Coleção Charlas y Luchas | Três livros, três mulheres: todas latino-americanas e revolucionárias.

coleção Charlas y Luchas faz sua campanha na Praça e você tem 21 dias para apoiar o projeto. A intenção é imprimir dois livros e fazer circular todos os três da coleção (o primeiro foi lançado ano passado). Vou te contar um pouco sobre a coleção e suas publicações.

O anseio principal da coleção Charlas y Luchas é falar de mulheres anarquistas latino-americanas e sua vontade de ação. Maria A. Soares, Juana Rouco Buela e Margarita Ortega Valdés são as três personagens. Maria A Soares, brasileira, não deixou um livro pronto, mas deixou textos em diversos periódicos entre 1912 e 1922. A equipe da coleção transcreveu seus escritos e os transformou em uma publicação. Já Juana Rouco Buela, que migrou criança para a Argentina, escreveu uma autobigrafia no final da sua vida, onde conta suas ações em diversos países e fala do ideal anarquista que viveu e nunca abandonou. Margarita Ortega Valdés deixou um único texto, mas sua história foi relatada por Ricardo Flores Magón e ela é considerada infatigável e essencial para a Revolução Mexicana. Para cada livro foi proposta uma metodologia de edição cuja unidade é dada pelo projeto editorial. Conheça cada um deles:

Unidas nos lancemos na luta: o legado anarquista de Maria A. Soares

O livro tem 224 páginas e resgata 48 textos publicados em jornais ou endereçados por cartas. Os textos apresentam assinaturas diferentes: Maria A. Soares, Maria Antônia Soares, Maria A. Suárez, Angelina Soares, e de elaboração coletiva pelo Centro Feminino Jovens Idealistas ou o Centro Feminino de Educação, que elucidam a atuação das mulheres no anarquismo naquele período. A publicação conta também com uma breve biografia de Maria Antônia Soares. Participam do livro: Ananita Rebouças (neta de Angelina Soares), Beatriz Silvério, Dandara Luigi, Fernanda Grigolin e Samanta Colhado Mendes.  A edição é de Aline Ludmila.

História de um ideal vivido por uma mulher e textos escolhidos de Juana Rouco Buela

Em 224 páginas, o livro reúne a tradução inédita em português de História de um ideal vivo por uma mulher. Há também textos escolhidos da publicação Mis Proclamas e dos editais de Nuestra Tribuna. Juana Rouco Buela foi uma anarquista publicadora. Escreveu, editou e produziu Nuestra Tribuna, além de ter trabalhado em vários ofícios como passadeira e jornalista, por exemplo. Subiu e desceu rampas de navios. Esteve clandestina e sozinha em um deles. Juana percorreu vários pontos do Atlântico e em todos esteve junto ao movimento anarquista. Viveu no Brasil, mas foi na Argentina e nas terras rioplatenses que construiu seus afetos mais profundos. O livro conta com textos de Ingrid Ladeira, Angela Roberti, Laura Fernandez Cordeiro e Rut Akselman-Cardella (neta de Juana). A tradução para o português é de Fernanda Grigolin. Os desenhos são de Dandara Luigi. A edição é de Aline Ludmila e a produção editorial é de Beatriz Silvério.

Infatigável guerrilheira: Margarita Ortega Valdés na Revolução Mexicana

Margarita Ortega Valdés esteve ao lado de seus companheiros magonistas durante as ações fronteiriças entre México e Estados Unidos. Ela era infatigável. O deserto foi sua memória, seu pensamento e sua ação. Enfrentou as zonas de calor como ninguém: carregou armas e cuidou dos feridos. Também enterrou sua filha e foi lá que partiu. Quem já pisou ali, naquela fronteira, sabe que há momentos que a temperatura explode, vai a 50 graus e essa mulher percorria esse território por horas. Lembrar de Margarita é falar de América Latina. Pessoas do Brasil e do México se uniram para produzir o livro sobre ela. A publicação de 96 páginas traz artigos, biografia, trabalhos de artistas. Dandara Luigi, Fernanda Grigolin, Karen Márquez e Pepe Rojo realizaram uma criação artística em conjunto. Nayeli Morquecho Estrada fez uma biografia de Margarita em duas vozes. Cassio Brancaleone contou um pouco das relações entre magonismo e zapatismo.

Campanha e recompensas:

As campanhas de financiamento são muito importantes para editoras pequenas. O preço de impressão de livros aumentou 30% no último ano, sem contar os custos de distribuição. A conta não fecha e apoiar agora é primordial para a coleção existir.

Você pode apoiar a campanha comprando livros de forma unitária (valor de R$45,00 + frete) ou comprando a coleção completa (R$127,90 + frete). Caso tenha o primeiro livro (Unidas nos lancemos na luta), você pode comprar apenas os outros dois (R$ 85+frete).

Para as pessoas residentes na cidade de São Paulo, há a opção de retirada (no bairro do Ipiranga, perto do metrô Sacoman). As entregas na cidade de São Paulo serão realizadas pela Ciclo Entregas VRAU e pelos Entregadores Antifacistas. Para as demais localidades usaremos os Correios.

Além dos livros, há recompensas com cartazes, livros da Tenda de Livros, cursos e mentoria. Pretendemos realizar uma comemoração com os livros em mãos entre os meses de agosto e setembro. Apoie. Divulgue. Venha pro Charlas y Luchas na Praça.

>> Mais infos clique aqui:

https://apraca.com.br/item/colecao-charlas-y-luchas/?mc_cid=8a7d9c1dfd&mc_eid=8caea939b8

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Neblina sobre o rio,
poeira de água
sobre água.

Yeda Prates Bernis

Equador: Paro Nacional, Parte Dois | Dois Anos e Meio Depois, Outro Levante Abala o País

Em outubro de 2019 houve uma extraordinária revolta indígena e popular no Equador que, após 12 dias e com saldo de 11 mortos, conseguiu cancelar um pacote de medidas neoliberais impostas pelo FMI, entre as quais o cancelamento de subsídio aos preços dos combustíveis. Em junho de 2022, a greve geral e os protestos de rua no Equador entra em sua terceira semana, com mais de 20 dias do chamado Paro Nacional, novamente liderado pelos movimentos indígenas, novamente contra as políticas do FMI e o aumento dos preços dos combustíveis. Em ocasião do levante de 2019, entrevistamos um camarada que na Primera Linea (Linhas de Frente) em Quito que relatou sobre as dinâmicas da revolta na capital equatoriana e as práticas de autogestão e poder popular da “Comuna de Quito”. Hoje, entrevistamos novamente o mesmo camarada que está ativamente participando das mobilizações populares encabeçadas por movimentos indígenas que enfrentam a políticas do FMI e o aumento dos preços dos combustíveis, para nos contar sobre a dinâmica da revolta na capital equatoriana num dos maiores levantes em curso na América Latina.

