“O encontro de St. Imier, para além do ato político, foi para mim uma experiência que aguçou meus cinco sentidos.”

Aconteceu, de 19 a 23 de julho, o “Encontro Internacional Antiautoritário – 150 anos depois”, em St-Imier, na Suíça. O evento comemorou o 150º aniversário do Congresso de St-Imier que, em 1872, viu a fundação da Internacional Antiautoritária, marcando o nascimento do movimento anarquista organizado. A nossa companheira Cibele Troyano esteve presente lá e compartilhou generosamente suas impressões pessoais, que estão a seguir.

“O encontro de St. Imier, para além do ato político, foi para mim uma experiência que aguçou meus cinco sentidos. Um cheiro delicioso de bons temperos misturado com cheiro de mato e de gente acampada. Meus olhos se encheram de cores olhando pessoas de todos os tipos, idades, visuais e gêneros. Vários corpos tatuados. Muitos velhos iguais a mim, que esperei 68 anos para viver uma experiência como essa. Alguns usando bengala, andadores, cadeirinhas de motor. Porém, todos caminhando muito bem por aqui.

O visual também inclui cartazes e mais cartazes com frases e palavras de ordem em todas as línguas. As mais lindas: “O fascismo não passará”, “Um novo mundo é possível” e “Desmilitarizar o planeta”.

O paladar foi brindado pela comida vegana que um grupo de voluntários alemães preparava diariamente. Tão saborosa que torna dispensável qualquer argumento racional ou ideológico a seu favor.

O som é o de um burburinho poliglota, incluindo o latido dos muitos cães que passeiam por aqui. Há muita música nos vários concertos diários que integraram o programa. O ponto alto foi a apresentação de um coro formado por grupos de vários países cantando canções anarquistas, numa praça repleta de gente.

Acho que somos mais de 5.000 pessoas. Não se vê nenhum papel no chão. Os banheiros de uma limpeza impecável. Nas portas, cartazes com desenhos recomendando aos homens para fazerem xixi sentados.

No encontro estavam também presentes muitas crianças. Conheci um compa mexicano que foi com o filho de mais ou menos 6 anos de idade, para que ele visse na prática que sim, um novo mundo é possível.

Na despedida, longos e afetuosos abraços em antigas e novas amizades. Sensação gostosa de uma experiência inesquecível.”

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/21/encontro-internacional-de-anarquistas-comeca-na-suica/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/20/suica-kropotkin-uma-visao-feminina-no-primeiro-dia-19-07-do-encontro-internacional-antiautoritario-2023-em-saint-imier/

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No céu da floresta
os pirilampos se acendem:
desce a Via Láctea.

Ronaldo Bomfim

[Espanha] II Feira do Livro Anarquista da Marina

Salut companheiros e companheiras.

Desta vez apresentamos o local onde vai acontecer a II FEIRA DO LIVRO ANARQUISTA DA MARINA.

A Feira do Livro Anarquista volta a acontecer no Parque da Lluna de Pedreguer (Alicante), no sábado dia 16 de setembro de 2023 das 10h às 20h, teremos sombra, mesas e cadeiras para todos os distribuidores, editoras e livrarias que nos visitarem e quiserem acompanhar durante este dia, e claro que teremos mais um ano com o apoio e colaboração do ATENEU POPULAR DE PEDREGUER.

Queremos fazer um convite especial a todos os distribuidores, editoras e livrarias para confirmar a sua presença.

Se quiser participar conosco, escreva para nós: grupanarquistadelamarina@gmail.com

Salut.

Vamos continuar trabalhando.

Assembleia do Grupo Anarquista da Marina

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os aloendros
em fila
nos separavam do mundo

Guimarães Rosa

[Itália] “Adeus, Marinella”

Depois de lutar contra uma doença grave, a companheira Marinella Bragagnini, do Baixo Friuli, nos deixou ontem (24/07).

Feminista, ecologista, libertária. Por mais de 40 anos, ela esteve na linha de frente em todas as lutas ambientais das terras baixas do Friuli, nas lutas feministas, antifascistas e pelo espaço social.

Ela sempre foi uma das militantes mais ativas do grupo anarcofeminista friulano, o Dumbles.

Em todos esses anos, compartilhamos muitas iniciativas e, apesar de nossas diferenças, sempre encontramos um terreno comum para relações e lutas.

Sentiremos sua falta.

Adeus, Marinella

Os companheiros e companheiras do Grupo Anarquista Germinal de Trieste.

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

chuva de domingo
muito fraca
caminho entre os pingos

João Angelo Salvadori

China lança dura campanha de repressão contra os uigures que deve se estender por cem dias

Ação em Xinjiang reprime reuniões de mais de 30 pessoas, coincidindo com aniversário de violência étnica em 2009

Em sua mais recente campanha de repressão em Xinjiang, as autoridades chinesas passaram a proibir qualquer encontro com mais de 30 pessoas, dando início a uma onda de medidas autoritárias que terá duração de cem dias. A imprensa local e dois policiais da região confirmam que o principal alvo dessa repressão são os uigures, uma comunidade predominantemente muçulmana que vive província no noroeste da China. As informações são da rede Radio Free Asia.

Esse tipo de operação de ataque ao patrimônio cultural uigur ocorre com frequência em Xinjiang. O trabalho policial consiste em incursões nas residências dos muçulmanos, bem como em imposições de restrições às práticas islâmicas e limitações à preservação da cultura e língua desse grupo étnico minoritário.

No dia 3 de julho, notícias sobre o início da recente campanha surgiram no TikTok, revelando sua implementação na prefeitura de Hotan, situada ao sul de Xinjiang. Conforme relatado pela mídia chinesa, o Departamento de Segurança Pública daquela região conduzirá uma série de operações de verão, programadas para ocorrer entre 25 de junho e 30 de setembro, com o propósito de assegurar a segurança na área.

Em Urumqi, a capital da Região Autônoma Uigur de Xinjiang, e Korla, sua segunda maior cidade, anúncios da campanha de cem dias foram transmitidos por outros meios de comunicação. Além disso, informações sobre a operação também foram encontradas nos sites governamentais de todas as prefeituras da província.

As agências locais de segurança pública estão conduzindo a ação em suas respectivas áreas, focando em combater crimes que ameacem a ordem pública, conforme relatado pela mídia chinesa.

As atividades ilegais visadas incluem incitação de problemas, envolvimento em brigas de grupo, intimidação pública, chantagear, monopolizar o mercado, participar de reuniões ilegais e disseminar boatos com intenções maliciosas. Além disso, também serão alvo das autoridades as “máfias ilegais e organizações criminosas”.

Entre as atividades descritas como “ilegais” estão assistir a conteúdo proibido ou compartilhá-lo.

Segundo um oficial de polícia ouvido pela reportagem, a leitura do Alcorão, texto religioso central do Islã, só é permitida sob a orientação de um imã designado pelo governo. Além disso, é proibido que indivíduos discutam o livro sagrado por conta própria.

