[Grécia] Tessalônica: Tirem as Mãos da Ocupação Biologica! | Semana solidária: 10-17 de janeiro de 2022

Chamamos por uma semana em solidariedade à terra libertada e ocupada da Biologica Squat, de 10 a 17 de janeiro de 2022. Chamamos para que esta semana seja uma outra razão para revolucionários, indivíduos e coletivos, na Grécia, na Europa e no mundo inteiro, demonstrarem sua solidariedade por todos os meios possíveis, de todas as formas que julgarem adequadas, pelos 34 anos de terras libertadas da Biologica Squat, as quais agora estão sob ameaça de despejo. Todo despejo tem seu preço. Prepare-se, cuide-se, solidariedade é a nossa arma.

Tirem as Mãos da Ocupação Biologica!

Na quinta-feira, 18 de novembro de 2021, percebemos algumas “mudanças” dentro do edifício da Biologica e, mais especificamente, na área do saguão; a instalação de placas de gesso bloqueava metade do espaço ao deixar um corredor entre as duas entradas do edifício. Ainda tiveram a audácia de deixar marcas distintas nas paredes, inclusive na parede da ocupação, ao prever sua demolição.

Depois de uma pesquisa relacionada no Ministério de Governança Digital e no “Diaygeia” Programme (plataforma online do governo), percebemos que, em 16 de setembro de 2021, foi deliberada a construção para um projeto de 1.320.600,00 de euros com o assunto: “PLANTA DO ESPAÇO INTERNO DO DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA NO TÉRREO PARA AS NECESSIDADES DA S.O.S. (School of Sciences, Escola de Ciências, o prédio adjacente)”. Seu plano requer que o projeto em questão seja entregue dentro de 16 meses a partir de sua publicação – da assinatura do acordo e dos planos, fica claro que pretendem transformar a área ocupada em uma “sala de espera”, algo “muito necessário” para a operação da escola. De fato, parece pelo acordo que a demolição das paredes está marcada para um período de até 4 meses a partir da assinatura (ou seja, até a metade de janeiro), o que torna a ameaça de despejo uma ameaça direta. Reitores e desenvolvedores da universidade já tomaram medidas para a reconfiguração dos espaços “utilitários” e sua finalização.

A Ocupação Biologica, sendo um espaço consistente de resistência pelos últimos 34 anos dentro do campus universitário da Aristotle University of Thessaloniki (AUTH), já recebeu diversos grupos, indivíduos, ideias e ações que não se limitam por fronteiras, barras e cercas. Atualmente, a ocupação provém espaços para a ocupação Terra Incognita, o Solidarity Fund for Prisoners and Persecuted Fighters e a Biologica, que se coordenam pela assembleia político-administrativa do espaço autogerido. Em separado das atividades de grupos e coletivos, várias iniciativas individuais acontecem no local, as quais almejam a difusão de ideias e propaganda por meio de ferramentas de contra-informação, autodidática e “fermentação” de tópicos referentes a lutas estudantis e lutas sociais mais amplas de dentro e fora do campo metropolitano.

Essa atividade geral do espaço se ergue como um obstáculo à normalidade dominante da doutrina “paz-ordem-segurança” e isso perturba o aparato estatal, que lança um ataque brutal. Despejos de espaços autogeridos e ocupações acontecem desde sempre na história de movimentos anarquistas e radicais; sendo assim, no último período, reconhecemos um agravamento no esforço de reprimir vozes que encorajam a resistência e a mobilização ao lado do governo democrático de Mitsotakis. Com as ferramentas de criminalização e de transformação dos espaços e indivíduos de resistência em alvos, ataques diretos às estruturas do espaço universitário têm o intuito de ganhar controle absoluto e de alcançar seus planos de gentrificação e de controle social mais amplo. Contam as ações: os despejos das ocupações da propriedade universitária – Terra Incognita, Rosa Nera, Vankuver Apartman -, o espaço autogerido A.S.O.E.E, os ataques à F.E.P.A e os danos extensivos nos espaços políticos ocupados, o futuro de contratação de guardas de segurança “especiais”, a inserção de máfias de drogas dentro das universidades, até a paródia recente da mistura do DNA e a perseguição de 14 militantes da Reitoria ocupada de NTUA em Atenas.

O espaço ocupado da Biologica foi escolhido por sua posição dentro do campus, é um ponto fixo de referência e uma parte integral de suporte prático e solidariedade às lutas estudantis contra o projeto de lei anti-educação de Kerameos-Chrissochoidis (Lei nº 4777/2021), a reestruturação geral da educação e a criação de uma força policial universitária. Essa lei, que foi votada da noite para o dia em meio a uma pandemia, é sobre a base mínima de ingressos, remoção de estudantes, questões disciplinares, bem como a entrada controlada nas universidades. Com essa lei como pretexto, abre-se caminho para a abolição de fato do asilo universitário e a prevalência do controle total, da vigilância e da exclusão de atividades e projetos políticos da comunidade universitária; trata-se de uma tentativa de esterilizar e despolitizar as lutas passadas e as presentes emergindo nas universidades através da abolição recente do asilo universitário.

A colaboração entre Estado e capital gostaria que continuássemos calados, mas temos outras intenções para seus planos repressivos de gentrificação. Vistos os procedimentos policiais, nós nos opomos à opressão e propomos auto-organização e solidariedade a nível local e internacional. Nesse contexto, formamos uma assembleia solidária aberta contra a ameaça de despejo da Biologica Squat. Coletivos e indivíduos, escolhemos defender a Ocupação Biologica política e socialmente, bem como emocionalmente, já que, para nós, é um ponto de encontro integral com eventos e estruturas de solidariedade e luta. Por esse procedimento em particular, tentaremos ser um obstáculo ao ataque que está por vir e prevení-lo coletivamente.

Nem um passo atrás, 34 anos não são suficientes

Nenhuma ameaça do Estado ficará sem resposta

Solidariedade com as ocupações e lutas estudantis

Assembleia aberta para a defesa da Ocupação Biologica

Fonte: https://enoughisenough14.org/2021/12/24/thessaloniki-hands-off-the-biologica-squat-solidarity-week-10-17-of-january-2022/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Vendaval. Nas nuvens,
veloz desfila o falcão:
um surfista no ar.

Ronaldo Bomfim

[EUA] Lançamento: “Sonhos de Anarquia e a Anarquia dos Sonhos – Aventuras nos Cruzamentos de Anarquia e Surrealismo”, de Ron Sakolsky

A corrente selvagem da anarquia corre profundamente pelo rio onírico do surrealismo. Aqui está então um livro de sonhos postos em movimento pela miríade de interações históricas e contemporâneas entre o surrealismo e um de seus cúmplices mais extraordinários: o anarquismo.

Uma história crítica vasta e compreensiva, documentando cuidadosamente as afiliações fugazes, e às vezes longas e conturbadas, de lendas surrealistas da França, Espanha, América do Norte e de quaisquer outros lugares, resultantes não apenas do anarquismo, mas também do trotskismo, stalinismo, comunismo de conselho, antifascismo e culturas indígenas. A obra magna de Ron Sakolsky.

>> Ron Sakolsky é um renegado das florestas tropicais cujos livros recentes incluem Creating Anarchy (Fifth Estate, 2005), Swift Winds (Eberhardt, 2009) e Scratching The Tiger’s Belly (Eberhardt, 2012); todos em direção de caminhadas fugazes que iluminam uma grande variedade de aventuras extraordinárias, armadilhas perturbadoras e impasses em trilhas constantes de desdobramentos de aquiescência mútua a apoio mútuo.

Dreams of Anarchy and the Anarchy of Dreams – Adventures at the Crossroads of Anarchism and Surrealism
Ron Sakolsky (Autor)
Editora: Autonomedia
Formato: Edição Impressa
Vinculação: pb
Páginas: 630
ISBN-13: 9781570273766
$24.95
autonomedia.org

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Na casca amarela
se esconde em vão a goiaba:
tantos bem-te-vis…

Anibal Beça

[Espanha] A história louca de “¡A las barricadas!” na SGAE franquista

Por David García Aristegui | 29/01/2021

A história de “¡A las barricadas!”, o hino da CNT (Confederação Nacional do Trabalho), é útil para reconstruir como era a cultura antes, durante e depois da ditadura de Franco. Muito tem sido dito sobre a censura, mas pouco sobre os mecanismos concretos de repressão pelos quais os artistas “descontentes com o regime” foram denunciados, julgados e expurgados em listas negras, o que os impediu de desenvolver qualquer atividade no setor cultural sob a ditadura.

“¡A las barricadas!”, uma Criação Coletiva feita na Prisão

Em agosto de 1936, em meio à Guerra Civil, “¡A las barricadas!” foi estreada em Barcelona, e tornou-se o hino da CNT anarco-sindicalista. Suas origens remontam a Varshavianka 1905, um hino revolucionário polonês escrito pelo poeta Wacław Święcicki enquanto ele estava preso por sua militância socialista. Święcicki escreveu a letra da Marcha dos Zuavos, uma obra cuja autoria ainda é incerta, mas que serviu como base para o poeta criar uma das composições revolucionárias mais populares de todos os tempos.

O sucesso da adaptação da Marcha dos Zouaves foi tal que logo transcendeu as fronteiras de Varsóvia e Polônia, e a Varshavianka 1905 – em espanhol, simplesmente La varsoviana – tornou-se o hino dos revolucionários russos. A adaptação russa é atribuída ao colaborador próximo de Lenin, o polaco Gleb Krzhizhanovsky, que, como Święcicki, compôs a letra enquanto estava na prisão. Na origem ¡A las barricadas! foi popularizada como A Marcha triunfal – ¡A las barricadas! é importante o papel de Valeriano Orobón Fernández, um anarco-sindicalista, como a maioria dos envolvidos em ¡A las barricadas!

Há pelo menos duas versões da origem da adaptação de La varsoviana. O primeiro relato dos eventos é que a ideia nasceu em um concerto dado por anarco-sindicalistas exilados nas instalações das Juventudes Libertárias em Madri. Durante esse concerto, o companheiro de Orobón, Hildegart Taege, traduziu simultaneamente a letra da música que foi apresentada em alemão. La varsoviana teve um impacto particular sobre o jornalista e fundador das Juventudes Libertárias, Jacinto Toryho, que sugeriu a Orobón que a canção deveria ser adotada como um hino revolucionário.

Há outro relato dos eventos, no qual Alfred Schulte, exilado por suas ideias anarco-sindicalistas, canta La varsoviana na banheira e Orobón Fernández irrompe no banheiro para descobrir que canção ele cantava. A letra foi traduzida por Hildegart Taege e tornou-se a base das ¡A las barricadas! Independentemente de sua origem, o fato é que a adaptação de La Varsoviana foi encomendada em 1936 ao músico Joan Dotras Vila e foi gravada no selo Odeon, com o Maestro Millet e o Orfeó Catalá. A partitura foi impressa e distribuída, e o nome de Joan Dotras aparece nela, o que levou à sua posterior prisão durante o regime franquista.

