[Itália] Dez anos do Stella Nera, 2012/2022

Semear a anarquia e colher a liberdade!

30 Setembro ~ 1/2 Outubro

Como espaço social anarquista Stella Nera (Estrela Negra) e comuna libertária Gatta Nera (Gato Negro), estamos a lançar uma celebração de três dias durante dez anos das nossas atividades, projetos e lutas.

Durante a jornada haverá debates, assembleias, exibições, mesas temáticas, concertos e workshops.

Haverá alimentos e bebidas, mercados de produtos agrícolas e artesanais autoproduzidos, teatro e vários espetáculos artísticos.

Haverá a possibilidade de acampar no espaço do Gato Negro.

Ofereceremos um programa repleto de contribuições que dirá o que temos sido, o que somos e o que seremos.

Pretendemos nos próximos meses relançar muitos caminhos de luta e crescimento da autogestão, e é por isso que convidamos todos a participar na assembleia dos coletivos.

Os eventos terão lugar entre o espaço Estrela Negra em Modena e a comuna Gato Negro em Carpi.

Venha, participe, difunda!

FB: https://www.facebook.com/events/824995581735712/?ref=newsfeed

stellanera.noblogs.org

Tradução > Liberto

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aquecer as mãos
requentar as noites
esquecer os dias

Goulart Gomes

Refundar espaços de organização das pessoas trabalhadoras é urgente!

O processo de formação das pessoas trabalhadoras, seja de nível básico, técnico, graduação ou especialização de qualquer área, passam de forma superficial ou mesmo deixam de lado as conversas sobre organização das pessoas trabalhadoras como estrutura de defesa de seus próprios direitos.

No Brasil isso ocorreu com a intervenção do Estado nas questões trabalhistas, organizando toda a jurisprudência do mundo do trabalho nos moldes fascistas oriundos da Itália. Isso lá no século passado, na gestão totalitária de Getúlio Vargas.

Retirou a força dos sindicatos livres e independentes, submetendo-os ao controle prévio do Estado, sempre apenas um por categoria em cada região de abrangência. Isso quebra a capacidade das pessoas trabalhadoras de se unirem em sindicatos que tenham maior afinidade. As organizações das pessoas trabalhadoras são mais enfraquecidas com a criação dos conselhos específicos de pessoas trabalhadoras (como de engenharia civil, medicina, educação física, advogados, etc). O que acontecia era que antes de Getúlio Vargas, as questões referentes ao trabalho eram tratadas como caso de polícia e a única palavra válida nestas questões era da patronal.

Assim que é implantada a Consolidação das Leis Trabalhistas, colocam a organização das pessoas trabalhadoras em uma sistema submisso ao conceito de harmonia entre a patronal e as pessoas trabalhadoras, tendo o Estado, um mediador vendido aos interesses da patronal. Isso se manteve até ao fim do século XX, quando uma transformação mundial dos meios de produção redesenhou as estruturas trabalhistas em todo o mundo, remodelando a mão de obra de forma a ser extremamente exigida, altamente qualificada, inversamente recebendo monetariamente abaixo do exigido.

Conjuntamente um discurso promovido pelas Agências de Recursos Humanos de que as pessoas trabalhadoras devam ser mais que colaboradoras, empreendedoras penduradas nos lustres, dedicando fanaticamente na produção de riqueza que nunca foi distribuída e nunca será entregue ou melhor, nos devolvida.

As reformas trabalhistas ampliaram os direitos das patronais, das forças empresariais e retirou muitos avanços trabalhistas. Em um cenário totalmente desfavorável, porque as organizações das pessoas trabalhadoras, desacreditadas, desprestigiadas, enfraquecidas, agonizam.

Retomar essa conversa, refundar e reativar espaços organizados das pessoas trabalhadoras, buscando o enfrentamento direto contra o roubo de nossa produção, é uma necessidade premente.

Na luta somos dignas e livres!

Fonte: https://anarkio.net/index.php/refundar-espacos-de-organizacao-das-pessoas-trabalhadoras-e-urgente/

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Nuvens inquietas
sobre o lago
zen.

Yeda Prates Bernis

[México] Sem Deus, nem pátria, nem amo: jornais anarquistas da América Latina digitalizados e de acesso livre

A enorme coleção de jornais anarquistas de Max Nettlau foi digitalizada

Por Patricia Ruiz | 06/13/2022

Max Nettlau nasceu em Neuwaldegg, hoje uma parte de Viena, em 30 de abril de 1865 e morreu em Amsterdam em 23 de julho de 1944 por causa de um câncer de estômago que nunca apresentou sintomas.

Nettlau foi historiador, linguista e filólogo. Graças a sua paixão pelo estudo das línguas passou um tempo em Londres estudando galês, onde se uniu à Liga Socialista.

Enquanto esteve em Londres conheceu Errico Malatesta e Piotr Kropotkin, autores fundamentais do anarquismo com os quais se manteve em contato o resto de sua vida. Também se envolveu na fundação da editorial Freedom Press, para a qual escreveu durante muitos anos.

Na década de 1890, Nettlau notou que muitos militantes socialistas e anarquistas estavam morrendo, pelo que seus arquivos de textos e correspondências estavam se perdendo ou estavam sendo destruídos. Graças a uma pequena herança de seu pai, conseguiu resgatar este material de sua destruição. Mas além de um grande trabalho de preservação de textos e correspondências, fez muitas entrevistas a veteranos militantes que hoje servem de material para conhecer mais sobre a história dos movimentos anarquistas e seus personagens. Como parte de seu trabalho como estudioso dos movimentos anarquistas escreveu biografias de muitos anarquistas famosos, entre eles Mijaíl Bakunemn, Élisée Reclus e Malatesta.

Sua extensa coleção de arquivos foi vendida ao Instituto Internacional de História Social de Amsterdam em 1935.

Nettlau também colecionou jornais radicais e anarquistas de toda a América Latina. Graças a um investigador que usou o pseudônimo de Spartacus du Sul, hoje podemos consultar todo este material na Internet Archive (https://archive.org/details/anarquis-molatino?tab=about).

Fonte: https://pijamasurf.com/2022/06/una_de_las_colecciones_mas_importantes_de_periodicos_anarquistas_de_america_latina_ha_sido_digitalizada/

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jardim da minha amiga
todo mundo feliz
até a formiga

Paulo Leminski

[São Paulo-SP] “Evoluir o Anarquismo junto com a quebrada é a nossa missão.”

DEBATE NO JARDIM ÂNGELA: POLÍTICA ALÉM DO VOTO – UMA PROPOSTA EVOLUTIVA PARA O CÔMODO VOTO NULO

CAMINHAR PARA UM NOVO ANARQUISMO, NÃO ESTAMOS MAIS NO SÉCULO XIX

Evoluir o Anarquismo junto com a quebrada é a nossa missão. Partindo desse princípio entendemos que passou da hora de nossas propostas avançarem significativamente dentro da realidade das comunidades, pôr um fim a ideia que o Anarquismo é apenas uma utopia distante de nós.

O evento foi marcado por atividades culturais, educacionais e pautando sempre a ancestralidade preta e indígena, visto que são essas as nossas ferramentas rumo a uma nova consciência popular.

