Sensível como uma navalha

Bem, companheiros e companheiras, estamos de volta com os artigos aqui no blog do À Margem. Sem “domínio” e sem “hospedagem”, mas não menos radical. Sem faltar com respeito a quem eu acredito que irá ler este texto de peito aberto e com senso crítico que merece. Todos nós sabemos, ou quase todos nós percebemos o quão acelerado está esse tempo burocrático – aquele que marca os milésimos, os segundos e as horas – do que devemos fazer ou deixar de fazer, o porquê e como fazer aquilo que nos impõe. Eu adoro o cheiro de uma flor cujo seu aroma faz-me transbordar de poesia. Mas se a jornada de trabalho extrapola todo o limite mínimo para que um corpo possa se conectar com a natureza, como vou permitir deixar a poesia entrar em mim?

Aqueles que defendem o status quo (aqui concebido como um conjunto de relações que predominam boa parte das narrativas sociais) irão reproduzir o velho e tóxico discurso no qual criminalizam o fazer política. É bizarro, porque estes mesmos, apoiam a existência de um Estado, as atividades de um agronegócio genocida e por aí vai. Nós os anarquistas, você que não se identifica com a atmosfera partidária, temos muitos motivos para criticar as hipocrisias e violências vindas do parlamento. O mesmo acontece com o que se chama de grande mídia – aquela com maior repercussão de audiência. Posso ser sincero com vocês? Nesse exato momento ocorre-me uma raiva enorme desse sistema capitalista, que é a extensão daquela força energética de outros tempos. A disputa por “poder”. Concentração de riqueza. Depois querem que sejamos moderados. Deixa eu respirar três vezes e me recompor. Aliás, estou me comunicando com quem, a princípio almejo que tenha interesse em minha reflexão. Pois bem, com o tempo linear, aprisionado pelos “poderosos” que mais querem que não fiquemos ociosos do que realmente possamos produzir mais. Até porque no capitalismo não tem espaço para todos. Os meios de produção são destruídos para que poucos possam controlar a classe trabalhadora através das “trocas voluntárias” – leia-se salário precarizado.

Essas coisas que citei acima geram vários tipos de comportamentos em nossa sociedade. Tem o que não se importa mesmo, aceita a submissão, tem o que sabe que é maçante mas tem preguiça de lutar, porque no fundo quer ser “bom vivant” também (sem moralismo”, tem o que se sensibiliza, se engaja, absorve e compreende que a luta por um mundo melhor, não é um mero desejo individual, mas uma vontade política que de fato atinja toda uma população. Os preguiçosos ou “burgueses de espíritos” certamente vão vir com o papo que isto é uma “utopia”. Recentemente assisti (por acaso) um vídeo na internet pelo qual o locutor (um ex deputado de um partido de direita) dizia que as pessoas com “ideologia” estavam ultrapassadas e que essa coisa de ver “política em tudo” é uma perda de tempo, porque o mundo não quer saber mais desses empecilhos. Essa velha tática dos sentinelas do capital de coagir as pessoas não falarem sobre o bairro, a cidade, a vida, politicamente, é bastante nocivo para a melhoria nas vidas dos mais vulneráveis – do ponto de vida da falta de moradia, saúde frágil, salário precarizado, etc. – e portanto a inércia vai tomando conta consideravelmente de boa parte dos espaços sociais. Tem diversos vulcões dentro de mim querendo entrar em erupção, não para destruir o mundo, mas para irromper com tal estrutura de sociedade que gera fome, miséria e mortes em grande escala. Por um outro lado reconheço que não posso agir com violência nem com proselitismo junto ao meu vizinho ou qualquer outra pessoa na rua. O mundo é complexo. Com isso é sábio utilizar da prudência para se relacionar em determinadas situações. Veja, não estou falando de se curvar a uma pessoa nem a uma narrativa. Mas da gente ser sagaz, observar, e agir com a sensibilidade de uma navalha. Deixa o soberbo achar que você está “morto”. Quanto ele menos esperar vai sentir a força da resistência – não necessariamente violenta, mas tão sutil como a água que sobrepõe a mais dura das pedras. – Eu publiquei em minhas redes sociais um breve texto sobre o porquê da expressão “sensível como uma navalha”, em outra ocasião colocarei aqui. Prosseguindo com a minha construção reflexiva, acredito que o cerco está apertando para cima dos insurgentes, revolucionários, anarquistas, radicais, seja o que for que pede uma outra sociedade. Olha o que está acontecendo com os povos indígenas na américa latina, sobretudo aqui no Brasil. Sem contar os apartheids pipocando pelos quatro cantos do planeta. A partir dessa dura realidade para quem tem propósito em contribuir para um mundo mais igualitário, é que acredito que os mesmos terão que pensar mais ainda em modos sofisticados de implementar nas várias atuações diante das lutas espalhadas por aí. O mundo está acontecendo agora. O que aconteceu lá atrás pode não acontecer mais. Alguns creem que temos que responder na mesma moeda aquilo que sofremos diariamente. Confesso que em dado momento, isso passa pelo meu corpo, a revolta é inevitável, mas será que talvez não seja essa uma armadilha que o Estado-Militar-Capitalista, quer que façamos? ´Que aí pode ser uma justificativa para gerar mais ainda repressão. Perceba, não falo sobre binarismo – de não-violências versus autodefesa – pelo simples fato de que o debate fica capenga com essa condição. A minha questão é mais a nível do cotidiano, até de fato atingir um aspecto mais macro, de encontrarmos caminhos que reconfigurem um modo sofisticado de nossa parte. É evidente que tem artistas, professores, comunidades, coletivos, ativistas, fazendo esse papel, entretanto minha indagação talvez vá de encontro com um pilar bem importante para o anarquismo que é o internacionalismo, e nisso, penso em como estas forças de ações, podem se aglutinar para sairmos do jogo da resistência e entrarmos no campo da real disputa.

Querem que sejamos comedidos ao mesmo tempo que a polícia invade uma comunidade dita periférica que mata corpo pobre e preto. Como falei acima, eu amo me conectar com a minha sensibilidade. De poder ver a beleza em uma flor que está molhada com a água da chuva. Acho lindo o bater das asas de uma borboletinha que voa, voa para afirmar a sua beleza e sua vida. Não está sendo fácil ver a limpeza étnica que os palestinos estão sofrendo por um Estado colonial. Essa praga do colonizador é quem degrada o solo, as diversas espécies, o meio ambiente. Quem fez jorrar lama em cidades como Mariana (MG) e Brumadinho (MG), destruindo ambas, não foi quem estava questionando a indústria extrativista e suas atividades nocivas, na verdade foram os gananciosos. Se privatiza para enriquecer acionista estrangeiro. Belo Monte até hoje mexe com o psicológico dos afetados pela toxicidade dessa usina.

Dias atrás falei para uma companheira que a sociedade é como um jogo de xadrez, com a diferença que nesse jogo real, pessoas pagam com suas vidas. Uma grande narrativa vai sendo disseminada em tudo que é canto, da conversa da padaria até a um bizarro anúncio que fala em ficar rico em segundos. E como mencionei anteriormente, quando esta narrativa do “olhe, não fale de política, não questione quem quer empreender”, faz com quem está a procura de um emprego para pagar os seus sustentos, se afaste das discussões sobre a cidade, o mundo. Tenho a consciência de que em muitas comunidades, as pessoas reinventam seus modos de sociabilidades de forma sofisticada. As culturas de matriz africana afirmam isto.

A narrativa que se pretende hegemônica visa fazer com que a população se afaste cada vez mais das decisões que irão impactar direta e indiretamente em suas vidas. Como disfarce, vão colocar gestores ricos para se eleger como parlamentar, falando que não é político. Trazendo Murray Bookchin para esta proposição, o mesmo aponta para o quão a esfera anarquista não pode deixar de pensar o progresso, a civilização, as tecnologias, porque senão vai deixar que os capitalistas ditem o ritmo das coisas. Bookchin inclusive fala que se não pensarmos uma tecnologia que erradique o trabalho braçal, por exemplo, o sistema capitalista irá continuar remando para que o trabalho continue precário. É exaustivo demais ficarmos horas do dia pensando, trabalhando para que tais situações aconteçam. Mas assim como o norteamericano pontua sobre as tecnologias, também acredito que se abdicar de tais debates, é oferecer caminho livre para os oligarcas mundiais.

Não abrir mão de meditar, de brincar, de dar um banho no mar, na cachoeira, de encontrar amigos, pessoas, faz muito bem para o corpo. Escapar para resistir. Ludibriar o sentinela do capital, são táticas cotidianas poderosas ao meu ver, mas a mim acredito, como um corpo rebelde, anarquista, que nunca possamos deixar a nossa sensibilidade como uma navalha, se desprender de nossas almas. É ela que ajudará a iluminar sempre que preciso aquele cantinho precioso do nosso inconsciente. Quero amar vocês permitindo que os mesmos discordem de mim sem desejar o meu fim. Quero receber o amor de vocês que respeitem a minha decisão de não seguir o que a maioria quer.

Gabriel Ribeiro
À Margem

amargemcanal.wordpress.com

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E cruzam-se as linhas
no fino tear do destino.
Tuas mãos nas minhas.

Guilherme de Almeida

Cronograma de atividades da XI Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre (RS)

>> Sexta Feira 3 de Novembro de 2023 | Largo Zumbi dos Palmares

18:00 hs. Atividade  de Abertura:

Como e porque lutamos xs  anarquistas? 

Vigências da Subversão Anárquica.

>> Sábado 4 de Novembro de 2023 | Escola de Samba Fidalgos e Aristocratas (Av Ipiranga, 2485)

09.00 hs. Yoga Anti Autoritário (Levar uma canga ou tapete)

10.00 hs. Um movimento que esquece seus presxs esta fadado ao fracasso: Solidariedade e agitação pelxs anarquistas  sequestradxs nas prisões.

