[Santo André-SP] Atividades de outubro no Centro de Cultura Social Vira-Lata Caramelo

O Centro de Cultura Social Vira-Lata Caramelo, localizado em Santo André, é um espaço de fortalecimento das lutas sociais no ABC Paulista. Composto pela Brigada Lucas Eduardo Martins,  Jornal Cavalo Doido, Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio e Quilombo Invisível em conjunto com outras organizações autônomas tem como objetivo a construção de atividades educativas, culturais e políticas, em dialogo com a comunidade local, valorizando princípios libertários de atuação popular.

Centro de Cultura Social Vira-Lata Caramelo

Rua Sumaré, 732, Vila Metalúrgica, Santo André – SP

agência de notícias anarquistas-ana

O trigal maduro
ondula ao vento…
O corvo espera.

Eugénia Tabosa

 

 

[Argentina] Anarquistas em Salta

Através do estudo metódico e interpretação de fontes e dados soltos, o antropólogo Pablo Cosso começou a reconstruir a história de um movimento que soube combater, também em Salta, a batalha pela mudança social desde o início do século 20.

A presença anarquista em Salta desde o início do século XX é hoje uma verdade irrefutável. Em uma província caracterizada como pacífica e puramente religiosa, estudos e pesquisas, contra o grão da história oficial, começaram a refutar e disputar o sentido e as filiações político-ideológicas que prevaleciam nas terras do norte da Argentina.

Os imigrantes que chegaram em massa aos portos da Argentina, fugindo da perseguição e da fome, também começaram a se espalhar pelas províncias em busca de trabalho para melhorar suas condições de vida.

Mas junto com sua humanidade e força de trabalho também virá a idéia, exatamente no momento em que o movimento anarquista estava desfrutando de grande preponderância entre a classe trabalhadora. Os agitadores que promoveram a organização e a luta social se tornariam parte fundamental da história dos trabalhadores de nosso país em geral, e de Salta em particular.

Uma data de início

Embora seja difícil estabelecer datas exatas nos processos históricos, parece que o ano de 1901 combina diferentes razões para marcá-lo como o momento em que o anarquismo começou na província de Salta.

O antropólogo Pablo Cosso o explica como um “Mito de origem”, enquadrando a conversa sobre o movimento anarquista na província: “Há um primeiro elemento que tem a ver com a fundação do Club Libertad, que era um clube de futebol, mas ao mesmo tempo um proto-sindicato. De acordo com diferentes testemunhos orais, era composto principalmente por pintores e pedreiros, e foi dito que de uma forma que eles usavam o clube de futebol como fachada para se organizar e realizar suas reuniões”.

Esse Clube, que tomou as cores vermelha e preta para seu escudo, emblema do anarquismo mundial, foi um dos primeiros a ser fundado no norte da Argentina, mesmo um ano antes do tradicional Club de Gimnasia y Tiro, que nasceu das entranhas da oligarquia de Salta, ao contrário do agrupamento anarquista.

“Naquela época, muitos clubes surgiram em diferentes lugares com a intenção de se organizarem”. Porque o anarquismo, o socialismo ou grupos de esquerda vêm com a idéia de se organizar, eles sabem o que é organização e sempre visam lá”, diz o antropólogo da Universidade Nacional de Salta.

Ele aponta para um segundo momento. “Por outro lado, em 1901, tivemos a visita de Pietro Gori, um advogado propagandista de origem italiana que fugia da perseguição por ser um agitador social. Assim, para evitar a prisão, seus companheiros o trouxeram para a Argentina e o levaram por quatro anos. Foi neste contexto que ele chegou em Salta e deu duas palestras públicas. Basicamente, ele veio para falar sobre as virtudes do modelo organizacional”.

“E o terceiro ponto foi a criação da Sociedad de Resistencia de Obreros Panaderos”. Eles até fundaram um jornal. Estes seriam os três fatores que ocorreram em 1901 que podemos considerar como o ponto de partida do movimento anarquista em Salta”, diz Pablo Cosso.

A imprensa como propagação

Uma das grandes características do movimento anarquista está ligada a seus órgãos de difusão. Assim como em cada território onde chegaram começaram a procurar formas e lugares para gerar organização, fundaram imediatamente um jornal ou periódico ou um pequeno folheto que serviria para multiplicar a mensagem.

“Os anarquistas contaram sua própria história, talvez sentindo que ninguém mais a contaria para eles, e o fizeram em seus jornais e publicações. Além disso, vale a pena notar a impressionante rede que eles estavam tecendo através da correspondência, enviando informações uns aos outros de todo o mundo”, relata Pablo Cosso, baseado no estudo de fontes que permitiram, e ainda permitem, conhecer as ações dos anarquistas em Salta.

“Um dos primeiros vestígios de jornais encontrados é El Ariete, de 1914, mas só aparece no jornal nacional, La Protesta, pois ‘recebemos este jornal que vem de Salta com toda a força…’, por isso só sabemos que ele existiu. Por outro lado, recentemente conseguimos obter os jornais Verdad e Despertar, que aparentemente eram dois grupos diferentes, mas ambos anarco-comunistas”, diz o antropólogo.

“Despertar, de 1921, é um jornal dogmático, você não encontra muita informação sobre o que está acontecendo em Salta, em outras palavras, eles estavam encarregados de retratar a vida do trabalhador e o fazem de uma forma um tanto esquemática, como pessoas que ainda estão sob opressão, que vão à igreja, que são machistas, que bebem muito álcool, mas podemos dizer que Despertar tinha um projeto mais cultural. Eles publicaram o jornal e ao mesmo tempo tiveram companhias de teatro, organizaram noites artísticas e culturais, visavam mais a uma estratégia cultural”.

