Lançamento | “Companheiras: mulheres anarquistas em São Paulo (1889-1930)”, de Samanta Colhado Mendes

Companheiras: mulheres anarquistas em São Paulo (1889-1930) aborda e analisa a atuação das mulheres libertárias na cidade de São Paulo em fins do século XIX e início do século XX, período de intensas transformações políticas, econômicas, sociais e até culturais da cidade que começava a se tornar metrópole.

Tal atuação se deu nas organizações, uniões e sindicatos livres – construídos a partir de perspectivas anarquistas, sem hierarquias e burocratizações –, nas greves, sabotagens, boicotes, artigos na imprensa operária, conferências e discursos nas mobilizações libertárias da classe trabalhadora do período, que foram tão ricas quanto intensas. Além disso, se deu nos questionamentos à educação, bandeira central das lutas femininas desde o século XVIII, na proposição de modelos racionais de ensino laico e universal, e nas artes, nas quais se destacou a atuação feminina no teatro operário.

Grande parte dessas mulheres era composta de trabalhadoras anônimas; outras tantas foram apagadas das páginas da história escrita. Resgatar suas ações e suas memórias constituiu um trabalho de busca dos seus rastros, seja em publicações nos jornais libertários, em alguns poucos livros publicados ou ainda em relatos orais, memórias de outros militantes e mesmo nos arquivos da repressão, marcados pelos estereótipos femininos e relativos à militância anarquista.

Esse resgate é fundamental para a memória do movimento libertário como um todo, das lutas da classe trabalhadora ao longo da história, assim como o é para a história das lutas femininas e feministas. Seus diálogos e embates com o feminismo permitiram, e continuam permitindo, que ele venha sendo repensado até os nossos dias. São essenciais, ainda, para inspirar as gerações atuais e rememorar aquelas que viveram o ideal anarquista na vida cotidiana, em tempos de formação da classe trabalhadora urbana em nosso país.

Companheiras: mulheres anarquistas em São Paulo (1889-1930)

Samanta Colhado Mendes

Formato: 16 x 23 cm

400 pgs.

Coleção Estudos do Anarquismo (Coedução com Instituto de Teoria e História Anarquista)

R$ 65,00

editorafaisca.wordpress.com

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Sobre a folha seca
as formigas atravessam
uma poça d’água

Eunice Arruda

Encontro virtual | Anarquistas na América do Sul: TERRA-revolta, 25 de agosto

TERRA-revolta

A propriedade, independentemente da modalidade – estatal ou privada –, não só está fundamentada na expropriação do trabalho realizado pela força coletiva, como também estabelece, de forma arbitrária, uma rígida demarcação sobre um determinado espaço. Assim, as práticas anárquicas, ao abolir a lógica e, por consequência, a noção de propriedade, procuram experimentar novas maneiras de conceber a relação entre os corpos e a terra, potencializando outras formas de vida no presente, no aqui e agora, para além das territorialidades. Diante dos múltiplos embates contra os Estados e as corporações privadas, individualidades e coletividades libertárias provocam insurgências nos diferentes âmbitos da vida, espalhando as chamas da revolta por onde passam. No entanto, em contextos nos quais as práticas de resistências se potencializam, os governos ativam e intensificam os dispositivos de segurança do Estado, de modo a garantir a manutenção da ordem vigente. Assim, levando em consideração as práticas insurgentes que vêm sendo impulsionadas no sul do continente, esta mesa tem como objetivo produzir uma análise acerca das medidas de contrainsurgências dos Estados da região.

Das 10h às 13h | roda de conversa: TERRA-revolta

> Diego Mellado

> Ivanna Margarucci

> Mariana Gabriela Calandra

> Mariana Janot

> Thaiane Mendonça

Coordenação: Rogério Nascimento

Das 19h às 22h | mesa: revolta e contrainsurgência

> Acácio Augusto

> Camila Jourdan

> Jorge William Agudelo

> Paulo Edgar da Rocha Resende

Coordenação: José Maria Carvalho Ferreira

Link de acesso: youtube.com/tvpuc

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cada haikai
uma nova peça
num quebra-cabeça sem fim

George Swede

[Espanha] Notas sobre a queda do Afeganistão nas mãos do Talibã

Por @BlackSpartak

As imagens dos Talibãs nos veículos de choque em Kabul, divertindo-se como crianças, são como uma premonição sobre o desastre humanitário que se prepara naquele território asiático. Certamente, é possível que não se repitam os massacres dos anos 1996-2001, para não provocar outra intervenção internacional, mas está claro que o destino de muita gente está selado. Em especial o das mulheres. Nestes momentos milhares de pessoas tentam fugir como podem do país.

Entre todas as iniciativas existe um chamado da Federação Era Anarquista (de Irã e Afeganistão) para arrecadar dinheiro que será destinado a tirar do país compas dessa organização e imaginamos que também suas famílias, amigos e a todos que possa. Por desgraça, desconhecemos tudo daquele jovem movimento anarquista afegão. Quem quiser adentrar no complexíssimo cenário étnico-político afegão nos últimos 40 anos, tem este estupendo fio¹.

