Parte I | Vença Quem Vencer, As Ganhadoras Serão As Mesmas: Um Posicionamento Ácrata Sobre As Eleições Presidenciais de 2022

Por V4N0L1 | 26/09/2022

Esquerda ou Direita: A Questão

Um jovem colega de trabalho identificado com a esquerda me perguntou sobre quem eu acho que irá ganhar a eleição presidencial de 2022: respondi que, em minha concepção, no que tange ao que considero como sendo as questões fundamentais, vença quem vencer, as ganhadoras serão as mesmas. Mas isto, após ter fundamentado longamente meu ponto de vista, segundo uma linha de análise que passo a reproduzir aqui em linhas gerais.

Esquerda X Direita: Uma Experiência Internacional Recente

Estudei na Europa em meados dos anos dez e, na França, onde morei, pude verificar in loco os rumos tomados pelo então governo de esquerda (em tempo: neste texto tratamos da esquerda dita “social democrática”, obviamente) do ex presidente François Hollande (o “companheiro Hollande”, assim chamado pelos ex presidentes do Brasil, Lula e Dilma, pelo fato de integrarem o mesmo espectro político “progressista”). François Hollande foi eleito em disputa com representantes da direita francesa, como uma contraposição ao conservadorismo.

A despeito do alijamento da direita da cena do poder executivo, foi no período do governo Hollande que se fez reformas trabalhista e da previdência (ambas propostas pelo próprio presidente) de cunho neoliberal – posto que a primeira “flexibilizou” as relações de trabalho (leia-se: precarizou), como o neoliberalismo tanto advoga; enquanto a segunda imprimiu uma carga de sacrifícios maiores para os trabalhadores como condição para acenderem à aposentadoria -, a tal ponto que o processo de discussão e aprovação destas reformas foi marcado por uma série de grandes protestos populares nas ruas de Paris em rechaço à sua proposição (protestos estes que foram duramente reprimidos pelas forças governamentais).

Foi ainda durante o governo Hollande que se reativou, após os atentados de treze de novembro de dois mil e quinze, um mecanismo legal instituído durante a guerra de descolonização da Argélia que é próprio de um regime de exceção, L’état d’urgence (“O Estado de Urgência”). Esse mecanismo, além de franquear a ocupação das ruas por forças militares, permite que se suspendam sumariamente direitos constitucionalmente garantidos de cidadãos que possam em algum momento cair sob suspeição das autoridades policiais, desencadeando a partir daí a eclosão de relatos na imprensa sobre residências de cidadãos de ascendência árabe (em geral, jovens) sendo invadidas por equipes policiais sem mandado judicial, e seus ocupantes sendo enviados sumariamente para penitenciárias de segurança máxima sem nenhum julgamento e/ou averiguação judicial preliminar mais criteriosa das suspeitas policiais pairando sobre eles: como se pode deduzir de todo este contexto, não faltaram relatos de práticas de tortura psicológica e de destruição intencional de patrimônio praticadas contra os cidadãos atingidos pela onda de “revanchismo” policial fascista e xenófoba que escalou a partir daí contra a comunidade árabe.

E mesmo sob críticas generalizadas, entre elas, inclusive, muitas oriundas de grupos de pesquisadores do tema do que se passou a ser visto como um “novo terrorismo islâmico” – caracterizado pela adesão maior de jovens de ascendência árabe mas nascidos e educados na França, aliciados via internet e que, até o momento de seu aliciamento, surpreendentemente, não eram adeptos do islamismo – e de educadores de centros estatais de cultura da juventude em bairros de imigrantes – críticas estas que apontavam para a responsabilidade histórica do sistema francês no fenômeno do sentimento de exclusão que estaria por trás da revolta desta parcela da juventude descendente de imigrantes que viria tendo estes sentimentos “capturados” por organizações terroristas para direcioná-los para seus fins de extremismo religioso o que, consequentemente, não seria revertido simplesmente pela mera abordagem repressora, a qual só apontaria para o descomprometimento do establishment para com uma abordagem mais profunda da questão -, ainda assim, o governo Hollande tencionou tornar “O Estado de Urgência” um mecanismo perenizado pela constituição.

Ainda sob o governo Hollande desenrolou-se um longo e grave embate entre o Estado (mais especificamente o governo central) e grupos civis contra culturais àcratas em defesa do meio ambiente, embate este configurado em torno da questão de Notre Dame des Landes: tratou-se aí de um ato de resgate por parte do governo Hollande de um projeto de uma mega obra de engenharia proposto em governos anteriores mas ainda não iniciado até então por motivos do seu caráter altamente delicado tanto em termos sociais quanto ambientais, qual seja: a construção sobre o território de uma vasta área verde com status de reserva ambiental – situada em Notre Dame des Landes – de uma mega estrutura que deveria vir a ser o maior aeroporto da Europa. 

Conforme já antecipei, esse verdadeiro ato de uma agressão ambiental e social de dimensões escandalosas, “justificado” pelo governo em nome do desenvolvimento econômico da nação (“pra variar”), desencadeou um vigoroso movimento de reação da parte de diversos grupos da sociedade civil com caracteres de movimentos contra culturais ácratas em defesa do meio ambiente. O longo embate que se desenrolou a partir daí tomou rumos dramáticos, posto que os aludidos grupos contra culturais e ecologistas se estabeleceram na floresta ameaçada, passando a habitar a área para barrarem in loco a devastação planejada pelo governo (eu conheci pessoalmente o prédio de uma grande ocupação urbana em Paris – passei uma noite lá, a “Transfo”, onde se fabricava artesanalmente, com materiais ecológicos, equipamentos de geração de energia eólica que eram enviados de caminhão até Notre Dames des Landes para viabilizar a permanência da resistência ali, assim como produziam também – a okupa – adereços para os atos públicos de protestos que a resistência realizava nas comunidades agrícolas da região). Seguiu-se daí uma série de confrontos físicos ocorridos no meio da mata, entre equipes policiais de choque e a resistência civil, confrontos estes que, como era de se esperar, resultaram em vários prejuízos em termos de perdas e danos a várias pessoas neles envolvidas. Após vários destes confrontos, percebendo que não estava obtendo êxito e, ainda por cima, estava perdendo também a batalha pela opinião pública (as pesquisas demonstravam que a maioria da população local se posicionava contrária ao projeto de construção do mega aeroporto, pois sabiam que a obra iria arruinar a economia tradicional das suas comunidades), o governo decidiu mudar de estratégia, cooptando dirigentes de associações representativas de agricultores locais e empreendendo uma consulta pública em nível nacional (afinal, em se tratando dos cidadãos que não residiam em Notre Dame des Landes, como diz o ditado, “o que os olhos não vêem, o coração não sente”: o que as empresas de comunicação não fazem com dinheiro público?). Neste ponto, é preciso dizer que até mesmo do ponto de vista estritamente técnico, de engenharia, o projeto do mega aeroporto tinha sido seriamente questionado por muitos especialistas da área, que afirmavam que a relação custo/benefício da obra levava a concluir que a mesma não valia a pena, posto que a mesma capacidade de trânsito que ela iria oferecer poderia ser obtida a custos muito menores pela simples ampliação do aeroporto Charles de Gaulle.         

Valendo-se destes estratagemas de manipulações desleais, o governo logrou construir o artifício de um alegado apoio da opinião pública ao projeto do mega aeroporto, legitimando a partir disto uma ação de fôlego inédito para expulsar a resistência para fora da floresta. Porém, ante à disposição da resistência em continuar levando adiante as denúncias contra o caráter eco-sociocida do projeto, o governo decidiu suspender o início das obras.