Cosso fala também de outro jornal chamado El Coya: “A publicação teve duas etapas, 1924-1925 e 1927-1930. Da primeira, algumas folhas soltas puderam ser encontradas nas bibliotecas familiares dos anarquistas da época, e da segunda temos novos registros”. O pesquisador refere-se ao fato de que, graças aos arquivos da biblioteca do Instituto Internacional de História Social em Amsterdã, cinco edições do jornal da segunda etapa de sua existência puderam ser recuperadas.

As trabalhadoras das agulhas

Um fato ainda mais oculto, de vital importância e atualidade, tem a ver com as organizações de mulheres de Salta, que encontraram no movimento anarquista um terreno fértil para propagar suas idéias e se conectar com outras mulheres de mentalidade semelhante em situações semelhantes de trabalho ou opressão social.

“Em 1922, o jornal de Mujeres Libertarias, fundado por Juana Rouco, Nuestra Tribuna, publicado na cidade de Necochea, na província de Buenos Aires, chegou à cidade de Salta”, diz Cosso, ainda surpreendido com a descoberta. E acrescenta um fato notável: “Surpreendentemente, na edição de 1922, a assinatura das mulheres de Salta é registrada juntamente com uma carta de Petrona Arias, secretária do Sindicato de Obreras de la Aguja de Salta, o primeiro grupo conhecido de anarquistas locais, que foi criado como uma sociedade de mulheres anarquistas”.

“Camarada Juana Rouco: Saúde e Liberdade! Tendo constituído nesta localidade o Sindicato das Trabalhadores da Agulha, que abrigará em seu seio todas as escravos da máquina, com a finalidade de defender-se da exploração iníqua da qual as mulheres são vítimas, emancipando assim material e moralmente a filha proletária de hoje, a fim de preparar a verdadeira mãe do amanhã florescente e afortunado. Por esta razão, nos dirigimos a você com o objetivo de estabelecer relações próximas para que você nos envie todo tipo de propaganda que possa ajudar na emancipação da mulher, a fim de colocá-la num nível moral capaz de superar todos os convencionalismos e atavismos do passado que vão embora, para nunca mais retornar. Na esperança de que este ‘Grupo Editorial’ saiba interpretar inteligentemente nossas aspirações e nossos desejos, eu vos saúdo, pelo sindicato: Sua e pela liberdade! Petrona Arias (secretária). Salta”.

A partir de outras pistas historiográficas, é possível vislumbrar que existiam outras mulheres anarquistas de Salta durante a década de 1920. Victoria Cardozo, Rosa Martínez e Gilda Smit, esta última editora de uma nota memorial no primeiro aniversário das execuções de Sacco e Vanzetti no jornal El Coya. Pode-se dizer então que entre 1923 e 1925 as primeiras organizações anarcofeministas começaram a se formar em Salta”.

Com nome próprio

Os relatos da presença de Pietro Gori em 1901 e sua oratórias diante de centenas, talvez milhares, de pessoas, ou os dados que falam de 70% dos trabalhadores anarquistas que participaram da construção do Ramal-C14-Huaytiquina, parecem indicar que havia uma extensa lista de nomes próprios aderindo às idéias anarquistas em Salta.

Entretanto, a constante perseguição, a proscrição e o apagamento histórico intencional desses traços fundadores, resgatar do esquecimento apenas um punhado de nomes, que no entanto servem de exemplo para destacar as vicissitudes pelas quais tiveram que passar, fugindo da repressão na busca de multiplicar idéias.

Um dos primeiros nomes que se destaca é o do famoso padeiro Juan Riera, aquele que imortalizou o zamba de Castilla e Leguizamón. Um anarquista convicto que aparentemente abraçou o ideal quando trabalhava nas obras de Huaytiquina.

O itinerário de Riera, que nasceu na Espanha, conta de sua chegada a Tucumán aos 14 anos de idade, para depois se mudar para Salta para trabalhar na construção do ramal ferroviário. “Ele foi expulso da Huaytiquina por ser um agitador, e conseguiu um emprego no engenho de açúcar El Tabacal, onde também foi expulso por organizar os trabalhadores. Depois ele se juntou ao Sindicato de Oficios Varios”, recorda Cosso, e acrescenta que depois começou a ser perseguido e teve que fugir, “ele o fez para Tastil, seguindo as linhas férreas que conhecia tão bem, e acabou se escondendo entre a Bolívia e Tartagal. Lá ele deve ter estado ligado à rede de agitação anarquista que existia na parte norte da província. Por exemplo, em Orán havia a Federación Obrera Libertaria de Salta”.

Outras figuras de destaque no cenário de Salta foram José María Martínez e Lorenzo Durán, este último um alfaiate de profissão e ambos conhecidos por aparecerem nos relatórios policiais dos detidos nas manifestações. Martínez tem a história épica de ter escapado da morte certa como agitador nas greves de La Forestal.

Por outro lado, há também o nome de Luis Martínez Fresco, editor do jornal anarquista La Frontera em Tartagal por volta de 1925, onde sua companheira, Anacleta Giovanina Maria Bonelli, era também a diretora, precursora da época.

É interessante notar a figura de Juan Arocena, correspondente e editor do jornal La Antorcha, assim como proprietário de uma empanaderia em frente ao popular Mercado San Miguel, na cidade de Salta. Paradoxalmente, na restauração da Rua Ituzaingó, acima do mercado histórico, é feita referência a este caráter libertário, obviando sua filiação ideológica, que permanecerá como um piscar de olhos para aqueles que podem interpretar os sinais da história.

A história do movimento anarquista emerge e começa a se expandir. O véu do pensamento hegemônico é levantado e surgem figuras que, da periferia, souberam fazer um lugar para si, apesar da perseguição, do exílio forçado e do confinamento constante.

Estas são apenas algumas das linhas que retratam um movimento que não foi apenas local, mas também regional e global, e que soube ter uma grande preponderância político-cultural, deixando traços vivos e latentes nos processos organizacionais da sociedade como um todo.

Fonte: https://www.pagina12.com.ar/479151-anarquistas-en-salta

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Uma flor que cai –
Ao vê-la tornar ao galho,
Uma borboleta!

