[Peru] 8 de Março: Dia da Mulher Rebelde e Combativa

Somos as mulheres de baixo, as não reconhecidas, as loucas, as bruxas, as trakas, as revolucionárias, as queimadas, as invisibilizadas, as anticarcerárias, as párias, as ilegais, as anônimas na história do tempo e as que não temos rosto visível mas encaramos com ação todo ato de machismo e submissão. Somos a menina e a anciã, a trabalhadora e a camponesa, a migrante, a ambulante e a apátrida, porque nem a terra, nem meu corpo são propriedades do patriarca; vamos destruindo, em ideia e ação, a autoridade, e tudo o que mata nossos sonhos e vontade.

Desde o sentir e o pensar de não nos conformarmos com as migalhas que o sistema nos dá para nos manter submetidas, desde a raiva sonora de nossos corações, e sim, NOSSOS, porque nem nós nem nossas irmãs somos propriedade nem mercadoria, rugimos em manada a viva voz, acompanhadas das que estiveram antes e as que estão agora, de nossas ancestrais e irmãs de luta contra este sistema capitalista colonial e patriarcal assassino, seguimos sendo e não nos renderemos porque estamos fartas, nos vimos a fundo assim assumimos aprendizados e reflexões desde o cotidiano até o coletivo, assumimos não ter o caminho escrito, aprendendo e reaprendendo dia a dia com cada queda e ânimo, buscando nas ferramentas para destruir o que nos submete durante séculos a nós e a nossa mãe terra, pela liberação total nos pronunciamos.

Não queremos ser submetidas nos mecanismos capitalistas patriarcais, reconhecemos que o Estado é partícipe da roda de consumo, da exploração e morte. Sigamos adiante levantando processos para a total liberação, através da organização horizontal e assembleária. O apoio mútuo e a autogestão. É por isso que deslegitimamos as estruturas repressivas do Estado, que nos violentam em diferentes situações. Lutemos para demonstrar o trabalho produtivo e reprodutivo das mulheres, socializando os meios de produção sem líderes, nem aparatos repressivos.

Somos as anarquistas obreiras que assassinaram por levantar sua voz de protesto, somos elas e somos todas as que nunca voltaram para casa porque, ontem como hoje, seguimos em resistência ante uma sociedade capitalista, assassina e patriarcal. Resistam as que lutam e se rebelam desde dentro até a cotidianidade para ganhar um pouquinho de ansiada liberdade.

Não queremos nem esperamos alianças com o Estado nem postos de poder de um sistema que promove a desigualdade, construamos o caminho para a autonomia e a emancipação contra todos os sinais de submissão. Nem amas nem escravas.

Organizemos a raiva companheires!

Resistência Anarcofeminista contra toda forma de opressão!

Somos as filhas das bruxas que não puderam queimar!

Anarcofeminista Lima

anarcofeministalima@tutanota.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

sombras pelo muro:
a borboleta passa
seguindo a anciã…

Rosa Clement

[Grécia] Vídeo | Marcha em Daphne contra o terrorismo estatal e policial

Instantâneos da marcha que ocorreu, com grande participação popular, em Daphne, na terça-feira, 16 de março, contra a violência policial e estatal e o terrorismo, no rescaldo dos acontecimentos em Nea Smyrni e na sequência das mobilizações em vários bairros de Atenas e outros mais.

>> Veja o vídeo (01:21) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=AcS8Dq6wDu8

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agência de notícias anarquistas-ana

Cercada de verde
ilha na hera do muro:
uma orquídea branca.

Anibal Beça

[Holanda] Amsterdã: relatório da ação de ocupação do dia 8 de março

Hoje, em homenagem ao dia 8 de março, nós do Grupo Anarcha-Feminista de Amsterdã, organizamos uma ação de ocupação acompanhada de uma manifestação. Por questões de segurança, ela foi organizada silenciosamente, com chamadas sendo compartilhadas em canais privados. Apesar disso, mais de 60 camaradas vieram apoiar nossa ação! 3 faixas (“Liberdade para a vida da mulher”, “Trabalho sexual é trabalho”, “Destrua o patriarcado, lute contra o capitalismo, destrua o estado”) foram lançadas acompanhadas de sinalizadores das janelas do prédio ocupado. A polícia esteve presente, mas ninguém foi preso.

Nossa declaração política:

Somos informados de que não há casas suficientes para todos, que não há espaços suficientes para os refugiados e imigrantes que vêm para cá, fugindo das guerras imperialistas e das economias destruídas pelo (neo) colonialismo. É inaceitável que a mídia culpe a imigração pelo fato de que todos parecemos lutar para encontrar um lar. Este é um exemplo de imigrantes e refugiados sendo usados como bode expiatório.

Não há problema de falta de espaço, não há “crise habitacional”, o único problema é a distribuição desigual da riqueza. O problema é o capitalismo.

