[Espanha] Caminhadas para descobrir os traços anarquistas de Zamora

A iniciativa teve a participação de um grande número de pessoas

A tarde de domingo (07/08) trouxe um tipo diferente de atividade para Zamora. Uma caminhada libertária que gerou um interesse significativo entre os residentes zamoranos e turistas, atraindo um bom número de participantes. Guiados pelo professor zamorano Carlos Coca, autor de vários estudos sobre o assunto, eles percorreram os lugares onde o anarquismo deixou sua marca na cidade, escutando atentamente as explicações.

Poetas, artistas, escritores, jornalistas, judeus, operários, professores e destacados anarcossindicalistas dos anos 30 foram biografados. Durante o passeio, visitaram suas casas, sedes, monumentos e lugares de interesse histórico. Pessoas, ainda hoje muito queridas na cidade, ou que estão começando a ser estudadas, tais como: Pepe Durán, Jacinto Toryho, León Felipe, Agustín García Calvo, Diego Hernández, Miguel Fernández Expósito, Amparo Barayón, José Justo Bruña, os anarquistas de Sanabria, Losacio e Villalpando, Iliá Ehrenburg, ou a família Lobo, foram explicados pelo professor zamorano ou diretamente por seus familiares, vários dos quais também estavam presentes na caminhada. Em uma atividade muito emocionante, e que poderia ter excelentes resultados turísticos, observando o interesse de ontem.

A atividade foi organizada pelo XIV Encuentro del Libro Anarquista de Salamanca, que realizou a feira neste fim de semana na cidade vizinha. No final do ato, o cantor-compositor Buterfly recitou algumas estrofes do “Cazadores de ciudad” de Chicho Sánchez Ferlosio, e foi lida uma comovente carta de Federico García Lorca dirigida a seus pais.

Fonte: https://www.zamora24horas.com/local/paseos-conocer-huellas-anarquistas-zamora_15049191_102.html

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A jabuticabeira.
Através de líquida cortina
olhos negros espiam.

Yeda Prates Bernis

[Portugal] Acampamento em Defesa do Barroso | Não às minas, sim à vida!

Em agosto de 2021, as portas da Quinta do Cruzeiro abriram-se de par em par para acolher amigas/os e irmãs/ãos de luta, chegados de norte a sul do país e de todos os cantos do mundo. A população de Covas do Barroso recebeu-os como sempre recebe qualquer forasteiro que venha de boa-vontade: de coração aberto, sorriso posto, e entrada franca.

Depois de uma experiência muito recompensadora tanto para visitantes quanto para habitantes, e porque a nossa luta persiste, o Acampamento em Defesa de Covas do Barroso regressa para uma segunda edição!

Entre os dias 12 e 15 de Agosto de 2022, convidamos novamente todas aquelas que a nós se queiram juntar para quatro dias de partilhas de experiências e histórias

A nossa luta é a mesma, mas também é diferente. Se no passado achávamos que (apenas) teríamos que enfrentar uma empresa e o governo português para proteger o nosso território e o patrimônio, agora sabemos que vale tudo.  Fomos confrontados/as com ameaças,  com tentativas de intrusão nos processos democráticos do poder local e, inclusive, com as mais básicas táticas de divisão, segundo a famosa máxima “dividir para conquistar”. Aprendemos a não subestimar o quão fundo se consegue descer na busca desenfreada por lucro.

Contra as insidiosas manobras de divisão social orquestradas pelas companhias mineiras, contamos com o apoio, a solidariedade e a camaradagem de outras populações em luta, aqui e mundo afora, assim como com a força da união da nossa comunidade.

Este ano, perante o cenário de guerra e de militarização da sociedade, o mundo vê-se  obrigado a refletir sobre o que significa e quanto custa realmente a “transição” energética que se adivinha. Queremos confrontar e desconstruir a ideia de que a transição energética tem de passar, necessariamente,  pelo extrativismo desenfreado, pelo esgotamento de todos os recursos naturais segundo o plano de terra arrasada, pela despossessão dos territórios rurais, e pela procura incessante de lucros. Queremos falar-vos de engenharia social e de terrorismo judicial, de como combater o frenesi capitalista que quer crescer à custa das nossas gentes, dos nossos montes e das nossas águas.

Queremos, acima de tudo, evitar que uma empresa gananciosa destrua as nossas serras e reescreva a nossa ancestral história. Queremos impedir este colonialismo modernista, que submete populações e regiões vulneráveis aos piores abusos em nome de um “bem comum” que nunca chega.

Não nos vamos deixar enganar pelas “Roupas Nova do Rei”, nem ser obrigados a dizer que cinzento é verde, que as minas são sustentáveis, e muito menos iremos acreditar que as empresas de mineração são os nossos salvadores e que nos vão trazer desenvolvimento sustentável.

Estamos cansados de afirmações de  que a exploração mineira na  UE está sujeita aos mais elevados padrões ambientais e sociais a nível mundial, ficou provado que não é e que estamos  vulneráveis a abusos.  Em Covas do Barroso temos a prova de que as leis valem pouco ou nada se não forem aplicadas e mais ainda se o governo e as instituições públicas estiverem dispostas a ceder e a curvar-se à vontade das empresas mineiras.

Em Covas do Barroso, nós que sempre vivemos de forma sustentável, recusamos ser sacrificados para que outros possam manter o seu consumismo intensivo.

Gostaríamos muito de contar-vos a nossa história, apresentar-vos as nossas gentes, e mostrar-vos o imenso patrimônio histórico e natural que herdámos – e que lutamos para proteger.

Temos várias propostas de discussão, mas queremos  ouvir as vossas também.

