MUP, afirmando a plenos pulmões, e mais do que nunca, que a revolução é a única solução.

O MUP é uma organização do povo em luta baseada na ação direta, na autogestão e autodefesa popular. Um movimento popular combativo e revolucionário para organizar a partir dos territórios, do trabalho comunitário e da economia popular, das ocupações e acampamentos, dos locais de trabalho e de estudo, dos comitês e núcleos de base nos bairros pobres e favelas, da cultura e da educação popular nas áreas urbanas e rurais, o povo pobre e trabalhador para as lutas de libertação e a revolução social, mantendo viva a longa tradição de resistência e rebeldia do povo brasileiro e da maioria afro-indígena.

O Movimento de Unidade Popular tem como objetivo central organizar as lutas imediatas em defesa da vida e dos direitos de nossa gente, construindo a partir da auto-organização, dos programas comunitários de sobrevivência e das instâncias de poder proletário o caminho para a guerra revolucionária de libertação popular contra o Estado capitalista e os inimigos do povo. Orientado por uma estratégia revolucionária e socialista, somos um movimento anti-imperialista, internacionalista e anticapitalista que se organiza a partir das demandas e necessidades reais do nosso povo, alicerçado em núcleos de base, agrupações combativas e frentes de luta que se coordenam e que existem, fundamentalmente, para impulsionar a ação coletiva, articulando as lutas por moradia, trabalho, saúde, educação, terra e transporte, contra o genocídio do povo negro e pobre, a brutalidade policial e o terrorismo de Estado, o fascismo e a violência reacionária contra as mulheres do povo e as dissidências sexuais em um programa popular e revolucionário para destruir através de um processo insurrecional o poder burguês e o sistema de miséria, fome, exploração e repressão do capitalismo brasileiro, que deve ser substituído por novo um novo modelo de organização social baseado na justiça, na autogestão social e econômica e no poder do povo, ou seja, pela sociedade socialista, que entendemos e reivindicamos como definido de forma precisa pelo revolucionário e pantera negra Fred Hampton, quando disse que “o socialismo é o povo, se você tem medo do socialismo, tem medo de si mesmo”.

Com a grande maioria da classe trabalhadora brasileira na informalidade, a permanência da crise capitalista e o aprofundamento dos níveis de exploração e exclusão, somados às péssimas condições de vida agravadas pela pandemia de Covid-19 e a política genocida e neoliberal do governo Bolsonaro, acreditamos que a chave para avançar na organização do nosso povo é a autogestão comunitária, fomentada a partir dos nossos territórios e das iniciativas de economia popular, ou seja, nossos núcleos de base coordenados em uma frente territorial devem impulsionar programas comunitários a partir do apoio mútuo e da solidariedade nos bairros pobres, favelas e comunidades da cidade e do campo para a formação cooperativas de trabalho autogestionárias, assim como, avançar em programas de soberania alimentar, cultura, educação popular e comunicação comunitária com base nas demandas e urgências de nossa gente, articulando o trabalho militante permanente com as lutas por direitos fundamentais através da ação direta e dos métodos combativos, com a preparação da autodefesa e um horizonte de libertação e controle popular dos nossos territórios.

O MUP deve atuar, também, na organização a partir dos locais de estudo e trabalho. Impulsionando os Núcleos de Estudantes do Povo, os NEP, que são organismos de base e podem ser formados por estudantes pobres e pela juventude combativa nas escolas, institutos e universidades, conformando a frente de juventude e voltados principalmente para a formação de militantes para a luta popular revolucionária, atuando por fora da lógica pequeno-burguesa e burocrática do movimento estudantil convencional, aprofundando a linha política de servir ao povo e organizando a juventude como a tropa de choque da revolução, defendo também a educação pública como direito fundamental dos estudantes pobres, ao mesmo tempo, dando combate permanente ao liberalismo, as disputas estéreis e a degeneração pós-moderna que dominam o movimento estudantil brasileiro, construindo conhecimento e ferramentas que sirvam à libertação popular.

Na organização por local de trabalhado devemos impulsionar, principalmente, a organização das trabalhadoras e trabalhadores precarizados e subempregados, mas também de trabalhadores formais, avançando em uma Corrente Revolucionária de Trabalhadores, construída a partir de organismos de base nas diversas categorias, dos métodos históricos do sindicalismo revolucionário, da solidariedade proletária como princípio fundamental e em oposição às burocracias sindicais e ao colaboracionismo para enfrentar os patrões e a exploração, conquistar condições dignas de trabalho e direitos, apontando para a necessidade de superação revolucionária do modo de produção capitalista.

