Lançamento do álbum “Indigestos” | Rap combativo, anticapitalista e libertário

Raperos sem deuses, sem mestres e INGOVERNÁVEIS, junção dos raperos Marcos Favela e Rodrigo Ktarse. Fortaleça o rap combativo, anticapitalista e libertário. Paz entre nós e guerra aos senhores, sempre!

O mais INDIGESTO Rap Combativo somado a Rifs de Guitarra e muita lírica indigesta.

A arte de capa é assinada pelo artista Diego El Khouri da Editora Merda na Mão.

O álbum conta com participações de Maria do grupo Ktarse , Fumaça da Banda Disunudos , Naísa Zaiiah e Leal também do grupo Ktarse.

Quem assina a produção é o próprio Rapper Marcos Favela.

Todo trabalho de gravação, mixagem e masterização foi realizada no Home Estúdio Popular.

>> Link para ouvir-baixar o álbum “Indigestos”:

https://www.youtube.com/watch?v=9Je3bQKorFw&list=PLf_xhaOuH_JPdzDSx4p-AtDUpOnjnTlG9&index=2

@homeestudiopopular @rappermarcosfavela @ktarse @editoramerdanamao

agência de notícias anarquistas-ana

se andava no jardim
que cheiro de jasmim
tão branca do luar

Camilo Pessanha

[Chile] “Nossa escolha é continuar lutando para mudar nossas condições de vida”

Nossa política de permanente luta de rua e autonomia está totalmente fora da política dos pactos, acordos e plebiscitos da burguesia, mesmo assim lamentamos a tristeza sentida por muitas pessoas, pessoas trabalhadoras que hoje tinham a esperança e a ilusão de melhorar suas condições de vida. A maioria expressou-se hoje em uma clara punição ao rasteiro governo de Boric, deixando claro mais uma vez que a social-democracia nada mais é do que migalhas e desilusão para o povo.

Chamamos a retomar o radicalismo e a confluência da luta que foi expressa em 2019 e que foi adormecida por este processo constituinte que veio para dar novos ares de ajuda ao modelo neoliberal e seus partidários.

Vamos em frente levantando a força revolucionária, agitando, propagando e coordenando, somando a presença anárquica e levantando o legado de luta de nossos caídos.

11 DE SETEMBRO PARA AS RUAS PORQUE NOSSA ESCOLHA É CONTINUAR LUTANDO PARA MUDAR NOSSAS CONDIÇÕES DE VIDA.

SOLIDARIEDADE REVOLUCIONÁRIA COM OS PRESOS ANARQUISTAS, SUBVERSIVOS E MAPUCHES.

CLAUDIA LOPEZ E FLORA SANHUEZA PRESENTES EM CADA MULHER LUTADORA.

NEM VITIMIZAÇÃO NEM DERROTISMO.

ASSUMIR AS CONSEQUÊNCIAS DA LUTA E CONTINUAR LUTANDO.

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura.

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zínias frescas,
brancas, amarelas,
cadê as borboletas?

Rosa Clement

[Espanha] 6.500 migrantes mortos no canteiro de obras da Copa do Mundo do Qatar

Trabalhadores sofrem diariamente abusos e exploração enquanto a FIFA obtém enormes lucros

Por Carmen Asenjo | 16/08/2022

12 mortes por semana. Esse é o número estimado de vítimas das obras de construção sem precedentes no Qatar para a Copa do Mundo de 2022, que vem ocorrendo há mais de 10 anos.

A maioria dos trabalhadores atualmente se esforçam para construir o estádio de última geração para a Copa do Mundo de 2022 no Qatar são na sua maioria migrantes da Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka que sofrem diariamente abusos e exploração, enquanto a FIFA obtém enormes lucros.

Segundo uma investigação do jornal britânico The Guardian, mais de 6.500 trabalhadores migrantes morreram desde 2010, a maioria deles, como o Qatar tenta afirmar, por “causas naturais”, evitando autópsias, embora os próprios advogados do governo tenham pedido que elas fossem realizadas em 2014.

A maioria deles não pode mudar de emprego, não pode deixar o país e muitas vezes tem que esperar meses por seus salários. Normalmente, os trabalhadores suportam acomodações superlotadas, insalubres e inseguras e alguns são forçados a viver no mesmo estádio; são feitas falsas promessas sobre os salários que receberão e seus cheques de pagamento são atrasados. Se os trabalhadores reclamam das condições ou pedem ajuda, geralmente são intimidados e ameaçados por seus empregadores. “Às vezes me pergunto se não seria melhor estar morto”, disse um dos migrantes envolvidos diante das câmeras da Anistia Internacional.

O silêncio do Qatar e da própria FIFA sobre este enorme escândalo deixa as famílias das vítimas absolutamente devastadas enquanto lutam para obter uma compensação pela morte de seu ente querido e pedem explicações sobre a situação, que geralmente ficam sem resposta.

Fonte: https://luhnoticias.es/6500-migrantes-muertos-en-las-obras-del-mundial-de-catar

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/08/15/catar-operario-morre-em-obra-de-estadio-da-copa-do-mundo-de-2022/

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Lágrima aflora.
Na música lá fora
uma alma chora.

Rogério Viana

Polarização neoliberal, violência política e circo eleitoral

Nota do Movimento de Unidade Popular sobre o processo eleitoral de 2022

Não é uma cena difícil de imaginar, pois é cotidiana para a maioria do nosso povo. Um jovem negro é parado por uma viatura da Polícia Militar enquanto retorna caminhando para sua casa. Mesmo exausto de uma jornada diária extenuante, segue um longo caminho para um bairro da periferia onde mora, porque precisa economizar o dinheiro da passagem do transporte público. Dois policiais, com armas em punho, descem do carro e iniciam a abordagem. Um dos policiais xinga e agride violentamente o jovem durante o baculejo, enquanto o outro, menos agressivo, faz perguntas e explica que suas características combinam com a descrição de um suspeito de cometer roubos nas proximidades, não por acaso, também negro. É uma espécie de teatro macabro da morte, onde o “policial mau” e o “policial bom” encenam papéis diferentes, mas complementares, cujo objetivo é o mesmo.

A Polícia Militar é uma máquina de matança e repressão, com corporações dominadas por grupos criminosos e cuja função principal é aterrorizar o povo trabalhador, em especial, o proletariado negro e a maioria marginalizada economicamente. A brutalidade policial é uma forma de opressão contra o povo pobre e trabalhador necessária para a manutenção dos níveis de exploração, desigualdade e miséria. O terrorismo de Estado e o neoliberalismo se complementam. O Estado Policial de hoje, que tem raízes históricas na escravidão, natureza oligárquica e foi moldado pela ditadura militar, é essencial ao capitalismo brasileiro e à dominação burguesa na atual etapa. O projeto neoliberal faz do nosso país um dos mais desiguais do mundo, transformando a vida da maioria de nossa gente em um verdadeiro inferno sobre a terra, sobrevivendo entre a pobreza, a negação de direitos sociais fundamentais, as dívidas, o desemprego ou o trabalho precarizado. O neoliberalismo é a nova escravidão.