O que significa que as pessoas no Equador tenham que lutar toda essa batalha novamente tão logo após uma vitória histórica? Essa força se espalhará pela América Latina novamente? Leia mais a seguir.

O que aconteceu nos últimos 2 anos e meio no Equador para que, após uma pandemia e eleições parlamentares e presidenciais, voltasse ao ponto de partida?

Após a insurreição popular de 2019, [o então presidente] Lenin Moreno começou a aumentar o preço do combustível gradativamente, ou seja, a vitória parcial de 2019 foi anulada e voltamos ao ponto de partida. Enquanto isso, o atual presidente, Guillermo Lasso, intensificou esse mecanismo, levando o preço dos combustíveis as alturas, provocando de fato um aumento nos preços dos produtos de primeira necessidade.

Moreno conseguiu terminar seu governo, assim como seus ministros. Estes, juntamente com o alto comando da Polícia e do Exército, permaneceram impunes pelos crimes cometidos durante as jornadas de outubro.

Em 2021 houve eleições. O candidato do movimento indígena foi Yaku Pérez, que conseguiu capitalizar o descontentamento de outubro, mas não foi suficiente para chegar ao segundo turno das eleições e ameaçar a vitória de Andrés Arauz, candidato do Correismo [Levado ao poder pela “maré rosa” que estabeleceu governos em toda a América Latina, Rafael Correa foi presidente do Equador de 2007 a 2017; hoje, acusado de corrupção, vive na Bélgica]. Guillermo Lasso, banqueiro responsável pelo Feriado Bancário de 1999 [episódio de congelamento da contas de banco de cidadão equatorianos], chegou ao segundo turno e venceu as eleições. [Em março de 1999, temendo a hiperinflação, o governo equatoriano declarou um feriado nacional, que acabou durando uma semana inteira; na época, Guillermo Lasso era CEO do Banco Guayaquil.]

Na CONAIE [Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador] também houve eleições e o vencedor foi Leónidas Iza, líder do MIC (Movimento Indígena de Cotopaxi) e um dos líderes da revolta de outubro.

Em 2019, a revolta no Equador ajudou a desencadear revoltas subsequentes no Chile e em outros lugares. Os movimentos na Colômbia, Chile e em outros lugares da América Latina influenciaram os movimentos no Equador desde então?

Após outubro de 2019, em vários países da América Latina, a população se levantou contra seus governos. No entanto, os acontecimentos atuais no país, embora reflitam uma crise geral em todo o continente e tenham sido decisivos no imaginário coletivo, têm uma conotação clara que responde ao contexto conjuntural equatoriano. É como se algo tivesse ficado pendente da revolta de três anos atrás.

>> Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui:

https://es.crimethinc.com/2022/06/29/equador-paro-nacional-parte-dois-dois-anos-e-meio-depois-outro-levante-abala-o-pais

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A nuvem atenua
O cansaço das pessoas
Olharem a lua.

Matsuo Bashô

 

[Espanha] Javier Alcade: “Anarquistas e esperantistas compartilham ideais”

O cientista político Javier Alcalde disseca a relação entre o movimento libertário e a busca de uma linguagem universal no livro ‘Esperanto i anarquisme: els orígens (1887-1907)‘.

Por Jordi de Miguel | 22/05/2022

Quando, como e por quê o anarquismo adotou o esperanto como signo de identidade? Qual foi o papel dessa linguagem universal durante a Guerra Civil? Como é possível que os historiadores não tenham parado para analisar a estreita relação entre os dois movimentos? Por meio de pesquisas pioneiras, o cientista político Javier Alcalde (Barcelona,​​1978) responde a algumas dessas questões em Esperanto i anarquisme: els orígens (1887-1907) (Edicions Malcriàs d’Agràcia, 2022). As outras questões são abordadas nesta conversa.

Em 1910, em seu congresso de fundação, a CNT incentivou seus membros a aprender o esperanto. Por quê?

Os anarquistas precisavam fazer contatos em todos os lugares, porque sua revolução era internacional, e o fato de haver um ou dois poliglotas, que normalmente não eram trabalhadores e acabavam impondo sua agenda, não os convenceu. Eles não acreditavam na vanguarda do proletariado, acreditavam que qualquer pessoa deveria poder interagir com qualquer outra sem intermediários. Agora pode parecer um pouco ingênuo falar de fraternidade global e uma linguagem universal, mas então havia dezenas de grupos esperantistas libertários ao redor do mundo, não era uma utopia. Ambos os movimentos compartilham ideais.

O inventor do esperanto, Ludwik Zamenhof, não era um libertário.

Ele era um médico judeu da pequena burguesia que, ao criar os fundamentos da língua em 1887, não pensava nos trabalhadores, mas nos problemas em torno das línguas que os judeus viviam na Europa. Mas numa carta desse mesmo em 1910 diz estar convencido de que o futuro do esperanto está ligado ao do movimento operário, porque foi aquele que melhor pôde compreender a utilidade e a ideologia por trás dele.

No livro ele explica que, antes do surgimento do esperanto, o movimento operário já tinha em pauta o debate sobre a necessidade de compartilhar uma língua universal.

Você tem que pensar que ao longo da história houve centenas de tentativas de criar uma linguagem universal. Nos séculos XVIII e XIX, muitos matemáticos e filósofos viram isso como evidente. No início do século 20, se você queria ser um cientista e se manter atualizado com o que estava sendo feito em todos os lugares, você tinha que saber inglês, alemão, francês, russo… socialistas utópicos que queriam construir um mundo mais justo, pacífico e sem fronteiras: como as pessoas se entenderiam? Os anarquistas são continuadores dessa tradição. A questão também é discutida nos congressos da Primeira e da Segunda Internacionais. A língua mais utilizada nesse tipo de reunião era o francês, mas é uma língua muito irregular. Por isso, foi solicitada a simplificação de sua ortografia enquanto o processo rumo a uma linguagem universal não estava consolidado.

Ele também menciona que, de fato, outra língua universal circulava naqueles anos, o volapük. Porque não funcionou?

Era o projeto de linguagem mais desenvolvido até então, mas não era muito intuitivo, era baseado em alemão e inglês e o padre que o criou em 1879 não estava aberto a modificações. O esperanto era mais regular, intuitivo e fácil de aprender, mas mesmo depois apareceria outra língua, o Ido, que é um esperanto reformado: estima-se que na França e na Espanha, 25% dos líderes anarquistas o preferiram.

Por quê?

O movimento esperantista era plural e transversal. Em um primeiro estágio, antes de ser defendido pelo movimento operário, há muitos burgueses militares, religiosos e progressistas que o fazem seu. Pi i Margall é um deles. Alguns líderes anarquistas dizem que se o esperanto for ensinado nas Câmaras de Comércio, se beneficiar o dono da fábrica, não será mais benéfico para eles. De qualquer forma, quando o Ido apareceu em 1907, o esperanto já era muito difundido.