Estamos sendo empurrados para fora de nossa cidade pelo aumento dos preços dos aluguéis e pela gentrificação. As habitações sociais estão sendo vendidas de forma privada e a falta de moradias populares significa que a classe trabalhadora é forçada a deixar a cidade. Mesmo pessoas com profissões essenciais, como professores, assistentes de saúde e assistentes sociais são forçadas a se mudar. As pessoas lutam para pagar seus aluguéis, enquanto os especuladores têm liberdade para fazer o que quiserem. Alguns investidores privados têm centenas de casas, por exemplo, o príncipe Bernhard tem mais de 600 casas, e o proprietário deste edifício, Anthonie Mans, possui mais de 100 outras propriedades na Holanda. As listas de espera para a habitação social são ridículas e podem levar de 8 a 14 anos para as pessoas conseguirem uma vaga. Mas, para cada morador de rua, estima-se que haja 750m² de espaço vazio em Amsterdã.

Aluguel é roubo. A manutenção de um quarto não custa centenas de euros por mês. Esse dinheiro vai diretamente para os bolsos dos proprietários ou especuladores. A questão da habitação afeta desproporcionalmente mulheres e pessoas queer. Por exemplo, adolescentes queer têm maior probabilidade de se tornarem sem-teto. As pessoas que sofrem violência doméstica são às vezes forçadas a permanecer em situações inseguras porque não têm recursos financeiros suficientes para sair. Os proprietários frequentemente discriminam locatários em potencial com base em suas etnias, renda, gênero, sexualidade e capacidade. Eles costumam ser intimidadores, irracionais e se sentem no direito de nos dizer como devemos viver nossas vidas privadas.

Desde que a proibição de ocupações entrou em vigor, o número de desabrigados dobrou. No entanto, com demasiada frequência, tem havido uma relação estreita e desconfortável entre ocupação e gentrificação, e em nenhum lugar isso soa mais verdadeiro do que em Amsterdã. A ocupação tem sido historicamente um movimento contra a gentrificação, a extorsão de aluguel e pela rejeição da instituição da propriedade privada – mas nos últimos anos, ao invés de lutar contra a gentrificação, alguns posseiros têm ajudado a mesma. Trabalhando junto com o estado para tentar se agarrar aos pequenos ‘espaços livres’ e ocupações legalizadas que ainda restam (muitas vezes sem sucesso). Rejeitamos essa posição e estratégia. Queremos moradia para todos, não apenas para um seleto grupo de ‘artistas e livres-pensadores’. Precisamos nos comunicar com nossos opressores de uma posição de poder, não implorar que nos joguem algumas migalhas. A cidade pertence a todos os que nela vivem, e é hora de a retomarmos.

Trabalhadores do sexo são informados de que não podem trabalhar enquanto outras profissões que também tem contato o fazem – isso apenas contribui para a estigmatização do trabalho sexual. O governo está fechando as janelas em Amsterdã, supostamente porque quer resgatar as trabalhadoras do sexo do tráfico de pessoas e acabar com o crime, não só não há nenhuma evidência empírica de que fechar as janelas ajudaria nisso, mas também tirar o local de trabalho de alguém provavelmente só piorará sua precária e perigosa situação. Mudar as trabalhadoras do sexo do centro da cidade para um bairro menos rico para remover a “perturbação” do bairro rico se encaixa em um padrão estrutural de estigmatização do trabalho sexual e estigmatização da classe trabalhadora. Se o estado realmente se importasse com as trabalhadoras do sexo, em vez de nos vitimar, nos dariam apoio material durante esta pandemia, ou nos permitiriam trabalhar. Trabalho sexual é trabalho. Lutar pelos direitos dos trabalhadores significa lutar pelos direitos dos trabalhadores do sexo também.

A história do dia 8 de março é muito radical e inspiradora. Foi até o ponto de partida da revolução russa! Mas o que aconteceu com o dia 8 de março e o feminismo em geral? Capitalismo. À medida que a economia moderna aprendeu a mercantilizar e lucrar com os protestos contra ela, o feminismo não foi uma exceção. Como resultado, quando as pessoas ouvem a palavra feminismo, elas nem sempre pensam sobre feminismo radical, interseccional e anticapitalista. Eles pensam em um tipo de feminismo que diz que deveria haver “mais mulheres políticas”, “mais mulheres chefes”. Isso é o chamado “feminismo liberal”, mas é apenas mais uma campanha publicitária meticulosamente elaborada. O “feminismo” liberal realmente não se importa com grupos socialmente oprimidos, mesmo que esses sejam mulheres. Recusa-se a ver a raiz da desigualdade de gênero, tenta ser justo, mas para no meio do caminho. O feminismo liberal falha em reconhecer a relação entre capitalismo e patriarcado. Mas se nos opomos ao patriarcado, devemos nos opor ao capitalismo e vice-versa. Embora as mulheres tenham de trabalhar, quando chegam em casa ainda têm que fazer as tarefas domésticas e fornecer apoio emocional, isso também é trabalho, mas é um trabalho subestimado e não remunerado.

