[Chile] “Hoje ressoam as palavras pronunciadas por George Engel, anarquista enforcado em 1º de Maio de 1886”

Segunda-feira, 02 de maio de 2022

Quando o protesto se converte em um ritual absurdo de comemoração institucional, o fim deste não é nada mais que uma tentativa do Estado para controlar inclusive aquelas instâncias nas quais tradicionalmente perdia o controle frente ao descontentamento do povo.

Hoje, desde o governo que se autodenomina “nascido dos movimentos sociais” se tenta através das instituições encabeçar as demandas populares, mas sem incomodar aos poderes fáticos que se mostra alerta e ameaçante após a revolta de 2019.

É difícil propor uma mudança desde a instituição após 50 anos de submissão neoliberal, que educou a mais de uma geração na base do individualismo, da competição e da busca irracional do êxito econômico, a custa inclusive da própria vida.

Esta crise de identidade que se reflete na necessidade de aparentar materialmente o êxito não só se impõe desde a elite que sempre se vangloriou de seus privilégios através de seus meios de comunicação e propaganda. Permeou gravemente no mais profundo das classes populares, que chegaram a enaltecer inclusive o narcotráfico por ser uma ferramenta que torna possível o êxito material, chegando assim talvez a poder desfrutar parte desses privilégios que nos exibem nas vitrines, mas que nos proíbem na realidade. O caso mais crítico deste ponto se dá nos últimos enfrentamentos que aconteceram entre vendedores ambulantes que atuam como máfias organizadas na Estação Central contra manifestantes, que sem importar sua idade sofreram os golpes, abusos e disparos por parte de capangas que segundo suas próprias palavras “só defendem e buscam um espaço para trabalhar”, caindo assim na mesma retórica empresarial que justifica a destruição do planeta sob o êxito econômico ou porque o “mercado deve se manter”. Onde apesar de toda análise, o que prima é a competição, o dinheiro e o êxito material.

O cenário é complexo, os discursos revolucionários caem na armadilha da angustiante necessidade do dinheiro, centrando todo objetivo revolucionário em retiradas de dinheiro ou recebimento de ajudas econômicas, que em vez de debilitar o modelo o sustenta e mantêm apesar de que agoniza irremediavelmente.

Hoje ressoam as palavras pronunciadas por George Engel, anarquista enforcado em 1º de Maio de 1886: “Aqui também, nesta livre república” há muitos obreiros que não tem lugar no banquete da vida e que como párias sociais arrastam uma vida miserável. Eu não combato individualmente os capitalistas; combato o sistema que dá o privilégio. Meu mais ardente desejo é que os trabalhadores saibam quem são seus inimigos e quem são seus amigos. Tudo o mais eu desprezo; desprezo o poder de um Governo iníquo, suas polícias e seus espiões. Nada mais tenho que dizer.”

Pela abolição da relação capitalista humano/trabalho. E em comemoração de todos esses obreiros orgulhosos que entregaram sua vida pela dignificação da classe trabalhadora e em conquista de seus direitos fundamentais.

Frente Fotográfica – FF

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Um doce ruído
interrompe meu sonho:
gotas de chuva sobre a folhagem.

Bashô

Memória | A defesa de um anarquista

Por Marcolino Jeremias

Durante a greve geral de 1917, o anarquista brasileiro Edgard Leuenroth (foto) foi preso e julgado por ser considerado pelas autoridades um dos ‘mentores’ da paralisação e ter ‘liderado’ um grupo de operários a expropriarem o Moinho Santista.

Edgard Leuenroth durante o seu julgamento proferiu as seguintes palavras (trechos): “O anarquismo comunista nega a propriedade, mas nega-a como privilégio de uma classe, para reivindicá-la como um direito inconcusso da coletividade humana. Para atingir esse objetivo proclama a necessidade de que a terra, as habitações, os meios de transportes, as minas, a maquinaria e os instrumentos de trabalho, toda a riqueza social, enfim, deixe de ser propriedade de uma minoria e passe a constituir o patrimônio comum, permitindo, assim que haja para todos o pão, o bem-estar e a liberdade. O que ele propugna é a expropriação em obediência à razão de utilidade pública, feita pelo povo num movimento geral de caráter transformador e para proveito de toda a humanidade e não para gozo deste ou daquele indivíduo.

Se por sustentar estes princípios me quiserem conservar na prisão, angustiando minha família, impossibilitando-me de amparar minhas crianças, não me sentirei desonrado por isso, pois que, com essa inconcebível violência, me incluirão na falange imensa dos numerosos lutadores das causas nobres, perseguidos por terem sabido sustentar imperturbavelmente as suas convicções.

O próprio Cristo, cuja imagem preside este Tribunal, condenado mais como reformador social que como reformador religioso, foi, sob este aspecto um libertário e, como tal, abraçando a causa dos pobres e dos humildes, deu combate decidido aos grandes da época, fazendo pregoeiro da igualdade entre os homens. Não me deterei em observações sobre o processo, porque, sentindo-me superior a tanta baixeza, não aceito, nem sequer em hipótese a imputação criminosa que me arrastou ao júri“.

— O Cosmopolita (Rio de Janeiro), 1º de maio de 1918.

agência de notícias anarquistas-ana

serra nevada,
cumes tocam o céu –
nuvem furada

Carlos Seabra

[Grécia] Informações sobre o início dos trabalhos de restauração do monumento de Alexandros Grigoropoulos em Exarchia, Atenas

No sábado, 4 de junho, teve início a restauração do monumento ao estudante anarquista Alexandros Grigoropoulos. Das 12h00 às 20h00, durante os trabalhos, foi realizada uma reunião que contou com a presença de dezenas de companheiros e companheiras. O trabalho continuará na quinta e sexta-feira, enquanto os eventos políticos acontecerão durante toda a semana, conforme anunciado no programa de eventos.

A LUTA PELA REAPROPRIAÇÃO DO MONUMENTO É TAMBÉM UMA LUTA PARA CRIAR NOVOS PONTOS DE ENCONTRO E PERSPECTIVA

Iniciativa anarquista contra os assassinatos do Estado

>> Mais fotos: https://athens.indymedia.org/post/1619089/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/23/grecia-atenas-4-11-de-junho-semana-de-reconstrucao-do-monumento-alexandros-grigoropoulos/

agência de notícias anarquistas-ana

pássaro pousado
no espantalho
aposentado

Millôr Fernandes

 

[Espanha] As caixas de Amsterdã: Kati Horna e Margaret Michaelis na Guerra Civil

PHotoESPAÑA coloca em evidência grandes fotógrafas da história cujo trabalho não foi suficientemente reconhecido, nesta ocasião com um testemunho único sobre a Guerra Civil Espanhola.

Esta exposição reúne o trabalho inédito das duas fotojornalistas anarquistas, Margaret Michaelis e Kati Horna, que foi considerado perdido por décadas.

Margaret Michaelis (Dziedzice,1902-Melbourne,1985) e Kati Horna (Budapeste, 1912-México, 2000) colocaram suas câmeras a serviço da Revolução Social promovida pelos anarquistas e anarcossindicalistas da CNT-FAI durante a Guerra Civil Espanhola. Ao contrário do que se pensava até agora, suas fotografias da guerra não caíram nas mãos de Franco, nem desapareceram entre as ruínas dos bombardeios, mas foram encontradas no arquivo dos Escritórios de Propaganda Estrangeira da CNT-FAI, onde trabalhavam. No final da Guerra Civil, o arquivo conseguiu salvaguardar seus bens, enviando-os ao Instituto Internacional de História Social em Amsterdã, onde permaneceram praticamente invisíveis até 2016, quando seus arquivos foram organizados e seu inventário foi criado e publicado.

Embora não haja documentação no arquivo da FAI para corroborar isto, durante os primeiros meses da guerra, Margaret Michaelis, que estava baseada em Barcelona desde 1933, trabalhou para a Seção Gráfica e tornou-se a fotógrafa de confiança dos anarquistas. Prova disso são as viagens que ela fez como fotógrafa com a anarquista russa Emma Goldman (1869-1940) e o anarcossindicalista holandês Arthur Lehning (1899-2000) no outono de 1936, organizadas pelos camaradas nos escritórios de propaganda. Estas viagens foram registradas por Michaelis com sua câmera e foram identificadas, entre outros trabalhos da fotógrafa, no Arquivo.