As diversas frentes de luta, núcleos de base e setores do Movimento de Unidade Popular se articulam e se coordenam em instâncias orientadas pela democracia revolucionária, conceito organizacional formulado por Carlos Marighella e pela Ação Libertadora Nacional (ALN), onde o fundamental é a ação, a iniciativa revolucionária e a organização das lutas, garantindo a ampla participação das bases nas decisões e autonomia tática aos núcleos, mas partindo sempre da intransigência proletária e do ódio ao inimigo de classe que devem garantir a linha revolucionária e socialista e nortear nosso movimento, com as funções de coordenação e direção sempre sendo baseadas na experiência concreta, na disposição, decisão e iniciativa criativa de seus militantes, rejeitando todas as formas de burocratismo, teoria sem prática ou reformismo. A formação de quadros e das bases deve ser uma tarefa permanente, assim como, o combate a degeneração pequeno-burguesa, ao liberalismo e a ideologia burguesa que contaminam e sabotam as lutas populares, tomando forma com a criação de uma escola de formação do MUP. A agitação e a propaganda de massas também assumem papel fundamental na mobilização popular, e os elementos de identidade do Movimento de Unidade Popular devem sempre gerar o pertencimento dos setores mais explorados e oprimidos do povo com nossa organização, utilizando as ferramentas de comunicação popular como instrumentos para massificar nossa linha revolucionária, fazer avançar a organização do povo e a formação de combatentes.

Os diversos elementos que compõem o movimento se harmonizam no que chamamos de Programa Popular e Revolucionário, que orienta nossa prática política e social, não apenas como um documento onde se definem as variáveis táticas, objetivos e estratégia geral, mas também como prática militante cotidiana, onde se começa sempre do mais simples para o mais complexo, com todos os militantes do MUP assumindo necessariamente tarefas práticas nos diversos níveis de luta. Entendemos também a autodefesa popular e a segurança militante como elementos fundamentais de nosso programa e uma exigência da luta de classes, e compreendemos o processo de resistência popular e construção dos organismos de poder do povo como parte de um caminho insurrecional até a rebelião e o início da guerra popular de libertação para destruir o sistema capitalista e a nova escravidão.

Finalizamos esta convocatória para a luta combativa e revolucionária e a organização popular independente, como um processo de consolidação organizacional e programática para contribuir com a construção da revolução brasileira, que segue aberto e para o qual dedicaremos força nos próximos 2 anos nesta etapa inicial, com um trecho da “Mensagem sobre o Povo Brasileiro através da Rádio Havana”, do guerrilheiro baiano Carlos Marighella, de agosto de 1967, reafirmando a atualidade de seu pensamento e reivindicando seu legado revolucionário:

“Todos nós, brasileiros, devemos nos preparar para combater, elaborar nossos planos na base de uma luta prolongada. […] Devemos estudar nosso terreno, conhecer os que nos acompanham, fortalecer nossa convicção revolucionária e não querer de nosso lado os vacilantes, os insinceros, os aproveitadores. Revolução é sacrifício, é abandono de comodidades. […] No período anterior de nossa luta, nosso povo foi muito deseducado pela linha pacífica e pela submissão que se pregou abertamente à ideologia da burguesia. Urge corrigir tudo isso. […] É o momento de trabalhar pela base, mais e mais pela base. […] Façamos pequenas tarefas, chamemos os nossos amigos mais dispostos, nossos familiares desejosos de sair da situação de opressão em que vivemos. Tenhamos decisão, mesmo que seja enfrentando a morte. Porque, para viver com dignidade, para conquistar o poder para o povo, para viver em liberdade, construir o socialismo, o progresso, vale mais a disposição de ir até o sacrifício da vida.”

REVOLUÇÃO, ÚNICA SOLUÇÃO!
O POVO VENCERÁ!

26 de julho de 2021, Brasil.

Mais informações e contatos com o MUP podem ser feitos através do nosso e-mail: movimentounidadepopular@protonmail.com ou redes sociais @movimentounidadepopular

Baixe e leia a convocatória também em PDF bit.ly/ConvocatoriaMUP

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Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa

[Chile] Contra as prisões, o Estado e o capital!!!

Solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, subversivxs e sociais sequestradxs na prisão/empresa de Rancagua e outras prisões no $hile.

Exigimos a restauração imediata das visitas em todas as prisões do território invadido pelo Estado do $hile.

O regime de tortura e isolamento que o Estado policial tem exercido sob a desculpa da Covid-19 deve terminar agora.

Contra as prisões, o Estado e o capital!!!

Não à retroatividade e às modificações do DL 321!

Abaixo todas as jaulas!

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lavrando o campo
a nuvem imóvel
se foi

Buson

[Chile] Santiago: Atividade em memória do companheiro anarquista Santiago Maldonado

“SOY EL BRUJO”

Estamos muito contentes de convidá-los para a primeira atividade que realizaremos como espaço “Fénix”, rincão anarquista situado no bairro Yungay onde convergimos e acompanhamos os seguintes projetos: Biblioteca Antiautoritária Sacco y VanzettiLibrería Desquiebre e Difusión Claustrofobia.

A atividade é em memória e em recordação permanente do companheiro anarquista e punk Santiago Maldonado, Lechu, Brujo ou com o apelido com o que o tenhas conhecido. Sensível e rebelde ser que avivou com seu espírito o seguir levantando e apoiando iniciativas antiautoritárias e pela liberação total em cada território em que seu nômade instinto o fazia percorrer. Como tal qual explorador, ele continuou errante mas sempre cultivando belas experiências que a vida em movimento lhe apresentou como incertas possibilidades de construir sua história. Hoje sua lembrança se estende por vários rincões do Cone Sul e se mantêm mais viva que nunca.

