Documentos apontam violação de direitos de povos indígenas no RS durante a ditadura

Por Marco Weissheimer

O Fórum Justiça no Rio Grande do Sul encaminhou nesta segunda-feira (15) ao Ministério Público Federal documentos sobre violações de direitos sofridas por integrantes de povos indígenas no Estado, durante o período da ditadura civil-militar instaurada no País com o golpe de 1964. Fazem parte dos documentos juntados ao procedimento já aberto no MPF para apurar essas violações, o Relatório Final da CPI de 1977 do Congresso Nacional, documentos do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) de 1974 e 1975 e entrevistas realizadas com missionários indigenistas que acompanharam os fatos denunciados.

O Fórum Justiça é uma articulação que envolve movimentos sociais, organizações da sociedade civil, pesquisadores e agentes públicos do sistema de justiça para “discutir coletivamente políticas judiciais com redistribuição e reconhecimento de direitos e participação popular”. Junto com representantes indígenas e organizações indígenas e indigenistas, o Fórum apresentou denúncia ao Ministério Público Federal sobre violações que os povos Kaingang e Guarani sofreram, no Rio Grande do Sul, durante a ditadura civil-militar.

Segundo o advogado Rodrigo de Medeiros, integrante do Fórum Justiça e da Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (RENAP), os documentos encaminhados ao MP Federal retratam um ambiente do cerceamento do direito de ir e vir, do direito de reunião, de impedimento do uso da língua, entre outras violações de direitos. O período em questão, destaca o advogado, foi marcado, entre outras coisas, pela introdução do cultivo de soja em terras indígenas no Rio Grande do Sul, que é causa de conflitos até hoje. “Percebe-se pelos documentos e depoimentos uma semelhança de postura e concepções com o atual governo. O que torna imprescindível a atuação das instituições para que não se repitam ou se perpetuem violações do passado”, afirma ainda Rodrigo de Medeiros.

Entre outras informações, o Relatório da CPI de 1977 traz declarações do general Ismarth Araújo de Oliveira, à época presidente da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), sobre os ganhos econômicos obtidos nas áreas indígenas do Sul do Brasil, utilizando-se, por diversas vezes, da força de trabalho destes povos. Segundo o general, a FUNAI mantinha projetos econômicos em seis postos indígenas: Chapecó/SC (Projeto Serraria), Mangueirinha/PR (Projeto Serraria), Palmas/PR (Projeto Serraria), Guarapuava/PR (Projeto Serraria), Guarita/RS ( Projetos Serraria e Soja) e Nonoai/RS (Projeto Soja).

Ainda segundo informações fornecidas pelo general, houve ganhos econômicos com desmatamento em outros locais, como o Posto Indígena de Nonoai e o Posto Indígena de Ligeiro, e com a plantação de soja nos postos de Nonoai e da Guarita. Esse processo envolveu, e envolve até hoje, arrendamento de terras com cooptação de lideranças indígenas por meio de vantagens individuais, trazendo prejuízos às coletividades indígenas e conflitos violentos. O então presidente da FUNAI garantiu que esses ganhos econômicos foram revertidos para as próprias comunidades, mas um relatório do CIMI apontou a prática de trabalhos forçados e condições de trabalho análogas a de trabalho escravo.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/geral/2021/03/documentos-apontam-violacao-de-direitos-de-povos-indigenas-no-rs-durante-a-ditadura/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/03/indigenas-o-capitulo-pouco-lembrado-da-ditadura-militar-brasileira/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/04/02/lancamento-os-fuzis-e-as-flechas-historia-de-sangue-e-resistencia-indigena-na-ditadura-de-rubens-valente/

agência de notícias anarquistas-ana

a lua na rua:
um gato lentamente
torna-se minguante.

André Ricardo Aguiar

[Grécia] Solidariedade ao camarada Vangelis Stathopoulos, processado em Atenas

Na sexta-feira, 8 de novembro de 2019, o camarada anarquista Vangelis Stathopoulos foi preso pelo Serviço Anti-terrorista grego com a desculpa de que ele havia participado de um roubo em Holargos, cidade da periferia de Atenas, em 21 de outubro do mesmo ano. No dia seguinte à sua prisão, com uma crescente reação de terror e histeria, foi repentinamente anunciado que ele também é acusado de participar da organização “Auto-Defesa Revolucionária”. A prisão de nosso camarada foi, como de praxe, acompanhada de difamação da mão direita do governo, da grande mídia, de várias publicações e reportagens televisivas em que foram fabricadas acusações e ele foi apresentado como “terrorista nacional” e “o professor de kung fu que dá aulas de defesa militar para criar um exército”.

Durante todo o período de sua prisão pré-julgamento, ele testemunhou o “teatro do absurdo” que o Serviço Anti-terrorista e o Ministério da Proteção dos Cidadãos montaram, já que todas as provas que eles tentaram apresentar foram desconstruídas – testes de DNA, acusações de ataques específicos da organização “Defesa Revolucionária” durante o período em que o camarada estava na prisão anteriormente, suposta prova de sua participação em um roubo em um dia em que ele estava dando aula de artes marciais no centro de Atenas, e assim por diante.

Desde o primeiro momento de sua prisão, o camarada negou as acusações, tanto a de roubo quanto a de participação na organização “Defesa Revolucionária”, e como ele declarou pessoalmente: “Todo esse espetáculo sobre mim é parte de uma política repressiva do atual governo contra os anarquistas e o movimento anarquista. Basicamente tenho sido acusado de metade do código penal simplesmente por ter demonstrado solidariedade por uma pessoa ferida. Sou um anarquista, sou um membro ativo do movimento anarquista… Eu nego a acusação por roubo e por organizar a “Defesa Revolucionária”.

O julgamento do nosso camarada começou em 17 de março de 2021. As acusações específicas que ele recebeu são de caráter criminal (participação em roubo armado e participação de organização criminosa). Ao mesmo tempo, ele está sendo obrigado a angariar uma quantia enorme de dinheiro para seus custos jurídicos, durante um período de precarização generalizada e crise, com empregados sem pagamento, com um auxílio escasso de 534 € (quinhentos e trinta e quatro euros) e com a alta de desempregados no país, enquanto eventos públicos por solidariedade e apoio financeiro é impossível para nós.

Tendo completado um ano e meio de prisão pré-julgamento sem nenhuma evidência que justificasse e tendo sofrido profissionalmente e financeiramente, ele continua lutando atrás dos muros, na linha de frente na luta dos presos no que concerne a administração da pandemia. Recentemente ele também fez greve de fome em solidariedade com o revolucionário Dimitris Koufontinas. A única prova incriminadora contra nosso camarada é o fato de que ele não cooperou com o Serviço Anti-terrorista, sua identidade anarquista, sua participação de longa data no movimento anarquista, e sua moral que não se dobra, pois ele continua lutando e mostrando solidariedade dentro da prisão.

Do nosso lado, do outro lado do muro, usamos nossa arma mais poderosa, a solidariedade, e não vamos deixar nenhum revolucionário sozinho nas mãos do estado e de seus conluios.

Libertação imediata do anarquista Vangelis Stathopoulos!

>> Para colaborar financeiramente com Vangelis, clique aqui:

https://www.firefund.net/vangelis?fbclid=IwAR0_Tz-NyBgJSwvIBtawFjssXk6FdV2tlISTrJHC58Of_O2copNGnhDsgzQ

Tradução > DesTroya

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/04/14/grecia-pedido-de-apoio-financeiro-para-o-fundo-de-solidariedade-para-presos-e-companheiros-perseguidos/

agência de notícias anarquistas-ana

Vento refrescante –
Sombra de nuvens
Sobre os verdes arrozais.

Kyoroku

[Argentina] Daiana Rosenfeld seguindo as pegadas de Juana Rouco Buela

“São as nossas pioneiras e suas lutas inspiram as lutas atuais. Elas reivindicavam diversas temáticas como: a igualdade de gênero, o amor livre das instituições, a luta pela diminuição dos aluguéis dos pobres, pela saúde sexual e reprodutiva, a luta contra o assédio sexual no trabalho e nas ruas”, disse a diretora nessa entrevista exclusiva ao “EscribiendoCine”

Por Rolando Gallego | 31/03/2021

Como surge a ideia do filme Juana (2021)?

Juana (2021) é fruto de uma pesquisa longa sobre as mulheres anarquistas no nosso país, mulheres que foram invisibilizadas na nossa história, mulheres que lutaram pelas futuras gerações e que – sem saber ao certo – criaram as bases para as lutas no atual cenário. Faz algum tempo que venho pesquisando sobre as libertárias e isso deu origem ao documentário Los ojos de America (2015) (realizado juntamente com Aníbal Garisto), que foi seguido pelo documentário Salvadora (2017) e agora estou com Juana (2021). Elas foram mulheres que propuseram uma mudança social baseada em conceitos como a igualdade de gênero.

Você vem trabalhando em uma linha que recupera as mulheres como chave para a história argentina e universal. Como você segue neste processo? Há outras mulheres que merecem essa homenagem?

