“Tentar preservar o anarquismo no seu passado é acabar com ele”

Em sua passagem pelo Brasil, o anarquista português Mário Rui Pinto, da Barricada de Livros, concede entrevista à ANA. Confira a seguir.

Agência de Notícias Anarquistas > Como surgiu a Barricada de Livros?

Mário Rui Pinto < A Barricada de Livros é um projeto editorial que tem como objetivo divulgar figuras, grupos ou visões do anarquismo que, por qualquer motivo, caíram no esquecimento ou foram marginalizadas.

O projeto é individual, porque corresponde a um velho sonho meu finalmente concretizado, e é coletivo porque diversas e diversos compas participam nele desde o início ou em determinados livros.

ANA > Mas por que esse nome, “Barricada de Livros”? (risos)

MRP < Entre vários nomes possíveis, foi este o escolhido por mim e pela minha companheira da altura. Pareceu-nos bastante bem apropriado para uma editora que se assume como anarquista…

ANA > E quais livros já lançaram?

MRP < O primeiro livro – Preferi roubar a ser roubado! – saiu a 31 de Maio de 2017. Desde esta data já foram editados 10 livros, dois dos quais em co-edição com o jornal A Batalha. Os Cangaceiros, Anarquistas e orgulhosos de o ser, Escrito(s)-a-vermelho, Terra e Liberdade, O Dia Antes da Revolução e Outros Contos, são alguns dos títulos editados.

ANA > E qual é o livro “sucesso de vendas”, o mais procurado?

MRP < Todos os livros têm tido uma boa receptividade, dentro e fora do movimento anarquista, mas o mais procurado foi precisamente o primeiro, “Preferi roubar a ser roubado”, que já esgotou. Também um livro de poesia de um compa português, Miguel Serras Pereira, intitulado “À Tona do Vazio & Reprise” já esgotou.

ANA > E como funciona o processo de produção editorial, de seleção dos títulos, autores?

MRP < A seleção dos autores tem sido minha, mas consensual com outras pessoas que fazem parte da Barricada desde o início. Quem faz o primeiro esboço do Prefácio (onde se enquadra o pensamento do autor), da Biografia (de cada autor ou grupo) e da Pesquisa Histórica (quando esta existe) sou eu, mas depois estes textos são postos à disposição do coletivo que se cria para a edição de cada livro. Daqui resultam críticas, sugestões, correções, que são incorporadas nos textos finais que se tornam textos coletivos. Também a escolha dos textos dos autores editados a incluir nos livros é coletiva. A tradução dos textos vai sendo feita pelos membros do coletivo que se criou para cada edição. Há um compa que faz desenhos, para os livros que os têm, outros e outras fazem o grafismo, capas, etc.

ANA > Os livros da “Barricada” estão disponibilizados em livrarias, ou somente em lojas virtuais? Em eventos libertários…

MRP < Em Portugal, são vendidos em feiras do livro anarquista ou feiras de editoras alternativas, em livrarias pertencentes ao movimento ou pertencentes a compas e em livrarias de amigos e amigas, normalmente simpatizantes do anarquismo, que eu considero que tratam o livro como um bem cultural e não como um mero produto de supermercado. Também são vendidos de forma direta, através da página do facebook. Aqui no Brasil, para além da venda direta, são vendidos nas feiras do livro anarquista de São Paulo e Porto Alegre e através das lojas virtuais do Centro de Cultura Social e da Biblioteca Terra Livre, em São Paulo, e da biblioteca do NELCA de Guarujá. Ainda são vendidos em Espanha, apenas na Galiza, através de uma distribuidora anarquista galega.

ANA > Quais as limitações e dificuldades em manter uma editora anarquista, pequena?

MRP < Até à data, não tenho tido limitações ou dificuldades. As tiragens são relativamente pequenas, mas suficientes para o custo unitário de cada livro ser aceitável. Os livros vão se pagando, a distribuição é feita por mim ou por compas (como aqui no Brasil), é apenas uma questão de controlar os custos e de não entrar em loucuras do tipo distribuição comercial ou direitos de autor.

ANA > Há novos projetos editoriais sendo desenvolvidos para o próximo ano? Poderia compartilhar um pouco deles conosco?

MRP < Há um livro que já está na sua fase final e que também vai ser editado cá e lá. Trata-se de uma antologia do Tomás Ibáñez. Quanto aos restantes projetos prefiro falar quando estiverem também em fase final.

ANA > Na sua opinião, por que vemos poucos textos de literatura (romances, contos, poesia e ensaios) no panorama editorial anarquista internacional? Percebemos que a maioria dos livros lançados nos últimos anos são abordagens de fatos históricos… Isso não é ruim, mas… (risos)

MRP < Não sei, talvez porque as editoras anarquistas se debrucem mais sobre questões relacionadas com a teoria. A Barricada já publicou três livros de poesia (dois deles numa co-edição com o jornal A Batalha) e outro de contos, mas nos quais o anarquismo é determinante, seja pelos autores, seja pelo conteúdo. Também não sei se a maioria dos livros lançados nos últimos anos são abordagens de fatos históricos. Talvez no Brasil, mas não são em Itália, por exemplo.

ANA > Como você vê o panorama atual das editoras anarquistas em Portugal? Na Europa…

MRP < Em Portugal, para além da Barricada de Livros, existem pelo menos mais duas editoras anarquistas com uma produção regular: A Batalha (que edita também o jornal com o mesmo nome, um jornal centenário, fundado em 1919) e a Letra Livre. O coletivo que edita o jornal Mapa começou também a editar livros. Existem também indivíduos ou grupos que editam pequenos livros, brochuras ou zines de forma mais artesanal e ocasional. São também editadas de forma regular duas revistas: A Ideia e a Flauta de Luz.

Na Europa, apenas posso falar do que se passa em Espanha, em França ou em Itália. Existem muitas editoras anarquistas, mas também editoras que editam livros de/sobre anarquismo. Destaco sobretudo uma editora italiana, Elèuthera, à qual estou ligado, e que é retratada num dos capítulos do livro “Viver a Utopia”.

ANA > Qual o seu livro anarquista preferido e por quê?

MRP < Tenho vários, mas, por questões “sentimentais”, saliento dois: “O Anarquismo” do George Woodckok, que foi o livro que me fez descobrir o anarquismo e o célebre romance da Ursula K. Le Guin “The Dispossessed”, traduzido no Brasil como “Os Despossuídos” e em Portugal como “Os Despojados”. Para além da sua grande qualidade literária, é um romance que, em termos de anarquismo, está lá tudo.

ANA > A “Barricada” participou de eventos editoriais anarquistas no Brasil (Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, Feira Anarquista de SP…) recentemente. Poderia falar um pouco dessa relação com o Brasil, como começou, se está presente desde o início do projeto, se há projetos de parcerias…

MRP < A minha relação pessoal com o Brasil iniciou-se à cerca de 25 anos, quando comecei a vir para cá, sempre conjugando férias (na altura ainda por períodos pequenos) e anarquismo. Procurava passar férias em locais onde viviam anarquistas que já conhecia de nome e que desejava conhecer pessoalmente. O primeiro anarquista que conheci foi o Carlos Baqueiro em Salvador. Nessa viagem também conheci a Cleuzete e o já falecido Tavares. Depois, Rio de Janeiro, Florianópolis, etc. Nos últimos anos, esta relação intensificou-se com viagens mais prolongadas a partir da vinda para a Feira do Livro Anarquista de São Paulo. Acho que neste momento tenho um conhecimento muito alargado do panorama do anarquismo aqui.

Esta relação está presente, como seria de esperar, desde  o início do projeto. Desde o início em 2017 que os livros são vendidos aqui e que estou presente na feira do livro de São Paulo. Este ano alargou-se à de Porto Alegre. Há um projeto de parceria para a co-edição de um livro com o Centro de Cultura Social e penso que a experiência da edição brasileira do Viver a Utopia irá continuar, pelo menos com o próximo livro.

ANA > Poderia falar um pouco da participação da “Barricada” na Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre? Gostou do evento?

MRP < Sim, gostei muito. Fui recebido com muita fraternidade por uma galera que me fez lembrar os e as anarquistas com quem faço coisas em Lisboa, Porto e Setúbal. Exatamente o mesmo tipo de anarquistas e a mesma visão do anarquismo. Falar com eles e elas foi como se estivesse a falar com o pessoal de lá. Para além de que o conceito da feira é muito semelhante ao da de Lisboa.