Seria necessário ainda responder à pergunta “a quem interessaria a construção do mega aeroporto de Notre Dames des Landes? Seria?

Continuará…

agência de notícias anarquistas-ana

Olha o velho lago –
Após o salto da rã
O barulho da água.

Bashô

[Canadá] Feira do Livro Anarquista de Victoria

Acontece em 24 e 25 de setembro, no Fernwood Community Centre, Victoria, BC, Lekwungen Territory.

Temos o prazer de anunciar mais uma edição da anual Feira do Livro Anarquista de Victoria, localizada no território dos Lekwungen, que é originalmente deles, em Victoria, na Colúmbia Britânica (Canadá). A Feira do Livro é para anarquistas e não anarquistas, com participantes de toda a América do Norte e além. A Feira do Livro sempre inclui oficinas sobre uma ampla gama de assuntos. Nós procuramos desafiar atitudes coloniais, introduzir o anarquismo para o público, fomentar diálogo entre várias tradições políticas e criar espaços radicais, inclusivos e anti-opressivos.

Participantes com diferentes visões, práticas e tradições são bem-vindos. A programação inclui mesas de livros e informações, oficinas, leituras, filmes, apresentações, e muito mais!

O coletivo da Feira do Livro Anarquista de Victoria apoia a luta de indígenas ao longo da América do Norte para afirmar sua autonomia cultural e soberania territorial. Victoria está localizada nos tradicionais territórios sobrepostos dos povos Songhees e Esquimalt, que tem resistido a tomada de suas terras e repetidas tentativas de obliterar sua cultura através de múltiplas forças colonizadoras. A resiliência e força dessas e outras comunidades, que fazem conexões ancestrais nessa região em face da injustiça, nos desafiam a apoiá-los e a todos os indígenas na contínua luta contra o colonialismo, o
capitalismo e o genocídio cultural.

>> Mais infos: http://victoriaanarchistbookfair.ca/

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durmo sob uma oliveira
com o musgo
por travesseiro

Rogério Martins

[Espanha] Este 24S vamos encher Madri de Solidariedade

A CNT chama a participar da manifestação que ocorrerá em Madri, neste sábado, 24 de setembro, para denunciar a criminalização da ação sindical e exigir a absolvição imediata das seis sindicalistas condenadas à prisão em Gijón. Uma jornada de luta que será o ponto alto da campanha “Fazer sindicalismo não é crime” que está encontrando tanto eco entre diferentes organizações e indivíduos.

Seis sindicalistas da CNT de Gijón foram condenadas a três anos e meio de prisão e 150.000 euros de multa por participarem da campanha de apoio a uma trabalhadora da confeitaria La Suiza em Gijón.

Ocupar as ruas e encher Madri de solidariedade porque as redes sociais já estão cheias e é hora de acompanhar as seis companheiras condenadas. Uma jornada que esperamos seja multitudinária e que mostre a rejeição da sentença judicial no caso da Confeitaria La Suiza de Xixón que condenou 6 sindicalistas a penas de prisão por exercerem a atividade sindical dentro da mais estrita legalidade. A jornada começará cedo para todos aqueles que vêm de ônibus de diferentes partes do estado.

Às 12h30 começará a manifestação diante do Ministério da Justiça e às 14h30 as sindicalistas condenadas, porta-vozes da CNT e de outras organizações solidárias devem falar ao final da manifestação. Miguel Grimaldo se apresentará para encerrar a manhã. Após o almoço organizado para todos os afiliados que vêm se manifestar, a Fundação de Estudos Libertários Anselmo Lorenzo abre suas portas na Rua Peñuelas, 41, às 16h30, para convidar para um café e para sediar os eventos culturais da tarde. “Chiqui Juegos” às 18h na praça Peñuelas e, ao mesmo tempo, a FAL acolhe o festival “Voces contra la Represión” (Vozes contra a Repressão) com a participação de María Ángeles Maeso, Giovanni Collazos, Lora García, Gsús BOnilla, Paula Maseda e Rubén Ruiz. A jornada terminará no mesmo local com a exposição “No solo duelen los golpes” da artista Pamela Palenciano.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/este-24s-vamos-a-llenar-madrid-de-solidaridad/?fbclid=IwAR3QIeX_tb9Gs1GOA2WUV5xt1QkADImMsJhqVuKAz2pmVClu5zl7GIFUxz8

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Manchas de tarde
na água. E um vôo branco
transborda a paisagem.

Yeda Prates Bernis

[Espanha] As seis de “La Suiza” ou como tentar reprimir a luta sindical, social e feminista

Por Araceli Pulpillo| 21/09/2022

Com a sentença contra as seis sindicalistas da CNT Xixón, parece que não só as ferramentas de solidariedade da classe trabalhadora estão sob ataque, mas também um modelo sindical que defende as seções sindicais e não os comitês de empresa.

São seis horas da manhã, você sai da cama com náusea, vai ao banheiro, lava as mãos, os dentes, o rosto. Você se olha no espelho, você olha para os olhos que olham para você no espelho. Você suspira. Você toca sua barriga com alguma inquietação. Você pensa: gravidez arriscada. Você vai para a cozinha, serve um pouco de café e bebe. Você deixa a casa e vai direto para o trabalho. Direto para esse trabalho infernal.

Hoje a caminho da confeitaria você não aguenta mais, não pode parar de pensar nas mais de oitenta horas extras que trabalha por mês sem ser paga; não pode parar de pensar nas férias que o chefe não lhe dá; não pode parar de pensar no assédio sexual a que está exposta em seu trabalho por causa das besteiras do chefe; pensa sobre a gravidez arriscada. Você suspira. Você começa seu dia de trabalho. Depois vem a licença médica para a gravidez. Você não aguenta mais. Você vai ao sindicato para aconselhamento e apoio, você começa a lhes contar sobre cada ilegalidade/irregularidade/abuso que tenha sido cometido em seu local de trabalho. Você percebe a necessidade de lutar por seus direitos. Você se organiza. O medo começa a desaparecer e você faz tudo o que pode para obter justiça.

Esta pequena história pode ser qualquer um dos milhares e milhares de casos na Espanha em que ilegalidades/irregularidades/abusos são cometidas no local de trabalho. Quem sabe, talvez quando você o ler, você possa se reconhecer nele, em algumas de suas partes, ou talvez você possa reconhecer seu vizinho, seu irmão, seu primo, seu melhor amigo, sua mãe. Você também poderia complementá-la com outros abusos derivados de outras condições precárias de trabalho ou derivados das diferentes interseções que você carrega.

Pensando nesta história, continuo me fazendo a mesma pergunta: o que dizer da complexa teia de relações patrão-empregado? Neste caso estamos falando do não pagamento de horas extras, uma situação de risco devido à perda fetal, assédio sexual e assédio no trabalho. A comunicação desta situação – ou qualquer outra – deve envolver um tratamento abrangente de todos estes eventos, incluindo as diferentes interseções. Além disso, o que acontece quando o juiz que julga os fatos não o faz com uma perspectiva de gênero ou interseccional, o que acontece quando você apresenta uma queixa e o juiz é conhecido por suas relações com os empregadores, sua perseguição aos trabalhadores e seu conservadorismo, ou quando é um misógino que acaba arquivando uma queixa de assédio sexual no trabalho?