Se fazer presente politicamente na vida das pessoas vai além do discurso óbvio da tão sonhada revolução. Domingo significou algo para além do que a proposta de doutrinar ou criar massas que pensem da mesma forma.

Construir um novo modelo de atuação anarquista é urgente e claramente é sentido em qualquer lugar que você vá quando a proposta é sobre ir além dos políticos atuais.

“BELEZA VAMOS VOTAR NULO, MAS E DEPOIS?”

O voto nulo por aí só nunca nos levou a lugar nenhum, portanto que fique claro que a proposta mais objetiva é criar comitês de luta dentro dos bairros, com uma participação ativa de toda comunidade. Que consiga reivindicar desde uma área de lazer até a ponte que nunca foi construída. E cada vez mais que essa reivindicação se torne mais profundamente revolucionária e ativa dependendo da radicalidade que o momento nos exige!

COMITÊS DE BAIRRO TOTALMENTE AUTÔNOMOS

Incentivar reuniões periódicas sem o aparelhamento dos partidos, ou o toma lá da cá dos políticos. E nunca negar o cerne anarquista e libertário em tudo isso. Essa é a proposta da Frente Anarquista da Periferia (FAP), um povo organizado, autogestionário e consciente. Que consegue ir para caminhos que esse país jamais viu, entendemos que isso é urgente.

COMO FAZER ISSO?

Se utilizando da cultura, da educação e do reconhecimento da nossa ancestralidade sabemos que podemos ir longe e que podemos sim mudar, nem que seja no mínimo, várias realidades periféricas. Temos nas quebradas os mais diversos coletivos e organizações culturais e educativas que podem se unir e pensar cada vez mais a formação dessas estruturas, já passou da hora dessa união organizativa. Sempre frisando o caráter libertário e autônomo das organizações que fizermos para não cair na cooptação de nenhuma entidade partidária. Sabemos que dentro da periferia temos lutadores das mais variadas vertentes políticas, mas enquanto Anarquistas precisamos levantar essa bandeira da autonomia dos povos. E principalmente construir a consciência de classe, a consciência de que somos um povo! Está é a principal arma que temos se quisermos de fato uma mudança da mentalidade atual para uma mentalidade revolucionária. Reconhecer nossas origens quilombolas, indígenas, nossa africanidade e ancestralidade. É um pequeno passo, mas já é muito! Para que mesmo que elejam um crápula pior que este que está aí, estejamos unidos e fortes!

Esta é nossa missão e não iremos descansar.

MAS ISSO NUNCA VAI SER UMA RECEITA DE BOLO. VOCÊ PODE SE ORGANIZAR DA FORMA COMO QUISER, O IMPORTANTE É SE ORGANIZAR!!!

Frente Anarquista da Periferia (FAP)

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Vultos
Ciscos cegos
No olho da rua.

André Vallias

Vem aí a 12ª Feira Anarquista de São Paulo

Já está sabendo? Teremos Feira Anarquista de São Paulo presencial este ano!

E para não perder a tradição iniciamos o chamado para envio de cartazes para a Feira Anarquista. Convidamos artistas (amadores ou profissionais) para criar sua arte e enviar um cartaz para a divulgação da feira.

Para este primeiro cartaz, fizemos uma composição a partir das xilogravuras de Alvaro Marquez e Thea Gahr, do coletivo Just Seeds.

Quer enviar o seu? Mais informações: feiraanarquista@gmail.com

feiranarquistasp.wordpress.com

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cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

Paulo Leminski

Em companhia de Nestor Makhno e Alexandre Skirda

Por Plínio Augusto Coêlho | 02/08/2022

Há 40 anos, em Paris, tornei-me amigo de Alexandre Skirda. A partir daí, meus conhecimentos e interesse relativos a Nestor Makhno só cresceram, pois Skirda era “obcecado” por Makhno; rara era a conversa que não tivesse por foco, ou, ao menos, que não tangenciasse a figura e a obra de Makhno e da Makhnovitchina: uma vez comentava um artigo que escrevia, outra, a tradução, outra ainda, a descoberta de um novo documento, outra mais, o convite para servir de consultor para o filme épico da vida de Makhno pretendido pelo cineasta Jean-Louis Comolli (falecido há pouco mais de mês)… quase todas as nossas conversas começavam ou terminavam por Makhno.

Ao comunicar a Alex (como eu o chamava), que eu decidira retornar ao Brasil, após quase seis anos de França, convenceu-me a tornar-me tradutor e editor de obras anarquistas, porquanto em nenhum lugar em que o anarquismo vicejou, isso ocorreu sem longo trabalho prévio de traduções e edições anarquistas de revistas, jornais e livros.

Dias antes de meu regresso, Skirda telefonou-me para acompanhá-lo no dia seguinte a determinado lugar, que fez questão de não me informar. Como amigo e profundo admirador de sua paixão pela causa libertária, acatei de pronto sua “intimação”. No percurso, já no metrô, informou-me que seguíamos ao cemitério Père-Lachaise, local mítico para os combatentes da causa revolucionária; local onde ocorreu a última batalha durante a Comuna de Paris, onde, ainda, os últimos combatentes foram fuzilados no muro dos “Communards”.

Adentramos o Père-Lachaise e, sem tardar, estávamos em um mezanino. Skirda deteve-se, de repente, e disse-me: “Era aqui que se encontravam as cinzas de Makhno; havia uma placa de bronze com a efígie do revolucionário ucraniano, mas marxistas explodiram o local. Decidi transferi-lo para outro local, desta vez, sem menção a seu nome”. Seguimos para o Columbário, no sub-solo. Deteve-se diante da “gaveta” onde se encontrava a urna com as cinzas de Makhno, e fez-me prometer ali mesmo, que, já no Brasil, publicando obras anarquistas, eu não esqueceria de Makhno.

Pensei nisso nestes últimos dias, em que avanço na tradução dos apaixonantes “Escritos” do baixinho porreta. Aliás, é quase impossível traduzir Makhno ou Skirda sem ser assaltado por essas doces lembranças, e pela saudade do franco-russo, filho de mãe russa e pai ucraniano, Alexandre Skirda.

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Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa

[Portugal] Reflexões e contrapontos subjetivos após uma década de revolução em Rojava

A 19 de Julho de 2012, a autonomia foi declarada na cidade de Kobane, uma data histórica para o processo revolucionário de transformação no nordeste da Síria. Esta década de resistência e de construção de autonomia oferece-nos experiências valiosas, das quais podemos aprender lições importantes. E, sobretudo, deixa também profundas mudanças e transformações pessoais naqueles que, de entre nós, decidiram fazer parte da revolução.

Celebrar uma década de revolução não é algo que acontece frequentemente, e as revoluções que se podem continuar a chamar assim ao fim de 10 anos são ainda menos. A história deixou-nos inúmeros exemplos de lutas armadas e mobilizações sociais em massa que acabaram por ser corrompidas ou cooptadas por forças externas ao fim de poucos anos. Mas Rojava está a conseguir não só sobreviver, mas também aprofundar a construção da autonomia democrática, com as suas dificuldades, mas também com autocrítica, a fim de avaliar e continuar a melhorar. Existem, sem dúvida, contradições e deficiências, onde os que querem denegrir este difícil processo de transformação social encontrarão razões úteis para o fazer. Para mim, o que vi e aprendi aqui condicionam a forma como vejo as coisas. Em parte devido a tudo o que aprendi aqui, em parte devido aos laços emocionais e vivenciais criados com estas terras e com as pessoas que nelas habitam. Esta não é, portanto, uma visão neutra, objetiva e estéril. É a opinião de alguém que, procurando aprender e compreender a partir de uma perspectiva de solidariedade crítica, toma partido no conflito.

