Notícias das Prisões Bielorrussas, Fevereiro de 2022

Mikita Jemialjanau mais uma vez foi alocado para uma cela punitiva de isolamento em 18 de janeiro. O tempo que passaria nela foi prorrogado diversas vezes, à medida que a administração da prisão inventava novas razões para isolá-lo. Como por exemplo, Mikita se recusa a limpar o pátio de caminhadas dos detentos. Diferente de outros detentos, Mikita não joga lixo no pátio, então não vê motivos para limpá-lo. Foi sentenciado a 46 dias cumulativos de isolamento. No dia 3 de fevereiro, Mikita começou uma greve de fome ‘seca’ para protestar contra o tratamento humilhante por parte da administração. 10 dias depois ele voltou a beber água, uma vez que seu estado ficara crítico.

No dia 22 de fevereiro, Mikita foi visitado pelo representante da administração penitenciária da região de Mahilioŭ, que assegurou que todas as questões levantadas irão se resolver.

Em 23 de fevereiro, Mikita terminou sua greve de fome e começou a comer. Ele agradeceu especialmente àqueles que enviaram recursos em seu nome para vários oficiais do governo. Mikita sentiu a solidariedade.

No dia 11 de fevereiro, houve um segundo dia do julgamento de Mikita Jemialjanau (para as acusações de violação do regime carcerário). A penalidade máxima é de encarceramento adicional por dois anos. Os procedimentos duraram apenas meia hora; uma testemunha da promotoria fora interrogada. O anarquista não foi levado ao tribunal. O juiz leu documentos do arquivo, de acordo com os quais Mikita se recusou a dar declarações e assinar documentos legais relacionados aos procedimentos.

Em 16 de fevereiro, outra sessão do julgamento deveria ter ocorrido, mas o juiz foi barrado na unidade penal por conta de alta temperatura corporal.

Dzmitryj Dubouski foi transferido para a SIZO-2 em Viciebsk (vul. Haharyna 2, Viciebsk, 210026), e Ihar Alinievich foi transferido para a SIZO-3, em Homiel. Endereço: vul. Knižnaja 1А, SIZO-3, Homiel, 246003.

Dia 12 de fevereiro, Mikola Dziadok foi transferido da prisão número 4 em Mahilioŭ para uma colônia penal IK-9 em Horki. Imediatamente após sua chegada à IK-9, Mikola foi colocado em uma cela punitiva de isolamento por 7 dias, e então recusado a ter uma reunião prolongada com um parente. Além disso, seu limite em conseguir grampos de um quiosque na prisão foi reduzido de 6 para 2 ‘quantidades básicas’ (de 192 para 64 rublos bielorrussos) por mês. Também foi privado de receber correspondência – a censura da prisão bane todas as cartas que chegam.

Apesar de tudo isso, Mikola se mantém alto astral e curte o ar fresco.

Seu novo endereço:

213410, Horki, vul. Dabraliubava 16.

Nos dias 18 e 19 de fevereiro, uma exibição de artistas alternativos russos e bielorrussos (Lioks Harotny, Uladzik Bochan, Niemastak, Photonegativki, Karikaturama, Atmografika, Poliakowa, Daria M.) aconteceu em Varsóvia. Um espaço significativo da exibição foi ocupado pelo trabalho artístico dedicado a presos políticos anarquistas na Bielorrússia.

Um dos anarquistas detidos na SIZO-1, em Minsk, declarou que, quando a guerra na Ucrânia teve início, os policiais começaram a intimidar prisioneiros políticos com ameaças de sentenças de morte pela corte marcial. Mas o anarquista ignora os rumores espalhados pelos policiais e reavalia cuidadosamente as ‘notícias’ que consegue ter através da televisão oficial bielorrussa.

Fonte: https://abc-belarus.org/?p=14807&lang=en

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

O espantalho –
na minha infância
primeiro amigo

Stefan Theodoru

[Grécia] Thanos Xatziagkelou | Assumindo a responsabilidade pela participação na organização de Ação Anarquista

Thanos Xatziagkelou – Sobre a organização revolucionária Ação Anarquista.

A cada 10 de março, o tempo marca a hora a zero. Não há horas, apenas momentos de reflexão sobre o peso da responsabilidade que cada um de nós carrega na continuação do evento revolucionário. Para o dever moral, político e militante na guerra revolucionária. Uma fenda como um grito de guerra, em uma noite em que a morte venceu o medo. A morte física que tanto deploramos – no mundo da morte – é menos perniciosa do que a morte que é comercializada como vida.

Há 12 marchas atrás, o camarada e membro da Luta Revolucionária, Lambros Fountas, foi executado em um tiroteio em Daphne por um grupo de terroristas uniformizados durante uma ação preparatória da organização. Lambros viveu toda sua vida na linha de frente do conflito antiautoritário: com o papel, com a bandeira, com a arma na mão. Foi assim que ele deu seu último suspiro na última batalha, na linha de frente. Na vida um relâmpago e na morte um lobo. Lambros é o rastilho da intolerância revolucionária e continuará a viver nas chamas da violência revolucionária. Desde os incêndios dos campos urbanos metropolitanos até as explosões guerrilheiras nas montanhas do Oriente Médio e da América Latina.

O camarada Lambros Fountas é uma bandeira da luta pelo derrocamento e pela revolução. Uma bandeira que voa orgulhosamente enquanto o tecido metropolitano se rende às chamas da violência revolucionária. O sangue é a tinta da história. E apesar daqueles que afirmam que a história é escrita pelos vencedores, estaremos aqui para lembrá-los de que aqueles que se sentem vitoriosos carregam em suas carcaças as derrotas mais esmagadoras. A derrota não é a perdição, é a morte. A derrota é a aceitação. É a desconsideração dos mortos da guerra de classes. É a rendição sem sangue da história coletiva ao caixote do lixo do esquecimento. A derrota é a rendição e o messianismo. Prolongamento da batalha, tréguas e compromisso com uma vida sob as necessidades e circunstâncias da classe dos tempos. A derrota não é renunciar à vida e à liberdade de luta, mas viver morto por falta de solidariedade social e de consciência de classe. Para salvar a pele quando o que está ao seu lado hesita nos seus passos, fica para trás, morre. Diante deste período sombrio, é um dever revolucionário iluminar o caminho com a esperança da destruição.

Quem não está armado morre… e quem não morre é enterrado vivo: nas prisões, nos reformatórios, nos esconderijos dos subúrbios, nas cozinhas modernas totalmente equipadas – compradas a crédito – e nos dormitórios palacianos“. Ulrike Meinhoff – RAF

O primeiro passo na guerra é o incentivo, depois a determinação, depois o salto em frente. O salto para uma vida nova e ilegalmente desobediente. Eu continuo em minhas costas uma viagem cheia de fogo. Onde as respirações, os poucos que respiram escondem a derradeira liberdade. Uma vida dedicada à luta por algo melhor, algo diferente. E se a matilha terrorista de Mitsotakis e Theodoricakos (deputado do partido Nova Democracia no Parlamento Helênico) investe na derrota individual e coletiva, na resignação e submissão, num espetacular fim da resistência radical através do meu cativeiro, direi que tantos anos de lealdade, compromisso e constância no conflito levam ao momento mais orgulhoso desta guerra.

12 Marchas depois, honrando na prática o absoluto espírito revolucionário e a consistência representada pelo camarada Lambros Fountas, assumo a responsabilidade política por minha participação na Organização Ação Anarquista. Tenho orgulho de uma parte de minha vida estar identificada com uma figura de luta, carne da história anarquista, que se manteve com suas pequenas forças, com ética e consistência nas disputas e tarefas do conflito antiautoritário. Tenho orgulho dos camaradas, com os quais a Anarquia foi uma palavra cheia de paixão e sinceridade. Estou impenitentemente orgulhoso porque minha filiação foi um ato consciente baseado na necessidade social, política e militante da ação anarquista, como ferramenta analítica de reflexão, como um monte de justificativa, como uma atitude absoluta de vida.