Em vez de lutar contra o problema, que é o capitalismo, o feminismo liberal tem pessoas lutando por maneiras de conviver com ele. Tal ideologia pinta o movimento feminista interseccional como “odiadoras de homens malucas”. Com a ajuda do capital, eles compram sua atenção nas telas de seus laptops / tvs / telefones com filmes, músicas, etc. Eles vendem roupas bonitas com slogans do tipo “sinta-se bem com o poder feminino”. Eles estão lhe dando um desconto na compra de cosméticos em homenagem ao dia 8 de março, “dia das mulheres fortes”. Estão apagando assim a história e o significado de um dia tão importante para todas as mulheres.

O dia 8 de março é o dia para recordar a luta das mulheres que nos precederam! É o dia de mostrar solidariedade para com as mulheres que lutam hoje! É o dia de celebrar nossa luta contra o capitalismo e destruir esse maldito patriarcado! Enquanto 1% dominar o mundo, mesmo que metade disso sejam mulheres, a vida dos 99% nunca irá melhorar!

Como pessoas de gênero feminino, muitas vezes somos informadas para não ocuparmos muito espaço. Somos socialmente condicionadas a manter nossas bocas e pernas fechadas. A não sonhar muito grande ou respirar muito alto. Mas estamos sendo estranguladas e é esperado que apenas sorriamos. Não há espaço seguro sob este sistema capitalista patriarcal. A solidariedade é a única solução. Esteja ao lado daqueles que estão lutando contra sua própria opressão, a luta deles é a sua luta, a luta deles é a nossa luta. Não somos livres até que todos sejam livres. Não nos deixaremos ser o dano colateral desta crise. Não vamos nos deixar ser expulsos desta cidade! É hora de retomar nossos espaços!

Como feministas, sabemos que a luta envolve trabalho e envolve amor. Somos solidárias com as mulheres curdas que foram presas pelo Estado turco, que lutam nas montanhas do Curdistão e que estão construindo novas formas de vida na sociedade em todas as quatro partes do Curdistão.

Somos solidárias a Angel, a refugiada que veio para a Holanda em busca de segurança, mas foi assassinada pelo sistema de imigração holandês. Ela era uma lutadora política! Ela era uma mulher trans! Somos solidárias a ela e a todos os imigrantes!

Não há espaço seguro sob este sistema capitalista patriarcal, por isso temos que lutar.

Já é suficiente! Precisamos retomar nossos espaços!

Anarcha-Feminist Group Amsterdam

Fonte: https://indymedia.nl/node/49217 

Tradução > A. Padalecki

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pinga torneira
tic tac do relógio
luz com poeira

Carlos Seabra

“As Mulheres na Comuna de Paris”

O Projeto “72 Dias” vai além da mostra artística. 4 palestras serão ministradas entre 11 de março e 1° de abril, sempre às 19h, para comemorarmos juntos os 150 anos da Comuna de Paris.

Em 18 de março, as professoras e historiadoras Samantha Lodi e Samanta Colhado Mendes falam sobre as mulheres na Comuna de Paris, que tiveram participação fundamental nas discussões que a antecederam e mesmo nas lutas e organização prática da Comuna de 1871. Certamente, inúmeras delas, mulheres das classes trabalhadoras, permaneceram no anonimato histórico. Outras, como Louise Michel, André Léo, Nathalie Lemel e Elisabeth Dmitrieff (que pode ter sido enviada por Marx para participar da Comuna) tiveram sua presença ressaltada, embora nem sempre com tanta frequência como a de outros militantes.

Inscrições: linktr.ee/72dias

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Sulco fundo de arado.
A terra aberta ferida
Eis a vida.

Eunice Arruda

[Itália] Louise Michel vira livro infantil ilustrado que em breve será lançado

Louise Michel nasceu na França no final do século XIX, a partir de uma relação extraconjugal entre sua mãe, uma empregada, e o “dono da casa”. Enquanto seus avós estiveram vivos, ela será criada no conforto da burguesia e acima de tudo terá a oportunidade de se tornar culturalmente emancipada e educada. Isto é mais do que raro para uma garota de seu tempo. Isto alimentará grandemente o fogo da rebelião que já está ardendo dentro dela. Sempre coberta de arranhões e hematomas, ela rouba na casa de seus avós burgueses para distribuir um pouco de sua riqueza para a população mais pobre. Ela não se vangloria de seus privilégios. Ela não os reivindica; ela sabe que não merece mais o que tem do que aqueles que não têm nada. Assim, ela tenta compensar o que percebe como uma injustiça insuportável.

