[Espanha] Lançamento: “Ética, anarquismo y sexualidad. Amparo Poch y Gascón”, de Concepción Gómez Cadenas

Amparo Poch y Gascón (Zaragoza, 1902 – Toulouse, 1968), uma das primeiras mulheres que exerceu a medicina na Espanha, foi cofundadora da revista e organização anarcofeminista Mujeres Libres, militou no Partido Sindicalista, foi conselheira de Assistência Social no Ministério da Saúde com Federica Montseny e promoveu os lares infantis, os liberatórios de prostituição e a educação e formação das mulheres em temas relacionados com a saúde e sobretudo com sua sexualidade. Como médica trabalhou até seus últimos dias em consultas especiais para obreiros. Desde a bioética, este livro delibera sobre sua atitude como médica vocacional e sobre aspectos vinculados com os confins da vida humana que surgem em sua biografia.

Ética, anarquismo y sexualidad. Amparo Poch y Gascón

Concepción Gómez Cadenas

Nº páginas: 414

ISBN: 978-84-1340-397-7

25,00 €

puz.unizar.es

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o telhado
um gato se perfila:
lua cheia!

Maria Santamarina

[México] “Funeral Popular”

Em meus vinte e nove anos de luta pela liberdade, perdi tudo e todas as oportunidades de me tornar rico e famoso; passei muitos anos de minha vida nas prisões; experimentei o caminho do vagabundo e do pária; encontrei-me desmaiando de fome; minha vida esteve em perigo muitas vezes; perdi minha saúde; em suma, perdi tudo, exceto uma coisa, uma única coisa, que fomento, acarinho e preservo quase com zelo fanático, e essa coisa é minha honra como lutador.

Carta escrita por Ricardo Flores Magón a Nicolás T. Bernal desde a prisão de Leavenworth, em 1920

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agência de notícias anarquistas-ana

nenhum pio
depois do trovão
apenas uma fragrância

Alonso Alvarez

[México] “Não sentimos vergonha ou arrependimento por nossa causa”

A Secretaria da Defesa Nacional (Sedena) identificou a maioria dos grupos anarquistas, dissidentes, coletivos feministas, ativistas…. Queremos expressar que embora isto não seja novidade em toda a história do anarquismo e que não nos surpreenda no regime [esquerdista] atual, procuramos enfatizar a responsabilidade do Estado pelo o que possa acontecer com nossos companheiros e companheiras. Incluindo a nós mesmos.

Ricardo Flores Magón foi perseguido, preso e até o momento de seu assassinato ele nunca recuou em suas ideias. Ele disse com toda razão: “Ninguém poderá colocar sobre minha sepultura ‘aqui jaz um covarde'”. Que exemplo maior temos neste país do que o verdadeiro revolucionário? E, é claro, todos os anarquistas ao redor do mundo mortos apenas por lutarem pela emancipação dos oprimidos.

Nós sabemos que vocês nos leem, vocês tem a senha de muitas coisas. Queremos apenas expressar que não sentimos vergonha ou arrependimento por nossa causa e que aqueles que carregam o desprezo e a desonra são os paladinos do Estado, seus baluartes e proeminentes. A legalidade e sua inteligência policial e militar só dão a razão de que este sistema funciona para manter opressores e oprimidos, punindo e perseguindo todas as formas de dissidência.

Enquanto os poderes procuram perpetuar as condições de escravidão de milhões, queremos abolir a maquinaria que causa esta miséria para tantas pessoas.

Levamos um mundo novo em nossos corações.

Bloque Negro

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A felicidade
nem de mais e nem de menos –
Minha primavera.

Issa

[Chile] Três anos após a revolta popular de 2019, as conclusões são claras.

Os pactos e acordos de poder e o processo constituinte resultante para uma nova constituição (acordado por todas as partes) fracassaram.

O governo progressista da esquerda social-democrata (FA/PC) vacila e cede a cada golpe de mesa da direita e das Forças Armadas e reprime impiedosamente aqueles que continuam a lutar (estudantes secundaristas).

Os setores do neofascismo liberal e os nostálgicos de Pinochet que eternamente recusam mudanças fortaleceram seu discurso oportunista, posicionando-se pouco a pouco como a oposição ao governo.

Os setores revolucionários não conseguiram capitalizar um projeto político de luta e foram diluídos entre aqueles que postularam que era necessário votar e continuar a luta e aqueles que continuaram a apostar no conflito de rua com o consequente isolamento do discurso e da prática. Nem um nem outro estão em uma boa posição hoje, numa época em que o povo, após uma revolta e uma longa pandemia, quer paz, segurança e soluções rápidas do Estado e um retorno à velha normalidade anterior a 2019.

A derrota da aprovação é um sinal claro de que o progressivismo social-democrata dominante e suas ideias e discursos nascidos da intelligentsia pós-moderna e não da conexão popular, não conseguiram encantar as maiorias e assim enterraram a ilusão de mudança na qual muitos estavam apostando. Nem as mudanças nasceriam desta rota para estrangular a revolta e desviar a atenção das exigências centrais que se chocavam diretamente com os fundamentos do modelo econômico dominante, e era óbvio que acabaria sendo esboçada nas costas do povo. Em outras palavras, este processo nasceu um fracasso para o povo e uma vitória para os poderosos.

O anticomunismo, bombardeado e financiado pela direita e pelo fascismo através das redes sociais e nas ruas, conseguiu penetrar em importantes setores da população, difamando este conceito. Diante disso, os setores antiautoritários, anarquistas e antifascistas ainda têm a oportunidade de assumir sua posição histórica ao lado das lutas exploradas e dos trabalhadores para se tornarem, a longo prazo, aqueles que fortalecem a consciência, a auto-organização, a solidariedade e a autonomia que o povo precisa para se radicalizar e lutar.

A luta foi sem representantes, urnas eleitorais, pactos ou acordos e essa é a ênfase que devemos colocar sobre a mesa durante este mês. Vamos abandonar a nostalgia do mês de outubro e continuar a luta.

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura.

