O Ártico estará sem gelo dentro de 10 anos devido à falta de políticas para regular o aquecimento global

Por décadas, cientistas alertaram sobre as consequências das mudanças climáticas. Porém, devido à falta de uma política climática significativa, veremos um resultado surpreendente dentro de 10 anos: um Ártico sem gelo.

Por Jeanette Gallardo | 21/03/2024

A região do Ártico enfrenta desafios sem precedentes à medida que as temperaturas globais continuam a subir, com implicações importantes para a cobertura do gelo marinho. Uma pesquisa recente da Universidade do Colorado, em Boulder, lança luz sobre a perda acelerada de gelo marinho no Ártico e suas potenciais consequências, indicando que poderemos ter um Ártico “sem gelo” nesta década.

O que significa um Ártico “sem gelo”?

Vejamos o que significa dizer que o Ártico está “livre de gelo”. Para os cientistas, isso não significa zero de gelo: significa que restará muito pouco gelo no oceano. Os cientistas usam uma medida específica: se houver menos de 1 milhão de quilômetros quadrados de gelo, cerca de 20% do que havia na década de 1980, então é considerado “livre de gelo”.

|| O estudo sugere que o Ártico poderá passar por dias de verão com mínimo ou nenhum gelo marinho nos próximos dois anos, muito mais cedo do que o previsto anteriormente. ||

A investigação destaca a necessidade urgente de abordar as mudanças climáticas para mitigar estes efeitos adversos. Para colocar a situação em perspectiva, dados recentes mostram que, em setembro de 2023, o oceano Ártico tinha cerca de 3,3 milhões de quilômetros quadrados de superfície de gelo marinho no seu mínimo. Isto indica uma diminuição significativa da cobertura de gelo, o que evidencia a gravidade da situação.

Impactos ambientais

A diminuição do gelo marinho do Ártico tem consequências terríveis para a vida selvagem que depende destes habitats congelados, incluindo focas e ursos polares. Além disso, o aumento da temperatura dos oceanos está gerando preocupações sobre a possível entrada de espécies de peixes não-nativas no Ártico, ameaçando o delicado equilíbrio dos ecossistemas locais. Além disso, o recuo do gelo marinho aumenta o risco de erosão costeira, amplificando a vulnerabilidade das comunidades ao longo da costa.

As emissões de gases de efeito estufa desempenham um papel fundamental na perda de gelo marinho no Ártico. À medida que a cobertura de neve e gelo diminui, o oceano absorve mais calor da luz solar, agravando o derretimento e o aquecimento do gelo na região. Esta tendência alarmante tem consequências de longo alcance, não só afetando a vida selvagem do Ártico, mas também colocando riscos para as comunidades e ecossistemas costeiros.

Esperança no horizonte

Apesar das projeções sombrias, há um raio de esperança. O gelo marinho do Ártico demonstrou resiliência no passado e pode recuperar rapidamente se as temperaturas globais estabilizarem. Contudo, alcançar este objetivo requer esforços concertados para reduzir as emissões e enfrentar as mudanças climáticas à escala global.

Em diferentes cenários de emissões, o Ártico poderá experimentar vários graus de condições sem gelo, destacando a necessidade de uma ação climática decisiva para minimizar os impactos ecológicos e sociais.

Essa pesquisa serve como um forte lembrete da necessidade urgente de abordar as mudanças climáticas e os seus impactos nos glaciares do Ártico. À medida que enfrentamos os desafios colocados por um planeta em aquecimento, é importante tomar medidas decisivas para salvar os frágeis ecossistemas do Ártico e preservá-los para as gerações futuras.

Referência da notícia:

Jahn, A.; Holland, M. M.; Kay, J. E. Projections of an ice-free Arctic Ocean. Nature Reviews Earth & Environment, v. 5, 2024.

Fonte: https://www.tempo.com/noticias/ciencia/o-artico-estara-livre-de-gelo-dentro-de-10-anos-devido-a-falta-de-politicas-para-regular-o-aquecimento-global-acelerado.html

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Sobre o curso d’água,
Perseguindo sua sombra,
Desliza a libélula.

Chiyo-jo

23 manifestantes de 2013 são inocentados.

O bem mais precioso,

é a liberdade,

lutemos por ela,

com fé e com valor.