É de nossa própria responsabilidade manter viva a memória de nossos caídos, estejamos onde estivermos. Cada gesto reivindicativo é um alento de guerra contra o esquecimento e uma reafirmação de nossa própria história coletiva.

O companheiro morreu em ação. Lechu foi desaparecido em 1° de agosto de 2017 após um enfrentamento entre o Pu Lof em Resistência de Cushamen – com a qual estava se solidarizando em um bloqueio de estrada – e a Gendarmeria (polícia nacional argentina). Foram 77 dias em que o corpo do companheiro se manteve desaparecido pela Gendarmeria e a força militar, até que foi encontrado a 400 metros dos enfrentamentos nas margens do rio Chubut.

Este 31 de julho estaremos acompanhando a memória com sua recordação…

A jornada começará às 16h30. Haverá:

– palestra em torno do livro “Wenuy. Pela memória rebelde de Santiago Maldonado”, editado pelos companheiros de Lazo Ediciones desde a região argentina (o livro se encontrará à venda a preço de custo)
– música ao vivo (trova e rap)
– confeitaria vegana
– projeções audiovisuais em torno de Lechu (contribuições dos companheiros do festival de cine anarquista de Buenos Aires), que também realizarão uma transmissão ao vivo nesse mesmo dia com música e projeções em memória do companheiro.
– feira do livro e propaganda
– informativos anticarcerários

Tradução > Sol de Abril

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O corpo é um caminho:
ponte, e neste efêmero abraço
busco transpor o abismo.

Thiago de Mello

[Espanha] Vídeo-Documentário | Assim planejou Octavio Alberola sua primeira tentativa de assassinar Franco: Por que se descartou o plano?

O anarquista Octavio Alberola chegou a ver o quarto no qual se hospedava Franco, mas no último momento descartou o plano para matá-lo.

Octavio Alberola planejou assassinar Franco pela primeira vez em 1957. Foi em Santillana del Mar. O lugar escolhido, o parador. Ali se hospedava o ditador quando ia à zona para pescar salmões. “Me mostraram inclusive o quarto em que dormia”, recorda Octavio em laSexta Columna, e explicou como se organizou o plano.

“Teria que pôr o explosivo com antecedência à chegada de Franco e poder fazê-lo detonar, buscar a maneira de estar perto”, prossegue. Queria esconder no teto o explosivo para matar Franco, mas Santillana del Mar era uma fortaleza. O atentado em Santillana del Mar se descartou. Na seguinte tentativa, Alberola sim ia estar perto de assassinar o ditador.

>> Veja o vídeo-documentário aqui:

https://www.lasexta.com/programas/sexta-columna/noticias/asi-planeo-octavio-alberola-su-primer-intento-de-asesinar-a-franco-por-que-se-descarto-el-plan_202011205fb7f2694674470001cdb03c.html

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agência de notícias anarquistas-ana

primeira manhã gelada –
na luz do sol, o hálito
do gato que mia

David Cobb

[Grécia] Frente de Libertação Animal assume responsabilidade por ação

Em 15 de julho, enquanto escalávamos uma montanha em Mavrorachivilage de Pilion, descobrimos dois cães acorrentados a duas árvores. Assim que nos viram, começaram a latir como se estivessem nos chamando para que fôssemos até eles. Vendo sua forte necessidade e desejo de libertação, decidimos intervir e levá-los à liberdade. Como dissemos, as duas criaturas foram amarradas com correntes de cerca de um metro de cumprimento a duas árvores, o que restringiu muito seus movimentos.

No contexto sufocante em que foram forçados a viver, sua comida estava no chão ao lado de suas fezes. A única coisa certa é que seu proprietário não estava interessado em sua higiene ou condição de vida.

Vivemos em um mundo onde o abuso afeta não só os animais não humanos, mas também os humanos, como mulheres, crianças, migrantes, pessoas transgêneros e muitos outros. Em um mundo onde os financeiramente e fisicamente fortes tentam dominar o que eles consideram fraco e vulnerável.

Em uma sociedade indiferente onde o poder é pervasivo, é evidente que estamos com raiva e indignados e não vamos ficar parados.

Para nós, a liberação total de animais humanos e não humanos é uma parte fundamental de nossa ação, e esperamos que tais ações sejam uma inspiração e um trampolim para outros camaradas, assim como fomos inspirados por todos esses anos por milhares de libertações de animais.

PELA LIBERTAÇÃO TOTAL E PELA ANARQUIA

ALF – Αναρχικός Αντισπισιστικός Πυρήνας Άμεσης Δράσης

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1613703/

Tradução > solan4s

agência de notícias anarquistas-ana

Em câmera lenta
preguiça na imbaubeira
passa a outro galho.

Anibal Beça

[Itália] O número 2 da revista “Caligine” já saiu

“[…] permanece que, olhando à sua volta, cada indivíduo vai descobrir que seu ponto de vista é o único do qual ele pode estar diretamente ciente, feito de fragmentos visuais inseparáveis da intenção do próprio olhar. Não fragmentos isolados, porque cada um se refere aos outros, em um jogo de inumeráveis constelações.