Para visitantes estrangeiros que chegam a Xinjiang, incluindo aqueles que vão visitar parentes, é obrigatório se apresentar aos comitês de bairro ou às delegacias de polícia locais dentro de três dias após a chegada; caso contrário, enfrentarão ação policial.

Genocídio cultural

A atual repressão coincide com o aniversário politicamente sensível da violência étnica ocorrida em Urumqi, em 5 de julho de 2009.

De acordo com dados oficiais da China, cerca de 200 pessoas morreram e 1,7 mil ficaram feridas em três dias de confrontos violentos entre a minoria étnica uigures e os chineses han.

Essa repressão em Urumqi desencadeou uma série de ações do governo chinês para sufocar a cultura, língua e religião uigures, através de medidas como vigilância em massa e campanhas de internamento.

Omir Bekali, um uigur de ascendência cazaque, que passou nove meses em campos de “reeducação” em Xinjiang por alegações de atividades terroristas, destaca que por trás das medidas repressivas do Partido Comunista Chinês (PCC) existem questões não explícitas significativas.

Ele afirmou que as políticas atuais do governo chinês na região podem ser interpretadas como uma forma de “genocídio étnico e cultural”.

“As autoridades justificam submeter os uigures a danos físicos e psicológicos como medidas necessárias para manter a estabilidade social”, disse.

Perseguição

O “ataque duro” refere-se a uma campanha governamental que visa impor medidas rigorosas e repressivas, geralmente com uma abordagem mais agressiva e intensa, para lidar com determinados problemas ou grupos considerados ameaças pelo governo.

No caso específico de Xinjiang, as campanhas de “strike hard” têm sido conduzidas pelas autoridades chinesas como uma estratégia para reprimir e controlar a população uigur. Essas campanhas incluem ações como prisões em massa, incursões policiais em residências, restrições à liberdade religiosa e cultural, além de outras medidas que visam restringir e assimilar a cultura e a identidade uigur à cultura dominante chinesa.

Tais políticas têm sido alvo de críticas e condenações internacionais por violações dos direitos humanos e discriminação étnica.

Por que isso importa?

A província de Xinjiang faz fronteira com países da Ásia Central, com quem divide raízes linguísticas e étnicas. Ali vive a comunidade uigur, uma minoria muçulmana de raízes turcas que sofre perseguição do governo chinês, com acusações de abusos diversos.

Os uigures, cerca de 11 milhões, enfrentam discriminação da sociedade e do governo chinês e são vistos com desconfiança pela maioria han, que responde por 92% dos chineses. Denúncias dão conta de que Beijing usa de tortura, esterilização forçada, trabalho obrigatório e maus tratos para realizar uma limpeza étnica e religiosa em Xinjiang.

Em agosto de 2022, a ONU divulgou um aguardado relatório que fala em “graves violações dos direitos humanos” cometidas em Xinjiang. O documento destaca “padrões de tortura ou maus-tratos, incluindo tratamento médico forçado e condições adversas de detenção”, bem como “alegações de incidentes individuais de violência sexual e de gênero”.

O relatório, porém, não citou a palavra “genocídio” usada por alguns países ocidentais. O governo do presidente Joe Biden, dos EUA, foi o primeiro a usar o termo para descrever as ações da China em relação aos uigures. Em seguida, Reino Unido e Canadá também passaram a usar a designação, e a Lituânia se juntou ao grupo mais recentemente.

A China nega as acusações de que comete abusos em Xinjiang e diz que as ações do governo na região têm como finalidade a educação contraterrorismo, a fim de conter movimentos separatistas e combater grupos extremistas religiosos que eventualmente venham a planejar ataques terroristas no país. Beijing costuma classificar as denúncias como “a mentira do século”.

Fonte: https://areferencia.com/asia-e-pacifico/china-lanca-campanha-de-forte-repressao-contra-uigures-que-deve-se-estender-por-100-dias/

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casa fantasma
cheia de habitantes
feitos de plasma

Carlos Seabra

[França] Exposição | Antoni Campañà – Ícones ocultos, 29 de junho a 24 de setembro de 2023

Imagens pouco conhecidas da Guerra Civil Espanhola (1936 – 1939)

Que impacto podem ter as fotografias que o autor escolheu manter em segredo?

Há quatro anos, numa casa perto de Barcelona que estava prestes a ser demolida, foram encontradas duas caixas vermelhas contendo 5.000 fotografias sobre a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) tiradas por Antoni Campañà i Bandranas (Arbúcies, 1906 – St. Cugat del Vallès, 1989), um dos maiores fotógrafos catalães do século XX.

Por que ele escolheu esconder sua visão da guerra? Ele era católico e mesmo assim fotografou a revolução anarquista que incendiou as igrejas da capital catalã. Ele era um liberal e nacionalista catalão, mas fotografou a ascensão do fascismo espanhol nas ruas de Barcelona. Antoni Campañà não foi nenhum herói. Ele não escolheu a guerra, mas ela o alcançou. E não fugiu, continuou fotografando, buscando incansavelmente a beleza através de suas lentes, pois desde a adolescência era sua paixão. Até o golpe fascista no verão de 1936.

Sua câmera é sinônimo de complexidade. Ele não fotografou uma cidade em guerra, ele fotografou sua cidade em guerra, como um país fotografando a si mesmo.

Ao contrário dos grandes fotógrafos estrangeiros que desembarcaram numa Espanha dilacerada, Campañà conhecia intimamente a realidade do terreno. Diferentemente de outros grandes fotógrafos de seu país, ele não colocou sua câmera a serviço de uma causa ideológica. Ele a usou apenas para expressar sua própria dor.

Ele não estava tirando fotos com fins políticos, mas todas as partes em conflito aproveitaram sua extraordinária capacidade de evocação, mais do que fizeram com outros fotógrafos. Ao escrever legendas radicalmente diferentes, republicanos e fascistas manipularam as mesmas fotografias de Campañà para fins propagandísticos antagônicos, demonstrando que quem escreveu a legenda sempre se apropria da imagem.

Terminada a guerra, em 1939, guardou as suas cinco mil fotografias – quase todas inéditas – em duas caixas vermelhas que se recusou a abrir, mesmo após a morte de Franco, quarenta anos depois: não queria que a ditadura usasse as suas fotos para identificar e punir combatentes republicanos. Como tantos espanhóis, ele queria acima de tudo esquecer. Então ele escondeu seus ícones de dor nas duas caixas que estamos abrindo agora.

Abertura quarta-feira, 28 de junho de 2023 às 18h30, no Pavillon Populaire, Esplanade Charles de Gaulle — Montpellier

Fonte: https://www.montpellier.fr/506-les-expos-du-pavillon-populaire-a-montpellier.htm

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/30/espanha-anita-garbin-a-miliciana-anarquista-que-agora-da-seu-nome-e-memoria-a-iconica-foto-da-guerra-civil/

agência de notícias anarquistas-ana

amanhece
sol atrás do prédio
vestindo-se de luz

Alonso Alvarez

[Espanha] O anarquismo deixa de ser utópico em Barcelona

Por Javier Memba | 19/07/2023

Em outro 19 de julho de 1936, há 87 anos, Barcelona é uma cidade em que as calçadas e um bom número de edifícios começam a mostrar traços da batalha travada em suas ruas. As pessoas correm aterrorizadas pelas calçadas. Os lojistas fecham seus negócios. Ouvem-se trocas de tiros. Em seguida, o tiroteio e, com exceção dos combatentes, não há mais ninguém nas ruas. Os poucos transeuntes caminham junto à parede para evitar as balas que voam.

