Memória | “Essa é para quem ainda sustenta a falsa narrativa que o anarquismo no Brasil teria acabado em 1922”

Por Marcolino Jeremias | 27/05/2021

Em destaque, foto de Edgard Leuenroth (1881-1968) falando num comício realizado na Praça da Sé, em São Paulo (SP), no dia 1º de Maio de 1957, em memória ao dia dos trabalhadores. O comício foi organizado pelo Pacto de Unidade Intersindical e compareceram cerca de 2 mil pessoas, mesmo com parte da imprensa oficial noticiando que a manifestação havia sido cancelada.

Depois de muito tempo, essa era a primeira concentração em praça pública levada a efeito pelas organizações sindicais, sem qualquer apoio oficial, ou de empregadores, contando apenas com seus próprios e poucos recursos. No período, tais manifestações públicas só vinham sendo permitidas em recinto fechado.

Vale ressaltar que nessa época, além do Centro de Cultura Social (CCS), Edgard Leuenroth também participava e fazia parte da diretoria da Associação Paulista de Imprensa (API-SP).

— Essa é para quem ainda sustenta a falsa narrativa que o anarquismo no Brasil teria acabado em 1922, após a fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) ou em 1939, após o final da guerra civil espanhola e início da segunda guerra mundial.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/07/28/video-entrevista-ficticia-com-edgar-leuenroth-no-programa-retrovisor/

agência de notícias anarquistas-ana

Em toda a longa viagem,
Só agora encontrei
Um cafezal!

Paulo Franchetti

[Chile] Documentário: “Lo Prado em chamas”

Desde Lo Prado. Compilamos neste material diferentes ações que aconteceram em nossa comunidade – como em outras – desde o início da revolta de 18 de outubro de 2019 até 18 de março de 2020. Também incluímos um anexo sobre a continuidade dos eventos de violência política desde o anúncio do Estado de Catástrofe até a comemoração anual da revolta em meio à pandemia pelo Covid-19.

As ações registradas por anônimos e outras tomadas de diferentes locais aconteceram sem líderes, nem dirigentes, nem partidos políticos. Estas vão desde barricadas incendiárias, propaganda, vigílias, atividades autogestionárias, participação de amplas instâncias, tais como ciclo-marchas, manifestações territoriais que culminaram em fortes distúrbios, enfrentamentos com a polícia, militares e até saques de várias lojas.

A revolta que começou em outubro, juntamente com todos os momentos de raiva e ilusões, deve continuar a ser validada e defendida por todos aqueles que continuam a se manifestar no aqui e agora contra o poder e seus defensores. É por isso que criamos isto – para contribuir com a luta – para a memória e ação histórica de nossa comunidade/bairro/vila/cidade, em suma, esta é uma humilde contribuição que agora apresentamos.

Vizinhos organizados da comunidade de Lo Prado.

Outubro de 2020.

PS: Dedicamos este material audiovisual artesanal a cada prisioneiro por lutar e fugitivo, a cada ferido, mutilado e morto sob o contexto de violência política desencadeada durante a revolta e em tempos de pandemia. E finalmente, com muito carinho para aqueles que continuam nas ruas, especialmente para os vizinhos organizados da zona noroeste de Santiago do Chile.

>> Clique aqui para ver o vídeo/documentário (27:47):

https://www.youtube.com/watch?v=Ku_PGDwK7Vc

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Lua cheia.
Me dá, me dá!
Chora a criança.

Issa

Encontro digital | “Uma assembleia de artistas na Comuna de Paris”

Projeto 72 dias.

Neste sábado, 29 de maio, a partir das 19 horas.

O projeto 72 dias, uma experiência de autogestão é uma mostra de vídeos produzidos por um grupo de artistas a respeito da Comuna de Paris, que está completando 150 anos. A pesquisa histórica foi realizada sob a orientação do professor Alexandre Samis.

Neste encontro digital cada integrante do grupo apresentará um dos vídeos que produziu e conversará com os participantes sobre o seu processo de criação.

>> Canal do CCS no YouTube:

www.youtube.com/centrodeculturasocial

FB: https://www.facebook.com/events/2890923021119521/?ref=newsfeed

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Um pombo no mar
traz ao bico verde ramo:
terra à vista?

Anibal Beça

[Espanha] 28 de maio. Sinais de tempestade… Uma viagem, livro por livro, pelo anarquismo alemão

Na próxima sexta-feira, 28 de maio, às 19h00, e com a ajuda de Juan Cruz, arquivista e editor da Piedra Papel Libros, faremos  uma viagem à Alemanha do período Entreguerras, com especial atenção à história do anarquismo alemão, sua relação com as demais organizações do movimento operário, suas ligações com  o anarcossindicalismo espanhol  e suas estratégias de oposição ao nazismo .

Faremos essa abordagem pulando de um livro para outro do catálogo da editora: de El orden reina en Berlín, de Rosa Luxemburgo, a Carl Einstein o la historia casi imposible, de José María de Luelmo; de Wandervogel: los pájaros errantes, de Carles Viñas, a Señales de tormenta: anarquistas alemanes contra Hitler, de David Bernardini; aterrizando em El camino de pasión de Zensl Mühsam. Trece años prisionera de Stalin, de Rudolf Rocker, a última novidade desta pequena editora.

Será uma boa oportunidade para se aproximar da história de um período tão emocionante quanto trágico.

Quando? Sexta-feira, 28 de maio

Onde? Sede da FAL. C / Peñuelas 41, Metro Acacias ou Embajadores

Horário? 19 horas

fal.cnt.es

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Noites sem cigarras –
qualquer coisa aconteceu
ao universo.

Serban Codrin

Feira Anarquista Feminista de Porto Alegre (RS) | Últimos dias para inscrição

Saudações anárkicas!

Há quase um mês, fizemos um chamado para organização da I Feira Anarquista Feminista de Porto Alegre. Pedimos a disponibilidade das pessoas que tinham interesse em somar nesse momento, e a partir disso, decidimos um prazo de até o dia 29 de maio para demonstrar interesse em somar. Agora faltam poucos dias!! Se tu tens vontade, se identifica com o anarcofeminismo, e quer auxiliar na construção desse evento, mande um e-mail à fafpoa@riseup.net!

Até lá!

feiraanarquistafeminista.noblogs.org

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o rio ao lado da estrada
corre
ri à gargalhada

Eugénia Tabosa

Da ditadura franquista à da argentina, falece a vicepresidenta das Mães da Praça de Maio.

Por Ainara Lertxundi| 22/04/2021

Fuzilaram o pai de Mercedes Colás Irisarri de Meroño por ser anarquista. Ela, com onze anos, teve o cabelo raspado. Junto de sua mãe e irmão, voltou à Argentina. Em 1978, a ditadura arrebatou sua única filha. A vice-presidenta das Mães da Praça de Maio [Madres de la Plaza de Mayo] morreu aos 95 anos.

Mercedes Colás Irisarri de Meroño, vice-presidenta das Mães da Praça de Maio, associação encabeçada por Hebe de Bonafini, faleceu aos 95 anos em seu domicílio argentino na Villa Devoto. Em sua longa vida aconteceu de sofrer a repressão e a ditadura franquista, e o terror imposto por Rafael Videla na Argentina depois do golpe de Estado de 24 de março de 1976.

Ainda que nascida na Argentina em 1925, em 1931 a família emigrou a Nafarroa, concretamente a Lodosa [Espanha]. Seu pai, José María Colás, era construtor e anarquista da CNT, motivo pelo qual foi fuzilado pelas tropas franquistas. Rasparam a cabeça dela, com onze anos, na praça do povoado como forma de escárnio público por ser a filha de “um vermelho”.

Junto a sua mãe e irmão regressou à Argentina. Em 5 de janeiro de 1978, os militares argentinos sequestraram sua única filha, Alicia Meroño. Tinha 31 anos. Ainda segue desaparecida.

