[Chile] Nos abraçaremos novamente: Comunicado de parentes e amigos de presxs subversivxs e anarquistas

Estas duas últimas semanas, todos xs nossxs prisioneirxs subversivxs nas diferentes unidades em que estão confinadxs (Prisão de Alta Segurança, Seção de Segurança Máxima e o Módulo de Anotação Pública na Prisão de San Miguel), receberam a visita de alguém próximo. Entramos em seus protocolos e nos abraçamos com uma intensidade que só um genuíno afeto e um espírito libertário podem permitir. As certezas do combate permanecem inabaláveis dentro e fora da prisão, apesar deste longo período sem poder nos ver.

Graças à luta dada nas ruas por meio de comícios, propaganda, agitação, construção de redes, etc.; e na prisão por meio de greves de fome, comunicados, protestos e participação ativa em greves alimentares (recusa de comida na prisão), foi obtida uma visita por mês durante duas horas, mas sabemos que o isolamento não cessou e por isso continuamos esperando o desenvolvimento de condições futuras.

Vimos nossxs camaradas fortes e com a disposição de luta que lhes é própria, sem se deixarem dominar pelas condições impostas, nem as longas sentenças ou vingança grosseira dos poderosos serão suficientes para desqualificá-los como combatentes, mesmo dentro dos muros não há derrota neles.

Esta batalha imediata para nos vermos novamente é apenas parte da continuidade que temos dado durante décadas nas lutas milimétricas que convivem com a prisão, sempre com a bússola do confronto permanente com o poder. É por isso que também reconhecemos que, com o retorno das visitas, absolutamente nada termina.

Apesar das condições sanitárias/repressivas das novas quarentenas ou mudanças de fases, a realidade da luta dxs prisioneirxs subversivxs e anarquistas torna-se urgente com novos julgamentos, condições de extremo isolamento e a situação insustentável dxs camaradas condenados a longas penas de prisão por ações nos anos 90, bem como a necessidade de derrubar a modificação nefasta do decreto 321, o que torna ainda mais difícil o acesso a qualquer regime de “liberdade condicional”.

Como familiares, amigxs e camaradas, temos a firme convicção de agir de forma crescente e coordenada com todas as pessoas que buscam, por todos os meios dignos e possíveis, uma saída às ruas para nossxs camaradas que estão atualmente presxs sob vários truques judiciais em uma situação que foi declarada como sequestro pelo Estado.

É urgente e necessário unir forças para dar certos passos nesta justa luta de que não desistiremos.

Contra a modificação do decreto-lei retroativo 321.

Pela anulação das sentenças proferidas pelos promotores militares nos anos 90 que ainda são usadas para manter aos nossos como sequestrados.

Até vermos todxs xs nossxs nas ruas!

Enquanto houver miséria, haverá rebelião!

Morte ao Estado e longa vida à Anarquia!

Familiares e amigxs de Presxs Subversivxs e Anarquistas; CAS, Máxima e Prisão de San Miguel.

Últimos dias de dezembro de 2020.

Santiago do Chile.

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/30/chile-liberdade-para-os-prisioneiros-chilenos/

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um raio de sol
transluz — balança a cortina…
borboleta amarela!

Douglas Eden Brotto

Curso | Estratégia e Uso da Imagem na Militância

Olá,

Quero te convidar para o primeiro curso do ano: Estratégia e Uso da Imagem na Militância

Ainda há pouca discussão entre a relação da militância com a cultura visual e para incidir na discussão a Tenda vai realizar o curso Estratégia e Uso da Imagem na Militância no dia 23 de janeiro. Textos teóricos de Ariella Azoulay, Walter Benjamin, Flusser e Ana Maria Maud são a base do curso.

O curso de 4 horas e será ministrado por Aline Ludmila e Fernanda Grigolin, ambas possuem pesquisa sobre cultura visual e anarquismo, além de realizarem o #charlasyluchas

Valor: 90 reais

Até 20 participantes

Os participantes receberão um e-book

O valor será revertido para cobrir os custos do Jornal de Borda 10: Arte e Anarquismo.

Tenda de Livros: contato@tendadelivros.org

tendadelivros.org

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/15/pre-venda-do-jornal-de-borda-10/

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no poço da quinta
o balde traz-me
estilhaços da lua

Rogério Martins

[EUA] Documentário: “Nós, você e tantos outros”

Anunciando um novo documentário sobre a organização de apoio mútuo na chamada Richmond, Virginia.

Confira este novo documentário fantástico (54:20 minutos) que acompanha o crescimento do trabalho de apoio mútuo em Richmond, VA, logo após a pandemia do COVID-19 atingir a área. Além de conhecer as pessoas por trás do projeto e aprender todas as diferentes maneiras pelas quais as pessoas têm contribuído com suas habilidades, vemos o projeto expandindo a distribuição de alimentos e suprimentos para incorporar uma linha direta, programa de mini-subsídios e muito mais. Prático, inspirador e informativo, e uma excelente cartilha para pessoas interessadas em se envolver em apoio mútuo em suas comunidades.

Obrigado ao grupo de apoio mútuo de Richmond!

> Veja o documentário aqui:

https://vimeo.com/492942917

Fonte: https://itsgoingdown.org/richmond-mutual-aid-disaster-relief-documentary-we-and-you-and-so-many-others/

Tradução > A. Padalecki

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Cresce a erva do tempo, devagar,
brota do chão
e me devora.

Thiago de Mello

Agenda Anarquista 2021

Um ano chega ao final e começa outro na contagem imposta pela igreja cristã romana, a mesma que corrigiu uma defasagem, fato consumado pelo gregório, papa faz menos de 500 anos atrás.
 
É por esta razão que contamos o tempo no qual vivemos pelo que chamamos calendário gregoriano.

Para marcar esta data a Editora Independente PrintLeaks costuma distribuir agendas temáticas anarquista, feminista e de cultura negra, mais outra de interesse regional.

A primeira a ficar ponta é a Agenda Anarquista.

Tem 160 páginas impressas em papel reciclado, em preto e branco [ou escala de cinza].

É vincada, costurada e colada a mão, usando uma técnica artesanal que garante qualidade e durabilidade.

Depois de três anos de segurar um valor de R$ 25,00 este ano é de R$ 30,00, mas inclui o valor do envio por correio impresso normal.

Pode pedir a sua por inbox ou pelo e-mail publicarlit@gmail.com que envio o link para pagamento pelo pagseguro.

Me avisa se tiver interesse em Agenda Feminista ou de Cultura Negra. Vão ficar prontas neste fim de semana.

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a lagarta
olha no espelho
a mariposa

Claudio Daniel

Construção do sindicalismo revolucionário no Rio Grande do Norte

O atual problema político do Brasil e do mundo reside na colonização do imaginário organizativo. Este estando dominado pelos limites da Social Democracia, ou linhas conservadoras como “alternativa” e vícios inerentes destas, a saber: economicismo (no campo SD), apoliticismo (no campo conservador), programas imediatistas e finalistas, “pragmatismo” e idealismo. O economicismo executa uma separação simplista entre economia e política, como se meras reformas de pessoas na administração da última solucionassem as questões de desigualdade de classes da primeira. O apoliticismo conservador tenta organizar a classe trabalhadora por categoria para negociações diretas com o patronato, afirmando não caber à classe envolvimento político. Os programas imediatistas apregoam vitórias em conquistas de categorias específicas de ramos trabalhistas, gerando uma alienação do problema de classe como um todo. Os programas finalistas advogam que as mudanças, na realidade social, só são executáveis por um partido ou governo por via eleitoral, mantendo a “luta” no campo do jogo burguês. O “pragmatismo” defende uma pseudo-objetividade via disputas de ganhos salariais em negociações de gabinetes, relegando a segundo plano ações diretas de organizações de classe (ou ignorando-as completamente). O idealismo nega a luta econômica em detrimento a um programa partidário, a relação com as classes fica alienada e as organizações passam a ser meros palanques de disputas pelas direções burocratizadas. É imperativo a identificação com a causa de classe ampliada, seja esta econômica (explorados), étnica, de gênero ou orientação sexual, de modo a criar laços de solidariedade e apoio mútuo, via uma organização que identifique sem mediações a fonte das opressões de todas essas categorias, numa proposta de eliminá-las pela força de revoluções de seus paradigmas associativos. Na mudança das formas de nos associarmos e nos organizarmos, podemos revolucionar nossas condições de vida.

