Notícias das prisões da Bielorrússia, novembro de 2021

Em 1º de novembro, o anarquista Sergey Romanov foi condenado a 1 ano de colônia penal por “desafiar as medidas de vigilância preventiva”. Foi um julgamento separado; Sergey é simultaneamente réu em outro julgamento descrito abaixo.

Em 2 de novembro a Ação Revolucionária e em 12 de novembro Pramen foram oficialmente reconhecidos pelas autoridades bielorrussas como “formações extremistas”. Ambos são grupos anarquistas bielorrussos.

Em 1º de novembro, soube-se que Igor Bancer foi colocado em uma cela solitária como punição. No momento da transferência, Igor estava com febre alta e um médico da prisão prescreveu-lhe que ficasse na cama. Na Bielorrússia, a punição com cela solitária geralmente inclui tortura por temperatura baixa, o que é especialmente cruel se a pessoa em questão estiver doente.

Igor foi libertado após 20 dias de isolamento. Ele relatou que havia sido punido duas vezes. A primeira vez (10 dias de isolamento) por recusar a entrada em uma cela onde estava detida uma pessoa por pequenas causas. A segunda vez (mais 10 dias) por deitar na cama durante o dia (enquanto estava doente).

Em 24 de novembro, Igor estava no tribunal mais uma vez. Como em outras ocasiões, a administração da prisão aberta onde está detido, tentou transferi-lo para uma colônia penal (prisão fechada). O tribunal negou a transferência, Igor continua em prisão aberta. Segundo informações não comprovadas, seu mandato termina em 17 de dezembro.

Em 3 de novembro, o anarquista Artyom Markin teve sua entrada negada na Ucrânia depois que seu avião pousou em um dos aeroportos ucranianos. Ele teve que voar de volta para o país de onde ele veio. Mais tarde, descobriu-se que Artyom foi banido da Ucrânia de acordo com a decisão do SBU (serviço secreto). A decisão foi tomada em novembro de 2020; as razões para a proibição de entrada são “garantia da segurança nacional e / ou luta contra o crime organizado”.

Mikita Yemelyanau passou 30 dias na cela de isolamento, de 11 de outubro a 10 de novembro. Ele manteve uma greve de fome por 20 dias. Em 27 de outubro foi autorizado a escrever um pedido de visita de sacerdote e em 3 de novembro foi visitado por um sacerdote. Mikita iniciou a greve de fome, porque desde o verão o encontro com um padre lhe era negado.

Em 10 de novembro, o anarquista Mikola Dziadok foi condenado a 5 anos de prisão.

No final de novembro, Mikola foi transferido para a prisão de Mahiliou. Seu endereço atual:

Dedok Nikolay Aleksandrovich

Prisão nº 4. 212011, Mahiliou, vulica Krupskaj 99A, Bielorrússia

Em meados de novembro, soube-se que os antifascistas Denis Boltuts e Timur Pipiya foram privados de receber encomendas por 4 meses. A proibição entrou em vigor imediatamente após sua chegada à colônia penal.

Em 15 de novembro, foi iniciado um julgamento de anarcha-partisans no tribunal regional de Minsk (juiz V. Tulejka). Os arguidos são: Sergey Romanov, Dzmitry Dubovski, Ihar Alinevich e Dzmitry Rezanovich. As acusações incluem art. 289,2 (terrorismo) e art. 295,3 (posse ilegal de armas de fogo). ‘Terrorismo’, neste caso, significa destruição de propriedade: queima de viaturas da polícia e incendiar os edifícios da polícia (sem lesões envolvidas, uma vez que todos os edifícios e carros estavam vazios).

Como era de se esperar, o julgamento foi declarado encerrado ao público por um juiz, supostamente para defender os interesses das ‘vítimas’ (policiais cujos carros foram incendiados).

Mais tarde, três dos réus recusaram-se a participar nesta zombaria da justiça, apenas Dzmitry Dubovski permaneceu no tribunal. A mãe de Romanov relata que depois que seu filho foi detido em 2020, ele foi espancado e gás lacrimogêneo foi usado contra ele. Para impedir as torturas, Sergey teve que recorrer a danos autoinfligidos (anteriormente, esses detalhes não eram conhecidos publicamente).

Em 26 de novembro, todos os quatro foram transferidos da prisão do KGB (serviço secreto) para a prisão N° 1 (ambos em Minsk). Seu novo endereço:

Alinevich Ihar Uladzimiravich

Dubovski Dzmitry Nikolaevich

Romanov Sergey Alexandrovich

Rezanovich Dzmitry Grigorevich

SIZO-1, vul. Valadarskaha 2, Minsk 220030, Bielorrússia

Em 18 de novembro, foi realizada uma busca no local da mãe de Jauhien Zhurauski em Baranavičy. Zhurauski está no exterior há mais de um ano. Um processo criminal foi aberto contra ele após sua participação em um piquete em homenagem a Andrei Zeltserh, realizado próximo à embaixada de Bielorrússia em Varsóvia.

Um processo criminal análogo foi aberto contra Roman Khalilov, que participou da mesma ação em Varsóvia (Khalilov já havia sido suspeito em outros casos, por exemplo, o de ‘organização anarquista criminosa internacional’). Em 26 de novembro, o local da mãe de Khalilov, Gayane Akhtiyan, foi revistado na Polack. Gayane Akhtiyan foi detida e inicialmente presa por 10 dias por ‘insubordinação à polícia’. Em 2 de dezembro, soube-se que foi aberto um processo criminal contra ela (art. 342, flagrante violação da ordem pública). Ela foi transferida da Polack para as instalações de detenção de Minsk.

Fonte: https://abc-belarus.org/?p=14514&lang=en

Tradução > Amós Rocha

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/24/bielorrussia-julgamento-de-quatro-anarquistas-acusados-de-terrorismo-foi-realizado-a-portas-fechadas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/22/bielorrussia-mikola-dziadok-foi-condenado-a-5-anos-de-prisao/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/19/bielorrussia-anarquista-sergey-romanov-condenado-a-1-ano-de-prisao/

agência de notícias anarquistas-ana

Mesmo que só veja
o lado bom dessa vida,
tirito de frio!

Issa

[Espanha] A CGT assegura que a votação do acordo alcançado pela CC.OO e pela UGT para o acordo dos metalúrgicos em Cádiz foi uma farsa

Os anarcossindicalistas asseguram que manterão as mobilizações no setor e apelam a toda a sociedade para que continue a apoiar a luta desses trabalhadores.

A Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da Confederação Geral do Trabalho (FESIM-CGT) emitiu um comunicado para denunciar que em mais de cem empresas do setor metalúrgico em Cádiz – cujos trabalhadores estão em greve por condições dignas de trabalho – o pré-acordo não foi colocado à votação, e em muitas outras os trabalhadores consideraram que os resultados obtidos foram manipulados e que não foi permitido o voto de toda a força de trabalho.

A CGT, além de considerar estes fatos muito graves, também torna público seu desconforto com o que aconteceu nas últimas horas em relação à forma como estas votações foram realizadas nas empresas do setor, a fim de cancelar as mobilizações e a greve por tempo indeterminado desde 16 de novembro.

A organização negra-vermelha informa sobre o crescente número de trabalhadores que se queixam da falta de consultas que os dois sindicatos do regime, CC.OO e UGT, têm realizado em suas empresas. Ao mesmo tempo, há pessoas que estão denunciando manipulações nas votações realizadas em seus respectivos locais de trabalho, onde a atividade industrial começou antes mesmo da assembleia relevante e da votação subsequente.

A FESIM-CGT também denuncia a velocidade “suspeita” com que as votações foram feitas, afirmando que “o acordo foi alcançado tarde na quarta-feira 24, e em apenas 10 horas, sem que a força de trabalho tivesse informações suficientes, a votação já estava sendo feita”. É por isso que os anarcossindicalistas afirmaram que se tudo isso fosse verdade, esta seria uma situação extremamente grave, pois significaria que o acordo alcançado em 24 de novembro para pôr um fim à luta dos metalúrgicos em Cádiz não teria qualquer validade.

A CGT quer enviar uma mensagem muito clara a esses trabalhadores e à sociedade como um todo: “Se as informações que nos chegam se revelarem verdadeiras, os trabalhadores não podem ficar parados e em silêncio, pois é seu direito de voto que está sendo violado por aqueles que afirmam representá-los”. Além disso, a CGT insiste que esta atitude dos grandes sindicatos amarelos reforça ainda mais a posição desta organização sindical, que desde o primeiro momento se posicionou contra este acordo.

A organização anarquista exige que estes sindicatos signatários, cúmplices do poder e dos patrões, mostrem publicamente os registros de votação de todas estas empresas do setor, já que esta seria a única maneira de corroborar que eles não têm agido nas costas da classe trabalhadora afetada neste setor.

Fonte: https://cgt.org.es/cgt-asegura-que-la-votacion-sobre-el-acuerdo-alcanzado-por-cc-oo-y-ugt-para-el-convenio-del-metal-en-cadiz-ha-sido-un-montaje/

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/03/espanha-video-isto-e-guerra-de-classes-a-policia-de-choque-espanhola-invade-a-cidade-de-cadiz-como-um-exercito/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/29/espanha-cadiz-um-grevista-nao-e-um-terrorista/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/17/espanha-greve-do-metal-na-baia-de-cadiz/

agência de notícias anarquistas-ana

Num pesado embalo
alguém traz a cerejeira –
Noite de luar.

Suzuki Michihiko

[EUA] “LA Art and Music Festival Benefiting Mutual Aid Project”, um sucesso apesar das ameaças da extrema-direita e da polícia

Nota sobre um festival de arte e música anarquista de sucesso na chamada área de Los Angeles.

Em outubro, a Frente Revolucionária Anarquista Autônoma¹ (AARF) entrou em contato com a LA Crust Printing (conhecida por ajudar grupos de ajuda mútua a arrecadar fundos) para colaboração em um evento para arrecadar dinheiro para sua loja gratuita semanal. A princípio a ideia era fazer apenas um show com algumas bandas locais – mas o LA Crust vislumbrou algo maior.

Vendedores e artistas de toda a área de Los Angeles foram contatados e um show de arte foi planejado em conjunto com as bandas tocando. Habak – uma banda crust de Tijuana – foi escolhida para ser a atração principal do evento e LA Crust Fest foi definido para acontecer em um armazém em Boyle Heights no dia 4 de dezembro. O evento rapidamente atraiu a atenção de toda a região, com os panfletos sendo compartilhados novamente por pessoas dentro e fora dos espaços organizados. Desnecessário dizer que não demorou muito até que também entrou no radar dos da extrema-direita.

Cinco dias antes do Festival, o galpão foi cancelado – não apenas o Festival, mas todos os shows agendados – dizendo que a polícia veio avisar que eles não podiam mais fazer nenhum evento, citando licenças como o problema – QUE SE F*DA A POLÍCIA E A CIDADE. Esse grande contratempo nos fez lutar para encontrar um local que abrigasse um evento desse porte em tão pouco tempo. Entramos em contato através das redes sociais para obter ajuda com sugestões – e a manifestação de apoio da cena foi incrível. Literalmente 24 horas antes do evento – foi encontrado um estúdio que hospedaria os artistas e vendedores e um local não muito longe do espaço que foi reservado para o show.