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Ameixeiras brancas —
Assim a alva rompe as trevas
deste dia em diante.

Yosa Buson

[Espanha] O “jogo sujo” das casas de apostas: até cinco anos de cárcere por mobilizar-se

A problemática em torno da proliferação das casas de apostas e o jogo patológico voltam a ser protagonistas de mobilizações e iniciativas sociais. Cinco moradores de Burgos enfrentam cinco anos de cárcere por protestar contra a abertura de uma nova casa de apostas em Gamonal.

Desde alguns anos a problemática do jogo patológico e a proliferação de casas de apostas nos bairros de nossas cidades se converteu em uma realidade massacrante. A adesão ao jogo é, em palavras das pessoas especialistas na matéria, “uma autêntica pandemia inserida na juventude como pode ser a heroína nos anos 80”. A localização deste tipo de casas de apostas e cassinos em bairros com rendas mais baixas não é sem importância. Tudo parece indicar que nos encontramos frente a uma estratégia da patronal do jogo para situar este tipo de negócios em áreas urbanas com um componente social mais vulnerável e tornar assim mais rentável sua atividade.

A partir da primavera de 2018 se iniciou em Burgos, com especial incidência no bairro de Gamonal, uma campanha de mobilização de moradores com a qual se denunciava o crescimento exponencial deste tipo de locais que fomentam o vício do jogo. A mobilização fez especial ênfase no rechaço ante a abertura de uma nova casa de apostas na avenida Derechos Humanos de Gamonal.

Embora é certo que, por um lado, o desenvolvimento desta mobilização de moradores fez  com que as instituições locais se vissem obrigadas a tomar medidas concretas, entre elas a proibição da publicidade de casas de apostas nos ônibus urbanos, ou a modificação do Plano Geral de Ordenação Urbana para que não se abrissem mais casas de apostas em zonas residenciais (medida que foi recorrida pela patronal do jogo e a Junta de Castilla y León); por outro, também houve pessoas que sofreram em suas próprias carnes o jogo sujo das casas de apostas em forma de criminalização.

Na atualidade cinco moradores se encontram processados por sua participação nas mobilizações contra a abertura da casa de apostas C4SINO da avenida Derechos Humanos em Gamonal. Foram acusados de supostos danos, ameaças e coações e enfrentam uma petição fiscal que poderia supor uma multa de milhares de euros e 24 meses de prisão. Por outra parte, a acusação particular, exercida pela casa de apostas, solicita até 5 anos de cárcere para cada um deles pretendendo aplicar um castigo exemplar aos que se mobilizaram. Estes moradores enfrentam um julgamento que se celebrará nos dias 20 e 21 de dezembro de 2022 no qual terão que demonstrar as incoerências de uma acusação particular que busca amedrontar o movimento de moradores que protesta contra a extensão do vício do jogo.

O jogo sujo das casas de apostas manifesta o caráter perverso deste tipo de negócios que, não só fomenta o vício do jogo, mas que pretende que se castigue com prisão aos moradores que protestaram contra a extensão de uma praga que se nutre do sofrimento e adesão das pessoas. Por tudo isso, fazemos um chamado a retomar a mobilização e denúncia frente a cassinos e casas de apostas que degradam nossos bairros participando nas atividades programadas nas jornadas Fora as calas de apostas de nossos bairros que iniciarão no próximo 14 de outubro, assim como na concentração de apoio que acontecerá no sábado 5 de novembro às 12:30 horas na Plaza Santiago de Gamonal.

Aposta POR TEU bairro!!

SOLIDARIEDADE COM OS MORADORES PROCESSADOS!!

Asamblea Vecinal contra las Salas de apostas

Fonte: https://diariodevurgos.com/dvwps/el-jogo-sucio-de-las-salas-de-apostas-hasta-cinco-anos-de-carcel-por-mobilizar-se.php

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson

[Espanha] O repulsivo regime iraniano

Não sei se existe algum regime hierárquico, em qualquer lugar em um mundo economicamente globalizado em benefício de poucos, que respeite cem por cento dos direitos humanos. O que tenho certeza é que há estados que são particularmente repugnantes a este respeito. Um deles é o Irã, para vergonha da comunidade internacional (claro, com algumas exceções com fortes condenações, que não vêm exatamente do poder político ou econômico). Nos últimos dias, pessoas de coragem extraordinária, especialmente mulheres, se manifestaram naquele país, provocando a solidariedade no mundo árabe naquele que é talvez uma das revoltas mais notáveis dos últimos tempos. A revolta foi provocada pelo assassinato da jovem Mahsa Amini pela nauseante polícia moral por não usar o hijab corretamente. A revolução feminista tornou uma de suas exigências dizer não à imposição do véu, razão pela qual o ato de desvendar o véu foi visto em países como Síria, Iraque e Palestina. E o fato é que a violação dos direitos humanos no regime iraniano, especialmente para as mulheres, para vergonha de todos aqueles governantes “democráticos” que mal fazem a ocasional condenação inofensiva, não parou de se deteriorar por muitos anos.

As mulheres que defendem seus direitos, em um sistema teocrático, são presas com extrema violência sob a acusação dos crimes pecaminosos mais ultrajantes. Lembremos que no Irã existem punições atávicas como chicotadas, amputações, até mesmo a cegueira, ou a própria pena de morte, ainda presentes em tantos lugares como o instrumento mais definitivo de repressão por parte do Estado, para não mencionar as sentenças de incontáveis anos de prisão para servir de exemplo daqueles que se pronunciam contra as leis islâmicas. Milhares de pessoas são interrogadas, submetidas a julgamentos arbitrários e presas pelo único crime de defesa dos direitos humanos; as forças repressivas do Estado iraniano usam qualquer meio letal para reprimir os protestos, e a tortura e a negação de assistência médica são o pão e a manteiga diários. A violência é particularmente dirigida às mulheres e pessoas de diversas condições sexuais, bem como às minorias étnicas e religiosas, que sofrem discriminação sistêmica.

