[Espanha] Vaquinha online para apoiar a Rádio Argayo

Rádio Argayo necessita teu apoio para seguir crescendo e consolidar sua emissão independente pela internet e esperamos logo também por FM.

COFINANCIAR A AUTOGESTÃO

Lançamos uma campanha de crowdfunding para poder consolidar-nos como emissora livre e autogestionada no território e ter uma estrutura mínima com a qual apoiar os diversos programas que vão se unindo a Rádio Argayo.

Até agora, a quota do servidor livre que utilizamos para emitir por internet, a pagamos entre os membros da assembleia (82€/ano) e gostaríamos de contar com vosso apoio para fazer frente a possíveis aumentos, sobretudo se queremos dar o salto para FM.

Também, nos reunimos nas casas dos que formamos Rádio Argayo e os programas se realizam com os recursos que cada um deles tenha, que não são muitos.

Necessitamos dar um passo a mais para crescer como rádio: poder contar com uma sede fixa onde nos reunirmos e criar um pequeno estúdio de gravação, para poder acolher mais ideias e projetos de utilidade, mas que não contam com recursos para gravar um programa de rádio.

Atualmente estamos buscando um local gratuito ou com o mínimo custo, mas para garantir nossa independência necessitamos:

– Garantir o pagamento da quota do servidor de 2 anos: 164€

– Adquirir material para a gravação: mesas, microfones, etc.: 200€

– Contar com um pequeno cofre para nosso caminho até a FM: aberto

– Poder fazer frente a um possível aluguel de local: aberto

No total, nos propomos um objetivo mínimo de 500€, mas tudo o que puder e quiser contribuir, será bem-vindo.

Sobre

Rádio Argayo é um projeto de Rádio Livre em Cantábria, que se inscreve no Manifesto de Rádios Livres de Villaverde. Surge das inquietudes de um grupo, após organizar umas Jornadas de Meios Livres no CSO La Lechuza em novembro de 2019.

A ideia é fazer parte da maravilhosa rede de Rádios Livres, colaborando mediante a contribuição de programas, assim como dar difusão aos programas e conteúdos que se geram em outros lugares adscritos ao manifesto.

Não buscamos tirar um lucro econômico, todas as pessoas que colaboram o fazem de maneira altruísta e nosso único fim é criar Rádio. Não pedimos subvenções, nem as queremos.

Nos definimos como uma assembleia horizontal, buscamos nos aproximar o máximo possível a uma linguagem e espírito anticapitalista, feminista, libertária, antirracista e anti-especista.

O dinheiro que consigamos será 100% para manter o projeto.

Mais infos:

Visita nossa web: radioargayo.noblogs.org

Twitter: @RArgayo

Telegram: radio_argayo

>> Para colaborar, clique aqui:

https://www.firefund.net/radioargayo

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai.

Alaor Chaves

[França] Paris: o retrato de Louise Michel desafia a basílica do Sagrado Coração

Por Christine Henry | 11/08/2021

Um artista de rua fez homenagem esta quarta-feira (11/08) à essa figura da Comuna de Paris ao colocar seu retrato no alto da colina de Montmartre, um dos lugares altos desse período da história.

Louise Michel está de volta à Montmartre. O busto sobre tela dessa figura da Comuna de Paris foi (provisoriamente) pendurado esta quarta-feira diante da imponente fonte, no alto da praça que leva seu nome na baixada de um dos flancos da colina de Montmartre. O rosto austero da professora revolucionária, que chegou à Montmartre em 1865, se destaca sobre um fundo negro e o colarinho escarlate de seu casaco lembra seu apelido de “Virgem vermelha”. Ironia, o retrato reina em majestade sob a basílica do Sagrado Coração, apresentada após sua construção como o meio de punir as extravasões da Comuna.

Uma exposição de um dia

O artista Henri Marquet parado diante da sua obra explica (em francês bem como em inglês) seu projeto aos passantes. Um casal de estadunidenses escuta religiosamente suas explicação, depois deixa uma turista asiática de passagem na capital tomar o posto com ele. “A ideia nasceu na última primavera, quando Paris se preparava para celebrar o 150º aniversário da Comuna de Paris. Não se trata de um gesto militante, mas de um trabalho de memória sobre essa grande figura da Comuna. Eu tenho, igualmente, simpatia por suas ideias, explica o artista de rua de 78 anos. É a primeira vez que eu realizo uma obra desta dimensão.”

A tela de 5 metros por 5,6 metros ocupava uma parede inteira de seu atelier na rua de Choisy (XIIIº arrondissement). Ela foi colocada uma primeira vez sobre o local no último 20 de maio para a comemoração da semana sangrenta da Comuna e refaz uma aparição esta quarta-feira, por um dia. “É um evento festivo” explica o artista que não colocou a sua assinatura no canto da tela, mas a de Louise Michel. A tela tomará a estrada em setembro para exibir-se na fachada do teatro Toursky em Marselha na ocasião da “faça a fraternidade”, uma manifestação cultural, esperando voltar ao atelier do pintor e escultor parisiense.

Fonte: https://www.leparisien.fr/paris-75/paris-75018/paris-le-portrait-de-louise-michel-defie-la-basilique-du-sacre-coeur-11-08-2021-

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agência de notícias anarquistas-ana

Vento invernal:
canção nos galhos desnudos
traz a chuva aos olhos

O Livreiro

Livro conta a história de mulheres judias que lutaram contra o nazismo

Elas contrabandearam armas, sabotaram ferrovias alemãs e morreram em combate: em novo livro, historiadora Judy Batalion resgata histórias da resistência feminina à ditadura de Hitler

É um dia frio de inverno, em fevereiro de 1943, no gueto judeu de Bedzin, uma cidade na Polônia ocupada pela Alemanha nazista. Em meio a casas superlotadas impõe-se um edifício especial: o coração da organização juvenil de judeus Freiheit (liberdade, em alemão) e sede da resistência judaica contra os nazistas.

Mulheres e homens estão ali reunidos para tomar uma decisão memorável. Eles conseguiram obter documentos que lhes permitiram contrabandear algumas pessoas para fora dos territórios ocupados. Deveria então a líder do grupo, a judia polonesa Frumka Plotnicka, usar esses documentos para viajar até Haia e representar a comunidade judaica perante o Tribunal Penal Internacional (TPI)?

Todos os olhos se voltam para Plotnicka, que diz: “Não. Se temos que morrer, vamos morrer juntos. Mas vamos lutar por uma morte heroica.” Na mesma sala se encontra a jovem Renia Kukielka. Juntas, essas mulheres se tornariam o rosto da resistência judaica feminina ao regime de Adolf Hitler na Polônia ocupada.

É assim que os acontecimentos históricos daquela noite, quase oito décadas atrás, são retratados pela historiadora Judy Batalion em seu livro A luz dos dias – A história não contada das mulheres lutadoras da resistência nos guetos de Hitler (tradução livre), que deve ser lançado em breve no Brasil.

