[EUA] Dia internacional de solidariedade com xs presxs anarquistas de condenação longa (11 de Junho)

Contra outro ano de abusos do Estado, contra as restrições da liberdade de movimento sob os argumentos da “segurança”, contra a contínua brutalidade de nossxs companheirxs na prisão, chamamos à renovação da solidariedade em 11 de Junho de 2021: Dia internacional de Solidariedade com Marius Mason e todxs presxs anarquistas de longa duração. Durante 17 anos, o 11 de Junho tem sido uma ocasião para celebrar, chorar e se rebelar. Tem sido um momento para respirar, para lembrar dxs caídxs e dxs que estão nas jaulas, para nos lembrarmos por que seguimos comprometidxs com a Bela Ideia do anarquismo. Através de nossas cartas, manifestações, arrecadação de fundos e ataques solidários, mantemos a chama para aquelxs que dão anos de sua vida por sua convicção de que o Estado é um horror, e contra ele devemos apostar nossas vidas.

A MEMÓRIA SEGUE SENDO UMA ARMA

O 11 de Junho é, nas palavras de Christos Tsakalos, um dia contra o esquecimento. Xs arquitetxs da sociedade carcerária querem que a prisão funcione como um buraco da memória, jogando ao vazio nossxs queridxs rebeldes e produzindo nas almas livres uma amnésia asfixiante. Querem que esqueçamos quem atuou contra o Estado e a economia, e a quem continua sua rebelião entre as grades. Nosso trabalho de solidariedade com anarquistas presxs é uma martelada contra o esquecimento: contra os muros das prisões e da sociedade tecnológica narcotizante, que destroça todo sentido.

Como tal, lembramos não apenas de nossxs companeirxs atrás das grades, mas xs que morreram. Marilú Maschietto na Itália. O ex-preso político Alexei “Sócrates” Sutuga, na Rússia. Robert D’Attilio, que manteve viva a memória de Sacco e Vanzetti. Doris Ensinger, companheira do anarquista de toda a vida e ex-preso Luis Edo. A incansável anarquista abolicionista Karen Smith. Lucio Urtubia, cuja vida de expropriação ao serviço da luta segue sendo uma inspiração.

Por último: Stuart Christie. A vida e o exemplo de Stuart projetam uma enorme sombra em nossos esforços. Desde a sua época de jovem preso na Espanha de Franco e sua ativação da Cruz Negra Anarquista nos anos 70, até sua perseguição nos julgamentos das Brigadas da Cólera e seu trabalho no arquivo da história anarquista através de Cienfuegos Press Christie Books, o incansável trabalho de Stuart não será esquecido. Ele e todxs nossxs companheirxs caídxs, tendo conhecido pessoalmente ou não, estão vivxs em espírito no nosso trabalho deste ano.

PARA COMBATER A ORDEM ATUAL

As administrações penitenciárias de todo o mundo têm respondido à pandemia do COVID-19 com a aplicação de fechamentos e a proibição da visita pessoalmente, se baseando no movimento anterior de substituir as visitas presenciais por chat de vídeo. O correio físico também está ameaçado, e o sistema penitenciários dos Estados Unidos iniciou um programa para escanear as cartas e torná-las acessíveis unicamente em caros tablets proporcionados por uma empresa contratada, Smart Communications. Isto permite uma vigilância mais fácil e é lucrativo para a Smart Communications, que pode cobrar tarifas exorbitantes pelo acesso a seus serviços. É provável que esta tendência continue nas prisões de todo o mundo. Com a pandemia como álibi, as administrações penitenciárias e as empresas especuladoras aceleraram a supressão da conexão humana direta e a transferência da vida dxs presxs à tecnoesfera. Xs presxs anarquistas têm estado na ofensiva da oposição a este regime de controle, como a prisioneira anarquista Mónica Caballero, realizando uma greve de fome em 2020 para exigir a restauração das visitas presenciais.

REBELIÃO E REAÇÃO

Um ano depois do assassinato de George Floyd, nosso contexto [estadunidense] ainda está fortemente influenciado pela onda de protestos, distúrbios e organização que se seguiu. Além da nova energia, as amizades e as práticas que surgiram do levante, a repressão que seguiu afetará a nós mesmxs e às nossas lutas durante os próximos anos. Foram realizadas mais de 13.000 detenções, com ao menos uma centena de delitos graves a nível estatal e mais de 325 casos federais. Um número desconhecido já se declarou culpado ou segue presx antes do julgamento. Entre xs detidxs há todo tipo de pessoas: algumas jovens, outras maiores; algumas ativistas de longa data, outras recém radicalizadas; algumas muito vinculadas a movimentos ou lutas, e outras mais isoladas. Os fundos de fiança e os projetos de apoio à prisão existentes têm ampliado muito seu alcance, e tem surgido muitos novos em todo o país. E alguns já começaram a se contrair, devido à desaceleração da atividade nas ruas e ao excesso de trabalho em modelos insustentáveis. Forma parte da mesma continuidade da luta contra a repressão que o apoio a nossxs presxs de longa condenação.

O mais provável é que algumas pessoas acusadas da revolta acabem cumprindo longas penas de prisão. Ainda que tanto o apoio imediato à prisão como o apoio às pessoas presas de longa condenação continuem, agora nos encontramos em um período de transição coletiva entre ambos. O apoio à fiança e à prisão, o apoio nos tribunais e o apoio a presxs devem ser feitos de maneira que nos façam mais fortes no lugar de nos esgotar. Já se começou a estabelecer algumas conexões entre presxs do movimento e da revolta nas ruas. Jeremy Hammond e seus amigos gravaram um vídeo de um pequeno protesto e uma mensagem de solidariedade desde a prisão do condado de Grady. O ex-preso político da libertação negra, Dhoruba Bin-Wahad falou sobre um Black Lives Matter que significa Movimento de Libertação Negra, e a importância da educação política. Este ano, buscamos aprofundar a conexão entre os diferentes aspectos da anti-repressão, para levar os nomes e a sabedoria de nossxs presxs de longa condenação às lutas atuais – seja nas ruas contra a polícia, nas florestas contra os oleodutos, ou na noite contra os monumentos de poder – e fortalecer as redes e as práticas para apoiar mais companheirxs que vão à prisão.

FLORES DE PRESENTE ÀXS REBELDES ENCARCERADXS

O ano passado nos deu a libertação de duas pessoas presas anarquistas de longa condenação nos Estados Unidos: Jeremy Hammond e Jay Chase. Na Espanha, a anarquista Lisa foi colocada em liberdade condicional em abril de 2021. A todxs elxs enviamos um afetuoso e fraternal cumprimento enquanto se adaptam a um novo terreno de vida.

Lamentavelmente, muitxs de nossxs companheirxs seguem entre grades, e por elxs seguimos lutando. Eric King espera o julgamento (atualmente fixado para outubro de 2021) por um incidente em que foi agredido na prisão. A Michael Kimble e Jennifer Rose recusaram a liberdade condicional. Sean Swain se viu obrigado de novo a lutar contra as permanentes restrições a suas comunicações por parte das autoridades penitenciárias.

Marius Mason segue lutando durante outro ano de encarceramento e sempre poderia utilizar cartas e artigos impressos para se manter conectado com o mundo exterior. Igual a outrxs presxs do sistema penitenciário estadunidense, não recebeu nenhuma visita pessoalmente há mais de um ano. Atualmente, Marius está realizando cursos por correspondência para se converter em assistente legal. A pandemia limitou a oportunidade de arrecadação de fundos, e as doações podem ajudar a compensar esta mudança.

Ao menos seis anarquistas foram presxs enquanto o Estado bielorrusso segue reprimindo o levante de 2020-2021. Entre eles se encontram Dmitry Dubovsky, Igor Olinevich, Sergei Romanov, Dmitry Rezanovich, Mikola Dziadok e Akihiro Gaevsky-Hanada, muitos dos quais foram presos anteriormente.

Na Grécia, xs anarquistas e outras pessoas participaram de audazes ataques contra símbolos empresariais e estatais em solidariedade com Dimitris Koufontinas, um guerrilheiro urbano comunista preso que iniciou uma greve de fome no início deste ano. Xs presxs anarquistas Giannis Dimitrakis e Nikos Maziotis se colocaram em greve de fome em solidariedade com ele durante mais de um mês para ajudar a gerar solidariedade.

No Chile, Mónica Caballero e Francisco Solar voltaram a ser detidxs em julho de 2020, desta vez com acusações relacionadas com ataques incendiários contra ministros do governo e de uma empresa imobiliária. Elxs, junto com outrxs presxs, iniciaram uma greve de fome em 22 de março de 2021, exigindo a revogação das medidas extremamente punitivas contra xs presxs. Também exigiram a libertação do preso autônomo Marcelo Villarroel, assim como de todxs presxs mapuches, anarquistas e subversivxs.

Na Itália, Nicola Gai foi finalmente libertado da prisão, enquanto Anna Beniamino e Alfredo Cospito foram condenado a 16 e 20 anos, respectivamente, por sua presumida participação em atentados com bomba associados à Federação Anarquista Informal (FAI). Em 2020, os presos anarquistas Beppe e Davide Delogu iniciaram uma greve de fome em resposta às medidas punitivas adotadas contra eles pelos administradores da prisão, a que pronto se uniram outros presos anarquistas.

O 11 de Junho provém de um legado de defesa dos animais, da terra e da natureza. Ainda que não pretendemos atribuir ao nosso anarquismo, apoiamos axs defensorxs da terra e axs protetorxs da água em seus próprios termos. Red Fawn Fallis, na prisão federal por acusações relacionadas com a oposição ao oleoduto Dakota Access, foi libertado no ano passado. Rattler, outro preso de Não DAPL, foi posto em liberdade no início desse ano. Até sua recente colocação em liberdade, o protetor da água Steve Martínez se encontrava na prisão federal por se negar a cooperar com um grande jurado. Alguns dos Kings Bay Plowshares se encontram agora em celas de prisão por seu testemunho cristão radical contra os horrores da guerra nuclear e do homicídio.