Como o esperanto entra na Catalunha? Onde e como você estuda?

A primeira associação foi criada em 1904 em Ceret, na Catalunha Nord. Então se espalha, sobretudo, onde o movimento operário tem mais presença: Sabadell (a primeira cidade do mundo a dar o nome de rua a Zamenhof), Terrassa, Barcelona… iam ao Ateneu, à seção sindical ou ao centro operário e estudavam esperanto em grupo. Imediatamente começaram a se corresponder com trabalhadores de outros países e a correspondência também foi lida em grupo. Era algo completamente normal e habitual.

Qual o papel do Esperanto durante a guerra civil?

O período entre as guerras foi a idade de ouro do esperanto. Seu uso foi até mesmo levantado na Liga das Nações. Na Catalunha, durante a Revolução e a Guerra, todos os atores relevantes do campo republicano usaram o esperanto para explicar o que estava acontecendo no exterior. A rádio CNT-FAI tinha programação constante em catalão, espanhol e esperanto. Para a Generalitat, o esperanto está abaixo do francês e do inglês, mas acima de outras línguas. O POUM publicará seu boletim internacional em francês, italiano, alemão, holandês e esperanto. O PSUC também o usará. Centenas de esperantistas de todo o mundo vieram lutar na Catalunha, o esperanto também desempenhou seu papel nesse sentido.

E por quê os historiadores não falam sobre ele?

Francamente, não sei. Uma hipótese é que eles não têm informações suficientes ou não sabem como interpretá-las. Mas a hipótese que considero mais sólida é a do “presentismo histórico”: alguns historiadores olham o passado com os olhos do presente. Como hoje há uma percepção, discutível, mas talvez correta, de que o esperanto é um assunto marginal, eles consideram que sempre foi.

Que relação existe hoje entre os dois movimentos?

Há mais conexão do que parece. Há simpatia do mundo libertário pelo esperanto, sem conhecer muito bem a história que os une. Nem os esperantistas conhecem sua história, realmente. Mas tanto um quanto o outro ainda existem e estabelecem redes de solidariedade.

Fonte: https://www.publico.es/culturas/javier-alcalde-anarquistas-esperantistas-comparten-ideales.html

Tradução > GTR@Leibowitz__

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vaga tristeza
vaga lume
vaga só

Alonso Alvarez

[Espanha] Ricardo Flores Magón, semeador de insurreições

Este ano celebramos o centenário da morte em estranhas circunstâncias de Ricardo Flores Magón (Eloxochitlán Oaxaca 1873 – Leavenworth Kansas 1922). Para isso, desde o grupo anarquista Higinio Carrocera programamos palestras em Astúrias e fora de nosso território. Estivemos em 26 de abril passado em La Coruña, convidados pelo Ateneu Xosé Tarrío, em seu local, onde já estivemos convidados em outras ocasiões. Depois do verão temos a intenção de seguir com as palestras do anarquista mexicano em Oviedo e muito provavelmente em León e em Barcelona.

Com estudos de jurisprudência e um trabalho esforçado e contínuo no jornalismo, na imprensa de combate, durante quase vinte anos, Ricardo Flores Magón dedicou suas forças, seu tempo e seu talento ao que, diríamos, foi o único propósito que para ele valia a pena: trabalhar por uma sociedade livre, justa e autônoma.

O Partido Liberal Mexicano (PLM) e Regeneración – jornal independente de combate – foram o dispositivo com o qual este “lutador alto, reto e firme como a rocha em meio ao mar revolto” junto com outras e outros camaradas, combateu a tirania política e mental que mantêm a opressão de muitos por poucos. Com a convicção de que “A liberdade é a maior conquista que pode apetecer um peito digno”, e a bandeira: Viva Terra e Liberdade! Se empenhou em semear e alentar a luta contra o Capital, a Autoridade e o Clero.

Ricardo Flores Magón, perseguido e maltratado desde sua juventude, foi encarcerado várias vezes em prisões mexicanas e estadunidenses, em uma das quais: prisão de Leavenworth Kansas, morreu em 21 de novembro de 1922. Completam agora cem anos da morte/assassinato deste homem rebelde, ideólogo e semeador da dignidade insurreta.

Fonte: https://higiniocarrocera.home.blog/2022/06/12/ricardo-flores-magon-sembrador-de-insurrecciones/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/06/13/espanha-antologia-literaria-de-ricardo-flores-magon-o-novo-livro-da-aurora-negra/

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Parada do trem –
Com o vendedor de flores
Vêm as borboletas.

Sôshi Nakajima

[Itália] Atualizações sobre o julgamento pelos fatos de Brennero

A audiência de apelação do julgamento Brennero¹ (aquele com as acusações mais graves, tais como resistência, devastação e saque…) está prevista para a sexta-feira, 16 de setembro, às 9 horas, no tribunal de Bolzano.

Lamentavelmente, o advogado Giampiero Mattei faleceu. Todos aqueles que o haviam designado como defensor de confiança devem proceder a nova designação.

Para mais informação: torniamoalbrennero@anche.no

Fonte: https://ilrovescio.info/2022/05/20/aggiornamenti-sul-processo-per-i-fatti-del-brennero/

Nota

[1] Em 7 maio de 2016, na fronteira entre Áustria e Itália, na passagem do Brennero, aconteceu um protesto contra as fronteiras, as contínuas perseguições às pessoas dentro dos trens que passam essa fronteira, os assassinatos de pessoas nas fronteiras e contra a política migratória da Europa e mais concretamente da Itália e da Áustria. Essas foram essencialmente as ideias que motivaram a jornada de protesto. A tentativa de meter grãos de areia na engrenagem da máquina das expulsões dos migrantes, botar em prática a ideia anarquista de não reconhecer nem os Estados nem suas fronteiras foi o que também motivou as milhares de pessoas a participar no protesto.

Enquanto todos os anos dezenas de pessoas morrem nas fronteiras, o Estado decide julgar os companheiros que participaram nesse protesto e esconder assim sua responsabilidade sobre essas mortes acusando os companheiros de vandalismo, etc. Quando o que aconteceu na realidade foi que a manifestação foi reprimida pelas várias policias ali presentes pouco depois de começa-la. Através do artigo 419 do código fascista “Rocco”, o Estado italiano agora tenta enterrar sob mais de 300 anos de cárcere 63 companheiros e companheiras, que nesse dia participaram na manifestação do Brennero.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/18/italia-repressao-300-anos-de-reclusao-para-63-anarquistas/

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Ameixeiras brancas —
Assim a alva rompe as trevas
deste dia em diante.

Buson

[Espanha] “Poder é ditadura”

“A burguesia, com a Constituição, se apoderou do poder dos reis. Os socialistas, com a Democracia, pensam apoderar-se do poder da burguesia. A ditadura que preconizam os comunistas de Estado não é mais que uma forma de chamar as coisas por seu nome.