Agitar a bandeira revolucionária,

que levará o povo a emancipação.”

(Música da revolução espanhola de 1936)

 

No dia 19/03/2024, no TJ-RJ, houve o julgamento de segunda instância do caso dos 23 manifestantes acusados de organizar protestos violentos durante o levante proletário de 2013 e contra a Copa FIFA de 2014. A absolvição de todos os manifestantes, por unanimidade (3 votos), se deu após 11 anos de iniciado o processo e 10 anos das prisões. Essa vitória foi um importante marco não somente para esses manifestantes, mas para os movimentos sociais e aqueles que atuaram na defesa da liberdade de organização e manifestação. A lei de organizações criminosas utilizada para criminaliza-los foi sancionada logo após as gigantescas manifestações populares de junho de 2013, que, em número de participantes, foi o maior levante popular da história do Brasil até hoje. Representativo essa lei ter sido sancionada pela ex-presidente Dilma, do PT, no poder naquele momento. O governo social-democrata fez de tudo para criminalizar não só os movimentos sociais atuantes neste levante, mas também para deturpar a memória do que foi 2013, através da atuação dos seus intelectuais sociais-democratas.

Este campo reformista, historicamente sempre atacou os revolucionários e preferiu cooperar com a direita. Esse tipo de manobra política pode favorecer o crescimento da extrema-direita, o que ocorreu de fato no Brasil nos anos seguintes a 2013. Portanto, a criminalização dos movimentos autônomos e revolucionários foi uma ação desastrosa do PT. Em parte, essa criminalização, ao menos a do judiciário burguês, foi encerrada agora, mesmo que uma década depois e tendo tido uma sentença em primeira instância, pelo Juiz Flávio Itabaiana, conhecido repressor, de 7 a 13 anos de prisão. Foi uma vitória, e celebramos a liberdade desses camaradas. Porém, não podemos esquecer que outros manifestantes e lutadores, em outros casos, continuam sendo processados e reprimidos. Portanto, precisamos nos manter em postura permanente de combate a criminalização dos movimentos sociais e sempre atentos contra isso. Os movimentos sociais precisam organizar redes de solidariedade para esses casos, não somente para marcar posição, mas na prática, seja para assegurar que camaradas perseguidos consigam fugir das garras da repressão, seja com atuação de advogados populares, ou até mesmo de suporte para lutadores presos. Não podemos depender da justiça burguesa e nem ter falsas ilusões. Esse processo só foi encerrado depois de ter sido derrotado politicamente, de ter suas falsas provas anuladas, de ter virado chacota no meio judiciário pela sua fraqueza de embasamentos e erros processuais.

VIVA A LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO!

LUTAR NÃO É CRIME!

LIBERDADE, LIBERDADE!!!

lutafob.org

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As campânulas
Se espalham pelo terreno —
Casa abandonada.

Shiki

[México] Carta do Prisioneiro Anarquista Jorge “Yorch” Esquiv

Carta do prisioneiro político anarquista mexicano Jorge “Yorch” Esquivel de dentro da prisão Reclusorio Oriente na Cidade do México.

Oi compas, como vocês estão? Estou aqui e um pouco estressado com tanta incerteza. Depois de um ano e três meses de prisão, me pergunto: como tenho conseguido resistir neste lugar?

Bem, sinto que consegui resistir por causa das pessoas que me visitam. As visitas são muito importantes porque é o dia em que você vê as pessoas que ama e aquelas que se importam com você. Elas fazem você se sentir como se fosse um dia diferente porque aqui todos os dias são iguais, e eles são difíceis. Com as visitas, nós, prisioneiros, podemos esquecer da situação que enfrentamos todos os dias.

Além disso, a comida que vários coletivos e indivíduos me enviam através das visitas, como aquele delicioso mel que me mandaram. Também, os vegetais nutritivos que vêm dos jardins flutuantes de Xochimilco. Isso me lembra de uma vez, alguns meses atrás, quando compartilhei alguns quelites (ervas selvagens comestíveis como verdolaga) que tinha cozinhado com outro prisioneiro que está aqui há muito tempo. Quando ele comeu os quelites, isso o fez lembrar da comunidade de onde ele vem. Isso me fez sentir bem porque são uma daquelas pequenas coisas das quais eu não estava realmente ciente quando estava do lado de fora. Esses tipos de coisas me permitiram resistir durante esse tempo dentro.