A Ação Anarquista é uma formação militante de conflito e defesa da propaganda através da ação. É uma organização que colocou toda a estrutura de poder e as relações de exploração em sua mira antiautoritária, tornando a palavra solidariedade uma condição inquebrantável de existência. Tem sido hostil e com a cabeça erguida até hoje contra o Estado e o exército mercenário de ocupação da democracia, o tecido militarista, a doutrina da máfia sagrada, o fedor patriarcal e o tronco nacional, os templos e rostos da alienação capitalista, os interesses diplomáticos e os contratos de poder de um país encharcado de sangue.

Diante de pessoas sem rosto, sem moral, valores e princípios, que oprimem a vida da base proletária, hoje me mantenho sem o arco, impenetrável, intransigente com o mesmo compromisso de sempre com a causa revolucionária. Não me comprometo com os intransigentes, não me calo diante da injustiça, porque em minha vida aprendi a defender até a morte o que é justo e necessário. Tendo esculpido um caminho cheio de dificuldades e golpes, de prisões e condenações, de espancamentos e torturas, declaro que nada foi capaz de me fazer pensar novamente, de me levar a uma venda barata do caminho individual e coletivo por uns poucos respiros mortos de “liberdade”. Tudo não tem sido nada mais do que golpes baratos num corpo que durante anos carregou dentro de si um coração incólume. Um coração com um pulso como o bater das hostilidades revolucionárias. Um coração que bate pela Anarquia.

Assumo a responsabilidade política por minha participação na Ação Anarquista, porque cada passo no caminho tem sido um passo de profundo compromisso com as tarefas da guerrilha anarquista. Com modéstia e humildade, profundo apreço e admiração por aqueles que escreveram uma página especial na história da subversão radical. Com a esperança e a certeza de que nada acabou, que a chama insurgente da franquia não se extingue.

Comprometido de corpo e alma com a veia do fogo, continuo sendo um anarquista impenitente, defendendo o caminho da ruptura e do conflito com todas as formas de poder. As ideias não podem ser compradas, a paixão pela liberdade não pode ser disciplinada, a dignidade revolucionária não pode ser desculpada nos tribunais do terror. Defenderei meu orgulhoso cativeiro até o fim, mesmo que o sol tenha que nascer no oeste, lembrando uma promessa coletiva: o tempo sempre conta para todos. Esperar, esperar e atacar.

Orgulhosamente, um membro da Ação Anarquista. Orgulhosamente comprometidos com a guerrilha anarquista. Revolução em primeiro lugar e sempre.

Thanos Xatziagkelou

Quarta Ala, Prisão de Korydallos

10/3/2022

Fonte: https://anarquia.info/grecia-thanos-xatziagkelou-asumir-la-responsabilidad-de-la-participacion-en-la-organizacion-accion-anarquista/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Ontem um voo,
hoje outro: os gansos selvagens
não estarão aqui esta noite.

Buson

[Espanha] Insubmissão a todas as guerras!

Manifesto em favor da objeção de consciência e da deserção na Rússia e na Ucrânia

Somos aqueles que durante as últimas décadas do século XX e princípios do XXI vimos participando da campanha antimilitarista contra o Serviço Militar Obrigatório e à Prestação de substituição no Reino da Espanha. Fomos milhares de pessoas, apoiadas por milhões, em uma mobilização popular histórica que conquistou o direito a objeção de consciência e que acabou com a vergonhosa obrigatoriedade de servir nas forças armadas. Uma comunidade desobediente e antipatriarcal que se enfrentou ao recrutamento forçado, à inúmeros pleitos judiciais, à perseguição e ao cárcere, mas que se manteve graças ao apoio mútuo e, em grande medida, à luta das mulheres antimilitaristas. Há anos reivindicamos insubmissão à guerra, por uma humanidade liberada do autoritarismo e dos exércitos. Lutamos naquela época e lutamos agora contra todas as injustiças que provocam as guerras e pela eliminação de suas causas.

Enquanto os Estados adornam a barbárie da guerra com uma propaganda patriótica, insistimos no direito universal de renunciar às armas e que as pessoas possam escolher livremente seu destino. Ninguém deveria encontrar-se obrigado a decidir entre uma das duas trincheiras.

O Governo ucraniano estabeleceu o recrutamento forçado para homens entre 18 e 60 anos, tornando assim clandestinos a milhões de jovens e adultos que se negam a combater, além daqueles interceptados por grupos paramilitares em controles rodoviários e/ou à saída das cidades. O Governo russo, por sua vez, engana e coage aos soldados para que não desertem de suas unidades militares. E a União Europeia, por outra parte, nega asilo político aos desertores de ambos os lados, mas envia armas à zona de guerra e anuncia incrementar o orçamento militar. A guerra acelera a crise energético-ambiental global, e ameaça ainda mais a economia das pessoas vulneráveis e dos países empobrecidos.

Nos negamos a obedecer passivamente sem oferecer resistência. Nos negamos a compadecer as vítimas das guerras sem protestar. Rechaçamos a masculinidade forjada na imagem e mito do guerreiro e à colonização patriarcal de nossas mentes e corpos. Não queremos nos transformar em seres daninhos e perigosos, capazes de cometer toda espécie de humilhações e maltratos. Não queremos ser cúmplices da violência sexual contra mulheres de todas as idades, nem de assassinatos de crianças, enfermos ou de pessoas idosas indefesas. As soluções que acarretam mais violência perpetuam a dominação.

EXIGIMOS o cesse da invasão russa, a retirada das tropas de ocupação, e o respeito à vontade de quem vive nas diferentes zonas da Ucrânia para decidir seu futuro em liberdade, respeitando os direitos de todas as minorias.

EXIGIMOS que a União Europeia e o Reino da Espanha em particular aceitem as petições de asilo de desertores ou de quem foge do recrutamento obrigatório, conforme o direito universal à objeção de consciência. Matar em uma guerra não é um “dever cívico”.

EXIGIMOS que a União Europeia acolha sem restrições a todas as pessoas que venham fugindo de qualquer guerra que exista no mundo. Rechaçamos o racismo e a crueldade das fronteiras.

EXIGIMOS que cesse o envio de armas e tropas de países da OTAN, e que se desmantele os paraísos fiscais onde se lava o dinheiro das indústrias de armamento e das oligarquias europeias, assim como a desmilitarização do conflito. Os crimes de guerra anteriores, em qualquer dos casos e das partes envolvidas, não justificam mais nenhuma intervenção sangrenta: jogar lenha ao fogo não é a solução.

ANIMAMOS às povoações civis dos territórios em guerra que resistam ao ódio social, assim como estimulamos que se apoie a soldados e desertores que tenham se negado a participar da carnificina.

APOIAMOS a todos que na Ucrânia ou na Rússia se autoorganizam com fins pacíficos e empregam meios de luta não cruéis, praticando a desobediência civil e a defesa não violenta, assim como àqueles que sofrem algum tipo de repressão política por se opor à guerra; em especial, aos movimentos antimilitaristas e feministas destes países.

CONVIDAMOS a organizar uma rede europeia de apoio a pacifistas e desertores da guerra na Ucrânia, estendendo tal rede às pessoas que sofrem perseguição política.

DESOBEDECEREMOS às leis espanholas e europeias quantas vezes seja necessário para acolher em nossas casas a pacifistas e desertores da Rússia e Ucrânia.

Acabar com todas as guerras é acabar com a ditadura do sistema econômico capitalista que as provoca e se beneficia delas. Equivoca-se quem pensa que alongar a guerra da Ucrânia, cujos antecedentes mais próximos se remontam a 2014, trará algum tipo de benefício, pois apenas servirá para produzir mais sofrimento e para alimentar o fascismo em todos os rincões do planeta.