Composições das quais não há linhas traçadas, mas distâncias que podem ser cobertas somente virando a cabeça. Esta é a única obra de composição que nos é cara, unidade instável e uniforme de nossa experiência visual e de nossa vagabundagem e nosso vagar na paisagem dos sonhos. A unidade mutável da pessoa, de suas intuições e perspectivas como uma leitura de si mesmo e do mundo.

Uma vez quebrada a realidade, resta apenas capturar os fragmentos de vida autêntica, irreconciliável com o mundo. Vida, irreconciliável com a cristalização transcendente da verdade objetiva. Fragmentos de histórias, fragmentos de pensamentos, fragmentos de fantasia, fragmentos de sonhos, fragmentos de linguagem em si, ou mais genericamente: fragmentos do eu”.

Este foi um extrato do editorial da nova edição da revista “Caligine’, já disponível!

Para aqueles que gostariam de pedir cópias, ou nos enviar ideias, artigos, poemas, trechos de escritos ou mesmo desenhos e/ou gráficos, favor escrever para:

Caligine, Sobborgo Valzania 27, 47521, Cesena (FC) ou para o correio: caligine@riseup.net

Preço da capa 4 euros (toda a receita da revista, uma vez recuperado os custos de impressão, beneficia os prisioneiros e os implicados com a lei). 3 euros a partir de cinco exemplares.

Índice:

– Editorial / – Somente um ensaio ficaria louco / – Balé em Distopia / – Operação Urbana Nascida Feliz / – O ídolo da racionalidade / – 2+2=7 / – A escuridão além da luz / – Mito-Mania / – A resposta de Alfredo ao artigo “Alguns apontamentos de reflexão a partir da entrevista com Alfredo Cospito”. / – Notar a arrogância do privilégio / – O silêncio ressoa em dissonância

Fonte: https://nereidee.noblogs.org/post/2021/07/07/e-uscito-il-nr-2-di-caligine/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Plaft! Duas moscas
sobre o caderno de álgebra
fazem o infinito

Manuela Miga

[Itália] Ultras da Lazio insultam Hysaj após novo reforço cantar música contra o fascismo

Novo jogador da Lazio, Hysaj cantou a música “Bella Ciao” em vídeo e foi hostilizado por ultras do clube italiano

Novo reforço da Lazio, o lateral Hysaj, contratado pela equipe junto ao Napoli, foi alvo de insultos por parte de torcedores de sua nova equipe. Em vídeo, o jogador cantou uma música antifascismo, o que desagradou ultras do clube italiano.

Em sua apresentação ao elenco da Lazio, o lateral albanês Elseid Hysaj, de 27 anos, apareceu em um vídeo cantando a música ‘Bella Ciao’, um hino contra o fascismo italiano durante a Segunda Guerra Mundial. A atitude do atleta irritou os ultras da Lazio.

Contra a escolha de Elseid Hysaj em cantar a música contra o fascismo, ultras da Lazio levantaram uma faixa em Roma ofendendo o jogador. Nela, os dizeres ‘Hysaj verme. A Lazio é fascista’ foram escritos com a assinatura dos próprios ultras.

A Lazio, por sua vez, posicionou-se em nota oficial para defender o seu novo jogador, que foi um pedido do treinador Maurizio Sarri, ex-treinador do Napoli. No comunicado, o clube disse que espera continuar com o clima pacífico no treinamento.

– É função do clube proteger seu jogador e retirá-lo de situações em que ele está sendo usado para ganho pessoal ou político. O campo de treinamento deve continuar no clima de calma que tivemos até hoje – publicou a Lazio em nota.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

não tenho país
nem casa nem riqueza
e como me sinto bem!

Rogério Martins

[Espanha] O livro anarquista em tempos de crise sanitária

Dizia Lucía Sánchez Saornil que “um livro é uma enxada que vai mexendo a nossa argila, esfarelando e trabalhando para o convertê-la em terra fértil” e que “um livro pode nos empurrar violentamente do outro lado das coisas, e de repente nos encontramos com uma nova fórmula para a vida, com uma inversão de valores que não suspeitávamos”. Os livros (nos) transformam e com eles (nos) aprendemos.

Certamente, um livro é sempre uma janela aberta para infinitas possibilidades. No anarquismo e anarcossindicalismo sempre compreendemos a importância, como arma política e social, da divulgação de ideias através de formatos como a imprensa, panfletos e livros. Por isso, consideramos necessário dar conta da atividade, no nosso presente, de projetos que giram em torno do livro libertário, situando-os neste panorama incerto que nos atravessa desde que a crise sanitária se inseriu no nosso dia a dia.

Projetos como os encontros do livro anarquista, que povoam muitas de nossas cidades; livrarias especializadas que nutrem nossos bairros e proximidades; editoriais que tornam férteis os debates e reflexões sobre as ideias de emancipação; leitoras ávidas por páginas onde desmoronar e trabalhar. Sabemos que existem muitos projetos e pessoas – cada vez mais – que habitam este cenário cultural, e que essa abordagem é parcial, mas acreditamos que dá conta de muitos dos sentimentos que invadiram este ano aquelas de nós que sentimos o livro como parte essencial do nosso dia a dia.