O que nos compete aos movimentos libertários ocidentais e mediterrâneos é a preparar-nos para esse efeito dominó geopolítico derivado da vitória Talibã. Vamos ponto por ponto:

  1. – A vitória dos Talibãs reforça o papel autoritário dos países do Golfo Pérsico, que são os maiores propagadores das versões rigorosas do Islã no mundo. E de fato são seus maiores financiadores.
  2. – Derivado do anterior as diferentes versões da insurgência jihadista tomarão novos ânimos. Estavam a vários anos em baixa devido a suas derrotas. Ainda que na África estes anos tenham sido de avanço, tal como acontece em Moçambique, Mali, Níger ou Nigéria. A vitória no Afeganistão é um sinal de que podem ganhar em outros territórios, o que lhes dará asas. De momento os Talibãs começaram a executar os líderes do Estado Islâmico (DAESH) que se encontravam no cárcere de Kabul. Não querem competição.
  3. – Estados Unidos e a OTAN abandonaram o país a sua sorte. Isto é indicativo do declive militar e político do Ocidente no mundo. A administração Biden não fez mais do que seguir o caminho traçado pela anterior administração Trump de abandonar esta guerra que não lhes serviu para nada. O que chama a atenção é a forma na qual ocorreu o colapso governamental nos meses de julho e agosto, ante a impotência da Coalizão Internacional que só serviu para salvar alguns milhares de pessoas e pouco mais.
  4. – A catástrofe humanitária que paira sobre uma parte da população afegã, antes mencionada, fez com que setores progressistas aumentem suas críticas contra a forma na qual se abandonou aquele país. No entanto, ao não propor nenhuma contra medida deixa entrever que só promovem outra intervenção internacional como a levada a cabo em 2001 – e contra a qual protestamos milhares de pessoas em seu momento.
  5. – Outros beneficiários imediatos desta mudança de regime são Paquistão e China, que vêm aberto outro novo território de influência. Talvez China tenha acordado já com os Talibãs explorar suas terras raras e outros minerais em troca de alguma infraestrutura e outras formas de pagamento. Há alguns indícios de que esta nova versão dos Talibãs não será a dos 90 e a China terá algo que ver com isso. Paquistão por sua parte aspira a ter um estado vassalo ao qual seja fácil controlar. Recordemos a grande influência do exército e os serviços secretos paquistaneses na aparição do fundamentalismo Talibã nos anos 90.
  6. – A onda de refugiados prevista pode ser uma arma política nas mãos adequadas. Em princípio se dirigirão ao Paquistão, Irã ou a Índia, países próximos que já albergam grande população afegã e contam com numerosos campos de refugiados. De momento Paquistão fechou a fronteira. Mas é provável um deslocamento progressivo para a Europa por via da Turquia.
  7. – Turquia já levantou uma cerca em sua fronteira com o Irã porque não quer tantos refugiados afegãos. De fato os fascistas turcos estão protagonizando numerosos enfrentamentos com os afegãos. E recordemos que esses afegãos (alguns) tem experiência militar e devolvem os golpes.
  8. – França e Grécia antes que ninguém declarou que não querem outra onda de refugiados na Europa. Assim que Erdogan tem uma arma de grandes proporções para provocar o caos na UE. Uma UE que padece uma séria crise de legitimidade. Neste verão as pesquisas dão como líderes os partidos fascistas ou populistas de Democratas Suecos e Fratelli d’Italia. De desenvolver-se uma nova crise de refugiados o fascismo islamista no Afeganistão poderia favorecer a vitória do fascismo na Europa.
  9. – Por último, restará ver o que ocorre com as exportações de opiáceos que financiaram as guerrilhas e os “empreendedores” norte-americanos.

Assim, pois temos que nos preparar para acolher refugiados que ninguém na Europa quer – mas isso não significa que não vão chegar. E temos que nos preparar para uma campanha da ultradireita contra os refugiados, que apresentarão como terroristas (ainda que fujam do terror) e um foco de insegurança. Precisamente nestes tempos da crise pós-pandemia, temperada com sintomas de colapso ambiental e social, o modelo neoliberal pode ser substituído por um ecofascismo que decrescerá a base de submeter-nos e erradicar nossas liberdades. Os acontecimentos internacionais não podem voltar a nos pegar desprevenidos.

Umas ideias do que fazer desde agora mesmo nas redes e desde as organizações:

  • Denunciar novamente o desastre que supõem as guerras imperialistas. Há que opor-se a elas sempre, inclusive ainda que se apresentem sob a cara do humanitarismo.
  • Desmascarar o discurso da ultradireita europeia, que se baseia em criminalizar a população mais vulnerável que foge das guerras. Há que apresentá-la como a opção política oportunista que é.
  • Deslegitimar o fundamentalismo Islâmico nos bairros europeus. Este fenômeno se baseia no desenraizamento, na falta de futuro e o desprezo de boa parte da população ocidental (cristã) para com as comunidades muçulmanas. As ondas de radicalização islamista ocorrerão enquanto não haja pontos de conexão baseados no apoio mútuo e na politização dos valores da solidariedade. E isto tem que ocorrer em grande escala.
  • Fomentar o encontro com organizações sociais na África e Ásia que fomentem esses valores solidários. É básico estabelecer uma aliança entre povos e iniciativas. Não podemos seguir desconhecendo os que estão à frente da luta contra a tirania. Merecem nosso apoio. Recordemos que na Europa foi uma surpresa quase total a Revolução em Rojava. Ao que parece muito poucas pessoas estavam a par do giro ao socialismo libertário (chamado Confederalismo Democrático) do PKK nos anos 2000.

[1] https://twitter.com/pseudoerasmus/status/1427244568899117060?s=09

Fonte: http://alasbarricadas.org/noticias/node/46328

Tradução > Sol de Abril

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árvore seca
a lua é a mosca
em sua teia

Aclyse de Mattos

Auto-organização ou caos: os incêndios na Grécia

Um anúncio da Federação Anarquista da Grécia sobre os incêndios que estão acontecendo e a desastrosa gestão do Estado grego.

Estamos no pico de um desastre ambiental e social no qual regiões inteiras da Grécia estão praticamente desaparecendo, dezenas de milhares de pessoas estão perdendo suas moradias, perspectivas e seu próprio país, tornando-se verdadeiros refugiados internos. Considerando todas as queimadas em Ilia, em 2007, as de Mati em 2018, até as de hoje, nós temos o mesmo padrão de destruição, os mesmos dados, os mesmos causadores e as mesmas críticas.