Agora estou terminando um documentário sobre a anarquista Virginia Bolten, e assim vou concluir com a “saga” das mulheres anarquistas e filmar sobre Delmira Agustini, uma poetisa uruguaia que escrevia poesias eróticas no princípio do século XX e que morreu num feminicídio que  – mesmo muitos anos depois – não foi relatado como tal. Vai ser um documentário com uma estética de vídeo poesia e cinema experimental.

Como você selecionou as entrevistadas?

Dora Barrancos é uma das pioneiras e é referência sobre a pesquisa de mulheres anarquistas na Argentina. É ela que dá nome a este silogismo tão interessante que é o anarco-feminismo, em alusão a militância das mulheres anarquistas (em um período em que o feminismo, nem se quer, existia). Elsa Calcetta pesquisou sobre os escritos de Juana e fez uma exaustiva recopilação sobre o jornal Nuestra Tribuna, dirigido por Juana e escrito por e para mulheres. Gisela Manzoni também pesquisou sobre Juana e é muito interessante seus comentários sobre a relação do contexto da época e o movimento anarquista.

O que você descobriu no processo de pesquisa e realização cinematográfica sobre Juana, que você ainda não sabia?

Seus escritos como Las Proclamas (1924), que são um verdadeiro manifesto do anarquismo e da mulher da época, o jornal Nuestra Tribuna e toda a sua vida cheia de idas e voltas e perseguições policiais.

Como se pode ler hoje a titânica tarefa de Juana?

É muito atual. O que reivindicavam as mulheres anarquistas é o mesmo que reivindicamos hoje em dia, apesar dos contextos de época serem diferentes. São nossas pioneiras e suas lutas inspiram as lutas atuais. Elas reivindicavam por diversas temáticas como a igualdade de gênero, o amor livre das instituições, a luta pela diminuição dos aluguéis dos pobres, pela saúde sexual e reprodutiva, a luta contra o assédio sexual no trabalho e nas ruas, etc.

Com o quê você gostaria que o espectador se conectasse?

Com o seu espírito rebelde e revolucionário, com a sua força e valentia para poder compreender que desde aquela época as mulheres vinham brigando e reivindicando pelos seus direitos, e o que está acontecendo agora não é algo novo, senão que seguimos com os mesmos reclamos do século XX.

Como está o ano de trabalho?

Bom, depois do ano passado tão particular, acredito que estou em um momento de transição para uma nova etapa. Como estava dizendo, agora estou trabalhando e fechando um ciclo com a montagem de Virgínia, um documentário sobre Virginia Bolten e no desenvolvimento de Delmira, que será bem mais experimental e irei filmar nos próximos meses. Além disso, estou dando os primeiros passos num roteiro para um filme de ficção, se a vida e o universo me permitirem.

Quais as sensações de estrear online?

Já nos meus últimos filmes: Salvadora (2017) e Mujer Medicina (2019), além de estrear numa sala de cinema, o que constitui um momento mágico de encontro e uma energia compartilhada que não se compara com nada, venho estreando online porque eu acho importante que os nossos trabalhos cheguem a toda a Argentina, mais além do que as salas de exibições regionais. Por agora não se pode ver filmes na tela grande, mas acredito que é um bom momento para lançar luz a esse documentário que venho pesquisando a alguns anos.

Fonte: https://www.escribiendocine.com/noticias/2021/03/31/12528-daiana-rosenfeld-tras-los-pasos-de-juana-roco-buena

Tradução > Ligeirinho

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/26/argentina-mulheres-anarquistas-o-espirito-da-cineasta-daiana-rosenfeld/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2015/08/27/argentina-os-olhos-de-america-e-o-proximo-trabalho-de-daiana-rosenfeld/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/09/06/argentina-salvadora-o-documentario-de-uma-mulher-adiante-da-sua-epoca/

agência de notícias anarquistas-ana

Escorre pela folha
a tarde imensa,
pousada em gota d’água.

Yeda Prates Bernis

[Espanha] Madrid: Vallekas não é fera para domar: nem pelos partidos políticos, nem pelos fascistas, nem pela polícia. Crônica contra um comício do Vox em Vallekas

Na quarta-feira passada, 7 de abril, o VOX [novo partido da extrema direita espanhola] tinha a apresentação de campanha em Vallekas, em um claro ato de provocação. Muito agitados os dias prévios com a esquerda institucional e seus satélites, atemorizados porque o protesto pacífico, disciplinado e “eleitoral” se vira transbordado pela raiva de um bairro assolado pelas filas de fome, os abusos policiais, o controle social, câmeras de vídeo vigilância, os ataques racistas, expulsões e despejos, casas de apostas e proxenetas, exploração, miséria e, também, a constante provocação fascista e a criminalização do bairro com os discursos “securitários” que só buscam aumentar a repressão no bairro. A “gritaria midiática”, a mesma que estimula com o medo à extrema direita para tentar que a gente esqueça seu papel cúmplice com o capital não queria uma resposta contundente do bairro. Riram em nossa cara, mas fracassaram.

Fracassaram, porque apesar das tentativas do serviço de ordem da concentração na Praça Roja, muitos voxeros foram quentinhos para casa. Inclusive, entre lamentos e choramingos do VOX, parece que um deputado foi ferido. Se a chuva de pedras que pôs para longe esses drogados da UIP (Unidade de Intervenção Policial), tivesse caído só cinco minutos antes das cargas sobre os fascistas, teríamos posto Santiago Abascal [líder nacional do partido] e companhia para correr. Tardamos em reagir. Porque a gente, isso sim, respondeu à carga policial com contundência, solidariedade e autodefesa (foto). Porque o “consenso” que haviam construído os partidos políticos e seus coletivos satélites do bairro (que nem são todos os coletivos do bairro, nem tem legitimidade nenhuma para decidir sobre outros sobre como se deve protestar) foi quebrado pela inércia. Porque em Vallekas não nos resignamos a louvar a autodefesa contra o fascismo em outras geografias, o colocamos em prática, como historicamente fez este bairro APESAR DOS CONSENSOS DO REFORMISMO. Porque Vallekas tem memória.

A alguns que queriam a foto de um protesto disciplinado, foram frustrados para casa. Os que queríamos a imagem de um bairro como Vallekas, recebendo a pedradas a polícias e fascistas, a obtivemos. Que esperamos que digam os porta vozes do sistema, das pessoas do bairro que lutam com dignidade, com tudo o que tem a seu alcance? Pois o de sempre. Os revoltosos, os revolucionários, os lutadores, serão tratados como criminosos pelo Estado e seus sequazes midiáticos. Sempre. O dia que não o façam, teremos perdido, porque nos terão tirado o ferrão que ameaça picar a plácida paz social que tanto esquerdas como direita defendem a capa e espada.

A ideia é clara: Vallekas responde à provocação fascista e policial, acima de legalidades, de forma direta, sem intermediários e sem esperar nada das urnas, que sabemos que são a tumba de qualquer luta que pretenda pôr em questão os pilares do Estado e o capitalismo e seus planos de morte e exploração.

Porque estamos fartos, porque ante a miséria, os fascistas, a exploração e a repressão, não cabem consensos, nem meias tintas.

Agora a prestar toda a solidariedade a nossos detidos e detidas, feridos e feridas. Sem esquecer que a luta segue. E a estarmos atentos a uma possível futura repressão ante os fatos de quarta-feira. As ruas serão sempre nossas.

Vallekas zona ingovernável!

Algumas Anarquistas de Vallekas

Tradução > Sol de Abril

 Notas:

 • O bairro de Vallekas é conhecido como um marco de resistência e luta antifascista durante a ditadura de Franco.

• Em Madrid, as eleições regionais estão marcadas para 4 de maio.

 Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/06/espanha-madrid-nem-uma-rua-nem-um-bairro-nem-um-respiro-ao-fascismo-sobre-a-proxima-visita-do-vox-a-vallekas/

agência de notícias anarquistas-ana

Em solidão,
Como a minha comida –
E sopra o vento de outono.

Issa

[Chile] Jornada de agitação nacional e internacional com os presos subversivos, anarquistas e da revolta em greve de fome

Fazemos um chamado para este 17 de abril, dia internacional dos presos políticos, a agitar em todos os territórios em solidariedade direta e ativa com os companheiros em greve de fome.

Desde 22 de março 9 companheiros anarquistas, subversivos e da revolta se encontram em greve de fome. Marcelo Villarroel, Joaquín Garcia e Juan Flores no cárcere de Alta Segurança; Pablo Bahamondes, José Duran, Tomas González e Gonzalo Farias no cárcere Santiago 1; Francisco Solar na seção de máxima segurança do CAS e Mónica Caballero no cárcere de San Miguel. Assinalar que o companheiro Juan Aliste apoia e se soma à mobilização mas não realizando greve de fome por motivos de saúde.

As demandas centrais desta mobilização são:

• Revogação do artº 9 e restituição do artº 1º do decreto lei 321 que afeta a petição da liberdade condicional, convertendo o que era um direito em um beneficio difícil de acessar, além de que dita modificação do ano 2019 não seja retroativa pois isso atenta contra vários princípios jurídicos, sendo inclusive contrária à lei $hilena.

