[Espanha] Crônica da Homenagem da CGT Valência a Lucía Sánchez Saornil

Mais um ano, em primeiro de junho, fomos ao túmulo de Lucía Sánchez Saornil, uma das fundadoras de Mujeres Libres, quando se completa o 53º aniversário de seu falecimento em Valência.

As companheiras e companheiros da Federação Local da CGT-Valência organizaram no dia 2J uma palestra-apresentação do livro da historiadora Laura Vicente, “La revolución de las Palabras. La revista Mujeres Libres“, no local da Avenida del Cid. Ali nos falou da revolução que protagonizaram as mulheres anarquistas e como a guerra interferiu em seu projeto inicial, de caráter mais cultural, adaptando-se sobre às novas circunstâncias e dando-lhe um novo significado para ser mais combativo. Nas intervenções do público participante ficou refletida a admiração por Lucía e as demais Mujeres Libres que recordamos conseguiram organizar-se na Federação Nacional de Mujeres Libres em 37.

No sábado 3J pela manhã, conjuntamente organizado pela CGT, CNT e a Plataforma de Memòria del País Valencià, realizou-se a Homenagem a Lucía no Cemitério de Valência. Em um ato simples e emotivo ante sua tumba se recordou a figura da poetisa vanguardista, a militante anarquista e ativista incansável Lucía Sánchez Saornil. Recordou-se como em um mundo de homens participou na imprensa Confederal, teve que sair para o exílio exterior e, mais tarde, decidiu voltar a essa Espanha obscura onde sua vida corria perigo. Por isso, após seu regresso à Espanha teve que esconder-se em Valência e de muitos aspectos de sua vida já não soubemos mais. Já não se conhecem novos poemas, não se conhecem relações com outras pessoas da Organização.

Por isso, em sua tumba América Barroso, sua companheira, pôs esta pergunta: “Mas é verdade que a esperança morreu?”. Desde nosso ponto de vista, e assim o refletiram as diversas intervenções das companheiras que falaram pelas organizações convocantes, se declarou que a esperança não morreu. O exemplo que nos brindou Lucía a todas: de entrega e de luta por um mundo melhor, ficou refletido em cada intervenção e serve de referência na luta atual.

Após colocar rosas e flores sobre sua tumba leram-se poemas escritos por Lucía e cantaram-se os hinos de Mujeres Libres, do qual ela também é autora da letra, e para finalizar entoamos “A las Barricadas” combinando de nos reunirmos de novo no próximo ano e a seguir difundindo a vida e obra de Lucía, Mercedes, Amparo e das milhares de mulheres comuns que fizeram coisas extraordinárias nas agrupações de Mujeres Libres.

Agradecer o trabalho realizado conjuntamente entre a Secretaria da Mulher da Federação Local de Valência, Carme Jareño, e a Secretaria da Mulher da Confederação Territorial de País Valencià e Murcia, Viki Criado para levar a cabo esta jornada de recordação.

Valência, 3 de junho de 2023

Texto realizado por Mulheres da CGT que participaram da Homenagem

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/cronica-del-Homenagem-de-cgt-valencia-a-lucia-sanchez-saornil/

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

vida repensada
noite de insônia –
manhã cansada

Zezé Pina

[Espanha] A insurreição que chega

Antonio Orihuela

Todos sabem que, do jeito que as coisas estão indo, só podem explodir e, a essa altura, parece haver pouco a fazer além de tomar posições para o grande estrondo final que, no momento, está sendo negado em todos os lugares.

Os capitalistas falam sobre trabalho para os jovens que nunca trabalharam, enquanto estão estendendo a idade de aposentadoria de seus pais. Falam de competitividade para os trabalhadores que estão se tornando mais precários a cada dia, de crise para aqueles que estiveram em crise a vida toda, de produtividade para aqueles que foram expulsos do trabalho e, ao mesmo tempo, aproveitam a oportunidade para liquidar os direitos sociais e reduzir os salários dos demais enquanto administram seu medo. Devemos mostrar solidariedade, eles nos dizem. É o socialismo em ação após a morte do socialismo, mesmo que seja o socialismo ao contrário: privatizando os lucros, socializando as perdas e continuando a espalhar a desconfiança entre os menos favorecidos, procurando terroristas que são ainda mais assustadores do que o próprio capitalismo, embora isso seja cada vez mais difícil.

Os explorados ainda estão onde estavam, ainda mais saqueados, pilhados, explorados, desolados e enojados do que antes, mas não se identificam mais com nenhuma das siglas políticas oferecidas no mercado, nem com os sindicatos. Eles foram despojadas de seus referentes, de sua linguagem, de sua mitografia, enfim, carecem de uma linguagem, assim como carecem de uma experiência comum que poderia gerá-la. Submetidos por muito tempo a doses abundantes de egocentrismo e individualismo feroz, eles apodreceram qualquer senso de social neles.

De um extremo a outro, de times de futebol a antidepressivos, eles atuam como um dique precário de contenção. A televisão fala por todos e as redes sociais na Internet geram a única experiência coletiva acessível, a da solidão cibernética. Na parte superior, eles lutam para fraudar as autoridades fiscais e comprar uma segunda casa na praia; na parte inferior, eles se esgueiram para fazer compras no Lidl e sonham em passar o verão em um acampamento. No meio disso, os mais jovens não sabem se Sánchez é o socialista ou Feijóo, e muito menos se realmente importa se é um ou outro que governa e para quê; mas, no momento, ninguém está se revelando, a revolta grega triunfou nas ruas e se perdeu em Bruxelas. Diante da opção de viver a anarquia, de ampliar os vínculos, a criatividade, a bricolagem de novas situações ou continuar morrendo de tédio, mais uma vez prevaleceu a velha ordem, o mundo do controle e da hierarquia, e seu fluxo pesado e triste sob o olhar atento da polícia. No dia em que, antes de sairmos às ruas, tivermos derrotado o inimigo que vive dentro de nossas cabeças, a realidade nunca mais será como antes. Conquistada pelo aqui e agora, nossa vida será uma experiência pura de imediatismo. Mas, para vencermos a nós mesmos, não podemos nos enganar com uma palavra tão desgastada e reacionária como esperança. Temos que nos convencer de nossa situação desesperadora e, junto com outras pessoas desesperadas, junto com outros desertores, nos unir e nos organizar para perder o medo do colapso do capital e sobreviver ao seu grande estrondo final. O presente não tem futuro. Essa é a insurreição que está chegando.