Está tudo dito. Sabemos de tudo.

No entanto, não podemos ignorar que a situação no momento está no seu auge. Nós não sabemos como serão os próximos dias, literalmente. Não sabemos o que acontecerá amanhã, em quinze dias ou dois meses. O desastre que estamos vivendo agora pode ser o anúncio do que virá depois, dentro de um mês, quando poderemos ver coisas muito piores e o que está em risco é a natureza e a qualidade das nossas vidas, antes mesmo de estarem nas mãos de certos patrões e do Estado. Alegamos isso considerando diversos fatores:

  1. Os fenômenos climáticos extremos continuarão e se intensificarão: a mudança climática e o aquecimento global, que são resultado da produção capitalista, estão aí. Temos todos os motivos para esperar condições que possibilitem o holocausto de novo. Ou inundações.
  1. O Estado não pode e não irá cumprir sua parte no contrato em uma companhia contratante. Em todos os níveis, ele se recusa a organizar mecanismos de prevenção e proteção e até mesmo falha em administrar a parte técnica do tratado. O Estado só se preocupa com seus próprios interesses e a única coisa com que seu departamento político se importa a respeito dos incêndios é o custo no jogo eleitoral. Sua estratégia está completamente voltada para sua própria proteção, não para a base social. Não podemos esperar nada menos do que mais incêndios no futuro.
  1. O desastre será seguido por uma comunicação de partido na qual o Estado entregará algum dinheiro às pessoas afetadas, prometerá mais e uma vez que o assunto esfriar, esquecerá o tópico. Lembremos ainda que eles gastaram a grande quantidade de dinheiro arrecadado pelas vítimas do incêndio de Elis em 2007. Também não podemos esperar nada do Estado em termos de restauração das necessidades imediatas daqueles que perderam tudo.
  1. Apesar da grande destruição do local ao mesmo tempo em que isso está sendo escrito, ainda existem diversas florestas que não foram queimadas pelo país. O que aconteceu com Eubeia, Ilia e Ática ainda pode acontecer com a Grécia inteira em escalas maiores nos próximos anos. A situação será muito pior do que na capital em lugares menos favorecidos.

Tendo em vista estes fatos, chamamos as bases sociais, de acordo com as localidades, em vilas e cidades para se organizarem imediatamente e tomarem o poder para estender ao máximo possível qualquer iniciativa de prevenção aos incêndios e monitorar áreas florestais em suas regiões. A política de “corram por suas vidas” que o Estado escolheu como estratégia só visa causar mais dano e, possivelmente, mais vítimas. As experiências com crises mostraram que foram as organizações sociais autogestionadas que salvaram tudo aquilo que foi salvo. Isso precisa proliferar.

Autoridades municipais e políticas deveriam ser tomadas pela garganta para mobilizar os mecanismos que eles têm e equipar estruturas locais auto-organizadas, projetos e patrulhas, aproveitar as contribuições voluntárias de fora que virão para ajudar e exigir coordenação e orientação dos bombeiros e até ajuda de locais capacitados e com vontade de combater as chamas. A proteção das florestas e contra o fogo em geral devem ser radicalmente reconfiguradas de acordo com as comunidades locais. É preciso cuidar das áreas que estão queimando não somente com o objetivo de regenerar as florestas, mas de expandi-las.

Contudo, as bases sociais também precisam ser mobilizadas fora das zonas de perigo. Tudo precisa ser sobre as imediatas necessidades das pessoas internamente deslocadas e da luta política pela sua reabilitação o mais rápido possível.

Com estes desastres do passado, vimos também a solidariedade social se manifestar ampla e espontaneamente. Também vimos as dinâmicas da auto-organização e sua efetividade. O que muda agora é que o tipo de crise em que entramos faz dessas manifestações eventuais uma necessidade permanente.

Estamos por nossa conta e temos, do outro lado, o Estado e o capital vencendo enquanto transformam nosso meio-ambiente em cinzas.

Precisamos tomar as rédeas da situação ou teremos que nos acostumar com níveis sem precedentes de miséria. Precisamos salvar a natureza e a nós mesmos da maré de destruição do Estado e do capital.

Federação Anarquista (Grécia)

Site: anarchist-federation.gr

E-mail: anarchist-federation@riseup.net

Twitter: twitter.com/anarchistfedGr

FB: facebook.com/anarxikiomospondia2015

Youtube: Anarchist Federation

Tradução > Calinhs

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Dentro do grilo
Um grito verde
Desfolha-se.

Paulo Ciriaco

[Uruguai] Encontro Anarquista de mulheres, tortas, tortes, lésbicas, travas, trans, não-binárias e marikas | Novembro 2021

Contra a corrente sempre fomos as rebeldes, as delinquentes, as excluídas, as putas, as loucas, todas as que não acatamos as normas.

Ir contra a corrente é difícil, um caminho duro. Mas também é um caminho cheio de cumplicidades, potências, amores e desfrutes. É a possibilidade de um mundo novo.

Ir contra a corrente é difícil, assim como as lontras marinhas que se agarram forte entre elas para que a corrente não as separe e as leve, é que este ano voltamos a convocar para nos encontrarmos, reconhecermo-nos e discutirmos e seguir fortalecendo nossas afinidades e redes.

Brevemente iremos compartilhando mais detalhes sobre o encontro de 2021.

Contra toda autoridade!

Que viva a anarquia!

https://lequebuscaencuentra.blogspot.com/

lequebuscaencuentra@gmail.com

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A neve cai mais forte
quando me detenho
de noite na estrada.

Kito

Solidariedade e apoio mútuo com as vítimas dos incêndios na Grécia

Queridxs amigxs, por favor, espalhem a palavra!