Em uma série de testemunhos gravados pela associação presidida por Hebe de Bonafini em 2017, pelo motivo do 40º aniversário da primeira marcha das Mães da Praça de Maio, ressaltou seu orgulho por “os filhos que parimos, e por sua vez eles no pariram na luta. Em nossa época, as mulheres lavavam, passavam, cozinhavam (…) Por sorte, aprendemos a fazer política, o que se chama política verdadeiramente, não o palavrão da política. A política de não se vender, a política de ter as ideias nítidas e a política de saber que o outro sou eu”.

“Quando a levaram, fiquei seis meses olhando pela janela esperando que a minha filha voltasse, e se eu e meu marido saíamos juntos, deixávamos um aviso dizendo onde estávamos, porque sempre esperávamos que voltasse. Me voltou tudo o que passei na Espanha. Lá fuzilaram meu pai, cortaram o meu cabelo à zero e pensei ‘não pode ser, o fascismo duas vezes!’. E foi!”, afirma em um vídeo divulgado pelas Mães da Praça de Maio.

“Um dia, meu marido, que tinha ficado no centro, me disse “Poro, as mães estão marchando”. Fomos à praça. Comprei um lenço, um desses que se usam nas festas, um triângulo. Estava em um banco. Veio uma mãe que logo depois nunca mais voltei a ver. ‘E você, o que te aconteceu?’, me disse, porque eu chorava. Então, ela me disse ‘aqui não se vem para chorar, se vem para lutar’. Me levantou, e desde então até hoje estou na Associação”, relembrou.

“Estou orgulhosa do velho – o pai – e da filha que eu tive. Não posso falhar a nenhum dos dois”, remarcou.

Em um comunicado, Mães da Praça de Maio informaram de seu falecimento.  “Se foi devagarinho. Ela era uma das Mães que tinha passado duas vezes pela tortura e o horror (…) Seguramente estará agora dizendo ‘ai, Lodosa, minha Lodosa’, como sempre nos dizia”.

Fonte: https://www.naiz.eus/eu/info/noticia/20210422/de-la-dictadura-franquista-a-la-argentina-fallece-la-vicepresidenta-de-madres-de-plaza-de-mayo#.YKUOnvOHdJc.twitter

Tradução > Caninana

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Há trafego intenso —
Vendo o ipê amarelo
Meus olhos descansam.

Sonia Regina Rocha Rodrigues

[Colômbia] #Cali | Informe desde os locais de detenção para possíveis valas comuns e “casas de pique”

Desde 13 de maio passado de 2021, nossas organizações têm recebido relatos absolutamente escabrosos e delicados que ferem a consciência da humanidade pelo comportamento e práticas policiais, que refletem a gravidade das conseqüências que a mentalidade e as ordens emitidas pelo mais alto nível do Estado geram ao definir como “vândalos terroristas” os jovens manifestantes que são vítimas e alvos diretos de planos criminosos.

Desde 14 de maio, as primeiras versões da existência de valas comuns nas áreas rurais dos municípios de Buga e Yumbo, onde os corpos de muitos jovens de Cali estavam sendo levados, foram tornadas públicas.

Dias depois, uma nova fonte compartilhou informações mais precisas sobre essas delicadas informações, indicando que no domingo, 2 de maio, a CAM foi usada como centro para operações secretas. Alguns jovens foram levados para porões e horas depois foram levados para fora em furgões coloridos.

Duas fontes posteriores relataram o movimento de caminhões que aparentemente faziam parte dos meios utilizados pela polícia para sua mobilidade. Em alguns desses caminhões, os jovens foram supostamente levados à noite para a área conhecida como Mulaló, um distrito de Yumbo, localizado a 30 minutos de Cali. Ali, em um local previamente preparado, eles estariam descarregando os corpos dos jovens dos bairros populares que participam das mobilizações e que são considerados desaparecidos.

Outra pessoa que compartilhou seu testemunho indicou que os jovens estão detidos, alguns deles foram reportados como desaparecidos por seus amigos ou familiares, e em Guacarí, em Buga, a 45 minutos de Cali, eles foram “ajustiçados”.

Alguns dos sobreviventes das execuções foram encontrados com ferimentos de bala em centros de saúde e agora estão aterrorizados e escondidos. Hoje, 23 de maio, uma versão mais delicada das operações dos grupos de civis armados protegidos pela polícia tornou-se conhecida. Diz-se que eles montaram uma “Casa de Pique” na área exclusiva de Ciudad Jardín.

Alguns membros da família compartilharam com nossa organização alguns dos nomes dos jovens detidos, depois levados para uma instalação policial em Meléndez e dias depois seu paradeiro é desconhecido.

A dinâmica da repressão se tornou cada vez mais sofisticada nestes quase 25 dias com a crescente pretensão de evitar a identificação da responsabilidade policial em operações de natureza paramilitar e evidentemente criminosa. Dada a ausência de garantias, solicitamos que os órgãos de investigação e proteção do Estado, e especialmente a Unidade de Busca de Pessoas Desaparecidas, desenvolvam suas atividades com base nas informações públicas iniciais.

Dada a falta de imparcialidade manifestada no desenvolvimento da Greve Nacional por parte da Procuradoria Geral da Nação, uma investigação especial é urgentemente necessária para verificar as ações de investigação.

Ante o medo fundamentado de que as testemunhas possam ser vitimizadas em suas vidas, integridade e liberdade, é necessário adotar as medidas técnicas inerentes à investigação judicial.

As testemunhas temem que a polícia possa desenvolver estratégias de pressão, intimidação e estratégias de encobrimento com o assassinato de mais jovens e suas famílias.

Com base na síntese desses relatos que fornecem elementos razoáveis de planos criminosos sofisticados nos quais a Polícia Nacional participaria e dada a forma como as forças regulares e as expressões militares do General Zapateiro têm operado desde 28 de abril até hoje, deixamos um Registro Histórico Público das informações recebidas.

Dado o dever de garantia e os direitos à verdade, o Estado colombiano deve agir efetivamente, mais além do lugar retórico das “investigações exaustivas” e do testemunho como única base para o início das investigações, o que nos permite confirmar as hipóteses baseadas nestes fundamentos factuais.

Reiteramos que com base neste Registro Histórico Público, o Estado colombiano deveria iniciar uma exploração técnica com especialistas forenses do Instituto de Medicina Legal e da Unidade de Busca de Pessoas Desaparecidas com a participação de observadores de organizações Humanitárias nacionais e internacionais, e adotar medidas imediatas de investigação judicial para garantir um processo de investigação independente e eficaz para refutar ou confirmar os relatos de testemunhas desta situação.

Esta é a lista de pessoas dadas como desaparecidas de 28 de abril até os dias de hoje, de acordo com as verificações cruzadas realizadas pela Universidade de Valle del Cauca:

Alejandro Castro / Alejandro Duque González / Alejandro Hoyos Salgado / Alexander Martínez / Andrés Arango / Andrés Felipe Gómez Rivadeneira / Angie Amaya / Antony Jaramillo / Antony López Brando Molina / Brando Stiven Blandón Pérez / Brayan Cavadias / Brayan Steven Rayo / Bryan Steven Mesa / Bryan Varela / Camila Jaramillo / Carlos Alberto Vásquez Usma / Carlos Andrés Benavides / Carlos Castillo / Carlos Mayorc / Claudia Ospina / Cristian Andrés Ocampo / Cristian Camilo Duque / Cristian Estiven Rentería Valencia /Cristian Zúñiga / Cristopher Rodriguez / Daniel Becerra / Daniel Steven Bonilla / Daniel Zuluaga García / Devi Alezander Ovalle Cabrera / Deivy Alexis Gómez / Devin Alegría Camacho / Deyvi Farley Orozco / Diana Cruz / Diana Marcela Betancour Rodriguez / Diana Ruiz Diego Botero / Eduardo Galeano / Edwin Santiago Martínez Garcés / Elberth Orozco / Esteban Rodríguez / Estiven Jaramillo / Estiven Marulanda / Fabier Londoño Medina / Felipe Arias Felipe Ruiz / Francisco Durán / Francisco Javier García / Héctor Valencia / Heilen Bravo / Isabella Martinez / Jesús David Lozano / Jhon Alexander Aguirre / Jhonatan Lenis / Joan Francisco Herrera / Joan Stiven Vélez / Job Alejandro Moreno / Johan Esteban Torres Urbano / Jorge Alexander Lozano Perez / Jose David Hurtado Moreno / Jose Esteban C Ângulo / Juan Camilo Maiman / Juan Camilo Pérez / Juan Camilo Sánchez / Juan Carlos Gironza Hoyos / Juan Carlos Peña Meneses / Juan Diego Ulloa / Juan Esteban Alvarez / Juan Pablo Gutiérrez / Juan Pablo Guzman Rodríguez / Karol López / Kelvin Josué Plaza Castillo / Kevin Aguilar / Kevin Alexis Bedoya / Kevin Jiménez / Kevin Perea / Kevin Stiven Rodiguez Motavita / Leonardo Andrés Villegas Arana / Lizeth Arévalo / Lizeth Valencia / Luis Dayan Montes Betancourt / Luis Fernando Chávez / Luis Mario Maicol / Andrés Medina Ortiz / Manuela Ruiz Taborda / Marcela Valencia / Marco Andrés Arango / María Angélica Cano / María del Carmen Carabai Barrera / Mario Alberto Arcila Martínez / Marvin Santiago Trejos / Mauricio Cáceres / Michele Arteaga / Michell Torres / Miguel Angel Escobar / Miguel Ángel Henao / Miguel Bolaños / Mónica Mosquera / Nicolás Flórez / Nicolas Suarez / Oscar Eduardo Arroyo / Ramiro Parmenio / Robert Steven Londoño Ospina / Santiago Muñoz Quiroga / Santiago Cruz / Santiago Posada / Santiago Arce / Sebastián Arce / Sebastián Cortés / Sebastián Escobar / Sebastián Ospina / Sofia del Mar Gaviria / Steven Riveros / Valentina Campos / Valentina Marin Quintero / Valentina Ramirez Sánchez / Valeria Serna Vanessa Navia / Verónica Valencia / Víctor Manuel Agudelo / Wilson Loaiza / Mujer Afrodescendiente NN, Adolescente, 13 años / Persona detenida arbitrariamente en Meléndez, 08.05.21 / Persona detenida arbitrariamente en Meléndez 08.05.21 / Miguel Ángel Montiel

26 de maio de 2021

Equipo Jurídico y Humanitario 21 N

Corporación Justicia y Dignidad

Comisión Intereclesial de Justicia y Paz

Fonte: https://www.justiciaypazcolombia.com/cali-informe-desde-los-sitios-de-detencion-a-posible-fosas-comunes-y-casas-de-pique/?fbclid=IwAR3MZuGFC01khPCXg7WDOR7WS69jJAIHUJ89l1_UXepZbCbpET52rTxMA7k

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olhar vadio
sem a pressa das horas
pousa na rosa

Sandra Santos

[Grécia] Atenas: Tirem as mãos do teatro autogestionado Empros!

Hoje, 19/05, no início da manhã, por volta das 7h30, por ordem do Ministério Público, decorreu uma operação de evacuação e fechamento do Teatro Autogestionário Livre Empros, na presença da polícia e representantes da ETAD (Hellenic Public Properties Company), empresa à qual pertence o edifício histórico do Empros (primeira tipografia da Grécia, caracterizada como monumento moderno). A operação decorreu sem autorização do Ministério da Cultura responsável por estes edifícios ou com a sua retumbante ausência e silenciosa cumplicidade.

Que problema poderia ter o Ministério da Cultura grego, afinal, para que um monumento moderno fosse cimentado, já que eles deram permissão para cimentar o mais importante dos antigos, a Acrópole!

Que problema poderia ter o Ministério da Cultura grego, afinal, que um teatro fosse tapado, já que durante todo esse difícil período da pandemia eles desvalorizaram a Arte e insultaram os artistas da pior maneira, levando-os ao desespero e à extinção.

O Teatro Autogestionário Livre Empros nasceu dos sonhos e esperanças de milhões de pessoas que participaram dos movimentos sociais de nosso tempo. É um espaço aberto e público com impacto internacional, de acesso gratuito para mais de 1000 visitantes por semana e com uma programação diária diversificada de eventos dirigidos a uma ampla gama de pessoas de diferentes origens culturais.

Desde 2011, centenas de artistas apresentaram 400 peças diferentes em mais de 2.000 apresentações, sem fins lucrativos e com entrada gratuita. Já foram organizados concertos de 450 bandas musicais, eventos de apoio a projetos auto-organizados, iniciativas cinemáticas e grupos artísticos, mais de 300 palestras e aulas sobre todos os temas da vida cotidiana. Centenas de encontros, exposições, poesias, festivais de literatura, workshops, um mar de encontros e criação, um sopro de liberdade e expressão no centro da cidade.

Ao suposto interesse do HRADF (Hellenic Republic Asset Development Fund) em destacar o valor histórico do edifício – através da sua venda e privatização – respondemos desde 2011, primeiro com o Movimento Mavili, com o Movimento de Residentes Psyrri, etc. E depois com a abertura do Empros como um espaço autogestionário com ações que promoviam a criação e experimentação artística, a par da intervenção sociopolítica numa estrutura anti-hierárquica e anti-mercantilizada.

Procuramos aproximar a teoria e a prática, o artístico e o social e político, sobre questões que dizem respeito a todos, e redefinir o papel da arte, hoje, em condições de emergência. Hoje, mais do que nunca, a continuidade do projeto Empros é vital e por isso precisa do apoio de todos nós! A equipe do Teatro Autogestionário Livre Empros expressa seu apoio à todos os espaços do movimento social que enfrentam a campanha estatal pela imposição de uma regularidade de submissão, medo, privatização e estupefação em massa.

TIREM AS MÃOS DO EMPROS!

OS EDIFÍCIOS PERTENCEM AQUELES QUE ALIMENTAM OS SEUS SONHOS SOB O TELHADO

Teatro Autogestionário Livre Empros

embros.gr

Tradução > Da Vinci

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Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.

Guilherme de Almeida

[Chile] “Que o anarquismo organizado se levante já em cada território e em cada bairro”

Não podemos permanecer no derrotismo e no conformismo pós-eleitoral e tampouco podemos continuar na dispersão e na espontaneidade.

Devemos promover e levantar as ideias e propostas que nascem desde o anarquismo, do assembleísmo e da autonomia revolucionária, levando-as ao contexto atual que exige o pronto surgimento de alternativas revolucionárias que proponham a destruição e a superação do capitalismo.

Precisamos gerar muita discussão e conteúdo político, bem como disciplina e organização e é este último que é o grande culpado do fato de que as urnas eleitorais e o reformismo sempre se imponham como o motor das lutas populares.

Devemos colocar nossos esforços em construir desde o real as coisas reais que começam a dar soluções à cotidiana vida precarizante do capital, e que esta prática traga consigo a construção de um novo mundo cheio de solidariedade, apoio mútuo e felicidade, enterrando o atual.

Que o anarquismo organizado se levante já em cada território e em cada bairro.

Levantar assembleias, panelas comuns, comedores populares, atividades culturais, fazer propaganda, agitação, barricadas, TUDO SERVE COMPANHEIRX.

“Marginalizar-se de uma eleição não significa adormecer e não participar e incidir na vida cotidiana, pois é a partir desta ação cotidiana e permanente de onde nos levantamos”.

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura.

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É quase noite –
As cigarras cantam
Nas folhas escuras.

Paulo Franchetti

[Espanha] Renováveis? Não, obrigado.

Nos últimos anos, e ainda mais nos últimos meses, o surgimento de muitos (e grandes) projetos de instalação de parques eólicos e solares no território está gerando o surgimento de muitos protestos e desafios do mundo rural. A razão é simples: como em muitas outras ocasiões, estas comunidades sentem como as decisões são impostas a elas sem sua participação quando serão elas as que sofrerão os efeitos. Mas que outros ângulos devemos incluir neste debate?