Para tanto, acreditamos que os métodos do Sindicalismo Revolucionário, trabalhados e aperfeiçoados pela Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB), são as ferramentas necessárias para dar coesão, objetividade, força e combatividade a uma luta de classes cada vez mais pautada e focada na ação direta pelas bases, segundo princípios de solidariedade de classes e apoio mútuo que podem trazer ganhos efetivos às populações mais vulneráveis, a saber, as pessoas pretas de periferias, os povos indígenas e quilombolas, os ribeirinhos das praias, dos rios e dos lagos, à comunidade LGBTQIA+, aos subempregados, à população em condições de habitação de ruas e das populações carcerárias vitimadas nos calabouços do Estado, assim como acreditamos que essas metodologias combativas de ações diretas são, em si mesmas, pedagógicas e trazem à consciência o gosto pela emancipação via a experimentação de processos de luta organizados autonomamente.

Também cremos que os métodos de Democracia Direta pelas bases associativas, de ação direta (como a greve geral), devolve às bases o protagonismo da organização e das lutas, constituindo um importante empecilho e impedimento das práticas autopromocionais de pseudo lideranças que queiram nos guiar via algum vanguardismo que saberia melhor do que o povo o que seria melhor para este povo, sendo um contraponto orgânico ao parlamentarismo eleitoral da esquerda institucional. Sendo uma eficaz metodologia ao combate contra o Capitalismo local e internacional tanto quanto ao Estado e suas instituições alienantes das potências populares.

Avaliamos que o atual contexto mundial de pandemia agrava ainda mais as desigualdades sociais e aprofundam os efeitos negativos aos mais vulneráveis em favor do enriquecimento e aumento de poder das elites minoritárias. Fato este que fica evidenciado pelo aumento e escalada de violências domésticas contra as mulheres e do número de feminicídios, o racismo estrutural e institucional contra as pessoas pretas de periferias e a escalada do fascismo nacional e internacionalmente. Entendemos também que a pandemia escancarou as injustiças do sistema totalitário da mercadoria que impera no mundo. As classes privilegiadas, na ânsia de se manterem em tal posição, conseguem pressionar os Governos (que no mundo todo existem para salvaguardar seus privilégios) para salvar a economia às custas das vidas dos que geram sua riqueza, o trabalhador que têm seu tempo de existência roubado para produzir a desigualdade que o oprime, em troca de salários insuficientes a uma vida digna. O oprimido fica preso nessa condição pelo triplo roubo que sofre, a saber, do excedente que produz (pela mais valia), do seu tempo de vida (gasto na produção) e pelo consumo (ideologicamente induzido). No Brasil as táticas aplicadas para alcançar esse objetivo agem em várias frentes: o atraso no pagamento dos auxílios emergenciais (por parte do governo), a campanha “Solidariedade/ SA” (dando uma falsa impressão de humanidade ao sistema), que cega o oprimido em relação ao quanto o mesmo alcança quando se auto-organiza (prática que têm sido a verdadeira salvação do povo, mas que é, a cada dia, mais silenciada pelos canais de mídia hegemônicos) e a privatização de recursos essenciais à vida (como a recente privatização da água). Tudo isso contribui para um totalitarismo das formas de organização social, sustentado com a vida dos explorados. Entendemos que o trabalho de base, proposto e apontado, pelo Sindicalismo Revolucionário são métodos mais pertinentes ao bem viver dos seres humanos e não humanos do campo e da cidade, principalmente quando comparados às medidas administrativas adotadas por gestores dos mais variados níveis, municipais, estaduais ou Federal, que usaram de tal contexto para passar suas “boiadas” e projetos de destruição da economia, meio ambiente, seguridade social, educação pública e aposentadoria (previdência).

O núcleo que dá início às atividades da FOB no RN, tem uma experiência em organizações libertárias, autônomas, independentes e horizontalizadas que remonta ao surgimento do Movimento Passe Livre (MPL) na cidade de Natal (em 2005), e vêm adquirindo uma larga experiência na luta pelo direito à cidade, na luta contra as tarifas que executam a exclusão classista do povo à cultura, lazer e educação, o grupo esteve também diretamente envolvido nas lutas radicalizadas que impediram o aumento de tarifa dos ônibus urbanos por três anos consecutivos, 2011; 2012 e 2013, revolta popular que se inicia na luta contra a gestão corrupta e degradante da ex prefeita Micarla de Souza (PV) e evolui para a luta tarifária. Bem como esteve na luta contra a “PEC do Fim do Mundo”, em ocupações de ambientes escolares em 2016, e foi para a caravana em Brasília em Novembro daquele mesmo ano, para lutar contra o teto dos gastos, e também vêm lutando contra o governo Bolsonaro/Mourão e sua política de desmonte da educação pública de qualidade, regularmente organizados desde o ano passado. Dada essa longa trajetória percebemos que o eventualismo, depender do aprofundamento de condições de vida degradantes para se radicalizar as lutas, não é benéfico para a construção da luta prolongada e efetiva, tanto quanto o ativismo, que é intermitente e incipiente, também se mostra um problema para o avanço das lutas e emancipação política dos mais vulneráveis, portanto defendemos a organização pelos métodos do Sindicalismo Revolucionário.

Faz-se necessário a ampliação da prática de apoio mútuo dos que vivem essa condição de explorados, através da articulação efetiva de redes de comunicação e trocas (materiais e técnicas) que envolvam as mais variadas iniciativas de solidariedade entre, por e para os de baixo. A troca e popularização de saberes fundamentais à vida, como a produção de alimentos, moradia, manutenção da saúde (física e mental), de geração de energia limpa, por exemplo, quando somadas a estas redes de solidariedade e apoio mútuo, são gestos emancipadores e que ampliam a liberdade social e a organização popular. Para que não dependamos de gestores profissionais que apenas aliviam as pressões do (e no) sistema? Greve selvagem e autogestão generalizada.

Só o povo salva o povo!

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Entre a roça e a montanha,
A chuvinha vai parando…
A folhagem nova!

Buson

[Espanha] Ante o ataque às nossas instalações anarcossindical

SEUS INSULTOS E ATAQUES NOS TORNAM MAIS FORTES!

Palencia, 24 de dezembro de 2020

Da Confederação Nacional do Trabalho (CNT) de Palencia queremos tornar público o ataque que nosso espaço anarcossindical sofreu durante esta noite, já que “algum indivíduo ignorante” ousou fazer um grafite que não tem sentido em nossa janela, com sua mensagem cheia de erros ortográficos e inconsistências, já que cuja mensagem questionável não temos medo de publicar e colocar literalmente “retratores, fascistas, casposos”.

Desde nossa anarcossindical ficamos especialmente impressionados com o fato de sermos chamados de “fascistas” quando a CNT é por excelência uma das organizações antifascistas de referência, onde nossa gente lutou, luta e lutará contra tudo que cheira a autoritarismo e fascismo, Acreditamos que não é necessário lembrar que a classe trabalhadora, organizada sobretudo de forma anarcossindicalista, parou em alguns lugares, especialmente na Catalunha, o golpe fascista de Estado de Franco de 18 de julho de 1936, assim como hoje continuamos sendo ORGULHOSAMENTE ANTI-FASCISTAS.