Ao longo de 10 anos, Batalion recuperou e analisou inúmeros relatos de testemunhas oculares, memórias, legados e documentos de arquivo, e falou com sobreviventes do Holocausto e seus filhos e netos em todo o mundo.

Através desse trabalho meticuloso, ela conseguiu reconstruir uma história que havia sido perdida por décadas. Ou melhor, nunca tinha sido devidamente contada: como as mulheres judias resistiram à ocupação nazista na Polônia. Com tenacidade, coragem e, às vezes, violência.

Sabotagem, armas de fogo e camuflagem

Batalion, que é neta de sobreviventes do Holocausto, vive em Nova York, mas descobriu as histórias não contadas dessas mulheres na Biblioteca Britânica, em Londres. Examinando vários documentos históricos, ela se deparou com uma empoeirada edição do livro Frauen in die ghettos (Mulheres nos guetos). A autora esperava mais uma “enfadonha” elegia sobre a força e a coragem feminina, mas o que encontrou foram “mulheres, sabotagem, armas de fogo, camuflagem, dinamite”.

Os 10 anos de pesquisa produziram resultados notáveis: um grande número de mulheres judias resistiu ativamente aos nazistas na Polônia ocupada, em todos os sentidos da palavra, a partir de guetos em Bedzin a Varsóvia. Elas contrabandearam armas, sabotaram a ferrovia alemã e detonaram grandes cargas de TNT.

Frumka Plotnicka morreu em combate contra os nazistas, e Renia Kukielka e muitas outras mulheres agiram como “mensageiras”. Arriscando constantemente suas vidas, elas usaram sua aparência “não judia” para transportar pessoas, dinheiro, informações, munições e armas de fogo dentro e fora dos guetos.

Resistência cultural

Outras mulheres fugiram das cidades e se juntaram a guerrilhas nas florestas, ou a grupos de resistência estrangeira. Elas construíram redes de resgate para ajudar outros judeus a se esconder ou fugir, e se envolveram em “resistência moral, espiritual e cultural”.

Um exemplo de resistência cultural é dado por Batalion através da biografia de Henia Reinhartz, uma jovem mulher do gueto de Lodz. Junto com outras mulheres, ela resgatou pilhas de livros em iídiche da biblioteca da cidade e os contrabandeou para o gueto. “Era uma biblioteca subterrânea”, ela mesma escreveu muitos anos mais tarde.

Ler era uma forma de escapar para “outro mundo”, uma “vida normal em um mundo normal, não uma vida como a nossa, que tem tudo a ver com medo e fome”. Comovida, Batalion conta que Reinhartz leu o romance americano E o vento levou enquanto se escondia para escapar da deportação.

Livro é como joia rara

Batalion também procura usar a cultura e a literatura para revigorar a memória das lutadoras da resistência judaica. Seu livro é uma conquista: tão sério quanto envolvente. Em sua narrativa, ela recupera uma parte importante da história que, por muito tempo, foi ignorada.

A tradução alemã do livro, lançada neste mês de agosto, chega num momento de contínuos debates sobre como manter viva a memória do Holocausto, à medida que as testemunhas oculares envelhecem e morrem.

À reportagem, a tradutora Maria Zettner destaca o quanto é importante que essa história seja contada em particular na Alemanha: “Enquanto eu traduzia o livro e lia sobre o que os alemães fizeram a essas judias, tive um grande sentimento de vergonha. Temos a responsabilidade, como alemães, de garantir que essas memórias não sejam esquecidas, que elas sejam passadas para a próxima geração. Temos a responsabilidade de fazer tudo o que pudermos para que algo assim nunca volte a acontecer.”

Batalion destaca a importância de se evidenciar histórias que foram por tanto tempo ignoradas. “A primeira é a história da resistência judaica em geral, em particular na Polônia, de que se fala tão pouco, e a segunda é a experiência das mulheres no Holocausto, que tem sido abordada cada vez mais nos últimos anos, mas certamente não antes disso.”

Um novo capítulo do feminismo ocidental

A historiadora vê um grande interesse por histórias como essas no momento atual. “É o lugar onde estamos em nossa trajetória feminista, na história do feminismo.” Ao conversar com amigos e colegas, sua impressão é de que “estamos muito entusiasmados em aprender sobre esses legados, de onde procedemos. É profundamente emocionante para as mulheres saber o que nossas antepassadas fizeram. As mulheres estão conquistando muito neste momento”.

O fato de ela ser mulher se reflete bem na gênese do livro: “Sou historiadora, sou mulher. Minha editora é mulher, quem encomendou esse projeto, que pagou por ele, é mulher, minha agente é mulher. Sou capaz de fazer esse trabalho por causa de outras mulheres que me pagaram e me apoiaram profissionalmente para realizar este trabalho. 25 anos atrás, talvez fosse diferente.”

O trabalho árduo de tantas mulheres valeu a pena: o livro já é um bestseller, segundo o New York Times, Steven Spielberg adquiriu os direitos do filme, e há interesse de cineastas de documentários e dramaturgos. Apesar do sucesso, Batalion se mantém humilde: “Só espero que essa história seja contada ao maior número possível de pessoas.”

O que significa para ela ter escrito o livro? Batalion faz uma pausa para responder. “Simplesmente parece algo que eu tinha que fazer”, diz, após um momento de silêncio. Fica uma clara sensação do que ela está pensando: não se trata dela mesma. “Sinto-me grata a Renia por ter deixado um relato tão detalhado que me permitiu contar a história. Eu simplesmente fiz o que senti que tinha que fazer.”

>> Foto: Duas mulheres da resistência capturadas pelos nazistas na invasão ao gueto de Varsóvia em 1943

Fonte: https://domtotal.com/noticia/1531528/2021/08/livro-conta-a-historia-de-mulheres-judias-que-lutaram-contra-o-nazismo/

agência de notícias anarquistas-ana

neve profunda –
as pegadas do gato
cada vez maiores

Ion Codrescu

[EUA] Afeganistão: a Vitória do Talibã em um Contexto Global

Uma Perspectiva Anti-Imperial por um Veterano da Ocupação dos EUA

A velocidade com que o Talibã recapturou o Afeganistão antes da retirada dos Estados Unidos ilustra o quão frágil é a hegemonia do império estadunidense: quanta força é necessária para mantê-lo e como tudo pode mudar rapidamente quando essa força for retirada. Isso nos oferece um vislumbre de um possível futuro pós-imperial — que não parece muito promissor. Como a ocupação impactou o povo do Afeganistão? Por que o Talibã conseguiu reconquistar tanto território tão rapidamente? O que a retirada dos EUA e suas consequências nos dizem sobre o futuro e como podemos nos preparar para isso?