Condenamos as operações repressivas contra xs anarquistas no Reino Unido e as redes mundiais de contrainformação. O assalto aos servidores de nostate.net por parte do Estado holandês é um ataque descarado à comunicação e à solidariedade internacional. Igual que com os ataques anteriores aos projetos de contrainformação e solidariedade com xs presxs, as ações do Estado deixam nítido que a solidariedade combativa com xs presxs e a coordenação do ataque informal são um perigo para a ordem. Os bandidos da polícia querem a retração da solidariedade diante de sua perseguição, mas nos recusamos. Nos solidarizamos plenamente com quem enfrenta a repressão no Reino Unido, assim como xs companheirxs de 325, Anarchist Black Cross Berlin, Northshore Counter-Info, Montreal Counter-Info e Act for Freedom Now.

Também queremos expressar nossa solidariedade com quem não se identifica como anarquista e com quem participa nas lutas sociais. Vemos a anarquia como uma tensão através da qual nos esforçamos na vida diária. Isso nos leva a olhar além do mundo das lutas oficiais e dos meios anarquistas, e a encontrar a anarquia e a subversão em todo o mundo mais amplamente.

As pessoas atuam anarquicamente em todos os lugares, inclusive muitxs dxs que estão presxs atualmente. Não se trata necessariamente de pessoas especiais a se idealizar, mas de revoltosxs em todos os aspectos da vida. Não pretendemos que todo o mundo seja um anarquista em silêncio que, quando se elimine a repressão psíquica, floresça como tal. As pessoas podem atuar de uma maneira que nos parece linda em um momento dado, mas ao seguinte faz algo com que não estamos de acordo. Ainda assim, nos solidarizamos com essas pessoas porque realizam atos de rechaço e revolta. Vemos a anarquia não como uma identidade pura que se fixa em pessoas especiais, mas como um espírito que surge da atividade que abre o espaço para a liberdade e a comunidade. Como anarquistas, compartilhamos as alegrias e dificuldades da liberdade, suas contradições e complicações. Não estamos por cima dxs demais, árbitrxs purxs da liberdade, mas somos indivíduxs capazes da mais covarde submissão e da mais audaciosa rebeldia. No lugar de adorar a quem parece encarnar mais nossos valores, tenderemos ao fogo da anarquia ali onde a encontremos.

 ABOLIÇÃO E OUTRAS PALAVRAS ESCORREGADIÇAS

 Apesar da generalização da abolição das prisões, atualmente há mais de 10 milhões de pessoas fechadas nas masmorras do mundo, uma cifra que aumenta mais rápido que o aumento da população. Ao mesmo tempo que vimos se generalização a ideia de abolição, também a vemos mutilada. Se bem isto se relaciona em grande medida com a abolição da polícia, as mesmas distorções devem ser questionadas no discurso sobre a abolição das prisões. A cidade de Camden, Nova Jersey [EUA] que “aboliu” seu departamento de polícia em 2013, foi promovida como um exemplo exitoso que outras cidades poderiam seguir para enfrentar uma força policial racista e violenta, mas o departamento de polícia da cidade foi simplesmente substituído por um do condado. Isso não é uma abolição. Igual que a diminuição do financiamento ou a redução da polícia não é uma abolição; igual que as juntas de revista civil não exigiram nem exigirão responsabilidades a ninguém; igual que menos dinheiro, menos agentes de polícia ou comitês de supervisão não abolirão as prisões. Sabemos que a polícia e as prisões não podem ser abolidas desta sociedade: se necessitam mutuamente. Presxs políticxs, rebeldes das prisões e quem se recusa a submeter serão alguns dxs últimxs em receber os indultos do Estado que se derivam das reformas. Quando dizemos que queremos a “abolição”, queremos que a polícia, as prisões e a sociedade que necessita delas deixem de existir.

QUE COMECEM OS JOGOS

Nos encontramos em uma encruzilhada. Deixamos que o anarquismo se converta em algo plano e incolor, uma nova palavra para descrever um velho cadáver? Nos evaporamos no vago esquerdismo e seu cansado teatro de ativismo? Renunciamos nossos princípios – solidariedade, apoio mútuo, ação direta, cooperação – axs novxs gestorxs da revolta?

Ou nos manteremos com nossa própria luz, nossa própria visão, nosso próprio projeto? O 11 de Junho segue sendo uma luz na escuridão: para nossxs companeirxs na prisão, mas também para nós. Nosso trabalho renova nossa fidelidade à liberdade e à vida em comum. Nos afirma, em nossa dúvida e confusão, que a anarquia vive em nós dia a dia, e nos conecta com uma rica e vibrante história de revoltas de espírito livre. Afirmar que a anarquia será combativa ou estará morta. A solidariedade com xs presxs anarquistas não é, para nós, um esforço sem humor, uma rotina infectada pelo dever. É um jogo generativo e a base de uma comunidade livre. Vem com a gente?

june11.noblogs.org

Tradução > Caninana

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/05/06/eua-11-de-junho-de-2020-dia-internacional-de-solidariedade-com-prisioneiros-anarquistas-de-longa-data/

agência de notícias anarquistas-ana

Lua cheia!
Por mais que caminhe,
O céu é de outro lugar.

Chiyo-jo

[Holanda] Amsterdam, 12 de junho: Manifestação pela Anarquia

Olá, membros do Vrije Bond,

No sábado, 12 de junho, o Vrije Bond Amsterdam está organizando uma Manifestação pela Anarquia na Mercatorplein, em Amsterdam. Já faz um bom tempo que vemos o movimento anarquista crescendo e queremos mostrar nossa força nas ruas. O Vrije Bond está crescendo com mais membros, expandindo suas atividades e mais e mais grupos locais e temáticos estão se juntando! Queremos ir às ruas com todos nós juntos para mostrar pelo que lutamos. Para mostrar que o movimento anarquista está vivo e forte. Para mostrar que lutaremos contra todas as formas de opressão em qualquer lugar que as virmos. E mostrar que estamos construindo alternativas para criar um mundo melhor. Você pode encontrar a chamada aqui:

https://www.vrijebond.org/demonstratie-voor-anarchie/

Manifestação dividida em 5 blocos.

A manifestação em si será dividida em 5 blocos diferentes. Uma para cada uma das diferentes bandeiras do anarco: preto-rosa para anarquismo queer, preto-vermelho para anarco-comunismo e anarco-sindicalismo, preto-roxo para anarco-feminismo, preto-verde para anarquismo ecológico e preto-preto para os clássicos. Queremos convidar todos os grupos e indivíduos a se unirem a um dos blocos e ajudar a dar-lhe forma. Você pode fazer isso de várias maneiras: leve cartazes e faixas, alguém para fazer um discurso, crie seus próprios slogans e os divulgue, traga seu próprio sistema de som, etc. Em qual bloco você gostaria de entrar? Tem alguma ideia para acrescentar a um dos blocos, mas quer perguntar-nos algo sobre isso ou quer a nossa ajuda?

Envie-nos para: vrijebondamsterdam@riseup.net

Precisamos da sua ajuda.

Ainda podemos usar toda a ajuda que pudermos encontrar para tornar este evento um verdadeiro sucesso. Procuramos pessoas para ajudar a distribuir panfletos e pôsteres para a manifestação, que queiram assumir tarefas na manifestação, que possam divulgar o anúncio da manifestação online, pessoas que queiram folhear a própria manifestação e muito mais!

Você quer? Envie-nos para: vrijebondamsterdam@riseup.net

Venham todos para a manifestação!

Mostre ao mundo do que é feito o movimento anarquista!

Sem chefes ou políticos, mas com auto-organização e anarquia!

Fique seguro, continue perigoso!

Vrije Bond Amsterdamhttps

www.vrijebond.org

>> O Vrije Bond (União Livre) é um grupo de pessoas que buscam construir uma sociedade diferente: uma sociedade sem hierarquias, sem opressão e sem exploração de humanos, animais e meio ambiente; uma sociedade anarquista na qual lidamos uns com os outros em uma base de igualdade. Os membros do Vrije Bond estão todos trabalhando à sua maneira, em sua própria cidade, bairro, trabalho ou grupo de ação, para criar tal sociedade. Eles estão fazendo isso por meio da ação direta, organizando discussões, escrevendo artigos ou fornecendo informações. O Vrije Bond serve de plataforma para nos conhecermos, trocar experiências, desenvolver teoria e estratégias, mas também para organizar atividades e apoiá-las.

Tradução > Da Vinci

agência de notícias anarquistas-ana

ipê florido
as abelhas zunem
folhas caídas

Rubens Jardim

“Eu não sou democrata”

Entrevista com Edson Passetti (Cientista Social)

T r e c h o s:

“Eu não sou! Não é o problema dizer que eu não sou, eu não sou democrata. Não faço parte desse pluralismo que “empastela” direita e esquerda, em que todos competem, segundo espera a racionalidade liberal.”

“Foram os anarquistas que mostraram primeiro a emergência dessas forças de direita se organizando, se estruturando e que acabaram dando nessa consagração do atual capitão reformado. Foram os anarquistas que mostraram isso. Agora, a reação que os anarquistas tiveram sobre eles foi justamente o quê? Filósofos da USP acusando os anarquistas de fascistas. Essa é a mais contundente: fazendo palestras para a academia de polícia deixando bem claro que os vândalos eram os anarquistas. Alguns filósofos uspianos falaram que os black blocks eram fascistas e não eram.”

“La Boétie tem outra coisa muito boa: nós preferimos obedecer. É isso que é necessário romper. Se você romper com o castigo, rompe com a relação de obediência, que é o princípio da relação de poder, de Estado e de soberania, etc.”

“Kafka tem muito disso, uma admiração pelos bichos, de compreender os bichos, de não tratar os animais como alguém à parte da existência humana, como a tradição aristotélica. Então, eu tenho algo muito forte por Kafka. Não sei, acho essa coisa do escritor de escrever porque é vital e não para ser publicado… Escreve como um jeito de se transformar. Isso tem no Foucault. Ele transforma escrevendo, como uma urgência.”