Essa situação mudou, no entanto, com a chegada de Kati Horna em janeiro de 1937. Sob o nome de Catalina Polgare, e junto com seu marido, o húngaro Paul Polgare (1911-1964), ela chegou em Barcelona antifascista para se tornar a fotógrafa oficial dos anarquistas e sua agência fotográfica, a Agência Espanhola de Fotografia, então conhecida como Photo SPA. Sua experiência na agência lhe permitiu ver suas fotografias publicadas em revistas internacionais, como a “Weekly Illustrated” britânica.

Em julho de 37 Horna mudou-se para Valência e trabalhou como editora gráfica para a revista “Umbral”. Sete meses de trabalho duro nos Escritórios de Propaganda foram realizados, o que se materializou na publicação do álbum “Espanha? Um livro de imagens sobre contos e calúnias fascistas” e centenas de negativos tirados com sua habitual câmera rolleiflex que hoje nos permitem entender sua visão e sua relação com os anarquistas. Em meados de 1938, Kati Horna viajou para Paris para obter material fotográfico, que era escasso em Barcelona, e ela nunca mais voltou.

A exposição viajará de 16 de setembro a 13 de novembro de 2022 para a Diputación de Huesca e no verão de 2023 para o La Virreina Centre de la Imatge em Barcelona.

Fonte: https://www.phe.es/exposiciones/las-cajas-de-amsterdam-kati-horna-margaret-michaelis-en-la-guerra-civil/

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/07/06/espanha-exposicao-fotografica-o-olhar-de-kati-horna-guerra-e-revolucao-1936-1939/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2015/05/27/espanha-livro-kati-horna-constelacoes-de-sentido-de-lisa-pelizzon/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/06/16/franca-a-fotografa-anarquista-que-nao-quis-ser-famosa/

agência de notícias anarquistas-ana

Último haicai
Na contemplação da lua
Desta linda noite

Aline Estevam Maciel

[Grécia] Solidariedade internacional com Yiannis Michalidis!

Solidariedade com Yiannis Michalidis, em greve de fome desde 23 de maio!

Na segunda-feira, 23 de maio, o anarquista Yiannis Michalidis, detido na prisão de Malandrinos, na Grécia, iniciou uma greve de fome para obter sua liberdade condicional. Em carta que escreveu anunciando a greve de fome, ele enfatiza – entre outros aspectos – que essa luta por sua liberdade é também uma tentativa de participar da luta maior contra o Estado e o capital, da qual sua longa prisão o isolou. Para apoiar esta iniciativa nas ruas, muitos tipos diferentes de ações estão sendo organizados em todo o território grego. Para fazer todo o possível para evitar que este enésimo episódio de luta do nosso camarada seja enjaulado em silêncio, apelamos à solidariedade internacional. Embora acreditemos que a melhor solidariedade sempre será continuar e aprofundar nossas lutas, achamos valioso olhar para a história de luta de Yiannis, a hostilidade com que ele olha para o existente e as ideias de liberdade que ele sempre carregou dentro dele em ambos os lados dos muros da prisão – para nos reconhecermos nos reflexos de sua turbulenta jornada de revolta. Esta é uma oportunidade de acompanhar nosso camarada em um fragmento de sua luta de uma forma mais franca, usando os meios que cada um de nós achar conveniente.

Abaixo você encontrará um breve resumo da longa história de Yiannis com as autoridades e um link para sua carta inicial anunciando sua greve de fome traduzida em inglês, alemão, italiano, francês e espanhol.

Incentivamos fortemente a divulgação deste apelo à solidariedade entre outros camaradas e espaços.

Em fevereiro de 2011, Yiannis Michalidis é preso em uma grande manifestação em Atenas e é acusado de tentativa de homicídio por atacar os policiais de choque com arco e flecha. Mais tarde foi libertado com condições. Um mês depois, após a prisão de 5 membros do CCF (Conspiração das Células de Fogo) em uma casa em Volos, é emitido um mandado de prisão de Yiannis por ser membro do CCF, com base na descoberta de suas impressões digitais na casa em questão. Ele decide fugir.

Em abril de 2011, durante um tiroteio entre Theofilos Mavropoulos e policiais no distrito de Pevki, em Atenas, Yiannis era suspeito de ser a segunda pessoa ao lado de Mavropoulos, que fugiu do local roubando o carro dos policiais. Ele é acusado de tentativa de homicídio por ferir um policial que estava tentando impedir sua fuga, pelo qual ele é condenado anos depois, quando está de volta à prisão.

Pouco menos de dois anos depois, em fevereiro de 2013 na cidade de Veria, ele é preso junto com outros três anarquistas e enviado para a prisão, logo após um duplo assalto a um banco e correios em Velventos, norte da Grécia.

Em junho de 2019, após seis anos de prisão, ele foge da prisão rural de Tyrintha, na região do Peloponeso. Sete meses depois, ele é preso novamente em um subúrbio de Atenas, armado e em um carro roubado, junto com outros dois companheiros. Ele é acusado de um assalto a banco que aconteceu em agosto de 2019 em Erymanthia, e é enviado novamente para a prisão.

Em 29 de dezembro de 2021, ele atingiu três quintos de sua sentença total mesclada e pode solicitar sua liberdade condicional. Em 23 de maio, após uma primeira resposta negativa e o pedido do promotor para uma resposta negativa em seu segundo pedido, ele decide iniciar uma greve de fome visando sua libertação.

>> Carta de Yiannis anunciando sua greve de fome:

https://athens.indymedia.org/post/1618861/

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1619064/

Tradução > GTR@Leibowitz__

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/06/grecia-liberdade-ao-anarquista-giannis-michailidis/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/06/grecia-anarquistas-sao-detidos-em-atenas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/06/17/grecia-yiannis-michalidis-escapa-da-prisao/

agência de notícias anarquistas-ana

Ipê desflorido
Sabiá desce do galho
Som de folhas secas.

Bashô

[Chile] Santiago: Mochilaço Estudantil

Em 27 de maio, centenas de estudantes se reuniram entre a Dignidad e Portugal para iniciar uma marcha até Los Heroes, exigindo educação não sexista, gratuita e de qualidade, o fim da educação de mercado, a melhoria da infraestrutura dos estabelecimentos de ensino e que a Junaeb aumente o valor do cartão alimentação.

Ao chegar em Cumming, a polícia atacou os manifestantes, momento que também foi aproveitado pelos traficantes de drogas de rua para atacar os manifestantes secundaristas. A marcha foi diluída e um grupo se mudou para a USACH (Universidade de Santiago do Chile) para continuar os confrontos com a polícia militarizada, que respondeu com gás e canhões de água.

Frente Fotográfico – FF

agência de notícias anarquistas-ana

Rebento de bambu —
Uma gota de orvalho
Desce pelos nós

Bashô

Entrevista | “O verme genocida do Bolsonaro só será derrotado pelas forças das ruas e não pela porra das urnas”

“O rap trouxe-me perspectiva e uma visão crítica perante a porra do sistema que há mais de 500 anos desencadeia o massacre e genocídio dos indesejáveis sociais.” A seguir, você lê “outras rebeldias” e muito mais na entrevista que realizamos com o rapper Rodrigo Santos Andreoti, do grupo Ktarse.