Os que, de entre nós, embarcaram nesta viagem para experimentar a revolução a partir do interior encontram frequentemente inspiração e semelhanças com a revolução [Espanhola] de 1936, que também teve início a 19 de Julho. Lembro com certa nostalgia os debates com o meu amigo Joan, que estava a ler “Homenagem à Catalunha” nos primeiros meses da nossa chegada, quando nos deparávamos no nosso quotidiano com situações semelhantes às descritas por Orwell no seu livro. Isto levou-nos a pensar que há dinâmicas semelhantes que tendem a ocorrer em processos revolucionários, e isto é provavelmente verdade. Frantz Fanon menciona, no seu livro “The Damned of the Earth”, a conhecida citação “os últimos devem ser os primeiros” para resumir o processo de descolonização. Imagino que esta frase possa ser aplicada a todos os movimentos oprimidos e marginalizados que aspiram à revolução. É nestes processos de empoderamento, quando os que estão à margem da sociedade lutam pelo seu legítimo lugar nela, que as dinâmicas e processos se desenrolam e se repetem, ressoando uma e outra vez ao longo da história.

> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.jornalmapa.pt/2022/07/28/reflexoes-e-contrapontos-subjectivos-apos-uma-decada-de-revolucao-em-rojava/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/08/10/curdistao-10-anos-da-revolucao-de-rojava/

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Cabelos tão brancos:
ancinho que raspa a terra,
colheita de anos.

Alckmar Luiz dos Santos

[Suíça] “A autogestão é uma prática viva”

De 29 a 31 de julho em Saint-Imier, Suíça, no Jura Bernês, foi realizada o Final de Semana Libertário Saint Imier 2022. A iniciativa marcou o 150º aniversário do congresso da Internacional Antiautoritária de 1872, onde nasceu o anarquismo organizado.

Debates, oficinas, concertos, exibições, assim como cozinhas móveis, um acampamento internacional e uma feira de livros anarquistas animaram o evento libertário de três dias. Mais de 600 companheiros e companheiras, principalmente da Suíça, mas também da Itália, França e Alemanha, se encontraram, confrontaram-se, num clima de intercâmbio e solidariedade, dando um forte sinal no sentido internacionalista e antiguerra, demonstrando que a autogestão é uma prática viva.

Estava inicialmente planejado para ser uma reunião de âmbito global, com delegações de diferentes continentes, mas o contexto internacional e as implicações da pandemia forçaram um adiamento para 2023. O resultado da reunião do último fim de semana é certamente positivo e servirá como trampolim para lançar um encontro anarquista internacional no próximo ano.

150 anos depois, a relevância dos “Princípios de Saint-Imier” definidos em 1872 pelas federações italiana, espanhola e do Jura e pelas seções francesa e americana do congresso é clara. Neste documento, central para as origens do movimento anarquista, estão as declarações que concluem a Terceira Resolução.

O Congresso reunido em Saint-Imier declara:

  • Que a destruição de todo o poder político é o primeiro dever do proletariado;
  • Que qualquer organização de um poder político que se declare provisória e revolucionária para alcançar esta destruição do poder político, não pode ser mais que mais um engano e seria tão perigosa para o proletariado quanto todos os governos atualmente existentes;
  • Que, rejeitando qualquer compromisso para alcançar a realização da Revolução Social, os proletários de todos os países devem realizar, fora de qualquer política burguesa, a solidariedade da ação revolucionária.

Gruppo Anarchico Mikhail Bakunin – FAI Roma

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/08/04/suica-notas-de-viagens-a-saint-imier/

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no calor da sesta
imóvel, o gato vigia
o vôo da vespa

Jorge Lescano

[Chile] Ya no hay vuelta atrás Nº 6: Crise Capitalista e Reestruturação na região chilena

Companheiros, enviamos a vocês a última edição da YNHVA, sobre a crise capitalista e a reestruturação na região chilena, os becos sem saída do reformismo e a necessidade de superar a impotência da perspectiva revolucionária.

Quase meio ano após a mudança de governo, há poucas coisas que podem nos surpreender sobre o governo de Boric, que não é diferente da contrarrevolução mais clássica, exceto talvez o pouco tempo que levou para se revelar como tal (embora estejamos nos acostumando com o ritmo vertiginoso destas observações). O que foi delineado durante a campanha[1] é agora a ideologia estatal, e é a segurança interna, a salvaguarda do Estado de direito (que nunca foi outra coisa senão o controle repressivo e o isolamento da dissidência), que é a tarefa que sustenta as políticas do bloco governante, sempre de acordo com as necessidades do capital.

Com a proposta de uma nova constituição entregue após um evento publicitado e televisionado, com o custo de vida próximo ao insuportável, e a mesma falta de representação política real pré-revolta, o atual governo das três antigas faces da desmobilização da burocracia estudantil de 2011 está se refugiando e fingindo enfrentar estes momentos críticos com um espírito jovem, aguardando um plebiscito pouco inspirador[2] e, mais do que qualquer outra coisa, colocando sua imagem em jogo, tentando mostrar sinais de sua capacidade de impor uma mão firme e ordem tanto na esfera pública como dentro de sua própria tenda política.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://hacialavida.noblogs.org/ya-no-hay-vuelta-atras-no-5-crisis-y-reestructuracion-capitalista-en-la-region-chilena/#more-1135

Tradução > Liberto

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A chuva tardia
deixou perfumes de terra
nas ruas molhadas.

Humberto del Maestro

[São Paulo-SP] No ar Rádio Malfalada e abertura do espaço da Tenda

Depois de 5 meses de estudo, pesquisa e trabalho coletivo com pessoas de todo o Brasil: lançamos o primeiro de três episódios da Rádio Malfalada, uma colaboração entre Tenda de Livros e Fagulha Podcast. Nele você saberá ainda mais sobre a vida de Maria Antônia Soares, suas ideias e seus ideais, bem como o contexto de sua época e por qual motivo ela é essencial hoje para o feminismo e para o anarquismo. Assista agora¹.

A Rádio Malfalada também fará parte da exposição Estas são imagens, escute-as. A abertura é 27 de agosto com a inauguração da nossa casa, anote na agenda, é um sábado das 16h às 22h. Você, que gosta e acredita na Tenda de Livros, é uma pessoa muito bem-vinda. Pelo WhatsApp contaremos todos detalhes, venha para o grupo².

Um abraço carinhoso nosso

[1] https://ia801400.us.archive.org/18/items/radio-malfalada-ep-1/RADIO%20MALFALADA%20EP1.mp3?mc_cid=73de6c40b6&mc_eid=8caea939b8

[2] https://chat.whatsapp.com/FUmICDBoNIELwaccEQOLzg?mc_cid=73de6c40b6&mc_eid=8caea939b8

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Seu olhar segue
o voo do pássaro –
será que desce?