Na realidade, o Poder sempre é uma ditadura, tanto quando o representavam os reis por si sós, como quando o representa a burguesia com a ajuda dos trabalhadores, o mesmo que quando o representarão os socialistas e os comunistas. O Poder é sempre ditadura do menor número armado, contra o número maior sem armas.

Por isto os poderes não querem mais homens armados que os que estão a seu serviço para defendê-los, seja o governo monárquico, seja republicano, seja socialista ou comunista. O Poder é ditadura, e ditadura contra os que não estão representados nele”.

Isaac Puente (03/06/1896 – 01/09/1936)

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pinta no nariz –
era uma pulga que
fugiu por um triz

Carlos Seabra

 

[México] “La Cizaña Trashumante”: Projeto de Difusão Anarquista

La Cizaña Trashumante
Projeto de Difusão Anarquista
Distribuidora. Edições. Informação. Rádio.

La Cizaña Trashumante é um projeto de difusão anarquista que nasce na Cidade Juárez, México, em 1º de maio de 2022 com a intenção de difundir e aprofundar o debate teórico e a prática anarquista. Neste sentido, o material que distribuímos e difundimos tem a intenção de, por um lado, recuperar textos clássicos que, por diversas razões, esquecimento ou ocultamentos deliberados, não se encontram ao alcance do público na fronteira e, por outro, incorporar novas vozes e investigações dentro do amplo espaço ácrata. Também difundimos material audiovisual e serigrafia de conteúdo afim aos ideais de solidariedade, apoio mútuo, defesa da vida, antimilitarismo, feminismo não autoritário, entre outros tópicos, que alimentam o horizonte de esse outro mundo que levamos em nossos corações.

Convidamos a visitar nosso espaço e a falar sobre os ideais ácratas e os debates teóricos entre as diversas vertentes do anarquismo, assim como aprofundar em sua projetualidade contemporânea. Benvindos todos os domingos das 10 da manhã até as 14 horas no Bazar Cultural del Monu, em Av. Guerrero esquina com constitución na Cidade Juárez, México.

Do mesmo modo, a todos os coletivos, organizações e individualidades afins, os convidamos a estabelecer comunicação e a enviar-nos seu material e informação para sua distribuição em nosso espaço, seja como troca, consignação, ou doação, ou também, a enviar-nos seus pdf para sua impressão, com o propósito de intercambiar material e difundir os esforços anarquistas de outros lugares do mundo neste espaço na fronteira do México.

O correio para contato é: la_cizana_trashumante@riseup.net

Fogo e Anarquia

La Cizaña Trashumante

Tradução > Sol de Abril

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abelha na flor
a brisa nas árvores
eu com teu sabor

Carlos Seabra

[Espanha] Escola Libertária de Verão 2022: Antimilitarismo

De 30 de junho a 3 de julho de 2022

Um ano mais a CGT abre sua Escola Libertária de Verão, um espaço de encontro e discussão, de aprendizagem e diversão, no qual todas as pessoas possam contribuir com nossas experiências e saberes para nos enriquecermos mutuamente.

Este ano, de 30 de junho a 3 de julho, nos encontraremos em Ruesta sob o lema:

Antimilitarismo

Este ano a Escola Libertária debaterá sobre a sociedade atual na qual convivemos com uma tolerância alta ao investimento na fabricação de armas como em gastos militares.

Conheceremos a luta levada a cabo pelo movimento de Insubmissão que levou ao cárcere a dezenas de jovens quando era obrigatório o serviço militar. Nos explicarão como o investimento em gastos militares afeta na redução dos gastos sociais.

Também conheceremos a situação a que tem que enfrentar as pessoas trans quando há uma obrigação de prestar o serviço militar. Analisaremos a situação na qual se encontram naqueles países em que segue sendo obrigatório.

A CGT está comprometida com o antimilitarismo, não obstante, temos filiação em empresas que fabricam aviões ou barcos militares, etc. Nos explicarão qual é sua luta ante a situação em que se encontram necessitando defender seu trabalho, mas saber a utilização que se faz do produto que fabricam.

>> A programação completa do evento está aqui: https://ruesta.com/

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Ainda que morrendo
o canto das cigarras
nada revela!

Matsuo Bashô

[Espanha] Lançamento: “La revolución deportiva. Anarquismo y deporte en Cataluña (1931-1939)”, de Gerard Pedret Otero

Hoje lhes trazemos uma boa notícia. Já temos à venta o último livro de nossa Série Transhistorias, La revolución deportiva. Anarquismo y deporte en Cataluña (1931-1939), de Gerard Pedret Otero. A partir de já podes solicitar vosso exemplar através de piedrapapellibros@gmail.com (não há gastos de envio; pagamento por transferência, PayPal ou Bizum). Dentro de pouco tempo começaremos a realizar a distribuição do título à nossa rede de pontos de venda.

Em seguida lhes deixamos alguns dados básicos da presente edição:

Título: La revolución deportiva. Anarquismo y deporte en Cataluña (1931-1939)

Autor: Gerard Pedret Otero

ISBN: 978-84-123840-6-2

Série Transhistorias, nº 17

Cubierta: Rústica mate.

Alzado: Fresado.

Medidas: 175 mm x 116 mm

Páginas: 92

Preço: 6€

2022

O esporte não ficou à margem das mudanças sociais da Europa de Entreguerras propiciados pelo movimento obreiro. Na Catalunha, os debates em torno ao potencial emancipador da prática esportiva tiveram especial virulência na imprensa libertária, onde ficaram refletidas as diversas posturas a propósito da conveniência de que os anarquistas assumissem o esporte como outro espaço a mais de intervenção política.

Com o estouro da Guerra Civil, o processo revolucionário desenvolvido na retaguarda antifascista contribuiu para a socialização da economia, favorecendo o controle sindical de espetáculos esportivos, como o boxe, que até então haviam sido lucrativos negócios. Será precisamente neste convulso contexto onde nasce o Sindicato de Managers e Boxeadores Profissionais da CNT, cuja fugaz e turbulenta história se aborda na segunda parte deste trabalho.

>> Gerard Pedret Otero (Barcelona, 1977). Licenciado e Doutor em História pela Universidade de Barcelona. Sua tese de doutorado é dedicada a estudar os mecanismos e as práticas de sociabilidade libertárias implantadas ao redor do cinema na Catalunha durante a II República. Atualmente concilia a docência em educação secundária com a investigação histórica, a qual se centra especialmente no âmbito cultural do mundo obreiro hispano durante o primeiro terço do século XX. Publicou artigos em revistas como Historia y Comunicación Social, Film Historia ou Cercles, entre outras.

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Não é meia-noite
e as mariposas cansadas
já dormem nas praças.