Arakida Moritake

Lançamento: “Não nascemos machos: cinco ensaios para repensar o ser homem no patriarcado”

É com muita felicidade que lançamos hoje o livro “Não nascemos machos: cinco ensaios para repensar o ser homem no patriarcado”. A obra, editada pela primeira vez pela Ediciones La Social, do território ocupado pelo Estado do México, possui textos de autoras e autores diversos, refletindo sobre o impacto da masculinidade patriarcal sobre pessoas e grupos diversos, indicando ainda caminhos para construir uma nova forma de ser homem, livre dos violentos processos que constituem a trajetória do ser homem na atualidade.

A obra, com 44 páginas, tem o valor de R$15,00 + frete grátis para todo o país. Aos 20 primeiros exemplares, acompanha ainda o poster “Outra masculinidade é possível”.

Encomendas em nossa loja online, pelo link: https://linktr.ee/tsa.editora.

O tema que nos reúne, a desconstrução de nossa masculinidade patriarcal, é de muitas maneiras sensível, polêmico e raramente abordado em nossos espaços. É precisamente por esta última razão que decidimos, não sem urgência, iniciar a compilação de uma série de escritos que começarão a abrir este longo debate. Somente assim, olhando para o “nós”, poderemos construir uma masculinidade diferente, livre de opressão e violência“.

agência de notícias anarquistas-ana

No prato com leite
a língua rosada
faz chap chap

Eugénia Tabosa

[Argentina] Buenos Aires: convocatória para a Feira e Encontro do Livro Anarquista

Companheiras, companheiros, gostaríamos de estender um convite aos editores, espaços e pessoas com ideias afins para participar da feira do livro e encontro “anárquico/anarquista” que acontecerá no final de novembro em algum lugar nos subúrbios de Buenos Aires.

Como no ano passado, nas jornadas que aconteceram em dezembro na Praça China Cuellar, procuramos expandir a anarquia e é por isso que queremos a sua presença.

Queremos compartilhar materiais críticos, compartilhar experiências, perspectivas de diferentes realidades, aprofundar a multiformidade das lutas.

Aguardamos ansiosamente suas propostas para

feriadellibroabsas@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Teus olhos formam
das ázimas lágrimas
rios que retornam ao mar

Anibal Beça

[EUA] “Try Anarchism for Life”, em pré-Venda | $ 22,00

Agora disponível em pré-venda. Reserve sua cópia agora e receba um pacote de adesivos com obras de arte originais do livro.

Try Anarchism for Life gira em torno de um experimento mental: Quais são algumas das muitas belas dimensões do anarquismo? Em resposta, ele combina belos desenhos do A circulado de vinte e seis artistas com as palavras de Milstein, formando uma prosa-imagem que é ao mesmo tempo convidativa e divertida, comovente e sonhadora. As peças nos estimulam a perceber e ampliar as práticas libertadoras, especialmente em um momento em que tanta coisa parece impossível. Ao descrever como o anarquismo nos dá vidas que valem a pena viver, este livro aquece corações doentes e oferece um terno socorro.

Críticas para Try Anarchism for Life

Try Anarchism for Life é parte manifesto, parte oração, parte devocional – uma coleção estimulante de vinhetas e microensaios que inspiram e incitam. Leia-o para ser aquecido, guiado e mudado. Acompanhado por um conjunto muito diversificado de ilustrações do logotipo anarquista, cada ensaio oferece uma meditação pensativa sobre como fazer e pensar sobre o anarquismo em nosso mundo hoje. Cheio de amor pelas possibilidades do mundo vindouro. Try Anarchism for Life é uma adição refrescante e necessária ao repertório da literatura anarquista.

– Rivers Solomon, autor de An Unkindness of Ghosts

Try Anarchism for Life coloca a beleza de volta no coração da “bela ideia.” É uma lembrança gentil e calorosa dos sonhos que o anarquismo inspira e sustenta. Utopia no melhor sentido da palavra, que irradia esperança e confiança, abre novas perspectivas sobre idéias familiares, e afirma o valor da ajuda mútua, solidariedade e esforços coletivos criativos.

– Ruth Kinna, autora de The Government of No One

Try Anarchism for Life é uma bela homenagem aos inúmeros fragmentos de resistência efêmera que constituem o antiautoritarismo cotidiano e um chamado de princípios para se comprometer a unir esses fragmentos de autonomia diária – transformando-os em vidas florescentes de resistência. Combinadas com interpretações únicas do clássico A circulado, as frases poéticas de Milstein dotam conceitos antigos como ajuda mútua e solidariedade com vitalidade e urgência renovadas.

– Mark Bray, autor de Translating Anarchy

Cindy Milstein se junta a alguns dos melhores e mais ativos artistas anarquistas atuais para nos dar essa coleção de A circulados artísticos, cada um acompanhado por uma meditação textual sobre anarquismo e luta que varia de bonito a adorável, didático a inspirador, e sempre com um núcleo de sabedoria. Milstein tem um toque especial.

– Peter Gelderloos, autor de The Solutions Are Already Here

As lutas pela liberdade produzem cuidado, amor, arte. Essas coisas, por sua vez, exigem coragem, transformação, consciência, ideais, sonhos. Acima de tudo, luta. A luta dá origem à autonomia. E a autonomia permite a vida. Este livro defende carinhosamente essas coisas e todas as outras coisas que o estado, o capitalismo e o patriarcado roubam sistematicamente de indivíduos, comunidades e sociedade. Ele convida as pessoas a ver o mundo do anarquismo como uma maneira ética e bela de viver. O anarquismo não como uma identidade ou forma rígida e estática. Em vez disso, anarquista como uma busca pela criatividade contra o dogma, solidariedade contra a hierarquia, justiça contra o poder. Um belo trabalho, um companheiro para as muitas viagens coletivas de significado e libertação além-fronteiras.

