[França] Nacionalismo francês e turco em Lyon: impunidade extrema

Durante anos, Lyon tem sido um laboratório da extrema direita mais radical. As manifestações violentas de seus membros contra ativistas sindicais, ativistas de extrema esquerda, libertários e antifascistas, com a cumplicidade implícita do poder político, são correntes. Os eventos das últimas semanas são um poderoso lembrete de sua impunidade, além de fortalecer nossa determinação.

Ao gritarmos em manifestações, às vezes acontece que perdemos de vista a realidade material do que estamos protestando contra. “Nenhum fascista em nossos bairros, nenhum bairro para fascistas”, “O fascismo é uma gangrena, ou você se livra dele ou morre”, estes slogans parecem desgastados, como se viessem de outro tempo.

E então, às vezes, a realidade nos alcança e nos acerta na cara. Isto é o que nos aconteceu em Lyon nos últimos meses, com barras de ferro, socos no rosto e blocos de pedras nas janelas.

Plume Noire e Maison de la Mésopotamie atacadas

No sábado 20 de março às 14h, nossa livraria La Plume Noire (Pluma Negra), localizada nas encostas da Croix-Rousse, foi atacada por cerca de cinquenta militantes de extrema direita vestindo capuzes, enquanto uma coleta de bens de primeira necessidade para os beneficiários da associação Pour l’égalité sociale et l’écologie (Pese) estava sendo realizada no local.

Desta vez, os nazistas quebraram a porta da frente e as janelas com pedras de pavimentação; alguns tentaram entrar para agredir fisicamente as oito pessoas que estavam lá dentro. Felizmente, repelidos por nossos ativistas, eles não conseguiram entrar e, portanto, não machucaram fisicamente ninguém.

Este ataque foi premeditado, preparado desde o anúncio da dissolução da Génération identitaire (Geração Identitária), em 3 de março de 2021. Mais do que as instalações da UCL, é o símbolo do local que foi atacado. Um lugar vivo de luta aberto a todos para discutir e organizar, mas também para vir e buscar a solidariedade direta, através de alimentos ou roupas. É por causa de todos os valores populares, antifascistas e revolucionários que a Plume Noire permanece ano após ano um alvo privilegiado da extrema direita.

De fato, esta não é a primeira vez que nossa livraria foi atacada: em 1997, foi vítima de um ataque incendiário; em 2016, cerca de trinta indivíduos mascarados quebraram as janelas e tentaram entrar no local; em dezembro de 2020, dois voluntários da associação Pese foram espancados.

A Plume Noire e seus ativistas não são os únicos a serem visados pelos fascistas. Ao mesmo tempo, no 7º distrito de Lyon, os Lobos Cinzentos, um grupo fascista turco, também atacaram a Maison de la Mésopotamie, as instalações culturais de nossos camaradas curdos que lutam há muitos anos contra o Estado Islâmico de um lado e Erdogan do outro. Se este primeiro ataque foi corajosamente repelido, sem nenhum ferimento no acampamento curdo, não foi o caso do segundo ataque no sábado 3 de abril.

Desta vez, os Lobos Cinzentos atacaram, fortemente armados com barras de ferro e soqueiras, causando dois ferimentos leves e dois graves entre nossos camaradas. Como não podemos ver a ascensão fascista no poder que agora se expressa cada semana em nossas vidas, cada vez mais violentamente e com impunidade?

Após o ataque à Plume Noire, a polícia ousou vir nos dizer que os fascistas tinham sido vistos desde o início pelas câmeras de vigilância, mas que tinha sido decidido não intervir, supostamente por falta de mão-de-obra.

Mostrando a mesma complacência, a prefeitura, através de manipulações mesquinhas (posteriormente invalidadas no tribunal) e táticas de pressão sobre nossos ativistas (visita de policiais armados à casa, multas repetidas durante uma coletiva de imprensa), finalmente proíbe a mobilização antifascista.

Este é um ato político muito claro: permitir aos fascistas ferir e destruir, amordaçar e criminalizar a resposta antifascista. Da mesma forma para nossos camaradas curdos, as autoridades deixaram os Lobos Cinzentos atacá-los duas vezes em intervalos de duas semanas, mas impediram a manifestação curda com gás lacrimogêneo.

Mas o que a polícia está fazendo? Entre a inação e a complacência

Não esperamos nada do Estado e sua ala armada, mas esta tolerância para com estes ataques sucessivos é uma nova prova clara da impunidade dos grupos de extrema direita em Lyon. A inação das estruturas estatais diante da extrema direita aqui e em outros lugares, e sua implacabilidade contra o campo antifascista deixa o campo aberto a todo tipo de loucura.

Tirando proveito desta onipotência, os fascistas estão atacando com cada vez mais frequência e com mais força. Sabemos de fato que o ataque a Plume Noire tem uma ligação direta com a dissolução da Génération identitaire (GI). Este ataque foi reivindicado no dia seguinte por uma inscrição em nossas instalações: “Você não dissolve uma geração, aprenda sua lição”.

Desde a dissolução da GI, nosso campo social suspeitava que uma ação violenta estava sendo preparada contra uma manifestação progressiva, ou contra ativistas ou grupos identificados. Para deter esta ascensão do poder fascista, para nós, comunistas libertários, só há um caminho: a união. Silenciar e fazer recuar o ódio fascista onde quer que ele seja encontrado, em qualquer forma que ele assuma.

