Solidariedade com o povo de Mimoso do Sul!

A Federação Anarquista Capixaba – FACA – se solidariza com a população da cidade de Mimoso do Sul, no sul do Espírito Santo, atingida por uma violenta enchente no último final de semana (22 e 23 de março de 2024). Quase vinte pessoas, até o momento, perderam a vida em razão do ocorrido. Um fato terrível e que mais uma vez demonstra a incapacidade do Estado para gerir as nossas vidas, já que a região afetada é conhecida pela tendência à inundações e deslizamentos, sendo certo que o Estado nada fez para evitar o pior.

Clamamos aos companheiros e companheiras que transformem a palavra solidariedade em ação, doando itens de primeira necessidade nos diversos pontos espalhados no território capixaba, bem como contribuindo com os afetados e afetadas de todas as formas possíveis!

A FACA empenha seus braços e corações com o povo mimosense!

SÓ O POVO SALVA O POVO!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

federacaocapixaba.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Laranjais em flor.
Ah! que perfume tenuíssimo…
Esperei por ti…

Fanny Dupré

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edicoesinsurrectas.noblogs.org

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Névoa da manhã
primeiro raio de sol
gotas d’água na janela

Rodrigo de Almeida

[Espanha] Podcast | Recebemos a Fundação Salvador Seguí em “Los Mundos de Utopía”

No centenário do assassinato de Salvador Seguí pelas mãos de pistoleiros pagos pelos sindicatos patronais, entrevistamos Nines, Carlos e Miguel, membros da Fundação que nos atualizam sobre sua figura, seu pensamento e sua luta através do anarcossindicalismo fundando a Confederação Nacional do Trabalho, nos contam sobre as atividades e projetos em torno do arquivo histórico que possuem e que se propõem a compartilhar como ferramenta de cultura, memória e educação na luta do Movimento Libertário, você pode ouvir o que eles nos disseram neste link:

https://www.radioutopia.org.es/recibimos-a-la-fundacion-salvador-segui-en-los-mundos-de-utopia/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/23/espanha-lancamento-salvador-segui-y-la-actualidad-de-su-pensamiento-de-francisco-romero/

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serra nevada,
cumes tocam o céu –
nuvem furada

Carlos Seabra

Petróleo ameaça onças e maior manguezal do mundo na Amazônia

Por Nádia Pontes | 26/03/2024

Ibama analisa pedido para exploração do combustível fóssil na costa da Foz do Amazonas. Especialistas alertam para riscos e catástrofe em caso de vazamento nesta região ainda pouca conhecida.

Chegadas e partidas da ilha de Maracá, na costa do Amapá, são complexas. Só os barqueiros mais experientes sabem o momento de atracar neste espaço de terra no Atlântico, influenciado por marés que sobem e descem até 12 metros duas vezes ao dia.

Eram 22h quando a reportagem se aproximou da margem, cruzando o igarapé Inferno, acompanhando servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A ilha é uma unidade de proteção integral, chamada de Estação Ecológica Maracá-Jipioca.

O trajeto naquela noite passaria pelo igarapé Purgatório. A expectativa era avistar os únicos moradores carnívoros permanentes da ilha: onças pintadas. Na escuridão, os olhos de coruja, jacaré e arapapá refletiam a luz da lanterna lançada na mata. Na água, algas bioluminescentes brilhavam como um pisca-pisca quando encontravam o casco do barco.

A ilha localizada na bacia marítima da Foz do Amazonas tem uma das maiores concentrações de onça pintada do mundo. Cerca de 175 quilômetros mar adentro, a indústria do petróleo aguarda liberação para abrir uma nova fronteira de exploração.

A situação preocupa quem vive, cuida e pesquisa a região, que tem as correntes marítimas mais fortes do país. Ainda não se sabe, por exemplo, qual seria o impacto na costa amazônica em caso de um vazamento de petróleo.

“Não existem estudos suficientes, nem embarcação apropriada. Um derramamento coincidindo com a maré cheia vai atingir os manguezais, os lagos, os campos inundados, seria impossível retirar este óleo”, diz Iranildo da Silva Coutinho, analista ambiental do ICMBio e chefe da Estação Ecológica Maracá-Jipioca.

Medo do impacto

O pedido para perfurar poços de petróleo na bacia marítima da Foz do Amazonas, também chamada de Margem Equatorial, está em análise. A brasileira Petrobrás tenta destravar a licença junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), depois da última negativa que recebeu, em maio de 2023.

O plano da petroleira prevê um investimento de 3,1 bilhões de dólares na região até 2028 e abertura de 16 poços – a começar pelo o FZA-M-59. Em 2018, a francesa Total, que também estava na corrida, desistiu da empreitada após a negativa do Ibama, na sequência da descoberta de um recife de corais até então desconhecido pela ciência.

Em Oiapoque, o município mais ao Norte do país, Luene Karipuna é a principal fonte de informação para seu povo sobre todo esse processo. Os moradores da Terra Indígena Juminá são os que estão mais próximos do bloco 59, a cerca de 140 a 150 quilômetros de distância do projeto.

“Há pouca informação. A propaganda diz que o empreendimento seria a salvação para todos os problemas, mas a gente não acredita. Temos medo de como seremos impactados, isso traz muita traz insegurança e dúvida para o território e para nossa costa”, diz Luene à DW, às margens do rio Flexal, na cidade de Amapá, base para acessar a ilha de Maracá.

Um mergulho no desconhecido

Luene acabara de desembarcar de uma expedição pela costa quando conversou com a DW. Ela passou dias a bordo do veleiro Witness, do Greenpeace, que navega por pontos estratégicos colhendo dados científicos e depoimentos dos moradores sobre esta região ainda desconhecida.

Luís Roberto Takiyama, pesquisador do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) também passou dias embarcado. Para investigar as correntes marítimas da região, ele soltou derivadores no mar, ou seja, boias de 20 centímetros que ficam na superfície e simulam a dispersão de poluentes.

“Já se sabe que há a possibilidade de um vazamento de petróleo chegar na costa. A ilha de Maracá, que é isolada, recebe muito lixo que vem do mundo todo, trazidos pelos ventos e correntes. Temos muita preocupação com esta área costeira, que tem as maiores marés do Brasil e a maior área contínua de manguezal do mundo”, explica Takiyama. “Nossa intenção é contribuir para aumentar o conhecimento”, adiciona.

