[Cuba] Solidariedade para o Movimento San Isidro

No final de novembro de 2018, os ativistas do Movimento Artístico de San Isidro se reuniram pela primeira vez para se manifestar nas ruas de Havana e em frente ao Ministério da Cultura, com o objetivo de obter a revogação do projeto de decreto-lei 349 que visava restringir a criatividade de qualquer atividade artística na ilha. Desde o início do movimento, nossos camaradas do Taller Libertario Alfredo López de La Habana participaram dessas mobilizações.

A maioria dos ativistas da campanha contra o Decreto 349 é originária de Havana e muitos deles vivem no bairro do Alamar. Um bairro que foi palco de um importante movimento de arte alternativa e lar do mais importante festival de hip-hop e poesia da ilha, até ser interrompido e finalmente cancelado pelo Ministério da Cultura.

Os ativistas deste movimento adotaram o nome de San Isidro devido ao apoio dos habitantes deste bairro de mesmo nome, localizado na parte mais antiga de Havana, porque os moradores do bairro se rebelaram contra as forças da lei e da ordem durante um concerto musical organizado para protestar contra o Decreto Lei 349.

Para os artistas unidos contra o Decreto Lei 349, ficou claro que o governo cubano não queria a existência de arte independente do Estado. Demonstramos isso com a supressão dos festivais de hip-hop e poesia já mencionados, mas acima de tudo a Bienal de Havana e o Festival de Cinema Jovem. O Decreto 349 foi a resposta oficial a estes tipos de eventos e para os artistas uma declaração de guerra. O governo não esperava tal rejeição popular como resposta; mas, apesar da manifestação pacífica da arte diante da instituição mais importante da cultura, o decreto entrou em vigor em 7 de dezembro de 2019.

Assédio, ameaças e prisões seguiram durante toda a campanha, não apenas após a convocação para o Ministério da Cultura. Por exemplo, o Movimento San Isidro tentou realizar uma meditação coletiva em um parque público, mas todos os artistas que participaram do encontro foram cercados pela polícia. Vários foram presos por horas. Para o governo cubano, a dissidência não é reconhecida como um direito, portanto, qualquer pessoa que protesta contra um projeto oficial é considerada criminosa e é classificada como um caso de CR (contra-revolucionário). Este estigma continua para o resto da vida.

O pouco tempo em que foram presos mostrou que as repercussões internacionais haviam sido significativas e que o governo estava preocupado com as implicações da repressão. A resposta oficial foi dada através de um programa de televisão no qual as autoridades justificaram a necessidade de aplicar o Decreto 349. No entanto, foi dito que sua entrada em vigor não ocorreria imediatamente e que o regulamento precisava ser revisto e discutido. Para o movimento, isto representou uma vitória. Mas esperar que o governo cubano reconheça publicamente um erro é utópico, porque há muita arrogância de sua parte, por medo de perder o controle absoluto sobre a população.

Uma greve de fome e suas consequências

Entre 9 e 19 de novembro, as autoridades novamente prenderam e assediaram arbitrariamente um grande número de membros do movimento San Isidro, muitas vezes em várias ocasiões. Membros do movimento, que inclui artistas, poetas, ativistas LGBTI, acadêmicos e jornalistas independentes, têm protestado nos últimos dias contra a prisão do rapper Denis Solis Gonzalez. Denis Solis foi preso em 9 de novembro e em 11 de novembro foi julgado e condenado a oito meses de prisão por “desprezo”, um crime incompatível com as leis internacionais de direitos humanos. Ele está sendo mantido em Valle Grande, uma prisão de alta segurança na periferia de Havana.

Após uma semana de greve da fome e de sede dos membros do Movimento San Isidro, a polícia cubana invadiu a sede do Movimento San Isidro na noite de quinta-feira, para acabar com a greve de fome e de sede desses artistas exigindo a libertação do rapper Denis Solis, expulsando Luis Manuel Otero Alcántar e outros 14 cubanos da sede do Movimento San Isidro em Havana por um suposto crime de propagação da epidemia de Covid-19, de acordo com a mídia estatal cubana.

O governo cubano alegou o crime de propagação da epidemia de Covid-19 para prender os artistas e ativistas reunidos na sede do Movimento San Isidro. Um grupo de artistas cubanos pediu então às autoridades que dialogassem com os membros do Movimento San Isidro e depois ouvissem os jovens presentes na sede do Ministério da Cultura. A polícia manteve cerca de 15 pessoas sob prisão por várias horas. Entre eles estavam jornalistas, artistas e professores que se reuniram para protestar contra a repressão e as políticas governamentais que restringem cada vez mais a liberdade de expressão. Vários dos presos foram libertados algumas horas depois. Após as prisões, escritores e jornalistas de todo o mundo denunciaram a expulsão da sede e exigiram a libertação dos detentos, que começou algumas horas depois.

Membros do Movimento San Isidro, o artista Luis Manuel Otero Alcántara e o cantor Maykel Castillo (Osorbo), continuam sua greve de fome até que o governo cubano libere o rapper Denis Solis. Luis Manuel Otero Alcántara está agora no Hospital Fajardo de Havana e continua sua greve de fome”, relata o comunicado oficial no Twitter do Movimento San Isidro. Luis Manuel Otero Alcántara se recusa a ir a qualquer lugar a não ser sua casa na Rua Damasco, em Havana, onde se localiza a sede do movimento.

Na sexta-feira, a Anistia Internacional declarou Luis Manuel Otero Alcántara, líder do movimento San Isidro, um prisioneiro de consciência e pediu sua libertação. A Anistia Internacional pediu ao governo cubano que parasse de assediar os membros do Movimento San Isidro e manifestou preocupação com a situação da comissária de arte Anamely Ramos, que também está sob vigilância policial na casa da professora Omara Ruiz Urquiola.

Daniel Pinós

Fonte: http://rojoynegro.info/articulo/ideas/cuba-solidaridad-el-movimiento-san-isidro

Tradução > Liberto

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Leonardo Natal

[Espanha] Menores fuziladas e anciãs que morriam de fome na prisão: a repressão franquista contra as mulheres em Córdoba

Conselhos de guerra em solução de gênero em Córdoba e sua província. Assim foi a repressão franquista nesta província andaluza.

PorMaría Serrano| 14/11/2020

A repressão franquista contra as mulheres não teve medida, nem em Córdoba nem em sua província. Se fala de genocídio, com mais de dez mil fuzilados. Mas em solução de gênero a cifra também estremece. Mais de 1.400 mulheres, das 15.000 pessoas assassinadas que o investigador Julio Guijarro compila a oito anos dos fundos de arquivos militares.

O papel destacado das mulheres como protagonistas da mudança nos anos 30 trouxe em Córdoba uma verdadeira revolução social. “O regime franquista pretendia ocultá-lo, aquele tempo onde as mulheres foram protagonistas, e contra elas se exerceu a mesma repressão que contra os homens, à qual terá que se somar outra causa específica de gênero”.

Condenadas a prisão ou a morte, detidas, executadas por serem mulheres e mães, esposas ou companheiras, filhas ou irmãs de militantes perseguidos ou pelo simples fato de ter ido a uma manifestação. Os delitos sexuais também ficaram latentes, casos de abusos contra menores que foram localizados no Arquivo do Tribunal Militar Territorial Segundo de Sevilha.

Guijarro assinala a Público que o contexto não é casual: “A repressão foi mais elevada naquelas províncias que resistiram ao golpe de Estado e enfrentaram as tropas franquistas, mantendo uma frente de guerra estável, como seria o caso de Jaén ou o norte de Córdoba”, assegura. O regime tentou silenciar a todo custo a repressão contra mulheres de todas as idades, ainda que a partir das investigações publicadas é possível confirmar que Córdoba e Jaén seriam as regiões com mais casos de mulheres que sofreram represálias de toda Andaluzia. Guijarro, em uma complexa tarefa de busca, pôde resgatar casos. Se fala de mulheres, irmãs que foram raspadas, vexadas, falecidas na prisão. Algumas eram menores de idade, como Carmen e María Pedrajas, outras como Martina e Dionisia são condenadas a morte por ajuste de contas aos 53 e 60 anos de idade. Anciãs como Bibiana Romero morrem de fome ou falta de higiene na prisão. Os casos de abusos a menores por parte de militares e guardas civis foram absolvidos.

