[Espanha] Madrid, 20/03: Chamado anarquista para a manifestação de Atocha a Cibeles

20 de março de 2021, 19 h: MANIFESTAÇÃO de Atocha a Cibeles

Em 20 de março voltaremos às ruas por que Pablo Hasél completa nessa data um mês na prisão, mas sem esquecermos de todas as pessoas que foram detidas, golpeadas e encarceradas nos protestos em solidariedade a ele.

Mas é muito importante assinalar a repressão e a polícia como uma das múltiplas faces sob as quais se manifesta o Estado e o Capitalismo, como é apontar para a exploração e a miséria diárias que nos impõem as decisões de políticos e empresários, ultimamente acrescentadas sob o pretexto da crise sanitária.

Não podemos normalizar nem nos acostumarmos ao controle social ao qual estamos sendo submetidos, ao aumento exponencial da repressão e a uma fortíssima precariedade e empobrecimento que aumenta a passos agigantados e que se refletem nos processos cotidianos como são os despejos, as detenções, os controles policiais aleatórios, as câmaras de videovigilância, os encarceramentos aos que se rebelam, a importante redução da pouca liberdade que temos e o castigo que supõe aos que atuam contra isso, a escravidão e a imposição tecnológica frente a vida real, o auge do fascismo, etc.

Por isto e por muitas coisas mais, fazemos um chamado anarquista para ir à manifestação do sábado, dia 20, e animamos a continuar com a dinâmica adquirida no Estado estes dias: a não petição de licença para sair à rua e a atitude combativa e conflitiva que se está demonstrando.

De vital importância é saber que quando vamos a um ato assim, não estamos indo a um passeio comum e por isso nossa atitude e a auto-organização, são imprescindíveis para pormenorizar os possíveis danos. A luta não pode vir regulada sob os limites democráticos permitidos, por isso, estes tipos de manifestações causam tanta tensão nas ruas e tantos enfrentamentos, algo imprescindível se queremos mudar algo por menor que seja.

Apesar da repressão, sairemos à rua. Porque não entendemos outra forma de lutar, porque não queremos permanecer passivos ante tudo o que está acontecendo e porque nos solidarizamos fortemente com os detidos e encarcerados destes dias. Gritamos por sua liberdade até que estejam na rua, se são inocentes, mas muito mais forte se são culpados.

SÃO MUITOS OS MOTIVOS
À RUA, QUE JÁ É HORA!

Tradução > Sol de Abril

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Placa de “Proibido”…
No imponente poste de luz
xixi de cachorro.

Rogério Togashi

[Itália] Lançamento: “Anarquia contra o vírus | Crônicas e perspectivas”

O Grupo de Pesquisa da Pandemia, um grupo de mulheres e homens livres de diferentes cidades italianas, coletou neste texto suas reflexões sobre a questão da epidemia, juntamente com várias entrevistas com médicos, professores, ativistas, trabalhadores pendulares.

A pandemia de Covid-19 tem abalado hábitos, certezas, desejos e imaginários. Neste texto, os autores se questionam sobre algumas questões fundamentais: Como reverter o paradigma ambiental, socioeconômico e sanitário existente a partir da solidariedade, do internacionalismo, do feminismo? Como abordar o conhecimento científico como um sistema de poder sem substituir a ideologia científica por uma ideologia anticientífica? Que práticas, abordagens, reflexões podem nos guiar no anarquismo “dentro e contra o mundo” em um mundo que é pandêmico?

Uma coleção plural de vozes, com referências, mais ou menos explícitas, a: Deborah Danowski, Viveiros de Castro, Eduardo Galeano, Albert Camus, Giovanna Caleffi, Cesare Zaccaria, Serge Latouche, Miguel Benasayag, Emma Goldman e Sylvia Pankhurst.

ANARQUIA CONTRA O VÍRUS

Crônicas e perspectivas

Grupo de Pesquisa Pandêmica

pp.128 EUR 10,00

ISBN 978-88-95950-68-6

zeroinconduct.org

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a cigarra canta
enquanto orquídeas florescem:
cada um na sua

Gustavo Felicíssimo

Rudolf Höss, o sádico comandante de Auschwitz

Rudolf Höss (1901-1947) entrou para as Forças Armadas falsificando o ano de seu nascimento. Condecorado por bravura na Frente Turca, aos 17 anos se tornou o mais jovem suboficial do Exército alemão durante a Primeira Guerra.

Com o fim do conflito, integrou o Freikorps Rossbach, o mesmo onde serviu Martin Bormann (1900- 1945), o fiel secretário de Hitler. Em 1922, ingressou no Partido Nazista, mas, no ano seguinte, se envolveu, junto com Bormann, em um assassinato político.

Höss foi condenado a dez anos de prisão, mas cumpriu apenas parte da pena, sendo anistiado em 1928. Nos anos seguintes, envolveu-se com o grupo nacionalista que, entre outras coisas, pregava o amor ao solo alemão. Trabalhando como agricultor em fazendas na Pomerânia e em Brandenburgo, Höss conheceu a futura esposa, com quem se casaria em 1929, tendo com ela cinco filhos, nascidos no período de 1930-1943.