“Ovelha negra, não; ovelha branca ou preta é ovelha; eu não sou ovelha, não preciso de pastor.”

>> Para conferir a entrevista na íntegra, clique aqui:

https://www.revistas.usp.br/malala/article/view/162551/156374?fbclid=IwAR2h1dzkcVSlxbHtaCstERUpfE5v3y6uNfKxYRer9XXrUvIlwvNTYlw-gWU

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Sou definitivamente
louca do haikai.
Ele, também.

Manuela Miga

Rádio Pirata del Caribe | “Colômbia rebelde”, bate-papo com compas da ULRT-AIT

Rádio Pirata del Caribe convida para um bate-papo com os compas da ULET-AIT, que falarão sobre a situação na Colômbia e suas experiências durante o Paro Nacional que ainda continua naquela região.

A transmissão acontecerá ao vivo na próxima sexta-feira 4 de junho via Telegram, através do chat de voz no canal t.me/CorreoFACC, espaço de difusão da Federação Anarquista da América Central e do Caribe.

18h Bogotá – 19h Havana – 1h Madrid

Para participar, lembre-se de ter atualizado sua versão do Telegram. Posteriormente divulgaremos a gravação do podcast

#RadioPirataDelCaribe #ColômbiaResiste #ParoNacional #ElParoNoPara #LaVidaSeRespeta

Conteúdos relacionados:

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/04/27/radio-pirata-del-caribe-um-novo-podcast-libertario/

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Chuva cai lá fora
No batuque das goteiras.
Eu durmo tranqüilo.

Natacha Lemes Batistão

[Espanha] “El último resistente de Madrid”. Ajude-nos a resistir!

Vaquinha virtual para a edição do livro “El último resistente de Madrid

Biografia e antologia de Mauro Bajatierra Morán, padeiro anarquista, sindicalista, jornalista de ação, apelidado por Lucía Sánchez Saornil como “el último resistente de Madrid” em 1939.

Escrito pelo historiador e camarada Julián Vadillo Muñoz!

Esperamos que você goste da ideia, contamos com seu apoio. Saúde!

Mauro Bajatierra Morán (Madrid, 1884-1939) foi uma figura-chave na compreensão do estabelecimento e desenvolvimento do movimento operário e libertário em Madrid no primeiro terço do século XX. Padeiro de profissão, sua habilidade e autoeducação o levaram a conhecer muitos idiomas e a colaborar desde cedo na imprensa, o que fez de Bajatierra um jornalista a serviço dos trabalhadores. Algumas delas estão incluídas nesta antologia.

Apesar de pertencer às sociedades de panificação da UGT, Bajatierra promoveu a criação do Ateneu Sindicalista de Madrid e do Centro de Estudos Sociais da capital da Espanha. Sua participação e seu testemunho são fundamentais para compreender o movimento operário na crise da Restauração. Militante da Maçonaria, Bajatierra foi acusado sem provas de ter participado da tentativa de assassinato contra o presidente do governo Eduardo Dato, mas foi absolvido dessas acusações. Ele escreveu a obra “Quem matou Dato?”, incluída neste livro.

Durante a ditadura de Primo de Rivera, seu trabalho foi fundamental nos contatos que a oposição republicana teve com o movimento anarquista, sendo um dos fundadores da FAI, a Federação Anarquista Ibérica, em 1927. Crítico das medidas do governo republicano-socialista desenvolvidas a partir de 1931, o anarquista madrilenho sempre foi a favor da aliança revolucionária entre a CNT e a UGT, participando também com sua caneta em numerosos jornais da época.

A Guerra Civil foi o epítome de sua carreira. Correspondente de guerra do jornal CNT, suas crônicas estavam entre as mais famosas da época.

As atividades de Bajatierra também estavam centradas na literatura, sendo autor de numerosos romances curtos, contos infantis e peças de teatro, alguns dos quais alcançaram grande fama na época.

Seu assassinato em 28 de março de 1939 em Madri, às portas de sua casa, fez de Bajatierra uma das primeiras vítimas do fascismo na capital da Espanha. E como Lucía Sánchez Saornil o apelidou de: “El ultimo resistente de Madrid”.

>> Para apoiar a vaquinha virtual, clique aqui:

https://www.verkami.com/projects/30176-el-ultimo-resistente-de-madrid-un-libro-para-salvar-una-libreria

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/03/espanha-mauro-bajatierra-o-cronista-da-cnt-que-melhor-contou-a-guerra-civil/

agência de notícias anarquistas-ana

Oh cruel vendaval!
Um bando de pequenos pardais
agarra-se à relva.

Buson

[Espanha] Limpeza étnica em Sheikh Jarrah e bombardeio israelita sobre Gaza

Mohammed El Kurd é um poeta palestino de 22 anos. Sua história de vida é uma história de ocupação em tempo real. Metade de sua casa, localizada no bairro de Jerusalém Oriental de Sheikh Jarrah, foi ocupada em 2009 por colonos judeus. Na época, ele tinha 11 anos de idade. Desde então ele cresceu com esses homens ao seu lado, que procuram expulsá-lo, sua família e outras 27 famílias no Sheikh Jarrah. O mesmo acontece na área de Silwan com 84 famílias que enfrentam ações de despejo movidas por colonos que reivindicam seus bens. Às vezes, quando Mohammed chegava da escola, os colonos cantavam slogans como “logo você estará dormindo em um depósito de lixo em Ramallah” ou “por sangue e fogo expulsaremos os árabes”. Sua avó, Rifqa, que morreu em 2020 com 103 anos de idade, resistiu durante anos às tentativas de despejo e se tornou um ícone na vizinhança.

No início de maio, a Suprema Corte israelense estava programada para decidir de uma vez por todas sobre os direitos de moradia das famílias do Sheikh Jarrah. Durante esses dias ocorreram alguns protestos – em sua maioria pacíficos – pró-Palestina, o que levou a Suprema Corte a suspender a publicação de sua decisão. Os protestos habituais nos territórios ocupados foram acompanhados por manifestações palestinas dentro das fronteiras de Israel, o que é uma ocorrência rara. Estas manifestações não são organizadas por partidos políticos, mas por jovens ativistas palestinos, comitês de bairro e grupos de base. Eles procuram mostrar que não estamos lidando com um conflito imobiliário entre indivíduos e que a palavra “despejo” não ilustra adequadamente o que pode acontecer. “Isto é deslocamento étnico forçado”, explicou El Kurd a vários veículos de comunicação.

A Limpeza Étnica Palestina e o Cinturão Judaico

Yonatan Yosef, porta-voz dos colonos israelenses no Sheikh Jarrah, parece concordar com El Kurd: “Tomamos casa após casa, toda esta área será um bairro judeu. Ainda não terminamos o trabalho, então iremos para o próximo bairro, e depois disso iremos para outro bairro. Nosso sonho é que toda Jerusalém Oriental seja como Jerusalém Ocidental, a capital judaica de Israel”, explicou ele em uma entrevista a vários veículos de comunicação. Outro colono acrescenta: “Eu vejo isso como a continuação do projeto sionista, o retorno a Zion. O retorno a Sião, às custas dos árabes? Sim, mas nossas instituições também foram construídas às custas dos árabes que aqui viviam. E o próprio Estado israelense”.

A origem do conflito data de 1948, quando o Estado de Israel foi fundado e mais de 700.000 palestinos foram deslocados à força (um episódio conhecido como o Nakba). Em 1957, graças à intervenção da Jordânia, milhares de famílias palestinas foram realocadas para o bairro Sheikh Jarrah. Quando Jerusalém Oriental foi ilegalmente ocupada por Israel em 1967, o governo de Tel Aviv aprovou a Lei de Assuntos Jurídicos e Administrativos, que determinou que as terras em Jerusalém Oriental que tinham pertencido aos judeus (e somente aos judeus) antes de 1948 seriam devolvidas aos seus proprietários se eles as reivindicassem. Os palestinos, por sua vez, seriam deslocados à força, impedidos até mesmo de entrar no Estado de Israel e de visitar as terras de seus antepassados, e desapossados de suas terras, ações que são consideradas um crime de guerra sob o Estatuto de Roma. B’Tselem, principal organização de direitos humanos de Israel, observou em 2019 que o judiciário israelense revogou a residência de mais de 14.500 palestinos de Jerusalém Oriental.

Em uma visita a Jerusalém Oriental em 2002, o então Ministro do Turismo Binyamin Elon observou que o plano estratégico para a cidade era assegurar “um cinturão de continuidade judaica de leste a oeste”.

Em 2021, este cinturão judeu está se expandindo e os territórios palestinos estão encolhendo e se tornando cada vez mais desconectados, tornando impossível a criação de um Estado próprio: a Cisjordânia está fisicamente separada de Jerusalém Oriental pelo muro (o que, nas palavras do historiador Ilan Pappé, transforma a Cisjordânia na “maior prisão da Terra”) e Gaza é formada por municípios divididos por postos de controle militares impossíveis de contornar.

E é neste contexto que os protestos começaram no início de maio contra os deslocamentos forçados em Jerusalém Oriental que se espera que a Suprema Corte autorize.

Com um tom de voz suave e calmo e um bom domínio do inglês, Mohammed El Kurd tornou-se o símbolo da resistência palestina em Jerusalém Oriental durante uma entrevista na CNN. O “jornalista” lhe perguntou: “Você apoia os protestos violentos que surgiram em solidariedade com você e famílias como a sua?” ao que El Kurd respondeu: “Você apoia minha despossessão violenta e a de minha família? Após alguns segundos de incômodo silêncio, o entrevistador repetiu “Eu simplesmente quero saber se você apoia os protestos que irromperam em seu apoio e de sua família”. Kurd respondeu “Eu apoio as mobilizações populares contra a limpeza étnica, sim”.

Os Estados Unidos e a comunidade internacional

A frase “Você apoia minha despossessão violenta e a de minha família?” deu a volta ao mundo. Ela resume perfeitamente a situação que estamos vivendo: limpeza étnica, viva e direta, diante dos olhos da comunidade internacional, que permanece impassível.