Para nós, isto significa trabalhar diariamente por um amplo e popular antifascismo: em nossos coletivos, mas também em nossos sindicatos, nossas associações, no trabalho, nas ruas. Em todos os lugares onde estamos, trabalhando por um forte movimento social antirracista e solidário de classe.

Portanto, sim, o fascismo é sempre a gangrena, eliminamo-la ou morremos dela.

Myriam (UCL Lyon)

Homenagem às vítimas da extrema direita

No sábado 10 de abril, a Coordenação Antifascista Parisiense organizou uma primeira manifestação unitária antifascista, algumas semanas após uma manifestação em apoio à Génération identitaire, e a forte repressão que então atingiu os ativistas antifascistas que haviam chamado para uma contra-manifestação. A Jovem Guarda Paris, Solidários, a UCL e a CNT fizeram questão de demonstrar que as ruas de Paris não pertenciam aos fascistas. Nesse lado, foi uma aposta de sucesso.

Entre 1.000 e 1.200 pessoas marcharam de Château-d’Eau a Châtelet, enfrentando a chuva… e a supervisão rigorosa dos gendarmes móveis. A procissão cresceu gradualmente, a presença intimidante dos milicos foi felizmente contrabalançada por uma procissão particularmente animada de hinos e tambores clássicos da Jovem Guarda. Nos discursos de pré-demonstração, foi feita uma homenagem às vítimas da extrema direita, incluindo nosso camarada Clément Méric que caiu há oito anos sob os golpes dos skinheads neonazistas.

Esta primeira iniciativa da recém-formada Coordenação Antifascista Parisiense deve convocar outras e permitir uma ampliação para outros sindicatos, organizações políticas e associações feministas, antirracistas, etc. Contra a extrema direita, devemos desenvolver uma resposta social unitária.

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Nationaliste-francais-et-turcs-a-Lyon-l-extreme-impunite

Tradução > Liberto

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minha casa
o sapo já sabe
entrar e sair

Alice Ruiz

[Espanha] “Reconhecer o inimigo: a polícia”

CONTRIBUIÇÕES E CONHECIMENTOS PRÁTICOS PARA A LUTA NAS RUAS – III

// Ciclos de conversas e debates in-formativos para uma cultura de segurança //

08/05/2021, 19h: Reconhecer o inimigo: a polícia // C.S.O.A. La Enredadera. C/ Anastasio Herrero, 10 <M> Estrecho, Madrid

A polícia está lá para nos reprimir. Não há policiais bons ou maçãs podres e sua existência se baseia no controle e na aplicação da lei. A polícia de choque é a unidade específica dedicada a reprimir os protestos de rua, controlando as multidões, espancando-nos, prendendo-nos e tendo processos legais abertos contra nós. Como a polícia trabalha em relação aos movimentos de combate? Que objetivos perseguem? Como conseguem informações sobre as pessoas envolvidas? O que é a Brigada de Informação? E a polícia de choque?

Vamos rever as funções da polícia ao longo de sua existência, baseando-nos mais especificamente na perseguição de pessoas que lutam. Evitando a paranoia e conhecendo um pouco melhor o inimigo, vamos ver como podemos cuidar de nós mesmos e dos nossos.

Ao mesmo tempo, esta palestra fará parte de uma conferência que está sendo organizada em solidariedade com alguns camaradas anarquistas que foram presos sob a “Operação Arca”. Eles criaram um blog para maiores informações e suporte, que você pode consultar em quemandoarcas.noblogs.org

culturadelaseguridad.noblogs.org

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Eu acordo
contando as sílabas;
o haikai ri

Manuela Miga

[Espanha] O Tribunal Provincial rejeita a libertação dos 6 detidos da manifestação do 27F

Hoje, 4 de maio, o Tribunal Provincial tornou pública a ordem de rejeição da liberdade dos seis detidos que permanecem na prisão preventiva desde 27F.

Os magistrados não se importam que nossos companheiros e amigos estejam detidos há 67 dias, com a inconsistência das provas e as acusações desproporcionais.

Diante desta resposta, nós nos reafirmamos. Nós continuamos e continuaremos a dar-lhes solidariedade e a exigir sua liberdade.

A assembleia plenária de apoio se reúne como de costume todas as sextas-feiras na Ágora, Raval, às 18h30.

Neste sábado haverá uma concentração em Brians 1. Esperamos ser muitos.

Não pararemos até vermos nossos companheiros em liberdade!

ÂNIMO, FORÇA E SOLIDARIEDADE!!!

Fonte: https://ellokal.org/la-audiencia-provincial-desestima-la-libertad-de-lxs-6-detenidxs-27f/

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em nosso universo
breve, passa, com pressa! e
graça, a borboleta

Issa

[Chile] Ao companheiro Nelson Méndez (1952-2021)

Hoje, 5 de maio de 2021, recebemos a triste notícia da morte do companheiro e amigo Nelson Méndez na Venezuela. A dor que sua partida nos deixa é a certeza de saber que um grande ser humano, um pensador e um lutador pelos ideais ácratas, um sábio articulador que nunca se afastou de seu espírito inquieto e libertário.

Nelson Méndez foi sociólogo, professor e ativista venezuelano. Desde 1995 editou o jornal El Libertario, publicação fundamental que foi um porta-voz dos movimentos sociais na Venezuela e na América Latina. Ele escreveu vários artigos e livros, tais como “Bitácora de la Utopía”. Anarquismo para el S. XXI” (2001), em co-autoria com Alfredo Vallota, e o recente “Gastronomía e Anarquismo. La utopía intensa de unir fogones, barricadas, placer y libertad” (2021), publicado pela Fundação Anselmo Lorenzo (FAL).