Em 1934, Heinrich Himmler (1900-1945) o convidou a ingressar na SS e Höss foi enviado para o campo de concentração de Dachau, próximo a Munique, integrando as unidades responsáveis pelos campos de concentração, como superintendente de bloco (Dachau foi o primeiro campo de concentração construído na Alemanha, em 1933, e onde seriam cremados os corpos dos principais líderes nazistas enforcados em Nuremberg.)

Depois de quatro anos de serviço, Höss foi transferido para Sachsenhausen e promovido a capitão da SS. Em maio de 1940, assumiu o campo de Auschwitz, na Polônia ocupada. Com a patente equivalente a tenente-coronel, comandaria o maior campo de extermínio nazista por três anos e meio, até o fim de 1943.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/rudolf-hoss-o-comandante-de-auschwitz.phtml

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No azul do mar
golfinhos saltam –
parecem brincar

Eugénia Tabosa

[Grécia] Milhares de pessoas tomam às ruas de Tessalônica após polícia retirar manifestantes que ocupavam universidade

A polícia antidistúrbio grega desocupou hoje (11/03) a Universidade Aristóteles de Tessalônica, que estava ocupada há 18 dias por estudantes em protesto contra uma reforma universitária que, entre outras coisas, estabelece a presença policial permanente no campus.

Segundo a imprensa local, durante a operação, que começou às 06:00 e durou pouco mais de uma hora, os agentes prenderam 33 pessoas – 26 homens e sete mulheres.

Desse total, 19 são estudantes universitários e o restante são cidadãos que aderiram ao protesto.

Protesto à tarde reúne mais de 10 mil pessoas

As associações de estudantes, professores, grupos de esquerda e anarquistas, realizaram hoje à tarde novas manifestações em Tessalônica, a segunda maior cidade da Grécia, reunindo milhares de pessoas em protesto contra esta nova lei, aprovada em janeiro, que coloca polícias permanentemente nas universidades.

Até agora, a polícia só tinha acesso à universidade se houvesse indícios de crime ou se o reitor solicitasse.

A criação de um órgão permanente dentro dessas instituições é inédita desde o fim da ditadura em 1974.

Para isso, serão contratados mil agentes, que se estabelecerão inicialmente nas cinco maiores universidades do país.

A lei também prevê o estabelecimento de comissões disciplinares, que imporão sanções e podem até expulsar alunos que cometerem infrações durante exames, participarem em protestos no campus ou ocuparem faculdades.

Confronto entre manifestantes e polícia

Manifestantes e polícia se enfrentaram no protesto no centro de Tessalônica, quando os agentes começaram a dispersar as milhares de pessoas. Manifestantes encapuzados lançaram coquetéis molotov contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/02/26/grecia-milhares-de-estudantes-protestam-contra-nova-lei-de-seguranca-nas-universidades/

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À sombra do arvoredo
Alguém canta sozinho
A canção do plantio do arroz

Issa

[Espanha] Comunicado. Solidariedade com xs detidxs da manifestação do 27F.

A IMPRENSA APONTA… Sobre as 8 pessoas acusadas de queimar uma van da polícia.

Em 27 de fevereiro passado, 8 de nossos companheiros foram presos no centro de Barcelona durante uma manifestação. Este evento é parte de uma série de mobilizações maciças chamadas em nome da liberdade de expressão, mas que acabaram assumindo cada vez mais a voz da dissidência geral em relação ao período histórico em que vivemos. Uma realidade asfixiante caracterizada por uma violência institucional sem precedentes que deixa a maioria da população sem futuro e que absolve e defende os criminosos habituais: a polícia, os políticos e a família real.

Após suas prisões, foram realizadas buscas policiais em 2 casas em Maresme, com a intenção de vincular nossos companheiros a organizações criminosas supostamente inexistentes e com acusações desproporcionais baseadas em provas irrisórias. Não há presunção de inocência, a declaração escrita dos Mossos [polícia catalã] foi reproduzida em todos os meios de comunicação, que a repetem e a assumem como própria. Por sua vez, o tribunal faz o que já estava escrito: acusações muito graves e prisão provisória sem fiança. Não vemos outro sentido em tudo isso do que pôr um fim à onda de protestos que há semanas vem crescendo exponencialmente em toda a Catalunha.

Denunciamos a manipulação da informação e o sensacionalismo da mídia, que se limitam a fornecer imagens baratas de entretenimento da mídia e discursos de criminalização dos protestos. Como tantas vezes antes, a figura dos anarquistas e do antissistema está sendo usada como bode expiatório. A imprensa mira e silencia os protestos como uma cortina de fumaça para encobrir os verdadeiros criminosos. De um lado está a polícia, com sua repressão violenta que tem deixado muitos feridos graves e mutilados. Por outro lado, as instituições que deixam milhões de pessoas desabrigadas e incapazes de pagar as contas, e finalmente, a família real e os políticos que continuam a roubar impunemente. Eles são os verdadeiros criminosos, não nos confundam com o inimigo.

Os 8 companheiros presos de Maresme são muito encorajados porque sabem que não estão sozinhos. Como seu grupo de apoio, estaremos presentes transmitindo informações, assegurando que a solidariedade seja nosso fator de união. Agradecemos suas contribuições anti-repressivas e lutaremos para poder abraçar nossos companheiros muito em breve.

Em breve publicaremos uma conta bancária para despesas legais, assim como os detalhes dos companheiros que desejam receber correspondência.

Os queremos livres já!

