[São Paulo-SP] Anarquismo decolonial numa visão preta de quebrada!

Muito se fala sobre o Anarquismo nos meios de esquerda, porém pouco se conhece dele. A luta anarquista na história nunca foi travada por acadêmicos ou burocratas, muito menos por reformistas ou doutores cultos da linguagem. Essa luta sempre foi travada por nós, aqueles considerados os últimos da sociedade. Aqueles que a polícia não pede por favor com humildade para parar uma manifestação.

Da mesma forma nenhuma revolução anarquista começou com nenhuma vanguarda do pensamento ou aqueles iluminados que sabem o que o povo precisa, muito mais que o próprio povo. Todas as vitórias anarquistas pelo mundo foram conquistadas pelos periféricos, conquistadas pelos indígenas, pretos, mulheres, LGBTQIA+ excluídos pelo status quo e sequestrados em suas pautas pelo poder do Estado.

Não seria diferente aqui nesse país da tragédia cômica e inevitavelmente racista. Não há outra saída para barrar o Fascismo que não saia das mãos das favelas e periferias dessa terra. Não há a menor possibilidade do Fascismo bolsonarista retroceder, ainda mais agora que tomaram a pauta “Deus” para dentro dos seus bueiros.

O motivo dessa Frente existir não é fazer dela o grupo organizado que irá mudar o mundo ou o país, mas colocar em pauta que existe uma ideologia já vivida pelas quebradas, apoio mútuo, solidariedade, liberdade e insubmissão à injustiça, que aprendemos desde os quilombos e em nossas aldeias. Ancestralidade, Cultura e Educação não são nossos lemas por serem palavras bonitas. São nossos lemas porque construir isso é urgente e o anarquista que se deu conta disso, precisa levantar da cadeira e fazer sua parte antes que seja tarde demais, sem colocar sua esperança em políticos, antes que não possamos nem ao menos dizer “parem de nos matar”.

Frente Anarquista da Periferia (FAP)

agência de notícias anarquistas-ana

na cama de nuvens
o sol espreguiça-se
oblongo

Eugénia Tabosa

Vídeo | Grécia tem greve de 24 horas contra o custo de vida

Vídeo da linha de frente em Syntagma na quarta-feira, 9 de novembro de 2022. Imagens da marcha, dos confrontos e das prisões durante a grande marcha grevista em Atenas com dezenas de milhares de manifestantes. A greve geral de ontem foi uma das maiores greves dos últimos anos, uma paralisação de trabalhadores do setor público e alguns setores privados contra a alta nos preços.

>> Veja o vídeo (05:15) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=yWdSrN_QBRo

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/11/10/grecia-greve-geral-9n-contra-o-aumento-do-custo-de-vida-confrontos-em-atenas-e-tessalonica-marcaram-as-marchas/

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velho haicai
séculos depois
o mesmo frescor

Alexandre Brito

[Irã] “Nem o rei nem a direção, abaixo o sistema autoritário”

O levante dos oprimidos no Irã é um levante, dividi-lo em grupos étnicos é uma ação contrarrevolucionária!

Para evitar que o levante dos oprimidos no Irã se converta em uma guerra de milícias religiosas e étnicas, como o levante dos oprimidos na Síria (2012), devemos extrair lições da história e a experiência do passado. Conflitos de classe.

Agora que passaram dez anos desde o ressurgimento dos Oprimidos na Síria, a história demonstrou que converter o levante social e de massas em uma guerra de milícias e em um circo político para os partidos políticos criará as condições para o reforço da contrarrevolução. Converterá o levante em um jogo político para as agências de inteligência de várias superpotências e companhias multinacionais para criar um banho de sangue através da guerra de milícias com o apoio dos estados títeres regionais.

Desafortunadamente, a contrarrevolução conseguiu converter os levantes dos oprimidos desde Tunez até a Síria e Iêmen, em ferramentas para implementar os planos das superpotências e as empresas multinacionais. O exemplo vivo desta realidade são os conflitos internos na Síria e no Iêmen que criou um mercado para o comércio de armas.

Ainda que o Irã se componha de várias regiões étnicas e religiosas diferentes, as manifestações e protestos anteriores se dividiram de alguma maneira entre estas entidades políticas e culturais, mas desta vez, diferente de antes, mas como o levante de 1979, os oprimidos do Irã se levantaram como um corpo.

Este é o ponto de inflexão mais positivo e alentador do ressurgimento da luta dos oprimidos iranianos. É um sinal aprender lições das lutas passadas e o aumento da autoconsciência dos oprimidos iranianos.

Mas apesar de toda a alegria a este nível de autoconsciência dos oprimidos, não devemos esquecer nem um segundo o perigo das manobras contrarrevolucionárias (do governo aos monárquicos, nacionalistas e suníes salafistas). Se olharmos de perto as reações e atitudes dentro e fora do Irã, lamentavelmente há movimentos contrarrevolucionárias aqui e ali, ainda que são preliminares, mas tudo tem um começo. Converter o levante na Síria em um banho de sangue durante dez anos de guerras de milícias começou com um só disparo e um incidente banal, que foi um tiroteio durante uma manifestação pacífica depois das orações da sexta-feira.

Nas últimas semanas, os monárquicos fora do Irã sob a bandeira do estado tentaram constantemente mudar a natureza dos protestos, enquanto que em casa o governo atacou as bases armadas da oposição fora do Irã (na região do Curdistão/Iraque) e levou a cabo dois níveis de repressão em Baluchistão e Curdistão com bastante dureza em comparação com as regiões de fala persa para criar confusão, suspeita e divisões entre os manifestantes.

O estado também tentou arrasar as milícias do partido armado curdo a uma resposta armada e criar suspeitas e divisão entre os levantes em Baluchistão, Curdistão e Azerbaijão com o centro de fala persa. Claro, junto com os esforços do governo iraniano, os governos de Paquistão, Turquia e o Golfo estiveram envolvidos nas últimas décadas em uma flagrante discriminação religiosa e étnica nessas regiões e agora estão tratando de provocar divisões. Mais efetivos e piores que todos estes são dos fenômenos que surgiram nos últimos dias: Primeiro, os tiroteios e a armação do levante, especialmente nas regiões fora do centro. Em segundo lugar, a etinização das manifestações de solidariedade fora do Irã, especialmente na Europa, que só são solidárias com o levante de uma região, o que é o começo da fragmentação e criação de divisões ao estimular o nacionalismo e o salafismo religioso.

Nos opomos e condenamos essas tentativas e tratamos de prevenir qualquer tentativa, opinião e declaração contrarrevolucionária. De acordo com nossa experiência da história dos levantes, especialmente o levante dos oprimidos no Irã de 1979 e o levante dos oprimidos no Iraque de 1991, apresentamos nossos pontos de vista, sugestões e apoio a nossos amigos e camaradas em todas as regiões do Irã. Nosso único objetivo é impedir os esforços daqueles grupos e partidos que estão tratando de converter este levante unido dos oprimidos do Irã em nacionalista fragmentado e em uma guerra de milícias.

Afortunadamente, até onde sabemos, as atividades dentro das cidades e regiões iranianas, o nível de consciência dos insurgentes está ao nível de sua responsabilidade histórica revolucionária e os riscos de divisões foram menos dominantes até agora. No entanto, nós (como partidários de nossos companheiros insurgentes no Irã) não devemos ficar de braços cruzados e ignorar os movimentos e esforços dos movimentos autoritários e as milícias (desde nacionalistas, salafistas, shakhaístas até esquerdistas) para controlar e enganar em todos os protestos ou levantes. A antirrevolução sempre foi capaz de vencer e derrotar as ondas da revolução social aproveitando o otimismo dos oprimidos inconscientes através dos movimentos, partidos e grupos armados autoritários.