Outra coisa que também me ajudou muito foram as cartas. Consegui ler cartas de vários amigos, e também de pessoas que não conheço, mas que estão me apoiando. Obrigado por escreverem porque neste ambiente é difícil saber o que está acontecendo com meus amigos. Não temos e-mail, então as cartas são a maneira como nos comunicamos com as pessoas e são o que quebram essas paredes da prisão. Elas também me ajudam a não esquecer das pessoas que estão comigo, e ajudam elas a não esquecerem de mim.

O que também me ajudou foi saber das coisas que foram organizadas em diferentes países, como na Espanha, Canadá, Alemanha, Inglaterra, Itália, Austrália, Minneapolis, Los Angeles. Ver os panfletos e cartazes, e saber o que as pessoas estão fazendo para me apoiar, me enche de força para continuar resistindo pelo tempo que for necessário.

Não posso esquecer de mencionar a arte gráfica, os cartazes, filmes e livros. Eles foram muito importantes para mim, e a arte gráfica pode me dizer muitas coisas que às vezes as palavras não conseguem.

Muito obrigado, amigos. Continuem pressionando porque é a única maneira de me libertar da prisão.

Prisioneiros políticos às ruas!

Sinceramente,

El Yorchs

10 de março de 2024

Para mais informações sobre o caso de Jorge, acesse aqui (https://yorch-libre.espivblogs.net/). Você pode escrever uma carta para Jorge em inglês ou espanhol e enviá-la para yorchlibre@gmail.com.

Tradução > fernanda k.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/30/mexico-solidariedade-com-yorch/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/07/mexico-carta-do-preso-anarquista-jorge-yorch-esquivel-solidaria-com-alfredo-cospito-e-miguel-peralta-e-anunciando-sua-proxima-audiencia-para-14-de-abril-de-2023/

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Em qualquer lugar
Onde se deixem as coisas,
As sombras do outono.

Kyoshi

[Irlanda] Eduque! Agite! Organize! | Envolva-se e ajude a Construir uma Alternativa Anarquista

Organize! é um grupo de propaganda anarco-sindicalista e uma iniciativa sindical que se organiza em toda a Irlanda – no norte e no sul. Nos inspiramos nas lutas autodirigidas das pessoas da classe trabalhadora, especialmente aquelas organizadas sob linhas anarco-sindicalistas. Nossa história remonta à formação original do Organize! pelos Grupos Anarquistas de Ballymena e Antrim em 1985. No dia 9 de dezembro de 2022, fomos unanimemente admitidos como uma seção “amiga” da Associação Internacional dos Trabalhadores Anarco-Sindicalistas em seu histórico Congresso centenário em Alcoi, Espanha.

Somos pessoas comuns da classe trabalhadora que estão cansadas de serem exploradas pelo sistema lucrativo, cansadas de verem nossas comunidades sendo despedaçadas pelo racismo, patriarcado, nacionalismo e sectarismo, e cansadas de alguns ganharem riquezas às custas de todos os outros.

Estamos trabalhando ativamente para promover a solidariedade em oposição ao capitalismo, ao estado, ao patriarcado e a todas as outras formas de opressão e hierarquia. A maneira como nos organizamos reflete a sociedade livre que queremos criar: uma sociedade baseada em associação voluntária, participação democrática e autogestão.

Nossos membros são trabalhadores: beneficiários, estudantes, migrantes, desempregados e outras pessoas da classe trabalhadora. Todos estamos comprometidos em construir um movimento sindical comunista libertário ativamente contrário a todas as formas de opressão e exploração.