Pedrajas e Carmen Luna, menores fuziladas sem julgamento

O caso das irmãs María e Carmen Pedrajas Sánchez, de 17 e 18 anos, é assustador. Moradoras de Hornachuelos, as duas ingressam na Prisão Provincial de Córdoba em 18 de setembro de 1936. Carmen sai da prisão para ser executada sem julgamento em 2 de outubro. Sua irmã María teve o mesmo destino dois dias depois. Apesar de serem menores de idade e não constar nenhum procedimento judicial contra elas, o chefe da Ordem Pública Bruno Ibáñez as manda fuzilar por Bando de Guerra. Suas famílias nunca souberam onde aconteceu a execução nem onde estão seus corpos.

Carmen Luna foi apelidada pelos fascistas de forma depreciativa “la cateta”. Trabalhava na casa de uns senhores do povoado como servente e é executada em Córdoba em 29 de dezembro aos 18 anos pelo simples fato de ter ido a uma manifestação.

Martina e Dionisia eram moradoras do povoado mineiro de Peñarroya Pueblonuevo. As irmãs Alcántara Calvo são submetidas ao código de justiça militar e a sua pompa judicial em dezembro de 1939. “O sumário mostra o ajuste de contas que viveram estas mulheres, já de avançada idade, com graves acusações por parte dos vencedores”. No conselho de guerra, a que tiveram acesso Público, como “na instrução o juiz não se mostra imparcial e as duas mulheres foram condenadas a morte por seu papel destacado na retaguarda”.

Martina seria fuzilada em 11 de dezembro aos 53 anos de idade. A Dionisia seria comutada a pena de morte por prisão perpétua, ainda que não resistisse à terrível notícia do fuzilamento de sua irmã. O relatório médico mostra que falece por “colapso cardíaco”, um argumento pelo qual cabe pensar que “foram submetidas a maus tratos na prisão de Pueblonuevo”. Dionisia tinha 60 anos de idade.

“Ficaria despojada de seu cabelo”

“A repressão foi a mesma para todos os que apoiaram os maquis, sem distinção de gênero”, conclui Guijarro. O caso de Encarna Vega é um dos exemplos mais claros de como a justiça franquista condenava as mulheres pelo simples fato de ter seu marido fugido para a França. “Nos sumários não aparecem testemunhos tão claros de mulheres raspadas pelos franquistas”, sustenta o investigador.

Encarnación Vega tinha 29 anos e era moradora de Villanueva del Duque. Devido à ausência de seu marido teve que sobreviver com o comércio ilegal “sendo ao terminar a guerra despojada de seu cabelo e exibida pelas ruas pelas Forças Nacionais para que servisse de escárnio”. A justiça militar a condenou em 1946 a 12 anos em conselho de guerra por apoio à resistência guerrilheira.

A Guarda Civil falsificava as declarações destas mulheres

A Guarda Civil falsificava as declarações destas mulheres, que as arrancam a base de maus tratos que podiam durar uma semana. As ameaças de surras à suas filhas, ou vexações (peladas). O trâmite sempre era o mesmo. Passam à prisão, e meses depois, já ante o juiz militar, essas mulheres negam que sejam certas aquelas declarações porque foram maltratadas. Na imagem se mostra como esta jovem cordobesa, Carmen, de 25 anos, nega ante o juiz militar em 1947 sua declaração anterior “pelos maus tratos a que a submeteram até o extremo de cortar-lhe o cabelo, por não querer dizer o que eles queriam”.

Bibiana foi detida por assuntos relacionados com a resistência guerrilheira, seu caso foi encerrado por falecimento, não chegou a ser condenada. Morre na Prisão Provincial de Córdoba com 75 anos em 24 de novembro de 1941. Seu corpo segue nas fossas comuns de Córdoba, assim como María Antonia Baena Granados. Com oito filhos, foi condenada a 30 anos e falece na Prisão Provincial de Córdoba com 82 anos em 8 de novembro de 1946.

O caso de Isidora Márquez, sem dúvida pode ser o mais estremecedor. Condenada a prisão perpétua com 97 anos em Hinojosa del Duque. A justiça a levou a itinerar inclusive por vários cárceres. “Esta mulher passou pela Prisão de Mulheres de Málaga e Gerona, seu expediente estava incompleto porque as duas peças localizadas não estavam unidas; somente poderá se completar a investigação sobre a totalidade da repressão franquista quando se localizem e se descrevam todos os sumários abertos contra a população”. No entanto, Isidora teve a sorte de sair com vida e regressar a sua casa em prisão atenuada com 100 anos.

“Abusos desonestos” a menores por parte de militares franquistas

Em meio da trama de casos, Guijarro encontrou o mais surpreendente, casos encerrados de sumários instruídos contra guardas-civis e militares franquistas por delito de “abusos desonestos” a meninas de entre 2 e 15 anos. Apesar de que não são delitos políticos, se processa militares nas causas por abuso de menores. “Os casos de maus tratos, abusos ou violações foram em geral encerrados pela justiça militar franquista, sendo absolvidos os acusados”.

Nos expedientes se alegava a favor dos acusados. Eximiam a culpa “pelos costumes libertinos das mulheres, para rupturas de hímen, ou sua falta de higiene para contrair enfermidades venéreas”. O informe do médico militar era determinante. “É frequente em ambiente de classe social inferior e por sua falta de higiene”. O informe pelo qual se encerra o caso está fechado, neste caso concreto, em janeiro de 1950.

Fonte: https://m.publico.es/politica/4749768/menores-fusiladas-y-ancianas-que-morian-de-hambre-en-prision-la-represion-franquista-contra-las-mujeres-en

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

espuma do mar
adensa o voo das
gaivotas no ar

Carlos Seabra

[Espanha] A revolução dos “chinelos” e os anarquistas: crônica da conversa informativa sobre os protestos na Bielorússia em Sant Andreu (Barna)

No dia 19 de novembro às 19h30, foi realizada uma palestra no Ateneo Libertario del Palomar (llenguadoc, 25) com companheiros anarquistas da Bielorrússia, tanto pessoalmente como por videoconferência, sobre a repressão contra o anarquismo neste país do Leste Europeu, após os protestos contra a reeleição do Presidente Alexander Lukashenko por possíveis fraudes eleitorais e suas políticas sociais e econômicas. O nome dado a estas mobilizações vem de uma fotografia, mostrada por vários meios de comunicação ocidentais, de um homem manifestando-se na capital Minsk com dois sapatos na mão. Os compatriotas bielorrussos nos informaram que houve várias prisões, cerca de 400, como resultado dos protestos para a reeleição de 9 de agosto de 2020.

No início, eles nos disseram que o anarquismo bielorrusso era minoritário e não tinha muita capacidade de mudar a realidade: os principais protagonistas eram pessoas comuns que estavam fartas do regime. Além disso, houve a tática, que reduziu muito sua capacidade de defesa, das autoridades para prendê-los preventivamente e prendê-los por alguns dias (geralmente 15 dias que poderiam ser prolongados por outros 15) na esperança de que a situação se acalmasse. Eles também apontaram que, a princípio, a preocupação e a atenção da polícia estava voltada principalmente para os partidos da oposição e não para os libertários. A tática naquela época era ir às manifestações individualmente sem mostrar bandeiras negras ou outros símbolos que as identificassem como uma corrente sócio-política.