Agência de Notícias Anarquistas > Com quantos anos você se interessou pelo rap? Como ele começou a fazer parte de sua vida, quais são suas lembranças…

Rodrigo Santos Andreoti < Iniciei no rap ainda criança. O rap foi o primeiro gênero musical que me cativou. Sempre fui morador de periferia e como tal, convivo cotidianamente com todas as mazelas que o Estado e o capitalismo disseminam na quebrada. Sei muito bem o que é morar numa casa precária de dois cômodos e dividindo com 6 seis pessoas. Sei o que é ter um pai alcoólatra e extremamente violento. Sei o que é sobreviver no submundo do crime e das drogas. Sei o que é odiar a escola por que a mesma não propicia um ensino de qualidade para nós do gueto. Sei o que é violência policial, a fome, o desemprego… Enfim, as letras do rap sempre dialogaram comigo de forma direta e objetiva. As letras do rap e a cultura hip hop foram meu psicólogo, que me fez perceber que tudo que há de ruim na quebrada vem de fora da quebrada. O rap trouxe-me perspectiva e uma visão crítica perante a porra do sistema que há mais de 500 anos desencadeia o massacre e genocídio dos indesejáveis sociais. Porra, mano, são várias lembranças! Dentre tantas memórias, a que carrego comigo cotidianamente é uma frase do rapper GOG, no qual em uma de suas canções ele dizia: “Não sou um gênio, não seja ingênuo, o estudo é escudo resumindo tudo”.

ANA > E começou a cantar com que idade?

Rodrigo < Comecei a cantar rap quando, na pré-adolescência, eu morava numa quebrada – fundão de Suzano (SP) – onde tinha uma equipe de som que fazia baile de Black Music e tal, eu acompanhava os ensaios deles, e nos intervalos do ensaio pegava o microfone e ficava improvisando rimas em cima dos instrumentais que eram faixas bônus contidas nos discos. Os DJ’s dessa equipe de som me incentivavam a fazer o rap, mais minha primeira apresentação foi num festival de música que teve na escola. Isso aconteceu quando eu estava na quinta série do ensino fundamental, depois dessa apresentação nunca mais parei de fazer rap, e isso há 23 anos. E estou aí na ativa até hoje, fazendo rap com a mesma intensidade de quando comecei.

ANA > E o Ktarse entra no seu caminho quando? Conte um pouquinho a história do grupo…

Rodrigo < O grupo foi formado em 2006 pelo meu parceiro Leal. Eu entrei para o grupo em 2009 e o DJ Mamona entrou para o grupo em 2020, mais todos os integrantes estão engajados na militância da cultura hip hop desde a década de 90. O Ktarse lançou em 2011 o seu primeiro álbum intitulado “Gueto Subversivo“, e o segundo álbum “Inflamando a Insurgência” em 2017, e lançamos nosso terceiro álbum “A Luta é Pela Vida” em 2021. A produção/mixagem/masterização dos álbuns foi feita de forma autônoma, “nós por nós”. As letras são de própria autoria, compostas por Rodrigo e Leal. Ktarse vem provando que o rap político e combativo, juntamente com as vivências das ruas, continua vivo e pulsante nas quebradas, já que os álbuns (Gueto SubversivoInflamando a Insurgência e A Luta é Pela Vida) estão sendo aceitos pelo público do rap, do punk, dos movimentos sociais e, inclusive, no meio acadêmico. Nossa trajetória na cultura hip hop é de militância e ativismo, seja pelo movimento negro, movimento de libertação animal, organizando e ministrando palestras sobre a questão racial, social e política em escolas, Fundação Casa, em movimentos sociais e coletivos de inspiração libertária. Nosso rap combativo vai além das rimas, pois também estamos na prática organizando junto com os de baixo a luta pela vida.

ANA > Tem alguma apresentação do Ktarse marcante, pela vibração, a energia do público? Ou algumas…

Rodrigo < Todos os espaços em que fizemos apresentação com o nosso rap combativo, sem exceção, fomos bem recebidos, com respeito e com muita carinho pela rapa que estavam ali para prestigiar nosso manifesto político da periferia cantado em cima das batidas do rap. Dentre todas as apresentações, as que ficaram mais marcantes foram as que fizemos nas Fundação Casa (prisão juvenil) de São Paulo (SP), no qual fizemos um circuito de apresentação musical e rodas de conversa com vários adolescentes, tanto da alas masculinas quanto das alas femininas, que estavam cumprindo a “tal medida socioeducativa” naquela porra de masmorras dos tempos modernos manipulado pelo governo como casa de internação de menores infratores. Enfim, pudemos conversar e cantar junto aos adolescentes que além de compartilharmos um momento de troca de ideias sobre vivenciais e saberes de quebrada, também conseguimos passar uma mensagem de protesto contra o Estado e o capitalismo através do nosso rap combativo.

ANA > O que te inspira na hora de compor um som? Aliás, é mais complicado escrever uma música ou cantá-la? Normalmente as letras das canções do Ktarse são grandes, não deve ser fácil memorizá-las… (risos)

Rodrigo < Primeiramente, minhas inspirações vem das minhas memórias e vivências de quebrada, no qual vou mesclando com as lutas, resistência e insurreições populares. Procuro ler bastante sobre a história da humanidade, e tento catalisar o termômetro da luta racial e de classes no Brasil e no mundo. Escrevo como se tivesse libertando os pensamentos, jogando pra fora todo ódio de classe que habita em mim, e depois que passo pro papel, aí é só questão de treino para decorar a letra que fica pulsante na mente, pronto pra disparar as minhas catarses contra a porra do sistema orquestrado pelos playboys, herdeiros da casa grande, filhos da puta.

ANA > Você escreveu o livro “Inflamando Pensamentos Insurgentes no Gueto“. Parou aí ou já está escrevendo o próximo? (risos)

Rodrigo < Escrevi esse livro em 2018. Na real, mano, não tinha pretensão de fazer um livro, meu intuito era de fazer um zine, porém como fui liberando meus pensamentos no papel e digitando no word e não tinha a menor ideia de quantidades de páginas escritas, e num determinado momento mostrei para um parça meu pra ver o que ele achava dos bang que eu tinha escrito e tal, aí ele me falou: “porra Rodrigo, isso é um livro e não um zine”. Enfim, após o incentivo desse truta, eu fiz o corre de forma autônoma e totalmente no “nós por nós”, assim consegui lançar meu primeiro livro.

Terminei de escrever meu segundo livro intitulado “Relatos de um rapero ateu de quebrada“. No livro escrevo alguns relatos biográficos de como falo de minha trajetória enquanto rapero e ateu de quebrada. Esse segundo livro foi feito em coletividade com outros manos, como meus parceiros Gulherme que fez a revisão, Thiago criou e ilustrou a capa do livro e a rapa da Editora Merda na Mão que fizeram a diagramação. Ainda não consegui fazer o lançamento desse livro, pois estamos tentando levantar grana para pleitear a impressão do mesmo. Se alguém tiver interesse em fortalecer esse corre é só entrar em contato com a Editora Merda e adquirir os materiais da editora, assim você torna viável a publicação dos impublicáveis, participa da cena, apoia iniciativas realmente independentes e ainda tem contato com um material extremamente diferenciado, que o fará mergulhar de cabeça no submundo da resistência e do combate.

ANA > E como entrar em contato com a editora?

Rodrigo < Pedidos e contatos através do e-mail editoramerdanamao@yahoo.com. Ou colabore com qualquer quantia no pix: 62982790215 – Diego El Khouri Sousa.

ANA > Essa postura combativa do grupo já trouxe algum problema para vocês?

Rodrigo < Então, mano, não digo que nos trouxe problemas, diria que qualquer um de quebrada que se propõem a colocar o dedo na ferida do status quo, que questiona e inflama o debate sobre as raízes do racismo, patriarcado, violência policial, fascismo, poderio clerical, Estado e capitalismo, é visto como indigesto para quem controla o poder e quem está subserviente ao mesmo. Já sofremos boicote pelas redes sociais e também recebemos uma enxurrada de mensagens e comentário de ameaça sobre algumas músicas nossas e tal, principalmente das músicas “Contos de Farda” e “Antifascistas”, mais como dizia o Facção Central: “a boca só se cala quando o tiro acerta”.

ANA > Como você avalia a cena do rap hoje no país?

Rodrigo < Não generalizo, mas a maioria dos rappers da atualidade foram cooptados pela lógica de mercado e estão subservientes a ditadura da indústria cultural. A ideologia liberal do fique rico ou morra tentando conseguiu docilizar o rap. Infelizmente a ideologia do opressor capturou a revolta, o inconformismo e o ódio de classe que outrora era pulsante no rap e transformou nossa combatividade em apenas mais um produto da indústria do entretenimento. Sou pessimista perante o cenário do rap hegemônico que domina a cena atual. Morte ao rap burguês!