A Guerra ao Terror, assim como a Guerra Fria antes dela, forçou populações inteiras a escolher entre dois pólos que se odiavam mutuamente, tornando difícil imaginar qualquer alternativa à escolha entre impérios capitalistas globais e autoritarismo local. No longo prazo, seja qual for sua promessa, o militarismo colonial não pode controlar o nacionalismo, o fascismo ou o fundamentalismo — apenas dá uma razão para extremistas recrutarem novos membros. A questão é como alimentar redes globais de auto-organização popular que possam criar uma alternativa real a esse cenário.

Na análise a seguir, um ex-militar veterano da ocupação dos EUA no Afeganistão discute essa derrota para o projeto imperial dos EUA — situando o Talibã, a ocupação e suas consequências no contexto de uma onda mundial de fascismo e fundamentalismo que também está ganhando terreno no Estados Unidos e no mundo.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://pt.crimethinc.com/2021/08/16/afeganistao-a-vitoria-do-taliba-em-um-contexto-global-uma-perspectiva-anti-imperial-de-um-veterano-da-ocupacao-dos-eua

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/17/afeganistao-ajude-nos-com-nossa-luta-contra-os-talibas/

agência de notícias anarquistas-ana

Sopra o vento
Segura-te borboleta!
Na pétala da flor.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[EUA] Coloradenses da Alt-Right foram à guerra contra uma fazenda de alpaca – e a fazenda ganhou

Por Eddie Kim | 01/08/2021

Por quase nove meses, o Tenacious Unicorn Ranch, um refúgio seguro para coloradenses trans e queer, enfrentou ameaças violentas de extremistas de direita. Até que eles se voltaram para seus anarquistas locais em busca de ajuda.

Primeiro vieram as ameaças de morte no Facebook, com um fluxo de vozes anônimas ameaçando incendiar o rancho e tirar todas as armas. Então vieram as perseguições – caminhões desconhecidos os seguindo, geralmente por quilômetros, por todo o caminho para casa.

Mas a gota d’água veio na noite de 5 de março, quando dois grupos de homens atravessaram silenciosamente a estrada de terra de quatrocentos metros até o portão da frente do rancho. Um par foi pego pelo guarda noturno por volta da meia-noite, brincando com a luz e fechando o portão. Várias horas depois, mais duas pessoas escalaram um campo, flanqueando em direção à casa principal. “Nosso cara James [um pseudônimo] os avistou. Ele os atingiu com um holofote e disse: ‘Retire-se ou morra.’ E eles correram como coelhos. Eu dou a ele crédito por potencialmente salvar nossas vidas naquela noite”, Penny Logue me diz. “Foi literalmente um alerta.”

Logue, 40, é uma veterana do Exército com cabelo loiro ondulado e o ar confiante de uma pessoa que já viu muita merda, mas ela faz uma careta ao se lembrar do incidente de invasão. Ela é a fundadora e coproprietária do Tenacious Unicorn Ranch, uma fazenda de gado em 40 acres de terra que também é um santuário autossuficiente para pessoas trans e queer que precisam de um lugar para ficar e trabalhar. Situado nas planícies douradas perto da cidade de Westcliffe, Colorado, é um local único para um projeto que inspirou o escrutínio e a solidariedade de aliados e críticos de todo o país.

Tenacious Unicorn tem todas as armadilhas de uma fazenda – quase 200 alpacas e dezenas de ovelhas, além de patos, galinhas, cães e gatos – mas também uma tonelada de equipamentos que você normalmente não vê em um ambiente agrícola: um rifle com mira, duas AR-15, pistolas, coletes à prova de balas e munição suficiente para lançar uma expedição de caça. Alguns dias, em meio ao balido das alpacas, você pode ouvir o ping distinto de 5,56 tiros atingindo o metal enquanto os trabalhadores do rancho realizam tiros de longa distância no quintal.

Logue e Bonnie Nelson, 34, vieram aqui há dois anos. Eles agora moram no rancho em tempo integral, junto com J Stanley, de 29 anos, e o marido de Nelson, Sky. A casa pode acomodar confortavelmente uma dúzia de pessoas, tornando-a um refúgio tranquilo em território incerto: Westcliffe é profundamente conservador, e Logue está muito bem ciente dos Oath Keepers, Three Percenters e outros agitadores de direita que vagam por esta parte do Colorado.

A invasão noturna foi a crista de uma onda violenta que começou a aumentar em 4 de julho de 2020, quando Logue e Nelson testemunharam um protesto em Westcliffe enquanto bebiam café. O desfile anual foi cancelado devido à pandemia, mas isso não impediu que os conservadores locais se reunissem. O círculo incluía homens segurando banners dos Three Percenter, camisetas apoiando “vidas brancas” e resmas de equipamentos MAGA. Furioso, Logue acessou o Twitter para escrever que o protesto do Quatro de Julho em Westcliffe estava cheio de “propaganda nazista.”

Depois disso, o assédio disparou.

“Eu vim para Penny convictamente anti-armas, mas depois daquele protesto de 4 de julho e tudo o que aconteceu, comprei o maior rifle que pude colocar em minhas mãos”, Nelson diz com uma risada.

Além de serem trans, Logue, Nelson e Stanley se auto-identificam anarquistas, o que os torna uma ameaça particular para alguns observadores (incluindo um blog local que considerou Tenacious Unicorn “fascismo de esquerda… xenófobos cheios de ódio e obcecados por violência”). Mais do que tudo, porém, sua filosofia é de autossuficiência.

Logue e outros fazendeiros não confiam na aplicação da lei local, dizendo-me que se sentem desconfortáveis por causa de alguns encontros negativos com deputados, aliados ao próprio comportamento do xerife do condado de Custer, Shannon Byerly, que inclui mentir sobre o comportamento do grupo para a mídia e sua admissão de que ele falou em um comício dos Oath Keepers.

Em um e-mail, Byerly diz que seu escritório não entra em contato com a fazenda desde a primavera, mas espera que os membros relatem quaisquer ameaças. “No início, houve alguns casos em que fontes ‘anônimas’ ligaram para reclamar sobre a forma como os animais da fazenda estavam sendo tratados e um policial foi lá uma vez. Descobrimos que os animais estavam todos bem cuidados e por isso não ouvimos nenhuma outra reclamação contra o pessoal de lá”, escreve ele.

No entanto, cinco meses após o ataque, Logue diz que uma sensação de calma voltou ao rancho. Ela atribui essa calma ao forro de prata do caos: Quando o Tenacious Unicorn começou a postar e tweetar sobre a incursão em março, os aliados emergiram do bosque quase imediatamente, entusiasmados para entrar na briga e lutar. Dezenas de pessoas de todo o Colorado e além, muitas delas antifascistas e anarquistas, procuraram Logue para se voluntariar para o serviço de guarda. Alguns simpáticos desconhecidos enviaram dinheiro para pagar as câmeras e novas cercas ao longo das bordas expostas do rancho. Outros entregaram coletes à prova de balas, munições e acessórios para armas, como Chris Bilynsky, um ferreiro de 39 anos do Kansas, que dirigiu até Tenacious Unicorn para entregar placas à prova de balas feitas à mão e kits de primeiros socorros.