>> Para assinar este manifesto, clique aqui:

insumisionalasguerras.org

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vento apressado
por que não senta aqui
do meu lado

Alexandre Brito

[Espanha] Ucrânia, Makhno e a repressão bolchevique

Por Manuel Aguilera | 26/03/22

Os ucranianos lutaram contra o autoritarismo russo desde sua independência em 1917. De um lado estavam os nacionalistas e do outro um humilde camponês anarquista chamado Nestor Makhno, que organizou o primeiro amplo ensaio anarquista na Europa no leste da Ucrânia. Os bolcheviques acusaram os dois de serem pró-independência e contrarrevolucionários e os esmagaram pela força.

Entre 1918 e 1920, na região de Guliaipolé, não muito longe de Mariupol (hoje sitiada por Putin), desenvolveu-se um modelo antiautoritário de sociedade, sem nenhum poder político governante, baseado em comunas. Trabalhadores e camponeses criaram um Conselho Revolucionário independente e difundiram o comunismo libertário. Eles abriram prisões e fundaram uma escola seguindo o modelo pedagógico do anarquista catalão Francisco Ferrer i Guardia. Seu braço militar era o Exército Insurrecional Makhnovista, com cerca de 20.000 voluntários. Seu emblema era a bandeira negra, por isso foi chamado de Exército Negro. Eles confrontaram primeiro os monárquicos, o Exército Branco, que estavam lutando na guerra civil russa contra o Exército Vermelho.

Inicialmente, os bolcheviques e os makhnovistas assinaram um pacto para combater o inimigo comum, mas Moscou acabou acusando o Conselho de Guliaipolé de contrarrevolução. Eles responderam: “Vocês tem o direito de declarar contrarrevolucionários mais de um milhão de seres humanos que quebraram as correntes da escravidão e agora estão construindo suas próprias vidas à sua maneira?”.

Os bolcheviques deixaram de colaborar com o Exército Negro e este último teve que conseguir derrotar os brancos ucranianos (e suas tropas chechenas). Após a vitória, o atrito continuou e os bolcheviques ordenaram a dissolução do exército makhnovista. Em novembro de 1920, o Exército Vermelho de Trotsky cercou Guliaipolé e os combates pesados se seguiram. Foi uma luta desigual. Makhno foi ferido e derrotado. Ele teve que se exilar em Paris e seus seguidores foram presos ou mortos.

A URSS continuou a reprimir os anarquistas até que eles desapareceram sob a ditadura de Stalin. Como diz Julián Vadillo, o movimento makhnovista “foi a primeira encarnação das ideias libertárias no terreno e o primeiro precedente para o processo revolucionário que se desenvolveu na Espanha em 1936”. Makhno encontraria o líder anarquista espanhol Buenaventura Durruti em Paris, e os acontecimentos na Ucrânia condicionariam as relações entre libertários e comunistas durante a Guerra Civil. A imprensa da época dá um bom relato sobre isso. Os jornais da CNT alertaram constantemente sobre a ameaça do autoritarismo bolchevique. E assim foi: em maio de 1937, eles se enfrentaram novamente em Barcelona.

Fonte: https://www.ultimahora.es/opinion/tribuna/2022/03/26/1714739/ucrania-majno-represion-bolchevique.html

Tradução > Liberto

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no fundo do lago
uma sandália de palha:
chuva de granizo

Buson

[Grécia] Em homenagem ao companheiro Lambros Fountas

TEXTO DOS MEMBROS PRESOS DA LUTA REVOLUCIONÁRIA POLA ROUPA E NIKOS MAZIOTIS

HONRA PARA SEMPRE AO COMPANHEIRO LAMBROS FOUNTAS

Enquanto houver estados, a guerra irá eclodir,

Enquanto houver capitalismo, haverá derramamento de sangue.

Em 03/10/2010, nosso companheiro Lambros Fountas foi morto por uma guarda estatal durante a preparação de uma ação do Luta Revolucionária e no contexto de uma luta para impedir a imposição de medidas antissociais para salvar o sistema econômico e político do poder da crise, para impedir o avanço das políticas do memorando.

12 anos após a morte de nosso companheiro, seguimos o mesmo caminho destrutivo que o sistema do capitalismo e do Estado estabeleceu para a humanidade e para o planeta, passando de uma crise catastrófica para outra.

Sem que a crise econômica sistêmica tenha sido superada, mas deitado adormecido à espera de faíscas para acendê-la, a pandemia do coronavírus surgiu, lembrando-nos o quanto o capitalismo próximo e a destruição da natureza que acompanha seu desenvolvimento nos levam à extinção da espécie humana. E sem que a pandemia tenha terminado (quem espera que a ameaça dos vírus acabe?), surge uma nova ameaça global, a da guerra, que é um verdadeiro filho do capitalismo e dos Estados. O medo da guerra nuclear, um desastre para toda a humanidade, foi despertado pela guerra na Ucrânia, lembrando-nos que enquanto houver Estados, enquanto houver competição por domínio e expansão, o perigo da guerra mundial estará sempre presente.

12 anos após a morte de nosso companheiro Lambros Fountas, que caiu na luta para evitar as políticas desastrosas do memorando em nosso país, nossa sociedade, a humanidade como um todo está afundando de uma crise catastrófica para outra. O sistema do capitalismo e do Estado nos aproxima cada vez mais da beira do abismo. Nossa existência, a sobrevivência de todos nós está pendurada por um fio.

Mas o companheiro Lambros Fountas continuará a viver na esperança de outra sociedade. Ele iluminará o caminho para caminharmos em direção a uma sociedade sem crises econômicas assassinas, sem pandemias mortais, sem pobreza, miséria, divisões sociais e de classe, sem guerras devastadoras e refugiados. Nos iluminará o caminho para uma sociedade de solidariedade social, igualdade, liberdade e paz.

HONRA PARA SEMPRE AO COMPANHEIRO LAMBROS FOUNTAS

Pola Roupa, 3ª ala da Prisão Eleonas em Tebas

Nikos Maziotis, 4ª ala da prisão de Domokos

Membros do Luta Revolucionária

Fonte: https://anarquia.info/grecia-en-honor-por-siempre-al-companero-lambros-fountas-texto-de-los-miembros-de-la-lucha-revolucionaria-encarcelados-pola-roupa-y-nikos-maziotis/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/03/15/grecia-a-luta-pela-revolucao-social-continua-viva-o-refratario-lambros-foundas-e-imortal/

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As flores
Da beira da estrada-
O cavalo acaba de comê-las.

Bashô

Ernesto Kramer: homenagem ao amigo e editor

Sempre fomos um bando de gatos-pingados, poucas pessoas com a paciência necessária para seguir fazendo livros durante muitos anos. Nesse conjunto de poucas editoras anarquistas e anárquicas, quase todas as pessoas se conhecem e eventualmente já realizaram projetos em comum, compartilharam mesas em alguma edição da Feira Anarquista de São Paulo ou trombaram nos colóquios, congressos e conferências no tempo em que tudo isso ainda era possível. Quem torna os livros anarquistas possíveis no Brasil conhecia o Ernesto Kramer e todas nós ficamos tristes com a notícia do seu falecimento.