As Nações Unidas sustentam, pelo menos oficialmente, que todos os territórios ocupados por Israel desde 1967 são ilegais e insistem em sua retirada de todos eles. Mas sua inação e o apoio expresso dos Estados Unidos significou que Israel pôde operar impunemente e até mesmo proclamar Jerusalém como a capital indivisível de Israel e do povo judeu.

Este é o caso mais recente de colonialismo em nossa história, ocorrendo bem debaixo dos nossos narizes e diante da indiferença do mundo inteiro.

“Morte aos árabes” em Al-Aqsa

Neste contexto de tensões e protestos em Jerusalém Oriental, e no meio do Ramadã, a polícia israelense apreendeu a área de Haram al-Sharif, ou o Santuário Nobre, o terceiro lugar mais sagrado do mundo para os muçulmanos porque é onde se encontra a mesquita Al-Aqsa. Esta mesma área, conhecida como o Monte do Templo, é também de grande importância para a fé judaica, pois é o local do Templo do Rei Salomão, destruído pelos babilônios, e há anos diferentes grupos extremistas judeus vêm disputando a administração deste local sagrado.

No dia 10 de maio, Dia de Israel, eclodiram confrontos em Haram-al-Sharif depois que um grupo extremista judaico supremacista organizou uma marcha na qual os participantes cantaram “Morte aos árabes” e alguns palestinos atacaram os judeus ortodoxos. Os incidentes terminaram com acusações policiais e tiroteios, mesmo entrando na mesquita e atacando adoradores orando no meio do Ramadã.

Atentados a bomba em Gaza

No dia seguinte às acusações na mesquita, o Hamas lançou foguetes em direção a Jerusalém Ocidental. E esta ação e a escalada das tensões foi seguida por bombardeios israelenses em Gaza contra, supostamente, os alvos do Hamas. Evidentemente, os dois lados do conflito não são simétricos e a sofisticação e letalidade das bombas israelenses é notavelmente superior à do Hamas. Não é por nada que os Estados Unidos fornecem a Israel 3,8 bilhões de dólares em apoio anual ao armamento.

Esses confrontos resultaram em mais de 254 palestinos mortos (mais de 60 deles crianças), mais de 1.700 feridos e na destruição de numerosos edifícios em Gaza (incluindo escritórios de imprensa). Por outro lado, do lado israelense, 12 pessoas foram mortas, incluindo uma mulher indiana e dois homens tailandeses.

O fato de que, apesar de ter armas inteligentes, tantos civis foram mortos em Gaza nos mostra, mais uma vez, que o Estado de Israel não se importa com as vidas palestinas.

De acordo com números da ONU, de 2008 a 2020, 5.590 palestinos foram mortos por ataques israelenses e 115.000 feridos. No mesmo período, houve 251 mortes israelenses por ataques palestinos e 5.600 feridos.

Os Estados Unidos e Marrocos: aliados de Israel

Nas últimas semanas vimos manifestações de apoio à Palestina em cidades ocidentais e assistimos a preciosos atos de solidariedade, como o fato de que os trabalhadores portuários no porto de Livorno impediram que um navio carregado de armas com destino a Israel partisse.

Mas também temos visto declarações miseráveis da direita e da extrema direita europeia expressando seu apoio claro e incondicional a Israel.

Quanto às posições oficiais dos Estados, vale ressaltar que durante os bombardeios em Gaza, os EUA foram o único poder no Conselho de Segurança da ONU a vetar um pedido de cessar-fogo.

Mas a posição marroquina é mais intrigante. Como explicamos há alguns meses, o Marrocos, que sempre apoiou oficialmente a causa palestina, estava aberto ao reconhecimento do Estado de Israel em troca do reconhecimento pelos Estados Unidos de sua soberania sobre o Saara Ocidental, com o que Donald Trump concordou. Com a chegada de Joe Biden à presidência, sua posição não mudou em relação à de seu predecessor e os povos palestinos e saarauí foram mais uma vez abandonados e geminados pelo infortúnio.

Em meados de maio, o regime marroquino abriu suas fronteiras em Ceuta para coincidir com a ofensiva israelense depois que se descobriu que o governo espanhol havia dado assistência médica ao líder da Frente Polisario, Brahim Gali. O Marrocos chantageia a Espanha e a Europa pela causa saarauí a fim de pressionar Biden também, em troca de sua mediação na Palestina e sua posição na África. A ditadura de Alawi oferece ser um enclave para as tropas americanas e um aliado contra a influência chinesa no continente.

Naturalmente, Rabat também quer enviar uma mensagem a Madri e Bruxelas de que pode criar um problema de migração para eles sempre que quiser. Os países europeus estão pagando ao Marrocos, como fazem à Turquia ou à Líbia, para serem nossa brutal polícia de fronteira. Em 18 de maio, o governo espanhol aprovou o pagamento de 30 milhões de euros ao Marrocos para este fim, enquanto a Corte Nacional espanhola reativou um processo de genocídio contra Brahim Gali após uma queixa apresentada por um confidente do Rei de Marrocos.

As potências ocidentais, a fim de manter sua hegemonia e poder em áreas remotas da África e da Ásia, colocaram-se a serviço daqueles que sistematicamente violam os direitos humanos. E aqueles que sofrem as consequências são os mais fracos.

Este artigo foi escrito com informações publicadas por Olga Rodríguez e Javier Gallego em diferentes artigos publicados em eldiario.es.

Fonte: https://acracia.org/limpieza-etnica-en-sheikh-jarrah-y-bombardeos-israelies-sobre-gaza/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

uma silhueta
recorta na noite
a velha preta

Carlos Seabra

[Reino Unido] ‘Construção de movimento, construção de comunidade’: o centro social anarquista em Londres

Escondido em um canto tranquilo do Elephant & Castle está o 56A Infoshop (56a.org.uk).

Gerido por voluntários e 100% sem financiamento, é um centro social radical, livraria e arquivo.

O que é um centro social radical? Os centros sociais têm muitas influências diferentes. Um é a longa história de prédios ocupados na Inglaterra que se abriram como lugares para as pessoas se envolverem em ideias, atividades e experimentos radicais. Na sua inauguração, o 56A também se inspirou na ideia do Infoshop. Os infoshops eram numerosos em muitas cidades combativas da Europa e forneciam espaço para reuniões, venda de livros e jornais, um local para reunir e planejar ações políticas, bem como a ideia mais simples – ser um lugar para descobrir as coisas e o que estava rolando!

Como o membro fundador C explicou, “nós o chamamos de infoshop, já que muitos de nós estávamos envolvidos na política radical em torno da criação de uma rede europeia de distribuição de notícias sobre lutas sociais”.

“Isso foi antes da internet, você sabe”.

“Ocupar não é mais um movimento massivo”.

Estabelecido em 1991 como um centro de informações para radicais, o voluntário J descreveu o 56A como “uma relíquia da cena de ocupação em Londres”.

“Muitos das antigas ocupações que eram realmente importantes foram fechadas ou desenvolvidas”.

“56A é o último homem de pé”.

Embora agora pague aluguel, o 56A foi um prédio ocupado de 1988 a 2003.

C acredita que as mudanças no tecido urbano estão por trás do declínio do movimento, ao lado da criminalização da ocupação residencial em 2012.

“Se você andasse pela área hoje, pensaria que era como qualquer outra parte de Londres, mas trinta anos atrás havia milhares de ocupações. A cidade está muito mais regulamentada e disciplinada agora, você não vê mais isso”.

“Neste momento, todo mundo está lutando contra condições terríveis. Múltiplos empregos, salários baixos, valores terríveis de aluguel… isso afeta a quantidade de tempo e energia que temos para construir espaços como o 56A”, acrescentou.

“Funcionamos porque confiamos uns nos outros”.

56A é organizado coletivamente. O voluntário de longa data D explicou o que isso significava: “operamos sem hierarquia. Ninguém está no comando”.

“Isso cria muito mais possibilidades de mudança e adaptabilidade porque as coisas não são consertadas”.

O 56A sobrevive com a venda de livros, zines e histórias em quadrinhos. Ou, como disse Jess, “qualquer coisa feita de papel”. A literatura disponível aborda uma variedade de tópicos, desde os Panteras Negras até a ecologia – e tudo mais.

J disse: “temos muitos itens raros, livros que você não encontraria em nenhum outro lugar”.

Premiado pelos voluntários foi o arquivo de acesso aberto do 56A com mais de 1.400 livros e 50.000 panfletos, papéis e folhetos.

“Estamos mantendo uma história de lutas e resistências passadas”, disse D. “Especialmente em uma época em que os movimentos não são tão fortes quanto antes, é vital manter um registro do que as pessoas fizeram antigamente”.

“Há muito conhecimento lá que não devemos esquecer”, acrescentou ela.

“Isto não é uma loja – é uma experiência na comunidade”.

Mais do que uma livraria, a 56A é um espaço onde as pessoas se encontram e convivem.

“Ninguém está envolvido porque eles só querem ocupar e vender livros”, explicou C. “Estamos interessados nas pessoas que vêm e no que elas estão fazendo”.

“56A é como uma sala de estar. Alguns simplesmente aparecem para tomar uma xícara de chá. Outros ficam o dia todo”.

Embora seja um coletivo anarquista, ele enfatizou que o 56A estava aberto a todos. “Este não é um lugar onde você deve sentir que está sendo avaliado ou se preocupar com a possibilidade de dizer a coisa errada”.

“Venha. Seja você mesmo”.

J descreveu por que esses pontos de encontro são valiosos.

“Em Londres, onde há cada vez menos espaços que podem ser acessados sem comprar algo, um lugar como o 56A é muito importante porque não é determinado pelo capital”.

“As comunidades precisam de espaços físicos onde possam estar juntas sem ter que gastar dinheiro”.

“Estamos chegando a um momento crítico de inabitabilidade nesta cidade”, ela continuou.

“Estamos longe de ser um fóssil revolucionário”.

No entanto, há um radicalismo no 56A.

“Se você fosse resumir nossa política, ela é anticapitalista”, explicou C.