Em 2013, tivemos a sorte de tê-lo visitado em nosso país. Nessa ocasião, nosso grupo de estudo organizou uma conferência sobre a história do anarquismo na América Latina, que aconteceu no sindicato CONSTRAMET na tarde do dia 2 de outubro. Ele também participou da nona edição da Revista Erosión com uma prévia de seu livro sobre gastronomia e anarquismo.

Acompanhamos sua família e seus entes queridos na dor desses momentos, especialmente sua companheira Mina e seu filho Salvador. Nossos espíritos os acompanharão para dizer adeus ao companheiro Nelson com o compromisso de continuar forjando esse mundo novo que vive nos corações ácratas.

Erosión, Revista de Pensamiento Anarquista

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criança traquina
saltita atrás dos pássaros
natureza em flor.

Helena Monteiro

 

[EUA] Grupos anarquistas e autônomos tomam às ruas | Realização de eventos públicos no May Day de 2021

Este ano, grupos anarquistas e autônomos anticapitalistas e anticoloniais realizaram eventos, ações e celebrações do Primeiro de Maio (May Day) em todo o mundo, inclusive na chamada América do Norte. Diferente dos anos anteriores, muitos grupos optaram por organizar seus próprios eventos com coalizões separadas, ao invés de pegar carona em eventos maiores organizados por sindicatos e grupos esquerdistas/marxista-leninistas.

Muitos desses eventos foram churrascos ou reuniões sociais em parques públicos, que atraíram grande comparecimento. Em cidades como Montreal, marchas em massa foram organizadas por anarquistas e grupos como os Trabalhadores Industriais do Mundo (IWW), enquanto em outras grandes cidades como Portland, Seattle e Oakland, as manifestações noturnas foram atacadas pela polícia. Os participantes também usaram o May Day para destacar as lutas em andamento: contra o ICE, encarceramento em massa, lutas trabalhistas, a crise imobiliária e assim por diante. No Brooklyn, membros do Movimento Abolicionista Revolucionário (RAM) organizaram uma caravana de carros em apoio às futuras ações anti-prisão.

Muitos relataram que essas ações e eventos ajudaram a criar um ambiente social amigável que permitiu às pessoas a chance de se encontrarem cara a cara – em alguns casos, a primeira vez desde o início da pandemia, enquanto compartilhavam ideias e encontravam novos amigos. Feliz Primeiro de Maio!

Fonte: https://itsgoingdown.org/may-day-2021/

Tradução > Da Vinci

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pousada na lama,
a borboleta amarela,
com calor, se abana

Alaor Chaves

[Alemanha] Berlim: Protesto pela Liberdade de Mumia Abu-Jamal | Libertem Todos

Em 24 de abril, aproximadamente 200 pessoas participaram de um protesto pela liberdade de Mumia Abu-Jamal no bairro de Neukölln, em Berlim. Organizações antirracistas como “Death in Custody” e “Migrantifa” ou organizações de apoio a prisioneiros como “Network for Political Prisoners”, “Gemeinschaftlicher Widerstand”, “Criminals For Freedom”, “Sabot”, “No129” e “Red Aid” expressaram seu apoio a Mumia e o que sua luta significa para eles e outros também. “VVN/BdA”, uma organização antifascista criada por sobreviventes dos campos de extermínio nazistas explicou porque Mumia é um membro honorário de sua organização. Organizações de bairro como “Karstadt-Initiative”, “Syndikat” e “Deutsche Wohnen Enteignen” relataram várias lutas contra a gentrificação e o que isso significa para a subsistência dos pobres em Berlim. Um prisioneiro foi ouvido sobre as condições desumanas em JVA Moabit por meio de uma gravação. Outra gravação foi tocada com Lina, que é perseguida na região alemã da Saxônia por suas atividades antifascistas. Músicos como Turgay, Müllsch, Yok, Mila Morgenstern e Esels Alptraum contribuíram com música ao vivo.

24 de abril de 2021 marcou o 67º aniversário de Mumia Abu-Jamal. Mumia está gravemente doente. Na segunda-feira desta semana, ele fez uma cirurgia cardíaca enquanto estava algemado a uma cama de hospital. Os manifestantes exigiram que ele fosse tratado de acordo com seus problemas de saúde em um centro médico, não na prisão, e que as algemas fossem removidas. No final das contas, Mumia precisa ser libertado por motivos humanitários porque está muito doente para continuar na prisão. Há apenas um mês, ele sobreviveu a uma infecção por Covid-19 e seu corpo está muito exausto.

No mesmo dia, protestos pela liberdade de Mumia ocorreram na Filadélfia, Washington DC, San Francisco / Oakland Bay Area, Cidade do México, Cayenne (Guiana Francesa), Paris, Viena e Londres. No início deste mês, as pessoas tomaram as ruas por Mumia em Hamburgo, Frankfurt e Amsterdam.

Moradores de Weisestr, onde o protesto de Berlim ocorreu, decoraram suas janelas com faixas de “Free Mumia”. Uma banca de informações forneceu cartões postais com os quais os participantes escreviam mensagens de apoio e melhoras para Mumia. A petição ao promotor Larry Krasner da Filadélfia estava disponível online na barraca e muitos assinaram.