Mais tarde, eles começaram a sair com seus próprios blocos em Minsk, seu discurso antiautoritário e a entreter os protestos com música, o que, segundo os oradores, fez com que muitos manifestantes os vissem com simpatia por causa do novo e diferente caráter que suas proclamações expressavam em relação aos partidos políticos tradicionais de oposição. Junto com os libertários, havia também alguns torcedores do futebol que foram presos e torturados por participarem dos protestos. O surgimento destes novos sujeitos políticos nas mobilizações está relacionado ao abandono progressivo da rua pela oposição oficial que atualmente se dedica a tarefas inócuas, como a coleta de assinaturas on-line. Tudo isso se traduziu, como esperado, na transferência de parte do eixo repressivo para o movimento minoritário, mas ativo e libertário no país.

Também é necessário apontar as tarefas de apoio, realizadas pelos ácratas bielorrussos aos manifestantes civis, sobre como enfrentar a repressão da polícia anti-motim: indicando o inoportuno ante o lançamento de bombas de fumaça ou abrindo contas no telegram para realizar o chamamento às ruas. Estes, dos quais existem três, são os únicos meios atualmente utilizados para este fim. Atualmente há 12 anarquistas e antifascistas na prisão. O caso que está despertando a solidariedade dos revolucionários no momento é o de 4 antifascistas que estão na prisão por bloquearem uma rua e confrontarem a polícia. Também é urgente apoiar 4 anarquistas presos por tentarem atravessar a fronteira para a Ucrânia, pois eram procurados por supostamente atacarem com fogo alguns edifícios e carros da polícia: um conseguiu escapar, mas os outros foram capturados pela polícia.

Um desses camaradas foi consequentemente condenado a 8 anos de prisão. Há também outro caso de um youtuber anarquista que foi preso por dar conselhos na Internet sobre como lidar com a violência repressiva do Estado. Outro preso libertário foi selvagemente torturado e acabou fornecendo suas senhas de telegram. Vários ativistas tiveram que deixar o país por causa de sua militância feminista, antifascista e libertária. O Estado bielorrusso é totalmente liberado em suas estratégias repressivas e intimidatórias e chegou ao ponto de procurar de porta em porta por manifestantes simplesmente para carregar bandeiras: eles normalmente colocam um capuz sobre suas cabeças e os levam para alguma floresta próxima, onde os ameaçam de morte. As autoridades, diante da impotência causada pelo fato de que as mobilizações não pararam, passaram da punição com multas para a prisão.

Os números são mais de 25.000 detidos e mais de 1.000 presos nos últimos meses. Além disso, há mais de 4.000 casos relatados de maus-tratos a detentos, certificados por relatórios médicos, nenhum dos quais resultou em condenação de qualquer policial. Mesmo o governo chegou ao ponto de lançar uma ofensiva repressiva contra o corpo médico por denunciar a tortura. Os palestrantes nos disseram que Minsk hoje é como o romance distópico de George Orwell de 1984 porque tudo está sob controle: um bairro que se destacou por ter muitas bandeiras anti-governamentais teve seu abastecimento de água cortado. Agora as autoridades estão ocupadas impedindo que as pessoas se reúnam para futuros comícios e manifestações.

Há um certo desânimo por parte dos camaradas anarquistas de ver que eles estão atualmente em uma fase de retiro tentando evitar casos mais repressivos: isto contrasta com os primeiros meses quando parecia que a iniciativa estava sendo tomada mais. Em resposta a algumas das intervenções do público, os palestrantes (tanto os que estavam presentes no Ateneu quanto o camarada que falava do país via videoconferência) apontaram que, sim, há alguns torcedore de ultradireita que participaram dos protestos, mas sem fazer um show de seu simbolismo: neste sentido, pode nos lembrar dos protestos dos coletes amarelos na França, onde estes indesejáveis também participaram das manifestações, levando a confrontos com os antifascistas e a esquerda revolucionária.

A questão era sobre o fato de que em outros movimentos sociais ao redor do mundo, como por exemplo os protestos no Egito que terminaram com a demissão de Hosni Mubarak, a presença de torcedores do futebol também foi observada: isto parece contrastar com as características de um certo hooliganismo na Espanha que parece, em geral, bastante apolítico se não diretamente contrário às mobilizações (acho que me lembro de algumas ameaças da rede destes setores do socialismo de Barcelona ao Acampamento 15-M na Plaza Catalunya coincidindo com uma de suas celebrações). Ele também se perguntou sobre a posição dos anarquistas bielorrussos em relação ao apoio de certos grupos da esquerda estalinista ao governo de Lukashenko sob o discurso demagógico pseudo-anti-imperialista contra o Ocidente que as autoridades estão tratando.

Neste sentido, vale lembrar que a Bielorrússia tem relações estreitas com o imperialismo russo e que, em qualquer caso, as posições reacionárias de defesa do país contra o inimigo externo são a estratégia que todo nacionalismo com tons fascistas na Europa tem historicamente utilizado. Os palestrantes apontaram, então, que eles não consideram os grupos estalinistas como esquerda, mas como direita (o que indica, em minha opinião, um certo respeito por este termo que contrasta um pouco com slogans que costumamos usar nos anarquistas espanhóis como esquerda e direita a mesma merda e similares). Por outro lado, não é estranho qualificar o estalinismo como direita, considerando que alguns partidos comunistas dogmáticos como os gregos, tchecos ou russos têm se mostrado contra os direitos das pessoas trans, refugiados ou próximos ao nacionalismo e ao cristianismo ortodoxo conservador.

Assim, indicaram que, como resultado, não é possível encontrar a participação de grupos estalinistas no antifascismo bielorrusso. Por outro lado, teria sido interessante perguntar se existe algum confronto com algum tipo de antifascismo institucional, já que os países da órbita ex-soviética que ainda são governados por seus herdeiros ideológicos, como é o caso aqui, tendem a lidar com um antifascismo vazio que está demagogicamente relacionado à luta contra os nazistas na Segunda Guerra Mundial. Os palestrantes também indicaram, de uma forma que eu não conseguia entender bem, a participação ocasional de grupos comunistas e trotskistas da Rússia nos protestos e que estavam tentando organizar os trabalhadores, já que parece que não existem grupos deste tipo no país.

Acho esta afirmação estranha porque, segundo entendi, existem dois partidos comunistas na Bielorrússia que se distinguem, precisamente, por seu caráter oficial ou de oposição, respectivamente. Talvez pudesse se referir a algum outro tipo de grupo marxista que eu não conheço. Como o camarada comentou, os anarquistas mandaram esses grupos comunistas e trotskistas da Rússia para o inferno. Finalmente, deve ser observado que, segundo o sociólogo Volodymir Artiuk em seu artigo Partisanos ou trabalhadores? O protesto bielorrusso e suas perspectivas, as manifestações têm um apoio significativo da classe média urbana e dos trabalhadores: neste sentido, a Greve do Metrô de Minsk em 1995 ou, atualmente, a revolta proletária na fábrica de tratores na mesma cidade que, junto com trabalhadores de outras fábricas, marcharam junto com os manifestantes anti-Lukashenko, devem ser apontados como marcos na luta de classe contra Lukashenko.

Segundo Artiuk, estes são princípios de auto-organização que rompem com o sindicalismo burocrático oficial: pois o governo do filosoviético de Lukashenko sempre procurou confinar a classe trabalhadora dentro de estruturas burocráticas de obediência às instituições, prometendo estabilidade no emprego às custas de baixos salários. Um modelo híbrido, então, entre um controle institucional que procura diluir a consciência de classe e substituí-la pela obediência aos comandos, e o neoliberalismo capitalista e sua consequente deterioração do poder de compra e do padrão de vida dos trabalhadores. Fiquei me perguntando se esta ordenação dos grupos marxistas mandados ao inferno corresponde a uma tentativa libertária de estar presente nos locais de trabalho ou simplesmente de trabalhar em outros espaços. Neste sentido, o sindicato de trabalhadores e manifestantes, juntamente com o papel agitador que os libertários podem desempenhar, levará esperançosamente a mais do que uma simples dor de cabeça para o governo capitalista autoritário de Lukashenko.

