[EUA] O “Primeiro Mundo” tem que parar de vitimismo: raízes coloniais da crise moderna de refugiados

Os maus tratos a refugiados nas fronteiras polonesas e bielorrussas têm chegado ao conhecimento do mundo inteiro. Não há muita análise dos jornalistas além do quão vergonhoso é usar as pessoas mais desesperadas do mundo como peças de xadrez para resolver disputas políticas.

Essas crises de refugiados que os países de “primeiro mundo” choram sobre quando refugiados aparecem em suas fronteiras não apenas acontecem; é importante entender suas origens. Elas são um resultado dos mesmos governos da Europa, América do Norte e assim por diante, que definiram fronteiras durante períodos de colonização.

Chamá-los de “primeiro mundo” e “terceiro mundo” essencialmente significa “áreas ricas” e “áreas pobres”no mundo como determinado por fronteiras e conquistas históricas. Obviamente, todo país no mundo tem suas próprias elites políticas e econômicas, mas a estabilidade relativa do primeiro mundo é um legado do colonialismo. Seu senso de superioridade origina-se do sofrimento historicamente infligido aos outros e foram eles que criaram as fronteiras que desencadeiam crises de refugiados.

Qualquer discussão de uma crise de refugiados deve reconhecer que está enraizada no eurocentrismo e nos terríveis séculos das conquistas europeias – o legado vivo do colonialismo. Vamos observar cinco das maiores crises mundiais de refugiados: Síria, Venezuela, Afeganistão, Sudão do Sule Myanmar. Essas são as maiores diásporas de refugiados do mundo, e todas são enraizadas na intervenção ocidental e na dominação europeia.

Síria

Logo antes da queda oficial do Império Otomano em 1922, forças britânicas e francesas planejavam secretamente como dividir seus territórios agora em declínio, previamente conquistados. Esse plano foi chamado de Acordo de Sykes-Picot e,a partir dele,a maior parte das terras árabes sob o controle do Império Otomano foram divididas em esferas de influência britânicas ou francesas após a Primeira Guerra Mundial.

A Síria especificamente se tornou membro da “Liga das Nações” francesa,um termo mais sofisticado para ser uma colônia dessa potência europeia. Em 1920, a França oficialmente tomou o controle da Síria e do Líbano. Os franceses formalmente tomarem o poder desencadeou revoltas internas no país, incluindo a Grande Revolta Síria entre 1925-1927.

Seguindo a Segunda Guerra Mundial, a Síria se tornou uma então chamada nação independente; os franceses deixaram sua antiga colônia na desordem. Múltiplas facções beligerantes locais e pessoas de vários antecedentes culturais tinham sido abarrotadas dentro das fronteiras artificiais de uma nação inventada, a Síria, por governantes britânicos e franceses desenhando linhas em um mapa. A retirada da França deixou um vácuo no poder, o qual alternou entre partidos políticos diferentes até 1970, quando Hafez al-Assad, o ministro de defesa militar na época, aplicou um golpe de Estado. Ele permaneceu com poder total até 2000, quando seu filho Bashar al-Assad o substituiu como governante do país. Bashar continua no poder.

Em março de 2011, em meio à Primavera Árabe, um grupo de estudantes na cidade de Dara’a foram presos e torturados por grafitar mensagens antigoverno.Isso resultou em uma indignação generalizada em um clima já tenso de divisão social e desespero econômico. A resistência das bases antigoverno escalou e se desenvolveu em uma luta mais militante de várias populações já opostas ao regime de Assad. Uma insurreição se tornou rapidamente uma guerra civil, graças ao bombardeio de cidades inteiras a mando de Assad.

Com a Rússia apoiando totalmente o Estado atual e os EUA buscando intervir sem o envio do exército, a guerra civil sírias e tornou uma complicada guerra por procuração com raízes na Guerra Fria. Os EUA se mexeram para armar qualquer um que estivesse contra al-Assad, de soldados curdos das linhas de frente à Al-Qaeda e ISIS/ISIL/Daesh. À medida que a Daesh cresceu em poder, os EUA decidiram que cooperar com Assad era preferível, uma decisão feita às custas dos soldados curdos que tinham trazido a luta aos terríveis autocratas da Daesh mais efetivamente do que qualquer grupo militar do mundo.

O poder de Assad se apoiava na habilidade de sua família em suprimir dissidências ao distribuir opressão e/ou benefícios entre as várias populações da Síria. Com a perda desse poder, e com investimentos ocidentais na guerra civil como uma guerra por procuração, um país já sobrecarregado por sanções econômicas ocidentais se tornou um desastre humanitário extremo. Mais de 320 mil pessoas morreram na Guerra Civil Síria desde 2011 e mais de 13 milhões estão em necessidade urgente de socorro. No momento,mais de 6 milhões de sírios estão internamente desalojados, com outros 6 milhões morando como refugiados no estrangeiro. Assim como o crescimento da Daesh pode ser atribuído à invasão americana ao Iraque, Assad pode ser atribuído à intromissão de poderes coloniais na região. As pessoas que moram na então chamada Sírias ofrem com as consequências dede ambos um histórico colonial e uma guerra por procuração contemporânea entre nações ocidentais.

Afeganistão

Historicamente o Afeganistão enfrenta a ira de ambos os Impérios Britânico e Russo. A crise atual no Afeganistão, contudo, é em decorrência da intervenção americana e mais jogos relacionados à Guerra Fria.

O Taliban era uma força de guerra religiosa, fundamentalista e autoritária que não apoiava a Revolução Saur, a posse do governo pelo partido comunista afegão em 1978. O Taliban foi e é fascistoide (e certamente antidemocrático), mas, nos anos 1980, seu anticomunistmo serviu aos interesses americanos. O governo americano proveu ao Taliban armamento e outros recursos para o auxiliara derrotar ambas as forças comunistas internas e a invasão militar soviética que apoiou o governo do partido comunista.

O Taliban então estabeleceu um Estado islâmico de extrema direita que ironicamente caiu após 2001, em decorrência da invasão pelas mesmas forças americanas que o estabeleceu. O Taliban foi acusado de fornecer abrigo seguro para Osama Bin Laden; na perseguição simbólica de um único homem, os Estados Unidos invadiram o país e tentaram instituir um governo mais amigável a ambos interesses americanos na região e à geral “guerra ao terror” pós-11 de setembro.Isso falhou miserável e repetidamente por décadas.

Muito da força do Taliban e da sua trajetória de governo pode ser atribuído ao apoio americano e à intromissão histórica na região por forças ocidentais. Independentemente de se as forças locais tiveram um papel ou não, o contexto maior da situação catastrófica no Afeganistão é enraizado nas conquistas britânicas e russas, na Guerra Fria e na invasão americana. A mão do ocidente é encontrada mais uma vez nesta crise.

Os números reais são provavelmente mais altos, mas, de acordo com a Agência da ONU para Refugiados, há ao menos 2.6 milhões de refugiados afegãos registrados no estrangeiro, com pelo menos 3.5 milhões internamente desalojados.

Myanmar

A crise Rohingya continua sendo uma das mais intensas situações de refugiados do mundo. Torturas, assassinatos em massa, destruição de vilarejos e violência sexual são ameaças constantes ao grupo étnico Rohingya em Myanmar, com o governo deliberadamente fechando os olhos. Os Rohingya permanecem como uma minoria muçulmana não-reconhecida em Myanmar e enfrentam excessos das bases e violência de estado por ambos fascistas budistas e operações da Junta. Hoje estão perto de um milhão de refugiados Rohingya registrados mundialmente.