Há provas documentais de que, nos recentes protestos, o mais alto corpo militar do Irã deu ordens aos chefes das forças armadas para reprimir duramente as pessoas que saíram às ruas em indignação após a morte de Mahsa Amini às mãos da polícia. O resultado, pelo menos até onde sabemos, é mais de meia centena de vítimas da repressão; as autoridades iranianas, determinadas a causar o máximo de danos ou mesmo matar, a esmagar os insurgentes, têm nada menos que a Guarda Revolucionária, a força paramilitar da Basij, a Força de Aplicação da Lei da República Islâmica, a polícia de choque e, ainda por cima, os agentes de segurança vestidos de civis. Esta é uma impunidade sistemática que prevalece no país há muito tempo, para vergonha de uma comunidade internacional que, de uma forma ou de outra, a tolera, não agindo com firmeza e apenas denunciando-a ocasionalmente sem levantar sua voz muito alto, certamente porque não há nenhum Estado que não faça algo semelhante de forma mais ou menos dissimulada.

Juan Cáspar

Fonte: http://acracia.org/el-repulsivo-regimen-irani/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/29/espanha-desde-rohilat-e-ira-a-todo-o-mundo-mulheres-vida-e-liberdade/

agência de notícias anarquistas-ana

Vento refrescante
que se contorcendo todo
chega até aqui.

Issa

[Espanha] Lançamento: “El hilo conductor de la subversión”, de Miguel Amorós

Miguel Amorós é conhecido como um dos mais aguçados críticos da sociedade contemporânea ligada ao mundo anarquista. El hilo conductor de la subversión (o fio condutor da subversão) reúne suas mais recentes contribuições e alguns escritos anteriores representativos. Nesta época de discursos pré-fabricados e vídeos virais, Amorós nos oferece textos cheios de significado, para entender o que estamos vivendo; e também para conhecer a memória das lutas sociais, uma boa referência para aqueles que virão.

Amorós define as grandes cidades como territórios de poder, nega as promessas de progresso capitalista, ainda encarnadas pela social-democracia, ou de tecnologia que só nos coloca mais longe no buraco, enquanto serve para o controle social da população; ele também critica a democracia totalitária branqueada pela mídia, em suma: ele esboça um mundo menos livre. Diante da ameaça do ecofascismo, ele desmantela a lavagem verde do sistema nestes tempos de “transição ecológica”. Mas não propõe o decrescimento, mas rejeita esta sociedade, estando comprometido com o antidesenvolvimentismo e com outra forma de vida, mais autônoma, livre e comunitária.

Na última década, algumas lacunas se abriram, parece haver mais politização, mas, com honrosas exceções, esta foi redirecionada para o espetáculo e o reformismo pelos novos partidos, pela TV e pelas redes sociais (daí os “revolucionários do twitter”). Eles nos vendem um discurso que só critica o consumismo e a corrupção, enquanto vivemos em cidades inabitáveis e em uma cultura de massa, agora personalizada com grandes dados. É urgente desvendar a teia de dominação: o Estado, o patriarcado, o mundo dos negócios, a lógica da acumulação, do trabalho assalariado e da nocividade (nuclear, alimentos geneticamente modificados, pesticidas, etc., que são responsáveis por uma grande parte das doenças). Devemos nos livrar de certos valores, hábitos e medos. O questionamento radical é necessário, para recuperar o desejo não domesticado e a contracultura, assim como certas formas de agir.

Amorós reúne o melhor do pensamento anticapitalista (marxismo, situacionismo, anarquismo revolucionário). Ele lida com ideologia e estratégia, revisitando clássicos como Bakunin, Kropotkin e Bonanno. Autogestão, apoio mútuo e antiautoritarismo. Seus escritos transmitem uma perspectiva quase perdida, especialmente para os mais jovens. Talvez aí resida a importância do fio condutor comum da subversão.

EL SUTIL HILO CONDUCTOR DE LA SUBVERSIÓN

Miquel Amorós

Editora: IRRECUPERABLES

Ano de publicação: 2022

ISBN: 978-84-85209-44-6

Páginas: 348

Preço: 15,00 euros

www.enclavedelibros.com

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sax tenor.
O ouvido gosta,
o coração sente dor.

Rogério Viana

[Espanha] A CGT apela para mobilização em 15 de outubro em defesa das pensões e salários dignos

A organização anarcossindicalista está convocando, junto com outros grupos e organizações, uma grande manifestação na capital espanhola diante da perda do poder de compra.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) já explicou em um comunicado que há muitas razões para sair às ruas em defesa das pensões e de salários dignos para a classe trabalhadora. As razões, de acordo com a organização negra-vermelha, são muitas e justificadas, já que as pessoas da classe trabalhadora estão tendo cada vez mais dificuldade de levar uma vida digna com os salários e pensões que recebem, apesar de terem contribuído durante muitos anos para os cofres comuns do Estado.

A CGT quer enfatizar o fato de que o Ministro de Inclusão, Seguridade Social e Migração do Governo Espanhol, José Luis Escrivá, pretende modificar o período de cálculo das pensões, aumentando o número de anos necessários para a quantificação da pensão futura. Esta “nova reforma” das pensões por formações políticas que afirmam ser “o governo mais progressista da história da democracia espanhola” servirá apenas para prolongar o período de cálculo da pensão, de 25 a 35 anos, e uma perda financeira entre 7% e 10%.

A organização anarcossindicalista tem muito clara de que esta modificação é um novo ataque à classe trabalhadora, pois significa um novo corte nos direitos econômicos dos assalariados e pensionistas, que será muito difícil de recuperar.