Solidariedade com os detentos da manifestação do 27F

9 de março de 2021

Fonte: https://ellokal.org/comunicado-solidarixs-con-lxs-detenidxs-de-la-manifestacion-del-27f/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/09/espanha-mais-uma-vez-o-anarquismo-na-mira-da-repressao-construimos-a-solidariedade-construimos-a-alternativa/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/05/espanha-atualizacao-sobre-os-detidos-em-27-de-fevereiro-de-2021-em-barcelona/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/04/espanha-liberdade-para-os-anarquistas-presos-basta-de-montagens-da-policia-e-da-midia/

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aceita
o vôo é o leito
da borboleta

Joca Reiners Terron

[EUA] Eberhardt Press: Equipamento Emergencial!

O projeto anarquista de longa duração Eberhardt Press precisa de apoio e de um novo equipamento.

Por mais de 15 anos, Eberhardt Press tem imprimido centenas de milhares de panfletos, folhetos, pôsteres, livros e toneladas de outras impressões para pequenas editoras, artistas, ativistas e grupos sem fins lucrativos. E na última década, esse trabalho foi feito em uma única impressora, que tem sido uma boa máquina. Mas está com quase 35 anos, imprimiu quem sabe quantos milhões de impressões até agora, e está desenvolvendo sérios problemas mecânicos. Quando ela quebra, tudo para até que ela esteja funcionando novamente. Infelizmente, neste ponto, ela simplesmente não é confiável o suficiente para atender as necessidades de uma gráfica ativa.

As quebras nos últimos dois anos têm causado muitos atrasos e paralisações custosas, e as limitações resultantes reduziram a produtividade. Neste ponto, o projeto não é sustentável por muito tempo sem uma melhoria no equipamento. Gasta-se tanto tempo para manter a máquina funcionando quanto para imprimir de fato. E como uma das unidades de cor está inoperante, o trabalho multicolorido leva o dobro do tempo. Então, estamos pedindo o apoio da comunidade para resolvermos esse problema.

A necessidade para os fundos é imediata, porque temos uma oportunidade muito incomum de obter uma impressora funcionando bem na cidade por um preço razoável de um vendedor confiável. Isso elimina a incerteza potencialmente desastrosa de comprar uma impressora em um leilão e o custo do frete é muito mais baixo. Portanto, a maior parte do fundo será investida na própria máquina, e não nas despesas de mover uma impressora por meio continente. É uma oportunidade rara que pode não voltar.

Em troca pela sua doação, gostaríamos de te enviar algo para mostrar nossa gratidão por sua ajuda crítica. Apreciamos profundamente doações de qualquer quantidade — cada pedaço nos deixa mais perto de ter uma operação muito mais eficiente.

• Doando $25, te enviaremos uma impressão 5×7 da ilustração de N. O. Bonzo “Resist State Repression” (“Resista a Repressão Estatal” em tradução livre) e um rótulo de “antifacist soup” (“sopa antifascista”).

• Doando $50, te enviaremos um bloco de anotações da Eberhardt Press junto com a ilustração de N. O. Bonzo e um rótulo de sopa.

• Doando $75, te enviaremos um Garden Journal (“Diário de Jardim” em tradução livre) de 3 anos e a ilustração de N. O. Bonzo.

• Uma doação de $100 te garante uma cópia da primeira edição pública de Tramp Printers do editor da Eberhardt Press, Carles Overbeck. (Uma pequena edição íntima foi impressa em 2017; a nova edição está programada para ser impressa em maio/junho de 2021). Também enviaremos uma ilustração do N. O. Bonzo e um rótulo de sopa antifascista.

Todos os fundos levantados serão usados especificamente para a aquisição da impressora e aparelhamento/relocação. Esta é uma arrecadação de fundo de curto prazo — nós esperamos comprar e mudar a máquina na semana de 8 de março, então estamos tentando finalizar até lá.

O apoio da comunidade é tudo para esse esforço. Nossa missão sempre tem sido amplificar as vozes marginalizadas, facilitar os esforços criativos e caminhar ao lado de nossos camaradas em nossa jornada em direção à igualdade social, uma cultura de apoio mútuo, e a visão de um futuro sem exploração. E consistentemente temos nos engajado ao nível do solo com lutas e campanhas locais enquanto publicamos trabalhos originais e providenciamos serviços de impressão à nossa comunidade. Sua contribuição permitirá que continuemos este trabalho.

Para saber mais sobre a Eberhardt Press, veja:

• Sobre a Eberhardt Press

http://eberhardtpress.org/about.html

• Eberhardt Press Store

https://eberhardtpress.bigcartel.com/

• EP Instagram

https://www.instagram.com/eberhardtpress/

Muito obrigado!

>> Doe aqui:

https://www.gofundme.com/f/eberhardt-press-emergency-fundraiser-for-a-press

Tradução > Brulego

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Folha de jornal
vem no vento ao meu pescoço;
cachecol de letras.

Anibal Beça

[Chile] Periódico Confrontación #6, janeiro-fevereiro 2021

Compartilhamos em formato digital o recente número de CONFRONTACIÓN, que desde janeiro de 2021 se encontra nas ruas em formato de jornal com mais de mil cópias impressas. Agradecemos a todos os compas, mãos e vontades afins e solidárias que ajudaram a sua divulgação por diversos espaços e territórios.

