[EUA] “Fortnight Wine”, o bar gerido pelos trabalhadores servindo vinho natural com anarquismo à parte

Por Isabel Ling | 16/02/2021

Os bares sempre serviram como terreno fértil para o ativismo político. O direito de se reunir para recreação e o refúgio criado por esses locais semearam desde o movimento operário alemão do século XIX aos motins de Stonewall Inn.

Em Providence, Rhode Island, um bar de vinhos experimental está construindo uma relação mais intencional entre bar e política. No Fortnight, uma seleção cuidadosa de vinhos naturais e petiscos orgânicos frescos da fazenda é servida com uma porção de anarquismo.

Para alguns, a palavra anarquia pode evocar imagens de medo e caos, no entanto, para o Fortnight, que opera como uma cooperativa de propriedade dos trabalhadores desde sua fundação em 2016, o anarquismo fornece um modelo de negócios não hierárquico com ênfase na tomada de decisões que em vez disso, baseia-se em princípios de comunicação, confiança e respeito mútuo.

Fortnight não é o primeiro negócio anarquista a prosperar; seus proprietários-membros citam o Delicatessen em Ann Arbor e o Zingerman’s, que funciona desde 1982, como provas da sustentabilidade do anarquismo como modelo de negócios. Em um negócio onde não há patrão, cada um dos seis membros-proprietários do Fortnight, os quais podem ser encontrados atrás do balcão em qualquer noite, tem a mesma voz na gestão e na direção política do negócio.

“No final das contas, o anarquismo significa um bilhão de coisas diferentes para pessoas diferentes, mas é, no fim das contas, uma persuasão política baseada na não hierarquia e na democracia participativa”, diz Liz McDonnell, fundadora e proprietária do Fortnight, ao MOLD. “Não é importante para nós que todo mundo se pareça com um anarquista ou fale como um anarquista, é sobre como a política é concebida na operação do bar”.

Os três membros fundadores do Fortnight têm raízes na organização comunitária, tendo defendido questões como justiça no transporte e abolição das prisões em Providence por quase uma década. A ideia de uma cooperativa de bares de vinhos de propriedade dos trabalhadores nasceu do esgotamento, uma forma de contribuir politicamente, apesar da fadiga emocional que muitas vezes pode acompanhar o ativismo.

“Nós fomos motivados a abrir o Fortnight por termos enxergado uma maneira de continuar a nos organizar em nossa comunidade e construir espaços que imaginamos poder empoderar as pessoas”, diz McDonnell.

No centro do ethos do Fortnight está o aumento da acessibilidade a vinhos naturais eticamente produzidos e a uma comida criativa e deliciosa que se envolve de forma cuidadosa com a grande e próspera comunidade agrícola de Providence. Uma ênfase na transparência e nos sistemas alimentares baseados na comunidade significa que a cooperativa e seus patrocinadores podem tomar decisões mais informadas e conectadas sobre o que escolhem vender e consumir.

Para Ian Augustine, um dos clientes do Fortnight e fazendeiro por trás do Daylover CSA (vinho) que é distribuído no bar, isso significa reconhecer o trabalho por trás das ofertas do bar por meio do relacionamento com fazendeiros e produtores, “Parte do nosso orçamento para o bar tem o fim de permitir que todos visitem os fazendeiros uma vez por ano e construam um relacionamento com as pessoas que produzem nosso vinho, é também um meio de construir uma narrativa em torno do vinho que estamos servindo. No fim do dia, isso nos permite servir vinhos com mais história, da qual podemos falar por experiência própria… Tentamos ter sempre mais nuance em nossa abordagem à compra de vinho, em vez de sermos dogmáticos sobre os parâmetros dos vinhos [naturais]… porque nós conhecemos as pessoas que fazem os vinhos e podemos dizer que eles são boas pessoas e que estão dando seu melhor. Sabemos disso porque passamos tempo com eles e confiamos que eles estão fazendo o que precisa ser feito”.

Nos últimos meses, publicações de Grubstreet Eater sobre a cultura tóxica nas cozinhas em Mission Chinese e Momofuku respectivamente, investigaram a exploração que os trabalhadores enfrentam na indústria de alimentos. Embora esses sejam estabelecimentos de alto nível dirigidos por chefs famosos, a pandemia revelou que os locais de trabalho tóxicos e a precariedade enfrentada pelos trabalhadores no serviço são reproduzidos estruturalmente em todas as escalas da indústria de alimentos e de hospitalidade.

“Este ano proporcionou uma lente muito importante para darmos um passo para trás, olharmos para o projeto e lembrarmos o porquê ele é estruturado da maneira que é. Quando o COVID-19 aconteceu e os lugares fecharam e então reabriram, se ouviram muitas histórias de terror de pessoas sendo forçadas a voltar ao trabalho se não perderiam o seguro desemprego”, diz Augustine.

De acordo com Augustine, o modelo não hierárquico do Fortnight é uma abordagem sistêmica para a reimaginação de como uma indústria de alimentos em que os trabalhadores tenham agência pode parecer, “Acho que é um modelo que se presta à indústria de serviços… Especialmente nesta indústria onde as pessoas são tão frequentemente exploradas ou aproveitadas de maneiras explícitas e implícitas. Muitas vezes, a triste verdade é que mesmo em lugares que estão tentando seu melhor dentro de uma estrutura de negócios normal de cima para baixo, onde as pessoas realmente não estão tentando tirar vantagem umas das outras, por causa dessa estrutura capitalista e hierárquica, as pessoas acabam sendo exploradas de qualquer forma”.