Frente a estes esforços contrarrevolucionários, o apoio dos lutadores pela liberdade e os movimentos antiautoritários a nível mundial e em todas as regiões do mundo para o levante dos oprimidos no Irã pode fortalecer o equilíbrio de poderes em benefício do polo revolucionário contra os capitalistas, que já preparam seu cenário para controlar a sociedade iraniana após a queda do atual governo.

Não ao estado e ao governo, não às milícias, não ao partidismo, não ao nacionalismo, não ao salafismo

Sim à solidariedade global, sim ao levante social, sim à autogestão social local de todas as regiões iranianas, sim ao federalismo não estatal

Foro anarquista de fala curda

14 de outubro de 2022

Fonte: Anarkistan –https://linktr.ee/anarkistan

Tradução > Sol de Abril

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criado mudo
fica quieto
mas vê tudo

Carlos Seabra

Liberdade para Kirill Ukraintsev, sindicalista, vítima do regime russo!

Com mais de 20 anos à frente da Federação Russa, Putin tem travado uma verdadeira guerra contra o povo da Rússia, cuja situação econômica e social continua a piorar. Para tentar esconder a situação, além do desenvolvimento de campanhas de intoxicação e propaganda, o regime silencia por todos os meios aqueles que ousam falar alto e lutar por mais liberdade e justiça. Sindicalistas, anarquistas e, em geral, defensores dos direitos humanos estão particularmente na sua mira… A guerra desencadeada após a invasão do território ucraniano aumentou a brutalidade da repressão por parte do Estado russo, que agora nem sequer finge respeitar a sua própria legalidade.

Kirill Ukraintsev é um simples trabalhador precário, um estafeta que faz entrega de refeições, e que com outros colegas, em 2020 teve a coragem de dizer “niet” ao seu patrão-oligarca e de criar um sindicato para exigir respeito pela sua dignidade. Desde 2020, eles já fizeram inúmeras greves, exigindo o pagamento de salários não pagos, a anulação de multas injustas e o fim do aumento de mais encargos sobre os trabalhadores. Reivindicam também contratos de trabalho para os estafetas.

Em abril passado, o chefe do Delivery Club decidiu unilateralmente reduzir os salários dos estafetas em 20%, num momento em que a Rússia está a ter um forte aumento da inflação! Em resposta a essa medida escandalosa, os estafetas iniciaram um movimento grevista. No dia 25 de abril, enquanto o sindicato “Correio” organizava uma manifestação em frente à empresa, a polícia invadiu a casa de do  secretário do sindicato, Kirill Ukraintsev. Foi detido sob custódia e acusado ao abrigo do artigo 212.1 do Código Penal da Federação Russa, que reconhece como delito  convocar ou participar em reuniões não autorizadas. O sindicalista é acusado de apelar a estafetas e a taxistas, através das redes sociais, para protestarem contra a violação de direitos laborais. Por isso, arrisca até 5 anos de prisão por “violação repetida do procedimento de organização de reuniões”.

> > Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/11/08/liberdade-para-kirill-ukraintsev-sindicalista-vitima-do-regime-russo/

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Sobre o varal
a cerejeira prepara
o amanhecer

Eugénia Tabosa

Poéticas Animalistas em Maria Lacerda de Moura e Nise da Silveira: Libertação, Arte e Resistência

As conexões entre as poéticas libertárias, feministas e animalistas atravessam o tempo e recortam geografias na crítica endereçada à figura universalista antropocêntrica e nas experiências artísticas das relações multiespécie.

No campo das artes e da tecnobiopolítica, novos desafios passam pela necessidade de revisitar autoras como: Maria Lacerda e Nise da Silveira. Meu objetivo será, portanto, buscar na obra das duas autoras a positividade nas relações multiespécie e suas interfaces com os processos de libertação, criação artística e resistência política.

>> Baixe o PDF Poéticas Animalistas em Maria Lacerda de Moura e Nise da Silveira aqui:

https://www.anarquista.net/poeticas-animalistas-em-maria-lacerda-de-moura-e-nise-da-silveira/

agência de notícias anarquistas-ana

Ao fim da árdua trilha
A cidade e seu castelo –
Pipas incontáveis.

Tan Taigi

[Grécia] Greve Geral (9N) contra o aumento do custo de vida: confrontos em Atenas e Tessalônica marcaram as marchas

Os incidentes eclodiram a partir do meio-dia desta quarta-feira, 9 de novembro, em Atenas e Tessalônica. Anarquistas começaram a lançar coquetéis molotov e pedras contra a polícia tanto em Atenas quanto em Tessalônica, enquanto as marchas para a greve estavam em pleno andamento e com grande participação, com o resultado de que os centros das cidades pareciam campos de batalha. Em Tessalônica, bancos e lojas de luxo foram atacadas por anarquistas durante os protestos.

Ainda durante as mobilizações da greve e pouco antes do início dos confrontos na Praça Syntagma, em Atenas, um grupo de cerca de 20 anarquistas se aproximou do Ministério da Fazenda na Rua Victory e atacou com coquetéis molotov todos os carros do Ministério, bem como a entrada do prédio. Foi uma mensagem clara de rebelião contra o terrorismo de Estado.

Outras cidades gregas também registraram manifestações.

agência de notícias anarquistas-ana

um gato no telhado
para os pardais novos
que alvoroço!

Rogério Martins

Manifesto Internacionalista contra a guerra e a paz capitalista na Ucrânia…

“Suas guerras! Nossos mortos!” foi sob essa bandeira que proletários radicais se distanciaram dos desfiles pacifistas organizadas nas ruas da Espanha, em março de 2004, após os massacres em Madrid que deixaram mais de 200 mortos. Eles avançaram esse lema derrotista em resposta à participação militar da Espanha no Iraque e à “Guerra ao Terror” imposta pelo Estado capitalista mundial e seu ramo espanhol, ecoando dessa forma as muitas manifestações históricas de derrotismo revolucionário que entremeiam o desenvolvimento de sociedades de classe e, portanto, da luta de classes, da guerra de classes.

Como proletários socialistas revolucionários, comunistas, anarquistas…, não temos absolutamente nenhum interesse material em tomar partido, de qualquer maneira que seja, com o Estado capitalista e sua democracia, qualquer que seja sua aparência, com nossos inimigos de classe, com nossos exploradores, com aqueles que sempre nos retribuíram severamente com “tiros, metralhadoras e prisão” quando lutamos e tomamos as ruas para reivindicar nossa humanidade. E é assim independente da natureza e da orientação política do regime de turno na pátria A ou na pátria B, que estão em um conflito interestatal por seus próprios interesses de conquista e poder. Nós nunca expressaremos qualquer solidariedade com qualquer um de nossos exploradores!

Seus interesses! Nossos mortos! Não tomamos posição por nenhum dos Estados em conflito, seja ele categorizado, de acordo com a moralidade política burguesa dominante, como “o agressor” e o outro como “o agredido” ou vice-versa. Seus respectivos interesses em jogo são exclusivamente seus e em total oposição aos da classe explorada, ou seja, nós proletários; é por isso que, por fora e contra todo nacionalismo, todo patriotismo, todo regionalismo, todo localismo e todo particularismo, afirmamos em alto e bom som nosso internacionalismo!