No que diz respeito ao “retrgrados”, que entendemos como “retrógrados”, basta dizer que nosso Sindicato de Classe busca e pratica em nosso dia-a-dia a sociedade que consideramos melhor, na qual cada pessoa é igual e não há hierarquias, por isso praticamos o associativismo e não dependemos de fatores externos, praticamos a Autogestão e o Apoio Mútuo, devido à outra vertente fundamental de nosso sindicato, que é o Anarquismo, que é considerada uma das ideias socialistas mais avançadas e ainda mais se nos basearmos em exemplos de pedagogia que eram muito revolucionários na época, como a Escola Moderna de Ferrer i Guàrdia ou os Ateneus Libertários que estavam e ainda estão em nossos espaços autogeridos, então somos ORGULHOSAMENTE ANARQUISTAS.

Quanto aos “casposos”, não sabemos como este indivíduo descobriu, mas sim, há militantes que têm caspa, mas como a maioria da classe trabalhadora e para isso há produtos que a tiram, especialmente de uma marca que não vamos anunciar.

Além das risadas, que realmente passamos o dia todo com tudo isso, já que a limpeza foi feita em poucos minutos, parabenizamos nossa militância por isso, devemos dizer que tanto hoje, que tivemos duas assessorias trabalhistas gratuitas para fazer à nossa gente da classe trabalhadora e mais o que faremos (contato através de redes sociais ou palencia@cnt.es), e a todo momento sabemos que todo o bairro Ave Maria, onde o local está, nos apoia, por isso nosso trabalho e militância não se intimidam por um ignorante, é por isso que SEUS INSULTOS E ATAQUES NOS FAZEM MAIS FORTES, dadas as manifestações de apoio do bairro e dos trabalhadores que aconteceram desde a abertura do local esta manhã.

AGORA MAIS DO QUE NUNCA, O ANARCOSSINDICALISMO!

NENHUMA AÇÃO SEM RESPOSTA!!

NOS VEMOS NAS RUAS!

Fonte: http://palencia.cnt.es/2020/12/24/ante-el-ataque-a-nuestro-local-anarcosindical/

Tradução > Liberto

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areia quente
pés descalços
corrida para o mar

Carlos Seabra

[Espanha] Lançamento: “Josep Lluís Facerías y sus grupos de acción”

Obra coletiva coordenada por: Ricard de Vargas e Roger Costa

Agora que se passaram 100 anos desde o nascimento do guerrilheiro urbano Josep Lluís Facerías, foi considerado necessário publicar este livro para recuperar sua luta, silenciada e desprezada como conseqüência dos Pactos da Transição. Tentamos restabelecer seu compromisso libertário que o levou a lutar contra a ditadura franquista durante as décadas de 1940 e 1950.

Agora, mais do que nunca, devemos recuperar a história resistente para servir de estímulo para continuar a luta nos momentos atuais tão difíceis. A vida de Facerías foi dada a conhecer a seu amigo, o historiador Antonio Téllez. Este livro que você tem em suas mãos, resultado de um trabalho e de um esforço coletivo, é um complemento a sua obra, com novas contribuições interessantes: textos escritos pelo próprio Facerías, testemunhos da época, documentação inédita, 54 biografias de membros de seus grupos de ação e muito mais.

Josep Lluís Facerías y sus grupos de acción

Obra colectiva coordinada por: Ricard de Vargas y Roger Costa

Editorial Descontrol, Colección ReMemorant. Barcelona 2020

433 págs. Rústica 21×14,5 cm

ISBN 9788418283130

18,00 €

descontrol.cat

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o céu resfria
a lua vestiu
uma charpa de bruma

Rogério Martins

Entrevista realizada pelo Le Monde Libertaire (FA) à redação de Tierra y Libertad

Saúde, pessoal, e obrigado por esta entrevista à distância em tempos de Covid, que nos permite manter contato. Que tal começar com uma breve apresentação de você e de seu grupo Albatros, de Madrid (FAI) e com a memória daquelas bebidas que tomamos em 12 de julho do ano passado?

Ótimo! Começaremos dizendo que nosso grupo – Albatros – foi formado em meados dos anos noventa com pessoas vindas de outros grupos da FAI, Juventudes Libertarias e outros que participavam de um grupo anarquista pela primeira vez. Desde o primeiro momento fomos um grupo de síntese, já que desenvolvíamos (e desenvolvemos) tarefas em diferentes áreas. Talvez o principal seja a difusão de ideias, para a qual utilizamos todos os meios à nossa disposição: conferências, artigos de imprensa, panfletos e até fizemos um pequeno filme sobre Bakunin, que está na rede, e um documentário contra a falsa caridade da Igreja (Ouróboros). A luta antirreligiosa é uma de nossas constantes, mas não a única. Não somos um grupo muito grande, o que às vezes nos limita um pouco, mas temos um círculo de amigos militantes que, embora não estejam no grupo, geralmente ajudam nas tarefas.

Hoje nos toca apresentar Tierra y Libertad (Terra e Liberdade), o órgão de imprensa da Federação Anarquista Ibérica, aos leitores do Le Monde Libertaire. Um jornal anarquista tão famoso que inspirou Ken Loach para seu filme. Ele remonta a que data?

Vamos começar dizendo que Tierra y Libertad não é um órgão de imprensa da FAI, mas uma publicação anarquista editada pela FAI. Isso significa que a Federação nomeia o Comitê Editorial e tem a última palavra sobre tudo que diz respeito ao jornal, mas não é um órgão ou um porta-voz porque a Federação não tem uma “única” voz. Por esse motivo, o jornal não tem um artigo editorial e todas as contribuições devem ser assinadas. A Redação tem o poder de rejeitar aqueles artigos que não parecem apropriados; somente se eles vierem de um grupo federado são as razões dadas ao grupo que os enviou, e se eles não concordarem com as razões dadas, eles são enviados a todos os grupos federados para que uma decisão federal possa ser tomada. É verdade que isto nunca aconteceu no momento e que em alguns casos em que os artigos foram enviados de volta aos redatores não federados, tudo se desenvolveu na maior camaradagem e ninguém se sentiu ofendido.

De tempos em tempos, a Federação muda o Comitê Editorial, uma posição que nenhum grupo quer manter porque limita tanto sua atividade ao ter que publicar o jornal todo mês. Anos atrás (talvez muitos) na Federação decidimos que o Comitê Editorial seria passado para o grupo Albatros, que por sua vez delegou a nós, Hector e Alfredo, para realizá-lo. Pertencemos a duas gerações diferentes (temos 11 anos de diferença de idade) com diferentes experiências militantes e também diferentes profissões (estivador e impressor).

O jornal nasceu em 1888 não menos como um semanário, foi um diário por um curto período de tempo no início do século XX e depois voltou a ser um semanário, com aparência irregular e clandestina durante a ditadura franquista e reapareceu como um semanário em 1976.

O que você coloca de Ken Loach, infelizmente, não é certo. Ele tirou o nome de seu filme do anseio e não do jornal. Alguns companheiros, incluindo aqueles que estavam no conselho editorial na época, participaram das filmagens. Nem Loach nem sua produtora sabiam da existência do jornal. Em qualquer caso, Loach é um trotskista e em seu filme enfatiza mais o papel do POUM (partido marxista) do que o dos anarquistas.

Que papel o jornal desempenhou na história e nas diferentes etapas históricas: guerra civil e revolução social, ditadura, pós-Franquismo?