Quem desejar adquirir cópias para apoiar a distribuição pode continuar escrevendo para confrontación@riseup.net

Índice:

– Editorial

– Contra o mundo tecnológico e a cibersociedade

– A direita alternativa: a opção fascista na social-democracia chilena.

– Mão estendida ao companheiro, punho fechado para o inimigo: uma breve reflexão sobre o sistema de pensões.

– A seis meses de sua detenção: Solidariedade com Mónica Caballero e Francisco Solar.

Jornal anarquista CONFRONTACIÓN

>> Baixar aqui:

https://lapeste.org/wp-content/uploads/2021/03/confrontacion_6_digital.pdf

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meu cachorro velho
ouvindo com interesse
o canto do verme

Issa

Encontro digital | “Música e Educação Anarquista: Contracultura, Identificação Social e Liberdade”

Neste sábado, 13 de março, a partir das 19 horas, o Centro de Cultura Social (CCS) receberá em seu canal no YouTube Hayana Micheley Turek Machado.

Durante a graduação, ela desenvolveu o trabalho de conclusão de curso defendido em 2019, que tem como título “A educação anarquista inter-relacionada ao rap, o hip hop e ao punk: pesquisa de campo realizada em Almirante Tamandaré com os grupos locais”, em paralelo a pesquisa produziu um documentário co-relacionando as áreas, baseando os preceitos de educação anarquista as manifestações sociais, culturais e musicais citadas. Atualmente, atua como professora de música, compositora e produtora musical independente.

Teremos intérprete de libras.

>> Canal do CCS no YouTube:

www.youtube.com/centrodeculturasocial 

FB: https://www.facebook.com/events/343852616963389

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Vento refrescante –
Sombra de nuvens
Sobre os verdes arrozais.

Kyoroku

Última estátua de Francisco Franco na Espanha é retirada

A última estátua do ditador espanhol Francisco Franco (1892-1975) foi removida nesta terça-feira (23/02) dos portões da cidade de Melilla, cidade autônoma que pertence à Espanha e está localizada na costa noroeste da África.

Sem muito alarde, um grupo de trabalhadores operou uma escavadeira mecânica e brocas pesadas para remover pedaços da plataforma de tijolos sobre a qual estava a estátua de bronze.

Depois, o monumento foi erguido por uma corrente em presa em volta do que seria o pescoço de Franco e carregado envolto em plástico-bolha por uma caminhonete. Segundo autoridades de Melilla, a estátua foi levada para um armazém municipal, mas o uso que será feito dela não foi especificado.

Erguido em 1978, três anos após a morte do ditador, o monumento celebrava o papel de Franco como comandante da Legião Espanhola na Guerra do Rif, um conflito na década de 1920 em que Espanha e França lutaram contra tribos berberes no Marrocos.

“Este é um dia histórico para Melilla”, disse Elena Fernandez Trevino, responsável ela educação e cultura na cidade, na segunda-feira (22/02), depois que a assembleia local votou pela remoção do monumento, apontando que era “a única estátua dedicada a um ditador ainda na esfera pública na Europa”.

Apenas o Vox, partido da ultradireita espanhola, votou contra a medida. Seus representantes argumentaram que a estátua celebra o papel militar de Franco, não sua ditadura.

Segundo o Vox, portanto, a Lei da Memória Histórica, que determina a remoção de todos os símbolos ligados ao regime de Franco, não se aplicaria a este caso. O Partido Popular, conservador, absteve-se de votar.

A lei foi aprovada em 2007, durante o governo liderado pelo socialista José Luis Rodríguez Zapatero. Além de remover monumentos da ditadura no espaço público, a legislação também prevê a renomeação de várias ruas dedicadas a figuras do franquismo.

O atual primeiro-ministro da Espanha, o socialista Pedro Sánchez, fez da reparação e da reabilitação das vítimas do regime de Franco algumas de suas prioridades desde que assumiu o governo, em 2018.

Depois de uma longa disputa com os descendentes do ditador, o Executivo espanhol retirou os restos mortais de Franco de um enorme mausoléu nos arredores de Madri, onde ele havia sido sepultado, e os transportou, em outubro de 2019, para um discreto nicho familiar em um cemitério da capital.

O processo teve muito simbolismo porque o monumento se tornou um lugar de exaltação do franquismo – e nenhum outro país da Europa Ocidental tem espaços semelhantes dedicados a homenagear ditadores.

“A Espanha moderna é produto do perdão, mas não pode ser produto do esquecimento”, disse Sánchez, à época. “Um tributo público a um ditador era mais do que um anacronismo. Era uma afronta à nossa democracia.”

Em setembro de 2020, a Justiça espanhola ordenou a seis netos de Franco que devolvessem ao Estado um palácio em Sada, na Galícia, no noroeste do país, do qual a família desfrutava havia décadas.

O palácio havia sido doado por sua proprietária e adquirido por um órgão franquista em 1938, em plena Guerra Civil espanhola (1936-1939). Após o conflito, o ditador comandou o país até sua morte, em 1975.

Na sentença, o tribunal declarou a nulidade da doação de 1938, uma vez que a propriedade foi doada “ao chefe de Estado, não a Francisco Franco a título pessoal”.

Nascido em Ferrol, na Galícia, Franco foi um ditador que defendia ideias nacionalistas e fascistas. Como general, fez parte de um movimento de militares e conservadores que tentou dar um golpe contra um governo de esquerda, em 1936.