Fomos à livraria da Fundación Anselmo Lorenzo (FAL), na rua Peñuelas, em Madrid, no mesmo bairro onde nasceu a nossa Lucía. Conversamos com seu livreiro, Miguel Ángel, sobre o panorama atual do mundo do livro libertário e ele nos mostra seu otimismo: “a democratização das ferramentas editoriais, juntamente com as possibilidades que a impressão digital traz, levam neste momento à uma eclosão de literatura e projetos editoriais libertários como não se via há muito tempo, talvez desde a Transição”. Nos fala também da cessação de toda a atividade cultural que se abriga no espaço: “a crise implicou uma pausa num primeiro momento, mas depois, com a potencialização de vendas e eventos online, recuperou um pouco”.

Víctor Rodríguez Lledó, companheiro da CNT-Jaén, partilha a visão otimista quanto ao surgimento de projetos ligados à trama do livro libertário. Víctor é um leitor que participa em vários projetos editoriais como membro assinante, algo que ele vê como “uma alternativa que também o liga de uma forma especial a eles”. A sua percepção é “que estamos no melhor momento —se falamos dos últimos 10 ou 15 anos— em termos de volume e qualidade dos conteúdos publicados”. Por sua vez, a companheira Carmen Gallar Sánchez, da CNT-Madrid, nos fala de uma forma mais global sobre o movimento libertário, que viu cabisbaixo desde aquelas manifestações contra a operação Pandora e Piñata; reconhece que “naquele tempo ainda havia espaços na imprensa alternativa dedicados ao anarquismo… Hoje, além de Todo por hacer, resta pouca coisa em formato de jornal”, enquanto que, centrando-se mais nas editoras, acredita que “algumas resistem com uma certa solvência, como Antipersona, Calumnia ou Piedra Papel Libros, e algumas têm tido êxito com um público mais geral, como a Pepitas de Calabaza ou La Felguera. Outros, que tiveram êxito nos nossos círculos, foram perdidos, como a Klinamen”; também nos confessa que “perder a Klinamen foi um golpe”.

Falamos com três editoras que têm muito em comum. No início da pandemia pararam toda a distribuição para que as trabalhadoras de entregas não se expusessem ao vírus; são três editoras que, apesar de não dependerem financeiramente dos rendimentos das suas publicações, dedicam atenção e cuidado a tudo o que fazem.

Editora Volapük nasceu em 2013 como um projeto de divulgação cultural crítico e libertário, publicando textos de todos os gêneros literários. Sergio Higuera conta que toda a sua atividade paralisou, com uma letargia que ainda persiste. Nos primeiros meses de confinamento liberaram os títulos restantes da tetralogia de desempoderamento: Autogestão cotidiana da saúde e Educação sem propriedade, “nunca foram mais relevantes”, assegura Sergio.

Calumia Edicions, por seu lado, é uma dessas editoras que trabalha com assinantes; foi oficialmente constituída em 2010 e publica textos sobre temas libertários organizados em torno de várias coleções de literatura e história, e também publicações periódicas. Jordi Maíz nos conta que “a crise sanitária nos afetou basicamente do ponto de vista emocional. Nós não vivemos de livros”, já que a editora surgiu “para partilhar experiências poéticas, históricas e literárias, mas a partir do presente, onde, sob o pretexto de um livro, pudéssemos ver nossos rostos, sorrir, debater e nos abraçarmos. Isso foi perdido”. Esta situação os levou a mudar de ritmo, já que reconheceram que estariam “envolvidos num processo de edição totalmente acelerado”. Agora estão trabalhando, junto com o coletivo memorialista Els Oblidats, em diversas investigações sobre o anarquismo em Mallorca.

É um caso similar ao da editora Episkaia, que foi afetada pela crise sanitária “sobretudo a nível pessoal”. Uma das suas editoras, Clara Morales, nos conta que o projeto “nasceu como fanzine em 2006, publicamos o nosso primeiro livro em 2016 e começamos nossa nova etapa, mais ativa, em 2018”; publicam obras coletivas com as quais refletem em conjunto a partir de diferentes prismas e em torno de um tema comum, com especial interesse em títulos que não aceitam o estado atual das coisas e com uma visão crítica que vem do ecologismo e do feminismo. “A pandemia confirmou uma ideia que já tínhamos: os livros não têm uma data de validade”, observa, e prossegue, salientando que também “mostrou de forma mais crua os efeitos de um sistema baseado no monopólio, na concorrência desleal e precariedade como a da Amazon. E nos faz apreciar mais os encontros cara a cara com as leitoras”. Agora estão imersas na apresentação ao público de sua novidade Utopía no es una isla de Layla Martínez.

Todas nos falam da necessidade de encontros físicos, de partilhar espaços, de beijar e abraçar. Precisamente, a primeira feira que teve de ser cancelada, quando tudo estava praticamente fechado, foi a Feira do Livro Anarquista de Sevilha. A sua 11ª edição seria realizada no fim de semana de 27 de março, apenas algumas semanas após esse 9 de março, quando a quarentena começou para nós. A organização reconhece que “foi doloroso, não só pelo trabalho e recursos investidos, mas também pela ilusão de viver a Feira Anarquista, que é um evento muito especial e importante para a Sevilha libertária”. Foi o que também sucedeu, mas alguns meses depois, às camaradas da Feira do Livro Anarquista de Bilbao, que deveria ter sido realizada em 16 de maio.