Durante as últimas semanas, a Grécia está sofrendo com os grandes incêndios que destruíram dezenas de regiões em todo o país. Mais de 325.000 hectares de terra foram queimados, dezenas de aldeias foram completamente destruídas e centenas de milhares de pessoas foram evacuadas ou perderam suas casas. Pelo menos 2 pessoas perderam suas vidas e inúmeros animais selvagens morreram de forma injusta. Esta catástrofe é desoladora, uma vez que – mais uma vez – isto era previsível. O governo NÃO fez nada para ajudar pessoas e animais, deixando-os para se defenderem sozinhos, pois os bombeiros têm pouco pessoal e poucos recursos e não podem alcançar todas as áreas necessitadas.

É por isso que, a partir de hoje e pelos próximos 15 dias, todos os lucros de nosso disco “Days of Wrath” no Bandcamp irão para ajudar as vítimas desses horríveis incêndios florestais. Doaremos o dinheiro a fundos que estão ajudando seres humanos, animais e habitats naturais que sofreram.

A solidariedade é e sempre foi nossa única arma!

Acesse nosso Bandcamp aqui:

https://hekatepunk.bandcamp.com/releases

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um raio de sol
transluz — balança a cortina…
borboleta amarela!

Douglas Eden Brotto

O site “Anarquismo no Brasil” já pode ser acessado

Depois de um tempo indisponível por questão de ordem técnica, o site Anarquismo no Brasil, finalmente, pode ser acessado. Trata-se de um rico material multimídia sobre o movimento anarquista no Brasil e decorre de um projeto desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisa e Práticas de Ensino em História (LPPE) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), nos anos de 2012-2013.

Sob a coordenação de Angela Roberti, foi realizado em parceria com pesquisadores de outras instituições como o Colégio Pedro II (CPII), a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Núcleo de Pesquisa Marques da Costa (NPMC) da Biblioteca Social Fabio Luz e o Núcleo de Investigação Social (NIS-UFF).

O material é voltado para a docência da Educação Básica da rede pública e procura atender às necessidades de um campo pouco abordado no ensino de História nas escolas, que envolve, inclusive, o processo de formação da classe trabalhadora no Brasil e suas lutas sociais e políticas no cenário que caracterizou os anos iniciais da vida republicana do país.

O propósito central do projeto realizado e do material multimídia que foi produzido pelo LPPE é revelar algumas das manifestações do movimento anarquista no Rio de Janeiro e mesmo no país. Que o site possa incitar à reflexão, (re)alimentando a luta por formas mais livres de existência.

>> Acesse o site aqui:

http://anarquismo-lppeuerj.com.br/

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Na soleira do sítio
a graúna canta
ao silêncio do sol.

Anibal Beça

[Espanha] Migrantes, refugiados e oprimidos

Embora os iníquos meios de comunicação do chamado “primeiro mundo” nem sempre reflitam isso, as mortes de pessoas que tentam cruzar os muros para uma sociedade supostamente melhor são comuns. Já estamos acostumados com os muitos males diários do mundo em que vivemos: migração, campos de refugiados, exploração laboral… Sim, o foco é colocado em um ou outro país deprimido quando as coisas chegam a um extremo, ontem Colômbia ou Marrocos, hoje Cuba, amanhã veremos, mas não há medidas radicais para aliviar estes infortúnios perfeitamente evitáveis no mínimo. O mundo está estruturado desta maneira, política e economicamente, e poucos vão mais fundo, se estivermos falando das peças deste repulsivo quebra-cabeça, a maioria delas vozes marginais. Com relação à imigração, as políticas da própria Europa civilizada são cada vez mais repressivas; há uma insistência em muros físicos construídos por regimes abertamente autoritários, enquanto se constroem continuamente muros invisíveis que são muito mais eficazes para sua durabilidade ao longo do tempo e para manter intacto um status quo que separa aqueles que têm algo daqueles que não têm nada.

Os interesses daqueles que nada têm. É tão simples e tão humano quanto entender que as pessoas que decidem fugir de uma realidade terrível, naturalmente empurradas pelas circunstâncias, o fazem conscientemente como um lance para uma vida melhor. É verdade que gostaríamos que a situação nos países de origem mudasse, mas esta é a realidade do mundo em que vivemos e acredito que a liberdade de movimento é primordial, como solução humanitária hoje, mas também como base para um mundo mais livre e mais justo amanhã. Especialmente se migrantes ou refugiados (que são a mesma coisa) estão fugindo de regimes opressivos e das necessidades da vida (que também está intimamente relacionada), mas em que situação, certamente na maioria dos casos, o primeiro mundo carrega uma grande responsabilidade. Basta lembrar o colonialismo e o contínuo esgotamento dos recursos na África ou na Ásia.

Da mesma forma, as pessoas de outras partes do mundo, que contribuíram para a criação desta riqueza, estão sujeitas à repressão de não poder atravessar fronteiras. Por outro lado, devemos assinalar a hipocrisia de, por um lado, manter esta repressão, por outro, permitir que certa imigração chegue sob condições terríveis em termos de direitos trabalhistas, a fim de ser melhor explorada, e com a constante ameaça de deportação. Nosso sistema é tão iníquo que na Espanha, por exemplo, apesar de uma direita e uma extrema-direita que não escondem seus discursos repugnantes, foram os governos PSOE [Partido Socialista Operário Espanhol] que mais reprimiram em nível legislativo, aqueles que criaram os Centros de Internação de Estrangeiros (que na prática não são muito diferentes das prisões) e aqueles que expulsaram o maior número de pessoas durante seus mandatos. Em outras palavras, o mesmo de sempre, supostamente governos progressistas, para garantir a paz social, enquanto executam políticas repressivas típicas de outros governos mais conservadores. Liberdade de circulação de pessoas e solidariedade com migrantes e refugiados, assim como com os oprimidos em nossos países e em qualquer região do mundo, enquanto se denuncia a opressão de certos regimes e o esgotamento e exploração de recursos pelo chamado “mundo civilizado”. O mundo em que vivemos (e contra o qual lutamos, apesar de fazermos parte dele).