A geóloga Valdenira Ferreira dos Santos foi uma das primeiras a apontar a alta sensibilidade da costa amazônica ao derramamento de petróleo. Em 2011, ela coordenou um esforço para localizar as áreas ecologicamente sensíveis à poluição num projeto chamado de Cartas de Sensibilidade a Derramamentos de Óleo (Cartas SAO).

“A costa é baixa, tem o cinturão de mangue e é marcada pela macromaré. A sensibilidade é alta não só no Amapá, mas em toda a costa da foz do Amazonas. Isso significa que, se o petróleo chegar ali, é quase impossível de limpar”, afirma Santos.

O perigo de um desastre, diz a geóloga, já ronda a região antes mesmo da abertura dos poços. É que o tráfego de embarcações transportando petróleo já é intenso. “O risco é real e não estamos prestando atenção. Com uma possível exploração, o tráfego de navios vai aumentar ainda mais. Não há planos de contingência para a região em caso de vazamento”, alerta Santos. “A gente teve muito medo de aquele vazamento que aconteceu na costa do Nordeste em 2019 chegar aqui”, revela.

O que diz a Petrobras

A Petrobras, no entanto, afastou o risco de vazamentos caso a exploração do poço 59 seja autorizada pelo Ibama. “Hoje, com todo o sistema de segurança operacional, com todos os procedimentos operacionais, com todos os equipamentos que são o estado da arte para a perfuração de poços, a probabilidade de termos vazamento que gere dano ambiental é remotíssima”, afirmou a gerente de Licenciamento e Meio Ambiente da Petrobras, Daniela Lomba, à DW.

Neste momento do projeto, afirma a Petrobras, os povos indígenas que moram na costa não serão consultados. O projeto em análise pelo Ibama, diz Lomba, trata da perfuração de poço em fase de pesquisa exploratória, para avaliar se existe ou não petróleo ou gás.

“Quando a gente olha as características do nosso projeto, que é a perfuração de um poço distante da costa em que a gente não está trazendo nenhuma infraestrutura nova, como porto ou aeroporto, não se aplica consulta prévia aos povos indígenas”, diz Lomba. A Petrobras alega que o momento adequado para a consulta prévia às comunidades sobre a atividade seria após as descobertas de óleo e gás, na fase de desenvolvimento da produção, caso a atividade traga impactos diretos.

A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê que povos indígenas e comunidades tradicionais sejam consultados sempre que alguma obra, ação, política ou programa afete essas populações – independentemente de se tratar de iniciativa pública ou privada. É a chamada consulta livre, prévia e informada, adotada no país na forma do decreto 10.088, de 05 de novembro de 2009.

Em 2015, uma portaria interministerial estabeleceu que a necessidade da consulta prévia tem que ser apresentada no momento inicial do processo de licenciamento ambiental pelos órgãos que emitem a licença, o que não foi o caso no processo atual. Consultado, o Ibama não respondeu até o fechamento desta reportagem.

Estudo falho

O oceanógrafo Nils Edvin Asp Neto, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), passou quase um ano decifrando as cerca de 5 mil páginas referentes ao Estudo de Impacto Ambiental que a Petrobras apresentou ao Ibama. A empresa brasileira “herdou” o estudo da britânica BP, que havia pedido anteriormente autorização para explorar o mesmo bloco 59.

“O estudo de impacto ambiental, e mesmo o atual conhecimento científico da região, é bastante limitado. A simulação de eventuais vazamentos feita diz que o petróleo não chegaria na costa, mas com a ação das ondas e fortes marés na região isso é possível e até mesmo provável”, diz Asp.

Segundo a avaliação técnica do especialista, essa falha é suficiente para o veto ao licenciamento. “Quando se diz que o petróleo não chega na costa, a empresa não precisa, por exemplo, oferecer planos de contingência para os ecossistemas daquela região em caso de vazamento”, explica o oceanógrafo.

O consenso entre os pesquisadores que atuam no Norte do país é que há muitas lacunas de conhecimento sobre a costa amazônica. O financiamento de pesquisas nesta parte do país é baixo. Ciente desta brecha, a Petrobras, ao mesmo tempo em que busca autorização para extrair petróleo, planeja uma série de editais para patrocinar pesquisas científicas.

“Petróleo não combina com a Amazônia”

O veleiro Witness, do Greenpeace, também quer contribuir para a coleta de dados científicos sobre as correntes oceânicas superficiais. A organização, fundada em 1971, não aceita dinheiro de empresas e se financia com doações de pessoas físicas.

“Estamos num momento de transição energética, devemos investir em energias renováveis. É um contrassenso o presidente Lula assumir esse discurso nas conferências do clima e, ao mesmo tempo, apoiar um projeto de exploração de petróleo numa região tão sensível como essa”, pontua Enrico Marone, porta-voz de oceanos do Greenpeace, a bordo do veleiro.

Iranildo da Silva Coutinho, chefe da Estação Ecológica Maracá-Jipioca, defende que a área seja melhor conhecida antes de qualquer passo. “É preciso saber os valores que ela tem: sentimental, ecológico, econômico. Temos que entender como funcionam os serviços ambientais e como eles podem ser valorados e trazer benefícios para a região sem necessariamente gerar o efeito drástico que a exploração de petróleo pode trazer”, diz.

Loene Karipuna diz saber que muitos são a favor da chegada da indústria petroleira na região com a expectativa de que haverá emprego e mais dinheiro circulando. Mas para ela e seu povo, o petróleo não é bem-vindo.

“O petróleo não combina com o nosso modo de vida, com a biodiversidade, não combina com tudo o que vem acontecendo no Brasil e no mundo em relação às mudanças climáticas”, explica a sua oposição, lembrando que a queima de combustível fóssil é a principal fonte de gases de efeito estufa, que aquecem o planeta e aceleram as mudanças climáticas.

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/petr%C3%B3leo-amea%C3%A7a-on%C3%A7as-e-maior-manguezal-do-mundo-na-amaz

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agência de notícias anarquistas-ana

Uma voz mais forte
Sai do ruído do dia.
Vida de cigarra.

Bernard Waldman

[Espanha] Camarada Putin?