Ele ama os oprimidos e odeia os opressores. Realiza o conceito de anti-especismo, muito antes mesmo de o termo ser imaginado. Odeia reis e imperadores e sonha em matar Napoleão. Por volta dos 13 anos, ela assusta todos os seus pretendentes e não pensa sequer em casar, “ela não quer ser a sopa do homem”. Alguns anos mais tarde, seus avós morrem e ela e sua mãe são expulsas de casa. Elas se mudam para Paris, onde, pouco tempo depois, Louise liderará a revolução e se tornará uma figura emblemática da Comuna.

Ela viverá muitas outras aventuras. Aventuras que chamar de emocionantes é insuficiente…

Torce Nella Notte

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/28/italia-projeto-torce-nella-notte/

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o sol inclinado
leva até minha parede
o gato do telhado

José Santos

Pauta aberta: coleção de livros Charlas y Luchas sobre mulheres anarquistas

Charlas y Luchas sai do vídeo e se transformará numa coleção de livros e você é a nossa convidada para a última live do projeto. Domingo, 21 de março, às 16 horas, é a pauta aberta da coleção aqui, ative o sininho no canal da Tenda de Livros.

O encontro será a primeira reunião do conselho editorial composto por cinco anarcofeministas: Amanda Cor, Beatriz Lacerda, Cassiana Mallet, Dandara Luigi e Noe Mercanzini. A conversa será conduzida por Aline Ludmila.

Charlas y Luchas trouxe em 2020 cinco mulheres anarquistas que viveram em espaços diferentes e estavam conectadas pelas suas histórias de luta. Deixaram um legado, por meio de palavras e gestos de resistência, fundamental para a história do anarcofeminismo.

Em 1908, companheiras do Centro Feminino Anarquista se despediam de Juana Rouco que estava sendo deportada à Espanha após o seu protagonismo na Greve dos Inquilinos. Dois anos depois, Margarita Ortega Baldes unia-se ao movimento anarquista mexicano. Petronila Infantes, a chola libertária boliviana, tinha apenas dois anos quando Margarita foi fuzilada na fronteira com o México em 1913. E, no Brasil, um ano depois, Maria A. Soares trazia o grito pelo despertar feminino no jornal A lanterna: “unamo-nos e não deixemos que progrida esse novo morbus que se introduziu entre nós e teremos assim evitado que amanhã sejam nossas inimigas as que hoje são nossas irmãs.”

Petronila já adulta era Dona Peta e atuava no movimento anarquista boliviano nos anos 30 e 40, Lucía Sánchez Saornil protagonizou o movimento anarquista espanhol na organização Mujeres Libres e na frente de combate ao fascismo. São os espaços transnacionais existentes na mesma temporalidade.

É a história do legado dessas mulheres que o Charlas y Luchas pretende transformar em papel impresso. E para que isso seja possível, apoie a pré-venda, a edição artesanal no Brasil é 50% mais cara que nos demais países da América Latina. Não existe gratuidade no livro, sempre quem paga são as corpas dissidentes. Para o primeiro livro acontecer vamos dar um curso, precisamos de 50 alunos para pagar os custos gráficos e o livro não sair um valor absurdo no unitário.

Detalhes:

Pauta aberta: coleção de livros Charlas y Luchas sobre mulheres anarquistas

Amanda Cor, Beatriz Lacerda, Cassiana Mallet, Dandara Luigi e Noe Mercanzini conversam com Aline Ludmila

Apresentação e chat ao vivo: Aline Ludmila

Roteiro e tradução simultânea: Fernanda Grigolin

Streaming e materiais de divulgação: Caio César Paraguassu

Apoie Charlas y Luchas em www.tendadelivros.org/loja

Ative o sininho e venha participar da última live do Charlas y Luchas.

Conheça Charlas y Luchas www.charlasyluchas.tendadelivros.org

Apoie a Tenda de Livros

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Joaninha caminha
no braço da menina.
Olhar encantado.

Renata Paccola

[Chile] Enterremos os dentes no heteropatriarcado. Palavras de Mónica Caballero

O 8 de março é e sempre foi um dia de comemoração e luta

Há quem tenha a memória frágil, outros simplesmente ignoram e há alguns que mais lhes convêm que se esqueça.

O dia 8 de março é uma das tantas datas nas quais se lembra o assassinato pelas mãos dos poderosos dos que morreram lutando, mas diferente da grande maioria das datas de luta esta foi protagonizada exclusivamente por mulheres. No ano de 1908 um conjunto de trabalhadoras se organizou autonomamente para enfrentar e exigir da patronal o fim das condições de miséria nas quais apenas sobreviviam, esta ousadia e arrojo foi castigado com uma grande matança. Os poderosos buscavam terminar as greves e sabotagens com uma medida amplificadora para que ninguém tentasse novamente quebrar ou obstruir a cadeia de produção e mercadoria, para os patrões assassinar trabalhadores sempre será a opção mais econômica e efetiva, pobres há de sobra.