Nunca tivemos nada, não temos nada a perder. Nossa história é a história da colonização da mente e da exploração dos corpos, das migrações, das guerras de baixa intensidade, do exílio do trabalho, da estranheza diante de um mundo estranho. Vamos romper com isso, vamos acabar com o trabalho alienado, outras formas de fazer as coisas estão esperando por nós, basta de produzir mercadorias, basta de nos mobilizarmos para sermos outra pessoa, para nos vendermos melhor, para nos tornarmos nossos próprios patrões. Vamos encarnar a vida, a única que temos, para sobreviver à hora da morte.

O trabalho alienado não precisa de nós, pois os trabalhadores se tornaram supérfluos, a mecanização, a automação e a digitalização da produção nos deixam como meras sobras disponíveis em qualquer lugar em um mundo deslocalizado. Trabalho intercambiável, temporário e indiferenciado, que pode ser usado como estoquista em um dia e como guarda juramentado no dia seguinte. Trabalhadores sem uma profissão e, portanto, sem a possibilidade de se organizarem em torno dela. Hoje, o trabalho não é mais uma necessidade econômica para produzir mercadorias, mas uma necessidade política para produzir consumidores a fim de salvar o capitalismo.

De fato, é o fluxo constante de mercadorias que precisa de nossa mobilização para que nada pare, portanto, vamos parar com isso. Chega de enganar e de enganar a nós mesmos. O capitalismo não nos tornará ricos, portanto, vamos parar, vamos deter, vamos decrescer. Produzir menos e consumir menos é uma maneira de impedir o apocalipse. Temos que crescer em direção à frugalidade e à simplicidade. A economia não pode mais ser separada de nossa existência. Não deixemos essa tarefa nas mãos de novos gurus, cultos da nova era ou novos paradigmas espirituais, porque eles são apenas mais uma das muitas mutações do capitalismo. Não estamos aqui para reconstruir para o capital o que o capital destruiu para nossos pais. Estamos aqui para construir um tempo pelo qual estaremos definitivamente apaixonados. É hora de começar, de suspender a normalidade. Vamos colocar em prática nossos experimentos, nossas intuições, nossos vínculos e cumplicidades, e vamos fazer isso sem causa aparente para o inimigo, sem líderes, sem exigências, a partir do mais absoluto anonimato e sob siglas absurdas que, na melhor das hipóteses, provocam hilaridade.

Fonte: https://www.ulises.online/articulo/la-insurreccion-que-llega/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Juntos,
um homem e a brisa
viram uma página

Betty Drevniok

[Alemanha] Dresden: antifascista Lina E. condenada a mais de cinco anos de prisão

Na quarta-feira (31 de maio), o julgamento do chamado caso “Antifa Ost” foi proferido perante o Tribunal Regional Superior de Dresden. Vários antifascistas foram acusados de formar uma “associação criminosa” que teria cometido ataques contra as forças fascistas. Membros da cena de extrema-direita em Leipzig, Wurzen e Eisenach teriam sido “brutalmente espancados”. As supostas vítimas foram os esquadrões dos jovens nacionalistas e do movimento fascista identitário.

Lina E., foi acusada de ser a “cabeça” do grupo antifascista de Leipzig pelo Ministério Público Federal, que pediu uma pena de prisão de oito anos. Ela foi condenada a cinco anos e três meses de prisão por participar de uma série de ataques a neonazistas e outros fascistas durante um período de dois anos.

Três outros antifascistas, Lennart A, Jannis R e Jonathan M, teriam unido forças com ela no final de 2019. Os homens foram condenados a penas entre 27 e 39 meses de prisão.

Evidências concretas foram escassas durante o julgamento; em vez disso, a convicção política da acusada foi decisiva.

Lina E. está sob custódia desde sua prisão em 5 de novembro de 2020. Os outros suspeitos permanecem em liberdade.

Entre os ataques que ela foi acusada de ajudar a orquestrar está um incidente de 2020, no qual antifascistas espancaram um grupo de seis fascistas que voltavam de uma cerimônia que marcava o 75º aniversário do bombardeio de Dresden. O evento atrai regularmente neonazistas e outros fascistas.

Na preparação para o julgamento, os acusados sempre receberam amplo apoio do movimento antifascista.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/05/alemanha-chamada-internacional-para-demonstracao-do-dia-x-em-leipzig/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Pardal orfãozinho
vem brincar
comigo

Cláudio Fontalan

[Chile] Palavras de Mónica, Joaquín, Marcelo, Juan e Francisco frente ao ataque repressivo do Estado contra os companheiros prisioneiros em Santiago 1 e San Miguel.

A realidade carcerária é constituída por uma permanente tensão onde entram em jogo, de maneira inevitável, nossas convicções e a certeza de nosso posicionamento a todo momento.

Esta realidade implica ter sempre presente que o carcereiro pode dispor de nossas vidas a qualquer instante e que nossa fortaleza está precisamente em ter a certeza que enfrentaremos cada uma dessas situações adversas sempre dignos.

Aumento de restrições, translados e sanções são parte destas imposições que hoje afetam nossos companheiros presos no cárcere-empresa Santiago 1 e a companheira Itamar no CPF de San Miguel.

A companheira hoje na zona de castigo se vê frente a ameaças de translado e as artimanhas rasteiras de uma carcereira com pretensões de aparecer. É necessário enfatizar que esta situação se deve a que a companheira em conjunto com outras presas na torre 5 difundiram as práticas abusivas por parte das carcereiras nas invasões, em uma clara atitude de luta de confronto.

Os companheiros, por sua parte, se encontram lutando por sua reagrupação assim que o tirarem do módulo 1 com a desculpa de desmantelá-lo e os dividiram por diferentes dependências encontrando-se hoje vários no módulo 88 de castigo.