Juan Cáspar

Fonte: https://acracia.org/migrantes-refugiados-y-oprimidos/

Tradução > Liberto

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Bolha de sabão.
Uma explosão colorida
sem nenhum estrondo.

Maria Reginato Labruciano

[França] Lançamento | “Anarquistas e judeus: anarquismo, antissemitismo, antissionismo”, de Pierre Sommermeyer

A questão judaica se põe há séculos, muitos tentaram de solucioná-la sem sucesso. Ela é somente solucionável? O leitor não encontrará resposta a esta questão, nem uma definição de anarquismo, de antissemitismo ou de antissionismo. Mas essas três ideias são presentes através daquelas e daqueles que levaram consigo essas ideias ao longo de toda uma história francesa, do final do século XIX aos anos 1968.

De fato, desde o princípio da sua existência como movimento social organizado, os anarquistas se encontraram confrontados tanto ao antissemitismo quanto ao sionismo. Entre eles, muitos militantes eram, de uma forma ou de outra, ligados à história judaica. Submetidos às mesmas injustiças que os outros humanos, um grande número de judeus aderiram aos movimentos revolucionários, entre eles a corrente anarquista. Esse livro conta suas histórias.

Pierre Sommermeyer nasceu em 1942, de pais alemães antifascistas imigrados na França. Objetor de consciência não-violento durante a Guerra da Argélia, ele foi membro dos coletivos Anarquismo e não violência e depois Réfractions.

Co-animador do coletivo de redação da coleção “Desobediências libertárias” e da Enciclopédia anarquista. Ele é membro da Federação Anarquista. Ele foi horticultor, carpinteiro e administrador de site. Ele vive em Alsácia.

Anarchistes et juifs : anarchisme, antisémitisme, antisionisme

Pierre Sommermeyer

ISBN : 978 2 900886 23 9

166 páginas – 14 €

editions-libertaires.org

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primeira friagem…
o jardim forrado em folhas
um pio distante

Gustavo Terra

[Espanha] Arte (altamente) reacionária

A chamada ofensiva ultrarreacionária, concretizada na ascensão de uma extrema direita neste país inefável que, na realidade, sempre esteve presente desde aquele embuste chamado Transição, não deve ser tão surpreendente. Estamos falando, é claro, de uma sociedade espanhola com uma memória histórica profundamente distorcida devido à vitória do chamado lado nacional em uma guerra civil sangrenta iniciada por uma tentativa de golpe de Estado dos facciosos, e uma ditadura subsequente que durou quase quatro décadas; fatos que são mais do que óbvios para qualquer um com um cérebro bem oxigenado, mas que ainda não são condenados por nossa indescritível direita nacional. Assim, se não podemos evitá-la, está prevista a colocação de uma impressionante estátua de vários metros após o verão de 2021, em homenagem ao centenário da Legião, e sua localização não parece ser coincidência: a praça central do Oriente em Madrid; aquele lugar que deu tanta alegria à ultradireita patriótica. A imagem chocante escolhida não pretendia sequer ser vestida de modernidade “democrática”, algo que pelo menos teria dado origem a outro debate, já que não há ninguém que acreditasse na ideia de ver as forças armadas como um grupo de soldados engajados em missões “humanitárias” em terras distantes.

Não, a imagem escolhida, presumivelmente não gratuita, é a de um legionário de 1921 como símbolo de um dos episódios mais repulsivos da história militar espanhola: a Guerra Colonial do Rif, entre 1909 e 1927. As ações da Legião, o grande corpo homenageado, neste conflito foram tão desprezíveis que apenas mencioná-las arrepia o sangue em suas veias. Qualquer um que saiba o mínimo da história ligará a criação desta força expedicionária armada sangrenta com dois regimes repulsivos: a monarquia de Alfonso XIII, bisavô do atual chefe de Estado do Reino da Espanha e a ditadura de Miguel Primo de Rivera. Recordaremos também que a Legião foi fundada pelo admirador do fascismo Millán Astray e que, além de derrubar a Revolução das Astúrias de 1934, foi fundamental para a vitória de Franco e seus capangas na Guerra Civil. Os incontáveis crimes cometidos no Rif foram repetidos mais tarde na península. Parece incrível que a história contemporânea deste país indizível continue a produzir excrescências deste tipo, enquanto outras nações com passados “gloriosos” e opressivos fazem pelo menos um pouco de exame de consciência.

Aparentemente, o talentoso e altamente reacionário escultor, especialista em glorificar a história militar espanhola, é o mesmo que perpetrou o dedicado a Blas de Lezo, que deu tanta alegria ao partido ultradireitista Vox, e aquele que presta homenagem aos chamados Heróis de Baler. Este último é tão impressionante esteticamente quanto repulsivo em seu louvor a um dos maiores flagelos que a humanidade já conheceu, o militarismo, que levou inúmeros jovens a se sacrificarem em nome daquela aberrante abstração chamada nação, que continua a dividir a humanidade e a impedir a fraternidade universal. Como disse no início, não deve ser surpreendente que a instalação da obra acima mencionada de homenagem à Legião seja aprovada, quando nossa deplorável nação de direita está no poder na capital. Mas o que causa espanto e indignação é que os arquitetos da estátua chegam ao ponto de afirmar que não há qualquer conotação ideológica. Deve ser que o nacionalismo e a ideologia, uma combinação nefasta que fez fluir rios de sangue na história da humanidade, pertencem sempre a outros.