Humberto del Maestro

[Espanha] A CGT inaugura seu próprio estúdio de televisão em Vallecas

A televisão anarcossindicalista começou a emitir em janeiro de 2015 e seus conteúdos focam-se principalmente nas lutas sociais e conflitos trabalhistas da classe trabalhadora de todo o Estado espanhol.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) adquiriu um local no bairro madrilenho de Vallecas para continuar com o projeto de comunicação ‘Rojo y Negro Televisão‘, a televisão confederal que em janeiro passado completou 7 anos de emissões ininterruptas.

Os anarcossindicalistas disporão de um lugar próprio para levar a cabo os programas que mantêm desde janeiro de 2015, mas também poderão desenvolver e ampliar outros, dado o crescimento da organização nos últimos anos e que sem dúvida também se refletiu na demanda de conteúdos audiovisuais onde os trabalhadores e as trabalhadoras são protagonistas.

Para a CGT, este investimento é uma aposta de presente e de futuro por um dos pilares imprescindíveis de qualquer organização, como é a comunicação. Ademais, apontam desde a CGT, dada a situação que se mantêm na atualidade com os meios de comunicação convencionais, onde uma mensagem antiautoritária como o deste sindicato custa muito introduzir e difundir, o apoio e respaldo aos meios próprios são muito necessários.

O novo local que a CGT destinará a sua própria televisão têm quase 400 metros quadrados, está situado nos arredores da Puente de Vallecas, e começará a funcionar a partir das próximas semanas.

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

De ponta-cabeça,
O rouxinol entoa
As primeiras notas.

Takarai Kikaku

 

[EUA] Bolsas para Vídeo-Realizadores Radicais

Bolsas para Realizadores de Vídeo Radicais | Chamada para propostas | Até Agosto de 2022

Em quase 1/4 deste século, o Instituto de Estudos Anarquistas (Institute for Anarchist Studies  – IAS) tem financiado trabalhos de criatividade intelectual que promovem as ideias anarquistas e as torna acessíveis para o grande público. Neste ciclo que estamos iniciando nos dedicaremos ao patrocínio de projetos de vídeo que abordem o anarquismo com outros temas:

  • comunidades negras, indígenas, pessoas de cor e trans (traumas, cura e resposta à repressão);
  • atividades de apoio mútuo em comunidades indígenas;
  • atividades em resposta à opressão aos povos migrantes;
  • atividades em resposta à ameaça de uma nova guerra nuclear; e/ou
  • atividades em resposta à “distorção da realidade” e a “desinformação em massa”.

Nós queremos financiar a produção de projetos de vídeo que possam promover a compreensão pública de ao menos um dos tópicos acima. Nosso desejo é dar suporte aos realizadores de identidades com baixa representação que necessitem de apoio financeiro. O material audiovisual financiado por essa bolsa ficará perpetuamente disponível no IAS para hospedar, compartilhar e extrair livremente enquanto ele estiver disponível aos criadores (que também são livres para usá-los e compartilhá-los à vontade).

Os vídeos podem ser de qualquer tipo de duração, mas a prioridade será dada aos projetos que estarão finalizados (prontos para serem exibidos) em 30 de abril de 2023 (6 meses depois do anúncio da lista dos selecionados). Um total de US$ 2.500,00 em bolsas financeiras está sendo disponibilizada.

As inscrições estão abertas até o dia 01 de agosto de 2022.

Nós recomendamos que preparem todos os materiais e as informações requisitadas antes de iniciar a sua inscrição. Para tanto é necessário:

– fazer um sucinto resumo do seu projeto, audiência (público) e plano de divulgação;

– fornecer os links com os seus trabalhos de vídeos anteriores (Instagram, YouTube e links de sites pessoais são bem vindos); e

– também fornecer um orçamento e um cronograma de finalização do projeto.

Para se inscrever, por favor visite o site abaixo:

https://docs.google.com/forms/d/1qqJkAaRlef0NMWsQyn5rQKtYKMmcr7RYaksf6A_MbSk/viewform?edit_requested=true

Para maiores informações, visite nossa página “dúvidas mais frequentes” (FAQ) (https://anarchiststudies.org/grants-faq/) ou contate-nos no  info@anarchiststudies.org

anarchiststudies.org

Tradução > Ligeirinho

agência de notícias anarquistas-ana

Sozinho na casa.
Lá fora o canto das cigarras.
Ah se não fossem elas…

Anibal Beça

[Espanha] As caixas de Amsterdam mostram a feliz anarquia catalã em PhotoEspaña

Exposição

A Calcografía Nacional exibe as reaparecidas imagens de Kati Horna e Margaret Michaelis para os anarquistas catalães

Por Justo Barranco | 05/06/2022

Permaneceram em paradeiro desconhecido oito décadas após serem salvos em 47 caixas de madeira, talvez de rifles, pela CNT-FAI durante os bombardeios de Barcelona de 1939. Passaram por Paris, ficaram na Inglaterra na Segunda Guerra Mundial e chegaram em 1947 a seu destino, o Instituto Internacional de História Social de Amsterdam, que já tinha documentos de Marx ou Bakunin e um de cujos fundadores era anarcossindicalista. Ali as 47 caixas seguiram fechadas até a morte de Franco. Nos oitenta foram abertas, mas não se deu importância às milhares de imagens que continham, procedentes do Arquivo Fotográfico dos Escritórios de Propaganda da FAI. Preferiram outros documentos dos anarquistas catalães.

Só em 2016 Almudena Rubio, investigadora do centro holandês, vê seu valor e descobre, graças a livros de anarquistas como Emma Goldman ou Augustin Souchy, os que acompanharam pelo país, que há centenas de imagens de duas grandes fotógrafas, a húngara Kati Horna e Margaret Michaelis, nascida no império austro-húngaro de 1902. Que puseram suas câmaras à serviço da revolução social da retaguarda catalã, aragonesa e valenciana na Guerra Civil. Agora uma centena dessas fotos será exibida até 24 de julho na Calcografía Nacional de Madrid em uma mostra co-produzida por PhotoEspaña e a Diputación de Huesca, as caixas de Amsterdam: Kati Horna e Margaret Michaelis na Guerra Civil , que logo se verá, aumentada a 220 fotografias, em La Virreina Centre de la Imatge de Barcelona.

Fotografias que mostram crianças de colônias com gorros de milicianos, igrejas transformadas em lojas de móveis com colchões empilhados no altar, um boneco burlesco que imita Franco na praça Catalunya de Barcelona ou trabalhadores de vinhas coletivizadas. Também há imagens da frente, mas Almudena Rubio, curadora da mostra, assinala que “é um arquivo de retaguarda e as fotos contam essa história não tão conhecida da Guerra Civil, a da revolução social impulsionada pelos anarquistas e que permite ver os protagonistas, a classe obreira, motivada e feliz: pela primeira vez tomam o controle de sua vida”.