Desde sua fundação, um dos objetivos do jornal era fornecer informações sobre o movimento anarquista e também servir como referência organizacional para o próprio movimento, ao mesmo tempo em que exibia sua faceta educacional, tudo isso em um país com um percentual muito alto de analfabetismo. Tierra y Libertad, como outros órgãos de imprensa e textos libertários, foi lido em voz alta nas reuniões de trabalhadores para dar uma oportunidade àqueles que ainda eram analfabetos. Como o movimento libertário estende sua tarefa de cultura entre a classe trabalhadora e, ao mesmo tempo, muitos outros jornais libertários são criados, Tierra y Libertad vai se tornando um órgão de difusão e debate em vez de um órgão de informação, comentando as notícias do movimento. Feito por grupos anarquistas federados, nunca foi um órgão de nenhuma federação, que foi chamado de formas diferentes até 1927, quando os grupos espanhóis se juntaram aos portugueses, dando origem à Federação Anarquista Ibérica, o nome da organização que perdura até hoje.

Com o golpe de Estado de 1936, o processo revolucionário da classe trabalhadora foi acelerado, e nosso jornal está nas ruas semanalmente comentando os eventos e oferecendo uma orientação anarquista. Por razões do momento, está começando a ser editado pela FAI como um todo (uma situação que não mudou até agora). Com a vitória fascista, o jornal passa à clandestinidade de forma irregular, publicando também manifestos, folhetos e cartazes sob a forma de monografias. No México, os camaradas no exílio publicam um jornal com o mesmo cabeçalho, mas que não tem nenhum vínculo orgânico com o feito no interior da Espanha ou com a FAI.

Com a morte do ditador, chegamos à transição política para a democracia e Tierra y Libertad começa a ser publicado (a princípio clandestinamente) com uma periodicidade fixa – mensal – e com uma rotação do Comitê Editorial entre os grupos federados. O jornal serve como um elemento unificador da Federação e também de outros grupos não federados.

Quem publicou e publica o jornal? Quem escreve em TyL hoje? E quais são seus vários temas?

Historicamente, muitas pessoas escreveram para o jornal, incluindo escritores famosos, como Azorín. Naturalmente, também os anarquistas mais conhecidos, tais como Malatesta e Kropotkin. Hoje, militantes e teóricos de dentro e fora da Espanha, de dentro e de fora da FAI, escrevem no jornal. Tentamos publicar artigos de análise cobrindo todos os campos da luta social (sindicalismo, feminismo, anti-militarismo…), dando-lhes um viés libertário.

Hoje, como está organizado, financiado, qual o impacto e qual a difusão do TyL?

A organização do jornal é simples: recebemos os artigos ou pedimos para as pessoas certas, assim como revisamos a imprensa libertária em outros idiomas e traduzimos o que achamos apropriado. O jornal é financiado através de sua venda, assinaturas e contribuições extraordinárias de leitores e grupos. No que diz respeito à circulação, imprimimos apenas 1.000 cópias, além da versão web, que recentemente estamos tentando melhorar. Muitas assinaturas em papel saem da versão web.

Quem são seus leitores, há algum ponto de leitura ou de venda para o jornal ou ele opera por assinatura? É possível assinar a partir da França?

O jornal é destinado ao público em geral. Além da assinatura, ele pode ser obtido nas instalações do movimento libertário, incluindo a sede do sindicato. Temos assinantes de todo o mundo, especialmente da América Latina.

Mensalmente, semanalmente… ou em outras modalidades, incluindo um website, vocês consideram melhorar a fórmula atual?

Em princípio, não consideramos mudar a periodicidade. Gostaríamos que houvesse outras publicações específicas, além de boletins de grupos e zonas geográficas que já existem. Pensamos que o movimento anarquista na Espanha precisa de uma revista semanal (como tem na Itália com Umanità Nova) que faça propaganda comentando as notícias, uma revista teórica (como o seu Réfractions), uma revista científica (temos a Germinal. Revista de Estudios Libertarios), deixando a propaganda pela análise para o Tierra y Libertad (mensal, como seu Le Monde Libertaire).

A pandemia tem influenciado o TyL, seu funcionamento e até mesmo suas publicações?

Na verdade, sim. Houve vários meses em que não conseguimos publicá-lo. No início do confinamento, a gráfica onde a imprimimos fechou e depois, quando voltou a funcionar, não pudemos usar as instalações onde a embalamos e a preparamos para o correio; é preciso dizer que as instalações não são nossas, mas de outra organização libertária que nos deixa um espaço em troca de uma contribuição financeira mensal.

Vamos continuar a comemorar juntos no próximo 19 de julho, já que neste verão não foi possível?

É claro que sim! Estamos esperando por vocês…

Monica Jornet

Groupe Gaston Couté FA

Dezembro de 2020

Fonte: https://federacionanarquistaiberica.wordpress.com/2020/12/21/entrevista-realizada-por-le-monde-libertaire-fa-a-la-redaccion-del-tierra-y-libertad/

Tradução > Liberto

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pinga torneira
tic tac do relógio
luz com poeira

Carlos Seabra

[Espanha] CNT denuncia 20 demissões, ansiedade e precariedade em La Rueca

La Rueca demitiu 20 trabalhadores nos últimos meses. Da seção sindical da CNT, denunciam casos de insegurança sistemática no trabalho, danos à saúde dos trabalhadores e numerosas violações dos direitos trabalhistas pela entidade

Na quarta-feira, 16 de dezembro, a seção sindical da CNT em La Rueca publicou uma declaração denunciando o despedimento de 20 trabalhadoras sem solução de continuidade. O delegado da seção sindical da empresa disse ao El Salto que neste momento existem 8 reclamações contra a entidade por categorias de emprego e 3 para reconhecimento de antiguidade, que se somam às que serão colocadas para os últimos despedimentos em dezembro. Entre janeiro e fevereiro do ano passado, 5 reclamações foram resolvidas por demissões injustas. “As denúncias nunca chegam a um julgamento, são sempre negociadas, porque no caso de chegar a um julgamento, a entidade não poderia cumprir com os requisitos para entrar em licitações e subsídios”, disse o sindicato.

La Rueca é uma associação sem fins lucrativos que tem como objetivo trabalhar e defender a mudança social nos bairros mais desfavorecidos da capital. Entretanto, para outro dos trabalhadores consultados por este meio, que prefere não dar seu nome por recomendação dos advogados e está com a entidade há mais de 4 anos, há uma contradição óbvia entre a estrutura da associação e seus objetivos: “a entidade, apesar de ter 30 anos de idade, não tem base social, há dois anos só tinha três ou quatro pessoas associadas. Eles usam os trabalhadores como uma base social fictícia. Quando eles têm que elaborar planos estratégicos, o fazem através de jornadas de trabalho”.

A entidade foi fundada em 1990 por Javier Pomar, Antonio Llorente (atual presidente) e Ángel Serrano em Ciudad Lineal. Javier Pomar foi Chefe de Serviços Sociais na Ciudad Lineal e ocupou cargos no distrito até que a equipe de Manuela Carmena o levou e o designou para a Área de Serviços Sociais, que então foi separada do distrito. Ele tem atualmente cerca de 100 trabalhadores. A seção sindical da CNT foi constituída em 2018. Até então, os conflitos trabalhistas eram tratados através de um sistema concebido pela entidade que sistematicamente não cumpria os acordos com os trabalhadores.

Uma das primeiras ações do sindicato foi organizar uma demanda coletiva para derrubar em 2019 o sistema de avaliação de mão-de-obra que permitisse à empresa justificar demissões justificadas. Outro dos trabalhadores filiados assinala que desde o aparecimento da seção sindical “o conflito aumentou e toda vez que há demissões, como neste caso, aqueles de nós que foram identificados como sindicalistas somos os primeiros, embora mais tarde nunca se possa provar, sabe-se que esta é uma prática comum no setor”.

As 20 demissões começaram em janeiro, com a metade da equipe designada para projetos de coexistência. “Eles nos negam a possibilidade de sub-rogação, eles vão contra nossa estabilidade no trabalho”. Eles poderiam ter aplicado um ERTE como foi feito na FRAVM e em seu projeto de revitalização da vizinhança para que pudéssemos continuar a receber nosso salário enquanto esperávamos pelo que ocorrerá na licitação”.