Renovável, o recurso ou a tecnologia

Quando falamos de um recurso renovável, é claro a que nos referimos. Enquanto o petróleo é um bem finito que mais cedo ou mais tarde se esgotará, o sol, o vento ou as marés, incluindo a energia geotérmica, são fontes de energia que podem durar. A queima de petróleo, além disso, envolve a emissão de gases de efeito estufa com impactos cada vez mais complexos e destrutivos, tanto que a Agência Internacional de Energia, alguns anos atrás, recomendou deixar dois terços das reservas conhecidas de todos os combustíveis fósseis no subsolo. Por todas estas razões, existe um consenso social sobre a necessidade de parar de consumir petróleo.

Mas esta situação se torna mais complexa quando analisamos a tecnologia e o funcionamento das formas atuais de aproveitamento da energia do sol e do vento. Painéis solares e moinhos de vento que redesenham nossas paisagens escondem dentro deles a necessidade de materiais minerais que, como o petróleo, também são finitos. Em alguns casos, eles são minerais tão escassos que se enquadram em uma categoria conhecida como “terras raras”. Na verdade, não só a mecânica de extração de energia depende de minerais finitos, como o transporte da eletricidade com a qual queremos carregar nossos carros elétricos significa muitos quilômetros de cobre. E como são muitos, e como parece que serão muitos mais, a questão é dupla: quanto cobre está disponível e qual é o impacto de extraí-lo?

Minerais importados

Neste sentido, as campanhas de muitas entidades para nos informar sobre a origem do coltan utilizado em todos os nossos telefones celulares são um abridor de olhos. O cobalto necessário nestas tecnologias é encontrado no Congo. Grande parte do cobre é encontrado no Peru e no Chile. O lítio em baterias para armazenar a energia obtida, na Bolívia, Chile, Argentina e parece que em breve em Portugal. E aqueles minerais com nomes que são difíceis de lembrar são em sua maioria processados na China.

Em todos esses lugares, a extração mineira acelerada que envolve o abastecimento dessa indústria e seus usos, causa sérios problemas pela contaminação direta da terra, água e ar na área, requer um uso excessivo da água que limita outros usos mais essenciais, tais como beber ou agricultura e gera sérios problemas sociais como o deslocamento forçado de comunidades, doenças por toda a toxicidade mencionada ou conflitos bélicos reais para o controle desses recursos.

Outro exemplo ainda mais desconhecido

É paradoxal saber que, para construir moinhos de vento “verdes”, a floresta tropical amazônica do Equador é desmatada. As lâminas de rotor dos moinhos de vento “são em sua maioria feitas de plástico reforçado com fibra de vidro e madeira de balsa colada com resina epóxi ou poliéster”, diz Peter Meinlschmidt, diretor do Instituto Fraunhofer para Pesquisa de Madeira, Wilhelm-Klauditz-Institut, WKI, em Brunswick.

A balsa é uma árvore que cresce nas florestas tropicais e está atualmente sendo explorada em grandes quantidades pelo capital estrangeiro, especialmente da China, como reclama a população indígena do Equador. E embora seja uma árvore que cresce rapidamente, a demanda pelo material é ainda mais rápida, o que acaba por causar altos índices de desmatamento da floresta tropical e coloca em risco o clima e a vida sustentável (eles mesmos) dessas comunidades.

O mais importante é o uso

Sem minimizar a importância de qual energia é utilizada e consumida, como ela é explorada e processada, bem como quem controla a geração de energia, é importante pensar no que a energia é utilizada. Se eu uso alguns decilitros de gasolina para minha motosserra, estou usando-a de uma maneira não favorável ao meio ambiente? Se eu posso usá-la para fazer lenha para o inverno, claramente não. Devemos prestar mais atenção a este ponto, mas as administrações o ignoram. Precisamos cortar árvores para ter um aspirador elétrico em casa quando há vassouras? Precisamos consumir petróleo para importar alimentos que podemos produzir em nossas terras?

Gustavo Duch

Quarta-feira, 31 de março

Fonte: http://culturayanarquismo.blogspot.com/2021/03/renovables-no-gracias.html

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Lua crescente.
Onde está a outra parte?
Derramou no mar.

Rafael Medeiros

[EUA] Antirracista negro enfrenta fiança de um milhão de dólares após perseguição policial

Chamada para apoiar um conhecido ativista antirracista que enfrenta várias acusações criminais e uma fiança de US $1 milhão. Doe aqui: givebutter.com/jwlegal

Na semana passada, a polícia de San Diego prendeu JW, um conhecido ativista negro de Los Angeles, acusando-o falsamente de várias acusações criminais decorrentes de um contra-protesto contra os supremacistas brancos em Pacific Beach em 9 de janeiro.

Nosso amado amigo ativista é inocente, mas ele está na prisão com uma fiança de US $ 1 milhão, o que é ridículo e excessivo para atividades relacionadas ao protesto. Estamos arrecadando dinheiro para um advogado de defesa particular que concordou em aceitar o caso e, assim que reduzirmos a fiança de JW, precisaremos dos fundos restantes para a fiança.

Essas são acusações muito sérias, com potencial para longas penas de prisão. A polícia, o prefeito e o promotor de San Diego não se importam se acusam as pessoas erradas, desde que possam fazer um show para seus constituintes racistas. Já existe uma ação federal contra o SDPD [forças policiais] por seu policiamento tendencioso neste evento.

Em 9 de janeiro de 2021, extremistas de direita invadiram o enclave de San Diego de Pacific Beach para um comício da supremacia branca. Este comício, que ocorreu apenas três dias após o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio, viu pelo menos cinco manifestantes do Capitólio presentes junto com neonazistas, membros da Guarda Americana de Soldados de Odin, Proud Boys e membros da Defend East County, um grupo terrorista cujos membros foram recentemente presos pelo FBI sob acusações de terrorismo e armas de fogo.

Desde 9 de janeiro, a Polícia de San Diego vem promovendo processos políticos contra os manifestantes antifascistas e antirracistas que defenderam a comunidade e a si próprios, enquanto ignoravam a violência perpetrada pelos nazistas naquele dia.

JW precisa de sua ajuda para montar uma defesa justa contra esse processo malicioso e fiança excessiva. Faremos atualizações regulares e transparentes à medida que o caso avança. Se conseguirmos encerrar o caso, quaisquer fundos que sobrarem serão usados para apoio jurídico aos outros réus que enfrentarão as acusações desta manifestação.

Muito obrigado por seu apoio a JW e sua família!

Tradução > Da Vinci

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Outono –
uma folha úmida
cobriu o número da casa.

Constantin Abaluta

[Espanha] A Colômbia desperta e o Leviatã se retorce

No final de abril assistimos a um novo despertar do povo colombiano, que ousadamente saiu às ruas para reivindicar seu direito à vida. Quem sustenta que isso é apenas uma resposta a uma reforma tributária proposta pelo Executivo colombiano – assim como quem assume que o que aconteceu no Chile foi apenas um aumento do preço do metrô – está enganado; é o povo exausto de suportar os constantes abusos de um Estado a serviço dos interesses econômicos de uns poucos. Hoje o povo colombiano, com total determinação, nos mostra que o Leviatã não é um animal tão temível, indestrutível e todo-poderoso que não pode ser ferido, hoje o povo colombiano conseguiu fazer com que o Leviatã se retirasse agonizante, embora com um alto custo de sangue.

Não é coincidência que o foco dos protestos esteja mudando para denunciar o papel repressivo da polícia e de outras forças do aparelho repressivo do Estado, com mais de 40 mortos, 16 casos de violência sexual – soubemos recentemente como uma menor cometeu suicídio após ter sida estuprada por agentes da ESMAD – e mais de 300 desaparecidos, estas táticas de terror aplicadas com cuidado e total diligência contra o “inimigo interno” – leia o Povo – são um eco das botas que uma vez encheram as salas de aula da nefasta “Escola das Américas” -USARSA -, uma instituição símbolo do intervencionismo norte-americano no continente, da qual a Colômbia tem a duvidosa honra de ter o maior número de graduados – em número de 9.558, muito mais do que El Salvador, que é o segundo com 6.609, até sua reconversão cosmética em 2001 no atual Instituto de Cooperação em Segurança do Hemisfério Ocidental.