Queremos melhorar as condições cotidianas para nós mesmos e para outras pessoas da classe trabalhadora, mas também lutamos pela transformação revolucionária que possa criar uma sociedade livre e igualitária, baseada em ajuda mútua e cooperação. Parece loucura? Talvez seja, mas todas as alternativas pressupõem a continuação do sistema atual… e isso é ainda mais louco…

O sistema atual não está funcionando – o estresse e o excesso de trabalho afetam cada vez mais pessoas, enquanto outras são jogadas na miséria; para uma quantidade crescente de trabalhadores, é precariedade, contratos de horas zero e o estresse de não poder planejar ou orçar nossas vidas; vivemos em um mundo de recursos abundantes e, no entanto, milhões passam fome; algumas pessoas acumulam vastas fortunas apenas porque possuem empresas, terras, propriedades ou recursos naturais, mas aqueles de nós que criamos a riqueza, trabalhamos na terra e construímos as propriedades, ficamos lutando para pagar pelos recursos naturais; os políticos nos dizem que não há dinheiro – não para salários, benefícios ou facilidades locais, mas sempre há muito para a guerra; tanto local quanto globalmente, a lacuna entre as camadas mais ricas e mais pobres da sociedade nunca foi tão grande; em vez de uma guerra à pobreza, eles têm uma guerra contra a “fraude de benefícios”, uma guerra contra as drogas e uma “guerra ao terror” e as mesmas instituições que criam guerra, pobreza e destruição ambiental estigmatizam, aprisionam e deportam os refugiados resultantes.

Não achamos que essas coisas sejam inevitáveis ou coincidentes, achamos que estão relacionadas ao capitalismo – um sistema econômico definido pelo trabalho assalariado e pela acumulação de lucro do trabalho alheio. Então, apoiamos todos os trabalhadores contra seus patrões exigindo salários mais altos e melhores condições. Tentamos intervir de forma prática para apoiar trabalhadores envolvidos em disputas e também somos ativos em nossos próprios locais de trabalho e comunidades. Não apenas contra a exploração, mas contra as múltiplas opressões enfrentadas pelos membros da classe trabalhadora em toda a nossa diversidade.

Mas não é apenas uma questão de tentar lutar em um mundo de exploração e opressão; buscamos um futuro onde os trabalhadores controlem a produção e a sociedade em seus próprios interesses. E ao contrário de algumas pessoas que afirmam se opor ao capitalismo, não queremos ser um novo conjunto de líderes e nos recusamos a ser liderados por qualquer outra pessoa. Defendemos a democracia direta no local de trabalho e através da comuna em nossas comunidades – trabalhando em federação para garantir que as necessidades de todos sejam atendidas e que ninguém esteja novamente em posição de oprimir ou explorar outro ser humano.

Atualmente, temos membros em Belfast, Cork, Derry, Lisburn, Newtownabbey e Portadown e estamos construindo a organização com base no envolvimento e participação ativos. Não estamos interessados em uma adesão “no papel” sem sentido, então você não pode se juntar preenchendo um formulário online e nos enviando algumas moedas.

Para conversar conosco sobre a adesão, comece enviando um e-mail para:

organiseasi@gmail.com

organiseanarchistsireland.com

Tradução > fernanda k.

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Estranhos ruídos
Perturbando meus sonhos:
Cântico dos grilos.

Maria Tereza da Luz

[Espanha] Sabes qual é a origem desta saudação?

Fernando Fernán Gómez fazendo a saudação anarquista na entrega de prêmios de Donosti em 1999 [foto]. Sabes qual é a origem desta saudação?

O anarquismo sempre tem fugido e renunciado das simbologias e dos dogmas rígidos e estáticos que se encontram em muitas agrupações políticas da esquerda. Por este motivo é às vezes difícil e difuso encontrar uma origem única em alguma de suas simbologias.

Um dos mais difundidos é o símbolo das mãos entrelaçadas por cima da cabeça, que tem sido utilizado pelos anarquistas ao longo da história.

Se costuma utilizar como símbolo de resistência, união fraternal, de apoio mútuo e solidariedade entre companheiros, diferenciando-se do punho ao alto, mais empregado pelos comunistas e outros grupos combativos.

Esta saudação é muito habitual vê-la em atos no seio do anarcossindicalismo na Espanha, como na Confederação Nacional do Trabalho (CNT) e na Confederação Geral do Trabalho (CGT), que incluiu este símbolo em seu próprio emblema.

Era habitual ver o ator Fernán Gómez fazendo este símbolo com suas mãos. Uma saudação que repetia constantemente e que não era outra que a saudação anarquista. Não era uma pose nem uma provocação. Fernando Fernán Gómez era um artista, um dos melhores que deu nosso país, mas antes de tudo era um homem íntegro e coerente. Sempre se qualificou como anarquista, e este adjetivo não foi um que pegou e deixou, mas um que marcou sua vida, sua carreira e sua filosofia.