O proletariado, como uma classe revolucionária, não mostra nenhuma neutralidade em relação a qualquer um de seus exploradores que se confrontam na redistribuição de suas participações no mercado, mas ao contrário, ele rejeita-as igualmente como dois lados da mesma realidade, o mundo de exploração de uma classe por outra, e expressa sua profunda solidariedade com todos os setores de nossa classe que estão passando pelas agressões multiplicadas de um ou outro de seus inimigos históricos. Mas sejamos claros, nós nunca negaremos aos proletários a necessidade imperativa de se defenderem contra qualquer agressão, repressão, tortura, massacre…

E aqui, na circunstância atual, os proletários na Ucrânia não mais possuem a sua frente apenas seu inimigo costumeiro e diário, isto é o Estado ucraniano “agredido” e sua burguesia local (chamada de “oligarca” para melhor esconder sua verdadeira natureza de classe, como se fossem diferentes de todos os outros capitalistas em outros lugares do mundo), não têm apenas de passar pelos ataques de sua própria burguesia (com cortes salariais, demissões, economia de guerra, repressão dos subsequentes movimentos grevistas), mas desde 24 de fevereiro desse ano também têm de confrontar a ofensiva militar do Estado “agressor” dos capitalistas russos com seu exército, seus bombardeamentos, seus mísseis, seus massacres diários…

Suas nações! Nossos mortos! E para todos os belicistas da esquerda e da extrema-esquerda do Capital, que acusarão mais uma vez os revolucionários de serem “neutros” e de não “tomarem posição”, respondemos que é bem o contrário que propomos nesse manifesto e em nossa atividade militante no geral: defendemos firmemente o partido do proletariado e a defesa de seus interesses históricos e imediatos, defendemos sua ação de subversão desse mundo de guerra e miséria, defendemos o desenvolvimento, a generalização, a coordenação e a centralização dos atos de fraternização, deserção, motim já existentes em ambos os lados do fronte, contra ambos os beligerantes, contra ambos os Estados, contra ambas as nações, contra ambas as frações locais da burguesia mundial… Defendemos a extensão dessas lutas e sua conexão orgânica, como momentos de uma totalidade com todas as lutas que têm acontecido há meses e em todos os lugares sob o Sol negro da ditadura social do Capital, seja no Sri Lanka, Peru, Irã, Equador ou Líbia.

Advogamos pelo desenvolvimento do terceiro campo, o único campo que defende os interesses globais do proletariado em sua luta imediata e histórica contra a exploração, o trabalho assalariado, a miséria e a guerra. Esse terceiro campo é o do proletariado internacionalista revolucionário, o qual se opõe a todos os campos burgueses em guerra, é o campo de nossos irmãos e irmãs de classe que lutam por seus próprios interesses, que são antagônicos aos interesses de todos aqueles que defendem a propriedade privada, o dinheiro e a ordem social que esses portam…

Sua paz! Nossa exploração! Se rejeitamos categoricamente todas as guerras burguesas, nas quais o proletariado serve apenas como carne de canhão, não importando a qual campo é incorporado, rejeitamos a “paz” da mesma forma e com a mesma força, a “paz” não é nada mais do que o momento invertido, mas complementar, da “guerra”. A paz é somente um momento de reconstrução entre duas guerras, porque a guerra é necessária ao Capital de modo a temporariamente resolver a crise inerente ao seu modo de produção. Mas a guerra é também o momento supremo de paz social, e a última é somente a materialização da guerra permanente travada contra nossa classe através da exploração de nossa força de trabalho, a mercantilização de nossas vidas e a alienação de nossas existências.

Voltando à Ucrânia, gostaríamos de salientar aqui que se nos opomos fortemente ao apoio a qualquer lado na presente guerra, que não é nada além de uma guerra entre Estados, se recusamos tomar lados com uma ou outra burguesia beligerante, tanto a ucraniana que é “invadida” e “agredida” como a russa que é “invasora” e “agressora”, nosso julgamento é diferente e mesmo antagônico quando analisamos os eventos que transcorreram algumas semanas antes do estalar da guerra na Ucrânia. Estamos nos referindo à repressão militar no Cazaquistão e a “ocupação” desse país por tropas de elite do exército russo: uma “ocupação” não é necessariamente igual a outra!

Nossas revoltas! Nossos mortos! Obviamente, ninguém, ou apenas alguns, ficou chocado com a repressão do levante de trabalhadores no Cazaquistão em janeiro e por uma boa razão. Nem mesmo no Ocidente, onde por fim os capitalistas entenderam rapidamente que a burguesia russa, ao “invadir” o Cazaquistão que havia se tornado incontrolável socialmente, ao esmagar o proletariado em revolta, ao restaurar através do terror a ordem dos grandes negócios, a ordem dos negócios internacionais, estava na verdade agindo objetivamente em serviço dos interesses de todos os capitalistas, e portanto também das multinacionais que têm suas sedes no Ocidente. Eis aqui a absoluta diferença em natureza entre a “ocupação” do Cazaquistão para reprimir um movimento social que ameaçava parcialmente a atual ordem das coisas, por um lado, e a “ocupação” de uma parte da Ucrânia em um conflito que responde aos interesses geoestratégicos entre diferentes frações do mesmo Capital mundial, por outro.

Todo mundo entenderá facilmente que a abordagem proletária a esses dois tipos de ocupação, e como se posicionar, será totalmente diferente. No caso, como na Ucrânia, onde existem dois atores burgueses que se confrontam, se posicionar e se empenhar contra um deles, contra o “agressor” (nesse caso, o Estado russo), mas não contra o outro, o “agredido” (o Estado ucraniano), acaba de maneira objetiva, e especialmente em um sentido eminentemente prático, quer se goste ou não, apesar de sua vontade, apesar do que se afirma, em se empenhar com e apoiar o último, e ainda mais na ausência de qualquer dinâmica de autonomização em relação às estruturas militares e de abastecimento que concebe esse comprometimento. Porque não nos enganemos, não existia antes do eclodir da guerra, e não existe no momento, qualquer movimento revolucionário forte na Ucrânia, suficientemente antagônico para que pudesse afirmar o poder social de nossa classe e defender seus interesses imediatos e históricos.

Por outro lado, no caso de um levante proletário em uma dada região que a burguesia é obrigada a reprimir através da contribuição de uma força interventora “externa” (por conta do derrotismo que enfraquece as forças de repressão locais), a “ocupação” resultante tem um caráter completamente diferente. Nosso inimigo é nossa própria burguesia, claro, mas é acima de tudo a burguesia que temos diretamente em frente de nós, a que está nos reprimindo, bombardeando, massacrando, a que está tomando o lugar da fração burguesa que inicialmente nos explorava, que está a substituindo. Obviamente, entendemos que contra uma “agressão”, contra uma “ocupação”, contra massacres e repressão, os proletários querem resistir, pegar armas, defenderem-se… Mas enquanto no Cazaquistão essa resistência armada teria como objetivo a defesa do levante social, a defesa de um embrião de dinâmicas revolucionárias, na Ucrânia a resistência dos proletários, mais uma vez se for limitada somente a um dos protagonistas da confrontação bélica, arrisca rapidamente aniquilar-se nas mãos do Estado ucraniano, de seus aliados e de seus interesses burgueses. Pelo menos é isso que a história das lutas de nossa classe sempre nos mostrou, até que se prove ao contrário… e o exemplo histórico da Espanha de 1936-37 é revelador nesse aspecto, já que a revolução foi sacrificada lá em nome do “mal menor” a ser defendido, a república burguesa, a frente popular antifascista, confrontado com o que era representado como o “mal absoluto”: o fascismo.

Na Espanha ontem, como em Rojava e na Ucrânia hoje, “o povo em armas” não é, e está longe de ser, o proletariado armado; armado com as armas da crítica para permitir o desenvolvimento da crítica real pelas armas…

Portanto, podemos apenas saudar os proletários que recusam se posicionar em um ou outro dos campos burgueses presentes e que, ao contrário, afirmam seu internacionalismo e se organizam para confrontar os dois irmãos inimigos. Como nos anos 80 do último século, quando desertores “iraquianos” se organizaram com desertores “iranianos”, durante a terrível carnificina que durou oito longos anos, e quando eles juntaram forças para lutar juntos contra ambos os exércitos burgueses.

Saudações, então, às proletárias na Ucrânia, tanto na região ocidental de Transcarpathia (portanto, sob administração militar ucraniana) e no Donbass, nas “províncias orientais” (portanto, sob administração militar russa), que foram às ruas para expressar seu desprezo pela “defesa da pátria” e para exigir o retorno de seus filhos, irmãos e parentes enviados aos frontes para defender interesses que não são seus.