O golpe falhou, mas deu início à uma guerra civil. Franco comandou uma ofensiva militar para dominar o país e teve apoio da Alemanha nazista e da Itália de Mussolini. Do outro lado, os republicanos receberam ajuda da União Soviética e de defensores do comunismo. O conflito deixou centenas de milhares de mortes ao longo de três anos, em lutas armadas e execuções sumárias.

Quando assumiu, Franco implantou um regime que concentrava o poder em suas mãos de forma absoluta. Houve perseguição a opositores, censura e culto à sua imagem, além da defesa do catolicismo e de manutenção dos costumes. Após sua morte, a Espanha deu início a uma transição para retornar à democracia.

Fonte: agências de notícias

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No cimento quente,
A ilusão de um oásis:
Vaso de samambaias

Edson Kenji Iura

[Grécia] Anarquistas protestam em frente à embaixada americana em apoio a D. Koufontinas

A “Assembleia Solidária com o grevista Dimitris Koufontinas” organizou um protesto fora da embaixada americana em apoio ao grevista D. Koufontina ao meio-dia desta terça-feira (09/03).

Dezenas de pessoas do grupo caminharam firmes em frente ao prédio, segurando faixas com slogans contra a embaixada dos Estados Unidos, gritando slogans e jogando folhetos para o ar.

Os policiais que se encontravam no local reprimiram o protesto, obrigaram-nos a mudar de trajeto e a abandonar o local.

“O ato de hoje fora da embaixada dos EUA é outro marco na defesa política do companheiro e uma manifestação de classe e asco social pelos verdadeiros assassinos e terroristas.” Eles mencionaram, entre outras coisas, em um texto publicado em um site do espaço antiautoritário.

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Anoitece mais cedo –
E as estrelas brilham
Sobre os campos secos.

Buson

[Grécia] Declaração de prisioneiros em apoio ao grevista de fome Dimitris Koufontinas

Declaração de Vangelis Stathopoulos, Giannis Michailidis, Polykarpos Georgiadis, Konstantina Athanasopoulou, Dimitra Valavani, Marios Seisidis, Giannis Dimitrakis, George Petrakakos, Spyger Christodfontikeras e Kostas Sakkas.

No momento em que este artigo foi escrito, o ativista Dimitris Koufontinas estava no seu 55º dia de greve de fome e sua única exigência é sua transferência para a Prisão de Korydallos, já que sua transferência para a Prisão de Domokou foi ilegal por lei. Dado que existe uma ala especial de alta segurança na Prisão Feminina de Korydallos, onde Dimitris Koufontinas cumpriu a maior parte de sua pena e onde os condenados são mantidos em completo isolamento, seria prático e legal atender sua demanda imediatamente se não fosse pela evidente vingança de funcionários do governo que optaram por prejudicar irreversivelmente sua saúde e metodicamente conduzi-lo à morte.

É claro que o governo da ND (Nova Democracia) não surpreende ninguém com sua atitude para com Dimitris Koufontinas quando, sob o pretexto de lutar contra a pandemia, aboliu os direitos democráticos básicos ao estabelecer um estado policial sufocante em que a liberdade de movimento e o direito de manifestação são suspensos e a sociedade é deixada a sangrar economicamente, e cuja polícia invade universidades e espanca estudantes. Ao mesmo tempo, projetos de lei estão sendo impostos sem qualquer aprovação, leis que corroem os direitos trabalhistas, aprovam projetos provocativos contra crianças, restringem os direitos dos prisioneiros e negam alívio às prisões onde os presos estão extremamente expostos ao vírus COVID-19 e onde ocorrem incontáveis e repentinas mortes.

Com tudo isso, está se tornando cada vez mais difícil distinguir o regime de uma ditadura. No entanto, o assassinato de uma grevista é um ato que nem mesmo a junta dos coronéis se atreveu a fazer. O estado grego está se tornando extremamente fascista e agora está tentando se alinhar com a Turquia de Erdogan. A responsabilidade pelo iminente assassinato do Estado obviamente recai sobre o Ministro da Proteção ao Cidadão Michalis Chrysochoïdis, seu superior político, o Primeiro-Ministro Kyriakos Mitsotákis e a Presidente da República Katerina Sakellarópoulou. A vingança do governo contra Dimitris Koufontinas está agora explicita, então a única maneira – e a responsabilidade final – de encontrar uma solução para essa greve de fome agora parece estar com o Presidente da República.

As consequências da escolha dos responsáveis não se limitam ao grevista. Se o grevista Dimitris Koufontinas for assassinado, uma página negra da história levará as assinaturas de Crisochoidis, Mitsotákis e Sakellarópoulou na consciência social e representará mais uma barbárie em uma série de provocações estatais contra uma sociedade que vem sendo colocada sob alta pressão. A explosão social é inevitável e, mesmo que não se manifeste no futuro imediato, o iminente assassinato do Estado permanece indelével na memória social.

Vangelis Stathopoulos / Giannis Michailidis / Polykarpos Georgiadis / Konstantina Athanasopoulou / Dimitra Valavani / Marios Seisidis / Giannis Dimitrakis / George Petrakakos / Spyros Christodoulou / Kostas Sakkas

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1610965/

Tradução > A. Padalecki

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Lua cheia.
Me dá, me dá!
Chora a criança.