A história que eu estava contando no início é muito real. É a história de uma mulher de Xixón que, em 2017, trabalhou na confeitaria La Suiza (A Suíça). Ela não aguentou mais e por isso foi ao sindicato da CNT para apresentar seu caso, obter conselhos, reivindicar seus direitos e se organizar contra os abusos já expostos. É por isso que o sindicato fez do conflito o seu próprio conflito. Foi a público e realizou reuniões com o chefe, que se recusou a chegar a um acordo. Isto levou a comícios na porta da confeitaria: uma ferramenta sindical que a CNT colocou em prática para tornar o conflito visível e assim poder negociar. Uma ferramenta legítima da classe trabalhadora que é protegida pelos direitos de liberdade de associação, liberdade de expressão e liberdade de manifestação.

A surpresa foi que, depois que a polícia identificou as companheiras em um desses comícios, começaram a chegar prisões e reclamações. Assim começou um longo processo legal que durou até hoje, e que agora resultou em uma sentença do Tribunal Superior de Justiça das Astúrias, que condenou seis companheiras da CNT Xixón a três anos e meio de prisão por “coação grave” e “obstrução à justiça” e uma multa de 150.428 euros.

Esta frase parece estabelecer um precedente para um ataque frontal ao movimento sindical e suas ferramentas de luta. A decisão judicial parece ser um ataque não apenas às ferramentas de solidariedade da classe trabalhadora, mas também a um modelo sindical que defende as seções sindicais e não os comitês de trabalhadores ou delegados de pessoal. Um modelo comprometido com a tomada de decisões e a participação real da força de trabalho na empresa, e que se baseia nos princípios da horizontalidade, transversalidade, solidariedade e independência. Um modelo que se coloca ao lado de outros movimentos sociais e sindicais que praticam a mesma abordagem.

O caso das Seis de La Suiza não é um caso isolado, é parte do endurecimento da repressão sindical e social resultante da lei da mordaça. Vêm à mente numerosos processos de diferentes áreas: El Coño Insumiso em Sevilha e Málaga, a perseguição do movimento feminista valenciano após a greve dos 8M de 2018 ou o No Caso del 14N em Logroño após a greve geral de 2012. É por isso que esta frase nos afeta a todos. Assim, em 22 de setembro, às 18h30, no Ateneu La Maliciosa em Madri, o feminismo refletirá sobre esta frase em um evento que também pode ser visto on-line.

A poetisa nicaraguense Gioconda Belli escreveu que “a solidariedade é a ternura dos povos”, e é claro que é. Solidariedade é o apoio mútuo entre os povos, entre bairros, entre coletivos, sindicatos, amigos e vizinhos. A solidariedade é uma arma carregada de luta que, diante de qualquer tipo de repressão, se manifesta como um punho – e uma carícia: “Eles nos condenam por sermos mulheres que cuidam das mulheres, por sermos solidárias, por não ficarmos caladas, eles nos condenam porque não nos conformamos, porque nem nosso corpo nem nossa dignidade estão à venda, eles nos condenam porque, mesmo com medo, não recuamos”, disseram duas das seis de La Suiza em uma entrevista para El Salto.

Diante da repressão: solidariedade e não recuo. Para colocar nossos corpos e nossas palavras, nossos afetos e nossa fúria. Em 24 de setembro, a CNT convocou uma manifestação em Madri, às 12h30 em frente ao Ministério da Justiça, sob o lema “O sindicalismo não é crime”.

Nós temos muito em jogo, é por isso que eu estarei lá, e você?

Fonte: https://www.pikaramagazine.com/2022/09/las-seis-de-la-suiza-o-como-intentar-reprimir-la-lucha-sindical-social-y-feminista/?

Tradução > Liberto

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estrela do mar
abraça a areia
para a beijar

Carlos Seabra

[Espanha] Manifestação em Madri em solidariedade com as seis sindicalistas da CNT Xixón condenadas à prisão

A CNT convocou uma grande manifestação em 24 de setembro (12h30min, em frente ao Ministério da Justiça) para exigir a absolvição imediata das seis sindicalistas condenadas à prisão pelo exercício legal da ação sindical no contexto do conflito entre o sindicato e a empresa La Suiza em Gijón/Xixón.

A marcha acontecerá sob o slogan “Fazer sindicalismo não é crime”, diante de uma convicção que, de fato, torna impossível o exercício da ação sindical e restringe severamente os direitos civis, como a liberdade de expressão e manifestação. A CNT está confiante de que a manifestação será maciça e reunirá todas aquelas organizações, coletivos e indivíduos que se sentem solidários com o povo condenado e comprometidos com o golpe repressivo de sua perseguição e condenação.

Um ataque direto às ferramentas da luta sindical e do protesto social

Seis camaradas da CNT Astúrias foram condenadas a três anos e meio de prisão por “coação grave” e “obstrução à justiça”, bem como a uma multa de 150.000 euros. A sentença absolutamente absurda é um ataque direto às ferramentas sindicais que a própria lei prevê para a defesa das trabalhadoras. Um ataque que criminaliza as formas tradicionais de protesto social e sindical e que vem em um momento em que se anuncia um “outono quente” diante da crise econômica, da inflação e do agravamento das condições de vida da classe trabalhadora.

Da CNT consideramos as decisões judiciais contra nossas camaradas como um ataque frontal à nossa forma de entender a ação sindical, entendida como uma defesa direta, não mediada, pública e firme das mulheres trabalhadoras contra os abusos dos patrões. Mas também acreditamos que a seriedade das condenações, que, se realizadas, levariam à prisão de nossas camaradas, é um ataque direto ao sindicalismo de base e militante como um todo e a qualquer forma de protesto social que continua comprometido em estar presente nas ruas como uma forma de defesa dos direitos.

Por todas estas razões, encorajamos e convidamos toda a classe trabalhadora e os cidadãos em geral a se manifestarem em Madri no próximo sábado, 24 de setembro às 12h30 em frente à sede do Ministério da Justiça (C/ San Bernardo, 45) para mostrar nosso repúdio a esta sentença judicial e para mostrar apoio as camaradas ameaçadas de prisão.

#HacerSindicalismoNoEsDelito

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Paira no ar por um instante
A figura de um menino,
Saltitante.

Sérgio Sanches

[Espanha] O empresariado hoteleiro de Xixón, emprega a guerra suja contra sindicalistas

Diante do ataque direto ao sindicalismo combativo por parte do empresariado hoteleiro de Xixón, do ataque às mulheres organizadas e diante de todos os abusos sofridos pela classe trabalhadora, cujo único objetivo é nos desmobilizar e nos coagir através do medo e da repressão, em 24S vamos a Madri para mostrar que elas não estão sozinhas, que somos muitas e que eles não vão nos deter.

#HacerSindicalismoNoEsDelito El 24S nos manifestamos en Madrid La patronal nos quiere solas y sumisas, nos tendrán unidas y combativas #SolidaridadCNTXixon

>> Vídeos:

https://www.youtube.com/watch?v=7-glMki1FzM&t=19s

https://www.youtube.com/watch?v=TElQiHGY1Do&feature=emb_title

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Porque não sabemos o nome
Tenho de exclamar apenas:
“Quantas flores amarelas!”