Inscrevam-se e juntem a vossa voz à nossa!

Sim à VIDA. Não às MINAS.

VERDE É O BARROSO!

barrososemminas.org

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na blusa velha,
muitas borboletas –
ele adora tocá-las…

Rosa Clement

[Brasília-DF] Armadilhas do “Novo Ensino Médio”: A genética capitalista na reforma educacional

É atrativa a propaganda de que o Novo Ensino Médio (NEM) traz liberdade para os alunos escolherem o que estudar. Também seduz a promessa de uma educação diversificada e conectada com o cotidiano e que garanta um emprego. Afinal, o desemprego e a precariedade da educação básica no Brasil, sobretudo a pública, são desesperadoras; e melhorar as escolas é um anseio geral.

Porém, o NEM deve ser analisado para além dessas publicidades ideológica que governos e empresas fazem para vender seu “peixe”. Estes estão explorando o justo anseio por melhorias para nos empurrar goela abaixo uma reforma empresarial muito nociva. Estão romantizando um projeto que fere princípios da educação pública e universal, mas que é vendida como “progressista”.

A paternidade empresarial do NEM

O NEM é um projeto educacional elaborado por bancos e grupos empresariais nacionais e internacionais em parceria com governos. Alguns destes grupos nacionais são o “Movimento pela Base” e “Todos pela Educação”. Entre empresas entusiastas e financiadoras estão a Fundação Lemann, Instituto Ayrton Senna, Instituto Natura, Instituto Unibanco, Fundação Itaú Social, Fundação Roberto Marinho etc.

No plano internacional, o Governo Federal se submeteu a um acordo com o Banco Mundial (BM), contraindo uma dívida de 250 milhões de dólares para implantar o NEM. A liberação deste recurso está condicionada ao cumprimento de metas definidas pelo Banco até 2023, como identificação de especialistas e reformas curriculares nos estados. O Banco Mundial é uma instituição imperialista que “orienta” países periféricos a adotarem políticas neoliberais, oferecendo financiamento e assessoria técnica, como ocorre com o NEM.

Para exemplificar sua política, em documento intitulado “Um Ajuste Justo…” de 2017, o Banco Mundial defende que o Brasil reduza seu investimento em educação e o número de docentes, aumentando assim a quantidade de alunos por professor em sala. Uma tática para isso seria aproveitar o “declínio natural do número de professores, sem substituir todos os profissionais que se aposentarem no futuro“. Esta “recomendação” sinaliza seu caráter antipovo, neoliberal e imperial.

No teste de paternidade, o NEM está impregnado do código genético desta elite brasileira e mundial. Uma elite que é parte dos problemas do mundo, das nossas desigualdades e injustiças, e que pensa e age também a nível educacional para formar uma força de trabalho adaptada a suas novas formas de exploração e que aceite seu poder: este é o projeto de sociedade que o NEM vai servir.

Antecedentes e contexto da reforma

É preciso pontuar que o NEM tem, pelo menos, três antecedentes institucionais que o pavimentam, atravessando diferentes governos – Dilma, Temer e Bolsonaro:

  • A) em 2009, o Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI) serviu de laboratório para induzir uma reestruturação curricular, também orientada pelo Banco Mundial;
  • B) em 2014, o Plano Nacional de Educação (PNE 2014-2024)apontava em sua Estratégia 3.1 a flexibilização curricular com conteúdos obrigatórios e eletivos, hoje presentes no NEM;
  • C) em 2015, o início da elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada em 2017 e 2018, foi fruto do lobby e aposta do mercado educacional para investir com previsibilidade e segurança econômica nos produtos do ramo. A BNCC está no tripé do NEM.


Em 2016, enfim, o presidente Temer instituiu a Medida Provisória 746 da “reforma do ensino médio”. Como reação, mais de mil escolas e universidades no país foram ocupadas pelo Movimento Estudantil contra a Reforma: uma resistência histórica! Apesar da luta, a reforma foi aprovada em 2017 com algumas dissimulações – como Lei 13.415.

A educação não é uma ilha isolada. Assim, devemos entender que a nova formação pretendida no NEM serve a um contexto econômico específico. Entre 2016 e 2019, um conjunto de outras reformas ultraliberais foram propostas ou sancionadas por Temer e Bolsonaro, como: a EC 95, que congelou por 20 anos o orçamento da União; a Lei da Terceirização ilimitada (Lei nº 13.419); a Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467); a Reforma Previdenciária, entre outras.

Vejamos a EC 95 em relação ao NEM: em vez de ampliar recursos, já que o NEM pretende ampliar a carga horária e “inovar” o currículo, a EC 95 limita investimentos públicos. Tal corte de verba criar uma forte carência; por outro lado, o NEM abre a possibilidade legal de parte do currículo da rede pública ser executado pelo setor privado. Criam o problema, precarizando o serviço público, e apresentam a “solução” milagrosa da privatização.

Estas reformas antipopulares e o quadro econômico reforçam o contexto para o qual o NEM é justificado. Sob o pretexto de um ensino “flexível, em diálogo com o setor produtivo e demandas do século XXI“, o NEM pretende formar estudantes adaptáveis à flexibilidade do mercado de trabalho: longos períodos de desemprego, empregos rotativos, precários, sem direitos trabalhistas, sem estabilidade e com baixa remuneração. Eis a realidade do século XXI para a qual o NEM pretende formar nossa juventude.

Fonte: https://lutafob.org/9605/

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louco desafio:
comer fubá e cantar
o sole mio!