O triunfo de Vladimir Putin nas eleições russas estava tão cantado que até o questionado CIS (Centro de Investigação Sociológica) espanhol, que não costuma acertar com frequência suas previsões, poderia ter acertado.

Por Antonio Pérez Collado | 24/03/2024

Com este novo mandato o antigo oficial de inteligência exterior da KGB, onde conseguiu ascender à categoria de tenente coronel, pode chegar como líder máximo e inquestionável ao ano de 2030; bem, é certo que somando suas etapas como primeiro ministro, Putin está desde 1999 no mais alto cargo do poder, pelo que terá superado Stalin como o mais duradouro inquilino do Kremlin.

Mas apesar de ter se formado no seio do PCUS (Partido Comunista da Federação Russa) e de compartilhar ambos dirigentes os mesmos métodos para ficar sem rivais na luta pelo poder, o certo é que Putin está muito mais próximo do czarismo que da extinta ditadura do proletariado; ainda que haja um vetusto setor da esquerda ocidental que se nega a aceitá-lo.

Do que não há dúvidas é de que em 1989 se produziu a queda do Muro de Berlim e só dois anos depois se dissolvia a URSS, deixando os partidos comunistas ocidentais sem seu tradicional ponto de referência como alternativa ao capitalismo. Não obstante, o modelo que se apresentava como a sociedade sem classes havia muito tempo que tinha dado sinais de parecer-se demasiado ao sistema ao qual supostamente vinha substituir.

Na Rússia soviética e no resto de países do bloco do Leste os obreiros decidiam cada vez menos e eram os hierarcas do partido, muito especialmente os poderosos membros do Politburo do Comitê Central, os que marcavam não só o rumo do PCUS, mas do governo e da economia da imensa União Soviética, além de influir decisivamente na vida de todos os povos situados atrás da chamada Cortina de Ferro.

Para muitos intelectuais e ativistas políticos do mundo ocidental não foi necessário esperar para ver exemplos de ditadura e repressão na pátria do proletariado tais como a queda e assassinato de Trotsky, a prisão de destacados militantes comunistas acusados de desviacionismo em campos de concentração da Sibéria ou a entrada dos tanques russos em Budapeste e do Pacto de Varsóvia em Praga para reprimir as revoltas populares.

O escritor George Orwell se serviu de uma espécie de conto com animais, “Rebelião dos bichos”, para denunciar o stalinismo, pelo que foi acusado de traidor, reformista e inimigo da revolução. Algo parecido ocorreu depois ao escritor chileno Jorge Edwars por contar em seu livro “Persona non grata” o retrocesso do processo revolucionário cubano sob a férrea batuta de Fidel Castro.

No entanto, seria Ángel Pestaña, enviado em 1930 pela CNT à URSS com a incumbência de comunicar o acordo do congresso anarcossindicalista de adesão à III Internacional, que regressou desiludido com a forma como o povo russo foi novamente submetido e recomendou ao sindicato que se abstivesse de apoiar a internacional comunista.

Putin não só mudou a constituição russa para poder amarrar indefinidamente os mandatos de seis anos que antes estavam limitados a dois, mas que se desfez de seus críticos e competidores de forma expeditiva; acidentes, envenenamentos, atentados e outras imprevistas formas de morrer acabaram com jornalistas críticos, colaboradores caídos em desgraça, políticos da oposição e mercenários desobedientes. Tampouco foram muito respeitosos com os direitos humanos os métodos empregados pelas forças armadas russas na guerra da Chechênia ou no assalto ao teatro Dubrovka de Moscou onde guerrilheiros chechenos tinham 850 pessoas sequestradas.

Conhecendo como se conhece a este déspota é difícil entender a postura de certa militância marxista ocidental que justifica os ultrajes de Vladimir Putin contra as liberdades de seu próprio povo e seu apoio a dirigentes tão pouco apresentáveis como o aiatolá Khomeini do Irã, o presidente Bashar al-Assad da Síria ou o líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, simplesmente porque esses ditadores se declaram inimigos dos Estados Unidos, o que no  julgamento destes nostálgicos do estalinismo os converte automaticamente em aliados e defensores dos oprimidos.

Se analisamos desapaixonadamente a linha política e as propostas econômicas de Putin veremos que seu ideário está muito mais próximo de Trump ou Biden do que de Lênin ou Marx. No entanto, parece que há aqueles a quem esta evidência não entra na cabeça, assim é que entre o antigo comunismo que segue acreditando no bloco soviético e a nova social democracia trufada de capitalismo temos umas esquerdas que não conseguem inspirar a descomposta e desorientada classe trabalhadora.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/camarada-putin

Tradução > Sol de Abril

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Sobre os meus pés
Caem reluzentes
As últimas faíscas do sol.

Leandro Feitosa Andrade

[Espanha] Não queremos nenhuma guerra

Nas últimas semanas, diante dos fracassos militares do lado ucraniano, testemunhamos líderes da OTAN e da União Europeia elevando o tom belicista, aumentando o perigo de uma escalada que acarretaria riscos extremamente graves para os cidadãos do nosso Estado.

São muito perigosas as declarações de Margarita Robles, ministra da Guerra da Espanha, na qual ela afirmou que “estamos em guerra com a Rússia”, garantindo que a Espanha continuará enviando toda a ajuda militar necessária, ou as declarações de Emmanuel Macron, presidente do governo francês, insinuando que, se a Rússia continuar avançando na frente, ele enviará tropas regulares do exército francês.

Também é preocupante que, em meio a essa situação bélica tão crítica, o primeiro-ministro Pedro Sánchez esteja se reunindo com as principais empresas de armamentos, que estão se aproveitando do genocídio na Palestina ou da guerra na Ucrânia para fazer negócios, demonstrando publicamente seu apoio e justificando sua atividade.

A retórica usada por esses líderes irresponsáveis não é espontânea, mas pré-orquestrada e tem como objetivo medir o grau de aceitação da sociedade europeia no caso de um confronto direto da OTAN com a Rússia. As consequências de uma escalada militar serão catastróficas: recrutamento forçado da população civil, provável uso de armas nucleares, milhões de mortes e um futuro incerto para as próximas gerações.

Essa estratégia de comunicação tem sido usada pelo menos desde 2022, quando os países da OTAN começaram a enviar armas para apoiar a Ucrânia no conflito. Primeiro eles nos disseram que não enviariam armamento letal, depois disseram que só enviariam armamento defensivo, depois enviaram tanques e jatos de combate… Agora só faltam as tropas em terra!