Para McDonnell, o Fortnight oferece uma visão para o futuro, uma mais justa e enraizada na mutualidade, “O anarquismo não é sobre violência e destruição, mas sim uma perspectiva muito esperançosa de que existe um mundo melhor lá fora”.

Fonte: https://thisismold.com/process/studio-visit/the-worker-owned-wine-bar-serving-up-natural-wine-with-a-side-of-anarchism

Tradução > A. Padalecki

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Dança de pipas
Na grossa areia da praia
leveza se faz

Regina Alonso

[Espanha] Atualização sobre os detidos em 27 de fevereiro de 2021 em Barcelona

Decidimos escrever este texto para atualizar sobre a situação REAL dos oito companheiros presos no sábado passado.

Os detidos foram transferidos ontem (03/03) de manhã cedo para prisão preventiva sem fiança no presídio de Brians I. Eles estão em confinamento solitário, devido aos protocolos da Covid, sem poder receber visitas até segunda-feira.

Eles estão alegadamente acusados de organização criminosa, tentativa de assassinato, manifestação ilegal, ataque à autoridade, danos e desordem pública.

Eles estão em boa saúde.

Em breve disponibilizaremos uma conta corrente, com o objetivo de levantar fundos para ajudar a pagar todo o processo judicial e os custos da detenção, além de compartilhar, em breve, qualquer nova informação que tenhamos.

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Sobre o telhado
um gato se perfila:
lua cheia!

Maria Santamarina

[Grécia] Sábado, 6 de março de 2021. 2º Dia Internacional de Solidariedade à Greve de Fome de Dimitris Koufontinas

 

No final de dezembro passado o governo grego aprovou uma reforma do sistema penitenciário nacional que, além de outras medidas que agravam as condições carcerárias, estabelece que os presos condenados por terrorismo não podem mais ter acesso às “prisões rurais”, instituições mais “abertas” às quais presos de longa duração tinham acesso. A aprovação desta lei ativou imediatamente o processo burocrático da transferência de Dimitris Koufontinas da prisão rural de Kassevitia. Dimitri é um camarada condenado por sua participação na organização revolucionária 17 de Novembro (17N), preso desde 2002.

O novo pacote de leis estipula que os presos em prisões rurais sejam reclassificados e, em seguida, transferidos para a última prisão em que se encontravam. No caso de Dimitri, deveria ter sido a prisão ateniense de Korydallos. No entanto, a administração da prisão decidiu transferi-lo, manipulando os papéis de transferência, para a prisão de Domokos. Embora não existam circuitos diferenciados na Grécia, a intenção da administração penitenciária nos últimos anos tem sido fazer desta prisão uma prisão “dura”.

Essa transferência punitiva visa atingir um camarada que sempre lutou: Como um homem livre, em tribunais, na prisão. Desde sua prisão, ele participou de inúmeros protestos e participou de quatro greves de fome. Essa manobra repressiva visa não só aniquilar Dimitris Koufontinas, mas também faz parte do projeto repressivo geral do Estado grego: esmagar as partes mais radicais e combativas da sociedade para evitar a hipótese de conflitos futuros e gerais.

Diante da transferência, Dimitris Koufontinas decidiu resistir mais uma vez, utilizando seu próprio corpo como arma de último recurso. Desde 8 de janeiro iniciou uma greve de fome que continuará indefinidamente até que seja transferido para a prisão de Korydallos. À medida que os dias de greve vão passando, o camarada encontra-se em estado crítico e precário no hospital de Lamia: segundo os médicos ele pode entrar em colapso a qualquer momento.

Durante a greve, houveram muitas iniciativas e ações de solidariedade por toda a Grécia e além: protestos, manifestações, murais, cartazes, ataques contra múltiplos objetivos (políticos, bancos, correios, etc.). Mas o tempo está se esgotando e agora achamos que devemos fazer um esforço extra.

A luta de Dimitri também é a luta de cada um de nós. Por considerarmos fundamental a criação e ampliação de laços internacionais, ainda mais nos dias de hoje, estamos convocando um 2º Dia INTERNACIONAL de solidariedade e ação no SÁBADO 6 DE MARÇO para apoiar Dimitris Koufontinas.

Atenas, 4 de março de 2021

Assembleia Solidária para com Dimitris Koufontinas

Fonte: https://enoughisenough14.org/2021/03/04/saturday-march-6-2021-call-for-the-second-international-day-of-solidarity-with-the-hunger-strike-of-dimitri-koufontinas/

Tradução > A. Padalecki

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Entre haicais e chuva
Súbita inspiração:
Um trovão.

Sílvia Rocha

[Espanha] Anarquistas Perigosos, 6º capítulo

Por Iru Moner. Secretário de Ação Social da CGT Catalunha

No sábado (27/02) eles já correram para divulgar que entre as prisões havia um grande número de pessoas estrangeiras, que eles eram “militantes de grupos anarquistas violentos”. Finalmente eles encontraram os famosos anarquistas italianos.

No domingo, ao coro de criminalização foram acrescentados partidos políticos de direita e esquerda, patronais e twitt estrelas de todas matizes. A grande maioria dos meios de comunicação, mais uma vez, não se corou ao reproduzir de capa em capa as declarações dos Mossos d’Esquadra e do Interior.