A área agora conhecida por Myanmar estava sob controle colonial britânico de 1886 a 1948. A nação de hoje de Myanmar, como muitas outras ex-colônias britânicas, foi desenhada por poderes estrangeiros em mapas. Suas fronteiras contêm múltiplos grupos étnicos e religiosos. Durante a Segunda Guerra Mundial, os britânicos escolheram armara população Rohingya em Myanmar para lutar contra os que os próprios britânicos acreditavam ser simpáticos aos Japoneses.

Seguindo a independência birmanesa em 1948, essas divisões sociais que ganharam forças bélicas durante a Segunda Guerra Mundial permanecem inflamadas e raivosas até hoje. Myanmar poderia ser considerada uma das mais longas guerras civis na história moderna e,enquanto denunciamos as divisões sociais que a religião inflige na humanidade, temos também que reconhecer que a crise atual está enraizada na manobra política do Império Britânico contra o Império Japonês.

Os Rohingya continuam a enfrentar abusos incessantes e violência da junta militar do governo de Myanmar e seus apoiadores autoritários budistas. Embora elementos étnicos e religiosos de longa data e diferenças históricas tenham seu papel nessa crise, o governo britânico e sua interferência social na região deram seu pontapé inicial e a propagaram.

Sudão do Sul

O Sudão do Sul é a terceira maior crise mundial de refugiados após o Afeganistão e a Síria. O Reino Unido e o Egito governam os atuais Sudão e Sudão do Sul desde 1899-1956 como um Estado colonial duplo sob um governo imperial chamado Sudão Anglo-Egípcio. Desde que o Egito se tornou uma marionete política e militar do controle colonial britânico, contudo, é realmente o Reino Unido dando as ordens.

Como em muitos dos casos acima, a Grã-Bretanha tomou o poder por uma política de “dividir e conquistar”. Os britânicos investiram pesado em áreas árabes, primariamente no norte do país, enquanto desconsiderava regiões predominantemente negras. Os britânicos deliberadamente investiram em regiões árabes, não apenas como parte de um pogrom racista amplo,mas especificamente para desumanizar grandes segmentos de pessoas sudanesas e estabelecer uma estrutura de poder social que permanece ativa. As facções beligerantes contemporâneas do Sudão do Sul, as atrocidades como Darfur e as especificidades de quem tem poder militar podem facilmente ser traçados de volta aos britânicos.

Venezuela

Embora a Venezuela seja historicamente um sujeito na conquista espanhola, sua crise contemporânea é um resultado de intervenção americana. Enquanto não apoiamos Chavez ou Maduro de forma alguma, as sanções incansáveis dos EUA no país foram o que causou um dos países mais ricos em recursos do mundo a enfrentar pobreza e escassez em níveis tão extremos.

Após a morte de Hugo Chavez, atribulações sociais em resposta à tomada de poder de Maduro foram recepcionadas com repressão intensa pelo estado venezuelano. Alegadamente em resposta a isso, Barack Obama assinou sanções brutais à Venezuela em 2014. Contudo, considerando a repressão vista em países como Bahrain ou Arábia Saudita,que acontecem sem penalização americana, elas provavelmente foram uma cortina de fumaça para punir diplomaticamente a  Venezuela por sua nacionalização das enormes reservas de petróleo do país pelo governo “socialista”.

Independentemente do que afirme a mídia americana, Chavez e Maduro terem removido a possibilidade de indústrias americanas lucrarem na região é sem dúvida o que causou essas sanções. Obviamente Cuba e o Irã têm tarifado melhor sob sanções similar e se, provavelmente, em alguma extensão,as dificuldades atuais são decorrentes da corrupção e estupidez pura do regime de Maduro, mas não há como negar que a tentativa da esquerda autoritária de mudar a estrutura social da Venezuela iniciou uma campanha massiva de sabotagem econômica e inflação da miséria pelos Estados Unidos. É estimado que há 6 milhões de refugiados venezuelanos pelo mundo.

Em Conclusão

O que é importante com esses cinco casos é que vemos que a crise atual tem origem no legado eurocêntrico no mundo. A crise climática impulsionando os surtos de migração mais recentes pode ser atribuída primariamente a interesses norte-americanos e europeus, ou às nações industrializadas que provêm seus excessos.

As divisões que causam tantas guerras civis que levam a tantos deslocamentos podem ser rastreadas a táticas deliberadas de dividir e conquistar de governos coloniais, bem como o colapso do Império Otomano e a delimitação cruel e arbitrária de fronteiras por potências européias após as Guerras Mundiais. As divisões entre a Índia e o Paquistão, ou entre Israel e a Palestina, estão entre os conflitos mais proeminentes que resultaram dessas práticas.

É inevitável que aqueles nos lados menos afortunados dessas “fronteiras” imaginárias arriscarão tudo para escapar de seus destinos desafortunados. Americanos deixando o Afeganistão, a colonização perpétua e destruição do Haiti e o sistema capitalista neoliberal global (que é eurocêntrico em sua essência original) são responsáveis pelo desespero que vemos nas fronteiras do sul dos Estados Unidos, em volta da União Europeia, Austrália e basicamente em todos os lugares do planeta neste ponto.

Como anarquistas, ter uma perspectiva radical é o que nos diferencia de outras correntes políticas. Ao invés de tentar jogar os jogos de poder por regras estabelecidas e divisões, buscamos destruir o jogo por completo. Ser “radical” quer dizer pegar algo por sua raiz.

O homem branco não é nativo nos EUA, na América do Sul ou na Austrália. Ele veio como um invasor. Hoje, nacionalismo ignorante cega xenofóbicos nas bases do que a direita política chama de “invasão” de refugiados. Para aqueles que historicamente têm se beneficiado com a crise e/ou são responsáveis por ela, rejeitar aqueles que tentam escapá-la é um ato genocida.

É estranho se referir a milhões de refugiados que sofrem com esse cenário, essas vítimas do primeiro mundo, como “frangos vindos a cantar de galo”, mas o que mais se tem para dizer quando os Estados-nação mais ricos do mundo fingem que eles, o primeiro mundo, são as vítimas?

Fonte: https://itsgoingdown.org/the-first-world-can-fuck-off-playing-victim-colonial-roots-of-modern-refugee-crises/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

quantos pirilampos
posso contar esta noite?
caminho enluarado

José Marins

 

[Grécia] Manifestação em memória de jovem anarquista morto em 2008 em Atenas reúne milhares de pessoas

Um grande protesto na região central de Atenas marcou o 13° aniversário do assassinato do jovem anarquista Alexis Grigoropoulos, morto por um policial. A passeata desta segunda-feira (06/12) percorreu várias avenidas do centro de Atenas. Os manifestantes carregavam faixas e gritavam palavras de ordem.

À noite, confrontos entre policiais e manifestantes ocorreram no bairro de Exarchia, onde Grigoropoulos foi morto a tiros. Anarquistas atiraram pedras e bombas caseiras e a polícia usou gás lacrimogêneo para tentar dispersá-los.

Em outras partes do país, como em Tessalônica, Patras, Volos, Heraklion, na ilha de Creta, também ocorreram manifestações.