• Liberdade imediata do companheiro Marcelo Villarroel Sepúlveda que cumpre condenação sob a aplicação da aberrante justiça militar e é um dos tantos afetados pela retroatividade da aplicação da modificação do decreto lei 321.

Desta maneira 9 combatentes se levantam em uma mobilização que tem características antiautoritárias, anticarcerárias e subversivas, utilizando seus corpos como trincheira de luta; como um lugar de disputa e protesto; como aquele território onde os esbirros do poder não tem a possibilidade de subjugar. Por mais que festejem com o encarceramento e o isolamento como um triunfo, não poderão contra a convicção que se mantêm inabalável e com a cabeça erguida.

Como Coordinadora 18 de Octubre apoiamos a digna luta que estão travando os companheiros em greve de fome, é por isso que nos tornamos parte e fazemos um chamado para este 17 de abril levantar todas e as mais diversas ações em solidariedade com nossos companheiros sequestrados pelo estado $hileno.

• Não à retroatividade do decreto lei 321.
• Liberdade imediata para Marcelo Villarroel.
• Não mais a utilização da prisão preventiva como um julgamento e castigo antecipado.
• Abaixo os muros das prisões.
• Solidariedade e cumplicidade com os presos em greve de fome Mónica, Marcelo, Francisco, Juan, Joaquín, José, Pablo, Tomas e Gonzalo.

Liberdade aos presos políticos do mundo!!

Enquanto exista miséria haverá rebelião!!

Coordinadora 18 de Octubre

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/07/chile-informe-dos-15-dias-de-greve-de-fome-de-presxs-subversivxs-anarquistas-e-da-revolta/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/31/chile-comunicado-de-pablo-bahamondes-ortiz-oso-preso-subversivo-stgo-1-29-de-marco-de-2021/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/29/chile-presxs-em-greve-de-fome-sao-levadxs-ao-tribunal/

agência de notícias anarquistas-ana

Um solzinho fraco
Ilumina
O campo seco.

Bakusui

[Espanha] A luta de Noi del Sucre pelas oito horas

Por Pau Echauz Lleida | 24/03/2021

Pagès Editors incorpora um novo projeto a sua trajetória editorial com a primeira coleção de história em quadrinhos (HQ) em catalão. Se trata de Doble Tinta, uma coleção que se inaugurou com o quadrinho “8 Hores” de Alfons López e Pepe Gàlvez sobre a luta da classe operária catalã pela jornada de oito horas explicada pelo líder anarcossindicalista Salvador Seguí, o Noi del Sucre.

Segundo o jornalista Jaume Barrul, diretor da coleção, Doble Tinta nasce com a vontade de satisfazer uma demanda e buscar um público amante desta modalidade narrativa que valoriza a língua [catalã]. “Queremos ser um selo de referência, não há nenhum projeto como este na Catalunha. Nos dirigimos aos amantes do gênero, mas também ao público em geral, com propostas de autores potentes do mundo das HQ’s, mas também de gente que nunca fez histórias em quadrinhos, e a quem tem animado neste projeto”.

A intenção é de publicar dois títulos por ano, e cabe também a possibilidade de que Milenio, a editora em castelhano de Pagès, ofereça boas traduções. A diretora da Editora, Eulàlia Pagès, afirma que o nome da coleção, Doble Tinta, faz referência a que todos os títulos serão impressos com duas cores de tintas, característica que será um sinal de identidade do selo. “O primeiro título, 8 Hores”, foi impresso em cor mostarda e preto, e todos os títulos terão apenas duas cores, escolhidas pelo/pela desenhista e a/o roteirista”. Eulália Pagès destaca o risco que a editora corre ao lançar este novo projeto, “mas se você não aposta, não terá leitores, e nós apostamos porque acreditamos em sua continuidade”.

8 Hores, o primeiro título, repassa a biografia de Salvador Seguí e explica o contexto histórico da luta operária do início do século XX. É uma nova colaboração formada pela dupla Alfons López – Pepe Gálvez, que ganhou o Prêmio Nacional de Cultura na categoria de HQ em 2011, autores de outras três histórias em quadrinhos, SilenciosColor Cafè o Llegarà el invierno.

Diz López que a ideia que teve a ideia passeando pela rua onde o Noi del Sucre nasceu, em Lleida. “Pensei que há cem anos, Seguí e outres lutaram muito duramente pelos direitos de uma classe oprimida, que hoje representam as pessoas imigrantes, e me ocorreu que devíamos fazer uma homenagem àquela luta coletiva”, afirma Alfons López.

A história em quadrinhos começa com o assassinato de Seguí pelas mãos de pistoleiros do patrão. Ao longo da trama, também há diferentes referências ao humor gráfico de princípios do século XX, através de uma publicação falsa da época que fará o deleite de leitores mais atentes. Por sua parte, Pepe Gálvez destacou “que o livro mostra a apaixonante vida que Salvador Seguí teve, no sentido que a dedicou para tentar melhorar a sociedade. Porém, a obra não se centraliza apenas em sua figura, mas destaca a importância da luta operária de forma coletiva”.

Jaume Barrull anuncia que o número 2 de Doble Tinta será uma adaptação em quadrinhos da narrativa de Jordi Cussà, Cavalls salvatges, uma obra que radiografa o impacto da heroína na sociedade catalã, adaptada por seu próprio autor e com  Jaume Capdevila Kap, que se encarrega da parte gráfica. À publicação seguirá um livro de entrevistas da escritora Mariona Visa com desenhos de Clara Tanit sobre a maternidade aos 40 anos. Também será recriada uma adaptação da peça de teatro Jo mai de Ivan Morales com Mar Mascaró como desenhista. Cabe destacar uma primeira incursão do escritor Rafael Vallbona no roteiro gráfico com uma história ambientada em uma corrida ciclista durante a Guerra Civil, e com desenhos de Guillermo Escriche.

Fonte: https://www.lavanguardia.com/cultura/20210324/6604702/lucha-noi-sucre-ocho-horas-pages-editors.amp.html?fbclid=IwAR3SnWeNvGn61CGWTsQDCL8iCOsTCTI-ZnfcwTSj_Wj1fctqUMyXTUisNDcb

Tradução > Caninana

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/04/10/espanha-lancamento-hq-el-noi-vida-e-morte-de-um-homem-livre-de-juste-de-nin/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/04/08/espanha-lancamento-apostolos-e-assassinos-de-antonio-soler-4/

agência de notícias anarquistas-ana

Tarde de outono
Perseguindo folhas ao vento
O gato dançarino

Camila Jabur

George Orwell denunciou tanto o fascismo quanto o stalinismo na Espanha

Subtítulo de edição brasileira sugere que o jornalista britânico lutou apenas contra o fascismo no país de García Lorca; na verdade, alinhou-se também contra os comunistas

Por Euler de França Belém | 04/04/2021

George Orwell é um latifúndio “invadido” pela direita e pela esquerda. A riqueza e a diversidade do que escreveu se prestam ao uso político pelos extremos.

A direita trata a obra de Orwell, sobretudo “1984” e “A Revolução dos Bichos”, como uma crítica corrosiva ao totalitarismo comunista — o de Stálin. A ressalva é que o jornalista e escritor não era “rival” tão-somente dos stalinistas. Seus livros também são libelos contra o capitalismo. “1984” é uma crítica ao totalitarismo, quer dizer, aos regimes nazista e comunista, espécies de religiões da direita e da esquerda.

A esquerda se apropria de Orwell e sugere que é notável crítico do capitalismo, e é de fato. O que a esquerda “esconde” é que o jornalista era também um crítico visceral do totalitarismo dos comunistas.

Recentemente, a Companhia das Letras, assim como outra editora, decidiu lançar “A Revolução dos Bichos” com outro título, “A Fazenda dos Animais” (tradução de Paulo Henriques Britto, um dos mais categorizados do país). Trata-se da tradução literal do título original, mas, como o livro reporta um fato histórico específico, a Revolução Russa — dos bolcheviques —, a tradução anterior é precisa ao sentido do que o autor diz.

A Companhia das Letras coloca nas livrarias mais uma obra importante de Orwell, “Homenagm à Catalunha — A Luta Antifascista na Guerra Civil Espanhola” (312 páginas, tradução de Claudio Alves Marcondes).

Trata-se de um clássico — e, como tal, incontornável — sobre a guerra que, entre 1936 e 1939, envolveu toda a Espanha e parte do mundo.

No livro “A Solidariedade Antifascista — Brasileiros na Guerra Civil Espanhola” (Edusp, 236 páginas), a historiadora Thaís Battibugli registra que um “grupo de comunistas brasileiros (dois civis e 14 militares) lutou” na batalha europeia. A lista: Alberto Bomílcar Besoucher, Apolonio de Carvalho, Carlos da Costa Leite, David Capistrano da Costa, Delcy Silveira, Dinardo Reis, Eneas Jorge de Andrade, Hermenegildo de Assis Brasil, Homero de Castro Jobim, Joaquim Silveira dos Santos, José Gay da Cunha (autor do livro “Um Brasileiro na Guerra Civil Espanhola”), José Corrêa de Sá, Nelson de Souza Alves, Nemo Canabarro — militares; e Roberto Morena e Eny Silveira — civis.