Por todas essas razões, a CGT convocou toda a sociedade a apoiar maciçamente a jornada de protesto e a assistir à manifestação convocada para sábado, 15 de outubro, em Madri. Pensões dignas são um direito, assim como os salários até que sejam alinhados com o IPC real para que as pessoas possam escolher viver dignamente.

cgt.org.es

agência de notícias anarquistas-ana

jardim sem flor
entre as páginas do livro
a rosa e sua cor

Alice Ruiz

[Grécia] Não ao encobrimento dos torturadores de Vassilis Mangos

No próximo 21 de outubro se realizará o julgamento de 3 policiais de Volos pela surra (faz dois anos e meio) ao companheiro Vassilis Mangos em frente aos tribunais locais. Vassilis foi golpeado e detido pelo MAT [polícia antidistúrbios], a OPKE [polícia antiterrorista] e policiais durante o ataque à manifestação de solidariedade com os detidos na longa marcha do dia anterior, contra a queima de lixo por parte da AGET. Posteriormente, foi levado à delegacia de Volos onde foi insultado, humilhado e torturado pelos protetores da lei, que a altas horas da noite o jogaram em estado semi-inconsciente e com 6 costelas quebradas, terminando no hospital. Daí a 3 dias, denunciou em um texto as tortura e surras que o marcaram para sempre e o levaram à morte um mês depois.

O poder judiciário local, após dois anos e meio, finalmente decidiu enviar 3 agentes acusados aos tribunais por uma só acusação de delito menor, o de lesões corporais perigosas. Também desconsiderou a demanda interposta pelos pais de Vassilis na qual estiveram presentes e declararam dezenas de testemunhas presenciais. O anterior estabelece que se trata de um simulacro de julgamento cujo único propósito é desmascarar só alguns dos responsáveis pela surra a Vassilis e encobrir sua tortura. Este é mais um cinismo da máfia judicial contra seu próprio povo, apoiando simultaneamente os planos colonialistas de LaFarge – AGET e a guerra que abriu contra a sociedade de Volos.

A nível local, se faz evidente a imposição de atividades empresariais a expensas do homem e da natureza, com a autoridade municipal de Beos e com os respectivos governos submetidos aos ditames do capital. A privatização de bens sociais públicos como a água de Stagiata, é uma das grandes pragas de nossa região. Os funcionários escolhidos, nos braços de esbirros e empresários e com o respaldo do poder judiciário, por qualquer meio minam e degradam a  água da região para vendê-la a contratistas privados e gigantes monopolistas. Com práticas mafiosas, a autoridade municipal tenta reprimir a luta da comunidade local contra a privatização. Um espinho em seus planos é a resistência organizada dos moradores.

O plano de instalar uma plataforma flutuante de milhares de metros cúbicos de gás natural líquido (GNL) no porto de Volos vem somar-se ao menosprezo pelo meio ambiente ao colocar uma bomba a poucos metros do centro de nossa cidade.

Ao mesmo tempo, na área do sul de Pelión, a instalação de parques eólicos vai por bom caminho, novamente utilizando o suposto benefício energético como fonte de energia renovável, complementando a deterioração ambiental geral e a destruição futura da área mais ampla através do saque dos bens naturais e do meio ambiente.

A sociedade e os coletivos locais lutam pela proteção do meio ambiente e da qualidade de vida, os lutadores tem contra eles todo o aparato estatal de repressão, o poder judiciário e o para-estado local. Desde a truculência mafiosa, os julgamentos manipulados e as operações policiais, a comunidade local está experimentando um terror, do qual são mostra de uma série de julgamentos que envolvem frentes de luta ativas que se realizaram em outubro. (Stagiatis, queima de lixo, turbinas eólicas).

A serpente da justiça burguesa sempre mordeu só aos débeis, aos pobres, aos oprimidos e, sobretudo, aqueles que escolhem enfrentar o sistema de exploração existente. Uma justiça que mostra sua maior ferocidade na hora de tratar com militantes realizando golpes judiciais, distribuindo acusações e anos de prisão a sua vontade, impondo condições restritivas extremas, negando benefícios e liberações aos presos políticos e muito mais. Ao mesmo tempo, libera violadores, sicários uniformizados, fascistas, mafiosos e outros que estão próximos do poder (mais lixo autoritário), enquanto faz vista grossa ante as dezenas de escândalos e crimes financeiros dos respectivos governantes. Não há que ter ilusões sobre o caráter de classe da justiça grega e seu papel, que é perpetuar a exploração e opressão capitalista.

Em um período como o atual, onde cresce o ataque à sociedade, onde se pisoteiam conquistas e direitos sociais básicos, onde a pobreza alcança cada vez mais pessoas e a legitimidade do regime se oscila, as decisões da justiça burguesa confirmam sua utilidade estrutural para o sistema. A doutrina da lei e da ordem, o autoritarismo, a gigantesca repressão, a arbitrariedade policial e a perpetuação de um regime de exceção, seriam impossíveis sem os corvos judiciais patrocinados pelo estado. Todo o anterior blinda um sistema onde os ricos se enriquecem mais e os pobres se empobrecem, em um momento de agravamento e crise capitalista em cadeia (econômica, ambiental, energética, geopolítica, etc.).

Nos últimos tempos, contra estes planos e em diversos campos sociais, estão se criando focos de resistência. Apesar do esforço organizado para encobrir e caluniar da mídia do sistema, as diversas frentes de luta que se criaram tentam construir diques contra o abismo da ultra direita da investida neoliberal. Um mosaico de resistência está em marcha, dos estivadores de COSCO, os trabalhadores de LARCO e Malamatina, às lutas pela defesa das áreas dos planos empresariais, passando pelas mobilizações da comunidade estudantil por universidades livres e os movimentos de defesa ambiental (Skouries, Agrafa, Mesochora, etc.) até as lutas de presos políticos. A conexão de todas as lutas não só é óbvia, mas também necessária, as reivindicações ambientais, os conflitos de classe, as lutas antipatriarcais e antibélicas – anti-imperialistas, individualmente e em seu conjunto, constituem um amortizador crucial no avanço estatal e capitalista para o empobrecimento e exploração.

Frente à dura realidade que nos deparam os agentes da noite, os grupos empresariais, os industriais, os senhores locais e o poder central a serviço do capital internacional, oponhamos a sede de vida. Organizar-nos horizontal e anti hierarquicamente em cada bairro, em cada lugar de trabalho com sindicatos de base, e em cada manifestação e setor de nossa vida, fortalecendo o conceito de solidariedade, reapropriando-nos dos espaços públicos, repelindo a violência estatal, unindo nossas vozes com um comum objetivo de por fim à interminável sede de lucros dos estados e dos capitalistas.