A cena do “policial mau” e do “policial bom” representando papéis diferentes e complementares que descrevemos é a metáfora exata de como o neoliberalismo no Brasil sequestrou nossa falsa democracia para manter grande parte do povo brasileiro em uma situação de miséria, forjando dois lados da política nacional supostamente opostos, mas que no fundo servem aos mesmos senhores: os grandes capitalistas, o agronegócio, os banqueiros e o imperialismo.

Bolsonaro, como o “policial mau”, que representa um projeto neoliberal conservador, mobilizando a irracionalidade e os piores sentimentos de um setor da população, principalmente da classe média, faz um governo criminoso e genocida apoiado por militares reacionários, hordas fascistas, pastores charlatães e um Congresso Nacional de ladrões e representantes da burguesia, dominado pelo chamado “Centrão”. Mobilizando setores armados através de clubes de tiro e de caçadores de fachada (os CACs), policiais militares em corporações de todo o país, milícias e organizações criminosas, parte dos comandados das Forças Armadas, assim como, caminhoneiros mercenários e um setor da burguesia brasileira, principalmente ligada ao agronegócio, mas ainda também explorando um sentimento antipetista responsável por sua eleição em 2018 e apoiado por uma rede internacional de extrema-direita, que envolve desde o racista Donald Trump até o Estado sionista de Israel, Bolsonaro ameaça uma tentativa de golpe de Estado diante de sua inevitável derrota eleitoral e iminente prisão em 2023.

Responsável por grande parte das mortes de brasileiros que poderiam ser evitadas na pandemia de Covid-19 com suas políticas negacionistas e contra as vacinas, as quase 700 mil vítimas em números oficiais podem chegar na verdade ao número macabro de cerca de 2 milhões de mortes no país, segundo as próprias estimativas de subnotificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o governo Bolsonaro também é culpado pelos piores ataques contra a classe trabalhadora brasileira nos últimos tempos, aprofundando o programa neoliberal dos governos anteriores, promovendo diversas privatizações e favorecendo a destruição ambiental, atacando a aposentadoria, os direitos dos trabalhadores, a educação e a saúde pública, destruindo programas sociais e colocando o país novamente na mapa da fome, com o maior nível de desemprego real e informalidade de nossa história, a maior inflação e carestia dos últimos 25 anos, resultando hoje em 33 milhões de brasileiros vivendo na miséria absoluta e sem ter o comer, 125 milhões com algum nível de insegurança alimentar e quase 80% das famílias endividadas, muitas vezes precisando escolher entre pagar o aluguel e as contas ou comprar comida, gás, etc. Bolsonaro manteve as criminosas políticas de Temer com o Preço de Paridade Internacional (PPI) na Petrobras, tirando dinheiro do povo com os aumentos absurdos nos combustíveis para transferir aos acionistas privados, e também o famigerado Teto dos Gastos Públicos para retirar verbas da saúde e da educação. Em conjunto com o covil de ladrões do Congresso Nacional e o gangster Arthur Lira, esse governo legalizou a roubalheira através do “orçamento secreto” e das chamadas “emendas do relator”, e é culpado ainda pelo maior desmatamento na Amazônia e outros biomas brasileiros que em grande medida foram as causas das diversas tragédias ambientais que vivemos nos últimos tempos.

Bolsonaro e sua família de idiotas, os militares facínoras que apoiam seu governo e fizeram do Estado brasileiro uma grande fonte de mamatas, os políticos pilantras que dão suporte aos ataques contra o povo, e os capitalistas que ajudaram a eleger e manter esse governo criminoso, mais do que a cadeia, merecem receber a fúria da justiça popular. São vermes e bandidos, cujo único fim justo deve ser a vingança do povo, cobrando as mortes e os crimes contra os brasileiros e brasileiras pelos quais são responsáveis.

Lula, representando por sua vez o “policial bom” do teatro neoliberal, capitaliza boa parte da esperança de mudança do povo brasileiro, em grande parte pela memória positiva da economia em seus dois governos, mas é o velho charlatão neoliberal e negociador de sempre. A frente ampla de Lula e Geraldo Alckmin que reúne partidos da falsa esquerda como PT, PCdoB e PSB, passando pelos setores da esquerda liberal como o PSOL, direções corrompidas das centrais sindicais como CUT e CTB e de movimentos como MST, APIB, MTST e outros, até os partidos de direita e parte do “Centrão”, é apoiada também por grandes capitalistas e pelo próprio imperialismo norte-americano, sob a gestão de Joe Biden e do Partido Democrata. Lula é um representante do “neoliberalismo progressista”, cujo programa negociado com os ricos e poderosos para um terceiro governo de conciliação de classes inclui uma nova agenda de políticas compensatórias recomendadas por organismos do capital internacional como Banco Mundial e FMI, mas com a manutenção da desigualdade e a garantia de estabilidade política para as elites econômicas continuarem saqueando o povo.

O PT e a oposição covarde, são, em grande medida, responsáveis pela estabilidade do governo Bolsonaro, seja apoiando medidas neoliberais do governo no Congresso, boicotando e sabotando as mobilizações para derrubar o governo ou realizando a mesma agenda neoliberal nos seus governos estaduais, onde fazem as mesmas gestões de turno da direita e promovem também as políticas genocidas contra o povo pobre e negro. A aliança entre a falsa esquerda, a classe média progressista e o grande capital representado pelos criminosos da FIESP, Febraban, Globo e etc., que se traduziu nas cartas em defesa da democracia alinhadas com os interesses dos EUA, é na verdade um acordo pela estabilidade do regime burguês e a manutenção de um Estado apodrecido e suas instituições reacionárias, como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. A defesa de uma falsa democracia construída sobre o sangue e a miséria do povo pobre e trabalhador, em conjunto com a burguesia e os inimigos do povo, além de alimentar o falacioso discurso antissistema adotado pelo bolsonarismo, mostra os limites de uma esquerda institucional domesticada e neoliberal, defensora da ordem burguesa e da estabilidade da democracia dos ricos, que não tem qualquer alternativa política e econômica para resolver os graves problemas da classe trabalhadora brasileira.

A crise internacional do capitalismo e a aprofundamento da chamada “nova guerra fria” que coloca o imperialismo norte-americano, a OTAN e União Europeia de um lado, e o contra-imperialismo do bloco liderado por Rússia e China de outro, tendem a aprofundar os problemas da economia capitalista favorecendo um cenário global ainda mais catastrófico para o próximo período, não deixando margens para reeditar as “políticas sociais” dos governos petistas na fase de crescimento econômico que hipocritamente foram chamadas de “distribuição de renda”, enquanto ao mesmo tempo repetiam a fórmula dos governos FHC com o “tripé macroeconômico” neoliberal, aprofundavam a desindustrialização do país – favorecendo o agronegócio e a condição do país como uma neocolônia exportadora de bens-primários – e enchiam os bolsos de grandes empresários, latifundiários, banqueiros e afins.