Carlos Seabra

 

[Itália] 1922- 2022 | Em memória de Filippo Filippetti, anarquista livornese, antifascista, morto por fascistas

Cem anos após os Fatos de Agosto de 1922, ontem (02/08) recordamos o anarquista Filippo Filippetti na placa afixada em 1972 pela Anppia Federazione Livorno na Via Provinciale Pisana. Abaixo encontra-se o texto do folheto que circulou na cidade nos últimos dias:

Filippo Filipetti, um jovem anarquista, foi morto a 2 de Agosto de 1922 pelos fascistas enquanto se opunha, juntamente com outros antifascistas, a uma expedição punitiva contra Livorno.

A 2 de Agosto de 1922, um grupo de jovens antifascistas, incluindo alguns anarquistas, envolveram-se num confronto armado perto de Pontarcione com os camiões dos fascistas. Filippo Filippetti, membro do Arditi del Popolo, sindicalista da USI para o setor da construção civil, morre no tiroteio.

No Verão de 1922, jogavam-se as últimas cartas para travar a reação antiproletária: o país foi marcado por uma crescente agressão dos fascistas contra as organizações do movimento operário e militantes individuais; dezenas de mortes foram contadas entre os antifascistas.

Durante meses, a União Anarquista Italiana e o jornal ‘Umanità Nova’ lutam em apoio ao movimento Arditi del Popolo, para formar uma frente proletária única para organizar a defesa. Por iniciativa do Sindicato dos Ferroviários Italianos, foi formada a Aliança dos Trabalhadores, na qual participaram todos os sindicatos, com o apoio da União Anarquista, do Partido Republicano, do Partido Comunista e do Partido Socialista.

A Aliança dos Trabalhadores convocou uma greve geral para acabar com a violência fascista a partir da meia-noite de 31 de Julho.

Fascistas financiados pelo setor agrário e industriais, armados pelos Carabinieri e pelo Exército, protegidos pela monarquia e pela Igreja, atacam os bastiões dos trabalhadores.

Em muitas cidades, incluindo Piombino, Ancona, Parma, Civitavecchia e Bari, os fascistas foram repelidos também graças à ação do Arditi del Popolo. À medida que a resistência dos trabalhadores crescia, a CGL e a PSI, na esperança de mais um compromisso, retiraram-se da luta, abrindo caminho para represálias armadas por parte do governo.

Livorno foi um dos centros do confronto. Entre 1 e 2 de Agosto de 1922, esquadrões fascistas de toda a Toscana lançaram uma caça aos antifascistas de Livorno, atacando bairros da classe trabalhadora que resistiram à invasão.

Muitos foram assassinados naqueles dias. Populares, comunistas militantes, anarquistas, republicanos e socialistas, incluindo Luigi Gemignani, Gilberto Catarsi, Pietro Gigli, Pilade Gigli, Oreste Romanacci, Bruno Giacomini e Genoveffa Pierozzi, bem como o jovem anarquista Filippo Filippetti.

Hoje, numa época de crescente militarização, guerra, renascimento do nacionalismo e do patriotismo, autoritarismo cada vez mais forte e ataques ferozes às condições de vida e de trabalho, é ainda mais importante reafirmar o nosso antifascismo. Fazemo-lo com a nossa prática diária, mas também através da memória daqueles que, sem ceder a compromissos ou seduções institucionais, queriam realmente impedir o aumento do fascismo, da ditadura, da miséria e do horror da guerra.

Anarquistas de Livorno

Tradução > Liberto

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brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

Carlos Seabra

[Portugal] Há um século: O meu tributo a Malatesta

Poucos são os que conhecem o nome deste anarquista italiano (Errico, de baptismo, traduzido às vezes em português como Enrico, Eurico, etc.) mas ele figura com destaque em todas as histórias deste movimento político radical que despontou na Europa oitocentista e ainda se prolongou com alguma influência em certos países até à II Guerra Mundial, e sobreviveu depois, a espaços.

Malatesta nasceu em 1853 na província de Caserta (no Sul da Península), de uma família de proprietários rurais que lhe pôde proporcionar estudos. Chegou a frequentar Medicina mas a acção política e revolucionária falou mais forte e a elas se entregou inteiramente. Para sobreviver, recorreu a diversos empregos que a sua cultura permitia realizar (traduções, revisão de provas tipográficas, livreiro, vendedor, etc.) mas durante o seu longo exílio em Inglaterra trabalhou como electricista. Em situação de detenção domiciliária, veio a falecer a 22 de Julho de 1932 na cidade de Roma, onde sobrevivia com a ajuda dos camaradas, depois que uma squadra fascista havia destruído a sua oficina tipográfica.

Conhecendo ainda a acção de alguns heróis do Rissorgimento Italiano, como Mazzini, foi rapidamente para o nascente movimento operário-socialista que Malatesta se inclinou, privando ainda com o intemerato russo Bákunine (então refugiado entre a Suíça e a Itália), um nome que só por si assustava as Casas Reinantes e os Impérios, e entrando com outros jovens idealistas (entre outros, Cafiero, com quem esgotaram as respectivas heranças paternas para financiar as preparações revolucionárias) nas fileiras da International Workingmen Association onde já pontificava Karl Marx mas coexistiam várias outras tendências, entre as quais a dos franceses do anarquista Proudhon. E quando a disputa se agudizou depois da Comuna de Paris (1871) e do congresso de Haia (1872), Malatesta foi dos que recusou a extinção da Internacional e, pelo contrário, enveredou pela expansão da corrente anti-autoritária em todos os países onde isso parecia possível, como Portugal.