Paulo Franchetti

[Espanha] A CGT recebe em Madri as sindicalistas condenadas no caso de ‘La Suiza’ de Gijón

O encontro foi realizado na sede confederal da CGT alguns dias antes da mobilização que a CNT está preparando em Madri, em frente ao Ministério da Justiça, contra os abusos dos patrões e a perseguição policial e judicial do sindicalismo combativo e de classe.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) realizou uma reunião na terça-feira, 20 de setembro, com as companheiras sindicalistas condenadas no caso da confeitaria ‘La Suiza’, em Gijón (Astúrias). Desta forma, a CGT quis apoiar a luta destas companheiras e também mostrar sua preocupação com o aumento das montagens policiais e processos judiciais contra a classe trabalhadora, o sindicalismo militante e o movimento libertário nos últimos anos.

“O sindicalismo não é um crime”, é a campanha de conscientização em favor da luta dos trabalhadores que a CNT lançou após saber que seis trabalhadoras poderiam ir para a prisão por exercerem seu direito fundamental à liberdade sindical.  Os fatos datam de 2017, quando uma trabalhadora da confeitaria ‘La Suiza’ denunciou as deploráveis condições de trabalho que tinha na empresa de José Álvarez Rodríguez. O empresário permitiu que esta mulher trabalhasse por dois anos fazendo horas extras não remuneradas e não aproveitando suas férias. Além disso, ele fez comentários sobre suas roupas íntimas e até enviou imagens de conteúdo sexual. Quando a trabalhadora decidiu pôr um fim a esta situação, o assédio no trabalho começou e o lugar para onde ela ia todos os dias para ganhar a vida tornou-se um lugar insuportável. Porém, o pior veio depois, quando a funcionária em questão informou a empresa sobre sua gravidez. A carga de trabalho para ela aumentou e em duas ocasiões ela temeu pela vida de seu bebê.

A CNT sempre apoiou esta companheira e o fez diante e em frente às instalações físicas da confeitaria. Em suas ações pacíficas de protesto, as e os anarcossindicalistas exigiram o pagamento do que a proprietária da empresa devia a companheira assediada, mas também visavam destacar o tratamento indigno que essa pessoa estava sofrendo, primeiro porque ela era operária e depois porque era mulher. A CNT, como qualquer organização de classe, militante e feminista faria, agiu com base no princípio de que nenhuma agressão pode ficar sem resposta.

A família proprietária da ‘La Suiza’ é poderosa e tem múltiplos contatos nos círculos do poder: polícia, juízes, políticos. Não hesitou em tocar a todos que pudesse e iniciar uma campanha de difamação contra a trabalhadora, contra a CNT e contra o sindicalismo, que entende a ação direta, o apoio mútuo e a solidariedade entre os trabalhadores e trabalhadoras como a melhor arma.  A justiça já foi pronunciada e graças ao “trabalho” policial, a serviço da classe política e empresarial, cada companheira foi condenada a 3 anos de prisão e a pagar um total de mais de 150.000 euros à família da confeitaria.

Este caso é sem dúvida um dos mais graves que ocorreram nos últimos anos, pois combina elementos que já conhecemos muito bem: os aparatos policiais e a conivência dos poderes do Estado com o poder econômico. Mas o mais terrível são as elevadas penalidades e multas desproporcionais que foram impostas a essas companheiras por manifestações pacíficas e legalizadas diante de ações totalmente injustas por parte desta empresa.

Este ataque é uma agressão contra toda a classe trabalhadora, e é por isso que a CGT – que sabe bem o que é ter muitas companheiras processadas e reprimidas por fazer sindicalismo – expressou sua solidariedade com elas, e está chamando toda a sociedade a participar maciçamente da manifestação que está sendo preparada em Madri para este sábado, 24 de setembro, na Calle San Bernardo, 19, Madri, em frente ao Ministério da Justiça.

Por último, a CGT quis afirmar que a única saída para a classe trabalhadora é a barricada conjunta em um momento em que os governantes e suas leis viraram as costas à maioria social para favorecer o capital.

Fonte: https://cgt.org.es/cgt-recibe-en-madrid-a-las-sindicalistas-condenadas-en-el-caso-de-la-suiza-de-gijon/

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Tremendo de frio
no asfalto negro da rua
a criança chora.

Fanny Dupré

[Grécia] Agrinio: faixa para Zackie Oh e Pavlos Fyssa

Nove anos desde o assassinato do rapper antifascista Pavlos Fyssa (18-09-2013) pelos batalhões de assalto do Aurora Dourada em Keratsini, quatro anos desde o assassinato do ativista LGBTQ+ Zack Kostopoulos-Zackie Oh (21-09-2018) por “cidadãos de bem” e policiais no centro de Atenas.

Como parte da marcha antifascista, no dia 18 de setembro colocamos uma faixa na Praça Dimadi, em Agrinio.

NÃO ESQUECEMOS, NÃO PERDOAMOS, ESMAGAR SEMPRE FASCISTAS, PARAESTATAIS, CANIBAIS E O SISTEMA QUE OS CRIA E OS ALIMENTA.

Okupação Apertus

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Uma libélula –
À frente da bicicleta
Onde quer que eu vá.

Shôko Inomori

 

28/09 | Vídeo + Debate: O Voto Não Vai Nos Salvar do Fascismo | Outra Campanha 2022 em Porto Alegre (RS)

É um lema comum dentro dos nossos meios que nas eleições ou fora delas, sempre haverá resistência. E mais do que isso: votando ou não, o que importa é se organizar para lutar!

A Outra Campanha relembra os chamados do Movimento Zapatista no México que se levantaram por autodeterminação e convidam a todos os povos para se organizarem permanentemente, para além dos anos eleitorais.

Se vocês acreditam que é necessário fortalecer nossas comunidades e redes, nos organizar e construir fora dessa política institucional que disputa o Poder, que é necessário destruir o fascismo TODOS os dias… esperamos vocês para esse encontro!

>> Exibição do vídeo “O voto não vai nos salvar do fascismo”, do coletivo @antimidia_

19h, no Espaço.

Para mais informações sobre a Outra Campanha:

outracampanha.noblogs.org

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Grito de araponga –
É ela mesma que entrou
No mercado de flores!

Keijô Miyano

[Itália] Roma: interrupção da quermesse democrática em solidariedade com Alfredo Cospito

Na noite de 20 de setembro em Roma, interrompemos a quermesse democrática que aconteceu no cinema Troisi. Os convidados especiais da noite foram o filósofo crítico Noam Chomsky e o cineasta comprometido Ken Loach. Entramos com uma faixa que dizia: “Contra todas as prisões. 41 bis = tortura. Alfredo livre”, jogamos folhetos no local e lemos o seguinte texto.

FORA ALFREDO DO 41 BIS

TUDO LIVRE, TODOS LIVRES

Desde 5 de maio, nosso companheiro Alfredo Cospito está preso sob o regime de 41 bis.

O 41 bis é um regime de tortura institucionalizada, criado para isolar, silenciar e aniquilar o prisioneiro, tentando assim levá-lo a colaborar com a Justiça. Não queremos exigir prisões mais confortáveis, nem queremos ser vítimas. Somos contra todas as prisões, gostaríamos de vê-las queimar. Não estamos surpresos nem indignados, sabemos muito bem que tudo isso acontece dentro de um regime democrático. A democracia se baseia na aniquilação do inimigo interno e externo. Esta não é uma novidade ligada ao advento da chamada pandemia, este mecanismo é inerente à democracia representativa que, por proporcionar aos representantes, cria necessariamente uma lacuna intransponível com os representados. Simplesmente, nos últimos dois anos, pensamos que os regimes democráticos abandonaram suas máscaras: repressão para todos e todas, estados de emergência permanente, vacinação obrigatória, passes verdes, perseguição daqueles que não cumprem as regras, racionamento, etc. A situação é evidente por si mesma.