– Dilar Dirik, autora de The Kurdish Women’s Movement: History, Theory, Practice

Que bela e divertida coleção de ruminações anarquistas, como um livro imaginativo para adultos (mas não no sentido adulto)! É uma contribuição alegre para a literatura anarquista, bem como para a própria escrita de Milstein. Você pode ler este livro poético em qualquer ordem – um alfabeto que vai do grande A ao pequeno a e além – o que o torna um livro perfeito para aprender a estimular a criatividade e a meditação. Mas depois de ler tudo, fica-se com a sensação da plenitude de uma vida devotada ao anarquismo; isto é, o cuidado e o amor mútuos um pelo outro e pelo mundo que levanta as apostas para a liberdade da dominação. Como nós, judeus, dizemos: “À vida!”- isto é, a uma vida que vale a pena viver!

—Scott Branson, autor de Practical Anarchism: A Guide for Daily Life

Cindy Barukh Milstein, uma organizadora anarquista de longa data e criadora de espaços faça-você-mesmo, é autora do Anarchism and Its Aspirations, coautora de Paths toward Utopia e editora de antologias como Rebellious Mourning: The Collective Work of Grief e Deciding for Ourselves: The Promise of Direct Democracy.

Fonte: https://www.tangledwilderness.org/shop/p/try-anarchism-for-life-preorder

Tradução > abobrinha

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agência de notícias anarquistas-ana

Não é meia-noite
e as mariposas cansadas
já dormem nas praças.

Humberto del Maestro

[Grécia] Atenas: Ataque incendiário contra uma concessionária Mercedes

Em 08/09 colocamos dispositivos incendiários na concessionária Mercedes na Avenida Acharnon, o resultado foi a destruição da fachada da loja e pelo menos quatro carros de luxo queimados.

A Mercedes é a empresa de carros mais antiga do mundo. Desde “os primórdios”, a produção de carros tem sido um desastre para o planeta. Uma grande porcentagem da produção mundial de petróleo é utilizada para a condução dos carros. Sua produção envenena a água e o ar e destrói grandes áreas do mundo natural.

A indústria automobilística mudou enormemente nossas vidas. Estradas, avenidas e ferrovias foram construídas em todos os lugares. Trens, ônibus e carros são usados principalmente para que possam, em pouco tempo, percorrer longas distâncias para levar as pessoas às fábricas de suor da escravidão assalariada.

Uma grande parte da sociedade percebe os carros como símbolos de superioridade e poder e eles vão ao ponto de vender seus corpos aos patrões todos os dias para que possam comprar um novo carro caro e competir uns com os outros para ver quem tem o melhor carro do bairro.

A tecnologia está se expandindo a cada dia e os consumidores estão correndo para comprar qualquer coisa nova que exista, mesmo que não tenha utilidade real. Eles só se sentem felizes quando estão trabalhando ou consumindo produtos. É uma sociedade que exige um crescimento ilimitado. Um dos problemas com o culto das pessoas a carros, celulares, computadores, casas inteligentes, é que a tecnologia avançada leva ao assassinato da vida e do planeta.

A civilização, o Estado e o capitalismo fizeram com que partes da classe trabalhadora quisessem tecnologia, dinheiro, exuberância, poder. E não temos esperança de que isso mude. Nossa esperança vem dos indivíduos e grupos rebeldes que resistem a este mundo de merda que outros projetaram para nós. E não vamos parar até destruirmos o Estado, a sociedade e a cultura. Até a anarquia.

SOLIDARIEDADE COM OS PRISIONEIROS DE GUERRA

FOGO E CHAMAS PARA TODAS AS PRISÕES E PARA O MUNDO DO PODER

A n a r q u i s t a s

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1620929/

agência de notícias anarquistas-ana

Divertem o gato
Na roça em frente ao portão
As folhas caindo.

Issa

[Chile] Outubro Negro e Combativo, de 10 a 14 de outubro

3 anos após a Revolta, o chamado é estendido a todos os indivíduos e grupos para organizar e agir para um Outubro Negro e Combativo. Na semana de 10 a 14 de outubro haverá chamadas para evasões em massa e ações de sabotagem em toda a metrópole.

Pela libertação de nossos presos e com nossos mortos na memória, avançamos para a destruição total do Estado/Capital e para a libertação total de nossas vidas e natureza.

Organizar, tensionar, estudar e agir.

Outubro é nosso.

GUERRA SOCIAL/ANTISSOCIAL CONTRA O ESTADO E O CAPITAL!
VIVA À ANARQUIA!

agência de notícias anarquistas-ana

Saci Pererê
fuma seu cachimbo
à sombra do ipê

Carlos Seabra

[Argentina] A Copa do Mundo será realizada no Catar

Sim, nós o conhecemos há vários anos, mas ainda parece estranho que a Copa do Mundo seja realizada no Qatar. Um país um pouco menor que a cidade de Buenos Aires e, se não levarmos em conta o que o Uruguai era em 1930, o país com a menor população para sediar uma Copa do Mundo. Um país no qual a tradicional realização de junho-julho terá que ser adiada para o final do ano para mitigar os efeitos do calor abrasador arábico. Um país que, apesar de afirmar que o futebol é seu esporte nacional, não teve praticamente nenhum sucesso e, quando teve, essas vitórias foram tingidas de controvérsia e suspeitas de corrupção.

Parece que a única atividade em que o Qatar realmente se destaca, além da produção e distribuição de gás natural, é a realização de eventos. Nos últimos anos, sediou a Copa do Mundo Sub-20 de 1995, os Jogos Asiáticos de 2006, o Campeonato Mundial de Clubes de 2019 e 2020, torneios de tênis de alto nível masculino e feminino, Fórmula 1, e muitos outros. A única atividade esportiva que seria razoável para o Qatar seria o Rally Dakar (1), no qual há muitos anos um dos cavaleiros mais bem-sucedidos tem sido o Nasser Al-Attiyah do Qatar. Mas é claro que, após 10 anos desastrosos em solo sul-americano, o Dakar será realizado a partir de 2020 na Arábia Saudita, que durante a última década, mas especialmente desde 2017, tem sido um dos vários estados árabes que romperam os laços diplomáticos e travaram uma guerra silenciosa com o Qatar.