“Dada a violência contra as pessoas trans e como está aumentando, parecia um grupo importante para ajudar. Penny, Bonnie e todos lá estão fazendo um trabalho importante e, de uma perspectiva anarquista, acho que as áreas rurais da América estão prontas para mudanças positivas”, explica Bilynsky.

Tenacious Unicorn preparou-se para o pior, com um estoque de placas à prova de balas e munição abundante. Até agora, porém, a melhor defesa tem sido a solidariedade, não as balas. Logue permanece intimidado pelo grande volume e entusiasmo das pessoas que procuraram ajudar. (Parte do alcance foi completamente inesperado. “Um monte de gente do Boogaloo nos procurou. Tivemos que dizer não, embora o gesto tenha sido, err, muito apreciado”, diz Logue com um encolher de ombros.)

“Tem sido incrivelmente humilhante, para dizer o mínimo”, acrescenta Logue. “Essas redes de apoio não estavam prontas antes do massivo verão de protestos de 2020. As pessoas teriam simpatizado com a nossa causa e poderíamos ter recebido doações, mas a mobilização local não teria sido possível.”

Por mais de um mês após o incidente de março, uma equipe de voluntários de quatro pessoas patrulhou o rancho todas as noites, servindo como um impedimento visível e armado para qualquer um que estivesse observando com binóculos. Hoje em dia, o regime de segurança relaxou um pouco – mas todos dormem melhor sabendo que a ajuda pode e vai chegar.

Em uma América hostil às pessoas queer e trans, o rancho está se transformando em um projeto raro e radical para garantir agência e alegria em espaços rurais abertos por meio do forte apoio da comunidade. O momento não poderia ser mais urgente, com o número de sem-teto e a violência aumentando drasticamente na comunidade trans nos últimos anos. Foi o que impulsionou Nelson a se juntar a Penny como coproprietário no empreendimento poucos meses depois de ingressar no rancho.

“É uma vida muito difícil ser trans sozinho. Comecei a transição há dez anos e meio e não tinha comunidade até deixar Nova York e me juntar a este lugar”, diz Nelson. “Não acho que Penny soubesse se eu seria útil, [mas] o rancho me deu um emprego, uma casa e uma maneira de ajudar outras pessoas trans.”

O rancho é sustentado em parte com a venda de lã de seus rebanhos de alpacas e ovelhas, mas o trio também realiza trabalhos fora do rancho em Westcliffe e no sul do Colorado, realizando reparos, paisagismo e outros biscates em troca de dinheiro. Com o tempo, eles criaram uma clientela leal – alguns dos quais chegaram a contatá-los em particular para avisá-los sobre ameaças raivosas que ouviram na cidade ou leram online.

Esses flertes com a violência não afetam Stanley, 29, que se juntou ao Tenacious Unicorn na primavera do ano passado depois de se desentender com sua família no norte do Texas. Stanley descobriu o rancho através das respostas ao seu tweet improvisado – “Trans commune quando?” – e, desde então, tornou-se um terceiro co-proprietário da Tenacious Unicorn, bem como o especialista em permacultura residente. “Eu não esperava que as coisas piorassem logo, mas esperava que eventualmente chegasse a esse tipo de luta por causa da natureza acelerada das crises que enfrentamos na América”, diz Stanley. “Os ideólogos de direita são a verdadeira face da América. É o legado histórico do colonialismo, e se você simplesmente sair, encontrará as mesmas pessoas em outro lugar. Em algum momento, você só precisa tomar uma posição.”

Estimulado pelo apoio de sua comunidade, Tenacious Unicorn está procurando novas maneiras de alavancar sua força. Logue está animado em trabalhar na linha de frente para encontrar e ajudar pessoas trans vulneráveis no sul do Colorado, seguindo dicas de defensores locais e pessoas no Facebook. Ela tem fotos em seu telefone documentando um caso recente em que ela e outras pessoas dirigiram até um acampamento repleto de grafites da supremacia branca para encontrar uma mulher frágil, sozinha e delirando, com um pé quebrado.

Os planos de longo prazo também estão mudando. Eles rejeitaram metas anteriores de expandir o rancho no local, em vez disso transferindo seus dólares arrecadados para apoiar um novo projeto rural para os indígenas queer no Arizona, em um modelo semelhante ao Tenacious Unicorn. E como essas parcerias iniciais continuam a crescer, Nelson diz que eles querem ajudar a facilitar uma rede de espaços seguros em todo o país.

“Estamos aqui para ficar. Demoramos um mês para nos mudar para esta casa. Nunca mais vou me mudar”, declara Nelson. “Esta é a minha casa; minha comunidade está aqui. Há tantas pessoas na cidade que passei a conhecer, apreciar e amar. Outros que também precisam de proteção. Não vou embora.”

Fonte: https://melmagazine.com/en-us/story/tenacious-unicorn-ranch-colorado

Tradução > abobrinha

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/21/eua-como-uma-comuna-anarquista-para-pessoas-queer-tornou-se-um-refugio-no-conservador-colorado-rural/

agência de notícias anarquistas-ana

Cai a pedra n’água
partindo o espelho do rio:
as nuvens se esvaem.

Ronaldo Bomfim

[Paquistão ] A WSI é um movimento de trabalhadores organizados através de princípios anarcossindicalistas

A Iniciativa de Solidariedade dos Trabalhadores (WSI, sua sigla em inglês) foi fundada em 22 de Maio de 2020 com o objetivo de estabelecer uma seção da International Workers Association no Paquistão. WSI é uma iniciativa do Sub-Secretariado Ásia Pacífico da IWA.

Iniciativa de Solidariedade dos Trabalhadores é um movimento de trabalhadores organizados através de princípios anarcossindicalistas. Nós temos como objetivo criar uma sociedade baseada na liberdade, no apoio mútuo, no federalismo e na autogestão.

A WSI acredita que a classe trabalhadora e a classe patronal não têm nada em comum. Entre essas duas, deve haver uma disputa até que os trabalhadores do mundo se organizem como classe, tomem posse da terra e do maquinário de produção, comprometam-se com a abolição do sistema salarial, e substituam o governo das pessoas pelo governo das coisas.

No presente, nós tomamos uma parte ativa no esforço por solidariedade entre trabalhadores, jornadas de trabalho mais curtas, aumento imediato de honorários e melhores condições de trabalho. E nos opomos ativamente à todos ataques as trabalhadoras, como trabalho forçado, quebra de greves, exigências de aumento de produção e longas horas de trabalho, corte de salários, desemprego ou quaisquer outras ações nocivas à saúde e ao bem estar das pessoas e suas comunidades.