Não se trata de discernir se essa é uma guerra justa ou não, pois nenhuma delas é. Eles querem demonizar um lado e beatificar o outro, como se os atores envolvidos nesse conflito não tivessem responsabilidade por ele. Eles não consultaram a população para nos envolver nesse conflito e não nos consultarão nem para enviar tropas, nem para declarar estado de sítio, nem para recrutar pessoas para serem enviadas ao moedor de carne.

A situação se torna mais dantesca quando essas mesmas pessoas e instituições, que se permitem dar lições, são as mesmas que bombardearam ilegalmente a cidade de Belgrado, as mesmas que assassinaram mais de um milhão de iraquianos e que estão permitindo outras guerras em todo o mundo, como o genocídio palestino, o conflito no Iêmen ou na República Democrática do Congo, com milhões de pessoas deslocadas à força e mortas, geradas principalmente por grupos armados financiados pelo Ocidente para continuar controlando a exploração de coltan e outros recursos necessários para as empresas transnacionais.

É por isso que devemos informar ao governo da Espanha que não queremos nenhuma guerra, que não suportaremos as mortes e que não queremos sofrer as consequências de seus delírios, não sacrificaremos nossa juventude lutando em uma guerra impossível a serviço de interesses estrangeiros. A guerra na Ucrânia não é uma guerra convencional, é uma guerra mundial subsidiária em que ucranianos e russos estão morrendo, mas também em que o futuro da ordem global está sendo decidido.

Tampouco podemos esquecer o que está acontecendo na Palestina, onde o governo israelense está cometendo um genocídio no qual as vítimas já são contadas em dezenas de milhares, grande parte delas crianças, enquanto vemos como os diferentes governos do Ocidente fazem declarações mornas de condenação, muito distantes da posição contundente que têm sobre a guerra na Ucrânia, deixando claro que para eles há vítimas de primeira e de segunda classe.

A CGT não quer guerras em nenhum lugar do mundo, sob nenhuma circunstância. A CGT quer a paz entre os povos, entre as classes trabalhadoras dos diferentes países, e quer a dissolução da OTAN e o fim de todas as guerras. Exigimos que nossos governos deem uma guinada de 180 graus nessas políticas que estão nos levando ao abismo e, da mesma forma, exigimos que o governo pare de apoiar pública e economicamente as empresas de armamentos, apostando em uma reconversão industrial nesse setor.

OTAN NÃO, BASES FORA

Secretaria Permanente do Comitê Confederal

Fonte: Secretariado Permanente del Comité Confederal de la CGT

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barro já seco
por pegadas de sapato
passeiam formigas

Jorge B. Rodríguez

[Reino Unido] Manifestação no Escritório de Liberdade Condicional de Cardiff por Toby Shone

Em 6 de março de 2024, anarquistas se manifestaram do lado de fora do Escritório de Liberdade Condicional de Cardiff para mostrar solidariedade a Toby Shone, enquanto se aproxima sua audiência de liberdade condicional. Nos últimos três anos e meio, os agentes de liberdade condicional, como Lewis Thomas, Ashley Fussell, Gillian O’Brien e Paul Smith, entre outros do Escritório de Liberdade Condicional de Cardiff, colaboraram com a polícia, como Philip Gay, da Divisão de Segurança Nacional (NSD) e da Polícia Antiterrorista do Sudoeste (SWCTP), para atacar Toby por suas crenças anarquistas e estilo de vida alternativo. O estado policial britânico está tentando criminalizar essas crenças.

Toby foi inicialmente preso por acusações de terrorismo relacionadas ao site 325.nostate.net. Esse caso foi encerrado um dia antes do julgamento de 2021. O Serviço de Acusação da Coroa não tinha provas para oferecer ao tribunal. Em vez disso, ele foi condenado a três anos e nove meses de prisão por um delito de drogas. Libertado em dezembro de 2022, Toby retornou à prisão em 19 de setembro de 2023, depois de participar de uma noite de redação de cartas para prisioneiros e de um jantar no centro social anarquista BASE, em Bristol. Essa reunião estava sendo monitorada por dois policiais de combate ao terrorismo. As condições da licença de Toby o impediam de contribuir ou organizar eventos em locais como o BASE. Elas também incluíam uma ordem de amordaçamento que o impedia de falar sobre seu caso e as condições de sua libertação. Sua participação nesse evento não foi uma violação de suas condições, mas foi usada pela equipe de liberdade condicional, pela Divisão de Segurança Nacional (NSD) e pela Polícia Antiterrorista do Sudoeste (SWCTP) para justificar sua reclusão em uma prisão de alta segurança de longa duração a 273 quilômetros de sua casa. Isolá-lo de sua comunidade e de seus entes queridos, enviando-o para fora de sua área e censurando sua correspondência, é um objetivo declarado nos documentos da polícia e da condicional, e parece que o tratamento de Toby está sendo aprovado pessoalmente pelo Secretário de Estado da Justiça, Alex Chalk.

Foram acesos sinalizadores vermelhos e pretos, panfletos foram distribuídos no Escritório de Liberdade Condicional e as pessoas nas ruas e os companheiros falaram em apoio a Toby e exigiram sua libertação dessa revogação vingativa e de todo o complexo industrial carcerário podre, incluindo o serviço de liberdade condicional.

Solidariedade com Toby

Solidariedade com todos os companheiros presos

FODA-SE A HMP [prisão]!

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2024/03/21/cardiff-uk-demo-at-probation-office-for-toby-shone/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/26/reino-unido-declaracao-do-prisioneiro-anarquista-toby-shone-10-05-2022/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/19/reino-unido-o-scpo-do-camarada-anarquista-toby-shone-foi-rejeitado-pelo-tribunal/

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Sinos do anoitecer —
O barulho de um caqui maduro
Caindo no templo.

Shiki

[México] Jornadas Anárkicas Apocalípticas | Primavera Negra

Quando chegou o apocalipse, que não nos demos conta? Qual foi o dia decisivo? Amanhecemos sepultados no cimento cinza. Dos fogos que havia só se vê carvão, e o vento o vai desmoronando. Mas algumas brasas ocultas ainda estão acesas.