O Estado está nos dando um aviso: aqueles que divulgam práticas e ideias anarquistas e revolucionárias serão enterrados vivos. Exemplos disso são as recentes condenações de Juan Sorroche (28 anos de prisão por um ataque a uma sede legista [partido fascista]) e Anna Beniamino (condenada junto com Alfredo por ataque político, uma sentença de prisão perpétua). O aperto repressivo que estamos experimentando não pode passar despercebido, não podemos ficar atolados em esperar para ver. Estes são tempos difíceis, mas tempos melhores não virão se não agirmos agora.

É por isso que é importante exigir a desclassificação de Alfredo de 41 bis com todas as nossas forças, para divulgar ideias anarquistas e reivindicar as práticas pelas quais ele foi condenado, práticas que sempre fizeram parte do movimento anarquista.

Aos democratas e aos falsos críticos não temos nada a dizer… nós só queríamos estragar sua festa.

LIBERDADE PARA OS ANARQUISTAS INQUISITIVOS

MORTE AO ESTADO, VIVA À ANARQUIA

Fonte: https://fuoridallariserva.noblogs.org/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/02/italia-contra-o-41bis-solidariedade-com-o-companheiro-anarquista-alfredo-cospito/

agência de notícias anarquistas-ana

Ameixeiras brancas —
Assim a alva rompe as trevas
deste dia em diante.

Buson

[Itália] Manifestação em Gênova contra a repressão antianarquista

Atados em emergências sanitárias, guerras, repressão interna cada vez mais feroz, a crise energética, a recessão econômica, a erosão sistemática das liberdades individuais, o desmantelamento dos direitos adquiridos e o alargamento da brecha social, somos solicitados a realizar um ato de lealdade cega como o de um cão que, embora espancado, não se afasta do assédio de seu dono, da submissão resignada à inevitabilidade desses eventos: o coro de políticos de todas as cores, dos patrões, dos porta-vozes do regime, está mais uma vez nos propondo a promessa fátua da solução dos problemas que assolam a vida cotidiana da maioria, do bem comum, que será obtida, como é o caso, através de sacrifícios de “lágrimas e sangue” aos quais devemos também, ironicamente, dar nosso consentimento no balé eleitoral.

Parece-nos que este espetáculo é uma repetição dolorosa. O assentimento e a coesão social que nos são exigidos visa antes alimentar os interesses dos aparatos políticos e os negócios dos patrões econômicos, estes últimos já bastante coesos em vários níveis, que prosperam nas costas curvadas pela cadeia do trabalho e da necessidade.

Para nós, anarquistas, libertários, rebeldes, refratários à autoridade, o caminho parece claro: opor-se resolutamente a este poder que nos sufoca e contra o Estado, os homens e mulheres que o representam, contra as prisões e todos os lugares onde as pessoas estão presas, contra as instituições políticas e econômicas que especulam, saqueiam os recursos naturais do planeta e degradam nossas vidas.

Reivindicamos a necessidade do conflito contra este estado de coisas porque estamos conscientes de que a opressão que sofremos é o resultado de processos que estão se desenvolvendo historicamente de forma bem definida, que este sistema de exploração não terminará por si só, que cabe a nós, aqui e agora, perseguir a ideia de liberdade à qual aspiramos. E é a este choque que devolvemos, sem vitimização, o sentido de repressão quando ele é dirigido a nós: a repressão e as prisões continuarão a existir enquanto houver um Estado a derrubar e que fará todo o possível para não cair, desmascarando qualquer ilusão de justiça democrática.

Este confronto está enterrando na prisão muitas e muitos de nossos companheiros mais generosos, Anna, Alfredo Juan, Mónica, Francisco, Davide, Claudio, décadas na prisão, vidas inteiras enfrentando isolamento, censura e a violência física e psicológica de regimes de detenção muito rígidos. No entanto, eles defendem com unhas e dentes a ideia que mantêm viva em seus corações agitados.

Não queremos ser superados, sua coragem e perseverança inspiram nossos caminhos aqui. Desde 5 de maio, nosso companheiro Alfredo Cospito está preso na prisão de Bancali, perto de Sassari, em 41 bis, um regime de detenção extremamente duro, envolvendo isolamento quase total, ausência de sociabilidade e censura quase total da correspondência, a gravação da ligação telefônica mensal de 10 minutos e a conversa reduzida a uma hora por mês atrás de uma divisória sem possibilidade de qualquer contato físico, as buscas contínuas no corpo e na cela, a disponibilidade muito limitada de objetos mesmo de uso diário (roupas, livros, papel e caneta) e sempre sujeita à natureza arbitrária dos carcereiros. Esta medida penalizadora e fundamentalmente vingativa visa claramente a silenciar a voz e as ideias de um companheiro que, ao longo dos anos, contribuiu decisivamente, com sua crítica teórica e prática, para o debate anarquista; a aniquilá-lo porque persevera com determinação e dignidade em seu caminho de luta; a neutralizar, com o espectro do castigo exemplar, a iniciativa dos companheiros de fora e a solidariedade.

Em Gênova, três companheiros que não pouparam seu apoio a Alfredo e aos outros companheiros presos estão sob ordens especiais de vigilância solicitadas pelo promotor Federico Manotti, numa tentativa de isolá-los e inibir suas afinidades; outro pedido de vigilância foi emitido para outro companheiro em Gênova e uma audiência será realizada contra ele em 28 de setembro. Estas são as razões pelas quais decidimos sair às ruas em Gênova no dia 25 de setembro, uma data, a das eleições, que simboliza a farsa do contrato social que se renova na pele de todos nós; se a máquina da dominação avançar com todos os seus aparatos para engolir a vida dos companheiros, em nosso desejo mais perturbador de liberdade, em nosso ódio à autoridade e na solidariedade ativa, poderemos encontrar as alavancas certas para quebrar a frente do inimigo.

Convidamos você a juntar-se a nós. Quando a repressão se torna feroz e flageladora, a resposta deve ser clara, decisiva e coerente. Quebremos o isolamento no qual eles querem mergulhar nossos companheiros. Vamos implantar ideias, forças, estratégias em resposta à campanha antianarquista que o Estado vem empreendendo há quase uma década.

A solidariedade é uma arma, vamos usá-la!

Tirem Alfredo do 41bis.

Contra todas as prisões!

Fonte: https://fuoridallariserva.noblogs.org/post/2022/09/14/25-09-a-genova-contro-la-repressione-anti-anarchica/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/02/italia-contra-o-41bis-solidariedade-com-o-companheiro-anarquista-alfredo-cospito/

agência de notícias anarquistas-ana

A ipoméia
Tomou-me o balde do poço –
Busco água no vizinho.

Kaga no Chiyoni

[Chile] Ataque incendiário a um açougue em Quilicura, Santiago

Nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (19/09) encapuzados chegaram a um açougue da rede Susaron, em Quilicura. Uma vez lá, eles jogaram coquetéis molotov em seus caminhões e infraestrutura.

O resultado da ação foi a queima de 6 veículos e parte do frigorífico de exploração animal.