A WSI quer uma educação autônoma de trabalhadores/comunidades para a total auto-organização da produção, distribuição, organização social e preservação de um ambiente ecológico saudável. Isso tudo virá com trabalhadoras/comunidades expropriando riquezas e a criação de um sistema econômico alternativo.

A WSI se opõe a todo monopólio econômico e social. Não buscamos a conquista de poder político, mas a total abolição de todas as funções do estado na vida social. Também rejeitamos toda atividade parlamentar e outras colaborações com o sistema legislativo. Nós acreditamos em organizações combativas em locais de trabalho e comunidades, independentes e em oposição a todos partidos políticos e burocracias sindicais.

Nossos meios de luta incluem educação e ação direta. Para assegurar a participação integral de todas nos esforços atuais e na futura auto-organização da sociedade, em nossas organizações nos opomos ao centralismo. Nos organizamos em acordos de base, no Federalismo Libertário que se dá de baixo para cima, sem nenhuma hierarquia e com total liberdade de iniciativa para grupos regionais e locais. Todos os corpos de coordenação da Federação são formados por delegados revogáveis com tarefas específicas delegadas por assembleias locais.

A WSI vê o mundo como um só país, e a humanidade como nossa família. Nós rejeitamos todas as fronteiras políticas e nacionais e desejamos desmascarar a violência arbitrária de todos os governos.

A WSI se opõe a todas as atitudes e conjecturas que sejam danosas e prejudiciais à solidariedade de classe. Nos opomos a todas ideologias e instituições que fiquem no caminho da igualdade e do direito das pessoas de todo canto à controlarem suas próprias vidas e territórios.

wsipakistan.pk

Tradução > 1984

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/10/06/franca-iniciativa-anarcossindicalista-no-paquistao/

agência de notícias anarquistas-ana

na imensa descida
a catarata
se suicida

Millôr Fernandes

[Rússia] O prisioneiro antifascista Viktor Filinkov mudou-se para a cela do porão por “sentar-se na cama”

Viktor Filinkov, um prisioneiro político antifascista cumprindo sentença de 7 anos, foi transferido para uma cela no porão, aparentemente como punição por sentar em sua cama durante o dia.

Filinkov foi um dos réus no caso “The Network” (A Rede). De acordo com as autoridades estatais russas, “A Rede” era uma “comunidade terrorista anarquista” criada em maio de 2015 com o objetivo de derrubar o regime russo “estabelecendo grupos de combate e recrutando indivíduos que compartilhavam de sua ideologia anarquista”.

Filinkov, que tem grande interesse em robótica e programação de computadores, foi acusado de se voluntariar para ser o “homem do rádio” do grupo. Além disso, ele supostamente “forneceu aos membros dispositivos de comunicação”, ensinou-lhes criptografia, “recrutou outros indivíduos, discutiu e planejou crimes durante as reuniões, participou de aulas de tática, reconhecimento, sabotagem e combate, e uso de armas e dispositivos explosivos, e adquiriu o conhecimento necessário em circunstâncias extremas e condições de combate.” Filinkov nega todas as acusações e afirma não as compreender.

Filinkov foi preso sob as acusações falsas acima em janeiro de 2018 e posteriormente submetido a tortura para extrair uma confissão. Em junho de 2020, foi condenado a 7 anos na colônia penitenciária de regime geral. Ele agora está cumprindo sua pena na prisão SIZO-1 na cidade de Kirov, no oeste da Rússia.

Durante uma reunião recente com seu advogado, Yevgenia Kulakova, Filinkov disse que havia sido transferido para a cela do porão devido a um conflito com os guardas. Segundo Yevgenia, a situação de conflito surgiu pelo fato de os reclusos permanecerem na cela durante o dia em leitos de prisão, o que é proibido pelo “Regulamento Interno das Instituições Penitenciárias” (TAP).

Filinkov partilhou uma cela equipada com dois lugares sentados com outras seis pessoas, razão pela qual violou o Regimento Interno. Yevgenia Kulakova disse: “Como Viktor me disse, há apenas dois bancos para sete pessoas na cela Kirov SIZO-1, que pode acomodar apenas duas pessoas. Durante as refeições, as pessoas são obrigadas a se revezar. O Kirov SIZO-1 não está equipado com tudo o que é necessário para cumprir o TAP, mas é exigido aos reclusos.”

Após repetidas recusas em obedecer às exigências da TAP, cerca de dez policiais entraram na cela, um deles portando uma arma de choque. Dois reclusos foram então retirados da cela e informados de que estão a ser encaminhados para “uma conversa profissional” no bloco especial da penitenciária. Os cinco restantes, incluindo Viktor Filinkov, foram levados para uma cela no porão, acompanhados por um funcionário que sacudia a arma de choque.

O local para onde os prisioneiros foram trazidos é uma cela com sete lugares. Tem uma janela ao nível do solo, um pavimento em madeira, um teto abobadado, no ponto mais alto pode-se atingir o teto com a mão. Esta célula está suja, úmida e infestada de moscas e baratas. Como punição adicional, Filinkov e seus companheiros de cela foram impedidos de ligar para casa. Eles também foram informados de que, se protestarem contra as condições da prisão novamente, serão transferidos para uma cela ainda mais miserável.

Encorajamos o apoio e a solidariedade aos antifascistas e anarquistas que foram torturados e presos na Rússia. Aqui como você pode ajudar:

  • Doe dinheiro para a Cruz Negra Anarquista em Moscou via PayPal (abc-msk@riseup.net). Certifique-se de especificar que sua doação está reservada para “Rupression”.
  • Espalhe a palavra sobre o Caso de Network, também conhecido como caso de “terrorismo” Penza-Petersburgo. Você pode encontrar mais informações sobre o caso e artigos aprofundados traduzidos para o inglês neste site (veja abaixo), rupression.com
  • Organize eventos de solidariedade onde você mora para arrecadar dinheiro e conscientizar sobre a situação dos torturados antifascistas de Penza e Petersburgo. Acesse o site It’s Going Down para encontrar pôsteres para impressão e folhetos que você pode baixar. Você também pode ler mais sobre o caso lá.
  • Se você tiver tempo e meios para projetar, produzir e vender mercadorias solidárias, escreva para rupression@protonmail.com.
  • Escreva cartas e cartões postais para os prisioneiros. Cartas e cartões postais devem ser escritos em russo ou traduzidos para o russo. Você pode encontrar os endereços dos prisioneiros #support” target=”_blank” rel=”nofollow”>here
  • Compartilhe notícias em redes sociais além da Rússia.
  • Elabore um postal de solidariedade que possa ser impresso e usado por outras pessoas para enviar mensagens de apoio aos reclusos. Envie suas ideias para rupression@protonmail.com.
  • Escreva cartas de apoio aos entes queridos dos prisioneiros através de rupression@protonmail.com.
  • Traduza os artigos e informações em rupression.com e neste site para idiomas diferentes de russo e inglês, e publique suas traduções nas redes sociais e em seus próprios sites e blogs.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2021/07/29/russia-antifascist-prisoner-viktor-filinkov-moved-to-basement-cell-for-sitting-on-his-bed/