E tu? Conheces mais alguma teoria sobre a origem desta saudação? Te leremos nos comentários…

Tradução > Sol de Abril

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mar não tem desenho
o vento não deixa
o tamanho…

Guimarães Rosa

[Uruguai] Memória | Carta de Simón Radowitzky ao Partido Comunista da Argentina e a CGT

Ao Partido Comunista e a Confederação Geral do Trabalho. Tenho conhecimento que em sua propaganda e seus cartazes fazem figurar meu nome reivindicando a minha liberdade.

Como anarquista me dirijo a vocês: declaro que não quero ser instrumento de propaganda de nenhum partido político, inclusive do Partido Comunista, cuja adesão à política do governo russo é absoluta.

Em nome dos anarquistas encarcerados nas prisões e na Sibéria Soviética, em nome das agrupações anarquistas destruídas e cuja propaganda foi proibida na Rússia, em nome dos companheiros fuzilados em Kronstadt, em nome do nosso companheiro Petrini, que foi entregue pelo governo soviético ao fascismo italiano, em nome da Federação Obreira Regional Argentina e da Federação Obreira Regional do Uruguai e em nome de nossos companheiros Kropotkin, Malatesta, Rocker, Fabbri, Makhno, etc., etc., declaro que, como anarquista, rechaço todo o seu apoio que representa uma exploração indigna que fazem os líderes bolcheviques do partido e da CGT do generoso sentimento de solidariedade que me presta e a classe trabalhadora.

Simón Radowitzky, Montevidéu, Prisão Central, 22 de abril de 1936.

Texto extraído da revista Futuro Nº 7 Primavera / Verão 2004-2005

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Por este caminho,
Ninguém mais passa —
Tarde de outono.

Bashô

[Espanha] Novidade editorial: “En pos del milenio: Revolucionarios milenaristas y anarquistas místicos de la Edad Media”, de Norman Cohn

Em busca do milênio: Revolucionários milenaristas e anarquistas místicos da Idade Média, de Norman Cohn

A Idade Média viu surgir em suas margens uma complexa rede de heresias e movimentos que tentavam transpassar os limites da ortodoxia religiosa. Baseando-se principalmente nas tradições judias e na escatologia cristã (sobretudo no Apocalipses de São João), e impulsionados por sua dramática situação material e a decadência que observavam a seu redor, estes grupos de homens e mulheres encontraram no milenarismo uma tábua de salvação desesperada. Mas o milenarismo não foi só uma orientação religiosa. Segundo seus pressupostos, o reino dos mil anos que seguiria ao Juízo Final devia ser um paraíso na Terra no qual todas as penalidades dos justos seriam recompensadas e no qual todas as diferenças sociais seriam abolidas. A perspectiva, ao chegar às camadas mais desfavorecidas da sociedade, deu lugar uma e outra vez a movimentos revolucionários que lutaram com armas materiais para criar o reino de Deus na Terra: um reino que seria precedido pela eliminação dos malvados e no qual o homem seria devolvido a sua condição primitiva, o que implicava a abolição da propriedade privada e o estabelecimento de uma sociedade que hoje poderíamos identificar claramente como comunista.

Em En pos del Milenio – um dos livros de história mais importantes escritos durante o século XX – Norman Cohn fez uma pesquisa completa e rigorosa dos movimentos dos pobres durante a Idade Média. Em suas páginas, encontramos relatos extraordinários, como a apoteose anabatista na cidade de Münster, em 1535, e relatos detalhados de fenômenos fascinantes, como as “cruzadas dos pobres”, as procissões de flagelantes, as teorias de Joachim de Fiore, os incansáveis falsos profetas e messias, a disseminação de movimentos protoanarquistas cativantes, como a Irmandade do Espírito Livre, ou a luta de revolucionários sociais, como Thomas Müntzer.

En pos del milenio

Revolucionarios milenaristas y anarquistas místicos de la Edad Media

Norman Cohn

ISBN 978-84-15862-31-4

576 págs., 14×21 cms.

Preço: 28,00€

pepitas.net

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Canto da araponga.
Ferro fincado
No sol da tarde.

Wilma Chiarelli

[Chile] Chamado à solidariedade anarquista internacional.