ANA > Também fale um pouco da Feira Anarquista do Livro de Lisboa, um balanço…

MRP < A feira de Lisboa tem sido sempre um espaço de reencontros e de divulgação. A deste ano não fugiu a esta regra, realizada num espaço que se veio a revelar muito agradável, ao ar livre, e com a questão adicional de ter sido feita depois de um ano de ausência, devido a confinamentos e outras restrições sanitárias.

ANA > E como o anarquismo se insere na sua vida?

MRP < O anarquismo entrou na minha vida quando eu tinha 15 anos, ainda no tempo do fascismo. Entrou de forma inconsciente, instintiva, porque na altura eu não sabia nada, nem conhecia a palavra. Só quando descobri numa livraria o livro O Anarquismo do George Woodckok, me apercebi do que era, na realidade, este conjunto de ideias e a sua história. Com o fim do fascismo, a 25 de Abril de 1974, tive o privilégio de conhecer os velhos anarco-sindicalistas que tinham sobrevivido a este regime e que reapareceram à luz do dia. A partir daí, nunca mais parei.

ANA > Olhando para sua trajetória anarquista, sua experiência, acha que o anarquismo mudou muito? Os anarquistas, as novas gerações…

MRP < Sim, claro, o anarquismo tem de mudar, tem de estar em constante evolução, senão morre como aconteceu ao marxismo. A sua constante evolução é uma das suas grandes forças. Querer fechá-lo dentro de muros, querer agarrá-lo a um passado glorioso, mas passado, é matá-lo.

ANA > Qual a sua visão do momento atual do anarquismo em Portugal?

MRP < O movimento anarquista em Portugal atual é o resultado de uma evolução histórica marcada por 48 anos de fascismo e pela ascensão do Partido Comunista. Cometeram-se alguns erros depois da queda do fascismo, muitos deles motivados pela ausência de bases teóricas sólidas, mas não vale a pena lamentarmo-nos. É um movimento relativamente pequeno, sem qualquer organização formal, mas esta realidade não impede a organização de tudo aquilo que outros movimentos de maior dimensão também fazem: ocupações, feiras do livro, manifestações, encontros, edições, etc. Existem vários locais em Lisboa, Porto (sobretudo) e Setúbal. São editados dois jornais (A Batalha e Mapa) e duas revistas (A Ideia e Flauta de Luz) de grande qualidade.

ANA > Nos dias de hoje, num mundo tão complexo, qual a modernidade do anarquismo?

MRP < O anarquismo segue sendo atual precisamente por causa da sua permanente evolução. Ao contrário do marxismo, que ficou fechado em textos fundacionais escritos por uma só pessoa (como o próprio nome indica) ou pela ação política de ditadores (Lenin, Estaline, Trotsky, Castro, etc.), o anarquismo não depende de nenhum pai ou mãe fundadora, tem incorporado os contributos de dezenas de homens e mulheres ao longo da sua história. Ao contrário do marxismo, os textos clássicos fundacionais do anarquismo são apenas isto: textos fundacionais. A partir deles, o anarquismo tem evoluído constantemente, tem-se adaptado à complexidade do mundo. O Tomás Ibáñez defende que as ideias anarquistas sempre existiram, provavelmente com outro nome que não anarquismo (há quem defenda que o taoismo filosófico foi o anarquismo do seu tempo), e continuarão a existir, provavelmente adotando outro nome daqui a uns tempos. Tentar preservar o anarquismo no seu passado é acabar com ele.

ANA > Para terminar, você poderia deixar algum recado aos leitores da
ANA? Obrigado! E longa vida à Barricada!

MRP < Para os leitores e as leitoras da ANA deixo apenas uma mensagem: continuem a ler e a apoiar a ANA. É um site de divulgação importante e fundamental. Obrigado.

FB: https://www.facebook.com/Barricada-de-Livros-107364059947250/

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é quase noitinha
o céu entorna no poente
um copo de vinho

Humberto del Maestro

[França] Lançamento: “Antropologia e anarquia nas sociedades policéfalas”, de Thom Holterman

O autor deste ensaio, baseando-se principalmente da obra do alemão Hermann Amborn, nos oferece uma leitura antropológica do anarquismo. Mais precisamente, por um lado, uma série de reflexões sobre a questão do Estado e das sociedades hierárquicas e autoritárias e, por outro, não sobre uma hipotética sociedade igualitária, mas sobre um certo número de regiões do mundo onde, ontem e hoje, homens e mulheres viveram e vivem relações sociais baseadas na igualdade e na participação de todos nos negócios da cidade.

Certamente que essas reflexões e essas práticas não correspondem a um modelo aplicável diretamente em nosso cotidiano, mas nos permitem pensar, imaginar que é possível uma antropologia anarquista, construída em uma interação permanente com os povos que continuam a manter ou a criar autogestões.

>> Thom Holterman, nascido em 1942, foi um objetor de consciência e um dos fundadores do grupo Provos em Rotterdam, então editor, desde 1971 – data de sua criação – da revista anarquista De AS. Ele possui o título de Doutor em Direito (1986) e publicou vários livros e panfletos em holandês, principalmente sobre anarquismo e direito.

Anthropologie et anarchie dans les sociétés polycéphales

Thom Holterman

Págs: 144

Preço: 9,00 EUR

ISBN: 978-2-35104-162-8

atelierdecreationlibertaire.com

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Cerejeira silvestre –
Sobre o regato se move
Uma roda d’água.

Kawai Chigetsu

[EUA] Evento virtual | Anarquismo Negro e Abolição

O escritor e ativista William C. Anderson compartilha seu último trabalho, The Nation On No Map, em uma conversa virtual ao vivo com a escritora feminista Robyn Maynard, terça-feira, 21 de dezembro.

The Nation on No Map examina o poder do Estado, a abolição e as tensões ideológicas dentro da luta pela libertação negra, ao mesmo tempo que centra a política de autonomia e autodeterminação negra. Em meio ao renovado interesse no anarquismo negro entre a esquerda, Anderson oferece uma rejeição de princípios do reformismo, construção da nação e cidadania na luta contínua contra o capitalismo e a supremacia branca. Como uma alternativa viável em meio ao agravamento das condições sociais, ele clama pela priorização urgente do crescimento baseado na comunidade, argumentando que, para superar a opressão, as pessoas devem desenvolver capacidades além do Estado.

William C. Anderson é um escritor e ativista de Birmingham, Alabama. Seu trabalho já apareceu no Guardian, MTV, Truthout, British Journal of Photography e Pitchfork, entre outros. Ele é co-autor do livro As Black as Resistance (AK Press 2018) e co-fundador do Offshoot Journal. Ele também fornece direção criativa como um dos produtores do Podcast Black Autonomy. Seus textos foram incluídos nas antologias, Who Do You Serve, Who Do You Protect? (Haymarket 2016) e No Selves to Defend (Mariame Kaba 2014).

Robyn Maynard é uma estudiosa feminista negra que mora em Toronto. É autora de Policing Black Lives: State violence in Canada from slavery to the present, publicado pela Fernwood Publishing em 2017. É coautora, com Leanne Betasamosake Simpson, de Rehearsals for Living, um texto epistolar que explora o local e as dimensões globais do pensamento abolicionista e anticolonial de perspectivas feministas negras e indígenas, a ser publicado com Knopf (Canadá) e a série Abolitionist Papers de Haymarket (EUA) em junho de 2022. Seu trabalho também apareceu no Toronto Star, no Montréal Gazette, Scholar & Feminist, e foi traduzido para o francês e alemão.

Registre-se aqui:

https://firestorm.coop/events/2964-black-anarchism-and-abolition.html?fbclid=IwAR1dtzX-kHnchOshhstZLnmFZ9x_O8tgL3LkDxB-zDJ5oI6eeHYYUnUj_6w

Tradução > GTR@Leibowitz__

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O gato chinês
espera sentado
por sua vez

Eugénia Tabosa

[Chile] Basta de oportunismo e mentiras

O projeto de “mudanças” da social-democracia não vai deter o fascismo e o projeto de “futuro” de Kast só vai levar a mais repressão dos setores popular, revolucionário e mapuche. Ambos os lados trarão mais instabilidade, polarização, mobilização e confronto de rua.