Brigadas de vários países — as brigadas internacionais, que incluíam americanos, ingleses, franceses, entre outros — trocaram tiros contra as tropas franquistas na Espanha.

O subtítulo da edição brasileira de “Homenagem à Catalunha” — “A Luta Antifascista na Guerra Civil Espanhola” — evidentemente não existe na edição inglesa.

O subtítulo, embora não seja criação de Orwell, não é incorreto, mas deve ser considerado incompleto.

De fato, Orwell foi para a Espanha — onde acabou ferido gravemente — com o objetivo de lutar contra os fascistas do generalíssimo Francisco Franco, que era bancado pelo nazista Adolf Hitler, da Alemanha, e pelo fascista Benito Mussolini, da Itália. Pode-se sugerir, até, que a Segunda Guerra Mundial não começou com a invasão da Polônia, em setembro de 1939, pelos alemães, e sim na Espanha, a partir de 1936. No país de Cervantes, os alemães, sobretudo, e os italianos testaram armas, aviões e homens. Talvez seja possível dizer que a luta na terra de García Lorca foi uma espécie de treino ou preliminar para os dois ditadores nazifascistas.

A União Soviética de Stálin enviou homens e armas para os republicanos. Seu objetivo era transformar a Espanha numa mini-União Soviética incrustada na Europa. Para tanto, as forças stalinistas fizeram tudo para controlar a revolução — matando franquistas, mas também trotskistas, anarquistas e socialistas. Os comunistas, dirigidos por Stálin, à distância, lutaram dura e cruelmente pela hegemonia no campo da esquerda.

Ao chegar para a luta, em 1936, Orwell, uma águia, percebeu logo que os stalinistas estavam seguindo os métodos soviéticos e liquidando inclusive aliados. Sua desilusão com os comunistas provavelmente decorre de sua vivência na Guerra Civil Espanhola. Percebeu, de cara, o autoritarismo da esquerda stalinista.

Portanto, o livro não relata apenas “a luta antifascista na Guerra Civil Espanhola”, como sugere a Companhia das Letras. Orwell faz uma crítica contundente da ação comunista no país de Andrés Nin — um líder da esquerda que as tropas de Stálin assassinaram.

É preciso retomar o verdadeiro Orwell: um crítico do capitalismo e, ao mesmo tempo, um crítico do comunismo de matiz stalinista. O Brasil, neste momento — talvez como uma resposta ao autoritarismo do presidente Jair Bolsonaro —, tenta transformá-lo somente em crítico do capitalismo, um companheiro de jornada na luta contra o fascismo. Orwell era mais do que isto, ou seja, era um crítico mais amplo e não deve ser apropriado por uma única corrente. Na verdade, é um patrimônio dos que amam a liberdade e são críticos de quaisquer autoritarismos e totalitarismos.

Aos leitores de direita, é preciso esclarecer: não, Orwell não se tornou, ao criticar a esquerda totalitária, direitista. Morreu acreditando (iludido, quem sabe) no socialismo, mas não no socialismo da União Soviética.

Fonte: https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/george-orwell-denunciou-tanto-o-fascismo-quanto-o-stalinismo-na-espanha-320976/

agência de notícias anarquistas-ana

As cores sumindo
No girar do cata-vento —
Menino surpreso.

Sonia Regina Rocha Rodrigues

[Itália] O anarquista Leonardo Landi é liberado da prisão de Solliciano

De vez em quando uma boa notícia: ontem, 25 de março de 2021, nosso companheiro Leonardo Landi foi liberado da prisão de Sollicciano (Florença) pelo fim de sua condenação. O abraçamos de novo com afeto, e com a mesma raiva contra todas as prisões.

Enquanto haja um só entre grades, nunca seremos livres!

Cassa AntiRepressione delle Alpi Occidentali (Caixa Antirrepresiva dos Alpes Ocidentais)

Nota: O anarquista Leonardo Landi foi detido em 26 de fevereiro de 2019 por causa de uma sentença judicial relacionada com um julgamento por um roubo ocorrido em 2007, pelo qual foram detidos e investigados alguns anarquistas no marco da operação repressiva “Ardesia”. Foi condenado a uma pena residual de 2 anos e 8 meses. Os demais acusados condenados cumpriram suas penas. Durante estes anos esteve encarcerado nas prisões de Lucca, Vibo Valentia e Sollicciano (Florença).

Fonte: https://contramadriz.espivblogs.net/2021/04/02/italia-el-anarquista-leonardo-landi-liberado-de-la-prision-de-sollicciano/

agência de notícias anarquistas-ana

Salta uma truta –
Movem-se as nuvens
No fundo do rio

Onitsura

[EUA] Duas semanas desde a minha segunda dose…

Recebi minha segunda dose da vacina contra a covid-19 há duas semanas. Moderna.

Depois da primeira dose, me senti um pouco letárgico e dormi um dia inteiro. Depois da segunda dose, só senti o braço dolorido por um tempo. A agulha tinha uns 500 centímetros de comprimento, eu acho. Quando a enfermeira me espetou, a ponta da agulha saiu pra fora pela minha axila. Mas além de ser empalado, não tive nenhum problema.

Peguei covid duas vezes. A primeira foi em fevereiro, antes que o covid chegasse oficialmente aqui. A equipe médica me falou que eu tinha uma intoxicação alimentar.

Intoxicação alimentar… Nos meus pulmões… Suponho que num ambiente penitenciário jogam um monte de coisa na pilha de diagnóstico de intoxicação alimentar.

Peguei covid de novo em janeiro passado. Tive que mudar para o que chamam de “área vermelha”. Eu chamei de “bloco do apocalipse zumbi”. Não era tão ruim. Da primeira vez que peguei o covid, fiquei encalhado na cama por uns quatro dias, só levantava para vomitar. Da segunda vez, tive uma tosse persistente por umas duas semanas. Perdi o paladar e o olfato. Cada semana todos nós no bloco do apocalipse zumbi devíamos fazer o teste nasal. Esses são divertidos. É como se colocassem um cotonete raspando teu cérebro. Eu perdi partes do meu córtex cerebral. Cada vez que fazia o teste, perdia a capacidade de fazer cálculos matemáticos simples por alguns dias.

Recuperei meu paladar e olfato. Isso não é necessariamente algo bom. Imagina, comida de prisão tal como ela é e o sistema de ventilação reciclando peidos envelhecidos.

Aqui, as vacinações começaram no começo de fevereiro, porém eu tive que esperar até a terceira onda de vacinações, pois eu acabava de me recuperar da covid quando as primeiras doses foram disponibilizadas. Mas agora, fecharam o ciclo completo. Eu fui um dos últimos aqui a receber a segunda dose.

Eu sei que tem muita controvérsia ao redor da vacina porque elas foram produzidas de forma acelerada. Provavelmente há preocupações razoáveis e legítimas pelos possíveis efeitos em longo prazo que no momento são impossíveis de conhecer. Mas meu pensamento sobre isso é o seguinte:

Uma vacina é uma vacina. Só tem uma quantidade limitada de maneiras de desenvolver uma vacina. Existe um processo. E no transcurso da vida moderna, nossos cientistas com grandes, grandes cérebros têm desenvolvido centenas, milhares, ou até mesmo milhões de vacinas para coisas tipo Pólio, Varíola e até mesmo a gripe normal que enfrentamos comumente. Nós temos recebido estas vacinas, algumas delas, por mais de meio século. Nenhuma dessas vacinas tem causado esterilização massiva, ou contido chips com computadores nanobot ou enviado rastreadores satânicos que funcionam como um código de barras para os tempos de revelações. Não tenho razões para acreditar que esta vacina será de alguma forma diferente nos seus impactos sanitários em longo prazo das outras vacinas para as outras doenças. Pessoas vacinadas têm ficado grávidas, tecnologia de nanobot é realmente cara e pouco prática, e se Satã fosse realmente assim de ambicioso, Trump teria ganhado um segundo mandato.

Têm uns caras aqui na prisão, uns poucos, que escolheram por não se vacinar. É uma questão de opção pessoal, suponho. Eu duvido da sensatez nessa escolha.

Alguns desses caras me dizem que eles acreditam que esta vacinação massiva de presidiários é para fazer experimentos biológicos em nós. Do que é que se trata esses experimentos, varia de acordo com cada preso. Alguns dizem que os que detêm o poder querem ver como a vacina funciona ou não em nós, obtendo dados de quantos de nós caem mortos. Por enquanto, esse número nesta prisão tem sido de zero, caso que tenha algum cientista secreto rastreando os números.