Saudações aos proletários na Ucrânia que estão secretamente abrigando soldados russos que desertaram, por risco próprio já que quando são presos, seja pelas autoridades militares russas ou pelas ucranianas, são forçados a entender onde a força legal está nesse mundo nojento, qual lado e qual pátria eles têm de defender e que nenhuma fraternidade será tolerada.

Saudações aos proletários na Ucrânia que, apesar do alistamento obrigatório, escapam de sua incorporação em unidades militares através de todos os meios disponíveis, legais ou não, e dessa forma recusam se sacrificar e servir sob as dobras do trapo nacional ucraniano.

Saudações aos soldados russos que, desde o começo das “operações especiais” na Ucrânia, têm fugido da guerra e seus massacres, abandonando tanques e veículos armados funcionando e buscando sua salvação em voos, através de redes de solidariedade com desertores de ambos os exércitos.

Saudações também (embora a informação a esse respeito seja menos precisa, a guerra das notícias e da propaganda militar obriga!) aos 600 soldados da marinha russa que recusaram no começo do conflito a desembarcar, sabotando então um desembarque na área de Odessa.

Saudações também (com as mesmas ressalvas) aos soldados russos que fizeram motim e se recusaram a atacar Kharkov, também no início do conflito.

Saudações aos soldados do exército da “República Popular de Donetsk”, forçadamente incorporados e enviados ao fronte de Mariupol, que recusaram continuar a lutar, a servir como “carne de canhão” (de acordo com eles mesmos!), enquanto dessa vez eles eram enviados para defender a vizinha “República Popular de Lugansk”.

Saudações aos rebeldes e sabotadores que, na Federação Russa, já queimaram dezenas de escritórios de recrutamento militar e outros escritórios dos porcos por todo o país.

Saudações aos ferroviários na Bielorrússia, que têm repetidamente sabotado os trilhos, essenciais para a manutenção de linhas de abastecimento do exército russo mobilizado na Ucrânia.

Saudações aos proletários na Ucrânia que, no início dos bombardeios, começaram a organizar saques coletivos de lojas abandonadas por seus donos, de supermercados e shoppings, como reportado em Mariupol, Kherson e até em Kharkov, avançando a satisfação das suas necessidades básicas de sobrevivência contra todas as leis e morais que protegem a propriedade privada.

Saudações a todos os proletários na frente doméstica, que organizam greves e se recusam a oferecer seu trabalho e seu suor para a economia de guerra, a economia da paz social, e portanto a economia de todas as formas, estejam conscientes ou não disso.

E finalmente, saudações aos proletários, ferroviários, estivadores… na Europa, Grécia, Inglaterra… que recusam transportar equipamento militar para a OTAN para Ucrânia.

Saudações, portanto, para todos você que recusam se sacrificar no altar da guerra, da miséria e da pátria!!!

E o dia, que esperamos ser em breve, em que os proletários tomarão as ruas de Moscou e Kiev, e de todas as grandes áreas urbanas da Rússia e da Ucrânia, entoando com uma voz “Putin e Zelenski, fora!”, responderemos de nossa parte, nos referindo aos camaradas que bradavam nas ruas da Argentina há mais ou menos vinte anos atrás o lema “¡Que se vayan todos!“, que todos sumam, que vão para os infernos, Biden, Johnson, Macron, Scholz, Sanchez, von der Leyen, Michel, Stoltenberg… todos esses promotores da guerra e da miséria… e todos aqueles, com certeza todos aqueles, que estão na fila da alternância política!

Mas sejamos claros: eles são somente intermediários nesse sistema de prostituição generalizada que é o trabalho assalariado, a venda obrigatória de nossa força de trabalho. Para além de todas as pessoas que personificam a ditadura social do Capital, o último é acima de tudo uma relação social impessoal que pode ser, é e tem sido reproduzido por qualquer elemento, burguês ou proletário, cooptado a fazê-lo. Então, mesmo que compartilhemos por completo a alegria dos proletários no Sri Lanka que, depois de ter expulso o presidente vigente alguns dias atrás, invadiram seu palácio presidencial e mergulharam em sua luxuosa piscina, a pergunta que devemos nos fazer é: como empurrar a dinâmica revolucionária rumo a suas últimas consequências, como expropriar a classe proprietária e reapropriar nossos meios de existência… e acima de tudo, como não retroceder?! É aqui que a genuína aventura humana começa…

Guerra de Classes, 31 de julho de 2022

Fonte: https://amanajeanarquista.blogspot.com/2022/11/manifesto-internacionalista-contra.html

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Os banhos agora
Num dia sim, noutro não –
Canto dos insetos.

Konishi Raizan

Lançamento: “El pensamiento fascista en el Perú (1930-1945)”

José Ignacio López Soria (Compilador). “El pensamiento fascista en el Perú (1930-1945)”. Prólogo de Abraham Abad. Editorial Ande. Lima, novembro de 2022.

Este livro de José Ignacio López Soria se estabeleceu como uma das obras mais citadas nos estudos sobre o fascismo peruano, não só pelas definições teóricas que ele fornece em seu estudo introdutório, mas também pela seleção de textos que mostram claramente as ligações entre as elites peruanas e o fascismo em voga durante as décadas de 1930 e 1940. São apresentados documentos inestimáveis nos quais é explicitada a postura fascista ou filofascista de figuras como José de la Riva-Agüero, Raúl Ferrero Rebagliati, Carlos Miró Quesada Laos, Antonio Pinilla e organizações como a Unión Revolucionaria, etc. Ao mesmo tempo, o compilador apresenta uma tipologia das correntes do fascismo que proliferaram durante estes anos, classificando-as sob os conceitos de aristocrático, mesocrático e popular. O texto foi um grande sucesso na época, tendo saído rapidamente de circulação após sua publicação em 1981. Portanto, é muito difícil encontrar cópias da edição original atualmente. Hoje, com a irrupção da extrema direita na cena política mundial, este trabalho recuperou sua vitalidade para compreender o processo de radicalização dos setores conservadores e sua abordagem das tendências fascistas nas condições históricas específicas que caracterizam a sociedade peruana.

El pensamiento fascista en el Perú (1930-1945)

editorialande@gmail.com

editorialande.com
Tradução > Liberto

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Ah! Oh! É tudo
O que se pode dizer —
Monte Yoshino em flor.

Yasuhara Teishitsu

[Chile] Solidariedade com os 4 antiespecistas detidos

Solidariedade com os 4 companheiros antiespecistas sequestrados pelo Estado-Policial

Durante o 4 de novembro passado à luz da lua foram presos de maneira simultânea 4 companheiros acusados do delito de incêndio, que seriam vinculados à sabotagem à empresa de carne “Susaron”. No marco desta campanha repressiva, se levantam diversas iniciativas solidárias com os companheiros.

Não os deixemos sós: SOLIDARIEDADE antiautoritária, CUMPLICIDADE INSURRETA, SEDIÇÃO CONTRA O ESTADO POLICIAL

Multipliquemos os gestos de solidariedade.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/09/22/chile-ataque-incendiario-a-um-acougue-em-quilicura-santiago/

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O primeiro amor –
À lanterna se aconchegam
Um rosto e outro rosto

Tan Taigi

[Alemanha] Ataque incendiário em solidariedade com Alfredo Cospito

Na madrugada de 31 de outubro, incendiamos uma van pertencente à empresa GA-Tec. Esta empresa de tecnologia de gestão de edifícios e instalações é 100% propriedade do grupo Sodexo, que administra prisões (na Inglaterra e no Chile) e é um dos grandes beneficiados no setor penitenciário. A van foi queimada no distrito de Lichtenberg, onde vários carros foram queimados recentemente.