ANA > E como é a cena do rap combativo no Brasil? Existe, ou ainda é uma coisa pequena? Destacaria algo, algum rapper, grupo…

Rodrigo < Os grupos de rap combativo declaradamente anticapitalista no Brasil, os quais eu conheço, são: Ameaça Vermelha, O Levante, GAS-PA, Gíria Vermelha, Fantasmas Vermelhos, Liberdade e Revolução, Infantaria Revolucionária, Clã Nordestino, Força Subversiva, Kamykazy, Raio X do Nordeste, Preta Lú, Renegados Anti-Sistema, Bandeira Negra, Armada Crítica, Reação Ideológica . Alguns desses grupos não estão mais na ativa, contudo o legado de combatividade através de suas letras contribuiu para minha formação de rapero insurgente do gueto.

ANA > E de fora do Brasil, alguma coisa te chama a atenção?

Rodrigo < Eu ouço bastante Imortal Tecniques, Vinnie Paz, Dead Prez, Onix, Dilated Peoples, RZA, Subverso, Lirika Podrida, Keny Arkana, Extasi Team Antarsia, Pablo Hasel, La Insurgencia, Porta Voz, Incognito, Valete, Chullage, Kid MC, Azagaia e Walkil.

ANA > Todos os Policiais São Bastardos (ACAB-1312), mesmo os tais “policiais antifascistas”? (risos)

Rodrigo < Não acreditem em contos de fardas, todos policiais são inimigos dos de baixo, não existe polícia antifascista.

ANA > Como você viu essa campanha puxada por artistas famosos e a tal esquerda institucional incentivando os jovens a tirarem o título de eleitor?

Rodrigo < Artistas midiáticos são celebridades e celebridades não tem compromisso com a luta popular. Seus compromissos são com o sistema que pagam seus cachês. Quem paga a banda escolhe a música, né? Como já bem dizia o subcomandante Marcos: “a esquerda institucional não passa de uma direita envergonhada”.

ANA > E na sua avaliação, o que mais colabora para a passividade, o conformismo do povo, os sindicatos pelegos, os partidos da esquerda institucional, as igrejas, a indústria do entretenimento…?

Rodrigo < Difícil mensurar qual dessas instituições está mais cristalizada pela ideologia do opressor. Vejo que todas essas instituições estão cumprindo muito bem o papel de fazer a lavagem cerebral da população, no qual, o fascismo se retroalimenta cotidianamente. Na minha concepção, é impossível humanizar a tirania e o terror, então, o que resta para nós, os de baixo, são a insurgência e rebelião para que possamos nos emancipar enquanto classe. E os desafios é inflamar as ruas com a revolta popular, revolta essa que deve ser direcionada contra essas instituições cristalizadas pelo fascismo atual.

ANA > Ainda falando de conformismo, submissão, paciência… Meu, com tanta miséria, opressão, alto custo de vida, aumento geral dos preços, barbárie institucionalizada, por que não vemos protestos de rua vigorosos pelo país? Revolta? Não era para o Brasil tá pegando fogo? Ou todo sentimento de revolta popular está sendo canalizado para o voto, para as eleições presidenciais? Aliás, na última Virada Cultural de São Paulo, segundo relatos, muitos artistas puxaram gritos de “olé, Lula”, pediram para o público fazer o “L” com as mãos… Puxaram o mantra “fora, Bolsonaro”… (risos)

Rodrigo < O verme genocida do Bolsonaro só será derrotado pelas forças das ruas e não pela porra das urnas. Mas enquanto tivermos uma esquerda eleitoreira, viciada em querer gerenciar a máquina do Estado e as instituições burguesas, a porra do fascismo continuará fodendo com o povo de forma frenética. Em relação aos artistas pop com suas futilidades do mainstream, mano, no resumo vejo que para a luta dos de baixo celebridades é desserviço!

ANA > Você poderia falar um pouquinho da Frente Anarquista da Periferia (FAP)?

Rodrigo < A FAP surgiu em meados de junho de 2020 em meio à turbulência da pandemia da Covid-19, no intuito de criar laços de união e solidariedade junto com as quebradas, fortalecendo as e os lutadores que estavam atuando nas comunidades e levando apoio mútuo na distribuição de cesta básica e demais itens de higiene e etc aos mais fragilizados da sociedade que necessitavam dessa solidariedade naquele momento. Hoje a FAP vem ganhando força em algumas quebradas de São Paulo (SP), e sua atuação está remetida em diversas ações de luta e solidariedade nas comunidades e sendo impulsionada pelos nossos parceiros e parceiras de quebrada e de luta, no qual nós do Ktarse temos total afinidades, do fundão da Zona Sul de SP. A FAP também atua na tentativa de unir os anarquistas numa frente de luta comum, respeitando toda diversidade que há no anarquismo, propondo a construção de um programa de apoio mútuo no intuito de somar e aglutinar forças com quem se organiza de forma horizontal e autônoma nas comunidades de SP.

ANA > Agora um ping-pongue, curto e grosso… (risos)

Rodrigo < Mumia Abu-Jamal: Guerreiro sagaz do gueto, ser humano implacável.

Lula: Bombeiro de classes.

Annita: Nada a declarar.

Keny Arkana: Exemplo a ser seguida por quem se propõem a fazer rap de luta contra o Estado e o capitalismo.

Mano Brown: Um sábio da periferia que infelizmente se adaptou a casa grande.

Bakunin: Ódio, revolta e indignação aos de cima e ao mesmo tempo amor, emancipação e sabedoria aos de baixo.

Ludmilla: Não me identifico.

Emma Goldman: A mulher mais perigosa do Século XX.

Bolsonaro: A tampa do bueiro aberta.

Lima Barreto: Preciso estudar com a mesma intensidade que estudo Malcolm X.

ANA > Para terminar, o Ktarse está preparando um novo álbum, ou seja, mais um brado de revolta contra a opressão? (risos)

Rodrigo < Então, mano, como lançamos há pouco tempo, em novembro de 2021, o terceiro álbum do Ktarse (A Luta é Pela Vida), ainda estamos potencializando as músicas desse álbum, seja através de vídeo clipes e vídeo lyrics que aos poucos estamos produzindo e subindo pelo nosso canal ( https://www.youtube.com/user/Ktarse). Como somos um grupo de rap que produzimos nossas músicas de forma autônoma e independente, nem temos vínculos com empresas ou produtoras, e não fazemos diálogos com capitalistas e os barões da indústria musical, então o nosso processo de produção musical não flerta com o tempo momentâneo e líquido da indústria cultural. Aos poucos vamos escrevendo, produzindo e gravando. Mas já temos algumas novidades, principalmente em termos de participação com outros músicos e rappers combativos, e logo mais estaremos lançando esses sons novos pelas redes sociais.

ANA > Algum toque final? Valeu e vamos “botar fogo no inferno!”

Rodrigo < Agradeço pelo espaço mano, pois o rap combativo muitas vezes é boicotado até pelas mídias que se dizem alternativas. Porém, vocês têm total respeito e admiração do Ktarse. E muito obrigado por estarem sempre divulgando nossos sons e fortalecendo o rap combativo, anticapitalista e libertário!

Estamos em combate, em movimentos de ruptura / Somos um povo forte de resistência e luta / Inflamando a insurgência contra os de cima / ‘Lutar contra o sistema é luta pela vida’

Contato: rapperrodrigo@gmail.com

agência de notícias anarquistas-ana

Venerável
É quem não se ilumina
Ao ver o relâmpago!

Bashô

[Itália] Manifestação antimilitarista reúne milhares de pessoas em Coltano

Milhares de pessoas manifestaram-se ontem (02/06) em Coltano, perto de Pisa, para se oporem ao projeto de uma nova base militar para os Carabinieri [Polícia Militar]. Uma nova instalação de guerra numa área que já vê numerosos quartéis e instalações militares e pretende fazer de Pisa um verdadeiro centro para missões militares. O projeto iria então surgir numa área protegida, acrescentando assim mais devastação ambiental a este território.

Uma manifestação variada e determinada que reiterou claramente a sua oposição a este projeto, tanto em Coltano como noutros locais.