“Estamos interessados em alternativas ao sistema atual. Eu sei que isso é difícil, quase impossível. Mas estamos tentando dar exemplos de possibilidades, para ser uma inspiração de algumas maneiras”.

Ele acrescentou: “Você não pode fazer política online. Os movimentos são baseados em duas coisas. Você precisa de outras pessoas com quem fazer as coisas. Você não pode fazer política sozinho. E você precisa de espaços como 56A. É a infraestrutura”.

Em um contexto político em constante mudança, os voluntários observaram que o 56A precisava ser dinâmico.

“Estamos constantemente perguntando quem somos nós, de onde viemos politicamente e o que queremos fazer com o espaço”, disse C.

“É ótimo funcionar como um repositório de ideias”, ele continuou, “mas se você entrar e forem apenas velhos panfletos anarquistas enfadonhos que não significam nada para ninguém, é inútil”.

“O que é incrível nos últimos anos é como as ideias radicais estão sendo reinventadas, particularmente por Black Lives Matter e movimentos anti-abolicionistas, para criticar o poder, a opressão e o Estado”.

“Devemos perguntar se somos relevantes para os jovens envolvidos nessas lutas”.

56A é politicamente ativo localmente. Ao lado de redes de ajuda mútua, organização sindical, solidariedade de prisioneiros e ativismo transqueer, seus membros estão envolvidos na campanha anti-gentrificação ‘Up the Elephant’ e trabalhando contra a escolaridade racista.

“É um futuro sombrio pra caralho, quando você olha para ele macroscopicamente”, disse C. “Mas o 56A deve continuar a existir”.

“Acreditamos que, à sua maneira, este lugar pode fazer a diferença”.

“Isso dá esperança”, acrescentou J.

J.W.E. Askew

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2021/05/26/movement-building-community-building-the-anarchist-social-centre-in-london/

Tradução > Da Vinci

agência de notícias anarquistas-ana

livro antigo
o bicho traça
o sonho dos sábios

Alexandre Brito

[EUA] Ativista Antifascista Preso Diz Que Guardas Federais Deixaram Que Supremacistas Brancos O Espancassem

O processo de direitos civis de Eric King alega um padrão de abuso por parte dos guardas do Federal Bureau of Prison [BOP, agência do Departamento de Justiça responsável pelo sistema federal de prisões] em várias instalações.

Por Natasha Lennard | 28/05/2021

Certa manhã, no início de 2018, Eric King foi acordado às 5 da manhã e retirado de sua cela de confinamento solitário por guardas da penitenciária federal dos Estados Unidos, McCreary, em Kentucky. King não conhecia os oficiais correcionais pelo nome, tendo sido recentemente transferido para a instalação por motivos inexplicáveis.

Naquela manhã, os guardas tinham algo a dizer a King, de acordo com um processo de direitos civis aberto esta semana em seu nome contra o Bureau Federal de Prisões e mais de 40 de seus agentes correcionais. Membros de uma gangue nacional de supremacia branca ativa na prisão, segundo os guardas, ameaçaram sua vida.

King é um conhecido ativista antifascista e anarquista. Ele está cumprindo uma sentença federal de 10 anos por jogar coquetéis molotov em um escritório do governo vazio em Kansas City, Missouri, em 2014. Ele disse que jogar os coquetéis molotov, que ele não acendeu, era uma forma de solidariedade à rebelião de Ferguson naquele ano, parte da luta de libertação negra contra a violência policial.

Naquele dia de 2018, na prisão em Kentucky, os guardas avisaram King que os supremacistas brancos queriam feri-lo gravemente. Eles perguntaram se ele se sentia seguro. King escolheu a resposta que ele acreditava que teria menos repercussões. “Sim, me sinto seguro”, disse ele, de acordo com o processo.

“Nesse ponto”, afirma o processo, os oficiais correcionais disseram a King “que ele poderia sair, mas o orientaram a sair por uma porta diferente daquela pela qual ele entrou.” King entrou pela porta. “[Ele] percebeu que, em vez de estar em um corredor ou espaço público no caminho de volta para sua cela, ele entrou em uma área externa fechada e trancada. Dentro desta sala estava um prisioneiro conhecido por ser membro da gangue mencionada.”

O supremacista branco – que superava o King de 1,52 m de altura e ligeiramente corpulento – atacou o antifascista. Os guardas não fizeram nada para intervir. King tinha, ele percebeu, sido preso por oficiais correcionais em conluio com membros de gangues da supremacia branca. Após o ataque relatado, King recebeu uma citação disciplinar por brigar.

King afirma que o incidente foi parte de um padrão contínuo de assédio e violência que ele sofreu nos últimos anos nas mãos do Bureau of Prisons. O Centro de Defesa das Liberdades Civis, uma organização legal sem fins lucrativos, entrou com a ação civil em seu nome, alegando que seus “direitos constitucionais têm sido continuamente violados desde 2018 em retaliação por suas ações políticas e antirracistas enquanto encarcerado”.

A Mesa das Prisões respondeu a questões relacionadas com o caso, declarando que “não comenta sobre litígios pendentes ou questões que são objeto de processos judiciais”. Um representante da agência acrescentou que “é missão do Bureau of Prisons operar instalações que sejam seguras, protegidas e humanas. O BOP leva a sério nosso dever de proteger os indivíduos sob nossa custódia, bem como manter a segurança da equipe correcional e da comunidade.”

King está detido na Instituição Correcional Federal de Englewood, em confinamento solitário, conhecido oficialmente como Unidade de Habitação Especial, por mais de 1.000 dias. Atualmente, ele é uma das únicas 80 pessoas da rede federal que estão detidas na unidade há mais de um ano.

Seus advogados dizem no processo que ele enfrentou nada menos do que “tortura” – incluindo em um ponto ser algemado, “nu e exposto”, com restrições de quatro pontos por mais de oito horas. Em outra ocasião, King afirma que um guarda bateu em seus pés com uma varinha de detector de metais enquanto ele estava de cueca no chuveiro; o processo alega que King foi derrubado ao chão, com uma concussão e precisando de seis pontos.

Após quase todos os incidentes de violência alegados por King, os guardas apresentaram queixas disciplinares contra ele. Ele agora enfrenta mais 20 anos de prisão por supostamente agredir um oficial federal; ele alega que estava tentando se defender ao ser espancado por guardas em um pequeno depósito fora do alcance das câmeras da prisão.

Os incidentes alegados no processo abrangem várias instalações federais e envolvem dezenas de policiais. Como tal, o caso resiste ao costumeiro ponto de discussão pró-lei sobre “maçãs podres”. Juntas, as acusações foram interpretadas como uma acusação a todo o sistema penitenciário federal.

“Eric King tem enfrentado assédio crônico e direcionado, bem como tortura física e emocional severa, de oficiais da BOP e conhecidos supremacistas brancos trabalhando juntos, por mais de dois anos enquanto mantido em confinamento solitário”, Lauren Regan, uma das advogadas de King com o Centro Civil de Defesa de Liberdades, disse em um comunicado. “Acreditamos razoavelmente que este tratamento foi uma retaliação por suas opiniões políticas e atividade protegida pela Primeira Emenda.”

Um homem branco na casa dos 30 anos, King parece encarnar a figura de um agitador anarquista tão difamado por políticos de todo o espectro político durante os levantes antirracistas liderados por negros no verão passado. Embora tenha sido condenado por tentativa de incêndio criminoso, King cometeu uma pequena destruição de propriedade, visando especificamente um escritório do Congresso que ele sabia estar vazio na época. Ninguém foi ferido.

Enfrentando pesadas acusações federais, ele aceitou um acordo judicial para cumprir uma pena de 10 anos. Em sua audiência de sentença, ele deixou clara a motivação de suas ações. “O governo neste país é nojento”, disse ele. “A maneira como tratam os pobres, a maneira como tratam os pretos, a maneira como tratam todo mundo que não está na classe de brancos e homens é nojenta, patriarcal, imunda e racista.”

Após as rebeliões de George Floyd, centenas de manifestantes antirracistas e antifascistas agora se encontram em uma posição semelhante à de King: enfrentando acusações federais altamente politizadas e exageradas e sentenças potencialmente longas em instalações federais, onde a violência da supremacia branca é conhecida por florescer. Mais de 300 acusações federais foram proferidas em todo o país do final de maio ao final de setembro de 2020, em comparação com uma média de 10 acusações no período de verão nos anos anteriores.

As alegações de King de assédio consistente e direcionado por guardas e gangues de supremacia branca pintam um quadro assustador da brutalidade que esses antifascistas – muitos dos quais não são brancos – poderiam enfrentar.

“Eu sou um ser humano com uma família. Fui tratado de forma lamentável. Nos últimos dois anos, estive preso em uma gaiola de 6 x 9 polegadas, negado o acesso a minha família e meus advogados e submetido a tortura física e emocional”, disse King em um comunicado. “Eles fizeram isso por causa de minhas crenças, não por causa de minhas ações.”

Em 2019, um relatório do Subcomitê de Segurança Nacional da Câmara concluiu que o sistema penitenciário federal era um foco de má conduta, agressão sexual e outras formas de violência – cometidas por agentes correcionais contra pessoas encarceradas e funcionárias penitenciárias. O relatório também apontou a forma como os policiais permitem que certas pessoas presas também cometam agressões. “A má conduta no sistema penitenciário federal é generalizada, tolerada e rotineiramente encoberta ou ignorada, inclusive entre altos funcionários”, relatou o New York Times, citando a investigação do Congresso.

Os advogados de direitos civis que entraram com o processo federal de King apenas souberam da extensão do sofrimento de seu cliente enquanto construíam sua defesa para as pesadas acusações criminais que enfrenta por supostamente agredir um oficial. Regan, um dos advogados, descreveu a violência no sistema penitenciário federal “como um molde, que cresce desenfreado quando não é controlado em um lugar escuro”.