Ambas situações são, sem dúvida, parte da luta cotidiana no cativeiro com um evidente caráter anticarcerário na medida que se opõem abertamente aos ditames dos verdugos e suas pretensões de dirigir nossas vidas.

A luta dentro das prisões necessariamente devem ter eco em todos os espaços conscientes e antagônicos e ir em sintonia com o confronto de rua, pelo que o chamado é para intensificar a solidariedade revolucionária com nossos companheiros que hoje se encontram levando a cabo estas lutas específicas contra a repressão direta que hoje vivem sob a social fascista administração de Boric.

A seguir construindo práticas anticarcerárias articuladas desde a autonomia nos diversos espaços e territórios de luta onde por nossa vontade e consciência nos expomos a viver o cárcere como circunstância nem querida nem buscada mas inevitável no longo caminho pela liberação total.

Solidariedade revolucionária e cumplicidade insurreta com todos os presos em guerra!

Presos anarquistas, subversivos, mapuche fora dos cárceres agora!!

Até destruir o último bastião da sociedade carcerária!!

Mónica Caballero

Juan Aliste

Marcelo Villarroel

Joaquín García

Francisco Solar

Cpf de San Miguel, Santiago.

Cárcere empresa La Gonzalina de Rancagua

Princípios de Junho de 2023.

Território ocupado pelo estado chileno

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

o sol inclinado
leva até minha parede
o gato do telhado

José Santos

[Chile] Prisão de San Miguel. Palavras para o companheiro Punki Mauri por Mónica Caballero.

Cada 22 de maio é um dia difícil… desde aquele maldito 22 de maio de 2009. Embora, apesar de todas as dificuldades, como era antes e ainda é, a repressão constante e a imensa tristeza, alguns tomariam como prática diária comemorar a morte de Mauricio Morales, uma prática que conseguiu se estabelecer e transcender além daqueles de nós que o amavam e eram seus companheiros. O fato de hoje lembrarmos que Mauri morreu tentando atacar a escola da gendarmaria [polícia], é fruto da persistência de todos nós, que sentimos afinidade com as ações do companheiro, em nos recusarmos a esquecer.

Um dia em que lembramos uma ação frustrada contra a gendarmaria é o momento perfeito para retomarmos, continuarmos ou criarmos instâncias contra o nosso atual sistema jurídico/punitivo, para dar mais e melhor conteúdo às lutas contra as prisões, para tornar concreta e materialmente forjada a ação antiprisões.

A destruição de nossas correntes é uma tarefa individual, constante e diária, que é ampliada e consolidada por outros que amam e odeiam na busca da libertação total.

Pela destruição da sociedade carcerária, viva a anarquia!

Mauricio Morales presente!

Mónica Caballero Sepúlveda

Presa anarquista

Prisão de San Miguel

Maio de 2023

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Não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho

Matsuo Bashô

[Chile] Santiago: Cinema na Praça 2. Memória, História, Luta – 8 de junho

Convidamos você para o segundo cinema na praça na próxima quinta-feira, 8 de junho. O encontro é na pequena praça da rua Quemchi com Aeropuerto, Villa Francia, Estação Central.

Nessa ocasião, exibiremos o documentário “Uma cruzada silenciosa”, que conta a história da chegada, da organização e dos objetivos do Opus Dei no Chile. Essa organização nasceu na Espanha durante o regime de Franco e representa a extrema direita da Igreja Católica.

Pelas palavras de seus próprios membros, fica comprovado seu caráter de religião elitista a serviço de seus servos poderosos que projetam a imagem de Deus no sucesso e no enriquecimento brutal às custas da exploração e da utilização de pessoas humildes que se entregam totalmente ao trabalho.

É interessante nestes dias conhecer os verdadeiros pensamentos e objetivos nefastos do Opus Dei no Chile, sobretudo neste contexto em que há uma direitização do país e um ressurgimento do pinochetismo e do negacionismo.

Algumas das figuras que hoje fazem parte de partidos como o Partido Republicano e a direita clássica aparecem no documentário como parte do trabalho do Opus Dei.

Fonte: https://lapeste.org/2023/05/santiago-cine-en-la-plaza-2-memoria-historia-lucha-8-junio/

Tradução > Liberto

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Bananeiras
na beira da cerca.
Cachos de sol.

Tânia Diniz

Anarquistas no coração do capitalismo europeu

Representantes do anarcossindicalismo da Itália, Estados Unidos, Polônia, Grécia, Países Baixos, Suíça e Espanha participaram do Congresso do Sindicato de Trabalhadores Livres (FAU, na sigla em alemão).

Por Manu Tomillo | 02/06/2023

Anarquistas de toda a Europa com sede de luta vêm à Espanha para manifestações. Isso é mais ou menos o que podemos ler na imprensa conservadora toda vez que há algum tipo de protesto em nosso país. Coincidentemente, esses anarquistas nunca acabam aparecendo, e isso é apenas mais um ponto no trabalho de propaganda para criminalizar e desencorajar qualquer movimento crítico ao governo de turno.

Então, como esses anarquistas não aparecem, decidi ir procurá-los em Hannover, por ocasião do congresso anual do Sindicato dos Trabalhadores Livres (FAU), o sindicato irmão da CNT na Alemanha, no fim de semana em que metade da Espanha foi votar para escolher entre o bom, o ruim ou o menos ruim.

Aqui não encontrei milhares de anarquistas perigosos e violentos, mas sim 85 pessoas representando os mais de 2.000 membros que o sindicato tem no país e também representantes de outros sindicatos da Itália, Estados Unidos, Polônia, Grécia, Países Baixos, Suíça e Espanha.

O anarquismo alemão não está vivendo seus melhores dias. Há um século, em plena República de Weimar, os sindicatos anarcossindicalistas reuniram mais de 200.000 pessoas sob os ideais de solidariedade e apoio mútuo, embora esses não sejam bons tempos para quase ninguém na potência econômica e industrial da Europa. Há algumas semanas, ficamos sabendo que sua economia sofreu uma contração entre janeiro e março pelo segundo trimestre consecutivo. A Alemanha está se sentindo particularmente atingida pela crise de inflação que está afetando sua indústria, que depende muito do gás russo.