Nos últimos anos, o termo “sporstwashing” tornou-se popular: a prática realizada principalmente pelos Estados, mas também por empresas e instituições, nas quais se associam financeiramente com entidades esportivas, organizam eventos, investem em publicidade ou compram e administram diretamente essas entidades. Tudo isso com o simples propósito de lavar sua imagem como estados ditatoriais, com uma história de políticas repressivas e de falta de cumprimento das normas de direitos civis das potências ocidentais. Junto com a Rússia, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Azerbaijão, o Qatar é uma das nações que mais refinou esta prática e é atualmente patrocinadora de equipes de futebol como Barcelona, Roma, Bayern de Munique, Boca Juniors e proprietária através de uma corporação privada do Paris Saint Germain.

A lista de controvérsias e práticas corruptas associadas às Copas do Mundo e outros megaeventos esportivos é muito longa. Poderíamos nos deter em algumas pequenas irregularidades ligadas a esta Copa do Mundo: a incerteza dos trabalhadores sobre a qualidade de suas acomodações em hotéis improvisados em contêineres, a preocupação dos jornalistas com a saturação das linhas de fibra ótica, ou a forte possibilidade de um colapso da infraestrutura de transporte. O consumo de álcool será restrito para turistas de luxo que participam da Copa do Mundo, uma vez que o país está sob a lei Sharia.

Pela mesma razão, as demonstrações afetuosas de membros da comunidade LGBTQ+ e o uso de símbolos representativos são proibidos. Embora o regime islâmico do Qatar seja mais flexível em relação ao turismo e aos participantes da Copa do Mundo, ele ainda é altamente repressivo em relação à dissidência sexual e às mulheres. Na verdade, os porta-vozes do emirado têm dado ouvidos a esta questão como um aviso. Afinal, a lavagem esportiva convive com a imposição de normas locais a seus visitantes do Ocidente, em um contexto em que as “batalhas culturais” estão cada vez mais presentes nas disputas comerciais e nos conflitos bélicos que elas podem exigir. Um caso exemplar é o de Paola Schietekat, uma mulher mexicana de 28 anos que trabalha para os organizadores da Copa do Mundo, que após sofrer e denunciar um estupro em solo do Qatar em junho de 2021, foi acusada de ter tido um “caso extraconjugal”, passando imediatamente de vítima para acusada. Ela conseguiu deixar o país o quanto antes, graças à intervenção de organizações internacionais de direitos humanos. Ela foi condenada a 100 chicotadas e 7 anos de prisão, mas foi absolvida após intervenção diplomática.

O progressivismo ocidental, tão acostumado a condenar os excessos e o “atraso”, faz vista grossa quando as paixões populares e seus negócios derivados estão em jogo. Com diferentes graus de seriedade, não se deve esquecer que as questões acima mencionadas afetam principalmente os torcedores que viajam voluntariamente e um pequeno setor de trabalhadores que participam oficialmente do evento. Então temos tudo o que a burguesia se permite fora das leis de Deus e dos Estados.

Se nos lembramos das famosas Copas do Mundo como a de 78 na Argentina, que aconteceu enquanto pessoas eram torturadas, assassinadas e desaparecidas em campos de concentração, a Copa do Mundo deste ano no Qatar está entre os campeões da infâmia: mais de 10.000 trabalhadores da construção civil foram relatados mortos, geralmente de países como Índia, Paquistão, Bangladesh, e outros no Sudeste Asiático. O número é incerto, pois desde o relatório da Anistia Internacional e do jornal Guardian em fevereiro de 2021 (que confirmou, segundo investigações realizadas em torno das embaixadas dos países de origem dos trabalhadores, 6.500 mortes), o Qatar e a FIFA se encarregaram de encobrir estes fatos e fazer declarações absurdas, como a de que nem todas as mortes são atribuíveis à construção da infraestrutura para a Copa do Mundo. Considerando o atraso dos trabalhos de construção e a necessidade de os organizadores acelerarem o ritmo, nos 17 meses desde o relatório, este número trágico aumentou consideravelmente. Entretanto, apesar do fato de estarmos cada vez mais próximos do evento, não foram realizadas novas investigações.

Esta situação não é excepcional, mas faz parte de uma prática generalizada em todo o Golfo Arábico conhecida como sistema kafala: uma forma sinistra de super-exploração na qual os trabalhadores migrantes recebem um salário de subsistência, que em última análise não lhes permite enviar dinheiro para casa, e onde ao mesmo tempo seus passaportes e papéis são retidos. No Qatar, este sistema assume uma escala insana, pois apenas 20% dos 2,6 milhões de habitantes são cidadãos, ou seja, catarianos; os demais são trabalhadores migrantes.

Este sistema de kafala ou “patrocínio” é considerado semiescravidão por causa de suas condições, embora desenvolva o Capital. É necessário que os trabalhadores não qualificados tenham um patrocinador (daí o nome), geralmente seu empregador, que é responsável por seu visto e status legal. Isto requer a permissão do empregador para mudar de emprego, deixar o país, obter uma carteira de motorista, alugar uma casa ou abrir uma conta bancária. Por outro lado, a exploração sexual é comum em cada um desses mega-eventos. Neste caso, as redes de tráfico trarão um grande número de mulheres pobres do sudeste asiático.

Apesar de tudo isso, a Copa do Mundo continuará a ser um evento observado e ansiado por bilhões de pessoas. Ela continuará a alimentar a concorrência, a idolatria dos milionários e o nacionalismo. Só nas últimas semanas vimos o fervor em jovens e velhos para as figurinhas da Copa do Mundo. Não é surpreendente, embora seja triste, ver como nesta região onde a ligação entre esporte e genocídio atingiu um de seus marcos históricos em 78 e onde parece que este fato ainda faz parte de nossa memória coletiva, fazemos ouvidos de mercador para os genocídios “distantes”.