Em quase todas as praças onde o levante do Exército da África não triunfou – embora ainda não tenha conseguido atravessar com a maior parte de suas tropas para o continente, mas teve o apoio de boa parte dos comandantes deste lado do Estreito – foram travadas batalhas para tomar os quartéis dos golpistas. O movimento libertário (CNT-FAI-JJLL) é a força predominante no movimento dos trabalhadores espanhóis. Somente a CNT, seu sindicato, conta com um milhão de militantes em uma Espanha com 24.693.000 cidadãos. A tendência à acracia, que há muito tempo é atribuída ao caráter espanhol, é inegável diante desse número. Também é inegável que os libertários desempenharam um papel decisivo nas primeiras batalhas travadas contra os rebeldes contra a legalidade republicana.

Mas em Barcelona os anarquistas foram decisivos. Eles acabaram com os rebeldes ao colocar sua revolução em movimento. De fato, o próprio presidente da Generalitat, Lluis Companys, reconheceu isso no dia 21, quando recebeu os delegados anarquistas após quase 30 horas de luta: “Antes de mais nada, devo dizer-lhes que a CNT e a FAI nunca foram tratadas como mereciam devido à sua verdadeira importância. Vocês sempre foram duramente perseguidos; e eu, com muita dor, mas forçado pelas realidades políticas, que já estive com vocês, fui obrigado a confrontá-los e persegui-los. Hoje vocês são os senhores da cidade e da Catalunha, porque somente vocês derrotaram os militares fascistas, e espero que não se importem se eu os lembrar neste momento que não lhes faltou a ajuda dos poucos ou muitos homens leais do meu partido, dos guardas e dos mozos (policiais catalães).

“Mas a verdade é que, perseguidos duramente até anteontem, hoje vocês derrotaram os militares e os fascistas. Portanto, não posso, sabendo como e quem são vocês, usar uma linguagem que não seja de grande sinceridade. O senhor venceu e tudo está ao seu alcance; se não precisa de mim ou não me quer como presidente da Catalunha, diga-me agora, e eu me tornarei apenas mais um soldado na luta contra o fascismo”.

Mas a verdade é que o republicanismo, tanto espanhol quanto catalão, desconfia do anarquismo. Companys dirá o que todo mundo sabe: a república os perseguiu com a mesma ferocidade que a monarquia. A república de escritores como Manuel Azaña, que em 1933 ordenou a repressão do levante anarquista de Casas Viejas, sem “feridos ou prisioneiros, com tiros na barriga”. A república que proíbe que as cópias de Las Hurdes, tierra sin pan (1933), o filme em que Luis Buñuel denuncia a situação dramática dessa cidade da Extremadura, incluam o nome de seu produtor, Ramón Acín, porque ele era um conhecido anarquista. Na melhor das hipóteses, para os republicanos dos tiros na barriga, os libertários confundem Acracia com erros de ortografia e a gratuidade das coisas com a ordem anarquista.

Para aqueles que não conseguiram conter os “facciosos”, como eles também chamam os franquistas, o empirismo de Kropotkin e Eliseo Reclus não conta; muito menos a pedagogia livre e racionalista de Francisco Ferrer Guardia e sua Escola Moderna. Como falar com os autoritários da ordem antipatriótica que, sendo natural, como a força da água ou do vento que move o moinho, não precisa de autoridade para mantê-la, mas de apoio mútuo. Como convencer toda essa gentalha, que vive do parlamentarismo, de que há milhares de anarquistas que entenderam que a redenção do proletariado está na cultura, não na política, e que souberam escapar do magnetismo nefasto da taberna para frequentar as aulas noturnas do Fomento das Artes e centenas de ateneus libertários, que os anarquistas vêm abrindo em todo o mundo desde que são lembrados.

Mas hoje a história decidiu sorrir para aqueles que sempre perdem e parar naqueles pelos quais ela nunca passa: os sem amos, os sem deus… os anarquistas. Porque em um 19 de julho como o de hoje, 1936, em Barcelona, o anarquismo deixou de ser utópico. É a segunda vez na história da humanidade – a primeira foi na Ucrânia de Nestor Makhno – e tudo parece indicar que será a última.

Assim, hoje nasce a Barcelona em que até mesmo os burgueses usarão o macacão azul Mahon dos trabalhadores da Espanha; a Barcelona em que todos serão tratados como “tú” e na rua, nos alto-falantes instalados para esse fim, A las barricadas, Hijos del pueblo e o resto das canções e hinos anarquistas serão ouvidos constantemente. A Barcelona que entusiasmaria o trotskista inglês George Orwell, que correria para lá para se juntar à milícia trotskista do POUM, a Barcelona cuja memória o inspiraria em Homenagem à Catalunha (1938).

Entre os anarquistas, tudo se resumia a reuniões, discussões apaixonadas sobre como realizar a revolução e, ao mesmo tempo, vencer a guerra, que ninguém imaginava que seria tão longa. O povo de Barcelona, alheio a essa inquietação, sofre de insônia. Eles sabem positivamente que será derramado muito mais sangue do que já foi derramado: o sangue de que todas as revoluções precisam para mudar o curso da história. “O terror nada mais é do que uma justiça rápida, severa e inflexível”, escreveu Robespierre. E, de fato, o que teremos aqui será um terror comparável ao terror empreendido pelo Comitê de Salvação Pública na França na época da Revolução. Ambos os massacres nada mais foram do que o derramamento de sangue que as revoluções exigem.

O republicanismo e os partidos marxistas – com exceção dos trotskistas do POUM, aliados dos libertários – querem, antes de tudo, vencer a guerra e adiar a revolução pelo tempo que for necessário. Assim, no dia 21, quando a CNT forçar a Generalitat a criar o Comitê Central de Milícias Antifascistas, Companys concordará, em grande parte, em tirar os anarquistas do caminho e continuar a usá-los como bucha de canhão na frente e como força repressiva na retaguarda. Porque o Comitê não era responsável apenas pela organização e administração da coluna Durruti, que em sua marcha para a frente de Aragão criaria coletivos libertários nas cidades por onde passasse, mas também pela repressão em Barcelona, onde seria tão brutal quanto em todas as retaguardas do resto da Espanha: os observadores internacionais ficariam chocados com a fúria com que os espanhóis se matavam uns aos outros.

São como aqueles que hoje se vangloriam de sua ignorância, convencidos de que a sabedoria é o fascismo, animais com a pistola na mão e sem outro argumento que não seja a exibição dessa ferramenta nos passeios e nas apreensões. De forma mais ou menos sub-reptícia, era assim que os anarquistas eram procurados pela classe política, “os otários, os profissionais da república e do parlamentarismo”, como os libertários os chamavam.