“Muitas pessoas têm medo de não poder gastar mais em suas vidas. Isso cria uma tensão social, pois quase toda proposta de política para mudar a situação é vista como um ônus financeiro”, diz Jasper Finkeldey, PhD em ciência política da Universidade de Halle.

Essa crise econômica no maior país da zona do euro é o combustível perfeito para o crescimento da extrema direita, com o partido Alternativa para a Alemanha na vanguarda: “Eles estão ganhando terreno. Especialmente nos Länder do leste, o partido pode ser a primeira força nas próximas eleições locais. Os pontos que eles estão levantando são a soberania nacional e a migração, entre outros. Há uma normalização do partido, que agora está sendo tratado como qualquer outro partido por alguns meios de comunicação”, lamenta Finkeldey.

Nesse contexto de crise econômica e social, um novo movimento está se destacando: “Letzte Generation” (“Última Geração”). A desobediência civil como forma de protesto contra as mudanças climáticas, o bloqueio de estradas, a pintura de lugares emblemáticos, como fazem coletivos como o Futuro Vegetal em nosso país. Essas são algumas das formas que as gerações mais jovens encontraram para enfrentar esse mundo em colapso.

E são exatamente esses mesmos jovens, a maioria com menos de 35 anos, que encontro no Congresso da FAU. Por que participar de um sindicato anarquista no coração do capitalismo europeu? Os valores que unem as pessoas que se reúnem aqui são mais baseados em objetivos concretos contra o modelo neoliberal do que em motivos ideológicos profundos em favor de uma suposta revolução.

Em um par de prédios cercados por árvores nos arredores de Hannover, essa reunião anual acontece para aprovar as contas e, acima de tudo, definir as linhas de trabalho para o próximo ano nesse sindicato cujo número de membros está crescendo constantemente, especialmente em cidades como Berlim, Bremen e Dresden.

As jornadas se desenvolvem em torno de mais de dez grupos de trabalho, incluindo discussões sobre como organizar o sindicato em torno de um determinado local de atuação ou profissão, campanhas de solidariedade internacional ou como coordenar o crescimento de novas seções em outras cidades do país. Mas eu prefiro participar da reunião do grupo Fem-FAU, o coletivo feminista dentro do sindicato.

Naquela pequena assembleia, há uma lamentação geral sobre como ainda são os homens que continuam a ocupar as secretarias e porta-vozes e como, embora a militância feminina esteja crescendo, elas ainda não percebem as assembleias e os diferentes espaços do sindicato como lugares a salvo da violência machista. Não, o anarquismo também não está livre de estruturas patriarcais, não importa quanto lenço vermelho e preto você use no pescoço.

A ideia desse tipo de congresso é chegar a acordos e protocolos de ação para tornar o sindicato uma ferramenta útil para sua militância, mas é nos intervalos, nos momentos entre essas reuniões e grupos de trabalho, que podemos conhecer melhor o quadro geral do anarquismo na Europa. E a realidade nos diz que os trabalhadores podem não estar agrupados sob a clássica bandeira diagonal vermelha e preta, mas os valores de solidariedade e apoio mútuo estão mais fortes do que nunca, mesmo em novos setores.

Conheço membros do Sindicato de Entregadores de Atenas que usam bicicletas e motocicletas e que são capazes de mobilizar centenas desses “motoristas” nas ruas da capital grega, exigindo aumentos salariais ou que as plataformas de entrega sejam as únicas a fornecer o veículo ao trabalhador. Ou os sindicatos independentes em Amsterdã de trabalhadores nas cozinhas de bares e restaurantes. Locais em que grande parte dos que limpam os pratos e os cozinham são migrantes em situação irregular e que são esquecidos pelos sindicatos tradicionais.

Todos os participantes desse Congresso em Hannover com quem conversei me deram a mesma sensação de otimismo: não há derrotas eleitorais que nos afetem.

Volto a Madri com o choque dos resultados das eleições municipais e regionais, o medo da extrema direita e o anúncio de um novo dia de eleições em 23 de julho, e a sensação que fica é que a classe trabalhadora europeia está acostumada a perder direitos, a trabalhar mil e uma horas, a sofrer cortes nos serviços públicos… mas, mesmo assim, há cada vez mais espaços de solidariedade em todo o continente, com jovens que estão dizendo basta cada vez mais cedo.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/cronica/anarquistas-corazon-del-capital-europeo-

Tradução > Liberto

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rua em que nasci
as crianças riem
o riso do velho

Ricardo Portugal

[Itália] 2 de junho. Marcha dos desertores

Um primeiro vislumbre do verão apareceu ontem (02/06) na Piazza Vittorio, onde centenas de antimilitaristas se reuniram para contestar as cerimônias militaristas e a embriaguez nacionalista que, mesmo em Turim, marcaram o dia 2 de junho. Uma praça vasta e plural, com muitas vozes unidas pela firme intenção de emperrar a máquina do militarismo.

Depois de uma hora de discursos e música, a manifestação se transformou em uma marcha e tomou a Via Po, para chegar à Piazza Castello, onde os militares estavam prestes a começar sua apresentação. A formação da polícia era impressionante. Ao longo do percurso, muitas pessoas aplaudiram os manifestantes e ouviram os discursos.

A Piazza Castello foi transformada na praça dos desertores.

Vários desafios nos aguardam nos próximos meses. O movimento antiguerra poderá crescer na conexão cada vez mais forte com as lutas territoriais antimilitaristas, na oposição à militarização dos territórios e à economia de guerra, na conexão com as lutas sociais. Em Turim, impedir o nascimento da Cidade Aeroespacial e o estabelecimento da OTAN é um compromisso concreto inevitável.

Federação Anarquista de Turim – Assembléia Antimilitarista

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

ao voltar dos campos
abro a porta
e a lua entra comigo

Rogério Martins

[Espanha] Às voltas com o Racismo – só no futebol?

Saúde!