Não apenas para causar danos à empresa, mas por uma motivação interna não podíamos deixar de fazer tal ataque contra nossos opressores. A notícia de que o companheiro Alfredo Cospito está sendo torturado no chamado regime de justiça “41bis” pelo Estado italiano nos deixa tudo menos indiferentes. Alfredo não só vai ser amordaçado, mas sua existência está à beira da extinção. Nós nos juntamos a ele em sua campanha militante. Junto com sua greve de fome, rompemos o isolamento total. Também apelamos a todos os outros companheiros para que tomem medidas diretas agora e encurtem decisivamente o tempo de reação da luta anarquista internacional. Para tirar Alfredo Cospito do regime de extermínio e desencadear uma força revolucionária na ofensiva coordenada. Não viver na prisão ou em solitária significa uma grande responsabilidade. Na luta combinada com greves de fome, não podemos esperar até que o prisioneiro também tenha que fazer uma greve de sede (não ingerir água).

As campanhas militantes desencadeadas pelas greves de fome podem abrir uma perspectiva substancial anticapitalista. As metrópoles podem ser transformadas em selvas nas quais a infraestrutura das classes dominantes pode ser completamente destruída se seus habitantes assim o desejarem. Os exploradores das prisões, empresas de armamento, empresas contratantes de policiais, corporações de construção – suas fachadas de vidro, seus veículos e suas linhas de dados estão invadindo nossos habitats de classe em centros urbanos cada vez mais densos ou sendo usados para tentar se proteger em seus próprios santuários. Assim como a van GA-Tec/Sodexo que atacamos foi envolvida em um desenvolvimento de moradias precárias em arranha-céus, ela poderia se tornar um local comum para a logística do poder à medida que os antagonismos de classe e as campanhas militantes do meio anarquista desenvolvam um foco comum.

Solidariedade também com Juan Sorroche e Ivan, que se juntaram imediatamente à luta de Alfredo e também estão em greve de fome.

Liberdade para eles e também para Giannis Michailidis, Claudio Lavazza e Toby Shone.

Vitória para a luta mapuche!

Morte ao Estado, viva à anarquia!

Célula autônoma “Anna Maria Mantini”

Fonte: https://de.indymedia.org/node/235442

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agência de notícias anarquistas-ana

Nem sequer um dia
Em que não se venda um sino –
Primavera em Edo.

Takarai Kikaku

Programação da XII Feira Anarquista de São Paulo

XII Feira Anarquista de São Paulo | 13 de Novembro de 2022, das 10h às 19h. | EMEF. Des. Amorim Lima | Rua. Prof. Vicente Peixoto, 50 – Butantã, São Paulo (SP)

10h: Abertura

10h15 – 11h: Coral (Cidadãos cantantes)

11h – 12h: Oficina Yoga (Yoga para todes) (interessades, favor trazer um tapetinho)

11h – 12h30: Luta antimanicomial (Cris Lopes; Gigi)

11h – 12h30: Ecologia Social e Autonomia Alimentar (Ákrata; Coletivo Morro das Panelas; Escola Comunitária)

12h – 15h: Campeonato Futebol Libertário (Rosa Negra ADF + outros times)

12h30 – 14h: Luta Anticarcerária (Frente Estadual pelo Desencarceramento de SP; Amparar)

13h – 14h30: Oficina Bombas de Sementes (Projeto Ramificando)

14h – 15h30: Ação Direta, Solidariedade e Poder Popular (Frente Anarquista da Periferia; OASL; MPL)

14h – 15h30: Luta Estudantil – Acesso e Permanência na Universidade (Cursinho Livre da Norte; REM; CAT)

15h – 16h30: Oficina de Autodefesa (Resistência Muay Thai)

15h30 – 17h: Retomada Indígena, Apoio Mútuo e Política Além do Voto (Teia dos Povos; Cuapi; Outra Campanha)

17h – 18h30: Lutas Feministas contemporâneas: Brasil e Rojava (CAFI; Rojda Dandara)

>> Confira a programação completa aqui:

https://feiranarquistasp.wordpress.com/programacao/?fbclid=IwAR3X7PmBxjrHYpvj5rTXAAWgV5VYFcPJ7vqdUtrVwHhdhxoQxQuEQ7OM684

agência de notícias anarquistas-ana

Vento de primavera –
O mugido da vaca
Do outro lado do aterro.

Raizan

Esmagar a extrema direita e combater o liberalismo com luta, ação direta e independência de classe!

Uma aliança concluída entre dois partidos distintos volta-se sempre em proveito do partido mais retrógrado; esta aliança enfraquece necessariamente o partido mais avançado, diminuindo, deformando seu programa, destruindo sua força moral, sua confiança em si mesmo.” – Mikhail Bakunin

O Brasil conheceu no último domingo, 30 de outubro, o novo presidente da República, o qual iniciará seu mandato a partir de janeiro de 2023. Com uma vitória apertada da frente ampla representada pela chapa Lula-Alckmin, o resultado acirrou os ânimos dos apoiadores de cada um dos lados.

Inaugura-se uma nova fase e, por isso, é importante revisitar o que nos levou até aqui para entendermos nossas tarefas como anarquistas neste próximo período.

Primeiro, diferentemente do que dizem a mídia burguesa e partidos da ordem, entendemos que a agitação bolsonarista cresce na medida em que não há mobilização de classe nas ruas e locais de trabalho que faça frente a ela. A grande maioria dos partidos da esquerda, sob o guarda-chuva do PT, se coloca como defensora da ordem burguesa e atua como freio das lutas, o que canaliza para as vias institucionais toda a insatisfação das classes oprimidas com o desastroso governo Bolsonaro. Desde a vitória eleitoral da extrema direita, em 2018, ficou clara a escolha de grande parte da esquerda brasileira em apostar no desgaste contínuo do então presidente, visando às urnas do ano de 2022; desgaste que não foi gerado através da pressão nas ruas e pela construção de uma combatividade popular. Essa escolha estratégica levou à tática da costura de uma “frente amplíssima”, trazendo setores que se diziam defensores do Estado Democrático de Direito. Essa Frente cresceu e culminou na escolha de Geraldo Alckmin como vice-presidente, contando com apoio de amplos setores das classes dominantes, como Fiesp e Febraban.

Obviamente que essa escolha trouxe limites a qualquer mobilização e, sobretudo, em relação à construção de um programa que tivesse a defesa de qualquer pauta histórica da esquerda. Com essa escolha, o debate político foi jogado para a direita.

Um exemplo dessa escolha se deu na crise gerada pela pandemia da Covid-19. O negacionismo criminoso do governo de Bolsonaro e Militares, apoiado por diversos setores das classes dominantes, levou a uma insatisfação popular enorme que enfraqueceu bastante Bolsonaro. Havia ali uma força social importante, com grande potencial de crescimento para derrubar o governo nas ruas. Qual foi a escolha da esquerda hegemônica naquele contexto? Foi desmobilizar os atos e apostar na atuação da CPI da Covid, de modo que o espetáculo midiático criado desgastasse a imagem do presidente, para abrir caminho a uma vitória eleitoral em 2022.

Hoje, é possível avaliar o equívoco dessa escolha. O governo Bolsonaro foi se refazendo do desgaste, e fatos incontestáveis passaram a ser tratados como mera disputa de informação nas redes sociais e na mídia burguesa. Em nossa atuação, buscamos a construção de greves sanitárias em defesa das condições de vida das e dos trabalhadores, na tentativa de desenvolver a organização de crescentes manifestações chamando a queda de Bolsonaro e Mourão. Fazia-se necessário derrubar do poder Bolsonaro e seus militares e assim como enfraquecer a extrema direita com mobilização nas ruas – tomando as ruas de volta para os movimentos populares que buscam realmente a transformação do nosso povo. Mas, a opção pelas urnas levou a uma vitória eleitoral de Lula-Alckmin por uma margem muito estreita; com a extrema direita ainda viva e forte, logo iniciaram fechamentos de BRs por vários estados – como também o registro de mortes e outras violências durante as comemorações da vitória da frente ampla.