10:30 hs. Poção Mágica de Autonomia. Atividade para crianças e não tão crianças

10:45 hs. Uma perspectiva estética para o ser humano, com Cristopher Dallo, desde Passo Fundo

11:30 hs. Apresentação do livro: Crônicas de um Viageiro Miserável, com Yuri  Hendrick

12:00 hs. Almoço coletivo preparado pelo Aurora Restaurante Anti especista

14:00 hs. Apresentação do zine: No meio do Mato, com Jorge desde a  Comuna Pachamama, São Gabriel.

14:30 hs. Roda de conversa sobre: Revoltas ao redor do mundo no período de 2019-2021, Editora Amanajé e Comunismo Libertário, desde São Paulo

15:30 hs. Apresentação do livro: Sociedade esmagadora de Corações, com Bianka.

16:00 hs. Experiências e reflexões para promover autonomia e saúde nos partos. Colaborações para a prevenção de complicações durante o processo. Com Mariana, desde o Uruguai

17:00 hs. Apresentação dos Livros pelo autor

  • Do Morro à África de Marcelo Cortes, Rodrigo Aguiar e Letiere Rodrigues.
  • “O espetáculo do circo dos horrores” no Brasil, de Marcelo Cortes.
  • Teoria da História & Piotr Kropotkin, de Marcelo Cortes.

18:00 hs. 2013 Ontem e Hoje: Pela Expansão da Revolta!

19: 30 hs. GIG-Som com bandas!

Domingo 5 de Novembro de 2023 | Praça do Aeromóvel em frente ao Gasômetro

10:00 hs. Yoga Anti autoritário (levar canga ou tapete)

11:00 hs. Apresentação do Livro Anarquismo em Cuba de Frank Fernandez.

11:30 hs. Apresentação do HQ: Quando o Mundo Acabava no Guahyba por Roque Lemanski

13:00 hs. apresentação do Jornal O Desaforo

14:00 hs. Apresentação dos livretos por EUE (Equipe de Urgências e Emergências):

  • KAOS.O.S. Casos reais ocorridos em ações anárquicas, Volume II –  Greve de Fome
  • Manual de Primeiros Socorros Anárquicos – EUE
  • Manual Básico de Cuidado e Primeiros Socorros Infantis. Segunda   edição

15:00 hs. Apresentação da publicação: “Maria Pinto Fernandez. Uma  mulher livre! Enfrentou tempestades e foi sua própria fortaleza.” Por Memória Combativa Edições Crônica Subversiva.

16:00 hs. Repercussões das leis na interrupção voluntária da gravidez.

17:00 hs. Roda de conversa de encerramento.

feiradolivroanarquistapoa.noblogs.org

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ao pé da janela
dormimos no chão
eu e o luar

Rogério Martins

Novo vídeo: Jiboia Resiste!

Na quarta-feira, 18 de outubro de 2023, a Brigada Militar removeu a força moradorys e apoiadorys da Kasa Okupa Cultural Jiboia, em Porto Alegre (RS), para então a prefeitura demolir parte da estrutura da ocupação. A Kasa Okupa Cultural Jiboia é um espaço contracultural destinado a mulheres e dissidências de gênero.

Este é um relato enviado por integrantes da Kasa Okupa Cultural Jiboia. Imagens de Deriva Jornalismo e KOCJ.

>> Apoie a Jiboia. Se puder doe para a reconstrução das estruturas demolidas:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/reconstrucao-muro-jiboia

>> Veja o vídeo aqui:

https://antimidia.org/jiboia-resiste/

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ave calada –
ninho em silêncio
na madrugada

Carlos Seabra

Doutrina Alckmin. País se faz de morto há dez anos: repressão vence na aparência, mas não apaixona

Por que intelectuais confusos exprimem em público seu suposto sentimento de confusão perante os fenômenos?

Por Charles Anjo Marighella

I

O Brasil se encontra sob jugo pesado da Doutrina Alckmin. Me explico. Em setembro de 2012, um batalhão da Polícia Militar das horrorosas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, de funesta história e atualidade, prendeu oito pessoas e assassinou nove em Várzea Paulista, interior de São Paulo. Defendendo a sua polícia, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, proferiu a frase célebre que entrou junto com ditos e feitos de Rui Costa, Wilson Witzel, Sérgio Cabral, Tarcísio de Freitas e outros inumanos nos anais da monstruosidade da classe dominante brasileira e seus prepostos: “Quem não reagiu está vivo” [1].

A biologia deve ter como definição de ser vivo a capacidade de reagir ao meio ambiente, de provar com sua vida essa reação. Médico que é, Alckmin deve saber de ofício algo sobre a passagem da vida viva à vida morta. Sua frase deve ser lida com respeito; ela pode ter sido dita de caso muito pensado. Alckmin não é burro e se estava passando recado ao andar de baixo, visando seu bom comportamento, proferiu também um esclarecimento quanto à forma da dominação na sociedade brasileira contemporânea. Se fingir de morto é um comando dado a cachorro, último mas não menos importante elemento que ajuda a entender tanto a frase quanto o que nossa classe dominante espera do povo.

II

Fernando Haddad estabeleceu uma parceria preferencial com Geraldo Alckmin desde os tempos de prefeitura. Quando Junho de 2013 estourou, Alckmin e Haddad estavam cantando “Trem das onze” na França [2]. O então prefeito sagrou sua aliança, indo como um cachorrinho até o Palácio dos Bandeirantes para entregar uma vitória política ao seu dono. Como disse a teórica Kelly Key: “sit, junto, sentado, calado” [3]. Alto intelectual que é, o uspiano Haddad devia saber o que estava fazendo. Entre as ruas e a direita estabelecida, o social democrata abraça esses operadores da classe dominante bem paulista, para depois, em mais de uma ocasião, acusar os esquerdistas de infantis. Um cachorro muito adulto [4].

Anos depois, o professor Haddad se penitenciaria em público por não ter sido suficientemente bem atendido pela realidade e resumiu dizendo “vivi na pele o que aprendi nos livros” [5]. Enquanto isso, no contravapor da repressão pós Junho, outras peles tinham outras vicissitudes. Do “P2 do amor” [6] que o compositor Ruspo imortalizou em música ao espetáculo triste do secretário de segurança pública de São Paulo, Sr. Alexandre de Moraes, metendo o pau em criancinhas que ocuparam bravamente suas escolas e a casa do povo, vulgo Assembleia Legislativa do estado de São Paulo, foi tudo num continuum [7]. O saldo colateral da destruição da oposição popular a estes nobres governos foi a ascensão ilimitada da extrema direita neofascista. Depois estes mesmos senhores fingiram surpresa, algo inaceitável para o sr. Haddad, que por obrigação há de ter lido o Dezoito Brumário de Napoleão Bonaparte em seu enfadonho tempo de socialista.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2023/10/150440/

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Fina chuva inútil
fundo musical
a flauta casual

Winston

[EUA] As ações dos especuladores da guerra disparam enquanto Israel bombardeia Gaza

Estados Unidos, que outorga a Israel 3.800 bilhões de dólares anuais em assistência militar, está se preparando agora para enviar armamento adicional. “Como os países necessitam repor suas armas, cremos que as empresas de defesa vão se dar muito bem”, assinala Sameer Samana, estrategista sênior de mercado global do Wells Fargo Investment Institute.

Por Jessica Corbett | 10/10/2023

“A guerra é boa para os negócios”. Isso é o que disse um executivo de defesa em uma conferência sobre armas em Londres no mês passado, e o que refletiu o mercado de valores na segunda-feira, quando Israel bloqueou e bombardeou a Faixa de Gaza —atacando a principal universidade do território palestino ocupado, edifícios residenciais, um campo de refugiados e um importante hospital — em resposta ao ataque do fim de semana no qual o Hamas matou centenas de israelenses.

Estados Unidos, que já outorga a Israel 3.800 bilhões de dólares anuais em assistência militar, está se preparando agora para enviar armamento adicional e outro tipo de apoio. enquanto isso, as ações das empresas estadunidenses e europeias que ganham dinheiro com a guerra dispararam na segunda-feira.

Segundo The Wall Street Journal, companhias estadunidenses como Lockheed Martin, Northrop Grumman e RTX — anteriormente conhecida como Raytheon — se viram beneficiadas, assim como as principais empresas britânicas, francesas, alemãs e italianas.

Fox Business informou que “as ações da General Dynamics, que fabrica submarinos e veículos de combate, não aumentavam tanto desde março de 2020, quando ganharam mais de 9%”.

“O salto das ações de Lockheed Martin na segunda-feira foi o maior que se viveu nos Estados Unidos. O maior contratista de defesa superou por pouco os lucros que obteve imediatamente depois que a Rússia lançou sua invasão em grande escala da Ucrânia”, assinalou por seu lado a Forbes. “As ações de Northrop Grumman também tiveram seu melhor dia desde 2020”, apontava Barron’s, acrescentando que “em separado, a junta diretiva de Lockheed aprovou na sexta-feira a expansão do programa de recompra de ações de Lockheed em 6.000 bilhões de dólares, e a companhia aumentou seu dividendo trimestral de 3 a 3,15 dólares por ação”.

Ao comentar o derramamento de sangue em Israel e Gaza nos últimos dias, Sameer Samana, estrategista sênior de mercado global do Wells Fargo Investment Institute, disse a Market Watch que “claramente é uma enorme tragédia humana”. “Parece que estamos entrando em uma fase diferente a nível mundial com respeito à geopolítica”, acrescentava, expondo que os conflitos parecem mais prováveis hoje em comparação com as últimas décadas. “Como os países necessitam repor suas armas, cremos que as empresas de defesa se darão muito bem”, finalizava.