No entanto, podemos dizer que não é que o esporte seja utilizado em benefício dos poderosos, este é o próprio espírito do esporte (2). O problema não é a profissionalização do esporte, como se fosse a perversão econômica e a utilização política de uma prática “saudável”, mas sim o próprio esporte como subjugação e subversão do jogo, de certas práticas recreativas, para as necessidades e a própria lógica da valorização do Capital.

O esporte é um reflexo fiel da competição capitalista e tem assumido progressivamente um papel importante nela. É por isso que consideramos que sua crítica não é uma questão menor ou marginal.

“O esporte não é apenas uma válvula de escape e um mecanismo de controle social, mas também uma ideologia de competição, seleção biogenética, sucesso social e participação virtual. Longe de se limitar a reproduzir em formato de espetáculo as principais características da organização industrial moderna (regulamentação, especialização, competitividade e maximização do desempenho), ela também cumpre uma missão ideológica de transcendência universal: canalizar e conter as tensões sociais engendradas pela modernidade capitalista”. (Federico Corriente e Jorge Montero, Citius, altius, ortius. O livro negro do esporte. Lazo Ediciones, 2013)

Notas:

(1) Ver Dakar, nocividad y progreso, La Oveja Negra nro. 11 (dezembro de 2013)
(2) Ver Não vai ter copa!, La Oveja Negra nro. 17 (junho 2014)

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

pousada na lama,
a borboleta amarela,
com calor, se abana

Alaor Chaves

[Uruguai] Não perder o Norte

Ou a propriedade privada, seu mundo de exclusão ou soluções coletivas para que ninguém fique “fora”. Ou a propriedade ou as pessoas. Ontem (03/10) começava uma nova batalha, desta vez nas ruas do bairro Cordón.

Trata-se só de um desalojo, mas não é isso, trata-se do conflito de forças que existe na sociedade onde se enfrentam modos de existência contrários. O viver sob o entendimento de que o mundo deve funcionar tal como está e perpetuar a exploração e desprezo pela vida, o capitalismo, ou generalizar os modos antiautoritários.

Começou uma nova batalha que se soma a muitas outras, como sempre, dependerá de nossas forças que os estandartes da liberdade finalmente se mantenham nas ruas. Ou um mundo centralizado, feito para a exploração ou a autonomia das comunidades, dos bairros auto-organizados, os de baixo decidindo e recuperando suas vidas.

A auto-organização do Cordón não chegou ontem e não vai à parte alguma. Ter aprendido a fazer entre todos, responsabilizar-se pelos problemas comuns e dar-lhe soluções coletivas não pode ser destruído assim como nada.

Nem um passo atrás!

R

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Quão glorioso,
Nas folhas verdes, folhas tenras,
O brilho do sol!

Bashô

Anarquia é o oposto de governo

Este ensaio busca demonstrar que a crítica liberal à interferência do estado na economia é incompatível com a crítica anarquista ao estado.

Assim como a crítica anarquista ao capitalismo não é uma defesa do intervencionismo estatal na economia, e sim uma crítica a toda forma de exploração do trabalho, a crítica anarquista ao estado não é uma defesa do livre mercado, e sim uma crítica a toda e qualquer forma de autoridade política hierárquica (ou simplesmente autoridade).

Defensores do livre mercado defendem, de um modo ou de outro, a existência de governos. Há aqueles que defendem um estado que esmaga a oposição política em nome de valores “tradicionais”. Defensores do estado mínimo defendem a democracia liberal. Anarcocapitalistas, apesar de afirmarem defender sociedades sem estado, defendem formas de governo privado que no fundo são governos autocráticos. Quando o dono de uma cidade privada cria regras para o estabelecimento de acordos, ele está governando.

Boa parte das pessoas acredita que o governo é uma necessidade, seja essa necessidade específica da sociedade de classes, da civilização ou da humanidade. Mas governos são relativamente recentes na história humana. Acreditar que governos são uma tendência natural em todas as sociedades humanas é um equívoco antropológico. Não há nenhuma determinação histórica que leve as sociedades humanas a criar governos para sobreviver. Governos são produto de certas condições materiais e sociais e da adoção de certos valores, e não uma necessidade histórica.

Uma das premissas que fundamentam o conceito moderno de estado é que o humano não é um animal político por natureza. Ele precisa de um contrato social, que legitima o estado, para conseguir viver em sociedade. A teoria política colonial conclui que a sociedade necessita de uma autoridade política centralizada para evitar a guerra de todos contra todos. Apesar das diferenças, a maioria dos teóricos ocidentais acredita que a vida sem governo produz uma condição indesejável ou insustentável (STEINBERGER, 2008).

Anarquistas entendem o estado enquanto aquilo que governa, não como um tipo de governo. Logo, onde há governo há estado, e vice-versa. Aqueles que acreditam na necessidade de governo só podem decidir sobre que tipo de estado querem ter: absoluto, democrático, mínimo, etc… Anarquistas defendem outras formas de organização política que, em último grau, prescindem da necessidade de governantes.

“Isso significa que nenhum estado, por mais democráticas que sejam suas formas, nem mesmo a mais vermelha república política – uma república popular apenas no sentido da mentira conhecida como representação popular – é capaz de dar ao povo o que ele precisa: a livre organização de seus próprios interesses, de baixo para cima, sem qualquer interferência, tutela ou coerção de cima. Isso porque nenhum estado, nem mesmo o mais republicano e democrático, nem mesmo o estado pseudo-popular contemplado por Marx, representa, em essência, outra coisa senão o governo das massas de cima para baixo, por uma minoria educada e, portanto, privilegiada, que supostamente compreende os reais interesses do povo melhor do que o próprio povo.” (BAKUNIN, 2020).