Já no início da eclosão revolucionária, que em um dia como hoje impediu o golpe de Estado em Barcelona, os stalinistas do PCE-PSUC, apoiados pela Esquerra Republicana de Catalunya, o Estat Català e a UGT, seguindo instruções expressas do Kremlin, embora alegando salvaguardar a ordem republicana, queriam desarmar a CNT-FAI, entrincheirada no Comitê Central de Milícias Antifascistas da Catalunha. Sua hora chegou em maio de 1937. Foi então que, após um incidente na companhia telefônica, a repressão comunista ao movimento libertário foi desencadeada, pondo fim àqueles nove meses em que o anarquismo deixou de ser utópico na Catalunha e em boa parte de Aragão.

José Peirats, um dos mais destacados confederados, foi também um dos mais esclarecidos: sempre se opôs ao colaboracionismo da CNT com os governos da República. Para aqueles que gostavam do caos, essa era a situação predominante na Catalunha naqueles dias, quando o mais próximo de um governo era o Comitê Central de Milícias Antifascistas. É assim que a história é escrita.

Fonte: https://www.zendalibros.com/el-anarquismo-deja-de-ser-utopico-en-barcelona/

Tradução > Liberto

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bem-te-vi
o que ele viu
que eu não vi

Ricardo Silvestrin

[Espanha] Pelo fim das touradas

Mais um ano, as festas de Santander são manchadas de sangue todos os dias, devido aos vergonhosos atos de tortura que ocorrem na Plaza de Toros. Esses “espetáculos” são mantidos, como mostram muitos dados, unicamente pelo dinheiro público que é continuamente injetado neles. Sem esse fato, o setor de touradas estaria afundado e há muitos dados e evidências que mostram que essas tradições sanguinárias geram cada vez mais rejeição social.

Nesse sentido, de acordo com os dados estatísticos da AVATMA, a Associação de Veterinários Abolicionistas de Touradas, fornecidos pelo Ministério da Cultura (2019), as celebrações de touradas estão caindo 73,4% desde 2007. Por outro lado, 77,5% das celebrações de touradas estão concentradas em apenas quatro comunidades autônomas (Andaluzia, Castilla y León, Castilla la Mancha e a Comunidade de Madri). Além disso, 78% dos espanhóis são contra os subsídios para as touradas, subsídios que vêm da Política Agrícola Comum (PAC), do Ministério da Cultura, do Ministério da Agricultura, dos Conselhos Regionais e também dos Conselhos Municipais. Portanto, esses espetáculos de tortura continuam vivos porque algumas instituições insistem em continuar subsidiando esses eventos.

Finalmente, entre os jovens, 84% não sentem orgulho de viver em um país onde a tourada é uma tradição.

As touradas estão em declínio, esse fato é indiscutível. E, apesar disso, é escandaloso que alguns governos e prefeituras, como a Prefeitura de Santander, estejam tentando dar vida a ela. Assim, no ano passado, já vimos um grande aumento na promoção dessa semana de atos sanguinários e, neste ano, o esforço para promovê-los parece ter sido ainda maior.

Em resposta à vergonhosa campanha de eventos tauromáquicos que começa esta semana durante as festas de Santander, mas que provavelmente também continuará em outros lugares habituais da Cantábria, como Santoña e Ampuero, pedimos à sociedade cantábrica que mostre sua rejeição.

Nesse sentido, o coletivo “Cantabria Contra as Touradas” pede que você se junte à manifestação que convocamos para a próxima terça-feira, 25 de julho, a partir das 17h, em frente à Plaza de las Torturas em Santander (Plaza de Touros).

Por uma Cantábria contra as touradas, por um mundo contra as touradas,

abolição das touradas!!!

Em Santander, 22 de julho de 2023.

Fonte: https://www.briega.org/es/noticias/por-fin-tauromaquia

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Solidão no inverno
o velho aquece as mãos
com as próprias mãos

Eunice Arruda

Voluntários do Rouvikonas combatem incêndios na Grécia

Uma atualização do Rouvikonas, que intensifica sua atividade onde o Estado falha: Desde o meio-dia de segunda-feira, 18 de julho, o Grupo de Bombeiros Voluntários do Rouvikonas, juntamente com o caminhão de bombeiros da organização, estava na linha de frente do incêndio que eclodiu em Kallithea Loutraki e na área mais ampla. Os companheiros correram para o local e tentaram se comunicar e cooperar com outros voluntários. Assim como nos incêndios que começaram ontem em Kouvaras e Dervenochoria, em Loutraki, estamos testemunhando o fenômeno da magia grega.

Em um país onde todos sabemos que incêndios de grande escala ocorrerão durante o verão, o Estado grego confirma sua incompetência a cada incêndio. Acima de tudo, ele confirma sua indiferença consciente em apoiar um plano sério de prevenção de incêndios e fortalecer as estruturas de combate a incêndios, tanto por meio da compra de equipamentos e veículos quanto pelo recrutamento de mais bombeiros, que todos os anos lutam com recursos escassos em uma batalha desigual. Sim, esse é um fenômeno natural que pode facilmente atingir proporções incontroláveis e catastróficas. No entanto, a degradação deliberada e a negligência da proteção contra incêndios por parte do Estado e, ao mesmo tempo, o ataque às paisagens naturais pelo capital estão, consequentemente, se tornando um grande problema.

Haveria dinheiro para apoiar a proteção contra incêndios se o governo não o gastasse constantemente em recrutamento policial e equipamento militar, e se não fosse para os bolsos do pessoal político burguês e de seus colaboradores capitalistas. Portanto, não ficamos de braços cruzados. Nós nos organizamos e respondemos com nossas próprias estruturas e com nossos próprios esforços e meios, desde as bases para as bases.

Nesse contexto de solidariedade econômica e de classe, nossos companheiros estiveram ontem em frente à área de Loutraki para ajudar. Entre outras coisas, nossa equipe conseguiu salvar duas casas enquanto estavam na localidade de Agios Haralambos. No entanto, em algum momento, o fogo cercou nosso veículo e os veículos de outros voluntários, que deixaram o local para evitar ficarem presos, deixando para trás duas mangueiras que precisaremos substituir imediatamente. As mangueiras necessárias são mangueiras de 25 metros e uma polegada com cones. Anunciaremos qualquer outro equipamento necessário no devido tempo. Qualquer oferta simpática será bem-vinda.

No entanto, o que podemos revelar por enquanto é que estamos no processo de encontrar um segundo veículo agrícola para equipá-lo como um caminhão de bombeiros. Os voluntários estão lá, assim como a vontade. Nosso projeto está apenas começando, e ainda temos um longo caminho a percorrer. Mas ele está funcionando e nossos voluntários estão sempre alertas.

Com participação, organização e boa vontade, tudo é possível.

TUDO O QUE TEMOS É UM AO OUTRO.