Apenas dois meses depois da invasão russa do ano passado, William Hartung, investigador principal do Instituto Quincy para a Arte de Governar Responsável, destacava como esses conflitos beneficiam a indústria armamentista e escrevia para Tom Dispatch que “a guerra na Ucrânia será, de fato, uma bonança para as pessoas como Raytheon e Lockheed Martin”.

“Em primeiro lugar, estarão os contratos para reabastecer armas como o míssil antiaéreo Stinger de Raytheon e o míssil antitanque Javelin produzido por Raytheon/Lockheed Martin que Washington já proporcionou milhares à Ucrânia”, explicava. “No entanto, a maior fonte de lucros virá dos aumentos assegurados gastos em segurança nacional pós-conflito aqui e na Europa, justificados, ao menos em parte, pela invasão russa e o desastre que seguiu”.

Em dezembro passado, Hartung advertia na Forbes contra o uso da guerra entre a Rússia e a Ucrânia para expandir permanentemente a indústria armamentista:

Os planos que se propuseram até agora incluem a construção de novas fábricas de armas, o aumento drástico da produção de munições, armas antitanques e outros sistemas, e facilitar a supervisão da aquisição de armas. Estas mudanças terão um custo que, com o tempo ascenderá a dezenas de milhares de milhões de dólares acima dos planos de gasto atuais, e possivelmente mais, muito mais.

Este impulso para ampliar rapidamente o tamanho e o alcance do complexo militar-industrial é desnecessário e imprudente. A pressa por fazê-lo e ao mesmo tempo reduzir as salvaguardas existentes contra o desperdício e o mal desempenho corre o risco de promover o aumento abusivo de preços e uma produção deficiente, inclusive quando imobiliza fundos que poderiam usar-se de maneira mais efetiva em outras prioridades urgentes.

Os preços do petróleo também subiram na segunda-feira em resposta à violência no Oriente Médio. Associated Press explicava que “a zona em conflito não alberga uma produção importante de petróleo, mas os temores de que os combates possam estender-se à política em torno ao mercado de cru fizeram subir o barril de petróleo estadunidense em 4,1% a 86,16 dólares. O cru Brent, o estândar internacional, subiu em 3,9% a 87,91 dólares por barril”.

Artigo publicado originalmente em Common Dreams em inglês.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/ocupacion-israeli/acciones-especuladores-guerra-disparan-israel-bombardea-gaza

Tradução > Sol de Abril

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nuvens insultam o céu,
aves urgentes riscam o espaço;
pingos começam a molhar.

Alaor Chaves

Pré-venda | Anarquismo Africano: A História de um Movimento – Sam Mbah & I. E. Igariwey 

Hoje se inicia a pré-venda da nova tradução, feita por nós, da pioneira obra Anarquismo Africano dos anarquistas nigerianos Sam Mbah e I. E. Igariwey. Este livro já possui uma versão traduzida, mas esgotada há tempos em sua versão física. Assim, trazemos uma nova tradução do texto incluindo, além também da entrevista presente na versão anterior, textos inéditos em português: o prefácio escrito por Sam Mbah à versão em espanhol e mais quatro entrevistas (3 com Mbah e 1 com Igariwey).

Neste livro, lançado originalmente em 1997, os autores traçam uma revisão dos conceitos básicos do anarquismo, relacionam características “anárquicas” das sociedades africanas pré-coloniais e o comunalismo africano com princípios do anarquismo, traçam um histórico do desenvolvimento do capitalismo pós-colonização e seus efeitos sociais e econômicos, revisam a trajetória do “socialismo africano” e pensam possibilidades do anarquismo na África.

Mesmo com algumas falhas devido à falta de acesso à informações sobre algumas experiências organizativas anarquistas que já aconteciam em partes da África na década de 1990, a obra de Mbah e Igariwey se tornou de grande importância como um primeiro esforço em debater a questão do anarquismo no continente Africano. Sam Mbah e I. E. Igariwey foram militantes da Awareness League, organização de tendência anarcossindicalista da Nigéria que não existe mais.

Sam Mbah faleceu em 6 de novembro de 2014 devido à problemas cardiácos. Não conseguimos informações sobre Igariwey.

Nossa pré-venda irá de hoje, 07 de outubro a 05 de novembro e os envios dos livros serão feitos no dia 06 de novembro em homenagem aos 9 anos do falecimento de Sam Mbah, data que será marcada como o lançamento do livro.

Para o leiaute do livro, optamos por reproduzir o projeto do lançamento original, feito pelo artista anarquista Clifford Harper.

Tamanho: 16 x 23 cm

Estimativa de 190 páginas

Preço promocional de pré-venda: 30 reais + 10 reais de frete

Compras pela nossa loja: https://form.jotform.com/232209020133640

E-mail: escurecendoanarquismo@gmail.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/11/20/nigeria-australia-triste-noticia-sam-mbah-morreu/

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nos fios
os pássaros
escrevem música

Eugénia Tabosa

[Espanha] Lançamento: “Salvador Seguí y la actualidad de su pensamiento”, de Francisco Romero

Qual é o sentido de revisitar a figura de Salvador Seguí cem anos depois de seu assassinato pelas mãos dos pistoleiros dos patrões? Este trabalho não se concentra apenas no personagem romântico e mítico. A figura do líder é por vezes enaltecida, mas o mais importante não é negado: o debate sobre seus princípios ideológicos e suas ações nos diferentes conflitos. Alguns aspectos de suas posições controversas precisam ser esclarecidos e a possível atualidade de seu pensamento precisa ser conhecida. Seguí não se esquivou das principais questões de seu tempo: opinou sobre o que mais preocupava o sindicalismo e a classe trabalhadora, sem dissimulações ou cálculos premeditados. Qual é a atualidade de suas opiniões e de sua militância? Seus escritos dizem algo para nós hoje, em uma situação histórica totalmente diferente daquela em que ele viveu? Temos algo a aprender com ele?

Salvador Seguí y la actualidad de su pensamiento

Francisco Romero

ISBN 978-84-13528-02-1

Páginas 144

15,00 €

www.txalaparta.eus

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Grito se agiganta,
embrutece, se enfurece,
morre na garganta…

Flora Figueiredo

O Instituto de Estudos Libertários entrevista Fábio Campos (editor de Escurecendo o Anarquismo)

Quem é Fábio Campos?

Eu sou um brasiliense que mora desde recém-nascido no Rio de Janeiro, anarquista, professor de Engenharia Mecânica, viciado em música, praticante de mergulho, jogador de basquete ocasional, aspirador a serígrafo e recém-descoberto editor literário.

Como e quando se deu o seu primeiro contato com o anarquismo?

Eu comecei a ter algum interesse por anarquismo na adolescência devido à relação com o punk, mas sem correr atrás para de fato entender o que significa ser anarquista ou nada do tipo. Comecei a de fato saber do que se tratava depois que o meu irmão mais velho, mais letrado e sabendo da minha inclinação ao anarquismo, me indicou o livro Desobediência Civil do Thoreau, dizendo que ele tinha influenciado algumas ideais anarquistas. Isso foi final de 2010, início de 2011. Depois que o li o livro, comecei a ir atrás de livros sobre anarquismo, mas na época, em livrarias comerciais, só se achava os livros de bolso da L&PM. Compartilhei essas descobertas com o meu amigo mais próximo, que também se interessou e a partir dali saímos buscando conhecimento sobre o tema. Depois de ler todos da L&PM, buscando na internet sobre livros de anarquismo, muitas referências levavam à Biblioteca Social Fábio Luz, à época em funcionamento no Centro de Cultura Social em Vila Isabel. No meio de 2011, esse meu amigo e eu fomos lá e começamos a nos aproximar das atividades e dos movimentos que circulavam por aquele espaço, como o Movimento dos Trabalhadores Desempregados pela Base (atual Movimento de Organização de Base) e a Federação Anarquista do Rio de Janeiro. A partir dali nós começamos a entender o que eram movimentos sociais, organizações políticas, militância, trabalho de base etc. Ali também tivemos acesso ao acervo da biblioteca, aos livros de editoras anarquistas (Imaginário, Faísca e Achiamé, em especial na época) que tinham pra vender e começamos a participar dos círculos de formação da FARJ.

Você tem preferência por alguma corrente do anarquismo?

Eu tenho preferência pela estratégia do anarquismo especifista que, no fundo, nada mais é do que a experiência latino-americana em seu contexto específico do plataformismo europeu. Apesar de, desde que comecei a compreender um pouco mais sobre as lutas sociais, ter críticas a muitos aspectos da teoria e prática das organizações especifistas brasileiras, considero ainda ser a corrente mais adequada em termos organizativos.

>> Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui:

https://ielibertarios.wordpress.com/2023/10/20/o-instituto-de-estudos-libertarios-entrevista-fabio-campos-editor-de-escurecendo-o-anarquismo/

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para onde
nos atrai
o azul?

Guimarães Rosa

Vozes da Linha de Frente Contra a Ocupação: Entrevista com Anarquistas Palestinos

A entrevista abaixo foi realizada pela Black Rose Anarchist Federation, organização anarquista estadunidense, com o grupo anarquista palestino Fauda, baseado na Cisjordânia. A publicação original pode ser acessada aqui (blackrosefed.org/interview-fauda-palestine).

por Black Rose / Rosa Negra — Comitê de Relações Internacionais (IRC)

Nesta nova e ainda mais terrível fase da ocupação da Palestina por Israel, com 75 anos de duração, é importante dar uma plataforma aos palestinos que lutam contra a limpeza étnica.