Ambas as organizações compartilham que estão às custas da evolução da crise sanitária, no entanto, ambas têm esperança de voltar a realizar o evento. Enquanto em Bilbao pretendem manter o cartaz de 2020, desenvolvendo o evento num espaço público ou num local autogestionado, em Sevilha estão “considerando outras possibilidades de poder fazer algo para partilhar com o público, como podcasts, divulgação de conteúdos, pequenas apresentações de fanzines ou livros”.

Vêm à mente livrarias como El Lokal ou La Malatesta; editoras como La Linterna Sorda, Descontrol, Virus ou Imperdible; encontros como a Mostra del Llibre Anarquista de València ou o Encuentro del Libro Anarquista de Salamanca… Uma trama que cresce e que desejamos voltar a desfrutar em breve. Enquanto isso, a solidariedade e o apoio mútuo (nos) sustentam e dão calor, também em tempos de crise sanitária.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/el-libro-anarquista-en-tiempos-de-crisis-sanitaria/?fbclid=IwAR1RrglS2AZJt1VBf00i1VsC85eaqZOu8JaGfBgq6EE_WCnMFPCM1_PLKp0

Tradução > Argy

agência de notícias anarquistas-ana

Não pude imaginar
Esse tigre invisível
Que vês em meu nariz

Jeanne Painchaud

[Suíça] Encontro Internacional Antiautoritário 2022 em Saint-Imier

De 28 a 31 de julho de 2022, será realizado um encontro em Saint-Imier para celebrar o 150º aniversário do Congresso de Saint-Imier que, em 1872, levou à fundação da Internacional Antiautoritária, evento que marcou o nascimento do movimento anarquista organizado.

Assim, serão realizados 4 dias de reuniões, conferências, concertos, seminários e diversas atividades. Uma oportunidade para simpatizantes libertários, pessoas da região, de outros lugares e para que todos os públicos se encontrem, debatam, compartilhem e experimentem ideias e práticas libertárias. Será também uma oportunidade para aqueles que ainda não descobriram a riqueza do movimento, de conhecerem sobre suas contribuições para o progresso social e as lutas dos últimos séculos até os dias de hoje.

O que os anarquistas fazem hoje? Quais são suas ideias, suas obras e suas ações? Como contribuíram para a história mundial por mais de 150 anos? O que podemos aprender com este conceito, e por que a anarquia é mais desejável do que nunca?

A anarquia não significa de forma alguma caos ou ausência de ordem, ao contrário: a anarquia defende a organização pessoal e social antiautoritária e autogestionada, visa a emancipação de todos os seres humanos, luta contra todas as formas de opressão, exploração e autoridade imposta, procura promover a liberdade (ausência de dominação), a equidade (ausência de privilégios) e a ajuda mútua (mutualidade).

Nesta ocasião, gostaríamos de dar as boas-vindas aos participantes de todos os continentes. Por esta razão, todas as pessoas interessadas são convidadas a contribuir para a organização deste encontro da maneira que melhor lhe convier (compartilhamento de informações, contribuições artísticas e de ideias, aporte de materiais, etc.). Para fazer uma doação à nossa associação e assim ajudar na organização do encontro, favor utilizar os seguintes dados de contato:

Caisse d’Epargne Courtelary SA – 2608 Courtelary CH-Suisse – IBAN: CH28 0624 0575 1121 8190 1 – SWIFT (BIC) : RBABCH22240 – em favor da Association 150 ans du congrès de Saint-Imier, Rue Françillon 29, 2610 St-Imier.

Você pode entrar em contato conosco no seguinte endereço: info@anarchy2022.org

www.anarchy2022.org

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/16/suica-preparacao-do-150-aniversario-da-internacional-antiautoritaria/

agência de notícias anarquistas-ana

folhinhas
linhas
zibelinas sozinhas

V. Maiakovski

[Argentina] Um líder anarquista e um amor eterno: a história de Severino, o inesquecível cão da série Okupas

Todo o elenco e a equipe técnica de Okupas coincidem em que o quinto membro da banda foi Stompy, tal como era o verdadeiro nome do animal.

Um dos grandes acertos de Okupas, a série argentina de Bruno Stagnaro que acaba de desembarcar na Netflix, foi seu elenco. Protagonizada por Rodrigo de la Serna, Diego Alonso, Ariel Staltari e Franco Tirri, a produção de “Ideas del sur” contou com um querido personagem que seguia o grupo como um integrante a mais: “Severino”. O cão de rua que “Walter” [interpretado por Staltari] cuidava, não só ganhou um lugar especial no coração dos fanáticos da produção, que agora se situa entre as mais vistas da plataforma de streaming do país, mas que também conseguiu mudar a vida de um dos protagonistas da minissérie.