Se os protestos em todo o planeta, dos EUA à Colômbia e do Chile a Hong Kong, tornam visível hoje mais do que nunca a necessidade de acabar com a vil instituição policial, é porque não há mais dúvidas sobre seu papel como pilar fundamental que sustenta as “democracias imunes” defendendo e salvaguardando os interesses de uns poucos protegidos pelo Estado em detrimento de uma vasta maioria despossuída e vulnerável, que no final das contas pode ser expulsa, como lixo, do Corpus do Estado. “Democracias” que afirmam reconhecer a soberania do povo, mas que não hesitam em descarregar toda sua violência sobre a carne do povo quando decidem reclamá-la. É aí que a ilusão do “Estado de Bem-Estar” se desfaz diante da crua realidade do “Estado policial”.

A polícia, como uma instituição que monopoliza a violência legal – não legítima – está autorizada a cometer ilegalidades ou, em outras palavras, os abusos policiais são intrínsecos à natureza da instituição policial, o que no espaço público se traduz em um domínio absoluto sobre os órgãos da sociedade civil. É por isso que não deve ser surpresa para ninguém como os jovens colombianos são arrastados para suas instalações para serem estuprados ou espancados até a morte com impunidade.

Da mesma forma, podemos ver como as elites estão determinadas a não deixar a defesa de seus privilégios exclusivamente nas mãos das forças repressivas do Estado, tomando parte ativa na repressão ao povo colombiano. Vimos como em 9 de maio, grupos dessas elites fascistas armadas abriram fogo contra membros da Minga indígena, em conluio com a polícia, deixando claro, mais uma vez, qual é o verdadeiro papel desempenhado pela instituição policial, distante da suposta manutenção da ordem. Isto não é nada novo, temos exemplos muito recentes deste tipo de confraternização político-civil fascista na Espanha.

Depende da determinação do povo colombiano em pôr um fim de uma vez por todas a essas injustiças. É nosso desejo unir-nos em um abraço fraterno com o povo colombiano de pé, mostrando-lhes todo nosso apoio e desejando que consigam dar o golpe definitivo ao coração do Leviatã que os mantém acorrentados na maior miséria e desigualdade. Infelizmente este sacrifício certamente implicará o derramamento de mais sangue de mártires inocentes, embora não duvidemos que, se o povo colombiano conseguir enviar a besta do Estado para o abismo do esquecimento, um horizonte cheio de justiça social se abrirá diante deles. Irmãs e irmãos colombianos, libertem-se das correntes que os oprimem, vocês não estão sozinhos! Avante, sempre!

PELA LIBERDADE DO POVO COLOMBIANO!

PELA JUSTIÇA SOCIAL!

PELA ANARQUIA!

Federação Anarquista Ibérica – FAI

Fonte: https://federacionanarquistaiberica.wordpress.com/2021/05/24/colombia-despierta-y-leviatan-se-retuerce/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

Carlos Seabra

[Espanha] Negras Tormentas em Gaza

Em 2014 cerca de 327 judeus sobreviventes do Holocausto e seus descendentes condenaram, através de uma missiva publicada no The New York Times, o massacre do povo palestino ocorrido em Gaza às mãos do Estado de Israel, “Estamos preocupados com a desumanização racista dos palestinos na sociedade israelense, que atingiu níveis extremos. Em Israel, políticos e líderes de opinião da mídia fizeram comentários públicos a favor do genocídio“, advertiu com razão aqueles que sentiam os estigmas do fascismo em sua própria carne, sabendo reconhecer os sintomas inconfundíveis de uma sociedade que caminha para a cumplicidade no genocídio.

O Estado de Israel sabe muito bem que a desumanização do povo palestino na inteligência coletiva da sociedade israelense é o primeiro passo para a cumplicidade e indiferença com o massacre indiscriminado deles, já que a desumanização de um povo se traduz, ironicamente, com a perda da humanidade por parte de quem consente, caso contrário, é impossível explicar como as imagens de pequenos cadáveres de crianças palestinas carbonizadas pelos bombardeios não suscitam uma onda de indignação na maioria do povo israelense que, por sua vez, os levaria a enfrentar tal regime de terror. O objetivo do Estado israelense é claro e evidente, de forjar uma sociedade civil sociopata incapaz de qualquer empatia, despojando-a de qualquer sensibilidade à dor do povo palestino. É por isso que hoje podemos dizer com segurança que a classe dominante política de Israel reproduz com sucesso o apartheid mesmo dentro de suas fronteiras, com décadas erguendo muros ao redor da população árabe israelense, replicando ao milímetro os bolsões de exclusão sul-africanos. O Estado de Israel, portanto, é duplamente culpado, pois instiga a limpeza étnica do povo palestino enquanto mantém a humanidade da própria sociedade israelense como refém.

Mais uma vez, a maioria dos meios de comunicação jogam enganando, tentando justificar o injustificável, aludindo às ações do Hamas – mais simbólicas do que eficazes -, que se dedica a desempenhar seu papel no intrincado tabuleiro de xadrez geopolítico do Oriente Médio – assim como a ANP, Irã, Arábia Saudita, etc. – e que pouco se importa com a realidade do povo palestino, um exemplo disso é a brutal repressão exercida em 2019 contra os protestos contra o alto custo de vida. É assim que o povo palestino é duplamente martirizado, mantido submetido e espremido até os extremos mais cruéis, de dentro e de fora de Gaza. Nada justifica o bombardeio, a matança e a tortura da população civil, assim como não há nenhuma razão que possa justificar o ataque aos edifícios das agências de notícias.

O inferno sofrido pelo povo palestino não se limita ao seu desmembramento, tortura e morte física. Após décadas de bloqueios e conflitos, há várias ONGs que alertam para o aumento de doenças e problemas mentais entre a população palestina, com o agravante de não ter os recursos materiais e humanos para aliviá-los, resultado, por sua vez, desta mesma política de bloqueio israelense, que alimenta a barbárie e a miséria, como o animal que morde sua própria cauda. Desta forma, o Estado israelense não só nega um presente, mas também dinamita a possibilidade de um futuro para um povo palestino sufocado.

Por todas essas razões, mostramos nosso apoio ao povo palestino, sentindo sua dor, e ao mesmo tempo apelamos para aquela parte do povo israelense que ainda não foi despojada de sua humanidade a se levantar em clamor popular para derrubar os tiranos que semeiam a morte entre seus irmãos palestinos, conseguindo assim um futuro livre de muros e bombas, cheio de igualdade e justiça social.

Por uma região palestina livre e igualitária

Pela a anarquia

Federação Anarquista Ibérica – FAI

Fonte: https://federacionanarquistaiberica.wordpress.com/2021/05/22/negras-tormentas-en-gaza/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

A chuva parou –
Na voz do pássaro,
Que frio!

Paulo Franchetti

29 de Maio: Retomar as ruas para derrotar o governo genocida de Bolsonaro e Mourão

É preciso derrotar o governo fascista de Bolsonaro e Mourão e parar o projeto genocida que avança contra o povo pobre e trabalhador brasileiro. Só a mobilização nas ruas e a luta do povo organizado pode mudar nossa situação de miséria, fome, desemprego, precarização do trabalho e as milhares de mortes diárias por falta de medidas sanitárias e sociais.

Com 450 mil mortes por Covid-19, segundo os dados oficiais, mas com nossa tragédia real podendo passar de 1 milhão de mortes, o governo negacionista de Bolsonaro a serviço dos ricos e de uma burguesia doentia é o grande responsável pelas centenas de milhares de mortes. Apenas nossa luta coletiva e radical pode vingar as mortes de nosso povo e derrotar esse governo criminoso com mobilizações nas ruas, paralisações, greves e barricadas para avançar até a Greve Geral e à rebelião popular.

Precisamos pôr fim ao governo militar e genocida de Bolsonaro e organizar a luta também contra os patrões, o Congresso Nacional corrupto, os governos estaduais e as prefeituras. Exigir vacinação imediata para o povo, renda básica digna para não morrer de fome e medidas sanitárias para não morrer de Covid-19, assim como, o fim dos massacres do povo negro e favelado, dos despejos desumanos e da violência contra camponeses pobres e os povos indígenas.