Outros afirmam que isto é uma extensão de uma longa história de experimentações em corpos negros e de pessoas morenas datando a partir dos experimentos de Tuskegee, quando cientistas do governo isolaram homens negros e infectaram eles com doenças sexualmente transmissíveis só para ver como essas doenças progrediam. Isto incluía infectar esses homens com sífilis, a qual causa danos neurológicos incluindo demência e até mesmo a morte. Os EUA fizeram isso, algo análogo ao que os nazistas fizeram.

E para falar a verdade, isto não é só um passado distante. Eu estive preso junto com um rapaz chamado Dan Starkes em Mansfield, Ohio, nos anos 90. Ele tinha cumprido pena em Michigan, onde ele era pago razoavelmente bem dentro dos padrões presidiários para que fizessem testes farmacêuticos nele. Da última vez que o vi ele estava esquelético e com um olhar vazio, assolado pelo câncer e se questionando se os anos de provas farmacêuticas tinham valido a pena.

Sem dúvidas, somos dispensáveis como prisioneiros e a maioria de nós é preto ou de pele escura e há uma longa história de experimentos desumanizantes em pessoas de cor. Mas mesmo reconhecendo tais práticas, eu devo desconfiar que, se aqueles no poder quisessem experimentar conosco, eles simplesmente colocariam coisas na nossa comida, nos produtos de limpeza ou infiltrando pelo sistema de ventilação.

Quando alguém me fala que não sabe realmente o que é que tem na vacina, eu lhes lembro que não podem identificar o que foi que acabaram de comer no almoço. Nem sabemos se não fomos alimentados de isótopos radioativos no prato principal, com um acompanhamento de Zyklon B. Se tu vai me dizer que não sabe o que tem na vacina, me explica o que é que contém o pacote de salgadinho que estás comendo.

Não estou dizendo que eu confio nos governos ou nas empresas farmacêuticas, eu só creio que eles têm formas mais fáceis e mais práticas de nos matar que não são tão óbvias e não tem o risco extraordinário de se expor e de ter uma repercussão negativa massiva.

E para a pergunta de porque é que estão vacinando os prisioneiros tão cedo na fila. Eu suspeito que não seja porque nos adoram tanto, é porque eles não querem que esta doença fique se espalhando repetidamente dentro deste caldo de cultura que é um complexo correcional para depois vazar de volta para fora. E eles conseguem grandes quantidades de vacinados em pouco tempo, o que fica bom para os políticos. Enfim, isso é o que eu penso.

Depois eu vejo os principais defensores do movimento anti vacina. A maioria deles são conservadores, homens brancos flutuando na órbita da conspiração do Q-anon, acreditando que uns grupos nefastos de pedófilos satânicos estão levando a cabo uma trama secreta para arruinar a América. Quando ouço isso, me convenço de que o sistema de educação público americano é o que arruinou a América, falhando em ensinar estes brancos conservadores a como pensar.

O que quero dizer é, parece que a maioria das teorias anti vacinas está se originando de pessoas que têm um objetivo particular. Para ser intelectualmente honesto, eu devo descartar essas afirmações por serem um monte de insensatez negligente para distrair.

Enfim, se passaram duas semanas desde que recebi minha segunda dose, meu cérebro ainda está funcionando tão ruim como sempre, sem disfunção erétil (caso alguém queira saber). Não tenho sentido uma necessidade de espancar ou morder alguém e o sangue extraído semana passada não mostra mudanças significativas no meu estado de saúde. Sinto-me bastante livre de nanobots, não me arrependo de ter decidido me vacinar.

Este é o prisioneiro anarquista Sean Swain de exílio em Ohio no correcional Buckingham, em Dillwyn, Virginia. Se você está ouvindo, você É a resistência.

Fonte: https://seanswain.noblogs.org/2021/03/two-weeks-since-my-second-dose/

Tradução > Diego Severo

agência de notícias anarquistas-ana

Sem nenhum barulho
Comendo o caule de arroz:
Uma lagarta.

Ransetsu

[Grécia] Atenas: Viktoria tem um novo centro social – a ocupação Ζιζάνια na Fylis e Feron

Atenas. Grécia. Bem vinda à Ζιζάνια (Zizania). Centro social ocupado.

Que seja um espaço da vizinhança para auto-organização, intervenções sociais, resistência coletiva e construção comunitária. Vamos nos encontrar nesse espaço para compartilhar pensamentos, comida, café, roupas e o que mais a gente possa imaginar. Para trocas livres e cortes de cabelo gratuitos, para exibições, para aprender e ler, para oficinas e encontros/reuniões/assembleias. Vamos celebrar esse espaço como um passo na direção de mais espaços públicos, vamos fazer o melhor dessa oportunidade, já que somos quem molda e assume nossas lutas e não devemos depender nem de outras pessoas, nem de instituições, nem de melhores condições para fazer isso.

Com a Zizania nós miramos em primeiro lugar criar um espaço de respiro do racismo, sexismo, capitalismo e violência do estado e da sociedade. Nós vislumbramos um espaço de interação e troca entre pessoas de diferentes histórias, origens, identidades e idades, que falem línguas diferentes e tenham opiniões diferentes. Essas são condições que nós devemos criar e concretizar juntas, através de encontros, fortalecendo as relações dentro e entre nossas comunidades e conectando nossas lutas. Por muito tempo nós estivemos apenas sonhando sobre alguma coisa assim – com certeza não éramos as únicas pessoas – e agora queremos agir. Nesse espírito, te convidamos a trazer suas questões, ideias, iniciativas, e lutas para discutir como podemos construir esse espaço juntas.

Viktoria é onde moramos, onde nos encontramos e onde, de diferentes formas nos tornamos parte das constantes lutas da região. Morar aqui nos dá um olhar primordial para observar e vivenciar a crise, com múltiplos níveis, que está se desdobrando – pressão econômica, trabalho informal, violência nas fronteiras, colapso do sistema de saúde, medidas de ‘lockdown’ e um estado generalizado de medo e ansiedade. Aqui, em particular, a rápida virada fascista que a Grécia e Europa estão tomando é óbvia – vemos a glorificação de retóricas nacionalistas, a militarização de nossas ruas e espaços públicos, a violência opressiva em torno de escolas e universidades, os trabalhos mal pagos, a vida nas ruas e a repressão da resistência. Viktoria foi e continua sendo a vizinhança das marginalizadas – migrantes, pessoas queer, trabalhadoras do sexo, pessoas usuárias de drogas, pobres, e aquelas que o estado e a sociedade empurram para fora. A marginalização é criada e mantida com uma polícia racista, ataques fascistas, assédios sexistas, isolamento social forçado, e uma moradia profundamente precarizada. E mais recentemente, uma coisa que todas estamos vivenciando é a falta de espaços públicos, desde que nossas praças foram invadidas pela polícia e tomadas pelos interesses do capital.

O estado e seus aliados fascistas há bastante tempo tem usado retóricas fascistas, modos de ação e repressão para convencer o público de que o problema de Viktoria é a migração e não a alienação capitalista, a falta de serviços públicos e a falta de comunidade. Isso atingiu novos níveis no verão de 2020 quando as pessoas com históricos de migração foram forçadas a viver na praça Viktoria, tiveram o acesso a necessidades básicas negado, foram perseguidas pelas pessoas donas dos comércios no entorno e finalmente transportadas contra sua vontade para acampamentos e prisões pelo país. Nesse meio tempo fascistas acompanhados por Bogdanos¹ e Kasidiaris² fizeram uma aparição na praça revivendo traumas antigos em que membros do Aurora Dourada³ perseguiram e espancaram pessoas na região de Agios Panteleimonas.

Viktoria funciona com uma fronteira interna que (re)produz a violência das fronteiras externas da Grécia. Assim como nas ilhas e em Evros, Viktoria é um local de constantes despejos, ameaças de retrocessos e falta de acesso ao sistema de saúde. Essas ações são usadas pelo estado para impedir as pessoas de se estabilizarem e impedir que elas decidam seus próprios destinos. Ao mesmo tempo, Viktoria continua cheia de prédios vazios, áreas privatizadas, privada de espaços sociais e cheia de ONGs que as pessoas são obrigadas a depender apesar de seus métodos paternalistas, critérios desumanizantes de ”vulnerabilidade”, intenções de lucro e soluções impermanentes. Não vamos fingir que temos respostas e soluções fáceis. Para nós a forma de seguir em frente é resistir e confrontar as estruturas legais e capitalistas que nos trouxeram até aqui. Nós Ocupamos contra a polícia, o estado, os imóveis, o patriarcado, a igreja e a indiferença. Vemos isso como um movimento radical para continuar nossas lutas juntas e incorporá-las na vizinhança. Ocupamos para respirar vida nova em espaços abandonados e abrir novas possibilidades. Não podemos depender do estado ou de ONGs para construir a comunidade dentro do bairro. Vamos confiar em nós mesmas e em nossas relações.