Na segunda-feira, buscas em duas casas ocupadas em Maresme. O Interior já liga “grupos anarquistas com o ataque à van da Guardia Urbana”. Onde, segundo fontes policiais, “foi apreendido material diverso” em busca de provas para reforçar as “indicações que fariam parte de um grupo criminoso”.

Honestamente, eles não “trabalharam muito duro” na 6ª temporada dos Anarquistas Perigosos. Mais do mesmo, nenhuma reviravolta notável na trama. Nada de novo na literatura clássica repressiva. Eles vêm de fora! São maus, são violentos! Grupos anarquistas organizados. Buscas, comunicados, condenações por parte das autoridades. A mídia repete o que os Mossos têm a dizer. Isso não lhe diz nada?

Desta vez, as acusações saltam para a tentativa de assassinato. Mas a linguagem é a mesma, grupos coordenados, Grécia, Itália, conspirações internacionais. A história toda está voltada para o promotor que pede a prisão e para o juiz que adota esta medida. E toda a mídia fará fogos de artifício e sensacionalismo.

Aos romancistas do escritório de imprensa do Interior, aos roteiristas do departamento de comunicação dos Mossos, quero lembrar que várias temporadas já foram feitas com estes argumentos e que o último capítulo foi um final feliz. Para nós, é claro.

Basta lembrar que temos toda uma série de operações similares com “grupos anarquistas coordenados”, “jovens violentos”, “buscas com apreensão de material” e prisão, que não terminaram em nada, no arquivo do caso. “Sabadell”, “Pandora I”, “Pandora II”, “Piñata” ou o “Ice”; Mesmo argumento, mesmo final: absolvição.

Não faz muito tempo, eles até transmitiram uma série com os mesmos argumentos, mas com protagonistas diferentes: “CDR”. Onde também, grandes palavras como prisão ou terrorismo, abriram grandes manchetes e desencadearam o linchamento pelas canetas e microfones do regime, com uma máscara de direita ou esquerda, mas do regime afinal de contas.

Quando as absolvições, arquivos ou liberações caíram: silêncio. Só vimos silêncio e algumas palavras de desculpas com uma pequena boca. Nada de novo nas trincheiras da luta social.

Fonte: http://www.revistacatalunya.cat/?p=3060

Tradução > Liberto

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Às dez da manhã
O cheiro de eucalipto
Atravessa a estrada

Paulo Franchetti

[Chile] 8M | Por um bloco anarcofeminista e dissidente vermelho e negro!

Como Órgão Anarco Feminista (OAF) estamos satisfeitas por concordar com as intenções de vários setores de que exista um bloco anarquista e dissidente dentro da marcha de 8M. Ficamos satisfeitas porque no nosso posicionamento político reconhecemos um interesse transformador da sociedade em todas as suas formas, e acreditamos vital afiançar cumplicidades e estreitar laços desde esse lugar. Também nos agrada porque partilhamos uma perspectiva comum: abolir qualquer forma de hierarquia que signifique opressão em qualquer dimensão existente (gênero, classe, espécie, raça, etc).

Diante de tantos discursos desde os diferentes feminismos – transfóbicos, cidadãos, afirmativos, essencialistas, aporofóbicos -, precisamos de um espaço seguro para nós, para podermos fazer nossas as ruas desde nossas consignas e na mais pura solidariedade de todos os tipos. Solidariedade de classe, interespécie, anticarcerária e com horizonte libertário. É por isso que lhes estendemos o convite para que se juntem à construção deste bloco anarcofeminista e dissidente e pela luta ativa contra toda forma de opressão e imposição.

Que nosso presente e nosso futuro seja pela abolição de toda autoridade!

Órgão Anarco Feminista (OAF)

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Na noite escura
um mar de espuma
chama pela lua

Eugénia Tabosa

[Espanha] Anarcofeminismo e o efeito borboleta

Por Rosa Fraile

Eu não gosto nada da chamada nova normalidade. Eles estão tentando nos fazer acreditar que o que nos acontece é “normal”. Este discurso dominante identifica o que é normal com o que é comum, portanto com o que é bom e aceito. É perigoso e falacioso. Seu objetivo é que práticas que não são nada boas, dentro e fora do local de trabalho, sejam assumidas como normais e consentidas. De que adianta impedir que os pés das meninas cresçam? Era boa esta limitação da criança, que foi tão normalizado na Idade Média? E, depois de décadas de luta para sair de casa e ocupar o espaço público, que melhorias nos traz a imposição do espartilho de teletrabalho às mulheres? É normal que o 8M traga mais pandemias e que Eva sempre tenha que comer a maçã sob o olhar de uma cobra e Adão babando por morder a fruta?

Brincadeiras à parte, temo que surpresas desagradáveis nos aguardem entre agora e os próximos 8M e que queremos normalizar questões intoleráveis, por isso devemos planejar cuidadosamente nossas ações coletivas e definir nossos objetivos e estratégias sem demora.