Com as vítimas dos mega incêndios e a devastação capitalista no Chile.

Este chamado internacional é levantado pela Assembleia Anarquista de Valparaíso junto ao espaço anarquista Flora, porque sentimos a necessidade de recorrer à solidariedade internacional para colaborar na recuperação material, física e emocional das vítimas desta catástrofe capitalista em nosso território.

Este chamado se deve à emergência eco-social derivada dos gigantescos incêndios urbano-florestais que açoitaram as comunas de Valparaíso, Viña del Mar e Quilpué situadas no território denominado Chile, nos dias 2 e 3 de fevereiro.

O fogo custou mais de 130 vidas humanas e milhares de vidas não humanas. Além disso, destruíram-se ou danificaram-se mais de 15.000 moradias e vários centros sociais, bibliotecas populares e outros espaços comunitários.

A devastação capitalista, o desenvolvimento imobiliário, o negócio florestal e a crise habitacional que sofre o povo foram os ingredientes desta tremenda tragédia.

Como anarquistas, nossos esforços se centram na solidariedade com as vítimas, especialmente com os companheiros afetados e com os projetos políticos que se viram afetados.

Dada a magnitude da catástrofe, vemos a necessidade de gestionar uma campanha internacional de arrecadação de fundos para destiná-los diretamente às vítimas, à reconstrução das infraestruturas queimadas e à manutenção ativa das cozinhas populares e a compra de materiais para as equipes de trabalho autogeridas.

Viva o apoio mútuo!

Viva a solidariedade internacional!

Viva a anarquia!

>> Apoie aqui:

https://www.firefund.net/capitalistfire

Tradução > Sol de Abril

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Alegres grilos
Gritam na grama gris:
Música noturna.

Eduardo Otsuka

Gigante do cimento é atacada na Alemanha

Na noite de 14 para 15 de março em Berlim, por volta das 3h50, seis caminhões de cimento foram totalmente destruídos e outras três máquinas (escavadeiras) danificadas pelas chamas no canteiro de obras da rodovia A100, na Kiefholzstrasse, em Berlim. Estas betoneiras pertenciam ao grupo alemão Heidelberg Materials, uma das maiores fabricantes mundiais de cimento, agregados e concreto pré-misturado.

Em 27 de dezembro de 2023, outra gigante do concreto, a CEMEX, já havia sido atacada em Berlim (cinco caminhões betoneiras queimados, bem como a linha transportadora de materiais a granel e um prédio técnico próximo aos silos).

E em 19 de janeiro de 2024, duas escavadeiras presentes no mesmo canteiro de obras da rodovia A100 em Berlim já haviam sido consumidas pelas chamas da raiva.

O projeto contestado visa prolongar a estrada que circunda Berlim, atravessando um parque da capital alemã e também um bairro popular da juventude, destruindo assim tanto os espaços naturais como os muito populares clubes de techno. Milhares de clubbers e ativistas ambientais já haviam se manifestado contra a obra em setembro passado.

Um comunicado publicado na plataforma Indymedia Alemanha reivindica a ação incendiária contra a empresa ecocida. Além da realização da estrada para este projeto rodoviário mortal, a Heidelberg Materials participa de projetos coloniais, apropriando-se de terras, saqueando recursos e explorando os seus funcionários nos quatro cantos do planeta.

Na verdade, a empresa com mais de 800 subsidiárias é o segundo maior produtor de cimento do mundo. É a segunda empresa mais poluente da Alemanha, atrás da gigante energética RWE, que opera minas de carvão. Com estas fábricas de cimento e pedreiras, extrai, destrói, polui e explora recursos na Indonésia, na Cisjordânia, no Togo e no Sahara Ocidental.

O comunicado de imprensa do ataque de 15 de março à Heidelberg Materials, divulgado no mesmo dia no Indymedia Alemanha, pode ser lido aqui: https://de.indymedia.org/node/346434

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/11/alemanha-protesto-contra-a-ampliacao-de-fabrica-da-tesla-arvores-em-vez-de-concreto-pare-a-gigafabrica/

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Num galho seco,
Um corvo pousado.
Tarde de outono.