Tradução > Da Vinci

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/22/chamado-de-solidariedade-a-presos-e-presas-anarquistas-e-antifascistas-alvos-da-repressao-na-russia/

agência de notícias anarquistas-ana

na blusa velha,
muitas borboletas –
ele adora tocá-las…

Rosa Clement

[Chile] Debates: Anarquismo Hoje e Anarco-Feminismo

Companheiras e companheiros, temos a felicidade de anunciar uma atividade que faz um tempo estamos preparando como sindicato. Como bem sabem, e comentamos em nossas redes sociais, nos encontramos fazendo oficinas de Anarquismo e Anarco-Feminismo na região metropolitana, especificamente em territórios periféricos das comunas de El Bosque, San Bernardo e Peñalolén.

Para esta ocasião faremos uma jornada anarquista na qual estas oficinas possam confluir no mesmo dia. A data escolhida é a quinta-feira, 19 de agosto do presente ano às 16h00, no Parque Almagro, situado no centro da cidade. Levantaremos bandeiras vermelho e negras e nossa faixa para sermos reconhecidos ante a multidão.

A primeira oficina é uma introdução ao anarquismo, onde se poderá dar resposta às seguintes perguntas: Que é a anarquia? Qual é a proposta política do anarquismo? Que entendemos por estado? Qual é a proposta econômica do anarquismo? Podemos falar de uma prática anarquista hoje?

A segunda oficina se intitula Que é o Anarco-feminismo? Onde a ideia é poder entender e ter referências históricas deste movimento anarquista, feminista e obreiro de finais do século XIX e princípios do século XX, até a atualidade.

Nesta oficina a ideia é poder responder: Que é o anarco-feminismo? Que companheiras são as precursoras deste movimento? Quais são os objetivos do anarco-feminismo? Qual é a linha discursiva e de ação do anarco-feminismo?

Também teremos um posto com delícias para beber “once”, tais como “quequitos”, e “masitas” para amenizar esta jornada e compartilhar de maneira comunitária, não só a aprendizagem mas também o alimento. O dinheiro arrecadado será utilizado para custear a próxima edição de nosso jornal, assim como uma antologia que estamos próximos a lançar.

Esperamos contar com vossa presença!

Saúde e ANARQUÍZATE!

Sindicato Ofícios Vários Santiago

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

fera ferida
nunca desiste –
luta pela vida

Carlos Seabra

Encontro virtual | Educação Libertária na América do Sul, 18 de agosto

Cultura e Educação Libertária

Crianças e jovens são alvos preferenciais dos castigos perpetrados pelos governos do Estado e de suas instituições, da família e do capitalismo. Anarquistas desde o século XIX até o presente, pensam e produzem práticas de liberdade com crianças e jovens. Crianças e jovens não são o futuro! São uma possível centelha para insubordinação e abolição do mundo tal qual o adulto-civilizado-capitalista insiste em reconstruir. Propõe- se uma conversa entre pesquisas no contexto da América do Sul sobre as práticas anarquistas e as experimentações na educação com crianças e jovens.

Das 10h às 13h | roda de conversa: Educação Libertária na América do Sul

> Luiza Uehara
> Marina Centurion Dardani
> Nabylla Fiori de Lima
> Renato Mendes
> Olivia Pires Coelho
Coordenação: Rafael Limongelli

Das 19h às 22h | mesa: Cultura e Educação Libertária

> Edson Passetti
> Gerardo Garay Montaner
> Marcelo Guerra Magerkurth
> Silvio Gallo
Coordenação: Salete Oliveira

Link de acesso: youtube.com/tvpuc

Conteúdo relacionado:

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o dia abre a mão
três nuvens
e estas poucas palavras

Octavio Paz

Cuba aprova lei de cibersegurança que persegue conteúdo “subversivo”

O governo cubano anunciou nesta terça-feira (17/08) uma nova norma de cibersegurança no país, que considera um incidente altamente perigoso a publicação de conteúdos “subversivos” na internet. A medida tem gerado críticas de internautas e organizações, que já falam em “lei da mordaça”.

De acordo com o novo quadro regulamentar das telecomunicações do país, “tentar alterar a ordem pública” ou “promover a indisciplina social” através das tecnologias de informação e comunicação é um “incidente de agressão” com um nível de perigo “muito elevado”.

A nova regulamentação surge em um momento de forte tensão social em Cuba, onde no dia 11 de julho milhares de pessoas saíram às ruas para pedir liberdade e melhores condições de vida em meio a uma forte crise econômica e sanitária.

As redes sociais tiveram papel importante na divulgação dos protestos em vários locais do país, razão pela qual o governo cubano tomou a medida extrema de bloquear a internet por cerca de uma semana.

Organizações e internautas temem que a nova medida anunciada nesta terça-feira seja utilizada pelo regime para silenciar vozes dissidentes nas redes e processar quem critica o sistema cubano e seus líderes.

“O que mais me preocupa é o uso da soberania, defesa nacional ou segurança por parte do Ministério do Interior para restringir a liberdade de expressão”, disse à Agência Efe a advogada Laritza Diversent, diretora e fundadora da ONG Cubalex.

Laritza acredita que o novo regulamento é uma “lei da mordaça” com a qual Cuba pode aplicar multas àqueles que expressam críticas ao regime, ao Partido Comunista (PCC, único partido legal) ou ao ditador Miguel Díaz-Canel.

O diretor para Américas da Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, demonstrou preocupação com a nova legislação. “O regime cubano restringe ainda mais a internet: Hoje publicou várias normas que permitem interromper a internet quando seja publicada informação que o governo considere ‘falsa’ e tratam a divulgação de notícias que prejudiquem o ‘prestígio do país’ como casos de cibersegurança”, alertou pelo Twitter.

A Resolução 105 instituída hoje, que define os regulamentos de resposta a incidentes de cibersegurança, atribui em elevado nível de perigo à disseminação de “conteúdo que viole preceitos constitucionais, sociais e econômicos do Estado, incite mobilizações ou outros atos que perturbem a ordem pública”, bem como a divulgação de notícias falsas.

Da mesma forma, considera ações de “ciberterrorismo” aquelas que podem “subverter a ordem constitucional”, desestabilizar o funcionamento “das instituições políticas e de massa, das estruturas econômicas e sociais do Estado”, ou “obrigar as autoridades públicas a realizar um ato ou abster-se de fazê-lo”.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

o pato, menina,
é um animal
com buzina

Millôr Fernandes

Novo vídeo: Nem CPI, Nem Eleições: Só a Revolta pode Barrar o Genocídio

Algumas pessoas têm esperança de que a CPI da COVID derrube Bolsonaro. Outras esperam ansiosamente que ele seja derrotado nas próximas eleições. Mas não podemos esperar que as instituições, que há séculos nos oprimem, serão a nossa salvação. Só a nossa revolta e organização podem realmente nos libertar.