O normal deve ser avançar contra todas as probabilidades em direção a um futuro igualitário e solidário, com um modelo econômico justo, feminista, sustentável e respeitoso com o planeta. Isto requer compromisso e nos obriga a considerar pessoalmente o dia a dia, cuidando de nosso ambiente e dos seres vivos que nos cercam. Se a partir desta consciência individual, nossas ações e decisões têm um interessante “efeito borboleta”, em nível coletivo e organizacional este “efeito” pode ser tremendo. O que cada lufada de ar de uma mulher na África Central causa? Um piscar de olhos na Europa desencadearia um tornado verde na Argentina? Bem, nós não sabemos! Mas desde suas origens o feminismo tem a capacidade de introduzir importantes perturbações no sistema caótico deste capitalismo antropocêntrico e patriarcal, ainda mais se for um feminismo organizado da classe trabalhadora com vocação internacionalista.

É necessário realizar uma reflexão serena sobre o que aconteceu e seus efeitos, continuar falando e analisando, contrastar opiniões, debater tudo o que é necessário, com um sentido construtivo e enfoque de gênero, apresentar uma frente anarcofeminista unida e fortalecida, com um caminho claramente marcado, pronta para não dar um passo atrás na luta feminista pela igualdade e emancipação.

Nossos movimentos provocarão tornados!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/anarcofeminismo-y-efecto-mariposa/

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Fugiu-me da mão
no vento com folhas secas
a carta esperada.

Anibal Beça

Cem Anos da Contrarrevolução Bolchevique | Uma Linha do Tempo Traçando a Repressão a Movimentos Revolucionários

Um século atrás, em 7 de novembro de 1917, a tomada do poder pelos Bolcheviques começou na Rússia revolucionária. Seguindo nossa compilação de vozes que falaram contra a ascensão do totalitarismo soviético, “Fantasmas Inquietos dos Mortos Anarquistas”, apresentamos esta tradução de um texto originalmente lançado em catalão e como publicação em português. 

Ele oferece um cronograma detalhado da repressão bolchevique às correntes revolucionárias na Rússia, começando antes da chamada Revolução de Outubro e indo até o tratado entre Stalin e Hitler.

 O presente texto é somente um resumo, uma pequena lembrança de um desastre histórico que ainda repercute em nossas lutas de hoje. No centenário da Rebelião de Kronstadt, cabe a nós lembrar a apropriação bolchevique da Revolução Russa, que constituiu um desastre para a classe trabalhadora, um desastre para o povo russo e para todos os povos submetidos ao Império Russo, um desastre para os movimentos anticapitalistas à escala mundial, um desastre para quem busca a liberdade e um desastre para a humanidade.

Um Desastre Previsível

A inclinação contrarrevolucionária da União Soviética era previsível. Bakunin previu perfeitamente como uma “ditadura do proletariado” rapidamente se transformaria em mais uma ditadura sobre o proletariado, 50 anos antes dela ocorrer. Nos anos seguintes, muitos outros anticapitalistas chegaram à mesma conclusão. Era uma aposta bastante segura, considerando como os líderes da nova ditadura encontraram inspiração em outra figura contrarrevolucionária: Karl Marx.

Não fazemos essa afirmação de forma leviana, denunciando como “contrarrevolucionária” uma pessoa que, sobre qualquer dúvida, foi importante nas lutas anticapitalistas. Nunca daríamos esse passo por conta de simples discordâncias teóricas. É só depois de uma pesquisa minuciosa das consequências das ações de Marx que chegamos a essa conclusão.

Marx implantou atitudes coloniais supremacistas brancas no coração do movimento anticapitalista e destruiu a autonomia desse movimento tão profundamente que, 150 anos depois, ainda não o restauramos.

Para citar um único exemplo, Marx celebrou a conquista do México pelos Estados Unidos, usando termos abertamente racistas para contrastar os “enérgicos” ianques com os mexicanos “preguiçosos” e “primitivos”. Sua ideia de progresso dialético compartilhava o elemento da supremacia branca com o liberalismo da época. Ele estava convencido de que as nações ocidentais eram as mais avançadas do mundo e que todos os outros povos teriam que se concentrar na Europa e seguir o mesmo caminho para se libertarem. Como tal, era um defensor imperdoável do colonialismo, que ele reconheceu como um exercício de violência capitalista, mas que também acreditava ser vital para o progresso dos povos “primitivos”.

Além de seu racismo, Marx era um cúmplice autoritário das instituições burguesas. Uma das características mais fortes do movimento dos trabalhadores no século XIX foi sua autonomia. Foi um movimento construído pelos próprios trabalhadores e dentro dele as instituições dos inimigos de classe não tinham lugar. Marx arruinou tudo isso com sua insistência obstinada de que, para ganhar, de acordo com sua teoria – uma teoria que a história mostrou estar errada, uma teoria que previu que as revoluções anticapitalistas ocorreriam na Alemanha e no Reino Unido, definitivamente não em Rússia ou Espanha – a classe trabalhadora teria de adotar as formas políticas de seu inimigo. Seria preciso se organizando em partidos políticos e ingressando nas instituições burguesas, nos parlamentos onde monarquistas e capitalistas lutavam pelo controle de um poder baseado unicamente na subordinação dos camponeses e trabalhadores. Esse poder que não poderia sequer existir sem a contínua dominação dessas classes.

Marx estava acostumado a ser cercado por lacaios. Quando percebeu que existiam mentes independentes e opiniões opostas dentro da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), que esse não era mais seu fã-clube pessoal, ele conspirou e fez uso de todos os truques sujos que, desde então, se tornaram conhecidos métodos de manipular assembleias a fim de expulsar todos aqueles que se opunham a suas ideias e que se opunham à tática equivocada de criar partidos políticos. Este não foi apenas um conflito entre duas posições, marxista e anarquista, nem foi um duelo entre Marx e Bakunin. Marx excluiu não apenas anarquistas, mas qualquer um que discordasse dele, incluindo feministas como André Leó, participante da Comuna de Paris de 1871.