Que hoje se comemore o 8 de março é graças ao esforço e persistência de muitos que não esquecem o que aconteceu nesse dia, portanto para nós que apostamos em construir caminhos antagônicos à lógica do sistema heteropatriarcal é crucial não deixar de recordar os que fertilizaram com lágrimas e sangue os caminhos do enfrentamento, assim aprendemos dos que estiveram antes que nós, de seus acertos e erros, dessa forma damos golpes mais certeiros a este sistema de terror.

Faz alguns anos no território dominado pelo estado chileno, o dia 8 de março, em algumas zonas, ganhou um aspecto combativo nas ruas. As flores e celebrações do “dia da mulher” foram trocadas por pedras, gritos e fogo nas mãos de muitas das individualidades que não pedem licença para encher as ruas. Mas enquanto o prazer sedicioso crescia no coração de muitas também proliferavam as práticas policiais, reformistas e social-democratas nas manifestações chegando a reprimir companheiros que rompiam com a normalidade e a ordem. Muitos foram os companheiros agredidos pela “polícia roxa”, esta última fixa, ordena e controla “o correto” dentro das manifestações do 8 de março. Nisto serei enfática, não pode haver nenhuma agressão sem resposta nem lugar para estas práticas repressivas dentro dos espaços de luta, uma coisa é que existam diferentes perspectivas e/ou métodos de como ocorrem certas batalhas, as individualidades e coletivos que geram e/ou levantam iniciativas em torno às lutas de gênero, feministas, etc, mas outra muito diferente é invalidar, controlar, reprimir ou delatar companheiros que exercem e/ou propaguem a violência política.

Talvez existam individualidades e coletivos que tenham as melhores intenções de acabar com o sistema heteropatriarcal capitalista à base de reformas nas leis e mudanças constitucionais, essas boas intenções carregadas de ingenuidade somente reforçam a dominação.

Encontramos o heteropatriarcado em todas nossas relações, desde as mais macros como nas mais íntimas, por isso toda iniciativa para destruir a depravação machista tem que nascer e se executar a partir de nós mesmas desde a multiformidade de nossas ações.

O caminho do enfrentamento é longo e difícil, mas sem dúvida está cheio de beleza, a que emana por um sem fim de companheiros que realizam o apoio mútuo e a solidariedade, se trazemos a nosso cotidiano estas duas palavras nos tornamos fortes, não necessitamos de nenhuma instituição ou intermediário, somente necessitamos de nossos companheiros.

Enterremos os dentes na pele do heteropatriarcado.

Toda polícia é inimiga, não importa sua cor ou gênero.

Mónica Caballero Sepúlveda

Presa Anarquista

>> Ilustração: Mónica Caballero

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Venha senhor trovão
Só não vá virar o vinho,
Nem deitar o pão ao chão.

Analucía

[Grécia] Passeata contra a repressão estatal reúne milhares de pessoas em Patras

Aconteceu neste sábado (13/03), em Patras, uma passeata muito massiva contra a repressão estatal e a barbárie, contra a gestão criminosa da pandemia pelo Estado, mas também contra as proibições e a restrição total das nossas liberdades.

O crescente autoritarismo estatal que se tem manifestado ultimamente, culminando nas prisões, acusações criminais e espancamento de pessoas em Nea Smyrni (bairro no subúrbio de Atenas), foi o estopim para convocar concentrações e passeatas anti-repressão por toda a Grécia.

A mobilização, convocada por uma série de organizações de esquerda, grupos e assembleias anarquistas, mas também por Associações de Estudantes de Patras, começou ao meio-dia com uma concentração na Praça Georgiou e continuou com uma passeata com mais de 2.000 pessoas por um extenso percurso no centro de Patras. Os dois blocos anarquistas juntos somavam cerca de 1.000 pessoas. A presença da polícia, embora numerosa, foi discreta seguindo o percurso por uma rua paralela, enquanto diversas forças de segurança se instalaram perto do Palácio da Justiça de Patras.

Ao longo da passeata, que teve um pulso forte, foram gritados slogans contra o autoritarismo e a repressão do Estado, contra as proibições, frases pela vida, saúde e liberdade, bem como a favor do grevista de fome Dimitris Koufontinas.

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e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz

Guimarães Rosa

[Espanha] Mais de 300 pessoas marcham até a prisão de Brians 1

A organização considera que a acusação contra os encarcerados “é totalmente injusta e o resultado de uma montagem policial”.

A manifestação foi convocada às 11 horas da manhã deste sábado (13/03), e encabeçada por uma faixa que dizia: “Nossa solidariedade, não retroceder na luta, presos na rua”, chegou à prisão pouco antes das 14 horas.

No manifesto, a organização considera que a acusação contra os encarcerados “é totalmente injusta e o resultado de uma montagem policial”, por isso os consideram presos políticos e exigem sua anistia total.

“Se estão na prisão, é por uma única causa: lutar contra o Estado espanhol e seu regime podre, assim como lutar contra as corporações policiais e as forças de ocupação que o poder leva a reprimir”, diz a organização.

Liberdade para os 8 anarquistas presos e para todos os prisioneiros!