A morte do estudante anarquista Grigoropoulos, de 15 anos, no dia 6 de dezembro de 2008 por disparos de um policial, suscitou uma revolta de imensas proporções, que se prolongou durante várias semanas e se estendeu por todo o país.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/03/grecia-patras-dezembro-de-2008-dezembro-de-2021/

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre verde imenso
um ponto saltitante
pássaro cantante

Winston

[EUA] Ajuda Mútua Abolicionista e Decolonial – Uma entrevista com o 815 Mutual Aid Network

A rede 815 Mutual Aid é um coletivo de Rockford, em Illinois, que trabalha para lidar com a crise COVID-19 através de ajuda mútua. De acordo com a página deles no Facebook, o grupo é anticapitalista e foca na organização influenciada pela tradição de feministas negras. O coletivo oferece comida, medicamentos, educação política e outros suportes; e agora lança uma newsletter. Recentemente, eles trabalharam para melhorar as condições de presos na prisão Winnebago County Jail, coletando donativos, distribuindo comida e ajudando na recuperação pós tornado. O jornal The Commoner teve o privilégio de conversar com algumas das pessoas do coletivo. Alguns dos tópicos abordados incluem os motivos para a formação do grupo, os problemas de organização durante a pandemia e o trabalho feito com os presidiários. Você pode visitar a página deles no Facebook e no Twitter.

Como surgiu a 815 Mutual Aid Network?

Atticus: Nos formamos enquanto tentávamos fazer ajuda mútua a partir de uma visão política explicitamente anarquista, abolicionista e anti-colonial em Rockford, já que muitos dos grupos de ajuda mútua formados em nossa área eram liberais.

Franklin: Até onde sabemos, nós estávamos antecipando o  fracasso do Estado em atender as necessidades da população que ainda estavam por vir.

Qual papel vocês esperam desempenhar no movimento anarquista?

Atticus e Franklin: Não somos um projeto explicitamente anarquista, embora tenhamos membros anarquistas. Tentamos ter alguns valores anarquistas tais como organização horizontal, descentralização e políticas anti-opressivas. A nossa política enquadra-se nas questões decoloniais e de libertação negra, o que é diferente de grande parte do movimento oriundo do anarquismo europeu.

O que pensam da atual onda de grupos de ajuda mútua no panorama da Covid? Acham que terá um efeito positivo sobre o movimento anarquista? 

Franklin: A ajuda mútua, não sendo exclusiva dos anarquistas, ajudará a empoderar uma variedade de comunidades. É ótimo ver as pessoas a organizarem-se sob o seu próprio poder. Os efeitos que ela tem sobre o movimento anarquista estarão fortemente relacionados com a qualidade das relações que construímos.

Atticus: É importante para nós que a ajuda mútua não seja cooptada pelas organizações sem fins lucrativos. A ajuda mútua é um conceito revolucionário. Trata-se de construir novas relações sociais fora do capitalismo e de desafiar o poder. Não se trata de caridade.

Chewy: Quando vi aparecerem diferentes redes de ajuda mútua, pensei para mim mesmo: SIM! Tenho dificuldade em compreender porque é que o governo torna tão difícil para as pessoas obter ajuda, fora da covardia. Há imigrantes, deficientes, pessoas LGBTQ, e pessoas encarceradas que enfrentavam dificuldades antes da Covid e enfrentarão dificuldades depois da Covid e estas pessoas precisam de ajuda mútua. Aprecio aqueles que vêem a necessidade de ajuda mútua devido à Covid, só espero e rezo para que essa ajuda continue depois. Vejo isto como um ponto positivo para o movimento anarquista porque ajuda as pessoas a afastarem-se desta necessidade de confiar no governo para necessidades que não estão garantidas de serem satisfeitas.

Vocês se apresentam como “coletivo decolonial anárquico”, o que significa isto para vocês? Acham que o movimento anarquista poderia suportar ser mais decolonial?

Atticus: Basicamente significa que temos uma orientação e valores anárquicos ou anarquistas, mas não somos anarquistas, pois alguns dos nossos membros podem não se identificar explicitamente assim, embora alguns de nós o sejam. Em termos decoloniais, tentamos enquadrar a nossa política radical de uma forma que centralize as pessoas negras, pardas e indígenas e suas histórias de libertação, especialmente no que diz respeito à terra. No movimento anarquista nos Estados Unidos, muitas das influências ideológicas provêm do anarquismo europeu, sendo assim muito colonial e reducionista de classes. É imperativo que os anarquistas se afastem do reducionismo de classes e dos teóricos europeus como a única possibilidade de política radical. Descentralizar os  movimentos anarquistas da branquitude é vital. Um bom texto para ler sobre isto é The Progressive Plantation de Lorenzo Kom’boa Ervin, que influenciou profundamente o nosso coletivo. A maioria de nós teve experiências anteriores com espaços radicais brancos tóxicos, de maneira que nos esforçamos para que a 815 Mutual Aid Network não seja assim.

Como é que se organizam, quem toma as decisões? 

Atticus: Tomamos decisões coletivamente nas nossas reuniões. Damos ênfase à autocrítica e à auto-reflexão, a fim de desenvolver uma política em constantes mudança e prestação de contas. As pessoas organizam-se e fazem tarefas com a sua livre associação. Não existe um líder no sentido tradicional. No entanto, encorajamos as pessoas no nosso coletivo a assumirem a liderança dos seus próprios projetos e iniciativas.

Como é que interagem com as suas comunidades e que problemas específicos é que elas enfrentam? 

Chewy: Antes da segunda onda do Covid, criamos lojas de distribuição de alimentos e vestuário gratuito em parques nos bairros mais desfavorecidos das nossas comunidades. Também criamos educação política de grupo com distanciamento social, em parques, e mascarados. Reparamos que muitos dos problemas que a nossa comunidade enfrenta começam com o nosso governo local. Não há uma tonelada de recursos para os cuidados infantis, centros comunitários ou programas pós-escolares para os adolescentes de Rockford. Reparamos que com muitos edifícios do Governo fechados, as pessoas contam com a ajuda do nosso coletivo  para o pagamento das contas, alimentação e vestuário de Inverno. Estas são necessidades básicas com as quais vemos pessoas a se debaterem.

Quais são alguns dos maiores problemas que enfrentaram enquanto grupo, e o que fazem ou fizeram para os ultrapassar?

Franklin: As finanças e outros projetos precedentes têm sido a parte mais restritiva da organização. Os outros projetos arrefeceram, permitindo-nos regressar à nossa prática normal, embora devêssemos tentar evitar futuras interrupções à medida que a situação aqui se agrava com a Covid e a possibilidade de agitação civil ainda paira. Quanto às finanças, temos tido sorte com as recentes doações, mas ainda estamos a trabalhar na criação de um modelo mais sustentável fora do sistema colonial.

Como têm sido as suas interações com o governo local/estatal?

Franklin: Zaps telefônicos. Caso contrário, preferimos não interagir ou trabalhar com os governos coloniais.

Se tivesse algum conselho para as pessoas que tentam fazer uma organização como a sua, qual seria?

Atticus: Começar com um pequeno grupo de confiança, responsabilizar-se uns aos outros e construir um conjunto coletivo de valores. Servir o povo, fazer educação política e ajudar a catalisar um movimento autônomo maior.

Vocês notaram que estão lutando contra o tratamento dos prisioneiros na prisão do condado de Winnebago? Como estão abordando esta questão; e como é que os seus métodos diferem das organizações regulares?

Atticus: Organizamos ao lado de prisioneiros e familiares de prisioneiros na prisão. Prestamos apoio a eles através do nosso commissary fund (conta da qual um preso pode retirar dinheiro). Enviamos informações para a cadeia pelos correios. Somos diferentes porque, como organização abolicionista, não nos vemos como salvadores de pessoas na prisão, como é o caso de algumas organizações sem fins lucrativos que trabalham com pessoas encarceradas.