Os espaços que habitamos e defendemos resistiram, e os projetos seguem neste contexto, não é pouca coisa. Mas nos damos conta de que se dedicaram muito para os processos internos, e para a sobrevivência mesma. É para o que davam as energias, as forças, e as necessidades. Agora, nos damos conta de que quiséramos voltar a trabalhar para fora e tecermos com outros, que este espaço que cuidamos como uma pequena brasa se reúna com outras que faz tempo começam a mover-se, para acender de novo um fogo. É um desejo nosso e uma resposta a chamados que escutamos desde outros territórios, a vozes levadas por uma mesma corrente que também estão buscando reunir-se e conspirar.

Uma forma que escolhemos para reencontrar-nos com outras resistências, projetos e individualidades é pôr o espaço em um evento onde possamos nos reunir. Queremos que esta primavera seja negra como a noite, ante o brilho artificial de morte e dominação que vem desde o poder. Por isso lhes propomos aproximar-nos às brasas este 26, 27 e 28 de abril a conversar, conspirar e compartilhar na penumbra, nesta outra cidade monstro às costas da Barranca de Huentitán chamada Guadalajara. Nos parece a ocasião perfeita para que voltem a brotar as flores da luta, a anarquia e a vida. Os convidamos a participar com atividades, textos, música, teatro, apresentações, palestras, conversas, gráfica ou o que gostem propor desde seus territórios.

Que a obscuridade se converta em um refúgio e deixe de representar medo e incerteza. Preparemos o terreno para este novo ciclo, semeemos as sementes de rebeldia para colher frutos de liberdade.

A chamada estará aberta até o dia 12 de abril. Para agendar as atividades, envie-nos um email para: laterka1312@riseup.net

Nunca é tarde para sair e brincar.

Amor e anarquia!

Tradução > Sol de Abril

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Em solidão,
Como minha comida —
Vento de outono.

Issa

 

[Espanha] Fonsi faleceu

Na última sexta-feira, 15 de março de 2024, nosso companheiro Alfonso Viñuales, Fonsi, histórico afiliado da CNT AIT Toledo por muitos anos, nos deixou aos 55 anos por causa do maldito câncer.

Embora tenha ficado os últimos anos afastado e desfrutando de uma das suas paixões, a apicultura, com o objetivo de repovoar de abelhas os arredores da sua cidade, nas montanhas de Toledo, não esquecemos todos os momentos que partilhamos juntos. Palestras, piquetes, conflitos sindicais e sociais, excursões, acampamentos, eventos do ateneu libertário Genaro Seguido, da horta comunitária…

Você partiu muito cedo, companheiro. Sentiremos sua falta, mas aqueles que não são esquecidos não se vão completamente. Continuaremos na luta.

CNT-AIT Toledo

E toda a CNT-AIT, que se lembra de você, Fonsi.

Fonte: https://www.cntait.org/ha-fallecido-fonsi/

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sol atrás da cortina
dizendo baixinho:
— já é dia

Alonso Alvarez

Flecheira Libertária n° 754: “Velhas da Rússia”

velhas da Rússia 1

Uma das primeiras medidas na continuidade do ininterrupto governo eleito democraticamente de Vladmir Putin foi a inclusão do “movimento LGBT internacional e suas unidades estruturais” na lista de “extremistas e terroristas”. São assim classificados na Rússia: grupos de oposição, como o do recentemente executado Alexei Navalny, a empresa estadunidense de tecnologia e mídia social Meta, a Al Qaeda e, desde os preparativos para a Copa do Mundo de Futebol Masculino de 2018, xs anarquistas e antifascistas.

velhas da Rússia 2

Já em dezembro passado, a polícia russa empreendeu operações em bares e baladas LGBTQIA+ sob pretexto de corriqueiras batidas contra o tráfico e consumo de “drogas”. Levou pessoas detidas, fotografou passaportes de estrangeiros e forçou os frequentadores a se despirem durante os procedimentos policiais usuais de tortura e humilhação. Também desde o último ano, ocorrem detenções de pessoas vestindo adereços com as cores do arco-íris ou que tenham postado conteúdos nas redes sociais locais classificados como “propaganda gay”. E, ainda, desde 2023, são proibidas as cirurgias e os tratamentos hormonais às pessoas trans. O “movimento LGBT” é tido como não-tradicional e efeito do imperialismo decadente do ocidente.

>> Para ler o Flecheira Libertária na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/03/flecheira754.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

Entardecer
Sob o velho telhado
Retornam pardais.

Hidemasa Mekaru

[Bielorrússia] Vitória na reeleição de Putin na federação russa

Ninguém duvidava da capacidade de Vladimir Putin e de seu grupo em garantir uma margem superior a 50% para manter seu próprio poder. Seria ingênuo acreditar que qualquer ação no ambiente controlado das seções eleitorais pudesse afetar os percentuais exibidos nas telas do império russo e do planeta inteiro. Se você estragar a cédula, escrever uma mensagem nela ou destruir uma seção eleitoral, Putin ainda consistentemente ganhará.

Votos inteligentes, aplicativos em telefones e até mesmo orações não serão capazes de influenciar os resultados da votação.

Mas essa não é a vitória sobre a qual queremos falar hoje. Pelo contrário, queremos falar sobre a vitória política em torno da mobilização antes da própria eleição. Já era claro para um observador externo há meses que a oposição russa tentaria usar pelo menos parcialmente o cenário dos protestos na Bielorrússia na esperança de mexer alguma coisa. Comparecer às seções eleitorais ao meio-dia – este é o mesmo momento de assembleia descentralizada que se tornou um dos principais fatores organizacionais para os protestos pós-9 de agosto.

Mas infelizmente, a análise da oposição russa em grande parte ignorou o sucesso da rebelião bielorrussa e decidiu usar partes bastante simbólicas do protesto contra Lukashenko: desde a coleta de assinaturas para um político “novo”, até estranhas tentativas de escolher um político de direita permitido pelo regime de Putin como candidato de protesto.

Na Bielorrússia, em 2020, a mobilização de rua começou praticamente no primeiro dia do anúncio das próprias eleições. E o papel principal na preparação para a revolta contra a ditadura não foi desempenhado por alguns políticos conhecidos, mas por um número significativo de grupos auto-organizados em todo o país, até mesmo em pequenas cidades e vilarejos.