Nesse dia 29 de maio participe do Dia Nacional de Luta, mobilize sua comunidade, colegas de trabalho, escola ou faculdade. Nossa reposta precisa ser a revolta e a luta organizada, combativa e radicalizada nas ruas. Participe da construção da Campanha Nacional pela Greve Geral e dos comitês para a mobilização de base em sua cidade para organizar a ação coletiva e defender a vida de nosso povo.

CONSTRUIR A GREVE GERAL E ORGANIZAR A REBELIÃO!

ABAIXO O GOVERNO GENOCIDA DE BOLSONARO E MOURÃO!

Acompanhe a Campanha pela Greve Geral nas redes sociais em @campanhagrevegeral.

lutafob.org

agência de notícias anarquistas-ana

chuva torrencial
sob a laje de concreto
um casal de pardais

Jorge Lescano

[México] Entrevista a Maria Galindo: “Proponho uma contracorrente poética que assuma a luta a partir da alegria”

Uma conversa com a ativista, que a partir do feminismo se converteu em uma figura notável das lutas sociais bolivianas.

Por Gisela Kozak Rovero | 21/04/2021

A feminista María Galindo (1964) é uma figura notável das lutas sociais bolivianas. É fundadora do coletivo Mujeres Creando, em funcionamento desde 1992, e cultiva a performance, o ativismo de base, o documentário e a rádio. Entre seus livros, se destacam Nenhuma mulher nasce para puta (2007), em coautoria com a argentina Sonia Sánchez, e Não há liberdade política sem liberdade sexual (2017). Atualmente desenvolve um projeto audiovisual sobre as múltiplas arestas da prostituição, cujo sonoro nome é “revolução puta”.

Graduada em psicologia e comunicadora de ofício, Galindo é uma feminista oposta à economia de mercado global e à democracia liberal, uma ativista utópica que propõe a reinvenção radical do mundo. Com elegância, foge às questões típicas do século XX, ao estilo de sim, a propriedade privada dos meios de produção tem que acabar, mas também questões instigantes do século XXI, relativas ao politicamente correto, vigilância da arte, literatura,  cultura e pensamento vistos somente em termos de memorial de queixas. O avanço registrado pelas mulheres desde o século XIX até agora lhe parece uma concessão não comparável com as condições das europeias ou indígenas antes da modernidade, ainda que reconheça, por exemplo, que o voto e a educação pública, gratuita e autônoma deram voz e presença às descendentes de mulheres pobres bolivianas. Não concede maior relevância aos índices de equidade de gênero que demonstram que existem diferenças substantivas entre uma mulher pobre da Venezuela e seu par na Alemanha, mas aceita que tais diferenças existem. Em todo caso, sublinha, o capitalismo neoliberal é único e funciona igual em todos os países; por exemplo. Nem Angela Merkel pode se opor ao poder farmacêutico transnacional. Tampouco reconhece diferenças relevantes entre as condições da população LGBTQ* em países como Rússia ou Irã e as condições de seus pares nas democracias liberais.

María Galindo é uma rebelde absolutamente moderna, com uma personalidade e inteligência fora de série, concebíveis dentro de uma tradição de liberdades individuais, mas que somente vê sentido a sua luta desde posturas que derrubam o indivíduo para compreendê-lo como um sujeito de comunidade. Se confessa insubornável e responsável das consequências de seu exercício político inclassificável, as quais enfrenta sem queixas. Seu verbo é preciso e poético, incendiário e empático.

A obediência nos torna felizes ou nos torna livres?

Ambas as coisas. Na Bolívia a luta social se legitima desde a glorificação da dor, da morte, da imolação, pois deste modo adquire respeito, sentido e reconhecimento. Proponho uma contracorrente poética que assuma a luta a partir da alegria, que seja um lugar para ficar, uma ação infinita que inclua prazer e felicidade. No movimento Mujeres Creando fazemos um culto ao desfrute, e da felicidade uma palavra volúvel que adquire novos sentidos, em oposição a um feminismo necrófilo e “comemortas”, incapaz de celebrar a vida das assassinadas no lugar de sublinhar o que Rita Segato chama de espetáculo patriarcal de sua morte violenta, um espetáculo sem dúvida moralizante. Nós insistimos em falar não do dia após, mas no dia anterior de seu fim. O que estavam fazendo, planejando uma festa, um divórcio, terminando uma relação, trabalhando? Devemos nos opor à patrimonialização, uma prática que exalta o heroísmo e o martírio, muito própria da América Latina, ao que eu chamo de continente sem nome. Não patrimonializemos nossas mortas, reivindiquemos a esperança e a vida das vivas enquanto seguimos em nosso empenho de impedir os feminicídios e que se faça justiça.

Você é muito crítica com as convencionalmente chamadas ciências sociais e as humanidades, apesar do auge de correntes de esquerda como a teoria decolonial, os estudos culturais, os diversos feminismos críticos com a tradição ilustrada e, inclusive, a teoria queer. Quais são as suas diferenças com a academia?

Antes de tudo, o monopólio da produção de conhecimento que a academia pretende exercer sobre o conjunto da sociedade, o qual contradiz outras formas de tal produção fundantes e imprescindíveis para nos compreender, como a que se constrói a partir da luta. Se impõe a ideia de que as universidades criam a teoria e de que o ativismo, o lugar da prática, deve se nutrir da teoria surgida nas instituições acadêmicas. Em Mujeres Creando estamos gerando conhecimento permanentemente, de fato, recebemos doutorandos e terminamos por monetizar nossas entrevistas com estes e estas como uma forma de enfrentar o simples extrativismo epistemológico. Me refiro a uma prática na qual a academia, como instituição legitimada pela sociedade, submete a um processo de tradução a seus próprios termos os movimentos sociais mais diversos e, em especial, às comunidades indígenas. Sem dúvida, reconheço o valor da universidade pública e gratuita como conquista do movimento operário da primeira metade do século XX, quando os estudantes me ligam – na Bolívia, o co-governo entre estudantes e professores está arraigado – sempre atendo. Além disso, tenho sido professora universitária eventualmente, mas tenho ficado muito incômoda, na realidade, me dedico a uma série de ofícios para ocupar um lugar que não tem nome.

Sujeito do feminismo para María Galindo: “aliança insólita e proibida entre mulheres”. São índias, putas e lésbicas? Não se trata de um sujeito muito limitado a um tipo de mulher? O que opina dos consensos e qual é o limite? Em sua experiência como ativista de base, não teve que negociar com lideranças evangélicas?

Sobre a aliança insólita e proibida entre mulheres se trata de uma definição poética e metafórica para questionar a construção de movimentos identitários. As identidades respondem a um paradigma neoliberal que fragmenta a compreensão das lutas sociais e esquece a interconexão vital entre estas. Trata-se de discursos fragmentários em função de identidades fragmentárias que se convertem em clientes do sistema, do Estado ou das instituições privadas. É uma simplificação absoluta pensar que uma indígena é igual a outra indígena, que as mulheres são iguais entre si ou que as trans igualmente o são. Sou lésbica, e lógico que passei pelo movimento identitário, mas é necessário transcender este marco. Quanto ao tema dos consensos, é necessário trabalhar constantemente com alianças éticas, não ideológicas. Por exemplo, quando se faz o ativismo a favor da legalização do aborto, o único limite para estabelecer consensos é coincidir neste objetivo. Assim funciona a respeito do antirracismo, a tríade trabalho manual-intelectual-criativo, a exigência da prestação de contas, a proibição da transfobia ou a defesa de um parque nacional. Não temos que pensar da mesma forma, no caso específico do feminismo, ou as diferenças são inevitáveis ou desejáveis. Devemos fazer um espaço comum de alianças insólitas. O limite de tais alianças é um limite prático não pré-determinado, não está escrito na Bíblia nem em uma espécie de Decálogo, como Os dez mandamentos. O limite do consenso é imposto pela prática, além do mais, o consenso – a ideia de que todos e todas tenhamos que chegar a um acordo – não constitui o único instrumento para construir, atuar e se mover.

Qual é a sua visão sobre os governos de esquerda, entre eles o de Evo Morales na Bolívia?