Folhetos encontrados no local diziam: “O ataque está se expandindo e estamos crescendo em ousadia, mente e periculosidade. Cuidado, grupos de beligerância antiespecista intransigentes estão florescendo como margaridas. Hoje atacamos esta empresa em sua infraestrutura, amanhã será seus proprietários e colaboradores de qualquer tipo. Para todos eles, nós prevemos chumbo e estilhaços. Libertação animal, sem consideração por quem quer que seja que cruze à nossa frente”.

agência de notícias anarquistas-ana

Nem sequer três dias
este mundo vê passar –
Cerejeira em flor!

Ôshima Ryôta

Giannis Michailidis, a Justiça e suas muitas caras

A justiça não é igual para todos. Isso está claro. Não é neutra, nem objetiva, nem na formulação das leis nem na aplicação das mesmas. A justiça, neste sistema, é um mecanismo a mais de controle social. Isso é algo que vemos dia a dia, desde leis que castigam a pobreza, que não tem em conta os contextos nem tratam de sanar os supostos danos causados, até indultos ou processos que se perdem no tempo, segundo sempre a que classe social olhemos.

Exemplos há muitos, mas estes dias está ressoando com especial força o de Giannis Michailidis na Grécia. Giannis é um preso anarquista, encarcerado a mais de 8 anos. Após este tempo, e segundo a legislação grega, deveria ter optado pela liberdade condicional há meses. No entanto, a corte de apelação negou sua liberação em várias ocasiões. As razões, que segue firme em suas convicções libertárias. Ante esta situação, Giannis começou uma greve de fome, reivindicando sua liberdade condicional, em 23 de maio passado, que manteve durante 68 dias até que a deu por terminada em finais do mês passado. Quase morreu, e ainda assim, não conseguiu sua liberdade, mas durante este tempo o apoio que recebeu nas ruas foi multitudinário.

Ao mesmo tempo em que isto acontece a Giannis, nos encontramos com casos como o do policial que assassinou Alexis Grigoropoulos em 2008 (e que desencadeou uma revolta de longa duração em toda a Grécia), que foi condenado à prisão perpétua. Já se encontra em liberdade. O mesmo acontece com o ex-diretor do Teatro Nacional (e amigo do primeiro ministro Miksotakis), condenado em 2015 a 12 anos pela violação de dois menores. Também já está em liberdade. O dito, a justiça não é igual para todos.

Fonte: https://www.todoporhacer.org/giannis-michailidis/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Um sol transparente
e um mar azulão
brilhando na areia quente

Winston

O Estado é o golpe! O anarquismo é a liberdade! Não Vote, Lute!!

Comunicado n° 78 União Popular Anarquista – UNIPA, 15/09/2022

O atual momento político, econômico, ecológico e social pelo qual passa o Brasil não pode ser lido apenas pelos analistas da mídia burguesa hegemônica, seja ela bolsonarista ou antibolsonarista, pois ambas são burguesas e buscam a manutenção da propriedade privada, dos massacres no campo, o fortalecimento do latifúndio e o extermínio do povo nas cidades, seja através de ações policiais truculentas, seja através da precariedade e da fome, legitimadas pela reforma trabalhista de Temer/MDB.

O Brasil vive uma contrarrevolução permanente com as diversas frações das classes dominantes, setores da burguesia e generais e coronéis das forças armadas, ditando o ritmo da política institucional. A constituição de 1988 foi aprovada ainda sob a tutela dos militares, com esses controlando os porões, mas impedindo avanços fundamentais, como a liberdade de organização das trabalhadores e trabalhadores e a liberdade de greve, ao mesmo tempo em que mantiveram todo aparato militar intacto e, principalmente, protegendo os torturadores e assassinos. Portanto, tanto golpe empresarial-militar de 1964, como a própria reabertura em 1988/89, arquitetada e tutelada pelos generais Goubery e Leônidas, são expressões da manutenção da ordem burguesa, ora com mais fechamento do regime, ora com menos, possibilitando a ação de algumas frações e subfrações da classe trabalhadora com algum grau de integração no regime.

Mesmo as forças ditas democráticas, aprovaram Estado de exceção. Como o criado pelo governo Dilma/PT e apoiado pelas elites políticas em meio ao levante popular de junho de 2013. A cereja do bolo foi a lei antiterrorismo exigida pela empresa estrangeira FIFA para realizar seu megaevento no Brasil, o que expressa a submissão do PT e ajudou a fortalecer a tutela militar e consequentemente o militarismo.

Existe nesse momento uma narrativa de receio de um golpe de Estado que Bolsonaro-Braga Neto/PL anuncia desde 2020. E agora aparece como ameaça em caso de vitória da chapa Lula-Alckmin. Sabemos que Bolsonaro, Braga Neto, Mourão, e todos os generais no governo – todos formados na AMAN nos anos 70 – são parte da ala que não queria a abertura realizada pela ditadura. Hoje esse setor dita a política institucional, seja na contra informação do golpe com nítidos objetivos de mudanças institucionais, de avanço do militarismo e de se posicionar na estrutura política e de Estado de forma vitoriosa, independente do resultado eleitoral. Hoje o cenário de um golpe se configura como o menos provável. Já afirmamos que: “existir intenções de golpe ou ditadura militar por parte de um setor da extrema direita é diferente de existir condições, ou mesmo necessidade, para isso.” (UNIPA, Comunicado 76, Abril de 2021).

Assim, comparando com o golpe de 1964 onde houve a implementação de um regime ditatorial e, consequentemente, uma ruptura com a institucionalidade burguesa, hoje as condições para repetir algo semelhante estão mais distantes. No contexto interno, percebe-se que a estratégia da intervenção militar ainda não é hegemônica entre as classes dominantes e suas e frações. Isso ficou explicitado na publicação de duas cartas: 1) a Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito, protagonizada pela burguesia intelectual da USP e que contando com a adesão de outras frações da burguesia, e 2) o manifesto em defesa da democracia organizado pela FIESP, assinado por outras entidades representantes da burguesia empresarial, como a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base e a Federação Brasileira de Bancos, seguidas pelas burocracias colaboracionisras, como CUT, UNE, Coalizão Negra por Direitos, entre outras. Por outro lado, empresário classificados como bolsonaristas, Luciano Hang, dono da Havan; Afrânio Barreira, do Coco Bambu; José Isaac Peres, da rede de shoppings Multiplan; José Koury, dono do Barra World Shopping (RJ); Ivan Wrobel, da construtora W3 Engenharia; e Marco Aurélio Raymundo, dono da Mormaii, defendem abertamente um golpe de Estado.

No contexto internacional também não há ainda apoio do imperialismo estadunidense e da União Europeia. A derrota eleitoral de Trump de fato repercutiu para o enfraquecimento da extrema direita brasileira que perdeu seu principal interlocutor. Essa falta de apoio externo poderia significar dificuldades para a burguesia agrária nas suas exportações.

No entanto, mesmo o golpe de 1964 começou a ser gestado ainda na segunda metade dos anos 1940. E independente da vitória eleitoral o projeto de tutela militar tem avançado com ampliação do militarismo, seja como expressão da base de apoio e militante que apoiam a candidatura de Bolsonaro-Braga Neto/PL, seja como ocupação dos cargos legislativos.

A Classe Desarmada Frente a Ofensiva da Burguesia e do Alto Comando das Forças Armadas

As organizações oficiais do sindicalismo, do movimento estudantil e de movimentos políticos encontram-se burocratizadas e domesticadas pelas forças políticas socialdemocratas, como PT, PCdoB e PSOL. Construíram um saber-fazer política de conciliação de classe. Esses partidos e suas organizações são hoje expressão republicanas da ordem burguesa. Ou seja, estão mais preocupados em salvar o capitalismo brasileiro e sua república do que organizar a classe trabalhadora para construir a revolução social e o socialismo.