Qualquer litígio em que uma pessoa encarcerada esteja fazendo reivindicações contra policiais enfrenta uma batalha difícil: a palavra de King contra a de policiais com crachás. No entanto, o processo, espera Regan, irá de alguma forma manter sob controle a violência aparentemente retaliatória dos oficiais correcionais do Bureau of Prisons contra King. “Achamos que é a coisa certa a fazer, quer ganhemos ou não, para lançar luz sobre essa injustiça”, disse Regan. “Sabemos que existem centenas de milhares de outros casos semelhantes ou até piores do que este em todo o sistema de punição criminal.”

Regan não tem ilusões sobre a dificuldade de ganhar um caso que alega brutalidade generalizada e sancionada pelo Estado. Mesmo se um juiz federal decidisse em favor de King, nenhuma vitória legal dada pode constituir justiça dentro da violência inerente ao sistema carcerário. Para os advogados de King, seu caso é, no entanto, uma oportunidade de expor a violência institucional e o conluio da supremacia branca. E além desse imperativo moral mais amplo, há uma profunda preocupação com a vida de King. Os oficiais correcionais “parecem ter a intenção de matá-lo ou permitir que outras pessoas o matem”, disse Regan. “Queremos mantê-lo vivo até sua libertação.”

Fonte: https://theintercept.com/2021/05/28/bop-prison-white-supremacist-anti-fascist/

Tradução > Da Vinci

agência de notícias anarquistas-ana

E tu, aranha
como cantarias
neste vento de outono?

Matsuo Bashô

[Espanha] 5-J: Manifestação em Valência pela Revogação da Lei Mordaça

No próximo 5 de junho a CGT convoca junto a outros coletivos uma manifestação em Valência contra a lei Mordaça, lei que cortou as liberdades individuais e coletivas das pessoas. Desde a CGT sempre exigimos a revogação desta lei, que segue vigente há mais de 5 anos.

A manifestação do próximo sábado percorre Valência desde diversas colunas. A CGT sairá com a coluna da moradia que inicia o percurso desde a C/Turia 49-51 às 17:30 horas e irá convergir com as outras colunas às 19:00 horas na Praça da Prefeitura com a leitura do manifesto.

É necessário fazer um esforço para ir, entre todos e todas temos que derrubar esta maldita lei.

Saúde e Sucesso.

cgt.org.es

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agência de notícias anarquistas-ana

Dentro da mata –
Até a queda da folha
Parece viva.

Paulo Franchetti

[EUA] Romaine ‘Chip’ Fitzgerald Regressa a Seus Antepassados

Por Mumia Abu-Jamal | 28/05/2021

Pode ser que o nome Romaine ‘Chip’ Fitzgerald não seja amplamente conhecido, exceto para seus simpatizantes. Em sua juventude rebelde faz décadas ele era integrante da agrupação em Los Angeles do Partido Panteras Negras, ao qual se uniu depois de passar uma breve estada no cárcere. Era um jovem bravo em um momento turbulento da história — os anos 60 — quando o mundo pareceu estar em chamas.

Chip,  em Watts, começou a se juntar com um grupo de jovens insubmissos e travessos, assim que terminou em um reformatório chamado o Centro de Detenção Juvenil, manejado pela Direção Geral de Juventude na Califórnia.  A rebeldia juvenil de Chip o levou a passar momentos de isolamento total na prisão. Ali, rodeado pelo silêncio, leu sobre o Movimento de Liberdade Negra, o qual o cativou. Estes artigos o despertaram para a existência do Partido Panteras Negras, o movimento mais audaz de todos os movimentos que buscavam a liberdade dos Negros nos anos 60.

Depois de sua libertação em 1968, Romaine ‘Chip’ Fitztgerald se uniu formalmente à militante organização revolucionária. Uniu-se ao grupo como peixe na água, ao ajudar com o programa de desjejuns grátis, vender o jornal dos Panteras, e participar em outros programas do grupo.

Segundo outras pessoas que se uniram ao grupo ao mesmo tempo, Chip era um integrante entusiasta e mais importante ainda, sua mãe apoiava seu novo compromisso com o trabalho comunitário.

Mas os bons tempos não duram para sempre. O ano de 1969 marcou o envolvimento de Chip em dois tiroteios que resultaram na morte de uma pessoa. Também marcou seu regresso à prisão como adulto. As acusações contra ele e a antipatia do estado da Califórnia para com os Panteras Negras resultaram no encarceramento de Chip durante 52 anos apesar de sua elegibilidade de liberdade condicional em 1976.

Em 29 de março de 2021, ao sofrer um derrame cerebral massivo, Chip morreu em um hospital na Califórnia, algemado a sua cama. Chip era o Pantera Negra que mais tempo esteve detido nos Estados Unidos. Romaine ‘Chip’ Fitzguerald, depois de passar mais de meio século em cadeias, regressa a seus antepassados.

Desde a nação encarcerada, sou Mumia Abu-Jamal.

Fonte: https://amigosdemumiamx.blog/2021/06/02/romaine-chip-fitzgerald-regresa-a-sus-antepasados/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Encontro fugaz.
Neblina abraça o velho
lampião de gás.

Rogério Viana

[Espanha] Doam ao Museu o livro ‘El Anarquismo en Chiclana. Diego Rodríguez Barbosa’

Trata-se da edição japonesa da obra de José Luis Gutiérrez Molina, obra publicada em 2005 e que conta a luta pelos direitos dos trabalhadores.

Por José F. Cabeza| 02/06/2021

O Museu de Chiclana recebeu a doação do livro ‘El Anarquismo en Chiclana. Diego Rodríguez Barbosa’, que é a edição japonesa da obra de José Luis Gutiérrez Molina, obra divulgada pela primeira vez na Biblioteca de temas chiclaneros, da Delegação de Cultura do Conselho da cidade. Esta edição, que data de 2005, foi entregue hoje formalmente ao Museu, concretamente à delegada de Cultura, Susana Rivas, por dois netos de Rodríguez Barbosa, Eugenio e María del Carmen Morano Rodríguez, em representação da família do ilustre chiclanero, Diego Rodríguez Barbosa.

Durante o ato, Susana Rivas agradeceu esta doação, “que é uma obra bibliográfica que narra a história de um lutador pela defesa dos direitos dos trabalhadores daquela época em Chiclana (princípios do século XX), como foi Diego Rodríguez Barbosa. Precisamente por essa defesa e essa reivindicação teve um final trágico, em uma época muito triste na Espanha”. “Nos sentimos gratos por contar no Museu com esta obra, que relata parte da história de Chiclana e de uma pessoa que dedicou sua vida a lutar pelos demais”, assinalou.

Por sua parte, Eugenio Morano Rodríguez explicou que “este livro fala de meu avô e de muitos de seus companheiros da CNT, que lutaram pelos direitos dos trabalhadores do campo, do mar e das salinas, entre outros. Nosso maior desejo é saber onde está enterrado meu avô, porque nem minha avó, nem seus filhos, nem seus netos sabemos onde está a fossa comum na qual foi enterrado, junto ao resto de seus companheiros”.

Há que destacar que foi vontade do Museu de Chiclana dar presença em seu discurso a dois personagens fundamentais de princípios do XX, implicados ambos na defesa dos mais débeis, concretizados aqui nos trabalhadores do campo, especialmente nos que se dedicaram ao cultivo da uva. Trata-se do padre Salado e de Diego Rodríguez Barbosa, dois perfis diferentes unidos no comum empenho pela dignificação dos humildes e desde a comum convicção da mesma dignidade compartilhada por todos os seres humanos.

Esta presença de Salado e Rodríguez Barbosa no fio discursivo da exposição permanente do Museu requeria, aparte a menção expressa deles, a presença de peças relacionadas com eles nos espaços expositivos, neste caso na sala seis, dedicada ao século passado. Mostram-se já nas vitrinas de ditas salas três obras literárias de Diego Rodríguez Barbosa, homem cultivado e esforçado autodidata que chegou a publicar em vida várias novelas com um talento para as letras que soube por à serviço da nobre causa que defendeu até a sua morte, nada alheia esta a sua luta pertinaz e mais que pertinente.

Fonte: https://andaluciainformacion.es/chiclana/975785/donan-al-museo-el-libro-el-anarquismo-en-chiclana-diego-rodriguez-barbosa/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Canta o bem-te-vi
no galho da goiabeira:
mesma saudação!

Ronaldo Bomfim

Sul da Ásia: A motivação do lucro impulsiona o despejo dos pobres

No Paquistão, Karachi Bachao Tehreek (KBT), uma aliança de ativistas locais que lutam contra despejos e apropriação ilegal de terras, informou que funcionários da cidade de Bahria, guardas particulares da cidade e a polícia da província de Sindh entraram em vários godos [pequenos bairros povoados principalmente pela etnia Sindhi] com maquinaria pesada em 7 de maio, com a intenção de invadir ainda mais as terras dos indígenas pobres.

Abdul Hafeez, membro da Aliança pelos Direitos Indígenas de Sindh, disse ao jornal Dawn que os guardas e a polícia tentaram destruir as plantações com bulldozers em Kamal Khan Jokhio Goth. Os membros da comunidade responderam com atos de resistência contra os intrusos. Depois que uma pessoa lançou uma pedra no pessoal da cidade de Bahria, os guardas começaram a atirar nos aldeões.

O ativista indígena Shaukat Khaskheli foi baleado, mas foi levado a uma delegacia de polícia em vez de um hospital por agentes da lei. Outros aldeões foram raptados e torturados pelos guardas da cidade de Bahria por seus atos de resistência e recusa de permitir que a cidade de Bahria roubasse suas terras. (Dawn, 9 de maio)

O último ataque bárbaro à cidade de Bahria é paralelo aos horríveis esforços capitalistas que acontecem em outros lugares do Paquistão.

A guerra permanente da classe dominante paquistanesa contra os trabalhadores pobres está focada na promoção da comercialização e da modernização corporativa. Um de seus ataques mais flagrantes à classe trabalhadora foi sua campanha de 2019 para expulsar os chamados “invasores” que ocupavam estruturas “ilegais”. Na época do lançamento do programa anti-invasões, 30-40 por cento da economia de Karachi consistia em mercados informais que atendiam os trabalhadores pendulares e turistas, proporcionando meios de subsistência para cerca de dois milhões de pessoas.