Alma apátrida

Fonte: https://alma-apatrida.blogspot.com/2020/11/la-revolucion-de-las-pantuflas-los.html

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Flauta,
cascata de pássaros
entornando cantos úmidos.

Yeda Prates Bernis

[Espanha] Lançamento: “Nos robaron las noches. Mujeres ante la cárcel. Epílogo de Pastora González Vieites.”

Transcrição do documentário com o mesmo nome, onde 11 mulheres mexicanas dão testemunho de como a prisão toma conta de suas vidas: discriminações sistemáticas, atribuição de papéis, apropriação do corpo… Elas expressam suas experiências, suas lutas e como, com o passar do tempo, passaram a adotar uma postura anticarcerária.

No epílogo, Pastora González dedica belas palavras às compas do México e um chamado para QUE A LUTA NÃO MORRA.

Também acrescentamos escritos de amor e ternura dedicados pelas protagonistas deste livro à nossa amada Pastora.

Nos robaron las noches. Mujeres ante la cárcel. Epílogo de Pastora González Vieites

Junio 2020. Rústica, 64 páginas. 17 cm x 12 cm, 2 euros.

ISBN: 978-84-09-194856-8

editorialimperdible.com

agência de notícias anarquistas-ana

tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis

Rosa Clement

Encontro digital | “Mulheres anarquistas em movimento: história, ideias e lutas”

Neste sábado, 05 de dezembro, às 19h00, o Centro de Cultura Social (CCS) receberá em seu canal no YouTube Angela Roberti, doutora em História Social (PUC-SP); Professora adjunta da UERJ na área de História Moderna e Contemporânea. Coordenadora do Laboratório de Pesquisa e Prática de Ensino em História (LPPE) do IFCH da UERJ; Líder do Grupo de Pesquisa (Grpesq/Cnpq/UERJ) NEPAN – Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Anarquismo e Cultura Libertária. Publicou trabalhos decorrentes de pesquisas na área de História sobre anarquismo e imprensa libertária, literatura social libertária, imagens libertárias, movimento operário, trabalho, militantes estrangeiros, memória do movimento anarquista e história e memória das mulheres anarquistas, que falará sobre “Mulheres anarquistas em movimento: história, ideias e lutas”.

R e s u m o:

A conversa com a historiadora e professora Angela Roberti, pesquisadora do anarquismo no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, tem o propósito de enfatizar a presença de outros sujeitos no âmbito das lutas sociais e políticas protagonizadas pelos anarquistas nas primeiras décadas do século XX. Para tanto, apresentará uma leitura do universo da militância a partir de uma perspectiva identificada com a história social das mulheres.

Assim, a pesquisadora oferecerá uma reflexão sobre as mulheres anarquistas, suas ideias e participação nas lutas sociais e políticas da época, tomando-as como testemunhas reveladoras da experiência feminina do anarquismo no Brasil.

Desse modo, vai traçar um breve panorama dos debates que envolviam as libertárias, que se voltavam para destruir o poder do Estado e os micro poderes, tanto quanto para transformar a vida econômica, as relações sociais opressivas, autoritárias, hierárquicas e desiguais, as relações de exploração no espaço da produção, as relações de dominação entre os gêneros, as regras que circunscreviam a sexualidade, defendendo, entre outros, a emancipação feminina, o amor livre, a livre união, a livre desunião.

Como decorrência, serão contempladas, também, as temáticas ligadas à sexualidade, as quais eram tidas como indispensáveis na construção de novas subjetividades que apontavam para a necessidade da transformação dos papéis sociais/sexuais de homens e mulheres em benefício de uma ética libertária.

>> Canal do CCS no YouTube:

www.youtube.com/centrodeculturasocial 

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Seus cachos de seda
são borboletas douradas
brincando na brisa.

Humberto del Maestro

[Grécia] Rouvikonas: Entrega de comida para famílias de estudantes

Alimentos e artigos de primeira necessidade foram entregues hoje (01/12) em Atenas, após o apelo de solidariedade do Coletivo Anarquista Rouvikonas, às famílias dos estudantes do 95º Jardim de Infância e 35º Ensino Fundamental e 36º do Ensino Fundamental de Atenas. Também alimentos e itens de necessidades básicas foram entregues ao 40º Ensino Fundamental em Gyzi.

Perante a indiferença da Prefeitura de Atenas, propomos a solidariedade das pessoas da nossa classe.

A recolha de artigos de primeira necessidade para os nossos semelhantes em dificuldade continua diariamente das 18h00 às 20h00 no Centro Social K*BOX (Arachovis & Themistokleous, Praça Exarchia) e todas as terças e sextas-feiras das 18h00 às 20h00 no Centro Social de Tiro (Iros Konstantopoulou 16-18, Kaisariani).

Tudo o que temos é um ao outro.

Ρουβίκωνας – Rouvikonas

>> Mais fotos: https://rouvikonas.gr/archives/4691

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Sesta no jardim:
a borboleta me acorda.
Coça o meu nariz.

Anibal Beça

[EUA] Portland: Monumento ao Genocídio Derrubado e Desfigurado

Terras Ocupadas dos Chinooks. Véspera de Ação de Graças.

Poucos dias antes, camaradas anarquistas indígenas fizeram uma chamada pública para uma noite de ataque descentralizado contra os símbolos do colonialismo na véspera do dia de Ação de Graças (26/11). Para um grupo de desordeiros anarquistas, um alvo em particular veio à mente.

Desde 1903, um memorial de guerra de bronze dedicado aos soldados das guerras mexicano-americana, hispano-americana e americano-indígena ficava no alto de um pedestal de pedra no cemitério de Lone Fir em Portland. Esta desavergonhada celebração do imperialismo americano, colonialismo e genocídio consagrou a imagem de um soldado colonizador em uma grotesca demonstração de orgulho nacionalista. Este colonizador de bronze em particular ficou em pé por muito tempo, e esta noite seria uma ótima noite para mudar isso.

Com a pandemia do COVID-19 e o clima frio e úmido, poucos saem de casa até tarde, tornando as ações diretas noturnas mais fáceis de realizar sem testemunhas acidentais.

As ruas brilhavam molhadas com a chuva fraca de mais cedo, e a lua crescente brilhava através das nuvens enquanto o pequeno grupo de jovens anarquistas se reunia muito depois do anoitecer. Mascarados e vestidos discretamente, usando luvas para não deixar impressões digitais, eles carregavam consigo tudo o que precisavam e nada mais. Aderindo às sombras das ruas laterais silenciosas, eles se aproximaram do cemitério. Em um momento em que os sons dos carros eram apenas ecos distantes, eles se ajudaram a pular a cerca pontiaguda do cemitério e rapidamente se encontraram entre as lápides sombreadas.

A equipe moveu-se em direção à alta estátua de bronze que pairava sobre os túmulos ao redor e fez um amplo círculo ao redor dela, garantindo que estivessem sozinhos. Hora de agir.

Enquanto um agia como vigia, outros removeram latas de tinta spray e rapidamente cobriram todos os lados da base da estátua com seus pensamentos sobre o monumento. “EAT SHIT COLONIZER (Vá à merda colonizador)” em letras vermelhas em negrito estava pintado no pedestal. Placas celebrando os atos genocidas dos soldados consagrados foram cobertas com tinta. Agora ele iria cair.