Confessa que lhe surpreendeu descobrir que “as câmaras principais dos anarquistas haviam sido duas mulheres estrangeiras e judias tendo em Barcelona fotógrafos como Antoni Campañà”. Mas acrescenta que eram mulheres independentes “comprometidas com o antifascismo e o anarcossindicalismo”. Michaelis, que tinha desde 1933 um estúdio fotográfico na capital catalã, a retratará em seus momentos de esplendor em 1936. Horna deverá enfrentar a campanha de difamação de Franco contra o antifascismo em 1937. Após ir à Valência, acabaria casada com o artista anarquista andaluz José Horna e em 1938 se exilariam no México.

Fonte: https://www.lavanguardia.com/cultura/20220605/8316150/anarquismo-catalunya-cnt-fai-kati-horna-margaret-michaelis-cajas-amsterdam

Tradução > Sol de Abril

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a viúva-negra
na calada da noite
sempre sozinha

Cachone

Memória | O “Inferno Verde” da Clevelândia

O anarquista uruguaio Thomaz Derliz Borche (foto), era maquinista e também trabalhou em restaurantes. Com cerca de 20 anos de idade mudou-se para o Rio Grande do Sul, onde conheceu as ideias libertárias. No dia 2 de maio de 1925, quando participava de um comício operário, em Florianópolis (Santa Catarina), foi preso. Em seguida, enviado para a polícia central do Rio de Janeiro e depois embarcado no ‘Caxambu’ onde, além de cumprir trabalhos forçados, esteve preso com os anarquistas Pedro Augusto Mota (na época diretor do jornal A Plebe), Nino Martins e José Fernandes Varella.

Todos foram enviados naquele ano para a colônia penal da Clevelândia (na prática essa prisão em Oiapoque/Amapá funcionava como um verdadeiro campo de concentração e de extermínio no Brasil). Na Clevelândia morreram os anarquistas: Pedro Augusto Mota, José Maria Fernandes Varela, Nicolau Paradas, José Alves do Nascimento e Nino Martins.

Thomaz Derliz Borche descreveu da seguinte maneira o tempo que passou lá: “O desterro foi duro. A região é pestilenta e foi enorme a mortandade, conforme já é de domínio público“. Porém o anarquista uruguaio conseguiu sobreviver a experiência, no dia 1° de dezembro de 1926, veio na primeira leva, com outras pessoas, para o Rio de Janeiro. Muito debilitado, retornou em seguida para o Uruguai, onde viveu até outubro de 1962.

Logo após a sua prisão, entrou em contato com o periódico anarquista A Plebe, para felicitar seus companheiros e desejar vida longa ao jornal. Na ocasião escreveu: “Camaradas! Tende confiança e perseverança na nossa luta pela causa dos oprimidos, dos explorados, luta essa que um dia há de abater o regime de tirania e de extorsão, estabelecendo a sociedade do homem livre sobre a terra livre. Organizemos grupos de propaganda e cultura social, trabalhemos pela organização dos trabalhadores em sindicatos de indústrias, reunidos nas federações locais e estaduais, evitando por todos os meios a intromissão da polícia entre as associações obreiras, tenha ela o rótulo que tiver, demonstrando a sua falência em todos os tempos, patenteando a burla do parlamentarismo, defendido agora pelos desorganizadores do operariado, pelos mistificadores que se infiltram entre a classe trabalhadora“.

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Tronco esburacado –
Pica-pau busca alimento
com muitas bicadas.

Madô Martins

[Chile] El Sol Ácrata, N°1 (Exemplar 43, Terceira Época), Primeira Quinzena de Junho de 2022

Novamente, após uma longa pausa e em uma nova época, a terceira em nossos 10 anos de vida, é que sai às ruas El Sol Ácrata, jornal anarquista, esta vez como órgão da Federación Cultural Antiautoritaria da região chilena.

Buscando contribuir com a difusão teórica, cultural e prática das ideias revolucionárias na região chilena, é que a Federación Cultural Antiautoritaria desta região, decidiu encarregar-se do Jornal Anarquista El Sol Ácrata, publicação de mais de 10 anos de existência, e que em diferentes épocas contribuiu com o movimento anarquista local.

Este jornal, que em primeira instância será difundido mediante web e também através de cópias impressas, tem como objetivo fundamental transformar-se em porta voz desta federação, buscando instalar debates, ideias e propostas que sejam de causa comum para nós. Do mesmo modo, desejamos que nossos leitores mais antigos, voltem a se encantar com esta publicação, a qual se faz com carinho e desinteresse.

Neste primeiro número da terceira época, exemplar 43 de toda nossa existência, lhes oferecemos:

– Apresentação: nós

– Artigos: Análise: tempos incertos.

– Algo estranho ocorre em Calama

– Músicas livres e receitas veganas neste número.

Os e as convidamos a difundir por todos os meios possíveis estas páginas carregadas de liberdade, de luta contra a autoridade, e de busca constante de um mundo novo e liberado de todo tipo de escravidão e autoridade.

VIVA A ANARQUIA!

>> Baixar aqui: https://lapeste.org/wp-content/uploads/2022/06/el-sol-acc81crata-nc2b01-ejemplar-43-primera-quincena-junio-de-2022.pdf

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probleminhas terrenos:
quem vive mais
morre menos?

Millôr Fernandes

 

[Grécia] 24 de Junho | Dia Internacional de Solidariedade com o anarquista e grevista de fome desde 23/05 Yinnis Michalidis

Após 8,5 anos de prisão, depois de todas essas ações arbitrárias contra mim, decidi pôr um fim aos meus 11 anos de sofrimento, erguendo um monte à prática da prisão preventiva, ou à punição adicional de fuga através de brechas da justiça. Depois de mais 5 meses de prisão preventiva, inicio uma greve de fome pela minha libertação. Esta escolha, com a profunda motivação da tão desejada liberdade, pretendo apoiar com a mesma coerência com que tenho apoiado minhas escolhas até agora e pelas quais eles estão se vingando de mim“. – Giannis Michailidis, preso preventivo na prisão de Malandrinos, 23/5/2022

Ao longo de sua vida, Yinnis Michalidis tem sido parte integrante das lutas contra o Estado e o capital desde uma perspectiva anarquista. Ele participou desde sua juventude em grupos estudantis anarquistas, em manifestações contra a guerra no Iraque, em manifestações anti-estatais/anticapitalistas do movimento antiglobalização de 2004-2006 e foi preso durante os conflitos. Ele participou das lutas estudantis em 2006-2007 contra as reformas reacionárias no ensino superior (privatização das universidades, abolição do asilo, etc.). Ele lutou contra o saque da natureza e foi preso durante uma intervenção contra o desmatamento da montanha Parnitha em 2007. Ele foi parte integrante da revolta de dezembro, quando policiais assassinaram a sangue frio o anarquista de 16 anos Alexandros Grigoropoulos, no bairro de Exarchia. Ele esteve presente nas batalhas contra os memorandos em 2012. Ele optou pela expropriação da riqueza sangrenta dos bancos, permanecendo firmemente comprometido com a visão da derrubada do Estado e do capital, mantendo uma postura militante contra o complexo policial-judicial, a expressão material do terrorismo de Estado.