Entretanto, isso não impediu que funcionários do governo demolissem as empresas e as casas das pessoas. No Empress Market, um dos mercados mais conhecidos de Karachi, pelo menos 1700 lojas e bancas foram destruídas durante a campanha anti-invasão.

Um relatório de março de 2019 expôs as seguintes informações: “Até agora, foram demolidas 3.575 lojas, afetando diretamente nada menos que 17.500 trabalhadores, se considerarmos uma média de cinco pessoas ligadas a cada loja. O número afetado sobe para 140.000, se considerarmos que cada trabalhador tem sete dependentes”. (Dawn, 12 de março de 2019)

O tumulto contra os trabalhadores continua, mesmo durante uma pandemia global.

Em fevereiro, a Corporação Metropolitana de Karachi (KMC), o órgão que supervisiona as ações de despejo, anunciou sua intenção de lançar uma nova campanha perto de Orangi Nala e Gujjar Nala, pequenos riachos efêmeros em Karachi. O CMK alegou que o despejo de cerca de 14.000 casas e 3.000 instalações comerciais era necessário para ampliar os drenos para que eles pudessem melhorar o “fluxo suave da água da chuva”, especialmente durante as enchentes. (Samaa TV, 25 de fevereiro)

Entretanto, havia mais motivos insidiosos para despejar trabalhadores de seus meios de subsistência e de suas casas.

A advogada popular Abira Ashfaq revelou que os despejos forçados são realizados para transferir os direitos de gestão de terras “[a empresas de construção e ao Banco Mundial para que [eles] possam] lucrar com isso”. (The News International, 22 de março) O consultor de pesquisa da KBT, Fizza Qureshi, descobriu que os dados utilizados pelo CMK para justificar sua ânsia em roubar da classe trabalhadora eram defeituosos.

Referindo-se ao Gujjar Nala, “as recentes inundações urbanas em Karachi não foram causadas pelo Gujjar Nullah [drenagem], mas pelos condomínios fechados e grandes praças que tinham sido construídas nos deltas do rio e atendidas exclusivamente pela elite”.

Desalojamentos forçados na Índia

Do outro lado da fronteira na Índia, as pessoas continuam a sofrer imensos traumas e violência causados pelos mecanismos legais e extralegais usados para lucrar com a pandemia da COVID-19. Junto com a violência estrutural, incluindo o apartheid de vacinas, as pessoas na Índia continuam a enfrentar a ameaça de despejos forçados.

No ano passado, mais de 20.000 pessoas foram despejadas entre 16 de março e 31 de julho, apesar de ordens judiciais proibindo despejos durante o fechamento da COVID. Na Índia de hoje, 15 milhões de pessoas enfrentam a possibilidade de despejo.

Sob o capitalismo, os trabalhadores continuarão a sofrer porque este sistema não quer e não pode fornecer a infraestrutura necessária para garantir o bem-estar e a segurança de todos os trabalhadores. O capitalismo mata. Seus efeitos são claramente evidentes nos atos abertos de terror da classe dominante contra os trabalhadores.

O governo da cidade de Bahria invadindo comunidades indígenas pobres e infligindo violência sobre elas é um reflexo do governo nacional do Paquistão e das forças externas rotulando os trabalhadores como “invasores” e removendo os assentamentos “ilegais”.

As campanhas de despejo forçado que estão sendo realizadas na Índia deixam as pessoas sujeitas ao despejo obrigatório praticamente a qualquer momento. Em todas as situações, a classe dominante quer apenas uma coisa: lucros. A pandemia e as expulsões forçadas continuarão a afetar principalmente os trabalhadores.

Devemos construir solidariedade internacional e resistência contra os contínuos ataques à nossa classe.

Fonte: https://www.workers.org/2021/05/56503/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Olhar esquivo
corpo ondulante
sonho vivo

Eugénia Tabosa

[Espanha] Homenagem a Lucía Sánchez Saornil no aniversário de sua morte em Valência

Na próxima quarta-feira, 2 de junho, às 11:00 horas, no cemitério geral de Valência, convocamos, desde a secretaria da mulher da federação local de Valência uma pequena homenagem a Lucía Sánchez Saornil no aniversário de sua morte.

Lucía nasceu em 13 de dezembro de 1895 em Madrid no seio de uma família pobre. Seus pais eram Gabriela Saornil e Eugenio Sánchez. Viviam na Rua Labrador do bairro de Peñuelas. Sua mãe e seu irmão morreram quando ela era muito jovem e ficou encarregada da casa e de uma irmã um pouco mais jovem que ela. Seu pai trabalhava na central de telefones na casa do Duque de Alba. Possuíam uma pequena biblioteca repleta de livros e folhetos herdados de uma tia de seu pai. Estudou em um colégio para órfãos, o Centro “Hijos de Madrid”, onde concluiu seus estudos primários e secundários. Em 1913 publicou seu primeiro poema, Nieve, no semanário Avante de Ciudad Rodrigo.

Em 1916 começou a trabalhar como telefonista na Telefónica e publicou seus primeiros poemas na revista Los Quijotes. Em Los Quijotes, iniciativa do proprietário de uma imprensa, Emilio G. Linera começaram a publicar alguns dos poetas que foram depois representativos do Ultraísmo, como Guillermo de Torre. Os poemas de Sánchez Saornil são explosões sentimentais imersos no Modernismo decadente.

Paralelamente, prosseguiu seus estudos na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando e começou a seguir os movimentos vanguardistas, aderindo em particular em 1919 ao movimento ultraísta. Publicaram então seus poemas em revistas como Tableros, Plural, Manantial e La Gaceta Literaria, utilizando o pseudônimo Luciano de San-Saor.

Militância anarcofeminista

Durante a década de 1920 deixou a poesia para dedicar-se à atividade política no seio do movimento anarcossindicalista. Participou em diferentes conflitos sociais dentro da Telefónica, o que provocou primeiro seu translado a Valência e finalmente sua expulsão da empresa.

Em 1927 já em Valência colaborou em vários jornais anarquistas como Tierra y Libertad e Solidaridad Obrera de Barcelona, Umbral de Valencia e a Fragua social. De volta a Madrid em 1929, prosseguiu com suas atividades no movimento anarquista, encarregando-se em 1933 da secretaria de redação do jornal CNT.

#MujeresLibres #lucíasanchezsaornil #Valencia #CGT

cgtvalencia.org

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Uma árvore nua
aponta o céu. Numa ponta
brota um fruto. A lua?

Guilherme de Almeida

30 dias de luta na região colombiana

Internacional: Da Colômbia, camaradas uma vez filiados a F.O.R.A. (Federação Operária Regional Argentina) nos enviam uma atualização sobre a revolta naquele país.

Passou um mês desde a Greve Nacional na região colombiana, um mês de terrorismo de Estado marcado pela repressão mais aguda dos últimos anos, e isso já é muito a dizer em uma região dominada pelo Estado colombiano, na qual foram realizados 76 massacres no ano passado, com um total de 272 pessoas mortas, segundo dados oficiais do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) e onde a subnotificação de pessoas desaparecidas desde o início da greve chegou a 341 e desde 1958 atingiu o preocupante número de 82.472 vítimas.

A Greve Nacional chegou há 30 dias com mais de 1.133 vítimas de violência física, mais de 60 mortes, 10 delas ontem (28/05) em Cali, 1.445 detenções arbitrárias, 47 vítimas de danos ou perdas oculares, 22 vítimas de violência sexual, mais de 175 casos de tiroteios por civis armados acompanhados pela polícia nacional.

Tudo isso no contexto de uma luta nas ruas e rodovias, onde o Estado, liderado pelo Presidente Ivan Duque, estabeleceu o roteiro habitual, apontando os manifestantes como vândalos, e de estar sob ordens de grupos armados ilegais. O tratamento dado à explosão social é criar o cenário de uma guerra frontal contra organizações étnicas, de bairro, estudantis e sindicais que permaneceram nas ruas e rodovias mobilizando-se contra anos de políticas criminosas dos governos no poder que estiveram sob a hegemonia de Álvaro Uribe Velez, ex-presidente investigado várias vezes por crimes contra a humanidade como os chamados “Falsos Positivos”, ou seja, 6.402 mortes extrajudiciais de civis mortos pelas forças militares para apresentar resultados e obter benefícios.

Os protestos que começaram com um chamado do Comitê Nacional de Greve, uma plataforma que reúne as principais centrais sindicais, as organizações de aposentados, o principal sindicato de professores e algumas organizações de camponeses e caminhoneiros, se transformaram em ações de rua, graças principalmente aos jovens que viram a ação direta nas ruas como seu principal motivo de protesto.

Enquanto a burocracia sindical representada no Comitê Nacional de Greve está em espaços de conversa e mediação com instituições estatais, as ruas têm mantido um nível de beligerância e organização distante desses velhos métodos de conciliação da burocracia. Espaços de resistência têm sido organizados em diferentes partes da região colombiana como Cali, Bogotá, Buga, Popayán, Bucaramanga e outros, onde os métodos de luta são baseados na horizontalidade, ação direta e apoio mútuo. É importante destacar a relevância das linhas de frente como método de contenção da violência policial, onde não só os jovens, mas também professores, mães e até mesmo padres estão se organizando sob esta figura, que acumulou um nível de resistência e legitimidade bastante importante neste momento, que mesmo em alguns lugares como Cali, são interlocutores legítimos e reconhecidos com as autoridades governamentais.

A situação hoje, após um mês, é agridoce, pois ainda há manifestantes mortos e feridos nos confrontos com as forças públicas, além da impunidade diante das práticas de guerra, como as agressões contra as comissões de verificação dos Direitos Humanos nas ruas, e também os métodos de terror, tais como cortes de energia e internet, pressões de grupos paramilitares, montagens judiciais contra manifestantes e métodos de censura, tais como restrições à transmissão ao vivo de protestos. Por outro lado, as razões da chamada Greve Nacional foram ampliadas; podemos contar como realizações da mobilização a retirada da reforma tributária com a qual os protestos começaram, também a retirada da reforma sanitária, e a renúncia de 3 altos funcionários do governo (Ministro da Fazenda, Ministro das Relações Exteriores e o Alto Comissário para a Paz).