Um encrenqueiro foi ajudado a subir na base da alta estátua e eles amarraram uma alça grossa e resistente de poliéster de 10 metros ao redor do pescoço do soldado de metal. Pulando para baixo, ele se juntou aos outros e todos começaram a puxar como um só. Combinando com silenciosos “heave, ho!”, a estátua começou a se curvar na base. Correndo para o outro lado do monumento, eles o puxaram de volta na outra direção. Repetindo isso, para frente e para trás, para frente e para trás, a estátua se curvou mais e mais, até que com um forte puxão contra a alça em seu pescoço, ela foi puxada para a horizontal. Ainda mal conectada à sua base, os anarquistas puxaram a correia em um ângulo, torcendo a estátua contra sua base. Eles a puxaram pelo pescoço até que, com um estrondo, ela se soltou do pedestal e caiu, de cara no chão.

Colonizador DERRUBADO!!

Com adrenalina bombando, corações acelerados e a crescente satisfação de um trabalho bem feito, o colonizador foi coberto com um pouco de tinta vermelha ao cair no chão onde deveria. A correia, cumprida sua função, foi removida do pescoço do soldado caído e colocada de volta em uma mochila comum. Um último olhar satisfeito para um colonizador com o rosto na terra. Aparentemente despercebidos, os jovens anarquistas saíram do local de sua travessura, deixando apenas a destruição de suas ações para trás. Eles ajudaram uns aos outros a pular a cerca e desapareceram novamente nas ruas iluminadas pelo luar, pois a cidade é grande e a noite ainda era jovem…

Fonte: https://pugetsoundanarchists.org/portland-monument-to-genocide-toppled-and-defaced/

Tradução > A. Padalecki

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agência de notícias anarquistas-ana

Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve

Presos da Prisão de Máxima Segurança de Santiago do Chile iniciam greve de fome total exigindo a restituição das visitas depois de 9 meses

Através de um comunicado público, um grupo de presos da prisão de máxima segurança de Santiago anunciou o início de uma greve de fome total, incluindo líquidos, exigindo a restituição das visitas depois de 9 meses com motivo da pandemia, sob o lema “isolamento é tortura” e aludindo ao funcionamento do comércio e abertura de praias.

O anúncio foi feito essa manhã através de um comunicado, onde colocam que “durante todo esse tempo temos sido destinatários de uma das políticas de punição e isolamento pelo Estado, e que não podemos seguir esperando suas propostas inumanas de visitas na prisão, enquanto as praias, locais de entretenimentos, as cidades todas funcionam nessa nova normalidade”.

O comunicado na íntegra:

Desde a prisão de segurança máxima de Santiago de Chile, comunicamos o início de uma greve de fome e líquidos, e indefinida, pela restituição das visitas num irrenunciável marco de dignidade.

Já vamos para os 9 meses sem poder ver nem abraçar a nossos queridos e amores como resultado das restrições impostas pela autoridade sob o eufemismo de ser “população de risco”  no contexto da pandemia, no entanto, durante todo esse tempo temos visto o ir e vir de guardas a suas casas mantendo ininterruptamente um contato direto com nós sem nenhuma medida de proteção real salvo as máscaras.

Chegando ao ponto de que entre maio e junho toda a população penal do CAS (Prisão de máxima segurança) foi contagiada pelo Covid, por guardas que mantiveram em absoluto silêncio dita situação.

O sistema de saúde desse lugar segue sendo altamente deficitário. Nenhum controle real ou especial foi dado a nós durante todo esse período de pandemia.

Durante todo esse tempo temos sido destinatários das políticas de punição e isolamento pelo Estado e suas leis silenciosas de controle social.

Não esquecemos a modificação do decreto de lei 321 sobre liberdades condicionais que se tem aplicado infringindo o direito penal internacional, deixando muitas pessoas presas com a cumplicidade do podre parlamento chileno.

Sabemos que todas as prisões do país têm tido massivos focos do Covid e tem sido mais as mortes por brigas causadas pelo estresse carcerário que pela pandemia, com a qual devemos aprender a conviver porque chegou para ficar.

Nada justifica o prolongamento do isolamento salvo a decisão política de um governo inepto e repressivo que submete as pessoas mais modestas a um sistema de opressão e miséria.

Cansamos-nos de ver como a podre classe política esquece as pessoas presas e a suas famílias. Não podemos seguir esperando suas propostas inumanas de visitas enquanto as praias, locais de entretenimento, as cidades todas funcionam nessa nova normalidade.

É por isto que assumimos essa mobilização de greve de fome total, incluindo líquidos, e indefinida, e com isto fazemos um chamado a todas as organizações e pessoas que solidarizam com quem vivemos anos de nossas vidas atrás das grades, a nos acompanhar nessa luta justa por abraçarmos outra vez dignamente com nossas famílias, amores e queridos.

Por visitas dignas!!

Isolamento é tortura!!

Presos em greve de fome

Cárcel de Alta Seguridad

Santiago, Chile

Segunda feira, 30 de novembro 2020

Fonte: https://resumen.cl/articulos/presos-de-la-carcel-de-alta-seguridad-de-santiago-inician-huelga-de-hambre-liquida-exigiendo-restitucion-de-visitas-tras-9-meses

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Mosaico no muro.
O gato ensaiando o pulo.
Azuis borboletas.

Fanny Dupré

[Chile] Lançamento: “El arte de proyectar la anarquía”, de Jorge Enkis

O anarquismo deve estar a serviço da humanidade, pois cujas maravilhosas virtudes devem assegurar a criação emancipatória do ser e conduzi-lo a uma nova era de transformações sociais.

Pois é o produto do intelecto, da ciência e da arte, que servirá para o aprimoramento deste novo mundo, cujo único ganho é o embelezamento da vida e da construção de um futuro que assegure a prosperidade para toda a humanidade.

>> Baixe, imprima e divulgue:

https://editorialautodidacta.org/producto/el-arte-de-proyectar-la-anarquia/

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Na chuvosa manhã
Pelo menos a orquídea rosa
Inicia a primavera

Danita Cotrim

Memória | Páginas da Luta Antifascista no Brasil

Por Marcolino Jeremias

No dia 25 de Setembro de 1928, após um grande comício, centenas de populares, especialmente estudantes, atacaram a sede do jornal fascista ‘Il Piccolo’ em São Paulo (SP), destruindo seus equipamentos.

A ação se deu após o fascista Luigi Freddi responder um artigo da anarquista brasileira Maria Lacerda de Moura, no jornal ‘Il Piccolo’. O artigo de Luigi Freddi foi escrito de maneira violenta, onde ameaçava a Maria Lacerda de Moura e questionava a honra da mulher brasileira, o que serviu de ponto de partida para o conflito.

Após o empastelamento do jornal fascista, parte da imprensa (especialmente a imprensa operária) iniciou uma furiosa campanha contra a ação do fascismo no Brasil.

Na imprensa da época lê-se: “É preciso que os brasileiros saibam que ‘Il Piccolo’ é o jornal de Mussolini em São Paulo”. “A ilustre escritora Maria Lacerda de Moura vítima da estupidez fascista do diretor de ‘Il Piccolo'”. “Os estudantes cariocas solidários com seus colegas de São Paulo”. “As manifestações continuarão enquanto não for expulso o insultador de Maria Lacerda de Moura”. “Reduziram à cinzas e cacos o jornal de Mussolini em São Paulo”. “Grande agitação nos círculos estudantis”. “Importante manifestação antifascista na Praça do Patriarca”. “Vários retratos do Duce arrebatados das paredes da redação e estraçalhados na rua pelo povo indignado”.