No interessante livro de Ferrán Aisa ECN 1 RADIO CNT-FAI Barcelona. La voz de la Revolución mostra que tanto ¡A las barricadas! como o hino irmão Hijos del Pueblo (Filhos do Povo) foram essenciais na programação da ECN 1, a estação de rádio CNT-FAI, onde Jacinto Toryho desempenhou um papel muito proeminente em sua organização.

A Comissão Depuradora dos Membros e Administrados da SGAE

Um estudo detalhado de ¡A las barricadas! foi realizado pela historiadora M. Encarnació Soler i Alomà. Ela esclarece a origem obscura do trabalho e a repressão sofrida por Joan Dotras Vila, pelo menos por um breve período de tempo, pela ditadura franquista. Encarnació Soler é, até onde sabemos, a única acadêmica que informou sobre a atividade da Comissão de Depuração dos Membros e Administrados da SGAE.

Esta comissão estava encarregada de decidir quais autores poderiam se beneficiar da cobrança de royalties e quais não poderiam. Deve-se notar que se um autor não recebesse royalties, suas obras não entrariam no domínio público: o dinheiro gerado era simplesmente distribuído entre os outros membros, entre eles Francisco Franco sob o pseudônimo de Jaime de Andrade, nome sob o qual o ditador assinou o romance “Raza”, que inspirou o filme com o mesmo título.

O libretista Manuel Fernández Palomero estava encarregado de denunciar os sócios que ele considerava descontentes com o regime, como foi o caso de Dotras Vila por causa de suas ligações com a CNT, com o qual colaborou em diferentes produções devido a seu contato anterior com Toryho. O julgamento de Dotras Vila começou em 1939 e não foi concluído até 1941. Temendo a prisão, o compositor reconstruiu sua carreira e declarou que “em agosto de 1936, sob ameaça de elementos anarquistas, fui obrigado a harmonizar e instrumentar uma canção polonesa intitulada La Varsovienne, uma obra até então desconhecida para um filme documentário”.

Dotras acrescentou elementos a suas declarações até que se tornou credível que ele era de fato um quinto colunista (um espião para o lado de Franco). Para apoiar esta história, ele renunciou aos direitos de ¡A las barricadas!, dizendo que desde o início ele não havia buscado nenhum tipo de atribuição (lembre-se que seu nome é o único que aparece nas pontuações que foram publicadas), mas que a CNT-FAI não havia atendido a seus pedidos.

O estudo da historiadora Encarnació Soler termina em 1942, quando Dotras voltou a integrar a SGAE de Franco, renunciou aos direitos de qualquer trabalho produzido durante a Guerra Civil e foi nomeado professor e posteriormente diretor do Conservatório Municipal de Música de Barcelona. ¡A las barricadas! permaneceu uma obra de domínio público.

Mas a jornada de Dotras não termina aí, e felizmente outra historiadora reconstruiu parcialmente os passos de Dotras franquista este já perfeitamente integrado na ditadura e em suas peculiares indústrias culturais.

O Dotras Franquista

A historiadora Marta Ruiz Jiménez, responsável pelo site Trienio Liberal, consultou as edições do ABC da época para reconstruir os passos do arranjador que renunciou a seu papel em ¡A las barricadas! Dotras gozou de certa popularidade como um autor e à medida que ele se estabeleceu cada vez mais dentro da ditadura, algo muito desejado pelos autores da época veio naturalmente: a assunção de cargos de responsabilidade dentro da SGAE franquista, da qual ele foi inicialmente expurgado.

O fim para Dotras é o pior que se poderia imaginar: ele acabou envolvido em um dos numerosos casos de negligência e corrupção de que a SGAE sofreu em sua longa e acidentada história, com escândalos recorrentes e problemas econômicos de todos os tipos. Nada surpreendente quando se olha a história da entidade com uma certa perspectiva.

Tanto o funcionamento específico da Comissão de Depuração dos Membros e Administrados da SGAE, como também as entradas e saídas da SGAE no final do período franquista e seu descolamento após a dissolução do Sindicato Nacional do Espetáculo do qual fazia parte, ainda não foram escritos.

Mas o caso do hino anarco-sindicalista ¡A las barricadas! e todas as pessoas ligadas à sua criação nos lembram duas coisas: que a autoria é tudo menos simples. E que a história da SGAE franquista e sua maquinaria repressiva ainda não foi contada.

Fonte: https://www.nortes.me/2021/01/29/la-loca-historia-de-a-las-barricadas-en-la-sgae-franquista/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sol no girassol.
Sombra desenha outra flor
no corpo dourado.

Anibal Beça

[Argentina] Até que ponto as ideias anarquistas ainda estão vivas? 5 livros sobre o sonho revolucionário de liberdade

Da ficção, da poesia, da pedagogia e do documento histórico, autores e editores continuam a abordar a ideologia ácrata para confrontá-la e combiná-la com este estranho presente.

Por Luciano Sáliche | 08/11/2021

Simón Radowitzky estava se manifestando com milhares de trabalhadores naquele 1º de maio de 1909, quando a polícia começou a reprimir. Os depoimentos da época dizem que todos estavam reunidos ouvindo discursos de lideranças anarquistas quando as balas chegaram. Ramón Falcón, o chefe de polícia da capital, ordenou que 120 homens a cavalo atirassem na multidão. O saldo: quatorze mortos e oitenta feridos. Nos dias seguintes houve perseguição aos anarquistas, fechamento de dependências sindicais, estado de sítio, greve geral e mais repressão. Mais de 50 mil pessoas participaram do enterro dos mortos e os militares mais uma vez reprimindo. O Estado concordou com as centrais operárias e elas levantaram a greve. Esses dias de luta e morte são conhecidos como Semana Vermelha. MasSimon Radowitzky não estava pronto para virar a página. Ele queria justiça, ele queria vingança; ele sabia como conseguir.

Radowitzky chegou à Argentina em março de 1908. Ele tinha quinze anos. Nascido em 1891 no Império Russo, atual Ucrânia, ele abandonou a escola primária aos dez anos para ser ferreiro. Aos quatorze anos entrou em uma metalúrgica e durante uma manifestação pela redução da jornada de trabalho foi ferido por um sabre cossaco: permaneceu na cama seis meses e preso por mais quatro. Ele decidiu fugir quando, depois de participar de um soviete durante a Revolução de 1905, a repressão czarista o condenou à Sibéria. A Argentina o recebeu com organização trabalhista e massacres. Então ele desenhou seu próprio plano de justiça. Em 15 de novembro de 1909, ele colocou uma bomba caseira no veículo que Ramón Falcón viajava, no cruzamento da Callao com a Quintana. Quando os policiais o detiveram, ele gritou em estado de euforia “Viva o anarquismo!” acreditando que ele seria executado no local. Uma longa série de torturas e perseguições o aguardava. No entanto, seu objetivo foi alcançado.

O que significa anarquia nestes tempos, mais de um século depois da Semana Vermelha, da Patagônia Rebelde, da Semana Trágica? Como foram redefinidas as ideias daquela incipiente organização de trabalhadores que deram suas vidas pelo fim da exploração? Quanto mudou o mundo em todos esses anos e até que ponto essa chama ainda está acesa? Em tempos em que a internet caricatura ideais e comprime tudo em consumo irônico – basta olhar para os auto percebidos libertários que traficam em conceitos anarquistas em busca de mercados livres – ainda existem escritores e editores que sentem a necessidade de trazer velhas ideias anarquistas para nosso presente de um lugar de crítica, sensibilidade e inteligência. Não se trata de reproduzir os mantras das revoluções frustradas do passado, mas de contextualizar essas ideias, situando-as num correlato histórico, abordando-as desde os diversos gêneros, encontrando a sua nobreza, as suas contradições e os seus limites, e não encerrar os sentimentos de liberdade que, como disse Pierre-Joseph Proudhon, “ela não é a filha da ordem, mas sua mãe.”

Da ficção, dois romances recentes agitam fortemente a bandeira. Uma é Constantino, de Matías Buonfrate, publicado este ano pela Indómita Luz. O protagonista Constantino Silva é um anarquista de 1900 reencarnado numa moderna família burguesa e religiosa. Sua mente está intacta: ele pensa, sente e sabe o que está acontecendo, mas seu corpo é uma prisão: é difícil para ele falar, é difícil para ele se mover, é difícil para ele se comunicar: ele é um bebê. Papai Noel trouxe para ele “um livro de histórias ilustradas sobre dois irmãos imigrantes perdidos na floresta, uma camiseta com um urso de cabelo roxo e um objeto de plástico. Chamavam-no de mordillo e Constantino mastigava para acalmar a ansiedade de não poder fumar. Não eram presentes ruins, embora Constantino preferisse um punhal e uma camisa vermelha”. Na sua família e no novo mundo reconhece os “velhos truques da burguesia do início do século XX”, bem como vê que “o adversário era o mesmo” e que “só os seus caminhos mudaram: mais sutis, alegres e mortal”. Ele também observa que o atual “ideal de liberdade” é “escolher a melhor forma de ser explorado”.

O bebê cresce, aprende a controlar melhor o corpo, a se mover, a se esconder e se atualiza olhando a internet quando os pais dormem. Você sabe que tem que ir logo. Há um plano maior: ele não é o único anarquista na Irmandade que reencarnou. Ao iniciar o jardim, ele se depara com a lei da selva controlada por Dona Romina, uma mulher que treina crianças “nas bases ideológicas do capitalismo”. Eles o submetem ao jogo da cadeira e o pequeno anarquista o vê como uma competição acirrada. Eles também colorem centenas de flores para transformar o instituto em um jardim. Como em sua primeira vida, Constantino se viu envolvido em um trabalho ridículo, pelo qual não recebeu o pagamento adequado. Ele pensou em montar um sindicato”. Tudo muda quando ele descobre que Mica, sua amiga loira de olhos azuis, é Otálora, sua colega anarquista que foi espancada até a morte há mais de um século. Juntos, eles devem roubar o dinheiro da instituição e encontrar Irene, uma espécie de guia, para cumprir o objetivo que os fez reencarnar.

Outra novidade é a Dinamite Modesta, de Víctor Goldgel, editada pelo selo Blatt & Ríos. “Morri às duas da tarde. Não havia tímpanos para anunciar o momento, nem melodias de Bach, nem anjos tocando aquelas longas trombetas que eles têm. Só ouvi o zumbido de uma mosca e me lembrei do Raimundo. Da estrela negra na testa”. É assim que este livro começa. Quem fala é Floreal, um anarquista que viveu os primeiros anos do século 20 quando o sonho revolucionário da liberdade latejava. Ele é o protagonista, o fio condutor da história, mas há mais vozes que se amalgamam nesta polifonia realista. O romance não só se destaca por narrar o tempo com lupa límpida e por fazê-lo com uma linguagem tão precisa que às vezes comove, mas também por iluminar o fundo humano: tristezas, decepções, contradições, obsessões, veemência e os sonhos de uma classe explorada que se recusa a se cobrir com o manto da resignação. “Como disse Bakunin, não somos filhos de nossos pais, mas do futuro”, diz.