Nem as mudanças nem um futuro melhor virão do oportunismo eleitoral, porque os social-democratas e os ultra-direitistas defendem o modelo capitalista de empobrecimento e precariedade.

Da nossa parte não fazemos chamados para votar ou não votar (cada um escolhe seu próprio caminho), mas aqueles que chamam para votar em um ou outro, tenham pelo menos a decência de não continuarem mentindo com falsas promessas de “mudanças”, “futuro” e “paz”. Admitam que o fazem por medo de um dos dois candidatos, pois a dura realidade é que entre os dois candidatos o povo pobre não tem opção de verdadeiras transformações e seguirá o caminho do mal menor com as consequências que já conhecíamos em 2019.

O único projeto que significa transformações reais nas condições de vida do povo pobre e que assegura a paz e o futuro é o revolucionário que devemos levantar junto com a autonomia, desde baixo, nos bairros, entre os habitantes e unificando a luta pela terra que os povos nativos estão liderando.

BASTA DE OPORTUNISMO E MENTIRAS!!!

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura.

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 A ipoméia
Tomou-me o balde do poço –
Busco água no vizinho.

Kaga no Chiyoni

[Espanha] III Jornadas Anarquistas da FAGC

Como encerramento de nossos 10 anos de anarquismo de bairro, nos dias 17, 18 e 19 de dezembro celebraremos nossa III Jornadas Anarquistas no Café D’espacio (Calle Cebrián, nº 54), em Las Palmas de Gran Canária. A arte do cartaz pertence ao grande Marco.

Na sexta-feira (17) apresentaremos o trabalho que temos feito desde o verão de 2011. Além disso, nosso companheiro Ruymán Rodríguez apresentará seu livro “Leyenda negra: la criminalización del anarquismo a través de la historia”.

No sábado (18) teremos o luxo de ouvir Jordi Maíz Chacón, que nos falará sobre a figura de Piotr Kropotkin no centenário de sua morte.

No domingo (19), como apogeu, nossa companheira Sandra Navarro dará voz à palestra “Rebelion anarcofeminista: mujeres no nacidas, mujeres construidas”, que ela preparou junto com nossas companheiras Zay X e Laura B.

Federação Anarquista da Gran Canária – FAGC

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nos fios
os pássaros
escrevem música

Eugénia Tabosa

[Espanha] A CGT chama para ocupar as ruas em 18 de dezembro diante da crise generalizada que a classe trabalhadora está atravessando e da ameaça da extrema direita

Sob o lema “Las personas antes que el capital”, a organização anarcossindicalista exige justiça social, a revogação das Reformas Trabalhistas, a revogação das leis repressivas e a defesa de pensões dignas para a classe trabalhadora.

A manifestação começará ao meio-dia desde a Plaza de la Beata María Ana de Jesús até a Plaza de las Cortes, Madrid.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) emitiu um comunicado por ocasião da manifestação centralizada que convocaram para este sábado, 18 de dezembro, na capital do Estado espanhol, e com a qual pretendem iniciar um processo de mobilização contra a situação de crise que as classes mais vulneráveis estão novamente sofrendo após o surgimento da pandemia de Covid-19 há quase dois anos.

A CGT reconhece que esses quase dois anos de pandemia só serviram aos interesses das classes altas do país, como evidenciado pelo fato de que as grandes fortunas não pararam de crescer enquanto o fascismo aproveitou para ocupar o poder em parlamentos “democráticos” e correr solto nas ruas de nossas cidades. Pelo contrário, os mesmos de sempre continuaram pagando as consequências de outra “crise”, colocando os mortos nos locais de trabalho ou estando “mortos em vida” sem poder pagar as contas.

A CGT tem claro que o governo do PSOE-Unidas Podemos não vai revogar as Reformas Trabalhistas, atendendo às exigências dos poderes financeiros, e dará uma maquiagem aos regulamentos, mas em qualquer caso eles continuarão a significar sacrifícios para milhares de pessoas trabalhadoras. O mesmo acontecerá com a lei da mordaça, que permanecerá em vigor na maioria de seus artigos, bem como com a reforma previdenciária, cujos requisitos para ter acesso a uma aposentadoria serão mais rigorosos. Além de tudo isso, a CGT aponta que serviços públicos como educação, transporte e saúde continuarão a ser privatizados.

A CGT recorda que a classe trabalhadora tem razões mais do que suficientes para encher as ruas de Madrid neste sábado, e insiste que é essencial compreender a gravidade dos acontecimentos que nós, como sociedade, temos testemunhado nos últimos tempos, a fim de reverter as consequências que deles resultarão a médio e longo prazo.

A CGT considera que estamos em um momento de grave agressão e ataque aos direitos e liberdades das classes populares e que uma resposta maciça e de forma unitária e como classe trabalhadora é urgentemente necessária para reverter este processo e suas consequências.

cgt.org.es

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Se tu és deste mundo
Escuta: é dezembro e ao longe
Alguém a pisoar.

Ihara Saikaku

Notícias das prisões da Bielorrússia, novembro de 2021

Em 1º de novembro, o anarquista Sergey Romanov foi condenado a 1 ano de colônia penal por “desafiar as medidas de vigilância preventiva”. Foi um julgamento separado; Sergey é simultaneamente réu em outro julgamento descrito abaixo.

Em 2 de novembro a Ação Revolucionária e em 12 de novembro Pramen foram oficialmente reconhecidos pelas autoridades bielorrussas como “formações extremistas”. Ambos são grupos anarquistas bielorrussos.

Em 1º de novembro, soube-se que Igor Bancer foi colocado em uma cela solitária como punição. No momento da transferência, Igor estava com febre alta e um médico da prisão prescreveu-lhe que ficasse na cama. Na Bielorrússia, a punição com cela solitária geralmente inclui tortura por temperatura baixa, o que é especialmente cruel se a pessoa em questão estiver doente.

Igor foi libertado após 20 dias de isolamento. Ele relatou que havia sido punido duas vezes. A primeira vez (10 dias de isolamento) por recusar a entrada em uma cela onde estava detida uma pessoa por pequenas causas. A segunda vez (mais 10 dias) por deitar na cama durante o dia (enquanto estava doente).

Em 24 de novembro, Igor estava no tribunal mais uma vez. Como em outras ocasiões, a administração da prisão aberta onde está detido, tentou transferi-lo para uma colônia penal (prisão fechada). O tribunal negou a transferência, Igor continua em prisão aberta. Segundo informações não comprovadas, seu mandato termina em 17 de dezembro.

Em 3 de novembro, o anarquista Artyom Markin teve sua entrada negada na Ucrânia depois que seu avião pousou em um dos aeroportos ucranianos. Ele teve que voar de volta para o país de onde ele veio. Mais tarde, descobriu-se que Artyom foi banido da Ucrânia de acordo com a decisão do SBU (serviço secreto). A decisão foi tomada em novembro de 2020; as razões para a proibição de entrada são “garantia da segurança nacional e / ou luta contra o crime organizado”.

Mikita Yemelyanau passou 30 dias na cela de isolamento, de 11 de outubro a 10 de novembro. Ele manteve uma greve de fome por 20 dias. Em 27 de outubro foi autorizado a escrever um pedido de visita de sacerdote e em 3 de novembro foi visitado por um sacerdote. Mikita iniciou a greve de fome, porque desde o verão o encontro com um padre lhe era negado.

Em 10 de novembro, o anarquista Mikola Dziadok foi condenado a 5 anos de prisão.

No final de novembro, Mikola foi transferido para a prisão de Mahiliou. Seu endereço atual:

Dedok Nikolay Aleksandrovich

Prisão nº 4. 212011, Mahiliou, vulica Krupskaj 99A, Bielorrússia

Em meados de novembro, soube-se que os antifascistas Denis Boltuts e Timur Pipiya foram privados de receber encomendas por 4 meses. A proibição entrou em vigor imediatamente após sua chegada à colônia penal.