Issa

[Chile] Os pobres não têm pátria | Ninguém é ilegal

Hoje, 17 de fevereiro de 2021, nos reunimos em solidariedade e resistência com as comunidades de migrantes que transitam e habitam estes territórios. Declarar com ternura e firmeza que todos são bem-vindos.

Que diante da onda de violência na mídia, nas ações do Estado através de seus agentes militares e policiais nas fronteiras e dentro delas, e diante de um sistema complexo de opressão baseado no racismo, no patriarcado e no capitalismo: nossa resposta em palavras e ações será sempre a solidariedade, o cuidado comunitário e o afeto, a antiga e alegre resistência que ultrapassa todas as fronteiras, que vive e resiste apesar dos Estados e de seus mecanismos de morte.

Rejeitamos o sistema que impõe essas fronteiras estatais, que os documentos legais, que a propriedade privada e o dinheiro estão acima do gozo de uma vida plena para as pessoas, comunidades e ecossistemas. Portanto, rejeitamos a lei de imigração racista e violenta em processo, que visa tornar ainda mais precária a vida daqueles que se encontram à margem da legalidade da fronteira estatal. Também rejeitamos as deportações maciças que o Estado chileno vem realizando há anos, sequestrando e violando centenas de pessoas para punir o livre trânsito e o deslocamento dos pobres de nosso continente.

Finalmente, somos chamados aqui pela antiga luta contra o sistema colonial, contra a violência e o abuso permanente de nossas comunidades morenas, indígenas e mestiças. O mesmo sistema que nos castigou por sermos, existir e resistir em qualquer de suas margens: ilegais, pobres, dissidentes sexuais, índios afrodescendentes e “champurrias”.

São os mesmos que sempre exercendo a mesma violência, assassina e devoradora dos ricos, dos latifundiários e dos machos, que atacam as comunidades em wallmapu, em todos os crimes de ódio contra a dissidência sexual, em todos os atos de racismo e xenofobia, a mesma violência que nos tirou a lamien Emilia/Bau, corpo em resistência, guerreira contra este sistema de opressão e lutadora pela vida e pela defesa das florestas e das águas.

Vamos derrubar aqueles mesmos de sempre com nossa resistência, multicoloridos e exuberantes de vira-latas, misturados e manchados. A resistência que nossos ancestrais nos ensinaram: tecer, cultivar, dançar e mover-se com o vento, sem limites e sem medo.

Que todas as estátuas dos genocidas caiam e que todos os povos se levantem, para desarmar, desmilitarizar e coletivizar toda a vida!

Os pobres não têm pátria

Nenhuma pessoa é ilegal

Abortamos todas as fronteiras

Neste mundo, todos nós cabemos, exceto os fascistas!

A camarada lanmgen Emilia está presente!

Assembleia Anarquista Autoconvocada de Valparaiso

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Que maravilha:
Nas folhas verdes, nas folhas novas,
Brilha o sol!

Bashô

[Bolívia] Apoio mútuo em tempos de coronavírus

Por Carlos Crespo

“Eu conto com você. Você conta comigo. Se você precisar, tome-o. Se você não tiver o suficiente, doe”. Assim lê a placa pendurada em uma mesa onde descansam vários alimentos e suprimentos. Ela resume as práticas de cooperação, solidariedade e empatia que floresceram no país com o coronavírus, a “peste negra do século 21”.

Vizinhos que se oferecem para comprar alimentos e remédios para idosos solitários e doentes, um coletivo de inquilinos que dão seus legumes cultivados organicamente para os necessitados, professores universitários que doam seus salários a estudantes em situações críticas, pessoas que coletam alimentos para os que ficam retidos nas fronteiras. Uma mensagem no Facebook: “Irmão de Tiquipaya, se você não tem nada para comer você pode pendurar uma bandeira branca em sua janela; desta forma podemos nos ajudar mutuamente”. Ou comunidades em territórios indígenas que são auto-organizadas para se protegerem da pandemia.

Em nível global, a capacidade humana de cooperar emerge com sua energia primordial. Os agricultores palestinos deixam produtos para as pessoas que não podem comprar, com o sinal “leve o que você precisa”. Na Tunísia os trabalhadores decidem ficar voluntariamente isolados para produzir máscaras faciais. Em Resistencia, Argentina, eles fazem comedores populares para os necessitados. Mesmo para animar o espírito, surge a cooperação, como no Irã, onde as ruas estão cheias de poemas, ou na Itália, onde as pessoas saem à noite para cantar em suas varandas.

Todas estas iniciativas se desenvolvem de forma autônoma, sem pedir permissão de ninguém, e funcionam como dispositivos diante da calamidade.

A cooperação é parte da longa contagem do planeta, é um fator chave na evolução humana. Piotr Kropotkin já sabia disso, definindo essas práticas como Apoio Mútuo, título de um de seus livros seminais, publicado em 1902. Ele estava convencido da solidariedade e da espontaneidade criativa das pessoas. Contra o darwinismo reducionista, ele argumentou que a luta pela existência é uma luta contra circunstâncias adversas e não entre indivíduos da mesma espécie. Com seus estudos biológicos na Sibéria, ele mostrou que a cooperação operava na natureza e que espécies com maior grau de cooperação e apoio mútuo entre seus membros eram mais propensas a florescer.

A cooperação é contraditória com a servidão voluntária, com as práticas de exigir e esperar do Estado, da Igreja, do capital. Além disso, como Gustav Landauer salientou, o Estado autoritário é o resultado da passividade humana, em vez de uma tirania imposta externamente.