Modesta Dinamite também narra a vida anarquista da época: as gráficas, as fábricas, as ruas lotadas, a miséria que surge entre os paralelepípedos, as mobilizações, os exilados, as perseguições, a pátria dos imigrantes, as famílias cansadas, o trabalho para obra por peça, militância, o “carrossel sinistro” que é a roleta da vida, a esperança de não cair, de continuar a subir ao topo da árvore da emancipação popular. E no meio da história, Víctor Goldgel desliza conceitos que marcam como ácido a nossa estranha era individualista: “O que é esse? Um frenesi. Qual é? Uma ilusão; uma sombra, uma ficção. Aquele que está sozinho sonha e vive naquele engano confinado, mostrando selfies, opinando sobre qualquer assunto, dizendo eu, eu, eu, sem perceber que nada mais faz do que repetir as mesmas falas que todos repetem: os deuses morreram, o dólar subiu novamente, a eterna Juventude. Todos sonham que são um e vendem suas almas pelos mesmos espelhos coloridos. Todos, exceto aqueles que não: os anarquistas”.

As famílias operárias organizadas no anarquismo sempre se preocuparam com o futuro de seus filhos – não só o material, mas também o ideológico -: como vivê-lo plenamente. Anarquia explicada para as crianças é uma publicação que circulou em 1931. O autor éJosé Antonio Emanuel, um dos pseudônimos do pedagogo malaguenho José Ruíz Rodríguez, primo-irmão de Picasso e promotor de escolas para meninos e meninas em situação de rua. “Esta brochura foi escrita para responder à pergunta que vários camaradas nos fizeram: Como vou educar meus filhos?”, diz a nota a editorial. Na última década, este documento histórico foi publicado por editoras da América Latina. A edição de Libros del Zorro Rojo traz ilustrações da Fábrica de Estampas. O livro, aparentemente infantil, é formativo: “A anarquia, queridos filhos, é a doutrina que, ao não se conformar com a organização que foi impressa na humanidade, desde o momento em que começaram a criar a Sociedade, tenta dar uma constituição à vida baseada nos princípios sacrossantos do amor universal e da solidariedade humana”.

Que sensibilidades correram nas veias dos anarquistas do final do século XIX e início do século XX? Material histórico direto, enriquecido pela tensão poética e desenvolvido com a prosa literária, é lido em Contra toda autoridade: Literatura anarquista do Rio da Prata (1896-1919), publicado este ano pela Tren en Movimiento. Em suas 191 páginas, textos escritos no vibrante calor de sua época são agrupados, separados em eixos temáticos que vão do amor e da sensualidade, passando pela religião, indigenismo e humor, até a revolução e a fraternidade. Existem ilustrações, recortes, literatura brilhante e muitos textos com pseudônimos anônimos ou não rastreáveis. Horacio Tarcus explica no prólogo que “os mesmos poemas e histórias idênticas são frequentemente reproduzidas nas duas margens do Prata; escritores e jornalistas libertários vêm e vão, levados pelo exílio, pelos compromissos militantes ou pela busca de novos horizontes”. A compilação e introdução ficaram a cargo de Daniel Vidal e Armando V. Minguzzi, e a edição a cargo de Matías H. Raia.

Longe de ficar preso à linguagem solene do desespero político, o livro mostra que o imaginário anarquista é uma joia que brilha no tempo. A composição de um Hino Anarquista com música do Hino Argentino e a escrita de um Catecismo de Doutrina Anarquista – em vez de “Ave Maria” está a “Ave Bourgeoisie” que começa: “Teu Deus te salve, Burguesia, você está cheia de podridão, a ignorância está com você, maldito seja você entre todas as tiranias…”- relatam a facilidade de apropriação de narrativas hegemônicas e ressignificá-las com criatividade e humor. Há também cenas do cotidiano, como o texto curto de Rafael Barret em que um casal anarquista se beija no parque; de repente eles querem fazer sexo, mas seu filho recém-nascido os observa. A paixão sexual sobe, desajeitada e arrebatadora, contra a vergonha e a ternura da criatura. É uma cena linda, íntima e universal. A greve, a exploração, o lazer – “hoje a fábrica silenciou” – e a própria vida são temas recorrentes que mostram, não com muita surpresa, que naquela época o mundo se tornou tão difícil quanto hoje.

Ao contrário de Radowitzky, Severino Di Giovanni foi condenado à morte. Eles atiraram nele em 1º de fevereiro de 1931. Gabriel Rodríguez Molina trouxe aquele momento trágico para as páginas de seu livro: Severino, uma coleção de poemas em prosa publicada em 2020 pela Editorial Sudestada, a Monólogo poético em primeira pessoa, a libertação do anarquista italiano que chegou à Argentina fugindo do fascismo, mas não de seus ideais. “Um anarquista sempre quebra o silêncio. Isso é exatamente o que um anarquista faz, quebrar o silêncio, gritar. É o que os fascistas falavam, eles gritavam, até as bombas chegarem. Os fascistas ficaram com medo das bombas. Alvear estava com medo. Mussolini estava assustado”. A história busca reconstruir o que a história não conseguiu: a voz interior de um mártir prestes a morrer. “Só os fascistas têm o direito de matar por uma causa?”, diz ele. “Os rostos dos mortos, disseram-me, eram irreconhecíveis. Como seu amor pela bandeira italiana. Como sua devoção a Mussolini”. Já no final, no epílogo, Rodríguez Molina ensaia “questões sobre a morte” assim: “Por que um corpo não é capaz de escolher seu fim?”.

Fonte: https://www.infobae.com/cultura/2021/11/08/que-tan-vivas-siguen-las-ideas-anarquistas-5-libros-sobre-el-revolucionario-sueno-de-la-libertad/

Tradução > GTR@Leibowitz

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agência de notícias anarquistas-ana

cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

Paulo Leminski

[Alemanha] Das Haus der Unbekannten – A Casa dos Desconhecidos

Procurando por um nome para nossa casa, tivemos várias ideias apropriadas, como Ella, Lina ou Semra Ertan. Mas, como não queríamos nos limitar a um tópico ou nome, decidimos tentar representar todos eles.

Todos nós somos – mais ou menos, de uma maneira ou de outra – reprimidos por um sistema capitalista e colonial.

Nós nos importamos com todos e todas. Com encarcerados e encarceradas, refugiados e refugiadas, oprimidos e oprimidas, sobreviventes, assassinados. Todas essas pessoas, lutando batalhas que continuam invisíveis. E queremos que nossa casa seja um lugar no qual suas histórias sejam lembradas.

Seu nome deveria expressar que há muitos indivíduos, os que conhecemos e os que nunca tivemos oportunidade, embora também sejam parte da luta por um mundo melhor. E, independentemente de estarem lutando para sobreviver ou para tentar resistir à opressão e à violência do Estado, e não importa que tipos de antecedentes tenham, sua luta é sempre um anseio pela liberdade. Não apenas queremos venerar ativistas conhecidos, encarcerados e os que já nos deixaram, queremos também apreciar e reconhecer os guerreiros e guerreiras invisíveis e esquecidos. Sabemos que não podemos cobrir todos os assuntos, mas, não obstante, tentaremos apresentar aqueles e aquelas que não têm o devido reconhecimento e que gostaríamos de trazer à atenção das pessoas.

Nossa casa deveria ser um memorial e um lugar em que encontramos segurança e força. Um local que nos protege da repressão da sociedade conservadora, um abrigo no qual fazemos planos para as batalhas que estão por vir e desenvolvemos novas perspectivas. Em que nos questionamos e em que crescemos como movimento.

Queremos colocar esses pensamentos na prática diária de nosso trabalho político. Nós nos organizamos, portanto, todos os domingos para um café em frente a casa que deveria contemplar diferentes indivíduos e assuntos todas as vezes. Queremos continuar nosso trabalho com filmes, oficinas, seminários e discussões autocríticas.

Convidamos a todos e todas para participar de nosso café e trazer novas perspectivas para que possamos refletir juntos sobre as múltiplas facetas da resistência e do ativismo. Você está cordialmente convidado ou convidada a contribuir conosco para que todos possamos aprender juntos. Sinta-se livre para entrar em contato via hausderunbekannten@riseup.net.

De acordo com o lema dos Zapatistas: por um mundo no qual muitos mundos encontrem paz.

É hora de ousar a dar um passo revolucionário e nos libertarmos das velhas estruturas. Vamos ousar fazer algo novo, algo que crie novas esperanças.

Ficaremos!

Revolução em Lützerath!

Fonte: https://hausderunbekannten.blackblogs.org/2021/12/12/das-haus-der-unbekannten-vorstellung/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

neva lá fora
gato à lareira
silêncio na vila

Zezé Pina

[Canadá] Ajude a Salvar a Spartacus Books em Vancouver, BC

Chamado para apoiar a antiga infoshop radical e livraria Spartacus Books em Vancouver, BC.

A Spartacus Books é uma infoshop sem fins lucrativos, voluntária e coletivamente gerida em territórios desproprietários na Costa Salish. Estamos em funcionamento por quase 50 anos e provemos acesso a livros e zines radicais que são difíceis de serem encontrados em qualquer outro lugar na assim-chamada Vancouver, operando também como um centro de recursos comunitário e (antes do Covid) um espaço para eventos.

Estamos nos mudando para uma nova localidade e a mudança trouxe muitos atrasos e custos inesperados, e nos colocou em uma posição financeira precária com as renovações, remoção de mofo, pagar aluguel em duas localidades por dois meses etc. Buscamos ajuda da comunidade para nos ajudar com a mudança e todos esses outros assuntos ao doar para a nossa campanha e arrecadar fundos para alguns desses custos inesperados que foram trazidos pela mudança.

Como dizemos em nossa base de unidade, apesar do contexto desfavorável, entendemos que a luta é contínua e perseveramos. Queremos perseverar! Por favor, confira nossa vaquinha (fundrazr.com/d1vjtb?ref=ab_AtogvpMF2PYAtogvpMF2PY) para mais informações e compartilhe o quanto for possível. Se quiser saber mais sobre a Spartacus Books, temos também um website (spartacusbooks.net).

Amor e Solidariedade,

Spartacus Books

Fonte: https://itsgoingdown.org/help-save-spartacus-books-vancouver/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

a chuva no charco
traça círculos
sem compasso

Eugénia Tabosa

[EUA] Resistência para Defender a Floresta de Atlanta da ‘Cop City’ Continua Após Ataques da Polícia

Sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Na semana passada, a polícia atacou um acampamento que crescia em defesa da floresta de Atlanta. Ambos a polícia e o Blackhall Studios (por trás de filmes de sucesso como Venom e Jumanji) esperam desmatar parte da floresta de Atlanta para construir um centro de treinamento policial e expandir o espaço existente de produção do Blackhall.

Em resposta, uma campanha comunitária em ampla escala se desenvolveu unindo ambas as forças abolicionistas e ambientalistas, utilizando uma ampla gama de táticas. O IGD foi à fundo no projeto e em como a população local está construindo oposições de base a ele em publicações anteriores.