A forte perseguição contra Yinnis começou em 2011, quando foi emitido um mandado de prisão contra ele por seu envolvimento na Conspiração das Células de Fogo (CCF). A razão era sua relação de solidariedade com os anarquistas procurados. Ele escolheu o caminho da ilegalidade e foi preso em 2013 em Velvento, Kozani, após expropriar um banco junto com 3 outros anarquistas, onde foi torturado pela polícia. Após sua prisão, ele é acusado de ser cúmplice do anarquista Theophilos Mavropoulos no confronto armado com a polícia em Pefki (uma área no norte de Atenas) e é condenado à prisão. Ele também é acusado de ser um “indivíduo terrorista” juntamente com seus companheiros no caso Velventos e condenado à prisão por posse de munição e falsificação. Nos julgamentos que se seguem, ele será absolvido de seu envolvimento na CCF e condenado pelo assalto ao banco Velventos, pelo caso Pefki e pelo caso individual de terrorismo.

Na prisão, participou em solidariedade com a greve de fome de Nikos Romanos em 2014, bem como na greve de fome em massa dos presos políticos em 2015. Em 2019 ele fugiu das prisões rurais, devido a uma acusação falsa por participar da revolta contra o violento sequestro do então grevista de fome Dinos Yatzoglou na prisão de Korydallos. Esta perseguição foi realizada contra todos os presos políticos a fim de restringir seus direitos e prolongar seu tempo na prisão. Ele foi novamente detido em Atenas junto com dois outros companheiros (Dimitra Valavanis, Konstantina Athanasopoulou) em 2020 e foi acusado de expropriação de um banco, pelo qual ele reivindicou a responsabilidade.

O companheiro anarquista Yinnis Michalidis cumpriu, em 29 de dezembro de 2021, após 8,5 anos de detenção, as condições formais de libertação de todas as suas sentenças. Entretanto, o Conselho de Justiça Federal de Amfissa nega sua liberação sob o pretexto de que ele não satisfaz as condições substantivas de libertação. Esta detenção adicional está sendo usada à vontade pela máfia judicial para punir as escolhas e atitudes de luta do companheiro. Após a primeira rejeição de seu pedido de liberdade condicional em fevereiro, a segunda proposta negativa do Ministério Público chega agora em maio, na qual os juízes responsáveis não podem agendar sua libertação, ou melhor, alegam que o companheiro terá que permanecer na prisão por tempo indeterminado até que seja decidido, com base em seus anseios, que ele não é mais um perigo. Para justificar esta tomada de reféns indefinida do companheiro, usa-se o pretexto de que o prisioneiro “não cumpre as condições substanciais para a libertação, pois há o risco de cometer novos crimes”. Em outras palavras, esta é uma extensão preventiva da detenção de um prisioneiro sem qualquer limite de tempo. De acordo com o Código Penal aplicável ao caso do companheiro, todos os presos que tenham cumprido 3/5 de sua pena têm direito à liberdade condicional se não houver casos criminais ativos ou ofensas disciplinares ativas na prisão.

A dispensa condicional é um acervo militante dos prisioneiros. Uma aquisição que, junto com algumas outras, como as curtas licenças, foi ganha durante a época do duro regime de prisão e os sangrentos tumultos nas prisões. A greve de fome de Yinnis está ocorrendo num momento em que um governo de direita, conservador e neoliberal está no poder na Grécia, que, aplicando a doutrina da “Lei e Ordem”, está atacando e abolindo anos de ganhos duramente conquistados (abolição da jornada de trabalho de oito horas, abolição do asilo universitário e entrada da polícia nas universidades, endurecimento do código penal, lei que restringe manifestações, assassinatos e repressão nas fronteiras, criminalização da resistência coletiva, empobrecimento da base social com o aumento dos preços dos produtos).

Este governo tem tido um interesse especial na repressão dos presos políticos. Um exemplo típico é a atitude intransigente do Estado em relação à greve de fome de Dimitris Koufontina em relação à licença a que ele tinha direito como prisioneiro. Parte da mesma tática é a atitude em relação à luta do companheiro Yinnis Michalidis.

“Porque não procuro o interesse de ninguém como vítima da repressão estatal, mas como sujeito social e político ativo que vê minha condição de cativeiro como parte do ataque do Estado e do capital contra aqueles que conscientemente se opõem a eles. Ao contrário, apelo para uma relação de solidariedade revolucionária com base em projeções comuns e uma luta comum com múltiplas arestas que coordene a raiva sentida por pessoas diferentes que vivem em condições diferentes, mas com as mesmas causas”. – Giannis Michailidis, prisioneiro em Malandrinos, 23/5/2022

Impelidos pelas palavras do próprio companheiro, não percebemos o caso de Yinnis Michalidis como um exemplo isolado de vingança contra um prisioneiro político. É um fato que em todo o mundo os presos políticos sofrem discriminação e condições especiais de detenção. O fato de permanecerem impenitentes, mesmo na prisão, continuando sua luta e mantendo uma postura militante dentro dos muros, os coloca na mira dos Estados e dos mecanismos repressivos contra os quais lutaram e continuam a lutar. Há mais de alguns casos em que presos políticos, apesar de cumprirem os requisitos para serem libertados, continuam detidos preventivamente através de uma série de leis especiais, interpretações legalistas e decisões políticas.

Na Alemanha, Tomas Meyer Falk.

Nos Estados Unidos, Mumia Abu-Jamal e membros do Exército de Libertação Negra.

No Paraguai, Carmen Villalba.

Na França, Claudio Lavazza e Georges Ibrahim Abdallah.

No Chile, Marcelo Vellarroel.

Na Grécia, Dimitris Koufontinas e Savvas Xiros.

Na Turquia, Ali Osman Köse.

Os exemplos acima são apenas alguns dos exemplos de lutadores que mostram uma atitude não arrependida e fé na luta pela libertação. Para nós, a solidariedade internacionalista é uma arma importante na aljava dos movimentos revolucionários. O capitalismo é um sistema de organização econômica e social empobrecedor. A luta contra ele é comum e une pessoas diferentes de lugares diferentes com pontos de partida diferentes que experimentam condições diferentes, mas com as mesmas causas. É por isso que a luta pela liberdade de um é a luta pela liberdade de todos. Com base no caso de Yinnis Michalidis e sua greve de fome, pedimos um dia internacional de ação contra o regime de exceção aplicado aos presos políticos.

Para o caso de Yinnis Michalidis, propomos o direcionamento político nas estruturas do Estado grego e das empresas gregas e/ou destacando a luta daqueles que estão nas mãos da máfia do Estado de forma igualmente vingativa.