Chewy: Também esperamos encontrar maneiras de educar os presos na cadeia Winnebago County Jail. Reconhecemos que muitos deles não estão recebendo representação legal adequada nem acesso a livros físicos. Com a pandemia causando tantas circunstâncias imprevistas, também tentamos nos manter atualizados sobre os procedimentos em vigor, para manter os prisioneiros seguros. Temos utilizado zaps para tentar pressionar as autoridades da cidade e do condado a criar melhores condições na prisão.

Vocês mencionaram que seus membros trabalhavam anteriormente com grupos que não são especificamente anárquicos, como o Partido dos Panteras Negras. Você diria então que é importante ser mais flexível nos grupos com os quais se trabalha, mesmo que a ideologia deles não se encaixe inteiramente com as suas?

Franklin: Não posso falar pelos outros, mas não comecei onde estou agora politicamente. Parte desse processo de crescimento foi interagir com pessoas fora da minha linha de pensamento. Se não trabalhássemos além das fronteiras ideológicas, como alcançaríamos uma comunidade maior?

Atticus: Construímos com as pessoas. Embora no nosso coletivo coloquemos ênfase na visão política compartilhada, isso não restringe nosso trabalho no terreno.

Vocês planejam coordenar e/ou juntar-se a outros grupos ou organizações?

Atticus e Franklin: Já colaboramos com outros grupos, embora nada formalmente. Gostaríamos de colaborar com grupos mais revolucionários na construção de redes de ajuda mútua duradouras.

Chewy: Devido ao vírus, sinto que somos limitados, mas as conexões que fizemos durante o verão provaram ser úteis. Todos nós reconhecemos que a necessidade de táticas diferentes, pensamentos diferentes, ao mesmo tempo em que trabalhamos em direção a um objetivo comum, é crítica para o movimento de ajuda mútua.

Fonte: https://www.thecommoner.org.uk/decolonial-abolitionist-mutual-aid-an-interview-with/

Tradução > A Estrela

agência de notícias anarquistas-ana

No parque vazio
duas árvores se abraçam
em prantos de chuva

Eugénia Tabosa

[EUA] Marcha para Mumia!

Monumento Octavius V. Catto, lado sul da prefeitura, Filadélfia, Sábado, 11 de dezembro de 2021, a partir das 13h00

QUARENTA ANOS DE PRISÃO INJUSTA SÃO 40 ANOS DEMAIS!

Mumia Abu-Jamal está encarcerado injustamente desde 9 de dezembro de 1981. Ele foi condenado pelo assassinato de um policial por improbidade judicial, policial e da promotoria. Muitas das práticas ilegais que resultaram em sua condenação foram as mesmas práticas que levaram às exonerações, desde 2017, de 22 homens inocentes pela Promotoria Geral da Filadélfia.

A saúde de Mumia tem deteriorado significativamente através dos anos. Ele recentemente passou por cirurgia cardíaca e das cataratas, e ele sofre de cirrose e de uma severa doença de pele. Médicos independentes mantêm que ele deve ser provido com uma dieta fresca e saudável e um regime regular de exercícios, o que pode auxiliar com sua reabilitação cardíaca e acelerar sua recuperação. Oficiais da prisão se recusam a fazê-lo.

Se você se opõe ao encadeamento da escola à prisão; encarceramento em massa; improbidade policial, judicial e da promotoria; e ao emprisionamento de ativistas políticos, venha marchar no próximo 11 de dezembro.

Libertem Mumia! Libertem todos os presos políticos! Libertem nossos idosos encarcerados! Abolição às prisões!

Mais informações: mobilization4mumia@gmail.com

FB: https://www.facebook.com/events/432566035067176?ref=newsfeed

Tradução > Sky

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/06/eua-libertem-mumia-agora/

agência de notícias anarquistas-ana

Estação de trem —
tantos lenços acenando
em meio à garoa

Regina Alonso

[Reino Unido] Lançamento: “A Normal Life”, de Vassilis Palaiokostas

A Normal Life (Uma Vida Normal) é a autobiografia de Vassilis Palaiokostas, conhecido pelo público como o “Robin Hood grego” e pela polícia como “O Incapturável”. É uma existência ilegalista vivida em desafio à polícia e ao Estado, e durante décadas tem sido uma vida vivida como fugitivo.

Na Grécia ele se tornou um nome familiar, uma espécie de herói folclórico moderno, levando milhões em roubos a bancos – incluindo o famoso roubo de Kalambaka, o maior de todos os tempos da Grécia – e tendo CEOs em custódia enquanto distribuía seus ganhos para aqueles que precisavam. Mas ele é mais famoso por suas fugas da prisão – escapando de maneira infame da ala de alta segurança da Prisão Korydallos de helicóptero. Duas vezes.

Vassilis Palaiokostas é odiado pelas autoridades, considerado um terrorista, e sua liberdade é um insulto contínuo ao Estado grego. Agora seu livro de memórias, um best-seller instantâneo na Grécia, foi traduzido para o inglês pela primeira vez para que ele possa contar sua história com suas próprias palavras. Ele não oferece nenhuma justificativa falaciosa e “socialmente aceitável” para suas ações, mas elabora honestamente seus sonhos e sua totalidade.

A Normal Life é um relato emocionante da vida em fuga e na prisão, de perseguições de carro, aventuras ousadas e a camaradagem do bandido. É também a história de suas motivações.

Resumos e extratos

Os Intocáveis (BBC Leitura):

“Na década de 1980 voou por uma nuvem de ataques a bancos e escapadas lúdicas, com Vassilis distribuindo os lucros para qualquer um que o protegesse. […] A inflação maciça na Grécia viu o preço de uma cerveja quadruplicar entre 1985 e 1992. O público ficou mais desconfiado do governo, e crítica da corrupção dentro dos bancos estatais. Isso aumentou o número de pessoas preparadas para torcer pelos irmãos Paleokostas. Uma era de gato e rato entre os policiais e os ladrões começou.”

O sequestro de Alexander Haitoglou:

“Essa foi a visão de Vassilis de tratar até mesmo o pior das pessoas com humanidade que deu a Haitoglou sua sensação de segurança. Não demorou muito para que o magnata avaliasse a situação e percebesse que seria tratado com um respeito que, francamente, não deu a outros em seu papel de financiador e amigo dos reacionários da revolução política. […] Quando o deixaram, lembra Vassilis, Haitoglou os deixou com uma piada: ‘Gente, se não custasse tanto, gostaria muito de ter outra aventura com vocês!'”

Avaliações

Organizar:

“É difícil ignorar o quanto isso é romântico, suas façanhas ilegais me fazem sorrir, um azarão enfrentando um inimigo intransponível que os enfrenta e no final das contas vence? Foda-se, sim. Sou dominado pelas contas tanto quanto qualquer filme de grande sucesso. […] Vassilis cumpre o papel do lutador destemido, um criminoso com certeza mas ele está criticando os bastardos que cometem crimes mil vezes pior. Sua presa são os banqueiros sem coração e os capitalistas corruptos. Afinal, que tipo de ladrão de banco dá o saque aos pobres?”