A Black Rose / Rosa Negra (BRRN) entrou em contato com a Fauda, um pequeno grupo sediado na Cisjordânia que se identifica como uma organização anarquista palestina, para obter sua perspectiva sobre a luta atual. A Fauda é um grupo novo para nós e sobre o qual não temos mais informações além da entrevista apresentada aqui e do que pode ser encontrado em seus canais públicos. Devido à nossa compreensão limitada da política, da estratégia e da atividade da Fauda, a publicação desta entrevista não pode ser um endosso completo a eles. Mas esperamos que esta entrevista seja um passo na criação de mais conexões entre os revolucionários nos EUA e a juventude militante na Palestina, e de mais conhecimento e compreensão mútua.

Independentemente de quaisquer semelhanças ou diferenças em nossa política, acreditamos que precisamos ouvir as perspectivas dos militantes no local que resistem à violência da limpeza étnica financiada pelos EUA. Esperamos que esta breve entrevista possa contribuir para fortalecer nosso próprio trabalho de minar o imperialismo e o colonialismo.

Com exceção das edições para maior nitidez na tradução, o conteúdo desta entrevista é apresentado sem alterações. Gostaríamos de agradecer aos nossos amigos palestinos e de língua árabe por sua ajuda na condução e tradução desta entrevista. Também gostaríamos de estender nossa gratidão ao representante da Fauda, que respondeu atenciosamente às nossas perguntas em um momento de extrema incerteza e violência.

1. BRRN: Pode nos falar sobre seu grupo, quais são suas atividades e o que diferencia a Fauda de outros grupos políticos palestinos, como DFLP [Democratic Front for the Liberation of Palestine], PFLP [Popular Front for the Liberation of Palestine], Hamas, Fatah etc.?

1. Nosso grupo é conhecido como “Fauda Movement in Palestine” [Movimento Fauda na Palestina] e é formado por jovens ativistas e acadêmicos de dentro e de fora da Palestina.

Nosso objetivo é reunir todas as forças com várias ideias e tendências políticas e intelectuais e concentrá-las na luta contra a ocupação injusta e o pensamento racista sionista na Palestina. É por isso que temos boas relações com alguns jovens da religião judaica, alguns convertidos, alguns muçulmanos, cristãos e outros.

A ideia é que muitos palestinos se opõem aos atos racistas e injustos da ocupação sionista, mas não encontram um único eixo em torno do qual possam se unir. É por isso que frequentemente vemos que, em vez de se concentrarem na luta contra o racismo e o regime de apartheid sionista, eles atacam uns aos outros.

Aqui estamos desempenhando o papel de mediação entre as várias partes para reunir todas as possibilidades e capacidades dos palestinos para combater o regime de apartheid.

Realizamos várias atividades, incluindo ensinar aos jovens palestinos como lutar, os métodos de luta e o pensamento anarquista (a Unidade Educacional). Coordenar várias vigílias e protestos, alguns pacíficos e outros na forma de black bloc (a Unidade Executiva). Publicar notícias e tudo relacionado à Palestina e ao povo palestino, e o que o exército israelense e os sistemas de segurança estão fazendo. A supressão das liberdades individuais e sociais, a demolição de casas palestinas, a morte de crianças, os massacres e o genocídio contra o povo palestino e assim por diante (Unidade de Notícias). E a disseminação de informações importantes sobre a história da Palestina, a história do conflito entre palestinos e israelenses e as diferenças intelectuais que a nova geração pode enfrentar em relação ao seu passado porque aqui estamos enfrentando uma feroz guerra midiática que distorce os fatos e os transforma em favor de Israel. Como sabem, Israel tem canais que transmitem 24 horas por dia em árabe para distorcer fatos históricos e divulgar sua falsa narrativa sobre o passado e o que está acontecendo atualmente no local (Unidade de Mídia).

Esta é uma breve visão geral do Movimento Fauda na Palestina.

2. BRRN: O que vocês querem que os companheiros nos EUA saibam sobre a situação na Palestina neste momento?

2. Com relação a essa pergunta, queremos dizer a todos os nossos irmãos em todo o mundo, não apenas nos Estados Unidos, que nunca confiem no que o império da mídia global lhes diz, pois sempre vimos como ele distorce as notícias e as transforma em favor do colonialismo global e da ocupação sionista.

Aqui na Palestina estamos sofrendo. Estamos sofrendo por sermos privados dos requisitos mínimos da vida. Queremos que saibam que não há um único dia — garanto-lhes, literalmente — em que o exército israelense não prenda um jovem palestino ou uma jovem palestina enquanto caminha pela rua.

As áreas palestinas na Cisjordânia sempre sofrem com cortes de eletricidade e água quase que diariamente. Há anos, o exército israelense vem tentando deslocar à força algumas áreas palestinas para se apoderar delas e construir novos assentamentos. No passado, o exército praticava todos os métodos repressivos e violentos para limpar essas áreas e deslocar os palestinos de suas terras, mas recentemente vemos que eles estão praticando uma política branda para os mesmos objetivos anteriores, ou seja, o deslocamento forçado. Essa política branda consiste em cortar a eletricidade e a água por um longo período, não coletar o lixo dessas áreas, de modo que o mau cheiro se espalhe por elas, lançar exercícios militares abrangentes perto dessas áreas para prejudicar a população palestina e outras ações desumanas realizadas pela ocupação sionista.Essa é uma parte muito pequena e simples do que está acontecendo durante todo o ano aqui na Palestina, especialmente na Cisjordânia.

Atualmente, em meio a essa guerra violenta, as forças de segurança israelenses prenderam um grande número de civis na Cisjordânia sem nenhuma acusação específica por medo da eclosão de confrontos na Cisjordânia. Imagine que você está sentado em casa com sua família e, de repente, soldados israelenses entram, apontam armas para você e sua família e o prendem sem que você tenha cometido nenhum crime. Essa é exatamente a situação aqui. Eu gostaria que fossem apenas prisões. Em muitos casos, as detenções levam a torturas graves nas prisões e até mesmo à morte como resultado dessas práticas sistemáticas.

Quero que saibam de outra coisa: a Autoridade Palestina e o presidente Mahmoud Abbas não representam a nós, o povo palestino, de forma alguma. Rejeitamos a Autoridade e rejeitamos Abbas e todos os seus ministros. Não sei se vocês já ouviram falar do acordo de coordenação de segurança entre a ocupação sionista e a Autoridade Palestina. Anos atrás, a Autoridade Palestina concluiu um acordo segundo o qual ela serviria à entidade ocupante em termos de segurança. Ou seja, todos os jovens ativistas palestinos que lutam contra a ocupação sionista de uma forma ou de outra e a ocupação não consegue prendê-los, a Autoridade Palestina os persegue, os prende e os entrega à ocupação, e então ninguém sabe o destino daquele jovem ou daquela jovem. Eles não nos representam, nem a nenhum outro palestino. Eles são totalmente rejeitados nas ruas palestinas, mas, infelizmente, são reconhecidos oficial e internacionalmente pelas Nações Unidas e apoiados pelos Estados Unidos da América.

3. BRRN: Como foi a última semana para você pessoalmente?

3. O problema não é uma questão de uma ou duas semanas, meu irmão. Vivemos em um estado de opressão e privação das liberdades individuais e sociais o ano todo. Sim, na semana passada houve muito mais tragédias e notícias dolorosas do que nos meses anteriores. Recebemos notícias da morte de muitos de nossos parentes e amigos em todos os territórios palestinos. Isso é muito doloroso. Temos muitos amigos na Cisjordânia e em Gaza. A população palestina em Gaza está vivendo agora em uma situação muito perigosa. Por mais de três ou quatro dias, eles [as forças de ocupação israelenses] cortaram a eletricidade e a água na Faixa de Gaza. Quando a eletricidade é cortada, muitos serviços sociais param, especialmente os hospitais. O bombardeio continua contra a população de Gaza 24 horas por dia. Mesmo no meio da noite, eles bombardeiam essa pequena área. Israel bloqueou completamente essa área. As pessoas não conseguem nem mesmo escapar deles. A ocupação impede que a ajuda humanitária chegue a Gaza. A ocupação proíbe alimentos, água, remédios e tudo o mais. Gaza se tornou uma pequena masmorra, bombardeada por todos os lados e em todos os lugares. Imagine que uma mãe veja seu bebê ferido e sangrando, mas não há nenhum hospital prestando serviços devido a uma queda de energia. Como você gostaria de descrever os sentimentos dessa mãe?

Meu irmão, não há palavras para descrever o que está acontecendo aqui. Esta área se tornou um inferno por causa da ocupação e da presença do sionismo nela.

4. BRRN: Quais movimentos na Palestina você acha que têm mais esperança para o futuro dos palestinos e por quê — por exemplo, o Lion’s Den de Nablus, ou diferentes lutas de trabalhadores?

4. Precisamos de movimentos de jovens que acreditem na possibilidade de libertação e que trabalhem para criar unidade com o restante dos movimentos e tendências na Palestina. A experiência provou que um movimento sozinho não pode realizar uma grande conquista que leve à libertação da Palestina. Precisamos lidar uns com os outros, sejam muçulmanos, judeus, cristãos, convertidos, anarquistas e outros ideais que existem na arena palestina. É isso que buscamos: reunir todos sob uma única bandeira e com um único objetivo, que é combater o sionismo, libertar a Palestina e restaurar nossa liberdade. É evidente que há muitos movimentos na arena palestina, inclusive o Lion’s Den. Mas o Lion’s Den não é o único movimento. Há muitas outras tendências e movimentos, inclusive as lutas trabalhistas, que se esforçam com toda a energia, mas, devido às rigorosas condições de segurança e às políticas repressivas sistemáticas praticadas pela ocupação e também pela traidora Autoridade Palestina, eles não são vistos de forma visível e significativa em público. Porque sempre precisamos ser cuidadosos e cautelosos. Por esse motivo, não pude realizar uma entrevista em áudio ou vídeo com você.