Em 15 de novembro, foi iniciado um julgamento de anarcha-partisans no tribunal regional de Minsk (juiz V. Tulejka). Os arguidos são: Sergey Romanov, Dzmitry Dubovski, Ihar Alinevich e Dzmitry Rezanovich. As acusações incluem art. 289,2 (terrorismo) e art. 295,3 (posse ilegal de armas de fogo). ‘Terrorismo’, neste caso, significa destruição de propriedade: queima de viaturas da polícia e incendiar os edifícios da polícia (sem lesões envolvidas, uma vez que todos os edifícios e carros estavam vazios).

Como era de se esperar, o julgamento foi declarado encerrado ao público por um juiz, supostamente para defender os interesses das ‘vítimas’ (policiais cujos carros foram incendiados).

Mais tarde, três dos réus recusaram-se a participar nesta zombaria da justiça, apenas Dzmitry Dubovski permaneceu no tribunal. A mãe de Romanov relata que depois que seu filho foi detido em 2020, ele foi espancado e gás lacrimogêneo foi usado contra ele. Para impedir as torturas, Sergey teve que recorrer a danos autoinfligidos (anteriormente, esses detalhes não eram conhecidos publicamente).

Em 26 de novembro, todos os quatro foram transferidos da prisão do KGB (serviço secreto) para a prisão N° 1 (ambos em Minsk). Seu novo endereço:

Alinevich Ihar Uladzimiravich

Dubovski Dzmitry Nikolaevich

Romanov Sergey Alexandrovich

Rezanovich Dzmitry Grigorevich

SIZO-1, vul. Valadarskaha 2, Minsk 220030, Bielorrússia

Em 18 de novembro, foi realizada uma busca no local da mãe de Jauhien Zhurauski em Baranavičy. Zhurauski está no exterior há mais de um ano. Um processo criminal foi aberto contra ele após sua participação em um piquete em homenagem a Andrei Zeltserh, realizado próximo à embaixada de Bielorrússia em Varsóvia.

Um processo criminal análogo foi aberto contra Roman Khalilov, que participou da mesma ação em Varsóvia (Khalilov já havia sido suspeito em outros casos, por exemplo, o de ‘organização anarquista criminosa internacional’). Em 26 de novembro, o local da mãe de Khalilov, Gayane Akhtiyan, foi revistado na Polack. Gayane Akhtiyan foi detida e inicialmente presa por 10 dias por ‘insubordinação à polícia’. Em 2 de dezembro, soube-se que foi aberto um processo criminal contra ela (art. 342, flagrante violação da ordem pública). Ela foi transferida da Polack para as instalações de detenção de Minsk.

Fonte: https://abc-belarus.org/?p=14514&lang=en

Tradução > Amós Rocha

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agência de notícias anarquistas-ana

Mesmo que só veja
o lado bom dessa vida,
tirito de frio!

Issa

[Espanha] A CGT assegura que a votação do acordo alcançado pela CC.OO e pela UGT para o acordo dos metalúrgicos em Cádiz foi uma farsa

Os anarcossindicalistas asseguram que manterão as mobilizações no setor e apelam a toda a sociedade para que continue a apoiar a luta desses trabalhadores.

A Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da Confederação Geral do Trabalho (FESIM-CGT) emitiu um comunicado para denunciar que em mais de cem empresas do setor metalúrgico em Cádiz – cujos trabalhadores estão em greve por condições dignas de trabalho – o pré-acordo não foi colocado à votação, e em muitas outras os trabalhadores consideraram que os resultados obtidos foram manipulados e que não foi permitido o voto de toda a força de trabalho.

A CGT, além de considerar estes fatos muito graves, também torna público seu desconforto com o que aconteceu nas últimas horas em relação à forma como estas votações foram realizadas nas empresas do setor, a fim de cancelar as mobilizações e a greve por tempo indeterminado desde 16 de novembro.

A organização negra-vermelha informa sobre o crescente número de trabalhadores que se queixam da falta de consultas que os dois sindicatos do regime, CC.OO e UGT, têm realizado em suas empresas. Ao mesmo tempo, há pessoas que estão denunciando manipulações nas votações realizadas em seus respectivos locais de trabalho, onde a atividade industrial começou antes mesmo da assembleia relevante e da votação subsequente.

A FESIM-CGT também denuncia a velocidade “suspeita” com que as votações foram feitas, afirmando que “o acordo foi alcançado tarde na quarta-feira 24, e em apenas 10 horas, sem que a força de trabalho tivesse informações suficientes, a votação já estava sendo feita”. É por isso que os anarcossindicalistas afirmaram que se tudo isso fosse verdade, esta seria uma situação extremamente grave, pois significaria que o acordo alcançado em 24 de novembro para pôr um fim à luta dos metalúrgicos em Cádiz não teria qualquer validade.

A CGT quer enviar uma mensagem muito clara a esses trabalhadores e à sociedade como um todo: “Se as informações que nos chegam se revelarem verdadeiras, os trabalhadores não podem ficar parados e em silêncio, pois é seu direito de voto que está sendo violado por aqueles que afirmam representá-los”. Além disso, a CGT insiste que esta atitude dos grandes sindicatos amarelos reforça ainda mais a posição desta organização sindical, que desde o primeiro momento se posicionou contra este acordo.

A organização anarquista exige que estes sindicatos signatários, cúmplices do poder e dos patrões, mostrem publicamente os registros de votação de todas estas empresas do setor, já que esta seria a única maneira de corroborar que eles não têm agido nas costas da classe trabalhadora afetada neste setor.

Fonte: https://cgt.org.es/cgt-asegura-que-la-votacion-sobre-el-acuerdo-alcanzado-por-cc-oo-y-ugt-para-el-convenio-del-metal-en-cadiz-ha-sido-un-montaje/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Num pesado embalo
alguém traz a cerejeira –
Noite de luar.

Suzuki Michihiko

[EUA] “LA Art and Music Festival Benefiting Mutual Aid Project”, um sucesso apesar das ameaças da extrema-direita e da polícia

Nota sobre um festival de arte e música anarquista de sucesso na chamada área de Los Angeles.

Em outubro, a Frente Revolucionária Anarquista Autônoma¹ (AARF) entrou em contato com a LA Crust Printing (conhecida por ajudar grupos de ajuda mútua a arrecadar fundos) para colaboração em um evento para arrecadar dinheiro para sua loja gratuita semanal. A princípio a ideia era fazer apenas um show com algumas bandas locais – mas o LA Crust vislumbrou algo maior.

Vendedores e artistas de toda a área de Los Angeles foram contatados e um show de arte foi planejado em conjunto com as bandas tocando. Habak – uma banda crust de Tijuana – foi escolhida para ser a atração principal do evento e LA Crust Fest foi definido para acontecer em um armazém em Boyle Heights no dia 4 de dezembro. O evento rapidamente atraiu a atenção de toda a região, com os panfletos sendo compartilhados novamente por pessoas dentro e fora dos espaços organizados. Desnecessário dizer que não demorou muito até que também entrou no radar dos da extrema-direita.

Cinco dias antes do Festival, o galpão foi cancelado – não apenas o Festival, mas todos os shows agendados – dizendo que a polícia veio avisar que eles não podiam mais fazer nenhum evento, citando licenças como o problema – QUE SE F*DA A POLÍCIA E A CIDADE. Esse grande contratempo nos fez lutar para encontrar um local que abrigasse um evento desse porte em tão pouco tempo. Entramos em contato através das redes sociais para obter ajuda com sugestões – e a manifestação de apoio da cena foi incrível. Literalmente 24 horas antes do evento – foi encontrado um estúdio que hospedaria os artistas e vendedores e um local não muito longe do espaço que foi reservado para o show.

A mostra de arte foi um sucesso, com muitos exibindo suas pinturas, desenhando retratos, apresentando zines, vendendo roupas e mercadorias. O evento durou 6 horas até o instante de mudar para o próximo local para as bandas. O comparecimento das bandas foi ainda maior do que o show de arte e não se esperava que fosse tão grande! Muitas pessoas doaram um extra na porta para o free shop e zines também foram entregues na entrada. Antes do primeiro set de bandas, um indivíduo foi denunciado por tocar em garotas menores de idade e foi tratado de acordo.