Por um lado, o controle relativamente rígido da rua pelo regime impediu qualquer organização dentro da Rússia. Mas, por outro lado, a situação em muitas regiões não é muito diferente em termos de repressão do que na Bielorrússia na primavera de 2020. Sim, oponentes políticos são detidos e deixados por 24 horas, e em alguns lugares por anos. Pessoas deixam o país por causa da repressão política, e a violência contra indivíduos é amplamente ignorada pela maioria da população.

A única diferença é que, enquanto na Bielorrússia havia novas forças políticas e um novo desejo de mudar as coisas, a oposição liberal russa de hoje é uma continuação da tradição de resistir vagamente à ascensão de Putin ao poder. Em vez de criar um movimento revolucionário, a oposição continua assistindo vídeos de blogueiros como Katz, esperando encontrar alguma explicação para sua própria impotência e para a estagnação de toda a sociedade.

Nesta atmosfera, é bastante fácil para Putin vencer – ele nem precisa de controle completo sobre a vertical como na Bielorrússia. Apesar de todo o caos dentro da Rússia, Putin continua a vencer a luta pelo poder não apenas por causa da força de seu próprio punho, mas também por causa da fraqueza dos oponentes do regime autoritário.

As eleições de 2024 mais uma vez mostraram a impotência da oposição russa em questões de mobilização política. Um número muito modesto de pessoas compareceu ao protesto no domingo (mesmo em comparação com os milhares que foram ao funeral de Navalny). Sim, houve fotos de filas do exterior, mas continua sendo um mistério para nós por que alguém deveria esperar em uma embaixada em Varsóvia se já conhece os resultados, e ninguém precisa encontrar qualquer “brecha” para reunir opositores do regime.

As tentativas da oposição de mostrar que nem todos os russos apoiam Putin recentemente se transformaram em uma espécie de paródia de luta política, e em vez de uma mudança real, é suficiente dizer que algumas centenas de pessoas compareceram à ação para ter sucesso. É importante aprender a se alegrar com pequenas coisas?

Putin venceu este ciclo de luta política com um efeito avassalador sobre a oposição – o assassinato de Navalny provocou um luto silencioso em vez de raiva, e a ideologia misantropa do mundo russo continua a ser uma realidade cotidiana.

Todos entendem perfeitamente que há pessoas suficientes na Rússia que se opõem à guerra, e até certo ponto, esse número pode afetar o fim do regime. Mas, neste estágio, não há uma força política dentro da própria Rússia capaz de mobilizar o potencial de protesto, e quanto mais a guerra durar, menos chance haverá de derrubar o regime. A Rússia, por mais fascista que fosse, permitia que várias forças políticas se organizassem de forma relativamente livre por um longo período de tempo. Mesmo hoje, projetos políticos que claramente contradizem a ideologia do Kremlin continuam a existir dentro do país. Mas quanto mais a crise avança, menor é a probabilidade de qualquer revolta social contra o regime.

Para os bielorrussos no exterior e dentro da ditadura de Lukashenko, as eleições na Rússia não trazem nenhuma esperança de mudanças políticas na região. Sim, em 2025 haverá uma nova reeleição de Lukashenko. Sim, historicamente este período tem sido o mais instável para o regime e tem atraído novas gerações de opositores da ditadura para os movimentos políticos. Mas continuamos a ver que quaisquer mudanças na Bielorrússia são impossíveis sem o colapso do regime de Putin. Mesmo que os bielorrussos saiam às ruas com pedras e paus, Putin não permitirá que Lukashenko perca o poder.

E se a sociedade russa não estiver pronta para se engajar na derrubada de Putin, a única saída para nós é apoiar a resistência ucraniana na guerra contra o chamado mundo russo. A derrota militar de Putin e o colapso político da ditadura russa serão uma contribuição importante para libertar a Bielorrússia da ditadura.

Fonte: https://pramen.io/en/2024/03/putin-s-reelection-victory-in-the-russian-federation/

Tradução > Fernanda k.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/19/bielorrussia-a-alma-russa-tao-misteriosa-ate-a-morte-de-navalny/

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Antigo casebre
Margaridas no quintal
de terra batida

Priscyla Momy Okuyama

Supremo Tribunal italiano rejeita pedido de Alfredo Cospito para sair do 41bis

O Supremo Tribunal italiano declarou ontem (21/03) “inadmissível” o recurso apresentado pelos advogados de Alfredo Cospito para sua saída do regime de isolamento penitenciário conhecido como “41bis”. Considerando as possibilidades legais de Cospito, a decisão de hoje esboça um obscuro horizonte para o preso anarquista.

Em outubro passado, a Direção Nacional Antiterrorismo e Antimáfia se declarou a favor de revogar o 41bis a Cospito, mas o procedimento foi finalmente bloqueado pelo Tribunal de Vigilância de Roma, cujos juízes consideraram que “Cospito é extremamente perigoso”, mais ainda após a greve de fome de 181 dias que conseguiu realizar.

Desde este espaço virtual seguimos o caso de Alfredo Cóspito, acusado de “massacre contra a segurança do Estado” por haver colocado explosivos de baixa intensidade na entrada de um quartel dos carabineiros —sem provocar nem mortos nem feridos— e condenado a prisão perpétua sem reduções (ergastolo ostativo). Em outubro de 2022, quando estava a quase sete meses em regime de isolamento penitenciário, Cospito iniciou uma greve de fome que durou 181 dias. Uma luta solidária contra o 41bis e a prisão perpétua sem reduções que conseguiu abrir um conflito político e midiático no país transalpino. Em junho do ano passado, o tribunal de apelação eliminou a prisão perpétua para Cospito, reduzindo sua condenação a só 23 anos. Uma vitória muito parcial, mas significativa, considerando a dureza da repressão legal na Itália, e muito especialmente aquela dirigida à denominada “área anarcoinsurreccionalista”.

Alfredo Cospito à rua!!

Solidariedade Internacionalista, Fraternidade revolucionaria pela demolição das prisões!!

Fonte: Buskando La Kalle

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/30/italia-a-tortura-continua-alfredo-cospito-permanece-no-41bis/

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No rabo do cavalo
Também há natureza búdica?
Vento de outono.