Foi preciso que a elite do futebol nos fizesse perceber, quer sejamos fãs de futebol ou não, que existe racismo na Espanha. Não há clubes antirracistas no futebol espanhol, muito menos em outros países? Bem, sim, existem, por exemplo, no próprio Valencia CF há o grupo de torcedores Colla Blanc-i-Negra, ou os Bukaneros do SDRV ou as Brigadas Amarillas, de Cádiz…, não há necessidade de cansar o leitor. Essas torcidas, e muitas outras que não foram mencionadas, vêm denunciando o racismo, a homofobia, o fascismo… no futebol há anos, mas ninguém prestou atenção… E então aparece o presidente de um time comercial, um da elite, que está indignado com o racismo sofrido por um de seus jogadores – e digo seu porque ele o comprou e, pelo menos, pode fazer uso dessa mercadoria durante o contrato. É possível ver onde o futebol comercial está indo – desde que o capitalismo colocou suas mãos sujas no esporte – para nos ensinar como nos comportar no esporte ou socialmente.

Nem esse homem, nem qualquer outra pessoa da elite esportiva, nem da sociedade, tem algo a nos ensinar. Somos inteligentes o suficiente para entender que nas relações socioeconômicas dessa sociedade dita moderna, ou se preferir pós-moderna (só isso já seria suficiente para um ensaio inteiro), há racismo, machismo, homofobia, fascismo.

Sabemos, por exemplo, que um negro rico não sofre, ou sofre menos discriminação do que um pobre da mesma cor. Que um cigano rico não tem problemas de perseguição, mas outro cigano pobre não conseguirá alugar apartamentos, não terá empregos decentes… Também sabemos que um jogador de futebol (e eu uso o masculino, porque o feminino está mostrando que outro futebol é possível e as elites não gostam disso, até que vejam que gera benefícios) que chega, de avião, é claro, de um país pobre com um contrato oferecido pela elite, nunca terá problemas para encontrar uma casa, talvez sua família tenha, se o vendedor não souber que a pessoa que quer comprar é mãe de um jogador de futebol rico, como denunciou Iñaki Williams, do Athletic Club de Bilbao. Mas também sabemos que muitas pessoas pobres chegam, aquelas que não morreram na tentativa, em pequenos barcos, na parte de baixo de caminhões, enfiadas em contêineres em condições subumanas – como quando havia o tráfico de escravos que produziu grande acumulação capitalista – e a elite não apenas não denuncia isso, mas recorre aos CIEs, esses lugares onde as pessoas são trancadas por serem migrantes pobres, considerando-as ilegais. Ninguém deveria ser ilegal, apenas aqueles que traficam essas mercadorias.

Isso é claro e categórico: a sociedade não rejeita uma pessoa por causa de sua cor, sua condição sexual, sua religião…, mas sim os poderosos que dirigem a sociedade tentam vesti-la com roupas ideológicas (um time, uma cidade, uma região, um país…, uma religião, um partido político, uma organização…) e essas roupas servem para nos diluir no grupo, perder nossa autonomia individual e ver o outro como um inimigo, alguém que lutará contra mim para ficar com as migalhas da mesa dos poderosos. Enquanto os poderosos olham com complacência enquanto nos matamos uns aos outros.

Talvez seja hora de parar com as besteiras e falar claramente sobre LUTAS DE CLASSE, em vez de olhar para baixo. Porque é sobre isso que as elites não querem falar, para que outras consciências não sejam despertadas. É o confronto entre ricos e pobres, decorado, muito modernamente, com racismo, times de futebol, nacionalismo… e qualquer outro título que queiram dar a ele.

É claro que outro futebol (outro esporte) é possível, porque outra sociedade é possível, e necessária, já que o tempo de recuperação está se esgotando…, e como não há mais ciclos nas crises, já que vivemos em uma crise contínua, talvez o desejo de ser igual seja despertado, ou melhor, de ser igual e livre novamente (não para que seu ex não o veja na mesma cidade, ou apenas para tomar uma cerveja, algo que está se tornando cada vez mais distante de muitos bolsos), verdadeiramente livre, porque não podemos entender que um ser humano seja considerado ilegal.

Simon Peña

Tradução > Liberto

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Silêncio de outono.
Nem o grito do carteiro…
cochicho de folhas.

Anibal Beça

[Chile] Palavras de solidariedade de Mawvnhko as companheiras Itamar e Leonor

Escrevo estas palavras para expressar meu total apoio as companheiras da torre 5 da prisão de San Miguel que estão sendo processadas por “incitação ao motim” e “ameaças”. Isso porque as companheiras citaram os artigos 27bis e 29bis do Regulamento de Estabelecimentos Penitenciários (REP) e os colocaram no refeitório do módulo por meio de um cartaz, a fim de informar suas companheirss sobre seus direitos penitenciários. Esse ato foi condenado pela administração da prisão, que considerou que as prisioneiras estavam incitando o restante da população a se amotinar. Está claro que a administração penitenciária busca erradicar qualquer tipo de informação que torne visíveis os direitos das detentas. Precisamente os artigos 27bis e 29bis do REP informam sobre a revista corporal, como ela é classificada e como deve ser aplicada. Essa revista também está especificada na Resolução de Isenção 9.679 da Gendarmería do Chile. Portanto, é uma informação totalmente pública.

A administração penitenciária demonstra sua falta de compromisso com os direitos das mulheres e dissidentes privados de liberdade, uma vez que as prisioneiras foram isoladas do módulo e estão atualmente em uma área de punição. Uma sanção totalmente desproporcional e irrisória que apenas demonstra que os funcionários têm medo de mentes informadas. Eles têm medo de serem questionados sobre suas funções, pois é comum assumirem poderes que não lhes correspondem nos procedimentos de busca e apreensão, tais como: ao retirar as pinturas, abrir as pernas, fazer agachamentos, ficar de cócoras, se manterem agachadas. Também mostrar seus seios. Tudo isso em espaços abertos, na frente de outras presas.

Está claro que por trás de tudo isso há perseguição e assédio, pois a oficial encarregada do procedimento (2ª Tenente Margarita Cáceres) foi denunciada por coação ilegal, uma queixa que eu mesmo apresentei em 13 de março de 2023 e que atualmente está sendo investigada pelo Ministério Público (Fiscalía) e no tribunal criminal está sob investigação administrativa. Essa queixa se concentrou precisamente na violação dos artigos 27bis e 29bis. No contexto de uma revista corporal, a policial excedeu suas funções e, quando foi repreendida, mencionou que eu estava inventando tudo. Claramente, ao ser denunciada, ela acreditou que os cartazes eram direcionados a ela, pois nem mesmo os policiais responsáveis pelo módulo convocaram seus colegas para compartilhar essas informações. Como se isso não bastasse, a tenente não encontrou alternativa melhor do que repreender Itamar pela reclamação que eu havia feito.