Uma exposição sobre a versão moderna americana da escravidão, também conhecida como indústria da prisão, estava disponível e no final cerca de 50 manifestantes se juntaram para uma foto que enviaremos para Mumia.

LIBERTEM MUMIA – LIBERTEM TODOS!

>> Mais fotos: https://de.indymedia.org/node/147175

Tradução > Da Vinci

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nadam no vento
como carpas douradas
folhas de bambu

Akatonbo

[Finlândia] Juntos contra o golpe militar | Solidariedade com Mianmar

O Grupo Anarquista A-ryhmä e amigos se juntaram no parque Kronstadt de Helsinque, com o objetivo de mandar saudações solidárias para anarquistas e outros rebeldes de Myanmar.

Nós apoiamos o protesto não-violento contra os militares de Mianmar, e também apoiamos grupos que lançaram a insurgência armada contra o golpe. O governo militar vai cair, assim como todos seus aliados, que nem o regime de Putin na Rússia.

Um cumprimento especial para Rebel Riot Band e Food Not Bombs Mianmar.

A-ryhmä

Tradução > Da Vinci

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soprando esse bambu
só tiro
o que lhe deu o vento

Paulo Leminski

[Porto Alegre-RS] Agitação e difusão sobre a greve de fome dxs companheirxs anarquistas no $hile durante a Feira Anarquista de Outono

“Só serei realmente livre quando todxs sejam igualmente livres” | Solidariedade ativa com xs presxs subversivxs e anarkistas em greve de fome desde o 22/03 no $hile!

Porque nossas ações falam mais do que as palavras, irrompemos nas ruas com faixas, panfletos e nossa negra presença.

Uma Feira Anarquista de Outono que gritou, numa bela faixa, pela liberdade de nossos companheirxs, guerreiros que confrontam à dominação lutando pela liberdade. 

Pela propagação do ódio às prisões!

Pela solidariedade!

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gato no galho,
bem-te-vis na janela,
e eu no telhado

Rosa Clement

[Mianmar] “Abrimos uma clínica de saúde gratuita em Sittwe”

Ontem (03/05), abrimos uma clínica de saúde gratuita em Sittwe, Rakhine, como parte de nosso movimento “Food Not Bombs” (Comida Sim Bombas Não). Logo após a abertura, muitos idosos, adultos e jovens doentes vieram à nossa clínica de saúde para receber atendimento médico.

Em um país pobre como o nosso, as clínicas e hospitais são para aqueles que têm dinheiro sobrando. Nossa clínica de saúde gratuita poderá ser um apoio para aqueles que estão  em situação de pobreza.

Esperamos que todas as regiões de nosso país tenham mais assistência médica gratuita no futuro próximo. Que possamos estar livres do sistema fascista e que tenhamos um futuro mais luminoso pela frente.

Todos podem receber tratamento gratuito, não há discriminação racial e religiosa em nossa clínica. Não há necessidade de pagar por nenhum tratamento e medicamento, mas para continuar nosso programa, você pode doar o máximo que puder.

Especialmente, queremos agradecer ao Dr. Kyaw Zaw Thant por nos ajudar.

Contato: 09444401660, 09691969028

#Solidarity #NotCharity #NotAuthority #Solidaridade #NãoCaridade NãoAutoridade

Food Not Bombs – Rakhine

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a folha tomba
no meu ombro
outono

Alexandre Brito

[México] Sobre Nelson Méndez

À família, amigas e amigos de Nelson.

Aos anarquistas do mundo:

Na manhã deste 5 de maio, fomos despertados pela terrível notícia da sensível passagem do companheiro e irmão Nelson Méndez. No México nós o conhecemos e podemos confirmar sua integridade, fraternidade e preocupação pela unidade entre os anarquistas. Convicções que hoje permanecem como um legado fraternal e com as quais aprendemos.

Lamentamos a perda e abraçamos nestes momentos tão difíceis a família, amigas, amigos, companheiras e companheiros anarquistas do povo venezuelano e do mundo.

Que a terra lhe seja leve e abrigue com doçura a um de seus filhos mais fervorosos que a defendeu com veemência, ardência e inveterada eloquência.

Fraternalmente: Comissão de Ligação da Federação Anarquista do México-IFA.

Atenciosamente: Federação Anarquista do México-IFA

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Cada onda
reflete na areia
a nova lua cheia

Alice Ruiz

[Chile] Os mais de 40 dias de greve de fome dxs presxs anarquistas e subversivxs em Santiago

No dia 22 de março deste ano, um total de 8 companheiros e 1 companheira em privação de liberdade por ações políticas iniciaram uma greve de fome líquida nas prisões de CPF San Miguel, Santiago 1 e Cárcere de Alta Segurança (CAS). Isso, por um lado, como forma de protesto contra as últimas modificações no decreto de lei 321, referente aos requerimentos exigidos pelo sistema carcerário para o acesso à Liberdade Condicional, e por outro para exigir a liberdade de Marcelo Villaroel, preso autônomo subversivo, que recebeu o castigo do estado e de seus mecanismos d e controle durante grande parte de sua vida por se posicionar e lutar contra o poder.

Hoje, há mais de 40 dias, continuam com a ação: Mónica Caballero, Marcelo Villarroel, Juan Flores, Joaquín García, Pablo Bahamondes e Francisco Solar. Do mesmo modo, o companheiro Juan Aliste Vega continua aderindo sem greve de fome por conta de seus graves problemas de saúde.