Estas são pequenas conquistas porque sabemos que o governo, pressionado pelas grandes empresas, sempre buscará reformas para aumentar seus interesses enquanto os trabalhadores e suas famílias continuam a sofrer de uma pobreza de mais de 40% da população. As demandas que se ouvem nas ruas e rodovias vão desde a exigência da demissão de Ivan Duque e todo seu gabinete, a desmilitarização dos territórios, reformas estruturais das forças militares e policiais, a não perseguição de pessoas que foram capturadas no contexto de protesto social, a efetiva implementação dos acordos de paz assinados entre as FARC-EP e o governo, garantias para os líderes sociais e ambientais em territórios rurais e urbanos, o fim da pulverização de glifosato e fracking, entre muitas outras.

Sabemos que estamos vivendo um momento histórico como resultado de anos de terrorismo de Estado e políticas criminosas que tornam precárias as condições de vida de milhões de pessoas no campo e nas cidades. Neste momento, vemos o acúmulo das greves de 2018 e 2019, e as explosões sociais de 2020. Os protestos, longe de terminar, estão em seus pontos mais altos de repressão e criminalidade estatal. Infelizmente, as formas de organização ainda estão muito dispersas e sem um horizonte claro, mas a raiva e os métodos assemblearios estão latentes em um povo que procura mudar sua condenada história em busca de um bom viver.

Finalmente, gostaria de convidar todos aqueles que estão lendo isto a acompanhar de perto o processo que a região colombiana está passando, pois as garantias de protesto e de vida diante do Estado repressivo não existem, e prova disso é a negação destas práticas sistemáticas pelo Ministro da Defesa e do Comandante da Polícia. Somente a organização popular e os observadores internacionais podem registrar um genocídio que está sendo cometido neste momento. A difusão e as ações internacionalistas de pressão sobre o governo Duque são essenciais para o processo que estamos vivendo.

Deixamos aqui uma lista de mídias alternativas e organizações de direitos humanos que vêm registrando as manifestações:

Meios de Comunicação:

http://-facebook.com/ccsubversion

http://-facebook.com/ColombiaInforma

http://-facebook.com/revista.hekatombe

http://-facebook.com/noticierobarrioadentro

http://-facebook.com/contagioradio

http://-facebook.com/conlaorejaroja

Organizações de Direitos Humanos:

http://-facebook.com/tembloresong

http://-facebook.com/DerechosdelosPueblos

http://-facebook.com/indepaz

http://-facebook.com/ObjetivLibertad

http://-facebook.com/fundacionddhhPASOS

Organizações Sindicais:

http://-facebook.com/larojaxlapaz

http://-facebook.com/TJERpensamientocritico

Fonte: http://capital.fora.com.ar/30-dias-de-lucha-en-la-region-colombiana/?fbclid=IwAR0-DxthJxLhZpsz_V-p8X-sQp20R-dfjngbBAbJweOKO_Qb5mn1iVcODMk

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

A mesma paisagem
escuta o canto e assiste
a morte das cigarras

Matsuo Bashô

[EUA] Nova edição da revista “Perspectives on Anarchist Theory”

Hillary Lazar (Editor); Lara Messersmith-Glavin (Editor); Paul Messersmith-Glavin (Editor); Maia Ramnath (Editor); Theresa Warburton (Editor)

Perspectives on Anarchist Theory é uma revista essencial publicada pelo Institute for Anarchist Studies [Instituto de Estudos Anarquistas], organização fundada para apoiar o desenvolvimento do anarquismo e coeditora conosco da série “Anarchist Interventions” [Intervenções Anarquistas]. A revista disponibiliza ensaios recentes de escritores e tradutores apoiados pelo IAS, artigos com opiniões anarquistas sobre temas contemporâneos, resenhas de livros, atualizações, e muito mais. Recomendamos muito que se percorra Perspectives – seus editores montam uma sólida gama de elementos que exploram um tema diferente a cada publicação. Vale sempre a pena ler e considerar o papel que esses tópicos desempenham em nossas lutas.

Nova edição! O número 32 é intitulado “Power”

O coletivo Perspectives colabora com Kai Lumumba Barrow que traz a arte da Gallery of the Streetsnesta última edição de 208 páginas. Gallery of the Streets é uma rede de artistas autônomos, ativistas e estudiosos comprometidos com a construção do movimento abolicionista. Norteados pela política feminista queer negra, seu trabalho é criado por pessoas que vivem, amam, lutam, trabalham e brincam à margem do capitalismo racial e de gênero, do controle carcerário e da violência ambiental. Com arte e design coloridos da Eberhardt Press, esta é uma publicação impressionante, produzida apesar da pandemia e em meio ao Uprising. Apresenta ensaios sobre surrealismo e mudança climática; Rojava e anarquismo; solidariedade e mutirões de Porto Rico até as ruas de Minneapolis e Portland; construir poder online, arrecadar dinheiro, aprender sobre organização, desenvolver-se, construir comunidades; abolir a polícia, e insights sobre o George Floyd Square; organizar-se em meio a esta era de protesto e pandemia; David Graeber e o poder da imaginação; construir outro mundo de comunalismo contra o capitalismo Covid; sobreviver à pandemia, o que fazer em meio a lacrimogêneos; recuperar-se do trauma; organizar a revolução com sucesso; e novas resenhas de livros!

“Quer pensemos no poder figurativa ou literalmente, ou em algum lugar no meio, talvez uma das respostas mais aforísticas à questão do que acontece quando o poder se apaga é que ‘é melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão’. …É preciso força nova e velha, novos e velhos conhecimentos, novos e velhos relacionamentos para lembrar as infraestruturas que já tínhamos quando nos tornamos dependentes de outros. É preciso tanto trabalho para construir novas. Pode ser cansativo e convidar-nos ao conforto de algo conhecido, para não dizer confiável e acolhedor ou até mesmo consolador. Mas em vez de dormir, quando a energia se apaga, nos levantamos”.

Da Introdução à questão “Poder” de Perspectives

Editora: Institute For Anarchist Studies

Formato: Livro

Encadernação: Jornal

Páginas: 208

Publicado em: 1º de maio de 2021

USD 16.00

akpress.org

Tradução > Alainf_13

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já águas passadas
a gotejar das marquises —
ecos estivais

Alexander Pasqual

[Espanha] O regime marroquino e o povo saarauí

Em novembro do ano passado, o Estado marroquino violou um cessar-fogo com a Frente Polisario, com quase três décadas de existência, e desde então os conflitos têm seguido um após o outro sem nenhuma notícia na maioria da mídia. Para piorar a situação, o governo espanhol, supostamente uma coalizão “progressista”, e a comunidade internacional têm olhado para o outro lado enquanto o Marrocos tem continuamente violado os direitos humanos em uma escalada repressiva. Para aqueles que não sabem, a ONU ainda considera a Espanha como a administradora do Saara Ocidental. Quase meio século se passou desde que a ditadura agonizante de Franco parecia ter um excedente da colônia, numa estratégia mesquinha e hipócrita, e a chamada Marcha Verde dois anos depois impôs a soberania de Marrocos sobre o território. O papel da administração de Franco teve um duplo jogo, por um lado alegou estar comprometida com a autodeterminação saarauí, com a suposta convocação de um referendo, e por outro lado iniciou conversações secretas com Rabat para chegar a um acordo sobre a estratégia que culminou com a conquista marroquina da região. A estratégia do Estado espanhol, com o infame Juan Carlos I como substituto de Franco, não era entrar em conflito com o Marrocos.

Em fevereiro de 1976, a Espanha abandonou o povo saarauí à sua sorte sem que a prometida consulta popular tivesse sido realizada até hoje. Agora, o regime marroquino está seguindo uma estratégia que não é nova, de abrir suas fronteiras para produzir uma onda de migração e assim pressionar o governo espanhol. O destino de milhares de seres humanos tem sido Ceuta desta vez, mas há meses inúmeras pessoas vêm chegando às Ilhas Canárias no que é considerado um instrumento de pressão pelo Marrocos. Entre outras explicações, estão os acordos de pesca ou a guerra contra o próprio povo saarauí, utilizando vidas humanas como peças macabras em um tabuleiro de xadrez. A política da coalizão de “progresso” neste conflito, como a de qualquer governo na Espanha nas últimas décadas, é desprezível. Desde o início da guerra do Saara há sete meses, a Espanha, como sempre, não tomou posição nem moveu uma peça, o que aparentemente irritou a repulsiva monarquia marroquina.

Deve-se lembrar que a população do país africano, mergulhado em uma grave crise econômica e social, é consideravelmente pobre enquanto seu rei é infinitamente rico. Seu objetivo agora, é claro, é controlar os recursos energéticos da região do Saara. São décadas de gestão autoritária e irracional no Marrocos, enquanto o Estado espanhol manteve boas relações com mais um déspota, pois devemos lembrar a grande amizade entre o infame Juan Carlos I e Hassan II, pais dos monarcas atuais em ambos os países. Tudo isso são sintomas do mundo político repulsivo que estamos sofrendo, com regimes abertamente ditatoriais e supostas democracias que brincam enquanto a população sofre. A política repressiva dos Estados, com seus muros, seus exércitos e sua polícia, que exige incontáveis recursos e esforços, como solução contra pessoas que buscam uma vida melhor é outro sinal de um mundo desumanizado no qual os detentores do poder se preocupam muito pouco com vidas humanas. Há muitos interesses em jogo e continuam a ser construídos muros muito reais, em políticas puramente repressivas, enquanto outras invisíveis dividem as populações entre os que têm e os que não têm. O mundo em que vivemos e que, de uma forma ou de outra, toleramos.

Juan Cáspar

Fonte: http://acracia.org/el-regimen-marroqui-y-el-pueblo-saharahui/

Tradução > Liberto

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Procurando pouso
Na rua movimentada,
Borboleta aflita

Edson Kenji Iura