Eugénia Tabosa

Errico Malatesta | O Individualismo no anarquismo

Não pretendemos neste artigo falar daqueles que ao chamarem-se individualistas crêem justificar toda a ação mais repugnante, e que têm tanto a haver com o anarquismo quanto os esbirros com a ordem pública de que se gabam de ser defensores, ou os burgueses com os princípios de moral e de justiça com que às vezes procuram defender os seus privilégios homicidas.

Nem pretendemos falar daqueles companheiros que se chamam “individualistas nos meios”, os quais, na luta que hoje travamos, preferem, ou exclusivamente admitem, a ação individual, seja porque a crêem mais eficaz, seja por medidas de prudência, ou porque temem que uma qualquer organização, um qualquer entendimento coletivo, minoraria a sua liberdade. Desta, que em parte é questão de tática e em parte questão de princípios, nos ocuparemos quando falarmos da questão de organização.

Agora queremos falar do individualismo, como filosofia, isto é, como concepção geral da natureza das sociedades humanas e das relações entre indivíduos e coletividades, porquanto ele é professado (algumas vezes quase sem darem por isso) por uma parte dos nossos companheiros.

Há quem se diz individualista por entender que o indivíduo tem direito ao seu completo desenvolvimento físico, moral e intelectual e que deve encontrar na sociedade uma ajuda, e não um obstáculo, para alcançar o máximo de felicidade possível. Mas em tal sentido somos todos individualistas e seria só questão de uma palavra mais; e nós não a utilizamos simplesmente porque, tendo outras e variadas acepções, só serviria para gerar confusão. E não somente nós, anarquistas e socialistas de todas as escolas, somos individualistas no sentido supramencionado, como o são todos os homens de qualquer escola ou partido; pois o indivíduo é o único ser senciente e consciente, e sempre que se fala de prazeres ou de sofrimentos, de liberdade ou de escravidão, de direitos, de deveres, de justiça, etc., não se tem e não se pode ter em vista senão os indivíduos viventes.

Algumas vezes, portanto, trata-se de uma simples questão de palavras e não valeria a pena fazer-lhe grande caso. Mas amiúde uma importante diferença de ideias entre aqueles que professam e aqueles que repudiam o individualismo existe realmente; e importa determiná-la, porque graves são as consequências práticas que dela derivam, apesar de que os objetivos finais duns e doutros sejam os mesmos. Não é que haja razão de se olharem de esguelha e se tratarem por adversários, tanto mais que, desde que os anarquistas quiseram pôr-se a fazer “filosofia”, sucedeu uma tal confusão de ideias e de palavras que muitas vezes não há modo de perceber se se está de acordo ou não; mas é urgente que nos expliquemos bem, se não por outro motivo, pelo menos para nos desembaraçarmos duma vez para sempre destas questões abstratas que absorvem a inteira atividade de certos companheiros, com grave dano do trabalho de verdadeira propaganda.

Examinando tudo o que tem sido dito e escrito pelos anarquistas individualistas apercebemo-nos da coexistência de duas ideias fundamentais, contraditórias entre si, que muitos não afirmam explicitamente, mas que duma forma ou doutra se encontram sempre, e muitas vezes até nas ideias de muitos anarquistas que não costumam chamar-se individualistas.

A primeira destas ideias consiste em considerar a sociedade como um agregado de indivíduos autônomos, completos em si mesmos e capazes de bastar a si mesmos, que não têm razão de estar juntos se não encontram o proveito próprio, e que poderiam separar-se quando achassem que as vantagens que a sociedade lhes oferece não compensam os sacrifícios de liberdade individual que ela exige. Em suma, consideram a sociedade humana como uma espécie de companhia comercial que deixa ou deveria deixar cada sócio livre de entrar ou sair segundo a sua conveniência. Hoje, dizem eles, como uns poucos indivíduos açambarcaram todas as riquezas naturais ou produzidas, os outros vêem-se obrigados a sofrer à força as regras impostas pela sociedade ou pelos indivíduos que na sociedade imperam; mas se a terra, se os meios de trabalho fossem livres para todos, e se a força organizada de uma classe não escravizasse o povo, ninguém teria razão de permanecer em sociedade quando o seu interesses lhe aconselhasse doutro modo. E como, uma vez satisfeitas as necessidades materiais, a suprema necessidade do homem é a liberdade, toda a forma de convivência que exigisse um qualquer, ainda que mínimo, sacrifício da vontade individual é de se repudiar. Faz o que queres, tomado no sentido mais estreito e absoluto da frase, é o princípio supremo, a regra única da conduta.

Mas por outro lado, admitidos o indivíduo autônomo e a sua absoluta, ilimitada liberdade, deriva-se que a partir do momento em que os interesses se acham em antagonismo e as vontades variam, a luta surge, e na luta uns ficam vencedores e outros vencidos, e então volta-se à opressão e à exploração se quer remediar.

Por isso era necessário aos anarquistas individualistas, que não ficam atrás de ninguém no ardente desejo do bem de todos, um modo de poder, mais ou menos logicamente, conciliar com o bem permanente de todos o princípio da absoluta liberdade individual. E encontram-no adotando um outro princípio: o da harmonia por lei natural.

Faz o que queres; mas é certo, dizem eles, que espontaneamente, naturalmente, tu só quererás aquilo que não puder prejudicar o igual direito dos outros a fazerem o que querem.

“A nossa liberdade — escreve-nos um amigo, explicando-se em toda a amplitude das faculdades humanas — nunca lesará a liberdade alheia. Como os astros gravitando em torno do próprio centro percorrem trajetórias especiais, assim os homens poderão percorrer a sua própria linha de liberdade sem nunca se confundirem e sem degenerarem no caos.” E outros, substituindo a astronomia pela fisiologia, falam de uma “simpática aglomeração de células nos vegetais e nos animais”; e outros falam da formação dos cristais, e assim sucessivamente passando em revista todas as ciências naturais. Dos cristais tortos ou mancos, da luta pela existência, das catástrofes cósmicas, das doenças, dos abortos, de toda a infinita soma de chacinas e de dores que também existem na natureza, nenhum se recorda.

A desarmonia, o antagonismo de interesses, são a consequência das instituições presentes. Destruí o Estado; respeitai a completa liberdade de comércio, de banca, de cunhagem de moeda; seja o direito de posse da terra limitado pela obrigação de a cultivar ou utilizar doutro modo pessoalmente; seja livre, completamente livre a concorrência, dizem os anarquistas individualistas da escola de Tucker — e a paz reinará no mundo: a renda económica, vale dizer, as diferenças de valor, por produtividade e por posição, das várias partes do solo desaparecerão naturalmente, e a concorrência conduzirá naturalmente à mais profícua utilização das forças naturais em benefício de todos.

Destruí o Estado e a propriedade individual, dizem os anarquistas individualistas da escola comunista (a coisa existe apesar da aparente contradição dos termos), e tudo caminhará bem; todos ficarão naturalmente de acordo; todos trabalharão porque o trabalho é uma necessidade fisiológica; a produção corresponderá sempre e naturalmente às demandas do consumo, e não haverá necessidade nem de regras nem de pactos porque… fazendo cada um aquilo que quer, dará consigo a ter feito, sem saber nem querer, justamente, precisamente aquilo que queriam os outros.