Não muito tempo depois o local também atingiu sua capacidade total e as pessoas tiveram que ser rejeitadas de acordo com as regras do proprietário do local (f*da-se ele). Infelizmente, os policiais também vieram antes que a banda Habak pudesse tocar – e a energia foi desligada. Três policiais pararam na entrada enquanto a multidão se infiltrava no estacionamento e uma briga estourou entre duas pessoas, foi rapidamente resolvida pelos punks, enquanto os policiais não se manifestaram. As bandas puderam tocar em outro local mais tarde naquela noite.

[1] A.A.R.F. está distribuindo vários suprimentos semanalmente para os necessitados na área de Los Angeles. Distribuímos suprimentos como alimentos, mantimentos, água, lanches, produtos sanitários, roupas e outros itens necessários neste momento de crise.

Fonte: https://itsgoingdown.org/anarchist-festival-success-despite-threats/

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Vendo à luz do dia,
Tem um colar vermelho
O vagalume!

Bashô

[Chile] Santiago: Jornada antikarcerária e kontracultural pelxs presxs subversivxs e anarquistas, 18 de dezembro

Avançar de forma desenfreada e contra todas as probabilidades tem sido a opção de nossas vidas, apostando precisamente no confronto da luta através de um trabalho de formiga, dando passos milimétricos tangíveis, em que cada indivíduo livre, solidário e consciente consegue propagar e expandir a mensagem de libertação total“. Pablo Bahamondes Ortiz

Desde a histórica população Simón Bolívar estendemos um convite a cada indivíduo, grupo, rede e coletivo antiautoritário para participar desta jornada que tem a intenção de agitar e mostrar solidariedade com nossxs companheirxs cativxs que hoje estão condenados a décadas de prisão política por terem dado múltiplos golpes ao poder e suas infra-estruturas desde uma posição subversiva autônoma.

A jornada acontecerá:

Sábado 18 de dezembro a partir das 15h00 (Pontual). Local: Plaza Calle 3 (Édison com Calle 3) na população de Simón Bolívar, Quinta Normal. Referência Av. San Pablo com Av. Radal a poucos passos do metrô Branqueado.

Haverá Projeção – Informação – Feira Libertária (traga a sua, sem comida!) – Alimentos veganos à venda em solidariedade com os companheiros na prisão e coleta de encomendas.

No ruído estarão:

D-linkir / Reyerta / La Furia / Banda Bonnot / Los Solidarios / Ahórkate / Sulfato de Mierda / Pukutriñuke / Sobras del Descontento / Danza Tribal

Em kada gesto de kumplicidade estamos rekriando as ideias ke defendemos, sabendo ke nossa luta é imemorial e ao mantê-la viva estamos desafiando a ordem existente, negando sua legitimidade em nossos espaços, avançando na ruptura de kontrole, ampliando as áreas de ação antiautoritária e subversiva do kombate kontra a sociedade prisional que tanto odiamos“. Marcelo Villarroel Sepúlveda

Atividade livre de álcool, fumo, drogas, atitudes fascistas e patriarcais.

ESPALHE A PALAVRA, ASSISTA, SOLIDARIZA E ATUE!

agência de notícias anarquistas-ana

As campânulas
Se espalham pelo terreno —
Casa abandonada.

Shiki

[Espanha] CGT ganha caso de licença maternidade de mãe solteira

A trabalhadora recebeu a extensão de sua licença maternidade pelo nascimento de sua filha pelo tempo que corresponderia ao outro progenitor.

Na terça-feira, 23 de novembro, tomamos conhecimento do julgamento.

Este é o primeiro caso da Junta de Andaluzia e de uma funcionária pública feminina. Até agora, os casos ganhos (Aragão, País Basco, Catalunha, Ilhas Baleares, Galiza, Castela e Leão, Ilhas Canárias) eram de tribunais sociais; este é de um tribunal contencioso administrativo. Isto estabelece um precedente muito importante. Esta decisão estabelecerá os critérios para que a Junta se aplique a partir de agora.

Este tem sido um caminho com um final feliz, mas não sem suas dificuldades. Nossa companheira Ana, professora de uma escola secundária na província de Sevilha, solicitou a licença que corresponderia ao outro pai, se existisse um. A Delegação Territorial de Educação em Sevilha negou-lhe o pedido. Nosso assessor jurídico apresentou um recurso, que foi rejeitado. Seguiu-se o recurso contencioso administrativo, que foi satisfatoriamente resolvido, para que Ana e sua filha pudessem estar juntas durante o tempo que lhes correspondesse.

A Lei Orgânica 8/2015, de 22 de julho, sobre a modificação do sistema de proteção à criança e ao adolescente, a Convenção sobre os Direitos da Criança e a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia são algumas das normas que sustentam que os interesses da criança devem ser primordiais em todos os atos relacionados às crianças realizados por autoridades públicas ou instituições privadas. Esta é uma consideração primordial. As crianças têm direito à proteção e aos cuidados necessários para seu bem-estar.

Não poder usufruir da licença de um segundo progenitor no caso de famílias monoparentais ou monomarentais é um tratamento diferenciador e discriminatório injustificável que resulta na falta de proteção dos menores em relação aos de uma família tradicional, ignorando o fato de que em qualquer caso o interesse e a proteção das crianças devem prevalecer independentemente do tipo de família em que o menor se desenvolve.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatísticas para o ano 2018, na Espanha o número de lares monoparentais (usamos este termo em termos gerais porque é o utilizado pelo INE) foi de 1878500 no total, dos quais 340300 correspondiam a homens, enquanto 1538200 correspondiam a mulheres. A partir destes dados, fica claro que esta situação está intimamente ligada a outra questão muito importante: a igualdade entre homens e mulheres (Artigo 14 da Constituição), a permanência no emprego das mulheres trabalhadoras (Artigo 35.1) e/ou a compatibilidade de sua vida profissional (Artigo 39.1).

A Suprema Corte já declarou que a discriminação de menores com base em sua própria condição ou no estado civil ou situação de seus pais, quando introduzimos um período de cuidado e atenção aos menores monoparentais ou monomarentais, leva a uma redução dos cuidados prestados às famílias monoparentais e introduz um viés que dificulta o desenvolvimento do menor, uma vez que ele é cuidado por menos tempo e com menor envolvimento da pessoa considerada como sendo seu pai ou sua mãe.

Da CGT, continuamos a defender os direitos e a aplicação das regras de acordo com as múltiplas realidades existentes. Nós abrimos o caminho.

Fonte: https://cgt.org.es/cgt-gana-un-juicio-sobre-el-permiso-de-maternidad-de-una-madre-sola/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O vento cortante
Assim chega ao seu destino –
Barulho do mar.

Ikenishi Gonsui

[Espanha] Crowdfunding da FAL

A Fundação Anselmo Lorenzo (FAL) está lançando sua mais ambiciosa campanha de financiamento público para a catalogação de toda a coleção pós-1939.

NÓS CRESCEMOS COM VOCÊ

Nossa documentação inclui, entre outros materiais, cartazes, fotografias e material audiovisual da Guerra Civil, do exílio e da Transição. Uma coleção de 6.000 cartazes, mais de 5.000 títulos de imprensa catalogados desde o final do século XIX até os dias atuais, um arquivo audiovisual e uma biblioteca especializada com milhares de títulos em sua coleção. Em resumo, um tesouro que nos torna o maior arquivo anarquista da Península Ibérica e um dos maiores do mundo.

Nosso trabalho no arquivo nos permitiu tratar de um total de 440 consultas de pesquisa somente em 2020. Também registramos 123 pedidos de informações de pessoas que procuram dados sobre antigos parentes da CNT ou ligados ao movimento libertário. É um trabalho que, como você pode ver, se traduz em uma função real de recuperar nossa memória. E o mais importante, sem subsídios ou auxílios estatais.

É uma obra de difusão cultural. De memória. De trazer nosso legado à luz e impedir que nossa marca e presença sejam apagadas da história. Mas também de divulgação e construção. Através de publicações, eventos e conferências, a FAL é um agente ativo de primeira ordem na construção do futuro libertário. E é aqui que você entra em ação, porque sem você nada disso seria possível.