Redactor panfletário e jornalista inflamado, publicou diversos opúsculos destinados à propaganda entre o povo (Fra Contadini, etc.) e travou diversas polémicas, dentro e fora do seu movimento: em 1897, com o camarada Saverio Merlino sobre se o “partido anarquista” deveria ou não concorrer nos pleitos eleitorais; no congresso anarquista internacional de Haia, em 1907, com o francês Pierre Monatte, sobre se o sindicalismo (revolucionário) se bastaria a si próprio para a almejada revolução social; em 1916 (embora cheio de pena sincera), contra o seu amigo Kropótkine, que defendia o direito da guerra defensiva da França democrática perante os intentos do “militarismo prussiano”; e em 1926, contra os russos da “tendência de Archinov”, que preconizavam um modelo de organização própria de tipo “anarco-bolchevista”, com direcção centralizada e “responsabilidade colectiva”. Em todos estes confrontos, Malatesta representou sempre a parte radical e intransigente contra as cedências ao “realismo” e a abdicação daqueles princípios anti-autoritários que interiorizara desde jovem – anti-eleitoralismo, anti-estatismo, anti-teologismo, crença numa revolução emancipadora para todos os oprimidos – princípios estes que muitos outros assumiram como dogmas de uma ideologia que seria capaz de resistir às evoluções do mundo e da ciência (e foram capazes de sacrificar por isso as suas vidas).

Consequente com aquelas palavras, participou pessoalmente em diversas tentativas insurreccionais no seu país: em 1874 em Bolonha e em 77 no Benevento; em Ancona em 1898 e de novo em 1913; e Turim (em parte também Milão) em Setembro de 1919 (com ocupações de fábricas que paralisaram a nação), onde colaborou com o comunista Gramsci e impulsionou a criação da Unione Anarchica Italiana, redigindo um Patto de Alleanza exemplar que foi o seu estatuto orgânico fundador, e lançando o jornal Umanità Nova, que ainda hoje existirá. Esta actividade ininterrupta valeu-lhe inúmeras prisões, exílios e deportações al confino, sendo (segundo o historiador Berti) uma das personalidades mais perseguidas pela polícia daquele tempo. Mas nunca defendeu ou apoiou os atentados individuais praticados por certos anarquistas.

Depois veio a “marcha sobre Roma” (1922), o Fascismo, e o já idoso Malatesta lá foi, de trouxa aviada, homiziado para uma daquelas ilhas do Sul onde agora chegam os desesperados migrantes saídos da Líbia.

Este tempo de forçada inacção deu-lhe a oportunidade de reflexão pessoal, de análise do movimento em que acreditava e da toda a época que conhecera. Conseguiu publicar ainda a revista Pensiero e Volontà e colaborar em outros periódicos italianos e estrangeiros. E aqui podemos encontrar abundantes exemplos de como o seu pensamento político se terá tornado menos radical e mais atento às realidades sociais, económicas e políticas deste período “de entre guerras”. Face à complexidade, que já entrevia, das sociedades modernas industrializadas, recomendava ele então aos seus correligionários que, num processo de mudança social, “só devemos destruir aquilo que saibamos, e possamos, substituir por coisa melhor”.

Nunca renegou o seu passado de activista e revolucionário, mas Malatesta abria-se agora à compreensão de novas dimensões da acção social, que o futuro mostrou se terem tornado ainda muito mais imbricadas e profundas do que ele (e qualquer outra pessoa culta do seu tempo) poderia algum dia ter imaginado. A um dos que o conheceu e sendo dos mais sérios e consequentes seguidores da sua linha de pensamento, Umberto Marzocchi, ouvi-lhe um dia esta frase, que admito pudesse ter sido dita pelo seu mestre, face a certas críticas mais insidiosas vindas do seu próprio meio: “forse, abbiamo sbagliatto, ma con quanta bonna fede…

É a este carácter de lutador por boas ideias para uma sociedade mais livre e igualitária, mas, simultaneamente, de observador atento às evoluções que o mundo ia conhecendo, que eu presto o meu tributo de respeito e reconhecimento.

E por aqui termino estas evocações centenárias.

JF / 22.Julho.2022

(para quem queira aprofundar o conhecimento sobre esta figura histórica sugiro: Max Nettlau, Errico Malatesta, 1922; E. Malatesta, Pensiero e Volontà, 1936; Vernon Richards, Malatesta: Vita e Idee, 1968; Pier Carlo Masini, Storia degli Anarchici Italiani, 1969; Gino Cerrito, Il ruolo dell’organizazione anarchica, 1973; Paolo Finzi, La nota persona, 1990)

Fonte: https://aideiablog.wordpress.com/2022/07/22/ha-um-seculo-4/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/26/italia-90-anos-da-morte-de-errico-malatesta/

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sonho colorido
o sol dança com a lua
você comigo

Carlos Seabra

[São Paulo-SP] “Prisões: Perspectivas Anarquistas”

O próximo encontro do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades, do Centro de Cultura Social (CCS), será presencial, dia 13 de agosto, sábado, das 16h às 18h. Indicamos 2 textos para a conversa: “Prisões: falência e crime social”, de Emma Goldman (1910) (tinyurl.com/ge08221) e “Anarquia e dissonâncias abolicionistas”, de Salete Oliveira (2007) (tinyurl.com/ge08222). Os encontros do grupo são gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas. Teremos intérpretes de Libras.