De modo que, indo ao fundo da coisa, encontra-se que o anarquismo individualista não é mais que uma espécie de harmonismo, de providencialismo.

Segundo nós os princípios do individualismo são completamente errôneos.

O indivíduo humano não é um ser independente da sociedade, mas é o seu produto. Sem sociedade ele não teria podido sair da esfera da animalidade brutal e tornar-se verdadeiramente um homem, e fora da sociedade não poderia senão retornar mais ou menos rapidamente à animalidade primitiva.

O dr. Stokmann do Inimigo do Povo de Ibsen, que irritado por não ser compreendido e seguido pelo público exclamava “o homem mais forte é o que está mais só”, e que foi tomado por anarquista quando não era mais que um aristocrático, dizia um solene disparate. Se ele sabia mais do que os outros e podia mais do que os outros, era porque mais do que os outros tinha vivido em comunicação intelectual com os homens presentes e passados, porque mais do que os outros tinha beneficiado da sociedade — e portanto mais do que os outros devia à sociedade.

O homem pode ser na sociedade livre ou escravo, feliz ou infeliz, mas na sociedade deve permanecer, porque ela é a condição do seu ser homem. Portanto, em vez de aspirar a uma autonomia nominal e impossível, deve procurar as condições da sua liberdade e da sua felicidade no acordo com os outros homens, modificando de acordo com os outros as instituições sociais que não lhes convêm.

Igualmente vã, e completamente desmentida pelos fatos, é a crença numa lei natural pela qual a harmonia entre os homens se estabelece automaticamente, sem necessidade da sua ação consciente e desejada.

Mesmo destruídos o Estado e a propriedade individual, a harmonia não nasce espontaneamente, como se a natureza se ocupasse do bem e do mal dos homens, mas é preciso que os próprios homens a criem.

Mas sobre isto, para nos fazermos compreender, deveremos falar amplamente… e os leitores já reclamaram que fazemos artigos demasiado longos.

Para uma outra vez então.

(de «L’Agitazione» de Ancona, n.º 6 — 19 de abril de 1897)

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://bibliotecaanarquista.org/library/errico-malatesta-o-individualismo-no-anarquismo

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Não pude imaginar
Esse tigre invisível
Que vês em meu nariz

Jeanne Painchaud

[Itália] Por um novo manifesto anarquista contra a guerra

Nestes meses em que a tragédia da guerra é cada vez mais trazida à atenção internacional pela crise na Ucrânia, o tema do antimilitarismo anarquista é mais importante do que nunca. Vemos como, já antes da invasão russa da Ucrânia, algumas críticas pesadas ao nosso tradicional antimilitarismo foram realizadas por alguns indivíduos e grupos que se declaram antiautoritários, libertários ou anarquistas. Consideramos cuidadosamente essas posições nos últimos meses, e acreditamos hoje que precisamos esclarecer nosso ponto de vista.

Nossos pensamentos primeiro vão para nossǝs companheirǝs que, há mais de um século, antes da tragédia da Primeira Guerra Mundial, sentiram a necessidade de afirmar que: “A todos os soldados de todos os países que acreditam que estão lutando por justiça e liberdade, temos que declarar que seu heroísmo e seu valor só servem para perpetuar o ódio, a tirania e a miséria” (Manifesto Anarquista Internacional contra a Guerra, 1915). Como Goldman, Berkman, Malatesta, Schapiro e ǝs outrǝs, acreditamos na necessidade de que a voz internacionalista e solidária do anarquismo, juntamente com seus princípios de irmandade e fraternidade universal, voltem a falar com todǝs, ainda mais num mundo cada vez mais fragmentado pelo ódio nacional, étnico e identitário.

A guerra está na origem da ordem social atual, baseada na dominação, exploração e opressão. Este é um ponto-chave para a FAI, pois está exposto no Programa Anarquista, que é a referência teórica da nossa Federação: “Não compreendendo as vantagens que poderiam vir a todǝs da cooperação e solidariedade, vendo em todas as outras pessoas um concorrente e um inimigo, uma parte da humanidade tentou agarrar a maior quantidade possível de riqueza em detrimento da outra. Em tal luta, o mais forte, ou o mais afortunado, termina para vencer e para oprimir e dominar os vencidos de várias maneiras”.

É por isso que mantemos nossa posição de rejeição de todas as guerras e de apoio à ideia de derrotismo revolucionário. Pelo derrotismo, queremos dizer uma posição revolucionária antes da guerra, o que implica que se deve lutar pela derrota do governo e das classes dominantes de seu próprio país, acreditando que as guerras são travadas pelos interesses e privilégios dos opressores e exploradores. No início do século XX, e especialmente durante a Primeira Guerra Mundial, alguns governos europeus usaram a acusação de “derrotismo” para reprimir qualquer forma de dissidência, oposição à guerra, protesto político ou luta dos trabalhadores, o que quebraria a unidade nacional diante do inimigo. Portanto, o derrotismo não aceita as suspensões das lutas sociais que são impostas pelos governos em tempos de guerra através da censura, da repressão e das leis marciais. Pelo contrário, a luta contra o governo durante a guerra continua, sabotando a guerra e incentivando as lutas sociais. O derrotismo está inserido numa perspectiva internacionalista e revolucionária que visa provocar a derrota do imperialismo de “nosso” país, e um de seus pontos fundamentais é a recusa em apoiar qualquer partido beligerante nas guerras entre estados e/ou blocos imperiais.

Dezenas de guerras estão sendo travadas, com sua carga de mortes, destruição, estupros, saques e deportação em massa. Nos últimos quinze anos, a crise do sistema de hegemonia baseada na globalização produziu uma tendência mundial de autoritarismo e militarização. A globalização como forma de dominação mundial há muito tempo garantiu um papel privilegiado na exploração dos recursos do planeta ao imperialismo anglo-americano, com o apoio das classes privilegiadas de vários países. A entrada da Rússia e da China no Fundo Monetário Internacional e na Organização Mundial do Comércio demonstrou que os conflitos entre essas potências não questionam a divisão da sociedade em classes e em várias hierarquias.

No Congresso da FAI, que ocorreu em Empoli, em junho de 2022, emitimos uma declaração sobre interpretações da guerra na Ucrânia, da qual citamos uma parte: “Nos últimos dez anos, um cenário muito diferente foi definido pela intensificação das tensões entre estados, as guerras comerciais e financeiras, o isolamento progressivo dos mercados em maior ou menor grau, a extensão dos conflitos que ocorrem em parte por procuração, mas cada vez mais em forma direta, entre potências mundiais e regionais em diferentes regiões do mundo. O modelo capitalista que foi imposto no século passado pela hegemonia dos EUA ainda é o horizonte dentro do qual as disputas entre estados ocorrem, mas o mundo não é mais dominado por uma única superpotência. Os EUA perderam as guerras no Afeganistão, Iraque e Síria, e em comparação com algumas décadas atrás sua influência na América Central e do Sul, que eles costumavam considerar seu quintal, diminuiu significativamente. O acordo AUKUS entre a Austrália, o Reino Unido e os EUA, que reorientava a estratégia desses Estados em direção ao Pacífico com uma aliança separada, parecia desafiar a presença dos EUA na Europa e a própria coesão, se não a existência mesma, da OTAN. Assim, a invasão russa da Ucrânia faz parte de um processo de redefinição dos equilíbrios globais do poder.