Juan Cáspar

Fonte: https://acracia.org/arte-sumamente-reaccionario/

Tradução > Liberto

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Arrastar espantalhos pelo chão
é o que a tempestade
faz primeiro.

 

Kyoroku

[Reino Unido] Botes salva-vidas, Kropotkin e Apoio Mútuo

As últimas declarações de Nigel Farage [político conservador] ao [jornal] Daily Mail, criticando o trabalho humanitário da RNLI (Royal National Lifeboat Instituion) não são nada menos que uma desgraça. Uma coisa é ter opinião sobre imigração, outra é atacar o trabalho altruísta de uma organização cujos voluntários põem suas próprias vidas em risco para salvar outros, independente da raça ou nacionalidade, que estejam em apuros em alto mar.

Mais de um século atrás, o filósofo anarquista e teórico da evolução, o russo Peter Kropotkin, em seus estudos sobre os laços que unem a humanidade através do que ele chamou “apoio mútuo”, destacou o motivo pelo qual ajudar outros independente de suas origens, não apenas fazia sentido em termos de progresso humano, mas também era uma marca do que significa ser humano. Kropotkin, em seu livro, Apoio Mútuo, detalhou como auxiliar outros estava no cerne da atividade da RNLI:

“(…) as tripulações são de voluntários, cuja disposição de sacrificar a vida para o resgate de pessoas absolutamente estranhas todo ano enfrenta provas dificílimas; (…)

Referindo-se aos operadores dos barcos salva-vidas, Kropotkin descobriu que nem mesmo eles sabiam o motivo de saírem noite a pós noite, mas eles sabiam que deviam e não faziam isso por alguma recompensa material. Em contraste com a desumanidade, insensibilidade e crueldade de pessoas como Farage, que em eventos públicos já defendeu Trump, e o partido neo-nazi AfD na Alemanha, e o Daily Mail, que atingiu um novo nível de maldade.  Anarcossindicalistas defendem a livre circulação de pessoas, e nós damos boas-vindas a imigrantes e refugiados, e apoiamos movimentos que são generosos e representativos de uma sociedade baseada em igualdade e não-discriminação.

Estamos ao menos satisfeitos que a magnitude da maldade de Farage foi contra-atacada com um aumento significativo nas doações para a RNLI.

Não à Farage! Sim, para os que salvam vidas no mar!

Ajude-nos a construir uma sociedade justa e decente para todos, unindo-se ao Sindicato.

Leeds Solidarity Federation

Fonte: https://leedssolfed.wordpress.com/2021/08/02/lifeboats-kropotkin-and-mutual-aid/

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

durante o teu sonho
eu brinco com as nuvens
e tu não sabes de nada

Lisa Carducci

[Chile] Santiago: Jornada Anarcofeminista contra a violência de gênero

Companheiras, como já havíamos anunciado na semana passada, teremos uma atividade para este sábado 21 de agosto às 15h00 na Praça Bogotá, situada no centro de Santiago, perto do metrô Ñuble.

Em anexo divulgamos o cartaz final desta atividade, agradecendo de antemão a todos os artistas que se apresentarão, assim como à companheira que fará o fórum sobre a violência de gênero. Este está planejado para as 15h30. A quem interessar pedimos que seja pontual na chegada, já que para que tudo possa funcionar requeremos responsabilidade nos horários, está tudo feito e preparado com muito carinho, por isso: NÃO O PERCA!

Esperamos que seja uma jornada amena, onde possamos seguir tecendo redes de solidariedade, apoio mútuo e sustentação, desde o acompanhamento, a arte e a anarquia.

Agradecemos a difusão deste cartaz, assim como esperamos com entusiasmo a participação de todos e cada um. A atividade é aberta, mas não se terá nenhum problema em retirar a quem se imponha com uma atitude autoritária, sejam violentos ou rompam com a horizontalidade deste espaço que como bem diz seu nome, é uma Jornada contra a violência de gênero cotidiana que vivemos como mulheres e dissidências, seja perpetrada por homens, assim como o Estado.

Saúde e Anarcofeminismo, nos vemos aí!

Órgão Anarco Feminista (OAF)

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/16/chile-que-viva-a-anarquia/

agência de notícias anarquistas-ana

míngua a lua — no telhado
mia (grave) faminto
um gato

Mariana Campos

[Espanha] Homenagem a Sebastián Oliva

Hoje, 19 de agosto, completam-se 85 anos do assassinato de Sebastián Oliva nas mãos do fascismo em Jerez. Às 20h30 na praça do Arenal, teremos a bela música de El Domador de Medusas, para que não percamos a Memória. Fascismo, nunca mais.

Um pouco de história

Sebastián Oliva Jiménez nasceu em Ubrique, em 1881 e se destacou nas lutas camponesas na comarca de Jerez em princípios do século XX. Em 1916 se tornou presidente da Federação Nacional de Agricultores(FNA), cuja sede se estabeleceu em Jerez. A FNA se tornou a principal organização em escala nacional dos trabalhadores do campo. Em 1918 conseguiu aderi-la em bloco à Confederação Nacional do Trabalho(CNT), central anarcossindicalista.

Oliva dirigiu uma editora na qual se imprimiam folhetos para camponeses: a Biblioteca de Cultura Obreira e esteve a frente de La voz del campesino, jornal que ecoava as lutas obreiras e agrárias em toda Espanha.

Famoso orador, participou em campanhas de propaganda com Salvador Seguí pela Andaluzia Oriental. Nos anos da II República retomou por breve tempo a direção de La voz del campesino (até 1932), e se posicionou com a orientação mais moderada dentro da CNT. A seu trabalho sindical, Sebastián acrescentou seu compromisso com a educação, como professor cortijero (professor itinerante que ensinava nos cortijos) e com uma escola na rua Cruces de Jerez.