Elas continuaram em agosto, quando demitiram os técnicos do projeto TecnoLab. De acordo com sua antiguidade nos contratos, a entidade deveria tê-los tornado indefinidos. Eles denunciaram e ganharam no julgamento. Para cobrir estas perdas e não perder o projeto, La Rueca abriu uma área para energizar os jovens, através da qual os usuários mais veteranos do projeto de intervenção juvenil agora realizam o trabalho dos trabalhadores contratados em uma categoria inferior e por hora. O secretário da seção sindical também informa que “estas demissões ocorrem ao mesmo tempo que a compra de um caminhão chamado “TecnoTruck” por entre 20.000 e 30.000 euros para apoiar projetos de levar tecnologia a bairros desfavorecidos, mas o caminhão não se moveu e não tem nenhum projeto atribuído a ele”.

Entretanto, todos os trabalhadores consultados concordam que isto é um reflexo do setor e está enraizado no fato de que o trabalho comunitário está passando de ser gerenciado por convênios para licitações da administração pública. Ao entrar na competição de licitações, as entidades procuram oferecer projetos menos caros a fim de ganhar pontos e ganhar os projetos.

Stress e ansiedade

“Se você tem férias, não podemos conseguir o concurso público e não conseguimos o projeto”, com esta frase eles estavam pressionando da empresa Merino e Merino para que um trabalhador não pedisse férias. A CNT se refere a outros conflitos no setor para ressaltar que esta é uma realidade que se repete de forma estrutural e sistemática, não apenas em La Rueca. O sindicato assinala que “nunca há qualquer acompanhamento sobre o não cumprimento dos direitos trabalhistas na aplicação destes documentos de licitação pública”. Como no caso da empresa que recebeu o contrato, Servicios Profesionales Sociales, que denunciamos por não cumprimento das especificações sem receber uma resposta da Administração”.

Isto tem consequências para a saúde dos que trabalham no setor. El Salto falou com Ana Lucy, uma faxineira da associação por 12 anos que teve várias doenças associadas às suas condições de trabalho, incluindo uma embolia pulmonar em 2015.

“Foi-me dito que este não era um trabalho para ter filhos”. Um dos trabalhadores da empresa, consultado por esta mídia, que não quer revelar seu nome por medo de represálias, nos diz que vem trabalhando com a organização em diferentes projetos em San Blas desde 2016. Após o período de confinamento mais duro em abril, a empresa instou os trabalhadores a retornar aos seus empregos de teletrabalho em junho. “Pedi para continuar trabalhando à distância para que eu pudesse me reconciliar, pois minha filhinha estava em casa, sem escola e minha esposa estava trabalhando 8 horas. Eles não me deixavam e eu tinha que denunciar a empresa”, diz ele.

“Praticamente todas as licenças por doença que recebemos são devido ao estresse e à ansiedade”, diz o secretário da seção sindical. “Outra trabalhadora que não chegou a formalizar uma denúncia o incidente nos disse que estava ameaçada de demissão se ela mesma não fizesse o trabalho, o que, segundo a proposta, deveria ter sido feito por três técnicas. A diretoria se reuniu com ela para coagi-la”, acrescenta outro colega, que reconhece que “há muitas pessoas sob medicação e sob estresse que continuam a trabalhar, muitos de nós estamos tomando ansiolíticos”.

Segundo relatórios do Mutua de Fremap apresentados pelo sindicato, o absenteísmo no trabalho dobrou desde 2017 e apontam que isto se deve a um aumento significativo da pressão de trabalho. A taxa de absenteísmo do setor para 2019 é de 2,29% e em La Rueca chega a 4,25%, quase dobrando a média. Isto é confirmado pelo número de acidentes relacionados ao trabalho. Em 2018, houve apenas um caso de acidente de trabalho. Em 2019 houve 5 casos de acidentes com afastamento por doença.

Os trabalhadores consultados por esta mídia concordam que há chantagem em vários níveis por parte da empresa. Chantagem emocional ligada à sua conexão com o projeto e os usuários para que você aceite ser pago menos e fazer horas extras. Mas também uma chantagem de trabalho, educando que se você não ceder, por exemplo para baixar sua categoria e ganhar dinheiro, a entidade não ganhará o concurso e você perderá seu emprego.

Ataques ao sindicalismo

A seção sindical da CNT é a única em La Rueca e teve representação variando de 25 a 30 por cento da força de trabalho. A partir daí, o delegado e o secretário denunciam várias medidas ilegais que a empresa aplica para minar o sindicato.

“São-nos sistematicamente negados todos os direitos à informação de duas maneiras. Por um lado, não conhecemos as contas reais da empresa, não sabemos quanto os gerentes ganham, não sabemos nem mesmo quantos trabalhadores há no total. E, por outro lado, temos o direito de informar aqueles que trabalham aqui. La Rueca tem a obrigação de nos fornecer todo o correio nominal dos trabalhadores para informá-los e não o faz. Além disso, eles tentam constantemente intervir nas comunicações sindicais que fazemos”, explicam.

Acrescentam que as atas nunca são extraídas de reuniões de diretoria onde são tomadas decisões estratégicas ou de reuniões com os próprios sindicatos. Também não estão incluídos em planos de prevenção de riscos ocupacionais, ou em medidas de prevenção durante a pandemia. Eles também relatam casos em que foi negada aos delegados sindicais a possibilidade de estarem presentes durante a comunicação de demissão e rescisão.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/laboral/cnt-denuncia-20-despidos-ansiedad-y-precariedad-en-la-rueca

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Escorre pela folha
a tarde imensa,
pousada em gota d’água.

Yeda Prates Bernis

[Chile] Liberdade para os prisioneiros chilenos

Caros camaradas,

Desde a revolta do povo chileno contra o aumento dos preços das passagens de metrô, serviços de transporte e políticas neoliberais do governo chileno, em que mais de 11.300 pessoas foram detidas, e 2.500 delas estão na prisão, muitas delas com investigações ocorrendo, mas ainda nenhuma sentença, o que significa que estão em prisão preventiva. Assumimos que as prisões tenham sido feitas com o objetivo de reprimir e tornar ilegais esses protestos.

Presos que se encontram nas prisões chilenas desde 18 de outubro de 2019, estão privados de liberdade por terem sido acusados de quebrar uma barreira do metrô (que fica na entrada do metrô), também por causa de acusações dos Carabineros (polícia chilena), como incêndios, agressões a policiais, saques, barricadas, incêndios de igrejas e agências bancárias, etc.

Muitas dessas denúncias foram desmoronando por falta de provas ou porque puderam provar que eram falsas. Portanto, a sociedade em geral vê esses processos como uma vingança do Estado contra o levante das pessoas em retaliação à elite dominante.

Desde os primeiros dias de dezembro, houve a criação de uma campanha, um chamado pela liberdade dos presos, daqueles que foram detidos nos motins. Tem-se pressionado parlamentares, ministros e o próprio governo para acabar com a detenção antes da condenação, para que essas pessoas possam cumprir prisão domiciliar durante o período de investigação, já que é isso que o fizeram com os Carabineros acusados de violações de direitos humanos, incluindo ferimentos graves contra manifestantes, tortura e/ou homicídios, e apenas um pequeno número deles permanece em prisão preventiva na sede da polícia.

Fazemos um apelo a todos os anarquistas do planeta para que se juntem a esta campanha, enviando cartas ao governo chileno por meio de suas embaixadas e consulados, exigindo a libertação imediata dos manifestantes do levante chileno. Gostaríamos também de perguntar a quem tem a possibilidade de fazer demonstrações, para fazê-las diante de embaixadas, consulados e empresas chilenas.

A SOLIDARIEDADE É A ÚNICA ARMA DOS TRABALHADORES E DAS PESSOAS OPRIMIDAS CONTRA O ESTADO E O CAPITAL.