A mostra de arte foi um sucesso, com muitos exibindo suas pinturas, desenhando retratos, apresentando zines, vendendo roupas e mercadorias. O evento durou 6 horas até o instante de mudar para o próximo local para as bandas. O comparecimento das bandas foi ainda maior do que o show de arte e não se esperava que fosse tão grande! Muitas pessoas doaram um extra na porta para o free shop e zines também foram entregues na entrada. Antes do primeiro set de bandas, um indivíduo foi denunciado por tocar em garotas menores de idade e foi tratado de acordo.

Não muito tempo depois o local também atingiu sua capacidade total e as pessoas tiveram que ser rejeitadas de acordo com as regras do proprietário do local (f*da-se ele). Infelizmente, os policiais também vieram antes que a banda Habak pudesse tocar – e a energia foi desligada. Três policiais pararam na entrada enquanto a multidão se infiltrava no estacionamento e uma briga estourou entre duas pessoas, foi rapidamente resolvida pelos punks, enquanto os policiais não se manifestaram. As bandas puderam tocar em outro local mais tarde naquela noite.

[1] A.A.R.F. está distribuindo vários suprimentos semanalmente para os necessitados na área de Los Angeles. Distribuímos suprimentos como alimentos, mantimentos, água, lanches, produtos sanitários, roupas e outros itens necessários neste momento de crise.

Fonte: https://itsgoingdown.org/anarchist-festival-success-despite-threats/

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Vendo à luz do dia,
Tem um colar vermelho
O vagalume!

Bashô

[Chile] Santiago: Jornada antikarcerária e kontracultural pelxs presxs subversivxs e anarquistas, 18 de dezembro

Avançar de forma desenfreada e contra todas as probabilidades tem sido a opção de nossas vidas, apostando precisamente no confronto da luta através de um trabalho de formiga, dando passos milimétricos tangíveis, em que cada indivíduo livre, solidário e consciente consegue propagar e expandir a mensagem de libertação total“. Pablo Bahamondes Ortiz

Desde a histórica população Simón Bolívar estendemos um convite a cada indivíduo, grupo, rede e coletivo antiautoritário para participar desta jornada que tem a intenção de agitar e mostrar solidariedade com nossxs companheirxs cativxs que hoje estão condenados a décadas de prisão política por terem dado múltiplos golpes ao poder e suas infra-estruturas desde uma posição subversiva autônoma.

A jornada acontecerá:

Sábado 18 de dezembro a partir das 15h00 (Pontual). Local: Plaza Calle 3 (Édison com Calle 3) na população de Simón Bolívar, Quinta Normal. Referência Av. San Pablo com Av. Radal a poucos passos do metrô Branqueado.

Haverá Projeção – Informação – Feira Libertária (traga a sua, sem comida!) – Alimentos veganos à venda em solidariedade com os companheiros na prisão e coleta de encomendas.

No ruído estarão:

D-linkir / Reyerta / La Furia / Banda Bonnot / Los Solidarios / Ahórkate / Sulfato de Mierda / Pukutriñuke / Sobras del Descontento / Danza Tribal

Em kada gesto de kumplicidade estamos rekriando as ideias ke defendemos, sabendo ke nossa luta é imemorial e ao mantê-la viva estamos desafiando a ordem existente, negando sua legitimidade em nossos espaços, avançando na ruptura de kontrole, ampliando as áreas de ação antiautoritária e subversiva do kombate kontra a sociedade prisional que tanto odiamos“. Marcelo Villarroel Sepúlveda

Atividade livre de álcool, fumo, drogas, atitudes fascistas e patriarcais.

ESPALHE A PALAVRA, ASSISTA, SOLIDARIZA E ATUE!

agência de notícias anarquistas-ana

As campânulas
Se espalham pelo terreno —
Casa abandonada.

Shiki

[Espanha] CGT ganha caso de licença maternidade de mãe solteira

A trabalhadora recebeu a extensão de sua licença maternidade pelo nascimento de sua filha pelo tempo que corresponderia ao outro progenitor.

Na terça-feira, 23 de novembro, tomamos conhecimento do julgamento.

Este é o primeiro caso da Junta de Andaluzia e de uma funcionária pública feminina. Até agora, os casos ganhos (Aragão, País Basco, Catalunha, Ilhas Baleares, Galiza, Castela e Leão, Ilhas Canárias) eram de tribunais sociais; este é de um tribunal contencioso administrativo. Isto estabelece um precedente muito importante. Esta decisão estabelecerá os critérios para que a Junta se aplique a partir de agora.

Este tem sido um caminho com um final feliz, mas não sem suas dificuldades. Nossa companheira Ana, professora de uma escola secundária na província de Sevilha, solicitou a licença que corresponderia ao outro pai, se existisse um. A Delegação Territorial de Educação em Sevilha negou-lhe o pedido. Nosso assessor jurídico apresentou um recurso, que foi rejeitado. Seguiu-se o recurso contencioso administrativo, que foi satisfatoriamente resolvido, para que Ana e sua filha pudessem estar juntas durante o tempo que lhes correspondesse.

A Lei Orgânica 8/2015, de 22 de julho, sobre a modificação do sistema de proteção à criança e ao adolescente, a Convenção sobre os Direitos da Criança e a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia são algumas das normas que sustentam que os interesses da criança devem ser primordiais em todos os atos relacionados às crianças realizados por autoridades públicas ou instituições privadas. Esta é uma consideração primordial. As crianças têm direito à proteção e aos cuidados necessários para seu bem-estar.

Não poder usufruir da licença de um segundo progenitor no caso de famílias monoparentais ou monomarentais é um tratamento diferenciador e discriminatório injustificável que resulta na falta de proteção dos menores em relação aos de uma família tradicional, ignorando o fato de que em qualquer caso o interesse e a proteção das crianças devem prevalecer independentemente do tipo de família em que o menor se desenvolve.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatísticas para o ano 2018, na Espanha o número de lares monoparentais (usamos este termo em termos gerais porque é o utilizado pelo INE) foi de 1878500 no total, dos quais 340300 correspondiam a homens, enquanto 1538200 correspondiam a mulheres. A partir destes dados, fica claro que esta situação está intimamente ligada a outra questão muito importante: a igualdade entre homens e mulheres (Artigo 14 da Constituição), a permanência no emprego das mulheres trabalhadoras (Artigo 35.1) e/ou a compatibilidade de sua vida profissional (Artigo 39.1).

A Suprema Corte já declarou que a discriminação de menores com base em sua própria condição ou no estado civil ou situação de seus pais, quando introduzimos um período de cuidado e atenção aos menores monoparentais ou monomarentais, leva a uma redução dos cuidados prestados às famílias monoparentais e introduz um viés que dificulta o desenvolvimento do menor, uma vez que ele é cuidado por menos tempo e com menor envolvimento da pessoa considerada como sendo seu pai ou sua mãe.

Da CGT, continuamos a defender os direitos e a aplicação das regras de acordo com as múltiplas realidades existentes. Nós abrimos o caminho.

Fonte: https://cgt.org.es/cgt-gana-un-juicio-sobre-el-permiso-de-maternidad-de-una-madre-sola/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O vento cortante
Assim chega ao seu destino –
Barulho do mar.

Ikenishi Gonsui

[Espanha] Crowdfunding da FAL

A Fundação Anselmo Lorenzo (FAL) está lançando sua mais ambiciosa campanha de financiamento público para a catalogação de toda a coleção pós-1939.

NÓS CRESCEMOS COM VOCÊ

Nossa documentação inclui, entre outros materiais, cartazes, fotografias e material audiovisual da Guerra Civil, do exílio e da Transição. Uma coleção de 6.000 cartazes, mais de 5.000 títulos de imprensa catalogados desde o final do século XIX até os dias atuais, um arquivo audiovisual e uma biblioteca especializada com milhares de títulos em sua coleção. Em resumo, um tesouro que nos torna o maior arquivo anarquista da Península Ibérica e um dos maiores do mundo.

Nosso trabalho no arquivo nos permitiu tratar de um total de 440 consultas de pesquisa somente em 2020. Também registramos 123 pedidos de informações de pessoas que procuram dados sobre antigos parentes da CNT ou ligados ao movimento libertário. É um trabalho que, como você pode ver, se traduz em uma função real de recuperar nossa memória. E o mais importante, sem subsídios ou auxílios estatais.

É uma obra de difusão cultural. De memória. De trazer nosso legado à luz e impedir que nossa marca e presença sejam apagadas da história. Mas também de divulgação e construção. Através de publicações, eventos e conferências, a FAL é um agente ativo de primeira ordem na construção do futuro libertário. E é aqui que você entra em ação, porque sem você nada disso seria possível.

Objetivos

– 3.000 euros para material de conservação

– 3.000 para equipamentos de informática, digitalização da imprensa, digitalização de fotos, slides e negativos

– 18.000 euros para cada pessoa dedicada a este trabalho durante um ano

– 11.000 para um scanner profissional de grande formato

– 20.000 para um programa profissional de gerenciamento de documentos

Recompensas

Fizemos um grande trabalho com a coleção pertencente ao movimento operário e libertário pré-1939, mas ainda há um longo caminho a percorrer para conservar, catalogar e divulgar a coleção pós-1939: o exílio, a transição e os dias de hoje.

É por isso que pedimos sua colaboração para fazer avançar nosso projeto; um projeto que também é seu.

Até 40 euros

Uma cópia em pdf das aquarelas de José Luis Rey Vila ‘SIM’ das gravuras da Revolução Espanhola e da Guerra Civil.

Entre 40 e 120 euros

As aquarelas acima, uma coleção de fotografias digitais de nosso Arquivo Fotográfico da Guerra Civil e se apontará a pessoa como doadora de base para a FAL por um ano.

Mais de 120 euros

As aquarelas acima, uma coleção de cartazes digitalizados do período da Guerra Civil Espanhola de nossa Coleção de Cartazes e a pessoa também será listada como doador de apoio à FAL por um ano.

>> Para colaborar, clique aqui:

https://www.gofundme.com/f/aydanos-a-preservar-la-memoria-libertaria

fal.cnt.es

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/22/video-fundacao-anselmo-lorenzo-fal/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/10/espanha-o-maior-arquivo-anarquista-fica-em-um-povoado-de-toledo/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/30/espanha-criaremos-relacoes-entre-iguais/

agência de notícias anarquistas-ana

Boêmio da noite
no portão enferrujado.
Morcego dormindo.