Objetivos

– 3.000 euros para material de conservação

– 3.000 para equipamentos de informática, digitalização da imprensa, digitalização de fotos, slides e negativos

– 18.000 euros para cada pessoa dedicada a este trabalho durante um ano

– 11.000 para um scanner profissional de grande formato

– 20.000 para um programa profissional de gerenciamento de documentos

Recompensas

Fizemos um grande trabalho com a coleção pertencente ao movimento operário e libertário pré-1939, mas ainda há um longo caminho a percorrer para conservar, catalogar e divulgar a coleção pós-1939: o exílio, a transição e os dias de hoje.

É por isso que pedimos sua colaboração para fazer avançar nosso projeto; um projeto que também é seu.

Até 40 euros

Uma cópia em pdf das aquarelas de José Luis Rey Vila ‘SIM’ das gravuras da Revolução Espanhola e da Guerra Civil.

Entre 40 e 120 euros

As aquarelas acima, uma coleção de fotografias digitais de nosso Arquivo Fotográfico da Guerra Civil e se apontará a pessoa como doadora de base para a FAL por um ano.

Mais de 120 euros

As aquarelas acima, uma coleção de cartazes digitalizados do período da Guerra Civil Espanhola de nossa Coleção de Cartazes e a pessoa também será listada como doador de apoio à FAL por um ano.

>> Para colaborar, clique aqui:

https://www.gofundme.com/f/aydanos-a-preservar-la-memoria-libertaria

fal.cnt.es

Tradução > Liberto

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Boêmio da noite
no portão enferrujado.
Morcego dormindo.

Fanny Dupré

[Reino Unido] Lançamento: “A Life for Anarchy, Uma Leitura de Stuart Christie”

Stuart Christie (Autor); Kate Sharpley Library (Editora)

Sem liberdade não há igualdade e sem igualdade não há liberdade, e sem luta não há nenhuma das duas” — Stuart Christie

Stuart Christie (1946–2020) é mais conhecido por seu envolvimento na resistência anarquista à ditadura de Franco na Espanha. Também é cofundador da Anarchist Black Cross [Cruz Negra Anarquista], Black Flag e Cienfuegos Press – entre muitas outras aventuras editoriais.

Sua coleção de artigos foram agrupadas em seu tributo pelo coletivo Kate Sharpley Library. A publicação contém alguns de seus escritos políticos menores da imprensa anarquista, radical e tradicional e alguns de seus tributos para seus amigos e camaradas. A seção final contém uma seleção de tributos de seus amigos e camaradas para ele.

Este livro não foi pensado como uma revisão da história anarquista moderna, mas apenas como um tributo a nosso amigo que dedicou sua vida ao “coletivismo de autogestão, à liberdade individual, à solidariedade e à diversão!”

A Life for Anarchy | A Stuart Christie Reader
Stuart Christie (Autor); Kate Sharpley Library (Editora)
Editora: Kate Sharpley Library
Páginas: 282
ISBN-13: 9781939202376
$18.00
akpress.org

Tradução > Sky

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Numa cachoeira
folia das gotas do rio.
São águas no cio.

Marcelo Santos Silvério

[Itália] PINO. Vida acidental de um anarquista.

Documentário animado + encontro com

> Niccolò Volpati, autor do documentário de animação

> Claudia Pinelli, filha de Pino

Quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

> La Sobilla abre às 19h30

> A reunião + documentário animado é às 20h30

Apresentação

Certa noite, em 1969, pouco antes do Natal, duas meninas voltam para casa pensando que encontrarão seu pai. Em vez disso, elas encontram policiais que estão vasculhando seu apartamento, jogando tudo no chão, até mesmo os presentes de Natal que seus pais esconderam. Naquela noite, as duas meninas descobrem que Papai Noel não existe e que seu pai, Pino, não vai voltar para casa.

O anarquista Giuseppe Pinelli (21 de outubro de 1928 – 15 de dezembro de 1969), conhecido como Pino, foi acusado de ter detonado a bomba do massacre da Piazza Fontana em Milão, que causou muitas vítimas e mudou para sempre a história da Itália. Mas ele era inocente e a bomba havia sido plantada por fascistas. Para provar isso, sua esposa Licia, junto com muitas outras, teve que lutar muito, por muito tempo, e Pino tornou-se um símbolo da rebelião contra a injustiça.

A história de Pinelli contada de um ponto de vista inédito, através das memórias de suas filhas em um documentário de animação dirigido por Claudia Cipriani e escrito por Claudia Cipriani e Niccolò Volpati.

La Sobilla, em Salita San Sepolcro 6/b, Verona

>> Trailer do documentário animado:

https://www.youtube.com/watch?v=8gSyxGhiqyM&t=13s

Tradução > GTR@Leibowitz__

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lavrando o campo
a nuvem imóvel
se foi

Buson

Novo incitamento à ação direta contra a Catalunha

“Lottavano cosi come si gioca / I cuccioli del maggio, era normale; / Loro avevano il tempo anche per la galera. / Ad aspettarli fuori rimaneva / La stessa rabbia, la stessa primavera…”.  (Storia di un impiegato, Fabrizio De Andre, 1973)

“Eles lutavam enquanto se brincava / O cachorro de maio, era normal; / Eles tinham tempo até para a prisão / Esperá-los lá fora era / A mesma raiva, a mesma primavera…”.  (História de um empregado, Fabrizio De Andre, 1973)

0- NOTA…

Pouco depois de começar a escrever este texto com o objetivo de reafirmar nossa solidariedade anárquica internacionalista concreta e destrutiva, uma brutal ofensiva começou ao mesmo tempo nos territórios do Wallmapu. Os assassinos contratados das empresas com interesses florestais (na província de Rio Negro) assassinaram um membro da comunidade Mapuche – Elias Garay – e feriram gravemente outro membro da comunidade. Ao mesmo tempo, grupos paramilitares de ultra-direita na cidade de Bahia Blanca emitiram comunicados alegando responsabilidade por ataques graves (contra grupos nativos), incentivando e prefigurando mais ações criminosas. Como se isso não fosse suficiente, a porcaria do jornal Clarin, pró-fascista, foi atacada com bombas molotov, e a “caça aos anarquistas” já começou, com (por enquanto) um preso, e outros oito procurados. Negras tormentas estão se formando… Parece digno da tradição surrealista que, diante de tal panorama, insistimos em coisas que acontecem a milhares de quilômetros de distância de nós. Mas acontece que nós anarquistas somos caprichosos e inveterados, assim: nossa pátria são nossos pés; e andamos descalços, mas com a fúria de um Ideal batendo insurrecionalmente em nossos corações negros.

I- PROLOGO

A luz é melhor vista na escuridão. Para ver a foto, é necessário estar fora da foto: Danilo é um dos quatro camaradas ainda em Brians I, uma prisão CATALÃ. A manipulação da esquerda (sempre um inimigo e não nos esqueçamos disso) não tem limites, não tem vergonha. Acontece que eles controlam de uma suposta “assembleia” uma pseudo/campanha para a liberdade dos que pensam da mesma maneira. E o mais triste é a inação daqueles que se vangloriam de ser anarquistas em Barcelona e o permitem, sem sequer levantar um dedo… E eles nos usam até mesmo em Milão, para propagar seu rapper imundo. O dia de apoio organizado pelo movimento pró-anarquista – que se leia neoeta ramo catalão – em um ateneu pró-independência de “Arran” (que fazem parte do mesmo governo que os mantém prisioneiros!) foi uma farsa absolutamente vil e detestável. Ninguém diz nada? E eles tiveram até o luxo de usar o camarada sequestrado para anunciar sua procissão anual nacionalista, estatista, estalinista e interclassista de lanternas, muito “anti-prisão”. Não há necessidade de uma demonstração selvagem, noturna. A tarefa deles é exatamente essa: desconvocar – pacificar… Ódio e guerra contra a CUPolícia , camaradas.

II- LIBERI TUTTI?