O julgamento dos 3 policiais que se inicia em 21 de outubro e os métodos que o acompanham são parte chave da política repressiva do Estado. Uma política que tem como objetivo o inimigo interior, o mundo da luta e a qualquer um que tente derrubar o sistema de exploração existente. Devemos à memória de Vassilis revelar a verdade da mentira, não deixar que o esquecimento prevaleça. Temos a obrigação como combatentes, de lutar pelo que lutou Vassilis e lhe custou a vida. Em tempos onde a resignação parece dominar, onde os problemas insolúveis que pesam sobre as costas do povo para sua sobrevivência alimentam a frustração e a tendência às soluções individuais, devemos estar à altura das circunstâncias. A cidade na qual vivemos tem uma história de lutas cujo legado e experiência não são desprezíveis. A população local sabe lutar e o demonstrou contra vento e maré.

NÃO DEIXEMOS PASSAR A BURLA JUDICIAL

DETENHAM A QUEIMA DE LIXO JÁ

SE FARÁ JUSTIÇA NAS RUAS

Marcha pan helênica, sábado 15 de outubro, 12h00 na Praça da Liberdade

Concentração, sexta-feira 21 de outubro às 9h00 nos Tribunais de Volos

Iniciativa de anarcomunistas de Volos contra o acobertamento do caso de Vassilis Mangos

Fonte: http://alasbarricadas.org/noticias/node/49938

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Saudades da amada —
Caem flores de cerejeira
às primeiras luzes.

Kaya Shirao

[Espanha] CNT Salamanca ganha a readmissão no Coliseé Santa Marta

Trabalhadora recebe contrato permanente

Da CNT-Salamanca relatamos o encerramento do conflito com o Lar de idosos Coliseé Santa Marta. Obtivemos a reintegração de nossa companheira e a conversão de seu contrato em contrato permanente.

A trabalhadora, que havia firmado dois contratos temporários duvidosos, estava em licença-maternidade. Da CNT, tínhamos denunciado que seu contrato estava em fraude de lei, já que a trabalhadora estava desempenhando funções estruturais.

A maternidade da trabalhadora, a resistência desta empresa em fazer contratos por tempo indeterminado e o fato de nossa companheira não se calar e exigir seus direitos fez com que acontecesse o que temíamos: em junho ela foi informada de que seu contrato não seria renovado, o que, na realidade, é um despedimento encoberto.

Diante desta situação, o sindicato tentou falar com a empresa, que nada mais fez do que arranjar desculpas em vez de assumir sua responsabilidade. Portanto, não tínhamos outra alternativa senão recorrer à ação legal e tornar público o conflito através da distribuição de folhetos.

Finalmente, a empresa, consciente da insustentabilidade de sua posição, concordou em reintegrar a trabalhadora e tornar seu contrato permanente.

Esta é uma situação tristemente comum nesta empresa e neste setor. Além das duras condições de trabalho (escassez sistemática de pessoal, dificuldades em conciliar trabalho e vida familiar, altas exigências e pouco reconhecimento, etc.), as empresas se recusam a tornar os contratos permanentes e a nos proporcionar estabilidade no emprego.

Com este conflito, temos mostrado que não precisamos continuar engolindo. Se nos organizarmos, podemos fazer frente aos abusos e melhorar nossas condições de trabalho.

Continuaremos a lutar nesta empresa e no setor de saúde e assistência social pela dignidade de nosso trabalho. Uma dignidade que os patrões tentam pisar todos os dias. Mas quanto mais pessoas nós somos, mais podemos fazer.

Gostaríamos de terminar expressando nossos sinceros agradecimentos por todas as expressões de apoio que recebemos do pessoal e de suas famílias.

Precariedade do trabalho = Precariedade de cuidados!

Pela dignidade do trabalho social e de saúde! Organiza-te e luta!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/cnt-salamanca-consigue-la-readmision-en-colisee-santa-marta/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

É muito silêncio
enquanto as flores não crescem
e os poetas dormem.

Eolo Yberê Libera

[México] O Exército vigia coletivos feministas e os classifica como organizações subversivas

Por Mario Gutiérrez Vega 02/10/2022

A Secretaria da Defesa Nacional (Sedena) vigia coletivos feministas, os quais situa como grupos subversivos, anarquistas e guerrilhas que há no país.

Informes de inteligência gerados por comandos e zonas militares revelam que o Exército segue de perto as atividades de feministas e ativistas que lutam a favor dos direitos das mulheres.

Os relatórios estão dentro das centenas de milhares de correios eletrônicos extraídos dos servidores da Sedena pelo grupo “Guacamaya”.

Em 8 de agosto passado, a Zona Militar 1, com sede na Cidade do México, enviou ao Centro Coordenador de Fusão de Inteligência Militar uma radiografia dos grupos sociais que operam e se mobilizam na capital, vários deles responsáveis por atos de vandalismo e agressões de rua.

A Sedena identifica a existência de 15 coletivos feministas relevantes na Cidade do México, entre eles Bloque Negro, Coordinadora 8M, Las Brujas del Mar, Marea Negra, Coordinadora 8M e Colectiva Aquelarre Feminista.

O documento enumera as marchas feministas ocorridas desde 2019 e detalha ações como a ocupação da sede da Comissão Nacional dos Direitos Humanos no centro da capital do país. Neste evento identifica com seu nome completo e apelidos 11 mulheres do Bloque Negro.

A Sedena exibe sete fichas que tem a Promotoria de Justiça da Cidade do México sobre pessoas acusadas de atos delitivos em marchas e atos feministas. Os dados de seis mulheres e um homem, detalha o informe de inteligência, servirão para obter “objetivos prioritários e iniciar pastas de investigação”.

Outra comunicação em poder da Sedena, fechada em dezembro de 2020 e que foi compartilhada pela mesa de coordenação de segurança em Puebla, brinda informação específica sobre a criação do coletivo Brujas Sufragistas. Aí se identifica, com nome e fotografia, às principais integrantes do grupo e seus aliados na Cidade do México e em Guadalajara. O documento põe especial atenção em suas redes sociais como meio de ligação, comunicação e mobilização.