Rouvikonas

Mundo, 21 de julho

https://rouvikonas.gr/

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2023/07/21/rubicon-volunteers-battle-greek-fires/

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terreno baldio
lixo revirado
gato vadio

Carlos Seabra

O vazamento de petróleo no Golfo do México atinge o dobro do tamanho da cidade de Guadalajara

Por Sare Frabes | 18/07/2023

Em 7 de julho, vários meios de comunicação alertaram sobre um incêndio na plataforma da Petróleos Mexicanos (PEMEX) chamada Nohoch-Alfa, localizada nas águas do Golfo do México, no estado de Campeche. No entanto, um vazamento de óleo ocorrido quatro dias antes havia passado despercebido.

De acordo com uma sequência de imagens de satélite, processadas pelo geógrafo Guillermo Tamburini, o derramamento de óleo começou aproximadamente entre 3 e 4 de julho na plataforma Balam, que, a até segunda-feira (16), atingiu um tamanho de 400 quilômetros quadrados e o derramamento pode se estender por até 4.000 metros cúbicos.

Esse desastre ambiental já atingiu uma dimensão de mais de duas vezes o tamanho da cidade de Guadalajara, mas “as autoridades não deram nenhum aviso sobre as causas e consequências do desastre”, denunciaram cerca de vinte organizações da sociedade civil em uma coletiva de imprensa.

Essas organizações temem que, dado o histórico de outros casos semelhantes, o derramamento possa passar despercebido e sem quantificação dos danos. “Uma revisão da mesma área em junho identificou outro derramamento com uma extensão aproximada de 270 km2”, apontam os ativistas em um documento que foi apresentado à imprensa.

No mesmo documento, destacam que somente nos últimos dois anos houve um aumento de 152% nos acidentes da PEMEX, e que “a indústria de combustíveis fósseis finge normalizar o sacrifício de pessoas e territórios como acidentes resultantes de erro humano, quando na realidade é uma característica de um modelo que externaliza os custos dos desastres associados à sua operação, sendo o maior desastre de todos a crise climática pela qual a indústria de combustíveis fósseis é 70% responsável”, destacam as organizações.

No documento apresentado pelas organizações, denominado Incidentes Ambientais Recentes na Área de Exploração de Hidrocarbonetos Cantarell no Golfo do México (junho/julho de 2023), elas destacam que o despejo de hidrocarbonetos e outros fluidos poluentes se tornou uma ocorrência recorrente por parte da empresa estatal.

As organizações reiteram que esse é mais um motivo pelo qual “o México não pode e não deve continuar optando por um modelo baseado na exploração e no sacrifício de populações e territórios. A crise climática exige uma mudança drástica no paradigma energético, direcionando recursos para a geração de energia renovável de forma justa”, afirmam as organizações.

Os ativistas pedem a substituição da energia fóssil como resposta à emergência climática.

Fonte: https://avispa.org/derrame-de-petroleo-en-el-golfo-de-mexico-alcanza-dos-veces-el-tamano-de-ciudad-de-guadalajara/

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cadeiras vazias
as estátuas retornaram
a outro museu

Seferis

[Grécia] Cartaz virtual do Anarchist Hangout Nadir em solidariedade a Mónica e Francisco

Solidariedade e cumplicidade com aqueles que atacam o Estado e os poderosos

“Por meio da guerra anarquista, contribuímos para a disseminação da insurreição, apostando na expansão das fronteiras do conflito em termos que ninguém calcula, negando efetivamente qualquer paz ou acordo constitucional que imagine administrar nossas vidas.”

Afinidades Armadas na Revolta

O companheiro Francisco Solar é acusado de enviar pacotes explosivos para a 54ª Delegacia de Polícia de Carabineros [Polícia Uniformizada do Chile] e contra o ex-ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, em julho de 2019, uma ação que ele realizou como “Cúmplices Sediciosos/Facção por Vingança”; ele também é acusado do duplo atentado à bomba no edifício Tánica em 27 de fevereiro de 2020, uma ação que ele também realizou como “Afinidades Armadas em Revolta”.

A companheira Mónica Caballero também é acusada desta última ação.

Julgamento: 18 de julho de 2023

Fonte:  https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2023/07/23/grecia-afiche-virtual-por-anarchist-hangout-nadir-en-solidaridad-con-monica-y-francisco/

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Silêncio:
cigarras escutam
o canto das rochas

Matsuo Bashô

Aquecimento global causou 60% das mortes por calor na Suíça no verão de 2022

O aquecimento global causado pelo homem foi responsável por cerca de 60% das mortes por calor na Suíça no verão passado. Além disso, houve também três vezes mais mortes relacionadas ao calor do que a média de 2009 a 2017.

Essa é a conclusão de um estudo liderado pela Universidade de Berna e publicado na revista científica Environmental Research Letters, disse a universidade em um comunicado na terça-feira (04/07). Pesquisadores de Zurique e Basileia também participaram do estudo.

Para a onda de calor do verão de 2022, que afetou toda a Europa, os pesquisadores disseram que havia apenas um estudo sobre a contribuição da mudança climática para os efeitos do calor: o da Suíça.

A equipe liderada pela epidemiologista Ana Vicedo-Cabrera baseou seus cálculos nos chamados estudos de atribuição. Esses estudos usam métodos estatísticos estabelecidos e simulações climáticas para estimar a parcela da mudança climática causada pelo homem na carga de saúde observada.

A população urbana sofre

O estudo sobre mortes relacionadas ao calor chega a conclusões diferentes dependendo da região. Os cantões urbanos de Genebra, Vaud, Basileia e Zurique foram particularmente afetados. Em Genebra, por exemplo, o calor ultrapassou os 30°C em 41 dias.

Nos últimos tempos, a Suíça registrou apenas uma outra onda de calor mais extrema, em 2003.

As altas temperaturas tiveram consequências graves para a saúde. Entre junho e agosto de 2022, 623 pessoas morreram devido ao calor, representando 3,5% de todas as mortes durante esse período.

O estudo não apenas comprova o excesso de mortalidade atribuível ao calor. É um dos primeiros estudos em todo o mundo a quantificar a participação do aquecimento global nas mortes relacionadas ao calor: cerca de 60%. “Portanto, sem a mudança climática induzida pelo homem, mais de 370 pessoas não teriam morrido na Suíça no verão de 2022 como resultado do calor”, disse Vicedo-Cabrera.

Planos de ação

Nem todos os cantões e cidades estão igualmente equipados para lidar com o calor, disseram os autores do estudo. Na Basileia e em Zurique, por exemplo, não existe uma estratégia de saúde pública sistemática e abrangente para combater o calor.

Na Suíça francófona e no Ticino, por outro lado, já foram desenvolvidos planos de ação após a onda de calor de 2003. Entre outras coisas, eles incluem campanhas de conscientização e recomendações sobre como se comportar.

“Esses planos de ação evitaram taxas de mortalidade relacionadas ao calor ainda mais altas no verão passado nos cantões de Genebra ou Vaud, por exemplo, onde as temperaturas foram particularmente altas”, disse Vicedo-Cabrera.

Ela também recomendou que as autoridades melhorem seus planos de ação existentes para proteção contra o calor. Porque, de acordo com o estudo, “com as atuais taxas de aquecimento global, um verão quente como o de 2022 já se tornará um verão comum nas próximas décadas”.