Nós da Editora Monstro dos Mares estivemos juntos com o idealizador da PrintLeaks em algumas poucas oportunidades, mas elas sempre foram intensas, de boas conversas, ideias, trocas, e umas pitadas de mal humor que acompanha qualquer pessoa que dedica sua vida aos livros, leituras e a tarefa da publicação. Nos anos de 2013, 2014, 2015 e 2019 estivemos no Tendal da Lapa, derretendo no final de semana próximo ao feriado do dia 15 de Novembro, a cidade sempre naquele climão de Fórmula Um. Mas estar na feira proporciona esses encontros, conhecer quem são as monas, minas e manos que tocam os projetos, compartilham ideias, fazem os conteúdos circularem. Também é descobrir novas ideias, coletivos, grupos, bandos e bandas, saber o que está acontecendo. E, entre todas as efervescentes ideias, estamos nós, as pessoas que fazem livros, zines, cadernos costurados, camisetas, pôsteres e tantas outras atividades. Geralmente somos sempre as mesmas pessoas, as mesmas editoras, as mesmas caras de sempre que se entregam nessa “coisa” de anarquia/anarquismos faz um tempão.

Ernesto estava em vários lugares, ele já esteve com pessoas em Florianópolis fazendo papel reciclado, num sítio em Caxambu nas Minas Gerais, em São Paulo e em todo lugar. Sua vontade de fazer as coisas acontecerem estava sempre adiantada, articulando ideias pro hoje, semeando e distribuindo edições com um ótimo acabamento, costurados e com papéis ecológicos. Antes da pandemia, ele publicou o livro da netinha que, sorridente, distribuiu autógrafos na X Feira Anarquista de São Paulo. Já durante o pandemônio, dedicou-se em traduzir a obra de Murray Bookchin e publicou-a através de financiamento coletivo, no qual se apresentou de forma muito sincera, como lhe era de costume, para todas as pessoas que desejavam conhecê-lo e conhecer o projeto da PrintLeaks.

Como forma muito singela de homenagem, memória, carinho e conforto a todas as muitas amizades, parentes e pessoas que o conheciam, vamos compartilhar a apresentação que ele escreveu para as pessoas que não o conheciam na oportunidade da campanha de financiamento coletivo e para que possamos sempre guardar a lembrança desse amigo:

Quem sou Eu?

Sou um “véio” [hahaha] com 77 anos e meio neste planeta. Viajei muito, morei em vários países e, como consequência, só posso assumir a condição de apátrida. Passei a metade da vida fora do Brasil. Tenho estudos em Ciências da Comunicação, Psicologia Evolutiva e Ciências Políticas e Econômicas [este último focado em “socialismo libertário”]. Fora do ambiente acadêmico não paro de estudar e aprender sobre assuntos que me interessam ou considere necessários num momento dado.

Fiz tantas coisas na vida que até passaria vergonha se faço um currículo. Desde ocupações mais simples e brutas, até altos cargos em empresas multinacionais. Minha carteira de trabalho está virgem até hoje. Sempre tentei trabalhar por conta e não depender de salário e patrão.

Chutei o balde e me dediquei à produção de artesanato, cerâmica e bijuteria.

Isso, até aparecer na minha frente um computador. Literalmente pirei. Desde então se passaram 23 anos dedicados à produção de livros artesanais.

Sempre, desde criança gostei de ler e isso derivou na vontade de escrever. Não foi até fins dos anos ’80 que comecei a gostar do que e como escrevo. Não me interessam romances nem poesias. O foco são assuntos que possam contribuir, de alguma forma, à evolução da humanidade. Os livros que publico na minha editora PrintLeaks refletem isso.

Cresci aprendendo quatro línguas. Uma do país onde fui criado, outra em casa, e mais duas que eram obrigatórias no sistema educacional desse país. Nas viagens aprendi outras quantas. Esqueci a maioria por falta de prática.

Hoje sou fluente em espanhol, inglês, alemão e português. Se me topar com alguém da Noruega não passo vergonha. Confesso, nunca estudei português.

Quando comecei a receber um salarinho duma pensão [LOAS] do INSS comecei a encarar a ocupação atual como complemento de renda. Só que neste momento esse complemento está zerado.

A Editora PrintLeaks

A minha história de editor de livros começa em fevereiro de 1997, com meu primeiro computador.

Até esse momento usava máquina de escrever e fiquei deslumbrado com o msWord. Editei quatro livros meus e recebi dez encomendas de pessoal que soube o que estava fazendo.

Inventei “Edições Universo Separado” e as encadernações não podiam ser mais primitivas. Nada sabia disso e a incipiente internet não oferecia a quantidade de informações que hoje tem. Fui evoluindo no meu trabalho junto com a internet. Sou autodidacta, como em tantas outras coisas.

Quando apareceu a WikiLeaks mudei o nome para PrintLeaks [vazou, eu imprimo].

Em todos esses anos até hoje meu foco foi publicar livros de outras pessoas por encomenda. Virei especialista no que chamo de “MicroTiragens”, sem colocar um mínimo para a quantidade de livros. A maior parte das edições são entre dez e trinta livros, com poucos chegando a quarenta ou cinquenta. Mas se quiser só um exemplar também faço.

Os livros que publico por conta e iniciativa pessoal são relacionados com o ‘nicho’ libertário. São temas sobre anarquismo, humanismo, anarco-humanismo, questões ambientais e de gênero, raça, feminismo, mais alguns fora desses temas, só porque acho bacanas,

Para vender minha produção participo de algumas feiras de livros, obviamente relacionadas com a temática escolhida. Destaco a Feira Anarquista que já aconteceu dez vezes no Tendal da Lapa, São Paulo. Sou assíduo desde a terceira, quando apresentei 16 títulos, e na última coloquei 44 títulos na banca.

Também botei banca na Avenida Paulista durante três anos, até mudar a Caxambu. Naquele tempo de sampa também fazia cadernos de anotações, meus “Notebooks Analógicos”.

Trabalho sozinho e me chamo de “Coletivo D1”. Minha oficina é um quarto onde tenho uma editora, uma gráfica e uma oficina de encadernação. O trabalho não é simples, não é só editar, imprimir e encadernar. A maioria dos livros que publico acho em PDF e com frequência em outras línguas. Tem que ser convertidas em arquivos editáveis e também faço as traduções, muitas desde o espanhol, mas também do inglês.

Digo que faço dois tipos de artesanato: o tradicional analógico e o eletrônico.

Desde que apareceu o papel reciclado dou preferência. Só por encomenda uso outros tipos de papéis. Os livros são vincados, as folhas furadas, os miolos costurados e colados, a montagem final, tudo feito a mão.

Dei vários cursos e oficinas sobre encadernação artesanal e produção de livros artesanais.

Em matéria separada vou mostrar o local onde trabalho e como faço os livros.

A Tradução de “A Ecologia da Liberdade”

Descobri Murray Bookchin faz uns 5 anos atrás, justamente a través de seu livro “The Ecology of Freedom” que leva o sugestivo subtítulo “O Surgimento e a Dissolução da Hierarquia”.

Este livro me impactou, pois desenvolve o tema “Ecologia e Sociedade”, no qual sigo interessado. Até poderíamos dizer que apresenta a evolução do pensamento ecossocial na história da humanidade, desde tempos pré-bíblicos até a atualidade.

Mas seria errado considerar isso como sua única contribuição ao tema. Nos entrega muito mais do que isso quando se refere à hierarquia, ao patriarcado, ao rol da mulher na história, ao desenvolvimento do capitalismo e muito mais. Sempre com uma visão libertária dos assuntos tratados.

Sua erudição, claramente fruto de profundos estudos, complicou esta tradução. Chega a usar palavras e expressões que não são achadas em nenhum dicionário, ou tão desconhecidas que exigem pesquisa mais profunda. Sem a internet teria tido muitos problemas para realizar esta tradução.

Desde aquele tempo quando li por primeira vez pensei que esse livro teria que ser traduzido. Mas nesses anos todos estava muito envolvido num Campeonato Nacional de Procrastinação.

Finalmente um inimigo macabro veio na minha ajuda. Devido ao Covid-19 estou isolado onde moro. É uma mini-chacrinha na roça, perto de Caxambu, no sul de Minas Gerais, circuito das águas. Nada a fazer mais que cuidar dumas poucas galinhas que destruíram o começo duma horta.