Em 19 de Agosto de 1936 foi fuzilado pelo franquismo nas imediações do Alcázar de Jerez. Em 19 de Agosto de 2021, completam-se 85 anos de seu assassinato.

agência de notícias anarquistas-ana

longe noite escura
uma viola
amor murmura

Eugénia Tabosa

[Espanha] Frente ao fascismo e a barbárie, solidariedade internacional com o Afeganistão e sua população civil

Desde a Confederação Geral do Trabalho (CGT) nos somamos à denúncia internacional contra a invasão do exército talibã no Afeganistão e a imposição de sua interpretação da Sharia ou lei islâmica à população, e em particular, às mulheres, idosas e jovens.

Esta situação não é nova, tanto a população afegã como a comunidade internacional conheceu as graves consequências do governo talibã: a falta de reconhecimento dos direitos humanos mais básicos sobre liberdade, igualdade e dignidade humana, como o direito à vida, à educação, às raízes, o direito a migrar, ao asilo, à liberdade sexual, aos direitos da infância… Tampouco esquecemos a irreparável destruição do patrimônio artístico que o Estado Islâmico se vangloriou de destruir, o patrimônio de toda a humanidade.

Após a conquista esta semana da capital afegã, Kabul, se confirmam os piores presságios. O Estado Fascista Islâmico se instaura também no Afeganistão com a conivência do silêncio internacional.

Frente a isso, até o momento este ano, mais de 550.000 pessoas afegãs abandonaram seus lares, aumentando a cifra total de pessoas deslocadas acima dos 5 milhões, segundo informa o Alto Comissário da ONU para os Refugiados (ACNUR). Instituição que instou o mundo a que, devido à situação de emergência humanitária e a fragilidade no respeito aos direitos humanos no Afeganistão, não se deporte sua população “nem devoluções forçadas nem repatriações de pessoas que tenham visto rechaçada sua solicitação de asilo”. Desde a ACNUR se recorda que “Os países tem a responsabilidade legal e moral de permitir a passagem aos que fogem do Afeganistão buscando segurança”, já que existem obrigações internacionais para não empurrar as pessoas a “situações de perigo”.

Mas mais além das instituições, desde a CGT defendemos o rigoroso respeito aos direitos humanos de toda a população. É por isso que elevamos nossa voz para exigir à €uropa Fortaleza que, uma vez mais, não vulnere os direitos da população migrante e que não dê as costas à população afegã fechando as fronteiras.

Do mesmo modo, nos somamos à petição internacional de abrir um cordão humanitário que permita a fuga da população afegã.

A luta antifascista não deve respeitar as falsas fronteiras do capitalismo, a solidariedade feminista tampouco.

Secretariado Permanente do Comitê Confederal da CGT

Fonte: https://cgt.org.es/frente-al-fascismo-y-la-barbarie-solidaridad-internacional-con-afganistan-y-su-poblacion-civil/?pk_campaign=feed&pk_kwd=frente-al-fascismo-y-la-barbarie-solidaridad-internacional-con-afganistan-y-su-poblacion-civil

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/17/afeganistao-ajude-nos-com-nossa-luta-contra-os-talibas/

agência de notícias anarquistas-ana

nenhum pio
depois do trovão
apenas uma fragrância

Alonso Alvarez

[Rússia] O tribunal de Moscou decide extraditar antifascista bielorrusso apesar da proibição da CEDH

A Primeira Corte de Apelação da Jurisdição Geral manteve a decisão de expulsar o antifascista de 22 anos Andrei Kazimirovde Brest para a Bielorrússia, apesar da proibição da Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH).

O advogado de Kazimirov, IllarionVasiliev, disse que contestaria esta decisão.

No final de agosto de 2020, funcionários da segurança da filial do Comitê de Investigação de Brest visitaram Kazimirov e o intimaram para o interrogatório. Andrei é acusado de participar de protestos desencadeados pelas eleições presidenciais fraudulentas do país no verão passado. Após a entrevista ele foi liberado, mas sob a condição de não deixar o país. Se condenado, ele estará enfrentando até 8 anos de prisão.

Temendo a perseguição, Kazimirov mudou-se para a Rússia. Ele foi detido em janeiro de 2021 em Moscou a pedido das autoridades bielorrussas e enviado a um centro de detenção pré-julgamento para aguardar o resultado de seu caso de extradição.

Em abril de 2021, a Procuradoria Geral da Rússia deferiu o pedido da Bielorrússia para a extradição do antifascista.

Em maio, o Tribunal Municipal de Moscou decidiu extraditar Kazimirov, mas mais tarde a CEDH proibiu a extradição nos termos da regra 39 sobre medidas de emergência.

Em 22 de julho, ficou conhecido que a Rússia extraditou o lutador de MMA Aleksey Kudin para a Bielorrússia, apesar de uma proibição semelhante por parte da CEDH. Agora Kudin está no centro de detenção número 1 da SIZO de Minsk, pra onde foi levado sem notificar sua defesa. O Grupo Moscou Helsinki apelou para o Conselho da Europa em conexão com a prática de “deportações ocultas” da Rússia de cidadãos bielorrussos perseguidos.

Fonte:https://freedomnews.org.uk/2021/08/09/moscow-court-rules-to-extradite-belarusian-anti-fascist-despite-echr-ban/

Tradução > solan4s

agência de notícias anarquistas-ana

as pálpebras da noite
fecham-se
sem ruído

Rogério Martins

[México] A esquerda esquizofrênica

No México, mas também na América Latina, a esquerda se viu rebaixada e evidenciada como uma proposta esquizofrênica, pelas constantes reformas neoliberais que o capitalismo trata de impor à sociedade.