O que se aponta para o próximo período? Um governo Lula-Alckmin enfrentando uma crise internacional, a economia brasileira destruída, um Congresso tomado pelo Centrão e um bolsonarismo forte focado em fazer oposição e mobilizar suas bases. As contrarreformas não só não serão revogadas, como também podem avançar outras de grande interesse para o setor defensor das pautas neoliberais e de conservação dos privilégios de uma determinada classe social. E qualquer tentativa de mobilização das classes populares poderá enfrentar oposição das cúpulas dos grandes movimentos sindicais e sociais, com o argumento de que as lutas poderão fortalecer o bolsonarismo.

Por isso, acreditamos ser necessária a construção de uma alternativa revolucionária que se coloque com independência de classe, contra a conciliação e que priorize a ação direta em detrimento da disputa institucional. Trabalharemos para que o anarquismo seja uma força importante na construção desse setor e para que seja capaz de influenciá-lo com suas pautas. Seguiremos atuando nos locais de trabalho, sindicatos, moradia e estudo. É urgente a construção de uma Frente de Classes Oprimidas, para esmagar a extrema direita nas ruas, desmascarar os liberais e superar o imobilismo incentivado por grande parte da esquerda!

O fascismo não se discute, se destrói!” – Buenaventura Durruti

Organização Anarquista Socialismo Libertário – OASL

anarquismosp.org

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Sob o alpendre
o espelho copia
somente a lua.

Jorge Luis Borges

[Peruíbe-SP] No gods No masters Fest 2023 | Ferramentas Para Autonomia | 7, 8 e 9 de abril de 2023

Convidamos você para construirmos e aprimorarmos nossas ferramentas de luta!

No gods No masters Fest é um evento multicultural que ocorre na Semente Negra, um espaço político cultural situado em meio a mata atlântica, em Peruíbe/SP.

Serão três dias de diálogos, palestras, oficinas, debates, música, momentos de aprendizado, reflexão e ação.

E porque organizar este encontro?

É importante reconhecermos que a forma como estamos vivendo é excludente e opressora. Destruímos a natureza que nos dá alimento, água e ar e, além disto, destruímos também a nós mesmas insistindo em um estilo de vida que valoriza a competição em detrimento da cooperação. Esta é a forma que nos obrigam a viver no planeta, em nossa comunidade. Assim, seguimos vivendo de uma forma que não atende às demandas essenciais a qualquer ser, com alegria, amor e liberdade.

O capitalismo e suas ferramentas de controle se aprimoraram a cada dia, fazendo com que sigamos cegas, surdas e mudas, sem tato, sem amor e principalmente sem revolta. E, sem revolta, sem uma ação direta, jamais alcançaremos a nossa autonomia, não há liberdade conquistada sem luta. A dependência do capitalismo, que muitas vezes não notamos, é essencial para a manutenção do mesmo e por isto acreditamos que toda forma de autonomia é uma forma de resistência.

E é, seguindo este pensamento que precisamos construir ferramentas para nossa autonomia, formas de nos desprendermos pouco a pouco, ou de uma vez por todas, da escravidão que vivemos.

Serão momentos baseados em princípios de liberdade, tomando decisões por consenso, usando propostas políticas como o anarquismo, o punk, o feminismo, o queer, ensinamentos ancestrais, o veganismo e a permacultura, cuidando das pessoas, da terra e dos animais.

Venha passar esses 03 dias inspiradores conosco!

Envie a sua proposta de palestra, oficina, debate, banda e qualquer outra atividade que ajude a construir estes dias de inspiração e conspiração.

Que nossos corpos sejam armas na luta por liberdade!

Ingressos limitados e somente antecipados!

Para envios de proposta, ingressos e mais informações: http://nogods-nomasters.com/fest

agência de notícias anarquistas-ana

A nuvem atenua
O cansaço das pessoas
Olharem a lua.

Matsuo Bashô

Atividade virtual no Centro de Cultural Social Vira-Lata Caramelo

O Centro de Cultural Social Vira-Lata Caramelo convida para um bate-papo sobre “A Constituinte e a luta social no Chile: um olhar desde o sul”, com a participação de um companheiro da região do sul do Chile. Será online, no dia 17/11 às 19h.

É NECESSÁRIO INSCRIÇÃO PRÉVIA através do link abaixo:

https://tinyurl.com/DebateChile

O Centro de Cultura Social Vira-Lata Caramelo, localizado em Santo André, é um espaço de fortalecimento das lutas sociais no ABC Paulista. Composto pela Brigada Lucas Eduardo Martins,  Jornal Cavalo Doido, Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio e Quilombo Invisível em conjunto com outras organizações autônomas tem como objetivo a construção de atividades educativas, culturais e políticas, em dialogo com a comunidade local, valorizando princípios libertários de atuação popular.

Centro de Cultura Social Vira-Lata Caramelo

Rua Sumaré, 732, Vila Metalúrgica, Santo André (SP)

agência de notícias anarquistas-ana

No rio, a canoa
pinta em verde
o seu reflexo.

Eugénia Tabosa

Estamos à beira de um golpe? Notas sobre a luta de classes no contexto pós-eleitoral

Por Antônio “Galego” | 04/11/2022

1 – A euforia de uma parte da população pela vitória eleitoral de Lula/Alckmin (PT-PSB) no domingo durou pouco. A ressaca de segunda-feira foi acompanhada da notícia de diversos bloqueios de bolsonaristas em rodovias de vários estados do país. Ainda no domingo, algumas horas após o resultado oficial, já haviam começado os bloqueios, vindo a tona o que a propaganda Lulista tentava esconder: a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro (PL) não é a derrota da extrema-direita conservadora, ao contrário, articulada com outros fatores importantes podem gerar seu fortalecimento. Quem reduz a política à dimensão eleitoral (ou institucional) está condenado a cometer erros e cair em frustrações.

2 – Para entender esse contexto pós-eleitoral de forma correta é importante romper com os idealismos gerados pela própria polarização eleitoral e a política do medo estimulada em ambos os lados: 1) os idealismos da base bolsonarista, que acreditam numa “ameaça comunista”, que Lula é a personificação do demônio e acreditam nas condições políticas para um golpe militar; 2) ou os idealismos dos esquerdistas, que acreditam numa grande “ameaça fascista e golpista” sem levar em conta a luta de classes e o que cada candidato representa nela. Ambos acreditam na possibilidade de um golpe de Estado e desconsideram o processo real da luta de classes. Todos esses idealismos só poderiam gerar as situações mais patéticas ao longo dessa semana.

3 – Ainda que o objetivo aqui não seja uma análise das eleições em si, é importante tomar alguns dados sobre as candidaturas e dos posicionamentos das classes dominantes. Após quase 2 anos preso e impedido de participar das eleições em 2018, Lula retornou ao cenário político nacional, articulando uma frente ampla com frações estratégicas da burguesia e com importantes partidos e políticos representantes dos ricos e do imperialismo. Só ingênuos podem acreditar que isso foi por que ele “provou sua inocência”, ou pior, acreditar que foi fruto da pressão da pífia campanha “Lula livre”.

4 – Lula retorna ao cenário político sob a tutela de setores da burguesia e do imperialismo pra fazer exatamente o que está fazendo: organizar um novo bloco no poder com mais eficiência e estabilidade para a acumulação capitalista no Brasil. Que isso desagrade parcelas da burguesia rural e comercial, setores da pequena-burguesia e das forças repressivas vinculadas ao bolsonarismo, não temos dúvida. A burguesia rural (chamada de “agronegócio”) tem sido um agente central dos bloqueios de estradas, não apenas os caminhoneiros bolsonaristas. Essas serão as principais forças sociais da oposição de direita ao futuro governo Lula/Alckmin (PT-PSB). Mas não possuem força suficiente, nem contexto, para uma ruptura com a ordem democrático burguesa nem uma criminalização absoluta de Lula e do PT, que aliás tem servido de tantas formas a seus interesses de classe (e eles sabem disso).