(A)

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/05/espanha-atualizacao-sobre-os-detidos-em-27-de-fevereiro-de-2021-em-barcelona/

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Leve brisa
aranha na bananeira
costura uma folha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Chile] Nem Amas Nem Escravas | Anarcofeministas Sempre

8 de março é um dia fundamental para a luta feminista, não é uma festa, não é um carnaval, não é um dia para receber flores, nem chocolates, nem frases bonitinhas ou de “boa criação” como: “feliz dia da mulher”; nem deve ser um dia para sair para se manifestar ou marchar exigindo mais institucionalismo, nem posições de poder. Não é um desfile para o capital, nem deve ser um desfile para o Estado em função de postular uma cadeira no parlamento que historicamente alimentou e sustentou o patriarcado racista, colonialista e uma das instituições máximas das origens da opressão. Não façamos da comemoração do 8 de março um dia que celebre a emancipação com base em alianças pela paz, nem de alianças com o aparelho do Estado.

Construamos os caminhos da emancipação e autonomia sem ficções, sem aquelas ficções que, desde o neolítico até o contrato social, foram pensadas, inventadas e gerenciadas a partir da supremacia masculina, então branca e europeia que impôs as formas e parâmetros da vida em cada geografia colonizada com sangue, exploração e fogo. Vamos construir as estradas para a recuperação de nossos territórios, com suas experiências e histórias para lutar contra todo olhar patriarcal colonialista e capitalista.

Por um 8 de março Anarcofeminista, antirracista e territorial.

Ni amas Ni esclavas

Tradução > Liberto

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Ilhotas boiando.
Sob um céu vasto e sereno
este mar tranqüilo.

Fanny Dupré

[Alemanha] AfD, de partido contra o euro às ligações ao neonazismo

Em agosto de 2018, durante as festas da cidade de Chemnitz, na Saxônia, o assassino à facada de um alemão de 35 anos por um iraquiano (o principal suspeito, que fugiu) e um sírio (condenado a nove anos e meio de prisão) marcou um ponto de mudança em relação à Alternativa para a Alemanha (AfD), pelo que ocorreu na semana seguinte. Horas depois começou uma caça ao imigrante nas ruas daquela cidade da Alemanha de leste, perante a incapacidade ou passividade policial.

Depois de as festas terem sido canceladas, as ruas foram tomadas durante uma semana por protestos da extrema-direita. Às manifestações marcadas pela AfD, e ao lado de figuras graúdas do partido, marcaram presença dirigentes de organizações extremistas e milhares de neonazis de todo o país, não raras vezes em confrontos com contramanifestações dos grupos antifa. Além da homenagem à vítima (e a outras da criminalidade) e das palavras de ordem do partido, como “Resistência” ou “Merkel fora”, os manifestantes gritaram um slogan nazi (“livre – social – nacional”) e alguns fizeram a saudação nazi, proibida naquele país.

As imagens chocaram a Alemanha e em outubro as autoridades prenderam oito elementos neonazis suspeitos de preparar atentados terroristas. O papel da AfD no meio de uma semana de protestos e de violência alimentada por um discurso de ódio não passou despercebido, até porque então como agora é o maior partido da oposição no Bundestag. E foi também o momento de maior popularidade – 18% nas sondagens.

Enquanto alguns alemães pediam para os dirigentes da AfD se demarcarem do sucedido, o Partido Social Democrata (SPD) e os Verdes pediram a vigilância das atividades e dos militantes por parte do Departamento de Proteção da Constituição Alemã. “A AfD deixou definitivamente cair a máscara do respeito pela democracia por detrás da qual se tem vindo a esconder”, dizia a então líder do SPD Andrea Nahles.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.dn.pt/internacional/afd-de-partido-contra-o-euro-as-ligacoes-ao-neonazismo-13420416.html

agência de notícias anarquistas-ana

O gato chinês
espera sentado
pela sua vez

Eugénia Tabosa

[Espanha] Madrid, 20/03: Chamado anarquista para a manifestação de Atocha a Cibeles

20 de março de 2021, 19 h: MANIFESTAÇÃO de Atocha a Cibeles

Em 20 de março voltaremos às ruas por que Pablo Hasél completa nessa data um mês na prisão, mas sem esquecermos de todas as pessoas que foram detidas, golpeadas e encarceradas nos protestos em solidariedade a ele.

Mas é muito importante assinalar a repressão e a polícia como uma das múltiplas faces sob as quais se manifesta o Estado e o Capitalismo, como é apontar para a exploração e a miséria diárias que nos impõem as decisões de políticos e empresários, ultimamente acrescentadas sob o pretexto da crise sanitária.