Essa ação de protesto, na qual desde a prisão se estabelece o próprio corpo como território de luta e resistência, a primeira trincheira de combate, irrompe para instalar com força a existência do problema gerado com as modificações dos anos 2016 e 2018 no DL 321, modificações impostas desde o poder político com absoluto desconhecimento da realidade dos centros de tortura e castigo do estado/capital.

Como objetivo da ação, a e os companheiros estabeleceram os seguintes pontos:

● Revogação do artigo 9 e a restituição do artigo 1 do DL 321.

● A liberdade do companheiro Marcelo Villarroel, preso subversivo autônomo libertário, perseguido e encarcerado por sua luta contra o poder.

● A liberdade de todos os presos políticos da revolta, mapuche e de longas penas sequestrados pelo estado do $hile.

● O fim da perpetuidade das prisões.

A saúde da e dos companheiros em greve

Já entrando nos 40 dias da manifestação, a perda de peso corporal, as tonturas e náuseas são parte do dia a dia de nossa companheira e de nossos companheiros.

Até o momento foram registradas as seguintes variações de peso: Mónica Caballero com perda total de 8 kg; Francisco Solar com perda de 10,5 kg; Marcelo Villarroel com perda de 10kg; Joaquín García com perda de 11 kg; Juan Flores com perda de 10,5 kg e Pablo Bahamondes que registra uma perda de 12 kg.

Mediante os boletins semanais da Coordinadora 18 de Octubre, foi informado que o INDH já visitou as pessoas em greve, assim como o Colégio Médico. Da mesma forma, apontam que foram acrescentados obstáculos para o ingresso de líquidos para a e os grevistas, uma forma de amedrontamento que não terá resultado na decisão dos companheiros e da companheira.

A situação de Mónica Caballero

Uma situação preocupante é o que está vivendo a companheira Mónica Caballero, que está sendo diretamente hostilizada com medidas de desgaste, como o traslado semanal para o Hospital Penal que a Gendarmeria realizava para fazer controles de sangue. Mesmo assim, após ter cumprido 38 de greve, foi ameaçada com ser enviada novamente ao Hospital Penal.

Tal ameaça foi repudiada pela companheira, que se negou rotundamente a esta transferência, motivo pelo qual no último 28 de abril foi realizada uma audiência na qual a defesa de Mónica rechaçou esta imposição, argumentando o desgaste físico e emocional que significam os mais de 40 dias de greve, assim como o controle diário de pressão e peso por parte de uma enfermeira da prisão de San Miguel, bem como a visita semanal de um médico externo.

Esses controles são suficientes para manter uma noção concreta de seu estado de saúde, porém as redes de apoio já advertiram sobre o perigo de que Mónica fosse trasladada à força nos próximos dias, por isso a tensão está presente e o chamado é para ficar alerta.

Em solidariedade com a situação de Mónica, os companheiros decidiram em sua totalidade rechaçar as mostras de sangue por “constituir uma evidente estratégia de desgaste e em solidariedade com Mónica e seus traslados semanais ao hospital penal para realizar essas amostras desnecessárias”.[1]

As modificações no DL 321

Para compreender mais a fundo o atual problema (uma expressão a mais da crise carcerária), revisaremos como e porque se originam estas modificações e como tem sido aplicadas.

No ano de 2016 se efetua uma modificação que incide brutalmente no tempo da pena cumprido para poder optar pela Liberdade Condicional (LC).

Essa modificação surgiu logo após um grande escândalo feito pelos meios hegemônicos, que alarmaram a população por um “suposto perigo” que significava a saída para a liberdade condicional de 1800 pessoas privadas de liberdade de diferentes cárceres do território, em sua maioria da V região. Isso significou, como de costume, uma assimilação social desse “perigo”, que ao mesmo tempo justificava convenientemente uma reforça na lei que permitisse manter o crescimento da população penal.

Como resultado se gera a lei 20.931, que indica em seu artigo 7 a modificação do artigo 3 do DL 321 para consolidar aspectos como o cumprimento de 2/3 da pena para poder optar pela LC em delitos como roubo, furto, receptação e outros crimes de maior violência.

Chama atenção como o punitivismo jurídico iguala os delitos antes mencionados com os de máxima gravidade como: feminicídio, parricídio, estupro e infanticídio. Assim mesmo incorpora nesta lista de delitos o “homicídio de membros das Polícias e da Gendarmeria do Chile em exercício de suas funções”[2], entregando mais uma vez a proteção privilegiada do sistema jurídico/prisional aos executores dos mecanismos de controle, no caso os Carabineros do Chile e a PDI.

Já com esta modificação em curso, os tempos necessários para optar pela LC aumentaram para a maioria da população penal. Todavia, dois anos depois outro fato de comoção social abriria caminho para a modificação seguinte.

Em Junho de 2018 é outorgada a liberdade condicional para 7 criminosos de lesa-humanidade. Essa situação fez com que o poder legislativo e executivo acordassem para “subir o padrão de requisitos para adquirir a liberdade condicional a criminosos de guerra, genocidas ou quem tenha cometido crimes de lesa humanidade”³ derivando isso na lei 21.124 ditada em 18 de janeiro de 2019.

Como já era de se esperar, essa nova modificação que pela primeira vez estabelecia a existência dos crimes de lesa-humanidade, longe de manter estes em privação de liberdade, foi utilizada e aplicada a todos os condenados sem distinção, isso considerando que em nenhuma parte se menciona que tais padrões seriam aplicados à população penal comum ou social, ou seja, todos que tenham cometido delitos comuns e que não são e nem foram agentes do estado.