Como resultado da divisão, a maioria da Internacional rompeu com a facção marxista. Muitas pessoas que estão apenas familiarizadas com contas super simplificadas centradas em Marx supõem que, assim que a sede da Internacional foi transferida para Nova York, a organização foi efetivamente encerrada. De fato, o que aconteceu foi que apenas o pequeno grupo marxista que imediatamente se tornou moribundo. A maioria da Internacional continuou se organizando junto de acordo com os princípios anarquistas por mais meia década, como o historiador marxista Steklov foi forçado a contar em sua [História da Primeira Internacional (https://www.marxists.org/archive/steklov/history-first-international/). Foram necessários cinco anos de contínua repressão estatal para destruir a organização e isso só foi bem-sucedido porque os marxistas e outros elementos estatistas do movimento trabalhista se recusaram a agir em solidariedade com um trabalho de construção genuinamente revolucionário.

A polêmica estratégia de Marx – converter a Internacional em uma ferramenta para entrar nas instituições burguesas através de partidos social-democratas – foi um fracasso constrangedor, exatamente como seus críticos previram. Os novos partidos não perderam tempo em vender a classe trabalhadora a seus novos colegas de profissão: a burguesia. Além disso, os principais herdeiros de Marx, como o Partido Socialista dos Trabalhadores da Alemanha, enviaram a classe trabalhadora para o matadouro contrarrevolucionário que foi a Primeira Guerra Mundial.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://pt.crimethinc.com/2021/03/02/cem-anos-da-contrarrevolucao-bolchevique-uma-linha-do-tempo-tracando-a-repressao-a-movimentos-revolucionarios-1?fbclid=IwAR3cv3rZ0GRw0IFAs7sGmo2Yoq4PY0xYdkAvOdaDGWlWqKI55i-v7k6xOBM

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Mal o dia clareia
a passarada
em coro chilreia

Eugénia Tabosa

Riseup 4 Rojava | Unidos em resistência – Declaração de solidariedade para com Dimitris Koufontinas –

Já no ano de 1981, há exatos 40 anos atrás, no seio do que restava do antigo Império Britânico, uma dura governante chamada Margaret Thatcher introduziu a ideologia do neoliberalismo no continente europeu. Essa ideologia viria a se tornar a nova teologia do capitalismo tardio e se espalharia por todo o planeta, mas primeiro tornaria sua crueldade clara para todos aqueles que quisessem desafiá-la. Os cadáveres de 10 prisioneiros irlandeses em greve de fome, entre os quais o mais famoso é Bobby Sands, foram a mostra de um sistema que ignora sem problemas suas próprias leis.

Grécia

Hoje estamos vivendo a mesma história novamente, onde um governo neoliberal nega os direitos legais de um prisioneiro que no passado lutou contra este mesmo sistema de injustiças. Dimitris Koufontinas, agora um idoso, membro do grupo de guerrilha urbana 17 de novembro (17N) e preso desde 2001, está à beira da morte depois de 53 dias de greve de fome e 6 dias de greve de sede. As chances são de que ele morra nas próximas 24 horas. Sua única exigência é a sua transferência para a cela de prisão construída para ele, cela essa onde cumpriu 19 anos de sua pena.

Turquia

Não muito longe da Grécia, nas prisões do Estado turco e do regime fascista AKP-MHP do ditador Erdogan, centenas de prisioneiros políticos, membros do PKK e PAJK, estão em greve de fome desde novembro de 2020. O objetivo é acabar com o isolamento de Abdullah Öcalan e melhorar suas próprias condições de sobrevivência nesses buracos infernais.

Em meio a uma pandemia que desafia universalmente todos os direitos humanos conquistados no século passado com dor e sangue, enfrentamos uma grande luta. Nosso desafio é não nos desesperarmos e continuarmos a enfrentar a luta sob condições de um totalitarismo futurista, de censura, violência, guerra, pobreza e loucura.

A iminente morte de Dimitris Koufontinas seria uma grande perda para a resistência revolucionária. Mas, é a vontade e a determinação que Dimitris Koufontinas carrega, e que tantos outros camaradas carregaram no passado, que nos é fonte de força e poder, e que nos faz insistir em sermos humanos e continuarmos a resistir. Ao longo de sua vida até hoje, Dimitris manteve-se fiel à sua política anti-imperialista e lutou por uma sociedade livre e liberta. Sua resistência incorpora o mesmo espírito revolucionário visto nas greves de fome do Movimento pela Liberdade do Curdistão em 2019, e ambas são luzes brilhantes no rio da luta democrática que sempre resistiu e lutou contra os ataques da civilização estatal e da modernidade capitalista. Honramos Dimitris por seu compromisso e disciplina revolucionários e visão clara e vitalícia. Como os mártires do Movimento pela Liberdade do Curdistão, ele sabe que resistência é vida e ama tanto a vida que está disposto a morrer por ela.

Apelamos a todos para que dêem um passo decisivo, nunca é tarde!