A seção anarquista abriu com a faixa “Contra a guerra e aqueles que a armam”, com a presença de camaradas de toda a Toscana mas também de outras cidades com muitas bandeiras e faixas. Significativa entre outras foi a presença dos camaradas da FAI [Federação Anarquista Italiana]. Também presentes na marcha estiveram a Assembleia Antimilitarista e a Coordenação de Livorno contra Missões Militares no Estrangeiro com uma seção especificamente antimilitarista.

Outras convocações [protestos] já foram lançadas, incluindo a Manifestação Antimilitarista em Aviano. É cada vez mais urgente reforçar, enraizar e coordenar as várias lutas antimilitaristas nos vários territórios, da Sicília à Sardenha, de Friuli-Venezia Giulia à Toscânia e ao Piemonte. A manifestação de ontem foi mais um passo nesta direção.

Anarquistas

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/15/italia-video-do-cortejo-antimilitarista-no-dia-2-de-abril-em-milao/

agência de notícias anarquistas-ana

Na velha roseira,
entre as folhas e os espinhos,
uma aranha tece.

Humberto del Maestro

Lançamento: “Paternagem Punk: ensaios sobre criação em três acordes”

A espera acabou!

É com enorme satisfação e alegria que anunciamos o início das vendas do livro Paternagem Punk: ensaios sobre criação em três acordes.

Os textos que compõem essa coletânea possuem uma grande diversidade de temas e de percepções, que têm relação com as histórias de vida de cada um dos autores. Algumas reflexões apresentam uma perspectiva mais distanciada, onde se assume uma postura mais analítica diante do problema, outras são extremamente confessionais, revelando angústias, medos e descontentamentos, o que torna o material rico e diversificado. Consumismo, chegada do bebê e “entrada no mundo adulto”, educação emancipatória, crítica da criação autoritária, o pai trabalhador e seus dilemas, crítica da masculinidade tóxica, paternidade solo, aprendizado dos limites e da liberdade, medo de ser pai e conflitos geracionais são algumas das discussões que o leitor irá encontrar ao longo dessas páginas.

Descrição:

Paternagem Punk: ensaios sobre criação em três acordes

Fabiano Passos e João Bittencourt (Orgs.)

Selos editoriais: Estopim, Edições Analógicas e Revelia Livros

Idioma: Português

Capa comum: 198 páginas

ISBN: 978-65-997680-0-9

Dimensões: 15×21

Compre o seu:

Via loja virtual (link na bio) da Estopim.

Ou via pix: Efetue o pagamento no paternagempunk@gmail.com e envie os seus dados e o comprovante para esse Instagram.

Valor promocional: R$ 40,00 (frete incluso).

agência de notícias anarquistas-ana

no sonho
da velha cerejeira em flor
passa um gato branco

Philippe Caquant

[Chile] 11 de junho: dia de solidariedade com Marius Mason e os presos anarquistas de longa condenação

O 11 de junho é o Dia Internacional de Solidariedade com Marius Mason e todos os presos anarquistas de longa condenação.

Marius Mason é um companheiro transgênero anarquista encarcerado em 2008, condenado a 22 anos de prisão por ações diretas em defesa da Terra nos EUA. Desde o ano de 2013, grupos solidários impulsionam em junho jornadas de solidariedade internacional com Marius e todos os companheiros presos de longa condenação.

No sábado 11 de junho desde as 14h30 compartilharemos informação atualizada e palavras de companheiros anárquicos na prisão, além de música, audiovisuais, poesia, publicações e comida vegana à venda solidária.

Também estaremos recebendo coleta para encomendas de compas presos: frutos secos, biscoitos veganos (sem recheio) e queijo vegano.

Endereço por interno em biblioangryantiso@riseup.net

Nos vemos!

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/17/internacional-11-de-junho-de-2022-chamado-em-solidariedade-aos-presos-anarquistas-de-penas-longas/

agência de notícias anarquistas-ana

por entre os salgueiros
clarão sedoso das águas
enluaradas

Rogério Martins

 

Entrevista | “Não dá para ser antifascista e não lutar contra o capitalismo”

 

Confira a segunda parte da entrevista com Antônio Carlos de Oliveira, ex-participante do movimento punk, anarquista, professor de história e membro do Centro de Cultura Social (CCS) de São Paulo (SP) e do Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (NELCA).

Agência de Notícias Anarquistas > O circo eleitoral de 2022 no Brasil foi armado com muita antecipação. E nunca antes neste país vimos tantas pesquisas de intenção de voto a respeito da eleição presidencial, elas são divulgadas praticamente todos os dias. Como você vê todo este processo, essa polarização doentia, esse servilismo de boa parte da população em busca e defesa de ídolos, salvadores da pátria?

Antônio Carlos de Oliveira <Complicado responder isso. Vejamos. Não acredito que o facínora na presidência seja o único responsável pela onda de reacionarismo que se abateu sobre nós. Basta observar o perfil do eleitorado dele na eleição presidencial.

Vivencio muita solidariedade nas periferias, vejo também muito conservadorismo, em menor proporção na periferia se comparado a tal classe média e a classe dominante.

O reacionário na presidência, em parte, recebeu da esquerda institucional o palanque, na sua luta pelo poder ela não dialoga nem com os que estão próximos dela, não tem projeto de país, tem projeto para o poder. Ele foi o megafone de sentimentos conservadores de boa parte da sociedade que não viu seus desejos realizados pelos supostos salvadores da pátria anteriores.

Essa polarização tende a se agravar na medida em que o reacionário na presidência mantém suas posições ainda que apoiado “só” (?) por 30% da população. Por outro lado, os que se colocam como salvadores da pátria correm atrás do próprio rabo e não dizem a que vem. Não tem projeto de governo, mas projeto de poder. Não é de hoje que fazem alianças com os que no passado recente acusavam de corrupção etc. Saudades do Bakunin falando das alianças dos partidos políticos.

Esse servilismo, também em parte se explica, na ênfase que se dá a política somente como disputa eleitoral, algo praticado também pela esquerda institucional, que contribuiu para a diminuição do engajamento nas lutas, vide os sindicatos oficiais que, não de hoje, caíram em descrédito e desgraça pela descrença na luta cotidiana.

Ao longo dos anos isso contribuiu para diminuir a ênfase nas lutas e fortalecer a ideia do salvador da pátria, que não existe, mas que será resgatado na próxima polarização. E de polarização em polarização, adia-se o processo de tomada de consciência que só a organização não hierárquica, horizontal, autônoma, e a ação direta a partir do local de moradia, trabalho e estudo, podem transformar a realidade.

ANA > O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou uma campanha de combate à desinformação nas eleições, contra as fake news, de fortalecer a democracia brasileira e… blábláblá. Porra, mas a maior fake news não é a própria eleição em si? Não é em período eleitoral (ou não) que assistimos tantas mentiras, falsidades, calúnias, hipocrisias…? E o voto ainda é obrigatório!?! (risos)

Carlos <Adoro a frase do Malatesta quando trata da “Democracia Burguesa” e diz algo assim: “a democracia é uma mentira a qual o mentiroso está um pouco preso”.

Um candidato nunca é eleito pela maioria, considerando a totalidade dos votantes é sempre pela minoria, aqui já começa a mentira.

Antes eles ainda tinham de circular pelas periferias, agora com o horário na TV e o Fundo Partidário nem isso fazem. Os contribuintes, sem serem consultados, darão 4,9 bilhões para os políticos gastarem em campanha. A pessoa paga para o político mentir para ela e ainda vota. Apesar dessa fortuna é descarado o apoio de grupos econômicos a determinados políticos. Lembremos que nas recentes reorganizações do capitalismo, chamadas de crises econômicas, a esquerda institucional socorreu banqueiro, o agronegócio e os industriais. Ganhando a eleição ele governa para quem?

Em período eleitoral é sempre a mesma coisa, se busca “fortalecer a democracia”, depois dos mais recentes casos isolados, das mortes na Vila Cruzeiro no Rio de Janeiro e da Polícia Rodoviária Federal em Sergipe, onde está o tal estado de direito? A justiça? A própria democracia? A democracia é uma mentira!