O Observatório Social Penitenciário diferencia a população penal em dois setores, por uma parte a população penal social que seria toda “persona de a pie” e os criminosos de lesa-humanidade, que seriam todos os agentes de estado que executaram ou executam violência política contra a população civil.

“É indispensável ter em conta que em nenhuma parte da mensagem se faz referência aos delitos comuns nem à necessidade de subir os padrões para acesso aos benefícios penitenciários para as pessoas que cometem esses delitos. Logo, toda a discussão no Tribunal Constitucional se centrou na necessidade de modificar a legislação interna para os crimes de lesa-humanidade e nunca se sugeriu sequer que essas normas se aplicariam aos presos condenados por delitos comuns” (Liberdade Condicional e uma modificação imensamente necessária. Observatório Social Penitenciário).[3]

Ambas as modificações antes mencionadas serviram como um coringa para a reprodução do sistema carcerário em um período de pleno auge das prisões concessionadas, assim como para frear a suposta “queda da população penal” que ainda se estabelece como “argumento” em contradição à superlotação denunciada diariamente por presas e presos no $hile.

Novamente podemos presenciar o jogo do poder político e judicial movendo peças sob os discursos “democráticos” adequados às abordagens internacionais de DDHH, para esconder os verdadeiros objetivos que vão aparecendo a medida que essas modificações são aplicadas.

Solidariedade ativa e propaganda pelo fato

Sem dúvida esta greve fez pulsar mais uma vez as forças solidárias do anarquismo em diferentes e também distantes territórios, onde a propaganda pelo fato irrompeu no controle social implantado desde a pandemia.

Graças a coordenação da rede de apoio à greve se desenrolou um potente trabalho de difusão, por meio da plataforma Buscando la Kalle somado aos meios livres e da Coordinadora 18 de Octubre, que possibilitou romper com o cerco midiático e com as fronteiras para coletivizar a informação do porque e de como vai a greve.

Desta maneira se registraram ações solidárias no Peru, Costa Rica, Grécia, Colômbia, Argentina, México, Suécia, Uruguai, Brasil, Espanha e no território dominado pelo estado do $hile do norte até o gelado sul.

Também se realizou 2 fóruns informativos, 2 coletivas de imprensa, um cadenazo radial (transmissão simultânea em vários meios) convocado pela Rádio 31 de Enero em solidariedade com a greve que contou com a participação de rádios livres de diferentes latitudes (entre elas La Zarzamora), dois shows online, um ciclo de cinema anticarcerário e transmissões radiais solidárias de diversas rádios, como as realizadas por Sin Fronteras Ni Naciones e Rádio 1 de Mayo.

Um fato a se destacar tem sido o apoio de outros presos, tal como foi o caso de Luis Castillo, preso político da revolta na cárcere de Huachalalume, de La Serena (norte do $hile), que começou uma greve de fome em 29 de março, se somando às demandas e exigindo sua liberdade.

As ações solidárias de outras e outros companheiros na prisão política em diferentes partes do mundo tampouco tardaram a acontecer, e desta forma chegaram as mensagens combativas da companheira Pola Roupa e Nikos Maziotis, ambxs presxs na Grécia e membros da guerrilha urbana anarquista “Luta Revolucionária”, que mediante um comunicado público mencionaram como o estado e o capital mantêm, mediante suas leis, a prisão política de quem luta contra o poder.

Do mesmo modo, em 12 de abril nos inteiramos da decisão Juan Sorroche, anarquista espanhol preso político na prisão de Terni, Itália, de iniciar uma greve de fome que durará até quando ele “considerar oportuno”, mencionando, entre outras razões, a “solidariedade com as lutas de prisioneirxs nas cárceres chilenas”.

Essas ações vão potencializando as forças de Mónica e dos companheiros para resistir à longa luta contra as modificações no DL 321, que conta com amplo rechaço desde sua aplicação. Não podemos deixar de mencionar as mobilizações geradas por presas e presos sociais em 2019, paralisando dezenas de centros de extermínio por dias.

É importante insistir que este decreto de lei afeta toda a população pena, não somente em seu artigo 9 com arbitrariedades terríveis, mas também com o artigo 3 referente às mulheres e corpos gestantes, no qual se incita a gerar uma gravidez intracarcerária por meio do qual as presas poderiam optar pela liberdade condicional somente com o cumprimento de metade da pena (como antes das modificações) e não com os dois terços.

Em relação a este ponto é necessário mencionar que a gravidez forçada é considerada um crime de lesa-humanidade e está qualificado dentro do que se compreende como “violência político-sexual”. À parte desse ponto ser um atentado à autonomia dos corpos e um controle aberrante da “capacidade” reprodutiva das mulheres e corpos gestantes em privação de liberdade, que só perpetua o ciclo carcerário, reproduzindo vidas dentro do cativeiro para no futuro alimentar o negócio sujo da prisão.

Derrubar as limitações para o acesso à liberdade condicional e que ela volte a ser um direito é uma luta difícil que foi assumida pela companheira e pelos companheiros, que com o apoio sem fronteiras podem chegar a alcançar uma mudança histórica na realidade das, des e dos privados de liberdade no $hile.

[1] Boletim informativo. Coordinadora 18 de Octubre.