O PT não é um partido de esquerda, é um partido da ordem a serviço dos capitalistas que vende ilusões progressistas, engana seus próprios apoiadores e joga com a esperança popular por mudanças e por justiça social. O programa neoliberal do PT, além das bravatas e promessas vazias, não apresenta qualquer proposta concreta para enfrentar os grandes e reais problemas sociais e econômicos do povo brasileiro. Quanto maior o estelionato eleitoral ou o autoengano de setores que vendem a mentira de que Lula pode fazer um “governo em disputa” ou mesmo um “governo para os trabalhadores”, maior será a frustração popular e o sentimento de traição. O PT em aliança com o PMDB, a direita e as oligarquias em seus governos neoliberais, inflou o Estado Policial, ampliando a repressão com a utilização da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) contra protestos populares, o encarceramento em massa de pobres e negros com a nova Lei de Drogas, os ataques contra os povos indígenas e a inédita política de ocupações militares de favelas com as famigeradas UPPs. Após a gestão desastrosa da crise econômica iniciada em 2008 e da narrativa falaciosa que tenta culpar o Levante Popular de 2013 como início da “onda conservadora” no país, o Partido dos Trabalhadores, mesmo após iniciar o “ajuste fiscal” e ter sido chutado do poder pela burguesia e seus aliados com o impeachment de Dilma Rousseff, boicotou as greves que derrubariam o governo Michel Temer e logo na sequência voltou a se aliar eleitoralmente com os mesmos setores que chamava de “golpistas”. Um novo governo Lula deve manter as criminosas privatizações, as reformas neoliberais e a independência do Banco Central, com o cartel dos bancos comandando a economia.

A polarização neoliberal entre Lula e Bolsonaro é favorecida também pelo fato de ambos terem ocupado o cargo de Presidente da República e serem figuras amplamente conhecidas, transformando a eleição em uma espécie de plebiscito, induzindo ao chamado “voto útil”, ofuscando outras candidaturas e diminuindo o voto nulo ou o boicote eleitoral ao pleito presidencial. Ciro Gomes, candidato do PDT e terceiro nas pesquisas de opinião, foi isolado politicamente e apesar das mesmas tentativas de alianças com a direita que critica no PT e de todas as contradições de um político de centro, é necessário admitir que tem promovido um debate público sobre os problemas econômicos do país e apresentado um projeto alternativo ao modelo rentista, ainda que limitado e insistindo no mesmo erro da conciliação com a burguesia brasileira que já deu provas suficientes de sua essência antinacional e escravocrata. A malfadada tentativa da burguesia em emplacar uma candidatura puro-sangue com a “terceira via”, primeiro com o patético Sergio Moro e agora com Simone Tebet, é apenas mais um grande novo vexame eleitoral da direita tradicional que foi engolida pelo monstro que criou, a extrema-direita que insuflou contra os governos petistas.

O cenário até outubro ainda guarda muita imprevisibilidade e acontecimentos de grande impacto, como os episódios da facada em Bolsonaro ou a queda do avião de Eduardo Campos, que marcaram as últimas eleições presidenciais, podem mudar completamente os resultados eleitorais ou mesmo inviabilizar o pleito. A cassação de chapas, um atentado contra Lula, um novo ataque forjado contra Bolsonaro e sua família, ou o mesmo um massacre bolsonarista contra eleitores do petista são muito possíveis de ocorrer. O que é certo, é que além de milicianos, policiais e militares fascistas ao seu lado, o bolsonarismo conta também com mais de 1 milhão de armas com cerca de 700 mil CACs, que em sua maioria formam grupos de extrema-direita fortemente armados, usando para isso as licenças para atiradores esportivos, colecionares de armas e caçadores. A violência política do bolsonarismo deve ser o fator mais relevante dessa disputa eleitoral, colocando inclusive, a importância do voto em segundo plano. As ilusões na institucionalidade burguesa, os discursos conciliadores, o patético pacifismo ou mesmo a ingênua confiança nas polícias infestadas de bolsonaristas e em militares supostamente legalistas, não vão parar as balas, os assassinatos políticos e os possíveis massacres que podem atingir principalmente setores mais vulneráveis como indígenas e sem-terras.

A intenção de golpe anunciada por Bolsonaro, que tem usado a data do 7 de setembro para demonstrar força e ensaiar seu “putsch” fascista, apesar da covardia da oposição que além de cartas e notas de repúdio demonstra que não poderia oferecer qualquer resistência real, não tem o apoio fundamental do imperialismo norte-americano, não unifica os grandes setores das classes dominantes em torno do golpismo, e também carece uma mobilização social significava nos setores conservadores da população, mas em compensação possui suficiente força bélica com setores fascistas armados e uma capacidade de parar o país com apoio de uma parte do agronegócio e o trancamento de estradas para gerar uma situação de caos social. O discurso e a mobilização golpista do bolsonarismo tem muito mais uma função preventiva para garantir que sua candidatura não seja cassada, enquanto usa a máquina estatal para tentar fraudar o processo eleitoral com a compra de votos, principalmente através da PEC do “estado de emergência”, e usar novamente o esquema das chamadas “fake news”.

Diferentemente do discurso oportunista e da chantagem eleitoral usada pelo petismo, não se vence o fascismo nas urnas, apenas as mobilizações populares e as lutas radicalizadas do povo podem enfrentar e fazer recuar a violência reacionária, e pouco importa se as eleições forem decididas em primeiro turno ou ocorra um eventual segundo turno. Não existe democracia com neoliberalismo, Estado Policial, miséria, desemprego e genocídio do povo negro e pobre. É uma tarefa fundamental que os movimentos populares, a esquerda combativa e as lutadoras e lutadores sinceros, a partir da unidade e da solidariedade, impulsionem organismos permanentes de autodefesa popular, para além da conjuntura eleitoral e independentemente da posição em relação a eleição e da leitura sobre a função tática do voto ou do boicote eleitoral, que pode se manifestar nessa eleição presidencial com o voto nulo, o voto crítico em Lula, o apoio a Ciro Gomes ou às candidaturas fragmentadas e apenas para propaganda dos pequenos partidos de esquerda – Leo Péricles da UP, Vera Lúcia do PSTU e Sofia Manzano do PCB. O circo eleitoral da democracia burguesa, completamente desmoralizado e sem qualquer legitimidade para a maioria do povo, é um fator secundário da luta de classes, que serve principalmente para legitimar a dominação e eleger picaretas, criminosos e oportunistas.

Criar uma cultura de autodefesa e segurança militante nos movimentos populares e na esquerda é um fator de sobrevivência, o acirramento da luta de classes e o aprofundamento da crise econômica no horizonte impõe a necessidade de manejar níveis de organização político-militar. Os movimentos de massa necessariamente devem possuir destacamentos de autodefesa no campo e na cidade, formando guardas populares, pequenas brigadas ou patrulhas armadas, e as organizações de esquerda precisam priorizar a preparação e o treinamento militar de ativistas, rompendo com qualquer ilusão pacifista liberal e pequeno-burguesa, incentivando também a formação de clubes de tiro e associações armadas, explorando todas as aberturas na legislação que permitem o armamento civil.