A Publicação Offline:

“Ao longo de seu esforço intelectual, pode-se discernir uma dualidade no caráter da escrita (de Vassilis). Por um lado, seu estilo de escrita curto, direto e cotidiano narra eventos em um fluxo rápido, levando o leitor a virar mais páginas constantemente. Ao mesmo tempo, porém, todo o texto é regido por um romantismo impetuoso que desafia um modelo sociopolítico que sofre de corrupção – formas cristalizadas que o autor encontra tanto na penitenciária como no sistema judicial – produzindo desigualdades de justiça em todo o espectro social, econômico e político…”

“Palaiokostas deixa a critério do leitor tanto a verdade do que ele diz quanto a definição genuína de conceitos como ética, justiça, violência e lei, o que torna seu livro atemporal e digno de leitura. Numa sociedade em que o conceito de democracia está em constante reconstrução, englobando diferentes nuances conforme a forma como é lido, talvez a fala de um ex-presidiário mereça atenção, por uma questão de equilíbrio nesta leitura.”

Impressões:

“Precisamos transmitir as perspectivas de inspiração e insurreição das pessoas, Robin Hood e Boudicca, travessuras e mitologia, Loki e Eris, nossas próprias odisséias de advertência, contos de pesca de oh-meu-Deus-não-posso-acreditar-que-estamos-fazendo-isso, a labareda de glória de Ícaro, em vez do olhar de Orfeu para trás enquanto ele enfraquecia no final. Precisamos de nossas próprias epopéias dos fracos cada vez mais fortes, do impossível manifestado, da centelha que se tornaria um inferno.”

Recomendações:

A história dos irmãos Palaiokostas é uma história de luta contra um mundo cada vez mais totalitário de leis e desigualdades sociais extremas. Eles apresentam uma contradição inspiradora à narrativa dominante de nossos tempos, de consolidação do poder do Estado e da invencibilidade do capitalismo. Publicado com o autor ainda em fuga, este livro em si é um ato de resistência e uma afirmação de vida e liberdade.

How Nonviolence Protects The State (Como a Não-violência Protege o Estado) autor Peter Gelderloos

Propriedade e prisão – um ajuste confortável, baseado na violência – foram destruídas quando os pastores de cabras passaram a usar alta tecnologia. Vassilis, seu irmão e ‘O Artista’, com helicópteros e tudo, não respeita suas paredes e mantém o leitor, assim como a polícia, alerta.

Bending The Bars (Dobrando as Barras) autor John Barker

A Normal Life

Vassilis Palaiokostas

ISBN: 978-1-904491-40-8

Brochura: 352 pp

£15.00

freedompress.org.uk

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Dia de primavera —
Os pardais no jardim
Tomam banho de areia.

Onitsura

[Equador] Apresentação do livro “El anarquismo en el Ecuador” | Evento presencial e virtual

A re-edição do “El anarquismo en el Ecuador” vem 35 anos após sua publicação inicial (1986). Apesar de ser um texto fundamental para entender o desenvolvimento do movimento operário, e da esquerda equatoriana em geral, ele tem permanecido fora de circulação desde então. Da mesma forma, sua re-edição faz parte dos dez anos da morte de seu autor e, portanto, constitui um esforço, não apenas para lembrar Alexei Páez Cordero, mas também para recuperar o poder de seu pensamento e das discussões que o atravessam, as mesmas que ainda hoje são vigentes. O lançamento presencial e virtual do livro está agendado para 9 de dezembro na FLACSO.

Inscrição e link de transmissão do evento: https://bit.ly/3depg1y

agência de notícias anarquistas-ana

cantam os pássaros
aqui e ali; deito na rede
e começo a roncar

Rafael Noris

[Grécia-Polônia] Reintegre Magda Malinowska!

Magda Malinowska, sindicalista e membro do Presidium da Comissão de Iniciativa de Empregados Interempresariais da Amazon, foi demitida de seu cargo desde 9 de novembro de 2021.

Esta demissão é mais uma prova das políticas anti-sindicais e anti-trabalhistas que a Amazon está adotando internacionalmente.

A Amazon aproveitou a oportunidade para despedir Malinowska enquanto ela tentava cumprir seu papel como inspetora social do trabalho e suas funções como sindicalista. A Amazon alega que Malinowska, uma sindicalista eleita, desrespeitou a dignidade pessoal de outro funcionário. Esta alegação não é apenas uma mancha destinada a sujar a reputação de uma lutadora dedicada aos direitos dos trabalhadores, mas também uma distorção flagrante da realidade das condições de trabalho na Amazon. Sindicatos de todo o mundo condenaram as condições de trabalho exploratórias na Amazon, que são fundamentais para os enormes lucros da empresa.

Magda Malinowska foi demitida por se opor à exploração que a Amazon representa, exploração que coloca dignidade e saúde e segurança em segundo lugar. Magda representa a organização de trabalhadores na Amazon e essa é a única razão pela qual ela foi demitida.

A gestão da Amazon em Poznań, Polônia, viola sistematicamente os direitos dos trabalhadores e obstrui a atividade sindical. Este despedimento é ilegal, antiético e uma provocação ao movimento da classe trabalhadora.

Apelamos às organizações sindicais na Grécia e no exterior para que se mantenham junto à Magda Malinowska e exijam sua reintegração.

Conhecemos muito bem Magda, ela é a cara de todo colega de combate, ela é nossa irmã de luta e a luta dela é nossa luta. Esta injustiça não deve passar.

Nossa sindicato é solidário com Magda Malinowska e estará ao seu lado por todos os meios necessários. Encorajamos os sindicatos de trabalhadores gregos a enviar mensagens de apoio à Amazon Workers International (awi@riseup.net).

Da Grécia à Polônia, nós declaramos:

Reintegrem Magda Malinowska!

Tirem as mãos de nossos direitos sindicais!

Associação Sindical de Trabalhadores em Livrarias, Papelarias e Editoras – Atenas

Fonte: https://bookworker.wordpress.com/2021/11/30/reinstate-magda-malinowska/

Tradução > solan4s

agência de notícias anarquistas-ana

dentro do jardim
o dia chega mais cedo
ao fim

Alice Ruiz

 

Antissemitas Canadenses e Conspiracionistas de Extrema Direita Experimentam Nova Tática: Alinhar-se com Comunidades Indígenas

Um relatório antifascista do Canadá sobre como alguns nacionalistas brancos e conspiracionistas de extrema direita estão tentando ganhar espaço em comunidades indígenas.

Enquanto a pandemia de Covid pode ou não estar chegando ao fim, várias contas antifascistas do Twitter têm tentado adivinhar ao que a extrema direita canadense dedicará sua atenção a seguir. Gostaria de propor a teoria de que, por escolha ou não, a extrema direita conseguiu colocar o pé na porta de comunidades indígenas – um desenvolvimento que deveria alarmar largamente militantes antifascistas e anti-coloniais.

Os novos, mais palpáveis, pontos de conversa dos fascistas que a extrema direita demonstrou ao mundo foram muito bem-sucedidos em atrair uma audiência aberta às suas mensagens. Tanto que conseguiram recrutar alguns aliados não-brancos, orgulhosamente expondo essas pessoas para desviar da realidade de que seu movimento é fascista e racista, e eles têm feito isso com um nível razoável de sucesso. No Canadá, quando a extrema direita começou a se tornar mais notável, sua propaganda tentou clamar quase toda a oposição a governos liberais para si. Isso incluiu problemas como impropriamente beber água em tantas reservas no Canadá, até com artigos sendo escritos sobre o assunto pelo website de propaganda de extrema direita Post-Millennial, lar do troll de desinformação Andy Ngo.