Em uma declaração postada no Defend the Atlanta Forest, no Twitter:

Nas últimas seis semanas, defensores da floresta têm mantido um acampamento na floresta de Atlanta em Entrenchment Creek, onde o futuro da sobrevivência do clima de Atlanta está sob ameaça para o desenvolvimento de uma estação de som do Blackhall Studio e da Cop City [em inglês, ‘Cidade dos Policiais’] da Atlanta Police Foundation [Fundação da Polícia de Atlanta]. A mata sendo defendida, próxima ao South River [Rio Sul], é uma das mais densas, maiores e mais biodiversas coberturas florestais em Atlanta – crucial para atenuar enchentes e o efeito “ilha de calor” urbano. A cidade em si identifica essa terra como necessária à futura habitalidade de Atlanta.

A porção do South River da floresta em que o acampamento ficava é conhecida como um dos “pulmões de Atlanta.” Qualidade do ar, cheias, temperaturas, habitat e qualidade de vida dependem dela. Políticos de Atlanta e do Condado de DeKalb podem estar dispostos a vender o sul de Atlanta e o clima em favor dos lucros de Hollywood e do parquinho da polícia, mas muitas pessoas comuns demonstraram que não aceitamos a destruição da floresta. Queremos um futuro habitável e lutaremos por ele.

O acampamento foi uma parte da luta. Centenas de pessoas circularam por ele, aproveitando as refeições e performances, criando arte em conjunto e passando um tempo entre fogueiras — construindo e compartilhando uma vida na mata.

Na sexta-feira, o acampamento foi atacado e as estruturas foram destruídas pelo Departamento de Polícia do Condado de DeKalb, auxiliado pelo Departamento de Parques e Recreação de DeKalb e pelo Departamento de Polícia de Atlanta. Os defensores de terras e residentes de Atlanta se mobilizaram rapidamente para recuperar os recursos do acampamento e os pertences e não houveram prisões. Enquanto é devastador ver funcionários públicos e da polícia destruírem algo tão bonito criado em comunidade, a destruição do acampamento ainda não é a destruição da floresta. A luta para defender, proteger e expandir a Floresta de Atlanta continua.

Com base nas declarações de funcionários do Condado, acreditamos que o ataque ao acampamento foi orquestrado pelo DeKalb PD a pedido do BlackHall, que não é legalmente proprietário do parque e que estão impedidos de desmatar as terras adjacentes por um processo iniciado pela SRWA.

Isso mostra o que já sabemos: a polícia trabalha para o capitalismo, para proteger lucros e resultados, não para nós. Não é uma coincidência que os patrocinadores da #CopCity são as maiores empresas e famílias ricas de Atlanta, incluindo o Blackhall Studios. A #CopCity é a solução dos capitalistas às mudanças climáticas. Por todos os Estados Unidos, vemos pessoas ricas pelo espectro político, com o auxílio da mídia, justificando investimentos bilionários na polícia para impor a ordem social e o capitalismo racial enquanto a Terra derrete & uma pandemia se alastra.

Mas o que a Cop City nos oferece, rejeitamos: uma força policial “melhor”, encarceramentos e assassinatos mais eficientes, um local de treinamento para nos encher de gás lacrimogêneo, explosões que abalam as moradias vizinhas enquanto há um aumento nas cheias, mais vigilância e controle, a proteção do lucro empresarial acima das pessoas.

E o que o Blackhall nos oferece, recusamos: mais distração, programas de TV ruins que nos tiram das nossas vidas e nos permitem ignorar o apocalipse climático. Desenvolvimento amplo, aluguéis muito mais altos, mais migração e devastação — condomínios cinzentos vazios onde já estiveram loteamentos públicos e florestas de pinheiros.

Talvez tenhamos perdido um dia, mas esta luta é para a vida.

Foda-se a polícia! Defendam as florestas! Libertem a terra!

Apesar do ataque, a resistência se mantém. De acordo com uma postagem do Scenes from the Atlanta Forest, um site de contra-informação coletando relatórios de ação e comunicados, foram pendurados banners em frente a casa do Presidente da empresa de construção Reeves Young, a qual, de acordo com os ativistas, foi contratada para desmatar parte da floresta de Atlanta.

Do comunicado:

No final de dezembro, decidimos visitar o primeiro distrito, a casa de Dean e Patty Reeves. Dean Reeves é o presidente da empresa de construção Reeves Young, a empresa contratada para destruir parte da floresta do sul de Atlanta para construir a Cop City. Sua residência na Blackwater Way, nº 4682, em Suwanee, GA, é parte de uma comunidade alegadamente de alta segurança a portões fechados, mas aparentemente é bem fácil entrar nela com um pouco de ingenuidade. Deixamos uma pequena mensagem nas árvores de trás de suas casas para encorajá-los a fazer a coisa certa. Esperamos que essa ação lhes proporcionem uma fração do que as criaturas na floresta do sul de Atlanta que querem desmatar sentem: insegurança no local que chamam de lar. É ruim, não é mesmo…

Atualizações serão postadas pelos movimentos Defend the Atlanta Forest e Scenes from the Atlanta Forest.

Fonte: https://itsgoingdown.org/resistance-cop-city-atlanta-continues/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

“Vá embora, vá embora”,
é o que as pessoas me dizem –
O ano chega ao fim.

Imbe Rotsû

[Espanha] Barcelona, 30 de Dezembro: marcha para o CIE de Aluche

30 de dezembro às 19 horas – Eugenia de Montijo

CONTRA OS CIES, AS NAÇÕES, AS FRONTEIRAS E O SISTEMA QUE OS PERPETUA

Em 17 de maio de 2021, um conflito geopolítico entre os estados espanhóis e marroquinos levou à abertura das fronteiras no Marrocos, com a consequente travessia de pessoas em condições desumanas ao longo das praias fronteiriças entre os dois países. Em resposta, o Estado espanhol aumentou a presença militar em Ceuta, conduzindo “devoluções quentes” e outras negociações vexatórias, reduzindo as pessoas a meras mercadorias. Em 30 de agosto deste ano, devido a interesses militares e econômicos, uma situação insustentável surgiu no Afeganistão, obrigando as pessoas a deixarem o país.

São exemplos claros do papel que a democracia e o capitalismo desempenham na gestão de nossas vidas, por meio do desenvolvimento de infraestruturas, controle dos fluxos populacionais, tratados, leis e fronteiras. Tudo isso gera um importante negócio que busca controlar as populações oprimidas e utilizá-las para suas miseráveis ​​negociações e jogos políticos.

Neste quadro, as infraestruturas desenvolvidas pelo Estado são os CIES (centros de detenção de estrangeiros). Os CIES cumprem a função de acondicionar os migrantes para garantir a sua deportação, ou seja, uma infraestrutura desenvolvida para privar as pessoas da sua liberdade por serem estrangeiras, sendo este o culminar da violência racista que o sistema democrático exerce para manter a ordem estabelecida. Em suma, os CIES são um eufemismo para prisão, uma vez que tanto os CIES quanto as prisões estão inseridas na mesma lógica democrática: a repressão dos oprimidos em prol dos interesses dos opressores.

Por isso, consideramos necessário contrariar a existência destas infraestruturas e de todo este enquadramento que apenas pretende converter-nos em mercadoria para o seu controle e negócio. Queremos mostrar a nossa solidariedade para com todas as pessoas que se encontram presas, quebrar a monotonia imposta por estes muros, mostrar as condições em que se encontram e toda a rede e negócios que estes presídios escondem. Procuramos que eles não sejam esquecidos. Queremos transmitir a eles que não estão sozinhos e aos seus tutores, que não se sentem impunes.

Não queremos as situações que estão ocorrendo nas fronteiras, nos CIES, nas incursões racistas e na precariedade a que este sistema nos condena diariamente a oprimidos. Não queremos que estas situações sejam esquecidas, nem queremos esquecer as várias revoltas e motins que ocorreram nos CIES e as manifestações de solidariedade que se deram de fora, pois é necessário continuar a agitar e a lutar desde então. O silêncio, a obediência e a inação nos tornam cúmplices de uma estrutura social que precisa do racismo e do resto da opressão para se manter de pé.

DEIXE OS PRISIONEIROS SAIR, DEIXE OS CIES QUEIMAR!

Tradução > GTR@Leibowitz__

agência de notícias anarquistas-ana

Enquanto agachado
Ao lado da chaleira
Como faz frio!

Naitô Jôsô

[Bielorrússia] Quatro Anarquistas Bielorrussos Recebem Penas Prolongadas em Meio a Repressão da Dissidência

Um tribunal em Minsk sentenciou quatro ativistas anarquistas a penas prolongadas em meio a ações punitivas contínuas àqueles que desafiam os resultados oficiais das eleições presidenciais do ano passado, na qual Alyaksandr Lukashenka foi vitorioso.

O juiz do tribunal regional de Minsk Valer Tuleyka, no dia 22 de dezembro, sentenciou Ihar Alinevich e Syarhey Ramanau a 20 anos de prisão, enquanto Dzmitry Razanovich foi condenado a 19 anos e Dzmitry Dubouski a 18 anos.

O tribunal declarou os acusados culpados de terrorismo e de posse e uso ilegal de armas e explosivos. Dubouski e Alinevich foram também condenados pelo transporte ilegal de armas de fogo e de explosivos pela fronteira.

Os quatro homens foram condenados no final de outubro de 2020, depois de serem detidos enquanto tentavam atravessar a fronteira da Bielorrússia com a Ucrânia. Todos eles rejeitam as acusações como politicamente motivadas.

O julgamento, que ocorreu entre portas fechadas, teve início na metade de novembro.

Investigadores declararam que os anarquistas incendiaram múltiplos carros de polícia durante os protestos, bem como um edifício da polícia rodoviária e a sede do Comitê Estatal Forense na região sudeste de Homel.

Ativistas de direitos humanos e políticos de oposição dizem que a votação foi manipulada para estender o governo de 26 anos de Lukashenka. Milhares foram detidos durante protestos por todo o país e houveram notícias críveis de tortura e maus-tratos por forças de segurança. Várias pessoas morreram durante a repressão.

Muitos dos líderes da oposição da Bielorrússia foram presos ou forçados a deixar o país, enquanto Lukashenka se recusou a negociar com a oposição.

Os Estados Unidos, a União Europeia e vários outros países se recusaram a reconhecer Lukashenka como o vencedor da votação e impuseram várias sanções a seu regime, citando fraude eleitoral e repressão policial.

Fonte: https://www.rferl.org/a/belarus-anarchists-sentenced-arms/31621075.html

Tradução > Sky

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/12/24/bielorrussia-18-a-20-anos-de-prisao-para-anarco-partisans-bielorrussos/

agência de notícias anarquistas-ana

do orvalho
nunca esqueça
o branco gosto solitário

Matsuo Bashô

 

[França] Anarquistas: uma história curta mas apaixonante

O nascimento de uma força

Logo após o nascimento do capitalismo moderno no século XIX, e no contexto de lutas generalizadas contra a exploração e o Estado, o termo “anarquista”, como é entendido hoje, começou a ser usado por revolucionários que romperam com a lógica reformista ou burguesa de seu tempo.