A crise dessa hegemonia global está intimamente ligada à crise dos sistemas governamentais baseados na coesão social, devido ao corte das garantias sociais e ao enfraquecimento dos mecanismos de consenso. Em muitos países, temos visto o aumento de movimentos que, com diferentes formas e características, questionam os governos e os acordos entre as classes dominantes. Nesse contexto, o uso da força torna-se o principal instrumento destas classes para a preservação do poder e da ordem social. Nesse sentido, temos discutido nos últimos anos o crescente papel dos militares nas sociedades. A revolta na Bielorrússia em 2020 e a insurreição no Cazaquistão em janeiro de 2022 mostraram uma grave crise de consenso dentro do sistema liderado pela Rússia. Na realização do OTSC, os militares assumiram um papel fundamental. A intervenção militar russa no Cazaquistão para esmagar sangrentamente revoltas populares deu uma trágica demonstração disso, e abriu caminho para a invasão da Ucrânia em fevereiro. Mesmo nos EUA, os tumultos anti-policiais contra a violência racista em 2020 levaram a liderança das Forças Armadas a apoiar a instalação de Biden como presidente em um prelúdio para a guerra civil no início de 2021, para evitar que o supremacismo violento de Trump exasperasse irreparavelmente a crise de consenso.”

A resposta à essa crise foi o aumento dos gastos militares e o fortalecimento do papel das forças armadas nas decisões políticas. Uma vez destruídos os mecanismos de regulação econômica e política que estabeleceram a hierarquia entre os poderes e os fluxos de dinheiro para as metrópoles imperialistas, as classes dominantes precisam da guerra para restaurar a velha dominação ou para definir novos. No contexto desta nova desordem mundial, está crescendo o recurso à guerra e às “missões” militares, de qualquer maneira os governos as definem em sua propaganda.

Da Ucrânia ao Iêmen, dos países do Sahel a Mianmar, do Afeganistão ao Tigray e em outros lugares, passando por todas as regiões onde genocídios como o do povo curdo e os de populações indígenas e afrodescendentes estão em andamento, estamos todos potencialmente sob as bombas e a ameaça de destruição, repressão e mudança autoritária. Sabemos bem que as portas giratórias entre as chamadas democracias e as chamadas autocracias podem se mover muito rapidamente, e que o estado de guerra rapidamente reduz o espaço para aqueles que querem agir para a transformação social. Sempre damos nossa solidariedade humana àqueles que sofrem e arriscam suas vidas estando em situações difíceis, mesmo que tenham ideias e práticas distantes daquelas que expressamos.

No entanto, o anarquismo social quebra as lógicas imperiais, capitalistas, nacionalistas e autoritárias atuais, rejeitando as divisões impostas pelas fronteiras. Não reconhecemos o conceito de integridade territorial ou de “defesa territorial” de um Estado ou de qualquer entidade que aspira a ser como um Estado porque, associados ao princípio da soberania territorial, esses conceitos inevitavelmente acabam por fomentar perspectivas nacionalistas ou micronacionalistas. O que quer que a palavra “nação” signifique, ela esconde a divisão entre exploradores e exploradǝs, entre opressores e oprimidǝs.

Reiteramos nossa irrevogável e inequívoca condenação do regime putiniano e de sua invasão criminosa da Ucrânia, bem como sua feroz repressão da dissidência interna. Mas também condenamos o papel criminoso de todos os governos que sopram sobre as chamas deste e de outros conflitos fornecendo armas, muitas vezes ganhando dinheiro com esses suprimentos. Nós nos opomos fortemente à OTAN, que há muito vem tentando impor a militarização da vida social e o aumento dos gastos militares nos países membros, e que graças a Putin ganhou nova força após o fim inglória de sua agressão no Afeganistão. Da mesma forma, não aceitamos a narrativa de uma guerra entre liberdade e ditadura. Deste ponto de vista, a Ucrânia de Zelensky é realmente uma pequena Rússia, com um governo autoritário, um círculo de oligarcas que saqueiam o país, agindo uma repressão contra todas as formas de protesto e contra minorias que a guerra tornou mais dura. Hoje, Zelensky, para permanecer no poder, está fazendo dívidas e vende seu país para os EUA, o Reino Unido, a União Europeia em troca de seu apoio militar. No entanto, a penetração dos interesses ocidentais na Ucrânia está longe de ser apenas devido à invasão russa de 24 de fevereiro: empresas multinacionais de agroalimentares, muitas dos Estados Unidos e uma da Rússia, controlam parte do “celeiro” da Europa e seu principal porto comercial em Odessa há mais de 10 anos.

As consequências desta guerra são dramáticas em ambos os lados da frente. São desastrosas também para o resto da Europa, com o aumento dos preços devido à especulação, à crescente militarização e ao rearmamento, ao agravamento das condições de vida de milhões de proletáriǝs, incluindo o medo e a violência, que correm o risco de se tornarem ferramentas perigosas para governos autoritários. Essa situação é de novo percebida na Europa, mas continua caracterizar a maioria das regiões do mundo, paralelamente à devastação ambiental fomentada pelas lógicas de lucro, mercados e estados, que ameaçam a própria vida do planeta onde vivemos.

O primeiro compromisso daquelǝs que se opõem à guerra é a construção e disseminação de práticas de ajuda mútua, como redes de solidariedade de baixo para atender às necessidades imediatas das pessoas que mais sofrem com as consequências do conflito, sendo esses alimentos ou apoio médico. Há também a necessidade de redes de apoio para aqueles que praticam greves, sabotagem, deserção, como redes transnacionais para aqueles que se escondem ou fogem de ou sobre ambos os lados da frente. Nesse sentido, rejeitamos e lutamos para desconstruir os modelos patriarcais e de dominação impostos pelo militarismo que são repetidas incessantemente pela propaganda de guerra na mídia oficial e nas mídias sociais também, onde o centro do palco é sempre tomado pelas mesmas imagens de lutadores masculinos, robustos e jovens.

De várias partes foi sugerido tomar uma posição, eis lutar por um dos governos que fazem esta guerra, como se tomar partido para um ou outro fosse inevitável.

Algumas relíquias do marxismo pensam que podem apoiar um imperialismo menor, a fim de derrotar a ameaça predominante que eles identificam com a “ocidental”. Mas a estratégia de brincar com poderes imperialistas para aguçar suas contradições, como demonstrou a aliança entre movimentos operários e forças nacionalistas que caracterizaram o stalinismo entre as duas guerras mundiais e depois, leva a destruir toda a perspectiva revolucionária e a dificultar toda a ação autônoma das classes exploradas e oprimidas.

Outras interpretações seguem diferentes abordagens, avaliando o imperialismo russo como um perigo para toda a Europa e além. Essas interpretações também são endossadas por alguns componentes da orientação libertária. Sem questionar a ameaça representada pelo autoritarismo e militarismo da Rússia, acreditamos que não será a derrota militar da Rússia na Ucrânia que impedirá uma virada autoritária na Europa Ocidental. Os processos sociais autoritários que são evidentemente dominantes na Rússia e nos países da OTSC também estão sendo praticados desde anos na União Europeia, e a guerra está agora dando-lhes uma aceleração adicional. Além disso, a “democracia” baseia-se na condição de privilégio de alguém. A visão que apresenta a União Europeia como um farol da democracia, identificando, em vez disso, a Rússia, a China e seus satélites como herdeiros do totalitarismo combinado com o capitalismo selvagem é a quintessência de um ocidentalismo que não nos pertence.