Fanny Dupré

[Reino Unido] Lançamento: “A Life for Anarchy, Uma Leitura de Stuart Christie”

Stuart Christie (Autor); Kate Sharpley Library (Editora)

Sem liberdade não há igualdade e sem igualdade não há liberdade, e sem luta não há nenhuma das duas” — Stuart Christie

Stuart Christie (1946–2020) é mais conhecido por seu envolvimento na resistência anarquista à ditadura de Franco na Espanha. Também é cofundador da Anarchist Black Cross [Cruz Negra Anarquista], Black Flag e Cienfuegos Press – entre muitas outras aventuras editoriais.

Sua coleção de artigos foram agrupadas em seu tributo pelo coletivo Kate Sharpley Library. A publicação contém alguns de seus escritos políticos menores da imprensa anarquista, radical e tradicional e alguns de seus tributos para seus amigos e camaradas. A seção final contém uma seleção de tributos de seus amigos e camaradas para ele.

Este livro não foi pensado como uma revisão da história anarquista moderna, mas apenas como um tributo a nosso amigo que dedicou sua vida ao “coletivismo de autogestão, à liberdade individual, à solidariedade e à diversão!”

A Life for Anarchy | A Stuart Christie Reader
Stuart Christie (Autor); Kate Sharpley Library (Editora)
Editora: Kate Sharpley Library
Páginas: 282
ISBN-13: 9781939202376
$18.00
akpress.org

Tradução > Sky

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/18/reino-unido-stuart-christie-1946-2020-ativista-anarquista-escritor-e-editor/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/08/18/reino-unido-o-britanico-que-quis-assassinar-franco/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/05/12/reino-unido-lancamento-o-homem-que-matou-durruti-de-pedro-de-paz-posfacio-de-stuart-christie/

agência de notícias anarquistas-ana

Numa cachoeira
folia das gotas do rio.
São águas no cio.

Marcelo Santos Silvério

[Itália] PINO. Vida acidental de um anarquista.

Documentário animado + encontro com

> Niccolò Volpati, autor do documentário de animação

> Claudia Pinelli, filha de Pino

Quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

> La Sobilla abre às 19h30

> A reunião + documentário animado é às 20h30

Apresentação

Certa noite, em 1969, pouco antes do Natal, duas meninas voltam para casa pensando que encontrarão seu pai. Em vez disso, elas encontram policiais que estão vasculhando seu apartamento, jogando tudo no chão, até mesmo os presentes de Natal que seus pais esconderam. Naquela noite, as duas meninas descobrem que Papai Noel não existe e que seu pai, Pino, não vai voltar para casa.

O anarquista Giuseppe Pinelli (21 de outubro de 1928 – 15 de dezembro de 1969), conhecido como Pino, foi acusado de ter detonado a bomba do massacre da Piazza Fontana em Milão, que causou muitas vítimas e mudou para sempre a história da Itália. Mas ele era inocente e a bomba havia sido plantada por fascistas. Para provar isso, sua esposa Licia, junto com muitas outras, teve que lutar muito, por muito tempo, e Pino tornou-se um símbolo da rebelião contra a injustiça.

A história de Pinelli contada de um ponto de vista inédito, através das memórias de suas filhas em um documentário de animação dirigido por Claudia Cipriani e escrito por Claudia Cipriani e Niccolò Volpati.

La Sobilla, em Salita San Sepolcro 6/b, Verona

>> Trailer do documentário animado:

https://www.youtube.com/watch?v=8gSyxGhiqyM&t=13s

Tradução > GTR@Leibowitz__

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/25/italia-um-carvalho-vermelho-para-giuseppe-pinelli/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/06/italia-lancamento-pinelli-os-inocentes-que-cairam-dos-jornais-sobre-assuntos-confidenciais-nova-luz-sobre-enganos-e-as-farsas-de-paolo-brogi/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2015/12/17/italia-15-de-dezembro-de-1969-pinelli-vive/

agência de notícias anarquistas-ana

lavrando o campo
a nuvem imóvel
se foi

Buson

Novo incitamento à ação direta contra a Catalunha

“Lottavano cosi come si gioca / I cuccioli del maggio, era normale; / Loro avevano il tempo anche per la galera. / Ad aspettarli fuori rimaneva / La stessa rabbia, la stessa primavera…”.  (Storia di un impiegato, Fabrizio De Andre, 1973)

“Eles lutavam enquanto se brincava / O cachorro de maio, era normal; / Eles tinham tempo até para a prisão / Esperá-los lá fora era / A mesma raiva, a mesma primavera…”.  (História de um empregado, Fabrizio De Andre, 1973)

0- NOTA…

Pouco depois de começar a escrever este texto com o objetivo de reafirmar nossa solidariedade anárquica internacionalista concreta e destrutiva, uma brutal ofensiva começou ao mesmo tempo nos territórios do Wallmapu. Os assassinos contratados das empresas com interesses florestais (na província de Rio Negro) assassinaram um membro da comunidade Mapuche – Elias Garay – e feriram gravemente outro membro da comunidade. Ao mesmo tempo, grupos paramilitares de ultra-direita na cidade de Bahia Blanca emitiram comunicados alegando responsabilidade por ataques graves (contra grupos nativos), incentivando e prefigurando mais ações criminosas. Como se isso não fosse suficiente, a porcaria do jornal Clarin, pró-fascista, foi atacada com bombas molotov, e a “caça aos anarquistas” já começou, com (por enquanto) um preso, e outros oito procurados. Negras tormentas estão se formando… Parece digno da tradição surrealista que, diante de tal panorama, insistimos em coisas que acontecem a milhares de quilômetros de distância de nós. Mas acontece que nós anarquistas somos caprichosos e inveterados, assim: nossa pátria são nossos pés; e andamos descalços, mas com a fúria de um Ideal batendo insurrecionalmente em nossos corações negros.

I- PROLOGO

A luz é melhor vista na escuridão. Para ver a foto, é necessário estar fora da foto: Danilo é um dos quatro camaradas ainda em Brians I, uma prisão CATALÃ. A manipulação da esquerda (sempre um inimigo e não nos esqueçamos disso) não tem limites, não tem vergonha. Acontece que eles controlam de uma suposta “assembleia” uma pseudo/campanha para a liberdade dos que pensam da mesma maneira. E o mais triste é a inação daqueles que se vangloriam de ser anarquistas em Barcelona e o permitem, sem sequer levantar um dedo… E eles nos usam até mesmo em Milão, para propagar seu rapper imundo. O dia de apoio organizado pelo movimento pró-anarquista – que se leia neoeta ramo catalão – em um ateneu pró-independência de “Arran” (que fazem parte do mesmo governo que os mantém prisioneiros!) foi uma farsa absolutamente vil e detestável. Ninguém diz nada? E eles tiveram até o luxo de usar o camarada sequestrado para anunciar sua procissão anual nacionalista, estatista, estalinista e interclassista de lanternas, muito “anti-prisão”. Não há necessidade de uma demonstração selvagem, noturna. A tarefa deles é exatamente essa: desconvocar – pacificar… Ódio e guerra contra a CUPolícia , camaradas.

II- LIBERI TUTTI?

Não é necessário ter muita imaginação para ter uma simples visão do que os chamados “esquerda pró-independência catalã” estão tentando estabelecer nos territórios que eles consideram pertencer (?). Há muitas coincidências entre o que no norte da Itália eles chamam de Padania (Roma é uma ladra dizem os ultradireitistas da Liga do Norte) e a “Espanha nos rouba”, em sua versão de Barcelona. Uma verdade incômoda, se é que alguma vez existiu, é que, durante séculos, sua burguesia imperialista acumulou imensas fortunas escravizando milhares de africanos no Caribe e o próprio traçado da metrópole atual, incluindo os nomes das principais avenidas e monumentos copiosos, são dedicados a essas famílias aberrantes. De tempos em tempos é proposto (como uma forma de revisionismo histórico hipócrita) renomeá-los. Isto é apenas para tentar apagar – desajeitadamente – os vestígios desse passado. Quando o que mais tarde ficou conhecido mundialmente como “maio de 68” eclodiu, poucos se lembraram que se tratava de uma revolta burguesa, desencadeada por restrições de admissão nas universidades mais elitistas. Uma classe média limitada e frustrada. Das revoltas dos trabalhadores, é melhor não falar!

III- RE-CALCULANDO

Lembra-se da cena memorável de Matrix I, aquela em que o mesmo gato passa duas vezes, revelando que tudo está programado, e que para seu sistema Orwelliano (na versão do século 21) não passamos de ratos correndo em um labirinto sem saída? Sentimos que esta pantomima está agora sendo repetida ad eternum. Quando lançamos o Chamado internacional para ação direta – contra a Catalunha burguesa – sabíamos que isso soaria estranho para algumas pessoas. Mas como isso pode ser possível! Um povo tão “libertário” e tão “subjugado” ainda merece ser alvo de um ataque de fúria e, para torná-lo ainda mais ignominioso, por pessoas que se parecem com lobos ferozes e, para piorar a situação, se proclamam anarquistas? Será assim, camaradas, e que se lixem se se sentirem aludidos. Não há dúvida alguma de que o que poderia ter sido o pontapé inicial (da Revolução Anarquista Mundial) sucumbiu a uma mistura de personalismos, e alianças febril com forças inimigas que nos deixaram de mãos e pés atados, à mercê da reação socialista. A pergunta de um milhão de dólares é: aprendemos alguma coisa com aquela prodigiosa e sanguinária gesta proletária? Tudo parece indicar que a resposta é NÃO.

IV- CONTANDO BALAS

Com quanta ilusão (e com quanta ingenuidade…) viajamos até lá de todos os cantos do mundo, encorajados pela – hipotética – esperança de sermos protagonistas das lutas anti/autoritárias da “besta negra europeia”. E nós estávamos babando, vendo aquele pequeno vídeo da resistência ao despejo do Cine Princesa. Quase um quarto de século depois dessa miragem, estamos certos de que perseguimos apenas quimeras idealistas. Durruti foi morto duas vezes: primeiro fisicamente, e depois falsificando suas palavras. Eles nos contaram a história da pluralidade subversiva, em lugares tão emblemáticos como a Kasa de la Muntanya, onde havia uma liderança submersa camuflada como a horizontalidade. Eles queriam que fôssemos liderados como soldados a serviço do ETA. Alguns de nós o soubemos a tempo. Outros não o viram e sofreram as consequências de serem idiotas úteis: aquele que adverte não é um traidor. Hoje em dia, a estratégia não mudou muito. Só temos que pensar na situação de prisão de nossos camaradas sequestrados em 27 de fevereiro. É sobre isso que queremos falar-lhes, sem minar palavras. Eles estão apodrecendo em suas prisões há mais de NOVE meses. E vamos explicar por quê?