Fake News é uma constante na vida político partidária do Brasil desde a Proclamação da República, quem já viu político afirmando que ganhando a eleição aumentaria impostos? Nunca. Depois dizem “eu não sabia”. Na boa, eleitos e eleitores vão à merda!

O voto obrigatório é algo que nós deveríamos encarar de forma diferente, a ênfase no voto nulo não significa crescimento de ideias e ideais mais solidários, autônomos, horizontais, nem de organizações não partidarizadas, significa que o eleitor não gostou do salvador da pátria do momento. Penso que, sem abandonar o voto nulo, devemos investir em discussões como “A outra campanha”. Em discutir que para além de não votar é preciso se organizar, se engajar.

Enfim, em qual mentira vou acreditar???

ANA > Temos no Brasil muitos motivos pelos quais a população deveria protestar, se rebelar, principalmente o pessoal mais jovem. Contudo, o que vemos é essa campanha de artistas famosos e endinheirados, influencer e a tal esquerda institucional incentivando os jovens a tirarem o título de eleitor. É tudo surreal, não? (risos)

Carlos <A lógica é a mesma das respostas anteriores, ao invés da ênfase na necessidade de consciência, seja de classe, ambiental, etc, não se investe nem no engajamento nos partidos políticos, o que é uma merda, quiçá, nas organizações de base para as lutas cotidianas; o lance é estimular o garoto pensar que basta ele digitar os números na urna eletrônica e pronto, num passe de mágica tudo estará resolvido.

Pior, puta crise econômica, carestia de vida à mil, cresce o número de pessoas que não tem o que comer, violência institucional correndo solta, trabalhador desempregado, o sub emprego crescendo… Lembremos, a flexibilização do contrato de trabalho começou com a esquerda institucional, noutro governo dessa esquerda institucional foi aprovada a lei antiterrorista que criminaliza os movimentos sociais, ataque a mulheres, a comunidade LGBTQIAPN+, aos povos originários, aos quilombolas e suas comunidades. E o destaque desse povo todo é a discussão em eleger o salvador da pátria.

Daqui a pouco aparecem os de sempre propondo aliança com aqueles, da esquerda institucional, que poucos anos atrás publicamente defenderam ataque e perseguição aos anarquistas. Se necessário, façamos alianças, porém que seja nos locais de trabalho, moradia e estudo.

Só a organização de base que pratique a ação direta, que vivencie a autogestão, que busque o federalismo, que seja ética, que se apoie mutuamente e seja solidária poderá trazer de fato alguma transformação para essa realidade caótica. De resto, que cada qual acredite na mentira que quiser.

ANA > Como você viu o ato unificado (e esvaziado) das centrais sindicais ricas na praça Charles Miller, em São Paulo, no último 1º de maio? Um fato que chamou minha atenção e que desconhecia completamente, é que dito evento foi bancado (cachês de artistas, custos de produção) com recursos públicos por meio de emendas parlamentares, e parece que não é de hoje que tudo isso acontece. Para não dizer outro nome, é muita pelegagem, não? (risos)

 Carlos < Conheci o companheiro Railton no Centro de Cultura Social (CCS), ele mostrava fotos do envolvimento dele com a fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores), falava de como várias pessoas, anarquistas ou não, pensaram que poderia ser uma alternativa, mas em pouquíssimo tempo essas ilusões foram-se embora.

Era comum categorias que faziam congresso todo ano, mudar para bienal ou mais. A burocratização da estrutura administrativa, a profissionalização de parte dessa estrutura e cúpula do sindicato, esses políticos, foram se profissionalizando, depois, no sindicato ou distante da estrutura administrativa concorreram a cargos eletivos da política partidária institucional. Tivemos verdadeiras dinastias dentro dos sindicatos oficiais, o poder passando de um parente para outro. Esse pessoal depois se encastelou nas diferentes casas do legislativo ou executivo. Alguns arrumaram uma boquinha num sindicato, central sindical, ou instituição mantida pela estrutura sindical ou partidária. Enfim, se profissionalizaram na política partidária. Em alguns períodos, greves não foram realizadas porque o político no poder no momento era do mesmo partido político que o presidente do sindicato ou um apoiador, uma pelegagem absurda.

Os anarquistas a mais de 150 anos, desde a fundação da AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores), denunciam isso, o anarcossindicalismo surgiu como alternativa concreta para a organização e luta dos trabalhadores e trabalhadoras; os anarquistas buscam se organizar também nos locais de estudo e nos bairros onde além de falar com trabalhadores de diferentes categorias falam com os desempregados, os e as trabalhadoras do lar, com os excluídos, etc.

O curioso dessa pelegagem que você cita, quando o adversário político é corrupto, é ele, quando “eu” faço é ético e está correto. Essa pelegagem e burrocracia que virou o sindicato oficial no Brasil era denunciada desde os anos 1970 pelos velhinhos e uma geração, naquele momento, mais jovem de anarcossindicalistas como o Leco, Bigode, Railton e outros.

ANA > O que você pensa deste movimento nacional chamado “Policiais Antifascismo”?

Carlos < Quero crer que possam existir pessoas que sinceramente discordem, porém a estrutura é um impeditivo. No momento da sua própria ação denunciarão abusos dos seus colegas de farda? Num momento de repressão desobedecerão às ordens e se juntarão aos trabalhadores e excluídos?

Pela leitura de jornais sabemos de infiltrados que ficaram anos participando de grupos e manifestações e depois denunciaram os que lutavam contra o sistema.

Isso nos traz a outro tema relevante, a necessidade dos grupos anarquistas de afinidades, de caráter clandestino, com número reduzido de participantes, que se conhecem bem e há tempos, o que garante mais confiança, que busquem se organizar federativamente. Não é prudente ficar tratando de temas relevantes para a organização do movimento de formas tão pública e descuidada como fazemos.

ANA > O “antifascismo” está na moda? Pergunto isso porque endinheirados como Felipe Neto, Xuxa, Annita, Fátima Bernardes e outros famosos que fazem a roda capitalista girar, que vivem uma vida de luxo em suas mansões com vários empregados ou em suas viagens em locais paradisíacos agora se dizem “antifascistas”. É possível ser “antifascista” sem combater o capitalismo? (risos)

Carlos < Porra, se esse pessoal for antifascista então fudeu. É a confusão de sempre, não dá para ser antifascista e não lutar contra o capitalismo, o racismo, o sexismo, o machismo, ser contra a heteronormatividade, a intolerância religiosa, etc.

Precisamos não esquecer onde e quando surge o fascismo, ele é uma das muitas formas de ação do capitalismo, ser capitalista e antifascista é como tentar misturar água e óleo, não rola.

Volto a insistir na necessidade de estudo, diálogos, mais proximidade nas relações pessoais, nas trocas de experiências, não se deixar levar pelas bobagens que são repetidas, replicadas, compartilhadas, curtidas e que tomam tempo para responder pelas redes sociais, tempo valioso para discussões de fato relevantes, para organização.

ANA > Mais alguma coisa? Estamos finalizando, compa, valeu!

Carlos < Primeiro parabenizar a ANA. Recordo de quando era um boletim impresso, lá se vão mais de 30 anos e contribuindo enormemente para o anarquismo e a questão social. Muita gente não sabe como é difícil manter essas iniciativas com tamanha longevidade por tanto tempo.

Acredito que já escrevi até demais, então, para finalizar, vou trazer algumas pessoas importantes para essa roda.

O grande Sergio Norte explicando que “Ação direta não significa apenas a ocupação de prédios, por exemplo, pelos sem teto. Ação direta não significa apenas manifestações contra a globalização em que você bota fogo no McDonald’s. Isso pode ser ação direta e também é! Mas não é só isso, a ação direta vai além, ela se localiza nas ações menos dramáticas (…) que são ações corriqueiras, cansativas até, de auto-organização, de gestão de espaços coletivos (…) São essas ações corriqueiras, cansativas, que requerem paciência e que devem se pautar, na minha opinião, pelo respeito aos procedimentos democráticos, devem se pautar pela busca do consenso e por um respeito DECENTE & SINCERO às opiniões diversas desse coletivo (…) É esse trabalho de ação direta que pode dar de novo um lugar para o anarquismo“.