Não podemos normalizar nem nos acostumarmos ao controle social ao qual estamos sendo submetidos, ao aumento exponencial da repressão e a uma fortíssima precariedade e empobrecimento que aumenta a passos agigantados e que se refletem nos processos cotidianos como são os despejos, as detenções, os controles policiais aleatórios, as câmaras de videovigilância, os encarceramentos aos que se rebelam, a importante redução da pouca liberdade que temos e o castigo que supõe aos que atuam contra isso, a escravidão e a imposição tecnológica frente a vida real, o auge do fascismo, etc.

Por isto e por muitas coisas mais, fazemos um chamado anarquista para ir à manifestação do sábado, dia 20, e animamos a continuar com a dinâmica adquirida no Estado estes dias: a não petição de licença para sair à rua e a atitude combativa e conflitiva que se está demonstrando.

De vital importância é saber que quando vamos a um ato assim, não estamos indo a um passeio comum e por isso nossa atitude e a auto-organização, são imprescindíveis para pormenorizar os possíveis danos. A luta não pode vir regulada sob os limites democráticos permitidos, por isso, estes tipos de manifestações causam tanta tensão nas ruas e tantos enfrentamentos, algo imprescindível se queremos mudar algo por menor que seja.

Apesar da repressão, sairemos à rua. Porque não entendemos outra forma de lutar, porque não queremos permanecer passivos ante tudo o que está acontecendo e porque nos solidarizamos fortemente com os detidos e encarcerados destes dias. Gritamos por sua liberdade até que estejam na rua, se são inocentes, mas muito mais forte se são culpados.

SÃO MUITOS OS MOTIVOS
À RUA, QUE JÁ É HORA!

Tradução > Sol de Abril

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Placa de “Proibido”…
No imponente poste de luz
xixi de cachorro.

Rogério Togashi

[Itália] Lançamento: “Anarquia contra o vírus | Crônicas e perspectivas”

O Grupo de Pesquisa da Pandemia, um grupo de mulheres e homens livres de diferentes cidades italianas, coletou neste texto suas reflexões sobre a questão da epidemia, juntamente com várias entrevistas com médicos, professores, ativistas, trabalhadores pendulares.

A pandemia de Covid-19 tem abalado hábitos, certezas, desejos e imaginários. Neste texto, os autores se questionam sobre algumas questões fundamentais: Como reverter o paradigma ambiental, socioeconômico e sanitário existente a partir da solidariedade, do internacionalismo, do feminismo? Como abordar o conhecimento científico como um sistema de poder sem substituir a ideologia científica por uma ideologia anticientífica? Que práticas, abordagens, reflexões podem nos guiar no anarquismo “dentro e contra o mundo” em um mundo que é pandêmico?

Uma coleção plural de vozes, com referências, mais ou menos explícitas, a: Deborah Danowski, Viveiros de Castro, Eduardo Galeano, Albert Camus, Giovanna Caleffi, Cesare Zaccaria, Serge Latouche, Miguel Benasayag, Emma Goldman e Sylvia Pankhurst.

ANARQUIA CONTRA O VÍRUS

Crônicas e perspectivas

Grupo de Pesquisa Pandêmica

pp.128 EUR 10,00

ISBN 978-88-95950-68-6

zeroinconduct.org

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a cigarra canta
enquanto orquídeas florescem:
cada um na sua

Gustavo Felicíssimo

Rudolf Höss, o sádico comandante de Auschwitz

Rudolf Höss (1901-1947) entrou para as Forças Armadas falsificando o ano de seu nascimento. Condecorado por bravura na Frente Turca, aos 17 anos se tornou o mais jovem suboficial do Exército alemão durante a Primeira Guerra.

Com o fim do conflito, integrou o Freikorps Rossbach, o mesmo onde serviu Martin Bormann (1900- 1945), o fiel secretário de Hitler. Em 1922, ingressou no Partido Nazista, mas, no ano seguinte, se envolveu, junto com Bormann, em um assassinato político.

Höss foi condenado a dez anos de prisão, mas cumpriu apenas parte da pena, sendo anistiado em 1928. Nos anos seguintes, envolveu-se com o grupo nacionalista que, entre outras coisas, pregava o amor ao solo alemão. Trabalhando como agricultor em fazendas na Pomerânia e em Brandenburgo, Höss conheceu a futura esposa, com quem se casaria em 1929, tendo com ela cinco filhos, nascidos no período de 1930-1943.

Em 1934, Heinrich Himmler (1900-1945) o convidou a ingressar na SS e Höss foi enviado para o campo de concentração de Dachau, próximo a Munique, integrando as unidades responsáveis pelos campos de concentração, como superintendente de bloco (Dachau foi o primeiro campo de concentração construído na Alemanha, em 1933, e onde seriam cremados os corpos dos principais líderes nazistas enforcados em Nuremberg.)