O sucesso dessa propaganda, filtrando por círculos indígenas, provavelmente foi percebido por qualquer um em grupos de defesa da terra do Facebook, com vídeos sendo compartilhados que apresentam conspirações e alguns diretamente de propagandistas de extrema direita. Informações equivocadas sobre a Covid também proveu um veículo forte para uma infiltração mais profunda, uma vez que as comunidades indígenas são justificadamente desconfiadas de sistemas médicos do governo.

Como o movimento anti-isolamento/máscara/vacinas e lançou no verão, pessoas em Alberta começaram a ver algumas imagens estranhas e confusas em cartazes anti-isolamento: os cartazes começaram a conter imagens com temas indígenas. Viu-se uma pessoa com enfeites na cabeça, uma imagem de uma ilha de tartarugas, a roda da medicina, e até os emblemas de duas nações em volta da cidade de Calgary. O começo de outubro, contudo, marcou uma virada notável na infiltração; de comentários online a forte presença física de apoio, na forma de montar acampamento com Pat King, um conhecido supremacista branco de Alberta.

Originalmente Pat King veio à legislatura de Alberta exigindo uma reunião com o primeiro-ministro da província, no que parece ser um fim a uma longa saga de como Pat King não entende a lei, documentos legais e a confusa estrutura burocrática dos tribunais canadenses. Nos primeiros dias, Pat estava tão na borda que não havia envolvimento indígena visível. Um pouco antes do novo dia para “verdade e reconciliação”, Pat pôs um chamado, sem dizer um horário, para pessoas vir “estar com as Primeiras Nações.” Depois disso parece que ele não falou mais sobre seu caso legal. Parece que um evento foi planejado para aquele entardecer, mas durante a tarde algumas pessoas já tinham se reunido e algumas pareciam conhecer Pat. Temos que assumir que nem todos que vieram à legislatura de Alberta o fez a seu pedido, mas parece que algumas sim, incluindo uma pessoa que veio falar com ele na noite anterior, dizendo que tinha ouvido que era um supremacista branco, mas foi convencida por ele que não era.

No período de uma semana e meia que se seguiu, Pat postou vídeos dizendo que foi apresentado a um membro dos guardiões da água, antigos guardiões da Athabasca, Nancy Scanie. Parece que um acampamento foi criado com ela como uma figura de comando ou liderança. Em 9 de outubro, o acampamento tinha várias tendas e 3 grandes tipis. Naquele dia também havia palestrantes e performances, todos anti-vacinas e muitos deles eram visivelmente indígenas. Permanece incerto qual o grau de influência e de conexão de Pat King em quaisquer comunidades indígenas, mas está claro que existe algum e que há uma audiência receptiva a mitos sobre vacina e conspirações da extrema direita.

Até agora isso só foi notado em Alberta, então é incerto o quanto isso pode ser um indicador da direção do movimento Patriota em geral. Mas seria válido notar e pensar sobre as ramificações do que essas tentativas podem ser. Uma das poucas diferenças entre a extrema direita canadense e a estadunidense é a falta de porta-vozes visivelmente racializados no Canadá. Ter indígenas preenche essa lacuna ou defende que pessoas proeminentes no movimento Patriota irão dar-lhes potenciais melhores para desviar críticas.

Uma infiltração da extrema direita dividiria ainda mais comunidades indígenas e ameaçariam os projetos de defesa das terras de várias nações? Essa situação também traz uma outra questão: como antifascistas podem proteger comunidades específicas da infiltração de figuras e ideias de extrema direita?

Fonte: https://itsgoingdown.org/canadian-anti-semites-and-far-right-conspiracy-theorists-try-new-tactic-aligning-with-indigenous-communities/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Parece gostosa
a neve que chega em flocos
tão suavemente.

Issa

[EUA] Libertem Mumia Agora!

40 ANOS DE ENCARCERAMENTO INJUSTO SÃO 40 ANOS DEMAIS!

Este programa virtual importante refletirá na luta de 40 anos para libertar Mumia Abu-Jamal. De muitas maneiras, a vida de Mumia como um prisioneiro político começou em 9 de dezembro de 1981. Este evento contará com a participação de:

> Veterano do Partido dos Panteras Negras e ex-preso político Jalil Muntaqim
> Jornalista e professor da Temple University Linn Washington
> Organizadora da International Concerned Family and Friends of Mumia Abu-Jamal Pam Africa
> O sobrinho de Mumia, Jamal Hart
> Poeta e autor Ewuare Osayande
> E muitos outros!

Discussões cobrirão:

> As mais de 20 exonerações sob o promotor Krasner, da Filadélfia, em casos similares ao de Mumia.
> Qual é a atualização legal de seu caso?
> Temos tido muitas vitórias concernentes a presos políticos nos últimos anos. > O que é necessário para ganhar agora a liberdade de Mumia?
> Ouvir apoiadores internacionais!
> Painel especial com organizadores das juventudes!

Inscrição prévia: https://us02web.zoom.us/…/reg…/WN_HxfAfixrSu2tFYdaxzsh_w

Mais informações: mobilization4mumia@gmail.com

FB: https://www.facebook.com/events/435916404758500?ref=newsfeed

Tradução > Sky

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/02/eua-atualizacao-a-saude-e-a-situacao-juridica-do-caso-mumia-abu-jamal/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/13/novo-som-do-ktarse-libertem-mumia-abu-jamal/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/20/eua-entrevista-entre-mumia-abu-jamal-e-albert-woodfox/

agência de notícias anarquistas-ana

no canto da janela
nova linha do horizonte:
o fio da aranha.

Tânia Diniz

[Holanda] Anunciando “Coronavírus & Anarquismo, antologia da pandemia”

Temos o orgulho de anunciar nosso compêndio de crítica ao Corona! Você pode encontrar a seguir no que resume e prepara você para uma infinidade de análises anarquistas.

A coleção a seguir tenta reunir o máximo possível de peças relacionadas às interpretações anarquistas ao Corona. É uma colaboração que não se pretendia como tal. Cada peça apresentada foi publicada de forma independente e só agora deve ser lida como um todo. Por esta razão, muitos, muitos tópicos e opiniões serão apresentados e é importante que você mantenha uma mente aberta e crítica.

E você encontrará testemunhos de pessoas sofrendo e trabalhando ativamente para apoiar outras pessoas durante a Covid, uma infinidade de críticas contra o capitalismo, visões geopolíticas de uma infinidade de continentes e países, tanto em como eles são impactados, quanto em como eles falharam em se preparar contra uma pandemia mundial.

Uma ênfase em alguns textos será sobre a necessidade de prevenir futuras pandemias, bem como a falta de preparação para aquela que vivemos, ou sobre como nossos direitos estão sendo reservados como privilégios futuros aos quais muitos nunca tiveram acesso no primeiro lugar, ou como mesmo quando isso “acabou”, ainda devemos fazer a pergunta “estamos voltando ao normal?”, para a qual nossa definição do que deveria SER normal precisa ser pensada completa e radicalmente.

Com tantas vidas ameaçadas pelo estado atual do mundo, a mensagem mais importante e abrangente nestes textos é para manter a solidariedade.

Portanto, enquanto esses textos ecléticos se unem em uma voz unificada para renunciar ao capitalismo e ao controle do Estado, nós também devemos ler e compartilhar, espalhar a palavra e buscar nossas próprias formas de solidariedade! Esperamos que você goste desses textos, que muitas vezes podem fazer você se sentir mal do estômago, mas dentro desses textos e sua própria mente crítica está o remédio, então, por favor, junte-se a nós na criação da cura!

Você pode obter sua cópia física em Het fort van Sjakoo – Jodenbreestraat 24, 1011 NK Amsterdam.