Em um contexto de revoltas em grande escala nas quais o capitalismo havia se enraizado, sob o impulso de novas formas de Estado, e após a revolução de 1848 na França, Proudhon, Coeurderoy e ainda mais Joseph Déjacque, exilado nos Estados Unidos, formularam uma crítica conjunta do Estado e do capitalismo. Max Stirner, um pensador amaldiçoado até hoje, desenvolveu reflexões fascinantes sobre o indivíduo, em grande parte em desacordo com seu tempo. Marx formulou uma crítica geral do capitalismo, mas baseada na economia e marcada pelo determinismo e por uma concepção “científica” da história.

A partir das experiências radicais da Primeira Internacional, da Comuna de Paris (1871) ou das contribuições de Bakunin, as tendências ativas do movimento operário ou camponês se diziam anarquistas. A Espanha viu numerosas greves e movimentos insurrecionais (como a de Jerez, Andaluzia, em 1892) e viu o nascimento do grupo armado dos Desheredados (os Deserdados). Na Itália, Malatesta e outros camaradas tentaram uma insurreição na região de Matese.

Os movimentos foram fortemente reprimidos, e as correntes anarquistas divergiram sobre a questão da organização ou métodos a serem utilizados para alcançar uma sociedade liberada.

Nos anos 1880 e 1890, os anarquistas defendiam a ação individual, a expropriação, a “propaganda por ação” e a revolta armada para derrubar o poder. Pequenos grupos eram particularmente ativos, como a Bande Noire (banda negra) de Montceau-les-Mines, no norte da França.

O caso do corredor da morte de Haymarket em 1886 tornou os anarquistas conhecidos em todo o mundo.

Numerosas ações brilhantes foram realizadas: bombardeios, assassinatos de Sadi Carnot, o presidente francês (1894), do presidente espanhol do Conselho (1897), da Imperatriz Sissi (1898), depois do rei da Itália (1900) e de McKinley, o presidente americano (1901).

Era a época de Ravachol, os Trabalhadores da Noite e outros grupos e indivíduos menos conhecidos, como os ladrões de trens de Arles.

Muitos desses rebeldes foram enviados para a colônia penal de Cayenne, onde foram os primeiros a se rebelar e escapar: Placide Schouppe, Jules Clarenson, Honoré Leca, Léon Pélissard e outros.

Revolução em todos os lugares

Em 1905, os anarquistas tomaram parte ativa na revolução que abalou a Rússia. Eles formaram os primeiros soviets e tinham redes muito ativas, como no gueto judeu de Bialystok, um centro insurrecional sem precedentes na história libertária. Estas redes serviram como uma experiência para a ação na segunda revolução russa de 1917.

Desde seus primórdios, a história dos anarquistas tem sido uma história de imigração. Muitos libertários partiram para a Argentina, Estados Unidos ou América Latina, onde muitas vezes estiveram na origem das organizações ou iniciativas mais radicais da época. Os anarquistas espanhóis fundaram grupos e organizações em Nova York, América Central e do Sul. Publicações em Yiddish, alemão e italiano apareceram da América do Norte até Buenos Aires.

1909 foi o ano da “Semana Sangrenta” na Argentina. No vizinho Chile, o governo já havia massacrado os grevistas nas obras do salitre de Santa Maria Iquique um ano e meio antes.

Na Espanha, é convocada uma greve geral em Barcelona. A cidade estava coberta de barricadas e os edifícios religiosos foram incendiados. O educador libertário Francisco Ferrer foi fuzilado pela monarquia no final da “Semana Sangrenta”.

Em 1910, eclodiu a Revolução Mexicana. Os anarquistas, organizados dentro do PLM (Partido Liberal Mexicano), já haviam tentado numerosas insurreições contra a ditadura de Porfirio Diaz. Eles têm uma base de apoio entre os trabalhadores mexicanos nos Estados Unidos e estão em estreito contato com as correntes revolucionárias americanas.

Mais lúcidos que os Zapatistas (a outra corrente radical da revolução) sobre a questão do Estado, eles levaram o projeto mais coerente do período: abolir o Estado e o capitalismo, e unir os esforços dos trabalhadores, camponeses e comunidades indígenas. É a única corrente que é implantada ou ligada a estes três componentes do proletariado mexicano.

Após a década de 1910, o movimento operário foi agitado e sacudiu o capital em todos os lugares: propostas anarquistas haviam se espalhado por várias décadas e foram adotadas em larga escala nas lutas da época. A insurreição ou a greve insurrecional é defendida como o meio decisivo para desencadear a revolução.

Fala-se de anarquistas em toda parte: no Japão, onde onze rebeldes são executados no que será chamado de “incidente de alta traição” contra o Imperador. Na França, os ilegalistas, como os do Bando Bonnot, permaneceram ativos. Alexandre Britannicus foi assassinado e Joseph Renard executado em 1913.

Desenvolveram-se as correntes do sindicalismo revolucionário (para o qual o sindicalismo é autossuficiente), do anarco-sindicalismo (mais anarquista do que o primeiro) ou do anarquismo operário argentino. As duas últimas foram reforçadas após a guerra de 1914-18, especialmente na América Latina.

A Argentina estava à beira da revolução, e a FORA (Federación Obrera de la Región Argentina) estava na vanguarda das lutas sociais.

Na Espanha, os combates entre os pistoleiros dos chefes e a CNT anarco-sindicalista resultaram em centenas de mortes em ambos os lados.

Nos Estados Unidos e no Canadá, a IWW lutou muito no mundo do trabalho, às vezes com armas na mão, e sofreu uma repressão feroz. Havia uma mistura de trabalhadores itinerantes e vagabundos, anarquistas e trabalhadores de todas as origens. As redes da IWW se espalharam pelos países de língua inglesa através dos marinheiros do sindicato.

Os anarquistas têm uma forte presença nos movimentos dos trabalhadores na China e na Coréia, mas também em países como a Suíça e a Suécia.

Críticas anarquistas

Desde o início do século, nas Causas Populares em Paris ou nos Ateneus, um grande número de questões importantes relativas à educação, sexualidade, saúde e cultura foram discutidas, na maioria das vezes em clara ruptura com as concepções dominantes da época e sem especialistas. Isto deu uma forte consistência às propostas dos anarquistas, reforçadas por sua participação nos movimentos e na vida cotidiana. A ação direta é defendida como um motor essencial para transformar as relações sociais e destruir a exploração e o domínio.

É uma tentativa de acabar, pelo menos parcialmente, com as separações deste mundo: os anarquistas pegam em armas e praticam o naturismo ou se apresentam no teatro. Os expropriadores espanhóis atacaram bancos e financiaram a publicação da Enciclopédia Anarquista. Outro expropriador, o ítalo-argentino Severino Di Giovanni, publicou as obras do geógrafo libertário Elisée Reclus.

As mulheres eram especialmente ativas no movimento. Na Argentina, o primeiro jornal anarquista escrito por mulheres, La voz de la mujer (A Voz da Mulher), foi publicado em 1896… Teresa Claramunt na Espanha, He Zhen na China, Voltairine de Cleyre nos Estados Unidos e muitos outros camaradas lutaram pela emancipação das mulheres e de todos. Fumiko Kaneko, uma imigrante coreana no Japão, lê Stirner e planeja com sua companheira matar o imperador do Japão ou seu filho.

Na Alemanha, posições muito avançadas são comuns nos círculos anarquistas: Erich Mühsam faz intercâmbios com Freud e o revolucionário psicanalista Otto Gross, a homossexualidade é defendida por anarquistas como Adolf Brand ou Senna Hoy.

Da Rússia até a Espanha

1917 foi o ano da revolução russa: os anarquistas, tendo acreditado que as alianças com os bolcheviques de Lenin eram possíveis, defenderam as formas mais radicais utilizadas pelos movimentos operários e camponeses e se opuseram ao novo poder com as armas na mão. Foi a epopeia da Ucrânia (às vezes idealizada) anarquista, e depois a repressão, que destruiu o movimento revolucionário (Kronstadt foi derrotada em 1921).

Os sobreviventes logo estarão no gulag e terão que lutar na clandestinidade.

Durante 1919, uma grande parte da Europa viu experiências revolucionárias: a República dos Conselhos na Baviera, a comuna de Budapeste, os conselhos de fábrica em Turim.

Na Alemanha, os anarquistas participaram de uma espécie de governo revolucionário. Em Budapeste, seus camaradas, confrontados com uma situação semelhante, estavam divididos sobre a questão. Uma corrente, os Almassistas, rejeitou a colaboração com os comunistas autoritários liderados por Bela Kun.

A tomada do poder pelo governo desencadeou a repressão. Os regimes que foram estabelecidos rapidamente evoluíram para o fascismo ou nazismo.

Na Argentina, a FORA sofreu duras repressões e o massacre da “Patagônia Trágica”. O alemão Kurt Wilckens matou o homem responsável pela repressão.

Os anarquistas não desistiram da luta e agiram na clandestinidade na Rússia, Bulgária (ao redor de Cheïtanov) ou na Alemanha (o Grupo Vermelho e Negro ou Schwarzrotgruppe tentaram duas vezes, após anos de clandestinidade, assassinar Hitler).

O caso de Sacco e Vanzetti, anarquistas de ação convencidos de origem italiana, condenados à morte nos Estados Unidos, desencadeou protestos de solidariedade em todo o mundo.

Na Itália, os anarquistas tentaram assassinar Mussolini: Gino Lucetti em 1926 e Angelo Pellegrino Sbardaletto em 1932 (que foi fuzilado), além da ação do muito jovem antifascista Anteo Zamboni em 1926.

Na América Latina, o anarco-sindicalismo continuou sendo uma força importante na década de 1920. Foram forjados laços estreitos entre os trabalhadores revolucionários na Bolívia e o movimento indígena altamente ofensivo.

No Paraguai houve uma tentativa de insurreição em 1931, o que levou à breve experiência da Comuna Encarnación.

A repressão era dura em todos os lugares. No início dos anos 30, os anarquistas haviam perdido grande parte de sua influência para as tendências reformistas, colaboracionistas e autoritárias.

Na Suécia, os grevistas de Adalen foram fortemente reprimidos pelas autoridades.

Foi neste contexto que a revolução espanhola eclodiu em julho de 1936. Os nazistas estavam no poder na Alemanha e os fascistas controlavam a Itália. A revolta militar espanhola se seguiu ao golpe de Estado organizado dois anos antes em Portugal por Salazar, ao qual os anarco-sindicalistas portugueses haviam respondido com armas na mão. As autoridades os enviaram para a prisão Tarrafal em Cabo Verde.

Os anarquistas da CNT, com sua experiência histórica de greves de massa, várias tentativas de insurreição localizada no início dos anos 30 e a revolta das Astúrias (1934), resistiram ao golpe de Estado fascista, em particular graças a comitês de defesa preparados e treinados. O proletariado espanhol e a CNT lançaram a experiência de coletivizações na parte livre do país (Catalunha, Aragão, Valência, Murcia, Castela), e colocaram em prática seu projeto de comunismo libertário, discutido e amadurecido por anos.

A experiência foi enfraquecida pela participação no novo governo que queria unir as organizações de “esquerda”. A CNT, a primeira força revolucionária, apesar das diferenças dentro dela, renunciou à defesa da autonomia do proletariado e colaborou. Esta lógica política, contrária às concepções anarquistas afirmadas durante décadas, não foi perdoada: combatido pelos comunistas autoritários ligados à URSS de Stalin, assim como pelo exército de Franco, o proletariado espanhol sofreu uma sangrenta derrota.