Depois de converter-se em um fenômeno que sacudiu a televisão argentina, Okupas, originalmente estreada em outubro de 2000, conseguiu consolidar-se como uma produção cult e um tipo de continuação da história que o mesmo Stagnaro começou a contar em “Pizza, birrafaso”. Tudo começa quando “Clara” (Ana Celentano) encarrega “Ricardo” [De la Serna] a missão de habitar uma velha casa da qual acaba de se desalojar um grupo de famílias. Com a ideia de cuidar da propriedade, Ricardo se instala no lugar e recebe seu amigo “El Pollo” (Alonso), que chega acompanhado por “El Chiqui” (Tirri). Finalmente, o quarteto protagonista se completa quando, em uma noite que “Ricardo” deve enfrentar os antigos ocupantes da vivenda, se encontra na rua com “Walter” (Staltari), um passeador de cães que chega com a estrela canina da série: o adorável Severino.

A origem do nome “Severino”

Em uma das primeiras cenas nas quais Severino aparece na série, Walter explica a origem de seu nome. Ao encontrar-se pela primeira vez com “El Chiqui” dentro da casa na qual conviverão um bom tempo, o passeador de cães explica: “Severino se chama”. Por Severino Di Giovanni. Soa familiar? E acrescenta: “Severino Di Giovanni, meu mentor ideológico”. Di Giovanni, a fonte de inspiração a partir da qual Walter batiza sua mascote, foi fuzilado em 1º de fevereiro de 1931 por promover (e pôr em prática) as ideias anarquistas que havia trazido de sua Itália natal à Argentina em 1922.

Stompy, o cão ator que interpretou “Severino”

“O cão ‘Severino’ veio junto com o provedor de cães”, explicou Stagnaro em Lado B, uma produção de YouTube que conta os bastidores de cena da série. Nessa entrevista, o cineasta assinalou que Stompy era ideal para o papel de “Severino” porque sua fisionomia coincidia com a de um cão de rua e, também, se acoplava a todas as cenas de uma maneira insólita, como se realmente estivesse atuando. Martina Seminara, assistente de edição, disse à revista Rolling Stone: “Todas as atuações eram incríveis. Até o cãozinho ‘Severino’ atuava bem. Há uma cena na qual Ricardo lhe dá de comer, põe uma lata na cozinha e lhe dá indicações, ‘venha, sente, come’, que o cão segue à perfeição”.

Ariel Staltari sobre Stompy: “Ele me ensinou a perder o medo”

Ainda que em diversas entrevistas, tanto a equipe técnica como o elenco coincide em que Stompy era um cão muito especial, talvez a pessoa mais impactada com a passagem do animal pelo set de Okupas foi Ariel Staltari. Como seu dono e personagem mais próximo, Walter era quem mais tempo passava junto ao cão.

“Minha relação com ele foi rara porque eu tinha medo dos cães; enchi-me de perguntas quando me disseram que iria ser o dono de um”, relatou Staltari em Lado B. “Graças a Deus pude atravessar esse umbral e com Severino comecei a encontrar um ponto de encontro que foi mágico; comecei a acariciá-lo e aonde eu ia ele ia, se deu uma dinâmica bonita”, explicou o ator. Inclusive, após sua experiência com Stompy, Staltari sentiu a necessidade de adotar uma mascote. “Ele me ensinou a perder o medo dos cães; fiquei com a ideia de que tinha que ter um cão e no ano seguinte, para meu aniversário, meu irmão veio com um siberiano pequeno a que chamamos ‘Severino'”.

A falsa morte de Severino que comoveu o set de Okupas

Para o final da série, a história toma um rumo trágico e Severino perde a vida e é enterrado em uma cerimônia íntima. Sedado por um veterinário, o cão aparece nos braços de “El Chiqui” totalmente imóvel e dócil. O carinho que tanto os atores como a equipe técnica chegaram a desenvolver pelo animal foi tal que, na gravação daquelas tristes cenas, o clima lúgubre e a tristeza pesou sobre todos como se o falecimento fosse real. “Esse capitulo da morte de ‘Severino’ era bastante triste. O louco era que o cão não iria morrer, mas que a história contasse sua morte ultrapassou a ficção e chegou a nós de uma maneira muito verdadeira”, concluiu Staltari em Lado B.

Fonte: https://www.lanacion.com.ar/espectaculos/un-lider-anarquista-y-un-amor-eterno-la-historia-de-severino-el-inolvidable-perro-de-okupas

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

lesma no vidro
procura uma sombra
que seja ela mesma

Alice Ruiz

[Filipinas] Vídeo | Evento pacífico e criativo em protesto contra assassinatos e opressão policial

Aconteceu em Manila, no dia 24 de julho, um evento pacífico e criativo em protesto contra assassinatos e opressão policial.

Indivíduos livres organizaram e participaram de um evento para denunciar atrocidades policiais.

O evento foi repleto de arte, natureza e comunidade. Alguns oferecem cortes de cabelo grátis, comida grátis preparada por voluntários do Food Not Bombs (comida, não bombas), impressão de camisetas grátis e outros mostram seu produto faça-você-mesmo como um meio de subsistência alternativo, há uma exibição de filmes, apresentações musicais e outras atividades espontâneas.