Campanha R4R

1 de março de 2021

riseup4rojava.org

Tradução > A. Padalecki

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agência de notícias anarquistas-ana

folhas escuras
tremem na brisa
à contra-lua

Rogério Martins

Grupo de estudos anarquismos, feminismos e masculinidades | A Comuna de Paris: Mulheres e Frentes de Lutas

06 de março de 2021, sábado, às 16h – encontro online c/ intérprete de Libras

Leituras sugeridas:

Louise em dois tempos: estratégias brasileiras feministas de criação teatral em fluxo de resistência, de Luciana Lyra

Disponível em: https://tinyurl.com/louiseemdoistempos

As mulheres e a Comuna de Paris de 1871, de Camila Valle

Disponível em: https://tinyurl.com/mulhereseacomuna

A Comuna de Paris, 1871, de P. Kropotkin

Disponível em: http://tinyurl.com/acomuna

Como Participar?

Esse mês iremos falar sobre a Comuna de Paris, fazendo um paralelo entre o fato histórico e suas participantes, e a forma como as mulheres fizeram e fazem parte fundamental nas lutas pela liberdade, em diferentes frentes. Devido à pandemia de Covid-19, iremos realizar o encontro de forma virtual, o link para o encontro de março é https://meet.google.com/yoz-uufh-qks. Não é necessário realizar inscrição. Os encontros do grupo são gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas. Sugerimos a leitura dos textos para embasar nossas trocas, e então é só acessar o link do Meet no dia e horário do encontro para debatermos as ideias. Teremos uma intérprete de Libras.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/02/02/sao-paulo-sp-grupo-de-estudos-anarquismos-feminismos-e-masculinidades/

agência de notícias anarquistas-ana

o crisântemo amarelo
sob a luz da lanterna de mão
perde sua cor

Buson

[Venezuela] Caracas: mobilização feminista de 8M, às 14h, Plaza Brión, Chacaito

Na segunda-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, vários coletivos feministas, organizações, movimentos e ativistas estão convocando um comício unido para fazer ouvir nossas vozes. A concentração é às 14h na Plaza Brión de Chacaíto, em Caracas.

De El Libertario nos colocamos em solidariedade e ecoamos os esforços de coordenação unitária para esta atividade, levantando nossas vozes alto, pois elas também serão levantadas em muitas cidades ao redor do mundo.

Fonte: http://periodicoellibertario.blogspot.com/2021/03/caracas-movilizacion-feminista-del-8m.html

agência de notícias anarquistas-ana

Na velha roseira,
entre as folhas e os espinhos,
uma aranha tece.

Humberto del Maestro

[Espanha] 150º aniversário da Comuna de Paris

O mundo dos Comuneiros é muito mais próximo ao nosso do que o mundo de nossos pais, especialmente para a maioria de nossos jovens que passam grande parte de seu tempo, não trabalhando, mas procurando trabalho.

Por Andreu Mayayo | 02/02/2021

Esta primavera marca um século e meio de um dos episódios fundadores da memória revolucionária. Tudo começou em 18 de março de 1871 com a revolta popular contra os novos governantes da Terceira República – que havia surgido meses antes após a derrota de Napoleão III pelos prussianos – que se refugiaram em Versalhes, e terminou com a semana sangrenta no final de maio, um massacre chocante e uma repressão brutal seguida de uma lei marcial que duraria cinco anos. O Muro dos Comuneiros no cemitério de Père-Lachaise comemora o tiroteio, em grupos de 10, de nada menos que 30.000 pessoas. Mais dez mil seriam deportados para a Nova Caledônia.

O espírito do comunismo que varreu a Europa em 1848 foi encarnado na Comuna de Paris. Para além dos motivos, ideais ou fracassos, sua importância e transcendência estavam para Marx em sua “existência factual”, o que chocou as classes dirigentes burguesas, que, aterrorizadas pela subversão da ordem social, procederam como o rei Herodes ao genocídio, neste caso, genocídio social.

Apesar da divisão no ano seguinte entre marxistas e anarquistas, a memória da primeira revolução social seria justificada por todas as correntes políticas e sindicais do movimento operário internacional. Lênin e Trotsky estabeleceram a ligação entre a Comuna e a revolução bolchevique de 1917. Os anarquistas catalães fizeram o mesmo com a revolução de 1936. Até mesmo os republicanos burgueses, com o tempo, justificaram a Comuna como uma insurreição em defesa da Terceira República Francesa.

Kristin Ross, em seu livro Luxo Comunal. O Imaginário Político da Comuna de Paris (2016), nos oferece uma nova abordagem baseada nos escritos e vozes de seus protagonistas. Um visual surpreendente, estimulante e de alta atualidade. Para o professor de literatura, o mundo dos Comuneiros está muito mais próximo do nosso do que o mundo de nossos pais, especialmente para a maioria de nossos jovens que passam a maior parte de seu tempo, não trabalhando, mas procurando trabalho.

Em 30 de abril de 1871, o pintor da tela marcante A Origem do Mundo – a pintura hiperrealista com pelos púbicos femininos incluídos – o boêmio noturno – um frequentador de clubes e tabernas, um amigo do maldito poeta Baudelaire e o filósofo anarquista Proudhon, o revolucionário – rotulado como perigoso pelas autoridades desde seu batismo por fogo nas barricadas em 1848 – e, no final, o delegado de Belas Artes na Comuna Gustave Coubert escreveu a seus pais: “Paris havia renunciado a ser a capital da França”.

Paris era a capital do mundo. Uma metrópole de quase dois milhões de habitantes, muitos deles de todos os cantos do mundo, um refúgio para foras-da-lei e um ponto de encontro para todos os tipos de subversivos.