Não é necessário ter muita imaginação para ter uma simples visão do que os chamados “esquerda pró-independência catalã” estão tentando estabelecer nos territórios que eles consideram pertencer (?). Há muitas coincidências entre o que no norte da Itália eles chamam de Padania (Roma é uma ladra dizem os ultradireitistas da Liga do Norte) e a “Espanha nos rouba”, em sua versão de Barcelona. Uma verdade incômoda, se é que alguma vez existiu, é que, durante séculos, sua burguesia imperialista acumulou imensas fortunas escravizando milhares de africanos no Caribe e o próprio traçado da metrópole atual, incluindo os nomes das principais avenidas e monumentos copiosos, são dedicados a essas famílias aberrantes. De tempos em tempos é proposto (como uma forma de revisionismo histórico hipócrita) renomeá-los. Isto é apenas para tentar apagar – desajeitadamente – os vestígios desse passado. Quando o que mais tarde ficou conhecido mundialmente como “maio de 68” eclodiu, poucos se lembraram que se tratava de uma revolta burguesa, desencadeada por restrições de admissão nas universidades mais elitistas. Uma classe média limitada e frustrada. Das revoltas dos trabalhadores, é melhor não falar!

III- RE-CALCULANDO

Lembra-se da cena memorável de Matrix I, aquela em que o mesmo gato passa duas vezes, revelando que tudo está programado, e que para seu sistema Orwelliano (na versão do século 21) não passamos de ratos correndo em um labirinto sem saída? Sentimos que esta pantomima está agora sendo repetida ad eternum. Quando lançamos o Chamado internacional para ação direta – contra a Catalunha burguesa – sabíamos que isso soaria estranho para algumas pessoas. Mas como isso pode ser possível! Um povo tão “libertário” e tão “subjugado” ainda merece ser alvo de um ataque de fúria e, para torná-lo ainda mais ignominioso, por pessoas que se parecem com lobos ferozes e, para piorar a situação, se proclamam anarquistas? Será assim, camaradas, e que se lixem se se sentirem aludidos. Não há dúvida alguma de que o que poderia ter sido o pontapé inicial (da Revolução Anarquista Mundial) sucumbiu a uma mistura de personalismos, e alianças febril com forças inimigas que nos deixaram de mãos e pés atados, à mercê da reação socialista. A pergunta de um milhão de dólares é: aprendemos alguma coisa com aquela prodigiosa e sanguinária gesta proletária? Tudo parece indicar que a resposta é NÃO.

IV- CONTANDO BALAS

Com quanta ilusão (e com quanta ingenuidade…) viajamos até lá de todos os cantos do mundo, encorajados pela – hipotética – esperança de sermos protagonistas das lutas anti/autoritárias da “besta negra europeia”. E nós estávamos babando, vendo aquele pequeno vídeo da resistência ao despejo do Cine Princesa. Quase um quarto de século depois dessa miragem, estamos certos de que perseguimos apenas quimeras idealistas. Durruti foi morto duas vezes: primeiro fisicamente, e depois falsificando suas palavras. Eles nos contaram a história da pluralidade subversiva, em lugares tão emblemáticos como a Kasa de la Muntanya, onde havia uma liderança submersa camuflada como a horizontalidade. Eles queriam que fôssemos liderados como soldados a serviço do ETA. Alguns de nós o soubemos a tempo. Outros não o viram e sofreram as consequências de serem idiotas úteis: aquele que adverte não é um traidor. Hoje em dia, a estratégia não mudou muito. Só temos que pensar na situação de prisão de nossos camaradas sequestrados em 27 de fevereiro. É sobre isso que queremos falar-lhes, sem minar palavras. Eles estão apodrecendo em suas prisões há mais de NOVE meses. E vamos explicar por quê?

V- CARNE DE CANHÃO

O próprio Leon Trotsky escreveu uma carta ao companheiro Volin (autor da indispensável “A Revolução Desconhecida”) dizendo-lhe que também ele queria a anarquia com a ressalva de que, em sua opinião, ela não poderia se materializar sem antes passar por um período da Ditadura do proletariado. Ele então enviou seus lacaios para a Ucrânia, em uma noite em que estava prestes a dar uma palestra diante de um grande e entusiasmado público da classe trabalhadora e libertário. A ordem era para atirar nele. Mas aqueles que deveriam fazer isso, conhecendo-o bem, desobedeceram e o deixaram escapar; sendo reprimidos muito pouco tempo depois… Esta nota histórica não é supérflua para se pensar no presente: suas táticas são as mesmas. Nunca nos cansaremos de afirmar que não existem “rachaduras” entre o autoritário (socialismo?) e o libertário. O que existe é um ABISMO IRREMEDIÁVEL. Existe algo mais totalitário do que o slogan “todos contra o fascismo”? As milícias anarquistas da CNT foram massacradas pelo comunismo. Depois veio o Exército Popular e já sabemos como a história terminou… Quando diabos vamos assumir (e agir de acordo com as consequências) que NADA nos une a eles. Nem mesmo o espanto, camaradas!

VI- DE PURGAS E POGROMS

A Girona Anti-anarquista é um baluarte clássico, na chamada Catalunha profunda… E não foi por acaso que um “experimento sociológico piloto” foi realizado ali, visando neutralizar o potencial subversivo de certos espaços que “feian nosa” (atrapalharam) ou, para simplificar, foram uma chatice para a CUPolícia e seus planos de exercer um monopólio – das lutas sociais – enquadrados em territórios limítrofes de sua zona de influência política. Os espaços okupados de tendência anarquista – como Can Rusk e Can Kolmo – eram uma competição para os grupos comunistas autoritários pró-independência da região; era necessário “domá-los” para deter o vírus contagioso da anarquia… Vamos repeti-lo mil vezes se necessário: INFILTRAR E DIVIDIR, OU BOICOTAR E DESTRUIR. É o manual básico dos malditos marxistas, desde sempre. E o pior é que isso ainda funciona para eles. A desculpa perfeita que encontraram para semear a discórdia entre camaradas, foi o blog de um simpatizante que questionava o feminismo institucional, enquanto se definia como um “anarco-feminista”. É necessário descrever o que segue?

VII – É NECESSÁRIO

De repente aparece alguém, que vem de uma suposta ocupação leninista (um antigo banco renomeado Ateneu Salvadora Cata). E ele se junta à assembleia do Can Kolmo. Pouco depois disso – e veremos a mesma coisa novamente na CNT/AIT de Barcelona três anos depois… – ela diz que se sente desconfortável na presença do companheiro por causa de sua postura antissexista, e assim por diante. Para maiores informações sobre tal embuste, recomendamos a leitura do texto esclarecedor “El mecanismo” que pode ser acessado pesquisando na internet por “Noia negra”, um blog ativo em espanhol e italiano. A ordem de perseguição foi dada pela agitação de Cinetika em Barcelona; e foi lá que Pablo Vaso foi arrastado para o suicídio, acusado de coisas que não tinham provas confiáveis… O triste resultado em Girona foi que (com a história do feminismo) eles colocaram anarquistas contra anarquistas. Eles forçaram o despejo de italianos, em Can Rusk, por questionar esta montagem politiqueira anti-anarquista… E estigmatizaram outros camaradas que (sendo também participantes da assembleia de Cinetika – e membros dos irmãos e irmãs dos acusados) viajaram para Girona, juntamente com uma dúzia de pessoas de mentalidade semelhante, para evitar a expulsão: eles já tinham sido marcados!

VIII- A TEMPESTADE PERFEITA…

O rapper Pablo Hasel é um stalinista autoconfiante, uma pessoa de merda com um ar de superioridade. Ele é o típico supremacista catalão que fez de tudo para alcançar a notoriedade. Nossos cúmplices não estavam presentes nas manifestações para exigir sua liberdade. Eles foram atacar o sistema como um todo, o que é muito diferente. O ousado slogan tweet diagramado pelos cachorros da CUP (Arran) “até eles caírem”, foi condicionado por um confronto interno, que existe entre os partidos políticos que governam a burguesia catalã… Eles censuram as autoridades atuais por não terem uma posição firme para alcançar o estabelecimento do Estado catalão. É óbvio que se trata de mais fronteiras, mais exércitos, mais polícia e, sobretudo, mais capitalismo disfarçado com a grotesca mascarada de um anti-capitalismo não demonstrável. A encenação grosseira da tentativa de queimar a van da polícia (disso não temos a menor dúvida) foi a cereja no bolo, para distrair a atenção daqueles que organizaram os tumultos. Basta conferir os vídeos postados no youtube: um homem encapuzado quebra a janela de uma loja de luxo com um martelo. Outro lança um jato de líquido inflamável no interior. Um terceiro grita em CATALÃO para certificar-se de que o fogo está aceso corretamente. Não mintam mais para nós!