Como sucedeu em 1968 e na década dos setenta durante a Guerra Suja, hoje o Exército vigia os movimentos das organizações sociais e dos cidadãos que se mobilizam com diversas demandas.

O informe da Zona Militar 1 aponta que existem 18 grupos anarquistas em 14 estados do país. A maioria está sob o abrigo da Coordenadora Estudantil Anarquista, à qual a Sedena cataloga como de tendência “radical e violenta”.

A informação que brinda o Exército permite estabelecer um mapa das organizações sindicais, sociais, estudantis e grupos de pressão que atuam na Cidade do México. Por exemplo, o Centro Miguel Agustín Pro, que acompanhou com assessoria jurídica os pais e mães dos 43 normalistas de Ayotzinapa, o cataloga como um grupo de pressão.

A Sedena considera que os grupos guerrilheiros como o EPR, o ERPI e o EZLN seguem ativos. Inclusive, faz uma relação dos líderes de cada organização e os que provocam ataques a seu nome.

Entre os relatórios hackeados por “Guacamaya” está um informe de 22 de abril deste ano elaborado pela coordenação regional da Guarda Nacional em Villaflores, Chiapas. O documento descreve a presença ativa do EPR nos municípios chiapanecos de Ángel Albino Corzo, La Concordia, Villa Corzo e Villaflores.

Como se revelou em Loret Capítulo 96, o hackeamento aos servidores da Sedena representa a divulgação de informação de segurança nacional relacionada com o combate à delinquência organizada e grupos armados.

Fonte: https://latinus.us/2022/10/02/ejercito-vigila-colectivos-feministas-clasifica-par-de-organizações-subversivas/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Cerejeira silvestre –
Sobre o regato se move
Uma roda d’água.

Kawai Chigetsu

Fundo de solidariedade para militantes presos e perseguidos na Grécia

Contribua para nossa luta!

Ninguém sozinho nas mãos do Estado!

O objetivo básico da estrutura é garantir uma vida digna para os companheiros de prisão através de um processo que seria desenvolvido dentro do movimento político; assim levando a dimensão material da solidariedade um passo além da família, amizade e relações de camaradagem, assim como ajudando na cobertura imediata de emergências (tais como despesas judiciais e fiança para pessoas perseguidas). Além disso, entre as prioridades das pessoas que formam e sustentam a estrutura estão os movimentos de solidariedade prática, a construção de pontes de comunicação entre os que estão dentro da prisão e os que estão fora, e o desenvolvimento de lutas sociais dentro e fora dos muros.

O Fundo de Solidariedade para militantes presxs e perseguidxs foi criado em 2010 em um momento em que, por um lado, a dura reestruturação capitalista sob o disfarce da “crise econômica” e, por outro, o espaço radical, com memórias muito recentes da experiência da revolta social de dezembro de 2008, estava em plena atividade, expressando raiva social genuína e espontânea. Nessas circunstâncias, em que a reestruturação sistêmica implicou na intensificação da repressão e no aumento da proteção legislativa dos privilegiados, enquanto a atividade de qualquer pessoa envolvida na luta social produziu múltiplas agressões (desde solidariedade operária vigorosa, manifestações de massa, ocupações de edifícios e espaços públicos, ações coletivas diretas até ações revolucionárias armadas), surgiu a questão de dezenas de presos políticos.

Devido à atualização das leis “antiterroristas” e dos mecanismos do complexo jurídico-repressivo, mas também levando em conta a escalada da própria ação revolucionária, esses presos políticos estavam agora enfrentando penas severas e/ou longas. Isto criou uma situação nova para a maioria da parte radical da sociedade desde a queda da junta militar (1974). As principais características desta situação pareciam ser sua severidade e duração. É precisamente neste contexto que o Fundo de Solidariedade foi criado para dar apoio consistente e estável aos prisioneirxs e perseguidxs por sua ação subversiva ou por sua participação em lutas sociais.

De 2010 até hoje, o Fundo de Solidariedade tem procurado obter apoio político, moral e material regular e consistente para a coleta de recursos, que derivam principalmente da participação consciente de cada um de nós, assim como de grupos e coletivos, contribuindo para a continuação de uma solidariedade efetiva. Entretanto, a contínua repressão estatal resulta em um grande número de presos políticos e despesas judiciais e, consequentemente, em necessidades materiais particularmente elevadas.

No momento, o Fundo de Solidariedade apoia mensalmente 21 prisioneiros: Koufontinas Dimitris, Michailidis Giannis, Xiros Savvas, Petrakakos Giorgos, Sakkas Kostas, Stathopoulos Vangelis, Christodoulou Spyros, Mantzouridis Christos, Fotis Daskalas, Iasonas Rodopoulos e os 11 militantes turcos e curdos: Harika Kızılkaya, Hazal Seçer, Sinan Oktay Özen, Sinan Çam, Ali Ercan Gökoğlu, Burak Ağarmış, Halil Demir, Hasan Kaya, Anıl Sayar, İsmail Zat, Şadi Naci Özpolat. Em muitos casos, também tentamos cobrir, na medida do possível, os custos e a fiança dos camaradas que são perseguidos por causa de sua identidade política, suas ações ou mesmo por causa de seu parentesco/acompanhamento com ativistas presos.

Em anos anteriores, devido à pandemia, vivemos situações sem precedentes tanto como sociedade e como movimentos políticos, mas também em termos de condições carcerárias e do processo de arrecadação de fundos para apoiar os prisioneiros. O Estado, como era de se esperar, aproveitou a difusão da covid-19 como outro meio de impor novas políticas repressivas. No entanto, ao longo destes tempos conseguimos assegurar os recursos necessários para apoiar os camaradas presos e também para cobrir vários custos legais que surgiram. Nossas campanhas anteriores bem-sucedidas de financiamento de firefound apoiadas por pessoas de todo o mundo também contribuíram para este esforço. As necessidades da estrutura, entretanto, são sempre constantes, desde que haja camaradas presos e perseguidos.