Se preferir, a versão digital pode ser baixada aqui:

https://www.agamsterdam.org/wp-content/uploads/2021/11/corona-virus-and-anarchism-pandemic-s-anthology.pdf

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

É tarde, escurece,
a lua se esforça
mas logo aparece.

Pedro Mutti

[EUA] Kevin Strickland é exonerado e libertado 43 anos depois que um júri todo branco o condenou injustamente

No estado do Missouri, Kevin Strickland, um homem afro-americano que foi condenado injustamente por um júri totalmente branco por um triplo assassinato em 1979, foi exonerado e libertado da prisão após mais de 43 anos. Strickland foi preso quando tinha 18 anos e tinha insistido em sua inocência desde então. Ele foi detido quando sua filha tinha apenas sete semanas de vida. Strickland tem agora 62 anos de idade. Este foi o encarceramento mais longo na história do estado do Missouri a ser confirmado como injusto. Agora Strickland é um homem livre que declarou que seus dois desejos eram ir à tumba de sua mãe, falecida no último verão, e ver o mar pela primeira vez em sua vida.

agência de notícias anarquistas-ana

Sob esta ameixeira
Até mesmo o boi vem dar
Seu primeiro mugido!

Bashô

[Espanha] O caso da seção sindical em Hispánica de Limpiezas, S.A.

Por Alberto J. Ruiz López

No final do ano fui contatado por uma pessoa que se apresentou como Juan, um faxineiro de uma empresa em Torremolinos que queria lutar por melhorias em sua empresa.

Juan e Eva vieram a uma reunião no sindicato para explicar nosso modelo na empresa: a seção sindical.

Eles nos disseram que pertenciam ao pessoal das instalações esportivas do Patronato de Deportes de Torremolinos, um serviço terceirizado administrado pela empresa Hispánica de Limpiezas. A prefeitura, uma coalizão PSOE-Podemos, concedeu o conselho esportivo a um vereador do último partido. E das promessas de proteção dos serviços públicos e das críticas à privatização, eles prosseguiram: “o serviço de mecenato não pode ser municipalizado porque é muito complicado”. Foi lá que Hispánica ficou, o serviço terceirizado e com condições precárias que parecem não afetar o conselheiro.

E estas condições são as de qualquer serviço deste tipo: salários piores, máquinas que são mantidas em uma base de gambiarras e que falham de vez em quando, falta de EPI, produtos de limpeza de má qualidade, desinfetante ruim, instalações sujas, e sempre te enviam de um lado a outro por duas horas para que limpe aqui e acolá, tentando fazer malabarismos com um pessoal deficiente para fazer avançar o serviço.

No final da reunião, cerca de 7 ou 8 funcionários interessados decidiram realizar outra reunião para informar sobre nosso modelo sindical. Isto levou ao surgimento de 5 pessoas dispostas a montar a nova seção.

Muita coisa aconteceu durante estes meses. Mas não podemos esperar que as pessoas de repente abracem a causa e se tornem lutadores ferozes por seus direitos e confiem num sindicato que conhecem há três dias e num modelo sindical que não entendem muito bem. O primeiro sinal de que o manual teórico às vezes não funciona se não houver ninguém para levá-lo adiante foi quando a recém-nomeada Secretária de Saúde e Segurança da Seção Sindical desistiu porque não ousou assinar um documento para entregá-lo à empresa. Pouco tempo depois, esta trabalhadora foi enviada à ERTE duas vezes e chamada de volta ao trabalho duas vezes no decorrer de dois dias. No final, ela não ousou denunciar a empresa por “modificação substancial das condições de trabalho” e deixou a seção porque a situação era demais para ela.

Outro fator que tem dificultado o trabalho e a extensão da seção foi o processo de eleições sindicais que ocorreu na empresa em paralelo à criação da seção, resultando na eleição de um trabalhador como delegado de pessoal que se alinhou com a prefeitura e a empresa e que juntos trabalharam para isolar a seção. Eles começaram a beneficiar e melhorar os turnos e as condições de alguns dos funcionários de modo que aqueles que não faziam parte da seção acabaram apoiando o delegado, a quem eles perceberam como uma opção mais fácil e mais viável de combater.

Ao longo deste processo houve momentos em que me encontrei ou me senti sozinho diante do perigo e outros em que me senti apoiado por companheiros do sindicato, por companheiros da seção regional como Antonio Moragues, e pelos cursos de treinamento, especialmente os da CNT Madrid. Em muitas ocasiões eu gostaria de ter tido o Grande Livro das seções sindicais e responder a todas as minhas dúvidas.

Nestes meses, foram realizadas as seguintes ações: envio à empresa e à prefeitura de inúmeros documentos denunciando as condições e pedindo reuniões; reclamações à inspeção; colagem de cartazes, comícios na empresa e na prefeitura, e conseguimos impedir que o delegado tivesse seu turno de sábado alterado e finalmente negociar uma pequena redução na jornada de trabalho e distribuí-lo de segunda a sexta-feira. Colocamos muitos cartazes no quadro de avisos, denunciamos o descumprimento da empresa e a negligência do conselho, nos reunimos com uma conselheira não-inscrita e ainda estamos lutando. Atualmente a seção é composta por duas pessoas, as que sempre avançaram, com as quais continuaremos a trabalhar lado a lado, não importa o que aconteça.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/el-caso-de-la-seccion-sindical-en-hispanica-de-limpiezas-s-a/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Olhei para cima
Vi a boca de palhaça
da lua crescente

Ada Gasparini

[Argentina] Feira do Livro Anarquista de Buenos Aires, 4 e 5 de dezembro de 2021

Companheires, queremos fazer chegar um convite, tanto a editoras, a espaços, como a pessoas afins, para participar da feira do livro “anárquico/anarquista” que será nos dias 4 e 5 de dezembro na praça “China Cuellar”, cidade de Buenos Aires, Argentina.

Queremos compartilhar materiais críticos, dividir experiências, perspectivas de diferentes realidades, aprofundar as muitas formas de lutas; e aqui é onde queremos enfatizar.

Propomos a luta multiforme pela anarquia, partindo de um lugar crítico, de conflito e de tensão constante sobre nossos espaços e sobre os territórios em que habitamos.

Somos conscientes que estamos atravessades por nosso meio e contexto. Atravessades pela destruição da natureza, atravessades pelos negócios extrativistas, tanto privados como estatais. Mas este é o nosso presente de luta.

E assim como o nosso presente, também possuímos experiências anteriores, vivências narradas e contadas através de relatos e escritos; um passado de luta. E é neste passado onde levantamos a memória combativa, a memória da qual se cumprem 20 anos das revoltas de 19 e 20 de dezembro; memória da qual recordamos de nossxs companheirxs assassinadxs e presxs; memória pela qual temos nítidos nossos objetivos e quem nos impede de cumpri-los.

Como espaço, como encontro, como debate e como feira, buscamos expandir a anarquia e é por isso que desejamos a presença de vocês, para que nesta edição da feira do livro anarquista, as ideias que descansam nos livros alimentem nossas redes e se traduzam em nossas ações!

agência de notícias anarquistas-ana

Parece gostosa
a neve que chega em flocos
tão suavemente.

Issa

[Grécia] Patras | Dezembro de 2008 – Dezembro de 2021

13 anos desde o assassinato do estudante anarquista Alexis Grigoropoulos, de 15 anos, pelo policial Korkoneas em Exarchia, e a magnífica agitação social que se seguiu…

Contra a política de morte do Estado, a crise estrutural e prolongada do sistema capitalista, a gestão criminosa da pandemia e da repressão do Estado, os assassinatos nos bairros, nos locais de trabalho e nas fronteiras… continuamos a luta pela Vida, Saúde, Dignidade e Liberdade.