Enfrentei durante o governo de Evo Morales três processos judiciais, dos quais saí livre. Enfrentei, igualmente, ao interinato de Jeanine Añez, enquanto Evo Moralez e seus colaboradores próximos saíram fugidos da Bolívia. Evo foi prisioneiro dos limites que lhe impuseram os militares e a polícia. No geral, os governos de esquerda também têm sido cúmplices do capitalismo global extrativista, ecocida, patriarcal e colonizador, incapazes de transcender as dinâmicas de poder próprias do Estado nacional e do capitalismo neoliberal global. No caso do governo de Nicolás Maduro, trata-se de uma narco-oligarquia demagógica, e é terrível que a resposta diante da migração venezuelana seja a xenofobia generalizada na América do Sul, comparável com a existente na Europa a respeito de refugiados e migrantes em geral. Cuba trata-se de um regime socialista proxeneta – tema ao qual me referi, junto a Sonia Sánchez, em Nenhuma mulher nasce puta – com fontes de divisas tão questionáveis como o turismo sexual. É incrível que a Federação de Mulheres Cubanas negue, me atrevo a dizer que neuroticamente, esta realidade.

Você tem sido muito dura com seus possíveis aliados de esquerda na Bolívia. Para mostrar, sua conversação com Alvaro García Linhera quando era vice-presidente da Bolívia, publicada em Não há liberdade política se não há liberdade sexual.

Sim, todos os dias me pedem que eu perca aliados em altas esferas do poder, mas no meu celular tenho os números de muitos funcionários do governo de Morales e de Arce, não sou ortodoxa e estou sempre aberta à política como luta infinita e cotidiana, por que aconteceu me relacionar com fiscais, juízes, policiais. O ponto é que não me interessam as relações de clientelismo, estou consciente de que há gente que precisa receber uma cesta de comida para sobreviver, mas não devem se submeter a nenhum governo ou instituição por uma razão como esta. Reivindiquei a Alvaro García Linhera sua conformidade com uma ficção de poder absolutamente incapaz de propiciar as mudanças necessárias para o país. Vivem para as pesquisas e a popularidade, não para fazer política de verdade.

Você se referiu em seus livros e declarações sobre a existência de um bloco popular conservador na Bolívia e, desde então, em outros países da América Latina. Muito pouca gente se atreveria a dizer algo assim, mas na realidade descreve uma situação de amplas camadas dos setores populares que podem ser qualificados como homofóbicos e antifeministas e tem expressões organizadas, por exemplo, ao redor das igrejas evangélicas pentecostais.

É preciso uma renovação do léxico com o qual falamos sobre o movimento popular, já que está sacralizado e, portanto, não é suscetível de crítica. Você pode criticar um governo, mas não pode criticar um movimento de mulheres camponesas. Temos que nos questionar e uma prova do que eu digo é a vitória de Jair Bolsonaro no Brasil, com uma ampla base de apoio religioso. Também aconteceu no Equador com Lenín Moreno, e mais, durante o governo de Evo Morales se deu uma personificação jurídica a uma quantidade importante de denominações cristãs fundamentalistas. Em minha opinião trata-se de uma guerra ideológica equivalente à segunda extirpação de idolatrias.

Diante do autoritarismo no auge que significam os fundamentalismos, por não falar das direitas e esquerdas que se definem pela aniquilação real ou simbólica do adversário (o inimigo, para ser exata), não seria necessário defender conquistas da democracia liberal como o pluralismo político e os direitos humanos, avanços sociais como a educação e a saúde públicas? A esquerda tem produzido monstruosidades como o stalinismo ou a revolução bolivariana, cuja atitude anti-ilustrada, que despreza o conhecimento, a ciência, a tecnologia, devastou a Venezuela.

Não aceito que as alternativas sejam a democracia liberal ou o mundo que você descreve. As conquistas da democracia liberal se circunscrevem a uma minoria do mundo. Quanto aos termos como esquerda e direita ou conservador e progressista, são insuficientes, uma simplificação que não nos serve mais. Sob a aparente dicotomia esquerda e direita só se esconde uma mesma lógica em relação com o que chamamos “natureza” e com respeito às mulheres. Os feminismos, ecologismos e povos indígenas são o que representam os alvoreceres das novas bases para a compreensão deste mundo. Eu não falo de esquerda e direita, mas de descolonização e despatriarcalização, termo usado pelo governo da Bolívia, mas que eu formulei. Proponho a desestruturação da família heterossexual branca de classe média, que é o modelo ao qual todos devemos nos submeter, também a divisão do trabalho e do binarismo sexual.

Sou uma lésbica casada e monogâmica. Por que você é tão dura com quem escolhe esta opção?

Lamento se das minhas declarações ou livros se puderam deduzir algo assim. Não se deve impor nenhum modelo de convivência, como ocorre com a família heterossexual, um dispositivo de colonização perfeito que separa as mulheres e reduz os horizontes ao bem-estar de seu entorno mais imediato. Devemos ir além. Reivindico as soberanias do corpo, nos atrever a nos enganar, entender que o Estado nacional está chegando a sua crise. Proponho falar e escrever sobre outros horizontes, sobre geografias em lugar de nações: a andina, a caribenha, a amazônica. É hora de abandonar a submissão a genealogias históricas e epistêmicas euro centradas – feminismo da primeira, segunda e terceira onda, por exemplo – para buscar saberes e genealogias alternativas ao socialismo e ao liberalismo, de origem ilustrada, que nos libertem de um futuro onde se vislumbre um mundo arrasado pelo ecocídio capitalista. Não tenho as respostas de como construir um mundo não racista nem classista, liberado da homofobia e da transfobia, que acolha como iguais aos animais e as plantas. Não as tenho porque temos que construí-las.

Fonte: https://www.letraslibres.com/mexico/politica/entrevista-maria-galindo-propongo-una-contracorriente-poetica-que-asuma-la-lucha-desde-el-goce

Tradução > Caninana

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agência de notícias anarquistas-ana

No outono as folhas
Caem e o caminho
Tapete se transforma

Dalva Sanae Baba

[Espanha] O Agite do povo trabalhador: crônica do debate anarquista/anticapitalista sobre os protestos atuais na Colômbia (Palomar-Barna)

20 de maio de 2021

1) Crônica-resumo dos protestos e seu contexto social e histórico

Na última segunda-feira, 17 de maio de 2021, às 19:00 horas, foi realizado um debate online no Ateneu Libertário de Palomar (llenguadoc, 25) por camaradas do coletivo anarquista colombiano El Agite sobre os fortes protestos, e consequente repressão estatal, que estão ocorrendo ultimamente neste país latino-americano (do qual, a propósito, indicaram que seu núcleo mais insurrecional está na cidade de Cali). Os compas quiseram enfatizar, desde o início, que a Colômbia é um país que sempre esteve em guerra desde sua própria fundação. A longa sombra do líder da ultra-direita, Álvaro Uribe Vélez, ligado ao paramilitarismo, estende-se até os dias atuais com seu controle indireto do governo atual. Na Colômbia, vale notar, em relação ao acima exposto, que a oligarquia local nunca teve a necessidade de recorrer à ditadura aberta e, consequentemente, a direita sempre governou, mesmo com sua fachada de democracia tingida com o sangue dos camponeses e trabalhadores.

Em relação a isso, ele lembrou, no passado, o extermínio sistemático dos militantes do partido esquerdista Unión Patriótica, que constitui um dos mais terríveis atos de repressão da história do país. Atualmente, as autoridades gostam de ligar os manifestantes aos dissidentes das F.A.R.C. (setores das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, agora desmobilizadas, também conhecidas como a Nueva Marquetalia), embora, hoje, os manifestantes demonstrem níveis significativos de autonomia política, e até mesmo uma rejeição manifesta, com respeito às organizações da esquerda tradicional. Tudo isso em um cenário de militarização do país para enfrentar os crescentes protestos, o que não é novidade na Colômbia. Eles também apontaram o perdão do governo aos paramilitares, no passado, e suas ações, no presente, lançando chumbo sobre os manifestantes com total impunidade.