Agora que estamos vivenciando as consequências do tratamento da pandemia pelo Estado e todos os novos planos que eles já começaram a implementar – com resultados catastróficos – como a nova política educacional (abolição do “asilo”, operações repressivas dentro dos campi), o despejo das okupas, as intervenções repressivas da polícia em espaços públicos que até agora eram utilizados para eventos de apoio econômico, estamos enfrentando novas dificuldades em relação ao apoio moral, material e político dos ativistas presos e perseguidos. É por isso que decidimos apelar mais uma vez para compas de todo o mundo para nos ajudar a fortalecer o propósito da estrutura e para nos ajudar financeiramente através da plataforma do fundo de incêndio.

ATÉ A DEMOLIÇÃO DA ÚLTIMA PRISÃO

NINGUÉM É LIVRE ATÉ QUE TODOS NÓS SEJAMOS LIVRES

SOLIDARIEDADE COM OS PRESOS POLÍTICOS – APOIAMOS OS ATIVISTAS PRESOS MATERIALMENTE – ETICAMENTE – POLITICAMENTE

Um pouco mais sobre o projeto…

O Fundo de Solidariedade para prisioneiros e ativistas perseguidos é uma estrutura de âmbito nacional que consiste em assembleias individuais em várias cidades. A assembleia em cada cidade funciona de forma autônoma, atuando e projetando ações, eventos, debates envolvendo tanto prisioneiros políticos quanto a questão da prisão nos infernos modernos. A cada poucos meses, os membros desses grupos locais se reúnem em uma assembleia nacional do Fundo de Solidariedade, que tem caráter público e é realizada (ciclicamente) em uma das cidades constituintes. Nesta assembleia aberta, são discutidas questões organizacionais e perspectivas da estrutura e são tomadas decisões sobre eventos, publicações de livros/revistas e ações que possam apoiar e promover seus propósitos. As decisões são tomadas horizontalmente e igualmente, além de qualquer tipo de competição e hierarquia, em uma estrutura de tomada de decisão coletiva de acordo com a política de seus membros, longe de qualquer prática de votação e delegação.

Em nosso esforço para atender às necessidades financeiras da estrutura, além das diversas publicações, realizamos também diversos atos de ajuda financeira. Entretanto, esta estrutura não poderia ter sobrevivido sem o apoio de comunidades individuais e coletivos que percebem sua existência e continuação como necessária e indispensável. O apoio aos esforços do Fundo de Solidariedade, especialmente dos coletivos, através de sua participação em reuniões locais, ou mesmo através de uma contribuição financeira regular e consistente, é de vital importância. Além disso, o apoio de camaradas no exterior continua sendo muito importante. Este apoio desenvolve o senso de solidariedade e interação com coletivos e organizações em nível internacional e também ajuda substancial e ativamente a estrutura em sua tentativa de atender as necessidades diárias dos prisioneiros. Portanto, um objetivo básico de seus membros é a manutenção e o fortalecimento das relações internacionais, numa tentativa de criar redes e até mesmo de coletivizar a resistência, tanto fora como dentro das paredes da prisão. Este esforço inclui a comunicação e a organização de eventos no exterior, assim como a organização de eventos e a oferta de hospitalidade aos camaradas aqui (na Grécia).

A estrutura do Fundo de Solidariedade apoia pessoas que lutam e são perseguidas e presas por sua participação em lutas sociais e de classe, por sua ação subversiva, dentro do espectro da luta revolucionária polimorfa. Também apoia os camaradas que acabam na prisão, acusados de crimes aparentemente não diretamente relacionados com as lutas sociais, mas sua identidade política e suas ações os identificam claramente como parte do movimento radical. Da mesma forma, quando a brutal repressão estatal criminaliza as relações de amizade/família/sociedade, a própria solidariedade humana, optamos por apoiar as pessoas que permaneceram com dignidade e foram o alvo dessas relações. Uma condição essencial e não negociável para o desenvolvimento de uma relação dialética de apoio é a recusa em cooperar com as autoridades durante a detenção e prisão, bem como o reconhecimento de uma comunidade em luta, longe de qualquer tipo de hostilidades e polêmicas dentro e contra ela.

Ao mesmo tempo, não seria possível não ser solidário com os casos concretos dos presos sociais que, estando na prisão, se associaram ao movimento revolucionário e continuam lutando e batalhando com dignidade por melhores condições nos infernos, com todos aqueles que projetam a importância da interconexão das lutas dentro e fora dos muros da prisão. Também consideramos muito importante o apoio político e prático aos migrantes; numa tentativa de rebaixar a existência dos migrantes, os estados os proíbem sistematicamente e os encarceram em campos de concentração. Neste sentido, tentamos contribuir materialmente para as diversas iniciativas que são lançadas e procuramos nos conectar com as respectivas estruturas. Porque, acima de tudo, somos contra qualquer tipo de confinamento e, portanto, continuaremos a lutar junto com todos aqueles mencionados acima.

Finalmente, além do Fundo de Solidariedade para o apoio financeiro regular dos prisioneiros, existe também um Fundo de Solidariedade paralelo que, na medida de suas possibilidades (financeiras), ajuda a cobrir imediatamente emergências, como custos judiciais e fiança, desde que os fundos sejam pagos dentro de um período de tempo razoável.

Hoje, alguns anos depois (desde nossa criação), somos novamente chamados a ler as condições que estão sendo criadas dentro de um cenário que está se tornando mais claro e a reorganizar o apoio consistente do movimento aos militantes presos com termos e objetivos igualmente claros. A reestruturação capitalista expressa através de um ataque global de cima contra toda a gama da vida social do país parece tornar-se permanente. Agora está claro que, independentemente das mudanças nas cores e nomes dos que governam, a implementação de estratégias que impõem pobreza generalizada, canibalismo social e repressão estatal é uma via de sentido único para o mundo do capital e a desigualdade que ele produz. A falsa esperança de confiar a gestão à “esquerda” também é aniquilada. Aqueles das classes sociais mais baixas compreendem cada vez mais a importância de sua própria organização para administrar – também materialmente – as necessidades que surgem.