Fonte: https://www.swissinfo.ch/por/politica/aquecimento-global-causou-60–das-mortes-por-calor-na-su%C3%AD%C3%A7a-no-ver%C3%A3o-de-2022/48640930  

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Angelus. Dedos da brisa
nas teclas das folhas
adormecem os pássaros.

Yeda Prates Bernis

[Cuba] 5ª Jornada da Primavera Libertária de Havana: entre o colapso e a persistência

Durante o último fim de semana de maio passado, um pequeno grupo de amigos, com cuja amizade damos vida intermitente à Oficina Libertária Alfredo López e ao Centro Social ABRA, realizou as V Jornadas Libertárias da Primavera, em meio a uma cidade em colapso crônico sustentado de seus sistemas de transporte, alimentação, suprimentos sanitários, locais de encontro, arroz e poesia. Tudo isso em um ambiente onde se percebe o esgotamento espiritual e o êxodo em massa de centenas de milhares de pessoas, deixando lacunas difíceis de serem preenchidas e esgotando a criatividade, deixando-nos com uma dupla sensação de isolamento e de viver em um tempo que não existe mais.

Nesse contexto adverso, esse grupo de pessoas que pensam da mesma forma acreditou que era um bom momento para convocar uma reunião que seria animada pelos bons e velhos princípios do antiautoritarismo, a vontade de cultivar o trabalho em equipe, a independência mental em relação aos códigos mentais dominantes ou a capacidade de iniciativa popular sem pedir permissão oficial. Tópicos que são sempre oportunos e intactos, dada a persistente paralisia da vida cotidiana cubana atual.

Tomando o pulso dos sinais de exaustão generalizada, bem como da atmosfera de repressão preventiva e controle policial generalizado que se percebe nos dias de hoje, contra todas as formas de interação coletiva selvagem em Cuba, chegamos ao acordo de organizar apenas três atividades, a serem distribuídas em espaços com relativa autonomia na cidade.

A conferência começou em um dos majestosos salões do Centro Loyola, um espaço cultural ativo e plural da Igreja Católica em Havana, com um tema de diálogo intitulado: “Espaços, figuras e ideias no Socialismo Insular no século XX”, tomando emprestado o nome homônimo do livro do aclamado pesquisador José Luis Montesinos. O encontro se transformou em uma lembrança da contribuição das mulheres à história do socialismo em Cuba, em suas diferentes tendências e militâncias, um tema pouco levado em conta, tanto pelo escasso movimento feminista em Cuba quanto pelas narrativas oficiais. Aqui lembramos Emilia Rodríguez, uma referência feminina no movimento anarquista no centro da ilha nas três primeiras décadas do século XX e líder de vários encontros nacionais do movimento anarcossindicalista em Cuba, que raramente é lembrada, o que faz parte de um esforço mais amplo e contínuo de Montesinos.

Em seguida, o jovem pesquisador José Julián Valiño apresentou sua pesquisa em andamento sobre a história de vida de Ofelia Rodríguez, uma mulher de Havana que, em meio à turbulenta década de 1930, a partir de sua atividade social em defesa das mulheres, mergulhou em perspectivas socialistas, exercendo uma crítica pioneira ao movimento feminista de classe média e alta em Cuba naquela época.

Encerrando as apresentações, Mario Castillo compartilhou sua pesquisa “Amparo Loy Hierro: psicogeografía de una militante comunista de barrio por La Habana del siglo XX”, uma reconstrução analítica da história de vida de uma mulher que, graças ao surgimento do gênero testemunhal em Cuba nos anos 60 e 70, tornou possível entrar na densidade da vida cotidiana de uma lutadora social com uma rica história de vida em sua trágica jornada por três bairros de Havana, que a conduz à filiação ao Partido Socialista Popular (stalinista) cubano dos anos 30-40, sua expulsão dessa organização e posterior marginalização da vida política. Isso fornece um material valioso para a compreensão do impacto psicossocial das políticas stalinistas no mundo da vida popular.

O diálogo gerado por esse trio de trabalhos foi muito enriquecedor por vários motivos. Uma delas é que foi um exercício coletivo de recuperação do patrimônio da história do socialismo em Cuba, monopolizado pela elite stalinista que, a partir do PCC, exerce uma grotesca deformação e empobrecimento da riqueza do movimento socialista em Cuba, o que alimenta diretamente todo o anticomunismo, também nos quartéis, que assume formas mais definidas em todos os lugares.

Outra razão para a riqueza desse encontro foi que ele contribuiu para a expansão de uma história não exclusivamente teórica, conceitual e intelectual do socialismo em Cuba, que é o que geralmente se faz, silenciando a dimensão humana e cotidiana da ideia. Por outro lado, abrimos espaço para o protagonismo das mulheres na evolução das práticas socialistas em Cuba, uma área também geralmente monopolizada pelos homens. Não menos importante foi uma mensagem implícita que ficou desse encontro para o presente e para o futuro que o atual colapso nos trará: os anarquistas que organizaram esse encontro reconhecem a diversidade de ideias e tendências dentro da história do socialismo em Cuba e no mundo e não praticamos liquidações mútuas da riqueza da vida em prol de qualquer ismo, inclusive o nosso.

2º encontro

O segundo dia da jornada foi passado em um dos deliciosos telhados da Havana Velha, que nos ofereceu um panorama do contraste entre o ouro supostamente reluzente da cúpula do Capitólio de Havana no horizonte próximo e a miséria dos milhares de assentamentos informais que o cercam, escondidos nas alturas dos majestosos edifícios neoclássicos, Art Nouveau, Art Deco e ecléticos que cercam esse imponente monumento ao autoritarismo tropical da república cubana do século XX.

Perpassados por essa visualidade e envolvidos pelo vento fresco da primavera de Havana, um pequeno e animado grupo de amigos iniciou o encontro que chamamos de “Experiências pedagógicas alternativas e antiautoritárias”, com o audiovisual Plantando sementes, nome homônimo de uma experiência pedagógica com crianças de 5 a 6 anos em uma escola na periferia sul de Havana, que em oito encontros teve como eixo temático as questões inter-relacionadas da regeneração de um espaço de terra e as várias formas de reprodução e dispersão das plantas presentes no território. Questões que, por meio de jogos não competitivos e dialógicos, relacionamos com as maneiras pelas quais nós, humanos, interagimos, localizando nesse espaço a ajuda mútua e a colaboração como uma forma de relacionamento sempre presente e silenciada.

(Des)Desenhando a escola foi o outro material audiovisual apresentado no espaço, uma obra de Arliz Plasencia, Lena Castillo e Mery Cartaya. Três gerações de mulheres, mãe, neta e avó, que pensam e buscam alternativas para os dilemas morais gerados pelo choque entre a vocação insistente da mais jovem para o desenho e a livre experimentação com cores e, por outro lado, a escolaridade obrigatória, com sua carga de padronização e despersonalização desde a mais tenra idade. Essa apresentação audiovisual deu origem a um diálogo animado que permitiu que Leonardo Romero Negrín, professor de física, e Aixa Negrín, sua mãe, professora de literatura há trinta anos, interviessem no espaço com suas experiências de ensino na educação secundária cubana.