V- CARNE DE CANHÃO

O próprio Leon Trotsky escreveu uma carta ao companheiro Volin (autor da indispensável “A Revolução Desconhecida”) dizendo-lhe que também ele queria a anarquia com a ressalva de que, em sua opinião, ela não poderia se materializar sem antes passar por um período da Ditadura do proletariado. Ele então enviou seus lacaios para a Ucrânia, em uma noite em que estava prestes a dar uma palestra diante de um grande e entusiasmado público da classe trabalhadora e libertário. A ordem era para atirar nele. Mas aqueles que deveriam fazer isso, conhecendo-o bem, desobedeceram e o deixaram escapar; sendo reprimidos muito pouco tempo depois… Esta nota histórica não é supérflua para se pensar no presente: suas táticas são as mesmas. Nunca nos cansaremos de afirmar que não existem “rachaduras” entre o autoritário (socialismo?) e o libertário. O que existe é um ABISMO IRREMEDIÁVEL. Existe algo mais totalitário do que o slogan “todos contra o fascismo”? As milícias anarquistas da CNT foram massacradas pelo comunismo. Depois veio o Exército Popular e já sabemos como a história terminou… Quando diabos vamos assumir (e agir de acordo com as consequências) que NADA nos une a eles. Nem mesmo o espanto, camaradas!

VI- DE PURGAS E POGROMS

A Girona Anti-anarquista é um baluarte clássico, na chamada Catalunha profunda… E não foi por acaso que um “experimento sociológico piloto” foi realizado ali, visando neutralizar o potencial subversivo de certos espaços que “feian nosa” (atrapalharam) ou, para simplificar, foram uma chatice para a CUPolícia e seus planos de exercer um monopólio – das lutas sociais – enquadrados em territórios limítrofes de sua zona de influência política. Os espaços okupados de tendência anarquista – como Can Rusk e Can Kolmo – eram uma competição para os grupos comunistas autoritários pró-independência da região; era necessário “domá-los” para deter o vírus contagioso da anarquia… Vamos repeti-lo mil vezes se necessário: INFILTRAR E DIVIDIR, OU BOICOTAR E DESTRUIR. É o manual básico dos malditos marxistas, desde sempre. E o pior é que isso ainda funciona para eles. A desculpa perfeita que encontraram para semear a discórdia entre camaradas, foi o blog de um simpatizante que questionava o feminismo institucional, enquanto se definia como um “anarco-feminista”. É necessário descrever o que segue?

VII – É NECESSÁRIO

De repente aparece alguém, que vem de uma suposta ocupação leninista (um antigo banco renomeado Ateneu Salvadora Cata). E ele se junta à assembleia do Can Kolmo. Pouco depois disso – e veremos a mesma coisa novamente na CNT/AIT de Barcelona três anos depois… – ela diz que se sente desconfortável na presença do companheiro por causa de sua postura antissexista, e assim por diante. Para maiores informações sobre tal embuste, recomendamos a leitura do texto esclarecedor “El mecanismo” que pode ser acessado pesquisando na internet por “Noia negra”, um blog ativo em espanhol e italiano. A ordem de perseguição foi dada pela agitação de Cinetika em Barcelona; e foi lá que Pablo Vaso foi arrastado para o suicídio, acusado de coisas que não tinham provas confiáveis… O triste resultado em Girona foi que (com a história do feminismo) eles colocaram anarquistas contra anarquistas. Eles forçaram o despejo de italianos, em Can Rusk, por questionar esta montagem politiqueira anti-anarquista… E estigmatizaram outros camaradas que (sendo também participantes da assembleia de Cinetika – e membros dos irmãos e irmãs dos acusados) viajaram para Girona, juntamente com uma dúzia de pessoas de mentalidade semelhante, para evitar a expulsão: eles já tinham sido marcados!

VIII- A TEMPESTADE PERFEITA…

O rapper Pablo Hasel é um stalinista autoconfiante, uma pessoa de merda com um ar de superioridade. Ele é o típico supremacista catalão que fez de tudo para alcançar a notoriedade. Nossos cúmplices não estavam presentes nas manifestações para exigir sua liberdade. Eles foram atacar o sistema como um todo, o que é muito diferente. O ousado slogan tweet diagramado pelos cachorros da CUP (Arran) “até eles caírem”, foi condicionado por um confronto interno, que existe entre os partidos políticos que governam a burguesia catalã… Eles censuram as autoridades atuais por não terem uma posição firme para alcançar o estabelecimento do Estado catalão. É óbvio que se trata de mais fronteiras, mais exércitos, mais polícia e, sobretudo, mais capitalismo disfarçado com a grotesca mascarada de um anti-capitalismo não demonstrável. A encenação grosseira da tentativa de queimar a van da polícia (disso não temos a menor dúvida) foi a cereja no bolo, para distrair a atenção daqueles que organizaram os tumultos. Basta conferir os vídeos postados no youtube: um homem encapuzado quebra a janela de uma loja de luxo com um martelo. Outro lança um jato de líquido inflamável no interior. Um terceiro grita em CATALÃO para certificar-se de que o fogo está aceso corretamente. Não mintam mais para nós!

IX- A CULPA É DOS “EXTRANGEIRXS”

Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. Que grande e imundo lixo: esta farsa a que nos referimos é uma parte indivisível do que faz nosso povo se acreditar culpado – e sem provas -. Se tivessem sido eles, os defenderíamos ainda mais ferozmente e com ainda mais convicção: é bonito atacar a polícia em qualquer circunstância possível, e com toda a violência que podemos exercer, até mesmo provocando sua morte… Porque eles nos matam todos os dias. Porque eles são traidores de classe. Porque eles defendem os ricos e puxam o gatilho, com impunidade, se nos rebelarmos. Essa maldita Europa, que provoca a fome genocida. Aquela maldita Europa que observa, indiferente, tantos migrantes africanos se afogando no mar todos os dias e olha para o outro lado. Aquela maldita Europa indolente, consumista e corrupta: aquela civilização podre merece toda nossa sede de vingança, camaradas! Já experimentamos os dois lados da moeda. Vimos de perto como eles nos exploravam mesmo em nossas casas okupadas, enquanto faziam sua turnê de festas movidas a cocaína; e ficamos lavando a louça, e coletando a merda que eles espalharam, em seus “restaurantes populares”: ASCO!

X- A KARCELONA DO CAPITAL MORRE

Não é novidade dizer que o documentário manipulador Ingobernables, assim como outros similares, seguem o roteiro do mais recente Poble Rebel até o menor detalhe. Trata-se (e isto é evidente) de capitalizar um legado genuinamente libertário e decorá-lo com a isca para votar nos partidos políticos que suscitam discursos, que são propostos como continuadores e merecedores de tal legado… Este é o grande esquema do CUP and roll. Se não nos enganamos, a hashtag “Eu sou anarquista” começa em 2012 ou por aí. Alguns anos depois, como resultado da montagem da Operação Pandora, abriu-se outra (mas desta vez em catalão…) chamada “Jo tambe soc anarquista” (também sou anarquista) (essa foi a bandeira que cobriu a rua de um lado ao outro em uma manifestação de apoio aos detentos). Mais uma vez o circo de uma esquerda que tenta vender as maçãs envenenadas de uma solidariedade teórica e que cria a sensação -fantasmática- de que estamos do mesmo lado da barricada. Cada vez que acreditávamos nisso, éramos apunhalados pelas costas. JÁ É SUFICIENTE. A guerra selvagem e incontestável contra todo o famoso arco político como um todo, é o que nos fez e faz de nós ANARQUISTAS.

XI- QUE COLAU E CIA. PAGUEM

Antes de mais nada, vamos prestar muita atenção: o Conselho Municipal de Barcelona (que está envolvido no caso), que está acusando nossos amigos de tentativa de assassinato, exigiu uma fiança de 50.000 euros para libertá-los em liberdade condicional até o início do julgamento. Nem mesmo o Ministério Público teve o descaramento de apoiar a demanda impudente da “prefeita” (que se chama Ada Colau) e reduziu-a em apenas 10.000 euros. A bússola repressiva, também, não muda substancialmente seu norte com isso. É apenas mais um movimento entre as potências. Mas aqueles que são alvoroçados, subjugados e torturados por seus carcereiros (todos os malditos dias) atrás de suas grades, são nossos amados afins que estão presos; e prisioneiros de um estado embrionário, que a ser governado pelo CUP – logicamente! – endureceria as penas para qualquer dissidente que se atrevesse a enfrentar sua maquinaria – maquiavélica – estatal. Isto como aspiração não para “destruir o Estado”, mas para criar outro e disso viver como todos os burocratas sonham. Uma coisa nos faz barulho à distância: por que a Assembleia de apoio do 27-F, envia as informações de suas convocações SOMENTE para (com poucas exceções) os MESMOS RESPONSÁVEIS da montagem que os parou? A resposta é óbvia:

XII- ELES ESTÃO NOS ENGANANDO CAMARADAS!

Dito isto, e sabendo que – pelo menos até hoje – só a francesa conseguiu sair em “liberdade”; e somos informados de que é provável que um italiano consiga fazê-lo em breve… Considerando que quatro deles ainda estarão lá dentro (Brians I), quem sabe por quanto tempo, se não reunirmos o que o Ministério Público pede; e que muitos massmerdas divulgaram a manchete (e infelizmente foi replicada até mesmo por algumas de nossas páginas a falsa notícia de que todos eles já estavam na rua, o que deveria nos envergonhar) é que fazemos um NOVO CHAMADO INTERNACIONAL PARA ATACAR OS INTERESSES ECONÔMICOS DA CATALUNHA; incluindo os casals catalans que não são simples “associações culturais no exterior”, mas o germe das futuras embaixadas que estão em processo de desenvolvimento, que são financiadas diretamente pelo governo catalão, vale a pena o esclarecimento… Ao contrário da anterior, esta chamada não tem uma data de validade implícita. Pelo contrário, é uma questão de fazê-los perder um pouco do que mais os machuca: DINHEIRO. E que seja pelo menos o montante dos 245.000 euros que eles pretendem extorquir àqueles de nós que são solidários com a causa; ou melhor ainda, como um ato de VINGANÇA!

XIII – NÃO HÁ ORDEM E NENHUMA LEI A SER RESPEITADA

Para concluir, por enquanto… Diante de certas tentativas patéticas de nos chamar de policiais infiltrados – ou outros disparates do gênero – esclarecemos que somos algumas sensibilidades e parte de vários Núcleos Autônomos; e/ou células de vida mais longa (da FAI/FRI) – membros ativos, nesta tentativa PRÁTICA de reconstruir a Internacional Negra – espalhadas pelo planeta que coordenamos, pontualmente, com o objetivo de estender (e intensificar) a Guerra Social em curso; e de quebrar as paredes fictícias de isolamento que eles querem em vão interpor em nós. Prestamos atenção aos textos de Gustavo Rodriguez. E eles nos dão um agradável formigamento. Subscrevemos as declarações de nosso querido Alfredo Cospito: se você nos lê, irmãozinho, um forte abraço desses esconderijos ocultos que tentam contra todos os aberrantes existentes hoje. Mônica e Francisco sabem que estamos incondicionalmente do lado deles, e não mudamos nossas cores, certas discrepâncias momentâneas e/ou mal-entendidos que não nos importamos de transmitir aqui. As últimas palavras que vamos dedicar aos indivíduos (e grupos) que já tiveram o suficiente de esperar, submissos, por uma resposta “maciça” ao câncer de autoridade: AO ATAQUE!