O voto contra Bolsonaro, seu governo genocida e sua política neoliberal é um sentimento legítimo de grande parte do povo brasileiro indignado com a inflação absurda, a carestia, o desemprego, a miséria e as dezenas e dezenas de crimes desse governo de facínoras, ladrões e imbecis. É preciso derrotar Bolsonaro por todos os meios necessários, mas é preciso também denunciar as bravatas, engodos e mentiras do PT, seus aliados e da frente ampla neoliberal de Lula e Geraldo Alckmin. Como organização popular e revolucionária que aposta na luta radical, na ação direta popular e na organização de base por fora e contra o Estado capitalista, não apoiamos nenhuma candidatura em qualquer nível e acreditamos que o oportunismo eleitoral da esquerda domesticada divide os movimentos sociais e joga contra a organização do povo, paralisando e parasitando as lutas populares. Impulsionar a organização do povo pobre nos territórios, organizar os trabalhadores e a juventude proletária, estimular as greves combativas, as barricadas, os trancamentos e ocupações por terra e moradia para construir organismos de poder do povo a partir de um Programa Popular e Revolucionário que conjugue as lutas reivindicativas e imediatas com a construção de um processo revolucionário e um horizonte socialista é muito mais importante que eleger qualquer candidato ou participar do processo eleitoral, ajudando a burguesia a legitimar o circo da sua falsa democracia.

Consideramos que nossa tarefa principal diante dessas eleições é denunciar o governo da fome, do desemprego, da miséria e da morte do facínora Jair Bolsonaro e cobrar a punição para todos os crimes desse governo genocida. É necessário também massificar as urgências de nosso povo, como trabalho digno, renda básica, soberania alimentar, saúde, educação, moradia, terra e justiça social. A guerra popular revolucionária para destruir o Estado capitalista e derrotar a burguesia é o único caminho de nossa libertação.

ABAIXO O GOVERNO DA FOME! ABAIXO O GOVERNO DA MORTE!

BOLSONARO NA CADEIA! MORTE AO FASCISMO!

CONSTRUIR O PODER DO POVO! ÚNICA SOLUÇÃO, REVOLUÇÃO!

agência de notícias anarquistas-ana

Longa chuvarada…
Nos matos e nas lagoas,
um canto de vida.

Humberto del Maestro

[México] “Los salvajes de la bandera roja” repassa a história do anarcossindicalismo na fronteira norte do país

Por Carlos Paul | 22/08/2022

O livro mais recente do historiador baixo-californiano Gabriel Trujillo Muñoz (Mexicali, 1958), “Los salvajes de la bandera roja: La revolución floresmagonista de 1911 en Baja California y sus consecuencias”, aborda, explicou o autor, “a história de uma Revolução Mexicana mais radical e muito pouco mencionada nos livros: a história do anarcossindicalismo na região fronteiriça do país, e a da contrarrevolução conservadora que por várias décadas mantiveram militares e intelectuais porfiristas”.

Publicado pelo Fundo de Cultura Econômica (FCE), “Los salvajes de la bandera roja…” “propõe demonstrar que o floresmagonismo, como movimento armado e ideológico, é parte importante da Revolução Mexicana, e que também se estendeu por várias partes do país”.

Na história oficial Ricardo Flores Magón, apontouo investigador, “sempre é considerado unicamente precursor da Revolução Mexicana, mas foi muito mais que isso. Dizê-lo precursor é esquecer que os revolucionários floresmagonistas estiveram ativos entre 1910 e 1916. Houve levantes armados que seguiram suas doutrinas anarcossindicalistas em Sonora, Sinaloa, Chihuahua, Veracruz, Jalisco, Colima, Oaxaca, Guerrero, Coahuila, Morelos, Yucatán, Zacatecas e Baja California.

“O livro se centra em uma das etapas mais controvertidas do trabalho revolucionário floresmagonistas que se desenvolveu na zona fronteiriça entre México e Estados Unidos, no distrito norte da Baja California, em entidades como Mexicali, Calexico, Ensenada, Tijuana e San Diego, onde se tocaram diversos interesses, tanto políticos, econômicos e sociais do porfirismo, como os interesses econômicos de algumas companhias estrangeiras.”

Repercussões

“Los salvajes de la bandera roja… “ao mesmo tempo que aborda a campanha militar revolucionária dos floresmagonistas na Baixa Califórnia, dá conta também da contrarrevolução conservadora que por várias décadas, a partir de 1911, mantiveram militares do Exército federal, como Celso Vega e Esteban Cantú, intelectuais porfiristas como Rómulo Velasco Ceballos e Enrique Aldrete, além de empresários e comerciantes de ambas as nacionalidades”.

Fala-se também “sobre as enormes repercussões e consequências do movimento armando floresmagonista na franja fronteiriça, que não se pode manter por muito tempo, já que no final triunfou o movimento maderista, e foi ao qual quase todo o país se sujeitou”, explicou o especialista.

“Ante o movimento floresmagonista houve uma virulenta reação de setores clericais, militares, políticos, empresariais, da embaixada estadunidense, de companhias estrangeiras e seus interesses econômicos criados, e dos porfiristas que queriam regressar ao poder.”

Os porfiristas, explicou Trujillo, “se converteram em maderistas enquanto buscavam a forma de regressar, o que conseguiram com a chegada ao poder do usurpador VictorianoHuerta”. A figura que se estabeleceu como cacique na Baixa Califórnia foi o coronel porfirista-huertista Esteban Cantú. Criou uma espécie de estado autônomo, até 1920, enquanto no resto do país se encontravam vilistas, carrancistas, obregonistas; quer dizer, o estatus quo porfirista na zona fronteiriça se manteve até 1920.

“E esse regime, o do coronel porfirista-huertista Esteban Cantú, foi o que criou toda a lenda negra sobre o movimento floresmagonista”, explicou Trujillo Muñoz.

Há que recordar, destacou o historiador mexicalense, que implicava o anarcossindicalismo a partir do Partido Liberal Mexicano.

“O movimento, encabeçado por Ricardo Flores Magón não só estava formado por exilados mexicanos nos Estados Unidos; havia também um vínculo muito importante com os trabalhadores membros da Industrial Workers of the World, principal sindicato de obreiros de seu tempo. Não importava que fossem italianos, irlandeses, chineses, alemães ou mexicanos.

“O partido anarcossindicalista mexicano não pretendia uma revolução reformista ao estilo Madero, mas uma revolução verdadeiramente radical, que derrubasse Díaz, sim, mas que também mudasse de raiz toda a estrutura do Estado.”

O Partido Liberal Mexicano, que tinha uma sede em Los Angeles, Califórnia, “abriu uma convocatória para ir lutar contra a opressão e a ditadura porfirista”. Movimento ao qual se somam afro-americanos, asiáticos, europeus, mexicanos e estadunidenses, que, como revolucionários, vem a oportunidade de demonstrar que pode haver uma mudança, não só na teoria, mas na prática. Um movimento que também faz um chamado aos indígenas nativos oprimidos da Baixa Califórnia.

“Toda essa humanidade é a que toma para si o movimento floresmagonista na zona fronteiriça, o que para os porfiristas e os poderes políticos e econômicos nacionais e estrangeiros foi todo um pesadelo”, expôs o investigador.

As características desse movimento revolucionário floresmagonista “é muito contemporâneo”, considerou Trujillo. “Hoje se parecem a movimentos como Anistia Internacional ou Greenpeace, ao serem movimentos internacionalistas”.