Para esse momento tão difícil para os movimentos e organizações anarquistas ou não, o velho Martins nos lembrando que “o movimento social é como a onda do mar, vem grande, forte, avassaladora, mas tem o refluxo, a volta. Nós temos que estar junto com a onda. Não podemos estar na frente, porque não desejamos dirigir ninguém, não somos vanguarda. Também não podemos ficar atrás de ninguém, ser a retaguarda, sermos levados pela onda, temos de estar juntos“.

Para os que muitas vezes nem terminam de ler ou ouvir e já estão tecendo críticas terríveis, Jose Iraldo nos recorda que “as divergências entre libertários têm que ser cordiais. Cada militante deve ter a sua personalidade, apresentar os problemas como melhor o interpretar. Mas, disposto sempre a corrigir erros e retificar sempre que se lhe demonstrar o equívoco e a falta de razão. O não compartilhar com as opiniões dos demais, o não estar de acordo com fulano ou beltrano, não justifica tirar o corpo e não contribuir com a parte que lhe corresponde na hora de meter o ombro na obra comum“.

Quando rolava algumas divergências em nosso meio o Martins sempre falava em espanhol “somos pocos y somos malos, Pero no somos malos porque somos pocos y sí porque no percibimos que juntos seriamos mejores“.

E Anselmo Lorenzo: “vamos procurar aproximarmos mais e entendermo-nos melhor mesmo que não seja para seguir o mesmo caminho, coisa que nem sempre é possível, mas pelo menos para chegar ao mesmo tempo e o mais depressa possível ao ponto a que todos nós nos dirigimos”.

Saudações libertárias e obrigado pela oportunidade.

>> Contato: antonio@riseup.net

>> Leia a primeira parte da entrevista aqui:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/31/entrevista-o-punk-em-grande-medida-fez-de-mim-o-rebelde-que-sou/

agência de notícias anarquistas-ana

verdes vindo à face da luz
na beirada de cada folha
a queda de uma gota

Guimarães Rosa

[Porto Alegre-RS] 2 anos Okupa Pandemia + Os Cangaceiros

SAUDAÇÕES ANÁRQUIKAS DESDE O LAMI!

No dia 25/05 completamos dois anos de resistência em território okupado no extremo sul de Porto Alegre! Nos apropriamos da pandemia e demos outro significado pra ela, entendendo que era o momento de avançar e tomar espaços, não de recuar e aceitar o medo e isolamento. O estado avançou com seus aparatos de controle nesse período, mas conseguimos arrancar uma lasca do seu poder, possibilitando um local para viver, estudar, organizar nossas defesas e ataques, cultivar alimentos e afetos, produzir e trokar material inflamável com nossas afinidades e também fincar pé em um território em disputa. O projeto neocolonial avança sobre a cidade (sobre todos o territórios, mas vamos focar aqui), entregando aos empresários e burguesia novas áreas de lazer às custas da destruição da natureza e apagamento dos povos que já habitavam estas terras. O que vemos na orla do Guahyba é a morte de um ecossistema e não tardará a chegar no extremo sul. Estando aqui resistiremos, aos ataques de proprietários esperando ganhar fortunas por terrenos abandonados há anos, contra as imobiliárias e seus esquemas de compra e venda ilegal e contra a gentrificação total das margens de um lago/rio que AINDA são acessíveis a uma população que vem sendo cada vez mais marginalizada.

Todo mundo que okupa sabe que os primeiros anos são os mais difíceis e não faltou aqui nas geladas e úmidas margens do rio, pessoas que somaram em presença ou a distância na construção de um telhado para a cozinha, na construção de nossos barracos, fazendo uma horta, somando com ferramentas, sementes, e até com o maldito dinheiro que nos garantiu alimento e condições para seguir na resist. Quem está, quem esteve, todas as pessoas que colocaram sua força pra esse espaço acontecer, o espaço é de vocês!

Que venham mais anos, estaremos mais fortes!

OKUPA, RESISTE E DEIXA QUEIMAR O FOGO DA ANARKIA!

Como parte da celebração fizemos o lançamento da tradução inédita para o português brasileiro do livro ‘Os Cangaceiros’, que reúne alguns escritos publicados nas revistas deste grupo francês de luta anticarcerária. O livro estará no site da Inkonstant Editora: inkonstantedicoes.ga

agência de notícias anarquistas-ana

Vou sair.
Divirtam-se fazendo amor,
Moscas da minha cabana.

Issa

Ninguém vai ficar sozinho | Arrecadação de fundos para apoiar anarquistas e antifascistas presos na Bielorrússia

Já se passaram quase dois anos desde os protestos de 2020 na Bielorrússia. O movimento anarquista, assim como o resto de ativistas e jornalistas, enfrentou a maior repressão de todos os tempos. Muitos ativistas tiveram que deixar o país, outros ficaram atrás das grades. ABC-Bielorrússia [Cruz Negra Anarquista] continua sua atividade e precisa de apoio mais do que nunca. No momento, existem cerca de 30 anarquistas e antifascistas presos na Bielorrússia e o número continua crescendo.

Estamos no meio de um grande julgamento com 10 réus que provavelmente duraria o verão inteiro. Leia mais sobre o caso aqui: abc-belarus.org/?p=13936&lang=en

Todas as semanas só este caso nos custa 3000 euros. Sem a sua ajuda, não poderemos fornecer apoio neste julgamento por muito tempo, o que significa que os ativistas perderão a oportunidade de obter assistência jurídica. Outros camaradas precisam de visitas de advogados, pacotes de comida, apelações – tudo isso requer mais dinheiro do que somos capazes de juntar.

Qualquer doação é mais que bem-vinda! Por favor, compartilhe esta chamada com seus companheiros e grupos, organize eventos de arrecadação de fundos para nós e divulgue sobre os anarquistas presos da Bielorrússia.

Mais Informações

No momento da publicação deste apelo, mais de 2.000 prisioneiros da revolta de 2020 estão nas prisões do regime de Lukashenko. Entre eles estão pelo menos 30 anarquistas e antifascistas que foram submetidos à repressão política, tortura e prisão por causa de seu ativismo político. Muitos camaradas foram forçados a deixar a Bielorrússia para evitar pesadas penas de prisão e violência do regime.

Dois anos após o início dos protestos, os julgamentos políticos continuam. Há um mês, quatro anarquistas foram condenados a penas de prisão de 4,5 a 5 anos no “caso Pramen”[1]. Há algumas semanas, começou um julgamento no caso da chamada “organização criminosa internacional de anarquistas”, que é produto da imaginação da polícia política. Na realidade, o caso foi inventado com o único propósito de destruir o movimento anarquista. Há 10 pessoas no banco, e o julgamento está sendo realizado a portas fechadas.

Várias outras pessoas aguardam julgamento, incluindo Kristina Cherenkova, Anna Pyshnik e Oleg Avdeyenko.

No ano passado, a ABC-Bielorrússia gastou dezenas de milhares de euros em advogados, pacotes de prisão e assistência às famílias dos prisioneiros. Todo este apoio foi possível principalmente através da solidariedade internacional – recebemos todas as doações dos nossos camaradas.

A guerra na Ucrânia afetou a quantidade de apoio aos prisioneiros bielorrussos. Na arena internacional, tornou-se uma prioridade apoiar aqueles que lutam contra o regime de Putin. E acreditamos que esta é a coisa certa a fazer. Mas a resistência contra o regime de Putin e Lukashenko continua, inclusive nas prisões da Bielorrússia. Acreditamos que os presos não devem ser abandonados mesmo em momentos tão difíceis.

Nossos fundos estão se esgotando e somos forçados mais uma vez a iniciar uma campanha de financiamento colaborativo. Somente com o seu apoio poderemos continuar a ajudar nossos camaradas.

Seu dinheiro será usado para o seguinte:

  • Pagando de advogados (no momento gastamos cerca de 3.000 euros por semana para advogados apenas no caso da organização criminosa anarquista internacional)
  • Pagando pacotes aos presos – a comida nas prisões é muito ruim, e sem pacotes de comida de fora os reprimidos não podem comer direito.