O movimento revolucionário, do qual fazemos parte, parece compreender os limites da espontaneidade que nos últimos anos nos alimentou e nos levou à vanguarda, mas que ainda é insuficiente para iniciar uma mudança social completa. Ela parece amadurecer e se estruturar através das estruturas organizacionais que correspondem a um movimento. Assim, por um lado, temos o esforço contínuo e explícito das classes privilegiadas para impor ainda mais desigualdades e coerção e, por outro, o mundo da luta que tenta seu contra-ataque organizado. Em termos simples, entende-se que o número já elevado de militantes perseguidos e presos permanecerá inalterado – se não, estará aumentando – tornando-se assim uma questão real a ser tratada por aqueles setores da sociedade em luta que querem se chamar – e agir – revolucionários.

Após todos esses anos, após as contínuas perseguições e prisões, consideramos que a existência do Fundo de Solidariedade é atual e necessária. Ser mais uma pedra em um mosaico que está sendo construído pelas lutas multiformes contra as prisões, que nos incitam a agir contra um dos principais pilares do sistema de opressão e exploração.

Fonte: https://www.firefund.net/tameio22

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O ar tremeluz –
A areia sobre o rochedo
Vai caindo aos poucos.

Hattori Tohô

Bate-Papo À Margem: “Frente Anarquista da Periferia (FAP)”

Com muita alegria é que apresento o próximo Bate-Papo À Margem, dessa vez com três convidades – Anne Cinara, Victoria Silva e Anderson Alma, que compõem a Frente Anarquista da Periferia (FAP). Uma galera responsa e comprometida com as ações diretas e que atuam na cidade de São Paulo, buscando diálogos e trocas de experiências junto aos bairros considerados periféricos.

A FAP é um grupo que envolve vários coletivos autônomos pelo qual somam forças e perspectivas anarquistas com o intuito de tornar esses saberes mais conhecidos pelas quebradas paulistanas.

Anne, Anderson e Victoria vão trazer os princípios do grupo e também as suas visões perante ao que estamos vivendo nessa sociedade “gentil”.

Confira na íntegra o Bate-Papo À Margem lá no canal!

Data: 13 de Outubro (quinta-feira)

Horário: 19h

Local: canal À Margem (YouTube)

Apresentação: Gabriel Ribeiro

agência de notícias anarquistas-ana

Imóvel,
o barco.
No entanto, viaja.

Yeda Prates Bernis

[Grécia] Faixa é pendurada em solidariedade com o espaço social Cordón Norte de Montevidéu

Em solidariedade com o espaço social ocupado Cordón Norte, localizado em Montevidéu (Uruguai), que está ameaçado de despejo após um ultimato da polícia, colocamos uma faixa no campo de tiro de Kaisariani. O espaço social do Cordón Norte existe no centro de Montevidéu desde 2017. Ele abriga a biblioteca Tierra Purpurea, o Ateneo Anarquista de Montevidéu (café político), recebe uma série de cursos e eventos de auto-educação, bem como assembleias relacionadas com a luta anarquista.

Solidariedade com espaço social do Cordón Norte.

As balas que você atirou em nós serão devolvidas a você.

Anarquistas do leste de Atenas

Fonte: https://www.athens.indymedia.org/post/1621031/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/10/07/uruguai-nao-perder-o-norte/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/10/03/uruguai-cordon-defende-sua-auto-organizacao-nem-um-passo-atras/

agência de notícias anarquistas-ana

Mundo de orvalho,
não mais que um mundo de orvalho.
Só que, apesar disso…

Issa

[EUA] Ataque incendiário contra a Academia de Treinamento da Polícia em Pittsburgh

Três viaturas da polícia de Pittsburgh foram destruídas em 28 de setembro após um ataque incendiário.

A ação aconteceu pouco depois das 2h30 no centro de treinamento da polícia de Pittsburgh na avenida North Lincoln, no lado norte da cidade.

Desde 2018, os ataques a veículos policiais e outras propriedades aumentaram radicalmente, à medida que os revolucionários passaram a agir cada vez mais contra canalhas racistas em todo o país.

agência de notícias anarquistas-ana

Voa o papel
Junto às flores de ameixeira –
Primavera dos deuses.

Arakida Moritake

[Espanha] Lançamento | “Lucy Parsons (1851-1942): Antologia de uma anarquista esquecida”

Lucy Parsons foi uma anarquista, feminista, sindicalista, escritora, editora e grande oradora que nasceu na metade do século XIX nos Estados Unidos da América. Mulher racializada e autodidata que fez discursos e escreveu textos de maneira audaz, eloquente e apaixonada sobre temas sociais e políticos, os quais resultavam sumamente transgressores para aquela época. Apesar de certo esquecimento histórico para com a vida e obra de Lucy (inclusive na atualidade é mais conhecida por ter sido a companheira de vida de Albert Parsons, um dos “Mártires de Chicago”), o que não há dúvida é que tanto em vida como de maneira póstuma não deixa indiferente a ninguém. Além disso, suas perspicazes e combativas análises extraídas de suas lutas e ações diretas gozam de total atualidade. Este é, também do primeiro livro sobre Lucy Parsons em idioma castelhano, uma compilação sobre os aspectos mais importantes de sua vida e de grande parte de sua obra, o qual resultava muito necessário para nos aproximarmos e compreendermos esta incrível mulher em toda sua dimensão. Aqui começa nossa pequena homenagem a Lucy Parsons: uma anarquista esquecida, mas, sobretudo, uma lutadora social de todos os tempos.

Edição, prólogo, biografia, compilação de textos e tradução de Marta Romero-Delgado.

Rústica com abas, 158 páginas, 17 cm x 12 cm.

Obtenha uma cópia por 12€ envio incluído preenchendo o formulário na página web: https://bit.ly/3r57vsB

agência de notícias anarquistas-ana

bambu quase quieto,
voltado para o poente,
filtra a luz da tarde

Alaor Chaves