>> Para assistir o vídeo, clique aqui:

https://antimidia.org/nem-cpi-nem-eleicoes-so-a-revolta-pode-barrar-o-genocidio/

agência de notícias anarquistas-ana

sussurro um ruído
(farfalhar de qualquer folha
ao pé de um ouvido)

 

Bith

UE faz da Grécia um laboratório de políticas anti-refugiados

No passado dia 7 de Junho (e numa altura em que se celebram os 70 anos da Convenção de 1951 sobre Refugiados), o ministro grego da Migração e Asilo e o ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros anunciaram uma Declaração Ministerial Conjunta, onde consideravam formalmente que a Turquia é “um país terceiro seguro” para todos os requerentes de asilo da Síria, Afeganistão, Somália, Paquistão e Bangladesh.

Para se ter noção do que se fala, em 2020, dois terços (66%) dos requerentes de asilo na Grécia vinham de um dos cinco países listados. No mesmo período e no mesmo país, essas eram também as proveniências de 77% de toda a gente a quem foi concedida proteção internacional.

Duas das organizações que trabalham perto das comunidades migrantes nas ilhas gregas, a PRO ASYL e a Refugee Support Aegean (RSA), alertam para que esta declaração do governo grego irá fazer com que dezenas de milhares de pessoas enfrentem um risco de repulsão (refoulement). “Ficarão novamente encurraladas e desesperadas, nas ilhas e no continente, detidas, sem acesso a trabalho, casa ou assistência. Esta decisão irá criar outra geração de seres humanos “rejeitados”, marginalizados, sem documentos nem direitos, alimentando ainda mais as redes de contrabando e exploração a todos os níveis”.

Estas organizações acusam ainda a UE de ter uma agenda escondida de descarte de migrantes e afirmam que, “para além dos efeitos imediatos nas vidas dos refugiados, esta decisão constituirá também o pretexto para a retirada do governo das políticas básicas de proteção dos refugiados e para garantir o seu acesso à habitação, cuidados de saúde, educação e integração.”

Finalmente, a PRO ASYL e a RSA consideram que “através da Decisão Ministerial Conjunta 42799/7-6-2021, a Grécia transforma-se mais uma vez num laboratório de anomalia institucional das políticas anti-refugiados.”

A 14 de Julho, o Conselho grego para os Refugiados, o Fórum grego sobre refugiados, a Liga helênica para os direitos humanos e a RSA levaram a cabo uma conferência de imprensa online sobre o apertar das políticas de exclusão de refugiados em fuga para a Grécia, no seguimento desta decisão do governo grego de considerar a Turquia como um “país terceiro seguro”. Esta conferência de imprensa pode ser vista na totalidade aqui (youtube.com/watch?v=pEenDUFJIEU).

Fonte: https://www.jornalmapa.pt/2021/08/12/ue-faz-da-grecia-um-laboratorio-de-politicas-anti-refugiados/

agência de notícias anarquistas-ana

Imóvel, o gato,
olha a flor de laranjeira.
Eu olho o gato.

Jorge Lescano

Procura-se Tradutoras e Tradutores: Alemão-Português

[Afeganistão] Ajude-nos com nossa luta contra os talibãs!

Os anarquistas afegãos necessitam sair do Afeganistão urgentemente!

Texto escrito em 13 de agosto de 2021.

Os talibãs estão agora a ponto de estabelecer seu próprio governo no Afeganistão. Os países poderosos do mundo não impediram nem obstaculizaram este projeto dos talibãs. Lamentavelmente, o povo do Afeganistão voltou a cair em suas mãos e podem ocorrer todas as atrocidades imagináveis.

Testemunhas presenciais em várias cidades do Afeganistão que caíram em mãos dos talibãs disseram que estes estão tratando de identificar os críticos e opositores a suas crenças políticas e religiosas. Assassinam escritores, poetas, jornalistas e outros ativistas sociais ou os levam a lugares desconhecidos.

O ascenso ao poder dos talibãs no Afeganistão, com ideias religiosas reacionárias e sua história de derramamento de sangue, e a imposição de outro governo teocrático sobre as pessoas da região, é contrária às lutas populares pela liberdade no Afeganistão.

As pessoas tomaram as armas para se defender dos talibãs e evitar um pesadelo como a de um estado islâmico fundamentalista. Ainda assim, a cada vez enfrentaram a derrota e a traição do governo afegão. Sua luta foi constantemente reprimida e apropriada por governos e partidos políticos míopes. Até as últimas notícias, os talibãs entraram em Kabul e querem apoderar-se do Afeganistão.

Em primeiro lugar, um governo assim se ocuparia dos intelectuais e da geração mais jovem que não compartilha as opiniões reacionárias dos talibãs. Tememos que nossos camaradas e outros lutadores pela liberdade afegã sejam massacrados frente a nossos olhos, como aconteceu no começo do regime islâmico no Irã. O mundo observou com olhos abertos à matança dos opositores da República Islâmica.

Os talibãs afirmaram que Irã e Rússia acordaram um estado islâmico no Afeganistão. Irã acolheu delegações talibãs de alto escalão em 7 de julho, e os talibãs capturaram vários cruzamentos fronteiriços entre Irã e Afeganistão em 9 de julho sem nenhum enfrentamento com as forças iranianas. Apesar da crise atual, os países de acolhida dos refugiados afegãos nem sequer detiveram o processo de deportação. Só Alemanha devolveu 27 refugiados afegãos ao Afeganistão na quarta-feira, 7 de julho. Os governos do mundo parecem decididos a deixar que o povo afegão sofra sob o regime dos talibãs ou que seja escravo de seus próprios objetivos imperialistas e capitalistas. Assim que não há dúvida de que quando os talibãs cheguem ao poder, prenderão e executarão muitos ativistas sociais.

O anarquismo no Afeganistão é jovem e nossas forças são pequenas. No entanto, estamos seguindo diferentes vias para resistir ao avanço dos talibãs porque há uma pequena capacidade revolucionária para uma sociedade livre, autônoma e democrática no Afeganistão que deve ser defendida. Desafortunadamente, os planos globais e desumanos foram predeterminados com tanta precisão para bloquear qualquer atividade efetiva.

Alguns de nossos camaradas anarquistas no Afeganistão inclusive se prepararam para a imigração ilegal, mas ainda assim encontraram obstáculos e não puderam escapar da crise.

Agora que tudo terminou e os talibãs estão exatamente a ponto de tomar o poder, o perigo para a vida dos anarquistas chegou a seu ponto máximo.