PORQUE ELES NUNCA SERÃO CAPAZES DE NOS DETER!

AÇÃO ANÁRQUICA MULTIFORME AGORA!

QUE A CONSPIRAÇÃO PLANETÁRIA CRESÇA!

QUE A RAIVA INSURRECIONAL DO AMOR TRANSBORDE!

VAMOS CONSEGUIR A EXPANSÃO DO BELO CAOS!

Seita Mafiosa e Irredutível

Apaixonados pela Internacional Negra

Federação Anarquista Informal

Frente Revolucionária Internacional

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz

Guimarães Rosa

[Espanha] Lançamento HQ: “Los Pistoleros”, de Ibán Díaz-Parra

Sevilha, anos vinte, El Grande é recrutado por um grupo de ação anarquista em um contexto de crescente agitação social. Uma greve provoca um rompante de violência política, com mortes de ambos os lados. Em busca do homem que os emboscou, El Grande chega a La Línea, na fronteira com Gibraltar. Forçado a decidir entre fugir para a América ou consumar sua vingança, ele se vê envolvido em uma nova escalada de violência entre contrabandistas, carabineros e trabalhadores que cruzam diariamente a fronteira.

> Ibán Díaz Parra (La Línea de la Concepción, 1979) é professor de Geografia na Universidade de Sevilha. Ele vem ilustrando contos infantis e materiais didáticos nos últimos vinte anos. Los pistoleros é sua primeira história em quadrinhos.

Los Pistoleros

Ibán Díaz-Parra

Los Libros de la Calle de Dirección Única, Barcelona 2021

144 págs. Rústica 29×21 cm

ISBN 9788409344550

15,00 €

direccionunica.net

agência de notícias anarquistas-ana

o vento afaga
o cabelo das velas
que apaga

Carlos Seabra

[Argentina] 1921-2021 | 100º Aniversário das Greves e Massacre na Patagônia

Companheiros/as:

100 anos após as greves e o massacre na Patagônia (1921-2021), convidamos você para a Jornada que ocorrerá em 18 de dezembro de 2021.

Nesse dia também apresentaremos a 70ª edição do jornal El Libertario junto com o livreto “La tragedia de la Patagonia y el gesto de Kurt Wilckens”. Haverá leituras de crônicas sobre o assunto, extraídas do jornal La Protesta de 1921. Por volta das 18h30 partilharemos uma palestra que preparamos especialmente para esta ocasião, com os/as companheiros/as da Comissão pela memória das greves de 1920-1921/El Calafate.

Haverá também uma feira autogestiva e, para finalizar, ouviremos vários números musicais.

Estaremos esperando por você a partir das 17h00 no Anchoris esq. Finochietto. Buenos Aires.

Federação Libertária Argentina – FLA

www.federacionlibertariaargentina.org

http://www.facebook.com/FederacionLibertariaArgentina

agência de notícias anarquistas-ana

A nuvem atenua
O cansaço das pessoas
Olharem a lua.

Matsuo Bashô

[Colômbia] 93 anos da greve dos trabalhadores e o massacre das fábricas de banana pelo governo

Lembramos a grande greve dos trabalhadores do setor bananeiro da empresa multinacional United Fruit Company que começou em 12 de novembro de 1928 no departamento de Magdalena, no norte da Colômbia. Cerca de 22.000 trabalhadores nacionais e estrangeiros entraram em greve, incluindo 800 mulheres assalariadas, para exigir o cumprimento das exigências do Sindicato de Magdalena Medio (USTM), uma organização com tradição sindical libertária. Durante o conflito, a direção americana da empresa e o governo nacional de Abadía Méndez acusaram os trabalhadores de serem anarquistas por suas múltiplas formas de ação direta, solidariedade e resistência, e procederam à prisão dos ativistas trabalhadores oriundos do socialismo revolucionário e do Grupo Libertário de Santa Marta.

Finalmente, após o decreto do Estado de Sítio imposto pelo governo nacional, o exército sob a liderança do coronel Carlos Cortes Vargas, nomeado chefe civil e militar da área, decidiu massacrar os grevistas que estavam reunidos na praça de Ciénaga na madrugada de 6 de dezembro, preparando sua mobilização para a cidade de Santa Marta. O massacre na praça, realizado com fogo de metralhadora sobre uma multidão desarmada de pelo menos 5.000 pessoas, foi seguido pela perseguição violenta dos grevistas em toda a região, que catalisou uma revolta popular contra a empresa e uma nova onda de repressão brutal. A repressão contra a greve resultou em pelo menos 100 trabalhadores mortos, 400 feridos e 54 presos.

Pela memória e as lutas dos de baixo.

Arriba las que luchan!

Fonte: https://grupovialibre.org/2021/12/09/93-anos-de-la-huelga-obrera-y-masacre-gubernamental-de-las-bananeras/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Por aqui passou
uma traça esfomeada:
livro de receitas.

Francisco Handa

Acervo punk: Colecionismo, Memórias e Resistências

Foi recentemente publicado um texto de Antonio Carlos de Oliveira do Centro de Cultura Social (CCS) e do Professor João Neves do “Acervo Formiga” com o titulo “Acervo punk: Colecionismo, Memórias e Resistências”. O texto foi publicado na Revista Sapiência – Sociedade, saberes e práticas educacionais – v. 10 n. 5 (2021): Dossiê. O Punk na pesquisa social, (UEG – Universidade Estadual de Goiás)

O Dossiê intitulado “O punk na pesquisa social” é o primeiro volume temático acerca da cultura punk, já produzido por um periódico científico nacional. Trata-se também da primeira publicação coletiva da Punk Scholars Network Brasil, rede formada por pesquisadores e pesquisadoras oriundos(as) de diferentes instituições do país, que se dedicam a refletir sobre o punk enquanto fenômeno social, político e cultural.  Tais fatores, em certa medida, simbolizam a consolidação das temáticas relativas ao universo punk nas pesquisas desenvolvidas no bojo da universidade.

Para além de somente pesquisadorxs são pessoas que vivenciaram ou vivenciam o punk de formas diferentes.

>> Para acessar o Dossiê, clique aqui:

https://www.revista.ueg.br/index.php/sapiencia/issue/view/644

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/15/relancamento-punk-memoria-historia-e-cultura-de-antonio-carlos-de-oliveira/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/02/relancamento-do-livro-os-fanzines-contam-uma-historia-sobre-punks-de-antonio-carlos-de-oliveira/

agência de notícias anarquistas-ana

No espelho d’água
oculta sua face, tímida,
a lua nublada.

Douglas Eden Brotto

 

[Grécia] A Morte Acidental de um Anarquista

Por Iason Athanasiadis | 06/12/2021

Como o Estado deveria lidar com um ambientalista que quer aboli-lo? Um anarquista grego acusado na polícia após um protesto contra a poluição. Eles responderam com cassetetes, negação e silêncio.

Quando ele tinha 18 anos de idade, Vasilios Mangos destruiu a sede do partido grego neonazista Aurora Dourada. Ele foi condenado por vandalismo por um tribunal na sua cidade natal, Volos, mas, com a sentença suspensa, evitou a prisão. Sete anos depois, em 14 de junho de 2020, Mangos novamente teria problemas com a lei. Desta vez, não houve julgamento: a punição foi administrada instantaneamente, nos portões do foro de Volos. Mangos foi chutado, agredido com cassetetes e enviado à delegacia após se precipitar em um grupo de policiais durante um protesto em frente ao foro. Solto sem acusações naquela tarde, foi admitido ao hospital, onde foi diagnosticado com seis costelas fraturadas e contusões no fígado e na vesícula. Quatro dias depois, foi mandado para casa sob medicação para a dor.

De volta com a sua família, o jovem de 26 anos cuidou de seus ferimentos e pesquisou sobre processar a polícia. O governo declarou apoio às ações do policial, declarando que Mangos – conhecido pelas autoridades como um anarquista comprometido – comportou-se de maneira ameaçadora. Mas havia evidência para sugerir que a polícia passou dos limites: a agressão em frente ao foro foi filmada nos celulares dos manifestantes.

Mangos se uniu a um grupo de ativistas da cena local anarquista e esquerdista que planejavam um desafio separado contra a polícia local, sobre sua repressão em uma manifestação ambientalista recente. Nas atualizações do Facebook, explicou por que tinha confrontado os policiais: tinha raiva sobre a destruição do meio ambiente e sobre brutalidade policial. Disse que os policiais apenas o deixaram ir quando perceberam que necessitaria de atenção médica. “Fiz com que falassem que seriam obrigados a me levar ao hospital se me mantivessem por mais tempo”, escreveu. “Duas semanas de recuperação agora, e quem sabe quantos anos até que haja justiça”.

Seja lá qual forma essa justiça eventualmente tome, virá tarde demais para Mangos. Um mês após seu encontro com a polícia, foi encontrado morto – o resultado de uma overdose. A família Mangos acredita que ele estava usando drogas para lidar com o impacto do ataque, e credita parte da responsabilidade por sua morte à polícia. “Sem ser uma figura de linguagem, acreditamos que o Vasilios morreu um mês após seu assassinato”, o pai de Mangos, Yannis, disse à Balkan Investigative Reporting Network, BIRN. Contudo, um relatório do promotor de Volos concluiu que não havia evidência de que os ferimentos de Mangos levaram a sua morte; ele foi morto pela heroína e sedativos em seu sistema.

Em 2020, a entidade de proteção aos direitos humanos da Grécia, a Ombudsman, recebeu cerca de 18,500 reclamações contra a polícia: o maior número em sua história, bem como um crescimento de 75% no total do ano anterior. Esta é a história por trás de uma dessas reclamações, que oferece um retrato de uma força policial em descontrole, praticando abusos sem medo de ser responsabilizada.

Os anarquistas são estrelas no que se referem na Grécia como sua “esquerda extraparlamentar”, uma constelação de grupos que opera fora do – e em oposição ao – sistema político. Muitas cidades gregas têm uma cena anarquista viva centrada em um espaço, ou no “horos” – uma zona de edifícios ocupados, com frequência grafitados, que dizem ter autonomia do Estado. O movimento anarquista está também na linha de frente dos protestos, comandando uma presença na rua que rivaliza com bastiões históricos como Itália e Espanha.

Na Grécia, como em qualquer lugar, os anarquistas apresentam um dilema: como o Estado deveria lidar com aqueles que buscam sua abolição? A resposta tipicamente envolve a polícia. Os próprios anarquistas também frequentemente acreditam em confrontação direta com os policiais: o monopólio da violência do Estado, como exercido pela polícia, deve ser desafiado com violência. Esta história oferece um relance de como a força policial grega lida com as pessoas que querem se livrar de seus empregadores.

A polícia “não encara os anarquistas como um fenômeno sem cara – eles também os tratam com hostilidade, social e pessoalmente”, diz George Sotiropoulos, um cientista político com base em Atenas e especialista no movimento. Ele descreveu a relação entre os dois lados como tendo “as características de um revanchismo”, bem como lutando uns contra os outros nas ruas, profanam uns aos outros “a níveis de estádios de futebol.”