[2] https://leyes-cl.com/decreto_ley_n_321_que_establece_la_libertad_condicional_para_las_personas_condenadas_a_penas_privativas_de_libertad.htm

[3] Liberdade Condicional e uma modificação imensamente necessária. Observatório Social Penitenciário.

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2021/05/03/os-mais-de-40-dias-de-greve-de-fome-dxs-presxs-anarquistas-e-subversivxs-em-santigo/

agência de notícias anarquistas-ana

As campânulas
Se espalham pelo terreno —
Casa abandonada.

Shiki

Vídeo | Pindo Poty é Guarani!

Diante da morosidade do Poder Público e sob constantes invasões, na madrugada desta sexta-feira, 30 de abril, o povo Mbya Guarani decidiu agir para retomar parte do território tradicional. Durante a retomada, destruíram cercas e barracos de invasores instalados no tekoa – lugar onde se é – Pindo Poty, localizado no Bairro Lami, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Há semanas indígenas têm exigido e aguardam as providências legais do Ministério Público Federal (MPF) e da Fundação Nacional do Índio (Funai) sobre as invasões, que não têm sido coibidas pelas autoridades e, por conta disso, têm se intensificado. O desmatamento e loteamento do território indígena são as consequências mais diretas deste problema.

Segundo informações dys Mbya Guarani, enquanto se reuniam com o MPF nesta quinta-feira (29/04), do outro lado da Terra Indígena, invasores desmataram e lotearam mais uma parte da tekoa. A situação, então, se tornou ainda mais inaceitável para ys indígenas.

“O que vemos são os invasores avançando sobre o território tradicional. Por isso, nos levantamos com a força da reza, do canto e também com a proteção de bordunas, arco e flecha. Fomos até o local da invasão e derrubamos as cercas, as casas e decidimos acampar no local”, relata liderança do povo Mbya Guarani.

Depois da edição deste vídeo, o Ministério Público informou que ajuizou duas ações relativas à aldeia Pindo Poty: uma contra a FUNAI pela demora na demarcação das terras e outra relativa à reintegração de posse.

Ainda aguarda-se decisão da Justiça.

Registros das imagens e áudio:

Coletivo CineNaTekoa: https://www.youtube.com/channel/UCtoEiUN066_y6c17r6V9YAg
Deriva Jornalismo: https://derivajornalismo.com.br/

>> Veja o vídeo (03:32) aqui:

https://kolektiva.media/videos/watch/9e24f680-6d14-437b-8954-d02a7d4b3b60

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/26/porto-alegre-rs-a-luta-indigena-e-pela-terra-contra-o-estado-e-o-capital/

agência de notícias anarquistas-ana

Sol no girassol.
Sombra desenha outra flor
no corpo dourado.

Anibal Beça

Manifestação Global nas Embaixadas e Consulados da Colômbia | 07 de Maio

Na Colômbia, a polícia organiza caçadas contra os manifestantes que protestam há vários dias contra o projeto de reforma tributária que penaliza as classes trabalhadoras.

O presidente Iván Duque iniciou uma nova reforma tributária, rejeitada por unanimidade pela população colombiana, indígenas, acadêmicos, movimentos sociais, associações ou sindicatos. Até o partido no poder e seus aliados criticaram o projeto de reforma.

Embora o presidente tenha sido forçado a retirar o projeto sob pressão das ruas, a raiva social continua a se manifestar e a polícia continua seu massacre. Durante uma semana, houve pelo menos 18 mortos, mais de 1.000 feridos, pelo menos 20 estupros cometidos pela polícia, mais de 900 prisões.

A polícia organiza uma verdadeira caça contra os manifestantes. Anarquistas que participam do movimento de protesto, contam que em alguns lugares os policiais retiram as luzes da rua e, quando escurece, começam a atirar nas pessoas que passam. Muitas pessoas foram vítimas de violência policial quando voltavam para casa.

O exército e a polícia também atiraram contra as pessoas durante o protesto com armas de fogo. Existem mortos, feridos e mulheres que foram estupradas.

Além disso, os manifestantes são levados sem saber o destino em carros que se acredita serem das forças militares. Essas ações extrajudiciais despertam memórias terríveis em um país traumatizado por anos de guerra suja.

Para enviar mensagens de protesto (sem insultos ou ameaças, que podem ser usadas contra os manifestantes):

Embaixada da Colômbia no Brasil

SES, Av. das Nações, Lote 10, Quadra 803, Brasilia, DF

E-mail:cbrasil@cancilleria.gov.co

Consulado Geral da Colômbia – São Paulo – SP

Rua Tenente Negrão, 140 Piso 7 cj. 92 Itaim Bibi

E-mail:csaopaulo@cancilleria.gov.co

Consulado Geral da Colômbia – Manaus – AM

Rua 20, n 651 A – Conj.Castelo Branco – Parque 10

E-mail:cmanaos@cancilleria.gov.co

Consulado Honorário da Colômbia – Fortaleza – CE

Endereço:R. Joaquim Emídio de Castro, 160 – Cidade dos Funcionários

E-mail:mauriciodominguez86@hotmail.com

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agência de notícias anarquistas-ana

Noite na cabana —
Um grilo na prateleira
Procura por algo.

Issa

[Venezuela] O companheiro Nelson Méndez morre aos 68 anos em decorrência da Covid-19

Membros do jornal El Libertario

Na madrugada deste 5 de maio chuvoso em Caracas, Nelson Méndez faleceu com a idade de 68 anos. Incansável propagandista, editor das publicações Correo (A) e El Libertario, autor de vários livros e dezenas de artigos de opinião e de investigação. Nelson morreu como resultado de complicações associadas à Covid-19.