Depois de quatro anos de serviço, Höss foi transferido para Sachsenhausen e promovido a capitão da SS. Em maio de 1940, assumiu o campo de Auschwitz, na Polônia ocupada. Com a patente equivalente a tenente-coronel, comandaria o maior campo de extermínio nazista por três anos e meio, até o fim de 1943.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/rudolf-hoss-o-comandante-de-auschwitz.phtml

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No azul do mar
golfinhos saltam –
parecem brincar

Eugénia Tabosa

[Grécia] Milhares de pessoas tomam às ruas de Tessalônica após polícia retirar manifestantes que ocupavam universidade

A polícia antidistúrbio grega desocupou hoje (11/03) a Universidade Aristóteles de Tessalônica, que estava ocupada há 18 dias por estudantes em protesto contra uma reforma universitária que, entre outras coisas, estabelece a presença policial permanente no campus.

Segundo a imprensa local, durante a operação, que começou às 06:00 e durou pouco mais de uma hora, os agentes prenderam 33 pessoas – 26 homens e sete mulheres.

Desse total, 19 são estudantes universitários e o restante são cidadãos que aderiram ao protesto.

Protesto à tarde reúne mais de 10 mil pessoas

As associações de estudantes, professores, grupos de esquerda e anarquistas, realizaram hoje à tarde novas manifestações em Tessalônica, a segunda maior cidade da Grécia, reunindo milhares de pessoas em protesto contra esta nova lei, aprovada em janeiro, que coloca polícias permanentemente nas universidades.

Até agora, a polícia só tinha acesso à universidade se houvesse indícios de crime ou se o reitor solicitasse.

A criação de um órgão permanente dentro dessas instituições é inédita desde o fim da ditadura em 1974.

Para isso, serão contratados mil agentes, que se estabelecerão inicialmente nas cinco maiores universidades do país.

A lei também prevê o estabelecimento de comissões disciplinares, que imporão sanções e podem até expulsar alunos que cometerem infrações durante exames, participarem em protestos no campus ou ocuparem faculdades.

Confronto entre manifestantes e polícia

Manifestantes e polícia se enfrentaram no protesto no centro de Tessalônica, quando os agentes começaram a dispersar as milhares de pessoas. Manifestantes encapuzados lançaram coquetéis molotov contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo.

Conteúdo relacionado:

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À sombra do arvoredo
Alguém canta sozinho
A canção do plantio do arroz

Issa

[Espanha] Comunicado. Solidariedade com xs detidxs da manifestação do 27F.

A IMPRENSA APONTA… Sobre as 8 pessoas acusadas de queimar uma van da polícia.

Em 27 de fevereiro passado, 8 de nossos companheiros foram presos no centro de Barcelona durante uma manifestação. Este evento é parte de uma série de mobilizações maciças chamadas em nome da liberdade de expressão, mas que acabaram assumindo cada vez mais a voz da dissidência geral em relação ao período histórico em que vivemos. Uma realidade asfixiante caracterizada por uma violência institucional sem precedentes que deixa a maioria da população sem futuro e que absolve e defende os criminosos habituais: a polícia, os políticos e a família real.

Após suas prisões, foram realizadas buscas policiais em 2 casas em Maresme, com a intenção de vincular nossos companheiros a organizações criminosas supostamente inexistentes e com acusações desproporcionais baseadas em provas irrisórias. Não há presunção de inocência, a declaração escrita dos Mossos [polícia catalã] foi reproduzida em todos os meios de comunicação, que a repetem e a assumem como própria. Por sua vez, o tribunal faz o que já estava escrito: acusações muito graves e prisão provisória sem fiança. Não vemos outro sentido em tudo isso do que pôr um fim à onda de protestos que há semanas vem crescendo exponencialmente em toda a Catalunha.

Denunciamos a manipulação da informação e o sensacionalismo da mídia, que se limitam a fornecer imagens baratas de entretenimento da mídia e discursos de criminalização dos protestos. Como tantas vezes antes, a figura dos anarquistas e do antissistema está sendo usada como bode expiatório. A imprensa mira e silencia os protestos como uma cortina de fumaça para encobrir os verdadeiros criminosos. De um lado está a polícia, com sua repressão violenta que tem deixado muitos feridos graves e mutilados. Por outro lado, as instituições que deixam milhões de pessoas desabrigadas e incapazes de pagar as contas, e finalmente, a família real e os políticos que continuam a roubar impunemente. Eles são os verdadeiros criminosos, não nos confundam com o inimigo.

Os 8 companheiros presos de Maresme são muito encorajados porque sabem que não estão sozinhos. Como seu grupo de apoio, estaremos presentes transmitindo informações, assegurando que a solidariedade seja nosso fator de união. Agradecemos suas contribuições anti-repressivas e lutaremos para poder abraçar nossos companheiros muito em breve.

Em breve publicaremos uma conta bancária para despesas legais, assim como os detalhes dos companheiros que desejam receber correspondência.

Os queremos livres já!

Solidariedade com os detentos da manifestação do 27F

9 de março de 2021

Fonte: https://ellokal.org/comunicado-solidarixs-con-lxs-detenidxs-de-la-manifestacion-del-27f/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

aceita
o vôo é o leito
da borboleta

Joca Reiners Terron