Bashô

[EUA] Lançamento: A Tradição Do Anti-fascismo Negro | Lutando Contra o Linchamento até a Abolição

Jeanelle K. Hope (Autora); Bill V. Mullen (Autor)

Ao mesmo tempo uma história para entender o fascismo e um manual para se organizar contra ele, A Tradição Do Anti-fascismo Negro é um livro essencial para entender nosso momento atual e os desafios que temos pela frente.

De Londres ao Caribe, da Etiópia ao Harlem, do Black Lives Matter à abolição, os radicais e escritores negros há muito tempo entendem o fascismo como uma ameaça à sobrevivência dos negros em todo o mundo – e de todos.

Em A Tradição Do Anti-fascismo Negro os acadêmicos-ativistas Jeanelle K. Hope e Bill Mullen mostram como gerações de ativistas e intelectuais negros, desde Ida B. Wells, na luta contra o linchamento, até Angela Y. Davis, na luta contra o complexo industrial-prisional – se mantiveram dentro de uma tradição de antifascismo negro.

Como Davis observou certa vez, apontando para a importância do racismo contra os negros no desenvolvimento do fascismo como ideologia, os negros foram “as primeiras e mais profundamente feridas vítimas do fascismo”. De fato, a experiência de viver sob o capitalismo racial e de resistir a ele muitas vezes fez com que os radicais negros se conscientizassem do potencial do fascismo muito antes de outros entenderem esse perigo.

O livro explora as ideias e o ativismo poderosos de Paul Robeson, Mary McLeod Bethune, Claudia Jones, W. E. B. Du Bois, Frantz Fanon, Aime Cesaire e Walter Rodney, bem como do Congresso dos Direitos Civis, do Exército de Libertação Negra e do movimento We Charge Genocide, entre outros.

Hope e Mullen argumentam que, ao lançar luz sobre o fascismo e a anti-negritude, os escritores e organizadores apresentados neste livro também desenvolveram ferramentas e estratégias urgentes para superá-los.

The Black Antifascist Tradition

Fighting Back from Anti-Lynching to Abolition

Jeanelle K. Hope (Author); Bill V. Mullen (Author)

Editora: Haymarket

Formato: Livro

Encadernação: pb

Páginas: 292

$24.95

https://linktr.ee/haymarketbooks

Tradução > cicada

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Rua da vida
Paralelas infinitas
Desencontro

Wally Cuoco Figueiredo

1° Festival do Cine Punk e Anarquista no Rio de Janeiro!

Vem aí:

1° Festival do Cine Punk e Anarquista no Rio de Janeiro!

O evento vai rolar nos dias 26 e 27 de abril. No dia 26 começaremos com apresentações de bandas independentes; no dia 27 será exclusivamente exibição de filmes.

Tá, mas quanto $ que é? Não se preocupe, pois é gratuito.

É preciso ser punk ou anarquista para participar? Não! Você pode ser rapper, sambista, otaku, funkeiro, tímido, falar pelos cotovelos ou chorador de mesa de bar. Só não pode ser fuleiro!

A faixa etária é livre. Crianças e idosos são super bem-vindos!

O evento é fruto da conjugação de forças da Edições Tormenta, CARA, Couro de Rato, Corpo Fechado e IEL.

Esperamos você lá!

agência de notícias anarquistas-ana

Ao mirar o espelho,
Na primeira manhã de outono,
O rosto do pai.

Kijô

[Espanha] Pichação anarquista na taberna de Pablo Iglesias em Lavapiés: “Exigimos a retirada do coquetel Durruti”

A Taberna Garibaldi, em Lavapiés, Madri, cujo coproprietário é Pablo Iglesias (cofundador do partido político de esquerda Podemos), e que abre nesta terça-feira, 19 de março, acordou com uma mensagem ameaçadora com uma assinatura anarquista.

“Ex-vice-presidente: exigimos a retirada imediata do coquetel Durruti ou o proletariado anarquista entrará em ação – Lxs amigxs de Durruti-“, escreveram na parede do prédio, ao lado dos azulejos da entrada, localizado no número 8 da rua Ave María, e que deve abrir nesta terça-feira.

Do outro lado da porta de entrada está pintada na mesma cor marrom uma letra A dentro de um círculo, um símbolo usado pelo anarquismo.