Ao tomar esse passo, abertamente abraçamos a ilegalidade e precariedade que caracteriza Viktoria. Realmente, o que não se torna ilegal aqui nesse momento? Para pessoas que não tem outra alternativa senão dormir na praça ou dentro de prédios vazios é dito que isso é proibido e elas são perseguidas, a convivência em plena luz do dia nas ruas mal é tolerada e se organizar politicamente implica em aceitar multas, ameaças e vigilância – e o estado-polícia faz o seu melhor para criminalizar essas ações. O que é nitidamente legalizado, entretanto, são os meios do estado, da polícia, e dos proprietários: despejos, aumento nos aluguéis e perseguições racistas. Nós estamos ocupando hoje e continuaremos ocupando porque entendemos que isso é uma ferramenta chave para criar novas relações e quebrar com essas estruturas.

Não nos importamos em permanecer dentro dos limites da lei, bem pelo contrário na verdade. Almejamos desafiar, desconstruir e abolir todas as normas, limites econômicos e fronteiras. Vamos formar e construir comunidades através de práticas de ajuda mútua, solidariedade ativa, organização inclusiva e horizontal. Vamos trabalhar em alcançar todas aquelas na quebrada que queiram lutar nesses termos e construir conexões que destruam com a alienação estatal. Convidamos indivíduos e grupos para se juntar a nós. Juntas queremos destruir as divisões instigadas e capitalizadas pelas opressões do estado e da sociedade e realçar a potência multicultural da região. Buscamos reafirmar uma presença e consciência antifascista na área e desafiar o status quo entre poder e medo possibilitando conexão e criação. Ao escolher ocupar um espaço que costumava ser uma ocupação de arquivos autônoma, em um contexto social tão amplo, também buscamos reavivar o legado de ocupar, combater e resistir que é parte da complexa história de Viktoria. Nos denominamos Zizania pois como ervas daninhas, crescemos e florescemos no meio do caos, fora do controle, de novo e de novo.

Nos vemos em Zizania, nas ruas e em Viktoria,

TUDO É NOSSO, PORQUE TUDO É ROUBADO.

10, 100, 1000 OCUPAÇÕES CONTRA O TÉDIO DESSE MUNDO.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1611757/

[1] Konstantinos Bogdanos, membro do parlamento do partido Nova Democracia, principal partido de centro-direita e um dos maiores partidos da Grécia. Ele é conhecido por suas declarações de apoio e proximidade com a organização fascista Aurora Dourada, seus insultos a anarquistas, grevistas, estudantes, seus comentários contra refugiados e migrantes e suas ameaças contra tudo que não esteja de acordo com suas crenças.

[2] Ilias Kasidiaris, político grego, presidente do partido Gregos pela Pátria, fundado por ele depois de sair do partido e organização criminosa Aurora Dourada. Recentemente, em novembro de 2020, ele foi declarado culpado e condenado a 13 anos de prisão por dirigir uma organização criminosa e por porte ilegal de armas.

[3] Aurora Dourada é um partido de extrema-direita grego, recentemente enquadrado como organização criminosa. É amplamente considerado com um movimento neonazista e fascista, sendo responsável por diversos atentados e assassinatos de cunho racista e anti-migratório.

Tradução > Maré

agência de notícias anarquistas-ana

Se não tivessem voz
As garças desapareceriam
Sobre a neve da manhã.

Sono-jo

[Espanha] Vídeo | Violência racista institucional em Las Raíces

(13/03/21) Violência racista contra pessoas migrantes encerradas no campo de concentração de Las Raíces (Tenerife).

Os seguranças de Segurmaxim batem nas pessoas desarmadas que simplesmente reivindicava comida digna e suficiente. As companheiras migrantes protestavam pelas condições indignas e desumanas, com uma alimentação deplorável e insuficiente, que padecem. As instituições canárias delegaram sua responsabilidade para ONGs “cristãs” e bem subvencionadas como ACCEM.

Se o outro dia era notícia que a Cruz Vermelha em Las Palmas de Gran Canária expulsava 64 pessoas migrantes por “mal comportamento”, abandonando-as na rua, hoje ACCEM envia a segurança privada para espancá-los para calar os protestos.

Tudo isto é responsabilidade do governo de Canárias que dá poder a estas ONGs para gestionar como lhes dê vontade a vida de seres humanos. Contrataram um serviço de abastecimento de refeições chamado Serunion que oferece verdadeira lavagem que já provocou 15 intoxicações no acampamento.

A resposta governamental foi romper o acordo com ACCEM, Segurmaxim e Serunion? Não. Foi mandar os antidistúrbios do CNP introduzir mais violência, medo e caos no acampamento. Auge da extrema-direita e do racismo? O que estranha se o fascismo institucional (também das coalizões de esquerdas) está alimentando o fascismo sociológico de rua. Isto sim é violência e não a dos protestos.

Federação Anarquistas Gran Canária – FAGC

>> Assista o vídeo aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=5YgIzM0Zmmg

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Obscuramente
livros, lâminas, chaves
seguem minha sorte.

Jorge Luis Borges

[Costa Rica] Peter Kropotkin: Anarquismo e Ajuda Mútua

Ele critica a tese da origem contratualista do Estado e considera um enorme erro considerar o Estado como um meio de libertação ou um meio para realizar a revolução social. Um meio de opressão (disse ele) não pode ser um meio de libertação. Ele também se refere a sociedades que funcionaram sem o Estado durante a Idade Média e em comunidades primitivas.

Por Óscar Álvarez Araya, cientista político (Ph.D.)

O príncipe Pyotr Alekseyevich Kropotkin, conhecido em inglês como Peter Kropotkin, nasceu em uma família rica e nobre em Moscou, em 9 de dezembro de 1842.

Explorador russo, naturalista, geógrafo e filósofo anarquista.

Devido a suas atividades políticas contra a autocracia czarista da família Romanov, ele foi preso na fortaleza de São Pedro e Paulo. Após sua libertação da prisão, ele começou um longo exílio que durou 41 anos na Suíça, França e Inglaterra.

Ele passou quase 30 anos em Londres, sozinho. Lá ele estabeleceu contato e amizade com líderes trabalhistas que não deixaram de influenciá-lo com certas inclinações em direção à mudança gradual que era característica do movimento operário inglês.

Kropotkin foi um dos principais teóricos revolucionários de seu tempo, inaugurando o anarco-comunismo.

Seus principais valores eram a liberdade, a solidariedade e a justiça.

Ele promoveu uma revolução socialista para conseguir a abolição de todas as formas de Estado, mas também do capitalismo, da propriedade privada e até mesmo do trabalho assalariado. Mas ele tinha um estilo muito mais pacífico que Bakunin, ao ponto de ganhar fama na Europa como uma espécie de santo leigo.

Após a revolução deve ser criada uma ordem social sem Estado (disse ele), regida pelos princípios da ajuda mútua, cooperação, comunidades autônomas, democracia direta e a coletivização dos meios de produção.

Seus trabalhos incluem “A conquista do pão” publicado em 1892, “Apoio mútuo” em 1902 e um longo panfleto sobre “O Estado” em 1903.

Ele foi membro da Primeira Internacional onde estabeleceu contato tanto com grupos marxistas quanto bakuninistas, logo descartando o socialismo de Marx como autoritário e optando pelo “bakuninismo”.

Ele escreveu extensivamente sobre o Estado, o que ele considerava um instrumento de opressão. Ele faz uma clara distinção entre sociedade e Estado. Se refere ao papel do Estado no Império Romano e ao estado moderno que teria nascido (como ele escreveu) no século 16.

Ele critica a tese da origem contratualista do Estado e considera um enorme erro considerar o Estado como um meio de libertação ou um meio para realizar a revolução social. Um meio de opressão (disse ele) não pode ser um meio de libertação.

Ele também se refere a sociedades que funcionaram sem o Estado durante a Idade Média e em comunidades primitivas.

Em 1917 ele voltou da Inglaterra para Petrogrado e foi calorosamente recebido por Kérensky e seu governo que havia triunfado na revolução de fevereiro, derrubando a monarquia czarista. A Marselhesa é cantada em sua honra na sua chegada. São-lhe oferecidos cargos e pensões que ele educadamente declina. Ele não aceita nenhuma posição no governo revolucionário.

Após a revolução de outubro de 1917, ele é crítico em relação ao novo governo bolchevique. Observando que estava nascendo uma nova hegemonia partidária e que a Cheka começou a perseguir militantes anarquistas, Kropotkin tomou uma posição na oposição e até se encontrou com Lenin em várias ocasiões para criticar suas políticas.

Mas, ao mesmo tempo, ele discordou daqueles que promoveram a derrubada dos bolcheviques pela força desde o exterior.

Ele exorta os povos de outros países a aprender o positivo do novo sistema e a evitar o que ele considera os erros da Revolução Russa. Ele reiterou seus apelos por uma Rússia baseada em uma federação de comunas, cidades e regiões livres e para evitar o caminho da ditadura estatal e partidária.

Ele valoriza o papel dos soviets como organizações de trabalhadores, camponeses e soldados, mas adverte contra que eles se tornem meros instrumentos a serviço do poder do Estado. Ele não concorda com a nascente “chamada ditadura do proletariado”, que ele considera a ditadura do partido dos bolcheviques.