Aproveitei a oportunidade e fiz a tradução do inglês para o português.br. Foi um trabalho empolgante devido ao texto que estava relendo. Dediquei mais de doze horas diárias a este trabalho. Também fiz uma pré-edição que revela um livro de 500 páginas, com fonte tamanho 11. Neste momento o amigo Zé Henrique está revisando o texto, sem tanta pressa, já que não preciso disso até finalizar esta campanha.

Ernesto Kramer

monstrodosmares.com.br

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agência de notícias anarquistas-ana

pétala amarela
a borboleta saltou
sem pára-quedas

João Acuio

[Argentina] Diante das falácias contra os anarquistas

Este sistema precisa esconder as consequências desastrosas de seu progresso através do controle, perseguição e violência institucionalizada, silenciando as vozes daqueles que se atrevem a enfrentá-lo.

As prisões estão transbordando de pessoas deslocadas e rebeldes, mas nem os assassinados nem os desaparecidos lhes interessam, pois o jogo de poder continua a dominar.

Não somos nem inocentes nem culpados.

Nossa liberdade é construída em cada gesto de solidariedade e de confronto contra o que nos oprime.

Nós não seremos os filhos bastardos da memória do povo.

Assumimos nossa responsabilidade como parte da continuidade da luta pela libertação total.

Nem mais, nem menos. Nós somos anarquistas.

Eles têm balas, leis, bens e mercadorias.

Temos pedras, fogo, vontade e dignidade insurrecional.

Buenos Aires, março de 2022.

Tradução > Liberto

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Enquanto contemplo as flores o sol põe-se
estou longe de casa
o caminho continua pelo campo

Buson

“A minha consciência não me permite simplesmente ficar à margem” | Texto de um anarquista bielorrusso na frente de combate

Boa noite a todos, menos aos soldados de Putin.

Por Yaugén Zhuráuski *

Depois de todas as deslocações para ações claramente fracassadas e perigosas, a fuga da Bielorrússia, e o que vivi durante os meus 29 anos, não foi assim tão difícil viajar para a Ucrânia devastada pela guerra, embora fosse assustador.

Não estava totalmente claro para onde eu ia, o que me esperava, se me seria permitido passar na fronteira. Não tinha a certeza se chegaria ao meu destino, pois o meu passaporte atraía a atenção nos postos de controle e havia também um ataque de aviões inimigos.

Mais o medo de que a primeira batalha fosse também a minha última. Mas o maior medo era desiludir os meus camaradas de armas.

Apesar de todos os meus receios, tinha um forte desejo de estar no centro dos acontecimentos e de participar na luta contra o próprio sistema ditatorial que, no Outono de 2020, me expulsou da minha casa, aprisionou mais de mil pessoas, incluindo os meus amigos e conhecidos, e transformou a minha cidade natal na base a partir da qual os bastardos de Putin bombardeavam Kiev e outras cidades.

Estou convencido de que os acontecimentos que hoje ocorrem na Ucrânia estão a decidir o destino não só da própria Ucrânia, mas de toda a Europa.

A democracia europeia é horrível, mas o que é muito mais horrível é o que o chamado “mundo russo” está a trazer do Leste. Os resquícios de liberdades e direitos que a classe trabalhadora conseguiu na Europa, depois de uma longa luta, serão completamente destruídos pela distopia russa, transformando tudo em redor num campo de concentração, como já fizeram na Bielorrússia, na Rússia e, em parte, no Cazaquistão.

Mikhail Bakunin na sua obra “Federalismo, Socialismo e Antiteologia” escreveu o seguinte: “Estamos firmemente convencidos de que a república mais imperfeita é mil vezes melhor do que a monarquia mais esclarecida, pois numa república há momentos em que o povo, embora eternamente explorado, pelo menos não é oprimido, enquanto nas monarquias é constantemente oprimido“.

Assim, a Rússia de hoje é essa monarquia insanamente agressiva.

Leio frequentemente que esta é uma guerra imperialista, embora não seja claro qual é o segundo império – e que não há nada que os anarquistas possam lá fazer.

Que os nazis, que lutam em qualquer exército, estão a lutar pela Ucrânia. Que os soldados de ambos os lados devem virar as suas armas contra os governos, etc., mas ainda não ouvi dizer que isso também acontece do lado das tropas dos “libertadores”.

E existem muitas outras críticas, com algumas das quais posso até concordar, mas o problema é que ficar à margem e assumir uma posição de classe correta significa tornar-se uma testemunha silenciosa dos bombardeamentos de Kiev, Kharkiv, Chernigov e Mariupol. E a minha consciência não me permite simplesmente ficar à margem.

Por isso, estou hoje na Ucrânia, que vai enfrentar todas estas dificuldades e tornar-se finalmente livre da influência de Moscou, e com ela a Bielorrússia tornar-se-á livre, e esperemos que, depois disso, a própria Rússia se torne finalmente uma verdadeira federação de nações livres.

https://t.me/ekstremistby

* Anarquista bielorrusso, refugiado na Polónia, agora combatente voluntário na Ucrânia

(através de P. M. para a #redelibertaria)

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/27/texto-de-um-anarquista-bielorrusso-na-frente-de-combate%ef%bf%bc/

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Ainda há pouco
o vento sussurrava no arroz selvagem
agora está numa fúria invernal

Buson

[Ucrânia] Comunicado da Operação Solidariedade

Saudações, camaradas!

Somos a rede voluntária antiautoritária ucraniana, “Operação Solidariedade”.

Desde os primeiros dias de escalada da Rússia, participamos da resistência contra a invasão, assim como a maioria dos anarquistas ucranianos e ativistas de esquerda antiautoritária porque acreditamos que esta guerra é imperialista e usurpadora.

Esta não é uma guerra de “desnazificação”, como afirma o Kremlin. Os problemas da extrema-direita na Ucrânia existem como em muitos países europeus, mas sua escala é altamente exagerada pela propaganda russa que explora o antifascismo. A vida na Ucrânia é incomparavelmente mais livre do que na Rússia, que só se tornou cada vez mais fascista durante essa escalada.

A população de língua russa da Ucrânia não precisa ser “libertada”. A partir de agora, esta guerra está sendo travada principalmente em regiões onde a língua russa prevalece, onde a população local se junta às unidades de defesa territorial em massa, fabrica coquetéis molotov e constrói barricadas para repelir os chamados “libertadores”.

Embora continuemos críticos em relação às ações dos países ocidentais até agora, a responsabilidade por esta guerra recai exclusivamente sobre os mais altos assentos do poder na Rússia, implacáveis ​​em sua ambição de expandir sua esfera de influência.

A guerra na Ucrânia é uma guerra popular. Não podemos ficar de braços cruzados!

Atualmente, nossos camaradas se juntaram à defesa territorial e ali formaram suas unidades. O objetivo principal da Operação Solidariedade é fornecer tudo o que eles precisam. Essas necessidades incluem: adquirir armaduras de alta qualidade, capacetes balísticos, kits médicos táticos e uma infinidade de outros equipamentos militares. A partir de agora, obter essas necessidades vitais é impossível na Ucrânia.

Além disso, a Operação Solidariedade ajuda refugiados, distribui medicamentos preciosos e presta apoio sempre importante e tangível a iniciativas antiautoritárias locais. Colaboramos com a cooperativa feminista ReSew, Lviv Vegan Kitchen, bem como uma iniciativa de entrega de medicamentos em Kiev.

Finalmente, recebemos e analisamos as inscrições de voluntários internacionais que optaram por se juntar à unidade anarquista da defesa territorial e ajudar a facilitar sua jornada para a Ucrânia.