Na atualidade, comentou o historiador, “estudiosos mexico-estadunidenses ou chicanos, estão investigando e reavaliando o movimento floresmagonista como um movimento que amalgamou a diversos movimentos revolucionários de seu tempo, que não só propõe uma discussão teórica, mas que punha em prática uma verdadeira revolução ante a globalização e o capitalismo selvagem que vivemos agora.

“Muitos aspectos da teoria anarcossindicalista –concluiu Trujillo Muñoz– seguem funcionando perfeitamente para certos problemas que vivemos os mexicanos na atualidade, para uma sociedade que segue sendo classista e racista, incapaz, por exemplo, de ver o migrante como mais um ser humano.”

Fonte: https://www.jornada.com.mx/notas/2022/08/21/cultura/los-salvajes-de-la-bandera-roja-repasa-la-historia-del-anarcosindicalismo-en-la-frontera-norte-del-pais/

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

espelho d’água
o céu ouro-quase-jaspe
o louva-a-deus

Cláudio Daniel

Talvez você seja anarquista e não saiba

Por Emersom Karma Konchog | 21/08/2022

O estado não violento ideal será uma anarquia ordenada“. Gandhi

Permita que sua vida seja um atrito contra a máquina“. Henry David Thoreau

A crise na imaginação também tem um efeito devastador sobre a vida. Há uma pobreza no modo como pensamos coletivamente que tipo de sociedade queremos. Mas não é um problema de capacidade. Há todo um consenso fabricado sobre o que é permitido pensar.

Por exemplo, a solução padrão sugerida para lidarmos com o colapso ambiental é a mera adoção em massa de energia “limpa”. Supostamente, haveria aí um ganha-ganha: a indústria seguiria com seus negócios de sempre e consumidores agora teriam produtos cuja produção não destrói o ambiente. Soa melhor até do que o Papai Noel.

Um dos problemas aí é que a extração em massa dos minerais dos painéis solares e baterias, por exemplo, já prenuncia outro desastre socioambiental, como sumariza esta palestra do TED.

Ou então poderíamos acabar com a devastação da Amazônia com um novo modelo de negócios, mais ecológico etc. Claro que essas medidas pontualmente ajudariam. No entanto, um cancro segue imune: a máquina de exploração e enriquecimento continua sendo a mesma, ganhando apenas um novo visual, pintado de verde.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/mente-natural/2022/08/21/talvez-voce-seja-anarquista-e-nao-saiba.htm

agência de notícias anarquistas-ana

Quando a chuva pára
Por uma fresta nas nuvens
Surge a lua cheia.

Paulo Franchetti

[País Basco] Paremos a guerra, aticemos a luta de classes

No passado 4 de agosto militantes de um grupo anarquista de Gasteiz fizemos um mural em solidariedade com os povos que sofrem às mãos das guerras imperialistas. A decisão de fazê-lo veio em resposta à petição de solidariedade vinda do Curdistão frente à recente ameaça militar vinda da Turquia. Assim mesmo queremos expressar o nosso desagrado aos conflitos bélicos na Ucrânia e em qualquer parte do mundo. Como anarquistas cremos necessário evidenciar que todas as guerras entre Estados respondem aos interesses das suas burguesias nacionais, as que se organizam entre elas com tratados e alianças de acordo com os seus interesses políticos e econômicos.

Estamos contra qualquer guerra entre povos (ou contra eles) e demonstramos a nossa solidariedade a quem as sofre, a quem as resiste, a quem as denunciam, as boicotam e as sabotam. Perante suas guerras milionárias que desagregam os povos, é necessário ter redes de solidariedade internacionalista que resistam aos conflitos propiciados pelas elites, que construam uma autodefesa real e popular e que ataquem os mecanismos do Estado que suportam as guerras. Nenhum Estado nos parece legitimo, uma vez que são todos fruto do monopólio político e da violência das classes dominantes e todos representam a autoridade em termos capitalistas.

A única guerra que consideramos legítima é a guerra contra as classes dominantes em favor de uma emancipação social. Com este mural queremos enviar uma humilde mensagem de solidariedade e apoio a quem constrói outro modelo de sociedade baseado em estruturas horizontais e antiestatais. Morte aos Estados.

agência de notícias anarquistas-ana

Ao sol da manhã
uma gota de orvalho
precioso diamante.

Matsuo Bashô

O voto é uma das armas do vampirismo social

O voto secreto? – A confissão pública da covardia, a confissão pública da incapacidade de ostentar a espinha dorsal em linha reta, a confissão pública do servilismo e da fidelidade aviltante de uns, do dominismo das mediocracias legalmente organizados.

Democracia? – Ferrero a definiu: “este animal cujo ventre é imenso e a cabeça insignificante”…

O voto não é a necessidade natural da espécie humana: é uma das armas do vampirismo social. Se tivéssemos os olhos abertos, chegaríamos a compreender que o rebanho humano vive a balar a sua inconsciência, aplaudindo à minoria parasitaria que inventou a e representa a “tournée” da teatralidade dos governos, da política, das forças armadas, da burocracia de afiliados – para complicar a vida cegando aos incautos, afim de explorar a todo o gênero humano em proveito de interesses mascarados nos ídolos do patriotismo, das bandeiras, da defesa sagrada dos nacionalismo e das fronteiras, da honra e da dignidade dos povos…

Depois, a rotina, a tradição, a escola, o patriotismo cultivado, carinhosamente, para que a carneirada louve, em uníssono, o cutelo bem afiado dos senhores. A religião, a família se encarrega do que falta para desfibrar o indivíduo.

O voto, a legislação interesseira e mesquinha dos pais da Pátria, Parlamentos, Senados, Consulados, Ditaduras, Impérios, Reinos, Repúblicas, Exércitos, Embaixadores, Mussolini – “escultores de montanhas”, símbolos da cegueira do rebanho humano, ídolos que substituem e se equivalem, brinquedos perversos de crianças grandes, sonhos transformados em “verdades mortas”, infância, atavismo de paranoicos…

A política é um trapézio.

Direito do povo, sufrágio universal… Palavras. Dentro do demagogo há uma alma de tirano. Caída a máscara que atraiu o rebanho humano, o ditador salta no picadeiro da política, as duas mãos ocupadas: em uma, o “manganelo”; na outra, o óleo de rícino…

Tem razão Aristóteles: “O meio de chegar à tirania é ganhar confiança da multidão: o tirano começa sempre por ser demagogo. Assim fizeram Pisistrate em Athenas, Téagéne em Mégara, Denys em Syracusa.”

Assim fez Mussolini.

Maria Lacerda de Moura (16/05/1887 — 20/03/1945)

agência de notícias anarquistas-ana

folhas escuras
tremem na brisa
à contra-lua

Rogério Martins

[Chile] Santiago: lançamento de “Vidas Subversivas”. El anarquismo frente a las maquinaciones del poder en chile de 1920″

Na próxima quarta-feira (07/09) seremos parte de uma cerimônia emocionante de lançamento do livro “Vidas Subversivas”. El anarquismo frente a las maquinaciones del poder en el Chile de 1920″, que aborda um tema repetido na história da república, como a criminalização do protesto social, as montagens, os estados de sítio e a prisão de todos aqueles que tiveram a audácia de desafiar o poder. Essas vidas subversivas dos lutadores e lutadoras do mundo obreiro certamente desenvolveram um trabalho que foi muito além da luta no nível das reivindicações e da economia, para se estabelecer fundamentalmente no nível cultural, buscando acima de tudo uma mudança mental que permitisse a ascensão do sujeito verdadeiramente revolucionário.