Leonardo apresentou sua busca de métodos para interconectar a física com a semântica, a hermenêutica e os debates sociopolíticos que estão ocorrendo em Cuba hoje e nos quais os adolescentes e jovens frequentemente participam de forma acrítica e passiva, diante dos quais ele propõe reverter essa atitude, ativando a capacidade de análise dos alunos e suas próprias posições por meio do ensino da física.

Por sua vez, Aixa Negrín compartilhou conosco suas experiências com os exames de admissão às universidades cubanas e as formas de arregimentação intelectual e política subjacentes à lógica avaliativa desses exames. Por outro lado, a veterana professora também abordou os problemas dos programas de estudos de literatura, seus preconceitos e silêncios com relação à obra de grandes criadores literários cubanos que, devido a suas divergências com o regime governamental vigente em Cuba, não são incluídos nos sistemas de ensino. A reunião foi concluída com uma reminiscência sobre momentos de nossas vidas como estudantes, professores que nos marcaram e quais características comuns nos permitiram identificá-los.

3º encontro

O último dia da 5ª jornada libertária de 2023 terminou no mesmo local da 4ª jornada de 2019: no espaço El Trencito, um veterano laboratório de jogos não competitivos e solidários, localizado próximo ao rio Almendares, um espaço onde várias gerações de crianças são treinadas há quase vinte anos e que já é uma referência pedagógica no ambiente contracultural da cidade de Havana.

Para essa ocasião, coordenamos com os jovens músicos Jonathan Formell e Simón Ibáñez, que têm empatia com perspectivas antiautoritárias de criação e projeção de si mesmos, a organização de uma sessão de criação musical coletiva com as crianças, integrada à dinâmica de jogos não competitivos que as duas gerações de animadores do El Trencito desenvolveram. A experiência acabou sendo árdua e cheia de desafios a serem superados, devido a todos os hábitos competitivos e não colaborativos internalizados desde a mais tenra idade, que cobram seu preço a todo momento.

Como resultado, a importância de uma liderança organizadora consciente de seu caráter provisório foi percebida como importante nessas situações, o que pode dar lugar a formas descentralizadas de coordenação dessa liderança preliminar. No experimento, foi possível perceber que, se essa liderança organizadora não assume seu caráter provisório, isso leva ao endosso da dependência coletiva desse foco orientador inicial como a suposta única forma de agir como um todo.

Contra essa noção de provisoriedade de toda liderança organizacional, há um senso comum difundido e amplamente aceito que sustenta que a liderança centralizada permanente em todas as esferas da vida social é um triunfo do conforto, do bem-estar e da tranquilidade coletiva, para o qual os sistemas educacionais dominantes buscam suprimir a responsabilidade individual e promover a submissão a várias formas de autoridade e, ao mesmo tempo, a competitividade entre iguais, o ambiente perfeito para reduzir a ideia de democracia à livre escolha de quem exercerá a direção centralizada sobre nossas existências, como consumidores de programas que representam nossa passividade.

Em meio a essas cadeias de noções autoritárias, espaços como El Trencito revelam toda a sua importância psicossocial, como lugar de prefiguração de formas alternativas de interação social, algo tão significativo, principalmente na infância, pois experiências como essas podem se tornar bússolas orientadoras quando, ao entrarmos na vida adulta, recebemos toda a barragem de lógicas autoritárias das instituições predominantes, sem termos referências anteriores para desnaturalizar essas dinâmicas de massa.

Também foi planejado um piquenique de encerramento para o final do 5º dia, momento em que pensamos em apresentar o material Anarquismo e prisões, do companheiro venezuelano Rafael Montes de Oca e disponível na web, um material muito útil para pensar o ativismo antiprisional em Cuba, onde cerca de 1000 pessoas cumprem hoje longas penas de prisão, apenas por exercerem seu direito e dever de protestar, enquanto outras centenas estão “reguladas”, segundo a linguagem policial, impedidas de sair de Cuba, sob condições de controle e vigilância direta, como é o caso da corajosa professora e historiadora Alina Barbara López, que pôde participar da primeira reunião da 5ª Conferência “Espaços, figuras e ideias no Socialismo da Ilha no século XX”.

Tampouco foi possível o intercâmbio com companheiros de fora de Cuba, da Argentina, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, com os quais tínhamos coordenado uma contribuição para o espaço de encerramento, devido à própria dinâmica que se gerou no final da atividade em El Trencito, onde se reuniram pessoas muito diversas, com faixas etárias muito desiguais e com poucas referências comuns, além de coincidirem fortuitamente nesse espaço.

Apesar dessas questões pendentes, em meio à regressão organizacional de base que estamos vivendo novamente em Cuba e ao colapso militarizado sob vigilância que reina em todo o país, a vontade de insubordinação e a imaginação antiautoritária abriram novamente espaços para acontecimentos anárquicos, comunitários e fraternos, uma tarefa pequena, mas persistente, de sociabilidade selvagem, um terreno estreito, mas quente, para manter fertilizadas as sementes de outras e maiores primaveras libertárias.

Fonte: https://tierranuevacuba.medium.com/5tas-jornadas-primavera-libertaria-de-la-habana-entre-el-colapso-y-la-persistencia-df7afc848fb5

Tradução > Liberto

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O sol é o mesmo
A água é a mesma
—Eu é que sou a lesma!

Rubens Jardim

[França] “Ícone dos mares”: Símbolo de um mundo em colapso

EM 2022, OS 218 NAVIOS DE CRUZEIRO EUROPEUS EMITIRAM MAIS ÓXIDOS DE ENXOFRE DO QUE UM BILHÃO DE CARROS

É lindo, é novo, é tão multicolorido quanto um doce: um novo transatlântico de luxo. Mais poluente do que uma grande cidade ocidental.

O gigante ainda está em fase de testes na costa da Finlândia, mas estará navegando oficialmente pelos mares em 2024. Não se trata realmente de um barco, nem mesmo de um transatlântico. É uma espécie de cidade flutuante para os privilegiados se divertirem. Um centro de consumo gigantesco, flutuante e devastador.

“The Icon of the Seas”, de propriedade da Royal Caribbean, tem 365 metros de comprimento e 20 andares de altura. É maior do que a Torre Eiffel se estivesse deitada e 5 vezes maior do que o Titanic. O monstro pesa 250.000 toneladas e é “o maior navio de cruzeiro do mundo”. É provavelmente o maior navio da história da humanidade, capaz de transportar 7.600 hóspedes e 2.350 tripulantes, ou seja, quase 10.000 passageiros a bordo!

Para que você tenha uma ideia do delírio sem limites da sociedade capitalista: no navio, você encontrará um campo de golfe em miniatura, uma pista de patinação no gelo – sim, no meio de oceanos tropicais, vamos congelar a água para que as pessoas possam deslizar no gelo -, cerca de quinze bares e restaurantes, um simulador de surfe – portanto, estamos criando um mar artificial e ondas em um barco! – mas também sete piscinas e banheiras de hidromassagem, um parque aquático com seis escorregadores gigantes, salas de concertos e até mesmo um bairro “Central Park”.