Neste momento, pedimos a sua solidariedade. Posturas mornas, indecisas e denúncias abstratas da guerra em geral não nos ajudarão a deter o ditador. Por isso, encorajamos você a declarar sua posição concreta da forma que puder – divulgaremos sua expressão de solidariedade aqui na Ucrânia. Pedimos que você apoie nossa organização de voluntários! Nosso dever é fornecer aos nossos camaradas tudo o que eles precisam, e isso não pode ser realizado sem a sua ajuda!

Saudações de Kiev,

Operação Solidariedade 

https://t.me/solidarnistinua

Tradução > GTR@Leibowitz__

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no sino do templo
dorme
uma borboleta

Buson

[México] Em Defesa da Memória Anarquista: 100 Anos da Morte de Ricardo Flores Magón

“Que todo homem e mulher que ama a liberdade e o ideal anarquista, o propague com determinação, com teimosia, sem apreciar a zombaria, sem medir o perigo, sem levar em conta as consequências, e mãos à obra companheiros, e o futuro será o nosso ideal libertário”.

Em 21 de novembro de 1922, o anarquista Ricardo Flores Magón foi assassinado em uma cela prisional em Leavenworth, Kansas, EUA. Cem anos após seu assassinato, nas mãos de um capanga do governo dos EUA, a história oficial tenta adoçar a vida e a luta de Flores Magón e do Partido Liberal Mexicano, apresentando-o como um “precursor” da chamada “Revolução Mexicana” e do reformismo de Madero. Eles tentam fazer dele um jornalista e escritor liberal que lutou contra a ditadura porfirista. Eles tentam relegar seu caráter revolucionário e anarquista a fim de recuperar sua figura, fazer uso dela e ganhar capital político.

Ricardo Flores Magón se opunha a todo caudilhismo e culto à personalidade. Ele rejeitou fortemente o termo “Magonismo” para se referir aos anarquistas do PLM, alegando que era apenas um termo usado pelo governo para fazer as pessoas acreditarem que era apenas mais um movimento, como o Maderismo. O termo foi rejeitado não apenas por Ricardo Flores Magón, mas por todos os homens e mulheres que faziam parte do PLM: “nós anarquistas não temos ídolos”, disseram eles. Hoje, os que estão no poder tentam usar o termo “Magonismo” para confundir o povo mexicano e evitar chamar o PLM e Flores Magón do que eles eram: anarquistas. Esconder, para satisfazer seus interesses, aquilo pelo qual realmente lutaram e pelo qual deram suas vidas: a abolição da propriedade privada, da Igreja e de todos os tipos de Estado.

Ricardo Flores Magón era um anarquista consistente. Ele lutou toda sua vida contra o que chamou de trindade sombria: Autoridade, Capital e Clero. Por essa razão, seu corpo foi perseguido, exilado e encarcerado. Mas seu espírito, inabalável, tinha uma paixão tão imensa pela liberdade que nenhuma das torturas infligidas a ele podia apagar a chama quente que ardia em seu peito. Juntamente com homens e mulheres, ele promoveu a revolução social a partir de baixo. Uma revolução que não procurou colocar um novo tirano no poder, mas destruir os próprios fundamentos do sistema capitalista de dominação e exploração, para que a bandeira vermelha de Terra e Liberdade para todos pudesse voar alto e livre como o vento.

Diante do anúncio do 4T, declarando 2022 como o ano de Ricardo Flores Magón, nós, anarquistas individuais e coletivos, declaramos que a memória de Magón e do PLM não pode ser recuperada pelo grotesco espetáculo matinal de López Obrador. Pelo contrário, reafirmamos que a memória do PLM faz parte da história das lutas dos povos por sua emancipação e liberdade. É a história de Ricardo e Enrique Flores Magón, da Librado Rivera, Práxedis Guerrero, Anselmo Figueroa, de Mayo Fernando Palomares, de Yaqui Javier Huitimea, do Hilario Salas, do mítico Santanón, do Cándido Donato Padua, Blas Lara, Emilio Guerrero, do Tarahumara Camilo Jiménez, do incansável Nicolás Bernal, de Joe Hill, Jack Mosby e os Wobblies, das camaradas Margarita Ortega, María Talavera, Teresa Brousse, Concha Rivera, Francisca Mendoza, Jesús Rangel, do jornal Regeneración, dos bravos guerrilheiros do PLM, da greve de Rio Blanco, de Cananea, das insurreições de Acayucan, Las Vacas ou Palomas. É a história de milhares de mulheres e homens insurgentes que lutaram nas fileiras do PLM pela liberdade e a regeneração da comunidade.

É a memória dos trabalhadores rurais e urbanos que lutam para acabar com a exploração econômica, é a memória de nossos camaradas caídos como Tobi, Ruffo, Sacra e tantos outros que deram suas vidas por um mundo livre, dos homens e mulheres que procuram acabar com as fronteiras e as bandeiras. Dos que sonham em destruir as prisões, a polícia e os exércitos. É a memória daqueles de nós que são inimigos de cada Estado, de cada autoritarismo e de cada hierarquia.

Pelas razões acima, convidamos coletivos anarquistas, organizações e indivíduos para as Jornadas de Memória Anarquista, 100 anos após a morte de Ricardo Flores Magón, a partir de 7 de janeiro de 2022, o 115º aniversário da greve do Rio Blanco. Encerramento em 30 de dezembro de 2022, 112º aniversário da morte de Práxedis G. Guerrero.

Não é nossa intenção acrescentar mais uma data ao calendário dos santos da esquerda. Eles já têm muitos mártires e heróis. Nossa aspiração é resgatar a memória anarquista, conhecer, lembrar, estudar, divulgar e difundir nossa história, a fim de continuar a escrever as páginas das lutas libertárias através da ação. Para isso, convidamos todos os libertários, que têm orgulho de serem libertários, a assumirem a tarefa de organizar fóruns, palestras, apresentações de livros, círculos de estudo, exposições de arte, exibições de filmes, programas de rádio, comícios, reuniões e tudo o que permita que a memória, nossa memória, se torne uma arma libertária contra todos os tiranos e opressores. A luta pela memória é mais uma etapa da luta contra nossos opressores, estamos prontos para realizá-la.

Hoje como ontem, os exploradores estão se segurando pelo fogo e pelo sangue. Como todas as autoridades, o 4T usa a violência e a repressão para impor suas políticas e megaprojetos, e nunca hesitou em perseguir, assassinar ou prender aqueles que os desafiam. É o caso dos sete camaradas presos da Assembleia de Eloxochitlán de Flores Magón, na Serra Mazateca, terra natal de Ricardo, que conseguiram manter viva a autonomia da comunidade, resistindo com tenacidade e coragem aos contínuos ataques patrocinados pelos donos do dinheiro e do poder.

Assim, enquanto presta homenagem ao legado de Ricardo Flores Magón, a chamada quarta transformação continua a reforçar a opressão capitalista. Gerenciando-a, por um lado, com programas assistenciais e paliativos que nada fazem para reverter a miséria e o sofrimento de milhões de proletários que habitam esta região, e, por outro lado, um aumento alarmante da militarização de nossas comunidades. Tudo para impor megaprojetos como o mal chamado Trem Maia ou o Transístmico, aprofundando a dominação do território e a devastação da terra, em benefício da classe dominante.

Cem anos após a morte de Ricardo Flores Magón, nós anarquistas continuamos a agitar a bandeira negra da liberdade. Continuamos a nos opor a qualquer governo, não importa se ele se intitula de esquerda, para nós “a mudança do amo não é uma fonte de liberdade ou bem-estar”.

Imitemos o exemplo dos anarquistas do Partido Liberal Mexicano, vamos em direção à vida, levantando a bandeira da regeneração, buscando terra, pão e liberdade para todos. Rebeldia nós gritamos, enquanto estamos caindo como água.

Viva a Terra e a Liberdade!

Viva a anarquia!

Liberdade para os prisioneiros de Eloxochitlán de Flores Magón!