Anarco-coletivistas acreditam que a auto-organização não implica em estado e distinguem as formas organizacionais libertárias das formas organizacionais autoritárias. A autoridade política se opõe à autonomia ou autodeterminação dos indivíduos. Anarco-coletivistas acreditam que os interesses coletivos e individuais são compatíveis e podem ser alcançados sem que exista uma elite mandando e uma massa obedecendo.

Anarco-individualistas fazem uma crítica à ideia de organização coletivista, porém não a substituem por individualismo liberal. A ordem social libertária não emerge da livre competição entre indivíduos, nem de uma ética da propriedade ou de uma dedução lógica sobre a ação humana. As formas sociais humanas são produtos de uma determinada condição histórica e material, assim como da seleção de valores e de interpretações que podem mudar com o tempo. Não derivam de algo abstrato, imutável ou apriorístico, mas sim de relações sociais mutáveis e difíceis de representar matematicamente.

Anarquistas questionam a necessidade de uma organização social que exige governo. O governo só é possível a partir de um modo de produção que possibilite o acúmulo de propriedade privada, o que implica em exploração do trabalho. Para Emma Goldman, por exemplo, governo e anarquia são duas forças antagônicas: uma representa o desejo de dominar, e a outra o desejo de ser livre de toda forma de dominação.

“Acredito que o governo, a autoridade organizada ou o estado são necessários apenas para manter ou proteger a propriedade e o monopólio. Ele provou ser eficiente apenas nessa função. Como defensora da liberdade individual, do bem-estar humano e da harmonia social, que por si só constituem a ordem real, o governo é condenado por todos os grandes indivíduos do mundo.” (GOLDMAN, 2020).

Desse ponto de vista, a crítica anarquista ao governo está diretamente ligada à sua crítica à propriedade. Uma vez que a propriedade é produto da expropriação, o que o governo protege ao proteger a propriedade não é a liberdade individual mas sim o sistema de exploração do trabalho para acúmulo de poder.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://contraciv.noblogs.org/anarquia-e-o-oposto-de-governo/

agência de notícias anarquistas-ana

Nuvem vaidosa
Pra se despedir do sol
Se vestiu de rosa.

Setsuko Geni Oyakawa

[Chile] “Apelamos para um outubro carregado de vingança, fogo e explosões”

Três anos após o início da revolta popular, com a mesma determinação contra os promotores da desigualdade e seus lacaios, Puente Alto para as ruas!

Sabemos como nesta comuna, como em muitos outros territórios, após meses de guerra incessante contra o estabelecido, através da desculpa grosseira da saúde, a revolta tentou ser apaziguada com as batidas militares e policiais em nossos bairros.

No entanto, tem sido capaz de resistir à ordem democrática neoliberal, desde pequenas ações, gestos e faíscas que temos tentado manter viva a chama do conflito contra o Estado e o Capital.

Nesta ocasião, com projeções de uma terceira comemoração de 18 de outubro, apelamos para um outubro carregado de vingança, fogo e explosões, um outubro cheio de múltiplas ações contra os promotores da desigualdade e da ordem, um outubro com a memória combativa daqueles que caíram confrontando os lacaios do poder.

Sabemos como a repressão progressista tentou desarticular os setores revolucionários e anárquicos que atormentam a normalidade da produção capitalista e, como um escritório, eles se aliaram aos eternos traidores dos movimentos populares para negociar uma rede repressiva em troca de poder político.

O ciclo se repete e se aperfeiçoa, o controle, as câmeras, o fetiche da imprensa burguesa para mostrar o “talento” da comuna, a inteligência e os “ratis” que assediam e perseguem aqueles que se movem, a modernização e os novos brinquedos dos “perkines”, são fatores que esperamos sejam contemplados na hora de atuar, mas esperamos que, em nenhum caso, impeçam as mãos inquietas de agir.

Em memória de Cristian Valdebenito, Emilia Baucis, Deli, J.P. Jimenez, assim como em memória de cada vizinho da comuna e do mundo caído lutando face a face com a não vida do Capital.

Com o exemplo do pu weichafe em Wallmapu, rumo à autonomia territorial e à auto-organização, pela terra e os seres que a habitam.

Pela liberdade de Marcelo Villaroel, os presos e presas anarquistas, subversivos, mapuches e da revolta.

ENQUANTO HOUVER MISÉRIA, HAVERÁ REBELIÃO!!!

PUENTE ALTO PARA AS RUAS!

agência de notícias anarquistas-ana

tênue tecido alaranjado
passando em fundo preto
da noite à luz

Guimarães Rosa

[EUA] Quando o meio ambiente dá voltas

Fortes inundações açoitam o estado de Mississipi, enquanto as secas abundam no Oeste do país. As áreas no meio são pegas no apertão suado de uma onda de calor. Na Europa, centenas de pessoas morrem devido ao calor excessivo. A mudança climática, às vezes chamada “o aquecimento global”, é uma realidade.

Por sua parte, os políticos que desdenharam a ideia da mudança climática agora soam incrivelmente estúpidos. Foram apologistas para os industriais enquanto a Terra segue fervendo a fogo lento. Também parece que as meias soluções políticas, como tratados e promessas de menos dano ambiental, se tornaram insuficientes e chegaram demasiado tarde. Da mesma maneira, os conservadores prognósticos científicos de derretimentos de gelo subestimaram seriamente os problemas enfrentados pelas populações humanas.

Dito simplesmente, o capitalismo mata.

A busca desenfreada de lucros ilimitados põe em perigo o ar, água, temperaturas, e níveis de água ao redor do mundo. E os seres humanos enfrentam ameaças à sobrevivência impossíveis de superar com a formidável máquina de guerra dos Estados Unidos.

Talvez a semeadura de milhões de árvores e a conversão dos habitats humanos em espaços verdes poderia atrasar a matança ambiental que vem. Tal vez.

Com amor, sem medo, sou Mumia Abu-Jamal.