5. BRRN: Em 2021, os palestinos da Cisjordânia, de Gaza e até mesmo os cidadãos de Israel participaram de uma greve geral em reação aos despejos de famílias palestinas em Sheikh Jarrah. Que papel você vê para as paralisações de trabalho e greves gerais nesse período?

5. Acho que já passamos da fase das greves gerais em Israel. É óbvio que não quero negar a importância das greves e sua eficácia, mas a situação aqui na Palestina e a experiência provaram que a única solução é a luta e até mesmo a luta armada contra o regime do apartheid.

A ocupação não hesita em cometer qualquer tipo de crime, injustiça ou perseguição.

Mesmo que você tenha uma profissão ou uma loja e entre em greve, o resultado será que eles roubarão sua loja e a darão a outro sionista, ou o demitirão do emprego e, assim, outro sionista assumirá o trabalho. Fácil!

As condições aqui são completamente diferentes do que está acontecendo com você nos Estados Unidos, meu irmão.

6. BRRN: Você acredita que há alguma esperança de que um grande número de israelenses da classe trabalhadora abandone o sionismo — como fizeram pequenos números de anarquistas e socialistas — ou você acha que o apego ao colonialismo é muito forte para ser superado?

6. Os sionistas que estão aqui nos territórios palestinos vieram para cá com base no princípio ideológico de que esta terra é a terra deles e que o povo judeu é o povo escolhido. É óbvio que todos que acreditam nesse princípio e adotam essa ideologia não podem abandonar facilmente o sionismo, nem reconhecer a liberdade dos outros e o princípio da igualdade entre os seres humanos.

Mas fazemos uma distinção entre o sionismo e o judaísmo. Temos amigos judeus que falam hebraico e acreditam na Torá, mas não acreditam no sionismo, e até nos ajudam em nossas atividades contra a entidade ocupante. Portanto, sim, esperamos que o número dessas pessoas aumente e que muitas delas, especialmente na classe trabalhadora, abandonem esse princípio ideológico racista que não tem nenhuma conexão com o judaísmo. Nós lhes damos as boas-vindas e os recebemos de braços abertos, e podemos trabalhar com eles e viver juntos em paz.

7. BRRN: Em sua opinião, quais são os atos de solidariedade mais eficazes para a libertação da Palestina que os companheiros nos EUA podem realizar?

7. Acho que a coisa mais importante que vocês podem fazer é apoiar os palestinos na mídia. Vocês podem explicar às pessoas nos Estados Unidos a questão palestina como ela é, e não de acordo com a falsa narrativa israelense. Você pode publicar notícias e eventos que ocorrem na Palestina. Há muitos vídeos e fotos dos crimes diários da entidade ocupante em sites palestinos. Também publicamos essas notícias em nossa página do Instagram (@fauda_palestine) e em nosso canal do Telegram (@fauda_ps). Você pode traduzir essas notícias e transmitir os fatos aos nossos irmãos nos Estados Unidos. Não faça da mídia oficial e dos canais estadunidenses e israelenses suas únicas fontes para receber notícias e acompanhar os acontecimentos. Acompanhe também a mídia palestina. A mídia palestina enfrenta um apagão de mídia muito severo. Tente romper esse apagão e conhecer alguns dos fatos atuais na arena palestina.

Traduzido por Escurecendo o Anarquismo.

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agência de notícias anarquistas-ana

Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa

Live Comemorativa | 45 anos do jornal O Inimigo do Rei

Bate-papo com membros fundadores e participantes do jornal | Sábado, 21 de outubro | 15h00

Neste mês de outubro, em 1977, seria impresso o primeiro número do periódico “O Inimigo do Rei”, na Bahia, na cidade de Salvador. Ele foi um dos principais organismos libertários e anarquistas no período da Ditadura Militar. Para diversos especialistas, o periódico se sobressaiu por adiantar muitos dos temas da contracultura e do ressurgimento do anarquismo no país, pois além de certa inserção no movimento estudantil da Bahia, foi distribuído em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Abordava diversos temas como a defesa de um movimento estudantil combativo, o apoio à radicalização dos sindicatos, a tentativa de reconstrução do anarcossindicalismo, a luta contra a homofobia e denúncias de governos de direita e esquerda homofóbicos, descriminalização do aborto, antirracismo, anti-imperialismo e outros.

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A velha ponte –
No pó ajuntado entre as tábuas,
Brota o capim.

Paulo Franchetti

Cidade devastada por bombas busca inspiração na memória do anarquista ucraniano

Em Huliaipole, perto da linha de frente da contraofensiva, uma estátua do lutador pela liberdade Nestor Makhno é um emblema de desafio duramente conquistado

Por Colin Freeman | 04/10/2023

Em um concurso com uma concorrência acirrada, a cidade de Huliaipole tem a justa pretensão de ser uma das mais devastadas pela guerra na Ucrânia. Situada na linha de frente da atual contraofensiva, ela vem sendo disputada desde a primeira semana da invasão, quando as tropas russas tomaram seus arredores e depois foram empurradas para trás.

Atualmente, resta apenas um décimo de sua população de 12.000 habitantes, e a maioria de seus edifícios está em ruínas devido aos constantes bombardeios. No entanto, para os residentes que continuam resistindo, um marco inspirador ainda permanece em meio aos destroços.

Na praça principal de Huliaipole, devastada por bombas, há uma estátua de Nestor Makhno, um anarquista, revolucionário e lutador pela liberdade, que se tornou um símbolo da luta pela independência da Ucrânia.

Nascido em uma família de camponeses locais, Makhno travou uma guerra aqui na virada do século passado, quando a Ucrânia foi mais uma vez cobiçada por potências estrangeiras. Como líder do Exército Revolucionário Insurgente da Ucrânia, ele enfrentou todos os adversários – os alemães, os czaristas e, por fim, os bolcheviques de Moscou.

“Desde o início da guerra, não temos eletricidade ou água, e temos sido bombardeados quase todos os dias, mas o espírito de Makhno nos incentiva a continuar”, disse Sergei Derevyanko, 39 anos, um mecânico local que ajuda a administrar o centro de ajuda voluntária de Huliaipole. “Muitas pessoas nesta cidade o veem como um herói – lembro-me de minha avó me contando tudo sobre ele.”

Memórias do “movimento Makhno”

Desde o início da guerra, os defensores de Huliaipole empilharam sacos de areia ao redor da estátua de Makhno e o vestiram com uma camisa tradicional ucraniana. Em reconhecimento ao sangue derramado pela cidade, um torniquete preto foi enrolado em seu braço esquerdo.

Uma bandeira ucraniana com sua imagem também está pendurada no centro de ajuda do Sr. Derevyanko em um bunker subterrâneo, onde voluntários distribuem mantimentos e bebidas quentes gratuitamente.

Esse é o tipo de espírito comunitário que Makhno provavelmente aprovaria. Como parte de sua visão anarquista, ele criou o “movimento Makhno”, um sistema de cooperativas igualitárias e autônomas que se espalhou pela região de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia.

Como uma figura no estilo Robin Hood, sua cruzada pela justiça social contra o latifúndio feudal fez com que ele se aliasse brevemente aos bolcheviques. Mas sua visão mais libertária logo entrou em conflito com a construção do império pelos bolcheviques e, mais tarde, a propaganda soviética o retratou como um corruptor bêbado dos ideais revolucionários. “Durante o período soviético, não havia nada sobre ele aqui”, disse Olha Vasilchenkov, 53 anos, outra voluntária.

Foi somente após a queda do comunismo que sua estátua foi erguida em Huliaipole, que também começou a realizar um festival anual em sua homenagem que atraía anarquistas de todo o mundo. Esse festival também foi cancelado há vários anos devido a problemas com o consumo de drogas, disse o Sr. Derevyanko.

A guerra, no entanto, incentivou os habitantes locais a abraçar novamente seu espírito, com unidades de defesa voluntárias que se autodenominam “Arco de Makhno” em sua homenagem. Assim como as tropas ucranianas criaram tanques improvisados a partir de caminhonetes montadas com lançadores de foguetes, Makhno também foi um pioneiro das armas de bricolagem. Do lado de fora do museu de Huliaipole, há um modelo de “tachanka” – uma carroça puxada por cavalos montada com uma metralhadora pesada, cuja invenção é atribuída a ele.

Makhno, que morreu no exílio em Paris após a derrota para os bolcheviques, não deixou um legado imaculado, de acordo com a escritora ucraniana Tetynana Ogarkova. Por um lado, ele personifica um espírito de amor à liberdade que os ucranianos afirmam que os distingue dos russos de mentalidade autoritária. Por outro lado, seu desdém por todo governo centralizado simboliza as lutas modernas do país contra a “volnitsa” ou desordem.

Sua reformulação como uma figura de proa do nacionalismo ucraniano causou preocupação entre seus seguidores internacionais, que dizem que, como um verdadeiro anarquista, Makhno não defendia nenhuma fronteira.

Entretanto, com as bombas russas ainda caindo sobre Huliaipole todos os dias, essa é uma discussão principalmente para os puristas no exterior.

“À sua maneira, todos podem fazer parte do Exército Makhno, até mesmo alguém como eu, que é voluntário e não soldado”, disse o Sr. Derevyanko. “E quando a guerra acabar, vamos retomar o festival Makhno”.