Janeiro de 2022

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sol na varanda –
sombras ao entardecer
brincam de ciranda

Carlos Seabra

[EUA] Bloqueio da Unidade Raytheon em Cambridge e Protesto Contra os Lucros com a Guerra da Ucrânia e do Iêmen

Relatório sobre o bloqueio e interferência da empresa que atualmente lucra com as guerras, especificamente a Raytheon, na assim chamada Cambridge, no Massachusetts. Para mais informações [em inglês], clique aqui [1].

Em 22 de março, um grupo de pessoas tomou o terraço da unidade da Raytheon de Cambridge, no Massachusetts. O estacionamento da Raytheon também foi bloqueado e teve início uma perturbação no saguão principal da unidade. Os manifestantes exigiram que a Raytheon pare de lucrar com guerra, genocídio e violência colonial.

De acordo com uma postagem nas redes sociais:

A Raytheon é a maior produtora de mísseis guiados e é a segunda maior empreiteira militar no mundo. Teve bilhões em lucros da ocupação israelense na Palestina, da guerra da Arábia Saudita no Iêmen, das ocupações no Iraque e Afeganistão e da invasão Russa na Ucrânia. Também têm inúmeros contratos com a ICE e outras agências fronteiriças pelo mundo todo.

O CEO da Raytheon, Greg Haye, tem prazer na violência com a qual contribui. Em janeiro, declarou que ‘espera plenamente que veremos benefícios’ e ‘oportunidades para vendas internacionais’ frente à potencial guerra na Ucrânia e agravamentos da guerra no Iêmen.

A invasão da Rússia na Ucrânia inspirou indignação global e uma nova onda de energia contra a guerra. Acreditamos que seja essencial que esse movimento cresça para se opor a todas as guerras e ocupações coloniais; incluindo a guerra da Arábia Saudita no Iêmen, a ocupação de Israel na Palestina e todas as formas de imperialismo estadunidense.”

Ontem foi o 19º aniversário da invasão estadunidense do Iraque. Durante essa invasão e ocupação subsequente, centenas de milhares de civis iraquianos foram assassinados, enquanto empresas como a Raytheon colheram bilhões em lucros.

Uma análise completa dos crimes de guerra e das violações de direitos humanos da Raytheon pode ser encontrada aqui [2].

Continuaremos realizando ações até que a Raytheon Seja Fechada e que haja a abolição do complexo militar industrial.

A Raytheon deve ser parada. Junte-se a nossa resistência [3].

Você pode também fazer uma doação para apoiar essa ação [4].

[1] https://twitter.com/resist_abolish

[2] https://investigate.afsc.org/company/raytheon-technologies

[3] https://form.jotform.com/212226824291048

[4] https://www.paypal.com/donate/?hosted_button_id=NZH26BN3TLU9S&source=url

Fonte: https://itsgoingdown.org/blockade-facility-cambridge-protests-war-profiteering/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

portas batendo
fugindo da chuva
o vento

Alonso Alvarez

[Reino Unido] Sabotagem

A forma como os eventos na Ucrânia são apresentados pode nos iludir. Eles a chamam de uma guerra de democracia e liberdade de um lado, com ditadura e opressão do outro. É suposto ser um momento de permanecer unido, do lado “direito” da barricada, nesta batalha entre o bem e o mal. Mas se olharmos para trás das linhas do espetáculo, vemos propaganda de todos os lados para alistar nossos corpos e mentes para outra rodada de xadrez geopolítico. A justaposição apresentada entre liberdade e opressão é falsa. Todos os países estão em guerra de uma forma ou de outra.

Através de operações militares fora de suas fronteiras. Conduzindo os refugiados até a morte em suas fronteiras. Fabricando sistemas de armas ou tecnologias para uso militar e vendendo-as a quem quer que as compre. Todos os estados oprimem. Impondo seu sistema dominante sobre sua população e punindo exemplarmente seus dissidentes. Podemos lutar contra a guerra. Não por serem soldados, mas sendo sabotadores. Diretamente, ao atacar a indústria bélica que torna a guerra possível.

Mais amplamente, quebrando a paz social da qual cada Estado depende para sua existência contínua.

Fonte: https://actforfree.noblogs.org/post/2022/03/21/5194/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Casal de patos.
Mas o tanque é velho e a doninha
os vigia.

Buson

[Argentina] A imprensa aponta e dispara

Ontem, segunda-feira 21 de março, houve cerca de 7 batidas policiais na capital federal e na parte ocidental da cidade em busca de supostxs “suspeitxs” do ataque ao jornal O Clarín em 23 de novembro de 2021.

A imprensa e os partidos políticos de esquerda e direita que desde o início expressaram seu repúdio aos eventos ocorridos, hoje encontram seus “resultados” após 4 meses do chamado repressivo, tentando desta forma montar uma rede criminosa fictícia a fim de incriminar xs acusadxs sob o crime de “associação ilícita”, sob o guarda-chuva da famosa “lei antiterrorista” aprovada em 2007.

Assim, vemos que a suposta evidência para a detenção de 5 pessoas é reduzida a relacionamentos através de redes sociais, e a “conexão terrorista” é baseada em ter panfletos, cartazes ou livros anarquistas.

Em meio às prisões após os “incidentes” sobre o acordo com o FMI, e o claro avanço repressivo do Estado, não ficamos em silêncio, não desistimos.

SOLIDARIEDADE COM XS DETIDXS ACUSADXS DO ATAQUE CONTRA O CLARÍN.

SOLIDARIEDADE COM XS DETIDXS ACUSADXS DO ATAQUE AO CONGRESSO.

ARRIBA LOS QUE LUCHAN SEM LÍDERES NEM DIRIGENTES.

Fonte: https://publicacionrefractario.wordpress.com/2022/03/23/argentina-la-prensa-apunta-y-dispara/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo.

Buson

 

[Espanha] Exumados os restos de 17 presos do Forte de Ezcaba

  • A Sociedade de Ciências Aranzadi está realizando os trabalhos de exumação no cemitério de Berriozar desde o dia 9 de março.
  • Acredita-se que possivelmente se encontre os restos de 21 cenetistas de procedência de toda a península. Fuzilados e presos da penitenciária.

Ontem (20/03), o sindicato da CNT Iruña foi informado de que iria se realizar um ato de homenagem no cemitério de Berriozar (Navarra), sobre os trabalhos de exumação, que a Sociedade de Ciências Aranzadi estava realizando desde 9 de março.

Hoje, segunda-feira, 21 de março, vários companheiros e companheiras se aproximaram para render homenagem aos que, possivelmente, sejam os restos de nossos companheiros assassinados. “Nossos mortos, porque foram assassinados por suas ideias, por suas ideias anarquistas em claro confronto com o fascismo”– assinalou a central anarcossindicalista.

O mais provável é que foram assassinados em 1º de novembro de 1936, tal e qual se menciona em alguns arquivos da localidade, conjuntamente com alguns testemunhos de moradores de Berriozar. Os restos humanos foram encontrados junto à borda do antigo muro de taipa do cemitério.

A maioria deles não passava dos trinta anos de idade, e acredita-se que pertenciam a um grupo de presos anarquista do Forte de San Cristobal, penitenciária do Monte Ezcaba. Presos que tinham sido detidos no período da segunda república, antes do golpe fascista.

As tarefas de exumação continuam porque se especula que sob os mesmos restos dos companheiros assassinados, se achem os restos de outros quatros mais. Recuperando assim, os restos dos 21 anarquistas presos do Forte de Ezcaba.