O apoio mútuo na história humana, portanto, constitui um padrão comum de conduta, uma prática que foi reproduzida e adaptada às paisagens locais, uma estratégia de vida diante das relações de dominação, em qualquer forma. A solidariedade designa uma qualidade emancipadora das relações sociais, pois ela está prefigurando, hoje, o mundo em que desejamos viver.

Hoje, mais do que nunca, o apoio mútuo é essencial contra o coronavírus, e quando os dias sombrios estão chegando, repito Pancho Villa: “Animem-se, seus bastardos, vai ficar mais feio mais tarde”.

Fonte: https://www.lostiempos.com/actualidad/opinion/20200406/columna/apoyo-mutuo-tiempos-coronavirus

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Colho-te uma flor
de manhã e extasio-me
com o teu sorriso

José Félix

[Argentina] Novo título da Utopia Libertaria: “El otoño de Kropotkin”

Amigas, amigos, companheiras e companheiros:

Temos o prazer de anunciar o lançamento da impressão de um novo título da coleção e cuja apresentação, que esteve a cargo de Carlos Taibo, Frank Mintz e do próprio autor, Jordi Maíz, juntamente com a Biblioteca Popular José Ingenieros, pode ser vista no vídeo com o link que copiamos aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=lCFWuBY0Z_0

El otoño de Kropotkin trata da vida e obra do pensador russo em seus últimos anos. “O grande filho da Rússia”, como Emma Goldman o chamou, foi uma presença importante no desenvolvimento do pensamento anarquista tanto na Rússia como em outros lugares. Seu impressionante trabalho não foi isento de controvérsias, como as que surgiram em torno de suas posições e análises da Primeira Guerra Mundial ou das revoluções russas. Este livro nos aproxima dos momentos finais de sua vida nos quais ele reflete sobre o papel do anarquismo na Revolução Russa e aquela era excitante e vertiginosa. Isso nos dá uma oportunidade de visualizar os círculos libertários do exílio russo e a evolução da ideologia do anarquista desde 1905 até sua morte em 1921 na cidade de Dmitrov. Também inclui um epílogo que analisa o legado de seu pensamento e escritos através do Museu Kropotkin, uma instituição que funcionou por alguns anos em Moscou sob o olhar atento das autoridades bolcheviques.

El otoño de Kropotkin
Entre guerras y revoluciones (1905-1921)
Autor: Jordi Maíz
Prólogo: Carlos Taibo
Introdução: Frank Mintz
ISBN: 978-987-1523-39-9
221 pág. – 251 gr.

Libros de Anarres

Avenida Rivadavia 3972 

Ciudad de Buenos Aires [4981-0288]

www.Librosdeanarres.com.ar

www.facebook.com/pages/Libros-de-Anarres

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

se andava no jardim
que cheiro de jasmim
tão branca do luar

Camilo Pessanha

Manifestação contra violência policial termina em confrontos na Grécia

Um policial grego ficou ferido na cabeça na noite desta terça-feira (09/03) como resultado de um confronto ocorrido no subúrbio de Atenas durante uma manifestação de 5 mil pessoas contra a violência e os abusos policiais.

O distúrbio começou quando centenas de encapuzadas seguiram até a delegacia de Nea Smyrni, no subúrbio, onde um grupo de moradores foi agredido anteontem por policiais durante o controle do confinamento devido à pandemia. Os manifestantes lançaram pedras e coquetéis molotov contra a delegacia e incendiaram lixeiras. Policiais responderam com gás lacrimogêneo e jatos d’água.

Jornalistas foram atacados por manifestantes encapuzados e um policial que estava de moto ficou gravemente ferido na cabeça (foto) e foi levado para o hospital.

“Quem semeia ventos, colhe tempestades”

Tudo começou na tarde do último domingo, na praça Nea Smyrni, a cinco quilômetros do centro de Atenas, quando policiais abordaram famílias que haviam saído para fazer uma caminhada dominical na praça de Nea Smyrni e começaram a impor multas (300 euros por cabeça), apesar de as pessoas estarem usando máscaras. Quando outros moradores começaram a protestar, a polícia respondeu com violência. Enquanto os moradores corriam para ajudar as famílias, eles eram tratados como inimigos. Dezenas de policiais em motocicletas vieram reforçar os que já estavam lá e começaram a atacar a todos, perseguindo, espancando e prendendo 11 pessoas na praça e arredores. As imagens da violência policial viralizaram nas redes sociais.

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lavrando o campo
a nuvem imóvel
se foi

Buson

[EUA] Anarquistas à Disney: Cruella de Vil não pode se sentar conosco

Proeminente no pôster para a nova prequel de “101 Dalmatas”: um “A” em um círculo. Isto não está indo bem.

Por Kelly Weill | 18/02/2021

Cruella de Vil é elegante, sugere a nova campanha publicitária do filme da Disney. Ela é rica. Ela tira a pele de cachorros para se vestir. Ela é uma anarquista.

Espera aí, dizem os anarquistas de verdade. O quê?!

O próximo filme da Disney, Cruella, é uma prequel live-action de 101 Dálmatas, um clássico da animação sobre um vilão enlouquecido que sequestra cachorrinhos para que ele possa vestir suas peles. Estrelando a atriz Emma Stone, o filme tenta explicar exatamente qual é o problema da Cruella de Vil.