Shiki

[Portugal] Anarquismo e Parlamentarismo

As políticas de conciliação da esquerda parlamentar com as classes dominantes continuarão a perpetuar as políticas neoliberais de repressão, violência, austeridade e pobreza. O fascismo só poderá ser derrotado fora do parlamento por todos os meios necessários, através da ação direta e da mobilização radical de massas nos movimentos sociais e nas ruas.

O início de 2024 trouxe-nos mais uma campanha eleitoral, com todo o exaustivo processo de propaganda partidária, debates televisivos e discussão política nas redes sociais e nos media, sobre qual o(s) partido(s) político(s) mais capaz(es) de resolver os problemas das pessoas em Portugal, através da sua ação na Assembleia da República. Os resultados são aqueles que mais se temiam. A esquerda reformista burguesa foi completamente esmagada encontra-se cada vez mais enfraquecida, com uma vitória do conservadorismo reacionário da Aliança Democrática e um enorme crescimento do fascismo (assumido) com mais de 40 deputados do Chega.

Estes resultados eleitorais são um enorme pontapé na esquerda legalista e reformista parlamentar, que acreditaram, e acreditam ainda, que se pode vencer o fascismo e o capitalismo pelo voto na democracia representativa burguesa.

O fascismo só poderá ser derrotado pela ação direta e a mobilização radical de massas nos movimentos sociais e nas ruas. Apenas a luta de massas organizada e o acúmulo de força social e poder popular por parte da classe trabalhadora, nas suas próprias organizações, pode derrotar o fascismo. Só com a destruição do capitalismo, do Estado, e de todas dominações é que podemos evitar que o fascismo volte. É um longo processo de educação, organização e luta popular e proletária que tem de ser desenvolvido o quanto antes. Deste modo, o anarquismo e o comunismo tornam-se as únicas soluções viáveis. Nunca o fascismo poderá ser derrotado num país estruturalmente e sistemicamente racista, colonial, patriarcal, queerfóbico e capitalista.

Enquanto anarquistas e comunistas libertários, não acreditamos no parlamentarismo como método de resolução dos problemas coletivos e individuais da nossa sociedade, nem no parlamento como órgão representativo dos interesses das classes trabalhadoras. O Estado, com os seus órgãos de poder e governação, é uma instituição de dominação da classe burguesa sobre o proletariado, os trabalhadores e despossuídos. Uma instituição burocrático-militar, baseada na centralização de poder nas mãos de uma minoria de representantes das classes dominantes e em relações sociais hierárquicas de dominação, exploração e opressão, mantendo a maioria dos membros de uma sociedade afastados das tomadas de decisão políticas, económicas e sociais que lhes dizem respeito. Enquanto órgão que se posiciona acima da sociedade e fora da sociedade, o Estado serve apenas para defender os interesses da burguesia e dos seus burocratas, proteger a propriedade privada e perpetuar a exploração. Enquanto o Estado existir, o capitalismo também continuará a existir, e nós continuaremos a ser impedidos de possuir em comunidade os nossos meios de produção e existência, esmagados por uma dominação impessoal e alienante.

O parlamento é, portanto, o órgão político da classe burguesa. Como tal, não é no parlamento que os trabalhadores, estudantes, desempregados e outros, devem procurar a satisfação das suas necessidades e dos seus interesses. E mais importante do que debater se devemos ou não apelar à abstenção, ao voto em branco ou qualquer outra tática eleitoral, é definir de que forma se pode e deve agir politicamente. Em que organizações, locais, espaços sociais, com que objetivos e através de que métodos de tomada de decisão. Por outras palavras, se o parlamento é um dos órgãos políticos da burguesia, quais são os nossos?

Desde o século XIX, o proletariado tem vindo a criar autonomamente órgãos de poder popular político e social. Sindicatos de trabalhadores, moradores e estudantes, cooperativas, assembleias de bairro, comissões de fábrica, comunas rurais, concelhos de trabalhadores (sovietes) são todos modos de organização desenvolvidos para combater o capitalismo. Coletivos de base, feministas e queer, antirracistas, antifascistas, redes de apoio mútuo, grupos de luta pela habitação, pela defesa do ambiente e luta ecológica, e até grupos culturais e desportivos populares, podem todos ter o papel de espaços de política dos oprimidos.

A luta do dia a dia, a construção revolucionária gradual, é feita diretamente e autonomamente pelos próprios trabalhadores, pelos próprios oprimidos. É essencial investirmos as nossas forças e energias na militância diária no âmbito sindical, habitacional, estudantil, feminista, queer, ambiental, antiprisional, antirracista, cultural, antimilitarista, anti-imperialista, anticolonialista, e não desperdiçar energias acreditando em campanhas eleitorais e na política burguesa.

Os órgãos de poder popular não surgem pré-definidos nem podem ser uma invenção de uns quantos teóricos pseudorrevolucionários, mas surgem da própria luta diária e historicamente específica dos próprios trabalhadores, estudantes, oprimidos e despossuídos. A construção do poder popular é um processo de autocriação e auto consciencialização, que só se pode concretizar através da luta concreta e das discussões nos espaços frequentados coletivamente pelos explorados. O caminho faz-se caminhando, e é na luta que poderemos definir qual é a melhor forma de nos organizarmos com base em relações sociais igualitárias e voluntárias, para satisfazer as nossas necessidades e os nossos interesses coletivos e individuais.

Enquanto anarquistas e comunistas, é nesses espaços que devemos focar a nossa militância diária, onde podemos agir coletivamente, levar as nossas ideias e propostas e construir novas, em conjunto com os oprimidos. De outra forma, tornamo-nos nada mais do que agentes passivos na nossa torre de marfim, incapazes de fazer nada, condenados a apelar ao mal menor no parlamento.

Porque depois das eleições continua tudo igual. As políticas de conciliação dos partidos de esquerda reformista parlamentar e legalista com as classes dominantes irão continuar a perpetuar as políticas neoliberais de repressão, violência, austeridade e pobreza. O fascismo, enquanto não for combatido fora do parlamento por todos os meios necessários, irá continuar a crescer e a receber apoio, aceitação e normalização por parte dos liberais assustados e conservadores oportunistas. As pessoas dos bairros e comunidades pobres e marginalizadas vão continuar a ser despejadas das suas casas ou a viver em condições miseráveis enquanto pagam rendas elevadas. Trabalhadores vão continuar a ser explorados, o meio ambiente destruído pelas políticas estatais e capitalistas. Atos machistas, racistas, homofóbicos e transfóbicos continuarão a ser praticados, ignorados e protegidos pelo Estado.