Essa construção é essencial para a humanidade, em meio a uma crise social, com escassez de água e alimentos e falta de recursos vitais em muitos cantos do planeta.

Mas os ricos não estão nem aí para o futuro dos seres vivos na Terra. Pois é para eles que esse oásis privatizado foi construído: é preciso pagar pelo menos 2.029 euros por pessoa por uma semana de cruzeiro no Caribe, e até várias dezenas de milhares de dólares pelas melhores cabines.

A Royal Caribeans já lançou vários navios enormes do mesmo tipo. O jornal The Guardian já estimou que os dois motores de outro navio da empresa, “The Harmony of the Seas”, podem consumir até 250.000 litros de combustível por dia. Sem mencionar o tráfego rodoviário e de carga gerado pela atividade do transatlântico, que precisa ser constantemente reabastecido. Um especialista marítimo explicou que “esses navios consomem tanto combustível quanto cidades inteiras. Eles consomem muito mais energia do que os navios de contêineres e, mesmo quando queimam combustível com baixo teor de enxofre, ele é 100 vezes pior do que o diesel rodoviário”.

Em 2021, a mesma empresa mandou construir o “Wonder of the seas” pelos estaleiros de Saint-Nazaire. Um monstro comparável em tamanho ao “Icon of the Seas”: 362 metros de comprimento e capacidade para transportar 9.000 pessoas. Enquanto o planeta queima, o setor de cruzeiros está crescendo. Um estudo publicado em junho de 2023 mostrou que a poluição causada por navios de cruzeiro nos 50 portos mais movimentados da Europa está aumentando.

Os 94 navios da operadora de cruzeiros de luxo Carnival Corporation emitem dez vezes mais óxido de enxofre do que todos os 260 milhões de carros da frota automotiva europeia. A operadora de cruzeiros Royal Carribean, à qual pertence o novo monstro, emite quatro vezes mais! Somente os 218 navios de cruzeiro europeus emitiram mais óxido de enxofre do que um bilhão de carros em 2022. Um bilhão de carros!

Mas, acima de tudo, preste atenção às pequenas coisas que você faz pelo planeta.

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/07/21/icon-of-the-seas-symbole-dun-monde-qui-seffondre/

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No meu Hay kay
A matemática poética
Vira apoética

Nanû da Silva

[Alemanha] Forest anti-spe days #4

Resistência animal, para propagar à destruição.

Junte-se a nós em um encontro pela libertação animal, de 17 a 20 de agosto de 2023, na Floresta de Hambach.

Enviamos estas palavras aos nossos companheiros, conhecidos e desconhecidos, aqueles que sentem em seus corações que a morte do especismo precisa de uma resistência feroz e implacável, fora de organizações de qualquer tipo, sem nenhum desejo de reformar essa civilização miserável.

Aqueles que apoiam campanhas legalistas, o salvacionismo vegano ou o pacifismo abraça-policiais estão no lugar errado. Esses dias são para atacar a supremacia humana e seu mundo, suas tecnologias e ideologias, todas as jaulas que tentam nos oprimir – e das quais podemos escapar ao nos empoderarmos.

Convidamos você para a floresta de Hambach, ainda ocupada depois de 11 anos, para compartilhar habilidades, perspectivas, histórias, propostas, inspiração, amor, raiva… tudo o que precisarmos para ir mais longe em nossas lutas pela libertação total. Você não precisa de dinheiro e, é claro, não precisa fazer inscrição prévia para o evento. [Esclarecemos isso porque alguns coletivos reformistas/de bem-estar animal organizam eventos em que é preciso fazer uma pré-inscrição].

Proponha seus workshops por e-mail ou quando chegar. Você pode vir antes se quiser ajudar na organização. Traga comida vegana e outras coisas legais se quiser/puder [embora haja comida gratuita para todos durante todo o evento]. E fique longe se tiver comportamento ou opiniões racistas, sexistas, transfóbicas ou qualquer outro tipo de opressão.

Companheiros selvagens da libertação animal, vocês não estão sozinhos. Vamos nos encontrar e nos divertir!

forestantispedays@riseup.net

forestantispedays.noblogs.org

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no sonho
da velha cerejeira em flor
passa um gato branco

Philippe Caquant

[Espanha] Lançamento: “L’anarquisme contra la dictadura franquista (1939-1975)”, de Ferran Aisa

Anarquismo contra a ditadura franquista é um ensaio histórico que traz à tona a luta dos libertários contra a ditadura franquista. Centra-se na história da CNT e do movimento libertário tanto no exílio como na Península, mas vai mais longe ao incorporar na mesma história a guerrilha, os grupos autónomos, os movimentos operários emergentes e os movimentos culturais O ensaio começa com a derrota militar, política, social e cultural da República e avança pelos anos de exílio com todas as tragédias humanas vividas nos campos de concentração (França e Norte da África), os campos de extermínio nazista, os navios com destino à América , a Guerra Mundial, a Resistência, a reorganização do movimento libertário, as cisões, a colaboração com o Governo Republicano no exílio… Em suma, fala da luta incansável dos libertários, com mais ou menos idas e vindas, contra a ditadura até a morte de Franco.

L’anarquisme contra la dictadura franquista (1939-1975)

ISBN: 978-84-125645-5-6

Editorial: Lo Diable Gros

Autor/a: Aisa Pàmpols, Ferran

Coleção: Memòria històrica

Formato: Tapa blanda o Bolsillo

País de publicação: España

Idioma de publicação: Catalán

€ 19,00

lodiablegros.cat

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capulhos na pereira
e uma mulher à luz da luz
lendo uma carta

Buson

[Chile] Tertúlias Literárias | Afiando as ideias contra o Poder

  • Quarta-feira 26 de julho, 18h30, no Espaço Fénix, Av. Portales 2615, Santiago Centro.

EL BUEN TRATO y LA EXPROPIACIÓN ANARQUISTA | Coeditado entre Puñales con Tinta y Gesto y Palabra

O presente livro, relata os fatos históricos que tornaram possível a fuga da prisão de Punta Carretas em 1931. Seja inovando sobre a realidade ou dando novos usos ao já existente que anarquistas do Río de la Plata abriram caminho rumo ao desconhecido. E é nessa busca, por dar um salto qualitativo no combate e novos usos ao arsenal anárquico que o formam, que geraram seus próprios meios para financiar projetos solidários que na prática permitiram estender a mão a companheiros. Sendo nesta, a expropriação, seu principal meio.

Os convidamos a fazer parte da apresentação, palestra e discussão em torno a um livro que iremos escolhendo mês a mês. Se não o tiver lido, venha conhecer de que se trata, se o tiver lido venha conversar e discutir em torno a sua temática. Os livros não são um fetiche, são ferramentas necessárias para as mentes inquietas. Longe do academicismo, conversemos entre companheiros e companheiras.

Espaço Fénix

espaciofenix.noblogs.org | espaciofenix@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz

Guimarães Rosa