‘Cultura da mentira’

O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis foi questionado sobre o caso de Mangos em março deste ano, depois de motins engatilhados pela fúria do policiamento. Ele disse que a investigação oficial estava para acabar e uma decisão seria comunicada “em breve”. Nove meses passaram, ambos um inquérito policial interno e uma revisão desse inquérito pela Ombudsman foram completados, mas não há uma palavra sobre quando as descobertas serão publicadas. A família Mangos diz que foi mantida no escuro sobre o processo.

Um oficial da sede da Ombudsman, falando à BIRN anonimamente, disse que a revisão levou mais tempo do que o planejado porque a investigação policial fora “superficial” e “cheia de furos”. Uma porta-voz da polícia grega de Atenas, tenente Anna-Anniela Efthymiou, disse à BIRN que a polícia estava trabalhando para abordar as questões levantadas no relatório da
Ombudsman, incluindo um pedido por “muitos testemunhos adicionais”.

Enquanto não há veredicto sobre a conduta policial, acusações foram preparadas contra Vasilios Mangos. De acordo com sua advogada, Anny Papparousou, a polícia local colocou esforço em processá-lo por ofensas relacionadas a drogas após algumas horas do seu falecimento, apesar da ausência de qualquer base legal para processar uma pessoa falecida. “Isso é tanto uma violação à lei quanto à lógica”, disse Papparousou à BIRN.

Autoridades policiais de Volos não responderam aos pedidos por comentários da BIRN. Contudo, um policial da cidade que estava familiarizado com o caso, falando anonimamente, disse à BIRN que Mangos confrontou seus colegas em frente ao foro “com postura de boxeador, estendendo seus braços”.

Enquanto o policial concedeu que seus colegas tinham exagerado contra Mangos e deveriam ser “apropriadamente punidos”, ele também defendeu seus caracteres. “É uma vergonha… Eles são caras trabalhadores, honrados, homens sérios de família, o tipo que qualquer um quer como genro”. O policial enfatizou que os ferimentos de Mangos não tiveram a ver com a sua morte. “Respeito a dor do pai dele, mas não vejo como [a polícia] pode ser culpada pela morte”, disse.

Seguindo a instabilidade civil de março, o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis fez uma admissão rara ao público. “Um código de honra” com a polícia levara a seus excessos serem encobertos, declarou. “Nossa polícia está ainda a um longo caminho de ser adequada à democracia moderna”. Seus comentários ecoaram as descobertas de uma revisão judicial atrasada da violência policial, ordenada pelo governo e publicada com reduções extensivas no ano passado. Concluiu que os policiais operaram em um ambiente de impunidade excepcional, apoiando críticas de entidades internacionais de direitos humanos.

“A liderança da polícia é de fato conivente a atos ilegais individuais de policiais, sem necessariamente tentar ser”, diz Anastasia Tsoukala, professora associada de criminologia na University of Paris-Sud. “Há uma cultura de mentira na polícia, e um medo da responsabilização que se move por toda a hierarquia.” Como resultado, diz ela, a maior parte dos abusos policiais são encobertos – “a não ser que fossem muito graves, ou muito bem documentados”.

‘Núcleo radical’

Sob ordens do novo governo, a polícia se impôs contra seus adversários ideológicos, os anarquistas. Sua repressão ao movimento gira em torno de uma história de reviravolta institucional. A força policial grega tinha uma relação desconfortável com o governo esquerdista Syriza, o qual tentou mantê-la sob controle mais rígido. O partido conservador Nova Democracia, eleito em 2019, derrotou Syriza ao prometer, entre outras coisas, a restauração da lei e da ordem. Quando no governo, engrandeceu as posições dos policiais e expandiu seus poderes. Em maioria de forma controversa, reviveu uma unidade de motocicletas que havia sido desbancada no governo Syriza por violações aos direitos humanos. Muitos dos recrutas da unidade foram tirados de posições de forças especiais militares, evitando a rota usual pela academia.

Até agora, as energias dessas forças engrandecidas têm focado no policiamento de espaços públicos em isolamento, controlando protestos e retomando zonas urbanas que têm tradicionalmente gozado de alguma autonomia do Estado. No distrito central de Atenas de Exarchia, onde se encontra grande parte dos anarquistas e da esquerda radical, ocupações bem estabelecidas foram invadidas e fechadas. A polícia também ganhou o direito de entrar em campi universitários, encerrando uma proibição em voga desde o colapso da junta militar de 1975, quando estudantes foram proclamados heróis da resistência e seus campi foram resguardados como refúgios dissidentes.

Como a força policial se empurrou à vida pública, encarou escrutínio sem precedentes. Seus excessos nunca foram melhor documentados, com gravações em celulares de agressões compartilhadas amplamente nas redes sociais. Em uma sequência típica de eventos, vídeos de brutalidade policial incitarão protestos de rua que preparam o cenário para que a violência cresça. O ciclo é temporariamente interrompido com linguagem conciliatória sobre reformar a força policial e promessas que acrescentam pouco demais.

Pela segunda vez neste ano, protestos contra a brutalidade policial em Atenas se transformaram em motins. Em outubro, foi sobre o assassinato de um homem, baleado em um carro roubado. Em março, foi sobre gravações da polícia agredindo um homem por uma alegação de violação do isolamento no bairro de classe média Nea Smyrni. Muitos protestantes foram feridos em uma perturbação subsequente, assim como um policial, puxado de sua motocicleta e agredido por uma multidão de vândalos torcedores de futebol.

Historicamente, o Estado torna anarquistas seus alvos com uma combinação de intensificada violência policial e vigilância, com frequência operando no limite da ilegalidade. Enquanto isso, a violência dos anarquistas tem tradicionalmente aparecido em um espectro, desde motins a roubos a bancos, a bombardeios e assassinatos por grupos guerrilheiros urbanos que foram designados como terroristas pelo Estado grego.

Sob a repressão recente, contudo, o movimento tem revisado seu uso de táticas violentas. O cientista político George Sotiropoulos diz que, “em um nível teórico, os anarquistas não abandonaram essa ideia de violência política, mas agora há uma atitude mais sutil sobre ela, precisamente por causa do nível de repressão policial”.

A influência do movimento aumentou quando a crise financeira atingiu a Grécia, 13 anos atrás. O assassinato de um adolescente desarmado, atingido por uma bala de um policial em Exarchia em dezembro de 2008 causou uma instabilidade nacional. Os motins que seguiram a morte de Alexandros Grigoropoulos canalizaram condições econômicas que se deterioravam.

Hoje, os anarquistas também exploram reclamações sobre a resposta do Estado a questões como poluição e incêndios, formando a vanguarda de um novo movimento ambientalista. A esquerda grega e os anarquistas “interseccionam com o movimento ambientalista no nível de lutas locais”, diz Sotiropoulos. Contudo, os anarquistas “não têm sido particularmente ativos na questão das mudanças climáticas”, adicionou, porque há uma ausência da Grécia em qualquer “movimento ambientalista mais amplo, lidando com questões maiores”.

Esse pode não ser o caso por muito mais tempo. Causas ambientais são esperadas a ganhar tração na Grécia por conta de incêndios catastróficos e climas extremos que preveem o caos que será iniciado por um planeta em aquecimento. Sotiropoulos diz que o Estado se encontra alarmado pela possibilidade de anarquistas formarem “o núcleo radical” de um movimento ambientalista em expansão – “uma luta radicalizada” será mais difícil de
conter.

Espírito autoritário

Da colina cravejada em que seu filho está enterrado, Yannis Mangos consegue ver os terraços de Volos, a cidade portuária que foi seu lar pelos últimos 30 anos. Ele cresceu em uma vila na província vizinha de Thessaly, mudando-se para a cidade após o seu casamento com Dati Mourtzopoulou, a filha de um advogado proeminente e poeta. O casal trabalhou como professores e criou três crianças, das quais Vasilios foi a segunda.

Políticas de esquerda eram comuns na família. Quando jovem, Yannis foi um membro do partido comunista grego. Seu pai foi da guerrilha comunista durante a guerra civil grega. Yannis ambicionava passar a tradição familiar adiante, levando o jovem Vasilios para as trilhas atrás de Volos, cena de algumas batalhas lendárias da guerra civil. Eles conversavam sobre a história da região e do herói comunista da resistência, Aris Velouchiotis, que se escondeu nessas montanhas para lutar contra a ocupação nazista na Grécia. Vasilios se tornou um jovem “profundamente político”, diz Yannis, preocupado com questões de injustiça, constantemente perguntando “por que existe, e o que pode ser feito sobre”.

O garoto foi criado em uma cidade em declínio. Volos foi um dia um centro comercial ocupado, ligando a Europa do Danúbio ao Mar Negro, e ao Levant. No século XX, ela se tornou o local do terceiro maior porto de carga da Grécia, suas fábricas da orla produzindo aço e cimento. Com a globalização, contudo, Volos foi no mesmo caminho de todos os centros da manufatura provincial. As fábricas ainda estão lá, soltando fumaça, mas elas produzem menos e contratam menos pessoas. Muito da antiga burguesia se realocou para a capital, e muitos dos jovens que se aglomeram nas calçadas à noite terminarão por usar seus passaportes europeus para ter um futuro no estrangeiro.

Vasilios Mangos permanecia. Ele tinha uma personalidade otimista e uma tendência à impulsividade, e fazia amigos com facilidade, conhecido entre eles por seu apelido, Billy. Ele torcia para o Volos Victory FC, o time de futebol local estabelecido pelos refugiados que aumentaram a população da cidade após a guerra greco-turca de 1922. Desde sua adolescência compartilhou o apetite de seu pai pela literatura política, lendo trabalhos canônicos de Camus, Dostoiévski e do dissidente de esquerda e ambientalista grego Chronis Missios.

Sua política, contudo, divergiria do esquerdismo de seu pai. Enquanto Vasilios compartilhava o ceticismo de Yannis sobre os partidos políticos gregos tradicionais, considerando-os coniventes com interesses americanos ou alemães, ele também rejeitava o dogmatismo dos comunistas. Ao invés disso, diz Yannis, seu filho “acabou se movendo para um espaço político um pouco mais além”. Vasilios gravitava para a cena anarquista de Volos, ficando na maior de suas ocupações, a Matsangou Occupation, em que ajudava a organizar eventos para arrecadação de fundos e culturais.

As origens do movimento anarquista grego moderno pode ser traçada às consequências da Segunda Guerra Mundial. A insurgência comunista que lutou contra os nazistas nas montanhas atrás de Volos foi eventualmente derrotada na guerra civil grega de 1946-9. Nas divisões da Europa do pós-guerra, a Grécia foi desenhada na órbita americana, tornando-se membro da OTAN e, pelo menos nominalmente, uma democracia. Na prática, contudo, seus partidos de esquerda foram marginalizados por um Estado do pós-guerra que temia um renascimento do comunismo. O movimento anarquista se expandiu durante esse período, prosperando ao lado dos comunistas que dominavam as margens. “O anarquismo moderno da Grécia emerge como uma tendência dentro de um radicalismo de esquerda mais amplo,” diz o cientista político George Sotiropoulos. “Desenvolveu-se no contexto de um movimento que demandava democratização”.