Esperamos vê-lo na próxima quarta-feira no Centro Social y Librería Proyección a partir das 18h30.

agência de notícias anarquistas-ana

a lua se foi
meu rouxinol se calou
acabou-se a noi-

Issa

[Chile] Santiago: Feira do livro libertária

Companheiros, companheiras

Os deixamos cordialmente convidados à jornada de venda, difusão e debate de ideias ácratas, a se realizar no sábado 22 de outubro de 2022, entre as 11 e as 19 horas, tentativamente no espaço Ceibo, situado em Maipú.

A ideia é convocar a diversas organizações e individualidades afins para reativar este tipo de iniciativas com o objetivo de fomentar e dinamizar a difusão, venda e debate fraterno entre os que compartilham ideias radicais de transformação social.

A convocatória é de todas formas aberta. Ainda estamos em etapa de planejamento da feira, mas organizações e editoras são bem vindas a inscrever-se de antemão. De qualquer forma, qualquer mudança na informação será avisada com antecedência.

Para o desenvolvimento da atividade, e dar conta dos gastos associados ao espaço, temos pensado uma colaboração de uns $2,000 por posto. Agradeceríamos que organizações e editorias que queiram participar, seja mediante postos de venda ou exposições, preencham o formulário de solicitação em https://asamblealibertariastgo.wordpress.com/feria-del para coordenar na melhor medida o evento. Selecionaremos 5 exposições por ordem de inscrição.

Qualquer consulta favor escrever a asamblealibertariasantiago@gmail.com

Saudações

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

no parque vazio
duas árvores abraçam-se
em prantos de chuva

Eugénia Tabosa

[Itália] Contra o 41bis. Solidariedade com o companheiro anarquista Alfredo Cospito

ALFREDO FORA DO 41 BIS. QUE FECHE O 41 BIS.
LIBERDADE PARA TODOS E TODAS.

Estamos frente à tentativa, por parte do Estado, de aniquilar nosso companheiro Alfredo Cospito, enterrando-o no infame regime penitenciário do 41bis, para vingar-se de suas ações e impedir que continue a difundir suas ideias ao exterior.

Por isso, os e as anarquistas cremos que seja necessário empreender, começando desde agora mesmo, uma mobilização generalizada até a requalificação de sua condição carcerária.

Cremos necessário pôr em campo um leque de práticas, cada um segundo suas forças, para obrigar o Estado a tirar o companheiro revolucionário Alfredo Cospito do 41bis.

Somos conscientes da natureza parcial desta luta, mas a pressão repressiva é tão firme que cremos necessário nos opormos a isso com todas as nossas energias, porque nisso vemos a tentativa, por parte do Estado, de prejudicar a possibilidade de nos enfrentarmos com este sistema para todos e todas.

Temos a convicção de ter que defender as escolhas do companheiro e as práticas pelas quais está condenado, práticas que pertencem ao anarquismo desde sempre.

O 41bis é um regime de tortura, estabelecido para calar, isolar e obrigar à colaboração com as instituições: é necessário derrubá-lo junto com todos os cárceres.

Enquanto o Estado tenta acabar conosco, somos conscientes de que a melhor defesa é o ataque.

MORTE AO ESTADO
QUE VIVA A ANARQUIA

Anarquistas

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

As nuvens do céu –
o céu do infinito
eu de nenhum lugar

Stefan Theodoru

[França] Atualização sobre o preso anarquista Ivan Alocco

A seguir, notícias sobre a situação de Ivan, o companheiro anarquista detido em 11 de junho próximo a Paris por incêndio provocado e atualmente em prisão preventiva no cárcere de Villepinte.

Ele se encontra bem. Depois de duas semanas sozinho em uma cela, entre finais de julho e princípios de agosto, volta a estar em uma cela com outro detido.

Enquanto Ivan estava detido, a SDAT (Sous-Direction Anti-Terroriste de la Dirección – Central da polícia judicial francesa) interrogou sua companheira. Umas semanas depois, também citaram sua filha (de 12 anos) e sua mãe para interroga-las. Os policiais queriam interrogar a menina, mas a mãe se negou a deixá-la só.

O companheiro ainda não teve acesso aos expedientes da investigação. O magistrado que substitui o juiz encarregado da investigação explicou a negativa pelo fato de que Ivan não disse nada durante os interrogatórios. O advogado recorrerá desta decisão.

Desde 19 de julho, o companheiro já não recebe correio (só houve uma exceção). Talvez porque o juiz está de férias? Assim que não se surpreendam se suas cartas ficam, pelo momento, sem resposta. Em qualquer caso, Ivan sempre respondeu a todas as cartas que recebeu.

Seguimos escrevendo-lhe e mostrando nossa solidariedade, pelos meios que sejam necessários.

Viva o fogo, viva o ataque!

O endereço do companheiro

Ivan Alocco
n. d’écrou: 46355
M. A. de Villepinte
40, avenue Vauban
93420 – Villepinte
França

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agência de notícias anarquistas-ana

inútil, inútil
a forte chuva
mergulha no mar

Jack Kerouac

[Rússia] Yakutsk: Um punk siberiano pode ser encarcerado por agitação antimilitarista

Aikhal Ammosov, de 30 anos, é membro do grupo local de punk rock Crispy Newspaper. Por supostamente “desacreditar o exército russo”, esta pessoa está ameaçada com 3 anos de prisão. O motivo do caso foi que ele e sua namorada tentaram pendurar uma faixa “Punk yakutiano contra a guerra” no centro de Yakutsk antes da visita do primeiro ministro Mishustin. Foi em 26 de agosto, depois do qual Ammosov foi enviado a um centro de detenção preventiva durante 15 dias.

O verdadeiro nome de Aikhal é Igor Ivanov. Este ano, o tribunal da cidade de Yakutsk, a capital da República de Sakha, já o tinha multado com 30.000 rublos em virtude de um artigo administrativo contra a guerra em 3 ocasiões. Assim, no final de abril, o músico montou uma manifestação próxima do serviço funerário, saindo para ela com um cartaz de “Chegou o namorado”. No monumento militar, acendeu uma vela na placa comemorativa “Hero City Kiev”. Também pintou com spray em um edifício público “Yakutia será livre”, e espalhou mais de 100 folhetos pela cidade, todos diferentes.

A banda punk na qual toca Aikhal conseguiu, nos últimos anos, arrastar produtores de selos independentes, turistas intrépidos e repórteres de revistas estrangeiras a este lugar remoto da Sibéria. Mas a guerra, está claro, muda tudo. “Até agora, a minha geração não lhe interessava nada. Muita gente bebe, alguns vão caçar, outros são simplesmente passivos. Estive esperando que alguém apresente publicamente meus pensamentos e os pensamentos de meus companheiros. O fato é que hoje nenhum político parece digno de ser chamado “homem” ou “mulher”. Assim que decidi fazer tudo eu mesmo”, disse na entrevista da primavera para a Rolling Stone.