O último bolsão revolucionário deixado no Ocidente antes da Segunda Guerra Mundial foi derrotado, e com ele a experiência mais bem-sucedida de transformação revolucionária do século 20. Os anarquistas espanhóis estão estacionados em campos de concentração no sul da França. Alguns foram para o exílio. Muitos queriam continuar lutando e se envolveram com a Resistência na França.

Os anos trágicos e o período pós-guerra

Quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, os maquis anarquistas permaneceram na Espanha, como os irmãos Quero (1940-1946) e os Jubiles (1939-1944) na Andaluzia, de Santeiro (Astúrias e León), de os Pinches na Galiza (ativos até 1950), assim como os que uniram os anarquistas com outras correntes.

Na Romênia, os Haiduks da Cotovschi realizaram atividades guerrilheiras de 1939 a 1941 e foram exterminados.

Na Itália, os anarquistas foram muito ativos na resistência e foram capazes de restabelecer seu movimento na Liberação.

Na França, os anarquistas, principalmente espanhóis, eram muito ativos como maquis antifascistas ou FFI, e liberaram várias cidades.

Os anarquistas do “terceiro campo” e certas correntes marxistas tentaram durante a guerra afirmar posições hostis aos diferentes campos beligerantes, e liderar ações em uma perspectiva internacionalista e proletária.

Na Alemanha, grupos clandestinos de anarquistas e comunistas de conselho estavam ativos após a guerra, especialmente em torno de John Olday, que esteve envolvido durante a guerra na revista War Commentary, na Inglaterra.

Após o armistício, uma CNT foi reconstituída na França. De acordo com algumas fontes, seus números eram significativos. Mas, uma peculiaridade francesa, os libertários iam favorecer o entrismo nos principais sindicatos, o que enfraquecia as posições da classe autônoma. Entretanto, a luta social foi intensa, com movimentos de greve maciça em 1947 e 1950, e episódios insurrecionais, como em 1955.

Por sua vez, os anarquistas espanhóis no exílio se lançaram na Espanha: vários ataques contra Franco foram organizados (incluindo um ataque aéreo em 1948), e a guerrilha organizou operações a partir da França. Gradualmente foram abandonados por sua organização, que se tornou imobilizada. Caracremada, o último guerrilheiro ativo, foi assassinado em 1963, depois de Facerías, Quico Sabaté e muitos outros.

Apesar da recomposição do mundo e da polarização em torno dos dois blocos vencedores da Segunda Guerra Mundial, revoltas importantes rapidamente nos lembraram da necessidade de uma revolução contra os blocos, os estados e o capital. O clima foi criado pela revolta dos trabalhadores em Berlim Oriental em 1953, que foi derrubada pelas autoridades comunistas, e depois em Budapeste, em outubro de 1956, quando foram criados os conselhos de trabalhadores.

Cuba é um dos países onde os anarquistas ainda estão ativos, após décadas de luta. De 1953 a 1959, eles participaram da luta para derrubar a ditadura de Batista. Assim que Fidel Castro chegou ao poder, eles foram severamente reprimidos. Aqueles que não acabaram na prisão foram para o exílio nos Estados Unidos e criaram fortes redes na Flórida.

Embora alguns revolucionários tenham escolhido defender um ou outro lado nestes anos turbulentos, na lógica do “mal menor”, estes eventos, como as intervenções dos Estados Unidos ou da França no exterior, demonstram a falsidade da lógica conciliadora.

A Revolução novamente

Os anarquistas começaram a se fazer sentir novamente por volta de 1968, especialmente as correntes capazes de captar os desenvolvimentos da época (a juventude como uma nova força revolucionária, o papel colaborativo dos sindicatos ainda mais marcado do que antes da guerra). Eles tomaram parte ativa no movimento de 1968.

Agora eles se inspiram no Socialismo ou Barbárie e na Internacional Situacionista e criticam a militância desligada da vida ou os aspectos ideologicamente marcados das teorias revolucionárias do passado.

Se a revolução fracassara na França, muitas pessoas se envolveriam nos anos seguintes em várias lutas de grande escala, desde o movimento anti-nuclear e greves selvagens até motins urbanos.

Na Itália, os “anos de chumbo” começaram com o assassinato do anarquista Giuseppe Pinelli.

Nos Estados Unidos, um movimento de protesto fundamental sacudiu a sociedade, contra o pano de fundo da Guerra do Vietnã (onde pelo menos mil oficiais foram mortos por soldados rebeldes!). Revistas como a Fifth Estate ou os textos de Freddy Perlman criticaram a base científica das teorias revolucionárias históricas e seu culto ao Progresso (incluindo o anarquismo). As organizações são questionadas em todos os lugares.

Grupos “autônomos”, às vezes armados, mais ou menos estruturados e especializados dependendo do caso, surgiram em vários países: em particular a Brigada da Raiva na Inglaterra (1970-1972), a GARI na França em 1974, e a Brigada George Jackson no Noroeste americano (1975-1977).

A Espanha, onde a agitação foi forte desde o início da “transição democrática”, especialmente nas fábricas, foi marcada pelos confrontos em Vitória, em 3 de março de 1976. Este massacre ocorreu após a execução de Salvador Puig Antich dois anos antes pelo governo de Franco. Em 1978, o caso Scala, uma criação do novo Estado “democrático”, tentou enfraquecer os anarco-sindicalistas da CNT e outros revolucionários de rua.

Levantamentos revolucionários, com tons antiautoritários mais ou menos fortes, ocorreram em Portugal (a “Revolução dos Cravos” de 1974), e depois na Itália em 1977, onde o prazer armado, um manifesto anarquista, circulou maciçamente em Bolonha. Depois veio a revolução iraniana de 1979, Polônia, África do Sul contra o apartheid…

Lutas importantes contra a indústria nuclear foram travadas tanto na Europa (Wyhl na Alemanha; Plogoff, Chooz e Golfech na França) quanto nos Estados Unidos, nos quais anarquistas e outros antiautoritários participaram ativamente.

Os anos 80 foram marcados pelas derrotas dos principais movimentos revolucionários, e a ideia de uma transformação revolucionária da sociedade tornou-se menos visível, especialmente após a aniquilação dos mineiros britânicos no final da grande greve de 1984-85.

No entanto, movimentos e revoltas menores continuaram a ocorrer. Os anarquistas foram ativos no movimento anti-prisão na Espanha, em vários grupos autônomos, na luta anti-nuclear na Itália.

Nos anos 90, a riqueza das propostas anarquistas foi redescoberta em países em tensão. Este foi particularmente o caso na América Latina após o período de ditaduras, através dos movimentos punk e anarco-punk.

Os anarquistas italianos, apesar de seus próprios aspectos ideológicos do insurrecionalismo, mostram que é possível agir aqui e agora, sem um movimento de massa, enquanto alguns anarquistas permanecem fortemente apegados ao passado, a lógicas comemorativas ou culturais.

Novas redes estão se formando. As correntes anarquistas e antiautoritárias continuam fortes em muitos países, apesar das perdas significativas em termos de crítica desde os anos 70, do avanço da alienação e da crescente invasão da mercantilização em todos os cantos do mundo.

O peso da ideologia às vezes é pesado, assim como a permeabilidade à lógica política, ou às novas modas que saem da Universidade. Nasceu uma enxurrada de correntes e “ismos”, compostos e recompostos de acordo com falsas novidades que os burocratas, pequenos líderes e intelectuais mais ou menos institucionais capitalizaram.

Entretanto, os anarquistas permaneceram em posição de dar importantes contribuições para as lutas de seu tempo. Eles estão no centro do movimento de revolta na Grécia, que culminou em 2008. Casos e esquemas repressivos, às vezes sob o rótulo de luta contra o “terrorismo”, visaram camaradas na França, Itália, Chile, Espanha ou México.

Além das lutas lideradas por anarquistas, é particularmente importante compreender a importância das lutas lideradas em toda parte contra a exploração e o domínio (contra os transgênicos, contra projetos industriais e de desenvolvimento, lutas urbanas desenfreadas, etc.), sejam elas de escopo limitado ou não. Várias correntes e grupos antiautoritários foram capazes de fazer isso e se equiparam com os meios para intervir diretamente na busca de coerência com os objetivos reivindicados.

As contribuições das diversas correntes anarquistas do passado continuam sendo fundamentais. A consequência histórica dos anarquistas em sua luta contra o existente, sua promoção da ação direta e da vontade humana como motores essenciais da transformação revolucionária, ou sua insistência na importância da coerência entre os meios e o fim, representam armas fundamentais na luta contra este mundo.

Também vale a pena notar sua concepção anti-elitista de luta e atividades, incluindo a teoria. Ao contrário dos especialistas que ganham fama com suas “contribuições” e reivindicam a autoria, é importante apontar o que nos oprime, em nossas próprias condições, e esclarecer as lutas que travamos, identificando seus limites e contradições. Contra a frieza analítica e a suposta objetividade dos intelectuais, é necessário fazer referência a situações e momentos vividos, rejeitando papéis e lutando contra a reprodução das relações hierárquicas desta sociedade.

Os anarquistas escreveram e continuam a escrever belas páginas de luta, que falam com nossas cabeças e corações. Porque eles eram e ainda são indivíduos de carne e osso, com suas contradições e sua grandeza.

Sem a necessidade de forjar ícones e modelos, encontramos inspiração nas magníficas canetas de Armand Robin ou Stig Dagerman, no entusiasmo combativo do argentino Rodolfo González Pacheco, na ação revolucionária realizada em todo o mundo pelos anarquistas italianos (do Egito à América), na profundidade das contribuições de André Prudhommeaux.

A história dos anarquistas e suas lutas também é veiculada através da memória de personalidades cativantes e apaixonadas como Octave Jahn, eterno rebelde da França à Espanha e depois ao México; de rebeldes vitalícios como Gino Gatti, o expropriador; inovadores como os jovens holandeses libertários do grupo De Moker; Louise Michel que confraternizou com os Kanaks em seu exílio na Caledônia; indivíduos fortes como Maria Monbiola, também conhecida como Maria Dinamita, de Toulouse, Emma Goldman, a chilena Flora Sanhueza, e muitos outros.

Que chovam os paralelepípedos!

Maio 2017

souslaplagelespaves[@]riseup.net

> Nota final <

Este pequeno texto não pretende oferecer um ABC, um manual chave de anarquismo chave, nem apresentar uma história suave, sem contradições, feita de heróis e mártires. Ela deve estar ligada a nossas Perspectivas.

É, portanto, mais uma evocação da riqueza das lutas travadas pelas correntes anarquistas que nos precederam do que uma apropriação, um desejo de justificar nossas lutas atuais no passado.

Esperamos que sirva para restabelecer alguns elementos de uma história que alguns muitas vezes criticam a partir de posições confortáveis, com frieza ou a partir de teóricos “reconhecidos”, quando a história foi escrita em lágrimas e sangue.