5 – Aqui chegamos a um ponto central: quem libertou Lula, quem o elegeu e, aliás, quem liberou as rodovias, acabando com a pressão bolsonarista, foi a ação vinda de cima, de disputas e conchavos no interior das frações das classes dominantes. Desde os governos petistas (2002-2016), e em especial desde 2016, a estratégia do reformismo degenerado (Lulismo) é o aprofundamento consciente da desorganização da classe trabalhadora, destruindo a já pequena capacidade de intervenção das massas populares com independência de classe no cenário político e social. O reconhecimento público e imediato da vitória de Lula por parte da mídia burguesa (com a Rede Globo na vanguarda), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), do presidente dos EUA Joe Biden, dos presidentes de outras potências mundiais e regionais, do próprio Alto-Comando do Exército, de importantes políticos da base bolsonarista, recebendo não só o reconhecimento como o perdão de setores da elite evangélica (como o bispo Edir Macedo da Igreja Universal), isolou politicamente qualquer ameaça real de “golpismo” ou “fascismo” por parte de Bolsonaro.

6 – Diante desse contexto os fechamentos de estradas tiveram vida curta, chegaram em seu ápice na quarta-feira com mais de 250 pontos de bloqueios parciais ou totais do trânsito, em mais de 20 estados do país. A repressão policial não tardou a chegar, ainda que a Polícia Rodoviária Federal tenha sido acusada pelo ministro Alexandre de Moraes de fazer corpo mole e inclusive colaborar com os “baderneiros”. Já na terça-feira (01/11), pelo menos 16 estados e o DF anunciaram o uso da Polícia Militar para desbloquear as rodovias. Os primeiros foram os governadores Rodrigo Garcia (PSDB-SP), Claudio Castro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG), Ranolfo Vieira Júnior (PSDB-RS), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Paulo Câmara (PSB-PE), seguidos pelos governadores de Goiás, Maranhão, DF, Mato Grosso, e outros. No final da tarde de quinta-feira, a PRF informou que apenas 2 bloqueios totais e 30 parciais ainda continuam ativos. Além disso, no feriado de quarta-feira foram realizados manifestação em frente aos quartéis pedindo “intervenção federal” e criticando o resultado das eleições. As principais ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre, reunindo, no entanto, um número muito inferior do que atos bolsonaristas anteriores.

7 – O resultado concreto dos bloqueios de estradas, das choradeiras e missas na porta dos quartéis, está muito longe de uma “ameaça golpista”. Nenhum dos salvadores eleitos pelos manifestantes: o presidente, os generais, EUA, Deus, nenhum quis colaborar. As declarações públicas de Jair Bolsonaro (PL) para desocuparem as rodovias e respeitarem a Constituição, os gestos do governo encaminhando a transição não deixaram dúvida sobre mais um “morde e assopra” da política bolsonarista, muito inteligente aliás. O uso de táticas de ação direta para fazer “lobby parlamentar” não é uma novidade criada pela direita, a esquerda reformista já faz isso há décadas, utilizando greves, manifestações, bloqueios de ruas, para garantir negociatas e conchavos no governo. Nos últimos anos nem isso a esquerda tem feito.

8 – O objetivo era não cair sem luta, e essa tática teve pelo menos dois resultados concretos. O primeiro é garantir, mesmo com a derrota eleitoral, a posição de Bolsonaro como líder de uma “nova direita”, com algum cargo importante no PL, privilégios pessoais, etc. O segundo foi impedir uma debandada maior da base bolsonarista, agrupando-a pra “lutar” por algo, tencionando com os outros poderes da República, dando o clima do que pode ser a oposição de direita ao governo em 2023. Ainda assim a tendência é uma parte dos políticos bolsonaristas virarem a casaca, já que a ideologia conta pouco pra esses “fascistas” de ocasião e que a Frente Ampla do Lulismo é “amplíssima”, aberta à sindicalistas e à extrema-direita.

9 – Sem um risco iminente de uma ditadura militar ou de um regime fascista, por que tantos holofotes pra esses fatos? Primeiramente, para todos os partidos e frações de classes que se reuniram na Frente Ampla interessa alimentar o medo do bolsonarismo para gerar a coesão e justificação de suas políticas. Segundo, uma oposição de extrema-direita é muito melhor para o Capital e o Imperialismo do que uma oposição de esquerda como ocorreu entre 2004-2010 com a criação da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) na luta contra as reformas neoliberais do PT. Assim, ao passo que coloca panos quentes nas contradições internas, tenciona a Frente Ampla à direita. Infelizmente, a primeira semana pós-eleições desenhou um cenário político horrendo que pode começar em 2023: a extrema direita dominando as ruas com métodos de ação direta, a esquerda pedindo ordem e repressão aos “baderneiros”, e a classe trabalhadora absolutamente desorganizada e sem uma política própria que represente seus interesses imediatos e históricos.

10 – Enquanto os factoides de “fascismo x antifascismo” distraem nas redes sociais, a política muito real e notória de aprofundamento do autoritarismo e da exploração capitalista no Brasil se anuncia nos planos e articulações políticas do futuro governo Lula/Alckmin (PT-PSB). Os trabalhadores e revolucionários sérios precisam se preparar para a luta que virá com uma análise e uma linha corretas, sem nenhuma ilusão com o reformismo ou com o lulismo, sem agir como idiotas úteis de seus interesses. A democracia burguesa sob a qual vivemos nunca deixou de matar, explorar, cercear os direitos, torturar e encarcerar as massas populares no campo ou na cidade. É esse sistema que o Lulismo saiu vitorioso para ser um gestor eficiente e estável. Bolsonarismo e Lulismo são duas faces da dominação capitalista e imperialista no Brasil, um fortalecendo o outro, como demonstrou essa e a última eleição.

11 – Cabe um comentário final sobre alguns desbloqueios espontâneos, e sobre uma suposta necessidade de resistência “radical” ao fascismo. Foram feitos alguns desbloqueios por civis por vários motivos, no geral muito pragmáticos (conflitos comuns que ocorrem em bloqueios feitos pela esquerda também, quem já fechou uma rua sabe), em poucos casos alguma torcida ou populares desbloquearam em nome da “democracia”, no geral esses desbloqueios foram mais simbólicos, para o júbilo da esquerda nas redes sociais. Em relação a última questão já ficou claro que se baseia em uma interpretação errada da conjuntura, muitos grupos de extrema-esquerda e anarquistas tem caído nesse erro nos últimos anos, de “radicalizar” as proposições e análises dos reformistas (sobre fascismo, golpe, defesa da democracia, menos pior, fora Bolsonaro, etc.), atuando na prática à reboque da linha dos reformistas com um radicalismo verbal inócuo e sem bases concretas.

12 – O que precisamos para o próximo período é retomar coletivamente um trabalho teórico e político de fato independente, revolucionário e classista, que interprete corretamente a luta de classes e a conjuntura, retirando as lições de cada momento e cada luta, definindo as linhas prioritárias de atuação. Devemos aplicar um método materialista de mobilização do proletariado, impulsionando e apoiando a ação direta pelas reivindicações concretas das massas (greves, bloqueios e protestos por terra, trabalho, saúde, transporte, etc.). Dessa forma iremos contribuir humildemente, mas de maneira firme e consciente, para a imensa tarefa de reorganização das massas trabalhadoras em nosso país.

Nem democracia burguesa, nem ditadura militar: organizar a luta pelos direitos e pela libertação do povo!

Pela reorganização e uma via autônoma da classe trabalhadora!

Ir ao povo! Reconstruir o Socialismo Revolucionário no Brasil!