Estas são nossas posições, confirmando nosso antimilitarismo numa perspectiva internacionalista e revolucionária que deve estar concretamente enraizada em lutas sociais e redes de solidariedade, para criar saídas coletivas e libertárias do vórtice da guerra em que os Estados e o capitalismo mundial nos jogam. Esta é a nossa contribuição para o debate internacional anti-guerra. Achamos que uma coisa deve ser clara acima de tudo: com ou sem armas, para ser eficaz, qualquer luta deve ser feita e organizada de baixo, fora dos aparelhos dos Estados, governos e especialmente fora das forças armadas.

Mesmo os governos beligerantes ou co-beligerantes estão cientes de que a guerra implicará massacres e devastação nas áreas diretamente afetadas, mas também miséria, desemprego e fome no resto do mundo, mesmo na Europa, mesmo nos Estados Unidos. Os governos estão cientes de que as condições estão amadurecendo para uma crise social sem precedentes, razão pela qual estão fazendo tocar as bandas de metal do militarismo e do nacionalismo, para evitar a solidariedade das classes exploradas e oprimidas.

Como os governos são os promotores e beneficiários das guerras, para acabar com as guerras, os governos devem ter medo dos movimentos populares, porque o único limite para o capricho de cada governo é o medo de que os movimentos populares possam instilar nele. A oposição à guerra faz parte do nosso compromisso diário, a partir da denúncia e boicote às produções da morte e da crítica e desconstrução da retórica militarista, a partir da educação militarista e da linguagem em todos os níveis. Devemos nos posicionar contra todas as guerras e todos os exércitos implantando uma estratégia interseccional que identifique e contraste as conexões entre militarismo e outras formas de opressão, como patriarcado, racismo, capitalismo e todos os tipos de chauvinismo, através de ações coletivas, bem como relações pessoais.

Somente a ação das classes exploradas pode parar a guerra boicotando produções de guerra, recusando-se a construir, comercializar e transportar armas e todos os instrumentos de morte, participando dos movimentos de oposição a plantas e bases militares, e promovendo greves a nível nacional e internacional contra a guerra e a economia de guerra. O movimento anarquista participa dessas lutas, de diferentes formas de acordo com as circunstâncias, criticando ideologias militaristas e nacionalistas, construindo associações e redes de base a partir de baixo, praticando ação direta, apoiando todas as formas de recusa, deserção e objeção aos massacres promovidos pelo capitalismo e estados.

Estamos mais do que nunca convencidos da validade do princípio anarquista que significa que os meios devem ser coerentes com os fins. Não há guerras boas ou guerras justas, e em tempos de crescente loucura nacionalista e soberanista acreditamos que nunca devemos nos aliar de forma alguma aos governos ou participar de guerras entre estados e blocos imperiais. As pessoas nunca devem morrer ou matar pela soberania territorial. As guerras são todas criminosas e os exércitos (incluindo seus corpos auxiliares) são todos instrumentos de exploração, patriarcado e da mais ou menos “legítima” dominação do Estado sobre os territórios e sobre os corpos dos indivíduos. Não reconhecemos nenhuma dessas legitimidades territoriais e não estamos dispostos a lutar por nenhuma delas.

A história mostra que as guerras são tradicionalmente travadas para dificultar a ação das classes exploradas para sua própria emancipação, razão pela qual é primordial para o anarquismo mobilizar-se agora contra a guerra, fora e contra todas as instituições militares. Nossa força está primeiro na circulação de ideias e na defesa de espaços para a produção e circulação do pensamento crítico, promovendo a unificação de movimentos pacifistas e antimilitaristas numa luta comum contra os governos. A capacidade do movimento anarquista de ser coerente na luta contra a guerra é a maneira de ativar práticas libertárias, organização e ideais entre as classes exploradas e oprimidas que são as primeiras a sofrer as consequências das guerras. Com base nisso, um novo protagonismo será possível para fornecer uma solução diferente para a crise, com a espera de construir uma sociedade libertária.

Federação Anarquista Italiana – FAI

[documento apresentado no XXXI Congresso – Empoli junho de 2022 e ratificado nas semanas seguintes]

www.federazioneanarchica.org

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Ventos nos umbrais
janelas antigas,
modernos varais.

Sandra Maria de Sousa Pereira

Semana Internacional de Solidariedade com os Prisioneiros Anarquistas, de 23 à 30 de Agosto de 2022

O fato de que o capitalismo não se centra em nossas necessidades, mas no lucro, é comprovado hoje, em toda sua brutalidade, pela crise climática, a pandemia da Covid-19 e o colapso dos sistemas sócio-econômicos em todo o mundo. Aqueles que lucram com o capitalismo ficam mais ricos em tempos de desastre. Mas com as crises atuais também estamos passando por uma nova era de revoltas de baixo para cima.

A resistência à guerra na Ucrânia, os protestos sudaneses contra o regime militar ou a revolta social no Chile são alguns exemplos que não só nos mostram as possibilidades de organização e luta coletiva. Também mostram como é importante que os movimentos sociais aprendam e se apoiem uns aos outros nestes tempos. Não apenas fora dos muros, mas também atrás deles.

Desde o pipocar da pandemia da Covid-19, temos visto lutas ferozes contra o encarceramento, lembrando-nos de que os encarcerados são os mais afetados quando tudo cai. As fugas das prisões brasileiras e italianas, as pessoas encarceradas na Tailândia que incendiaram uma prisão, assim como as greves de fome em andamento como as que vemos na Grécia ou nos campos de detenção de refugiados poloneses, são exemplos da coragem que as pessoas encarceradas estão mostrando para derrubar os muros.

Em todas essas lutas, ideias e valores anarquistas são o combustível da resistência coletiva. Portanto, não é de se estranhar que a repressão contra os anarquistas esteja aumentando e a solidariedade seja mais necessária do que nunca. O sistema de dominação capitalista consegue funcionar graças ao isolamento contínuo entre as pessoas, da competição sem fim e de ignorar nossas reais necessidades e desejos. Precisamos de solidariedade entre nossos amigos, no trabalho, na vizinhança, em nossas comunidades. Os de fora e os de dentro de seus muros.

Vamos derrubar os muros juntos!

É por isso que convocamos novamente a Semana Internacional de Solidariedade com os Prisioneiros Anarquistas. Faça alguma ação de solidariedade! Escrever cartas, organizar palestras ou exibições de filmes, torne nossos companheiros visíveis nas ruas com uma faixa ou pichação e deixá-los ver que eles estão em nossos corações e que lutamos juntos.

Recordemos aqueles que lutaram contra a injustiça e estão pagando com suas vidas.

Ninguém será livre, até que todos estejam livres!