Fonte: https://www.telegraph.co.uk/world-news/2023/10/04/huliaipole-nestor-makhno-ukrainian-anarchist-russia-war/

Tradução > Contrafatual

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piar de lugre
nos soutos crepusculares
insondável mansidão

Rogério Martins

[Itália] Convênio da FAI: moção antimilitarista

Com a propaganda agressiva, as missões de guerra e o apoio à indústria bélica, é necessário fortalecer o compromisso antimilitarista já ativo em vários níveis.

Na Ucrânia, no Chifre da África [Nordeste Africano], no Sahel e em todos os cantos do mundo, a guerra é uma realidade vivida por mais de dois bilhões de pessoas. As potências mundiais, os Estados, o capital e os senhores da guerra enviam milhares de proletários para a matança todos os dias, dividem as classes exploradas e estabelecem novas posições de poder na disputa imperialista. Não se deve acreditar na ilusão de novos equilíbrios mundiais, a corrida em direção à guerra só leva ao abismo de novas formas de dominação e opressão. É por isso que é urgente dar continuidade ao compromisso antimilitarista e internacionalista de apoiar os desertores e sabotadores de todas as guerras, de intervir onde a máquina de guerra assenta suas bases. Contra as bases militares e os campos de tiro, contra a indústria bélica e o mercado de armas, contra a propaganda belicista, contra a militarização das fronteiras e os novos campos. Sobre esse último tópico, denunciamos o envolvimento do Ministério da Defesa no gerenciamento de CPRs [Centro de Reclusão ao Imigrante] e instalações de detenção para solicitantes de asilo.

Há várias iniciativas contra a guerra planejadas para os próximos meses em nível local e nacional. Convidamos as realidades federadas a apoiar todas as iniciativas nas quais as posições antimilitaristas possam ter voz consistente.

Nessa perspectiva, apoiamos a greve geral convocada pelo sindicalismo de base para 20 de outubro contra a guerra e a economia de guerra. A Federação Anarquista Italiana adere às manifestações a serem realizadas em 21 de outubro contra a guerra e as bases militares, particularmente aquelas em Pisa e Palermo, em apoio à participação antimilitarista e anarquista nesses eventos. O dia 4 de novembro, que está assumindo uma importância cada vez maior com o fortalecimento das campanhas antimilitaristas, será marcado pela organização de inúmeras iniciativas em nível local. Os eventos que serão realizados em Monfalcone, Turim e Livorno já estão sendo anunciados, e os órgãos federados são convidados a promover iniciativas por ocasião do dia 4 de novembro.

A Federação Anarquista Italiana adere à manifestação de 18 de novembro em Turim, organizada pela Assembleia Antimilitarista, contra a nona edição da exposição/mercado de armas “Aerospace and defence meetings”, contra a “cidadela do aeroespacial”, o novo polo da indústria de armas, e contra o desembarque da OTAN na cidade de Turim com o projeto DIANA de acelerador de inovação.

Também é importante contribuir e participar da manifestação em Turim, no âmbito dos “Dias Globais de Luta contra as Guerras e o Militarismo, de 17 a 25 de novembro”, que terá iniciativas de luta em vários países, e que foram lançadas no Encontro Internacional Anarquista em Saint Imier, em julho passado.

Convênio da Federação Anarquista Italiana – FAI

07/10/2023

Fonte: https://umanitanova.org/convegno-fai-mozione-antimilitarista/

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as pálpebras da noite
fecham-se
sem ruído

Rogério Martins

[Argentina] Alerta, falsos libertários!

Alertamos a população, para aqueles que quiserem ouvir

Tendo em vista o crescimento de um determinado setor político em todo o mundo, que poderia se tornar o próximo governo na Argentina, e que se autodenomina “libertário”, alertamos o seguinte:

  • Os autodenominados “libertários” mentem para ganhar seguidores. Eles acusam o “populismo”, mas usam ferramentas populistas, demagógicas e falsas para convencer a maioria.
  • Sua primeira mentira, na qual baseiam sua grande estratégia de marketing, é se autodenominarem “libertários”. Eles usam o valor que todos nós damos à liberdade para se definirem como seus grandes defensores.
  • Quando analisamos seus argumentos, vemos que eles atacam apenas o que chamam de ações socializantes do Estado, mas nada dizem sobre o poder concentrado nas grandes empresas industriais, nos bancos nacionais e internacionais, no complexo industrial militar, nas empresas de vendas internacionais, nos grandes proprietários de terras, na cúria eclesiástica, etc., etc., etc. Sua luta pela liberdade é uma grande mentira que esconde a defesa de interesses poderosos, contrários à liberdade de todos.
  • Ter conseguido fazer com que muitas pessoas aceitassem sua autodefinição como “libertários” foi sua primeira batalha ganha. Agora não se trata mais de lutar pelos direitos autorais de uma palavra, mas de entender que houve uma ação planejada para falsificar a fim de poder enganar mais facilmente.
  • Em 1971, o Partido Libertário foi criado nos EUA com base nessas falsificações e, em 1973, o economista americano Murray Rorthbard (nome de apreço de Milei para um de seus animais de estimação) publicou o livro Hacia una nueva libertad. El manifiesto libertario. Rorthbard conta a estratégia claramente:

“Um aspecto gratificante de nossa ascensão a alguma proeminência é que, pela primeira vez em minha memória, nós, nosso lado, capturamos a palavra crucial do inimigo (…) a palavra libertário por muito tempo foi simplesmente uma palavra educada para designar anarquistas de esquerda, ou seja, anarquistas que se opõem à propriedade privada, da variante comunista ou sindicalista, mas agora nos apropriamos dela…”

  • Esses falsificadores associam “liberdade de mercado” com liberdade, vendem a ideia do “mercado” como se fosse um novo Deus que nos libertará da injustiça e da opressão. Eles usam propaganda fácil para enganar.
  • Esses falsos libertários buscam capitalizar o espetáculo da democracia delegativa, ao mesmo tempo em que geram a ilusão de que são alheios ao aparato político tradicional e suas lógicas. Eles se apresentam como algo diferente de políticos e se aproveitam da crise de representação para tentar nos governar.

Alertamos para que não se deixem enganar. A liberdade de concorrência sem igualdade social não é liberdade, apenas multiplica a injustiça, a exploração e a opressão.

Não diga “libertário” para os falsificadores e oportunistas!

Federação Libertária da Argentina

17/10/2023

www.federacionlibertariaargentina.org

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agência de notícias anarquistas-ana

Por entre a neblina
Subindo a Serra Vernal
Bisbilhota a Lua.

Mary Leiko Fukai Terada

[Espanha] 1ª Jornada Anarquista de Alicante

Desde a assembleia da Feira do Livro Anarquista de Alicante, organizamos estas jornadas para promover a crítica e a ação anarquista. Acreditamos que é necessário autogerir as nossas vidas sem intermediários, criando estruturas de contrapoder que destruam o mundo hegemónico das mercadorias e do capital. A nossa luta é pela liberdade individual e coletiva, onde a vida comunitária esteja ao serviço das pessoas, num planeta sustentável que respeite as diferentes formas de vida que o habitam.

O Estado não é um estado natural, é a opressão da desigualdade do capital e do militarismo. O estado natural é a convivência fraterna dos povos que acaba com as classes sociais e, portanto, com a alienação e a psicose. Precisamos trabalhar juntos na mudança social, quebrar as estruturas de dominação, viver em harmonia com a natureza e com nós mesmos. A autogestão e o apoio mútuo são mais necessários do que nunca. A nossa intenção com esta jornada anarquista é compartilhar este pensamento, criando um debate que incorpore a revolução e a justiça social.

Como disse Buenaventura Durruti carregamos um novo mundo em nossos corações“.

Acontecerá no SÁBADO, 21 DE OUTUBRO, das 10h00 às 22h00, no Ateneo Popular del Pla-Carolines (C/ Antonio Maura, 5), em Alicante.

>> Mais infos: mostrallibreanarquistaalacant.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

De repente, latidos,
entre as plantas do jardim,
um gatinho aflito.

Fagner Roberto Sitta da Silva

[Reino Unido] Nem Israel nem o Hamas!

11/10/2023

Condenamos e abominamos totalmente o bombardeio indiscriminado da Faixa de Gaza, assim como condenamos totalmente as atrocidades cometidas recentemente pelo Hamas contra civis, não apenas judeus, mas cristãos, beduínos e outros de todo o mundo.

Como dissemos em 2021, quando houve outro ataque assassino em Gaza, “como sempre, a população da classe trabalhadora de Gaza é a que mais sofre sob os explosivos de fósforo e a ‘morte vinda de cima’ dos foguetes e caças israelenses, que encontram pouca resistência de um governo palestino que, embora esteja armado até os dentes com armas de pequeno porte, não tem força aérea ou defesa aérea. O Hamas continua a lançar mísseis de superfície a superfície, em uma espécie de raiva impotente e uma tentativa desesperada de se manter como defensor do povo palestino. O Hamas não pode se permitir uma derrota diante de sua própria população. Os proletários de ambos os lados do conflito são os que mais sofrem com a escalada, enquanto as respectivas lideranças podem desviar a atenção de seus próprios problemas.” Pouco mudou nos últimos ataques a Gaza.

O Hamas foi originalmente apoiado pelo Estado israelense para enfraquecer a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), mais secular. Suas origens estão no Mujama al-Islamiya, fundado pelo clérigo palestino Sheikh Ahmed Yasin, visto como uma organização envolvida em trabalhos de caridade e bem-estar para a comunidade palestina de Gaza. O Estado israelense a considerava preferível à OLP, assim como seu sucessor, o Hamas. O Hamas sempre foi de direita, islâmico e nacionalista, com atitudes hostis em relação às mulheres, às pessoas LGBQT e à classe trabalhadora palestina.