Grupo Anarquista Germinal (Amigos da AIT)
Assembleia Anarquista de Bio Bio

Fonte: https://iwa-ait.org/content/freedom-chilean-prisoners

Tradução > A. Padalecki

agência de notícias anarquistas-ana

Cai a pedra n’água
partindo o espelho do rio:
as nuvens se esvaem.

Ronaldo Bomfim

[EUA] Justiça: Não condicionada pelos céus

Humanos nascem com um inato senso de justiça

Por Tom Martin

A base do anarquismo tradicional sempre tem sido a crítica revolucionária do conceito de justiça em todas as suas variações, particularmente em sua relação com o aparato repressivo do Estado e a natureza opressiva do capitalismo. Hoje em dia, tudo isso tem se estendido ainda mais para questões como justiça restaurativa e ecológica. As compreensões de filósofos anarquistas permanece relevante, particularmente quando adicionamos a elas observações sócio psicológicas do comportamento humano.

Através de todas suas variações por entre os séculos, justiça, do Latim ius, um “direito”, mais especificamente um direito garantido pela lei, o significado da palavra não tem mudado. Em sua forma no latim mais rudimentar, ious, possuía uma conotação religiosa sugerindo uma norma ou encantamento sagrados, como algum tipo de invocação.

Em línguas relacionadas ao subcontinente da Índia, seus derivados significam saúde ou purificação ritualística. Isso alude a origem da palavra justiça como algo que provém de uma fonte sobrenatural ou, pelo menos, irreconhecível. O etimológico mescla-se com o teológico.

Qual a origem de justiça? Para a maior parte da história (e não apenas no ocidente) era ou vinda da igreja, do Estado ou ainda pior uma mistura dos dois. Quase sempre essas instituições negam a autoria, elas meramente dizem impor a doutrina da natureza humana, leis naturais, Deus, ou alguma outra abstração.

Sim, impor doutrina. A bíblia cristã está repleta de exemplos de justiça provindo hierarquicamente de Deus ou de seus representantes terráqueos.

Anarquistas, ao menos no ocidente, possuem – como todas as outras pessoas  – concepções de justiça derivadas do mythos Judaico-cristão, apesar de que para eles justiça é sempre social, nunca judicial.

A maior parte dos filósofos, anarquistas ou não, sempre afirmaram que este senso de justiça é a fundação de toda moralidade. De onde vem este senso não estão tão facilmente de acordo.

Para William Godwin, o primeiro partidário moderno do anarquismo, justiça era essencial o suficiente para ser incluída no título de seu trabalho mais influente, Inquérito acerca da justiça política (1793). Mas note o adjetivo qualificativo. Anarquistas desde sempre tem debatido entre separar justiça de política e dar a ela um contexto social mais amplo.

“Se justiça possui qualquer significado”, Godwin escreve, “é apenas que eu devo contribuir tudo em meu poder para o benefício do todo.” Mas Godwin toma como certo, com uma presunção Iluminada, que seres humanos irão agir racionalmente.

Pierre Joseph Proudhon, outro proponente do anarquismo, argumentou em “O que é propriedade?” (1840) que filósofos nunca realmente entenderam o significado da palavra justiça. Para ele, ela é a fundação de todas as relações humanas, sendo modificada por “reflexão e conhecimento”. Governos degeneram nossa sociabilidade natural por forma da criação de desigualdade e privilégio.

Em uma carta de 1872, o anarquista russo e rival político de Karl Marx, Mikhail Bakunin, concordou que nós nunca podemos ter real justiça quando a delegamos a outros. Uma sociedade genuinamente livre verá justiça como responsabilidade de todos. Em sua obra Catecismo Revolucionário (1866) ele define “consciência humana como a base da justiça, Liberdade individual e coletiva como a única fonte de ordem na sociedade.” Em todos os seus trabalhos, Bakunin determina igualdade como a condição essencial para a justiça.

Em um ensaio de 1902, “Vingança Organizada Chamada ‘Justiça‘”, Peter Kropotkin, o anarquista autor de “Ajuda Mútua”, especula o conceito de um ponto de vista antropológico. Para pessoas primitivas, ele observou, a justiça era administrada por toda a comunidade agindo por consenso.

Se desenvolveu através de um período de arbitragem e meditação (a era medieval, de acordo com Kropotkin) e com o surgimento do Estado moderno se transforma em um instrumento de vingança e controle em defesa das classes mais privilegiadas. “Justiça é correlacionada ao Estado”, ele escreve, “eles implicam um no outro.”     

Em uma sociedade anarquista, ele continua, justiça será “Arbitragem voluntária, com uma solidariedade mais efetiva, usando dos modos poderosamente educativos nos quais uma sociedade virá a ter, não deixando o cuidado de sua moralidade pública para os policiais.”

Anarquistas são geralmente ateístas, mas Emma Goldman (1869-1940) foi a primeira a dizer explicitamente que a justiça implementada por governos é tacitamente religiosa, sacrossanta, e contínua por que vem supostamente de uma fonte super-humana. Essa fonte pode ser Deus, ou pode ser “a vontade do povo”, mesmo que o povo não seja consultado.

Goldman aponta que ao longo da história, lutadores genuínos por justiça e liberdade sempre foram “os ímpios: os ateístas… eles sabiam que justiça, verdade e fidelidade não são condicionadas pelos céus, mas que eles estão ligados e entrelaçados com as tremendas mudanças que ocorrem na vida social e material da raça humana, Não fixa e eterna, mas oscilante, assim como a vida em si.

Todos os anarquistas concordam em alguns princípios: justiça verdadeira é social, não política, a teoria e práxis desta justiça devem ser decididas pela comunidade e funcionarão melhor em proporção inversa ao tamanho de dita comunidade, teoria e práxis não devem ser tomadas como rígidas, imutáveis. Alguns de nós acrescentarão que essa justiça se estende ao planeta em si, não apenas a humanos. E se não soar utópico demais: em uma sociedade anarquista, a maioria das causas de injustiça irão desaparecer por conta própria.

Estudos psicológicos recentes, frequentemente usando apenas teatro de fantoches, mostraram que bebês em fases pré-verbais, alguns com apenas três meses, possuem empatia e senso de justiça inatos e suporte em seus grupos. Eles demonstram aflição quando vêm uma distribuição desigual de brinquedos, ou um fantoche mostrando favoritismo a um segundo fantoche e não a um terceiro, ou quando um dos experimentadores elogia verbalmente um fantoche que fez algo injusto.

Pesquisadores concluem que o senso de justiça é recíproco. Nós queremos ser justos, e sermos vistos como justos, e queremos que outros também o sejam. Um estudo da universidade de Chicago sugere que variações nas respostas de bebês em frente a injustiça são parcialmente condicionadas pela atitude de seus pais.      

Anarquistas tendem a apoiar nutrição no debate entre natureza/nutrição, relutante em conceder qualquer tendência fixa na natureza humana. Mas esses experimentos, agora numerosos e variados, demonstram algo intuído pelos anarquistas clássicos, e que todos anarquistas devem estar felizes em aceitar.

Nós nascemos com um senso de justiça inato, que a medida que crescemos, é pervertido e retirado de nós pela aliança profana entre religião, capitalismo e o Estado.

A seleção natural claramente favorece solidariedade em grupo ao invés de interesse próprio.

Tom Martin é um professor emérito no colégio Sinclair em Dayton onde ele vêm subvertendo o paradigma dominante desde 1989.

Fonte: Fifth Estate # 406, Spring, 2020

Tradução > A. Padalecki

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Na tarde de neve
Passa desaparecendo
Um só guarda-chuva.