Em razão da vigência da epidemia de Covid-19, pedimos que mantenha a máscara, traga sua garrafinha de água, e respeite o distanciamento e as orientações sanitárias de praxe.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapitalismo e não partidarismo, não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

Centro de Cultura Social (CCS)

Rua General Jardim, 253, Sala 22 – Próximo ao metrô República — Vila Buarque – São Paulo (SP)

E-mail: CCS: ccssp@ccssp.com.br | E-mail do Grupo de Estudos: grupodeestudos_afm@ccssp.com.br | Site: www.ccssp.com.br |

FB: https://www.facebook.com/events/5365022440284937/?ref=newsfeed

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vôo de borboletra
do mundo das coisas
pro mundo das letras

Alexandre Brito

 

Lançamento: “Introdução ao pensamento anarquista na geografia: Piotr Kropotkin e Charles Perron”, de Amir El Hakim de Paula

A p r e s e n t a ç ã o

Iniciamos essa caminhada com objetivos totalmente claros. Colocar os geógrafos anarquistas em condições de igualdade com qualquer outro legatário desta importante ciência. Queremos com este livro que as suas propostas sejam estudadas e principalmente disseminadas. Kropotkin e Perron demonstram a relevância de uma geografia mais plural, humana e onde a prática e a teoria trabalhem sempre em conjunto. Pensar e agir: essas são as palavras de ordem de dois geógrafos e anarquistas, ou melhor, geógrafos-anarquistas!

Introdução ao pensamento anarquista na geografia: Piotr Kropotkin e Charles Perron

Amir El Hakim de Paula

143 páginas

44 reais

Intermezzo Editorial

https://intermezzoeditorial.minhalojanouol.com.br/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/05/27/baixe-o-livro-geografia-e-anarquismo-a-importancia-do-pensamento-de-piotr-kropotkin-para-a-ciencia-de-amir-el-hakim-de-paula/

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No cimento quente,
A ilusão de um oásis:
Vaso de samambaias

Edson Kenji Iura

[Espanha] A CGT denuncia uma perda significativa do poder aquisitivo e a consolidação de condições de trabalho preocupantes para a classe trabalhadora nos próximos anos.

A organização anarcossindicalista apontou a falta de vontade política e o fracasso das medidas implementadas, como a “nova” Reforma Trabalhista, para aliviar a situação extrema de milhões de pessoas trabalhadoras.

Os dados sobre a pobreza da classe trabalhadora contrastam com os lucros das grandes empresas, que já se recuperaram após a queda sofrida em 2020.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT), através de um comunicado no qual analisa os dados da Pesquisa da Força de Trabalho (EPA) correspondentes ao segundo trimestre de 2022, destacou mais uma vez a situação preocupante da classe trabalhadora e o futuro imediato que a classe trabalhadora enfrenta em face de uma nova crise econômica.

De acordo com a CGT, o aumento do custo de vida nos últimos meses, refletido no aumento do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e na taxa de inflação subjacente, está afetando aqueles domicílios onde não há renda de qualquer tipo, que atualmente são 571.000. Além disso, a CGT aponta que os salários reais foram desvalorizados em até 10%. Isto teve um impacto sobre os acordos assinados durante 2022 (2.300 abrangendo quase 6.200.000 pessoas), porque uma perda salarial generalizada de 6,1% foi institucionalizada.

A CGT explicou que esta situação terá um impacto brutal sobre as famílias mais vulneráveis e, em geral, sobre a vida das pessoas com menor renda, causando mais desigualdade e precariedade.

Em relação à precariedade e tendo em vista os dados da EPA, a CGT tem enfatizado que a chave para reverter esta situação ainda está na luta social e trabalhista, fortalecendo os direitos trabalhistas da classe trabalhadora que lhes permite ter um escudo contra uma nova crise econômica. Entretanto, de acordo com a EPA, apesar da redução do número de desempregados, os empregos criados continuam a ser temporários e parciais. Estes tipos de contratos, que fomentam a incerteza no emprego para milhares de seres humanos, continuam a impedir que muitas pessoas em nossa sociedade tenham um projeto de vida decente.

A CGT também lembra que 6,6 milhões de horas extras por semana ainda estão sendo trabalhadas, e quase metade delas não são remuneradas, o que mostra que a exploração limita as pessoas a escolher outros empregos.

A CGT considera que a flexibilização e a intensificação das cargas de trabalho pioram as condições de trabalho da classe trabalhadora, como evidenciado pelo crescente número de mortes de pessoas enquanto ganham a vida. Especificamente, desde o início de 2022 até maio, 336 pessoas perderam suas vidas enquanto trabalhavam, 57 a mais do que durante o mesmo período em 2021.

É por todas essas razões que a CGT alerta para o perigo da desmobilização e da desmotivação dos trabalhadores em face dos ataques aos seus direitos trabalhistas e bens básicos (como saúde, educação, a sacola de compras, etc.), e apela para que se organizem, independentemente dos interesses políticos e partidários, contra a precariedade e a pobreza dos governos e dos que estão no poder.

Fonte: https://cgt.org.es/cgt-denuncia-una-importante-perdida-de-poder-adquisitivo-y-la-consolidacion-de-unas-condiciones-laborales-preocupantes-para-la-clase-trabajadora-durante-los-proximos-anos/

Tradução > Liberto

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tanto ao lado da chaminé,
como ao lado da porta –
o gato gelado

Jadran Zalokar

 

[França] O caso de Vincenzo Vecchi no Tribunal de Justiça da União Europeia

12 anos na prisão para um ativista antiglobalização 21 anos após a contra-cúpula de Gênova…

Em 14 de julho, o Tribunal de Justiça da União Europeia proferiu sua decisão sobre o caso Vincenzo Vecchi. De todas as opções disponíveis, optou pela mais extrema: manter a funcionalidade do mandado de prisão europeu a todo custo.