O grande herdeiro ideológico de Pierre-Joseph Proudhon e Mikhail Bakunin vê nascer em sua amada Rússia a primeira grande experiência mundial de socialismo autoritário que se estenderia no tempo por 74 anos, desde outubro de 1917 até a queda do Muro de Berlim e a dissolução da União Soviética em 1991.

Kropotkin morreu em Dmitrov, Rússia, em 8 de fevereiro de 1921.

Seu funeral no Cemitério Novodevichy atrai 200.000 pessoas, a última grande manifestação pública de anarquistas russos.

“Uma procissão de cinco quilômetros seguiu seu caixão através das ruas de Moscou. Foi a última grande manifestação do povo amante da liberdade contra os bolcheviques, e as bandeiras negras dos grupos anarquistas carregavam em letras escarlate os dizeres: “Onde há autoridade, não há liberdade”. Desta maneira teatral, o último dos grandes teóricos anarquistas passou para a história”.

Woodcock, George. El anarquismo, Seix Barral, Barcelona, 1979, página 205.

Fonte: https://www.larevista.cr/oscar-alvarez-pedro-kropotkin-anarquismo-y-ayuda-mutua/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

zínias frescas,
brancas, amarelas,
cadê as borboletas?

Rosa Clement

[Peru] Campanha de agitação social e anti-social contra as eleições

Na ditadura tu não eleges o teu opressor.

Na democracia te permitem eleger o teu opressor.

Democracia é o Poder para o Povo, mas o povo ou o que se chamou Povo não é a população, mas os grupos econômicos que movem o sistema: artesãos, proprietários de terras, ourives, etc. (empresários) e não os peões ou trabalhadores.

Saúde, Educação e Trabalho

As mesmas promessas de sempre, que por certo as poderíamos obter, criar e sustentar dentro das mesmas comunidades sem intermediários como o Estado, o privado e ONG que não lhes convêm que sejamos independentes e autônomos porque isso equivaleria a sua extinção.

De esquerda, de direita etc., ao final dá no mesmo porque continuam nos vendo e tratando como súditos a quem obrigam a ser o que suas leis novas ou antigas digam e nos comportarmos segundo suas ideologias. Do contrário não duvidarão em nos castigar. É por isso que a direita não detesta a polícia nem as forças armadas. E é por isso que a esquerda só os odeia e denuncia quando interferem em seus protestos, reivindicações e denúncias, mas não os odeiam quando lhes apoiam porque sempre querem nos manter a seu lado.

É por isso que nem a esquerda, direita, centro… nem qualquer grupo que nos queira governar, adestrar, jamais estará contra os cárceres, porque os cárceres servem para prender e castigar aos que rompem com a ordem estabelecida (imposta). Isto que chamam Paz Social não é mais que nossa aceitação da submissão e um discurso intencionado para que todos apoiem seu Estado assassino.

A Paz Social e o Respeito

O respeito é um termo manipulado o qual o sistema põe a seu lado, assim o respeito só se exerce para eles e em seu favor e o de suas leis, e nos obrigam a manter-nos dentro em base a repressões, assassinatos, mutilações, encarceramentos, desaparições, etc.

 – Porque nos querem submissos para seguir enriquecendo-os a base de uma vida em exploração.

– Porque sustentamos seu poder e suas indústrias a base de nossa exploração diária.

– Porque não cremos em um sistema assassino que perpetua seu poder a base das falácias da democracia.

– Porque seu sistema é opressor e assassino e exerce o maior genocídio instaurado com base na imposição, colonização, e extermínio de povos e de quem anseie liberdade.

– Porque não queremos alimentar seu sistema no qual sabemos que nos autoexploramos.

Agitação contra campanha política território Peru

Tradução > Sol de Abril

N O T A:

No dia 11 de abril, o Peru realiza suas eleições gerais para escolher presidente, dois vice-presidentes, 130 congressistas e 5 representantes do Parlamento Andino.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/30/peru-contra-a-farsa-eleitoral/

agência de notícias anarquistas-ana

É outono
E eu estou velho demais –
Nas nuvens, os pássaros.

Bashô

[França] Pierre-Joseph Proudhon: anarquia sem desordem

A maioria de nós tem apenas uma visão abstrata e principalmente negativa da anarquia. Entretanto, a corrente de pensamento defendida por Pierre-Joseph Proudhon esteve na vanguarda dos movimentos de protesto contra a economia liberal no século XIX, antes de desaparecer nas mentes da esquerda em favor do marxismo. É, portanto, uma alternativa ao socialismo marxista que Thibault Isabel, filósofo e historiador das civilizações, se propõe a descobrir.

Ser governado é ser mantido em vista, inspecionado, espiado, dirigido, legislado, regulamentado, estacionado, doutrinado, pregado, controlado, estimado, apreciado, censurado, comandado, por seres que não têm título, nem ciência, nem virtude, escreveu Pierre-Joseph Proudhon. A partir destas palavras, entendemos que Proudhon – ao contrário dos seguidores de Marx que estabeleceram uma máquina burocrática em expansão – queria se libertar tanto de um estado forte quanto de um sistema econômico capitalista e oligárquico.

Através de quinze curtos capítulos, Thibault Isabel tenta sintetizar o pensamento anarquista, tanto em seus aspectos econômicos (sistema cooperativo, sociedades mútuas) quanto políticos (importância da comuna, organização federal altamente descentralizada). E se se compreende os conceitos essenciais que podem ser ligados a certas iniciativas históricas, é difícil, no entanto, ter uma ideia precisa da aplicabilidade das medidas em larga escala, por falta de exemplos concretos. E esta é a principal crítica que pode ser feita a este livro, além da aridez de seu conteúdo: se o autor acredita que o pensamento de Proudhon é uma alternativa aos sistemas políticos e econômicos atuais, seu livro não é a introdução mais fácil para introduzir novos seguidores a esta filosofia e, portanto, exigirá inúmeras releituras.

No final, podemos saudar a iniciativa de Thibault Isabel de nos fazer descobrir um pensador esquecido, um filósofo que, sem dúvida, compreendeu o funcionamento da sociedade muito melhor do que muitos outros antes e depois dele. No entanto, a complexidade do assunto deixará muitos leitores apenas na superfície.

Título: Pierre-Joseph Proudhon, l’anarchie sans le désordre

Autor: Thibault Isabel

Edições: Autrement

Páginas: 182

Data de publicação: 10 de março de 2021

Gênero: Filosofia

Preço: 19,00 Euros

Fonte: https://www.lesuricate.org/pierre-joseph-proudhon-lanarchie-sans-le-desordre/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Refletem no zinco
sobre a casa do vizinho,
raios da lua cheia.

Matusalém Dias de Moura

O livro 1 do Charlas y Luchas é sobre Maria A. Soares

(…) companheiras, apelo para vós, em nome do guturo da Humanidade, para que unidas nos lancemos na luta, procurando eliminar tudo quanto obstrua o caminho que há de conduzir-nos ao futuro ditoso, que tem sido o sonho mais doce da nossa vida.

Sim, unamo-nos e não deixemos que progrida esse novo morbus que se introduziu entre nós e teremos assim evitado que amanhã sejam nossas inimigas as que hoje são nossas irmãs.

Maria A Soares, A Lanterna, 08 de Outubro de 1914

Muitos temas do feminismo contemporâneo já eram assunto das mulheres anarquistas, que tinham uma atuação proeminente na Primeira República no Brasil, por exemplo. O nome de Maria Lacerda de Moura é o mais conhecido hoje em dia, porém ela não era única a falar de emancipação da mulher e educação, por exemplo.

Maria A. Soares também discorria sobre esses temas, além de serem operárias. Maria A. Soares pode ser Maria Antônia Soares ou Maria Angelina Soares, duas irmãs anarquistas que viveram na cidade de São Paulo nas primeiras décadas do século XX. Trabalhavam como costureiras, foram professoras e escreviam para jornais anarquistas. Elas tiveram uma proeminente atuação na cultura libertária daquele período. A feitura da publicação está sendo pensada em cada etapa e de forma aprofundada. Pesquisa, preparação de texto, estudo conceitual são algumas das ações. A edição da coleção são de Aline Ludmila e Fernanda Grigolin. Para o primeiro livro, as pesquisadoras Beatriz Silvério e Samanta Colhado Mendes estão conosco, bem como Beatriz Lacerda no conselho editorial.

Charlas y Luchas vai trazer para o papel histórias de escritos de mulheres que foram pensadoras de seu tempo, mulheres artesãs nos seus ofícios e trabalhos manuais, além de escritoras.

Charlas y Luchas foi uma série de 5 episódios que resgatou mulheres anarquistas e agora o projeto vai se tornar uma coleção de livros e o primeiro livro é sobre Maria A.Soares.