Proeminente no pôster está um símbolo comum anarquista: um “A” em um círculo.

Essa é uma notícia indesejável para os anarquistas, que afirmam que seu movimento é declaradamente a favor da libertação animal. Embora ninguém queira ser associado com caçadores de cachorrinhos, a associação é um tapa na cara a mais para pessoas que dizem que realmente se esforçam muito para promover os direitos dos animais.

Ryan Only, um vegano de longa data e membro do grupo de relações públicas anarquista Agency, disse ao The Daily Beast que o veganismo é comum no movimento político.

“Para muitos anarquistas, praticar o veganismo – abster-se de apoiar a exploração ou o uso de animais para comida e outros fins – é vista como uma base para viver uma vida ética”, eles disseram, sugerindo que era “com um espírito semelhante daqueles que praticam um compromisso com o anti-racismo ou anti-sexismo”.

“Se trata de demonstrar através da ação, uma consistência entre meios e fins”, acrescentou Only. “Se acreditamos em um mundo sem opressão, precisamos nos desmontar e nos desvencilhar dos sistemas que são responsáveis por ela”.

Apenas apontamos para uma longa tradição de zines veganos e potlucks (“festa americana”) nos espaços anarquistas e a participação conjunta nas ações contra as indústrias de peles e instalações para testes em animais.

Os anarquistas se opõem às hierarquias: as mais famosas o governo e as disparidades de classe, mas frequentemente entre espécies também. Isso pode fazer com que comer um bife – muito menos abater filhotes – seja um ato controverso no movimento.

O Conselho de Coordenação Anarquista Metropolitano (Metropolitan Anarchist Coordinating Council), um coletivo baseado na cidade de Nova York, disse ao The Daily Beast que seus membros não queriam nada com a vilã da Disney – ou melhor, nem com o próprio Walt Disney.

“A figura de Cruella, uma narcisista e sádica obcecada pelos ares de riqueza e luxo, fica na direção contrária aos princípios anarquistas de coletivismo, anticapitalismo e proteção de todas as formas de vida (humana, animal e ecológica)”, disse a porta-voz do MACC (sigla em inglês para Conselho de Coordenação Metropolitana Anarquista), Keira Anderson, ao The Daily Beast. “Nós também dirigimos nossa critica para a própria Walt Disney, uma corporação oligárquica que mantém visões anti-sindicalistas, sexistas e racistas e há rumores de ter sido uma simpatizante nazista. Como antifascistas comprometidos, nós condenamos o mau uso dos símbolos anarquistas e o desrespeito de nossa orientação social e política no projeto desse filme”.

As relações de Walt Disney com os nazistas estão em debate há muito tempo, com ele recebendo uma cineasta nazista em seu estúdio, mas depois fazendo filmes anti-nazistas para o governo do Estados Unidos. A Disney, empresa de cinema, não respondeu um pedido para um comentário sobre se a Cruella de Vil era canonicamente uma anarquista. A descrição oficial da empresa para o filme descreve-o como “ambientado em Londres dos anos 1970 em meio à revolução punk rock”.

Mas mesmo se Cruella foi uma punk “hardboiled” dos anos 70 no Reino Unido, ela não seria necessariamente uma assassina de cães.

Joe Strummer, guitarrista da banda The Clash e um dos punks mais famosos da época, se tornou um vegetariano fervoroso após testemunhar uma cena perturbadora em um show dos anos 70. Durante um show em 1971, ele viu a amada galinha de estimação de um músico voando sobre um crucifixo, que estava prestes a ser incendiado.

“Todos nós na audiência vimos Hector, o galo de estimação no crucifixo, e ainda assim os roadies estavam tentando desesperadamente acender seus fósforos contra o vento. Todos começaram a gritar, mas os roadies não ouviram”, Strummer disse em entrevistas décadas mais tarde. Eventualmente o galo foi resgatado e seu dono fez um discurso improvisado pedindo a multidão para lembrar do incidente “na próxima vez que você comer frango frito no Kentucky Fried Chicken (KFC).”

A mensagem pegou, e Strummer desistiu de comer.

Raras vezes nos filmes de heróis de grande orçamento, os anarquistas parecem ter entrado em conflito especialmente com a Disney nos últimos anos. Em Falcão e o Soldado Invernal, futura minissérie da Marvel Comics, propriedade da Disney, há rumores que seu foco é um conflito entre os amigos do Capitão América e um grupo anarquista chamado de “Flag-Smashers”.

O trailer de Cruella pode ter a estética punk-rock, mas Cruella de Vil provavelmente não está interessada em teoria política não-hierárquica.

“No trailer, parece que Cruella de Vil está desafiando a noção do que significa ser uma mulher no mundo semeado de caos e exercer seu poder pessoal”, disse Only. “Mas é improvável que a personagem realmente veja a si mesma como uma anarquista. Em vez disso, ela parece ser apenas mais um exemplo em que o status quo tenta descartar qualquer ameaça a si mesmo como o caos e, em seguida, define caos como anarquia”.

Fonte: https://www.thedailybeast.com/anarchists-tell-disney-that-cruella-de-vil-cant-sit-with-us

Tradução > Brulego

agência de notícias anarquistas-ana

barro já seco
por pegadas de sapato
passeiam formigas

Jorge B. Rodríguez