CONTRA O CAPITALISMO, REVOLTAS SOCIAIS E DE CLASSE

Manifestação: Segunda-feira 6/12, 12h00, a partir de Esperos, centro de Patras

Grupo Anarquista “Cavalo Indomável”

ipposd.org

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/10/grecia-marca-12o-aniversario-do-assassinato-de-alexis-grigoropoulos/

agência de notícias anarquistas-ana

O vento cortante
Assim chega ao seu destino –
Barulho do mar.

Ikenishi Gonsui

[Grécia] Interpelação de camaradas menores de idade por uma faixa em Strefi

Na noite de ontem, 2 de dezembro, alguns camaradas do Centro Social Okupado Zizania foram pendurar uma faixa em Strefi e foram apreendidos pela polícia em um outro exemplo diário de intimidação e repressão. Esses camaradas têm ambos cerca de 15 anos. A faixa chama à manifestação do dia 6 de dezembro [em memória do jovem anarquista Alexis Grigoropoulos, assassinado pela polícia grega em 2008, aos 15 anos de idade], e onde se lê “Nenhum mês de dezembro acabou! A insurreição é mais necessária que nunca!”.

Enquanto os camaradas penduravam a faixa, um grupo de policiais Delta passaram e os disseram que removessem a faixa, o que se recusaram a fazer. Após intimidarem os camaradas, levaram dois deles, que eram menores de idade, à delegacia. Foram eventualmente soltos após checarem suas identidades. Não se perde em nós, nem acreditamos que se perde nos policiais o fato de que apreenderam dois adolescentes que estavam pendurando uma faixa para resistir ao assassinato de um terceiro adolescente por um policial.

Os policiais querem comunicar que têm controle completo. Querem demonstrar que podem nos prender e intimidar, e agredir e matar indiscriminadamente. Que ser um adolescente em Exarchia é perigoso. Como sempre, recusamos e resistimos. Adolescentes continuarão tomando as ruas. Vamos todos continuar a tomar as ruas.

Veremos você na manifestação do dia 6 de dezembro, e você pode ver nossa faixa em Strefi e nas varandas da nossa okupação.

Nenhum mês de dezembro acabou!

A insurreição é mais necessária que nunca!

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1615737/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Num pesado embalo
alguém traz a cerejeira –
Noite de luar.

Suzuki Michihiko

[EUA] Lançamento: “The Nation on No Map | Anarquismo Negro e Abolição”

William C. Anderson (Autor), Saidiya Hartman (Prefácio), Lorenzo Kom’boa Ervin (Posfácio)

Uma chamada para uma transformação radical face à crise generalizada.

The Nation on No Map examina o poder do Estado, abolição, e tensões ideológicas na luta pela libertação Negra enquanto concentra as políticas de autodeterminação e autonomia Negras. Em meio a interesses renovados no anarquismo Negro entre a esquerda, Anderson oferece uma rejeição por princípio ao reformismo, assim como à construção de nação e cidadania na luta contínua contra o capitalismo e a supremacia branca. Como uma alternativa viável em meio à piora das condições sociais, ele chama à urgente priorização do crescimento baseado na comunidade, argumentando que, para superar a opressão, as pessoas devem construir capacidades além do Estado. Isso interroga como história e mito e liderança são utilizados para reabilitar governança ao invés de alcançar uma abolição revolucionária. Por complicar nossa compreensão dos predicamentos que enfrentamos, The Nation on No Map espera encorajar seus leitores a utilizar lentes anárquicas Negras em favor da transformação total, não importa como seja chamada. O texto de Anderson examina o reformismo, a ortodoxia e a própria ideia de Estado-nação como problemas que devem ser transcendidos e lugares-chave para a reconstrução da perspectiva de luta em um contexto libertário.

“Lançando nova luz nos trabalhos de pensadores anarquistas Negros como Lucy Parsons, Kuwasi Balagoon e Lorenzo Kom’boa Ervin, William C. Anderson nos convida a conceber a libertação Negra fora das algemas do Estado-nação. Participando novamente dos itinerários intelectual e político da rebelião Negra global, Anderson provém uma exploração incisiva e altamente original da urgência contínua do pensamento anarquista Negro e sua prática no século 21. The Nation on No Map é leitura essencial para qualquer um interessado em construir futuros abolicionistas.” — Robyn Maynard, autor de Policing Black Lives: State Violence in Canada from Slavery to the Present

The Nation on No Mapextrai uma genealogia rica da Tradição Radical Negra para desafiar condições resistentes de dominação supremacista branca e capitalista. Resgatando diversas linhagens de filosofia política e práxis anarquista Negra, William C. Anderson oferece uma meditação urgente e incisiva para libertação — uma que move a abolição para além do Estado.” — J. Kēhaulani Kauanui, autor de Paradoxes of Hawaiian Sovereignty: Land, Sex, and the Colonial Politics of State Nationalism

“Esta é uma contribuição extremamente importante para o discurso crítico relativo à natureza do racismo, elitismo, misoginia e outras formas de hierarquia como manifestações primárias de Estado-nação. Inclui uma explicação definitiva dos perigos completos da liderança carismática e veneração de celebridades individuais que ofuscam nossa compreensão da real natureza de um movimento social autêntico e válido. Procedendo de um pressuposto muito claro, preciso, e intensamente observado de que o Estado-nação deve ser desmantelado para que seja abordada a causa raiz da hierarquia em todas as suas formas feias e violentas, Anderson enche uma narrativa ampla repleta de experiência humana que nos ajuda a compreender inteiramente o escopo de nossa jornada humana de longo prazo por um mundo sem Estado e sem classe, desprovido de todas as formas de desigualdade social.” — Dr. Modibo M. Kadalie, fundador convocado do Autonomous Research Institute for Direct Democracy and Social Ecology e autor de Pan-African Social Ecology: Speeches, Conversations, and Essays

William C. Anderson é escritor e ativista de Birmingham, Alabama. Seu trabalho já apareceu no the GuardianMTVTruthoutBritish Journal of Photography Pitchfork, entre outros. Ele é coautor do livro As Black as Resistance (AK Press, 2018) e cofundador do Offshoot Journal. Também provém direção criativa como um dos produtores do Black Autonomy Podcast. Seus textos foram inclusos nas antologias Who Do You Serve, Who Do You Protect? (Haymarket, 2016) e No Selves to Defend (Mariame Kaba, 2014).

Saidiya Hartman é autora de Wayward Lives, Beautiful Experiments: Intimate Histories of Riotous Black Girls, Trouble some Women, and Queer Radicals Lose Your Mother: A Journey Along the Atlantic Slave Route, entre outras obras.

Lorenzo Kom’boa Ervin é autor de Anarchism and the Black Revolution.

The Nation on No Map | Black Anarchism and Abolition

William C. Anderson (Autor), Saidiya Hartman (Prefácio), Lorenzo Kom’boa Ervin (Posfácio)

Editora: AK Press

Formato: livro impresso

Vinculação: pb

Páginas: 120

ISBN-13: 9781849354349

$15.00

akpress.org

Tradução > Sky

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/09/05/eua-lancamento-as-black-as-resistance-finding-the-conditions-for-liberation/

agência de notícias anarquistas-ana

chapinhando a água
o vento da madrugada
brincando com a lua.

José Alberto Lopes