Em outras palavras, o TJUE decidiu não interromper a colaboração entre os Estados no espaço jurídico europeu e ignorar os direitos fundamentais e as duas decisões judiciais dos tribunais de apelação de Rennes e Angers!

Estamos chocados com esta decisão que agora permite que uma lei de origem fascista e draconiana seja aplicada em toda a Europa e, portanto, um simples manifestante seja, sem nenhuma prova, considerado culpado dos crimes cometidos ao seu redor.

Finalmente, a decisão retornará ao Tribunal de Cassação de Paris em 11 de outubro de 2022!

Não aceitamos tal decisão. Continuamos mais do que nunca mobilizados para defender nosso companheiro Vincenzo e em geral, o direito de manifestação e as liberdades fundamentais.

comite.soutien.vincenzo@gmail.com

Fonte: https://expansive.info/Affaire-Vincenzo-Vecchi-et-Cour-de-justice-europeenne-3415

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/08/15/franca-italia-liberdade-para-vincenzo/

agência de notícias anarquistas-ana

Riacho de pedras
rua dos peixes
rastros de platina.

Yeda Prates Bernis

[Porto Alegre-RS] Companheiro Yannis: Nosso gesto singelo! Uma visita à Igreja Ortodoxa Grega.

À quem luta nossa mão terna, a quem procura nos oprimir nossa mão hostil.

Não se trata de uma ação espetacular à altura da luta de nosso companheiro anarquista Yannis Michailidis, trata-se apenas de um gesto singelo, uma piscada de olho para ele, nossa mostra de cumplicidade anarquista.

No meio de um mundo que cada vez mais se conforma apenas com informação digital permanente e dentro do seu próprio círculo de interesses, sorrimos imaginando os fiéis ortodoxos chegando na sua recentemente pintada Igreja para ver nela as manchas de nossas garrafadas de tinta e o nome  Yannis Michailidis, que chega até estes cantos através desse singelo gesto.

Nada termina, nada se detém para aqueles que abraçamos a anarquia, o caminho é infinito e a luta também. O companheiro Yannis com sua determinação já provocou uma boa dose de caos, agora é a vez de todos nós. Ler mais e mais informações anarquistas não te faz anarquista. Provocar a anarquia, estar anarquista, já aproxima um pouco.

Procura que viva a Anarquia!

agência de notícias anarquistas-ana

um beijo no pé
outro em tua boca
depois do café

Carlos Seabra

 

[Espanha] O tribunal ratifica que os habitantes de Fraguas paguem 110.000 mil euros pela demolição da vila

A soma, como responsabilidade civil, significará que as seis pessoas condenadas por crimes contra o ordenamento territorial irão para a prisão em caso de não pagamento.

109.840,87 euros é o valor exato com que o Tribunal Penal número 1 de Guadalajara avalia o custo da demolição das construções erguidas pelo repovoamento de Fraguas neste povoado recuperado nas montanhas. Uma quantia que, como confirmado pela ordem judicial emitida em 20 de junho e à qual El Salto teve acesso, deve ser paga, como responsabilidade civil, pelas seis pessoas que foram condenadas por crimes contra o planejamento do uso da terra para reconstruir este povoado.

“Ou pagamos isso ou vamos para a cadeia por dois anos e três meses”, explica a El Salto Lalo Aracil, um dos ocupantes que em 2013 se propôs a reconstruir Fraguas, um povoado de Guadalajara que deixou de existir há 50 anos, por decisão de Franco, que ordenou sua demolição para o reflorestamento da montanha com pinheiros. Aracil, que também é uma das seis pessoas condenadas pela reconstrução do vilarejo, anuncia que eles vão apelar da sentença e lançaram uma campanha para reunir apoio. Embora ele e as outras pessoas condenadas em 2018 tenham sido condenadas a penas de prisão de um ano e meio, bem como a uma multa de 1.080 euros também por crimes contra o ordenamento territorial e outros 2.160 euros por usurpação, em 2019 o Tribunal Provincial, que confirmou as sentenças, acrescentou que estas seis pessoas deveriam pagar os custos da demolição, de modo que, se não pagassem, a pena de cárcere, agora com prisão, aumentaria para dois anos e três meses.

Segundo a decisão judicial, a quantia de cerca de 110.000 euros, ao qual El Salto também teve acesso, elaborado pela empresa pública Tragsa em fevereiro de 2021, incluiria o “custo de demolição das obras e construções, bem como os custos estimados de remoção dos resíduos existentes antes de 7 de fevereiro de 2017”.

“Este cálculo está inflado de forma grosseira”, diz Aracil. “Por um lado, eles calculam o volume de entulho nas casas como se fossem sólidos, como se não houvesse ar dentro deles, apenas pedras, concreto, tijolos ou o que quer que seja”, explica. Ele também ressalta que no cálculo eles cobram várias vezes pelos mesmos conceitos, e até cobram pelas máscaras, botas e luvas dos trabalhadores, as trocas de óleo das máquinas.

Em abril de 2021, com a demolição de Fraguas já em andamento, o CSIC advertiu da ilegalidade da demolição à titular do Tribunal de Instrução número 1 de Guadalajara, María del Carmen Molina Mansilla, cujo nome apareceu na mídia em 2016, quando, como titular da Corte de Violência contra a Mulher número 1 de Vitória, ela perguntou a uma vítima de estupro se ela havia fechado suas pernas adequadamente. O relatório enviado pelo CSIC à magistrada indicou que todo o povoado de Fraguas é suscetível de ser protegido pela Lei de Herança de Castilla-La Mancha.