Este é o mínimo que será coberto se o financiamento colaborativo for bem sucedido. Se mais dinheiro for arrecadado, no entanto, poderemos ajudar as famílias dos companheiros encarcerados e cobrir o custo adicional de sustentar os prisioneiros na prisão.

Até que todos estejam livres.

Cruz Negra Anarquista Bielorrússia.

[1] Um coletivo anarquista da Bielorrússia, reconhecido pelas autoridades bielorrussas como uma formação extremista. O site do coletivo é pramen.io

>> Clique aqui para colaborar:

https://www.firefund.net/abcbelarus

Tradução > GTR@Leibowitz__

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/10/bielorrussia-anarquistas-condenados-no-caso-pramen/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/19/bielorrussia-mae-de-fugitivo-anarquista-bielorrusso-sentenciada-por-acusacao-de-perturbacao-da-ordem-social/

agência de notícias anarquistas-ana

Frases compostas
no sol que passeia
sob minha caneta.

Jocelyne Villeneuve

Reaparição com vida e libertação dos mais de 500 mil presos políticos na Síria

Campanha Internacional

Quinta-feira, 19 de maio de 2022

Apelo feito a todas organizações trabalhistas e organizações de direitos humanos do mundo para que se levantem juntamente com os parentes dos presos na Síria.

Nas ruas de Damascos, milhares de pessoas lutam pela liberdade e o reaparecimento com vida de mais de 500 mil presos políticos que são torturados nos calabouços da Gestapo de Al Assad e Putin!

Há mais de 500 mil detidos por lutar por pão e liberdade na revolução Síria. Há mais de 500 mil que hoje sofrem nas prisões do regime de Bashar Al Assad, um assassino que, junto com Putin e os Aiatolás Iranianos, não hesitou em massacrar centenas de milhares e enterrá-los em covas coletivas, devastando cidades inteiras e sujeitando os detidos aos piores tipos de torturas. Há mais de 500 mil que foram levados às prisões Basharistas, como expansão do imperialismo, da mesma maneira que há 10 mil prisioneiros da Revolução Egípcia, milhares de palestinos que estão nos calabouços do Sionismo, 8 mil presos políticos iranianos e centenas sentenciados a morte e executados nas prisões dos Aiatolás. Essa brutal repressão e massacre imposta pelo imperialismo e seus partidários locais afoga em sangue um grande processo revolucionário para continuar saqueando o petróleo e o gás.

Alguns dos 500 mil prisioneiros sírios tem sido velados como mártires por seus familiares, que apesar de não terem certeza de onde eles estão, se lamentam pelo fato de ter recebido seus documentos de identificação de volta. Muitos outros ainda estão sendo procurados. A única coisa que se sabe é que eles foram capturados pelas forças de Bashar. É conhecido que a maioria deles estão aglomerados, sofrendo os piores tormentos, em matadouros humanos. Essas prisões de Al Assad são ao mesmo tempo legais e clandestinas.

Nos últimos dias, centenas de milhares de parentes dos 500 mil ficaram desolados e enfurecidos com a manobra do regime de Basharista que consistia em anunciar – com grande fanfarra – a suposta libertação de 200 prisioneiros, com o qual ele tenta limpar a sua imagem de criminoso de guerra. A massiva população da Síria não demorou de responder a este ato cínico do regime e imediatamente tomou as ruas das mais importantes cidades gritando “200 livres, mas o povo quer 500.000!”, inclusive marcharam para o centro da capital da Síria, Damascos, bem debaixo do focinho do fascismo. Dez mil dos familiares tomaram os mais importantes acessos da cidade e acamparam a poucos quarteirões da casa do governo, na esperança de conseguirem se reunir com seus parentes. Depois de 11 anos de revolução, os oprimidos mais uma vez encheram as ruas da capital contra o regime que subjuga, massacra, aprisiona e matam eles de fome.

Como não poderia ser de outra maneira, Bashar Al Assad não só não libertou os 200 que havia prometido, como reprimiu essa gigantesca manifestação com fúria e uma classe de ódio, e até mesmo aprisionou diversos dos familiares por estarem apenas procurando por seus parentes. Os poucos que foram liberados estavam em condições físicas e mentais deploráveis após passarem anos em carcerárias extremamente desumanas, sofrendo os piores tipos de torturas.

Diretamente da Rede internacional pela Liberdade dos Presos Políticos (International Network for the Freedom of Political Prisoners) nós chamamos todas as organizações trabalhistas, organizações de direitos humanos, etc para em nível internacional tomar em suas mãos a luta pelo reaparecimento com vida e pela liberdade de todos os presos políticos da revolução Síria. Nós queremos os 500 mil com vida e conosco! Essa luta é inseparável da batalha por liberdade dos palestinos e prisioneiros iranianos, dos prisioneiros egípcios e dos libaneses revolucionários, e de todos que estão sendo explorados nas cadeias dos opressores do Oriente Médio e do mundo todo por lutarem pelos seus direitos. Liberdade para todos presos políticos na Síria! Liberdade para todos os presos políticos do mundo!

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1618747/

Tradução > Ligeirinho

agência de notícias anarquistas-ana

Libélula e a sombra
vão na mesma direção —
Manhã de sol

Fernando Manuel Bunga

[Chile] Solidariedade e Cumplicidade | Colagem de cartazes nas ruas de Santiago

Agitação permanente em Santiago, regiões e diferentes territórios em solidariedade constante com nossos companheiros e companheiras anarquistas e subversivos em luta nas prisões chilenas.

SOLIDARIEDADE E CUMPLICIDADE COM AQUELES QUE ATACAM OS PODEROSOS E REPRESSORES.

MÓNICA CABALLERO E FRANCISCO SOLAR ÀS RUAS!

ANULAÇÃO IMEDIATA DAS SENTENÇAS DA JUSTIÇA MILITAR.

MARCELO VILLARROEL ÀS RUAS!

Pela anulação das sentenças do sistema de justiça militar contra o companheiro Marcelo Villarroel, preso há 14 anos nas masmorras chilenas.

#agitaciónpermanente #anulacióncondenasfiscalíamilitar #marcelovillarroelalakalle #presxssubersivxsyanarquistas #buscandolakalle

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/05/20/chile-contra-as-sentencas-proferidas-pelo-sistema-de-justica-militar-e-pela-libertacao-imediata-de-marcelo-villarroel/

agência de notícias anarquistas-ana

Sem um rumor
ela contempla a montanha,
a mariposa

Issa

Rebanhos Patrióticos

Diante da convocação para a participação no espetáculo eleitoral, os rebanhos, à esquerda e à direita, mobilizam-se em torno de seus respectivos pastores. Não hesitam em demonstrar fidelidade aos “líderes” do momento. Pequenos comerciantes, inclusive, veem seus caixas crescerem devido ao aumento na comercialização de bonés, adesivos, broches e outros produtos que homenageiam o homem que senta no trono do palácio e o “pai dos pobres”. Os moderados reivindicam a adoção de novas políticas públicas e a inclusão dos “excluídos”, rastejando-se pela distribuição “equitativa” das recompensas. Enfatizam que o momento exige união nacional em defesa da democracia e da felicidade do Brasil. Para eles, essa é a tarefa “histórica” do povo. Afinal de contas, segundo o “pai das nações”, “a voz do povo é a voz de Deus”. Os conservadores, por sua vez, oram pela segurança da “família brasileira”, constituída pelos “cidadãos de bem”. Dizem que essas são pessoas que contam com a vontade divina e estão dispostas a enfrentar quaisquer ameaças aos costumes tradicionais da “pátria mãe gentil”. O “amor à nação”, portanto, é a ideia fixa que orienta as condutas dos partidários da ordem, vermelhos ou verde-amarelos. São rebanhos que clamam pelo lema “Ordem e Progresso” e fiéis à autoridade dos costumes.

Fonte: Flecheira Libertária, n. 673, 31 de maio de 2022. Ano XVI.

>> Para ler o Flecheira Libertária na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2022/05/flecheira673.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

Nas águas do mar
Águas-vivas flutuam
Tranqüilamente …

Miranda