Vão trabalhar na tarefa de identificação dos restos mediante DNA. O sindicato da CNT Iruña permanecerá muito atento a todo este processo, para poder informar sobre tudo o que aconteça, resgatar a história de nossos mortos, e poder acompanhar nossas famílias junto aos restos de nossos companheiros.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/exhumados-los-restos-de-17-presos-del-fuerte-de-ezcaba/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

ventania lá fora
uma mosca no rosto
lívido da vidraça

Rogério Martins

[Espanha] A CNT condena categoricamente a decisão do governo de legitimar a invasão do Estado marroquino no Saara Ocidental

O sindicato CNT expressa sua mais firme condenação da decisão do governo de Pedro Sánchez de legitimar a invasão do Estado marroquino do Saara Ocidental e as graves violações dos direitos humanos no Saara ocupado por uma ditadura, como a do rei do Marrocos.

Consideramos que as declarações do governo e do PSOE, apoiando a tese de Mohamed VI, renunciando ao direito à autodeterminação do povo saharaui, não só são contrárias ao direito internacional, mas são vergonhosas, ultrajantes e profundamente imorais. Com esta postura, Pedro Sánchez torna-se cúmplice das políticas de uma ditadura brutal e corresponsável pelas consequências da guerra no Saara. Uma guerra que não só causa mortes, mas condições infames para a população, juntamente com a repressão, prisão e tortura de vozes dissidentes.

Devemos lembrar que a Espanha ainda é “de jure” o poder administrativo do Saara Ocidental e viola o direito internacional ao não o descolonizar. Por outro lado, é um insulto à inteligência usar critérios diferentes com relação aos direitos humanos, dependendo se o governo de um país é ou não um aliado dos Estados Unidos. Se todos concordamos que Putin é um déspota e que a invasão da Ucrânia é um ato criminoso, a invasão do Saara não é menos do que isso. Nem Mohamed VI é menos ditador do que qualquer outro, só porque é um aliado da OTAN. Enviamos uma mensagem de encorajamento a toda a população saharaui nos acampamentos, nos territórios ocupados e na diáspora. Reiteramos nosso apoio a todos os refugiados, sem distinção.

Também enviamos nossa mensagem de encorajamento aos nossos camaradas que sofrem nas prisões marroquinas (saharauis, rifenhos, presos políticos…) e exigimos sua libertação imediata, assim como a retirada das tropas de ocupação e o cumprimento da lei internacional pelo governo da Espanha, descolonizando o Sahara Ocidental de uma vez por todas. O povo saharaui tem e sempre terá nosso total apoio.

Abaixo as invasões e os muros imperialistas!

Descolonização já! Saara livre!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/cnt-condena-rotundamente-la-decision-del-gobierno-que-legitima-la-invasion-del-sahara-occidental-por-parte-del-estado-marroqui/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Oh cruel vendaval!
Um bando de pequenos pardais
agarra-se à relva.

Buson

O trabalho e o não-trabalho nosso de cada dia: pequeno esboço para destruir o monstro – um breve delírio

Considero muito esquisito que até o presente momento ainda reivindiquemos o direito ao trabalho, ou seja, como nos alertou Lafargue. A reivindicação pela esquerda, pela direita e até pelos anarquistas pelo direito ao trabalho nada mais é do que o direito insensato de se continuar perpetuando o patronato de elite e a miséria dos trabalhadores. Enquanto reivindica-se tal direito, nossa miséria só se avulta e os ricos (leia-se estado, religiões, patrões, partidos e militares de alta patente) passam a lucrar sempre e cada vez mais nas nossas costas largas que o nosso trabalho proporciona a eles.

O mesmo Lafargue já havia reivindicado o contrário do trabalho, propondo um direito a preguiça, não ao tal ócio criativo que muito se assemelha a mentira do desenvolvimento sustentável sustentada pelo capitalismo. Mas, sim o direito a não se fazer nada, um direito de se viver naturalmente.

Os pensadores do Grupo Krisis já haviam falado sobre a inutilidade de pelo menos 95% do trabalho praticado no mundo. Tanto Lafargue, quanto os pensadores do Grupo Krisis, apontam que no máximo deveríamos exercer uma atividade que não durasse mais do que três horas para que assim pudéssemos desfrutar do restante de nosso tempo da forma que melhor nos aprouvesse. Portanto, tendo tempo suficiente para não fazer nada, para ficar de toca se embalando na rede como um Macunaíma, brincando, brincando…

O próprio movimento atual de anti-trabalho nos coloca estas questões em sua gênese e reivindicações. Porém, não como o que vem sendo proposto pelo governo Belga e de outros países que estão pondo em prática um projeto, onde o trabalhador escolhe trabalhar quatro ou cinco dias semanais, mas mantendo a carga horária semanal integral, objetivando com isso, a meu ver, não o bem estar do trabalhador e sua família, mas como o próprio autor de tal projeto afirma, reservar ao trabalhador apenas quatro dias semanais e ficando mais tempo com sua família, visando o aumento da produtividade, consequentemente dos lucros. Isso me parece não um ganho para o trabalhador, mas sim para o patrão, nesta proposta que parece avançada e revolucionária, apenas troca-se seis por meia dúzia, ludibriando assim o trabalhador e a sociedade.

O filósofo Friedrich Nietzsche dizia que aquele que não tiver para si dois terços de seu dia é um escravo, seja lá quem esse indivíduo for. A ideia de utilidade empregada pelo sistema capitalista sobre a vida é uma aberração hedionda, pois como nos fala o Ailton Krenak a vida não é útil, nunca foi e nunca o será. Não possuí de forma alguma essa finalidade absurda a qual esse sistema nos impõe sob essa lógica sem lógica alguma.

Essa é uma construção advinda da cultura ocidental que se impôs, principalmente aos povos invadidos a séculos atrás. No nosso caso aqui na América Latina essa determinação surgiu para esmagar o modo de vida conectado à natureza dos povos originários estendendo-se até a atualidade.

No entanto, estas ideias do anti-trabalho, do direito a preguiça, de um modo de vida conectado a natureza, são, por vezes logo rechaçadas pelos vários movimentos sociais, que vislumbram no trabalho, na ideia de proletariado o seu objetivo final, sem colocarem em evidência a verdadeira dimensão da miséria que o mesmo provoca em perspectiva para que se possa inverter a questão.

É portanto, o trabalho, essa maldita ideia fixa que promove a miséria e a desolação. Realmente, cada trabalhador está condenado a carregar o fardo da miséria que ele mesmo provoca a si pelo modelo de trabalho imputado por uma elite privilegiada que aproveita aquilo que é produzido pelo trabalhador. Desse modo, ao se matar trabalhando, produzindo riquezas para estes parasitas que formam o sistema, o trabalhador acaba nutrindo sua miséria e regulando o ócio, o lucro e o divertimento dos parasitas.

É óbvio, que não irei aqui me alongar para dizer que deveríamos engrossar o caldo do movimento anti-trabalho, buscando o direito a preguiça, o direito a não se fazer nada, a viver uma vida plena reconectada a natureza e a si mesmo. A maior e mais eficiente ação anárquica que podemos praticar atualmente seria a prática do ócio, da preguiça, do não-fazer, da não-ação como pressuposto a ser alcançado. E afirmo isso não para daqui a séculos, num futuro a longo prazo, mas para serem praticadas de imediato, como diz o velho ditado, para serem praticadas desde ontem, para que possamos chegar a vida plena e livre de imposições.

Por fim, gostaria de propor uma reflexão sobre as nossas práticas anárquicas cotidianas e nossas ações em busca de uma outra vida fora dessa esfera medonha que é o sistema capitalista como um todo e acima de tudo, precisamos mais que nunca matar esse monstro, definitivamente. Essa é uma ação-direta que deve ser iniciada dentro de cada um de nós, com máxima urgência.

Bzarro Zangado, anarcopunk, adepto do não-trabalho com a colaboração de Fern Somppak.

Iniciado em 22/02/2022 e concluído 23/02/2022.

agência de notícias anarquistas-ana

novo outono
– só no porta-retrato
não mudo de ano

Wilson Bueno