Toda essa situação foi inventada da forma mais corrupta e irregular possível apenas para prejudicar as prisioneiras. O mais frustrante para os agentes penitenciários deve ser o fato de que, apesar de todo o isolamento, nós AINDA rimos e nos abraçamos, porque, apesar de todas as práticas intimidadoras, nunca lhes demos o prazer de nos ver cair.

Da prisão de San Miguel,

Mawvnhko*.

* No contexto de lutas sociais no Chile, a companheira Mawvnhko foi detida, acusada de atirar com arma de fogo contra os Carabineiros, que equivalem à polícia militar brasileira.

Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2023/06/01/palabras-de-mawvnhko-en-solidaridad-con-las-companeras-itamar-y-leonor/

Tradução > Liberto

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ao vento de outono
a sineta de ferro
subitamente toca!

Dakotsu

[São Paulo-SP] Teatro no CCS: “Darluz”

No dia 10 de junho, sábado, às 16h, vai ter teatro gratuito no CCS! Receberemos a peça “Darluz”.

Sinopse:

A proposta do experimento teatral “DARLUZ” é provocar o público a uma reflexão interseccional de gênero, raça e classe e o lugar paradigmático da mulher negra na sociedade brasileira e a presença onipresente do Estado patriarcal como regulador da sexualidade e da maternidade que expõe mulheres negras a lugares de maior vulnerabilidade. A personagem questiona a cor da pobreza, a violência policial, o encarceramento em massa, a partir das suas experiências.

Texto original: Marcelino Freire

Adaptação: Dina Alves e Odair Dias

Atriz: Dina Alves

Direção: Eduardo Silva

30 minutos

Púbico alvo: Adulto

agência de notícias anarquistas-ana

outono
outrora
era outro

Alonso Alvarez

[Chile] Ação incendiária em Usach em memória do companheiro Mauricio Morales

Na quinta-feira, 25 de maio, foram distribuídos panfletos, penduradas faixas, montadas barricadas e ocorreram confrontos com coquetéis molotov contra a presença de carabineros (COP) em memória do companheiro anarquista Punki Mauri, que em vida fez parte de múltiplas iniciativas contraculturais e educativas, como o Centro Social e okupado Sacco e Vanzetti e o canal Barrial 3. Suas experiências são contagiantes para as gerações vindouras, que tentam com sua engenhosidade manter viva a anarquia.

Era possível ler nas faixas e panfletos: “Só paco bom é paco morto” e “Ideias sem ação não valem nada, são merdas teóricas. Portanto, ideia e ação devem ser e são uma e a mesma coisa”.

Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2023/05/31/salida-incendiara-en-usach-en-memoria-del-companero-mauricio-morales/

agência de notícias anarquistas-ana

estrela cadente
ponto de exclamação
quente

Millôr Fernandes

[Grécia] Apoio financeiro aos presos políticos anarquistas Pola Roupa e Nikos Maziotis – membros da Luta Revolucionária – e suas famílias.

Somos dois presos políticos, membros da organização anarquista armada Luta Revolucionária, que atuou entre 2003 e 2017 e reivindicou 18 ações/ataques contra alvos do regime político e econômico, do Estado e do capital. A Luta Revolucionária reivindicou a responsabilidade por atentados a bomba e ataques armados contra os Ministérios das Finanças e do Trabalho, a Bolsa de Valores de Atenas, o Banco da Grécia e o escritório do Fundo Monetário Internacional, bancos, delegacias de polícia e agentes de controle de tumultos (MAT). Também assumiu a responsabilidade por um ataque a um ministro da ordem pública e pelo ataque com foguete antitanque contra a embaixada dos EUA em Atenas, enquanto a companheira Pοla Roupa tentou sequestrar um helicóptero em 2016 para libertar o companheiro Maziotis (bem como outros prisioneiros) da prisão de Korydallos a fim de continuar a ação da Luta Revolucionária.

Durante nossa ação, perdemos um companheiro, Lambros Fountas, que foi morto em 10 de março de 2010 em um confronto com a polícia durante uma ação preparatória da organização.

Naquela época, a Luta Revolucionária havia começado a agir contra a crise financeira global e a imposição de contratos de empréstimo para a Grécia. Desde as primeiras prisões em 2010, assumimos a responsabilidade política por nossa participação na Luta Revolucionária e defendemos nossas ações e todas as ações da organização em público e em todos os processos contra nossa organização. Defendemos a política da ação revolucionária armada contra o Estado e o capital. Defendemos o objetivo da revolução social de derrubar o sistema político-econômico de poder e substituí-lo por uma organização social sem classes baseada em uma confederação de comunidades (comunas).

No decorrer de nossa ação, fomos vítimas de duas recompensas. A primeira vez foi em 2007, quando o Departamento de Estado dos EUA colocou uma recompensa de US$ 1 milhão para os membros da Luta Revolucionária e uma recompensa de 800 mil euros do Estado grego, imediatamente após a organização atacar a embaixada dos EUA em Atenas com um míssil antitanque. A segunda vez foi em 2014, quando o Estado grego colocou por nós uma recompensa de 1 milhão de euros para cada um. A recompensa foi colocada em nossas cabeças quando estávamos na “ilegalidade” em que nos encontrávamos após nossa libertação em 2011, após o término de 18 meses de prisão preventiva sem termos sido processados (de acordo com a Constituição grega, ninguém pode permanecer em prisão preventiva por mais de 18 meses). O preço foi estabelecido após o ataque de 2014 realizado pela Luta Revolucionária com um carro cheio de 75 quilos de explosivos no prédio da Diretoria de Vigilância do Banco da Grécia em Atenas, onde ficava o escritório do FMI. Essa ação foi uma resposta aos acordos de empréstimo que o Estado grego implementou desde 2010 sob a pressão de instituições supranacionais: Banco Central Europeu, Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional (Troika). Esse ataque foi realizado sob o nome de Luta Revolucionária-Comando Lambros Fountas, uma ação pela qual, quando fomos presos, fomos condenados à prisão perpétua, sentença que foi anulada pelo Tribunal de Apelação.