E por fim: “Se os ‘camisas pretas’ entendem que já somos colônia do Duce, bom é que saibam que ainda há por aqui muito ‘rabo de tatu’…”

Que os bravos exemplos do passado inspire o nosso presente e o nosso futuro. Viva a luta antifascista no Brasil e no mundo!!!

agência de notícias anarquistas-ana

No entardecer
O azul celeste
Manchado é pelo arranha-céu

Dalva Sanae Baba

[Grécia] Solidariedade com os quatro camaradas acusados de supostamente pertencerem a um grupo terrorista

Em 8 e 9 de março de 2020, quatro camaradas foram presos em Atenas por causa de uma operação da brigada antiterrorista liderada pelo governo. A única “prova” que existe é um vídeo do ataque à Fundação Mitsotakis (local de encontro do partido político no poder, Nova Democracia, que leva o nome da família do Primeiro Ministro) no qual um dos camaradas é supostamente mostrado, reconhecido pela polícia. Os outros são simplesmente acusados de ter uma estreita amizade política com o primeiro.

Os quatro camaradas estão em meio a um grande processo legal, pois são acusados de supostamente realizar 54 ataques e, de acordo com a Lei grega 187A, aplicada em julgamentos antiterroristas, também de supostamente fazerem parte de uma organização terrorista chamada “Sintrofi-Sintrofises” (“Companheiros-Companheiras”).

Algo que é importante mencionar sobre a criação deste grupo “Sintrofi-Sintrofises”, nas palavras de um dos camaradas acusados:

“O Estado, ao tentar vender a ideologia da “Guerra ao Terror”, cria este tipo de organização (“Sintrofi-Sintrofises”), que vem operando na cidade de Atenas desde 2016 até hoje. Esta lógica vai além dos limites do normal e do real, de uma forma que beira o ridículo. Em essência, o nome desta famosa organização é nada mais ou menos que uma palavra usada pelo movimento anarquista/antiautoritário durante anos como sinal de identidade. Foi usado no passado, é usado hoje e continuará a ser usado no futuro. Qualquer pessoa pode encontrar centenas de textos assinados com esta palavra na Grécia e, em geral, em todo o mundo. Esta nova metodologia (o uso de uma palavra e sua conversão em uma organização terrorista) é uma situação sem precedentes que visa apenas atacar um amplo e diversificado espectro de ação do movimento anarquista e intimidar aqueles que a ele pertencem. As seguintes organizações terroristas serão chamadas de “Solidariedade”, “Anarquistas”, “Comunistas”,… e continuarão a rir-se de nós até o fim dos tempos”.

Após serem presos por uma semana na Delegacia Central de Polícia de Atenas, os camaradas são libertados em duras condições restritivas: têm que se apresentar à delegacia três vezes por mês; não podem ter nenhum tipo de comunicação entre eles ou compartilhar os mesmos espaços; também são proibidos de participar de qualquer reunião ou manifestação política, assim como de entrar no bairro da Exarchia (o principal e histórico centro da luta política em Atenas) e sair do país; e, finalmente, todos os seus bens são apreendidos pela polícia, assim como suas contas bancárias. Além disso, o camarada que foi “reconhecido” no vídeo foi obrigado a se mudar imediatamente para sua cidade natal, sem a possibilidade de viver ou mesmo de ter um emprego em outra cidade.

Estes termos restritivos têm efeitos muito específicos sobre a vida dos quatro réus, já que seu único objetivo é a dissolução de sua vida social, sua ação política e seu extermínio financeiro. Além disso, a condição do primeiro camarada detido o obriga a permanecer fora da cidade onde vive há anos (Atenas), mantendo-o completamente afastado de suas relações sociais e de seu trabalho. Todos os fatores acima deixam claro que esta perseguição é uma “vingança pessoal” da polícia contra nossos camaradas.

Desde o início desta ridícula conspiração, os quatro camaradas negam todas as acusações, declarando publicamente que estão sendo perseguidos unicamente por causa de sua identidade política anarquista.

Sete meses após o início deste processo, ainda não há provas confiáveis (amostras de DNA, impressões digitais, chamadas, mensagens,…) que conectem os quatro camaradas com o ataque – nada surpreendente quando se trata de processos envolvendo anarquistas politicamente ativos. Além disso, a única “prova” (o vídeo) desaba em setembro, quando o parecer oficial dos laboratórios policiais e um especialista técnico independente descartam a presença do camarada no vídeo do ataque à Fundação Mitsotakis.

A própria polícia admite que o camarada que foi inicialmente preso e pelo qual os demais estão sendo perseguidos, não é identificado no vídeo do ataque à Fundação Mitsotakis.

Portanto, até hoje, sem absolutamente nenhuma evidência ou indicação de culpa, quatro anarquistas estão sendo anulados pelo Estado em todos os aspectos de suas vidas, só porque se mantiveram firmes em seus ideais contra o sistema, porque encontraram seu lugar entre os oprimidos deste mundo e lutaram contra o Estado e o capitalismo, contra a pauperização sistemática de bilhões de pessoas, contra o fascismo e o patriarcado, contra a destruição da natureza e a extinção de seres não humanos.

Durante este mês de novembro, os camaradas foram chamados pelo investigador estatal para uma “declaração” adicional, para outro ataque de que também são acusados, sob a assinatura de “Sintrofi-Sintrofises”. Estas declarações serão as últimas de sua parte e darão lugar ao próprio processo judicial (julgamentos, condenações,…).

Apelamos a todo o movimento de luta para apoiar, de uma forma ou de outra, as manifestações de solidariedade diante dos tribunais de Evelpidon (Atenas).

Camaradas, os quatro anarquistas perseguidos durante os últimos sete meses foram sistematicamente exterminados de forma financeira pelo Estado, em uma perseguição cujos custos legais já ultrapassaram 10.000 euros. Da mesma forma, as declarações que ocorrerão durante este mês totalizarão mais de 3000 euros. Os camaradas perseguidos estão tentando cobrir suas despesas de vida, com grande dificuldade, enquanto suas contas bancárias estão congeladas, ao mesmo tempo em que enfrentam o desemprego.

Nesta situação criada pela COVID-19, onde é praticamente impossível organizar eventos que apoiem a causa economicamente, decidimos recorrer ao website online do Firefund [vaquinha virtual].

Pedimos o apoio de todos os companheiros a nível internacional: NENHUM COMPANHEIRO FIQUE SÓ CONTRA O ESTADO.

É um fato que a perseguição desses camaradas pela polícia é outra tentativa de anular política, social e economicamente parte do movimento anarquista. Estas perseguições, no entanto, serão sempre confrontadas pela incansável luta pela liberdade e dignidade. A solidariedade vencerá a escuridão do totalitarismo.

REVOGAÇÃO IMEDIATA DAS CONDIÇÕES RESTRITIVAS APLICADAS!

FORÇA E SOLIDARIEDADE PARA OS QUATRO CAMARADAS ANARQUISTAS PERSEGUIDOS!

Assembleia em solidariedade com os quatro camaradas acusados.

>> Para contribuir, clique aqui:

https://www.firefund.net/osa?fbclid=IwAR1Z6uyEwpUb-YVOwDQSAAhpqm3u8GYoNrp7aPFBgqU1GjhSSyy8I_5FdAI

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A lua minguante
procura com quem falar
na boca da noite

Ronaldo Bomfim

[Polônia] Anarquistas conseguem impedir o despejo de hortas urbanas

Anarquistas da okupa Rozbrat em Poznan, junto com outros grupos, conseguiram impedir o despejo das hortas urbanas vizinhas “ROD Bogdanka”.

As hortas nesses lotes fazem parte do cinturão verde da cidade e são usadas pela comunidade desde 1953. Por décadas, os terrenos pertenceram ao tesouro do Estado. No início dos anos 90, foi adquirido por uma empresa de empreiteiros um tanto obscura, Darex. Darex fez um empréstimo para comprar o terreno, mas nunca o pagou, embora ainda mantivesse seus direitos de propriedade. Até hoje, a empresa ainda está listada como uma proprietária oficial do terreno nos registros de loteamentos.