As ações de Ammosov foram extremadamente notáveis. Não só em Yakutsk, com uma população de 341 mil, mas em toda Rússia. Então começaram os problemas: foi detido em 25 de abril, e durante 5 dias permaneceu sob custódia dos serviços especiais e da polícia.

“Ao tomar esta decisão, era muito consciente de que podia enfrentar as consequências desagradáveis. Deixei meu trabalho. Cortei a comunicação com meus amigos. Não quero que outros se envolvam. No entanto, creio que a liberdade de meus concidadãos depende de minha história e, em primeiro lugar, de milhares de jovens de Yakutsk. Se me condenaram, sua existência também seria menos segura”.

Ammosov afirma pertencer aos “partisanos e patriotas” que lutaram pela independência do povo de Sakha faz 100 anos, e hoje utiliza a arte como forma de luta. “Cresci em uma família pobre. De menino, era consciente das grandes diferenças que existem em nossa sociedade. Hoje em dia, alguns poderiam pensar que sou um punk anormal porque não bebo nem fumo. Mas aqui temos nossa própria forma de entender as coisas. Em primeiro lugar está o conhecimento e a inteligência. Isto é o que chamamos sakha-punk”.

Logo, contou mais detalhes interessantes em uma entrevista de junho da Sadwave:

“Estou contra qualquer guerra. É estranho estar a favor. Qualquer pessoa consciente que pense com sua própria cabeça será contra os conflitos armados. Todos vimos filmes de guerra. Vimos filmes soviéticos. A guerra sempre é má. A guerra não traz nada bom. Só morte, fome e pobreza. São coisas elementares que até uma criança sabe! Mas as pessoas são tão estúpidas que dizem que há que lutar. Diz que a guerra é boa. Que cedo ou tarde acontecerá. As guerras há que preveni-las, não fomentá-las. E não contribuir com seu desenvolvimento. Não sou hippie e nunca fui uma pessoa amante da paz. Não fui pacifista. Mas nunca estive a favor da guerra. Li muitos livros sobre guerras como a Grande Guerra Patriótica, sobre o Afeganistão, sobre a Chechênia… Sempre estarei contra as guerras.

O sentimento contra a guerra é muito forte entre os jovens de Yakutsk e a região. Nossa juventude é inteligente, pensante, consciente, creio nela. Provavelmente 95% está contra a guerra. Só apoiam alguns poucos. Talvez pela propaganda e os pais? Há mais partidários entre a geração anterior. Mas inclusive eles começam a entender o que é. E eles também estão de nosso lado. As pessoas estão confusas. Foram enganadas. As pessoas não entendem o que estão fazendo. Por que necessitam esta guerra? Todos querem viver em paz. Mas lhes dizem que é necessário. Que é forçoso. Que não havia outra maneira.

Parece que minha história está sendo conduzida a um caso criminal. Simplesmente não querem ir porque tem medo. Dizem que eu levantarei o povo. Já há muita gente atrás de mim. Trabalhadores ordinários, carregadores, taxistas. Juventude. Intelectualidade. Marginais. Moradores de uluses.

Meu apoio é muito forte. Me escrevem constantemente, veio gente na rua, me comunico. Me escrevem desde Buriatia, Tuva. Os meninos de Petersburgo escrevem, ajudam com a arrecadação de fundos. Recentemente enviaram 10.000 para pagar a multa. Os jovens saíram às ruas, disseram palavras de agradecimento, disseram que me apoiam, que seguem meus assuntos, se tiraram fotos como recordação. Perguntam muito, lhes interessa a política, perguntam que acontecerá no futuro quando termine a guerra. Há muitos jovens em Yakutsk que me apoiam. Vou a reuniões, falo com eles, escuto seus pensamentos. Querem falar, mas ninguém os escuta. Aqui só os velhos manejam tudo, e nada se dá aos jovens. Os jovens saem da república ou do país em busca de uma vida melhor e um trabalho digno, porque aqui não se dão as condições normais. Os anciãos estão em todas as partes. Gostaria de mudar isto. Para que venham os jovens. Para que os jovens, enérgicos e ousados, prontos para a ação e a mudança, trabalhem em todas as partes. Temos estagnação e regressão aqui. Vivemos como em uma lata.

Há muitos jovens em Yakutia. E não lhes permitem fazer nada. Simplesmente estão desperdiçando sua preciosa energia. Eles caminham. Lutam. Dormem todo o dia. E seria possível utilizar esta energia para o bem. Mudaríamos muito. Yakutsk é uma cidade de jovens, mas esta cidade é dirigida por velhos conservadores oxidados. Somos a nova geração. Geração de Novos Românticos. Inconformistas e personalidades apaixonadas. Agora é nosso momento. Este é nosso ano. Agora estamos escrevendo a história.

Antes já ia a reuniões, participava nos assuntos públicos da república. Fiz muitas coisas diferentes, mas nem fui brilhante nem audaz. Eu era reservado. Agora trato de fazer tudo para que se veja: quando a gente vê, deixa de ter medo, se inspira, eles mesmos começam a atuar. De certo modo, aplainei o caminho. E digo que todo o mundo pode segui-lo, está comprovado. Atuar de forma encoberta e anônima é inteligente. Mas atuar para o espetáculo é valente e audaz. E paga pela valentia, talvez estarei no cárcere.

Toquei em diferentes bandas, mas todas se desmoronaram. Viveram no máximo um ano ou dois. Quase toda minha vida estive escrevendo textos politizados sobre as realidades de Yakutsk. Ridicularizei os que estavam no poder. Escrevi poesia satírica. Mas realmente não me foquei em ninguém, só fiz intuitivamente o que queria fazer (…) Inventar nosso próprio punk rock desde o zero. Não esperamos nenhum estímulo, nem elogio, nem glória. Só jogamos para nós e nossos amigos. Yakutsk é a Seattle dos anos 90. Yakutsk é a Londres dos anos 70. Mas fazemos o que temos que fazer. Com grande devoção e fanatismo. Só o punk rock nos dá um sopro de liberdade. queremos viver. Queremos liberdade. Queremos fazer história”.

Fonte: http://alasbarricadas.org/noticias/node/49509

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Voa bem-te-vi,
enquanto o sol é promessa
e eu tenho as janelas.

Yberê Líbera

[Espanha] V Encontro d’Escritos Libertários

|| De 12 a 18 de setembro, palestras, apresentações, rota teatralizada pelas Greves e Manifestações de León e muitas mais coisas para alimentar a raiva contra o sistema que nos destrói ||

Aqui estamos, outro ano mais voltamos com os escritos libertários. Apesar da situação de bloqueio e desmobilização sabemos que as aspirações libertárias são mais fortes que o peso da cotidianidade capitalista.