Após oito longos julgamentos (quatro em primeira instância e quatro em tribunais de apelação) e pelas 18 ações da Luta Revolucionária, fomos condenados a muitas dezenas de anos, que foram acumulados e cumpridos por 20 anos.

Mas, além de nossa sentença, também enfrentamos outra dimensão mais odiosa da repressão estatal, quando o Estado grego, contra nós, colocou nosso próprio filho na mira da guerra das prisões. Em 2012, passamos para a “clandestinidade” antes do fim do primeiro julgamento contra a Luta Revolucionária (2011-13), no qual fomos condenados à revelia a 50 anos de prisão.

Nosso filho ficou conosco todos esses anos até que a companheira foi presa em janeiro de 2017 (quando o companheiro Nikos Maziotis já havia sido preso em julho de 2014). Quando a companheira foi presa, em vez de entregar nosso filho aos nossos parentes, a polícia, por ordem do promotor, transferiu-o para uma ala psiquiátrica fechada, sob vigilância policial e sem visitas nos primeiros dias. O objetivo do Estado grego era exercer o máximo de pressão sobre nós e romper o relacionamento paternal que temos com nosso filho, por isso retirou nossos direitos parentais assim que nossa companheira Pola Roupa foi presa, citando nossas ações e nossas convicções. Esse evento sem precedentes causou uma impressão social muito negativa e, após alguns dias de greve de fome e sede e as mobilizações de nossos companheiros, o Estado grego finalmente entregou nosso filho aos nossos parentes. Mas, em seguida, com a ordem do tribunal, ele nos tirou a custódia.

Já estamos na prisão, um de nós há mais de 10 anos e sua companheira há quase 8 anos, com o direito de pedir liberdade condicional a 3/5 da sentença, ou seja, 12 anos, que pode incluir um período adicional de trabalho na prisão.

O companheiro Maziotis já atingiu esse limite com mais de um ano de trabalho. Mas a Comissão de Liberdade Condicional negou a liberdade condicional pelo menos duas vezes e ignorou seu terceiro pedido. Além da sentença de 20 anos, fomos condenados a pesadas multas. Recentemente, essas “contas” do Estado vieram à tona, incluindo as custas judiciais (8 no total) e as multas e despesas da corte marcial do companheiro Nikos Masiotis devido à sua recusa total em se alistar quando, aos 18 anos, foi chamado para servir no exército. No total, o valor dessas dívidas chega a 70.000 euros.

Companheiros, dedicamos nossas vidas à luta contra o Estado e o capital, à luta pela revolução, e pagamos e continuamos a pagar um preço muito alto – como esperávamos – quando tomamos nossas decisões.

As dificuldades causadas pela detenção de longo prazo, como no nosso caso, não afetam apenas as pessoas que sofrem com isso, mas também seu ambiente familiar, especialmente se forem menores de idade e idosos. Essas dificuldades foram e são as mais importantes para nós. Especialmente agora, quando um parente está enfrentando sérios problemas de saúde. Em particular, a mãe da companheira Roupa e avó de nosso filho, que tem a guarda dele, é uma pessoa idosa com problemas de saúde muito graves. Graças a ela e à irmã de Roupa, que também é responsável, nosso filho não foi colocado em uma instituição e está crescendo em um ambiente estável e seguro. A ajuda financeira para lidar com nossos graves problemas de saúde e apoiar nossos familiares é a coisa mais importante para nós no momento.

Pola Roupa, 3ª seção da Prisão Feminina de Thiva (Grécia)

Nikos Maziotis, 4ª seção, Prisão de Domokou

Os prisioneiros políticos da Luta Revolucionária

>> Para apoiar, clique aqui:

https://www.firefund.net/eamaziotisroupa

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/07/16/grecia-nikos-maziotis-e-preso-apos-tiroteio-com-policiais/

agência de notícias anarquistas-ana

Ruídos nas ramas.
Trêmulo, meu coração detem-se
e chora na noite…

Matsuo Bashô

 

[Itália] Lançamento: “Vivendo Minha Vida”, autobiografia integral de Emma Goldman

Olá! Gostaríamos de informá-lo que o primeiro volume de Vivendo Minha Vida, a autobiografia integral de Emma Goldman, edições Cadernos de Paola, está prestes a chegar da gráfica.

Trata-se de uma nova tradução do original em inglês feita por Luisa Dell’Acqua e editada por Selva Varengo, com um índice de nomes e organizações.

O volume abrange os anos de 1889 a 1899, tem 352 páginas e o preço de capa é de 16 euros (frete grátis na Itália).

Somos uma editora militante, nascida graças a um legado de Paola Mazzaroli, e você não pode nos encontrar nas grandes cadeias de livrarias ou nas várias Amazon.

No momento, o livro só pode ser adquirido por meio de nosso site www.quadernidipaola.it ou enviando-nos um e-mail para quadernidipaola@gmail.com.

Finalmente uma biografia completa da grande anarquista!

Este é o primeiro volume. Ao comprá-lo, você estará ajudando uma pequena editora cujo objetivo é apoiar, promover e disseminar o pensamento, as práticas, as culturas e todas as ideias, artes e filosofias que defendem a libertação individual e social a partir ou tendo como objeto o pensamento feminista, a história das mulheres, o pensamento anarquista, a educação libertária, a luta contra a discriminação, os movimentos feministas e lgbtqia+.

Tudo graças a um legado da companheira anarquista Paola Mazzaroli, de Trieste.

agência de notícias anarquistas-ana

um dia a casa cai
e nasce dos seus escombros
um novo haikai.