Ao longo dos anos, o município de Poznan tentou reivindicar as terras, mas até agora não tiveram muita sorte. Nesse meio tempo, o terreno tornou-se uma propriedade privilegiada para empreiteiros e aumentou drasticamente seu valor monetário. Os empreiteiros, é claro, planejam transformá-lo em alguma forma de um projeto elegante de “regeneração” e têm perseguido tanto os titulares dos lotes e os okupas de Rozbrat para que eles se mudem. No ano passado, houve relatos de incêndios criminosos nos lotes, e a empresa Darex também esteve ameaçando os titulares dos lotes com penalidades financeiras absolutamente avassaladoras, caso optem por manter suas hortas. Através desses métodos, eles conseguiram intimidar muitas pessoas para deixarem seus lotes: no entanto, algumas ainda permanecem.

A tentativa de despejo ocorreu ontem de manhã, quando a Darex, com o auxílio da polícia, apareceu com a intenção de limpar o espaço para deixá-lo pronto para a chamada reforma. Isso desencadeou uma resistência imediata de anarquistas, grupos ambientalistas, grupos de inquilinos e dos próprios titulares dos lotes. Uma ação direta improvisada foi organizada com pessoas bloqueando os empreiteiros e a polícia de chegar ao terreno. Após um impasse, a Darex e a polícia tiveram que desistir de sua tentativa de remoção forçada: pelo menos por enquanto.

De acordo com a declaração divulgada por Rozbrat nesta manhã:

Estávamos preparados para a chegada dos empresários. Graças à mobilização conjunta dos titulares das hortas, grupos de inquilinos e anarquistas, foi possível impedir o plano de demolição das construções aqui existentes.

A Darex é uma entidade peculiar: nos últimos 30 anos, não tem realizado nenhuma atividade comercial real. A empresa surgiu em 1990 para “comprar” o terreno da então propriedade estatal, por um décimo do seu valor, pegar um empréstimo dez vezes maior e desaparecer.  No entanto, ela não comprou o terreno do Estado, mas de um particular que também desapareceu em seguida. (…)

Hoje, os bandidos da Darex estão de volta à vida. Sob sua sombra, alguns empreiteiros desejam se apossar desta parte de Poznan, que agora vale muito mais do que trinta anos atrás.

Na prática, Rozbrat e os titulares dos lotes estão no mesmo barco. Apenas através da união dos esforços nós livraremos essa terra e o resto de Poznan das ondas da privatização. Um inverno e uma primavera agitados estão chegando, pois Darex certamente não vai desistir.

zb

Fonte: https://freedomnews.org.uk/poland-anarchists-successfully-stop-allotment-gardens-eviction/

Tradução > Brulego

agência de notícias anarquistas-ana

Céu de primavera.
Nas açucenas floridas
dura mais o orvalho.

Anibal Beça

[Chile] Comunicado da companheira anarquista Mónica Caballero

“A prisão é o único lugar onde o poder pode manifestar-se ao natural em suas dimensões mais excessivas e justificar-se como poder natural” – Michael Foucault

A medida que se eliminam as medidas restritivas tomadas pelo Estado para prevenir o contágio do vírus Covid-19 os templos do consumo se abrem, o fluxo mercantil não se detêm. Enquanto centenas (ou talvez milhares) enchem as grandes lojas saciando sua sede de adquirir mercadoria, se mantêm a proibição dentro dos cárceres chilenos para que os presos possam ser visitados por seus seres queridos.

Que os presos possam ver presencialmente seus amigos e familiares é irrelevante para a economia, já que os réus não produzem nada, portanto não geram mais valia e sua capacidade de consumo não muda estando mais ou menos isolados. Os poderosos não se incomodam em gerar as condições para que se retomem as visitas nas prisões já que não lhes beneficia em nada.

O coronavírus trouxe consigo mais e melhores medidas de controle e isolamento para todo o conjunto da população, as prisões não foram a exceção. O controle e o isolamento são parte das formas fundamentais dos cárceres e ao mesmo tempo seria a estrutura principalmente de castigo.

A prevenção e o cuidado de possíveis contágios de Covid-19, para muitos parecia ser um sólido argumento para perpetuar o isolamento, argumento que ao passar dos meses nos quais os presos não puderam abraçar a seus amados não é mais que um excesso injustificado… Outra forma mais de castigo.

O isolamento nunca é casual nem arbitrário, em ocasiões ganha matizes de política estatal vingativa, o exemplo mais claro é o caso de Mauricio Hernández Norambuena, que esteve recluso no regime de extremo isolamento (RDD) no território dominado pelo estado brasileiro durante 17 anos, no ano de 2019 foi transladado ao cárcere de Alta Segurança em Santiago, ainda que suas condições carcerárias são “um pouco melhores”, mas ele ainda continua isolado.

A dominação tem múltiplas relações de poder, as quais se queremos destruí-las é necessário visibilizar, entender e atacar.

Mão aberta ao companheiro, punho fechado ao inimigo!

Mónica Caballero Sepúlveda

Presa anarquista

Novembro 2020

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/10/29/chile-sobre-a-situacao-dos-companheiros-francisco-solar-e-monica-caballero/

agência de notícias anarquistas – ana

jardim da minha amiga
todo mundo feliz
até a formiga

Paulo Leminski

Ricos levam à degradação ambiental

As pessoas mais ricas do mundo são as grandes responsáveis pela maioria dos impactos ambientais, como a perda de biodiversidade ou aqueles provocados pelo aquecimento global. Sem reformas que abordem a questão da afluência, não será possível alcançar condições ambientais mais seguras e sustentáveis, alertou artigo publicado no jornal ‘Nature Communications’.

A atividade humana tem provocado tendências de grave degradação ambiental, que modificam os ecossistemas do planeta. As sociedades modernas falharam ao não implantarem soluções duradouras e efetivas para os problemas ambientais.

A degradação ambiental se tornou um risco existencial aos sistemas naturais e econômicos. E por trás dessa tendência insustentável, estariam a população mundial, o crescimento econômico e a afluência. No entanto, o artigo ressalta que ainda não havia sido claramente identificado o principal fator responsável pela exploração irracional dos recursos naturais.

Consumo excessivo

Os pesquisadores realizaram uma revisão de literatura científica, em busca de evidências sobre o fator mais determinante por trás de impactos ambientais e sociais. Utilizou-se como foco os estudos com abordagem holística, que associavam o consumo aos impactos da cadeia de produção e distribuição, independentemente de onde estes ocorriam.

Identificou-se na literatura evidências uma relação proporcional entre consumo e impactos ambientais e sociais. O consumo se mostrou o principal fator associado aos impactos em todo o mundo, superando em grande medida outras variáveis, como, por exemplo, demografia, idade ou moradia.

A proporcionalidade observada entre o consumo e os impactos diminui um pouco com o aumento da renda. Contudo, somente a intensidade do impacto do consumo registra queda, enquanto que os impactos absolutos sobem conforme cresce a renda e o consumo.

A maioria da literatura consultada aponta para dois elementos ligados aos impactos sociais e ambientais: as mudanças tecnológicas e o consumo per capita. A tecnologia tem o potencial de retardar os impactos. O consumo per capita, de acelerar.

Avaliações de tendências temporais revelam que o crescimento do consumo ultrapassou muito os efeitos positivos introduzidos por mudanças tecnológicas nas últimas décadas. Dessa forma, ganhos trazidos pela tecnologia foram reduzidos ou cancelados pelo aumento do consumo, com os impactos continuando a se agravar.

Super ricos, com super impactos

Para reverter a deterioração dos sistemas naturais e sociais, deve-se dissociar rapidamente a atividade econômica do impactos negativos. E mesmo que países ricos do Hemisfério Norte tenham apresentado melhoras nesse sentido, o artigo aponta que, no futuro próximo, eles não conseguirão cumprir essa meta.

A renda está fortemente ligada ao consumo. Este, por sua vez, está ligado a impactos negativos. As grandes desigualdades de renda provocam igualmente grandes desigualdades de impacto. Estima-se que os 10% mais ricos do mundo respondam por 25% a 43% do impacto ambiental. Os 10% mais pobres – uma parcela muitas vezes maior da população mundial – estariam ligados a somente cerca de 3% a 5% dos impactos.