As organizações e pessoas de esquerda têm sofrido de severos transtornos mentais crônicos e graves, caracterizados frequentemente por condutas que resultam anômalas para a sociedade: falta de percepção da realidade e alterações na expressão da realidade. A esquerda esquizofrênica causa, além disso, uma mudança em vários aspectos do funcionamento psíquico do indivíduo, principalmente da consciência da realidade, e uma desorganização neuropsicológica mais ou menos complexa, em especial das funções executivas, que leva a uma dificuldade para manter condutas motivadas e dirigidas a metas, e uma significativa disfunção social. Entre os sintomas frequentes estão as crenças falsa, um pensamento pouco definido ou confuso, diarréia verbal incontida, alucinações auditivas (só acreditam que escutam o que querem escutar), redução das atividades de relação social e da expressão de emoções, e inatividade política justificada com pretextos marcianos.

Assim, a luta entre a esquerda e a direita, se dá na imaginação. Na realidade, as relações de poder nas 2 e entre as 2, demonstram que é uma mentira que exista uma opção alternativa: todos querem nos governar. Querem salários e negócios, poder e prestígio sem freio. Sua ambição desmedida demonstra sua cumplicidade nos cargos políticos, nas administrações, presidências ou empresas, onde simplesmente se alternam em cada eleição.

Desde Joe Biden nos EUA, até Andrés Manuel López Obrador no México, e Daniel Ortega na Nicarágua, vivem na alucinação da modernidade: acreditando que se pode colocar progresso e modernidade antes das liberdade básicas. Defendendo instituições estatais, que buscam o controle social organizado por uma constituição (roubos legais) e, uma vez que garantam e protejam as liberdades e direitos de todos como cidadãos (Direito a ser explorados, direito a escolher os carrascos, direito a ser reprimido pela polícia, direito a ser massacrado pelo exército). Mas, na realidade, vemos Biden fazendo as mesmas deportações que Trump, López Obrador obcecado pelos erros dos conservadores, e nunca quer ver os seus; em um México de Guadalupe e pré-moderno, que nunca deixou a religião pela razão, mas onde o “progresso” segue sendo uma mentira atrativa para o povo. Onde o PRI, o PAN e o PRD, descaradamente, demonstram que são o mesmo, a classe política eterna, que brinca de partido em partido, que inclusive se meteu Morena [partido de esquerda] para continuar no Poder.

Mas estes líderes, de direita e “esquerda”, aspiram viver de nossos impostos, e a criar novas leis para nos submeter a sua “sagrada vontade”, onde na realidade só serão larápios do capitalismo neoliberal.

A modernidade é um conceito eurocêntrico que não se aplica à cabalidade no México, onde em muitos aspectos somos pré-modernos, e também pós-modernos, porque já demonstrou o “progresso”, que só enriqueceu as classes altas e próximas aos governos, onde cada vez se acredita em menos coisas, e se acaba na depressão, na frustração e na inatividade.

A esquerda “radical” não está melhor. Vivendo na clandestinidade, construindo estruturas verticais e autoritárias, aferrada a seus dogmas de fé, nas armas e na violência; acredita que propondo “destruição” será uma opção atrativa que ganhe o povo à rebelião. Sua esquizofrenia a isola das pessoas, a separa do tecido social, a torna uma seita estranha e fanática, que só propõe “sacrifício”, quando o capitalismo e o governo, dão migalhas (de nosso impostos) para as necessidades sociais das pessoas, como as vacinas, a educação, ou a “segurança”. E, assim, tentam se legitimar e conseguem enganar muitas pessoas, como o Governo mexicano dando bolsas e “apoios” para seguir manipulando o povo com seus cartões rosa.

A luta das pessoas pela sua sobrevivência, as torna pragmáticas: finge que se vendo ao sistema para poder comer, mas está gravemente ressentida. Desafoga sua raiva como pode, mas não comete suicídio político como Hamas na Palestina: não assiste “Dias de fúria” porque realmente quer ser revolucionária, a classe trabalhadora tem que ir trabalhar e quando sai da labuta, estão tão cansadas, que se joga a ver televisão e tomar cerveja.

Ou se dedica a roubar: ataca a propriedade privada dos demais, mas conserva a sua como do lugar. O grande número dos roubos demonstra que o povo não quer uma revolução, só quer reciclar a propriedade privada em seu favor, a ponta de pistola. Mas não luta por coletivizar os meios de produção, mas só mendigar migalhas do Estado, como nos populismos do México e Venezuela.

A ruptura da esquerda “radical” com o tecido social e as organizações, pretende transferir o problema das relações de dominação ao âmbito pessoal, onde o voluntarismo pretende “subtrair-se” ao social, “aparecendo e desaparecendo”, dando ao anonimato o caráter de “magia” para romper a hierarquia social, que finalmente se reproduzem na vida cotidiana, com sua adoração às suas vacas sagradas: o Che Guevara, Fidel Castro, Joseph Stalin, Mao Tse-Tung, Juan Domingo Perón, “Tiro Fixo” Marulanda, Alfredo María Bonanno, etc.

O desejo voluntarista de pessoas na clandestinidade não vai mudar relações sociais instituídas para satisfazer necessidades sociais… ainda falta romper com o consenso social do sistema capitalista; baseado na religião, na televisão e no alcoolismo; a sectarização das pessoas dispostas a lutar por uma mudança, a unidade da Burguesia (PRI; PAN e PRD), e a consolidação de Morena como os novos serviçais do capital.

Se requer uma longa luta cotidiana em várias frentes sociais, não só na internet, nos periódicos, no rádio, na rua, nas reuniões em cafés, nos corredores das escolas, no auto-engano, no anonimato, na alucinação das palavras…

Braulio Alfaro Lemus

Fonte: https://www.portaloaca.com/opinion/15580-la-izquierda-esquizofrenica.html

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

vento nas cortinas
fico atenta
ao que a manhã ensina

Camila Jabur