Agora, nossos e seus últimos esforços devem coordenar um caminho para que saiam. Isto é possível através da cooperação financeira para que possam entrar nos países vizinhos, seja legalmente ou passando de contrabando através das fronteiras, ou mediante nossas relações internacionais formais ou informais para obter asilo em países seguros, se é possível.

Os camaradas anarquistas fora do Afeganistão também podem enviar convites de imigração a nossos camaradas, sempre que as embaixadas em questão continuem operando antes que os talibãs possam estabelecer plenamente seu governo e suas próprias agências de segurança e inteligência.

Outro ponto é que, como resultado de mais de 40 anos de guerra no Afeganistão, e especialmente da recente guerra dos talibãs, muitas pessoas necessitam ajuda financeira porque foram deslocadas internamente ou perderam seus trabalhos devido à guerra e a situação de agitação: a ajuda financeira a este respeito seria necessária e eficaz.

>> Para doar, clique aqui:

https://www.paypal.com/donate/?token=w5lZcWvq0xro0aOoIhPoesM4Id6SH6NNMQvKCQlLzqdFtbkKWoifgUZgn95QsDUlvNP0VzqWrlTHlWkj&locale.x=US

Fonte: https://asranarshism.com/donation/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

De manhã, a brisa
encrespa o igarapé
e penteia as águas.

Anibal Beça

[Espanha] Perigo iminente de despejo do CSOA La Algarroba Negra em Badajoz

COMUNICADO DO CSOA LA ALGARROBA NEGRA | 6 de agosto de 2021

La Algarroba Negra é um espaço social okupado e autogerido localizado na cidade de Badajoz, e atualmente o único espaço liberado na Extremadura. Há três anos e nove meses realizamos múltiplas atividades e oferecemos espaços para o desenvolvimento de diferentes coletivos sociais, grupos e pessoas locais e estrangeiras, cobrindo as necessidades sociais e garantindo as necessidades básicas de forma digna e comunitária.

O espaço é um edifício industrial com áreas externas, semi-externas e de escritórios que pertence ao SAREB (fundo de abutres) e que estava aberto há mais de 10 anos, abandonado e deteriorado desde a crise de 2008. A SAREB é uma entidade de gestão pública onde se acumularam todos os ativos imobiliários tóxicos que geraram os empréstimos bancários abusivos que causaram essa crise.

Atualmente, vários companheiros do espaço social foram identificados de forma aleatória e estão em um processo judicial aberto denunciado pelo proprietário. O objetivo desta reclamação é a recuperação e devolução do espaço a um estado de abandono, pois a área onde se encontra a Algarroba sofre de um grave problema de negligência juntamente com outros armazéns similares. Além disso, sabemos que este banco não tem nenhuma atividade econômica planejada para o imóvel.

Em 23 de setembro de 2021 será realizado um julgamento por okupação do CSOA na Corte de Badajoz contra dois companheiros acusados de usurpação. Por esta razão, declaramos que a Algarroba é um lugar autogerido por todos os participantes, e que não é considerada como a residência habitual de nenhum de seus ocupantes. Tornamo-lo um espaço de vida que melhorou suas condições físicas e recebeu novos usos; exemplos disso são a horta, a biblioteca e a renovação de suas instalações.

Nós nos opomos ao retorno dos proprietários para especular com esta terra, protegendo-a do abandono. Não pedimos, nem queremos apoio institucional ou privado para o desenvolvimento de nossa atividade social, queremos apenas utilizar os espaços públicos e administrá-los de forma autônoma, horizontal e autogerida pela comunidade.

SOMOS CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS ESPAÇOS AUTÔNOMOS E AUTOGERIDOS E A PRIVATIZAÇÃO DOS BENS PÚBLICOS!

La Algarroba Negra

>> La Algarroba, é um espaço okupado e coletivizado, que surge da necessidade de espaços autônomos e independentes e como forma ativa de denúncia da situação insustentável em que o “Estado” assistencialista se encontra atualmente no que diz respeito aos problemas de acesso à moradia e aos espaços de reunião social autogeridos por e para as pessoas e grupos envolvidos, bem como aos problemas ocupacionais e de acesso ao trabalho decente, como alternativa ao associativismo desvinculado das instituições ou de qualquer tipo de organização política, religiosa ou sindical.

A participação ativa no espaço é aberta e horizontal, sendo um espaço para a união e participação de coletivos e pessoas social e politicamente relacionadas, assim como um lugar para a experimentação e a criação de redes e projetos para a autogestão local das pessoas da área.

As motivações que nos unem são a experimentação e as práticas entre iguais, como um meio para uma transformação de relações sociais mais coletivas, cooperativas e solidárias, a partir de uma perspectiva crítica do sistema econômico e da crise ecológica.

www.algranoextremadura.org/colectividad-okupada/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Eu acordo
contando as sílabas;
o haikai ri

Manuela Miga

[Itália] Tempo e memória

Era de se esperar que, por ocasião do vigésimo aniversário dos dias quentes em Gênova, em julho de 2001, uma miríade de recidivas fosse organizada de muitos lados. Para lembrar, para testemunhar, para não esquecer. É mais difícil imaginar que o mais rápido neste sentido teriam sido eles, os algozes do Estado.

Eles nem esperaram a chegada de 2021 para celebrar o massacre ocorrido naquele distante verão na prisão de Bolzaneto, tendo já comemorado em 6 de abril de 2020 na prisão de Santa Maria Capua Vetere, quando mais de uma centena de guardas prisionais massacraram os detentos em protesto durante horas. Se há vinte anos os guardas furiosos gritavam “você não tem direitos aqui”, hoje seus colegas gritavam “nós somos o Estado”. O conceito, como pode ser visto, permaneceu inalterado.

E se, tendo aproveitado o impulso, déssemos mais um salto atrás, 20 anos? Correria-se o risco de lembrar que em 28 de dezembro de 1980, uma revolta irrompeu na prisão especial de Trani. Foi suprimida no dia seguinte pelos Carabinieri do GIS, que invadiram o espaço esbravejando “temos carta branca, podemos matar todos vocês”. Foi outro banho de sangue. O General Enrico Galvaligi, comandante adjunto da Coordenação de Serviços de Segurança para Instituições de Prevenção e Punição, deu-lhes carta branca.

Em 31 de dezembro de 1980, poucas horas após o massacre, o General Galvaligi se viu subitamente na presença de seu Deus, enquanto voltava da missa noturna. Não se sabe se Deus o perdoou, sabe-se apenas que sua reunião tinha sido preparada por militantes da mais notória organização armada da época. Eles estavam com pressa, estavam com fúria.

Nós não, ao que parece. O inferno dos outros pode esperar, vamos nos contentar com os nossos.

Fonte: https://infernourbano.altervista.org/tempi-e-memoria/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

capulhos na pereira
e uma mulher à luz da luz
lendo uma carta

Buson