31 de agosto de 2022

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Azul e verde e cinza –
Olhando bem, o céu
É de todas as cores!

Paulo Franchetti

Eleições etc. e tal etc.

Pesquisas apontaram para a decisão em primeiro turno nas atuais eleições presidenciais sob a responsabilidade de redução em abstenções e indecisões. As mídias e os analistas insistem na normalização do voto obrigatório, negando os princípios originais da democracia liberal, em favor do fortalecimento de sua atualização neoliberal. Tudo pode, menos querer algo libertário. Todos e todas devem se acomodar ao desprezo à antipolítica entendida como sinônimo de bolsonarismo e similares antipartidários. Grande equívoco histórico. A gestão governamental do tal presidente e candidato à reeleição mostrou que ele faz política. E política é “baixo” e “alto” clero, truques entre o que é falso e o que é extremamente falso. Tudo política, tudo com compensações e seletividades. Tudo permanece passando pelo consentimento empresarial. Democracia liberal supõe voto facultativo, abstenções, comparecimento surpresa etc. e etc., blá-blá-blá com e sem debates televisivos. Em vez de apontar o dedo e dizer que o culpado é o outro, olhe para você.

religião e política

É mais que sabido que a bancada evangélica é criação anterior ao ícone e (pal)mito que senta no trono do palácio. Cada vez mais as disputas religiosas crescem no apoio a quem deverá governar e abrir torneiras de benefícios. Pastores exigem que seus fiéis façam jejum com sacrifício abençoado para o candidato-presidente vencer. Dizem que os fiéis decidiram não fazer e não dizer que não farão jejum. Alguns votarão nos outros. As religiões oferecem Deus e o paraíso. Os pastores oferecem benefícios materiais imediatos e passaporte para o paraíso. Os fiéis já estão acostumados a caminhar para o paraíso. Até estudam para isso nas dominicais. Os jovens, com ou sem religião, com ou sem escolha política, formam cada vez mais o arrogante bloco blindado que vai da escola à pista e à universidade em busca de certificado para julgar: na economia, no jurídico, no social, na sua casa.

>> Para ler o Flecheira Libertária na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2022/10/flecheira691.pdf

Fonte: Flecheira Libertária, n. 691, 04 de outubro de 2022. Ano XVI.

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Noitinha na várzea:
com a lua na garupa
búfalos regressam.

Anibal Beça

Pré-venda camiseta Edições Insurrectas

Estamos realizando a pré-venda desta nova camiseta para levantar fundos para a nossa próxima publicação em formato livro, que será “O jardim das peculiaridades”, de Jesus Sepulveda. A edição marca os 20 anos do lançamento original em espanhol, realizada em 2002 na cidade de Buenos Aires.

A versão preparada por nós também será acompanhada de uma longa entrevista-conversa inédita que fizemos com Sepulveda no último outono.

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minha sombra
com pernas mais longas
não me afasta

André Duhaime

A Feira Anarquista do Rio de Janeiro vem aí!

O Centro de Investigações Libertárias para Emancipação Popular (CILEP) e Edições Tormenta com apoio da MOTIM realizará a Feira Anarquista em território carioca no último final de semana de novembro em Vila Isabel.

ATRAÇÕES: exposição de produtos, conversações libertárias, karaokê livre, oficina de autodefesa, comida vegana, bebida alcoólica e não alcoólica e muito mais!

Sua organização ou você deseja expor na nossa Feira? Faça a inscrição pelo link do formulário em: https://forms.gle/QBRNd3H3QaXL3tT97 (LEIA A DESCRIÇÃO)

O evento é aberto e gratuito para o público. Crianças e idosos são bem vindos!

Espalha a fofoca pras amizades e vem com a gente!

>> Não aceitamos a circulação de conteúdos sexistas, transfóbicos, homo/bi/lesbofóbicos, racista, capacitista, especista, nacionalista, skinhead/OI!/Trad.

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Breve serei pó
e, então, quando me pisares,
cobrirei teus pés.

Evandro Moreira

[Espanha] Inauguração na FAL da exposição “Gráfica anarquista: Fotografía y Revolução Social. 1936-1939”

O Arquivo Fotográfico de Barcelona e o Observatório da Vida Cotidiana (OVQ), com a colaboração da Fundação Anselmo Lorenzo e o Ateneu Enciclopèdic Popular, apresentam “Gráfica anarquista. Fotografía y Revolução Social. 1936-1939”.

Após uma exitosa estadia em Barcelona, a exposição vai para Madri, onde se inaugurará na próxima quinta-feira, 6 de outubro, a partir das 19:00 horas, na sede de nossa Fundação. Um percurso pelo fundo fotográfico da “Oficina de Información y Propaganda” que a CNT-FAI criou na Catalunha com o fim de documentar e difundir as conquistas da Revolução Social em um contexto de luta contra o fascismo.

A CNT, consciente do marco histórico que significa para o movimento obreiro a Revolução Social, não duvidou em documentar e relatar todo o avanço que significou para a classe trabalhadora, talvez intuindo o legado e inspiração que seria para futuras gerações. Assim ficou plasmado, através do olhar de personalidades do quilate de Kati Horna, Margaret Michaelis, Pérez de Rozas, ou Antoni Campañà.

Uma viagem ao coração da Revolução Social que nos aproximará das coletivizações, do clima de batalha, mas também da vida cotidiana abrindo passagem com extraordinário otimismo.

Quando? Inauguração, quinta-feira, 6 de outubro, às 19:00 horas. Disponível até o dia 10 de novembro. Entrada gratuita.

Onde? Sede da FAL em Madri, calle de las Peñuelas, 41. Metro Acacias ou Embajadores.

Horário de visitas? Segunda à sexta, das 10 às 14 horas. Terça à sexta, das 17 às 20 horas.

Fundação Anselmo Lorenzo – FAL

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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A cigarra canta
o anúncio de sua morte –
formigas na contra-dança.

Anibal Beça