Temos toda uma semana de atividades programadas nas quais exploraremos o passado do movimento libertário no estado espanhol e na comarca sanabresa, nos aproximaremos da figura de Ricardo Flores Magón no centenário de seu desaparecimento; nos impregnaremos do vigor surrealista e visitaremos a cena fanzineira local, essas publicações impregnadas pelo frenesi criativo e a diversidade temática.

Em um momento no qual a necropolítica fronteiriça da UE nos recorda que a livre circulação está instaurada para os capitais e não para as pessoas, nos aproximaremos da luta do povo saharaui frente à podre política colonial espanhola.

Da mesma forma, frente aos cantos de sereia eleitoralistas que vem outro ano mais nos seria de ajuda recordar que já em 1893 na vila de Sahagún se realizou o primeiro boicote eleitoral do estado e como há outros métodos de luta. Na rota pelas mobilizações da província até 1939 encontramos alguns deles: desde as revoltas jornaleiras [agricultores] de terra de campos que terminavam com o incêndio das caixas de pão dos patrões até os mineiros faberenses proclamando o comunismo libertário em 1933 após a greve geral revolucionária.

A gestão do colapso pelas atuais elites está se convertendo em toda uma série de medidas encaminhadas a que as classes populares “apertem o cinto”; enquanto que a economia atual continua arruinando a vida da maioria e espolia os recursos naturais para seguir gerando lucros a uma minoria. Por isso seguimos reivindicando outro modelo econômico que priorize a gestão comunal e respeitosa com a Natureza, voltando a pôr em relevo o local, onde os conselhos foram e são a melhor expressão de democracia direta, como veremos na oficina sobre conselhos e juntas vicinais.

Definitivamente, uma semana de atividades libertárias para enfrentar um sistema onde a única liberdade que está garantida é a liberdade de consumo.

Saúde e liberdade!

>> Confira a programação aqui:

https://alcuentrullibertariollion.wordpress.com/calendario-alcuentru-2022/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

nenhuma flor resta
os troncos abatidos
nenhuma floresta

Núbia Parente

[Reino Unido] Contra o Anarco-Liberalismo e a maldição da política identitária

A política identitária tem infectado os espaços anarquistas e faz parte da sociedade que queremos destruir, porque é estreita, exclusiva e divisiva, um instrumento da classe média que explora o medo, as inseguranças e a culpa – e está alimentando a extrema-direita.

Por Anarquistas Despertos (UK)

O anarquismo no Reino Unido é uma piada. Tendo uma vez simbolizado as lutas pela liberdade, a palavra foi despida de sentido para dar lugar a políticas de identidade de espírito estreito, separatista e odioso por parte dos ativistas da classe média interessados em proteger os seus próprios privilégios. Escrevemos este folheto para recuperar o anarquismo destes políticos identitários.

Escrevemos como pessoas que se identificam como anarquistas que vemos as nossas raízes nas lutas políticas do passado. Somos antifascistas, antirracistas, feministas. Queremos pôr um fim a todas as opressões, e tomamos parte ativa nessas lutas. Mas o nosso ponto de partida não é a linguagem densa dos acadêmicos liberais esquerdizantes, mas o anarquismo e os seus princípios: liberdade, cooperação, ajuda mútua, solidariedade e igualdade para todos, independentemente de tudo. Hierarquias de poder, em qualquer forma que se manifestem, são nossas inimigas.

A política identitária faz parte da sociedade que queremos destruir. 

A política identitária não é libertadora, mas reformista. Não é mais do que um terreno fértil para os aspirantes a políticos identitários de classe média. A sua visão a longo prazo é a plena incorporação de grupos tradicionalmente oprimidos no sistema social hierárquico e competitivo que é o capitalismo, e não a destruição desse sistema. O resultado final é o Capitalismo Arco-íris – uma forma mais eficiente e sofisticada de controle social onde todos têm a oportunidade de desempenhar um papel! Confinados ao “espaço seguro” de pessoas como eles, os políticos identitários tornam-se cada vez mais desligados do mundo real.

Um bom exemplo é a “teoria queer“, e como ela se vendeu a mestres corporativos. O conceito de queer era, não há muito tempo, algo subversivo, sugerindo uma sexualidade indefinível, um desejo de escapar às tentativas da sociedade de definir e estudar e diagnosticar tudo, desde a nossa saúde mental até a nossa sexualidade. No entanto, com poucas críticas de classe, o conceito foi prontamente apropriado por políticos e acadêmicos identitários para criar mais um rótulo exclusivo para um grupúsculo frio que é, ironicamente, tudo menos libertador. Cada vez mais, o queer é um bonito distintivo adotado por alguns para fingir que também eles são oprimidos, e evitar serem chamados à sua política burguesa de merda.

Não queremos ouvir falar sobre o próximo evento “autogerido”, noite queer ou festa em squat que exclui todos, excepto aqueles que têm a linguagem, o código de vestuário, ou os círculos sociais certos… Volte quando tiver algo genuinamente significativo, subversivo e perigoso para o status quo.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2022/08/145474/

agência de notícias anarquistas-ana

na ordem alfabética
conseguir captar
a desordem poética

Jandira Mingarelli

O arquivista

Max Nettlau foi um historiador dos anarquismos que viveu parte de sua vida na Alemanha. No final do século XIX, encantou-se com os inúmeros escritos libertários que circulavam em jornais e periódicos. Resolveu montar um arquivo e, com o dinheiro de uma herança, passou a guardar os materiais para que não fossem esquecidos ou perdidos. Dedicou-se também a estudar e escrever sobre a vida de algunxs anarquistas, entre suas obras, talvez a mais conhecida seja a biografia de Mikhail Bakunin. Ao final da I Guerra Mundial, Nettlau perdeu tudo o que tinha e acabou vendendo o seu acervo para o International Institute of Social History (IISH), na Holanda. Com a ascensão do nazismo, teve de fugir de Berlim e passou a viver em Amsterdam, onde continuou a catalogar os materiais anarquistas no IISH até ser acometido por um câncer que o matou em 1944. A atenção de Nettlau à produção anarquista foi vital para que muitos documentos sobrevivessem às perseguições e continuassem a atiçar libertárixs atentxs pelo planeta.

e seu arquivo

Na internet circulam dados de pessoas, mercadorias, dinheiro, textos, sonhos, desejos entre tantas outras coisas. Em meio ao cruzamento infinito de dados para construção de perfis, recentemente, os arquivos coletados por Nettlau sobre a América Latina foram disponibilizados digitalmente (https://archive.org/details/anarquis-molatino?tab=about). São inúmeros periódicos que carregam as histórias, registros de festas e de vidas, invenções, desentendimentos, vitalidades e lutas libertárias. Em meio a monitoramentos, compartilhamentos, inteligência artificial, big data, bancos de dados, coins e likes, os periódicos anarquistas passam despercebidos a esses fluxos. Em qualquer canto do planeta, podem ser encontrados por quem tiver interesse. E que continuem a atiçar novas lutas por aí. Saúde!

>> Para ler o Flecheira Libertária na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2022/08/flecheira686.pdf

Fonte: Flecheira Libertária, n. 686, 30 de agosto de 2022. Ano XVI.

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agência de notícias anarquistas-ana

uma pétala de rosa
no vento
ah, uma borboleta

Rogério Martins