Não se trata apenas de diferenciar entre países ricos e pobres. Inclui também o segmento mais rico dentro de cada país, aqueles indivíduos que concentram entre 1% e 10% da riqueza nacional. Eles fomentam o uso exploratório dos recursos naturais por meio do consumo excessivo, por seus investimentos e por liderar as normas de consumo do restante da população.

Soluções radicais

O artigo identificou duas linhas gerais de soluções de transformação das sociedades modernas. O primeiro grupo, chamado e reformista, se caracteriza por propostas que preservam as instituições dominantes do presente, como estados democráticos centralizados e economias de mercado.

Esse grupo contempla um conjunto bastante heterogêneo de propostas. Elas visam eliminar o crescimento da produção e do consumo, de modo a dissociar a economia dos impactos ambientais. Incluem medidas como impostos e tributações ecológicos, investimentos verdes, introdução de rendas mínimas e máximas, redução de jornadas de trabalho, entre outras.

O segundo grupo entende que as soluções implicarão em uma transformação mais profunda nas sociedades, que deixariam de ser capitalistas. Uma vertente considera os estados democráticos centralizados atuais como vetores importantes para essa transformação, enquanto que outra vertente considera formas diferentes de democracia participativa.

A proposta é promover a redução e modificação da economia, de forma que ela se torne estacionária, socialmente justa e em equilíbrio com os limites ecológicos. Com isso, diminuiriam os fluxos de energia e recursos através de uma economia, garantindo-se o bem-estar.

Entre a frigideira e o fogo

Seguindo-se a trajetória atual, o bem-estar humano e o equilíbrio natural ficarão comprometidos. Evitar esse cenário implicaria em eliminar a afluência e o consumo excessivo, que comandam a economia mundial e impulsionam os impactos ambientais e sociais.

As sociedade modernas se encontram entre a frigideira e o fogo. Por enquanto, a opção tem sido o fogo.

Fonte: https://cienciaeclima.com.br/mais-ricos-levam-a-degradacao-ambiental/

agência de notícias anarquistas-ana

Bem que me agasalho.
Galhos sem folhas lá fora
parecem ter frio.

Anibal Beça

[Espanha] Jogadora protesta contra Maradona e diz que recebeu ameaças de morte

Paula Dapena, jogadora do clube Viajes Interrías FF, da Espanha, protestou durante o minuto de silêncio em memória a Diego Maradona antes do amistoso contra o Deportivo Abanca. Por conta do gesto, a atleta contou que recebeu ameaças de morte.

Durante a homenagem a Maradona, Paula sentou-se no gramado e virou de costas, enquanto as demais jogadoras estavam em pé.

“No clube, estão todos comigo. Eu recebi muito apoio nas redes sociais, mas também recebi ameaças de morte tanto eu quanto minhas companheiras de time”, disse à Rádio Marca.

“Quinta-feira foi o dia contra a violência de gênero, e um minuto de silêncio foi observado por um homem que foi reconhecido como abusador, e não pelas vítimas. Meus ideais feministas não permitiam homenagear Maradona”, declarou.

A jogadora ainda afirmou que não consegue separar o Maradona jogador do Maradona pessoa.

“Para mim, Maradona foi um jogador espetacular, mas como pessoa deixou muito a desejar. Para mim, é preciso ter valores acima das habilidades.”

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

o rio ao lado da estrada
corre
ri à gargalhada

Eugénia Tabosa

[Espanha] Os ricos pedem austeridade para os pobres

O Fundo Monetário Internacional (FMI), que diz tão pouco (ou nada) sobre corrupção, exploração infantil ou insegurança no emprego, tem uma estranha fixação nas pensões e nos modestos salários dos trabalhadores. Apesar de o montante desses pagamentos ter sido congelado e cortado durante anos, os principais líderes do FMI aproveitam quaisquer aparições públicas para culpar as pensões e recomendam o abandono do sistema público como uma exigência, quase que exclusivamente, para superar as crises cíclicas do modelo econômico atual.

A alarmante perda de independência e espírito crítico pela maioria da profissão jornalística não é uma tendência exclusiva da mídia privada e pública espanhola, mas nos coloca muito à frente do resto dos países ao nosso redor. Se este não fosse o caso, não se entenderia que estas rotinas dos porta-vozes do capitalismo internacional recebem destaque e credibilidade; supostos especialistas cujos salários são pelo menos doze vezes mais altos do que o salário médio ou pensão na Espanha. A mesma unanimidade é produzida quando a ordem é para silenciar vozes dissidentes ou ignorar as lutas de organizações e grupos que estão descontentes com o regime.

O mais recente desses sermões neoliberais foi entregue pelo chefe da missão do FMI na Espanha, Andrea Schaechter, que alertou o quanto perigoso poderia ser o acordo para aumentar em 0,9% as pensões e salários dos funcionários públicos em nosso país. Ao mesmo tempo, ela aproveitou a receptividade das autoridades e da mídia para salientar a necessidade de apoio público às empresas privadas e para reiterar a conveniência de liberalizar o sistema de aposentadoria.

Com exceção dos trabalhadores autônomos e das PMEs, não parece que a situação dos empregadores seja tão delicada quanto a de um terço das famílias espanholas que já estão imersas ou seriamente ameaçadas pela pobreza, pois ao mesmo tempo em que a Sra. Schaechter nos alertou sobre o risco de aumentar a renda dos trabalhadores, ativos ou aposentados, o mercado acionário espanhol estava passando por um aumento semanal de 13,52%, o maior aumento nos últimos 22 anos.

Este movimento ascendente no pregão é devido, de acordo com as opiniões expressas nos suplementos de cor sépia, ao anúncio de uma próxima vacina contra a Covid-19 pela empresa farmacêutica Pfizer.

Não seria justo dar aos líderes internacionais todo o crédito pelas campanhas em favor da moderação nos gastos sociais, pois na casta governante nacional também temos figuras importantes que não se esquivam de falar o que pensam. Antonio Garamendi, o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), cujo salário é superior a 300.000 euros por ano, criticou o aumento de 0,9% nos funcionários públicos e aposentados. O governador do Banco da Espanha, Pablo Hernández de Cos, também se pronunciou contra este aumento salarial para funcionários públicos, alegando que o IPC anual é inferior a esta porcentagem. Além de não ir ao mercado e ver os preços subirem, Hernández de Cos parece esquecer que os funcionários públicos – como muitos outros trabalhadores – sofreram anos de congelamento e cortes. Neste caso, o insulto é muito maior porque o salário concedido a esse cargo (186.000 euros em 2017) provém dos cofres públicos.

E para terminar, nada melhor do que lembrar algumas das declarações dos empresários modelos deste país: Juan Roig (dono de Mercadona) não corta um centavo e nos pede para pensar mais em termos de “picareta e pá” e menos sobre a vacina; Ignacio Goirigolzarri (presidente da Bankia) também não esconde e diz que temos que nos preocupar tanto com a economia quanto com a saúde. Quanto a Amancio Ortega (nº 1 dos mais ricos da Espanha), ele não hesitou, apesar de sua crescente riqueza, em aproveitar o ERTE e a redução de pessoal para “modernizar” os negócios da Inditex. Por sua vez, Ana Botín, presidente do Banco Santander, que agora se orgulha de ser uma feminista, anunciou que está assumindo outros 4.000 empregos e está aplicando 1.000 transferências a fim de fechar um terço de suas agências bancárias.

Apesar das evidências de que o dinheiro não está nos livros dos aposentados, os responsáveis ainda estão tentando tornar os já pobres mais precários e empobrecidos.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/los-ricos-piden-austeridad-a-los-pobres

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa

Guimarães Rosa