Yaha

[Espanha] Novidade editorial: “Nubes negras | Una historia del pistolerismo en la Barcelona de 1920”, de Antonio Rayas Rosas

A história de um imigrante andaluz em Barcelona na década de 1920. A cidade rebelde e cosmopolita tornou-se a portadora padrão dos movimentos sociais que estavam se desdobrando por toda a Europa. O duro confronto entre a Patronal e o Governo contra o sindicato CNT faria de Barcelona uma das cidades mais violentas do mundo. Antonio é um trabalhador rural andaluz que não se resigna à situação de humilhação e servidão que a sociedade lhe impôs. Portanto, ele não vai abrir mão das poucas oportunidades que a vida tem a oferecer, mesmo que tenha que enfrentar senhorios, emigrar ou abandonar o amor de sua vida. Ele chegará a Barcelona agitada pela violência e pelas mudanças sociais, onde encontrará uma realidade muito diferente daquela que esperava. Seguindo sua forte vontade de mudar e melhorar sua vida o levará por caminhos onde ele terá que cometer atos que excederão sua própria moral, e o confrontará com situações que nunca teria querido viver. Somente uma época como a de 1920 poderia oferecer um cenário tão interessante para a história de um homem humilde, mas com orgulho.

Nubes negras | Una historia del pistolerismo en la Barcelona de 1920

Antonio Rayas Rosas

Trilita Ediciones, Barcelona 2020

96 págs. Cartoné 24×17 cm

ISBN 9788412180978

16,80 €

trilitaediciones.blogspot.com

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A pedra
nada pergunta ao rio
sobre água e tempo.

Yeda Prates Bernis

Os milhões enviados da Polônia para radicais da TFP no Brasil e pelo mundo

Os valores canalizados ao longo de vários anos pelos fundadores da Instituição Ordo Iuris da Polônia para organizações católicas radicais no exterior chegam a 10 milhões de euros. Só para o Brasil e a França, desde 2004, foram enviados anualmente 500 mil euros. É o que uma investigação internacional produzida pela Reporter’s Foundation, da Polônia, com parceiros na França e no Brasil descobriu. O dinheiro doado para rosários e imagens de Nossa Senhora de Fátima apoia o movimento global contra aborto, gênero, LGBTQ+ e valores compartilhados pelo mundo liberal.

Uma mansão luxuosa em São Paulo, um castelo majestoso na França, uma casa do século 19 em Kazimierz, um distrito histórico da Cracóvia: há algo que liga todos estes imóveis e endereços ao redor do mundo? Poderia haver alguma relação entre essas organizações e o endurecimento das leis de aborto na Polônia e o futuro referendo sobre a definição de casamento na Estônia?.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/12/28/os-milhoes-enviados-da-polonia-para-radicais-da-tfp-no-brasil-e-pelo-mundo.htm?cmpid=copiaecola

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Será mais bela a noite acesa?
sussurra a voz dela
prolongando o crepúsculo.

Etsujin

[Grécia] Solidariedade, campanha financeira para multas e custos judiciais

Apoio financeiro para o pagamento de multas e custos judiciais da
manifestação de 17 de novembro em Tessalônica.

Algumas palavras sobre aquele dia:

No dia 17 de novembro, o Estado e o governo deram mais um passo rumo a uma completa aberração após a aprovação do projeto de lei para a restrição dos protestos. Por ordem específica do Ministério da “Proteção ao Cidadão”, o chefe de polícia grego emitiu um toque de recolher de quatro dias e proibiu todas as reuniões com mais de 3 pessoas. Para nós, assim como para uma série de lutadores do movimento revolucionário, e também para milhares de outras pessoas, está ficando claro que a pandemia é usada como uma ferramenta pelas autoridades a fim de suprimir violenta e universalmente qualquer movimento de resistência social e de classe. Muitas organizações e combatentes em toda a Grécia decidiram, respeitando todos os meios de proteção, quebrar a proibição estatal, que tanto lembra as práticas da junta militar. Centenas de infrações foram registradas e multas foram validadas em todo o território, enquanto, a cada dia, as mortes nos hospitais aumentam, atingindo ou ultrapassando os três dígitos.

Em Tessalônica, a polícia repreendeu os manifestantes e deteve dezenas deles. Seis pessoas estão presas, entre elas 3 de nossos camaradas, enquanto outras 3 estão sendo detidas por um breve período no departamento de polícia. Todos os 6 foram multados em $ 300. Um total de 1.800 euros (R$ 11.440) é um grande fardo para o nosso coletivo, sem contar os custos (judiciais) dos nossos parceiros. Acreditamos que os movimentos de resistência e desobediência à brutalidade e repressão do Estado, como os que ocorreram no dia 6 de dezembro, não visam exclusivamente os lutadores organizados do movimento, mas representam muitos mais, os quais podem não ter participado nas manifestações mas que querem apoiar aqueles que o fizeram, sempre com alto grau de responsabilidade pela saúde pública. Com esta avaliação em mente, pedimos o necessário apoio financeiro aos oprimidos, embora saibamos como é difícil a situação nas classes populares. Acreditamos que mais do que nunca, o apoio financeiro está se transformando em apoio político e essa ajuda é uma defesa que pode efetivamente contrariar a tentativa de repressão contra o movimento, por meio do estrangulamento econômico de suas organizações e de seu povo.

Objetivo do Financiamento Coletivo:

Tendo em vista a solidariedade entre aqueles que estão sendo explorados (os reprimidos), estamos criando este pedido, que visa pagar as multas aplicadas e que permaneceram após o indeferimento das objeções apresentadas pelos nossos camaradas. Nosso objetivo original é cobrir parte das 6 multas e custos, mas tendo uma visão mais abrangente da situação em toda a Grécia, como organizadores deste pedido, comprometemos que uma possível receita adicional, além da meta original, pode ser fornecida em consulta com outros coletivos para cobrir tanto quanto o possível de tais custos. Todos os movimentos possíveis de ajuda financeira serão publicados no blog do nosso coletivo maurokokkino1936.wordpress.com

Mais informações:

No link abaixo você pode ler o anúncio completo da APO em Tessalônica sobre os eventos que aconteceram no dia 17 de novembro na cidade.
maurokokkino1936.wordpress.com/2020/12/08/17november2020announcement/

RESISTÊNCIAS NÃO SÃO LEGAIS OU ILEGAIS, SÃO JUSTAS

RESISTÊNCIA AO TOTALITARISMO MODERNO | A LUTA SERÁ ANTI-REGIME OU NÃO SERÁ NADA

https://www.firefund.net/blackredlibertatia

Tradução > A. Padalecki

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/27/grecia-delegacia-de-policia-em-tessalonica-e-atacada-com-coqueteis-molotov/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/23/video-motim-em-atenas-a-proibicao-orwelliana-de-reunioes-de-mais-de-3-pessoas-leva-a-tumultos-por-toda-a-grecia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/19/grecia-o-estado-suprime-manifestacoes-em-memoria-da-revolta-estudantil-de-1973/

agência de notícias anarquistas-ana

Se afasta a lanterna
Sumindo na escuridão —
O canto do cuco.

Shiki

Anarquistas Expropriadores e Outros Ensaios de Osvaldo Bayer

Lançamento conjunto do Editorial Adandé e da Editora Monstro dos Mares

Homens de ação, anarquistas dispostos a tudo pela causa do povo, resistindo com armas, bombas, punhais, solidariedade e ideais. Enfrentando de forma precária uma repressão sanguinária contra trabalhadores e militantes, que protagonizaram histórias épicas, mas normalmente, com fins trágicos. Fugas, assaltos, atentados, justiçamentos e polêmicas, a tradição do anarquismo expropriador na região do Rio da Prata, ou seja, de militantes anarquistas adeptos da violência revolucionária que no início do séc. XX se moviam principalmente entre a Argentina e o Uruguai e fizeram a opção de opor a justiça do povo à violência reacionária do Estado e dos capitalistas, são contadas nos ensaios envolventes do jornalista, escritor, cineasta, historiador e incansável libertário argentino Osvaldo Bayer, falecido em 24 de dezembro de 2018 e para quem dedicamos essa nova edição revisada e ampliada de Anarquistas Expropriadores e Outros Ensaios, publicada agora em conjunto pelo Editorial Adandé e a Editora Monstro dos Mares.