Se você tiver alguma pergunta ou comentário, se quiser nos enviar uma foto, um pequeno texto, uma gravação de seu evento ou ação, escreva para nós (tillallarefree@riseup.net).

https://solidarity.international/

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sol poente
numa ruela
menino corre das sombras

Rod Willmot

[Espanha] Madri: Despejo do EOA La Emboscada

Diante do despejo do EOA La Emboscada: Resistir sempre valerá a pena

Esta manhã (30/07), um novo espaço morreu novamente em Tetúan (Madri). Um bairro cada vez mais acostumado a despejos e desocupações. Desta vez, foi a vez do Espaço Okupado Anarquista La Emboscada, localizado na rua Azucenas. A resistência ativa dos solidárixs conseguiu evitar duas tentativas anteriores de irrupção policial, mas hoje às 7h30 da manhã uma grande mobilização policial fez com que esta realidade sucumbisse ao abandono, à destruição interior e muito provavelmente à demolição, para se adaptar às novas e privilegiadas “necessidades de vida” do bairro.

Foram quatro anos de atividades, reuniões e momentos de conspiração coletiva contra o poder. Um lugar longe da regularidade e da constância com que uma vez foi planejado, mas, de qualquer forma, um espaço no qual se pode praticar afinidades e propiciar encontros.

Pode parecer estranho, apenas algumas horas depois de fazer um apelo de solidariedade diante da batida policial, escrever novamente e pedir apoio para a resistência. Mas entendemos que a defesa de um espaço ou as lutas que o sustentam nunca podem terminar com um despejo. Ao contrário, são a semente de um conflito contínuo com o Poder e a Dominação, onde uma série de ideias são abraçadas e praticadas por um número infindável de camaradas que continuam a aguçar a experimentação em cada ato, cada ação, cada palavra, cada grafite, cada pedra, cada barricada, cada expropriação, cada okupação… Que tentam gerar lacunas a partir das quais se pode enfrentar este mundo de miséria e tristeza.

Porque vale a pena resistir ao cinzento monótono da homogeneidade, à perversa “igualdade de oportunidades”, ao diálogo enganoso, à cessão que (se) extorque?

Porque vale a pena resistir a uma rotina em que trabalhamos até a morte em troca de produtos cada vez mais caros, sempre com o pescoço na água, enquanto nos pedem para fazer o último esforço de suas mansões e escritórios nos arranha-céus dos centros financeiros.

Vale a pena, e alegremente, viver uma vida na qual geramos relações reais, baseadas na igualdade, honestidade, desejos e confronto como uma prática consciente para enfrentar a realidade atomizada mediada pelo consumo, competitividade eterna e solidão digital multitudinária.

Resistindo a um mundo que aceita e normaliza mortes em prisões, CIES, fronteiras, delegacias de polícia, centros de detenção juvenil e outras instituições onde os pobres, diferentes ou rebeldes são encarcerados. Resistir à destruição exponencial de vidas em nome do progresso, da democracia, das nações ou de todos ao mesmo tempo.

Vale a pena continuar a gerar espaços de resistência no coração da besta, da cidade do capital. Vale a pena subverter as relações baseadas na propriedade privada, que prioriza os lucros de alguns sobre as necessidades básicas gerais, tais como ter um teto sobre a cabeça.

Resistir vale a pena porque continua a nos proporcionar uma oportunidade de conflituar entre iguais. Procurar um sentido contra a resignação. Porque um despejo não acaba com nada. Continuaremos a liberar espaços. Contra a propriedade, contra a autoridade. Resistir sempre valerá a pena.

Okupação, Resistência, Ação Direta

Em solidariedade com o La Emboscada

P.S: Abraços e força ao camarada Giannis Michailidis, prisioneiro anarquista em greve de fome na Grécia desde 23/5, e a todos aqueles que estão lutando por sua liberdade.

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

sob o sol se pondo
como alfinete no lago
descansa a garça

Marcelo Santos Silvério

[Chile] Jornada de solidariedade pela anulação das condenações da promotoria militar ao companheiro Marcelo Villarroel

Apoiamos o chamado que procura tornar visível e pressionar para a libertação imediata do companheiro Marcelo Villarroel Sepúlveda, que já cumpriu 14 anos de prisão impostos pelo Estado chileno, e que agora procura perpetuar o sequestro de nosso irmão através do “sistema de justiça militar”.

É importante lembrar que os companheiros processados pelo caso da segurança foram condenados pela imprensa e suas partes perante os tribunais, tendo que ir à clandestinidade para proteger suas vidas, pois como podemos agora corroborar, o crime de que são acusados é o de pensar e propagar ideias libertárias e subversivas, por se declararem abertamente contra esta sociedade prisional e sua democracia militarizada.

Que a solidariedade vá além dos muros desta sociedade carcerária podre!

Abaixo a democracia e seu estado militarizado, para o inferno com sua nova constituição, protegida pelas mesmas milícias de sempre.

Morte ao Estado e todos os seus partidos!

Enquanto houver miséria, haverá rebelião!

Tradução > Liberto

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Eu nado de costas;
meu ventre magnífico é
o Monte Fuji.

Manuela Miga

Curdistão | 10 anos da Revolução de Rojava

Por Guilhotina.info

Para marcar o 10º aniversário da Revolução de Rojava, a Plataforma de Solidariedade com os Povos do Curdistão traduziu alguns excertos do comunicado internacional das YPG e das YPJ, que apela a uma onda de solidariedade com os povos de Rojava e do Norte da Síria face à anunciada agressão imperialista do estado turco.

A 19 de julho de 2012, a revolução de Rojava começou, com a tomada de poder na cidade de Kobane. A revolução deu esperança do Curdistão e daí espalhou-se para o resto do mundo. E uma revolução que, à base de democracia popular, libertação da mulher e ecologia, dá uma resposta e alternativa do sistema capitalista que destrói o planeta e os valores da humanidade.

Em Rojava, encontramos uma luz de democracia e de vida livre e autónoma. E um lugar de fraternidade entre povos e de estabilidade numa região que, durante séculos, se viu vítima de guerra e de destruição, e que se tornou um tabuleiro para os jogos geopolíticos das grandes potências do mundo ocidental.

As mulheres tomam um papel de vanguarda na Revolução de Rojava. A sua participação na autodefesa em particular não só destroçou a noção patriarcal de que as mulheres não se podem defender, mas inspirou mulheres por todo o mundo a lutar pela sua libertação.

Neste dia, comemoramos os e as quase 11 mil mártires e mais de 20 mil camaradas feridos que deram o seu sangue e vida em defesa desta revolução e do mundo contra o Daesh. Internacionalistas de todo o mundo vieram a ter um papel importante nesta guerra. São a nossa inspiração e nós seguimos o seu caminho.

Depois da vitória sobre o Daesh, celebrada pelo mundo inteiro, Rojava vê-se agora confrontado com ataques diários pelo Estado Turco, membro da NATO, e por numerosos embargos, de água e vários bens, que servem primariamente para atacar as pessoas da região.

Tal com as YPG, YPJ e as SDF defenderam o mundo da ameaça [jihadista] que era temida pelos mais poderosos Estados ocidentais, agora o mundo tem de aceitar a responsabilidade de defender os povos e a revolução de Rojava!

Fonte: https://guilhotina.info/2022/07/20/10anos-revolucao-rojava/

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nuvem que passa,
o sol dorme um pouco –
a sombra descansa

Carlos Seabra