Os camaradas do Agite mostraram um vídeo do bairro de Puerto Resistencia em Cali, que está atualmente ocupado pelos manifestantes. Quiseram assinalar que existe um forte movimento sindical no país, mas que quase não resta memória na classe trabalhadora do anarco-sindicalismo histórico (atualmente, porém, existe o Sindicato Estudantil e Trabalhista Libertário: seção colombiana da Associação Internacional de Trabalhadores e, portanto, irmanada com a CNT-AIT da Espanha). Algumas das medidas draconianas de ajuste econômico que o governo está impondo e que motivaram a explosão social que comentaram são: o aumento do I.V.A (imposto sobre valor agregado) de 8% para 16% e o aumento da idade de aposentadoria. Na verdade, se não fosse a situação gerada pela crise da COVID, teria havido uma Greve Nacional mais cedo.

Eles também ressaltaram que o atual governo ignorou o Acordo de Paz com a guerrilha e que vários de seus membros estão ligados ao Cartel de Medellín e ao traficante de drogas Pablo Escobar, que morreu em 1993. Em relação a isto, eles apontaram que mais de 100 líderes sociais foram assassinados desde a assinatura do acordo. Além disso, eles ressaltaram que, atualmente, existem alianças entre guerrilheiros das F.A.R.C. e do Exército de Libertação Nacional (E.L.N.) e paramilitares para o simples controle do território e do tráfico de drogas, o que significa que o eixo direita-esquerda nas ações dos grupos armados está se tornando cada vez mais difuso. Eles apontaram a declaração do E.L.N. contra o governo em 12 de maio deste ano, acusando-o de não querer dialogar com as pessoas que estão nas ruas.

Em relação a isto, há diferentes setores da população que protestam, tais como estudantes, camponeses, taxistas e caminhoneiros. Os números da repressão, que recolhemos o melhor que pudemos de sua apresentação, são: 50 mortos, 568 feridos, 37 pessoas com lesões oculares, 1470 detenções arbitrárias, 21 casos de abuso sexual (uma garota cometeu suicídio por causa disso, o que levou a fortes motins e intervenção do exército) e 524 desaparecidos. Neste contexto, disseram eles, os direitos constitucionais existem apenas no papel.

2) Os camaradas do Agite expressam sua opinião anarquista sobre a situação atual

Em primeiro lugar, quiseram deixar claro que apoiam o movimento insurrecional que tem autonomia, destacando os jovens sem recursos ou serviços básicos que estão mostrando seu rosto na Primeira Linha em sua luta contra o Esquadrão Móvel Anti-distúrbios (ESMAD): uma força policial com reputação infame por sua sistemática violação dos direitos humanos e que possui armamento e equipamentos superiores ao que é normal neste tipo de unidade em outros países do mundo. Neste sentido, eles quiseram enfatizar que não existe um protagonismo especial do movimento estudantil ou operário, digamos oficial. Eles quiseram apontar uma crítica, que lhes pareceu importante, em relação ao fraco internacionalismo presente nos protestos, que eles relacionam com o fato de a Colômbia ser um país muito fechado em si mesmo. Assim, eles expressaram seu desacordo com a profusão de bandeiras nacionais nos protestos, pois consideram o patriotismo como algo perigoso.

3) Algumas intervenções dos participantes e respostas do Agite

Um participante perguntou se a classe política está tentando salvar o Estado como no Chile com a proposta de uma nova Constituição. Um dos participantes do Agite respondeu que há alguns líderes políticos que estão sinalizando o progressismo (como um ex-membro da guerrilha urbana M-19) defendendo a aplicação prática dos valores constitucionais porque, ao contrário do Chile, o discurso político está mais focado em torná-lo efetivo do que em reformar o próprio texto, uma vez que é considerado de caráter avançado. Outra questão consistia em saber como o Agite está posicionado como um grupo anarquista em uma mobilização tão ampla. Aqui eles responderam, mas não antes de lembrar que Álvaro Uribe estava encorajando ataques armados contra os manifestantes com suas proclamações de legítima defesa da propriedade privada, explicando que estavam participando da agitação, com grafites ou murais.

Eles também fazem propaganda anarquista e tentam difundir a ideia de que os políticos progressistas não farão mudanças profundas se chegarem ao poder. No nível das ruas, já foi mencionado que eles apoiam os jovens da Primera Línea e iniciativas autônomas de protesto, como a Minga indígena. Eles se consideram, com sua especificidade libertária, parte de um movimento de protesto que está levando parte da população conservadora a começar a questionar o discurso do governo de que os manifestantes são cripto-guerrilheiros Castro-Chavistas e os veem como pessoas que lutam por necessidades reais e urgentes. O descrédito da mídia oficial também é bastante importante, considerando que a situação a este respeito vinha de um ponto de vista muito diferente.

Outra intervenção foi no sentido de perguntar sobre a situação dos desaparecidos, ao que os camaradas responderam que, em sua maioria, são detenções que não são relatadas, embora tenham lembrado o aparecimento de um manifestante morto em Cauca dias após sua prisão. Uma das últimas intervenções perguntou sobre o papel da Igreja Católica em tudo isso, à qual o Agite respondeu que na Colômbia é basicamente uma instituição de direita e conservadora próxima aos proprietários de terras. Portanto, o que tem feito é sair da questão sem se pronunciar sobre a greve e tentando exercer um papel

fracassado de mediação.

4) Conclusões

Como os camaradas do Agite assinalaram, o país tem sido, historicamente, impermeável ao acesso da esquerda ao poder e, eu diria mais, o sistema oligárquico colombiano tem bloqueado por muitos anos a influência das massas populares nos assuntos públicos. A Colômbia é caracterizada por uma hegemonia do liberalismo e pelo sistema político fechado que alguns historiadores têm comparado com o de um país centro-americano e não com o acesso histórico dos movimentos nacionais-populares ao poder típico de outros países sul-americanos: de fato, as origens da violência estatal e da contra-violência guerrilheira ou da violência proveniente de baixo podem ser traçadas diretamente ao assassinato do líder populista Jorge Eliécer Gaitán em 1948. Além disso, a influência, em alguns casos, do liberalismo foi tão forte que permeou as tendas marxistas, dando origem a hibridações ideológicas paradoxais.

É por esta dura razão estrutural que é tão importante apoiar as atuais mobilizações na Colômbia, pois para quebrar a crosta da sociedade burguesa colombiana e da institucionalidade, parafraseando o anarco-sindicalista espanhol Juan García Oliver, a solidariedade internacional é necessária, sobretudo daqueles que, talvez como disse o intelectual e militante anti-imperialista tunisino e judeu Albert Memmi, podem se dar ao luxo de ser internacionalistas, (é mais difícil para outros trabalhadores, refiro-me a todos eles e não tanto às minorias revolucionárias ativas, pois vivem em países com revoluções burguesas truncadas que talvez, neste caso, representem o assassinato do populista liberal Gaitán). Esta afirmação pode ser polêmica, e os camaradas do Agite podem não concordar muito comigo, mas me parece até certo ponto normal que em um país com uma profusão de bases militares americanas (ou quase-bases alugadas) que são apenas a expressão de uma dominação neocolonial contemporânea que vem de longe, haja uma profusão de bandeiras nas mobilizações.

Se o anarquismo se encaixa ou não no patriotismo anti-imperialista do Terceiro Mundo é um longo debate que não vou entrar agora, basta lembrar que ele não é desprovido de exemplos como as posições do Movimento Libertário Espanhol antes da intervenção dos nazistas-fascistas alemães e italianos na Guerra Civil de 1936-1939 ou o patriotismo popular de alguns grupos libertários latino-americanos, como a Federação Anarquista Uruguaia nos anos 60 do século passado. Em qualquer caso, também é útil argumentar que foram discursos ideológicos mais de conjuntura do que de princípios: talvez uma situação com semelhanças com o que está acontecendo hoje na Colômbia do Agite.

Por uma solidariedade internacionalista e libertária com a luta do povo colombiano!

Pela extensão da revolta!

Alma Apátrida

Fonte: https://alma-apatrida.blogspot.com/2021/05/el-agite-del-pueblotrabajador-cronica.html

Tradução > Liberto

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