>> Assine o boletim para receber novidades:

https://www.tendadelivros.site/mariaasoares?mc_cid=7ed68dadd6&mc_eid=8caea939b8

>> Faça já seu apoio ao processo que já começou:

https://tendadelivros.org/loja/categoria-produto/charlas-y-luchas/?mc_cid=7ed68dadd6&mc_eid=8caea939b8

Tenda de Livros não é uma editora, é um projeto de produção, edição, pesquisa, tradução e circulação de publicações e livros. Cada etapa é pensada e estudada. Você quer um livro com a qualidade da Tenda de Livros, assim como foram os da Maria Lacerda de Moura e Sou Aquela Mulher: apoie e fique de olho nos próximos passos da coleção Charlas y Luchas. Declare publicamente seu amor à Tenda. A sobrevivência do projeto depende de apoio.

agência de notícias anarquistas-ana

Noite no jasmineiro.
Sobre o muro,
estrelas perfumadas.

Yeda Prates Bernis

Solidariedade Anarquista: sobre as próximas eleições na Coreia do Sul

Declaração da Solidariedade Anarquista sobre as próximas eleições locais na Coreia do Sul.

1 – Na Coreia, as novas eleições para o governo e assembleia locais ocorrem em dois dias e não nos importamos com o que está acontecendo durante a disputa eleitoral.

2 – Nós negamos a possibilidade de transformação social através de eleições. Além disso, nem ao menos acreditamos que mudar o nome do comandante através do voto tem qualquer chance de gradualmente (e certamente não radicalmente) melhorar a sociedade. Acreditamos que a única forma de transformar radicalmente, ou de melhorar gradualmente a sociedade, é nada menos do que ação direta das massas populares, que estão elas mesmas organizando e lutam de acordo com seus interesses e necessidades.

3 – Mas estas novas eleições locais sul-coreanas nem ao menos merecem ter oposição lógica ou ideologicamente, pois nenhum candidato nestas eleições está falando sobre melhorar a sociedade. Eles nem se incomodam em dizer à massa popular “nós bons, eles maus”. Eles nem se importam em fingir que têm a “visão de uma sociedade melhor”. Eles continuam falando sobre julgar o governo ou sobre limpar os males antigos. Agora eles estão declarando abertamente que são os menos piores, então, que votem nos menos piores.

4 – Nós nos perguntamos o que é, basicamente, “mau”. Acreditamos que o sistema em si é mau. Esse é o sistema em que as pessoas são mestras de tudo por apenas um dia a cada período de alguns anos, quando são implorados por um voto. Enquanto isso, elas são como escravas nas outras centenas de dias. Esse é o sistema em que a greve da massa trabalhadora é oprimida pela polícia enquanto os conservadores estão no gabinete. Este é o sistema em que quem quer que esteja no gabinete, a violência estatal entra no caminho da luta popular, enquanto os capitalistas viajam de helicóptero para evitar até mesmo olhar a luta de longe. O sistema é “mau” por si só.

5 – Portanto, o problema do “pior” ou “menos pior” não simboliza o problema do mau relativo para nós. Nós o vemos como nada menos do que uma diferença estreita de maneiras de manutenção do sistema mau. Nós não nos importamos nem se os partidos conservadores mantêm o sistema banal, ou se o Partido da Revolução Nacional [1] o mantém de alguma maneira “criativa”. Isso não faz diferença alguma.

6 – Deveríamos, então, votar em candidatos “progressistas” ou do “partido dos trabalhadores”? Vamos colocar de lado a questão de se esses partidos progressistas, que tentam parasitar os partidos conservadores, ou que até mesmo são negados pelos conservadores quando fazem isso, são realmente “progressistas” [2]. Vamos nos preocupar apenas com a possibilidade de haver ascensão social, ou pelo menos alguma melhora social.

6.1 – Primeiramente, vamos imaginar o dia em que esses partidos progressistas sejam eleitos por contagem de votos. O momento seria revolucionário (pois não é possível para esses partidos serem eleitos se o momento não for revolucionário) quando as massas populares reconhecerem a necessidade de transformar a sociedade. E esse será o momento em que a vontade obstinada das pessoas contará votos …contará votos? Por que deveríamos limitar a habilidade das pessoas ao ato do voto, e não organizar as lutas das massas através de ação direta mesmo quando o momento é tão revolucionário? Essas tentativas de limitar a capacidade das pessoas não é nada além de subestimar suas reais capacidades.

6.2 – Por outro lado, e se o dia é difícil e os partidos progressistas não tiverem chance de serem eleitos? O que poderão os votos por eles significar neste mundo de “democracia representativa”, em que as leis da maioria e o conluio político são a base da decisão política? Esses partidos políticos “progressistas” e “dos trabalhadores” talvez tenham tido seus inícios em um desejo de transformar o sistema. Mas conforme o sistema de leis da maioria termina como o sistema de leis dos medianos, só existem dois futuros possíveis para esses “progressistas”. Primeiro, mudar de posição em direção à direita. Ou, ser minimizado ao ponto em que sua existência não significa mais nada. Vamos relembrar a história. Partido dos Trabalhadores da Coreia (민주노동당), Novo Partido Progressista (진보신당), Partido Progressista Unificado (통합진보당), Partido da Justiça (정의당), Partido dos Trabalhadores (노동당). Todos eles terminaram do mesmo jeito. Por qual razão podemos acreditar neles quando dizem “será diferente desta vez”, se o sistema continua o mesmo?

6.3 – A respeito dos auto-intitulados “radicais”, que estão dizendo que não esperam serem eleitos, mas só estão utilizando as eleições para divulgação e organização? A despeito do fato de que não há motivo para votar neles, pois a contagem de votos não afeta a motivação deles de serem candidatos, achamos essencialmente uma contradição. Por que eles não podem usar as despesas, o tempo, a capacidade de seu partido para organizar a massa popular e sua ação direta, em vez de concorrer pelo escritório? Eles não conseguem construir organizações trabalhistas somente para organizar a luta da classe trabalhadora, não para fazer campanhas para a eleição?

7 – O mais importante é que, de acordo com o que escrevemos acima, não consideramos um partido político específico, um candidato específico, ou uma ideologia específica como mau ou má. É no sistema em que eles estão que está o “mal”. Portanto, deveríamos sempre buscar e aplicar a tática que pode atacar o sistema, efetivamente, em sua essência.

8 – O direito de votar em nossos próprios representantes, ou o sufrágio universal, certamente é a instituição construída na luta sangrenta das massas populares. E é nosso direito político valioso, também. Mas ao mesmo tempo, é uma instituição que mantém este sistema. Para nós, a essência do sufrágio universal é simples: criar a fantasia de que “aquele maldito deve ter se transformado em um fascista de direita, mas ainda é o maldito em quem votamos”, criar a expectativa de que “perdemos esta eleição, mas talvez ganhemos da próxima vez”, e empurrar as pessoas dentro dessa falsa fantasia e expectativa para mantê-las esperando pela próxima eleição para que a sociedade se transforme, e não com ação direta.

9 – Portanto, nós usamos nosso valioso direito de voto ativa e abertamente para recusar o ato de votar. Quando a pergunta “quem você prefere que seja seu comandante?” é feita para nós, decidimos responder: NINGUÉM. Não nos importamos com quem é “pior” ou “menos pior”. Nós nos recusamos a estabelecer o “mau” como um todo. Isso não significa que vamos fazer votar nulo, pois acreditamos que até mesmo o aumento de contagem de votos significa que ainda estamos interessados nos meios de eleição. Isso não significa que vamos simplesmente nos abster de voto. Estamos intencionalmente negligenciando a enganação da eleição. Nós estamos orgulhosamente declarando que a transformação e a melhora de uma sociedade só pode ser feita através de ação direta da massa, não com um pedacinho de papel chamado cédula.

10 – Este é um apelo aos membros da Solidariedade Anarquista, os nossos apoiadores, aos camaradas coreanos anarquistas. Vamos rejeitar o voto, ativamente organizar essa rejeição, abertamente declarar a vontade de rejeitar. Vamos mostrar a essa classe dominante, que está acreditando que a fantasia e expectativa fornecida pela eleição pode impedir a luta popular, que ISSO NÃO FUNCIONA MAIS PARA NÓS.

11 – A revolução social não pode ser feita por um partido revolucionário que chegue ao gabinete. Acreditamos que quando de maneira organizada e concreta negligenciarmos o enganoso sufrágio universal, esse será o início da transformação da sociedade.

N o t a s

[1] Partido de extrema direita da Coreia do Sul, liderado por um líder pseudo-religioso.

[2] Na época da última eleição para a assembleia, uma representação mista e proporcional foi introduzida ao sistema eleitoral coreano. E esses “partidos progressistas” da Coreia, que desesperadamente acreditavam que essa era a chance de estar na Assembleia Nacional, colocaram os nomes de seus candidatos em uma lista de partido conservador (chamado de liberal). A parte mais hilária dessa comédia política foi que os conservadores “inesperadamente” deram suas costas a esses “progressistas” pelo motivo de serem “seguidores do regime da Coreia do Norte” ou de “registrar um candidato transgênero”.

Fonte: https://blog.naver.com/anarchistleague/222291231012

Tradução > DesTroya

agência de notícias anarquistas-ana

O cão late –
Quem andaria
Por esta noite de neve?

Meimei