Não pretendemos evacuar as contradições da história anarquista. Mas pensamos que isto deve ser feito pelas revoltas, em relação à crítica que elas carregam contra o que as oprime.

A Sociedade do Espetáculo tem feito muito para que as ricas experiências do passado caiam no esquecimento, em um momento em que a temporalidade das redes sociais facilita a superficialidade, em detrimento da transmissão de práticas e experiências. Que este texto sirva como uma modesta contribuição para reverter esta tendência, e o resto.

> Uma nota adicional sobre a história <

Não subscrevemos a visão linear que apresenta a história humana como uma sucessão qualitativa de fases, no final das quais chegaríamos à liberdade.

A história da luta pela liberdade não começou com os anarquistas. Varia de acordo com os diferentes contextos vividos pelas sociedades humanas em sua diversidade histórica, desde a luta das tribos contra as civilizações, passando pelos grandes movimentos camponeses do Ocidente, até as lutas dos escravos ou das comunidades contra a colonização na América e em outros lugares…

Em alguns desses contextos, algumas vezes surgiram concepções que podem ser semelhantes às dos anarquistas, historicamente ou hoje. Pensamos, por exemplo, que as revoltas que abalaram a Inglaterra a partir do século XVII e suas correntes radicais, a experiência de certos piratas e Ludditas quebradores de máquinas, têm um conteúdo antiautoritário mais pronunciado do que as experiências que ocorreram “em casa” durante a Revolução Francesa, cujas correntes são todas marcadas pelo centralismo, o culto do Estado e da Nação.

Não há nenhum sujeito revolucionário, nenhum grupo cujo papel, missão ou vontade natural seja fazer a revolução. Não há nenhuma categoria, assunto ou contexto a ser idealizado.

Cabe-nos, portanto, continuar a estudar, com suas contradições e sem fetiches, a rica história das revoltas tribais e camponesas, as lutas dos mendigos, dos miseráveis e outros lúmpen proletariados, que trabalharam antes de nós para perturbar o existente, a fim de viver de forma diferente.

Fonte: https://www.meneame.net/m/Lib%C3%A9rtame/anarquistas-historia-corta-pero-apasionante?fbclid=IwAR3EQLeheSM570NAtC5xyukCRW_jeOtiWySD_bohpKXIGc3g434Hn73Yf88

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Suavíssimo choro
de menino ouço — vento
surrando bambus.

Kissyan Castro

[Espanha] Lançamento: “Gràfica anarquista. Utòpica tinta 1931-1939”

Observatori de la Vida Quotidiana (edição), Vários Autores

Depois de Gràfica anarquista. Fotografia i Revolució social (1936-1939), foi publicado o segundo volume do projeto de pesquisa Gràfica Anarquista del Observatori de la Vida Quotidiana. Tem o título de Gràfica anarquista. Utòpica tinta (1931-1939), reúne o trabalho e a vida dos desenhistas anarquistas.

Durante os anos da Guerra Civil espanhola, um grupo de desenhistas pegou o lápis para construir um novo mundo baseado no ideal libertário. Ao longo do caminho eles lutaram contra o fascismo e o capitalismo, criticaram a república e colocaram sua arte a serviço da guerra. Silenciados e reprimidos pela ditadura, esquecidos na democracia, agora renascem da tinta e do papel para refletir sobre o presente e olhar para o futuro. O livro inclui ilustrações e desenhos de Acín, Shum, Helios Gómez, Monleón, Grapa, Cochet, Boy, Gumsay, Carmona, Sim, Toni Vidal, Les, Lamolla, Lobo, Esbelt, Niu, KDNA e Badia Vilató.

Gràfica anarquista. Utòpica tinta 1931-1939

Observatori de la Vida Quotidiana (edició), AA. VV

Ayuntament de Barcelona, 2021

224 Págs. Rústica. 25,5x 21,5 cm.

ISBN: 9788491563327

20.00 €

ajuntament.barcelona.cat

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agência de notícias anarquistas-ana

Onde começa, onde acaba
a cabeça, a cauda
da serpente do mar?

Kyorai

[EUA] A Resistência ao Gasoduto MVP Libera uma Declaração Após Enfrentar Acusações Legais

Quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

A Appalachians Against Pipelines [Apalaches Contra Gasodutos] apresentam duas declarações de Tom e Molly sobre sua luta recente contra acusações criminais e a luta contínua contra o Gasoduto de Mountain Valley.

Em abril, Tom e Molly foram presos após Tom barrar a entrega de um cano para um sítio de construção do Gasoduto de Mountain Valley ao se prender ao caminhão por várias horas. Cada um sofreu várias acusações e foram detidos sem fiança até a decisão ser revertida para uma quantia ultrajante de $15,000 cada.

Após as acusações injustas e assustadoras, incluindo sequestro criminoso, arrastando-se por meses, ambos aceitaram acordos oferecidos que incluíam serem julgados culpados de uma única contravenção. Seguem algumas reflexões da Molly:

“Hoje estou pensando em quanta sorte tenho por estar na posição em que estou. Estou pensando em todas as pessoas aguardando julgamento que não têm um amplo sistema de apoio comunitário que é capaz de cobrir a fiança. Estou pensando em todas as pessoas em situação de cárcere, vítimas de um sistema que sustenta a violência racial e a criminalização da pobreza. Estou pensando em todas as pessoas que nunca tiveram a chance de provar sua inocência quando a polícia que encontraram escolheu se autonomear juiz, júri e carrasco.

“As declarações do juiz no tribunal de hoje se manteve em torno dos nossos efeitos nos lucros do MVP, em nossos efeitos na venda de gás natural – eu aprecio essa honestidade e clareza. Nosso desfecho de hoje não foi baseado em determinar o dano às comunidades, à terra, às pessoas a nossa volta; foi diretamente alinhado com o que todas as estruturas coloniais, especificamente o nosso sistema legal, mantêm: a adoração do ganho monetário, não importa o custo que tenha.

“Sou grata pelo apoio que recebi. Sei no meu coração que colonizadores brancos e, neste caso em específico, Apalaches brancos, nunca encontrarão paz real até que esta terra seja retornada a seus guardiões por direito.”

Como apontou a Molly, hoje o juiz do Condado de Giles deixou abundantemente claro de que os tribunais e o Estado estão em seus lugares para proteger os lucros das empresas de combustíveis fósseis. Ele sugeriu que esse gasoduto DEVE ser terminado porque há um mercado para o gás natural, ainda que saibamos por anos que isso não é verdadeiro – que esse gasoduto na realidade criará a demanda por gás natural e nos forçará ainda mais ao caos climático.

Nesta tarde, no mesmo dia em que Tom e Molly estiveram frente a frente com o juiz da Virgínia para receber punição por defender as terras e as águas da destruição do gasoduto, o Virginia State Water Control Board [Conselho de Controle Hídrico do Estado da Virgínia] votou pela aprovação da licença do MVP para a travessia das águas em suas terras. Essa decisão colocará em risco centenas de riachos e canais que são lares para incontáveis espécies de animais e plantas.

O MVP provou diversas vezes sua incompetência em construir gasodutos por esses declives – causando deslizamentos, derrubando escavadores, desenterrando tubulações e refazendo seu trabalho sem qualidade. Como o MVP pode ser confiado com a perfuração sob ecossistemas delicados aninhados nos riachos e canais? Como podemos confiar em nossas instituições estatais para proteger essas montanhas e a água quando sabemos que são movidas pelos lucros?

Em abril, Tom e Molly se engajaram em barrar o MVP quando os tribunais e agentes de fiscalização falharam em fazê-lo. Encararam algumas das acusações mais absurdas contra pessoas enfrentando gasodutos nestas campanhas até hoje. Ainda, como afirmou Molly, há milhares de outras pessoas trancadas em jaulas, presas ao assim chamado sistema de “justiça criminal”, sem apoio comunitário. Vamos trabalhar para apoiar a todos e todas em prisões e cadeias com a mesma urgência daqueles que se colocaram no caminho dos gasodutos. Enquanto continuamos a lutar contra esse gasoduto, estamos também lutando para acabar com esse sistema e #FreeThemAll [libertar a todos e todas]!

Fonte: https://itsgoingdown.org/tom-and-molly-statements-stop-mvp/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

Num pesado embalo
alguém traz a cerejeira –
Noite de luar.

Suzuki Michihiko

[Canadá] Defensores da Floresta Humboldt: “Solidariedade com Defensores de Terras Indígenas”

Declaração de solidariedade daqueles bloqueando e defendendo florestas tropicais do desmatamento industrial no assim-chamado Condado de Humboldt com defensores das terras indígenas.

Por Redwood Forest Defense

No feriado de ação de [des]graças, um dia coletivo de luto nos assim-chamados Estados Unidos, nós nos colocamos em solidariedade com defensores de terras indígenas do passado e do presente, lutando para proteger sua subsistência da ocupação colonial.

Queremos ecoar os chamados de apoio dos defensores de terras indígenas.

Na assim-chamada British Columbia, em 19 de novembro, a RCMP (royal canadian mounted police) mais uma vez atacou violentamente territórios desproprietários Gidimt’em em uma tentativa para coibir defensores de terras indígenas de proteger as nascentes Wedzin Kwa. Isso é parte da resistência contínua da nação Wet’suwet’en ao gasoduto da Coastal GasLink proposto pela TC Energy.

Em Winnemucca, NV, apoio na linha de frente é urgentemente necessário para barrar o despejo de indígenas em seus lares. Os despejos estão sendo feitos no intuito de abrir espaço para habitação de trabalhadores que vêm para a área para participar de um projeto de mineração de lítio na Peehee Muh’ha (Thacker Pass), um local sagrado para o povo Paiute.

Há também defensores da floresta de ancestralidade colonizadora bloqueando uma rodovia da Green Diamond Resource Company em Tsurai, um local da vila Yurok. O bloqueio é parte da luta contínua em deter o desmatamento nas florestas biodiversas em uma área já vastamente desmatada.

Fonte: https://itsgoingdown.org/solidarity-with-indigenous-land-defenders-humboldt/

Tradução > Sky

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agência de notícias anarquistas-ana

Dança da mulher molhada
Ao vento o galho
Orvalho nas pétalas.

Silvia Mera

[EUA] Trabalhadores da Amazon Marcham para Fora de Seus Postos no Illinois

Por Jeff Schuhrke | 24/12/2021

Termina um Ano de Ação Trabalhista na Amazon

Pela primeira vez, a Amazon está enfrentando uma paralisação trabalhista em várias unidades pelos Estados Unidos. Vem em um ano marcado pela organização de sindicatos e militância trabalhista na gigante comercial.

Na manhã de quarta-feira, várias dezenas de trabalhadores e trabalhadoras da Amazon em duas estações de entrega da área de Chicago orquestraram uma marcha para fora dos seus postos, demandando aumentos salariais e condições mais seguras de trabalho, tornando-se a primeira vez que a gigante da tecnologia vê uma paralisação trabalhista em múltiplas unidades nos Estados Unidos.