Depois que um golpe militar instalou uma junta autoritária de extrema direita em 1967, elementos dentro da subcultura esquerdista e anarquista endossaram a ideia de violência política. Sua crença era que a luta violenta sobreviveria o colapso da junta e a reformulação do sistema democrático em meados dos anos 1970. O anarquismo grego preservou um espaço para a violência política porque veio a ver “ordem legal democrática como uma fachada”, disse Sotiropoulos. Na visão anarquista, o Estado ainda estava sob o controle de interesses profundamente conservadores e reacionários com tendências fascistas, e então seu monopólio da violência tinha que ser continuamente desafiado.

Se os anarquistas se consideram os donos da tocha da resistência à junta, a força policial preserva ao menos uma parte daquele espírito autoritário da era. Ela consistentemente combateu os esforços para fazê-la mais responsável enquanto recrutando desproporcionalmente dos ranques de extrema direita e simpatizantes neonazistas. “Houve um esforço para democratizar entidades de segurança como resultado da junta,” diz Anastasia Tsoukala da University of Paris-Sud. “Mas, enquanto isso aconteceu satisfatoriamente com as forças armadas e não estamos mais no risco de um golpe, falhou deploravelmente com a polícia”.

‘Procurou sangue policial’

Depois de completar a escola, Vasilios Mangos se matriculou em um curso técnico superior em Atenas e se imergiu na contracultura anarquista da capital, centrado na rede de ocupações de Exarchia. Ele ocasionalmente performava como rapper e frequentava festivais de música, tomando trens pelo país, acompanhando seus amigos em farras épicas. Junto com as drogas de festa inevitáveis, Vasilios desenvolveu um gosto por heroína. Sempre um usuário funcional, fez várias tentativas de parar, entrando em programas de reabilitação em Volos e na cidade próxima Larisa. Ao final da última década, ele tinha conseguido se desabituar. Mudou-se de volta para Volos, encontrou trabalho como motorista de entregas e estava em um relacionamento sério com uma jovem da cidade.

Mangos estabeleceu suas credenciais antifascistas quando era adolescente, com o ataque à sede do Aurora Dourada. Crescendo, também fazia campanha por causas ambientais adotadas pelo movimento anarquista. Os anarquistas de Volos se mobilizavam aonde quer que detectassem que o governo passava dos limites. Protestavam contra as fábricas poluentes da cidade, planos oficiais para desviar uma nascente de montanha, e esquemas para construir usinas eólicas na região – empurradas, de acordo com os residentes, sem levar em conta suas necessidades.

Em 13 de junho de 2020, Vasilios se juntou a cerca de 5.000 pessoas em um protesto contra uma nova instalação planejada para converter lixo comercial em combustível para incineração na fábrica de cimento que dominava a periferia do norte da cidade. Combustível sólido recuperado, ou CSR, é produzido por papel tratado, lixo têxtil e plástico e está sendo cada vez mais usado na produção de cimento e na geração de energia no mundo todo.

É divulgado como uma alternativa mais sustentável para combustíveis fósseis, que tem o benefício adicional de reduzir a quantidade de lixo direcionado a aterros sanitários. Em Volos, contudo, muitos temem que as fábricas de CSR planejado ignorarão normas ambientais e piorarão a poluição do ar. A fábrica de cimento Heracles da cidade, propriedade do conglomerado suíço LafargeHolcim, está entre as maiores das unidades europeias. Um relatório de 2011 pela European Environment Agency, EEA, classificou entre os 10 piores sítios industriais da Grécia em termos do seu impacto na poluição do ar e saúde pública.

Vasilios participou da manifestação de 13 de junho com um grupo de torcedores do Volos Victory FC que foram incumbidos da guarda. Os manifestantes – uma mistura de ativistas, estudantes e famílias com crianças – avançaram em direção aos portões da fábrica de cimento, segurando caixões simbólicos e cartazes com slogans de um tipo que se tornou comum mundialmente em protestos ambientalistas. “Se o clima fosse um banco,” lia um, “o governo o teria salvado”.

Os ativistas e a polícia dão explicações conflitantes para o caos que se irrompeu quando o protesto estava em abrandamento, por volta das nove da noite. De acordo com um depoimento dado pelo sindicato legal da polícia, um grupo de manifestantes vestindo moletom teria “procurado sangue policial”, deixando pelo menos dois policiais com ferimentos na cabeça. Contudo, ativistas disseram que foram atingidos por gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral quando se aproximavam da fábrica de cimento com uma faixa grande.

Algumas contas ativistas disseram que a intenção era colocar a faixa nos portões da fábrica, outros insinuaram que era colocá-la dentro das instalações da fábrica. De qualquer forma, a polícia acabou perseguindo grupos de manifestantes por dois quilômetros de rodovia, até os portões do hospital da cidade. Testemunhas relataram ver manifestantes deitados no asfalto, vencidos pelo gás lacrimogêneo, ou cambaleando para o mar para escapar de seus efeitos.

Nem todos simpatizam com os ativistas ambientalistas. Um PM conservador de Volos os descreveu como “vândalos de moletom operando às margens da ilegalidade”. O PM, que falou com a BIRN anonimamente, diz que os manifestantes erraram ao fazer da fábrica de cimento um alvo. “Se Lafarge deixar sua localização atual,” diz, “irá se mover de vez para a Bulgária, levando embora seus empregos”.

‘Força necessária’

No próximo dia, a perturbação na manifestação foi a conversa da cidade. Até a hora do almoço, um pequeno protesto se formou em frente ao foro em que acusações foram feitas contra os manifestantes detidos na noite anterior. Os manifestantes se mantiveram de um lado da rua, de frente para as vans de motim da polícia posicionadas em frente ao foro.

O clima era hostil. Os policiais de motim alegadamente utilizaram sistemas públicos de comunicação para transmitir poemas e comentar as mulheres da multidão. Enquanto isso, os manifestantes gritavam slogans contra a polícia, rimando o termo grego para segurança de Estado, “asfalites”, com a palavra para assassino, “alites”.

Vasilios Mangos não foi à manifestação, mas morava perto e estava passando em sua motocicleta quando os detidos estavam sendo conduzidos para fora dos tribunais. Reconhecendo um deles, estacionou e, como que em um impulso, correu na direção da polícia, gritando: “O que vocês estão fazendo com ele?” Um vídeo filmado no celular de um manifestante e disponibilizado no YouTube mostra a reação da polícia.

Um policial vestido em roupas escuras é filmado voltando-se ao lado esquerdo do enquadramento, seu braço estendido. Vasilios está na beira da câmera, mas sua sombra pode ser vista momentaneamente no asfalto. Outro policial de preto corre para ele, seguido de um grupo de policiais armados para motim. A câmera vira para mostrar dois policiais agredindo Vasilios enquanto ele está no chão. Um dos policiais usa um cassetete enquanto outro é filmado chutando Vasilios, que levanta as mãos para proteger sua cabeça. Um terceiro policial armado para motins se junta a eles enquanto seus colegas dispersam, formando um cordão imediato entre os manifestantes e a agressão.

Há clamores chocados da multidão. “Deixe ele em paz!” alguém grita; “O que vocês vermes estão fazendo?” outro grita. Os policiais jogam granadas de efeito moral e a câmera captura os manifestantes correndo, seguidos pela polícia de motim. “Foi a coisa mais extrema que já vi”, diz S., um amigo de infância de Vasilios e membro da cena anarquista da cidade que falou à BIRN em anonimidade. “A polícia de motim nos perseguiu por dois quarteirões, passando uma taberna em que os clientes sentados nos observavam chocados”.

Um segundo vídeo, disponível no mesmo link do YouTube, mostra o ataque no foro de outro ângulo e captura sua conclusão: Vasilios está ajoelhado na rodovia com três policiais em cima dele, enquanto manifestantes se dispersam ao som das granadas. Ele contou posteriormente a S. que suas costelas já estavam fraturadas a esse ponto. Algemado e se contorcendo de dor, Vasilios disse à polícia que não conseguia respirar.

Ele foi levado em um veículo preto. Cerca de duas horas depois, foi visto por volta da delegacia local por conhecidos que traziam comida para seus amigos detidos. Visivelmente ferido, Vasilios foi auxiliado a chegar em casa, de onde foi ao hospital. Contou a seu pai e amigos que foi agredido novamente pelos policiais antes que o deixassem ir. Foi mantido brevemente em uma cela, disse, descrito como “bixa” e humilhado quando tentou beber água que gotejava de um bebedouro quebrado.

Após uma hora sob custódia, foi solto sem acusações. O incidente no registro da delegacia dizia que Vasilios Mangos foi detido sob suspeita de ter cometido um crime. Como base para a detenção, o registro também cita suas “atividades em vários coletivos” e seu “comportamento criminal em geral” – referências aparentes a sua ligação com grupos locais anarquistas e sua condenação pelo ataque à sede do Aurora Dourada. O registro diz que foi contido usando mais força do que o “absolutamente necessário”.

No hospital, Vasilios recebeu remédios fortes para a dor pelos ferimentos em suas costelas e órgãos internos. “Fazia anos que não o via tão dopado”, diz Yannis Mangos. “Foi quase como se estivessem tentando subjugá-lo”.

Recuperando-se em casa, Vasilios se registrou para benefícios por deficiência e saía para passeios gentis. Passeios de carro traziam uma mudança de cenário bem-vinda, mas ele tinha que maneirar – os trancos do veículo eram insuportáveis se estivesse a mais de 20 km/h. O amigo de infância de Vasilios, S., que o via quase diariamente durante esse período, lembra que não podia contar piadas – rir era muito dolorido.

Vasilios falava da agressão em tom descontraído, mas aqueles que o conheciam podiam ver que a experiência o afetara psicologicamente. “Ele estava estressado, tinha problemas para dormir, parecia diminuído”, seu amigo S. contou à BIRN. “Não era mais seu tipo gregário usual”. Amigos disseram que Vasilios também reclamava que estava sendo incomodado por pessoas que o vendiam drogas quando estava viciado; criou um novo perfil no Facebook para esquivar sua atenção.

Algumas semanas após a agressão, Vasilios procurou ajuda médica. Diagnosticado com depressão e Transtorno de Estresse Pós-Traumático, recebeu uma receita para benzodiazepinas, uma droga que é usada no tratamento de ansiedade e insônia. Embora seja amplamente receitada e considerada segura para uso a curto prazo, benzodiazepinas podem causar uma overdose quando tomadas em combinação com outras substâncias supressoras do sistema nervoso, como álcool ou opioides. Na noite de segunda-feira, 13 de julho de 2020, um mês após ser agredido pela polícia, Vasilios foi encontrado morto em seu quarto por sua mãe. A autópsia confirmou que teve uma overdose de uma combinação de drogas lícitas e ilícitas, nominalmente heroína.