É urgente organizarmo-nos, com base na livre associação, autogestão, cooperação, ação direta, apoio mútuo, amor, solidariedade e diversidade. Construir e participar nas organizações de poder popular, acumular força social e comunitária, para transformar a sociedade, em direção à abolição de classes sociais, do Estado, da propriedade privada. À destruição de todas as prisões, do exército e da polícia. Ao combate de todas as relações sociais de dominação: o patriarcado, o racismo, a homofobia, transfobia, o militarismo, colonialismo, imperialismo, especismo, capacitismo e a destruição da natureza. Por uma sociedade na qual o livre desenvolvimento de cada um é a condição necessária para o livre desenvolvimento de todos, onde a liberdade do outro estenda a nossa ao infinito. Um mundo no qual os meios da nossa existência nos pertencem a todos, coletivamente.

O local de voto dos anarquistas, comunistas e das classes trabalhadoras não é nas eleições legislativas, é no movimento social, nos sindicatos horizontais, nas assembleias de bairro, nas organizações da nossa classe e para a nossa classe.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://uniaolibertaria.pt/anarquismo-e-parlamentarismo-a-revolucao-nao-se-faz-nas-urnas/

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No orvalho branco
Encontrarás o caminho
da Terra Pura!

Issa

 

“Barracas de Luxos Comunais” no Festival Cultive Resistencia

31/03/24 – 14 h – Teatro no Festival Cultive Resistência: “Barraca de Luxos Comunais: uma feira com produtos da Comuna de Paris” – com Cibele Troyano no Espaço Saruê.

Trata-se de uma performance teatral interativa, na qual por meio de alguns objetos, são contadas algumas das histórias ocorridas na Comuna de Paris de 1871: Uma pessoa do público escolhe um dos objetos expostos e a atriz se transforma na personagem correspondente ao objeto e conta a história que viveu durante a Comuna de Paris. As personagens são: o pintor Gustave Courbet, a anarquista Louise Michel, a cantora Rosalie Bordas, o compositor Jean Baptiste Clément, o menino Pierre, uma freira. A atriz Cibele Troyano, responsável pela pesquisa e pela dramaturgia, é acompanhada por Nina Hanbury, que faz a sonoplastia. Ambas integram o Centro de Cultura Social de São Paulo.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/06/peruibe-sp-festival-cultive-resistencia/

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Virando, rompendo
as folhas secas, meus pés
sem respeito aos mortos.

Alexei Bueno

Pós-Bolsonaro, Brasil e França relançarão parceria no setor militar | “Contribuirá para a defesa da Pátria e da Amazônia Azul”.

Por Jamil Chade | 21/03/2024

A viagem do presidente Emmanuel Macron ao Brasil, na próxima semana, será marcada pelo restabelecimento da parceria estratégica entre os dois países, em especial no setor militar.

O UOL apurou que os governos do Brasil e França vão anunciar um novo plano de ação e que vai incluir a criação de um mecanismo que irá monitorar a parceria no setor de defesa. Um dos objetivos será o de permitir que as vendas de equipamentos e produtos ocorram também a partir de empresas brasileiras para os franceses, além de identificar possibilidades de transferências de tecnologia.

Macron visitará no dia 27 de março o estaleiro e base naval de Itaguaí, a 60 km do Rio de Janeiro, e que serve de base para a construção de submarinos projetados a partir de uma parceria entre os dois países. A visita será marcada pela saída ao mar do terceiro submarino construído no estaleiro.

Em estreita cooperação com a França, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos foi criado em 2008, no segundo mandato de Lula. Mas, segundo o Elysee, a relação política entre os dois países foi “praticamente congelada” durante a gestão de Jair Bolsonaro e os contatos viveram um “eclipse” de quatro anos.

O UOL apurou que, entre 2021 e 2022, a diplomacia francesa determinou que os contatos até mesmo com a embaixada do Brasil em Paris fossem reduzidos. O relançamento da parceira estratégica voltou a ganhar ritmo entre os dois países em 2023.

Janja será madrinha

Batizado de “Tonelero”, o submarino que será lançado ao mar é o terceiro de uma série de cinco já previstos em 2008. Ele terá a primeira-dama Janja Lula da Silva como a madrinha de batismo.

Na avaliação dos militares, os submarinos equipados com modernos sensores, mísseis e torpedos “possuem alta capacidade dissuasória por serem armas letais de difícil localização quando submersos” e o novo submarino “contribuirá para a defesa da Pátria e da Amazônia Azul”.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2024/03/21/pos-bolsonaro-brasil-e-franca-relancarao-parceria-no-setor-militar.htm

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/05/embraer-negocia-com-sauditas-base-de-producao-militar-no-oriente-medio/

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um tufo de algodão
flutuando na água
uma nuvem

Rogério Martins

[França] A fórmula secreta para aumentar os bíceps

Rafale de 49.3 [reforma da previdência], destruição dos direitos dos desempregados [seguro-desemprego], da saúde, da escola, lei de imigração que retoma o programa de Le Pen, preparação da opinião pública para uma terceira guerra mundial… Macron não ficou ocioso nos últimos meses para destruir nossas vidas.

Portanto, se acreditarmos nas fotos oficiais do Palácio do Eliseu [residência oficial do presidente da República Francesa], ele também conseguiu engordar uns sobrenaturais 15 quilos de músculos desde o verão. Um resultado mais rápido do que os fisiculturistas mais aplicados.

Como você pode dobrar o tamanho de seus bíceps e parecer durão no cenário internacional sem esforço? É simples: consuma Neofascism©, o pó mágico desenvolvido pelo governo francês. Ele é baseado no pó de perlimpimpim e enriquecido com o ingrediente ativo de Lepénisme [extrema direita], o que lhe dá uma sensação de onipotência e um desejo furioso de fazer guerra.

Um pacote disponível por apenas 49,3€, com um bônus de 50% de desconto na formação em Photoshop, usando o código promocional “rearmamento”.

Fonte: https://contre-attaque.net/2024/03/22/la-formule-secrete-pour-faire-grossir-ses-biceps/

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Ah, lua de outono —
Andando em volta do lago
Passei toda a noite.

Bashô