IX- A CULPA É DOS “EXTRANGEIRXS”

Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. Que grande e imundo lixo: esta farsa a que nos referimos é uma parte indivisível do que faz nosso povo se acreditar culpado – e sem provas -. Se tivessem sido eles, os defenderíamos ainda mais ferozmente e com ainda mais convicção: é bonito atacar a polícia em qualquer circunstância possível, e com toda a violência que podemos exercer, até mesmo provocando sua morte… Porque eles nos matam todos os dias. Porque eles são traidores de classe. Porque eles defendem os ricos e puxam o gatilho, com impunidade, se nos rebelarmos. Essa maldita Europa, que provoca a fome genocida. Aquela maldita Europa que observa, indiferente, tantos migrantes africanos se afogando no mar todos os dias e olha para o outro lado. Aquela maldita Europa indolente, consumista e corrupta: aquela civilização podre merece toda nossa sede de vingança, camaradas! Já experimentamos os dois lados da moeda. Vimos de perto como eles nos exploravam mesmo em nossas casas okupadas, enquanto faziam sua turnê de festas movidas a cocaína; e ficamos lavando a louça, e coletando a merda que eles espalharam, em seus “restaurantes populares”: ASCO!

X- A KARCELONA DO CAPITAL MORRE

Não é novidade dizer que o documentário manipulador Ingobernables, assim como outros similares, seguem o roteiro do mais recente Poble Rebel até o menor detalhe. Trata-se (e isto é evidente) de capitalizar um legado genuinamente libertário e decorá-lo com a isca para votar nos partidos políticos que suscitam discursos, que são propostos como continuadores e merecedores de tal legado… Este é o grande esquema do CUP and roll. Se não nos enganamos, a hashtag “Eu sou anarquista” começa em 2012 ou por aí. Alguns anos depois, como resultado da montagem da Operação Pandora, abriu-se outra (mas desta vez em catalão…) chamada “Jo tambe soc anarquista” (também sou anarquista) (essa foi a bandeira que cobriu a rua de um lado ao outro em uma manifestação de apoio aos detentos). Mais uma vez o circo de uma esquerda que tenta vender as maçãs envenenadas de uma solidariedade teórica e que cria a sensação -fantasmática- de que estamos do mesmo lado da barricada. Cada vez que acreditávamos nisso, éramos apunhalados pelas costas. JÁ É SUFICIENTE. A guerra selvagem e incontestável contra todo o famoso arco político como um todo, é o que nos fez e faz de nós ANARQUISTAS.

XI- QUE COLAU E CIA. PAGUEM

Antes de mais nada, vamos prestar muita atenção: o Conselho Municipal de Barcelona (que está envolvido no caso), que está acusando nossos amigos de tentativa de assassinato, exigiu uma fiança de 50.000 euros para libertá-los em liberdade condicional até o início do julgamento. Nem mesmo o Ministério Público teve o descaramento de apoiar a demanda impudente da “prefeita” (que se chama Ada Colau) e reduziu-a em apenas 10.000 euros. A bússola repressiva, também, não muda substancialmente seu norte com isso. É apenas mais um movimento entre as potências. Mas aqueles que são alvoroçados, subjugados e torturados por seus carcereiros (todos os malditos dias) atrás de suas grades, são nossos amados afins que estão presos; e prisioneiros de um estado embrionário, que a ser governado pelo CUP – logicamente! – endureceria as penas para qualquer dissidente que se atrevesse a enfrentar sua maquinaria – maquiavélica – estatal. Isto como aspiração não para “destruir o Estado”, mas para criar outro e disso viver como todos os burocratas sonham. Uma coisa nos faz barulho à distância: por que a Assembleia de apoio do 27-F, envia as informações de suas convocações SOMENTE para (com poucas exceções) os MESMOS RESPONSÁVEIS da montagem que os parou? A resposta é óbvia:

XII- ELES ESTÃO NOS ENGANANDO CAMARADAS!

Dito isto, e sabendo que – pelo menos até hoje – só a francesa conseguiu sair em “liberdade”; e somos informados de que é provável que um italiano consiga fazê-lo em breve… Considerando que quatro deles ainda estarão lá dentro (Brians I), quem sabe por quanto tempo, se não reunirmos o que o Ministério Público pede; e que muitos massmerdas divulgaram a manchete (e infelizmente foi replicada até mesmo por algumas de nossas páginas a falsa notícia de que todos eles já estavam na rua, o que deveria nos envergonhar) é que fazemos um NOVO CHAMADO INTERNACIONAL PARA ATACAR OS INTERESSES ECONÔMICOS DA CATALUNHA; incluindo os casals catalans que não são simples “associações culturais no exterior”, mas o germe das futuras embaixadas que estão em processo de desenvolvimento, que são financiadas diretamente pelo governo catalão, vale a pena o esclarecimento… Ao contrário da anterior, esta chamada não tem uma data de validade implícita. Pelo contrário, é uma questão de fazê-los perder um pouco do que mais os machuca: DINHEIRO. E que seja pelo menos o montante dos 245.000 euros que eles pretendem extorquir àqueles de nós que são solidários com a causa; ou melhor ainda, como um ato de VINGANÇA!

XIII – NÃO HÁ ORDEM E NENHUMA LEI A SER RESPEITADA

Para concluir, por enquanto… Diante de certas tentativas patéticas de nos chamar de policiais infiltrados – ou outros disparates do gênero – esclarecemos que somos algumas sensibilidades e parte de vários Núcleos Autônomos; e/ou células de vida mais longa (da FAI/FRI) – membros ativos, nesta tentativa PRÁTICA de reconstruir a Internacional Negra – espalhadas pelo planeta que coordenamos, pontualmente, com o objetivo de estender (e intensificar) a Guerra Social em curso; e de quebrar as paredes fictícias de isolamento que eles querem em vão interpor em nós. Prestamos atenção aos textos de Gustavo Rodriguez. E eles nos dão um agradável formigamento. Subscrevemos as declarações de nosso querido Alfredo Cospito: se você nos lê, irmãozinho, um forte abraço desses esconderijos ocultos que tentam contra todos os aberrantes existentes hoje. Mônica e Francisco sabem que estamos incondicionalmente do lado deles, e não mudamos nossas cores, certas discrepâncias momentâneas e/ou mal-entendidos que não nos importamos de transmitir aqui. As últimas palavras que vamos dedicar aos indivíduos (e grupos) que já tiveram o suficiente de esperar, submissos, por uma resposta “maciça” ao câncer de autoridade: AO ATAQUE!

PORQUE ELES NUNCA SERÃO CAPAZES DE NOS DETER!

AÇÃO ANÁRQUICA MULTIFORME AGORA!

QUE A CONSPIRAÇÃO PLANETÁRIA CRESÇA!

QUE A RAIVA INSURRECIONAL DO AMOR TRANSBORDE!

VAMOS CONSEGUIR A EXPANSÃO DO BELO CAOS!

Seita Mafiosa e Irredutível

Apaixonados pela Internacional Negra

Federação Anarquista Informal

Frente Revolucionária Internacional

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz

Guimarães Rosa

[Espanha] Lançamento HQ: “Los Pistoleros”, de Ibán Díaz-Parra

Sevilha, anos vinte, El Grande é recrutado por um grupo de ação anarquista em um contexto de crescente agitação social. Uma greve provoca um rompante de violência política, com mortes de ambos os lados. Em busca do homem que os emboscou, El Grande chega a La Línea, na fronteira com Gibraltar. Forçado a decidir entre fugir para a América ou consumar sua vingança, ele se vê envolvido em uma nova escalada de violência entre contrabandistas, carabineros e trabalhadores que cruzam diariamente a fronteira.

> Ibán Díaz Parra (La Línea de la Concepción, 1979) é professor de Geografia na Universidade de Sevilha. Ele vem ilustrando contos infantis e materiais didáticos nos últimos vinte anos. Los pistoleros é sua primeira história em quadrinhos.

Los Pistoleros

Ibán Díaz-Parra

Los Libros de la Calle de Dirección Única, Barcelona 2021

144 págs. Rústica 29×21 cm

ISBN 9788409344550

15,00 €

direccionunica.net

agência de notícias anarquistas-ana

o vento afaga
o cabelo das velas
que apaga

Carlos Seabra