O grupo, Lxs amigxs de Durruti, ameaça “entrar em ação” se suas exigências não forem atendidas.

agência de notícias anarquistas-ana

Flor esta
De pura sensação
Floresta.

Kleber Costa

[Galiza] III Feira do Livro Anarquista da Corunha (FLAC)

Neste mês de setembro, como já se tornou tradição, celebraremos uma nova edição da Feira do Livro Anarquista da Corunha. Todas as editoras e grupos libertários são bem-vindos.

Se você faz parte de uma editora ou de um projeto cultural libertário, reserve o fim de semana de 14 e 15 de setembro e monte uma banquinha na Feira do Livro Anarquista da Corunha.

O prazo para se inscrever na FLAC 2024 é 31 de maio, e todas as propostas de apresentações de livros, fanzines, panfletos e projetos ou atividades culturais libertárias são bem-vindos. Se você quiser participar, inscreva-se antes de 31 de maio em flac@refuxiosdamemoria.org

agência de notícias anarquistas-ana

Explode o rojão.
protestam os cachorros,
Com seus latidos.

Sil Lis

Lançamento: Viva a Comuna! O anarquismo e a Comuna de Paris

Em 18 de março de 1871, diante de uma guerra avassaladora, trabalhadoras e trabalhadores de Paris se ergueram em combate e abriram caminho para a autodeterminação dos povos: nascia a Comuna de Paris.

A rica experiência prática em Paris ampliou também as teorias de luta contra o capitalismo e o Estado. Diversas vertentes do socialismo buscaram interpretar a Comuna, das quais, destacamos o aprofundamento da teoria anarquista, que também deram a vida pela causa do povo.

Como forma de honrar a memória e as lutas que se inspiraram nesta insurreição popular, publicamos hoje “Viva a Comuna: o anarquismo e a Comuna de Paris”. Com a obra, oferecemos aos nossos leitores e leitoras um espaço para debater junto aos clássicos a experiência da Comuna.

Com 40 páginas, “Viva a Comuna: o anarquismo e a Comuna de Paris” pode ser encomendado pelo link:  tiny.cc/tsaeditora.

O frete é grátis para todo o país, e os primeiros pedidos acompanharão o pôster “Vive la Comune”.

agência de notícias anarquistas-ana

A rua apinhada
E nos passos apressados
As pessoas solitárias…

Débora Novaes de Castro

[Reino Unido] Vídeo | Solidariedade e não caridade: A criação da revista anarquista DOPE

Vídeo sobre a produção da revista anarquista DOPE, produzida pela brilhante Dog Section Press, que os sem-teto vendem nas ruas de mais de 20 cidades do Reino Unido.

DOPE, uma revista trimestral e com tiragem de 20 mil cópias, foi lançada na primavera de 2018 por Craig Clark, um anarquista de 37 anos, com sede em Londres.

A revista é distribuída para pessoas sem-teto em todo o país para vende-las nas ruas, com uma variedade de pessoas desde aqueles que dormem nas ruas até pessoas pedindo asilo coletando o jornal gratuitamente. Fornecedores em várias cidades vendem-na pelo preço de capa de £ 3 e mantêm os lucros.

>> Veja o vídeo (19:14) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=LHVMElDOWGc

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Último vôo.
A despedida da luz
Nas asas do corvo.

Rubens Pilegi

Memória | Teatro Libertário em Santos

Por Biblioteca Carlo Aldegheri

No dia 13 de outubro de 1922, a Corporação Cênica Germinal organizou um Festival Operário em Santos, no Teatro Dom Pedro II, na rua Campos Mello, na Vila Macuco, que contava com a seguinte programação:

01 – Representação do drama social, em 1 ato, ‘Filhos do Povo’;

02 – Performance da peça ‘A Ideia Em Marcha’;

03 – Comédia ‘Perdi Minha Mulher’

04 – Conferência com Florentino de Carvalho.

Na data de 13 de outubro, anarquistas e livre pensadores recordavam o fuzilamento do pedagogo Francisco Ferrer i Guardia, pelo Estado Espanhol.

>> A Biblioteca Carlo Aldegheri é um centro de documentação e memória anarquista, fundado em 2012, em Guarujá-SP. Contato: nelca@riseup.net

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Horizonte rubro
Ave branca atravessando
O branco do luar.

Zuleika dos Reis