No entanto, isso mudou quando o Hamas matou dois militares israelenses em Gaza em 1988. Em uma situação semelhante à dos Mujahideen no Afeganistão, apoiados pelos EUA e seus aliados, contra a Rússia e o regime afegão que ela apoiava, em que o Talibã evoluiu e se tornou um perigo maior para o imperialismo dos EUA, o regime israelense começou a se arrepender de seu apoio inicial.

O Hamas aproveitou o processo de paz entre Yasser Arafat e a OLP e o Estado israelense, apesar das centenas de palestinos mortos na primeira revolta em massa da Intifada. Assim, o Hamas ganhou apoio popular em Gaza.

Várias autoridades israelenses expressaram publicamente seu arrependimento em relação ao apoio ao Hamas. Avner Cohen, que havia sido oficial em Gaza durante a ocupação israelense direta, admitiu que “o Hamas, para meu grande pesar, é uma criação de Israel”. Ele prosseguiu dizendo que “em vez de tentar conter os islamitas de Gaza desde o início, Israel os tolerou durante anos e, em alguns casos, os incentivou como contrapeso aos nacionalistas seculares da Organização para a Libertação da Palestina e sua facção dominante, o Fatah de Yasser Arafat. Israel cooperou com um clérigo aleijado e meio cego chamado Sheikh Ahmed Yassin, mesmo quando ele estava lançando as bases do que se tornaria o Hamas.”

Outro funcionário israelense em Gaza, Andrew Higgins, disse: “Quando olho para trás e vejo a cadeia de eventos, acho que cometemos um erro, mas na época ninguém pensou nos possíveis resultados… Israel também endossou o estabelecimento da Universidade Islâmica de Gaza, que agora considera um foco de militância… O Mujama de Yassin se tornaria o Hamas, que, pode-se argumentar, era o Talibã de Israel: um grupo islâmico cujos antecedentes foram estabelecidos pelo Ocidente em uma batalha contra um inimigo de esquerda.”

O general de brigada Yitzhak Segev, que foi governador militar israelense em Gaza na década de 1980, admitiu que ajudou a financiar o Hamas como um “contrapeso aos secularistas e esquerdistas da Organização para a Libertação da Palestina e do partido Fatah, liderado por Yasser Arafat (que se referiu ao Hamas como ‘uma criatura de Israel’)”.

O Hamas obteve o controle de Gaza da OLP. Ele impôs as leis da sharia, obrigando as mulheres a usarem o hijab e impondo a proibição do consumo de álcool, embora ambas tenham sido difíceis de aplicar. Surgiram confrontos armados entre o Hamas e a OLP. Isso convinha ao Estado israelense, que achava que a luta entre o Hamas islâmico e a OLP secular os desviaria do ataque a Israel.

Nada de soluções estatistas!

Porque a solução para o conflito, em última análise, só pode ser uma sociedade comum, sem classes e sem Estado, na qual pessoas de diferentes origens religiosas (e não religiosas) e étnicas possam coexistir pacificamente. E a maneira de alcançar isso só pode ser por meio da luta de classes, com a união dos trabalhadores de ambos os lados para melhorar sua situação e, assim, superar ressentimentos de longa data. A tarefa do movimento comunista libertário é pressionar exatamente por isso.

Em ambos os lados do conflito, há atores que veem as coisas de forma fundamentalmente diferente, que querem ver um dos lados erradicado da área ou afastado pela política de assentamentos e estão preparados para sacrificar as vidas de não combatentes na luta por seus próprios interesses. Rejeitamos ambos, pois isso é feito às custas dos proletários e só serve para aprofundar as divisões dentro da classe. A resistência é necessária tanto contra o Estado israelense quanto contra a liderança palestina.

A resistência contra a política israelense de assentamentos é necessária e justificada, mas muitas vezes ela pode ser acompanhada de ressentimento antissemita e ataques à população não combatente. Devemos rejeitar isso. Da mesma forma, em outros países, a simpatia pela situação difícil dos palestinos comuns e a oposição aos ataques do Estado israelense contra eles podem, às vezes, atrair companheiros de viagem antissemitas ou slogans como “Somos todos do Hamas”. Esses elementos devem ser evitados.

Rejeitamos a solução de dois Estados, apoiada até mesmo por alguns socialistas, em que haveria um Estado israelense e um Estado palestino coexistindo. Isso significaria alguns poucos enclaves palestinos precários, com os palestinos que ainda vivem em Israel vivendo como cidadãos de segunda classe, na melhor das hipóteses, e os que vivem na Jordânia, no Líbano e em outros países do Oriente Médio totalmente abandonados.

Também não apoiamos a solução de um Estado único, que ameaçaria os judeus em um Estado palestino unido.

Para nós, todos os Estados nacionais devem ser rejeitados.  Como escreveram nossos companheiros do Melbourne Anarchist Communist Group: “A libertação do povo palestino, sem simplesmente reverter os termos da opressão, só pode acontecer por meio de uma revolução dos trabalhadores para abolir completamente o capitalismo, para tornar a terra e todos os recursos sociais propriedade comum de todos, abolindo a desigualdade e todas as formas de opressão. Dada a situação atual em Israel/Palestina, isso não está na agenda imediata, mas isso não nega a necessidade da solução. Em circunstâncias práticas, a iniciativa terá de vir de fora, por meio da revolução dos trabalhadores nos países árabes vizinhos, principalmente no Egito, que já tem uma grande classe trabalhadora. É essencial, no entanto, que essas revoluções operárias transcendam o nacionalismo dos países em que ocorrem, pois somente o internacionalismo permitirá que os trabalhadores derrotem seus próprios governantes capitalistas; somente o internacionalismo permitirá que os trabalhadores árabes estendam a mão em amizade aos trabalhadores de Israel; e somente o internacionalismo poderá libertar a classe trabalhadora israelense de seus governantes sionistas. Portanto, a tarefa dos trabalhadores da Palestina e de Israel não é diferente da tarefa daqui. Ela só precisa ser conduzida em circunstâncias mais difíceis. Devemos construir um movimento da classe trabalhadora, com base na liberdade, igualdade e solidariedade, e lutar por uma revolução que reformulará a sociedade com base nos mesmos princípios. Devemos abolir o capitalismo e seu Estado, e devemos reconhecer a insensatez de construir outro Estado em seu rastro. Devemos construir o comunismo libertário”.

Israel parece estar pronto para lançar uma invasão em grande escala em Gaza nas próximas semanas e meses com a intenção de destruir completamente o Hamas e levar a maioria dos palestinos para o Egito. Se o Hezbollah, no Líbano, intervir, Israel também atacará lá e, então, tanto o Irã quanto os EUA poderão ser arrastados para um conflito. Juntamente com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o conflito entre a Armênia e o Azerbaijão sobre Nagorno-Karabakh e as crescentes tensões entre a China, Taiwan e os EUA no Pacífico, esse conflito mais recente entre Israel e Palestina alimenta a ameaça de acelerar uma guerra mundial.

Os EUA e seus aliados, inclusive no Reino Unido, com o regime Tory cada vez mais autoritário e o Partido Trabalhista, estão apoiando abertamente Israel. Biden deu carta branca a Israel para seu cerco e ataques a Gaza. Os EUA enviaram navios de guerra, incluindo um porta-aviões, para a região em uma demonstração de força para apoiar Israel e ameaçar o Hezbollah. Netanyahu, líder de um governo de coalizão que inclui partidos de extrema direita em Israel, ameaça transformar Gaza em “uma ilha deserta”.

Os ataques brutais do Hamas, que resultaram em muitas centenas de mortos, criaram um sentimento de unidade nacional e sustentaram temporariamente a fraca posição do governo de Netanyahu. Esse governo enfrentou nove meses de agitação, inclusive uma greve geral, por causa de reformas judiciais impopulares. Da mesma forma, o Hamas contava apenas com o apoio de uma minoria na Faixa de Gaza, mas os eventos recentes também podem aumentar temporariamente esse apoio.

Vemos centenas de pessoas sendo massacradas tanto em Israel quanto na Palestina. Essas cenas horrendas que vemos na mídia podem ser apenas uma abertura terrível para um derramamento de sangue e destruição ainda piores.

Contra a barbárie do capitalismo e a marcha para a guerra mundial, pedimos a unidade da classe trabalhadora, o internacionalismo e a preparação para movimentos de massa que possam implementar a revolução social e criar o comunismo libertário.

NENHUMA GUERRA A NÃO SER A GUERRA DE CLASSES!

Fonte: https://www.anarchistcommunism.org/2023/10/11/neither-israel-nor-hamas/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

silêncio
o passeio das nuvens
e mais nenhum pio

Alonso Alvarez

[EUA] Israel, Palestina e as contradições do nacionalismo

O editorial da Three Way Fight analisa as contradições dos vários nacionalismos que estão ocorrendo na guerra entre Israel e o Hamas.

Da Three-Way Fight: A seguinte postagem de convidado tem o objetivo de oferecer um contexto útil para a compreensão e discussão da atual guerra entre Israel e o Hamas – e a guerra mais ampla entre Israel e o povo de Gaza. Acreditamos que nossa principal responsabilidade nessa situação é nos opormos ao deslocamento forçado e à matança em massa do povo palestino. Ao mesmo tempo, também temos a responsabilidade de tentar fazer uma avaliação honesta do conflito em geral. Rejeitamos os esforços (tanto de apoiadores quanto de oponentes) para equiparar o povo palestino ao Hamas; também rejeitamos as alegações de que qualquer crítica à ideologia ou às táticas do Hamas ajuda os opressores e assassinos dos palestinos, ou que qualquer ataque a Israel (ou ao imperialismo dos EUA) é um golpe para a política libertária.