Vinda apenas três dias antes do Natal para assegurar o máximo impacto, a ação encerra um ano de organização intensa e protesto dos trabalhadores dos depósitos da Amazon, que estiveram na linha de frente de ambos a pandemia do Covid-19 e eventos de extremas condições climáticas.

Organizadas pela rede trabalhista Amazonians United, as marchas ocorreram durante os turnos matutinos na filial DIL3 da empresa, no bairro Gage Park de Chicago e no depósito DLN2 na cidade próxima Cicero.

“Fomos mal pagos, sobrecarregados de trabalho e também distribuídos sem segurança por meses,” declarou Ted Miin, associado de separação e membro da Amazonians United na estação de entregas DIL3. “Tentamos levantar essas questões com a gerência, mas efetivamente rejeitaram nossas preocupações.”

Miin contou ao In These Times que, no depósito do Gage Park, 65 de aproximadamente 100 trabalhadores assinaram uma petição demandando um aumento salarial de $3‑por hora e a distribuição segura de pessoal. A petição foi enviada à gerência há um mês, mas os trabalhadores não receberam uma resposta. “Eles não estão nos levando a sério, então estamos indo embora,” afirmou.

Na estação de entregas DLN2, em Cicero, Miin explicou que a gerência explicitamente prometeu pagar em dobro aqueles trabalhando no Dia de Ação de Graças, mas pagou a quantia normal e mais a metade. Também afirmou que novas contratações na unidade não receberam o bônus prometido de $1,000 de entrada.

“Não recebemos os bônus que fomos prometidos. Há pessoas aqui que foram contratadas como trabalhadores permanentes, e então tiraram suas identificações e as fizeram trabalhadores temporários,” um trabalhador de Cicero contou aos jornalistas na quarta-feira. “Eles estão distribuindo a equipe sem segurança, fazendo as pessoas trabalharem rápido demais.”

Os trabalhadores de Cicero disseram ter a demanda de um aumento salarial de $5 por hora e o retorno das pausas de 20 minutos, alegando que os gerentes recentemente reduziram as pausas para cinco minutos.

“Estamos dispostos a voltar ao trabalho. Trabalharemos arduamente para assegurar que todos recebam seus presentes de Natal, todos recebam seus pacotes. Queremos apenas ser tratados de forma justa,” explica outro trabalhador de Cicero. “Este é o mês mais movimentado do ano. Se a Amazon ceder às nossas demandas, tratar-nos decentemente como seres humanos, faremos o Natal de todos muito bonito.”

A gerente de relações públicas da Amazon Barbara Agrait comentou as alegações dos trabalhadores para o In These Times: “Respeitamos os direitos dos funcionários de protestar e reconhecemos seus direitos legais de fazê-lo. Somos orgulhosos por oferecer aos funcionários pagamento acima da média do mercado, benefícios competitivos e a oportunidade de crescer dentro da empresa.”

As marchas chegam em um momento em que as políticas de segurança da Amazon estão sob escrutínio após seis trabalhadores serem mortos quando um tornado passou por uma estação de entregas em Edwardsville, no Illinois, no dia 10 de dezembro. Seguindo essa tragédia, ao menos 500 funcionários da Amazon na Costa Leste assinaram petições pedindo pelo fim do banimento da empresa em trabalhadores trazerem seus celulares para os depósitos, o que limita suas habilidades para se manterem atualizados sobre eventos climáticos severos ou outras emergências.

A Amazonians United é uma rede solidária de trabalhadores da Amazon distribuídos pelo país, funcionando como um sindicato, mas sem buscar o reconhecimento legal pelo National Labor Relations Board (NLRB) [Conselho Nacional de Relações de Trabalho]. Desde 2019, seus membros organizaram petições, campanhas e paralisações para ter sucesso em ganhar folgas pagas em caso de doença, aumentos salariais e medidas de segurança.

Por não buscar reconhecimento legal, a estratégia da Amazonians United é definitivamente diferente dos sindicatos estabelecidos como o Retail, Wholesale and Department Store Union (RWDSU), que perdeu uma votação sindical de larga escala no depósito da Amazon em Bessemer, no Alabama, na última primavera, porém refará a votação após o NLRB descobrir que a empresa intimidou ilegalmente os trabalhadores durante as votações.

“Somos um sindicato. Somos uma rede solidária. Cuidamos uns dos outros,” Miin afirmou sobre a Amazonians United, argumentando que, no reino legal dos votos certificados do NLRB, a empresa tem mais poder porque pode contratar advogados mais caros e destruidores de sindicatos. “Estamos focados em construir nosso poder onde temos poder, o que é no chão da loja. Nossa união vem da nossa relação mútua como colegas de trabalho. Construímos nossa rede ao nos engajarmos na luta.”

As marchas da área de Chicago são apoiadas pelo Warehouse Workers for Justice (WWJ) — um centro de trabalhadores baseado em Joliet, no Illinois, que também organiza e advoga por funcionários da Amazon.

“Há apenas uma semana vimos o alto custo da perseguição incansável de lucros da Amazon na tragédia de Edwardsville, no Illinois,” declarou Marcos Ceniceros, diretor executivo interino da WWJ. “Desde então, a Amazon não diminuiu o ritmo e está colocando a saúde dos trabalhadores em risco diariamente, sem consideração por suas vidas ou subsistência. Nós nos solidarizamos com a Amazonians United em sua luta pelas condições de trabalho justas e seguras que todos merecemos.”

Rep. Jesús “Chuy” García (D‑Il.), cujo distrito inclui o Gage Park, também expressou seu apoio pelas marchas pelo Twitter: “Vamos apoiar os trabalhadores corajosos da Amazonians United em Chicagoland, lutando por melhores salários e condições de trabalho! É hora do Jeff Bezos e da Amazon pagarem sua parte!”

A paralisação de quarta-feira tinha a expectativa de durar ao menos até o final do turno matutino e Miin afirmou que ele e seus colegas esperariam a resposta da gerência antes de definir os próximos passos. Funcionários da unidade de Cicero alegam que supervisores fizeram ameaças ilegais de lhes impedirem de voltar ao trabalho, mas que planejam retornar de qualquer forma.

“Sabemos que estamos sendo tratados de forma injusta, e estamos fazendo algo sobre isso,” explicou Miin, com a esperança de que outros trabalhadores seguirão o exemplo da Amazonian United. “Se podemos, de alguma forma, servir de encorajamento ou inspiração para os outros, queremos que os nossos e todos os outros trabalhadores vejam que podemos nos organizar, podemos lutar — e que, quando lutamos, ganhamos.”

Fonte: https://popularresistance.org/amazon-warehouse-workers-walk-off-the-job-in-illinois/

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

O ar tremeluz –
A areia sobre o rochedo
Vai caindo aos poucos.

Hattori Tohô

[Itália] Anulação das medidas da Operação Sibilla

É com prazer que tomamos conhecimento do cancelamento de todas as medidas preventivas contra anarquistas afetados pela “Operação Sibilla”. Segue uma declaração dos camaradas de Spoleto:

Operação Sibilla: todas as medidas preventivas canceladas

Hoje chegou a notícia de que todas as medidas preventivas para a operação de repressão Sibilla de 11 de novembro, dirigida em particular contra o jornal anarquista “Vetriolo”, foram anuladas pela corte de re-examinação que ocorreu em 14 de dezembro. Sendo assim, as obrigações de informar a polícia de sua localização impostas a três camaradas, a prisão domiciliar de Michele Fabiani e a prisão preventiva de Alfredo Cospito, que continua encarcerado pela sentença de 20 anos no processo Scripta Manent, foram canceladas.

As motivações serão divulgadas dentro de 45 dias. Sem entrar no mérito da documentação legal, parece que o uso do termo “anulação” representa a negação máxima possível a nível técnico das hipóteses acusatórias. Em todo caso, quaisquer que fossem as respostas dos juízes, nossa firme perseverança é mantida na propaganda revolucionária anarquista, na solidariedade com os camaradas encarcerados e na defesa de publicações anarquistas. A repressão não nos surpreende: sabíamos que as condenações recentes no processo de apelação do Scripta Manent contra a última edição da “Anarchist Black Cross” seria um precedente infame.

Reiteramos nossa solidariedade com Alfredo, que esta investigação almejava isolar e silenciar. Um abraço a Anna, Juan, Beppe, David e todos os encarcerados que não abaixaram suas cabeças. […]

Anarquistas de Spoleto

16 de dezembro de 2021

Fonte: https://ilrovescio.info/2021/12/17/annullate-le-misure-delloperazione-sibilla-comunicato-di-alfredo-cospito/

Tradução > Sky

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/22/italia-solidariedade-aos-companheiros-investigados-na-operacao-sibilla/

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agência de notícias anarquistas-ana

este papel de parede
ou ele se vai
ou eu me vou

Oscar Wilde

[Itália] Escrito de Alfredo Cospito sobre a Operação Sibilla

28 de novembro de 2021

Na esperança de passarem pela censura, jogo estas linhas no papel. Primeiro de tudo, afeição e solidariedade aos camaradas que estiveram envolvidos nesta enésima repressão boba, especialmente ao Michael que está sob prisão domiciliar e todos os outros camaradas do “Vetriolo” e dos sites anarquistas “Round Robin” e “Malacoda”, que foram obscurecidos.

Envio então de volta as “solidariedades” peludas que formações democráticas e reformistas como a “Potere al Popolo” [Poder ao Povo], “Rifondazione Comunista” [Reorganização Comunista] e “Italian Communist Party” [Partido Comunista Italiano] me mandaram indiretamente ao se solidarizar aos acusados da operação “Sibilla”. Não preciso da sua “solidariedade” porque cuspo na sua democracia e na sua Constituição. Nunca gostei de reclamações por liberdade de opinião, então não vou me demorar na falta de respeito pela liberdade de pensamento. Dito isso, quero reiterar que estou sendo e que fomos investigados, não por palavras em liberdade, ou por alguma pichação em paredes, mas pelo que somos: anarquistas consistentes.

Essa enésima operação repressiva vem bater, entre outras coisas, nos jornais anarquistas e revolucionários como o “Vetriolo” que, em um período cheio de revoltas (e, assim, de oportunidades que não poderiam ser perdidas) e confusão ideológica, têm continuado destemidos a fomentar a luta de classes em uma perspectiva anarquista e insurrecional. Finalmente, quero ser muito claro em um ponto: a teoria, se não for acompanhada pela prática, é merda ou pouco mais que isso. Permitam-me dizer, com um mínimo de orgulho, que a minha vida (como a vida de todo anarquista digno do nome) é caracterizada pela tentativa de conciliar teoria e ação.

Aos servos do Poder, digo apenas uma coisa: vocês podem me manter na cadeia pelo resto da minha vida, mas desistam, vocês não serão capazes de tirar minha coerência e respeito próprio, quem dirá o prazer desejo de lutar contra vocês.

Sempre pela Anarquia

Alfredo Cospito

prisioneiro anarquista

Fonte: https://ilrovescio.info/2021/12/17/annullate-le-misure-delloperazione-sibilla-comunicato-di-alfredo-cospito/

Tradução > Sky

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agência de notícias anarquistas-ana

Noite sem lua ou estrelas
o bebedor de sakê
bebe sozinho.

Matsuo Bashô