José Carlos de Souza

[Espanha] 3 razões pelas quais Federica Montseny é essencial para o feminismo e o anarquismo

Montseny é essencial por sua inquebrantável dedicação ao anarquismo e à justiça social

Por Javier F. Ferrero | 11 de maio 2023

Federica Montseny Mañé, nascida em 12 de fevereiro de 1905 e falecida em 14 de janeiro de 1994, foi uma escritora, intelectual e política espanhola que desempenhou um papel fundamental na história do feminismo e do anarquismo. Filha de anarquistas exilados, Montseny cresceu em um ambiente politicamente ativo e comprometido com a justiça social. Ao longo de sua vida, contribuiu com o desenvolvimento de ambos os movimentos, deixando um legado duradouro e influente. A seguir, apresentam-se três grandes razões pelas quais Montseny é essencial para o feminismo e o anarquismo.

  1. Pioneira na luta pelos direitos das mulheres

Federica Montseny foi uma das primeiras defensoras dos direitos das mulheres na Espanha, em um momento em que o país estava dominado por uma mentalidade conservadora e patriarcal. Através de seus escritos e discursos, Montseny advogou pela igualdade de gênero, o acesso à educação e a autonomia pessoal e econômica para as mulheres. Suas ideias feministas radicais e seu compromisso com a emancipação das mulheres a converteram em uma referência para as gerações futuras de feministas e anarquistas.

Montseny escreveu extensamente sobre a opressão e a marginalização das mulheres, abordando temas como a sexualidade, a maternidade, a prostituição e a dupla exploração a que eram submetidas as mulheres trabalhadoras. Também, participou ativamente na organização de mulheres dentro do movimento anarquista, impulsionando a criação de grupos feministas e promovendo a participação das mulheres na vida política e social.

  1. Primeira mulher ministra na Espanha e defensora de políticas progressistas

Durante a Segunda República espanhola, Montseny foi nomeada ministra da Saúde e Assistência Social em 1936, convertendo-se na primeira mulher a ocupar um cargo ministerial na Espanha. Durante seu tempo no cargo, Montseny promoveu políticas progressistas em áreas como a educação, a atenção médica e a assistência social.

Sob sua liderança, promoveram-se programas de saúde pública, inclusive a luta contra as enfermidades infecciosas e a promoção da higiene. Também estabeleceram-se hospitais e centros de atenção primária em áreas rurais e criaram-se escolas de enfermagem para capacitar novos profissionais de saúde. Montseny também trabalhou em políticas de assistência social, inclusive pensões para pessoas idosas e com deficiência, e na criação de orfanatos e centros de acolhida para crianças carentes.

Além disso, Montseny se opôs firmemente à pena de morte e trabalhou para melhorar as condições nos cárceres, buscando uma reforma penitenciária baseada na reabilitação e na reinserção social dos presos em lugar da simples retribuição. Seu compromisso com a justiça social e a igualdade a levou a enfrentar a resistência e a hostilidade de setores conservadores da sociedade espanhola, mas sua determinação e valentia a converteram em um símbolo de luta e esperança para muitas pessoas.

  1. Compromisso com o anarquismo e a justiça social

Federica Montseny foi uma anarquista de destaque e militante na luta pela justiça social e a igualdade. Ao longo de sua vida, Montseny defendeu a abolição das classes sociais, a propriedade coletiva dos meios de produção e a autogestão dos trabalhadores como meio para alcançar uma sociedade livre e justa.

Em seus escritos e discursos, Montseny criticou o capitalismo e o Estado por perpetuar a opressão e a exploração das classes trabalhadoras. Através de seu ativismo político e social, Montseny ajudou a difundir e consolidar o anarquismo como uma força política e social na Espanha e no exílio. Além disso, Montseny participou ativamente na organização da Confederação Nacional do Trabalho (CNT) e da Federação Anarquista Ibérica (FAI), duas das principais organizações anarquistas na Espanha durante o século XX.

Apesar dos numerosos desafios e adversidades que enfrentou ao longo de sua vida, inclusive o exílio após a Guerra Civil espanhola, Montseny nunca deixou de lutar por seus ideais e por uma sociedade mais justa e igualitária. Seu compromisso inquebrantável com o feminismo e o anarquismo, assim como sua influência em gerações posteriores de ativistas e pensadores, fazem de Federica Montseny uma figura essencial na história da luta pela igualdade e a justiça social.

Federica Montseny é uma figura essencial para o feminismo e o anarquismo devido a seu papel pioneiro na luta pelos direitos das mulheres, seu compromisso com políticas progressistas como ministra da Saúde e Assistência Social, e sua inquebrantável dedicação ao anarquismo e à justiça social. Seu legado duradouro e seu impacto nas gerações posteriores de ativistas e pensadores demonstram que sua vida e obra seguem sendo relevantes e inspiradoras na atualidade.

Fonte: https://contrainformacion.es/3-razones-por-las-que-federica-montseny-es-esencial-para-el-feminismo-y-el-anarquismo/

Tradução > Sol de Abril

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O pequeno córrego
Se esconde sob o capim —
O outono fenece.

Shirao

[EUA] Feira do Livro Anarquista de Seattle, 26 e 27 de agosto de 2023

A Feira do Livro Anarquista de Seattle é uma oportunidade para velhos amigos se reunirem ou saírem da toca, para novas conexões serem feitas e para aqueles que são novos na anarquia terem uma oportunidade de se envolver com as muitas e variadas perspectivas do que tem sido chamado de Bela Ideia.

Enquanto os anarquistas são frequentemente retratados através de nossos confrontos diretos com o Estado e o capitalismo, uma feira de livros permite um espaço onde as pessoas têm mais oportunidades de conversar, trocar ideias e, esperançosamente, aprender umas com as outras.

Aqui podemos encontrar semelhanças e objetivos que se cruzam, bem como aprofundar os lugares onde nossos projetos e desejos divergem.

Esta será a primeira Feira do Livro Anarquista de Seattle desde o início da pandemia de COVID19 e a onda de agitação após o assassinato de George Floyd e muitos outros em 2020. Estamos ansiosos para testar as águas.

A Feira do Livro Anarquista de Seattle de 2023 acontecerá no The Vera Project.

O Vera Project está localizado no Seattle Center, na esquina da Warren Ave North com a Republican St.

>> Mais infos: https://seattleanarchistbookfair.noblogs.org/

Tradução > Contrafatual

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na poça de lama
como no divino céu,
também passa a lua.

Afrânio Peixoto