Yannis Mangos estava fora de casa quando seu filho morreu, cuidando de sua mãe enferma. Contou à BIRN que Vasilios estava calmo e falante quando se falaram por telefone no domingo. Quando se falaram novamente na segunda-feira de manhã, contudo, estava em “um péssimo estado: irritado, triste, estressado”, relatou Yannis.

O pai propôs que fossem às trilhas das montanhas quando Vasilios se recuperasse, fazerem algo que os dois amavam – e essa foi a última vez que se falaram. A overdose parece ter sido resultado de um trágico erro de cálculo, sendo que Vasilios misturou medicamentos com um opioide ao qual seu corpo havia perdido tolerância. “Se ele estivesse sóbrio por muito tempo, teria que ter sido mais cauteloso com a dose e combinação”, apontou Yannis.

Não há evidência para sugerir que Vasilios tinha intenção de tirar sua vida. Apesar das flutuações de humor após a agressão, a busca por reparação aparentava ter lhe dado um propósito. Na semana de sua morte, encontrou-se com Anny Paparoussou, uma advogada com base em Exarchia com uma reputação por defender vítimas de violência policial. A reunião foi marcada por Yiannis Hadziyannis, um ativista esquerdista de Volos que estava auxiliando a organização de defesa legal para ativistas acusados a partir da manifestação de 13 de junho. Declarou à BIRN que estava impressionado com a força das convicções políticas de Vasilios. “Vasilios era muito claro e não tinha ilusões de qual lado das barricadas estava”, disse.

‘Presença vívida’

Quando a notícia da morte de Vasilios se espalhou pelos círculos anarquistas e esquerdistas, causou indignação. O vídeo de celular da frente dos tribunais foi visto sob uma nova luz: a polícia foi implicada não apenas na agressão, mas também, potencialmente, no assassinato. “Pessoas me diziam que ativistas estavam se preparando para se reunir por toda a Grécia, que preparações estavam sendo feitas para tomar as ruas”, lembra Yannis Mangos. Ele lançou uma declaração rápida com a esperança de diminuir as tensões: declarou que a família não responsabilizava o Estado pela morte de seu filho. “Eu estava em uma dor terrível”, disse Yannis, “e Vasilios ainda seria enterrado”.

Hoje, contudo, a família Mangos diz abertamente que as ações do Estado contribuíram para a morte de seu filho. Eles acreditam que recorreu à heroína para lidar com o impacto da agressão. “Vasilios não morreu diretamente da agressão, mas o incidente criou danos psicológicos e o lançou em um caminho autodestrutivo”, declarou Yannis à BIRN. “Se não tivesse sido agredido e torturado, ainda estaria vivo hoje. Eles não atiraram em seu coração, mas certamente destruíram sua alma”.

A posição oficial do Estado sobre Vasilios Mangos mudou com sua morte. Duas semanas após a agressão, enquanto ainda estava vivo, o Estado defendeu os policiais de Volos. O representante ministerial pela proteção dos cidadãos, Eleftherios Ikonomou, disse que agiram apropriadamente contra comportamento “violento e ameaçador”. Contudo, dois dias após o falecimento, o chefe de Ikonomou, o Ministro da Proteção do Cidadão Michalis Chrisohoidis, disse que os policiais estavam sob investigação.

Como se provou, a reputação de Vasilios também estava sob escrutínio. Em 15 de setembro de 2020, sua advogada, Anny Papparousou, revelou que a polícia apreendeu o celular de Vasilios nas bases de que estava enfrentando acusações póstumas, por posse de drogas. “É um paradoxo ensurdecedor”, declarou à BIRN. “Eles usaram o pretexto dessa acusação que não existe para confiscar o celular”.

A BIRN perguntou à polícia de Volos por que eles apreenderam o celular de Vasilios. Em uma ligação breve, o chefe do diretório da polícia de Magnesia Miltos Alexakis disse que a força não podia discutir detalhes do caso. A BIRN fez várias tentativas para contatar outras filiais da força, bem como policiais individualmente, mas nenhum estava disposto a ser citado.

Um ex-policial de Volos que agora trabalha na indústria de segurança privada disse que “não é surpresa” que policiais ativos não estavam dispostos a falar. O ex-policial disse que o uso excessivo de força é “um problema recorrente” e que a “polícia recusará absolutamente quebrar posições para discuti-lo”, particularmente neste caso. “Esse foi um incidente muito vergonhoso,” declarou à BIRN, falando anonimamente. “Simplesmente não há razão para continuar usando violência depois de imobilizar o sujeito”.

Yannis Mangos visita o túmulo do filho todos os dias, uma caminhada curta de casa, acima de um caminho verdejante por trás da cidade. No caminho, passa um slogan grafitado que Vasilios tratava como um lema: “Even if we never win, we will always be fighting”. [Até se nunca ganharmos, sempre estaremos lutando.] A lápide contém um verso de um dos poetas preferidos de Vasilios, Kostas Kariotakis. “Let us make peace with nullity and infinity”, [“Deixe-nos fazer a paz com nulidade e infinidade”] lê a inscrição, embaixo de um símbolo do número zero aninhando um símbolo do infinito.

Yannis lava a lápide e se lembra de conversar sobre injustiça com um jovem que se importava com ela. “Ele tinha uma presença tão vívida”, diz. “De primeira, continuava pensando que ele ainda estaria por aí”. Em caminhadas pela cidade, ele é lembrado de seu filho quando vê outros jovens que se parecem com ele, e pelos slogans grafitados nas paredes: “Vasilios Mangos – Presente!” Em manifestações de hoje, os manifestantes pausam em frente a casa da família.

Para Yannis Mangos, a morte de seu filho revelou a verdadeira face do Estado grego. Ele é agora mais simpático à análise anarquista: o governo da lei é uma ficção e o Estado é inerentemente reacionário – é um candidato à abolição, não à reforma. “O que aconteceu na minha família me mostrou que não há democracia na Grécia”, diz. “Vasilios foi mais avançado em seu pensamento, eu era mais conservador. Anarquismo não apelava a mim quando era mais jovem. Agora, contudo, faz sentido”.

> Iason Athanasiadis é um jornalista freelancer sediado em Atenas. Esta história foi editada por Neil Arun. Foi produzida como parte da Fellowship for Journalistic Excellence, apoiada pela ERSTE Foundation, em cooperação com a Balkan Investigative Reporting Network.

Fonte: https://balkaninsight.com/2021/12/06/the-accidental-death-of-an-
anarchist/

Tradução > Sky

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/07/15/grecia-vasilis-maggos-foi-brutalmente-espancado-por-policiais-em-uma-manifestacao-de-solidariedade-um-mes-depois-ele-e-encontrado-morto/

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva no lago
cada gota
um lago novo

Alice Ruiz

[São Paulo-SP] Caminhada pela Mooca de Maria A. Soares acontece neste sábado

Sábado (18/12) será o evento presencial da Tenda de Livros, vamos fazer uma caminhada da Estação Juventus-Mooca até onde era a casa da Família Soares, lugar muito importante para a história do anarquismo e do movimento operário na Primeira República.

Vamos nos encontrar às 14h no bar da estação, na saída da AV. Presidente Wilson N. 497., São Paulo (SP).

Vem pro grupo de zap: bit.ly/caminhadafamiliasoares

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/02/o-primeiro-livro-da-colecao-charlas-y-luchas-sera-lancado-quinta-feira-04-11-unidas-nos-lancemos-na-luta-o-legado-anarquista-de-maria-a-soares/

agência de notícias anarquistas-ana

Céu de primavera.
Nas açucenas floridas
dura mais o orvalho.

Anibal Beça

[Catar] Professor da Georgetown no Quatar Ensina Ciência Política através de Palavras Cruzadas

Acadêmico e criador de palavras cruzadas, o professor visitante da Georgetown University na parceira do Qatar (GU-Q), Dr. Leonard Williams, oferece uma maneira original de explorar conceitos chave da ciência política com a publicação de seu último livro de passatempos intitulado Black Blocks, White Squares: Crosswords with an Anarchist Edge (AK Press, 2021).

Oferecendo cinquenta e uma palavras cruzadas temáticas em uma coleção brochada, seu livro contempla a história, filosofia e ascensão do anarquismo, uma ideologia política que teve início na França do século XIX e que continua a impactar eventos mundiais hoje.

“Pessoas frequentemente associam a palavra com sua definição literal, que significa caos, desordem e ilegalidade. Mas, como ensino em meus cursos de ciência política, anarquismo é uma tradição ideológica com raízes históricas profundas, uma que enfatiza cooperação social e cuidados e liderança baseados na comunidade”, afirma.

Mas os solucionadores não precisarão de um diploma da Georgetown para se divertirem com o livro. Dr. Williams incluiu soluções e “Notas do Construtor” que explicam as ideias por trás de cada passatempo.

A evolução das palavras cruzadas de uma simples grade de quadradinhos e dicas por definição de palavras para uma forma artística complexa e educacional aproveitadas em clubes, congressos e comunidades online é o motivo pelo qual o hobby que começou em sua juventude prevaleceu, explica o Dr. Williams. Suas palavras cruzadas já apareceram em publicações como The New York Times, The Wall Street Journal, The Los Angeles Times e GAMES Magazine.

“Palavras cruzadas se tornaram mais relevantes com o tempo, usando linguagem contemporânea, referências e trocadilhos poéticos. Então, combinar meus interesses acadêmicos em ideologia política com meu interesse em palavras cruzadas para minha publicação mais recente foi um encaixe natural,” diz. Com muitas publicações em meio acadêmico, Dr. Williams diz que seus temas e dicas foram com frequência inspirados por sua pesquisa, partes de conversas, ou por notícias. “Quando uma palavra ou ideia prende minha imaginação, tomo nota para que possa voltar a ela e ver se uma palavra cruzada pode ser construída a partir dela.”

Por meio de suas palavras cruzadas, o Dr. Williams oferece um estudo fascinante da sociedade humana por um meio que também ensina fluência verbal, potencializa o aprendizado e encoraja o engajamento da comunidade, enquanto recebe um novo público ao estudo de questões internacionais.

>> Dr. Williams recebeu seu Ph.D. pela Ohio State University e se juntou ao GU-Q pela Manchester University em Indiana, EUA, onde trabalhou como Reitor Emérito da Faculdade de Educação & Ciências Sociais e Professor Emérito de Ciência Política. Suas publicações mais recentes incluem a co-edição de Anarchism: A Conceptual Approach (Routledge) e Political Theory: Classic and Contemporary Readings, Segunda Edição (Oxford University Press).

Fonte: https://www.qatar.georgetown.edu/georgetown-professor-at-qf-teaches-political-science-through-creative-crosswords/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

cada haikai
uma nova peça
num quebra-cabeça sem fim

George Swede