O ESTADO E O CAPITAL SÃO OS ÚNICOS TERRORISTAS

ERGUER BARREIRAS CONTRA A TENTATIVA DE EXTERMÍNIO DO GREVISTA DE FOME

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO ANARQUISTA GREVISTA DE FOME YINNIS MICHALIDIS

Assembleia de solidariedade com o anarquista em greve de fome Yinnis Michalidis

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619381/

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Ah! Oh! É tudo
O que se pode dizer —
Monte Yoshino em flor.

Yasuhara Teishitsu

 

[Reino Unido] Anarquista, editor e aspirante a assassino: a exposição documenta a vida de Stuart Christie

Homenagem ao pensamento revolucionário do escritor de Glasgow preso na Espanha quando adolescente por conspirar para assassinar Franco

Por Vanessa Thorpe | 12/06/2022

Para as autoridades britânicas nos anos 70, o suposto terrorista Stuart Christie era uma ameaça perigosa, mas para os seus admiradores ele era corajoso, de princípios e talentoso.

Agora o público terá a oportunidade de julgá-lo por si mesmo, com um arquivo completo de Christie, um registro de sua vida como principal anarquista, autor, editor de esquerda e possível assassino político, estará em exposição pela primeira vez.

Incluirá cartas inéditas escritas por Christie, de 18 anos, que foi preso na Espanha por conspirar o assassinato do ditador fascista Francisco Franco, bem como uma série de fotografias pessoais nunca antes exibidas.

Após uma longa campanha de arrecadação de fundos, o Stuart Christie Memorial Archive será revelado no dia 22 de junho nas salas MayDay na Fleet Street, Londres. As imagens, capas de livros e documentos pessoais contidos na crônica de arquivo da carreira criativa de Christie, suas famosas escaramuças com a lei e seu impacto no pensamento revolucionário na Grã-Bretanha, também estarão disponíveis on-line.

Nascido em 1946, filho de uma cabeleireira e de um pescador de Glasgow, Christie é frequentemente associado à Angry Brigade (Brigada Furiosa), o pequeno grupo de terroristas e agitadores de esquerda que foram julgados por encenar uma série de atentados a bomba em Londres no início dos anos 70.

Christie também ainda é celebrado por alguns por tentar explodir Franco em 1964, um crime pelo qual ele enfrentou uma possível execução.

Em vez disso, o adolescente foi condenado por um tribunal militar a 20 anos de prisão, enquanto seu cúmplice espanhol, Fernando Carballo Blanco, recebeu 30 anos de prisão. A sentença de Christie provocou protestos internacionais, inclusive dos eminentes filósofos Jean-Paul Sartre e Bertrand Russell, e ele acabou servindo apenas três anos na prisão Carabanchel de Madri, usando seu tempo lá para estudar e se misturar com prisioneiros anarquistas.

O regime franquista o libertou cedo, alegando que estava respondendo a um pedido da mãe da Christie.

Em sua vida posterior, Christie viveu em Hastings, na costa sul da Inglaterra, e morreu há dois anos com 74 anos. Em seu obituário no The Guardian, o jornalista Duncan Campbell deu detalhes sobre o famoso assassinato fracassado na Espanha. A missão de Christie era entregar explosivos plásticos em Madri para que o ditador pudesse ser assassinado enquanto assistia a uma partida de futebol. Christie, a quem Campbell descreveu como “um homem de grande charme, calor e sagacidade”, tinha dito a sua família que ele ia colher uvas na França. Vestido com um kilt, ele pegou carona de Paris para a Espanha, mas foi detido por infiltração de conspiradores espanhóis em Madri. Christie assinou uma confissão depois de ser obrigado a ver seu cúmplice ser torturado.

Seu amigo Ron McKay recontou as lembranças de Christie do julgamento militar, que ele não conseguiu entender porque foi conduzido em espanhol por 11 oficiais do exército “medalhados”. “Ele disse que se sentiu transportado para o ato final de alguma grande ópera. Ele tinha 18 anos e seis semanas de idade, um garoto da classe trabalhadora de Glasgow, e nunca tinha ido à ópera”, lembrou McKay.

Mas Christie tem outro legado para aqueles que leram sua ficção e prosa. Para estes aficionados literários, ele era um talento cuja reputação como pensador criativo foi prejudicada por sua associação com campanhas políticas violentas.

O arquivo memorial, montado pela pesquisadora Jessica Thorne, especialista em prisioneiros anarquistas na Espanha de Franco, inclui fotografias, cartas, objetos pessoais e obras de arte, assim como amostras da produção de seus braços editoriais Cienfuegos Press, Christie Books e o Arquivo de Filmes Anarquistas.

Também cobre o envolvimento da Christie no julgamento da Angry Brigade, no qual ele foi absolvido de todas as acusações. A brigada foi responsável por pequenos ataques a bancos, embaixadas, casas dos deputados conservadores e um veículo de transmissão da BBC no exterior entre 1970 e 1972. Os bombardeios causaram danos à propriedade e uma pessoa foi ferida. Oito pessoas conhecidas como os Oito de Stoke Newington foram julgadas e quatro foram absolvidas. O júri acreditava na alegação de Christie de que a polícia tinha colocado dois detonadores em seu carro.

Em 2014 foi produzida uma peça sobre o incidente, The Angry Brigade, escrita por James Graham, estrelando Patsy Ferran como Anna Mendelssohn, uma das acusadas, que mais tarde escreveu poesia sob o nome Grace Lake.

O novo material no arquivo memorial inclui o texto da autobiografia de Christie em três partes, bem como um romance de memórias, Gunmen! As crônicas de Farquhar McHarg. Seu livro de memórias mais curto, Granny Made Me anarchist, foi republicado por Scribner em 2004. Sua avó, Agnes McCulloch Davis, tinha sido de fato uma influência formativa. “Ela me deu a estrela que eu segui”, disse certa vez.

Christie entrou na Federação Anarquista de Glasgow aos 16 anos de idade e também participou ativamente da Campanha pelo Desarmamento Nuclear, bem como do Comitê de Ação Direta e do Comitê de mais de 100, e participou da manifestação da CND na base naval de Faslane em 1963.

Após sua absolvição no julgamento da Angry Brigade, depois de servir 18 meses em prisão preventiva, Christie continuou o ativismo anarquista na Grã-Bretanha antes de mudar-se para Orkney. Da ilha de Sanday ele fundou a Cienfuegos Press, que recebeu o nome do revolucionário cubano Camilo Cienfuegos, e também editou e publicou um jornal local radical, The Free-Winged Eagle. Cópias agora aparecem no arquivo junto com fotografias inéditas de sua infância, algumas delas doadas pela filha de Stuart, Branwen. A esposa de Christie, Brenda, morreu em junho de 2019.

Fonte: https://www.theguardian.com/politics/2022/jun/12/anarchist-publisher-would-be-assassin-exhibition-documents-life-of-stuart-christie

Tradução > Liberto

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