A Comuna reconheceu imediatamente a cidadania de todos os estrangeiros, incorporando-os ao governo da cidade. Como o promotor da geografia social e do apaixonado Élisée Reclus proclamou: “Nosso grito de guerra não é mais ‘Viva a República’, mas ‘Viva a República Universal'”. Uma ruptura completa com a narrativa nacional, que foi incorporada na substituição da bandeira tricolor pela bandeira vermelha. O próprio jornal oficial do movimento revolucionário publicou a melhor manchete: “A bandeira da Comuna é a República Universal”.

A Comuna de Paris não foi apenas mais uma revolução, mas uma nova revolução, que identificou o conceito de uma república universal com o de uma república operária. Com os pelotões de fuzilamento como música de fundo, o líder comunista Eugène Pottier escreveu a letra de A Internacional, que se tornaria o hino do movimento operário, o verdadeiro movimento pronto para abolir o atual estado de coisas: “Do passado devemos partir / A legião de escravos em pé a vencer  / O mundo vai mudar sua base / Os de nada de hoje tudo devem ser”.

Louise Michel, a professora que liderou a insurreição desde o primeiro dia e sem dúvida a figura mais icônica da Comuna e, mais tarde, do movimento anarquista, escreveu em 8 de setembro de 1871, na prisão de Versailles, um poema de partir o coração e esperança: “Voltaremos em inúmeras multidões / voltaremos por todas as estradas / como espectros vingadores saindo das sombras / voltaremos apertando nossos punhos”. / Alguns em suas mortalhas pálidas / outros ainda sangrando  / lívidos sob as bandeiras vermelhas / os buracos das balas em seus flancos”.

Fonte: https://www.elperiodico.com/es/opinion/20210202/150o-aniversario-comuna-paris-articulo

Tradução > Liberto

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Bolhas de sabão
sopradas no ar da manhã
exalam arco-íris.

Ronaldo Bomfim

[Espanha] À Punt estréia seu novo filme por ocasião do 8M

O filme conta com Emilio Gutiérrez Caba e Màrcia Cisteró no elenco e foi rodado em Valência, Sueca e Sant Isidre de Benaixever.

O Institut Valencià de Cultura apresenta o filme televisivo ‘Frederica Montseny, la dona que parla’. O filme estreará simultaneamente em 8 de março, Dia da Mulher, nos canais públicos de televisão da Comunidade Valenciana, da Catalunha e das Ilhas Baleares.

O filme foi produzido pela Distinto Films, em co-produção com Televisió de Catalunya e com o apoio do Departamento de Cultura, em co-produção com Voramar Films, com a participação de À Punt Mèdia, a colaboração do Institut Valencià de Cultura, a participação da IB3 Televisión de las Islas Baleares, o apoio do Creative Europe Media Programme da União Européia, a colaboração do Ministério da Igualdade – Instituto da Mulher e a participação do CREA SGR. Estreará na TV3, À Punt Mèdia e IB3 no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

‘Frederica Montseny, la dona que parla’ foi dirigida por Laura Mañà, o roteiro é de Rafa Russo e Mireia Llinàs, a produção é de Miriam Perté e Màrcia Cisteró é a atriz que interpreta o papel da líder anarquista.

Este é o primeiro longa-metragem de ficção sobre uma figura chave na história da Espanha, a primeira mulher a servir como ministra em um governo europeu, o da Segunda República.

O filme foca suas contradições entre o idealismo anarquista e sua participação nas instituições como uma forma de deter o fascismo. Até que ponto vale a pena trair os ideais de alguém para o que pode ser um bem maior? Esta é a pergunta que Frederica Montseny (1905-1994) deve ter respondido ela mesma quando, no meio da guerra civil, aceitou a proposta do presidente do Conselho de Ministros, Largo Caballero, e entrou no governo junto com outros companheiros anarcossindicalistas.

Durante os quase seis meses que dirigiu o Ministério da Saúde, ela desenvolveu projetos ambiciosos: planejou abrigos para crianças, comedores para mulheres grávidas, planos para a reintegração de prostitutas e o primeiro projeto de lei sobre aborto na Espanha, mas praticamente nenhum de seus projetos foi adiante.

Màrcia Cisteró, protagonista do filme, é acompanhada por Emilio Gutiérrez Caba no papel do Presidente Largo Caballero, assim como Ivan Benet, David Bagés, Miquel Gelabert, Óscar Muñoz, Candela Moreno e Pep Ambròs. O filme foi rodado em Valência, Sueca e Sant Isidre de Benaixever.

Fonte: https://www.levante-emv.com/cultura/2021/03/01/frederica-montseny-pelicula-valencia-36627581.html

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Ilhotas boiando.
Sob um céu vasto e sereno
este mar tranquilo.

Fanny Dupré

[Chile] Lançamento: “El forajido”, de Jorge Enkis

Perseguido por seu caráter livre, por sua natureza antiautoritária, um jovem fora-da-lei viaja pelo mundo em sua bicicleta, após recusar-se a viver como mais uma ovelha no rebanho, em uma cidade onde reina a apatia e a violência de seus governantes.

Nosso jovem fora-da-lei leva consigo seus livros antigos que sempre o acompanham, desde a clandestinidade é perseguido por agentes do estado, porque acreditam que ele tem informações sobre o lugar secreto onde o clube de gilderberg se reunirá. Assim começa esta jornada para nosso jovem fora-da-lei, onde ele terá que encontrar em seu caminho a tão esperada liberdade e libertação do mundo nas mãos do poder.