Fonte: https://oamigodopovo.noblogs.org/post/2022/11/04/estamos-a-beira-de-um-golpe

agência de notícias anarquistas-ana

Na noite sem lua
o mar todo negro
se oferece em espuma

 

Eugénia Tabosa

[Espanha] Entrevista com a Rádio Tirso Libertaria (CNT-AIT Madrid)

Tivemos a oportunidade de entrevistar um membro da Rádio Tirso Libertaria em Madri, onde ele explica suas perspectivas sobre a mídia e sua relação com a revolução, entre outras coisas. Esperamos que sirva para divulgar o trabalho desses camaradas e ajudar a problematizar o papel dos meios de comunicação autônomos e incentivar o surgimento de mais alternativas aos meios de comunicação de massa.

Primeiro, um pouco de sua história: vocês poderiam se apresentar brevemente?

Eu sou Mario Cortés, secretário de Propaganda e Cultura da Federação Local em Madri da CNT-AIT. Sou membro da equipe da Rádio Tirso Libertaria e produzimos o programa “VIVE Y LUCHA”. Esta rádio é um projeto antigo do sindicato e um pequeno grupo de militantes com nosso trabalho o levou adiante. O grupo é composto por: Óscar, responsável pelos aspectos técnicos; Alberto e David são os técnicos de informática; Aitor, Natalia, Xabier, Sonia, Gloria e eu somos os produtores do programa, embora o resto da equipe e outros membros do nosso sindicato também participem dos programas. Também entrevistamos pessoas de fora de nossa organização, por exemplo, o jornalista JESÚS Cintora.

De onde veio a ideia para esta produção de rádio? Por que ou para que online?

A ideia veio de uma companheira, Cris, que me encorajou a procurar pessoas para criar o grupo de trabalho de rádio. Após alguns meses, este grupo de trabalho fez um curso de rádio, e depois de procurar o material necessário para elaborar os programas, em março começamos a transmitir a Rádio Tirso Libertaria. Com muito entusiasmo, mas também com muitos erros, pois nunca ninguém tinha feito um rádio antes.

O programa é transmitido online em formato podcast porque esta é a maneira que nós, mídia alternativa, temos de chegar às pessoas. De uma forma livre e independente. Utilizamos redes sociais para transmitir nossos programas.

Agora convidamos você a enfatizar as ideias por trás deste projeto de rádio, seus fundamentos e princípios políticos, etc: Entendendo o rádio como um meio de comunicação (de massa), qual é a sua visão a respeito deles?

Nosso projeto de rádio é levar nossa mensagem libertária à sociedade, criar uma consciência de luta dos trabalhadores e tentar despertar pessoas anestesiadas em suas poltronas. Somos anarquistas, queremos uma sociedade diferente da que temos, e para isso fazemos deste programa VIVE Y LUCHA. Na verdade, explicamos que nós, a partir de nossas organizações, lutamos contra o capitalismo selvagem e o consumismo excessivo que está levando esta sociedade ao desastre. Promovemos nossos grupos de consumo alternativo, promovemos pessoas a virem trabalhar em nossos jardins, queremos que todos os trabalhadores adiram a sindicatos horizontais como o nosso. Acreditamos nas assembleias, no federalismo, em uma sociedade comunitária e igualitária. E com nossas ações, realizamos nossa ideologia e mostramos que é possível torná-la real. Vivemos nossa realidade alternativa ao poder estabelecido e mostramos que não se trata de uma utopia.

O rádio é o meio de comunicação mais antigo que existe, e ainda é relevante hoje em dia. Nosso formato on-line é nossa forma alternativa de chegar às pessoas, com um discurso único e independente. Como somos autossuficientes e financiados exclusivamente pelas quotas dos membros, temos total liberdade para escolher os tópicos a serem cobertos. Nosso discurso é revolucionário e diferente de qualquer outra estação de rádio, e é por isso que acreditamos que somos aceitos.

Qual seria o conteúdo principal deste rádio?

Nosso conteúdo é diversificado: atualidades, filosofia, poesia, música, ideologia anarquista, consultas… Sempre de um ponto de vista libertário. Fazemos uma crítica global do sistema estabelecido. Denunciamos, por exemplo, a verdade sequestrada, a armadilha da repressão, do poder, do medo como arma de domínio, como o anarquismo é criminalizado e quem controla a mídia. Também entrevistamos ativistas da Cañada Real, dos movimentos por moradia, para a defesa da saúde, pesquisadores, jornalistas… O conteúdo é diversificado e, sobretudo, social. Misturamos a denúncia social com a ideologia e entrevistas.

Sua proposta está relacionada com a revolução social? De que forma?

É claro que estamos relacionados com a revolução social. Na verdade, é nosso principal objetivo. Acreditamos que para alcançar uma revolução é necessário criar uma consciência coletiva de luta. E isto só pode ser alcançado através da difusão, através da denúncia social. Trazendo a realidade à luz e espalhando-a. Os meios de comunicação de massa mentem e manipulam diariamente, eles acalmam e enganam a população, distraem suas consciências com milhares e milhares de notícias supérfluas, banais e irreais. Por exemplo, há os chamados “influenciadores” que são um insulto à inteligência e, no entanto, têm milhares e milhares de seguidores para serem idiotas na frente de uma câmera.

Com nosso programa, e com muitas outras mídias alternativas como a sua, estamos tecendo uma rede alternativa de comunicação, que é a chave para alcançar a mudança social.

Quais são os próximos projetos para a Rádio Tirso Libertaria, e em relação à seção anterior, quais são seus planos para o futuro?

Nossos projetos de curto prazo devem continuar a crescer usando os meios à nossa disposição: redes sociais, publicação de nosso programa em mídia alternativa, boca a boca… Estamos conscientes de que é muito difícil, que é um empreendimento muito complicado, pois temos toda a publicidade negativa sobre o anarquismo ao longo da história. Somos um perigo para os poderes estabelecidos porque buscamos uma vida diferente. E os poderes estão cientes disso. Mas acreditamos fortemente no que fazemos, colocamos nossa vida e nossa ilusão nela. Estamos semeando uma semente na mente da população que germinará mais cedo que tarde. As situações atuais de pobreza das mulheres trabalhadoras, de desigualdade, de ESCRAVIDÃO da classe trabalhadora, dos abusos da minoria dominante no poder, como políticos de todas as cores riem do povo, como enriquecem às nossas custas; tudo isso está se acumulando e chegará o dia em que explodirá. Porque somente através de uma revolução será possível mudar o regime estabelecido. O dia em que as pessoas deixarem de acreditar nos políticos e se organizarem, esse dia, a mudança começará. E nós estaremos lá para realizá-la.

Finalmente, há mais alguma coisa que você gostaria de acrescentar ou dizer?

Outra sociedade é possível. Queremos despertar a classe trabalhadora. Queremos despertar a sociedade através da apresentação de nosso projeto libertário. A cada dia mais e mais pessoas nos escutam, embora seja verdade que ainda é uma grande minoria da população total, mas pouco a pouco estamos crescendo. Esperamos que eles continuem a se juntar a nós em várias organizações em nossa luta comum pela liberdade. Queremos lutar para pôr fim ao consumismo desenfreado, queremos pôr fim à destruição do planeta, queremos alcançar uma verdadeira igualdade entre mulheres e homens, queremos uma sociedade de assembleias onde as pessoas se envolvam e lutem por seu futuro de forma organizada.

Muito obrigado pela oportunidade de transmitir nossa rádio.

Abraço.

Mario Cortés.

Muito obrigado, saúde e anarquia!

Link para a rádio: https://radiotirsolibertaria.cntmadrid.org/

Fonte: https://lapeste.org/2022/10/entrevista-a-radio-tirso-libertaria-cnt-ait-madrid/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

raios!
alguém rasgou
o terno azul da tarde

Alonso Alvarez