Já ocorreram 20.000 homicídios não contabilizados cometidos por policiais nos últimos 5 anos sob o regime de Duterte. Um grande volume desses números é perpetrado durante sua campanha de Guerra às Drogas.

“Não queremos normalizar as mortes em banhos de sangue. Nós resistimos! Nós lutaremos!”

Resistência adorável!

(A)

> Veja o vídeo (19:25) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=FnxvNf2Abgg

Tradução > abobrinha

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/18/eua-video-acabe-com-a-lei-antiterrorista-solidariedade-com-as-filipinas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/15/filipinas-o-governo-e-o-verdadeiro-terrorista/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/09/filipinas-uma-oposicao-anarquista-a-lei-anti-terrorista-e-ao-terrorismo-do-estado/

agência de notícias anarquistas-ana

brasa do tempo
acende quando passas
no pensamento

Carlos Seabra

[Itália] Errico Malatesta 89 anos após sua morte

Na sexta-feira 23 de julho, lembramos do companheiro Errico Malatesta 89 anos após sua morte.

Quando ele foi enterrado, durante o período fascista, era proibido colocar símbolos anarquistas no seu túmulo, que era guardado durante dias pela polícia para impedir que alguém trouxesse uma flor.

Por esta razão, os anarquistas romanos colocaram uma placa na campa há cerca de quarenta anos, que foi removida recentemente por aqueles que evidentemente temem a reivindicação de Errico de identidade política.

À tarde, colocamos uma nova placa de alabastro preta com um “A” vermelho circulado no túmulo.

A polícia também quis prestar homenagem ao aniversário, enviando, em continuidade com 89 anos atrás, dois policiais para guardar a sepultura.

À noite, em nossa sede de Garbatella, demos vida a um amplo e participativo debate, que começou com algumas reflexões sobre Malatesta e terminou com uma análise do presente e das perspectivas futuras.

Aqui você pode ver um vídeo gravado no dia:

https://www.youtube.com/watch?v=4QUE3L6DNbIi

Grupo Anarquista “M. Bakunin” – FAI Roma e Lazio

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/28/espanha-o-pragmatico-e-lucido-malatesta/

agência de notícias anarquistas-ana

sol na janela
dorme gato no sofá
cor de flanela

Carlos Seabra

[Espanha] Muito livres

Por Carlos Taibo

A consciência dos problemas das mulheres não foi particularmente sólida no anarquismo do XIX. Ainda que Bakunin e Kropotkin tenham escrito a respeito textos iluminadores, o certo é que a irrupção de um tipo de feminismo libertário correu a cargo das próprias mulheres, sem que nenhuma destas se enquadrasse, no entanto, aos preceitos anarquistas, configurados exclusivamente por varões que eram, também claramente ocidentais. Enquanto isso se impuseram geralmente ideias que, como a que sugeria que a revolução social resolveria de uma canetada os problemas das mulheres, não pareciam singularmente lúcidas.

“Nos bastidores o que se percebe é a intuição, clara, de que quando uma feminista pega as coisas pela raiz o mais simples é que se situe, espontânea e afortunadamente, em posições libertárias.”

Nesse magma, cheio de contrastes, se delineou em 1936, na Espanha, um movimento chamado Mujeres Libres. Se a iniciativa surgiu, claro, para fazer frente à condição aberrantemente patriarcal da sociedade espanhola do momento, em uma de suas dimensões principais obedeceu também ao propósito de dar réplica à presença, infelizmente consistente, de condutas machistas no próprio mundo libertário. E ao delinear, paralelamente, organizações especificamente femininas.

O ascendente de Mujeres Libres foi muito poderoso na determinação do que hoje se entende por anarcofeminismo. Creio que este último é, das correntes do pensamento libertário, a que experimentou um maior crescimento e, acaso, a que suscita maior atenção. Ainda que seus fundamentos sigam sendo em essência os mesmos que os de 1936, a eles se agrega agora a necessidade de contestar muitos dos tópicos e concessões que acompanham o feminismo de Estado. Essa contestação sublinha a dimensão de classe que deve acompanhar o questionamento da sociedade patriarcal, ao mesmo tempo em que recorda que o grosso do feminismo realmente existente parece empenhado em integrar as mulheres plenamente, e em fictícia igualdade, no mundo, hierarquizado e explorador, perfilado pelos homens.

“O anarcofeminismo é, das correntes do pensamento libertário, a que experimentou um maior crescimento e, acaso, a que suscita maior atenção.”

Para que nada falte, na trama do anarcofeminismo se manifesta uma aguda consciência no que faz ao que ocorre com as mulheres nos países do Sul. A duras penas pode ser casualidade que as iniciativas que tomaram corpo em Chiapas e em Rojava tenham colocado em primeiro plano a condição e a emancipação daquelas. Nos bastidores o que se percebe é a intuição, clara, de que quando uma feminista pega as coisas pela raiz o mais simples é que se situe, espontânea e afortunadamente, em posições libertárias.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/muy-libres/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Neblina? ou vidraça
que o quente alento da gente,
que olha a rua, embaça?

Guilherme de Almeida