Em vista do relatório do CSIC, a magistrada decidiu interromper a demolição de Fraguas e encarregou ao Seprona de realizar um relatório sobre o valor artístico das construções do povoado. Pouco mais de um ano depois, a magistrada retomou a execução do povoado de Fraguas.

Além do processo penal, os repovoadores de Fraguas ainda aguardam seu despejo por via administrativa, pois em dezembro do ano passado a Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha emitiu uma resolução para despejá-los do povoado assinada pelo Ministro do Desenvolvimento Sustentável, José Luis Escudero, dando-lhes um período de dez dias a partir de então para o despejo voluntário. Como Aracil confirma a El Salto, desde Fraguas recorreram da resolução e foram ao tribunal administrativo, que decidiu manter o despejo ditado pela prefeitura de La Mancha.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/pueblos-recuperados/juzgado-ratifica-110000-euros-derribar-fraguas-amenaza-habitantes-carcel-si-no-pagan

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Eis o meu haikai:
Contido porém florido,
Bom (como um bonsai).

O Poeta de Meia-Tigela

“Sou fotógrafo, macumbeiro e anarquista.”

INSTITUTO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS ENTREVISTA GABRIEL RIBEIRO

Instituto de Estudos Libertários > Quem é Gabriel Ribeiro?

Gabriel Ribeiro < Sou banhado pelas águas das encruzilhadas da vida – dos encontros com diversos afetos. Sou um paulistano carioca, nasci na capital de São Paulo, fui para o Rio de Janeiro (capital) aos sete meses de idade, entende? Sou um cidadão carioca que preserva o corinthianismo do pai. Sou fotógrafo, macumbeiro e anarquista. Um autodidata desertor de um modo de vida imposto pela classe média. Sou um entusiasta em desobedecer uma ordem autoritária. Sou filho de Xangô (não iniciado) e gosto de beber das fontes ciganas também. Falar da gente é sempre complexo, pois queremos sempre falar do melhor que nós somos. E uma coisa que aprendi com os anarquismos, é reconhecer as próprias contradições – não fugir do “problema”. A minha natureza pode ser tão doce quanto subversiva. Não suporto “dar ordem”. Sou um amante da vida libertária!

IEL > Quando teve o seu primeiro contato com o anarquismo?

GR < Meu primeiro contato “de fato” com o anarquismo se deu nas “Jornadas de Junho de 2013”, durante os protestos de rua. As táticas do ‘bloco preto’ despertaram muito a minha atenção nessa época, comecei a querer entender e compreender os seus motivos, as suas perspectivas. Eu diria que o meu anarquismo seja “filho” dessas jornadas. Desde então passei a me reconhecer como anarquista, mesmo que pela via empírica. No mesmo período, criei um circuito de estudos e frequências em galerias de arte e centros de cultura, para me dar uma base intelectual e artística para a caminhada na fotografia. Só bem mais tarde, já durante a pandemia, iniciei a responsabilidade e comprometimento no engajamento das pautas anarquistas.

IEL > Nos fale um pouco de sua trajetória antes de chegar ao anarquismo.

GR < Em 2013 eu tinha 28 anos. Venho de uma família de classe média, filho de pai bancário (servidor público, atuou por muito tempo como gerente de banco) e mãe bancária, também, atuando por muito tempo em funções administrativa dentro das agências (uma servidora pública). Entrei para a faculdade de Publicidade de Propaganda em 2005, aos 20 anos de idade. No meio do curso eu tranco por questionar o sistema capitalista por conta dos filósofos que tive acesso no curso. A partir deles, não me lembro como, chego até Karl Marx. Fiquei até os meus 29 anos “batendo cabeça” em empregos nos ambientes corporativos. Com 29 ganho uma máquina fotográfica do meu pai. Em 2012 saio de casa sem dinheiro algum por me sentir humilhado pelo meu pai, desde então, com meus 28 anos, minha relação com a rua ganhou outra dimensão, bem diferente daquela “pequeno-burguesa” de antes. As rodas de rap, as festas de rua, encontro com pixadores, andanças pelas rua do Rio de Janeiro e sobretudo, nas ditas festas “undergrounds” da cena da música eletrônica – seja como amante, seja como fotógrafo. – Quando fui morar na região serrana, a vida me trouxe alguns apontamentos, gerando reflexões e amadurecimento. Por aqui, produzi projetos fotográficos como: “In-Formal” que conta um pouco das histórias de vendedores ambulantes em Itaipava, distrito de Petrópolis-RJ, esse trabalho foi exposto no Centro no Centro Cultural Raul de Leoni; “Corpos Docentes”, no qual busquei valorizar o pensamento crítico de cada professor e professora, a exposição aconteceu na Sala Augusto Ângelo Zanatta, espaço da Prefeitura de Petrópolis; Ruínas: fragmentos de uma cidade – levantei umas questões envolvendo as casas abandonadas, as obras ficaram expostas no Sesc-Nogueira. Antes da pandemia tornar esta tragédia que se tornou, eu estava fotografando os quilombolas do Quilombo Boa Esperança, no município de Areal-RJ, o intuito era mostrar como essa comunidade de organiza e promove seus modos de sociabilidade. Esse projeto se encontra suspenso até eu poder retomar com todo o cuidado necessário. Tive algumas fotografias publicadas em jornais e no Foto em Pauta.

>> Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui:

https://ielibertarios.wordpress.com/2022/07/24/instituto-de-estudos-libertarios-entrevista-gabriel-ribeiro/

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A abelha voa vai
vem volta pesada
dourada de pólen

Eugénia Tabosa

[Suíça] Notas de viagens a Saint-Imier

L’Espace Noir (O Espaço Negro) é uma cooperativa cultural autogerida de inspiração libertária, criada em 1984. Durante os dois primeiros anos, o edifício teve que ser renovado. Em 1990, foi criada uma cooperativa para comprar o edifício propondo às pessoas a compra de uma ou mais de suas partes. Mais de 300 pessoas responderam a este apelo e nasceu a Imagine, a cooperativa que se tornou a proprietária do edifício, que hoje tem várias centenas de membros. Em seus vários anos de vida, o Espace Noir se tornou um marco para a cidade.

Abriga um teatro, um cinema (o menor da Suíça), uma galeria, uma taberna, uma livraria, um infoponto, um albergue e agora abriga famílias de refugiados. O Espace Noir encontra seu pensamento e ação nos ideais da tendência antiautoritária da Internacional. Um lugar importante a 500 m de onde tudo começou, em setembro de 1872.

Gruppo Anarchico Mikhail Bakunin – FAI Roma

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quantos pirilampos
posso contar esta noite?
caminho enluarado

José Marins

[Espanha] Nova Edição: “Armadas con la pluma y la palabra”, de Deyanira Schürjin Benedetto

SOMBRAS é um projeto militante que pretende dar conta e jogar luz às lutas das mulheres e outras identidades não normativas omitidas pelo feminismo hegemônico. O relato oficial das ondas do feminismo baseia seus postulados e perspectivas no pensamento ilustrado, negando assim outras formas de ocupar o mundo, de opor-se e resistir às ordens estabelecidas que existiram e existem. Com Sombras pretendemos deslumbrar e recuperar a memória e a luta das outras: as rebeldes, as loucas, as putas, as não brancas, as discas, as pobres, as rasteiras, as obreiras, as migrantes, guerrilheiras, oradoras, escritoras e ativistas. Definitivamente, as de um proletariado tão maltratado como disposto a seguir resistindo.

SOMBRAS I Prensa Política: Armadas con la Pluma y la Palabra.

Utopistas, socialistas e anarquistas, e uma ou outra sufragista, se aglomeram neste primeiro exemplar para dar mostra de suas lutas e preocupações: pobreza, trabalho, educação, amor livre, aborto, maternidade, matrimônio, prostituição, antimilitarismo, assim como a aliança internacionalista em um tempo que avançava para uma Guerra de Classes das mais cruentas e disciplinares.

288 páginas, Rústica com abas, 19 cm x 13 cm. 12€

editorialimperdible.com

@editorialimperdible

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bem-te-vi
o que ele viu
que eu não vi

Ricardo Silvestrin

[Espanha] Grupo EURESTCompass forçado a retirar a sanção

O Compass Group foi forçado a retirar uma suspensão de 20 dias de emprego e pagamento, injustamente imposta a um membro da seção do sindicato CNT.

Mais uma vez, a política trabalhista que o Grupo EURESTCompass aplica no local de trabalho é exposta. Precariedade e exploração, como regra, que se transforma em repressão quando os trabalhadores se organizam para reivindicar o que lhes pertence.

Uma política de trabalho que o serviço de hosteleria subcontratado aplica em todos os locais de trabalho que administra, tanto no setor privado como no público. Com a cumplicidade de empreiteiros, neste caso ou o Grupo Mémora – Aproximaciones entorno la muerte, ou o Ajuntament de Barcelona.

A seção sindical da CNT demonstra mais uma vez, não apenas a utilidade, mas também a necessidade de estar organizado na multinacional.

Com representação em 5 locais de trabalho, com mais de 7 anos de experiência, sua ferramenta sindical na Eurest, ou em qualquer uma das empresas do Compass Group é a CNT. Contate-nos em: seccio.eurest@barcelona.cnt.es

Serveis Funeraris de Barcelona S A, Ajuntament de Barcelona Informa, IESE Business School, Naturgy, Nestlé, Generalitat de Catalunya, Vilaplana Catering

#Vitarest #Escolarest #Medirest #Vilaplana #CuentaConCNT

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/eurestcompass-group-se-ve-obligada-a-retirar-la-sancion/

Tradução > Liberto

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eu em demasia
não fosse
a poesia

Eder Fogaça

 

[Pré-venda: Charlas y Luchas] Coleção na sacola

de R$210,00  Por R$150,00

Apenas 50 pessoas terão a coleção completa na sacola. Você pode garantir a sua agora.

O anseio principal da coleção Charlas y Luchas é falar de mulheres anarquistas latino-americanas e sua vontade de ação. Maria A. Soares, Juana Rouco Buela e Margarita Ortega Valdés são as três personagens. Maria A Soares, brasileira, não deixou um livro pronto, mas deixou textos em diversos periódicos entre 1912 e 1922. A equipe da coleção transcreveu seus escritos e os transformou em uma publicação. Já Juana Rouco Buela, que migrou criança para a Argentina, escreveu uma autobiografia no final da sua vida, onde conta suas ações em diversos países e fala do ideal anarquista que viveu e nunca abandonou. Margarita Ortega Valdés deixou um único texto, mas sua história foi relatada por Ricardo Flores Magón e ela é considerada infatigável e essencial para a Revolução Mexicana.

Ao comprar até 5 de agosto seu nome entra impresso nos livros na parte apoio. Vem!

Mais infos: https://tendadelivros.org/loja/produto/pre-venda-charlas-y-luchas-colecao-na-sacola/?doing_wp_cron=1659456560.0850389003753662109375&mc_cid=827599ad85&mc_eid=8caea939b8

A coleção na sacola será enviada em outubro com todos os livros.

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terreno baldio
lixo revirado
gato vadio

Carlos Seabra