Vários amigos já me perguntaram qual é a minha opinião sobre a guerra na Palestina/Israel. É “apoio crítico à libertação palestina”, mas esse é um termo que requer muita explicação e nuance, porque levo a sério o “crítico” em “apoio crítico”.

Israel é um projeto colonial de colonização que se baseou nas antigas reivindicações históricas e religiosas do povo judeu sobre a Palestina e na presença de uma comunidade judaica palestina no local para estabelecer um grande número de outros judeus de todo o mundo no local e expulsar os árabes palestinos que viviam lá em uma limpeza étnica conhecida como Nakba. Desde a Nakba, Israel tem mantido um estado repressivo e violento sobre e contra os palestinos, que estão em situação desesperadora como uma diáspora de refugiados ou vivendo sob ocupação desde a fundação de Israel. Israel aspira a ser uma democracia liberal, mas também um etnoestado judeu. A lógica violenta de sua existência, sua necessidade de reprimir o povo nativo da terra que tomou e a necessidade de manter o país demograficamente judeu à força ajudaram a garantir seu deslizamento para um maior autoritarismo, e o governo de Bibi é o mais violentamente autoritário e fundamentalista até hoje. O governo israelense mantém mais de mil palestinos em detenção administrativa sem acusações ou julgamento. Ele priva a população de Gaza de suprimentos básicos humanitários e de construção. Está corroendo lentamente o território palestino remanescente na Cisjordânia, onde mantém um estado policial para proteger os colonos. Pratica punição coletiva contra os palestinos em retaliação a atos de resistência.

Israel, em sua existência e em suas ações, representa um desafio para o pensamento da esquerda sobre o nacionalismo. Um dos clichês que muitos ativistas usam para acabar com o pensamento é alguma variação de “O nacionalismo é opressivo, mas o nacionalismo dos oprimidos é libertador”. Essa é uma formulação excessivamente simplista que se desfaz rapidamente. O sionismo foi o movimento nacionalista entre os judeus, que inegavelmente foram um povo oprimido, e foi uma resposta direta à sua opressão. No entanto, ao tentar estabelecer um Estado em terras já ocupadas por outros, ele se tornou imediatamente uma força opressora – de uma forma mais dramática do que muitos Estados nacionais, que, em sua formação, muitas vezes deslocam ou assimilam à força aqueles que não pertencem à nação. Além de tentar estabelecer um Estado-nação em terras já ocupadas, o sionismo também se deparou com o outro problema que os movimentos nacionais enfrentam: Eles são frentes extremamente amplas que contêm diferentes classes e estruturas de poder dentro da nação e os diferentes interesses e tendências políticas inevitáveis em uma coalizão tão ampla. Assim, o sionismo continha tanto o sionismo trabalhista socialista quanto concepções mais liberais do sionismo e concepções etnonacionalistas e fundamentalistas religiosas do sionismo. Essas últimas se tornaram dominantes na política israelense, mas até mesmo o sionismo trabalhista é a ala esquerda de um projeto colonial.

Os movimentos de libertação nacional (ou, no caso de Israel, de fundação nacional) quase sempre têm essas tendências separadas. O movimento republicano irlandês viu sindicalistas, anarquistas e marxistas do Exército de Cidadãos Irlandeses lutando ao lado de nacionalistas gaélicos conservadores religiosos, futuros camisas-azuis fascistas e guerrilheiros que dependiam da manutenção de boas relações com ricos proprietários de terras para fins estratégicos na guerra, e essas tensões contribuíram para a Guerra Civil Irlandesa e para muitos conflitos políticos dentro do movimento republicano desde então. O nacionalismo negro americano tem tendências socialistas, internacionalistas e pan-africanistas, além de tendências extremamente conservadoras em termos de gênero, que aderem à ideologia reacionária da raça biológica e enfatizam o capitalismo negro. O nacionalismo indiano teve adeptos como o revolucionário Bhagat Singh e outros revolucionários anticoloniais, mas também todo o movimento de extrema direita Hindutva. Não é tão simples o fato de o nacionalismo dos oprimidos ser libertário. As pessoas oprimidas, ao lutarem contra a opressão de sua nação, historicamente se veem formando frentes amplas nas quais algumas forças têm uma visão muito libertária do futuro e outras uma visão profundamente conservadora. De modo geral, as nações pós-coloniais tendem a se inclinar para a direita e a ser dominadas pelas estruturas de poder locais e pela pressão do neocolonialismo, não muito tempo depois que o período revolucionário começa a se dissipar.

Tudo isso nos leva à situação atual do movimento de libertação palestino. Durante a Guerra Fria, quando a adesão ao marxismo poderia fazer com que um movimento de descolonização recebesse o apoio da URSS (a menos que estivessem tentando se descolonizar dos burocratas capitalistas do Estado em Moscou), a maioria dos movimentos de libertação nacional se descrevia como socialistas revolucionários, com graus variados de sinceridade. Atualmente, os partidos de esquerda do movimento de libertação palestino compõem os partidos da Organização para a Libertação da Palestina, que tem poder principalmente na Cisjordânia e não em Gaza. A esquerda da luta palestina tem se mostrado mais aberta a negociar com seu colonizador e a tentar chegar a uma solução de dois Estados, já que décadas de insurgência e revoltas não trouxeram a libertação. Essa postura mais conciliatória fez com que perdessem algum apoio entre os que enfrentam a violência israelense diária. Essa não é uma dinâmica incomum em lutas coloniais; aconteceu na Irlanda do Norte no início dos Troubles, quando a cautela do IRA em responder ao terror estatal e lealista levou à divisão do IRA Provisório, que inicialmente era menor, mas cresceu à medida que ganhou apoio para sua resistência ativa.

Na verdade, vale a pena perguntar se o apogeu do nacionalismo de esquerda como força dominante nos movimentos anticoloniais ficou para trás, agora que a rede mais ampla dessas lutas está diminuindo e não tem mais o apoio geopolítico da URSS da época da Guerra Fria, nem o incentivo para se orientar para ela. A República Popular da China não tem sido um substituto que promova as lutas anticoloniais de esquerda, e os nacionalistas de esquerda nas nações colonizadas não têm realmente nenhuma grande potência que lhes ofereça apoio. Os nacionalismos de direita e o internacionalismo do fundamentalismo religioso se tornaram mais comuns em tais movimentos. Atualmente, os movimentos anticoloniais ainda gravitam em torno da escolha do apoio de um império ou de outro contra o império do qual estão tentando se libertar. Observe, por exemplo, a disposição ucraniana ou curda de receber ajuda militar dos EUA, ou o entusiasmo de uma boa base de pessoas nos países do Sahel para mudar de um relacionamento de cliente com a França para um mais alinhado com a Rússia. Infelizmente, a Palestina não tem o apoio de nenhuma grande potência, apenas o poder regional do Irã. Enquanto os imperialistas ocidentais apoiam Israel e o fazem há décadas, as grandes potências orientais, como a Rússia e a China, agora veem mais vantagens em cortejar Israel (que tem muito a oferecer aos parceiros internacionais, especialmente em termos de tecnologia de armas) do que em apoiar a Palestina, embora sejam menos hostis à Palestina do que as potências ocidentais.

O Hamas é uma força fundamentalista religiosa que ganhou apoio (e reprimiu seus rivais políticos) ao manter a resistência armada contra Israel. Para os palestinos que enfrentam a colonização contínua, a violência do Estado, o encarceramento, a discriminação, o bloqueio econômico, etc., etc., isso lhes confere uma boa dose de respeito. Em geral, é assim que as forças de extrema direita conseguem obter apoio em massa, colocando-se à frente de uma luta para defender a nação de uma força colonizadora ou opressora. É a jogada que a extrema-direita ucraniana fez durante a Maidan e depois dela, buscando ser visivelmente a vanguarda militante da luta contra a dominação russa, na esperança de obter maior apoio e legitimidade entre o povo. O Hamas jogou bem essa jogada e consolidou uma base de poder (na medida em que um exército rebelde dos colonizados pode ter poder) na prisão a céu aberto que é Gaza.

Pode-se, e acho que se deve, apoiar uma luta contra a colonização e, ao mesmo tempo, criticar (ou simplesmente ser contra) forças e atores específicos dentro dessa luta cujos objetivos ou métodos sejam reacionários. O Hamas é uma força reacionária, mesmo quando está lutando por uma causa que merece ser apoiada. Sua própria violência contra seus compatriotas palestinos, seus objetivos como fundamentalistas e suas táticas, incluindo o ataque a civis, são suficientes para colocá-los fora do círculo de forças que vale a pena apoiar. Nada disso serve de desculpa para o Estado israelense, que, nessa guerra, vai causar sofrimento e morte horríveis ao povo de Gaza, muito além do sofrimento angustiante infligido aos civis israelenses nos últimos dias. Mas nós, no Ocidente, não veremos a maior parte desse sofrimento, a menos que busquemos especificamente notícias que o mostrem. As imagens horripilantes e verdadeiras do que os esquadrões da morte do Hamas fizeram com os civis israelenses nos são mostradas, mas as câmeras não dão atenção às atrocidades que os habitantes de Gaza sofreram antes dessa escalada e às atrocidades que enfrentam agora nas mãos desse esquadrão da morte, as IDF.

Não tenho medidas concretas a tomar aqui, a não ser que os ocidentais devem se opor ao armamento de Israel por nossos governos e devem apoiar campanhas como a BDS para pressionar Israel a acabar com seu violento apartheid contra os palestinos. Pretendo continuar apoiando o movimento de libertação da Palestina e, como sempre fiz, procurar apoiar as seções do movimento que se alinham com os valores humanistas e anticapitalistas, e não com o fundamentalismo religioso.

Foto: Ömer Yıldız via Unsplash

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