Desde 2014, passamos por uma ação de contra insurgência que tem atacado todos os poucos direitos que setores da classe trabalhadora tinham e aumentando o ataque sobre os camponeses, mulheres e a população negra e indígena no geral. Essa contrainsurgência não poupou nem mesmo Lula e o governo do PT e o PMDB ampliou a ponte para o atraso com um conjunto de políticas para a piorar as condições de vida e trabalho.

Por sua vez, o alto comando das forças armadas são parte central do processo em curso no Brasil. Fortalecida nos governos PT, ganhando força e legitimidade a partir da intervenção de ocupação no Haiti, através das lideranças das tropas da Minustah, essas forças foram avançadono projeto político de retorno a linha dura da ditadura, identificando qualquer traços de política antirracista, feminista e de classe como ameaças a integridade nacional. A nomeação do General Braga Neto como interventor o Rio de Janeiro foi um passo importante para a efetiva ação da tutela militar.

A candidatura de Bolsonaro foi gestada nesse ambiente e ainda sob o governo Dilma Roussef, o alto comando liberou a campanha aberta de Bolsonaro nos quarteis. Forjada a aliança com a burguesia que via sua margem de lucro cair e tomada por um programa ultraliberal de aumento da dependência econômica com consequências nefastas para a classe trabalhadora, o governo do Alto Comando das Forças Armadas, representado por Jair Bolsonaro e pelo general Mourão Filho, foi eleito.

Diante do jogo de contrainformação golpista e acostumada aos jogos palacianos e de negociação e concertação a saída da social democracia, o PT e seus aliados, foi o apelo para as instituições burguesas, judiciário e congresso. E para defesa das instituições e do avanço do protofascismo sabotaram qualquer possibilidade de luta popular. A saída de Lula da prisão e sua atual candidatura só é possível não pela força das ruas, mas por uma divisão do judiciário e ministerío público que se concretizou diante da vazamento das conversas de Moro e dos procuradores. Isso possibilitou que setores do judiciário, fundamental os ministros do Supremo, reagissem a ação perpetrada desde os EUA.

A classe trabalhadora estava paralisada diante das disputas no interior do bloco no poder. Esse processo de defesa das instituições de 1988 foi vista mais recentemente uma carta de juristas, tentativa de se remeter a uma carta escrita em 77, que questionava a legitimidade da ditadura militar. Essa atual carta procura justamente defender a constituição de 1988.

A tentativa tanto do PT como de Ciro Gomes é a recomposição da ordem burguesa sob os parâmetros da constituição de 1988. As recentes manifestações para leitura dessa última carta são uma tentativa da esquerda do PT, PCdoB e PSOL de relegitimar o sistema político e eleitoral, quando na verdade o papel dos partidos comunistas, socialista e de trabalhadores deveria ser o de contestar o sistema. Assim, a política desse setor está mais interessada em atender interesses corporativos e de frações da sua base social dentro do Estado. Favorecer a pequena burguesia desalojada do Estado com ação da classe dominante, dos parlamentares e das forças armadas. Essa posição fortalece o bolsonarismo, principalmente o militarismo, pois deixa o papel de contestação para as forças conservadoras e reacionárias proto-fascistas e ainda deixa as forças armadas.

O que fazer?

É preciso que os militantes anarquistas, revolucionários e sindicalistas revolucionários intensifiquem e combinem cada vez mais o trabalho de organização e resistência cotidiana e ao mesmo tempo aponte a necessidade de construção do contra poder popular, o Congresso Povo. Avançar na massificação do anarquismo e do sindicalismo revolucionário, como por exemplo a construção da Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB), com inserção no proletariado marginal do campo e da cidade, principalmente entre o povo negro e indígena e as mulheres é condição central para construirmos a revolução social desde hoje rumo ao socialismo e ao autogoverno das trabalhadoras e trabalhadores.

A política de autodefesa para o campo e para as favelas e periferias é outra tarefa fundamenta para efetivarmos a efetivação libertação dos territórios e expandir e ampliar a economia de apoio mútuo. Nesse sentido, a campanha “Não Vote, Lute” cumpre o papel de educar o povo ao mostrar que nosso único caminho é pela via da Ação Direta e da Sabotagem, sem intermediários, seja parlamentares, patrões, padres e pastores. Ou seja, abandonar as ilusões da participação nas eleições burgueses é um passo fundamental para a ruptura com as concepções e práticas reformistas. Só o povo organizado é capaz de coletivamente construir sua autonomia e efetivamente melhorar sua condição de vida e evitar o desastre econômico, social e ecológico. No curto prazo sabemos das dificuldades, mas é fundamental construir desde hoje a revolução social e o socialismo. O resto é ilusão.

Anarquismo é Luta! É Liberdade!!
Abaixo o militarismo!
Pelo Socialismo e Autogoverno das Trabalhadoras e Trabalhadores.
Não Vote, Lute!

https://uniaoanarquista.wordpress.com

agência de notícias anarquistas-ana

Brilha até de dia
O relógio fluorescente –
Estação chuvosa.

Keizan Kayano

[Bolívia] Reivindicação do ataque incendiário contra um carro-patrulha da Força Especial de Combate à Violência em Cochabamba

COMUNICAÇÃO:

Nas primeiras horas do dia 12 de setembro, às 2h40 da madrugada, colocamos um dispositivo incendiário composto de quatro garrafas plásticas de meio litro com gasolina, amarradas com fita adesiva, que foram incendiadas por meio de um pavio que montamos com 5 fósforos e 3 paus de incenso amarrados com fitas de borracha.

Colocamos este dispositivo rudimentar atrás de uma das rodas dianteiras para garantir que os principais danos ocorressem na área do motor.

Embora todos os seus carros sejam incendiários, a escolha de uma van da Força Especial de Combate à Violência não é aleatória. Não há exceção, toda força policial é o inimigo, e nós não compramos sua antiviolência contra a violência baseada no gênero. O patriarcado cairá quando cair a última pedra desta sociedade penitenciária. Abominamos seu capitalismo de gênero. Abominamos seu Estado forçado sobre diferenças insondáveis para satisfazer as necessidades das oligarquias pós-coloniais. Não exigimos nada das instituições, não queremos nenhuma polícia em nossos bairros e comunidades a pretexto da segurança das mulheres. Vocês, policiais assassinos, são o falo (agora queimado) do patriarcado!

Nós nos divertimos muito imaginando como vocês tentaram apagar o fogo com seus pequenos baldes, seus lacaios!

Esta ação é para María Fernanda assassinada pela polícia no EPI de Chasquipampa em 2021, assim como para todas aquelas violadas e assassinadas por esta instituição inimiga. Não queremos reformas da polícia, queremos sua destruição! Não exigimos o poder judiciário e seus ministérios, queremos vê-los arder! Convidamos você a atear fogo às suas vans com este sistema simples e comprovadamente eficaz. É fácil e divertido.

Nossas práticas anárquicas são as de libertação, que nunca se tornem um espelho das do opressor.

É hora de deixar para trás esta passividade asfixiante que invade as esferas anarcofeministas e anarquistas autodeclaradas neste território: Fogo ao que nos oprime, camaradas! Este é o momento e este é o melhor lugar. Aqui e agora apelamos a todos os rebeldes! Para os pacifistas e covardes de sempre: Fiquem fora do caminho!