>> Download, Impressão e Divulgação:

editorialautodidacta.org

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tarde cinza
toda azaléia
arde em rosa

Alice Ruiz

[Portugal] Concentrações em Lisboa e Porto contra prisão de Pablo Hasél

Mais de 100 pessoas concentraram-se à frente do Consulado de Espanha, em Lisboa, para apoiar o rapper catalão Pablo Hasél. No Porto, meia centena de pessoas protestaram na Praça D. João I.

Mais de 100 pessoas concentraram-se durante a tarde desta sexta-feira em frente ao Consulado de Espanha, em Lisboa, em solidariedade com o rapper catalão Pablo Hasél, numa ação concluída com a entrega de uma petição nas instalações consulares pela sua libertação.

Três carros da polícia, cerca de duas dezenas de agentes e uma barreira de proteção mantinham os ativistas, na maioria homens e mulheres jovens, concentrados perto do monumento aos Mortos da Grande Guerra.

Os manifestantes tinham todos máscara de proteção e cumpriram o necessário distanciamento, devido à pandemia de Covid-19.

Entre os manifestantes, um empunhava uma bandeira às listas horizontais vermelha, amarela e lilás, a insígnia da II República espanhola, outro tinha uma bandeira vermelha com foice e martelo, um terceiro com um cartaz em que se lia que “o socialismo é a única forma viável de mudança em grande escala”, ainda um outro com bandeira vermelha e negra e a sigla do movimento internacional antifascista.

Através de uma aparelhagem instalada no chão escutavam-se músicas de protesto do rapper – na prisão desde há dez dias após deliberação da justiça espanhola -, numa iniciativa convocada pela “Plataforma Liberdade Pablo Hasél” destinada a demonstrar a “solidariedade política e humanitária” ao cantor catalão, à qual aderiu a União Antifascista Portuguesa (UAP – Secção portuguesa da Alternative International Movement) e outras organizações, incluindo a Assembleia Nacional Catalã (ANC).

O músico rapper Pablo Hasél (designação que adotou quando começou a gravar, o nome original é Pablo Rivadulla Duró), 33 anos, natural de Lérida, província autônoma da Catalunha, foi condenado a nove meses de prisão ao ser acusado em tribunal de insultar as forças policiais espanholas, glorificar o terrorismo e injuriar a monarquia, que apelidou de “fascista”.

Detido em 16 de fevereiro pelos Mossos d’Esquadra (polícia regional catalã) após se ter barricado na Universidade de Lérida, foi transferido para o estabelecimento prisional de Ponent.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://observador.pt/2021/02/27/concentracoes-em-lisboa-e-porto-contra-prisao-de-pablo-hasel/

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Longa chuvarada…
Nos matos e nas lagoas,
um canto de vida.

Humberto del Maestro

[Espanha] Liberdade para os anarquistas presos. Basta de montagens da polícia e da mídia.

Hoje, quarta-feira (03/03), Maria viria novamente ao Lokal [histórico espaço anarquista em Barcelona] para nos dar uma mão no que fosse necessário. Há alguns meses ela vem fazendo isso, feliz e grata por sua parte e nós encantados em ter mais uma pessoa colaborando. Hoje Maria não poderá vir porque foi detida no sábado (27/02) durante a manifestação [pela liberdade de Pablo Hasél, entre outras demandas] e ontem à noite foi presa e acusada de crimes graves juntamente com os outros oito anarquistas presos [5 italianos, duas franceses e uma espanhola].

Dá muita raiva como o julgamento foi feito, a sentença já foi ativada. Nenhuma presunção de inocência, acusados de tentativa de assassinato, grupo criminoso organizado, buscas sem encontrar provas. A nota da polícia vazou para todos os meios de comunicação que a repetem e a assumem como sua. A classe política, econômica, acusando-os de ter “vontade de matar” e um tribunal que faz o que já foi escrito, acusando-os da forma mais grave e a prisão preventiva sem fiança.

Não há nenhuma dúvida, eles são culpados, são anarquistas, a maioria italianos. O papo furado de sempre que depois de um tempo é desmontado. Devemos aprender, devemos dar um exemplo, há que castigá-los e deter os protestos que vão além do sistema.

Lutaremos para mudar este sistema, lutaremos de forma organizada, em assembleia, sem líderes, respeitando a vida humana e não as instituições, como os anarquistas sempre fizeram.

Fonte: https://ellokal.org/llibertat-anarquistes-presxs-prou-muntatges-policials-i-mediatics-cat-cas/

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Fiapos nos dentes
o rosto todo amarelo
É tempo de manga

Eunice Arruda

[Canadá] Kronstadt como Utopia Revolucionária, 1921-2021

20-21 de março de 2021: Uma conferência online de dois dias para comemorar a Comuna de Kronstadt de março de 1921

Nós convidamos você a “Kronstadt como Utopia Revolucionária: 1921-2021 e Além”, uma convergência transnacional para lembrar as esperanças revolucionárias reprimidas da história e explorar a luta do “passado vivo” do autoritarismo capitalista contra o internacionalismo humanista.

Mais informações (em inglês): https://kronstadt2021.wordpress.com/

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longa conversa
um grilo termina
o outro começa

Ricardo Silvestrin