A primeira edição em português de Anarquistas Expropriadores, esgotada, foi publicada pelo Editorial Luta Libertária, na série Combate Anarquista, em 2004, que gentilmente nos cedeu o clássico texto e que aqui apresentamos revisado e acrescido de outros ensaios inéditos de Osvaldo Bayer em português, boa parte desses publicados originalmente na duradoura revista argentina de divulgação histórica Todo es Historia, fundada em 1967. “Simón Radowitzky, homem de ação”, narrando as aventuras épicas do “santo da anarquista” e seus feitos, “Severino Di Giovanni, o idealista da violência” com a primeira parte de um relato sobre uma das figuras mais viscerais e polêmicas da história anarquismo, e pôr fim, o ensaio “Sobre o anarquismo argentino”, que narra ascensão e decadência do anarquismo de massas na primeira parte do séc. XX no país vizinho.

Precursores da guerrilha urbana na América Latina, homens de ação e anarquistas que protagonizaram assaltos espetaculares, tiroteiros, expropriações, fugas legendárias, justiçamentos de inimigos do povo e debates intensos sobre o uso da violência. Miguel Arcángel Roscigna, Juan Antonio Morán, Gino Gatti, os irmãos Moretti, Francisco Ascaso, Buenaventura Durruti, Simon Radowitzky, Severino Di Giovanni e muito outros são personagens de Anarquistas Expropriadores e Outros Ensaios, clássicos escritos do saudoso Osvaldo Bayer. Dono de uma narrativa envolvente, o investigador argentino pioneiro na memória desses homens de carne, ossos, sonhos e ação direta, coloca o leitor dentro das cenas e dramas dos anarquistas delitivos.

Desejamos uma boa leitura e inspiração de luta combativa e revolucionária para esses tempos sombrios.

Viva a Anarquia!

Editorial Adandé e Editora Monstro dos Mares

Dezembro de 2020, Brasil.

Anarquistas Expropriadores e Outros Ensaios – Osvaldo Bayer

130 págs

Valor de lançamento: R$ 25,00 + frete

Contatos e informações em @editorialadande e @monstrodosmares

agência de notícias anarquistas-ana

Oh, melões frescos,
Se alguém aparecer,
Transformem-se em rãs!

Issa

[Espanha] Antonio Tellez Solá, memória do anarquismo

Por María Torres | 30/09/2020

 Antonio Téllez nasceu em 1921 em Tarragona e era um rapaz de treze anos quando viveu em primeira pessoa a revolução asturiana de 1934. A transferência de seu pai, ferroviário de profissão, a Soto del Rey, localidade próxima a Oviedo, o fez entrar em contato com o comunismo libertário e deixou em sua retina uma marca indelével que sem dúvida o animou em julho de 1936 a filiar-se, com tão somente quinze anos, às Juventudes Libertárias.

 Naquela ocasião uma nova transferência de seu pai fez com que se encontrasse em Lérida quando ocorreu o golpe de estado contra a República. Trabalha como aprendiz de carpinteiro. Tenta integrar-se na coluna de “Los Aguiluchos” mas é rechaçado por sua idade. Em janeiro de 1939 é convocado e permanece pouco tempo no Exército Popular da República, já que em 10 de fevereiro de 1939 cruza a fronteira francesa junto a milhares de lutadores antifranquistas e é preso em Prats de Molló.

 Após um ano internado no campo de concentração de Septfonds, o contratam para trabalhar em uma fábrica de pólvora nos Altos Pirineus. Abandona o trabalho quando a França assina o armistício. Dois meses depois é detido e conduzido ao Campo de Argelès sur Mer. Enrolado em uma companhia militarizada de trabalhadores estrangeiros, os contínuos atritos com o mando da companhia o conduzem a trabalhar em uma mina de antimônio em Le Collet de Dèze, posto no qual só permanece um mês e meio. A direção da mina o denuncia ante os alemães por indisciplina, pelo que acaba construindo fortificações para os nazis na costa.

 Durante meses aparece e desaparece em diversos destinos até que se incorpora a um grupo de guerrilheiros espanhóis, combatendo na liberação do sudoeste francês com a IX Brigada das FFI e participando diretamente na liberação de Rodez.

 Em 15 de outubro de 1944, cruza a fronteira espanhola junto com oito homens em uma missão de reconhecimento prévio à operação “Reconquista de Espanha”, incursão guerrilheira realizada no Valle de Arán e uma das primeiras ações do maquis contra o regime de Franco. Ante o fracasso da invasão e desavenças com a UNE, abandona a unidade guerrilheira. O Estado-Maior da UNE abre contra ele um conselho de guerra por deserção.

 Regressa à França e se instala em Tolousse. Lhe encomendam a missão de recuperar o armamento da II Guerra Mundial que se encontra disperso pela França e que seria utilizado na luta contra o regime franquista. Também tenta iniciar um processo de coordenação e de apoio exterior a todos os grupos guerrilheiros dispersos nos montes de Andaluzia, Galícia, Extremadura e Astúrias, sem êxito.

 No final de 1946 abandona Tolousse e se estabelece em Paris, onde começa a trabalhar como jornalista da Agência France-Presse e a partir de 1954 a resgatar do esquecimento os integrantes da guerrilha antifranquista, em especial da guerrilha urbana e da guerrilha galega. Escreve as biografias de resistentes que nunca se deram por vencidos, que lutaram e morreram em defesa de um ideal de liberdade, como Quico Sabaté, Facerías e Francisco Ponzán, aos quais o unia a amizade e a luta.

 Escreveu a história de homens ignorados aos quais durante anos se perseguiu para exterminá-los. E quando as forças repressivas conseguiram aniquilar a guerrilha, seguiram desprestigiando-a e esmagando qualquer pequeno ressurgimento que pudesse restar dela. Seus componentes foram tachados de bandoleiros, assassinos, facínoras e terroristas, segundo o jargão franquista.

 Antonio Téllez através de seus textos, tentou amenizar o injustificado desprestígio cometido contra uns homens que não quiseram baixar a cabeça, e aos quais posteriormente a Lei da Memória Histórica também lhes deu as costas. Quis contar sua tragédia repleta de incompreensão, abandono, esquecimento e desprezo. Quis contar a história de uns homens que estarão ausentes em muitas das histórias que ainda ficam por escrever.

 Seus livros “La guerrilla urbana: Facerías”, “Sabaté. Guerrilla Urbana en España (1945-1960)”, “La red de evasión del grupo Ponzán. Anarquistas en la guerra secreta contra el franquismo y el nazismo (1936-1944)”, “Historia de un atentado aéreo contra el general Franco”, “Apuntes sobre Antonio García Lamolla e otros andares”, “El MIL e Puig Antich”, foram traduzidos e editados na França, Alemanha, Itália, Grã Bretanha e Grécia.

 Em 1961 abandona definitivamente a militância ativa no seio do Movimento Libertário.

 Antonio Téllez Solá, militante anarquista, historiador, jornalista, um dos últimos sobreviventes da resistência anarquista que lutou para derrubar a ditadura de Franco, foi durante anos um apátrida. Até julho de 1978 não recuperou a nacionalidade espanhola. Faleceu em Perpiñán aos 84 anos de idade, em 26 de março de 2005, pensando, assim como Errico Malasteta que “não é violento o que recorre à arma homicida contra o usurpador armado que atenta contra a sua vida, sua liberdade, o seu pão; o assassino é o que põe a outros na terrível necessidade de matar ou morrer”.

 Fonte: https://nuevarevolucion.es/antonio-tellez-sola-memoria-del-anarquismo/

Tradução > Sol de Abril

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Balde d’água
subindo pelo poço.
Dentro uma perereca!

Sonia Mori