Qualquer dia é um bom dia para sabotagem, mas acompanhamos com este gesto todos aqueles que na véspera do ataque saíram às ruas no território dominado pelo Estado chileno.

A polícia é uma polícia que atravessa as fronteiras, os estados são estruturas análogas de opressão em toda parte. Nenhuma fronteira entre oprimidos! Vamos atacar as tecnologias de disciplina em todos os territórios até que nossos camaradas sejam libertados.

Todos os prisioneiros anarquistas, subversivos e mapuches raptados pelo Estado chileno, vão para as ruas!

Exigimos a libertação imediata dos camaradas Marcelo Villarroel, Gabriel Pombo da Silva, Claudio Lavazza, Juan Sorroche e Giannis Michailidis.

Solidariedade com Mónica Caballero, Francisco Solar, Anna Beniamino, Alfredo Cóspito e Boris, que atualmente enfrentam processos judiciais. Para cada ano, ações sem fim!

Todos os prisioneiros anarquistas do mundo, às ruas!

Que a fúria se expanda, que todos os incêndios se expandam, até que caia a última pedra da sociedade prisional!

La Negra Venganza – Núcleo Internacionalista e Antipatriarcal Fania Kaplan

Tradução > Liberto

agência denotícias anarquistas-ana

Cravando o machado
o perfume causa espanto –
Ah, bosque de inverno.

Buson

[Espanha] Falemos de coerção e liberdade sindical

O caso dos sindicalistas da CNT Xixón condenados por realizar sua atividade sindical é fundamental porque poderia criar um precedente. É urgente propor uma emenda legal para evitar que tais sentenças se repitam no futuro.

Entre os princípios legais em que se baseia o direito penal, o princípio da intervenção mínima e da proporcionalidade deve sempre prevalecer. Em outras palavras, a ação punitiva do Estado só deve ser usada como último recurso (ultima ratio) para proteger os bens legais, quando tal proteção não puder ser alcançada por meios menos prejudiciais ao indivíduo.

As seis sindicalistas da CNT em Xixón foram condenadas por dois crimes, incluindo coerção grave. Em nosso Código Penal, o crime de coerção está incluído no grupo dos “crimes contra a liberdade”. Este delito criminal é projetado para ser aplicado somente em casos particularmente graves, nos quais está provado que foi utilizada violência ou intimidação. Mas também é necessário que tenha havido uma conscientização e vontade de que o uso de tais meios tinha como objetivo subjugar o sujeito supostamente coagido. Após estas avaliações legais, a verdade é que quando imaginamos o crime de coerção, muitos casos graves vêm à mente, mas nenhum deles tem a ver com comícios à porta de uma empresa.

Dito isto, é claro que algo está errado com nosso sistema legal e judicial quando sindicalistas são condenados a três anos e meio de prisão e uma multa de 150.000 euros por realizar ações de natureza eminentemente pacífica e de protesto à porta de uma empresa. Se a Suprema Corte não anular a sentença, um meio particularmente prejudicial terá sido utilizado se levarmos em conta a pena de prisão e o valor da multa. Pode se tornar um precedente perigoso para o movimento sindical.

As trabalhadoras condenadas estavam realizando atividades sindicais, além de quaisquer outras considerações que possam ser feitas sobre os fatos do caso. Sendo assim, o direito à liberdade de associação consagrado no art. 28 da Constituição espanhola é um direito fundamental que não só está especialmente protegido em nossa Carta Magna, mas também é imposto pelos regulamentos europeus, bem como por tratados e acordos internacionais dos quais o Estado espanhol é parte. E este direito à liberdade sindical está inevitavelmente ligado a outros direitos fundamentais, como o direito de reunião e manifestação (art. 21 EC) ou o direito à liberdade de expressão (art. 20 EC).

Em um Estado de direito, é compreensível que os direitos fundamentais tenham limites e não sejam absolutos, mas o que os tribunais – em seu papel de intérpretes da lei – devem levar em conta é que essas limitações não acabam esvaziando completamente seu conteúdo essencial. Em outras palavras, que a liberdade sindical não se torne inútil e seja minada diante da -insistentemente protegida – liberdade de empreendimento, que também é reconhecida pela Constituição.

Para ser mais descritivo no argumento: se tomarmos o direito à liberdade de associação e o separarmos/dividirmos do direito de reunião e do direito à liberdade de expressão, seria totalmente inútil e sem qualquer utilidade social. E um direito que é inútil não é um direito real que possa ser exercido.

Com alguma tristeza e desânimo, estamos todos muito acostumados a ler as decisões judiciais nas quais a liberdade de empreendimento no âmbito da economia de mercado é repetidamente dada prioridade sobre outros direitos fundamentais e sociais, como a liberdade de associação. Alguém famoso corrupto repetiria a expressão “isso é o mercado, meu amigo”, visto que as prioridades em um sistema econômico capitalista não são exatamente os direitos da classe trabalhadora, mas a liberdade de empreendimento e o máximo lucro corporativo. Não faltam exemplos onde grevistas, trabalhadores em protesto e manifestantes são criminalizados e condenados. Neste último caso, ainda nos lembramos do “Não caso” dos dois militantes da CNT Logroño que foram injustamente acusados de participar pacificamente de uma manifestação.

Casos como a “sentencia de la manada” demonstraram que a organização e mobilização social é capaz de forçar uma modificação legislativa que aumentaria a proteção das mulheres contra o abuso e a agressão sexual – embora, é claro, ainda tenha suas deficiências. Assim como as mobilizações que conseguiram a recente revogação do art. 315.3 do Código Penal, que definiu um crime específico de coerção para greves e que permitiu que mais de 300 pessoas fossem processadas criminalmente nos últimos anos.

E é neste ponto que é necessário recorrer diretamente aos tribunais e ao legislador. Apelo através de mobilização social e protesto, que são elementos necessários para divulgar, conscientizar a sociedade, reunir a solidariedade e legitimamente exigir uma absolvição. Se, com a lei em mãos, os juízes conseguiram condenar e manter a condenação em um caso como este, talvez a lei deva ser emendada para esclarecer de uma vez por todas que a atividade sindical e/ou piquete não pode ser incluída no delito genérico de coerção.

O caso das seis sindicalistas da CNT Xixón é de tal relevância que uma modificação legal deve ser considerada imediatamente para evitar que este tipo de sentença reapareça no futuro e que – sem dúvida – levaria à absolvição imediata antes que a sentença fosse cumprida. A Suprema Corte ainda tem a última palavra.

Os direitos fundamentais são defendidos através do seu exercício. Neste sentido, no próximo sábado 24 de setembro, a CNT organiza uma grande manifestação nas ruas de Madri em frente ao Ministério da Justiça sob o lema “o sindicalismo não é um crime”. Colocar o foco das atenções e exigir proteção real para a liberdade sindical, a liberdade de expressão e o direito de manifestação é uma exigência que nos afeta a todos. Que a confusão entre coerção e exigências passe a ser coisa do passado.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/anarcosindicalismo/hablemos-de-coacciones-libertad-sindical?fbclid=IwAR17tpK8MR_ujzGWbjxKAqVzKiUoqRKXyYi1jX_ZKEApqWhROIuA3TjowEU

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/08/espanha-fazer-sindicalismo-nao-e-um-crime-pela-absolvicao-imediata-das-seis-de-la-suiza/

agência de notícias anarquistas-ana

Fina chuva inútil
fundo musical
a flauta casual

Winston