Nelson Méndez: (Caracas, 1952) era formado em Sociologia e foi professor na Universidade Central da Venezuela (UCV). Ligado desde sua juventude ao ativismo social e ao anarquismo a partir de 1980, desde o final dos anos 90 ele fez parte da equipe editorial do jornal El Libertario. Ele também foi um dos animadores do Centro de Estudos Sociais Libertários (CESL), que funcionou em Sarría durante vários anos. Seu livro mais recente é “Gastronomía y anarquismo. La utopía intensa de unir fogones, barricadas, placer y libertad” (2021). Anteriormente, ele publicou “Un país en su artificio”. Itinerario histórico de la ingeniería y la tecnología en Venezuela” (2011); e em co-autoria com Alfredo Vallota: “Bitácora de la utopía. Anarquismo para el siglo XXI”.

Nelson foi uma referência para várias gerações de ativistas anarquistas venezuelanos. Seu cubículo na Escola de Engenharia da UCV foi um epicentro de publicações libertárias vindas de várias partes do mundo e reuniões de planejamento de atividades organizacionais e de propaganda. Ele foi um antiautoritário coerente, rejeitando as injustiças dos governos venezuelanos antes e depois de 1998, bem como os golpes de Estado de diferentes signos ideológicos que ocorreram em 1992 e 2002.

Seus companheiros e companheiras de El Libertario querem, com estas linhas, prestar-lhe uma sincera homenagem. Seu exemplo continua sendo uma inspiração para nós e sempre levaremos sua alegria e bondade em nossos corações. Nossas sinceras palavras de afeto e consolo vão para sua companheira Mina e seu filho Salvador.

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agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o curso d’água,
Perseguindo sua sombra,
Desliza a libélula.

Chiyo-jo

[Colômbia] Anonymous hackeia sites do Exército, do Senado e da Presidência

O site da Presidência foi derrubado, assim como o site do Senado da República e do Exército. Anonymous reivindicou a responsabilidade de invadir esses sites.

Na terça-feira (04/05) à tarde, o grupo Anonymous, um grupo de hackers que opera em várias partes do mundo, alegou ter derrubado os sites do Exército, do Senado e da Presidência na Colômbia. O primeiro fato ocorreu após o meio-dia, em meio à difícil situação social no país devido aos protestos da Greve Nacional. O site do Exército deixou de funcionar, e o escritório de comunicações da instituição militar ainda não explicou o que causou o colapso do site.

Horas depois, Anonymous atacou o site do Senado da República, que permaneceu fora de serviço por algumas horas e alguns minutos atrás foi restaurado. O grupo hacker também publicou um documento no qual, no final, se lê o seguinte fragmento:

“…os funcionários não funcionam
os políticos falam, mas não dizem.
os votantes votam mas não escolhem
os meios de informação desinformam.
os centros de ensino ensinam a ignorar.
os juízes condenam as vítimas.
os militares estão em guerra contra seus patriotas.
os policiais não combatem os crimes, porque estão ocupados cometendo-os.
as bancarrotas são socializadas, os lucros são privatizados.
o dinheiro é mais livre que as pessoas.
as pessoas estão a serviço das coisas…”

Eduardo Galeano

A ação mais recente foi anunciada esta tarde no Twitter pelo Anonymous, que alega ter invadido o site da Presidência da República. Através dessa rede social, Anonymous disse: “Sabotaremos qualquer tendência que não seja relevante ou que tente desviar a atenção da violação sistemática dos direitos humanos que está ocorrendo hoje na Colômbia”. Também reivindicou o crédito por alterar as descrições de perfil do Exército Nacional da Colômbia e do Ministro da Defesa, Diego Molano.

Não é a primeira vez que Anonymous se pronuncia em meio a protestos e denúncias de abuso policial. Recentemente, o grupo internacional de ciberativistas agiu nos Estados Unidos após a morte de George Floyd, um afro-americano desarmado que morreu às mãos da polícia em 25 de maio. A organização publicou um vídeo nas redes sociais protestando contra o abuso das autoridades contra cidadãos afro-americanos naquele país.

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agência de notícias anarquistas-ana

sombras pelo muro:
a borboleta passa
seguindo a anciã…

Rosa Clement

[Colômbia] Brutalidade Policial

Os números a seguir correspondem até o sexto dia de protestos massivos na Colômbia.  

• 805 pessoas feridas pela Polícia Nacional e o ESMAD (Esquadrão Móvel Antidistúrbios da Polícia).

• 23 sofreram lesões oculares [algumas ficaram cegas].

• 47 pessoas defensoras de Direitos Humanos foram agredidas.

• 11 Vítimas da violência baseada na diferença de gênero.

• 18 pessoas foram assassinadas, seguramente pelo acionar da polícia (esta cifra é provisória).

• 988 pessoas foram detidas, grande parte delas por meio de procedimentos arbitrários, sendo submetidas à tortura e/ou tratamentos cruéis.

• 8 invasões que foram declaradas ilegais, incluindo as capturas associadas.

• 398 denúncias por abusos de poder, autoridade, agressões e violência policial.

#Colombiaalertaroja #Paronacional #Uribediolaorden #Duqueparelamasacre #Nosestanmatando #ACAB

Fonte: Campaña Defender La Libertad

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ribeira seca
nem um sopro
as cigarras crepitam

Rogério Martins